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Risolene M. Silva ASPECTOS HISTÓRICOS DO TRATAMENTO DE FERIDAS MESOPOTÂMIA: ▸O primeiro histórico escrito foi encontrado em uma tábua de argila sumérica de 2100 a.C. Este é realmente o mais antigo dos manuscritos médicos do mundo. Os “três gestos de cura” descritos nesta tábua são: lavar as feridas, curativos/emplastros e bandagens (SHAI; MAIBACH, 2005). EGITO ANTIGO ▸Papiro de Edwin Smith, um egiptólogo, norte-americano que, em 1862, comprou o papiro de um comerciante em luxor. A tradução do documento só foi publicado em 1930. O papiro data de 1700 a.C., sendo uma cópia de manuscritos originais que remontam aos anos 3000-2500 a.C. ▸Neles são mencionados: graxa, mel, fios de linho e carne fresca. GRÉCIA: HIPÍCRATES (4600 a.C.) ▸Manter a ferida limpa e seca. ▸Limpar feridas com água morna, vinho e vinagre. ▸Feridas com sinais de inflamação aplicar uma cataplasma ou emplasmo na área circundante da ferida para visualizar os tecidos e permitir a livre drenagem do pus. CELSUS ▸Primeiro a definir inflamação, listou os sinais clássicos: eritema, calor, dor e edema. ▸Além disso, defendeu a limpeza da ferida para remover corpos estranhos. GALENO ▸Cirurgião dos gladiadores em Pérgamo e depois como médico do imperador Marco Aurélio ▸Utilizou vinho em irrigações de feridas, realizou sutura primária com fio de linho → Primeira guerra mundial: bandagens e curativos do exército. → Década de 1930: colagenase e papaína → Década de 1940: uso de antibióticos. Howard Florey guiado pelas pesquisas de Alexander Fleming. → Década de 1970: Roove demonstrou que o ambiente úmido, sem crosta, aumentava a migração de células epiteliais. → Idade contemporânea: ozônio, laser, plasma de plaquetas (contém fatores de crescimento). RESUMO: As técnicas de cuidados com feridas têm sido registradas desde os tempos antigos pelos egípcios e gregos. Essas práticas foram amparadas em conhecimentos e condutas individuais e dirigidas pelas necessidades da época, tais como recuperar ferimentos em soldados provocados por arma de fogo durante a guerra. No século XXI pesquisas buscam identificar o melhor tratamento e a compreensão do complexo de cicatrização. Essa complexidade é decorrente dos múltiplos fatores locais ou intrínsecos, sistêmicos ou extrínsecos, que podem intervir no processo de cicatrização. ANATOMIA E FISIOLOGIA DA PELE CONCEITO ▸Ferida é uma lesão tecidual, deformidade ou solução de continuidade, que pode atingir desde a epiderme, até estruturas profundas, como fáscias, músculos, aponeuroses, articulações, cartilagens, tendões, ossos, órgãos cavitários e qualquer parte do corpo. ▸Solução de continuidade, resultante de lesão tecidual, podendo compreender desde o epitélio até o tecido ósseo. CAMADAS ▸Epiderme: › Camada córnea, lúcida, granulosa, espinhosa e basal. ▸Derme: › Vasos sanguíneos e linfáticos, nervos, glândulas e raízes pilosas. › Camada papilar: presença de colágeno (principal fibra da derme) produzido pelos fibroblastos. › Camada reticular: tecido conjuntivo denso, menor produção de colágeno ▸Hipoderme: › Camada cutânea mais interna, composta de tecido adiposo que proporciona um acolchoamento entre as estruturas internas. Risolene M. Silva CLASSIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO DAS LESÕES NOMENCLATURAS ▸ Mácula: lesão plana na pele, sem relevo ou depressão, de coloração hiperpigmentada, hipopigmentada ou eritematosa. ▸Petéquias: pequenos pontos causados por sangramento sob a pele, geralmente medindo menos de 2 mm de diâmetro. ▸Equimose: mancha na pele causada por extravasamento de sangue nos tecidos, conhecida como "roxo”. ▸Sufusão hemorrágica após punção de fístula: acúmulo de sangue na pele ou tecidos subjacentes ao redor de uma área de punção em fístulas, geralmente associado à ruptura de pequenos vasos sanguíneos. ▸Xerodermia: ressecamento excessivo da pele, frequentemente associada à descamação e emergência. ▸Urticária: lesões elevadas, pruriginosas (coçam) e avermelhadas na pele, causadas por reações alérgicas ou estímulos irritantes. ▸Pápulas: pequenas elevações sólidas na pele, geralmente medem de 1 a 2 cm de diâmetro, sem líquido no interior. ▸Hematomas: coleções de sangue fora dos vasos sanguíneos, formando uma área elevada e dolorosa, devido a rupturas vasculares. ▸Vesícula: pequena lesão elevada, preenchida com líquido claro, geralmente menor que 1 cm de diâmetro. ▸Bolhas: lesões elevadas, maiores que 1 cm, cheias de líquido e que precisam ser rompidas. ▸Abcesso: coleção localizada de pus, causada por infecções bacterianas, por isso é necessário ser drenado. ▸Edema: acúmulo anormal de líquido nos tecidos corporais, sendo visível e palpável (*quanto maior, pior será a cicatrização). ▸Escamas: acúmulo de células mortas da pele, relacionadas ao ressecamento ou doenças como psoríase. ▸Epidermólise bolhosa: doença genética autoimune, trata-se de fragilidade da pele e formação de bolhas após pequenos traumas. ▸Demodex folliculorum: ácaro microscópico que habita folículos pilosos e glândulas sebáceas em humanos. AGENTES E REAÇÕES ▸Agentes físicos: traumatismos mecânicos, condições extremas de temperaturas, choque elétrico. ▸Agentes químicos: ácidos, monóxido de carbono, álcool, dentre outros. ▸Agentes infecciosos: microrganismos que causam a morte celular. ▸Reações imunológicas: ex. reação anafilática, síndrome de Steve Jonhson, lúpus, urticária. (*a síndrome de Steve Jonhson é uma reação mediante a utilização de uma medicação, nessa situação é necessário interromper a medicação). ▸Distúrbios genéticos: NECROSE → COAGULAÇÃO: ▸Mecanismo: resultado da desnaturação de proteínas estruturais e enzimáticas, formando um arcabouço sólido que preserva a arquitetura do tecido por um tempo. ▸Características: › Aparência seca, preta e dura. › Comum em tecidos com pouca atividade enzimática. ▸Tratamento: consiste no desbridamento, ou seja, remoção do tecido necrosado é necessária para permitir a cicatrização, exceto em casos específicos como lesões no calcâneo. Nessa região, a necrose de coagulação geralmente não regenera, ou seja, uma ferida não se fecha. Por isso, o tecido necrosado pode ser mantido como uma barreira natural. ▸Intervenção técnica – para amolecer o tecido necrosado: 1. Escarotomia: pequenos cortes no tecido endurecido para facilitar a penetração de agentes terapêuticos. 