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13 Adjuvantes e Adjuvantes Inteligentes >> Adjuvantes inteligentes - são baseados na aplicação de tecnologia para solução de problemas, como problemas de solubilidade e biodisponibilidade. MOFs - Metal-Organic Frameworks São estruturas híbridas cristalinas formadas por um arranjo de íons metálicos carregados positivamente que são cercados e ligados por moléculas orgânicas (figura 9). Eles criam uma estrutura de gaiola onde é possível carrear fármacos. Os Materiais Metalorgânicos (MOFs) são utilizados como carreadores de fármacos devido à sua alta porosidade, grande área de superfície específica, modularidade e capacidade de hospedar moléculas de diferentes tamanhos e polaridades. Figura 9. Estrutura dos MOFS São estruturas biocompatíveis com estabilidade térmica e química, podendo funcionar como carreadores inteligentes de moléculas e direcionamento de liberação de fármacos. Mecanismos de encapsulação: 1. Incorporação direta: O fármaco é incorporado diretamente nos poros do MOF; 2. Co-síntese: O fármaco é incorporado durante a síntese do MOF; 3. Troca de hóspedes: Um fármaco é trocado por uma molécula previamente incorporada no MOF. Vantagens: 1. Estruturas moleculares biocompatíveis; 2. Estabilidade térmica e química; 3. Atua como carreadores inteligentes; 4. Controla a taxa de liberação das drogas através da cinética de degradação em condições fisiológicas, permitindo um maior controle dos níveis plasmáticos do IFA; 5. Útil na entrega de fármacos, direcionando a liberação em locais específicos, reduzindo efeitos colaterais sistêmicos, melhorando a eficácia do tratamento; 6. Melhora a solubilidade de fármacos pouco solúveis. HDL - Hidróxidos Duplos Lamelares Os Materiais Metalorgânicos (MOFs) são utilizados como carreadores de fármacos devido à sua alta porosidade, grande área de superfície específica, modularidade e capacidade de hospedar moléculas de diferentes tamanhos e polaridades. 14 “Material cristalino onde os átomos em uma lamela estão ligados por ligações químicas (macromoléculas planares), enquanto os átomos de lamelas adjacentes interagem por interações de Van der Waals, dipolo-dipolo e/ou ligações de hidrogênio”. -IUPAC – composto lamelar Os hidróxidos duplos lamelares (HDL), também conhecidos como hidróxidos lamelares anionicos (HLAs), são compostos inorgânicos que possuem uma estrutura em camadas, semelhante à dos minerais argilosos (figura 10). Figura 10. Estrutura dos HDLs São agentes adsorventes, estabilizadores de fármacos e polímeros e moduladores de liberação utilizados para incrementar a solubilidade das moléculas. São carreadores de fármacos com baixa toxicidade e boa compatibilidade com alta capacidade de inserção de espécies iônicas. Possuem ocorrência natural (ex.: hidrocalcita). Outras formas importantes de interação dos HDL com substâncias orgânicas são através de pontes de hidrogênio e atração eletrostática, exercidas pelas hidroxilas presentes na superfície do material. Estruturalmente eles são estruturas octaédricas planas que são empilhadas umas sobre as outras, formando uma estrutura multicamada mantida através de interações de hidrogênio por atração eletrostática entre as lamelas. Os fármacos são inseridos entre as lamelas. Sendo os HDLs compostos básicos, estes dissolvem-se rapidamente a baixos valores de pH, mas a sua dissolução reduz-se consideravelmente para valores de pH mais elevados, permitindo a liberação lenta dos fármacos. O material intercalado poderá sofrer um processo de liberação sustentada, decorrente da dissolução da matriz lamelar em função do ataque ácido ou de uma reação de troca iônica Sensíveis ao pH gástrico. As lamelas do HDL para serem estabilizadas necessitam da presença de ânions de compensação interlamelares para manter a eletroneutralidade Intercalação: processo no qual os íons interlamelares do HDL são trocados por moléculas captadas do ambiente. Pode ser utilizado com diferentes finalidades, entre elas deionização de água, processos biológicos