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UNIGAUUS PSICOLOGIA E TRANSTORNOS DO ESPECTRO AUTISTA PREMIUM GORETE DE MELO Urubici SC 2025 RESUMO Este estudo teve como objetivo principal compreender de que forma o ensino de história pode influenciar na formação cidadã dos estudantes do ensino médio. A pesquisa foi realizada por meio de uma revisão de literatura, utilizando a abordagem bibliográfica. O ensino de história deve sempre ocupar espaços e promover avanços, não apenas como uma disciplina do conhecimento, mas também como um estímulo à realização de atividades pedagógicas inovadoras. Assim, é fundamental que, junto aos estudantes de história, haja uma compreensão e reconstrução do conhecimento histórico, apoiada em uma base sólida nesse campo. Quanto aos obstáculos enfrentados pelo ensino de história, destaca-se que a formação universitária dos professores é extensa e exige que eles tenham um domínio aprofundado da disciplina. Dessa maneira, o ensino de história contribui para o desenvolvimento de uma consciência cidadã prática, inicialmente no ambiente escolar. É importante ressaltar que a cidadania não precisa começar exclusivamente na sala de aula, mas deve estar intimamente ligada a ela. A cidadania está relacionada ao surgimento da vida urbana, à capacidade do indivíduo de exercer seus direitos e deveres enquanto cidadão. Uma das principais metas é que o estudante compreenda e pratique a cidadania por meio da participação social e política, exercitando seus direitos e deveres civis, políticos e sociais. No cotidiano, isso se manifesta através de atitudes de solidariedade, colaboração, resistência às injustiças, respeito ao próximo, pensamento crítico e respeito mútuo. A cidadania é estudada e vivenciada em diversos ambientes, sendo a escola o espaço privilegiado para a socialização, a construção de conhecimentos e o desenvolvimento de habilidades e competências essenciais. Palavras-chave: Ensino de história. Alunos. Formação cidadãos. 1 INTRODUÇÃO Além do resgate cultural, o ensino de história está presente na vida do indivíduo como um processo de desenvolvimento e transformações. A mudança social tem sido constantemente desejada pelos indivíduos que vivem em sociedade, e essa mudança diz respeito às formas de vida, aos estilos de vida, aos sistemas sociais, à economia, às crenças e aos valores. Trata-se de uma circunstância originada pelas rápidas mudanças nos cenários sociais, políticos e econômicos, que aumentam as expectativas das pessoas. A escola não é apenas um espaço de reprodução das relações sociais, mas também um ambiente onde circulam ideologias, concepções e ações intelectuais. Ela busca promover a socialização do saber, da ciência, da técnica e das artes produzidas socialmente, devendo estar comprometida politicamente. A educação é uma prática social relacionada aos valores vigentes de uma cultura, os quais variam ao longo do tempo histórico. A história, considerada como a experiência humana, torna-se objeto de investigação do historiador, que a transforma em conhecimento. Esse conhecimento, por sua vez, é utilizado no ensino, tendo grande importância para a formaçãosocial do indivíduo Com base no que foi apresentado, surge a seguinte pergunta: de que maneira o ensino de história pode influenciar na formação de cidadãos conscientes entre os estudantes do Ensino Médio? Este estudo tem como objetivo principal entender de que forma o ensino de história pode contribuir para a formação cidadã dos alunos dessa etapa escolar. Para alcançar esse objetivo, foram estabelecidos alguns passos específicos, como: descrever como é o método e a prática do ensino de história; identificar os principais desafios enfrentados nesse ensino; e analisar de que modo o ensino de história está relacionado com a formação de cidadãos críticos e participativos. A pesquisa foi feita através de uma revisão de literatura, ou seja, consultando livros, apostilas, artigos científicos e materiais disponíveis na internet. Essa abordagem é importante porque o estudo de história ajuda os estudantes do Ensino Médio a entenderem seu papel na sociedade, compreendendo suas relações com o mundo ao seu redor — levando em conta aspectos históricos, culturais e políticos. Dessa forma, o ensino de história contribui para que eles desenvolvam valores, conhecimentos, atitudes e habilidades essenciais para se tornarem