2. Aplicação de colagenase: pomada enzimática que, em 24 horas, amolece o tecido, facilitando o desbridamento instrumental. → LIQUEFAÇÃO: ▸Mecanismo: ação potente de enzimas hidrolíticas, que digerem rapidamente as células, transformando o tecido necrosado em uma substância líquida ou semissólida. ▸Características: › Tecido mole, de coloração branco-amarelada e desvitalizado. › Presença de esfacelo, um tecido morto de aparência amarelada. ▸Tratamento: 1. Escarotomia: pequenos cortes no tecido para facilitar a penetração de agentes terapêuticos. 2. Aplicação de colagenase: pomada enzimática que, em 24 horas, amolece o tecido, facilitando o desbridamento instrumental. 3. Limpeza: essencial para prevenir infecções e preparar o leito da ferida para cicatrização. → GRANGRENOSA: ▸Mecanismo: decorre de uma lesão isquêmica grave, geralmente em membros, que resulta em morte tecidual extensa. ▸Características: › Seca: semelhante à necrose de coagulação, com tecido resistente e escuro. › Úmida: caracterizada por liquefação e maior risco de infecção. › Gasosa: formação de gás nos tecidos, causada por infecção bacteriana. Ex. ictiose: distúrbio cutâneo hereditário comum, caracterizado por pele ressecada e escamosa. Risolene M. Silva ▸Tratamento: › Gangrena seca: pode ser necessária amputação para prevenir complicações. › Gangrena úmida ou gasosa: exige intervenção imediata,incluindo antibióticos, desbridamento ou amputação. QUANTO AO MECANISMO DE LESÃO ▸Incisas / cortantes / cirúrgicas: produzidas por objeto cortante, como facas, com bordos ajustáveis e passíveis de reconstituição. Podem ser suturadas até 6 horas após o trauma; depois disso, estão contaminadas e a sutura não é recomendada. ▸Contusas: produzida por impacto ou pancada de objetos sem corte, que danificam os tecidos sem romper a pele de forma limpa, como em quedas. ▸Lacero-contusas: decorrentes de compressão, onde a pele é esmagada de encontro ao plano subjacente (contra estruturas mais profundas), ou por tração, que rasga ou arranca o tecido. As bordas são irregulares ▸ perfuro-contusas: causadas por armas de fogo, geralmente ocorrendo dois orifícios: o de entrada (menor e regular) e o de saída (maior e irregular), se houver. ▸Perfurantes: produzidas por objetos longos e pontiagudos, como pregos ou espetos, podendo atravessar o corpo (transfixantes). Não se deve remover o objeto, pois isso pode causar sangramento grave. ▸Perfuro-incisas: ocasionadas por instrumentos perfurocortantes que possuem gume e ponta. Externamente, pode-se ter uma pequena marca na pele, porém profundamente pode-se ter comprometimento de órgãos importante; apresenta apenas o ponto de entrada. ▸Escoriações: lesões superficiais causadas por atrito ou raspagem da pele contra uma superfície, como quedas, que arrancam a camada mais externa da pele (ex. queda de moto). ▸Laceradas: provocadas por objetos que rasgam a pele e separam os tecidos mais profundos, como em mordidas ou arranhões severo. ▸Venenosas: causadas pela introdução de substâncias tóxicas nos tecidos, como venenos de animais (ex. picadas de cobra) ▸Queimaduras: primeiro, segundo e terceiro grau. QUANTO AO GRAU DE ABERTURA ▸Ferida aberta: apresenta as bordas da pele afastadas. ▸Ferida fechada: apresenta as bordas justapostas. QUANTO A ETIOLOGIA → FERIDAS ACIDENTAIS OU TRAUMÁTICAS: ▸Definição: resultado de eventos inesperados, como traumas mecânicos ou acidentes. ▸Causas comuns: › Cortes, lacerações, perfurações. › Escoriações ou abrasões resultantes de quedas ou colisões. › Feridas causadas por objetos cortantes ou perfurantes. → FERIDAS CIRÚRGICAS: ▸Definição: lesões intencionais, realizadas em ambiente controlado durante procedimentos médicos ou cirúrgicos. ▸Características: › Produzidas em condições assépticas (estéreis). › Geralmente apresentam margens regulares. › Possuem maior potencial de cicatrização, dependendo do manejo pós- operatório. → FERIDAS PATOLÓGICAS: ▸Definição: decorrentes de condições intrínsecas ao paciente, relacionadas a doenças ou disfunções sistêmicas. ▸Causas comuns: › Úlceras vasculares (venosas ou arteriais). › Feridas diabéticas (pé diabético). › Lesões associadas a doenças autoimunes ou metabólicas. → FERIDAS POR PRESÃO: ▸Definição: lesões causadas por extensão prolongada da pele e dos tecidos subjacentes contra superfícies duras, levando à isquemia e morte tecidual. ▸Características: › Geralmente ocorrem em proeminências ósseas (sacro, calcâneo, trocânteres). › Estágios de variação de pele intacta com eritema (estágio 1) até exposição óssea ou muscular (estágio 4). → FERIDAS POR ATRITO: ▸Definição: lesões superficiais causadas pelo movimento repetitivo de superfícies ásperas contra a pele. ▸Características: › Frequentemente vistos em áreas como cotovelos e joelhos. › Podem ser agravadas em pacientes acamados ou em movimento constante sem proteção adequada. → FERIDAS POR UMIDADE: ▸Definição: lesões causadas por exposição prolongada à umidade, que prejudicam a barreira protetora da pele. ▸Causas comuns: › Incontinência urinária ou fecal (dermatite associada à incontinência). › Transpiração excessiva. › Exposição prolongada a líquidos ou curativos úmidos. ▸Características: › Pele macerada e vulnerável a lesões. › Presença de bordas esbranquiçadas e tecido friável. QUANTO A ESPESSURA ▸Superficial: atinge a epiderme e derme. ▸Profunda superficial: atinge a epiderme, derme e tecido subcutâneo. ▸Profunda total: epiderme, derme, tecido subcutâneo, músculo e tecido ósseo QUANTO A EVOLUÇÃO Risolene M. Silva ▸Aguda: ruptura da vascularização com desencadeamento imediato da hemostasia. Pode ser intencional ou traumática. ▸Crônica: predomina a resposta proliferativa, com desvio da sequência do processo fisiológico. Ocorrência antiga e de difícil cicatrização. QUANTO AO GRAU DE CONTAMINAÇÃO → EM FERIDAS AGUDAS: ▸Limpas ou assépticas: › Feridas realizadas em