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COMUNICAÇÃO É possível criar um ambiente colaborativo e seguro para as pessoas expressarem sua autenticidade? Como cocriar resultados de benefícios mútuos a partir de um conflito? Já parou para pensar que falar sobre propósito, pertencimento e colaboração no âmbito corporativo, tem se tornado pauta de grandes agendas ao redor do mundo? Apesar da crescente atenção dedicada a esses temas, saber como proporcionar isso para as pessoas, ainda é um grande desafio. Um dos objetivos básicos da Comunicação Não Violenta (CNV) é evitar rótulos, classificação, acusações, dominação, críticas e julgamentos, incentivar a responsabilização dos interlocutores, e facilitar o processo de resolução de conflitos. Você sabia que problemas de comunicação geram prejuízos milionários para as companhias e aumentam o estresse dos funcionários? Um estudo feito nos Estados Unidos e Reino Unido pela Holmes, uma consultoria de relações públicas americana, descobriu que as organizações perdem, em média, 62,4 milhões de dólares ao ano devido a falas mal interpretadas, que levam os funcionários a cometer erros e falhas nas decisões. Neste ebook, você vai aprender as técnicas de comunicação criadas pelo psicólogo Marshall Rosenberg, entender melhor seus bloqueios, praticar a escuta empática e aplicar os passos da CNV nos diálogos do seu dia a dia. INTRO OBJETIVOS MÓDULO 1 - Conceitos e Definições • Porque a CNV é tão necessária nos dias de hoje? • O que é a Comunicação Não Violenta (CNV)? • O Fator desengajamento nas organizações; • Refletindo sobre o tabu – Sentimento x Trabalho; MÓDULO 02 - Avaliação de Desempenho: benefícios e aplicações • Apresentando: O Quarteto Fantástico. • Uma arma poderosa - Feedback. • O exercício contra narcísico de ouvir outro. • Empatia, a força motriz da colaboração. • Tornando a vida de todos melhor; 04 20 Compreender a importância da Comunicação Não Violenta no mundo do trabalho; Conscientizar-se da percepção dos fatos para transformar um ambiente de conflito em um ambiente de colaboração; Entender importância das conexões intrapessoais, interpessoais e sistêmicas; Desenvolver uma escuta empática para enxergar e expressar aquilo que está presente em si e no outro; Conhecer e praticar os quatro elementos de uma comunicação compassiva e transformadora no âmbito corporativo e principalmente na vida. MÓDULO 1 Conceitos e definições Porque a CNV é tão necessária nos dias de hoje? O mundo mudou e não podemos fechar os olhos para isso. Não apenas sobre o viés tecnológico, mas a forma como trabalhamos, desenvolvemos nossas habilidades e, principalmente, como nos relacionamos com o outro. As mudanças que vêm sendo impulsionadas pelas inovações tecnológicas e seus impactos sobre a formação, profissões, produção e consumo, estão em uma velocidade sem precedentes. Você deve estar se perguntando: VUCA? BANI? O que é isso? Vamos entender um pouco de cada um desses conceitos e como isso tem impactado o mundo do trabalho. Primeiro, vamos falar do mundo VUCA, um termo que surgiu na década de 90, utilizado inicialmente pelos militares americanos para designar o novo contexto mundial. Quatro pilares definem este cenário: Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade, cujas iniciais em inglês (Volatility, Uncertainty, Complexity and Ambiguity) dão nome ao referido acrônimo: 4 O sociólogo Zygmunt Bauman, reconhecido pelo conceito de modernidade líquida, citou que “a convicção de que a mudança é a única coisa permanente e a incerteza a única certeza.” O pensamento de Bauman, é uma ilustração do primeiro pilar do mundo VUCA. Os avanços tecnológicos criam mercados cada vez mais dinâmicos, onde os interesses dos consumidores mudam a todos instantes e a competitividade torna-se mais acirrada. Sendo assim, organizações e profissionais precisam se adequar em tempo hábil para não perder as oportunidades; 1. Volatilidade Com a Volatilidade, surge a Incerteza. Um aplicativo pode revolucionar da noite para o dia o mercado, com funcionalidades inovadoras, mudando os hábitos de consumo e costumes de toda uma sociedade; 2. Incerteza Devido às constantes mudanças, o mundo tornou-se um lugar complexo. As decisões se tornam uma rede imensa de possibilidades, e é uma grande responsabilidade tomar a decisão correta; 3. Complexidade É fundamental se lembrar de que as realidades de grupos diferentes não são as mesmas. Por isso, padronizar está fora de cogitação, basicamente porque o mundo binário, aquele em preto e branco, deixou de existir. Uma nuance acinzentada também é uma opção. 4. Ambiguidade Bem, como você percebeu, o mundo VUCA existe há anos e com a chegada da pandemia de COVID-19, um novo contexto de mundo surge diante dos nossos olhos - o mundo BANI (Brittle, Anxious, Nonlinear and Incomprehensible). Traduzindo para o português, temos o acrônimo FANI (Frágil, Ansioso, Não-linear e Incompreensível): 1. Frágil Tudo pode mudar de uma hora para outra, uma nova economia, uma pandemia ou a concorrência: o mundo como conhecemos, já não é mais o mesmo. Antecipar os problemas e trazer soluções para continuar mesmo diante do caos, tornou-se essencial; 5 Diante desse novo cenário, saber se comunicar se tornou um diferencial competitivo. Tanto para o desenvolvimento de uma carreira, quanto para o desenvolvimento de negócios. É preciso ter um posicionamento ainda mais estratégico e discursos mais claros e eficazes. Importante para todos os cargos, essa competência deve ser trabalhada ao longo da trajetória profissional, pois é com base nela que alguns dos pilares mais importantes para crescer são desenvolvidos. Se comunicar bem é uma competência fundamental nas relações humanas. Uma comunicação eficaz necessita que o conteúdo transmitido seja recebido e entendido por alguém da maneira que era pretendido. Quando a comunicação é eficiente, as informações são compreendidas por todos, independente do nível hierárquico. Ao buscar se comunicar de maneira efetiva, você pode se beneficiar: Comunicando suas decisões de forma clara e objetiva; Delegando ou compartilhando tarefas, conseguindo transmitir o propósito de cada entrega; Mantendo o time unido, sem espaço para confrontos e mal-en- tendidos. 