e enzimáticos, despoluição de afluentes, operações farmacêuticas, entre outras. Highlight Highlight 15 Mecanismos de encapsulação: 1. Intercalação aniônica: o fármaco aniônico substitui os ânions presentes entre as camadas do HDL; 2. Adsorção na superfície: alguns fármacos podem se adsorver na superfície externa das camadas do HDL; 3. Co-precipitação: envolve a síntese do HDL na presença do fármaco, resultando na incorporação direta do fármaco na estrutura lamelar durante a formação do HDL. Vantagens: 1. Carreador de fármacos; 2. Incremento da solubilidade; 3. Baixa toxicidade; 4. Estabilidade térmica; 5. Alta biocompatibilidade; 6. Alta capacidade de inserção de espécies iônicas; 7. Extensa área superficial disponível para adsorção; 8. Promove o aumento da estabilidade das espécies inseridas e promoção de sua liberação prolongada. Ciclodextrinas Oligossacarídeos cíclicos formados por unidades de glicose ligadas por ligações α 1-4 glicosídicas e obtidos a partir da ação de enzimas denominadas como CD glicosiltransferases (CGTases) sobre o amido. São cones truncados (figura 11) formados por 6 a 8 unidades de glicose, onde o seu formato permite a formação de uma cavidade hidrofóbica e uma superfície hidrofílica. Grupos hidroxilas voltados para o exterior são passíveis de reações químicas, por isso é possível inserir estruturas ligantes que melhoram as propriedades. Além disso, Os grupos de hidroxila posicionados externamente conferem características hidrofílicas às CDs tornando-as solúveis na água e insolúveis na maioria dos solventes orgânicos. O interior da cavidade é constituído por dois anéis de grupos C-H e por um anel de átomos de oxigênio glicosídicos conferindo ao seu interior características hidrofóbicas. Figura 11. Estrutura das ciclodextrinas Na preparação do HDL, um fator de grande importância é a capacidade de estabilização da estrutura lamelar pelo ânion interlamelar. Quanto maior a capacidade de estabilização mais facilmente o HDL se formará. Não existem limitações para a intercalação de inúmeras espécies de natureza aniônica que podem compensar as cargas positivas geradas pela substituição dos cátions das lamelas. Como exemplo destes ânions, têm-se os haletos (F- , Cl- , Br- , I- ), os oxo-ânions (CO3 2- , NO3 - , SO4 2- , Cr4 2- ), ânions complexos ([Fe(CN)6] 4- , [NiCl4] 2- ), polioxo-metalatos (V10O28 6- , Mo7O24 6- ), ânions orgânicos (carboxilatos, oxálico, succinico, porfirinas) etc. Highlight Highlight Highlight 16 Devido a suas características, elas trazem melhoria na estabilidade, maior solubilidade aquosa e melhor biodisponibilidade (figura 12), que leva a diminuição de efeitos colaterais indesejados. A complexação do fármaco em ciclodextrinas é uma técnica comumente utilizada para fármacos que possuem baixa solubilidade em água. Figura 12. Gráfico demonstrando o aumento da biodisponibilidade de moléculas complexadas em CDs A superfície externa hidrofílica da ciclodextrina interage favoravelmente com o solvente aquoso, tornando o complexo de inclusão mais solúvel em água do que o fármaco sozinho. As mais importantes CDs apresentando ocorrência natural são as a-, b- e g-CDs (figura 13) que possuem 6, 7 e 8 monômeros de glicose, respectivamente. Os diâmetros superior e inferior da cavidade das CDs são 4,7 e 5,3 Å para a α -CD, 6,0 e 6,5 Å para a β-CD e 7,5 e 8,3 Å para a γ -CD Figura 13. Ciclodextrinas de ocorrência natural Características das ciclodextrinas de origem natural: α –ciclodextrina 1. Pouco utilizada; 2. Baixa eficiência de complexação com muitas drogas. β-ciclodextrina Highlight 17 1. Mais utilizada; 2. Alta eficiência de complexação com muitas drogas; 3. Baixa solubilidade em água. γ –ciclodextrina1. Perfil toxicológico favorável; 2. Eficiência de complexação frequentemente inferior à β-ciclodextrina. As CDs formam complexos relativamente não específicos com uma grande variedade de substratos e a principal condição é que o substrato possa se adaptar à cavidade, ainda que parcialmente. Devido a esta habilidade, estas