condições assépticas, sem agravamento evidente. › Não atingem tratos contaminados (respiratório, digestivo, geniturinário). › Risco mínimo de infecção se o manejo for adequado. ▸Limpa contaminada: › Feridas onde ocorre exposição de tratos ambientais contaminados ou atendimento inicial dentro de até 6 horas após o trauma. › Atingem o trato respiratório, digestivo ou geniturinário, porém com controle mínimo de contaminação. › Risco intermediário de infecção → EM FERIDAS CRÔNICAS: ▸Contaminadas: › Feridas expostas a áreas de alta colonização bacteriana ou quando o atendimento inicial ocorre mais de 6 horas após o trauma. › Maior probabilidade de infecção devido ao tempo de exposição. › Podem apresentar sinais de contaminação inicial sem toxicidade. ▸Colonizada: › Feridas em que os microrganismos estão presentes no leito da lesão, mas em equilíbrio com o hospedeiro, sem causar dano ou retardar a cicatrização. › Presença de biofilme (colônia de bactérias aderidas à superfície da ferida). O biofilme pode ser removido com a limpeza adequada, utilizando soluções antimicrobianas como PHMB (poliexametileno biguanida). › Não apresenta sinais clássicos de infecção, como odor ou inflamação. ▸Infectada: › Feridas em que há desequilíbrio entre microrganismos e o sistema imunológico hospedeiro, resultando em dano tecidual e atraso no processo de cicatrização. › Presença de odor fétido e sinais de inflamação. › Causada por bactérias piogênicas, como Pseudomonas aeruginosa. › Requerem intervenções como desbridamento, limpeza específica e antibióticos quando necessário. CLASSIFICAÇÃO DO EXSUDATO → QUANTO A COMPOSIÇÃO: ▸Seroso: › Exsudato claro, fluido e de baixo teor proteico. › Apresenta coloração transparente ou levemente amarelada. ▸Fibrinoso: › Exsudato rico em proteínas plasmáticas, especialmente fibrinogênio, que se converte em fibrina e forma um depósito amarelo. › Aspecto viscoso e coloração amarelada ou esbranquiçada. ▸Sanguinolento: › Exsudato com presença de sangue, resultado da ruptura de vasos sanguíneos ou da diapedese de hemácias. › Utilização soro fisiológico gelado, que promove vasoconstrição e ajuda a reduzir o sangramento. ▸Purulento: › Exsudato espesso, opaco e geralmente associado a infecções bacterianas, especialmente por bactérias piogênicas. › Coloração variando de amarelada a esverdeada. › Frequentemente acompanhado de odor desagradável. → QUANTO A COLORAÇÃO: ▸Esbranquiçada. ▸Amarelada. ▸Avermelhada. ▸Esverdeada: característico de infecção inicial por pseudomonas. ▸Acastanhada: característico de infecção avançada por pseudomonas. → QUANTO AO VOLUME: ▸Exsudação ausente: sem exsudação (ex. cirúrgica). ▸Leve exsudação: 1 a 2 ml em 24h. ▸Baixa ou moderada exsudação: 2 a 5 ml em 24h. ▸Alta exsudação: mais de 5 ml em 24h. Obs. não há como “medir” a quantidade de exsudato, apenas mensurar através do quanto as gazes estão encharcadas. QUANTO AO COMPROMETIMENTO TECIDUAL → SUPERFICIAL: ▸Definição: lesões que envolvem apenas a epiderme, sem camadas mais profundas. ▸Causas comuns: › Atrito: resulta do atrito entre duas superfícies que se esfregam. Comum em áreas de contato repetitivo, como mãos oujoelhos. › Cisalhamento: ocorre quando camadas de tecidos se deslocam em oposições opostas devido a forças paralelas. Ex. acientes acamados deslizando na cama. O esqueleto e os tecidos mais profundos se movem enquanto a pele das nádegas permanece fixa, causando danos teciduais. → PERDA PARCIAL: ▸Definição: lesões que envolvem a epiderme e a derma, podendo atingir o tecido subcutâneo. ▸Características: › A ferida geralmente é mais profunda que uma lesão superficial, mas não afeta estruturas como músculos, tendões ou ossos. › Frequentemente associada a escoriações ou queimaduras de segundo grau. → PROFUNDA: ▸Definição: lesões que comprometem todas as camadas da pele e podem alcançar tecidos subjacentes, como músculos, tendões, ossos ou órgãos. ▸Características: › Indicativo de um dano tecidual significativo. › Exige intervenção especializada, como desbridamento cirúrgico e acompanhamento multidisciplinar. QUANTO AO ODOR → O odor na lesão é proveniente de produtos aromáticos de bactérias e tecidos em decomposição e pode ser um importante auxílio no diagnóstico de infecções na lesão. Risolene M. Silva ▸Inodoro: sem odor. ▸Fétido: odor desagradável, exalado no descobrimento da lesão. ▸Pútrido: odor fétido intenso, associado a carne em decomposição. ▸Odor de fruta/doce: característico de Pseudomonas aeruginosa. Tabela: Indicador TELER de odor da ferida Nível Descrição Nível 5 Sem odor. Nível 4 Odor detectado na remoção da cobertura. Nível 3 Odor evidente na exposição da cobertura. Nível 2 Odor evidente a uma distância de um braço do paciente. Nível 1 Odor evidente ao entrar no quarto. Nível 0 Odor evidente ao entrar na residência/clínica. Obs – Higiene do cliente: presença de miíase e sujidade, antigamente nessas situações utilizava-se éter, mas arde muito, por isso atualmente é recomendado utilizar o ácido graxo essencial (AGE) que não causa danos. QUANTO AS FASES DE CICATRIZAÇÃO ▸Inflamatória: › Hemostasia e inflamação: as defesas do corpo são direcionadas para limitação da quantidade de danos e pra evitar mais lesão. › Sinais da inflamação: rubor, edema, calor, dor e perda da função. ▸Proliferativa: › Migração celular e proliferação: desenvolvim. de tecido de granulação. › Eventos: preenchimento da ferida com tecido conjuntivo, contração das bordas da ferida e cobertura da ferida com epitélio. › Reepitelização: o epitélio se forma principalmente a partir das bordas da ferida, mas também pode surgir no leito da ferida. Esse epitélio em formação apresenta coloração esbranquiçada. ▸Reparatória ou maturação: › Os fibroblastos começam a produzir colágeno, especialmente o tipo I, que substitui o colágeno tipo III inicial. Esse processo confere maior resistência e estabilidade ao tecido cicatricial. › Desaparecimento dos fibroblastos. › Remodelamento no tamanho forma e resistência da cicatriz. Pode durar meses ou até mesmo anos depois da ferida ter fechado. QUANTO AO TIPO DE CICATRIZAÇÃO → PRIMEIRA INTENÇÃO: ▸Características: › Ocorre em questões estreitas, superficiais e com mínima perda tecidual. › Bordas da ferida são bem aproximadas (justapostas), geralmente por meio de sutura. › Resposta inflamatória mínima e recuperação rápida. ▸Exemplo: cortes cirúrgicos bem limpos e fechados com sutura. → SEGUNDA INTENÇÃO: ▸Características: › Envolve perda tecidual significativa. › A ferida não pode ser suturada e necessita da formação de tecido de granulação para preencher o espaço perdido. › Resposta inflamatória evidente. › Não há regeneração de estruturas especializadas como pelos, glândulas sudoríparas e sebáceas. › A cicatrização ocorre de fora para dentro e de baixo para cima. ▸Exemplo: feridas traumáticas, queimaduras extensas ou úlceras de pressão. → TERCEIRA INTENÇÃO: ▸Características: › Processo mais demorado, frequentemente associado a infecções ou complicações. › Ocorre quando uma ferida, inicialmente aberta, precisa ser fechada posteriormente por meio de sutura, após controle de infecção ou outras condições desfavoráveis. › Tecido cicatricial pode apresentar funcionamento comprometido. ▸Exemplo: feridas que se abriram e foi preciso fechar novamente com sutura. QUANTO AOS ASPECTOS MORFOLÓGICOS DA LESÃO ▸Tamanho da lesão: comprimento, largura e profundidade. ▸Medida simples: › Seguir os ponteiros do relógio. › Dimensão ao longo da ferida x distância perpendicular a esta aferição. › Maior largura x maior altura. ▸Medindo a ferida: › Régua e máquina fotográfica. › Soro fisiológico e seringa de 20 ml (ferida cavitaria). › Swab: tuneis e cavidade. › Alginato de cálcio em pó: medir cavidades (tem-se o formato exato da ferida, utiliza-se para estudo). › Filme transparente. › Software Image Tool 2.0. TIPOS DE TECIDO PRESENTES NO LEITO DA FERIDA → GRANULAÇÃO: ▸Características: › Indica a formação de novo tecido vascularizado, saudável, e está associada à fase proliferativa da cicatrização. › Apresenta coloração avermelhada e superfície irregular. ▸Hipergranulação – Cuidados especiais: › Quando ocorre excesso de tecido de granulação, é necessário intervir. › Manejo: cortar o tecido excedente, embora isso cause sangramento significativo. Ou realizar um curativo compressivo para reduzir o crescimento excessivo. → FIBRINA: ▸Características: › É um tecido amarelado que indica a presença de proteínas, especialmente fibrinogênio. › Está associado ao acúmulo de resíduos inflamatórios e ao retardo da cicatrização se não for tratado especificamente. ▸Tratamento – Hidrogel: › Agente desbridante autolítico. › Remove fibrina de forma seletiva, embora seja um processo mais lento. › Indicado para aplicação em todo tecido de coloração amarelada. → NECROSE: Risolene M. Silva ▸Tecido viável: parte da ferida ainda possui potencial de regeneração. ▸Tecido inviável: tecido morto que precisa ser removido -> cicatrização. › Escara: necrose seca, dura e geralmente preta (trata. colagenase). › Esfacelo: necrose de coloração amarelada e aderente (trata. hidrogel). → EPITELIZAÇÃO: ▸Epitélio recém-cicatrizado, com coloração róseo clara ou avermelhada. QUANTO AS CONDIÕES DA PELE PERILESIONAL ▸Coloração: › Branco: característico de insuficiência arterial. › Azulada: característico de insuficiência venosa ou respiratória. › Área enegrecida e castanho amarelado próximo ao maléolo. ▸Temperatura ▸Descamação ▸Maceração ▸Dermatite ▸Eritema QUANTO AS BORDAS DA FERIDA → CARACTERÍSTICAS: ▸Leito da ferida: deve permanecer úmido para promover o ambiente ideal para a cicatrização e a migração celular ▸Bordas da ferida: devem estar secos para evitar complicações, como a maceração, que podem prejudicar o processo de cicatrização. → TIPOS: ▸Maceração: › Definição: resultante de umidade excessiva ao redor da ferida. A pele macerada torna-se intumescida e de coloração esbranquiçada. › Implicações: a maceração pode levar ao enfraquecimento da pele perilesional, dificultando o fechamento da ferida. ▸Solapamento: › Definição: ocorre quando as bordas da ferida ficam soltas e descoladas do leito da ferida. › Implicações: dificulta a cicatrização e aumentar o risco de infecção. ▸Bordas distintas: › Contornos contínuos e bem definidos em relação ao leito da ferida. › Essas condições indicam uma borda saudável e favorável à cicatrização. ▸Bordas encovadas ou Roladas (epibolia): › Definição: ocorre quando as células epiteliais migram para baixo em torno das bordas da ferida, resultando em bordas fechadas ou roladas. › Implicações: essa condição impede o avanço das células epiteliais sobre o leito, dificultando o fechamento da ferida. Obs. a ferida só cicatriza se as bordas estiverem bem aderidas. AVALIAÇÃO→ PRESSURE ULCER SCALE FOR HEALING (PUSH): ↳ Escala mais utilizada ▸Área ▸Bordas ▸Quantidade de exsudato ▸Odor característico do odor ▸Aspecto do exsudato ▸Tipo de tecido ▸Sinais de infecção ▸Dor → DOCUMENTAÇÃO: ▸Descrever de forma objetiva o que está sendo visto. ▸Desenvolver um plano de cuidados com estratégias de tratamento. ▸Monitorar a eficácia das estratégias de tratamento e acompanhar a evolução. ▸Disponibilizar documentação comprobatória dos cuidados prestados. → REGISTRO – EXEMPLO: Lesões complexas, de etiologia venosa, localizadas no membro inferior esquerdo, uma no nível posterior do maléolo medial (F1) e a outra no nível anterior da mesma região (F2); presença de exsudato seroso em ambas as feridas, de quantidade copiosa (máxima) e odor fétido; lesões de profundida hipodérmica, leito da F1 recoberto com cerca de 90% de esfacelo (necrose de liquefação), de coloração amarela aderida ao leito da lesão e 10% de tecido de granulão de coloração vermelho vivo, F2 com presença de 50% de esfacelos de coloração amarelada e 50% de tecido de granulação opaco; F1 com bordas irregulares, encovadas, bem definidas e maceras no terço inferior, e a F2 com bordas regulares e encovadas; pele perilesional superior com hiperpigmentação, e inferior, com hiperqueratose; F1 mede 4,6 x 4,7cm (21,6m²), e F2 1,2 x 1,5cm (1,8m²). Relata dor neuropática leve, que começou há cerca de um ano, aliviada com medicação (paracetamol). Risolene M. Silva FATORES QUE INTERFEREM NA CICATRIZAÇÃO FATORES