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Gabriela Lima Queiroz Clínica Cirúrgica de Grandes Animais 9 semestre SISTEMA TEGUMENTAR: CLASSIFICAÇÃO DAS FERIDAS: CLASSIFICAÇÃO DE COMPLEXIDADE: QUANTO AOS PLANOS ENVOLVIDOS: Simples: o Superficiais; o Bordas limpas e regulares; o Susceptível de reunião imediata; o Sem lesão vascular ou nervosa. Composta: o Profunda e penetrante; o Atingem vários planos anatômicos; o Músculos, tendões, vasos, nervos e ossos; o Evolução lenta; o Cicatrização demorada. QUANTO AO TIPO DE TRAUMA: Perfuradas: o Dor pouco intensa; o Hemorragia externa; o Pequena separação de bordas; o Agulhas, estiletes. Contusas: o Lesão por esmagamento de tecido; o Objetos rombos em velocidade; o Dor; o Pouca hemorragia; o Necrose e infecção. Incisas: o Dor pouco intensa; o Hemorragia considerável; o Bordas regulares; o Necrose e infecção. Avulsão: o Tração violenta; o Dor; o Hemorragia; o Bordas irregulares. Armas de Fogo: o Alterações de acordo com o calibre, distância, local; o Projéteis balísticos. QUANTO À CARGA MICROBIANA: Limpas: o Assépticas. Limpas contaminadas: o < 6 horas. o Pode suturar Contaminadas: o > 6 horas. Infectadas: o Evidente reação inflamatória, presença de agente infeccioso (pus). *Deve-se avaliar a ferida individualmente, e não apenas em relação ao tempo* QUANTO AO TIPO DE CICATRIZAÇÃO: Primeira Intenção: o Fechadas cirurgicamente. Segunda Intenção: o Não coaptação. Terceira Intenção: o Corrigidas cirurgicamente após granulação. FASES DA FERIDA: Inflamação aguda: o Vasoconstrição; o Vasodilatação; o Aminas Vasoativas/Polimorfonucleares; o Combate à contaminação; o Remoção de tecidos lesados (debridamento); o Atração de fibroblastos. Fase de Proliferação Celular: o Fibroplastia – formação de tecido de granulação (início 3-5d após a lesão); o Angiogênese (processo de formação de vasos sanguíneos a partir de vasos já existentes); o Epitelização. Fase de Maturação e Remodelamento: o Contração; o Remodelamento de matriz. Complicações: o Deiscência de pontos; o Herniação; Gabriela Lima Queiroz Clínica Cirúrgica de Grandes Animais 9 semestre o Infecção; o Cura retardada; o Formação de queloides; o Tecido de granulação exuberante. *Diagnóstico precisa ser correto para correção satisfatória do problema* *Bloqueio cutâneo Terminações da pele são mais sensíveis* *Dependendo da localização da lesão cutânea é considerada uma emergência hemorragias, contaminação, perfuração de órgãos. TIPOS DE CICATRIZAÇÃO: POR PRIMEIRA INTENÇÃO: o Aproximar as bordas; o Reduzir tensão; o Reduzir espaço morto Decisão e execução da técnica correta. o Qual a abordagem? (Éxerese? Plastia? o Drenos?) o Qual fio? (Qual o plano?) Depende da região, preferencialmente inabsorvíveis e monofilamentados (contaminação, capilaridade, força de tensão). Nylon (mais utilizado); Algodão (evitar por causa da alta capilaridade); Polipropileno (força tênsil menor); Seda. 0 regiões sem tensão; Até o 3 regiões com tensão. o Qual padrão utilizar? Tensão? Padrões verticais e horizontais; Preferência pessoal; Simples separado; Wolf; Reverdin (retilíneas e descornas); Bordas com Wolf não ficam justapostas, mas a força tênsil é maior; X e contínuas são mais isquemiantes (evitar); Subcutâneo fios absorvíveis; VY plastia Usa para blefaroplastia; Dreno Penrose Mais utilizado; Feridas que precisam de drenos pescoço, peito, guadril costal; Pode usar equipo como dreno fazer furos! PADRÕES BÁSICOS DE SUTURA: Subcutâneo: o Feito no tecido subcutâneo; o Reduzir o espaço morto; o Reduz tensão; o Inapropriado sozinho. Simples interrompido: o Excelente aposição; o Menor comprometimento vascular (do que as contínuas); o Tensão variável entre os pontos; o Pode ser combinada; o Possui tempo maior de execução. Simples contínua: o Rápida execução; o Maior comprometimento vascular (edema/inflamação); o Não pode variar tensão; o Resultado plástico pobre. Colchoeiro