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CIRURGIA II Izabela l. Farias Médica Veterinária prof.izabela.farias@doctum.edu.br CONTEÚDO PROGRAMÁTICO Técnicas cirúrgicas em pequenos animais Análise das fases pré, trans e pós operatórias Interpretação de informações, sinais e sintomas Elaboração do diagnóstico através da construção de um raciocínio clínico-cirúrgico Etiopatogenia, diagnóstico, prognóstico e tratamento das principais afecções cirúrgicas em pequenos animais AVALIAÇÃO Seminário / Trabalho Provas Assiduidade \ Paticipação Notas Individuais LITERATURA Theresa W. Fossum REVISÃO DE INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA Diérese Hemostasia Síntese Auxiliar BISTURI 10 11 12 15 20 PORTA AGULHAS 1 2 3 PINÇAS TESOURAS PINÇAS HEMOSTÁTICAS AUXILIARES SUTURAS CIRURGIA DO SISTEMA TEGUMENTAR Ferimento : descontinuidade do tecido Epiderme (externa) mas fina onde tem pelos , mas grossa em nariz e coxins Vasos perpendiculares 17 CICATRIZAÇÃO DE FERIMENTOS Fase de reparo e fase de maturação 18 Fase inflamatória Fase de desbridamento ou proliferativa Fase de maturação ou remodelamento FASE INFLAMATÓRIA A inflamação começa imediatamente após a lesão e dura em torno de 5 dias Constrição e posterior aumento de permeabilidade vascular Hemostasia : migração e agregação plaquetária, fibrinogênio Quimiotaxia Liberação de citocinas e fatores do crescimento ; ativação das células 5 sinais da inflamação? Inflamação : resposta de proteção fisiológica Vasos se contraem de 5 a 10 minutos 19 FASE DE DESBRIDAMENTO OU PROLIFERATIVA Exsudato : glóbulos brancos, tecido morto e fluidos Neutrófilos Monócitos – Macrófagos (24-48 horas) Fatores de crescimento Fibroblastos – fibronectina - colágeno, elastina e proteoglicanos Miofibroblastos – actina e miosina Epitelização Celulas brancas : 6 e 12h após lesão. Numero aumenta após 2-3 dias. Impedem infecção, fagocitam e liberam radicais livres Síntese de colágeno – força tênsil da lesão Macrofagos secretam colagenases : degrada tecido necrótico, bactérias e material estranho Fatores de crescimento – estimulam a formação de tecido de granulação que protege e da estrutura para a epitelização que é guiada pelas fibras de colágeno Epitelização imediata quando a ferida é suturada e tem boa aposição de bordas Anoxia impede epitelização Contração do ferimento reduz quando a pele é fixa, inelástica ou sob tensão. Esteróides, relaxantes musculares 20 FASE DE MATURAÇÃO OU REMODELAMENTO Força tênsil – colágeno tipo I De 17 – 20 dias após a lesão a anos Apenas 80% de força tênsil é recuperada Redução de capilaridade – cicatriz mais clara Síntese e lise de colágeno ocorrem ao mesmo tempo Fibras de colágeno não funcionais degradadas pelas enzimas proteolíticas secretadas pelos macrófagos, fibroblastos Ganho maior de força em 7-14 dias (20%) 22 FATORES DO HOSPEDEIRO QUE AFETAM A CICATRIZAÇÃO Idade avançada Desnutrição Proteínas plasmáticas abaixo de 1,5 – 2g/dL Doença hepática – deficiência nos fatores de coagulação Hiperadrenocorticismo – aumento de glicocorticoides circulantes Diabetes Melito – predisposição a infecção Uremia (até 5 dias após o ferimento) – altera sistema de enzimas e metabolismo celular Tempo de anestesia – maior risco de infecções CARACTERÍSTICAS DO FERIMENTO QUE AFETAM A CICATRIZAÇÃO Infecção / Inflamação em excesso Superfícies intactas - periósteo, fáscias, tendões e bainha nervosa não suportam tecido de granulação Materiais estranhos : sujidades, suturas, detritos, implantes cirúrgicos Tipo de material que é utilizado para diérese : eletrobisturi, tesoura ou laser Seromas : acúmulo de líquido em espaço morto FATORES EXTERNOS QUE AFETAM A CICATRIZAÇÃO Radioterapia – reduz quantidade de vasos sanguíneos