cidadãos mais conscientes e atuantes na sociedade. O ensino de história desempenha um papel fundamental na formação de cidadãos conscientes, especialmente entre os estudantes do Ensino Médio, ao proporcionar conhecimentos, reflexões e habilidades que contribuem para uma compreensão crítica do mundo em que vivem. Algumas maneiras pelas quais o ensino de história influencia essa formação incluem: Conscientização sobre o passado e suas consequências: Ao estudar eventos históricos, os estudantes compreendem as origens de questões sociais, políticas e econômicas atuais, permitindo uma visão mais ampla e fundamentada da realidade. Desenvolvimento do pensamento crítico: Analisar diferentes fontes, interpretações e narrativas históricas estimula a capacidade de questionar informações, reconhecer diferentes pontos de vista e refletir sobre as causas e consequências dos acontecimentos. Valorização da diversidade cultural: A história revela a multiplicidade de culturas, identidades e experiências humanas, promovendo o respeito à diversidade e combatendo preconceitos. Formação de uma consciência cívica: Conhecer a história de movimentos sociais, lutas por direitos e instituições democráticas ajuda os estudantes a compreenderem seus direitos e deveres enquanto cidadãos, incentivando a participação ativa na sociedade. Promoção de valores éticos e de responsabilidade social: Ao entender os erros e acertos do passado, os estudantes podem desenvolver uma postura ética e uma responsabilidade social diante dos desafios contemporâneos. Preparação para o exercício da cidadania: O ensino de história fornece o embasamento necessário para a compreensão das instituições políticas, direitos civis e o funcionamento da sociedade, essenciais para uma participação consciente e informada A preparação para o exercício da cidadania passa pelo ensino de história, que oferece uma compreensão fundamental das instituições políticas, dos direitos civis e do funcionamento da sociedade. Conhecer o passado e as transformações sociais permite aos cidadãos entenderem o contexto de suas instituições, reconhecerem seus direitos e deveres, e participarem de forma consciente e responsável na vida democrática. Assim, o estudo histórico fortalece a formação de cidadãos críticos, informados e engajados na construção de uma sociedade mais justa e participativa. 2 A DIDÁTICA E A PRÁTICA DO ENSINO DE HISTÓRIA Segundo informações do Instituto Pedagógico de Minas Gerais – IPEMIG (2017a), a didática e a metodologia do ensino de história vêm constantemente ampliando suas áreas de atuação e promovendo avanços. Essas áreas não se restringem apenas ao campo do conhecimento, mas também estimulam o desenvolvimento de atividades docentes inovadoras, com o objetivo de que os estudantes de história escolar possam compreender e reconstruir essa disciplina fundamentados no conhecimento histórico. Abud, Silva e Alves (2010, apud IPEMIG, 2017a) afirmam que a didática da história se apoia em um objeto de estudo distinto do objeto da história em si. Enquanto a história busca o passado e constrói seu próprio conhecimento, a didática da história, especialmente na escola, vai além da simples transmissão de saberes; ela se torna um campo de conhecimento onde se entrelaçam a história como ciência e a história escolar, promovendo uma compreensão mais aprofundada e contextualizada A ciência da história, enquantodisciplina, ocupa um papel fundamental na didática ao propor operações cognitivas acessíveis aos estudantes. Ela atua como uma intermediária, preservando a integridade dos conteúdos e das metodologias próprias da história enquanto ciência, sem fazer concessões à simplificação ou distorção. A adaptação do ensino às capacidades dos alunos é essencial, considerando que eles não são, obrigatoriamente, historiadores nem desejam se tornar tais. Assim, a didática da história deve metodicamente respeitar a autonomia e a complexidade da disciplina, distinguindo claramente o trabalho rigoroso da história científica da atividade de ensino em sala de aula (IPEMIG, 2017). A finalidade primordial do ensino de história transcende a simples memorização de fatos. Seu objetivo é envolver o estudante na compreensão das múltiplas interpretações de um acontecimento, promovendo uma análise crítica e reflexiva. Não basta identificar, guardar ou delimitar fatos isolados; é necessário