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UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE 
CAMPUS AVANÇADO DE NATAL - CAN 
CURSO DE DIREITO 
DIREITO CONTRATUAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
MARÍLIA GABRIELA ANDRADE FREITAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FICHAMENTO DE CITAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NATAL/RN 
2025.2 
 
MARÍLIA GABRIELA ANDRADE FREITAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
FICHAMENTO DE CITAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fichamento de citação do livro: “Teoria 
Geral dos Contratos e Contratos em 
Espécie” de Flávio Tartuce, apresentado 
na disciplina Direito Contratual, 
orientado pela Profa. Dra. Valéria Maria 
Lacerda Rocha, como pré-requisito para 
a primeira avaliação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NATAL/RN 
2025 
TARTUCE, Flávio. Direito civil: teoria geral dos contratos e contratos em espécie. 14. ed. 
Rio de Janeiro: Forense, 2019. v. 3. 
 
CONCEITO DE CONTRATO 
 
“A doutrina é unânime em apontar que tão antigo como o próprio ser humano é o conceito de 
contrato, que nasceu a partir do momento em que as pessoas passaram a se relacionar e a 
viver em sociedade. A própria palavra sociedade traz a ideia de contrato.” p. 25 
 
“O contrato é um ato jurídico bilateral, dependente de pelo menos duas declarações de 
vontade, cujo objetivo é a criação, a alteração ou até mesmo a extinção de direitos e deveres 
de conteúdo patrimonial. Os contratos são, em suma, todos os tipos de convenções ou 
estipulações que possam ser criadas pelo acordo de vontades e por outros fatores acessórios.” 
p. 26 
 
“Dentro desse contexto, o contrato é um ato jurídico em sentido amplo, em que há o 
elemento norteador da vontade humana que pretende um objetivo de cunho patrimonial (ato 
jurígeno); constitui um negócio jurídico por excelência. Para existir o contrato, seu objeto ou 
conteúdo deve ser lícito, não podendo contrariar o ordenamento jurídico, a boa-fé, a sua 
função social e econômica e os bons costumes.” p.26 
 
“Em suma, e em uma visão clássica ou moderna, o contrato pode ser conceituado como um 
negócio jurídico bilateral ou plurilateral que visa à criação, modificação ou extinção de 
direitos e deveres com conteúdo patrimonial.” p. 26 
 
“[...] É imperioso concluir ser o contrato a fonte principal do direito das obrigações, 
revestindo-se como instituto primordial ao Direito Privado.” p. 27 
 
“[...] Vejamos, então, a excelência dos conceitos apresentados pelos nossos maiores civilistas 
de ontem, hoje e sempre.” p. 27 
 
“Entre os clássicos, Clóvis Beviláqua afirma ser o contrato “o acordo de vontades para o fim 
de adquirir, resguardar, modificar ou extinguir direitos” (Código..., 1977, p. 194). Para 
Orlando Gomes o contrato é “o negócio jurídico bilateral, ou plurilateral, que sujeita as 
partes à observância de conduta idônea à satisfação dos interesses que a regularam” 
(Contratos..., 1996, p. 10). Washington de Barros Monteiro conceitua o contrato como “o 
acordo de vontades que tem por fim criar, modificar ou extinguir um direito” (Curso..., 2003, 
p. 5). Entre os contemporâneos, Álvaro Villaça Azevedo, seguindo o conceito italiano, 
conceitua o contrato como “manifestação de duas ou mais vontades, objetivando criar, 
regulamentar, alterar e extinguir uma relação jurídica (direitos e obrigações) de caráter 
patrimonial” (Teoria..., 2002, p. 21). Na mesma linha, de acordo com os ensinamentos de 
Maria Helena Diniz “o contrato é o acordo de duas ou mais vontades, na conformidade da 
ordem jurídica, destinado a estabelecer uma regulamentação de interesses entre as partes, 
com o escopo de adquirir, modificar ou extinguir relações jurídicas de natureza patrimonial” 
(Curso..., 2003, p. 25).” p. 27 
 
“Anote-se que esses são conceitos clássicos de contrato. Todavia, diante das profundas 
alterações pelas quais vem passando o instituto, alguns autores, como Paulo Nalin, propõem 
um conceito pós-moderno ou contemporâneo de contrato.” p. 27 
 