locais Quimioterapia – afeta a maturação do colágeno, causa fibrose dérmica Terapia com corticosteróides – deprimem todas as fases da cicatrização Aspirina – atrasa a coagulação Radio e quimio só 2 semanas após cirurgia 25 CONTROLE DE FERIMENTOS ABERTOS OU SUPERFICIAIS Imediatamente cobertos com bandagens limpas e secas para impedir a contaminação adicional e hemorragia Estabilização do animal Tricotomia e preparo asséptico ao redor do ferimento Cultura Desbridar tecido morto e remover debris estranhos Lavar a ferida Realizar o fechamento adequado CLASSIFICAÇÃO DOS FERIMENTOS Quanto ao grau de infecção: Contaminado Infeccionado Período de “ouro” – 6 a 8 horas 27 Quanto ao tipo de ferimento: Abrasão: fricção por trauma rombo ou forças de cisalhamento, superficiais, sensíveis ao toque e sangramento mínimo Laceração: pele e tecido subjacente, bordas irregulares Avulsão: laceração de tecidos desde seu pontos de inserção, retalhos de pele, em membros é denominada DESLUVAMENTO Punção ou perfuração: criado por projétil ou objeto afiado, profundidade e largura estão ligados à massa e velocidade do objeto que o criou Esmagamento Queimadura: calor ou substãncias químicas Ferimento por perfuração devem ser abertos para verificar se há detritos Correção cirúrgica do ferimento só depois de remover contaminação 28 Ferimentos com menos de 6-8 horas, com trauma e contaminação mínimos são tratados por lavagem, desbridamento e fechamento primário Ferimentos por penetração devem ser explorados cirurgicamente Ferimentos severamente traumatizados ou contaminados e que ocorreram à mais de 6-8 horas ou infeccionados devem ser tratados como ferimento aberto para possibilitar o desbridamento e redução do número de bactérias A maioria dos ferimentos é cirurgicamente corrigida após controle da infecção O objetivo é transformar a ferida aberta em uma ferida cirurgicamente limpa, que pode ser fechada O ferimento deve ser protegido antes do preparo da região adjacente com lubrificante a base de água, gaze embebida em soro fisiológico ou sutura / pinça O uso de detergentes e álcool no ferimento exposto causa irritação, toxicidade e dor e podem potencializar a infecção Utilizar água de torneira, solução de eletrólitos morna ou soro fisiológico O uso de antibióticos ou antissépticos na lavagem da ferida reduz ou números de bactérias porém podem danificar o tecido 32 DESBRIDAMENTO Remove o tecido desvitalizado por meio de excisão cirúrgica, mecanismos autolíticos, enzimas e bandagens secas-úmidas Tem como objetivo obter margens e leito limpos e frescos para o fechamento primário ou atrasado DESBRIDAMENTO CIRÚRGICO Incisão cirúrgica em camadas, da parte superficial à mais profunda Preservar ossos, nervos e vasos sanguíneos O músculo deve ser desbridado até obter sangramento e contração com estímulo adequado Excisão em bloco Desvantagem : possível remoção de mais tecido viável do que o necessário Gordura pode remover toda, mantendo os vasos 34 DESBRIDAMENTO AUTOLÍTICO Ocorre por meio da criação de um ambiente úmido que permite que enzimas endógenas dissolvam o tecido inviável Altamente seletivo para o tecido desvitalizado Acentuadamente menos doloroso Permite eu o fluido do ferimento permaneça em contato com o mesmo Bandagens hidrófilas DESBRIDAMENTO MECÂNICO Realizado com bandagens secas que aderem a superfície do ferimento e puxam detritos e removem a camada superficial do leito quando removidos Fornecem proteção e cobertura ao ferimento Indicados nas fases iniciais ou para controle de infecção Desvantagem : dor e não seletividade DESBRIDAMENTO ENZIMÁTICO Auxiliam na lavagem e desbridamento cirúrgico Benéficos para pacientes com risco anestésico alto ou quando o desbridamento