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DIREITO PENAL por Hen rique de Lara Morais RESUMO Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 01 Sumario Glossário de Siglas ........................................................................................................................................................................ 2 Da Lei Penal ................................................................................................................................................................................... 4 Princípios do Direito Penal ......................................................................................................................................................................... 4 Lei Penal ........................................................................................................................................................................................................ 4 Interpretação e Analogia da Lei Penal ...................................................................................................................................................... 4 Lei Penal no Tempo ..................................................................................................................................................................................... 5 Aplicabilidade da Lei Penal ........................................................................................................................................................................ 5 Infrações Penais de menor potencial ofensivo........................................................................................................................................ 6 Conflito Aparente de Leis ........................................................................................................................................................................... 6 Tempo e Lugar do Crime ............................................................................................................................................................................ 6 Lei Penal no Espaço ..................................................................................................................................................................................... 6 Pena Cumprida no Estrangeiro.................................................................................................................................................................. 7 Eficácia da Sentença Estrangeira .............................................................................................................................................................. 7 Contagem de Prazo ...................................................................................................................................................................................... 7 Legislação Especial ...................................................................................................................................................................................... 8 Responsabilização Penal da Pessoa Jurídica ............................................................................................................................................ 8 Do Crime ........................................................................................................................................................................................ 9 Visão Geral dos Elementos Constitutivos ................................................................................................................................................ 9 Conceito de Crime ...................................................................................................................................................................................... 10 Tipicidade ................................................................................................................................................................................................... 10 Erro de Tipo ................................................................................................................................................................................................ 13 Iter Criminis (“Caminho do Crime”) ....................................................................................................................................................... 