“Para o doutrinador paranaense, o contrato constitui “a relação jurídica subjetiva, nucleada 
na 
solidariedade constitucional, destinada à produção de efeitos jurídicos existenciais e 
patrimoniais, não só entre os titulares subjetivos da relação, como também perante terceiros” 
(Do contrato..., 2005, p. 255).” p. 28 
 
“Na civilística nacional, porém, ainda prevalece o conceito tradicional ou clássico de 
contrato, anteriormente exposto.” p. 28 
 
 
 
 
A FORMAÇÃO DO CONTRATO PELO CÓDIGO CIVIL 
 
“Como outrora demonstrado, o contrato nasce da conjunção de duas ou mais vontades 
coincidentes, sem prejuízo de outros elementos, o que consubstancia aquilo que se denomina 
autonomia privada. Sem o mútuo consenso, sem a alteridade, não há contrato.” p. 220 
 
“Reunindo o que há de melhor na doutrina, é possível identificar quatro fases na formação do 
contrato civil: 
a) Fase de negociações preliminares ou de puntuação. 
b) Fase de proposta, policitação ou oblação. 
c) Fase de contrato preliminar. 
d) Fase de contrato definitivo ou de conclusão do contrato.” p. 220 
 
Fase de negociações preliminares ou de puntuação. 
“Essa é a fase em que ocorrem debates prévios, entendimentos, tratativas ou conversações 
sobre o contrato preliminar ou definitivo.” p. 221 
 
“Essa fase não está prevista no Código Civil de 2002, sendo anterior à formalização da 
proposta, podendo ser também denominada fase de proposta não formalizada [...]” p. 221 
 
“Justamente por não estar regulamentado no Código Civil, não se pode dizer que o debate 
prévio vincula as partes, como ocorre com a proposta ou policitação (art. 427 do CC). Desse 
modo, não haveria responsabilidade civil contratual nessa fase do negócio, conforme ensina 
Maria Helena Diniz: 
 
“As negociações preliminares nada mais são do que conversações prévias, sondagens e 
estudos sobre os interesses de cada contratante, tendo em vista o contrato futuro, sem que 
haja qualquer vinculação entre os participantes. Deveras, esta fase pré-contratual não cria 
direitos nem obrigações, mas tem por objeto o preparo do consentimento das partes para a 
conclusão do negócio jurídico contratual, não estabelecendo qualquer laço convencional [...]” 
p. 221 
 
“Sem dúvidas, este autor também entende que a fase de debates ou negociações preliminares 
não vincula os participantes quanto à celebração do contrato definitivo.” p. 222 
 
 
Fase de proposta, policitação ou oblação. 
“A fase de proposta, denominada fase de oferta formalizada, policitação ou oblação, constitui 
a manifestação da vontade de contratar, por uma das partes, que solicita a concordância da 
outra. Trata-se de uma declaração unilateral de vontade receptícia, ou seja, que só produz 
efeitos ao ser recebida pela outra parte [...]” p. 226 
 
 
Fase de contrato preliminar. 
“O contrato preliminar, pré-contrato ou pactum de contrahendo encontra-se tratado na atual 
codificação privada, como novidade, entre os arts. 462 a 466. Contudo, vale esclarecer que a 
fase de contrato preliminar não é obrigatória entre as partes, sendo dispensável. Na prática, 
muitas vezes, o contrato preliminar é celebrado em compra e venda de imóvel para dar mais 
segurança às partes.” p. 230 
 
 
Fase de contrato definitivo. 
“A última fase de formação do contrato é a fase do contrato definitivo, quando ocorre o 
choque ou encontro de vontades originário da liberdade contratual ou autonomia privada. A 
partir de então, o contrato estará aperfeiçoado, gerando todas as suas consequências como, 
por exemplo, aquelas advindas da responsabilidade civil contratual.” p. 236 
 
 
 
 
 
A EXTINÇÃO DOS CONTRATOS 
 
“Ensina Maria Helena Diniz que o contrato, como qualquer negócio jurídico, possui um ciclo 
de existência: nasce do mútuo consentimento, sofre as vicissitudes de sua carreira jurídica e 
termina normalmente com o cumprimento das prestações (Curso..., 2003, p. 150). Nesse 
contexto, a execução ou o cumprimento do contrato é o modo normal de extinção de uma 
relação contratual.” p. 355 
 