cirúrgico pode danificar tecidos saudáveis necessários Decompõem o tecido necrótico e liquefazem os coágulos e a biopelícula bacteriana, permitindo um melhor contato do antibiótico com o ferimento Não danificam o tecido vivo se forem utilizados adequadamente Ganulex V : tripsina pancreática, bálsamo do Peru e óleo de rícino Produtos com base de colágeno Papaína (removido do mercado devido aos altos efeitos colaterais) DESBRIDAMENTO BIOCIRÚRGICO Larvas de mosca varejeira Excreção de enzimas Uma única larva podeconsumir cerca de 75mg de tecido necrótico por dia 5-8 larvas por cm quadrado Aplicadas juntamente com curativo de hidrocoloide – impede que as larvas ataquem tecido saudável Normalmente são feitos dois ciclos de 48h por semana ANTIBIÓTICOS Controle e prevenção de infecções Ferimentos mínima ou moderadamente contaminados com menos de 6-8 horas podem ser limpos e fechados ou tratados sem o uso de antibióticos Ideal que seja feita cultura e antibiograma antes da antibioticoterapia (podem ser utilizados antibióticos de amplo espectro enquanto aguarda a cultura) Antibiótico sistêmico só é utilizado quando existe a chance de bacteremia ou infecção disseminada ANTIMICROBIANOS E ANTIBIÓTICOS TÓPICOS Preferíveis em ferimentos abertos Se aplicados de 1-3horas após a contaminação impedem a infecção Na hora da escolha seus benefícios devem sobrepor seus efeitos citotóxicos Penicilina , ampicilina, carbenicilina, tetraciclinas, neomicina, bacitracina, cefalosporinas Coágulos impedem o antibiótico tópico de atingir camadas mais profundas e impedem também o antibiótico sistêmico de atingir camadas mais superficiais Pomadas liberam o antibiótico de forma lenta e podem ser oclusivas, promovendo o crescimento de bactérias anaeróbicas. Medicamentos em pó agem como corpo estranho Pomada antibiótica tripla: bacitracina (melhor a reepitelização mas pode retardar a contração), neomicina, polimixina. Mais eficiente na prevenção que no tratamento. Sulfadiazina de Prata: hidrófila, antibacteriana e antifúngica. Fármaco de escolha para tratamento de queimaduras. Associada com aloe vera, reduz seus efeitos de retardamento da ferida. Continua sendo eficiente por até 3 dias. Nitrofurazona: hidrófila e antibacteriana. Retarda e epitelização. Perde parte do seu efeito na presença de matéria orgânica. Sulfato de Gentamicina: frequentemente utilizado antes e depois de enxertos e para ferimentos que não respondem a pomada tripla. Não inibe a contração e promove a epitelização. Cefazolina: dose sistêmica e tópica combinada não deve exceder 22mg/kg (sendo a tópica mais eficaz que a sistêmica). Fornece altos níveis de antibiótico no fluido do ferimento. 95% biodisónível e de rápida absorção. Mafenida: útil em ferimentos severamente contaminados devido ao amplo espectro. ESTIMULANTES TÓPICOS DA CICATRIZAÇÃO Aloe Vera: gel extraído da babosa, que possui 75 componentes ativos. Muito utilizado em queimaduras. Atividade bacteriana e antifúngica. Ajuda a impedir a isquemia dérmica e estimula a replicação fibroblástica. Propriedades anestésicas. O uso em ferimentos de espessura total é desestimulado devido ao efeito anti-inflamatório. Mel: promove o desbridamento, redução de edema e inflamação, formação de tecido de granulação e epitelização, além de melhorar a nutrição do ferimento. Produz peróxido de hidrogênio através da glicose. Aumenta a síntese de colágeno e regula o pH. Nas queimaduras possui propriedades mais benéficas do que os compostos a base de prata. A bandagem deve ser trocada de 1 a 3 vezes ao dia. Açúcar: acelera a descamação do tecido desvitalizado, fornece fonte de energia celular e promove a formação de um leito de granulação saudável. Aplicado com 1cm de espessura e as bandagens