14 Ilicitude (Antijuridicidade) ...................................................................................................................................................................... 16 Culpabilidade ............................................................................................................................................................................................. 17 Concurso de Pessoas .................................................................................................................................................................................. 19 Penas ............................................................................................................................................................................................................ 21 Extinção da Punibilidade .......................................................................................................................................................................... 21 Classificação dos Crimes ........................................................................................................................................................................... 23 Parte Especial do Código Penal .................................................................................................................................................. 24 Análise de Cobrança .................................................................................................................................................................................. 24 Dos Crimes Contra a Pessoa ..................................................................................................................................................................... 25 Dos Crimes Contra o Patrimônio ............................................................................................................................................................. 32 Dos Crimes Contra a Dignidade Sexual .................................................................................................................................................. 37 Dos Crimes Contra a Incolumidade Pública .......................................................................................................................................... 39 Dos Crimes Contra a Fé Pública ............................................................................................................................................................... 40 Dos Crimes Contra a Administração Pública ......................................................................................................................................... 43 Dos Crimes Contra a Paz Pública ............................................................................................................................................................. 48 Dos Crimes Contra a Organização do Trabalho ..................................................................................................................................... 49 Dos Crimes Contra o Sentimento Religioso e Contra o Respeito aos Mortos .................................................................................... 50 Dos Crimes Contra a Propriedade Imaterial ..........................................................................................................................................Detenção 3-12 meses Conceito residual, ou seja, é a lesão que não é grave nem gravíssima GRAVE Reclusão 1-5 anos Incapacidade para ocupações habituais, por +30d Perigo de vida Debilidade permanente Aceleração de parto GRAVÍSSIMA Reclusão 2-8 anos Incapacidade permanente para o trabalho Enfermidade incuravel Perda / inutilização do membro, sentido ou função Deformidade permanente Resulta em aborto SEGUIDA MORTE Reclusão 4-12 anos Resulta morte, MAS agente não quis nem assumiu risco de produzí-lo Cuidado!! Há intenção de causar a lesão, mas não de matar! Se houvesse o dolo de matar , seria o caso de homicídio doloso É o caso de preterdolo: Dolo no antecedente (lesão)+ Culpa no consequente (morte) CULPOSA Detenção 2-12 meses Atenção! A lesão culposa NÃO se divide em leve, grave e gravíssima! 