“No entanto, um contrato pode ser extinto antes do seu cumprimento, ou no decurso deste. 
Como o Direito é ciência endêmica, de soluçãode problemas sociais, nesses casos é que 
surgem as situações de maior relevância jurídica. Filosofando, como faz Gustavo Tepedino 
em suas palestras e exposições, se o contrato for bom, não há a necessidade do Direito 
Contratual.” p. 356 
 
“Desse modo, há formas de extinção por causas anteriores ou contemporâneas ao nascimento 
do contrato, como é o caso da nulidade e da anulabilidade contratual; ou supervenientes à sua 
formação, como ocorrem com a resolução e a resilição. Eventualmente, o contrato também 
pode ser extinto, em casos específicos, pela morte de um dos contratantes.” p. 356 
 
“A partir dos ensinamentos da doutrina, de uma interpretação sistemática do Código Civil 
atual, e também da legislação especial, passa-se a demonstrar as quatro formas básicas de 
extinção dos contratos, a saber: 
I) Extinção normal do contrato. 
II) Extinção por fatos anteriores à celebração. 
III) Extinção por fatos posteriores à celebração. 
IV) Extinção por morte.” p. 356 
 
 
Extinção normal do contrato. 
“Inicialmente, como primeira forma básica, o contrato poderá ser extinto de forma normal, 
pelo cumprimento da obrigação. A forma normal de extinção está presente, por exemplo, 
quando é pago o preço em obrigação instantânea; quando são pagas todas as parcelas em 
obrigação de trato sucessivo a ensejar o fim da obrigação; quando a coisa é entregue 
conforme pactuado; quando na obrigação de não fazer o ato não é praticado, entre outros 
casos possíveis.” p. 357 
 
“Também haverá a extinção normal findo o prazo previsto para o negócio, ou seja, no seu 
termo final, desde que todas as obrigações pactuadas sejam cumpridas. Extinto o contrato, 
não há que se falar em obrigações dele decorrentes, em regra. Entretanto, não se pode 
esquecer que a boa-fé objetiva deve estar presente mesmo após a celebração do contrato (art. 
422 do CC), sob pena de caracterização da violação de um dever anexo ou de abuso de 
direito (art. 187 do CC), a gerar uma responsabilidade civil pós-contratual ou post pactum 
finitum.” p. 357 
 
Extinção por fatos anteriores à celebração. 
“Como segunda forma básica, a extinção dos contratos pode se dar por motivos anteriores à 
celebração, surgindo como sua primeira hipótese a invalidade contratual (teoria das 
nulidades).” p. 357 
 
“Haverá invalidade nos casos envolvendo o contrato nulo (eivado de nulidade absoluta) e o 
contrato anulável (presente a nulidade relativa ou anulabilidade).” p. 357 
 
 
Extinção por fatos posteriores à celebração. 
“Como terceira forma básica, o contrato pode ser extinto por fatos posteriores ou 
supervenientes à sua celebração. Toda vez em que há a extinção do contrato por fatos 
posteriores à celebração, tendo uma das partes sofrido prejuízo, fala-se em rescisão 
contratual. Nesse sentido, a ação que pretende extinguir o contrato nessas hipóteses é 
denominada ação de rescisão contratual, seguindo rito ordinário, no sistema do CPC/1973, 
correspondente ao procedimento comum, no CPC/2015.” p. 364 e 365 
 
“A partir dos entendimentos doutrinários referenciados no início do capítulo, pode- se 
afirmar que a rescisão (que é o gênero) possui as seguintes espécies: resolução (extinção do 
contrato por descumprimento) e resilição (dissolução por vontade bilateral ou unilateral, 
quando admissível por lei, de forma expressa ou implícita, pelo reconhecimento de um 
direito potestativo).” p. 365 
 
“De início, o art. 455 da Norma Privada usa a expressão rescisão no sentido de resolução, ao 
estabelecer que, “se parcial, mas considerável, for a evicção, poderá o evicto optar entre a 
rescisão do contrato e a restituição da parte do preço correspondente ao desfalque sofrido”.” 
p. 365 
 
“Feitas tais considerações técnicas, como formas de resolução, surgem quatro 
categorias, analisadas pontualmente a seguir: 
a) a inexecução voluntária; 
b) a inexecução involuntária; 
c) a cláusula resolutiva tácita; e 
d) a resolução por onerosidade excessiva.” p. 365 
 