2. Ansioso Por causa da falta de controle, o sentimento de insegurança e medo são uma constante em nossas vidas; 3. Não linear Decisões sejam pequenas ou grandes, bem como as não decisões podem ter consequências devastadoras. É preciso saber se adaptar o tempo todo às novas mudanças; 4. Incompreensível O comportamento das pessoas muda a todo instante. O que antes não fazia sentido para elas, talvez hoje faça. 6 Nesse contexto, é de suma importância que as pessoas busquem uma linguagem dinâmica e olhares atentos para uma legítima conexão com o momento presente. O psicólogo americano, autor e defensor da semântica Wendell Johnson observou que criamos muitos problemas para nós mesmos ao usarmos uma linguagem estática para expressar ou captar uma realidade que está sempre mudando: Este cenário complexo representa um grande desafio para as organizações que têm demandas cada vez mais crescentes por ampliar a colaboração e inovar. O advento da tecnologia e suas perspectivas sobre o futuro do trabalho atribuem à comunicação uma habilidade essencial para a solução de problemas complexos. Em 2020, o “The Future of Jobs Report 2020”, um relatório publicado pelo Fórum Econômico Mundial, mapeou os empregos e habilidades com alta demanda para o futuro do trabalho. A respeito das competências, o relatório conclui que: “As lacunas de competências continuam a ser altas à medida que as habilidades demandadas em todos os empregos mudam nos próximos anos. As habilidades individuais e habilidades de grupos que os empregadores entendem que estarão na liderança do futuro do trabalho incluem: pensamento crítico e capacidade de análise, resolução de problemas e habilidades em autogestão, aprendizagem ativa,resiliência, tolerância ao estresse e flexibilidade”. “Nossa linguagem é um instrumento imperfeito, criado por homens antigos e ignorantes. É uma linguagem animista que nos convida a falar a respeito de estabilidade e constâncias, de semelhanças, normalidades e tipos, de transformações mágicas, curas rápidas, problemas simples e soluções definitivas. No entanto, o mundo que tentamos simbolizar com essa linguagem é um mundo de processos, mudanças, diferenças, dimensões, funções, relações, crescimentos, interações, desenvolvimento, aprendizado, abordagem, complexidade. E o desencontro entre este nosso mundo sempre em mutação e as formas relativamente estáticas de nossa linguagem é parte do nosso problema” 7 Pensamento analítico e inovativo; Pensamento crítico; Criatividade; Ideação. Aprendizagem autodirigida; Resiliência e Flexibilidade. Liderança e influência social. Uso e controle de tecnologia; Design de tecnologia e programação. Resolver problemas de alta complexidade significa analisar as questões de forma clara e objetiva, como um diagnóstico, e conseguir se afastar para pensá-las racionalmente, ressignificando-as e apresentando novas perspectivas para solucioná-las de maneira criativa. Para desenvolvimento dessa habilidade são necessários: 1. Resolução de Problemas Complexos A gestão de pessoas é a capacidade de trabalhar bem com o outro. Para desenvolvimento dessa habilidade são necessários: 3. Trabalhar com pessoas As habilidades atreladas à tecnologia da informação estão entre as mais desejadas. Para desenvolvimento dessas habilidades são necessários: 4. Desenvolvimento e uso da tecnologia Para entender o significado de autogestão, vamos entender um pouco mais do nome. O prefixo "auto" vem do grego autós (α�τός), que significa "eu". Portanto, é uma referência ao trabalho autônomo, que depende do próprio sujeito e não de outros. O radical "gestão" é mais familiar, é uma referência a três grandes etapas: planejamento, 2. Autogestão execução e controle. Na medida que alguém planeja, executa e controla algo, tendo por objetivo aperfeiçoar os resultados futuros, coloca a gestão em prática. Para desenvolvimento dessa habilidade são necessários: O relatório rastreia ainda as competências que terão maior relevância no futuro e, para elaborá-lo, conta com a contribuição de executivos e líderes empresariais que estão à frente de grandes negócios ao redor do mundo. As habilidades mais importantes para os próximos anos serão: 8 E é nesse contexto que a Comunicação Não Violenta (CNV) se torna um fator essencial para o sucesso. A CNV é uma linguagem dinâmica, que desestimula generalizações estáticas. É mais do que um simples framework para se comunicar melhor, mas um legítimo convite à autenticidade. Às vezes, optamos por não nos posicionarmos, não colocar limites, evitamos dizer “não” apenas para agradar, não causar problemas ou para nos sentirmos aceitos e pertencentes a um grupo. Mas há um grande equívoco nessa estratégia, pois somente sendo autênticos seremos capazes de construir conexões e vínculos igualmente autênticos. A pesquisadora, autora e conferencista americana Brené Brown diz que a autenticidade é: “A prática diária de abandonar quem nós pensamos que devemos ser e abraçar quem somos”. Se comunicar de forma não violenta tem tudo a ver com clareza, autoconhecimento, vulnerabilidade e conexão. A CNV nos convida a reconhecer como estamos afetando a vida uns dos outros, através da forma como nos comunicamos. Sem esse entendimento, as estratégias que utilizamos para nos comunicar no nosso dia a dia, causam mais toxicidade do que colaboração. 9 O que é a Comunicação Não Violenta (CNV)? A CNV nasceu com base em uma pesquisa contínua desenvolvida pelo psicólogo e mediador de conflitos, Marshall B. Rosenberg, após entender que a chave dos conflitos entre as pessoas era a linguagem. Marshall Rosenberg deu nome à Comunicação Não Violenta inspirado pela filosofia de Gandhi, que utiliza o termo "não violência" se referindo ao estado compassivo natural que nada mais é que a nossa capacidade de compreender o estado emocional de si e do outro. Isso significa que ao nos depararmos com situações no nosso dia a dia que nos tirem do “eixo”, seja no trabalho ou com nossa família, podemos escolher agir com empatia ao invés de sermos simplesmente reativos. Em seus ensinamentos ao redor do mundo, Marshall diz que: “A CNV se baseia em habilidades de linguagem e comunicação que fortalecem a capacidade de continuarmos humanos, mesmo em condições adversas. A CNV nos ajuda a reformular a maneira pela qual expressamos e ouvimos os outros. Nossas palavras, em vez de serem reações repetitivas e automáticas, tornam-se respostas conscientes, firmemente baseadas na consciência do que estamos percebendo, sentindo e desejando. Somos levados a nos expressar com honestidade e clareza, ao mesmo tempo que damos aos outros uma atenção respeitosa e empática”. Este processo nos permite expressar todos os nossos sentimentos, necessidades, desejos e anseios mais autênticos sem passar por cima do outro. É uma forma de compartilhar aquilo que achamos que está óbvio, mas que, na realidade, pode ainda não ter sido visto pelos outros. Para a compreensão da CNV, precisamos entender que, mais do que falar bem, a comunicação é uma habilidade que exige sensibilidade para entender de que maneira a mensagem que você quer passar está realmente sendo absorvida. 