situá-los no seu contexto, compreender suas conexões e valorizações, e refletir sobre suas implicações. Dessa forma, o ensino de história permite uma compreensão contínua do mundo, reconhecendo que ele está em constante transformação, assim como os seres humanos que nele vivem. A aprendizagem histórica fornece as bases para que os indivíduos possam entender o passado de forma crítica, entendendo como as ações e decisões de outrora influenciaram o presente e podem moldar o futuro, oferecendo, assim, um alicerce para o desenvolvimento de uma consciência histórica e cidadã (IPEMIG, 2017) O importante não é apenas o acervo de conhecimentos que deve ser selecionado para instruir o ensino; igualmente importante é a maneira como esse ensino é realizado, ou seja, a metodologia de trabalho na escola. Por exemplo, alfabetizar pode ser feito por diversos métodos: alfabetizar a partir da convivência, da realidade dos alfabetizandos, promovendo a ampliação do conhecimento de sua realidade e a incorporação de novos saberes. Essa abordagem exige um método específico, não qualquer método (IPEMIG, 2017, p. 12) De acordo com Abud, Silva e Alves (2010 apud IPEMIG, 2017a), a virada metodológica que transforma a expectativa do ensino de história, impactando todos os seus atores — principalmente professores e alunos —, caracteriza-se pela mudança do foco do simples acesso a informações e narrativas prontas, como os manuais didáticos, a materiais midiáticos e as versões tradicionais de memórias, para a necessidade de produzir narrativas a partir de induções, leituras diretas de diversos documentos históricos e perspectivas múltiplas. Essa transformação foi verificada devido a mudanças no modelo de formação de professores, que, segundo Souza (2015), passa a enfatizar uma formação que valoriza a compreensão crítica, a análise de fontes e a construção de saberes históricos mais participativos e contextuais A didática é vista como um conjunto de conhecimentos essenciais para a formação de profissionais capazes de aplicar metodologias de ensino de forma competente. Esses conhecimentos orientam a prática pedagógica na transmissão dos conteúdos característicos da educação, embora frequentemente haja uma desconexão entre o ato de ensinar e os objetivos de aprendizagem pretendidos. Além disso, pesquisas na área de educação histórica destacam a importância de compreender, através de estudos sobre narrativa histórica, a semelhança entre crianças e jovens e o processo de construção de narrativas, ressaltando o papel dessa compreensão no desenvolvimento de práticas pedagógicas mais eficazes. Refere-se à distinção entre um conjunto de conhecimentos a serem ensinados e uma formação complementar, cuja finalidade é desenvolver competências essenciais para o trabalho pedagógico. Essas competências incluem o planejamento de aulas, o trabalho com manuais didáticos e a preparação para adotar estratégias eficazes de transmissão do conhecimento (SOUZA, 2015, p. 86). Vasconcelos (2002 apud RAMOS; CAINELLI, 2014) afirma que a separação entre teoria e prática, bem como a desvalorização do conhecimento advindo da prática — estabelecido na prática e sobre a prática —, deve-se à epistemologia clássica. Essa visão enxerga o mundo das ideias, dos conceitos e das teorias como superior. Para essa perspectiva, o mundo da empiria, da prática e da experiência poderia até ser um ponto de partida, mas é considerado imperfeito, pois é mutável e fugaz. Assim, não se deve estabelecer uma hierarquia entre teoria e prática, mas reconhecer que a prática é essencial para o conhecimento, funcionando como sua pressuposição, embora não seja suficiente por si só para que o conhecimento se consolide. Diferentemente do padrão epistemológico tradicional, atualmente observa-se a emergência do paradigma da complexidade, no qual não se busca derivar o mundo das ideias do mundo da experiência, nem estabelecer uma relação de valores entre ações e conceitos. Segundo Souza (2015), na formação docente, a prática não pode ser compreendida apenas como observação e participação em atividades escolares. Conhecer o campo de trabalho exige ir além da simples reprodução de práticas enraizadas na cultura escolar, envolvendo uma compreensão mais aprofundada e crítica dessa realidade Na cultura escolar, é fundamental ir além do ensino tradicional, aprendendo a contextualizar as práticas