vertical X horizontal: o Fortes; o Boa aposição (vertical); o Isquemia (horizontal); o Aposição variável (eversão – horizontal). VY Plastia: Gabriela Lima Queiroz Clínica Cirúrgica de Grandes Animais 9 semestre o Usado em blefaroplastias. Pode fazer esses pequenos cortes para diminuir a força de tensão na área e promover melhor resultado da sutura. Wolf captonado utiliza-se um cápton para reduzir a força de tensão. Drenos: o São utilizados para evitar edemas e seromas. POR SEGUNDA INTENÇÃO: Ferramenta TIME: o T Tecido (se está viável ou não no leito); o I Presença de exsudato (indicador de infecção); o M Umidade (desequilíbrio desta); o E Referente à borda da ferida (se está avivada ou não). Queixa principal: o Feridas não responsivas ao tratamento convencional e crescimento constante. 1- Avaliar a conduta terapêutica da ferida; 2- Avaliar fatores que podem alterar a cicatrização. FATORES QUE ALTERAM A CICATRIZAÇÃO DA FERIDA: Estado físico do paciente; Anemia e hemorragia; Uremia; Má nutrição/deficiência proteica; Microminerais: Zinco, cobre, cálcio, ferro; Vitaminas: A, K, C, E; Antiinflamatórios: Não esteroides e corticosteroides; Traumatismos e corpos estranhos; Infecções. USO DE ANTISSÉPTICOS: Qual o antisséptico ideal? o Amplo espectro e rápida ação; o Efeito residual; o Efeito cumulativo; o Baixa inativação por matéria orgânica; o Estável; o Não corrosivo; Gabriela Lima Queiroz Clínica Cirúrgica de Grandes Animais 9 semestre o Odor agradável; o Custo acessível; o Disponibilidade no mercado local; o Veiculação funcional em dispensadores ou embalagens de pronto uso. CLOREXIDINE: Usado em feridas somente na concentração de 0,05%; Amplo espectro bacteriano; Tem efeito residual de até 48 horas; Não é absorvido sistematicamente; Proteus, Serratia e Pseudomonas são resistentes. IODO POVIDINE: Deve ser utilizado em feridas somente na concentração de 0,1 a 1%; Efeito residual de 4 a 8 horas; Pode ser tóxico para neutrófilos e fibroblastos; Quando usado em grandes feridas, cavidades ou mucosas, pode ser absorvido e levar à toxidez. DERIVADOS DA AMÔNIA QUATERNÁRIA: São ativos contra bactérias (gram +), fungos, protozoários e vírus; Podem ser inativados na presença de pus, sabão, iodo e sangue; É mais efetivo que o iodo, mas inferior ao clorexidine. LÍQUIDO DE DAKIN: É a base de hipoclorito de sódio; É mais efetivo em ph ácido; Deve ser preparado no dia; É utilizado nas concentrações: 0,5% (somente no primeiro dia, para tecidos necróticos); 0,25% e 0,125% são mais recomendadas. PERÓXIDO DE HIDROGÊNIO – ÁGUA OXIGENADA: Citotóxico para fibroblastos; Bactericida fraco; Causa trombose da microcirculação; É utilizado a concentração de 3%, apenas no primeiro dia para remover debris. OUTROS AGENTES: Pomadas a base de antibióticos: o Nitrofurazona. Tartarato de ketanserina; Açúcar; Mel; Alantoína; Iodofórmio; Sulfato de cobre. ANOTAÇÕES MINHAS: Bandagens: o Proteger da umidade, poeira, fezes e ações mecânicas. Açúcar: o Hiperssaturado: não tem água para a bactéria se proliferar; o Agressivo: prolifera tecido de granulação; o Osmose: estimula neovascularização. Viabilidade e nivelamento do leito: o Substrato para a pele; Gabriela Lima Queiroz Clínica Cirúrgica de Grandes Animais9 semestre o Se não estiver nivelado a pele não progride. Borda: o Vitalidade; o Reatividade (proliferação); o Reavivar bordas: remoção cirúrgica, escarificação, só com a gaze (ação mecânica). Concentrações de clorexidine acima de 0,5% são altamente agressivas ao tecido excesso de granulação; Água oxigenada acelera a granulação. o Se tem biofilme ela pode atuar fazendo o debridamento. Alginato: o Composto em pó que estimula troca iônica de Ca e Na e auxilia na granulação. FERIDAS NÃO RESPONSIVAS AO TRATAMENTO CONVENCIONAL E DE CRESCIMENTO CONSTANTE – HISTOPATOLOGIA: HABRONEMOSE CUTÂNEA – “FERIDA DE VERÃO”: Enfermidade granulomatosa ulcerada da pele; Resultado da migração errônea