devem ser trocadas 1 a 3 vezes ao dia. Pode ser aplicada em pasta feita de açúcar+glicerina+peróxido de hidrogênio. Fatores de Crescimento: ainda em estudo. Quase impossível saber qual fator de crescimento é necessário no local naquele momento. Colágeno bovino hidrolisado: hidrófilo, ajuda a criar ampiente propício ao desbridamento autolítico e epitelização (a matriz fornecida serve como rede de apoio para essa fase). Quitosana: polissacarídeo derivado do exoesqueleto de crustáceos (quitina). As informações são escassas no meio veterinário. AVALIAÇÃO DA VIABILIDADE DA PELE Clinicamente avaliada pela dor, calor, rubor e sangramento Pode ser avaliada também por Doppler, cintilografia, corantes, oxigênio ou dióxido de carbono transcutâneo, entre outros A pele inviável normalmente é preta, preta azulada ou branca, a área pode ser inflexível, fria e destituída de sensação A pele normal é morna, flexível e rosada, com enchimento capilar normal PRINCÍPIOS DA CIRURGIA TEGUMENTAR Usar assepsia total nas preparações da equipe cirúrgica, sala e instrumentos, e durante a cirurgia Manusear os tecidos delicadamente Preservar a vascularização Remover tecidos necróticos e inviáveis Manter a hemostasia Aproximar o tecido anatomicamente sem tensão Obliterar espaço morto Usar materiais de sutura e implantes adequados FECHAMENTO DO FERIMENTO Fechamento primário: fechado imediatamente após a lesão. A cicatrização primária ocorre em ferimentos limpos e que são mantidos fechados e geralmente as bordas se unem entre 7-14 dias. Deve ser realizado apenas se passarem menos de 6-8 horas. Fechamento primário atrasado: dentro de 1-3 dias após a lesão (livre de infecção e antes do aparecimento do tecido de granulação) Fechamento secundário: após o aparecimento do tecido de granulação Fechamento por segunda intenção: contratura e epitelização. Pode ocorrer contratura com desfiguração, cicatrização incompleta e escaras epiteliais frágeis em ferimentos grandes Os ferimentos fechado na presença de contaminação, tecido necrótico, tensão excessiva ou espaço morto tendem à deiscência com perda de tecido adicional. Ferimentos traumáticos contaminados por fezes, saliva, exsudato purulento ou sujeira não devem ser fechados primariamente. No caso de dúvida, não feche! LEVE EM CONSIDERAÇÃO: Quantidade de tempo decorrido da lesão Grau de contaminação Quantidade de danos ao tecido Integralidade do desbridamento Status de suprimento sanguíneo Saúde do animal Extensão da tensão e do espaço morto Localização do ferimento QUEIMADURAS Térmicas – temperatura, duração do contato e condutância do tecido Elétricas – pode ter ou não um ponto de saída da corrente elétrica Por congelamento – geralmente ocorre nas extremidades Químicas – ácidos ou álcalis fortes. Podem ser corrosivos, oxidantes, desidratantes, desnaturantes ou vesicantes. Radiação – sol, raio X, elementos radioativos, substâncias fluorescentes. Mais comum na radioterapia. Podem gerar complicações sistêmicas! FERIDAS E ABSCESSOS POR MORDEDURA Geralmente são lesões por esmagamento, dilaceração ou avulsão Mais comuns em pescoço, membros, cabeça, abdômen e tórax Mortalidade de 10% apenas, geralmente consequência de infecção ou trauma concomitante Cultura da lesão Exploração das cavidades e avaliação de possível lesão visceral Fechamento de lesões contaminadas causa abscessos DOBRAS CUTÂNEAS REDUNDANTES Característica de algumas raças, exacerbada pela obesidade Lábios, face, vulva, topo da cauda, dobras de membros Geralmente ocasiona piodermite devido a presença de saliva, fezes, urina e lágrimas Complicações gerais: autotraumatismos, infecção, deiscência e recidiva da piodermite 53 DOBRAS LABIAIS Animais com lábios pendulares (golden