1 2 https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br https://www.tecconcursos.com.br/questoes/656285 Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 28 Pena e Ação P enal SUBSTITUIÇÃO DE PENA Pena de detenção pode ser substituída por MULTA, caso as lesões NÃO sejam graves e: • Sejam recíprocas • Haja hipóteses de diminuição de pena DIMINUIÇÃO DE PENA Pena reduzida de ↓1/6 a ↓1/3 • Motivo de relevante valor social ou moral • Violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação AUMENTO DE PENA Pena aumentada de 1/3 • Praticado por milícia privada ou grupo de extermínio • Inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício • Agente deixa de prestar socorro ou foge para evitar o flagrante Pena aumentada de 1/3 a 2/3 • Lesão for praticada contra autoridade ou agente de segurança pública, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em decorrência dela, OU contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa condição Ação Penal: somente é condicionada à representação nos casos de lesão corporal LEVE e CULPOSA. Contudo, ainda que seja leve ou culposa, nos crimes previstos na Lei Maria da Penha a AP será incondicionada. DO S CRIM ES CO NTRA A HO NRA Calúnia Art. 138 - CALUNIAR alguém, imputando-lhe falsamente FATO DEFINIDO COMO CRIME Detenção 6-24 meses + Multa • MESMA PENA incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga. • [DESPENCA] PUNÍVEL a calúnia contra os mortos Exceção da verdade: admite-se a prova da verdade, SALVO SE: Constituindo o fato imputado crime de ação PRIVADA, o ofendido NÃO foi condenado por sentença irrecorrível Fato é imputado ao Presidente da República ou chefe de governo estrangeiro Do crime imputado, embora de ação PÚBLICA, o ofendido FOI ABSOLVIDO por sentença irrecorrível Difamação Art. 139 - DIFAMAR alguém, imputando-lhe FATO OFENSIVO À SUA REPUTAÇÃO Detenção 3-12 meses + Multa Exceção da verdade: somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. Injúria Art. 140 - INJURIAR alguém, ofendendo-lhe a DIGNIDADE OU O DECORO Detenção 1-6 meses OU Multa • Injúria consiste em violência ou vias de fato: Detenção 3-12 meses + Multa + pena correspondente à violência • [DESPENCA] Injúria racial (cor, etnia, religião) ou condição de idoso ou portador de deficiência: reclusão 1-3 anos + Multa – Ação Penal Pública Condicionada! Muito Cuidado! Não confundir com o crime de racismo (art. 20, Lei 7.716/89)! Contudo, tanto o STF quanto o STJ reconhecem a equiparação, de forma que a injúria racial também é imprescritível e inafiançável. A propósito, lembro que o crime de homofobia / transfobia foi equiparado ao racismo pelo STF, em 2019, na ADO 26. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 29 DIS POS I ÇÕ ES CO MU NS DO S CRIM ES CO NTRA A LIB ERDADE P ES SOAL CRIME CONDUTA PENA Redução a condição análoga à de escravo [FOQUE MUITO AQUI] Art. 149. REDUZIR alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto. Reclusão 2-8 anos E multa E pena correspondente à violência Aumento de pena 1/2: • Contra criança ou adolescente • Por preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem [MESMA PENA] Cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho. [MESMA PENA] Mantém vigilância ostensiva no local de trabalho OU se apodera de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho. Constrangimento ilegal [FOQUE AQUI] Art. 146 - CONSTRANGER alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a NÃO fazer o que a lei permite, OU a fazer o que ela NÃO manda Atenção! Não compreende constrangimento ilegal: 1. A coação para impedir suicídio 2. Intervenção médica caso haja perigo de vida Detenção 3-12 meses OU Multa Pena cumulativa, em DOBRO + pena relativa à violência: praticado por mais de 3 pessoas OU há emprego de armas D IS P O S IÇ Õ E S C O M U N S Aumento de Pena Aumento de 1/3 - Contra PR ou Chefe de gov. estrangeiro - Contra funcionário público (em razão de suas funções) - Na presença de várias pessoas - Contra maiores de 60 anos, ou portadores de deficiência, EXCETO injúria Pena em DOBRO se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa Se o crime é cometido ou divulgado em quaisquer modalidades das redes sociais da rede mundial de computadores, aplica-se em TRIPLO. Exclusão do Crime [DESPENCA] Não constituem INJÚRIA ou DIFAMAÇÃO punível em juízo, na discussão da causa, pela parte ou procurador Há outras hipóteses muito pouco cobradas Retratação [ISENÇÃO DE PENA] 1) CALÚNIA ou DIFAMAÇÃO 2) ANTES da SENTENÇA, de forma cabal https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 30 CRIME CONDUTA PENA Ameaça [FOQUE AQUI] Art. 147 - AMEAÇAR alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causar-lhe mal injusto e grave Detenção 1-6 meses OU Multa Atenção! Somente se procede mediante representação. Trata-se de ação penal pública CONDICIONADA Tráfico de Pessoas [CAI POUCO] Art. 149-A. Agenciar, aliciar, recrutar, transportar, transferir, comprar, alojar ou acolher pessoa, mediante grave ameaça, violência, coação, fraude ou abuso, com a finalidade de: • Remover-lhe órgãos, tecidos ou partes do corpo • Submetê-la a qualquer tipo de servidão • Adoção ilegal • Exploração sexual • Submetê-la a trabalho em condições análogas à de escravo Reclusão 4-8 anos + Multa Aumento de pena 1/3 até 1/2: • Vítima retirada do território nacional (tráfico internacional de pessoas) • Contra criança, adolescente, idoso ou deficiente • Há outras, mas nunca cobradas... Redução de ⭣1/3 a ⭣2/3 (privilegiado): agente primário E não integrar organização criminosa. Sequestro e Cárcere privado [CAI POUCO] Art. 148 - PRIVAR alguém de sua liberdade, mediante sequestro ou cárcere privado Reclusão 1-3 anos Há qualificadoras (aumento de pena) do crime, mas não foram cobradas nos últimos 5 anos, assim deixamos de fora. Perseguição [Novidade2021] Art. 147-A. PERSEGUIR alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade. Reclusão 6 meses - 2 anos + MULTA As penas são aplicáveis sem prejuízo das correspondentes à violência. Aumento de pena 1/2: • Contra criança, adolescente ou idoso • Contra mulher, por razões da condição de sexo feminino1 • Mediante concurso de 2 ou mais pessoas OU com emprego de arma 1Há razões de sexo feminino quando o crime envolve violência doméstica e familiar; menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Atenção! Somente se procede mediante representação. Trata-se de ação penal pública CONDICIONADA. Violência psicológica contra a mulher [Novidade 2021] Art. 147-B. Causar DANO EMOCIONAL à mulher que a prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento OU que vise a degradar ou a controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que cause prejuízo à sua saúde psicológica e autodeterminação. Reclusão 6 meses - 2 anos + MULTA, se a conduta não constitui crime mais grave. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 31 CRIM ES CONT RA A I NVIO LABI LI DADE DOS S EGRE DOS A Lei 12.737/12, conhecida como “Lei Carolina Dieckmann” introduziu no Código Penal (arts. 154-A e 154-B) a figura do crime de “Invasão de dispositivo informático”. Vejamos: Ação Penal Em regra, procede-se mediante REPRESENTAÇÃO. SALVO quando o crime for cometido contra: • Adm. direta ou indireta – de qualquer dos poderes – da União, Estados, DF ou Municípios; • Empresas concessionárias de serviços públicos In v a sã o d e d is p o si ti v o i n fo rm á ti c o INVADIR dispositivo informático de uso alheio, conectado ou não à rede de computadores, com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita OU de instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita. Reclusão de 1-4 anos E multa Se resulta prejuízo econômico, aumenta-se de ↑1/3 a ↑2/3 Mesma pena Quem produz, oferece, distribui, vende ou difunde dispositivo ou programa de computador com o intuito de permitir a prática da invasão. Se da invasão RESULTAR a obtenção de conteúdo de comunicações privadas, segredos comerciais ou industriais, informações sigilosas, ou o controle remoto não autorizado do dispositivo. Reclusão de 1-5 anos E multa Se divulgação, comercialização ou transmissão a terceiro, dos dados / informações, aumenta- se de ↑1/3 a ↑2/3 Aumenta-se a pena de ↑1/3 a↑1/2 praticado contra: 1) Presidente da República, governadores e prefeitos; 2) Presidente do STF 3) Presidente da Câmara, Senado, Assembleia Legislativa, da Câmara Legislativa do DF ou Câmara Municipal; 4) Dirigente máximo da administração direta e indireta federal, estadual, municipal ou do DF. Atenção para a pegadinha Algumas questões irão falar em "membro da Câmara, Senado ou STF, por exemplo. Entretanto, só se aplica aos PRESIDENTES. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 32 DO S CRIM ES CO NTRA O P AT RIM ÔNIO FU RTO 1 Aumento de Pena em 1/3: crime é praticado durante o repouso noturno Outras Penas: 1. Reclusão 3-8 anos: subtração de veículo automotor que venha a ser transportado p/ outro Estado ou exterior 2. Reclusão 2-5 anos: subtração for de semovente domesticável de produção (boi, vaca, galinha, porco, etc) 3. Reclusão de 4-10 anos + Multa: subtração de substâncias explosivas ou de acessórios para sua fabricação. Cuidado! O furto qualificado com o USO de explosivos é um crime HEDIONDO (Art. 1º, IX da Lei 8.072/90). 