da larva do Habronema microstoma ou muscae ou Draschia Megastoma; Vetores: Musca doméstica e Stomoxys calcitrans (mosca dos estábulos). o Anamnese: Aparecimento na primavera ou verão, quantidade de moscas na propriedade. o Não há predisposição quanto à raça, idade ou sexo; o Exame macroscópico: Reação granulomatosa cutânea em ferimento cutâneo e/ou locais úmidos como prepúcio, ventre, e região distal dos membros; canto medial do olho e terceira pálpebra (habronemose conjuntival) animal coça o olho fere o canto medial habronema. o Exame histopatológico: realização de biópsia; Intenso infiltrado eosinofílico, com células gigantes, próximas às larvas do nematódeo (nem sempre as larvas são observadas). o As feridas podem desaparecer no inverno (reação de hipersensibilidade?); o Ivermectina: 0,2 mg/kg, via oral; o Organofosforados locais e sistêmicos; o Triclorfon (Neguvon) – 20 mg/kg IV (sol. Fisio.); o Fenthion (Tiguvon); o Tiguvon colírio (2-3 gotas/dia); o Tratamento da úlcera de córnea; o Formulações tópicas Gabriela Lima Queiroz Clínica Cirúrgica de Grandes Animais 9 semestre o EXCISÃO CIRÚRGICA: LESÕES EXTENSAS E REFRATÁRIAS AO TRATAMENTO MEDICAMENTOSO. o Programa de vermifugação adequado (administração de ivermetina oral a cada 3-4 meses); o Destino adequado das fezes; o Controle dos vetores. PITIOSE OU ZIGOMICOSE: Afecções causadas por Pythium insidiosum (Oomicetos) – ZOONOSE; Tecido de granulação exuberante que se desenvolve, em geral, a partir de uma lesão de pele; Descontinuidade de pele pré-existente: o Habronemose; o Pitiose. Lesões que não cicatrizam. o Anamnese: Animal mantido em ambiente quente e úmido; Presença de lagoas ou brejos. o Sinais Clínicos; o Regiões: distal de membros, ventral do abdômen, pescoço e cabeça; o Feridas com focos necróticos; o Granuloma com várias fístulas; o Odor fétido, prurido intenso; o Grumos amarelados (“kunkers”); o Crescimento rápido; o Exame histopatológico (hifas) e cultura. o Excisão cirúrgica: Ressecção profunda; o Iodeto de potássio: 67mg/kg/V.O./30 dias; o Anfotericina B: 0,3mg – 0,9mg/kg/kg/IV/30 dias; o Anfotericina B (local): 50g + DMSO (10Ml); o Anfotericina B: perfusão regional; o Imunoterapia: PitiumVac (3 a 4 doses SC). Gabriela Lima Queiroz Clínica Cirúrgica de Grandes Animais 9 semestre SARCÓIDE EQUINO: Tumor de pele que mais frequentemente acomete cavalos e muares; São tumores não metastáticos, porém são invasivos e recidivantes; Etiologia: Papiloma vírus bovino? o Há evidências de que está relacionado carrapatos vetores. Patogenia: o Na maioria das vezes são tumores indolores, assim, o tumor não diminui a expectativa de vida do animal; o Problema pode ser estético dependendo da localização. o Anamnese: Comum em animais de 3 a 6 anos, mas também pode aparecer em animais jovens; Sem correlação do acometimento com raça ou pelagem. o Exame macroscópico: Podem aparecer isolados ou múltiplos; Localização: Cabeça, região peri-orbitária, base da orelha, pescoço, região ventral do abdômen, região axilar, inguinal e membros. o Exame histopatológico: Proliferação de fibroblastos e intensa hiperplasia epitelial de origem neoplásica. o Tipo I: Verrucoso; o Tipo II: Fibroblástico; o Tipo III: Verrucoso/Fibroblástico; o Tipo IV: Plano ou oculto. o Excisão cirúrgica: Difícil deixar uma margem cirúrgica ideal. o Criocirurgia: congelamento da massa com gelo seco, nitrogênio líquido ou gás carbônico; o Imunoterapia com BCG (Bacillus Calmette Guerin): injeções nas lesões com intervalos de 1 a 2 semanas entre as aplicações; o Radioterapia; o Autohemoterapia: Punção na jugular e aplica na lesão. o Inoculação da lesão: Faz uma massa (pode ser lavada com formol) e inocula. o Levamisole: Antihelmíntico. o Antivirais (tópicos): Aciclovir. CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS: Tumor maligno de origem epitelial; Em cavalos é considerado o tumor mais prevalente, depois do sarcóide e do