retriever, são bernardo, spaniels, etc) Geralmente ocorre atrás do dente canino inferior, acumulando alimento e saliva Halitose, prurido Pode ser feita de maneira preventiva em animais que apresentam salivação excessiva Queiloplastia DOBRAS NASAIS Comum em raças braquicefálicas Pode causar úlcera de córnea, ceratite, dor e blefaroespasmo Excisão cirúrgica em demasia pode causar ectrópio ou promover deiscência DOBRAS VULVARES Fêmeas obesas, com vulva infantil ou ressecada Urina e secreções vaginais são retidas na dobra, resultando em dermatite perivulvar Tratar a piodermite antes da cirurgia Episioplastia DOBRAS DA CAUDA Excesso de dobras sobrepondo as vértebras caudais, que geralmente são deformadas A profundidades das dobras geralmente varia de acordo com o tamanho do animal, quantidade de gordura, abundância de pele e grau de desvio vertebral Contaminação fecal, lambedura e esfregadura do corpo exacerbam o quadro Radiografia: útil para delinear o grau de má formação vertebral Caudectomia completa Ressecção em bloco (atenção para evitar trauma retal)Uso de dreno CAUDECTOMIA O CFMV proíbe as cirurgias consideradas desnecessárias ou que possam impedir a capacidade de expressão do comportamento natural dos animais (as resoluções 1027/2013 e 877/2008 vedam caudectomia, conchectomia, cordectomia e onicectomia) Indicada de maneira terapêutica em caso de lesões traumáticas, infecção, neoplasia e, possivelmente, fístula perianal. Caudectomia em animais com mais de uma semana de vida requerem anestesia geral ou epidural Atenção ao uso de torniquete e ligadura dos vasos laterais e mediais Incisões que sofrem deiscência podem cicatrizar por segunda intenção com ressalvas CIRURGIAS OFTÁLMICAS PROPTOSE: deslocamento externo do olho de sua posição normal na órbita ENUCLEAÇÃO / EXENTERAÇÃO: remoção do globo ocular e da membrana nictitante, glândulas orbitais e margens palpebrais ENTRÓPIO: inversão ou enrolamento da borda da pálpebra para dentro ECTRÓPIO: eversão ou enrolamento da borda da pálpebra para fora Condições cirúrgicas oftálmicas realizadas por clínicos gerais : métodos emergenciais (proptose traumática, lacerações palpebrais e úlceras de córnea), reparo de entrópio e ectrópio, remoção de tumores e enucleação Requer diagnóstico correto, escolha adequada de técnica e materiais, atenção aos detalhes Preparo correto do sítio cirúrgico REPARO DE LACERAÇÃO PALPEBRAL Geralmente associada a lesões traumáticas A cicatrização por segunda intenção pode resultar em fibrose, distorção das margens palpebrais e cicatrizes na superfície da córnea Reposicionamento direto é possível quando a perda de margem é menor ou igual a 1/3 Ter cuidado para que os nós e as extremidades da sutura não tenham contato com a córnea Se o ducto nasolacrimal for danificado deve ser canulado Tarsorrafia completa temporária pode ser indicada devido ao déficit das funções e reflexos palpebrais ENTRÓPIO Enrolamento da margem palpebral para dentro, o qual pode ser conformacional, de desenvolvimento, espástico ou cicatricial Diagnóstico clínico, animal geralmente apresenta corrimento ocular mucopurulento, blefaroespasmo, irritação ocular Atrito leva à ulceração e conjuntivite, que devem ser tratadas antes da cirurgia corretiva Previamente à cirurgia podem ser usados cola ou pontos de sustentação Holtz Celsius 74 ECTRÓPIO Eversão da pálpebra inferior principalmente em cães com pele facial frouxa A pendência palpebral propicia o extravasamento de lágrimas (epífora) e expõe a conjuntiva ao ressecamento e trauma Diferencia ectrópio de trauma palpebral O objetivo do tratamento cirúrgico é proporcionar um comprimento relativamente normal à pálpebra, a maioria dos métodos encurta e reforça a mesma Seleção de