macromoléculas vêm sendo utilizadas como protótipos para investigação de interações não covalentes envolvendo diferentes compostos. Assim, uma grande variedade de substratos, desde gases nobres a derivados de benzeno, corantes aromáticos e água podem ser encontrados inclusos em CDs. Ciclodextrinas de origem sintética surgiram com o objetivo de superar limitações das CD de origem natural. Otimizando propriedades, como aumento da solubilidade, aumento da habilidade quelante, aumento da estabilidade dos complexos de inclusão, aumento da biodisponibilidade e da atividade, dessa forma, aumento as possibilidades de aplicações. São obtidas normalmente por substituições das hidroxilas nas posições C2, C3 e C6. As ciclodextrinas geralmente apresentam baixa toxicidade quando administradas por via oral devido a várias razões relacionadas à sua estrutura química, metabolismo e interações com o organismo. As ciclodextrinas podem ser parcialmente degradadas por enzimas digestivas no trato gastrointestinal, como a amilase. Porções não degradadas de ciclodextrinas são excretadas nas fezes, minimizando a exposição sistêmica e, consequentemente, a toxicidade. As ciclodextrinas têm uma afinidade limitada por componentes das membranas celulares, o que reduz o risco de causar danos celulares diretos. Dessa forma, a absorção sistêmica das ciclodextrinas intactas é baixa, o que significa que apenas pequenas quantidades alcançam a circulação sistêmica. Entretanto, por via parenteral, as CD no geral apresentam nefrotoxicidade e atividade hemolítica, sendo permitidas apenas a gama ciclodextrina, HPβciclodextrina, G2βCD, SBEβCD e βCD sulfatadas. Adjuvantes poliméricos Polímeros naturais, naturais modificados e sintéticos são empregados como excipientes farmacêuticos para a formulação de cosméticos e medicamentos de liberação convencional e de liberação modificada, devido as suas propriedades ajustáveis e capacidade de se reunir em nano e microestruturas ordenadas Os sistemas poliméricos de liberação controlada representam uma nova estratégia para incorporação de substâncias ativas, promovendo: A interação entre o fármaco e a ciclodextrina é estabilizada por forças hidrofóbicas, van der Waals e, em alguns casos, ligações de hidrogênio. É geralmente constatado que o fenômeno de reconhecimento molecular, o qual envolve interações não covalentes, deriva de interações tais como ligações de hidrogênio, interações eletrostáticas, forças de van der Waals, efeito hidrofóbico, interações dipolo-dipolo, transferências de cargas e efeitos estéreos Para moléculas pequenas é mais fácil formar complexos com alfa e beta ciclodextrina devido à compatibilidade do volume do substrato e da CD. Já no caso da gama ciclodextrina, se o substrato for muito pequeno o encaixe torna-se desfavorável devido ao tamanho muito maior da cavidade desta CD. Highlight Highlight Highlight 18 1. Maior controle da liberação do IFA; 2. Redução das doses tóxicas e subterapêuticas; 3. Monitoramento dos níveis de fármaco no sítio de aplicação; 4. Direcionamento do IFA a alvos específicos; 5. Diminui o intervalo de dosagem e reduz efeitos colaterais indesejados, uma vez que utiliza uma menor quantidade do IFA. Polímeros mucoadesivos Trata-se da ligação de um polímero natural ou sintético a um substrato biológico. Podem melhorar a eficácia de IFAs, mantendo sua concentração no plasma a níveis terapêuticos durante longos períodos de tempo, inibindo a diluição do IFA nos fluidos corporais. Também promovem um aumento da biodisponibilidade por proteger o IFA contra degradação enzimática. Ex.: Poliácido acrílico (PAA) e a quitosana. Carreadores lipídicos nanoestruturados (CLN) A premissa dos carreadores lipídicos nanoestruturados (CLN) baseia-se em formar cristais menos perfeitos, utilizando lipídeos que diferem entre si em tamanho molecular e forma conformacional. São biocompatíveis, de baixa toxicidade e boa estabilidade. Além disso, permitem a incorporação de fármacos hidrofílicos e lipofílicos. Lipídeos sólidos e lipídeos líquidos são