10 Um interlocutor eloquente, mas que não se conecta com o próximo, não se comunicará de maneira eficiente. Saber qual é o seu jeito de se comunicar e compreender os dos outros, ajuda a alinhar o discurso e a ter sucesso na comunicação. O estilo de comunicação varia de pessoa para pessoas, vamos analisar abaixo quais são os principais: Comunicação Analítica: são pessoas que se comunicam a partir de fatos e dados, utilizam uma linguagem objetiva. Geralmente, os comunicadores analíticos são procurados por seu conhecimento e objetividade informacionais, pois, dado o seu foco nos fatos, possuem uma postura imparcial na maioria das situações. Um ponto de atenção para este tipo de comunicador é que, em determinados contextos, principalmente os que demandam um pouco mais de inteligência emocional, usar este tipo de comunicação pode soar rude ou indiferente. Comunicação Intuitiva: pessoas que se comunicam com base no quadro geral daquilo que percebem e acreditam, normalmente pensam de maneira holística. Os comunicadores intuitivos são capazes de examinar a situação geral para entender os desafios e as oportunidades e agir rapidamente sobre isso. Como os comunicadores intuitivos não têm paciência para pesquisar detalhes, eles correm o risco de perder pontos importantes ou ignorar etapas que podem impactar negativamente seu trabalho. Comunicação Funcional: pessoas que se expressam com base em processos, datas e cronogramas – de modo linear. Os comunicadores funcionais prosperam no processo e se preocupam com os detalhes. É comum encontrar comunicadores funcionais gerenciando projetos. Todos sabemos que há muito mais na comunicação do que no processo. Os comunicadores funcionais podem ficar tão envolvidos nos detalhes que correm o risco de irritar ou até perder a atenção do público. Comunicação Emocional ou pessoal: pessoas que se expressem com base no que sentem, normalmente com improviso e de maneira mais passional. Sua capacidade de se conectar com os outros e formar relacionamentos geralmente faz do comunicador pessoal um forte líder de equipe. Eles querem que as coisas corram bem – não apenas com as comunicações, mas também a produtividade – e podem sentir quando as coisas estão saindo do rumo. Embora construir fortes conexões no trabalho seja bom, pessoalizar demais as relações pode atrapalhar em alguns contextos onde a tomada de decisão necessite de uma imparcialidade. 11 Em sua jornada de desenvolvimento dessa competência, lembre-se de umafrase do consultor de liderança Simon Sinek: “Comunicação não é sobre falar o que pensamos. É sobre garantir que os outros compreendam o que queremos dizer”. Com a CNV, damos clareza ao diálogo e o transformamos em um instrumento de poder, capaz de dar maior consciência às pessoas acerca de seus relacionamentos - sejam eles pessoais, profissionais ou sociais. Isso quer dizer que, muito além de uma forma de comunicar, a CNV é uma forma de pensar, observar os sentimentos e realizar uma conexão com o outro, observando os gatilhos que nos fazem agir de determinada forma. A capacidade de se comunicar de maneira que não cause dano alheio, ou seja, não violenta, está intimamente ligada ao desenvolvimento dos 04 pilares da inteligência emocional: autoconhecimento, autogerenciamento, consciência social e gestão do relacionamento. A CNV não evita o conflito, apenas nos ajuda a lidar com ele de forma construtiva. Nos conscientiza sobre a importância de abandonar o hábito de buscar quem tem razão nas relações, no condicionamento de buscar quem é a vítima e quem é o vilão, para desenvolvermos as habilidades de nos comunicar que nos permite reagir em situações que despertem sentimentos alinhados com o que estamos de fato sentindo e não somente pensando. A) Autoconsciência - Capacidade de reconhecer as próprias emoções, como elas surgem e como se manifestam, ou seja, entender nossas necessidades e sentimentos. B) Autogerenciamento - Capacidade de lidar com as próprias emoções e buscar maneiras melhores ou positivas de expressá-las. Em CNV, estamos em busca de compreender o que está vivo em nós, aquilo que é mais importante para nós em cada momento. C) Consciência Social - Capacidade de ver as coisas do ponto de vista de outra pessoa, considerando seus pensamentos e fazendo uso da empatia. D) Gestão do relacionamento - Capacidade de responder às emoções das outras pessoas, identificando como elas respondem às nossas ações e comunicação assim como as emoções delas nos afetam. 12 Relacionamentos íntimos; Famílias; Escolas; Organizações e instituições; Negociações de qualquer natureza; Resolução de conflitos; Quando utilizamos a CNV em nossas interações nós nos colocamos em nosso estado compassivo natural. Trata-se, portanto, de uma abordagem que se aplica de maneira eficaz a todos os níveis de comunicação e a diversas situações: Quer saber algo interessante? Este método é formado por princípios bem fundamentados e por um processo delineado para proporcionar métodos práticos de comunicação. A CNV não morre na teoria sobre a natureza compassiva, a importância de relacionamentos mais sustentáveis e a violência na comunicação humana. Ela oferece ferramentas simples e fáceis de serem aplicadas. Mesmo requerendo atenção, cuidado e dedicação, a CNV é completamente acessível. 13 Observamos ao longo do tempo que foram construídas várias pesquisas ao redor do mundo em torno do tema engajamento, atestando que existe um grande trabalho a ser feito pelas organizações, para melhorar a motivação dos colaboradores. Ao se deparar com este cenário, você deve estar se perguntando: por que será que isso acontece? Será que as pessoas estão desengajadas, por não gostarem do que estão fazendo? Tendo em vista que, atualmente, as pessoas estão em busca não só dos empregadores que pagam os melhores salários, mas sim aqueles que lhes proporcionem ambientes seguros para ser quem são de verdade, que lhes permitam sonhar e realizar seu propósito em convergência com o propósito da organização. Para a nossa surpresa, o “não gostar do que faço” não era o principal motivo do desengajamento e sim os fatores que vamos trazer a seguir: O fator desengajamento nas organizações Já parou para imaginar que quase tudo de bom que acontece a uma organização, ou a um país, vem de pessoas engajadas? O engajamento vai além da satisfação ou do tanto que os colaboradores trabalham, também não se resume à quantidade de horas extras que eles estão abertos a investir na organização. Esse conceito compreende dois aspectos importantíssimos: a capacidade de estar presente, concentrado e motivado, bem como a busca por uma finalidade ou propósito nas tarefas desempenhadas. Conciliar ambos os aspectos é o que vai integrar o colaborador na cultura e valores da organização, manter o incentivo para trabalhar com um objetivo maior do que apenas cumprir tarefas e cooperar com o sucesso da organização ao mesmo tempo em que sente que está aumentando o seu bem-estar. Colaboradores engajados têm comportamento de dono, participando das atividades e das decisões com maior entusiasmo e senso de pertencimento. Eles defendem a organização, os projetos e as atividades com propriedade, pois acreditam que estão no melhor lugar para trabalhar. Falta de reconhecimento; Não se sentir ouvido pelos líderes e superiores; Ausência de comunicação aberta e franca, de um interesse genuíno pelos problemas um dos outros; Falta de diálogo com os colegas. 