técnica baseada em espécie, gravidade e posição da anormalidade ENUCLEAÇÃO / EXENTERAÇÃO Indicações mais comuns incluem danos irreversíveis à córnea ou intraocular, neoplasia intraocular, proptose severa e uveíte intratável (no caso da exenteração, quando o dano se estende para além do globo ocular) Todas as opções devem ser consideradas antes da enucleação/exenteração Enucleação transconjuntival , transpalpebral ou lateral Evitar tração excessiva devido à possíveis danos no quiasma óptico! PROLAPSO DA GLÂNDULA DA TERCEIRA PÁLPEBRA Protusão, prolapso ou eversão da glândula da membrana nictitante (por trás da terceira pálpebra) Patogênese não determinada Pode ser unilateral, mas frequentemente é bilateral Casos leves e precoces podem ser tratados com antibiótico tópico e corticosteróide (caso não haja úlcera presente), entretanto o tratamento tópico frequentemente não é bem-sucedido Recomendado reposicionamento ao invés da remoção PROPTOSE Deslocamento rostral do olho por um episódio traumático (mordidas, hemorragia retrobulbar, fratura orbital ou contenção em animais braquicefálicos) A contração ou enrolamento palpebral, espasmos do músculo orbicular e edema impedem o retorno do olho prolapsado a sua posição normal Pode causa estrabismo pela tração no nervo óptico e ruptura da musculatura Machos inteiros são mais frequentemente afetados Imediatamente após a lesão manter a córnea úmida, evitar autotraumatismo e induzir jejum Avaliar o animal como um todo após o trauma Se três ou mais músculos extraoculares são rasgados, a órbita é fraturada ou a pupila não é visível devido ao hifema o prognóstico para salvar a visão é baixo embora possa recuperar o globo ocular Ideal : reflexos pupilares intactos e consensuais, visão intacta, fundo de olho normal e curta duração da proptose Uso de corticosteróides IV para tratar ou prevenir neuropatia óptica e edema orbital No caso de pacientes naturalmente muito exoftálmicos, realizar tarsorrafia lateral permanente bilateral Manter tarsorrafia por 14 dias e no caso da não resolução, manter suturas laterais por mais tempo MASSAS PALPEBRAIS Podem ser inflamatórias ou neoplásicas Sua grande maioria é benigna e está associada as glândulas meibomianas Causam desconforto, interferem na função palpebral e podem causar ceratite Citologia / histopatologia Excisão cirúrgica, quimioterapia, imunoterapia, criocirurgia, radioterapia Massas que envolvem mais que um terço do comprimento da margem palpebral devem ser encaminhadas a um oftalmologista Prognóstico depende do tipo de tumor CIRURGIAS DE OUVIDO É imperativo determinar a extensão e gravidade da patologia Otoscopia, raio X , tomografia Perguntar aos tutores sobre sua percepção em relação a audição do animal Antibióticos sistêmicos X antibióticos tópicos Medicamentos ototóxicos : clorexidina acima de 0,2%, iodo , aminoglicosídeos (gentamicina, neomicina, tobramicina, estreptomicina, etc) OTO-HEMATOMAS Hematoma aural (auricular) – acúmulo de sangue dentro da placa da cartilagem do ouvido Pode acometer a superfície côncava inteira ou somente uma parte Sua causa não é bem compreendida mas geralmente é resultado de agitação da cabeça, fricção devido à dor/prurido/irritação causados pela otite ou fragilidade capilar devido à doença de Cushing Aspiração por agulha não é eficaz O objetivo da cirurgia é remover o hematoma, prevenir a recorrência e manter a aparência natural do ouvido NEOPLASIAS DO PAVILHÃO AURICULAR Tumores aurais tendem a ser mais agressivos em gatos O tutor deve estar preparado para a deformidade estética resultante O aspecto mais importante dessa cirurgia é atingir margens amplas para prevenir a recorrência local, o que pode exigir remoção de todo o pavilhão auricular