SISTÊMICOS ▸Idade: › Alterações metabólicas que costumam acometer o idoso fazem com que sua resposta reparadora seja lenta quando comparada à do jovem. › A pele começa a apresentar sinais de involução por volta dos 40 anos, tornando-se mais evidente após os 65 anos, quando ocorre alterações estruturais, numéricas e funcionais dos componentes da pele. › Pele mais fina, seca, perda da gordura, redução na luz dos vasos sanguíneos que leva a diminuição da temperatura ▸Tabagismo: › Baixa concentração de oxigênio nos tecidos pode afetar a velocidade de cura das feridas. › Vasoconstricção induzida pela nicotina. ▸Condição nutricional: › Proteínas; › Carboidratos; › Vitamina A; › Zinco; › Gorduras; › Vitamina K; › Cobre; › Vitamina C; › Vitamina E. ▸Vascularização: › As insuficiências venosa e arterial favorecem o desenvolvimento de úlceras de membros inferiores. › Compromete a oxigenação dos tecidos, dificultando a cicatrização e deixando essas feridas mais suscetíveis à infecção. ▸Medicamentos sistêmicos: › Corticoides: - Diminuem a resistência à tensão de feridas cicatrizadas. - Reduzem a taxa de epitelização e a neovascularização. - Inibem severamente a contração da ferida, além de suprimir o sistema imune. › Anti-inflamatórios não-esteroides: - Provocam vasoconstrição e suprimem a resposta inflamatória. - Reduzem a síntese de colágeno, diminuindo, dessa forma, a resistência à tensão e à contração da ferida. › Quimioterápicos, drogas antineoplásicas imunossupressoras, anticoagulantes e alguns antibióticos interferem no processo fisiológico de cicatrização. ▸Doenças de base: › Diabetes: reduz a síntese do colágeno e a capacidade de fagocitose dos leucócitos, aumentando o risco de infecção. › Neuropatia periférica: afeta a sensibilidade dos membros inferiores, deixando à pessoa mais suscetível a lesão. › Problemas cardiovasculares. › Distúrbios hematológicos. › Doenças autoimunes: prejudicam o processo de cicatrização porque reduzem significativamente a produção de colágeno. FATORES LOCAIS ▸Infecção local. ▸Agentes tópicos. ▸Tecido necrótico. ▸Suprimento sanguíneo. ▸Tipo de cobertura. ▸Contaminação: a presença de um microrganismo sobre a superfície epitelial sem que haja invasão tecidual, reação fisiológica ou dependência metabólica com o hospedeiro. ▸Colonização: na colonização, há a relação de dependência metabólica com o hospedeiro e a formação de colônias, mas sem a expressão clínica e reação imunológica. É o que ocorre com a microbiota humana em situações de equilíbrio, como nas alças intestinais. COMPLICAÇÕES NA CICATRIZAÇÃO DE FERIDAS ▸Infecção: parasitismo da lesão. ▸Deiscência: abertura da cicatriz provocada por infecção, hematoma, técnica inapropriada ou deficiência metabólica. ▸Cicatriz hipertrófica: formação do tecido cicatricial exagerada que não ultrapassa as bordas da ferida. ▸Quelóide: ocorre devido ao excesso de formação de tecido de granulação. ▸Hemorragia: quando ocorre o extravasamento sanguíneo de um vaso. Risolene M. Silva TÉCNICA DE LIMPEZA OBJETIVO DA LIMPEZA ▸Protege o ambiente de cicatrização, promovendo condições ideais para o processo de reposição tecidual. ▸Reduzir o potencial de infecções ao remover contaminantes, detritos e microrganismos do leito da ferida. MÉTODO DE LIMPEZA → TÉCNICA TRADICIONAL DE LIMPEZA COM GAZE: ▸Indicado para auxiliar na remoção de resíduos de maneira prática e acessível. → IRRIGAÇÃO DA FERIDA COM SOLUÇÕES: ▸Uso de soro fisiológico ou água destilada. ▸A irrigação pode ser realizada com seringa, pois a pressão gerada não danifica o tecido de granulação. ▸Atenção ao uso da água da torneira: deve ser tratada e avaliada quanto à segurança microbiológica. *em locais frios, recomenda-se aquecer o soro para que ele fique morno, se assemelhando com a temperatura da pele do paciente. → USO DE PHMB (Polihexanida): ▸Solução especialmente desenvolvida para limpeza de feridas. ▸Benefícios: › Reduz a dor e o odor. › Auxilia na remoção de biofilme. › Preservar o tecido de granulação. *atualmente o PHMB é utilizado para lavar lesões porque não agride a pele. Também é possível utilizar clorexidina (algumas pessoas tem alergia), mas no leito da ferida a cicatrização é retardada porque é citotóxica para os fibroblastos. Em paciente com condições monetárias frágeis, utilizar sabão neutro (corta uma fatia, lava e joga fora). → TÉCNICA DE EXECUÇÃO: ▸Direção da limpeza: sempre faça de um local menos contaminado para o mais contaminado, para evitar a propagação de agentes infecciosos. ▸Particularidades por tipo de ferida: › Feridas abertas: a iniciação de limpeza fora para dentro, pois as bordas externas são consideradas menos contaminadas que o interior. › Feridas fechadas: a limpeza começa de dentro para fora, considerando que a área interna é inicialmente asséptica. TÉCNICA DE DESBRIDAMENTO DEFINIÇÃO ▸Consiste na remoção de tecidos necrosados ou desvitalizados e materiais que impedem ou retardam o processo de cicatrização. TIPOS DE DESBRIDAMENTO → AUTOLÍTICO: ▸Definição: autodegradação do tecido necrosado por meio da hidratação natural promovida pelo próprio organismo. ▸Características: › Processo lento, seletivo, não invasivo e indolor. › Pode ser acelerado com procedimentos como escarotomia. › Produtos utilizados: hidrocoloides e hidrogéis. → QUÍMICO: ▸Definição: uso de enzimas proteolíticas exógenas para degradar colágeno e tecido desvitalizado. ▸Características: › Método rápido, porém um pouco seletivo. › Pode ser associada à escarotomia para aumentar sua eficácia. › Produtos utilizados: fibrinolisina, colagenase e papaína (2% - indicada para tecido de granulação) (4 a 6% - indicada para necrose de liquefação). → MECÂNICO: ▸Definição: remoção de tecidos mortos por meio de força física. ▸Características: › Método simples, porém pode ser desconfortável para o paciente. › Ferramentas utilizadas: pinças, gazes, fricção manual e supervisão pressurizada. → INSTRUMENTAL OU CIRÚRGICO: ▸Definição: retirada direta do tecido necrosado com instrumentos cirúrgicos. ▸Características: › Escarotomia: cortes na escara para facilitar a penetraçãode agentes desbridantes ou aliviar a