pedagógicas, estabelecer interpretações críticas e propor alternativas que promovam uma formação mais significativa e reflexiva. Nesse sentido, o referencial teórico-metodológico que orienta a configuração deste curso é influenciado pela concepção de aula-oficina, na qual o estudante é protagonista do seu próprio processo de aprendizagem. A aprendizagem histórica, nesse contexto, se dá por meio de atividades complexas que envolvem a compreensão do conhecimento histórico em sua essência epistemológica, estimulando a reflexão crítica sobre os conteúdos e suas implicações. Conforme Rüsen (2007 apud RAMOS; CAINELLI, 2014), os saberes essenciais para o ensino de história vão além do conteúdo, incluindo conhecimentos pedagógicos relacionados às metodologias de ensino e à didática da disciplina. Esses saberes envolvem as ciências sociais, que investigam as condições sociais de ensino e aprendizagem, bem como os objetivos, formas e processos educativos. Assim, a formação pedagógica deve incorporar não apenas conhecimentos práticos de ensino, mas também uma compreensão aprofundada da história como disciplina, permitindo ao professor criar práticas educativas contextualizadas, críticas e inovadoras. A didática da história, nesse cenário, determina as finalidades e as estratégias de ensino dentro de um determinado contexto político, social, cultural e institucional. O nível pedagógico refere-se aos meios concretos e práticos de implementação dessas estratégias, buscando sempre promover uma educação histórica que seja não apenas transmissiva, mas também capaz de estimular o pensamento crítico, a compreensão contextualizada e a reflexão sobre as múltiplas interpretações históricas. Assim, a integração desses saberes e práticas contribui para uma cultura escolar mais dinâmica, crítica e comprometida com a formação cidadã. Na área de História, a problemática relacionada à separação entre a produção e a difusão do conhecimento tem suas raízes no século XIX. Nesse período, a história passou a ser reconhecida como uma disciplina de investigação, guiada por um método específico, o que resultou na distinção entre aqueles que produziam o conhecimento histórico e aqueles responsáveis por sua transmissão. Antes dessa institucionalização, os interessados em estudar história frequentemente o faziam com fins didáticos; ou seja, a pesquisa histórica era realizada com o propósito de gerar conhecimentos que pudessem ser ensinados, contribuindo assim para orientara sociedade sobre seu passado e seus Destinos (RÜSEN, 2008 apud SOUZA, 2015, p. 87 Compreende-se, diante disso, que todos os saberes — sejam eles formativos, curriculares, disciplinares ou experiênciais — possuem sua importância e, por isso, devem ser mobilizados no processo educativo. No entanto, o eixo norteador dessa mobilização deve ser o saber disciplinar. A partir dessa perspectiva, o ensino de história deve se orientar como um instrumento de esclarecimento e percepção, tendo em vista sua função característica de promover a compreensão crítica do passado e suas relações com o presente, contribuindo para a formação de cidadãos mais conscientes e atuantes na sociedade exclusiva do saber histórico na vida humana (RÜSEN, 2007 apud RAMOS; CAINELLI, 3 OS DESAFIOS DO ENSINO DE HISTÓRIA Souza e Carvalho (2012) afirmam que, atualmente, o ensino de história Estabelece a interdisciplinaridade na tentativa de aprofundar o conhecimento indispensável para o bom exercício na área de história, pois para conhecer a disciplina o discente precisa de anos de estudo, algo que torna sua formação lenta e determina que o estudo ocorra de forma contínua. A formação de professores de história visa apoio em outras áreas, como língua portuguesa, matemática, ciências, geografia, artes, filosofia, economia, didática, sociologia, o que justifica a interdisciplinaridade. Sobre esse aspecto, BORGES apud GUIMARÃES (2001) observou que a formação universitária de professores de história é demorada e supõem que o professor conheça muito bem, como é produzida essa forma desconhecimento, pois deste modo "estará ele em condições de evitar um ensino repetitivo e memorizado em defesa da cultura, pautando ao acesso do conhecimento por meio, por exemplo, de realização de leituras e participação de congressos". E trabalhar por este ângulo é trabalhar a história de uma forma, reconhecendo que nela existe