14 Se formos analisar em termos globais, as perdas por essas brechas no comprometimento estão na escala dos trilhões. Se as organizações fizessem essa conta na ponta do lápis, perceberiam perdas astronômicas de recursos. No outro extremo, o comprometimento representa uma grande oportunidade de melhorar o valor econômico para as organizações e seus stakeholders por meio de produtividade, eficiência e serviço. Não impressiona, assim, que as organizações de toda parte estejam tentando reverter esse quadro por meio de programas de engajamento. Bom, o engajamento é uma via de mão dupla - de um lado temos as organizações que precisam definir estratégias para que o engajamento seja parte do DNA da instituição e do outro lado temos que ter colaboradores dispostos a aceitar e compreender o propósito estabelecido. Então, como engajar os colaboradores para que, junto com a gestão, eles tenham atitude de dono e colaborem com entusiasmo para um crescimento mútuo? Vamos elencar abaixo, algumas ações para que o engajamento seja uma contínua estratégia de negócio e crescimento profissional: As posições estratégicas de uma organização devem ser pautadas na liderança e não chefia. Líderes inspiram, sempre impulsionam a equipe a buscar o seu melhor para alcançar resultados surpreendentes. O engajamento parte da alta gestão para a organização. 1. Capacitar a liderança para uma cultura de engajamento: As metas são um combustível do trabalho e se para a organização significam a possibilidade de aumento no faturamento, para os colaboradores, é importante que representem um propósito maior de conquista para realização de sonhos, mas que sejam realizáveis. 2. Definição de metas acionáveis que dão significado ao trabalho: 15 Um ambiente harmônico, colaborativo e participativo vai estimular nas pessoas sentimentos bons e relacionamentos saudáveis. Mesmo em dias de tensão, excesso de trabalho e pressão para resultados, se os colaboradores tiverem suporte, estrutural e emocional, ainda assim, desempenharão um bom trabalho. 3. Oferecer um ambiente seguro e estimulante: Se você deseja engajar os colaboradores, mantenha uma comunicação bilateral. Isso quer dizer que a organização deve falar, mas também ouvir seus colaboradores. Ao oferecer feedbacks é preciso abrir a oportunidade de saber o que os colaboradores pensam a respeito. Essa é a melhor maneira de evitar os ruídos da comunicação, que percorre longo caminho com interpretações equivocadas, podendo impactar e contaminar um ambiente onde se encontram as pessoas engajadas. 6. Cuidar da comunicação: Incentive a participação ou promova treinamentos, seminários, workshops, lives, contribuindo para o desenvolvimento dos profissionais da sua organização. O aprendizado de novas metodologias, ferramentas e soluções tecnológicas, ajuda na formação de profissionais mais comprometidos. 4. Estimular o desenvolvimento: Reserve um tempo para celebrar conquistas de forma que sejam significativaspara eles. Bons benefícios e remunerações compatíveis ao mercado são fatores chave de motivação, porém fornecer incentivos para maior desempenho gera no funcionário uma motivação extra para seu esforço. 5. Reconhecimento e recompensas: O engajamento é um fator determinante para que a organização tenha sucesso. Os colaboradores são os maiores ativos de uma organização e quando eles estão felizes e motivados tendem a proporcionar bons resultados. Mas, para que isso ocorra, os indivíduos das organizações precisam se sentir reconhecidos, respeitados e valorizados. Construir uma cultura de engajamento não é uma tarefa fácil, mas como observamos ao longo deste percurso, ações pautadas em estratégias contínuas podem funcionar. 16 Bom, se as pessoas querem ser ouvidas, reconhecidas e conversar sobre seus problemas, por que é tão difícil falar sobre sentimentos no ambiente de trabalho? Cabe ressaltar que não aprendemos educação emocional na escola, muito menos tivemos ensinamentos sobre como lidar com o que sentimos e como nos relacionamos. Por isso, desenvolvemos a capacidade de atribuir ao outro a culpa pelos nossos sentimentos. Normalmente, nosso diálogo está baseado em dizer “estou assim, porque você fez tal coisa”, e do outro lado temos nossos receptores se defendendo. Dessa forma, a conexão é inexistente. Para podermos expressar nossos sentimentos de maneira autêntica e nos conectarmos legitimamente, precisamos entender a importância de uma comunicação assertiva e seus benefícios para as nossas relações do dia a dia. Uma comunicação assertiva é baseada no equilíbrio. Ela requer que você seja franco sobre seus desejos e necessidades, mas sempre levando em conta os direitos, necessidades e desejos dos outros. Um dos principais benefícios em exercer a comunicação assertiva é poder gerar maior autoconfiança, uma vez que você aumenta seu conhecimento sobre quem você é e o valor que você tem a oferecer. Em geral, pessoas assertivas: Refletindo sobre o tabu – Sentimento x Trabalho Tornam-se ótimos líderes: é essencial tratar as pessoas de maneira justa e respeitosa para que elas possam te tratar da mesma forma em retorno. Por isso, um líder que tem uma comunicação assertiva, é alguém com quem as pessoas desejam trabalhar. Negociam soluções benéficas para todos: é importante estar atento ao valor da outra parte para conseguir negociar um meio termo que agrade a todos. São melhores executores e solucionadores: é preciso se sentir empoderado para fazer o que é necessário, buscando sempre a melhor solução. 17 Sobre este ponto, cabe dizer que não é da noite para o dia que vamos desenvolver a habilidade de nos comunicarmos de maneira assertiva sobre nossos sentimentos, mas seguindo os passos abaixo você irá ter a confiança necessária para se comunicar melhor: Para ser mais assertivo, você precisa ter uma boa compreensão sobre si mesmo, assim como uma forte crença no seu valor e no que você representa para a sua equipe ou organização. Não fique apenas à espera que outro reconheça o que você de fato precisa, seja claro e específico, para que seus pares possam te ajudar a alcançar seus objetivos. É importante também, realizar pedidos que não sacrifiquem as necessidades de outras pessoas, distinguir entre pedidos e exigências é fundamental. Lembre-se que você pode controlar apenas você mesmo e seu próprio comportamento, então faça seu melhor para se manter calmo e comedido quando as coisas ficarem tensas, pois isso também faz parte da comunicação assertiva. É importante dizer o que está na sua mente, mesmo quando precisa lidar com alguma dificuldade. Mas você deve fazer isso de maneira construtiva e sensível. Se você não concorda com a crítica recebida, então precisa estar preparado para falar sobre isso, sem entrar na defensiva ou se estressar. Da mesma forma, quando receber um elogio seja humilde para entender que sempre podemos melhorar. Você precisa ajustar a sua linguagem corporal para ter uma boa comunicação, o jeito que você fala é tão importante quanto o que você fala. Tente sempre olhar nos olhos da outra pessoa, manter-se ereto e relaxar sua expressão facial. Além disso, é preciso estar atento para o volume e o tom de sua voz. #1 Valorize-se: #2 Explique suas necessidades e desejos confiantemente: #3 Não tente controlar as pessoas: #4 Expresse seus sentimentos de maneira positiva: #5 Esteja aberto a críticas e elogios: #6 Esteja atento a sua expressão corporal: 18 Diante disso, estabelecer nossos limites e entender como o meio nos afeta, saber o que queremos cuidar e o que é mais importante para nós e para outro naquele momento, faz com que nossas ações e comunicação não sejam estimuladas pelos rótulos que criamos e principalmente pela necessidade de controlar e manipular o outro. Estamos nos abrindo a partir de um lugar de vulnerabilidade para gerar conexão. Sobre esse prisma, a prática da não violência, nos direciona para o que é mais significativo para nós e para o outro. Se conscientizar e viver isso, é uma escolha individual e diária, mas com resultados de benefícios mútuos no campo individual, interpessoal e sistêmico. 