pressão. › Escarectomia: remoção total da escara. › Ferramentas utilizadas: Tesouras, bisturis e outros instrumentos cirúrgicos. → BIOLÓGICO OU TERAPIA COM LARVAS: ▸ Definição: uso de larvas de moscas esterilizadas para consumir tecido necrosado e liberar enzimas que promovem a cicatrização. Risolene M. Silva TÉCNICA DE CULTURA PARA AVALIAÇÃO DE FERIDAS ▸Objetivo: realizar coleta de amostra para identificar microrganismos presentes e direcionar o tratamento adequado. ▸Procedimento: › Limpeza prévia da ferida para remoção de resíduos superficiais. › Seleção de uma área de 1 cm² do leito da ferida › Aplicação da técnica de Levine, considerada padrão mundial após a biópsia, para garantir amostras precisas. LESÃO POR PRESSÃO – LPP CLASSIFICAÇÃO QUANTO AO COMPROMETIMENTO TECIDUAL → ESTÁGIO 1: ▸Acomete apenas a epiderme. ▸ Eritema não branqueável, pele intacta com rubor não branqueável numa área localizada, normalmente sobre uma proeminência óssea. → ESTÁGIO 2: ▸ Perda parcial da espessura da derme que se apresenta como uma ferida superficial (rasa) com leito vermelho – rosa – sem tecido desvitalizado. → ESTÁGIO 3: ▸ Perda total da espessura dos tecidos. ▸ O tecido adiposo subcutâneo pode ser visível, mas ossos, tendões ou músculos não estão expostos. → ESTÁGIO 4: ▸Perda total da espessura dos tecidos com exposição óssea, dos tendões ou músculos. ▸ Em algumas partes do leito da ferida, pode aparecer tecido desvitalizado (húmida) ou necrose (seca). ▸ Frequentemente são cavitadas e fistuladas. * cubitan – iogurte para pacientes que tem feridas, ele em alto valor proteico e ajuda na cicatrização → NÃO GRADUÁVEIS / INCLASSIFICÁVEIS: ▸Quando não há como visualizar o tecido no local da lesão. ▸Perda total da espessura dos tecidos, a base da ulcera está coberta por tecido desvitalizado (amarelo, acastanhado, cinzentos, verde ou castanho) e/ou necrótico (amarelo escuro, castanho ou preto) no leito da ferida. ▸Até que seja removido tecido desvitalizado e/ou necrótico suficiente para expor a base da ferida, a verdadeira profundidade e, por conseguinte, a verdadeira categoria/grau, não podem ser determinados. → TISSULAR PROFUNDA: ▸Profundidade indeterminada. ▸Área vermelha escura ou purpura localizada em pele intacta e descolada ou flictena preenchida com sangue, provocadas por danos no tecido mole subjacente resultante de pressão e/ou cisalhamento. ▸A área pode esta rodeada por tecido doloroso, firme, mole, húmido, mais quente ou mais frio comparativamente ao tecido subjacente. → RELACIONADA À DISPOSITIVO MÉDICO: ▸Essa terminologia descreve a etiologia da lesão, a lesão por pressão relacionada a dispositivo medico resulta do uso de dispositivos criados e aplicados para fins de diagnósticos e terapêuticos. ▸A lesão por pressão resultando geralmente apresenta o padrão ou forma do dispositivo. ▸Essa lesão pode ser categorizada usado o sistema de classificação de LPP. → EM MEMBRANAS MUCOSAS: ▸ A LPP em membranas mucosas é encontrada quando há histórico de uso do dispositivo médicos no local do dano. ▸ Devido a anatomia do tecido, essas lesões não podem ser categorizadas. *ex. LPP em membrana mucosa relacionada à dispositivo médico. LOCAIS COMUNS EM LPP PREVENÇÃO DE LPP ▸Inclinação a 30°: posição em que o paciente deve ficar no leito para aliviar a pressão. ▸Colchão perfilático (em caixa de ovo). ▸Colchão Pneumático (menor custo). ▸Colchão Viscoelástico (se adapta ao peso do paciente). ▸Colchão Dry Flotation; ▸Aliviadores de pressão; AVALIAÇÃO DA LPP – SISTEMA RYB ▸Feridas vermelhas: proteger ▸Feridas amarelas: limpar ▸Feridas pretas: desbridar Risolene M. Silva ÚLCERAS ÚLCERAS VENOSAS CONCEITO E EPIDEMIOLOGIA ▸A úlcera venosa é uma anormalidade causada por incompetência valvular, associada ou não à obstrução do fluxo venoso. É a úlcera de perna mais comum, sendo responsável por aproximadamente 70 a 90% das úlceras crônicas dos membros inferiores. ▸A lesão inicia-se internamente e vai avançando, de modo que se torna externa, abrindo uma ferida, a solução para essas pessoas é ir no angiologista e realizar cirurgia. ▸Aproximadamente 70% das úlceras abrem novamente após a cicatrização, porque é algo que depende dos fatores intrínsecos do paciente. CAUSAS ▸O mecanismo exato da patogênese da úlcera venosa é desconhecido, surgindo várias teorias, como a Teoria de Cuff de Fibrina. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA INSUFICIÊNCIA VENOSA CRÔNICA ▸Sensação de peso nos membros inferiores ▸Parestesia ▸Câimbras: são intensas e diárias ▸Dor ▸Edema ▸Veias varicosas ▸Pigmentação cutânea APRESENTAÇÃO CLÍNICA DA ÚLCERA VENOSA → A FERIDA: ▸Formato irregular e geralmente superficial. ▸Bordas lisas e irregulares. ▸Grau de exsudação moderado e intenso. ▸Úlceras rasas com tecido de granulação. ▸Localização frequente sobre o maléolo medial, únicas ou múltiplas. No entanto, tende a ocorrer no local onde há o problema da insuficiência. → A PELE CIRCUNDANTE: ▸Hiperpigmentada: a hiperpigmentação capilar faz a distensão dos capilares sanguíneos, levando a lesões da parede endotelial. Também pode levar a ruptura do capilar, permitindo o extravasamento de hemácias. ▸Lipodermatoclerose – formato de ‘garrafa invertida’: combinação de edema crônico com depósitos de fibrina e mediadores inflamatórios. ▸Eczema: dermatite eritematosa, podendo evoluir para a formação de vesículas. › Atrofia branca: pele atrófica frequentemente circular, de cor branca (marfim), circundada por capilares dilatados. › Edema: aumento no volume de fluídos da pele e do tecido subcutâneo, caracteristicamente recuando com pressão. Edema venoso ocorre geralmente no tornozelo, mas pode se estender para a perna e o pé. › Erisipela ou celulite: os pacientes podem desenvolver erisipela no decorrer da evolução do agravo. → A PERNA: ▸Coroa Phlebectasia: numerosas pequenas veias intradérmicas, em formato de leque, situadas na face lateral ou medial da perna e pé, frequentemente associadas à incompetência das veias perfurantes. ▸Varizes: veias subcutâneas dilatadas, com diâmetro igual ou maior que 3mm, medida em posição ortostática. AVALIAÇÃO DA DOR ▸A dor, usualmente, é