toda uma diversidade de abordagens, fazendo do passado uma leitura com termos de referências recentes que abrangem o hoje e o agora, com perspectivas sociais teóricas, ou uma Concepção de mundo (SOUZA; CARVALHO, 2012, p. 3). De acordo com informações da IPEMIG (2017a), o ensino de história é considerado uma tarefa que não é fácil, essencialmente pelo fato de se tratar de uma disciplina que tem maior resistência entre os alunos. Não pode restringir-se a memorização de fatos, a informação particularizada dos eventos, à acumulação de dados sobre as situações nas quais incidiram. A história não é puramente uma narrativa de acontecimentos periféricos, não é a consagração de figuras ilustres. Não é um domínio imparcial, é um espaço de debate, em geral de conflitos. É um espaço de investigação e cultivo do saber que está além de marcar para a conformidade. Segundo Magalhães (2012), a legislação brasileira reforça muito a precisão dese trabalhar com o patrimônio histórico e cultural em sala de aula. Nos “Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN” de História, para o ensino Fundamental de 1º. e 2º. ciclos, este fator é salientado já na definição dos objetivos principais do ensino da disciplina que, de acordo com o documento, deve ter o papel de formar identidades, envolven do aspectos individuais, sociais e coletivos, tendo como pano de fundo a busca por uma formação cidadã (BRASIL, 1997 apud MAGALHÃES, 2012, p. 100). De acordo com Magalhães (2012), designadamente é determinada a necessidade de se trabalhar com o patrimônio histórico e cultural, sendo este uma das finalidades do ensino de história: “valorizar o patrimônio sociocultural e respeitar a diversidade, reconhecendo-a como um direito dos povos e indivíduos e como um elemento de fortalecimento da democracia” (BRASIL, 1997, apud MAGALHÃES,2012, p. 100). Ao se lecionar história, deve-se passar ao aluno a informação de que o mesmo necessita sempre almejar o grande homem que defenderá o país e jamais que as transformações acontecem pela pretensão e deliberação de homens comuns. Os estudos de história cooperariam para desenvolver no aluno a ideia de que a realidade como está foi determinada por alguma razão, e mais importante, pode ser modificada ou conservada. Diante disso, é importante que a história seja apreendida como a consequência da atuação de distintos grupos, setores ou classes de toda a sociedade. É essencial que o aluno reconheça a história da humanidade como a história da produção de todos os homens e não como consequência da ação ou das ideias de alguns poucos (IPEMIG, 2017a). Nessa medida a história seria entendida como um processo social em que todos os homens estariam nele engajados como seres sociais. De outra parte, é fundamental que se estabeleça a relação do passado e do presente, isto é, que os estudos não se restrinjam apenas ao passado, mas sim que este seja entendido como chave para a compreensão do presente, que por sua vez melhor esclarece e ajuda a entender o passado. Aqui duas funções se evidenciam como básicas nos estudos da história: capacitar o indivíduo a entender a sociedade do passado e a aumentar o seu domínio da sociedade Do presente (IPEMIG, 2017a, p. 14). Sob esse ponto de vista, não faz sentido um ensino de história que se limite a Fatos e acontecimentos do passado sem constituir sua conexão com a condição Presente. Bem como não há sentido avaliar os fatos contemporâneos sem procurar a origem e sem constituir sua relação com os outros acontecimentos políticos econômicos, sociais e culturais acontecidos na sociedade como um todo. Não é presumível, deste modo, avaliar fatos isolados. Para apreender seu adequado sentido é indispensável remetê-los à situação socioeconômica, política ou cultural da época em que foram produzidas, reconstituídas suas evoluções no contexto mais amplo do social até a circunstância presente (IPEMIG, 2017). Na visão de Simão, Gandra e Traves (2010 apud IPEMIG, 2017a), apenas Desta maneira a escola pode proporcionar ao aluno um ensino que lhe permita a informação e a concepção das relações de tempo e espaço. Isto é, pelo conhecimento da temporalidade das relações sociais, das relações a políticas, das formas de produção econômica, das formas de produção da cultura das ideias e dos valores. De acordo com Schimdt (2009 apud SOUZA, 2015), novas propostas estão sendo debatidas visando