19 Intrapessoal: são nossos diálogos internos, ou seja, como nos percebe- mos, como nos desenvolvemos; Interpessoal: são as questões baseadas em nossas relações e suas ten- sões, encontros e na forma lidamos com o outro; Sistêmica: diz respeito ao nosso entorno, ou seja, está relacionado com as demais variáveis e relações no campo coletivo (família, trabalho, escola, vizinhança, etc…) MÓDULO 2 CNV na prática Apresentando o Quarteto Fantástico. Agora que compreendemos a urgência e a importância da CNV para as relações, vamos falar um pouco sobre os componentes que torna este tema, e suas pesquisas, algo de caráter tão dinâmico e orgânico. Mas, primeiro, precisamos compreender as principais abordagens da CNV que são: intrapessoal, interpessoal e sistêmica. Existem 4 componentes essenciais para estruturar a CNV, que tem como principais resultados a empatia e autenticidade. 20 o primeiro componente da CNV acarreta necessariamente separar observação de avaliação. Precisamos observar claramente, sem acrescentar nenhuma avaliação ao que vemos, ouvimos ou tocamos que afete nossa sensação de bem-estar; 1. Observação: o quarto componente da CNV aborda a questão do que gostaríamos de pedir uns aos outros para enriquecer nossa vida. Tentamos evitar frases vagas, abstratas ou ambíguas, e nos lembramos de usar uma linguagem de ações positivas, ao declararmos o que estamos pedindo, em vez de o que não estamos. 4. Pedidos: o segundo componente necessário para nos expressarmos são os sentimentos. Desenvolver um vocabulário de sentimentos que nos permita nomear ou identificar de forma clara e específica nossas emoções nos conecta mais facilmente uns com os outros; 2. Sentimentos: o terceiro componente da CNV é o reconhecimento das necessidades que estão por trás de nossos sentimentos. O que os outros dizem e fazem pode ser o estímulo, mas nunca a causa de nossos sentimentos; 3. Necessidades: Agora, vamos falar um pouco mais sobre cada componente da CNV e como podemos aplicá-la no nosso dia a dia. Quando falamos sobre observação, a primeira distinção que precisamos fazer é entre observação e avaliação. Pois, quando combinamos observação com avaliação, os outros tendem a receber isso como crítica e resistir ao que dizemos. Evite generalizações estáticas. 21 Ao expressarmos nossos sentimentos, nos permitimos ser vulneráveis, quando compreendemos isso, fica mais fácil resolvermos conflitos. A CNV distingue a expressão de sentimentos verdadeiros de palavras e afirmações que descrevem pensamentos, avaliações e interpretações. A fala é o caminho mais seguro para entender e trabalhar as impressões internas. Por meio do diálogo, esclarecemos os pontos de vista e debatemos sobre questões complexas para que possamos resolvê-las, não permitindo que fiquem obscurascaso não haja uma conversa sincera e madura. Quando olhamos para o terceiro componente, compreendemos que julgamentos, críticas, diagnósticos e interpretações dos outros são todas expressões alienadas de nossas próprias necessidades e valores. Quando os outros ouvem críticas, tendem a investir sua energia na autodefesa ou no contra-ataque. Quanto mais pudermos conectar nossos sentimentos a nossas necessidades, mais fácil será para os outros agir compassivamente. Uma teoria que nos auxilia na compreensão das necessidades humanas, é a teoria da Hierarquia das Necessidades Humanas de Abraham Maslow. Para ele, as necessidades dos seres humanos obedecem a uma hierarquia, ou seja, uma escala valores a serem transpostos. Isto significa que no momento em que o indivíduo realiza uma necessidade, surge outra em seu lugar, exigindo sempre que as pessoas busquem meios para satisfazê-la. É importante dizer que não existe necessidade certa ou errada, boa ou ruim. Para representar o conceito, Maslow organizou de maneira didática e funcional o que conhecemos como “Pirâmide de Maslow”. Na base estão as necessidades fisiológicas, aquelas que estão ligadas a nossa sobrevivência, como respiração, alimentação, repouso, etc. São as mais profundas carências humanas e quando não supridas, recebem toda a atenção e energia do indivíduo. Atendidas as necessidades básicas, temos na segunda camada as necessidades de segurança e autopreservação. Nesse grupo, estão a proteção física, estabilidade, cuidados com a saúde, entre outros. 22 No centro da pirâmide, temos as necessidades sociais, onde as carências psicológicas predominam. Supridas as necessidades básicas e de proteção, as pessoas se voltam para suas relações amorosas, familiares e profissionais. Na quarta camada, temos a necessidade de estima, onde a motivação está na aceitação, reconhecimento, respeito e prestígio, seja na sua vida pessoal ou profissional. Por fim, no topo da pirâmide, estão as necessidades relacionadas à autorrealização, ou seja, a conquista de desejos pessoais, como liberdade, sabedoria, autocontrole, entre outros. Agora que já observamos, identificamos sentimentos e necessidades, podemos utilizar o quarto componente: o pedido. Assim pode ficar mais claro para o interlocutor como seria a forma de agir que acreditamos ter potencial para a construção de uma relação mais harmoniosa. Neste componente, a mensagem deve ser clara de uma ação concreta, e pode fazer um check in para entendermos se de fato fomos claros ao pedir. Cuide para expressar positivamente o que você está pedindo e evite expressar negativamente aquilo que não está pedindo. O objetivo da CNV não é mudar as pessoas e seu comportamento para conseguir o que queremos, mas, sim, estabelecer relacionamentos baseados em honestidade e empatia, que acabarão atendendo às necessidades de todos. De forma prática, devemos seguir os seguintes passos para compreender os 4 elementos da CNV: 1. Primeiro, observamos o que está de fato acontecendo numa situação: o que estamos vendo os outros dizerem ou fazerem que afeta a nossa vida? O truque é ser capaz de articular essa observação sem fazer nenhum julgamento ou avaliação — mas simplesmente dizer o que nos agrada ou não naquilo que as pessoas estão fazendo. 