“A resolução por inexecução voluntária está relacionada com a impossibilidade da prestação 
por culpa ou dolo do devedor, podendo ocorrer tanto na obrigação de dar como nas 
obrigações de fazer e de não fazer. Conforme as regras que constam dos arts. 389 e 390 do 
Código Civil, a inexecução culposa sujeitará a parte inadimplente ao ressarcimento pelas 
perdas e danos sofridos – danos emergentes, lucros cessantes, danos morais, estéticos e 
outros danos imateriais –, de acordo com aquilo que pode ser interpretado à luz dos arts. 402 
a 404 da codificação material, da Constituição Federal e da atual jurisprudência.” p. 366 
 
“Especificamente, enuncia o art. 475 do CC/2002 que a parte lesada pelo inadimplemento 
pode pedir a resolução do contrato. Mas, se não preferir essa resolução, a parte poderá exigir 
da outra o cumprimento do contrato, de forma forçada, cabendo, em qualquer uma das 
hipóteses, indenização por perdas e danos.” p. 366 
 
“[...] O descumprimento contratual poderá ocorrer por fato alheio à vontade dos contratantes, 
situação em que estará caracterizada a resolução por inexecução involuntária, ou seja, as 
hipóteses em que ocorrer a impossibilidade de cumprimento da obrigação em decorrência de 
caso fortuito (evento totalmente imprevisível) ou de força maior (evento previsível, mas 
inevitável). Como consequência, a outra parte contratual não poderá pleitear perdas e danos, 
sendo tudo o que foi pago devolvido e retornando a obrigação à situação primitiva (resolução 
sem perdas e danos).” p. 371 
 
“Também gera a extinção do contrato por resolução da cláusula resolutiva tácita, aquela que 
decorre da lei e que gera a resolução do contrato em decorrência de um evento futuro e 
incerto, geralmente relacionado ao inadimplemento (condição).” p. 371 
 
“Como exemplo de condição resolutiva tácita cite-se a exceção do contrato não cumprido 
(exceptio non adimpleti contractus), prevista no art. 476 do Código Civil, e que pode gerar a 
extinção de um contrato bilateral ou sinalagmático, nos casos de mútuo descumprimento 
total do contrato. Por esse dispositivo, uma parte somente pode exigir que a outra cumpra 
com a sua obrigação, se primeiro cumprir com a própria. Como efeito resolutivo, havendo 
descumprimento bilateral, ou seja, de ambas as partes, o contrato reputar-se-á extinto.” p. 
372 
 
“Em complemento, opina-se que melhor seria tecnicamente se a seção em que está inserido o 
art. 478 tivesse como título: “Da resolução por imprevisibilidade e onerosidade excessiva”. 
Na verdade, pelo texto legal, sem a imprevisibilidade e extraordinariedade não poderá 
ocorrer a extinção do pacto, sendo esse o fator predominante para a discussão prática.” p. 378 
 
“A discussão que se trava quanto à exigência de extraordinariedade e imprevisibilidade dos 
fatos que possam justificar a resolução por onerosidade excessiva tem versado sobre a 
extensão das duas expressões. Muitas vezes, o fato que pode gerar a onerosidade é, em si 
mesmo previsível, como, por exemplo, o fenômeno da desvalorização da moeda.” p. 378 
 
 
Extinção por morte 
“Encerrando a análise do tema da extinção do contrato, como última forma básica de 
extinção dos contratos, para algumas formas negociais a morte de um dos contratantes pode 
gerar o fim do pacto. Isso somente ocorre nos casos em que a parte contratual assume uma 
obrigação personalíssima ou intuitu personae, sendo denominada cessação contratual, 
conforme expressão de Orlando Gomes (Contratos..., 2007, p. 228).” p. 392 
 
“Em casos tais, o contrato se extingue de pleno direito, situação que ocorre, por exemplo, na 
fiança. Para este contrato, os herdeiros não recebem como herança o encargo de ser fiador, só 
respondendo até os limites da herança por dívidas eventualmente vencidas durante a vida do 
seu antecessor (art. 836 do CC). Em reforço, a condição de fiador não se transmite, pois ele 
tem apenas uma responsabilidade, sem que a dívida seja sua (“obligatio sem debitum” ou 
“Haftung sem Schuld”).” p. 392

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