fazer com que o ensino de história seja considerado com princípios e desígnios próprios do que se chama uma “racionalidade histórica”. Isto pode ser percebido como uma forma de sugerir metas e objetivos para aprendizagem da história que não sejam meramente levar os estudantes a uma memorização de informações históricas dedetizadas. Na visão de Souza (2015) o desafio maior é uma formação de professores que não mais os prepare apenas para conduzir didaticamente conteúdos históricos. Antecipadamente selecionados, promovendo uma aprendizagem de informações históricas dadas. Os novos profissionais necessitam abranger a natureza de modo eminente investigativa da aprendizagem histórica, a relação entre conhecimento histórico e vida prática, e ainda os embasamentos epistemológicos da produção do conhecimento histórico. Com isso, também indispensável que reconheçam o papel do professor na investigação da realidade social na qual está inserido, e além disso na intervenção sobre essa realidade, a partir do manejo do conhecimento histórico em aulas de história. Souza (2015) ressalta que a didática tem um desafio, uma vez que ocupa um lugar de evidência na formação de educadores, especialistas e professores em uma perspectiva multidimensional, devido a educação decorrer todos os domínios da sociedade. Com isso, a educação deve adquirir uma ligação entre escola e sociedade numa visão global e informatizada, habilitando os formados com vistas a sua vida pessoal e profissional. Diante disso, o professorde história deve ter como finalidade a preocupação com a constituição crítica e reflexiva, voltando-se para a concepção do processo histórico na busca de um ensino que venha romper com as ligações do conservadorismo, da decoreba, visando uma escola que trabalhe com a realidade do aluno, consentindo, com isso, trabalhar com a memória e a visão crítica no local em que vive 4 O ENSINO DE HISTÓRIA E A FORMAÇÃO CIDADÃ DOS ALUNOS DO ENSINO MÉDIO Conforme Lopes (2013), a sociedade é constituída por uma massa heterogênea e existe a necessidade de estímulo constante para que as pessoas compreendam que, onde quer que estejam, o que quer que cometam, têm direitos e podem lutar por eles e a vida não se sintetiza somente em deveres. O aluno como integrante da sociedade necessita ser ajudado a abranger que, fundamentado em lei, deve lutar para que verdadeiramente tenha condições iguais de competir no mercado de trabalho, igualdade na moradia, na educação, na saúde, entre outros. Monteiro (2007) afirma que a valor da reflexão sobre os processos de preparação do saber escolar e de mobilização dos saberes pelos professores necessita ganhar atenção e ser objeto de análise que articule teoria e prática. A prática pela prática não consente avanços, e sim a representação de modelos. O saber da experiência sem reflexão teórica somente reproduz fazeres acriticamente. Souza (2015) afirma que o modelo clássico de formação de professores encontra-se ainda presente em sua essência, na separação entre o que se considera conhecimentos específicos e os, igualmente denominados, conhecimentos pedagógicos. Entretanto, tal entendimento passa por um período de intensos questionamentos. O que está na ordem do dia é que já não se pode pensar somente em uma didática geral, ou seja, em metodologias a partir das quais seja possível ensinar tudo a todos. O questionamento a este princípio tem base na concepção segundo a qual distintas áreas do conhecimento exigem a mobilização de distintas formas de ensino e aprendizag em (SOUZA, 2015, p. 86) Conforme Lopes (2013), para que o homem seja implantado na cidadania, ele necessitará sujeitar-se a liberdade do próximo, o que depende da sua conduta, contudo isso não constitui desigualdade entre as classes. Com isso, o cidadão se intitula como um indivíduo com direitos, deveres e obrigações diante do Estado e sociedade. Dessa forma, a cidadania seria o exercício pleno dos direitos e deveres das pessoas, em que a garantia de respeito De acordo com Faturi (2018), de forma mais associada à realidade diária, é plausível classificar a cidadania como sendo uma identidade social politizada, isto é, abranger que a cidadania envolve processos de identificação entre as pessoas e sentimentos de pertencimento designado coletivamente, em diversas mobilizações, confrontos e negociações cotidianas, técnicas e características. Sua