5. Necessidades de autorrealização 4. Necessidades de Estima 3. Necessidades Sociais 2. Necessidades de Segurança 1. Necessidades Fisiológicas 1 2 3 4 5 23 Uma arma poderosa: o feedback À medida que mantivermos nossa atenção concentrada nessas áreas e ajudarmos os outros a fazerem o mesmo, estabeleceremos um fluxo de comunicação dos dois lados, até a compaixão se manifestar naturalmente: sobre a perspectiva do eu e sobre a perspectiva do outro. Assim, parte da CNV consiste em expressar os quatro componentes (observação, sentimento, necessidades e pedido) muito claramente, seja de forma verbal, seja por outros meios. Outro aspecto dessa forma de comunicação consiste em receber aquelas mesmas quatro informações dos outros. Nós nos ligamos a eles primeiramente percebendo o que estão observando e sentindo e do que estão precisando; e depois descobrindo o que poderia enriquecer suas vidas ao receberem a quarta informação, o pedido. Feedback, uma palavra que com certeza você já ouviu falar. Possivelmente, já ofereceu ou recebeu um feedback em algum estágio da sua vida, seja ela profissional, pessoal ou em grupos. Por mais que o tema feedback seja algo do conhecimento de muitos, o poder do feedback em sua completude, ainda é pouco explorado por gestores, colaboradores e pessoas de forma geral em suas interações. Mas o que significa feedback? A palavra feedback vem do inglês, e representa a junção de feed - alimentar e back - de volta. Ou seja, um feedback nada mais é do que uma resposta dada a um estímulo como uma maneira de avaliá-lo. 2. Em seguida, identificamos como nos sentimos ao observar aquela ação: magoados, assustados, alegres, divertidos, irritados etc. 3. Em terceiro lugar, reconhecemos quais de nossas necessidades estão ligadas aos sentimentos que identificamos aí: respeito, segurança, competência, prazo. 4. Temos consciência desses três componentes quando usamos a CNV para expressar clara e honestamente como estamos nos sentimos e fazemos um pedido específico. 24 Confiança: o estabelecimento de confiança é primordial para garantir que as orientações sejam recebidas e acolhidas para, em seguida, sejam aplicadas; Respeito: elemento crucial ao processo, deve ser a base para o posicionamento de quem oferece e a base deste diálogo; Ética: significa cuidar com zelo e garantir a confidencialidade desta ação. Objetivamente, o feedback é um processo de aprendizagem contínua, em que as pessoas são orientadas a respeito de suas atitudes, comportamentos e ações, para melhoria de performance tanto em nível pessoal, quanto de grupos. Dentro do processo de feedback existe uma questão orientada para princípios, ou seja, para que a ação de feedback seja eficaz a atinja os objetivos, é preciso conhecer e respeitar os seguintes princípios: Dessa forma, reforça o uso de rótulos para definir quem somos, limitando o escopo total de nossa humanidade, que consiste em cuidar das pessoas, respeitando suas perspectivas. Criamos uma visão de feedback baseadas nos rótulos. Exemplos de feedback nesse sentido são mais ou menos assim: Estamos tão habituados culturalmente aos julgamentos moralizadores que, mesmo quando procuramos dar feedback “construtivo”, muitas vezes nos deparamos com situações que pessoas se colocam na defensiva e não toleram críticas. Nas avaliações de trabalho, com frequência, atribui-se ao feedback um maior nível de importância, sem um proporcional aumento de sua clareza ou utilidade. É importante salientar que o cerne de um feedback é a oportunidade de cocriar resultados de benefícios mútuos e a habilidade fundamental para que esse momento seja efetivamente construtivo é a comunicação. Por que então, o feedback mesmo estruturado com técnicas e princípios tão nobres, muitas vezes é uma das partes mais problemáticas da comunicação? Seja para quem dá ou para quem recebe, ou em relação a alguém que está em nível equivalente, superior ou inferior na hierarquia organizacional. Com muita frequência, o que chamamos de feedback, é algo carregado de julgamentos sobre a outra pessoa ou sobre nós mesmos. Ele pode ter implicações inerentes de certo e errado, bom e ruim. Seu trabalho nesse projeto não ficou bom; Você é um excelente funcionário; Você não é detalhista; Você precisa precisa parar de ser tão sensível; Acabei de receber outro relato sobre sua falta de comprometimento. 25 O psiquiatra e psicoterapeuta suiço, que estruturou a psicologia analítica, Carl Gustav Jung nos convidou a seguinte reflexão: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”. Isso quer dizer que ao invésde rotular atitudes ou personalidades, podemos falar sobre como aquela ação nos afetou. E, ao nos atermos aos fatos e não às suposições, estamos legitimamente trazendo para o momento do feedback os 4 componentes da CNV: observação, sentimentos, necessidades e pedidos. Se por outro lado, estivermos recebendo o feedback, podemos perguntar em que observação específica ela se baseia e podemos ofertar palpites empáticos (em voz alta ou em silêncio) sobre as necessidades dessa outra pessoa. Se o feedback for dado na forma de um relatório de avaliação, por exemplo, cada área de avaliação também poderá ser vinculada a observações específicas e necessidades. Usar as habilidades e conceitos da CNV não determina um resultado específico, é claro. Usá-las como receita de bolo, ignorando o perfil do seu interlocutor, com certeza é um convite ao fracasso. No entanto, ao usar as habilidades e os processos oferecidos neste curso e ir adquirindo experiência, por meio de um processo de observação de si e dos outros aumentará a capacidade de fazer desse momento, um momento de muita conexão e empatia. Os resultados que surgirem tenderão a melhor satisfazer suas necessidades e valores. O tipo de feedback que chamamos de feedback consciente está vinculado a uma observação específica e se baseia em uma análise das necessidades atendidas ou não atendidas. Essa análise, de certa forma, é um tipo de julgamento - se nossas necessidades foram ou não atendidas. No entanto, ao considerar se nossas necessidades foram atendidas, não estamos rotulando e nem culpabilizando, ou insinuando que alguém mereça ser punido. Logo, quando damos o feedback, dizemos à outra pessoa a observação (a qual ação ou palavras dela nosso feedback se refere), como nos sentimos diante disso, as necessidades atendidas ou não atendidas e quaisquer pedidos que tenhamos (plano de ação). Como dar feedbacks à luz da CNV? 26 Quando o assunto é a construção de um diálogo eficiente entre dois indivíduos, o primeiro passo não é expressar as próprias ideias, como a maioria das pessoas pensa, mas sim saber escutar. Nesse contexto, vamos falar sobre uma das ferramentas mais poderosas de comunicação que existem: a escuta ativa. A escuta ativa é uma habilidade de comunicação que está intimamente ligada ao conceito da CNV. Esse conceito pressupõe que, a partir do momento em que uma pessoa se coloca para conversar com a outra e presta atenção na sua fala, está demonstrando um interesse genuíno pelo assunto e, acima de tudo, nas necessidades e sentimentos por trás de cada mensagem que está sendo dita. Apesar do