melanoma; Fatores de risco: o Exposição à radiação solar; o Localização geográfica (animais em regiões arenosas alta incidência de CCE radiação por reflexão; o Susceptibilidade individual: idade e pigmentação da pele. o Anamnese; Gabriela Lima Queiroz Clínica Cirúrgica de Grandes Animais 9 semestre o Aspecto macroscópico: FORMAS (Região): 1- Proliferativa (pênis e córnea); 2- Ulcerativa OU destrutiva (perineal e perianal); 3- Ulcerativa e destrutiva (vulva e clitóris). o Regiões de localização: Face; Região nasal; Pálpebras, conjuntiva e córnea; Prepúcio e pênis; Região perineal em fêmeas. o Exame histopatológico: Citologia aspirativa e biópsia. o Excisão cirúrgica; o Criocirurgia; o Quimioterapia; o Radioterapia. o Local do tumor e a viabilidade do tratamento; o Malignidade do tumor; o Comprometimento secundário de outros tecidos e órgãos. PODOLOGIA: RUMINANTES: Doenças digitais geram custos para fazendas; Claudicações em bovinos 95% ou mais tem relação com o casco 80% membros pélvicos sustenta mais peso problemas geralmente estão nas unhas mediais dos membros pélvicos. TILOMA: Hiperplasia interdigital; Limax; Gabarro; Calo ou fibrose interdigital; Pododermatite vegetante. o Uma ação mecânica de trauma frequente faz crescer entre os dígitos um tecido exuberante. o Realiza-se a excisão cirúrgica desse tecido; o Pós-cirúrgico: Diclofenaco e Oxitetraciclina. FLEGMÃO INTERDIGITAL (NECROBACILOSE E FOOT ROT): Endêmica; Infecção necrótica aguda ou subaguda; Origem no espaço interdigital; Gabriela Lima Queiroz Clínica Cirúrgica de Grandes Animais 9 semestre o Dor, febre, anorexia, queda na produção de leite. o Artrite séptica; o Tenossinovite (tendinite com inflamação do revestimento da bainha do tendão). o Injúria da pele digital; o Ambiente sujo; o Sinergismo: Dichelobacter nodosus + Fusobacterium necrophorum + Arcanobaterium pyogenes. o Produção de endotoxinas; o Lesão vascular e tecidual severas. o Dígitos dos membros pélvicos vão apresentar alterações na aparência e função; o Inflamação do espaço interdigital, quartela e boleto; o Claudicação intensa – DOR; o Fístulas e secreção purulenta; o Necrose; o Perda de peso e queda na produção leiteira. o Antimicrobianos (Perfusão regional: amicacina, gentamicina, ciftiofour); o Cirúrgico (debridamento); o Tópicos; o Bandagens; *Deve-se separar os animais acometidos* *Pedilúvio é um grande aliado* ÚLCERA DE SOLA (PODODERMATITE CIRCUNSCRITA: Úlcera de sola; Fatoresde risco: o Falta de conforto (piso inadequado, local sujo); o Peso excessivo; o Deficiência no manejo dos cascos. o Casqueamento; o Curetagem; o Aliviar apoio; o Retirar do cimento e colocar em piquete ou baia com cama farta; o Reduzir fatores de risco. PODODERMATITE SÉPTICA: Broca; Abscesso de sola; Abscesso subsolear; A grosso modo, podemos dizer que é uma úlcera de sola onde ouve escavação infecciosa (séptica). DERMOVILITE EXSUDATIVA VEGETANTE CRÔNICA (NECROSE DE RANILHA): Multifatorial; Infecciosa. Agente? o Bacteriano; Gabriela Lima Queiroz Clínica Cirúrgica de Grandes Animais 9 semestre o Viral (papilomavírus); o Fúngica; o Proliferativa; Falta de higiene; Normalmente atinge membros pélvicos. o Pedilúvios: Permanganato de Potássio; Amônia quaternária; Formalina. o Curetagem (remoção cirúrgica); o Altos índices de recidivas; o Vai atingindo tecidos mais profundos; o Gera uma carga maior na muralha do casco, pois a ranilha quem é responsável por distribuir o peso por igual; o Antibióticos de amplo espectro. o Traumas e feridas por acidente; o Perfuração de sola; o Enganchamento de membros em buracos, grades, etc. ABCESSOS: Conteúdo heterogêneo circunscrito Abcesso; Todo e qualquer abcesso precisa ser drenado; Traumas; Corpo Estranho; Região anatômica: o Importância; o Relação com a causa; Fratura de processo espinhoso diagnóstico diferencial de abcesso de cernelha; Outros diagnósticos diferenciais: mormo e brucelose formam abcessos.