definição gravita, deste modo, em volta de um universo de valores e práticas dos direitos e da importância dos direitos, que asseguram, esta forma, os embasamentos e os limites da cidadania. Lopes (2013) relata que a procedência do termo cidadania deriva do latim “civitas”, que quer dizer cidade. A palavra cidadania foi empregada na Roma antiga para sugerir a situação política de uma pessoa e os direitos que a mesma tinha ou podia desempenhar. A cidadania é um conjunto de liberdades e obrigações políticas, sociais e econômicas em que um cidadão está sujeito no que diz respeito à sociedade em que vive. O cidadão [de cidade + -ão], se trata do indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado, ou na função de seus deveres para com este . Ao tentar definir sobre a cidadania, Faturi (2018) explica que é indispensável partir da concepção que cidadania não tem uma significação e que se trata de um conceito histórico, o que quer dizer que seu sentido altera no tempo e no espaço, consistindo em, deste modo, na consequência de um processo dialético em incessante trajetória na sociedade. O termo cidadania, atualmente, está relacionado ao exercício total dos direitos políticos, econômicos e sociais da pessoa cujo bom emprego está relacionado inteiramente na forma de organização do estado. De acordo com Mendes et al (2018), o ensino de história deve ter como intuito a formação para a cidadania, uma vez que esta colabora inteiramente para que os indivíduos se tornem mais críticos, reflexivos e, por conseguinte, mais atuantes na sociedade onde estão inseridos. Para Faturi (2018), o ensino de história, permite “historicista” as experiências, isto é, instrumentaliza as pessoas para abarcar tendo em vista uma extensão temporal, entre prosseguimento e ruptura, constância e mudança, de pensar a duração como um fator de inteligibilidade do ser humano, completar e contextualizar, deste modo, permitindo situar os acontecimentos em um tempo, em uma sociedade e em um verificado lugar, o que admite entender aquilo que se tem de característico nas experiências humanas e, estabelecer conceitos, que servem para avaliar uma sociedade e a ação humana. Isto é, através do ensino de história oportuniza-se aos estudantes a seguir o processo de construção, definição e disputa do conceito “cidadania" e permite os alunos conjecturem acerca da sua experiência e as suas vivências como cidadãos, ampliando um olhar crítico ao mundo em que vive, levando em consideração o curso histórico da conquista dos direitos, assim como o seu papel, enquanto jovens estudantes, na sua manutenção e ampliação. Para mendes et al (2018), o ensino de história no Brasil, desde seu Aparecimento, incidiu por diversas modificações, as quais tiveram finalidades diferentes, como reforço de ideologias religiosas, políticas, nacionalistas, inclusive mesmo a reflexão, o diálogo e a formação cidadã. É importante ressaltar que o professor de história deve procurar sempre o novo, uma vez que o tempo não é estático, é movimento, é luta, é transformação, é uma constante perquisição. O educador deve estimular e despertar nos educandos este sentimento de curiosidade, apesar de se viver em um mundo imediato, de tecnologia, que nem sempre estes sentem curiosidades pelos desafios recomendados por seus educadores. Conforme Faturi (2018), a formação para a cidadania na educação é efetiva aos alunos, à comunidade escolar e à sociedade, competindo aos docentes, de maneira geral, apresentar estratégias pedagógicas que amparem ao educando a estabelecer conhecimentos, valores, atitudes e habilidades imprescindíveis para a sua formação cidadã, e aos docentes de história, instrumentalizar alunos para analisar e abranger historicamente o desenvolvimento e os limites da cidadania no Brasil, visando valorizar os princípios éticos e da dignidade humana indispensáveis ao convívio social e adotando a escola como um campo de exercício da cidadania, um ambiente democrático, em que todos os atores, sem ressalva, sejam interventores ativos e participativos. Mendes et al (2018) ressaltam que é irrefutável o valor do ensino de história na Formação de qualquer cidadão, ainda que muitos profissionais o proporcionem como um prosseguimento temporal de datas e de eventos. Uma forma tediosa e fadigosa e mostrar a história aos alunos é apresentá-la como um seguimento unidimensional de