misturados, resultando em nanopartículas lipídicas com pico de fusão menor em comparação com o lipídeo sólido inicial. Por promoverem a obtenção de uma matriz menos cristalina (mais desordenada) em comparação com as nanopartículas lipídicas sólidas (NLS), permitem um melhor “aprisionamento” do fármaco, aumentando a eficiência de encapsulação (figura 14). Figura 14. NLS com matriz altamente ordenada e CLN com matriz menos ordenada Adjuvantes/excipientes utilizados nas formulações: Acidificante: é adicionado na forma farmacêutica (FF) para conferir acidez ao meio, proporcionando estabilidade do ativo. Ex.: ácido cítrico, ácido acético, ácido fumárico. Agente de tonicidade: é empregado para tornar a FF semelhante do ponto de vista das características osmóticas aos fluidos biológicos. Ex.: cloreto de sódio. Agente suspensor: é um adjuvante que aumenta a viscosidade do meio reduzindo a velocidade de sedimentação quando o veículo e o ativo são insolúveis entre si. Ex.: ágar, hidroxipropilmetilcelulose, carboximetilcelulose. Aglutinante: é um composto que tem a capacidade de agregar as partículas sejam de pós ou grânulos para compressão. Ex.: carboximetilcelulose, gelatina, polivinilpirrolidona K-30. 19 Alcalinizante: é usado para conferir alcalinidade ao meio proporcionando maior estabilidade ao ativo. Ex.: bicarbonato de sódio, trietanolamina, carbonato de sódio. Antioxidante: é usado para evitar a degradação do ativo por reações de oxidação. Ex.: ácido ascórbico, metabissulfito de sódio. Clarificante: é usado como filtração auxiliar devido suas propriedades adsorventes. Ex.: bentonita. Conservante: é utilizado nas FF para evitar o crescimento microbiano, seja fúngico e bacteriano. Os parabenos são os mais utilizados. Corante: é usado para conferir cor às FF. Desintegrante: é bastante utilizado para promover a desagregação em FF sólidas. Ex.: alginato de sódio, glicolato de amido. Deslizante: é utilizado para melhorar as propriedades de fluxo em pós. Ex.: sílica, amido, talco) Diluente: é usado para produzir volume, melhorar as propriedades de fluxo e compressão. Ex.: lactose, manitol, celulose microcristalina, sorbitol, amido. Edulcorante: é usado para conferir sabor doce às preparações. Ex.: aspartame, dextrose, glicerina, sorbitol. Emulsificante: é usado para produzir e estabilizar a dispersão de partículas imiscíveis. Aplicado em emulsões. Ex.:mono-oleato de sorbitano, polissorbatos. . Flavorizante: é usado para conferir odor e sabor agradável à preparação. Ex.: óleo de canela, mentol, baunilha. Indutor de viscosidade: é usado para tornar as preparações mais resistentes ao fluxo e retardar a sedimentação em suspensões. Ex.: carboximetilcelulose sódica, povidona, alginato de sódio. Plastificante: é usado em soluções de revestimento melhorando seu espalhamento para o revestimento. Ex.: glicerina. Propelente: é usado para proporcionar a pressão que dispersa os aerossóis no meio ambiente. Ex.: dióxido de carbono, diclorodifluormetano. Quelante: é uma substância que promove a formação de complexos estáveis com metais. É usado para quelar possíveis metais pesados que possam desestabilizar a FF. Ex.: EDTA dissódico. Solvente: é usado para dissolver os ativos em uma preparação seja líquida ou não. Caso necessário esse solvente deve ser estéril. Ex.: álcool, óleos em geral, água para injetáveis. Tampão: é empregado para que a FF resista amudanças de pH e não desestabilize a preparação. Ex.: fosfato de potássio monobásico, citrato de sódio. Tensoativo: é um composto que reduz a tensão superficial ou interfacial entre dois líquidos imiscíveis, pode ser usado como agente molhante, emulsionante ou detergente. Ex.: cloreto de benzalcônio, Polissorbato 80, Lauril sulfato de sódio. Umectante: é usado para evitar o ressecamento de FF particularmente pomadas e cremes. Ex.: glicerina, propilenoglicol. Veículo: é o material carreador da formulação. Esses compostos podem ser aquosos ou oleosos de acordo com a FF. Também pode ser considerado o solvente da formulação, dependendo da FF.