de leve a moderada, mas também, pode ser extrema, gerada pelo processo inflamatório crônico e pelos nervos feridos, piora ao final do dia com posição ortostática. AVALIAÇÃO DO EDEMA → PERIMETRIA: ▸Descrição: método simples que utiliza uma fita métrica para medir as bactérias do membro afetadas em diferentes alturas. › 0 cm (ponto de referência, geralmente no tornozelo). › 5 cm, 10 cm e 15 cm acima do ponto inicial. ▸Objetivo: avaliar o grau de edema e acompanhar sua evolução ao longo do tempo. → DOPPLER DE ONDA CONTÍNUA: ▸Descrição: › Aparelho portátil usado para detectar o fluxo venoso e avaliar possíveis alterações no sistema venoso. › Áreas de exame como: junção safeno-femoral, junção safeno-poplítea e sistema nervoso profundo para identificar refluxo significativo. ▸Aplicação: indicado para diagnóstico de insuficiência venosa e avaliação hemodinâmica. → ÍNDICE TORNOZELO / BRAÇO (ITB): ▸Descrição: › Relação entre a pressão arterial sistólica do tornozelo e do braço. › Cálculo do ITB: Pressão sistólica no tornozelo ÷ Pressão sistólica no braço ▸Cuidados: › Em pacientes com diabetes, o resultado pode ser falsamente elevado devido à calcificação arterial. › Antes de iniciar tratamentos específicos para úlceras venosas, é essencial descartar a insuficiência arterial com o diagnóstico médico adequado. ▸Medidas complementares: abaixo do joelho, meio da panturrilha e nível do maléolo. Obs. o diagnóstico de insuficiência venosa e a exclusão de doençasarteriais são essenciais para determinar o tratamento adequado, especialmente em casos de úlceras venosas. Risolene M. Silva TRATAMENTO DO RETORNO VENOSO ▸Manejo da hipertensão venosa e redução do edema com elevação do membro inferior. ▸Deambulação. ▸Faixas. ▸Meias elásticas: › Para tratamento. › Após cura de lesão. › Classificadas em: suporte ou preventiva, terapêutica e antitrombótica. › Classificação da compressão: leve, média alta e antitrombótica. ▸Terapia compressiva: a terapia de compressão continua a ser o padrão- ouro para o tratamento da úlcera venosa. ÚLCERA ARTERIAL EPIDEMIOLOGIA ▸Aproximadamente 10 a 25% dos casos de úlceras crônicas nos MMII. ▸Mais comum em pacientes acima de 50 anos. FISIOPATOLOGIA ▸A insuficiência arterial resulta da oclusão de vasos importantes. ▸Manifestações clínicas: › Claudicação. › Dor em repouso (o fluxo está diminuído naquela área). Tabela: Comparação entre úlceras venosas e arteriais - Dealey, 2008 Sinal / Sintoma Úlcera venosa Úlcera arterial Local No maléolo medial ou perto dele. Pode ocorrer nos dedos do pé, nos pés e no calcanhar lateral da perna. Desenvolvimento Vagaroso. Rápido. Aparência da úlcera Bordas superficiais; tecido profundo não é afetado. Geralmente profunda, envolvendo tendões e músculos. Aparência da pena Manchas varicosas castanhas, eczema, quente ao toque. Pele lustrosa, fria ao toque, branca quando elevada e podendo azular quando pendente. Edema Presente – geralmente piora no fim do dia. Só está presente com o cliente imóvel – edema de estase. Dor Variável Muito dolorosa – piorando à noite. Aliviada quando a perna pende ao lado da cama. Histórico médico Trombose venosa profunda, flebite, veias varicosas. Doença vascular periférica, doença cardíaca isquêmica, diabetes mellitus. ITB ≥ 0,9derivado natural com baixo risco de reações adversas. ▸Desvantagens: › Causa desconforto em tecidos saudáveis se aplicado incorretamente. › Requer cuidado na dosagem para evitar excesso de ação enzimática. ÁCIDO GRAXO ESSENCIAL (AGE) ▸Benefícios: › Hidrata e restaura a barreira cutânea em pele íntegra. › Auxilia na prevenção de lesões cutâneas. ▸Características: › Rico em substâncias naturais que promovem a regeneração celular. › Hidrata profundamente a pele seca ou sensibilizada. ▸Indicações: › Prevenção de lesões em pele íntegra, como em pacientes acamados. › Tratamento auxiliar em feridas com bordas ressecadas. ▸Modo de uso: › Aplicar uma fina camada sobre a pele limpa e seca. › Reaplicar conforme orientação profissional. ▸Vantagens: › Fácil aplicação. › Boa tolerância cutânea. ▸Desvantagens: não indicado como tratamento principal de feridas abertas. ALGINATO DE CÁLCIO ▸Benefícios: › Absorve o exsudato, mantendo o equilíbrio de umidade. › Promove hemostasia através de troca iônica. › Favorece o tecido de granulação e auxilia no desbridamento autolítico. ▸Características: › Derivado de algas marinhas. › Em contato com o exsudato, o alginato se desfaz, formando uma pomada. › Deve ser aplicado diretamente na ferida sem outras substâncias. ▸Indicações: › Feridas sem infecção, ou com infecção (com prata). › Exsudato de moderado a intenso. › Com ou sem sangramento. ▸Modo de uso: pode-se aplicar hidrogel ou óleo de girassol antes do alginato para feridas que requerem hidratação adicional. ▸Desvantagens: devido à sua consistência que se desfaz, pode não ser adequando para todas as feridas. FILME TRANSPARENTE ▸Benefícios: › Mantém um ambiente úmido ideal para cicatrização. › Permite a visualização da ferida sem remoção do curativo. ▸Características: › Impermeável à água, mas permite a vaporização do exsudato para evitar à maceração enquanto mantém o ambiente úmido. › Fino, flexível e transparente. › Utilizado como cobertura secundária. ▸Indicações: › Úlceras de pressão em estágio 1. › Feridas recém epitelizadas. › Prevenção de lesões por pressão em proeminências ósseas. ▸Modo de uso: aplicar sobre a pele limpa e seca; e fixar as bordas firmemente, sem enrugar o material. Risolene M. Silva ▸Vantagens: › Facilita a inspeção da ferida. › Previne atrito em áreas vulneráveis. ▸Desvantagens: › Não indicado para feridas com exsudato moderado ou intenso. › Pode causar maceração se não aplicado corretamente. CARVÃO ATIVADO ▸Benefícios: › Ação bacteriana graças à prata impregnada. › Favorece o desbridamento autolítico. › Mantém a umidade e a temperatura adequadas para a cicatrização. › Elimina odores. ▸Composição: › Tecido de carvão ativado impregnado com prata. › Envolto por uma camada de não tecido, selada em toda sua extensão. ▸Indicações: › Feridas com mau cheiro. › Feridas com inchaço e exsudativas (moderada a intensa). › Feridas