datas e acontecimentos. Quem atua dessa forma consolida oralmente uma faixa do tempo oral, contudo não leciona a disciplina. Diante disso, lecionar história apenas e meramente interpretando livros e decorando datas, faz com que o conteúdo da disciplina se torne maçante e sem sentido, levando à indiferença dos alunos pelos conteúdos recomendados. Deste modo, ensinar história é importante para que o indivíduo estime o patrimônio sociocultural e o direito de cidadania como qualidade de fortalecimento da liberdade de expressão e da democracia. Segundo Faturi (2018),o tema da cidadania torna-se um eixo essencial das técnicas da escola e implanta-se na sala de aula, exercendo influência na educação dos jovens de diversas maneiras, a partir de um abundante número de leis, parâmetros, diretrizes e orientações que põem a cidadania como uma finalidade do ensino, já que os currículos e programas estabelecem a ferramenta mais importante de interferência do Estado no ensino, o que constitui sua intervenção no desenvolvimento da clientela escolar para o exercício da cidadania. 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O objetivo principal deste estudo foi identificar de que forma o ensino de história pode exercer influência na formação cidadã de alunos do ensino médio, sendo que o mesmo foi atingido, pois a teoria abordada contribuiu de forma significativa para o bom entendimento e alcance do mesmo. Na questão da didática, o ensino de história deverá sempre ocupar espaços e gerar progressos, não somente como um campo do conhecimento, mas também como motivadora do desenvolvimento de atividades docentes diferenciadas, para que junto aos alunos de história escolar seja compreendida e reconstruída, tendo como embasamento o conhecimento histórico. Deve fundar-se em torno de um objeto distinto do objeto da história. Buscar o passado e construir um conhecimento próprio. A prática diz respeito à observação e à participação em atividades no interior das escolas. A teoria norteia a configuração na qual o aluno é sujeito do próprio conhecimento e a aprendizagem histórica acontece por meio de um trabalho que agrupa atividades complexas que lidam com o conhecimento histórico em sua natureza epistemológica. No que diz respeito aos desafios do ensino de história, a formação universitária de professores de história é demorada e supõem que o professor conheça muito bem a disciplina. O ensino de história para é considerado uma tarefa que não é fácil, e se trata de um tipo de ensino que não pode restringir-se a memorização de fatos, a informação particularizada dos eventos, à acumulação de dados sobre as situações nas quais incidiram. É importante que a história seja entendida como o resultado da ação de Distintos grupos, setores ou classes de toda a sociedade e que o aluno conheça a história da humanidade como a história da produção de todos os homens e não como resultado da ação ou das ideias de alguns poucos. Desta forma, contribuir para a construção e a concretização de uma Consciência cidadã exercitada, primeiramente, em ambiente escolar, abrangendo, no entanto, que a cidadania não precisa iniciar em uma sala de aula, contudo é essencial que o seu exercício não se separe dela. Sabe-se que a cidadania está relacionada ao aparecimento da vida na cidade, à eficácia humana em desempenhar seus direitos e deveres de cidadão. O ensino de história deve ter como uma das fundamentais finalidades que o aluno seja capaz de entender e agir a cidadania como participação social e política, do mesmo modo como exercício de direitos e deveres políticos, civis e sociais, seguindo no seu cotidiano, atitudes de solidariedade, colaboração e repúdio às injustiças, respeitando o outro, atuando de maneira crítica e estabelecendo para si o mesmo respeito, uma vez que cidadania se estuda e se vivencia em diversos ambientes, contudo, a escola é o espaço privilegiado para a socialização, a constituição de conhecimentos e o desenvolvimento de capacidades e competências. REFERÊNCIAS FATURI, Fábio Rosa. Cidadania: da reflexão à prática. Contribuições do ensino de história. 143 fls. Dissertação (Mestrado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul.Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em Ensinode História. Porto Alegre, RS, 2018. Disponível em: . Acesso em 4 mai. 2022. 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