seu nome dar ênfase ao ato de escutar, a escuta ativa não consiste apenas em ouvir calado o que o outro tem a dizer, mas sim demonstrar interesse pelo assunto e evitar qualquer tipo de julgamento sobre quem ou o que está sendo dito. A escuta ativa é um convite genuíno para empatia, para compreender o outro e suas nuances. É uma habilidade que nos leva a investigação curiosa do que o outro está tentando expressar, com perguntas e checagem da compreensão das mensagens. Pode parecer apenas um detalhe, mas essa habilidade ajuda muito em todo tipo de relacionamento, pois mostra que o outro está sendo valorizado, além de mostrar que somos pessoas flexíveis no que diz respeito a acolher ideias e opiniões divergentes das nossas. Sobre este ponto, um grande desafio para líderes, colaboradores e as pessoas de maneira geral, é quando em nossas conversas divergimos da opinião alheia. Normalmente, o diálogo caminha para um debate, ou a nossa necessidade de ter razão predomina. Metaforicamente falando, é como se entrássemos em um campo de batalha argumentativo, no qual buscamos “armas” para impor ao outro nossa opinião. Nesse processo, nos esquecemos de princípios básicos, como o fato de que “opinião não é argumento”, e que o "argumento não é a verdade”. Nos esquecemos que, quando alguém sai “vencedor” de uma conversa, as duas pessoas perdem. O exercício contra narcísico de ouvir outro 27 Para sairmos desse círculo nada virtuoso, precisamos entender que é diálogo é diferente de debate: no diálogo, a interação tem alta conexão e escuta - sem “concordo ou discordo" - normalmente utilizado em um debate. Investimos muito tempo nos dedicando a compreender o conteúdo das nossas interações e pouco analisando como é a estrutura de pensamento e comportamento que sustenta essas trocas. A fala do físico David Bohm nos ajuda a compreender um pouco sobre essa estrutura: “o diálogo é um processo multifacetado, que vai muito além das noções típicas de linguajar e do intercâmbio coloquiais. É um método que examina um âmbito extraordinariamente amplo da experiência humana: nossos valores mais intimamente arraigados; a natureza e a intensidade das emoções; os padrões dos nossos processos de pensamentos; a função da memória; a importância dos mitos culturais herdados, e por fim, a maneira como a nossa neurofisiologia estrutura a experiência do aqui e agora”. Dentro dessa estrutura, o ponto central é a forma e qualidade da escuta que ofertamos à outra pessoa. Já abordamos a escuta ativa e para nos ajudar ainda mais a melhorar a qualidade das nossas conversas , vamos trazer uma abordagem para lidar com problemas complexos, a Teoria U. Dentro desta teoria, o diálogo humano é dividido em 4 níveis de escuta: #1. Piloto automático: Nesse nível de escuta eu capto apenas aquilo que já sei, que já concordo. Ouço a partir do meu repertório e não busco saber nada de novo. É uma escuta sem profundidade. Aqueles papos em que tudo o que você consegue pensar é que não queria estar ali, e decide responder exatamente o que a pessoa quer ouvir apenas para satisfazê-la temporariamente. #2. Factual: Nesse nível eu já percebo fatos novos, mas tenho a tendência de descartar aquilo que difere da minha opinião, porque quero confirmar que estou certo. Na escuta factual, a minha opinião se funde com quem eu sou, e se alguém discorda de mim, sinto que está discordando da minha existência, me sinto ofendido e com necessidade de me defender. Discussões e debates são o cenário mais propício para que esse nível de escuta e diálogo ganhe força. 28 Mesmo não existindo um nível de escuta certo ou errado, existem os níveis mais superficiais (1 e 2) e níveis mais profundos (3 e 4) de escuta. Muitas vezes nós operamos em um nível que não contribui para nosso objetivo ou intenção. As transformações e desafios do dia a dia, seja nas organizações ou em sociedade, se intensificam a cada dia, por isso necessitamos ser capazes de aprofundar nosso nível de escuta e troca uns com os outros. Questões pessoais e sociais muitas vezes nos mantém no nível 1 e 2 de escuta, tais como, a necessidade de autoafirmação, a busca por aceitação, a urgência por ter razão ou a falta de abertura para compreender aquilo que parece distante do nosso entendimento pessoal. Já as questões profissionais, dada a complexidade das relações, nos demandam o desenvolvimento dos níveis mais profundos 3 e 4. Por exemplo, quando queremos criar algo novo ou construir uma solução para um problema e nossa atenção (e escuta) estão voltadas para “ganhar” a discussão, ou defender o nosso ponto de vista, provavelmente estamos operando em um nível de escuta que está desalinhado ao que estamos buscando, e precisamos tomar consciência disso para conseguirmos realinhar nossa atenção com nossa intenção. #3. Empática: Nesse nível eu não só percebo o que é novo, mas exerço uma curiosidade genuína e busco investigar “porque aquela pessoa pensa o que ela pensa”. Eu posso não alterar minha opinião, mas no mínimo, saio da conversa com um novo aprendizado. #4. Generativa: Nesse nível já não importa quem trouxe qual pensamento. Se dissolve a noção de “propriedade sobre as ideias” e com isso a noção do ego sobre quem está certo ou pensa de determinada maneira. Estou aberto e deixo de ouvir a partir do meu repertório, e me colocoa serviço daquele momento e do que posso criar de novo junto com as outras pessoas. 29 A essa altura, você deve estar se perguntando: como podemos melhorar a nossa qualidade de escuta? A resposta pode parecer óbvia, mas é altamente desafiadora: praticar. Uma escuta de qualidade diz respeito ao que chamamos de escuta atenta. Ao praticar este tipo de escuta, devemos estar comprometidos a: 1. Estar presente no momento; 2. Suspender seus julgamentos; 3. Manifestar interesse pelo o que o outro tem a dizer; 4. Estar aberto a novas opiniões e pontos de vista. A habilidade de escutar com interesse e ser grato pelo que é compartilhado representa um enorme avanço na comunicação interpessoal, bem como na prática e expressão da empatia. Nesse tipo de diálogo compreendemos o que realmente faz sentido para as pessoas e como podemos ajudá-las. Você já deve ter ouvido alguém falar que o mundo precisa de mais empatia, talvez até você mesmo já tenha falado isso, mas, você sabe o que realmente é empatia? A resposta é quase que automática: “empatia é se colocar no lugar do outro!”, mas trazendo para o contexto do nosso dia a dia, seja no trabalho, em casa ou em nossas trocas, o que realmente isso significa? Empatia, a força motriz da colaboração 30 Experimentar a empatia requer um nível elevado de inteligência emocional, envolve direcionar nossa consciência para um lugar em que nossa mente não vai por vontade própria – “se colocar no lugar do outro SENDO o outro” - permanecendo ali por um momento, para registrarmos a paisagem emocional e cognitiva e depois retornar à nossa própria realidade. Estudos recentes reconhecem a empatia como chave para o sucesso das companhias. E essa percepção se