infectadas ou com tecido necrótico. › Feridas cavitarias e fétidas. ▸Tipos: › Sachê de carvão ativado: não recortável, deve ser colocado na ferida e coberto com gaze e ataduras. › Carvão ativado recortável: pode ser ajustado ao tamanho da ferida conforme necessário. ▸Modo de uso: › Não deve ser cortado para evitar a liberação excessiva de prata na ferida. › Necessita de gaze e fita adesiva na cobertura. › Remover devagar e aos poucos para evitar danos à pele saudável. ▸Vantagens: eficaz na eliminação de odores e controle de infecções. ▸Desvantagens: pode ser menos flexível em formatos que não sejam pré- cortados (no caso dos sachês). ESPUMA COM PRATA ▸Benefícios: › Propriedades antimicrobianas, reduzindo o risco de infecção. › Absorve exsudato e mantém o ambiente úmido. ▸Características: disponível em versões com prata, poliuretano (absorção do exsudato) e ibuprofeno (anti-inflamatório). ▸Indicações: › Feridas com exsudação moderada a intensa. › Lesões inflamadas ou dolorosas. ▸Modo de uso: colocar diretamente sobre a ferida limpa e cobrir, se necessário, com curativo secundário. ▸Vantagens: › Combate microrganismos no leito da ferida. › Reduz a inflamação e o desconforto. ▸Desvantagens: › Custo elevado em comparação com outras opções. › Pode causar irritação em casos raros. SUFADIAZINA COM PRATA ▸Benefícios: › Combate bactérias, fungos, vírus e protozoários. › Reduz o risco de infecções em queimaduras. ▸Características: creme antimicrobiano, associado ao nitrato de cério. ▸Indicação: tratamento de queimaduras de segundo e terceiro graus. ▸Modo de uso: aplicar sobre a área queimada, cobrindo com gaze estéril. ▸Vantagens: › Amplo espectro de ação antimicrobiana. › Fácil de aplicar e remover. ▸Desvantagens: pode causar irritação ou hipersensibilidade. VELODERM ▸Benefícios: › Promove proteção e cicatrização de queimaduras. › Forma uma barreira aderente que evita contaminação. ▸Características: material que adere à pele e não se descola facilmente. ▸Indicações: queimaduras de segundo grau e outras lesões superficiais. ▸Modo de uso: › Aplicar diretamente sobre a área afetada. › Deixar aderir e remover apenas quando indicado. ▸Vantagens: › Fácil aplicação. › Proporciona um ambiente estável e protegido para a cicatrização. ▸Desvantagens: › Pode ser desconfortável ao ser removido. › Não é indicado para feridas muito exsudativas ou infectadas. TELA DE ACETATO DE CELULOSE COM PETROLATUM ▸Benefícios: › Proporciona uma barreira oclusiva que mantém a umidade da ferida. › Facilita a cicatrização ao proteger contra contaminações externas. › Reduz a perda de fluidos e mantém um ambiente úmido para a regeneração tecidual. ▸Composição: tela feita de acetato de celulose impregnada com petrolato (óleo mineral), oferecendo propriedades hidratantes e protetoras. ▸Indicações: › Feridas com exsudato leve a moderado. › Feridas superficiais e de cicatrização esperadas sem grande necessidade de desbridamento. ▸Modo de uso: › Aplicar diretamente sobre a ferida limpa. › Fixar com uma bandagem adequada para manter a tela no lugar. ▸Vantagens: › Fácil de aplicar e remover. › Não adere a borda da ferida, diminuindo a dor durante a troca do curativo. ▸Desvantagens: pode não ser adequado para feridas com alto exsudato ou necrose significativa. Risolene M. Silva HYALUDERMIN ▸Benefícios: › Estimula a formação de novos vasos sanguíneos. › Hidrata o leito da ferida, favorecendo a regeneração. ▸Características: › Contém ácido hialurônico, com ação cicatrizante e regenerativa. ▸Indicações: › Feridas que necessitam estímulo p/ a formação de tecido de granulação. ▸Modo de uso: › Aplicar sobre o leito da ferida limpa. › Cobrir com curativo adequado para manter o ambiente úmido. ▸Vantagens: › Promove a regeneração de tecidos. › Melhora a elasticidade da pele durante a cicatrização. ▸Desvantagens: › Pode ser menos eficaz em feridas infectadas ou altamente exsudativas. NATURA SKIN ▸Benefícios: › Promove a regeneração tecidual. › Mantém a hidratação do leito da ferida. ▸Características: cobertura protetora e regenerativa. ▸Indicações: lesões superficiais, úlceras e queimaduras leves. ▸Modo de uso: aplicar diretamente sobre a ferida e cobrir com gaze ou curativo secundário. ▸Vantagens: › Fácil aplicação e adaptação à ferida. › Reduz o risco de infecção. ▸Desvantagens: pode ser insuficiente para feridas mais profundas ou altamente exsudativas. TRATAMENTO A VÁCUO - VAC ▸Benefícios: › Reduz edema e melhora a circulação no leito da ferida. › Favorece o fechamento de feridas complexas e cavitarias. ▸Características: › Dispositivo que aplica pressão negativa, estimulando a granulação. › Remove exsudato e reduz a carga bacteriana. ▸Indicações: › Feridas extensas, cavitarias ou de difícilcicatrização. › Úlceras por pressão e feridas pós-operatórias. ▸Modo de uso: › O equipamento é acoplado à ferida com uma esponja estéril e coberto com filme transparente. › O sistema gera vácuo, retirando o excesso de líquidos → cicatrização. ▸Vantagens: › Estimula a regeneração tecidual em feridas complexas. › Diminui o risco de infecção. ▸Desvantagens: › Custo elevado. › Requer acompanhamento especializado e não é indicado para todos os tipos de feridas. ANOTAÇÃO DE ENFERMAGEM – COMPLETA: 04/07/2024 – 8h – Realizado troca de curativo na região sacral de lesão por pressão, estágio 3, a lesão apresentava 35% de necrose de coagulação, 40% de tecido de granulação e 25% de necrose de liquefação, com extensão de 11 x 11,5 x 5 cm (ou 633 cm³), com exsudato abundante, fétido e purulento, bordas descoladas na porção superior e maceradas na porção inferior, área perilesional hipercrômica e com hiperemia na porção superior direita. A limpeza da lesão foi realizada com solução fisiológica 0,9% e PHMB, aplicado como cobertura primária alginato de cálcio com prata no leito e creme barreira na área perilesional, por fim, a ferida foi ocluída com gaze seca e fixada com fita hipoalergênica. Paciente nega dor durante o procedimento. Orientada para informar à enfermeira se houver desconforto relacionado a lesão. Risolene Maria da Silva (acadêmica de enfermagem – UFPB). ---------