fortaleceu nos últimos anos. Grandes executivos no mundo inteiro acreditam ser importante investir nessa habilidade no ambiente de trabalho. Por que isso acontece? Uma das explicações é o fato de que profissionais que compreendem como os outros se sentem e criam laços de afetividade com colegas e clientes conseguem resultados melhores. É muito comum falarmos de empatia como um atributo único. Mas, se examinarmos mais a fundo o que as pessoas estão focando quando a demonstram, vamos encontrar três diferentes tipos de empatia, todos importantes para estabelecermos bons relacionamentos: A empatia cognitiva permite que as pessoas se expliquem de forma a serem compreendidas - uma habilidade essencial para gerenciamento de projetos, por exemplo. Ao contrário do que se possa imaginar, ao exercerem a empatia cognitiva, as pessoas devem pensar nos sentimentos, em vez de senti-los diretamente. Uma natureza questionadora alimenta a empatia cognitiva. Mas a empatia cognitiva também é uma consequência da autoconsciência. Os circuitos do cérebro que nos permitem refletir sobre nossos próprios pensamentos e monitorar os sentimentos que fluem deles nos permitem aplicar o mesmo raciocínio à mente de outras pessoas quando decidimos direcionar nossa atenção dessa forma. A empatia emocional é importante para uma mentoria eficiente, para administrar clientes e entender as dinâmicas dos grupos. Acessar a sua capacidade de ter empatia emocional depende da combinação de dois tipos de atenção: o foco deliberado em como os sentimentos de outra pessoa reverberam em você e a percepção do rosto, da voz e de outros sinais externos de emoção que a pessoa possa emitir. Bastante relacionado à empatia emocional, o interesse empático lhe permite perceber não apenas como as pessoas se sentem, mas também o que elas querem de você. É o que você deseja encontrar no seu médico, no seu cônjuge – e no seu chefe. Daí se conclui que o interesse empático é um sentimento de dois gumes. Intuitivamente experimentamos o sofrimento do outro como nosso. Mas, ao decidir se vamos atender às necessidades dessa pessoa, deliberadamente pensamos quanto valorizamos o seu bem-estar. Empatia cognitiva: a habilidade de entender o ponto de vista de outra pessoa. Empatia emocional: a habilidade de sentir o que outra pessoa sente. Interesse empático: a habilidade de perceber o que outra pessoa quer de você. 31 Nunca se falou tanto em colaboração como diferencial competitivo como nos últimos anos. Observamos práticas colaborativas dentro de sala de aula, nas organizações, na economia e nos hábitos de consumo da sociedade. Para a colaboração acontecer é preciso conhecer forças, propósitos, entender as diferentes personalidades e vidas que cercam um objetivo. Dito isso, você consegue compreender porque a empatia é tão essencial para a colaboração. Quando escutamos a necessidade do outro, olhando para as relações como um grande sistema interconectado e interdependente de suas partes, reconhecemos que a dificuldade de um, na verdade, é a dificuldade de todos. A colaboração só acontece quando quebramos barreiras entre pessoas, áreas, opiniões e transcendemos para o poder do coletivo. E é aí que entra a empatia, aproximando e conectando as pessoas. Colaboração é muito mais do que trabalho em equipe. Colaboração é uma união de propósitos pessoais para fazer coisas que não seriam possíveis se dependessem da força de apenas uma pessoa. Sobre o interesse empático, temos que ter alguns cuidados: nas profissões de assistência ao próximo, isso pode levar à fadiga por compaixão; em executivos, pode gerar sentimentos perturbadores de ansiedade sobre as pessoas e circunstâncias que não se podem controlar. O interesse empático requer que saibamos administrar o nosso sofrimento sem ignorar a dor do outro. Um ponto extremamente importante sobre o exercício da empatia é que, mesmo encontrando nestas habilidades comportamentais um meio de acessar as emoções dos outros, não podemos nos distanciar daquilo que de fato nos conecta, a nossa vulnerabilidade. Para criar conexões empáticas é fundamental que haja vulnerabilidade. É preciso que você se permita ser o mais humano e verdadeiro possível, deixando-se abrir para aquela pessoa, e não a fim de controlá-la, mas de criar entre vocês uma relação de confiança, compreensão e segurança emocional. Bom, agora que você já entendeu o que é empatia e como pode começar a praticá-la, é importante dizer que quando a empatia começa a se tornar uma competência, é possível desenvolver outras habilidades complementares. Uma delas é colaboração. 32 Tornando a vida de todos melhor Agora que você já entende sobre os princípios do tema e já está desenvolvendo consciência a respeito de sua aplicação, chegou a hora de colocar em prática. A prática é algo que vai fortalecer essa competência no dia a dia. Entendemos ao longo do curso que a comunicação tem o poder de transformar cenários e conectar pessoas. E não é diferente com a CNV. O que difere aqui é que estamos tocando intimamente na força sensível que movimenta o mundo e suas transformações: as relações humanas. Quanto mais você buscar a sua transformação, por meio do autoconhecimento e da sua capacidade de se conectar através do diálogo, mais próximo estará de transformar suas relações. Caminhar em direção às pessoas também é caminhar com elas, por isso, você pode utilizar os conhecimentos que obteve aqui para contagiar indiretamente todos que passarem por sua trajetória. Em toda troca, acabamos escutando nossas necessidades mais profundas e as dos outros. A CNV nos ensina a observarmos cuidadosamente (e sermos capazes de identificar) os comportamentos e as condições que estão nos afetando. Aprendemos a identificar e a articular claramente o que de fato desejamos em determinada situação. A forma é simples, mas profundamente transformadora. À medida que a CNV substitui nossos velhos padrões de defesa, recuo ou ataque diante de julgamentos e críticas, vamos percebendo a nós e aos outros, assim como nossas intenções e relacionamentos, por um enfoque novo. A resistência, a postura defensiva e as reações violentas são minimizadas. Quando nos concentramos em tornar mais claro o que o outro está observando,sentindo e necessitando em vez de diagnosticar e julgar, descobrimos a profundidade de nossa própria compaixão. A CNV promove o respeito, a atenção e a empatia. Embora, muitas pessoas se referiam a CNV como “processo de comunicação” ou “linguagem da compaixão”, ela é mais que processo ou linguagem. Em um nível mais profundo, ela é um lembrete permanente para mantermos nossa atenção concentrada lá onde é mais provável acharmos o que procuramos. Lembre-se CNV é uma jornada e não objetivo final! O objetivo final é fazer as nossas vidas e a vida daqueles que nos cercam melhor! O desafio de desenvolvimento da Comunicação Não Violenta em e das competências requeridas para pessoas mais felizes está apenas começando! Você pode se comunicar melhor, e essa ação depende exclusivamente de você. 33