4. Furto Mediante Fraude (Reclusão 4-8 anos + Multa): cometido por meio de dispositivo eletrônico ou informático, conectado ou não à rede de computadores, com ou sem a violação de mecanismo de segurança ou a utilização de programa malicioso, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. a. Aumenta-se de 1/3 a 2/3: crime praticado utilizando servidor mantido fora do território nacional b. Aumenta-se de 1/3 a 2x: crime praticado contra idoso ou vulnerável Coisa Móvel: equipara-se à coisa móvel a ENERGIA ELÉTRICA ou qualquer outra que tenha valor econômico Furto de sinal de TV à cabo é crime de furto? STJ (RHC 308.47): caracteriza furto simples. STF (HC 97.261): não se pode usar "analogia in mallam partem, portanto, a conduta é ATÍPICA. STJ (Súmula 567): Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por existência de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, NÃO TORNA impossível a configuração do crime de furto. FURTO Art. 155 - SUBTRAIR, para si ou para outrem, coisa alheia MÓVEL Reclusão 1-4 anos + Multa FURTO PRIVILEGIADO Criminoso primário E coisa furtada de pequeno valor JUIZ PODERÁ - Substituir reclusão por detenção - Diminuir pena de 1/3 a 2/3 - Aplicar somente multa STJ (Súmula 511): possível reconhecimento do privilégio nos casos de crime de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno valor da coisa e a qualificadora for de ordem objetiva FURTO QUALIFICADO Reclusão 2-8 anos + Multa - Abuso de confiança [DESPENCA] - Com destruição ou rompimento de obstáculo - Mediante fraude - Mediante escalada ou destreza - Emprego de chave falsa - Concurso de 2+ pessoas STJ (Súmula 442): É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a majorante do roubo. 1 https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 33 ROU BO 1 STJ (Súmula 582): CONSUMA-SE o crime de roubo com a inversão da posse do bem mediante emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à perseguição imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível (dispensável) a posse mansa e pacífica ou desvigiada 2 STJ (Súmula 443): O aumento na terceira fase de aplicação da pena no crime de roubo circunstanciado exige fundamentação concreta, não sendo suficiente para a sua exasperação a mera indicação do número de majorantes. 3 STF (Súmula 610): Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não realize o agente a subtração de bens da vítima. SUBTRAÇÃO MORTE LATROCÍNIO Consumada Consumada Consumado Tentada Tentada Tentado Tentada Consumada Consumado Consumada Tentada Tentado ROUBO Art. 157 Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante GRAVE AMEAÇA ou VIOLÊNCIA a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência Reclusão 4-10 anos + multa Mesma Pena Roubo Impróprio Quem, logo DEPOIS de subtraída a coisa, emprega violência ou grave ameaça, a fim de ASSEGURAR A IMPUNIDADE ou a detenção da coisa para si ou para terceiro Aumento de Pena Roubo Circunstanciado: 1/3 a 1/2 1) Concurso de 2+ pessoas 2) Vítima em serviço de transporte de valores 3) Subtração de veículo automotor transportado para outr Estado ou exterior 4) Agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade 5) Subtração de substâncias explosivas ou de acessórios que possibiltem fabricá-los 6) Emprego de arma BRANCA (NOVIDADE) AUMENTA EM 2/3 1) Emprego de ARMA DE FOGO 2) Emprego de EXPLOSIVO ou de artefato análogo que cause perigo comum PENA EM DOBRO Emprego deARMA DE FOGO de uso restrito ou proibido (NOVIDADE) Roubo Qualificado Resulta lesão corporal GRAVE Reclusão 7-18 anos + Multa LATROCÍNIO - resulta morte Reclusão 20-30 anos + Multa Trata-se de crime hediondo 3 1 NÃO SE APLICA Colaboração da vítima: dispensável 2 https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 34 EXT ORS ÃO STJ (Súmula 96): O crime de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da vantagem indevida. ATENÇÃO! CONSTRANGIMENTO ILEGAL EXTORSÃO CONCUSSÃO Art. 146 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda. Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa Art. 316, CP: - Exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi- la, mas em razão dela, vantagem indevida - crime funcional, sem violência ou grave ameaça! TIPOS EXTORSÃO Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa. Reclusão 4-10 anos + Multa Aumento de 1/3 a 1/2 - Praticado de 2+ pessoas; ou - Emprego de arma Reclusão 7-18 anos - Violência resulta lesão corporal grave Reclusão 20-30 anos - Violência resulta morte EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO Art. 159 - SEQUESTRAR pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço do resgate. Reclusão 8-15 anos + Multa QUALIFICADO Reclusão 12-20 anos - Sequestro dura +24h; ou - Sequestrado menor de 18 ou maior de 60; ou - Cometido por bando ou quadrilha Reclusão 16-24 anos - Se resulta lesão corporal grave Reclusão 24-30 anos - Se resulta morte EXTORSÃO INDIRETA Art. 160 - Exigir ou receber, como garantia de dívida, abusando da situação de alguém, documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou contra terceiro: Reclusão 1-3 anos + Multa https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 35 AP RO PRI AÇÃO IN DÉ BITA Em qualquer caso, se agente primário e valor pequeno, JUIZ PODERÁ: Substituir reclusão por detenção Diminuir pena de 1/3 a 2/3 Aplicar somente multa Apropriação Indébita Art. 168 - APROPRIAR-SE de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção1 Reclusão 1-4 anos + Multa 1A detenção é desvigiada; se vigiada, trata-se de furto. Aumento de Pena (1/3): quando o agente recebeu a coisa... 1. Em depósito necessário 2. Em razão de ofício, emprego ou profissão 3. Como tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro ou depositário judicial Apropriação Indébita Previdenciária [DESPENCA] Art. 168-A. DEIXAR de repassar à previdência social as contribuições RECOLHIDAS dos contribuintes, no prazo e forma legal ou convencional Reclusão 2-5 anos + Multa Mesma pena: quem deixar de recolher, no prazo legal, contribuição ou outra importância destinada à previdência social que tenha sido descontada de pagamento efetuado a segurados, a terceiros ou arrecadada do público. Extinção da Punibilidade: agente, ESPONTANEAMENTE, declara, confessa e efetua o pagamento das contribuições, ANTES do início da ação fiscal STJ (HC 362.478/2017): ADIMPLEMENTO do débito tributário, a QUALQUER tempo, até mesmo após o advento do trânsito em julgado da sentença penal condenatória, é causa de extinção da punibilidade do acusado. Perdão Judicial: juiz pode deixar de aplicar ou aplicar somente multa se: Muito Cuidado! Apropriação Indébita Previdenciária (art. 168-A, CP) As contribuições foram RECOLHIDAS, porém, o repasse NÃO é feito à Previdência Social Sonegação de Contribuição Previdenciária (art. 337-A, CPP) Nesse caso há supressão ou redução de contribuição, ou seja, NÃO houve recolhimento! Agente primário e bons antecedentes Promoveu após o início da ação fiscal e antes de oferecida a denúncia, o PAGAMENTO da contribuição VALOR das contribuições seja igual ou inferior ao estabelecido pela previdência como sendo o mín. para ajuizar execuções fiscais OU https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 36 ESTE LI ONATO E O U TRAS FRAU DES CRIME CONDUTA OBSERVAÇÕES Estelionato Art. 171 - OBTER, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento Reclusão 1-5 anos + Multa STJ (Súmula 17): Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido. STJ (Súmula 73): A utilização de papel moeda grosseiramente falsificado configura, em tese, o crime de estelionato, da competência da justiça estadual. [DEPENCA] Pena aumenta de 1/3 se o crime é cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto de economia popular, assistência social ou beneficência. STJ (Súmula 24): Aplica-se ao crime de estelionato, em que figure como vítima entidade autárquica da previdência social, a qualificadora acima. [Novidade] Pena aumenta de 1/3 a 2x, se o crime é cometido contra idoso ou vulnerável. NOVIDADES DO “PACOTE ANTICRIME” Regra: procede-se mediante representação Exceções: se a vítima for: • ADMP direta ou indireta • Criança ou adolescente • Pessoa com deficiência mental • Maior de 70 anos • Incapaz Fraude no pagamento por meio de cheque Art. 171, V - Quem emite cheque, sem suficiente provisão de fundos em poder do sacado, ou lhe frustra o pagamento. Reclusão 1-5 anos + Multa STF (Súmula 554): O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos, após o recebimento da denúncia, não obsta ao prosseguimento da ação penal Fraude Eletrônica Art. 171, §2º-A. Se a fraude é cometida com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzido a erro por meio de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico fraudulento, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo. Reclusão 4-8 anos + Multa Aumenta-se de 1/3 a 2/3, se o crime é praticado utilizando servidor mantido fora do território nacional. Fraude à execução Art. 179 - Fraudar execução, alienando, desviando, destruindo ou danificando bens, ou simulando dívidas. Detenção 6-24 meses OU multa Somente se procede MEDIANTE QUEIXA RE CEPT AÇÃO Atenção! A receptação é PUNÍVEL, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime de que proveio a coisa. Art 180 RECEPTAÇÃO Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte RECEPTAÇÃO CULPOSA Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza OU pela desproporção entre o valor e o preço, OU pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio criminoso Criminoso primário, pode o juiz deixar de aplicar a pena. RECEPTAÇÃO QUALIFICADA Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto de crimehttps://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 37 DIS POS I ÇÕ ES G ERAI S – CRI ME S CO NTRA O P AT RIM ÔNI O (TO DO S ) Escusa Absolutória / Imunidade Penal Absoluta Art. 181 - É isento de pena (extingue punibilidade) quem comete qualquer dos crimes, em prejuízo: • Do cônjuge (na constância da sociedade conjugal) • Ascendente / descendente (civil / natural | legítimo ou não) Imunidade Relativa ou Processual Art. 182 - SOMENTE se procede mediante representação, se o crime é cometido em prejuízo: • Cônjuge desquitado ou judicialmente separado; • Irmão, legítimo ou ilegítimo; • Tio ou sobrinho, com quem o agente coabita. Art. 183 - NÃO SE APLICA o disposto nos dois artigos acima: Se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave ameaça ou violência à pessoa Ao estranho que participa do crime Se o crime é praticado contra pessoa de idade maior ou igual 60 anos DO S CRIM ES CO NTRA A DIGN I DADE S EX UAL CRIM ES CONT RA A LIBE RDADE S EX UAL CRIME CONDUTA PENA Estupro [HEDIONDO] Art. 213. CONSTRANGER alguém (homem ou mulher!), mediante VIOLÊNCIA ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a PRATICAR ou PERMITIR que com ele se pratique outro ato libidinoso (ou seja, não precisa de toque físico) STJ (Súmula 593): O crime de estupro de vulnerável se configura com a conjunção carnal ou prática de ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo IRRELEVANTE eventual consentimento da vítima, sua experiência sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso. Pena Reclusão 6-10 anos Resulta lesão grave Reclusão 8-12 anos Vítima menor 18 ou maior 14 Reclusão 8-12 anos Resulta morte Reclusão 12-30 anos Assédio Sexual Art. 216-A. CONSTRANGER alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função. Detenção 1-2 anos Se vítima menor de 18 anos, aumenta-se pena em até 1/3 Importunação Sexual Art. 215-A. PRATICAR contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro Reclusão 1-5 anos, se o ato não constitui crime mais grave Violação sexual mediante fraude Art. 215. TER conjunção carnal ou PRATICAR outro ato libidinoso, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a LIVRE MANIFESTAÇÃO DE VONTADE da vítima Reclusão 2-6 anos Se objetivo é obter vantagem econômica, também se aplica MULTA. ATENÇÃO! • Ação Penal: PÚBLICA INCONDICIONADA (independe de representação) • Aumento de Pena a) 1/4: cometido com concurso de 2+ pessoas b) 1/3 a 2/3: concurso de 2+ agentes (Estupro Coletivo) c) 1/3 a 2/3: para controlar o comportamento social ou sexual da vítima (Estupro Corretivo) d) 1/2: agente é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge, companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro título tiver autoridade sobre ela. Sim, no texto do CP consta as duas majorantes. Na prova, considere ambas corretas! M A IS C O B R A D O S https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br https://en.wikiquote.org/wiki/Caution https://en.wikiquote.org/wiki/Caution https://en.wikiquote.org/wiki/Caution https://en.wikiquote.org/wiki/Caution https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/ https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/ https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/ Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 38 CRIM ES S EX UAI S CO NTRA V ULN ERÁV EL C ri m e s S e x u a is C o n tr a V u ln e rá v e l Estupro de Vulnerável Art. 217-A. TER conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos. Reclusão 8-15 anos Mesma Pena Quem pratica as ações com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência. Resulta lesão corporal GRAVE: Reclusão 10-20 anos Resula MORTE: Reclusão 12-30 anos Atenção! As penas se aplicam independetemente de consentimento da vítima OU do fato de ela ter mantido relações sexuais anteriormente ao crime. Divulgação de cena de estupro ou de cena de estupro de vulnerável, de cena de sexo ou de pornografia Art. 218-C. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, vender ou expor à venda, distribuir, publicar ou divulgar, por qualquer meio - inclusive por meio de comunicação de massa ou sistema de informática ou telemática -, fotografia, vídeo ou outro registro audiovisual que contenha cena de estupro ou de estupro de vulnerável ou que faça apologia ou induza a sua prática, ou, sem o consentimento da vítima, cena de sexo, nudez ou pornografia. Reclusão 1-5 anos, se o fato não constitui crime mais grave. Aumento de pena ↑1/3 a ↑2/3: agente que mantenha relação íntima de afeto ou fim de vingança ou humilhação. Exclusão de ilicitude NÃO HÁ CRIME quando se tratar de publicação de natureza jornalística, científica, cultural ou acadêmica com a adoção de recurso que impossibilite a identificação da vítima, ressalvada sua prévia autorização, caso seja maior de 18 anos. Favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de criança ou adolescente ou de vulnerável Art. 218-B. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração sexual alguém menor de 18 anos ou que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la, impedir ou dificultar que a abandone: Reclusão 4-10 anos | Se tiver fim de vantagem econômica, aplica-se também MULTA Mesmas Penas ● Quem PRATICA conjunção carnal ou ato libidinoso com menor de 18 e maior de 14 anos na situação descrita no caput; ● Proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as práticas do caput. Efeito obrigatório cassação da licença de funcionamento. Corrupção de Menores Art. 218. INDUZIR alguém menor de 14 anos a satisfazer a lascívia de outrem. Reclusão 2-5 anos Satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente Art. 218-A. PRATICAR, na presença de alguém menor de 14 anos, ou induzi-lo a presenciar, conjunção carnal ou outro ato libidinoso, a fim de satisfazer lascívia própria ou de outrem: Reclusão 2-4 anos https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 39 EXP OSI ÇÃO DA INTI MI DADE S EX UAL CRIME CONDUTA PENA Registro não autorizado da intimidade sexual Art. 216-B. PRODUZIR, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, conteúdo com cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo e privado SEM AUTORIZAÇÃO dos participantes. Pena Detenção 6 meses a 1 ano E multa Mesma pena para quem realiza montagem com fim de incluir pessoa em cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso. DO S CRIM ES CO NTRA A IN COLUMI DADE PÚ BLI CA CRIM ES DE P E RIGO CO MU M Esse tópico, por si, é pouco cobrado. São 9 crimes no total, contudo, apenas 2 realmente são cobrados: incêndio e explosão. Apenas a título de “conhecimento”, os demais são: 1. Uso de gás tóxico ou asfixiante 2. Inundação 3. Perigo de Inundação 4. Desabamento ou desmoronamento 5. Difusão de doença ou praga 6. Subtração, ocultação ou inutilização de material de salvamento 7. Fabrico, fornecimento, aquisição posse ou transporte de explosivos ou gás tóxico, ou asfixiante CRIME CONDUTA PENA Incêndio [MAIS COBRADO] Art. 250 - CAUSAR incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem Modalidades DolosaReclusão 3-6 anos + Multa Culposa Detenção 6-24 meses Aumento de pena 1/3 (DOLOSO) • Intuito de vantagem pecuniária • Casa habitada ou destinada à habitação • Edifício público • Poço petrolífero ou galera de mineração • Lavoura, pastagem, mata ou floresta • Estação ferroviária ou aeródromo • Estaleiro, fábrica ou oficina • Embarcação, aeronave, comboio ou veículo de uso coletivo • Depósito de explosivo, combustível ou inflamável Explosão Art. 251 - EXPOR a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, mediante explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou de substância de efeitos análogos Substância É dinamite ou análogo Dolosa Reclusão 3-6 anos + Multa Culposa Detenção 6-24 meses Substância NÃO é dinamite ou análogo Dolosa Reclusão 1-4 anos + Multa Culposa Detenção 3-12 meses Aumento de pena 1/3: mesmos casos do incêndio. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 40 Atenção, pois é muito cobrado! Formas qualificadas de crime de perigo comum (aplica-se a todos) DOLOSO CULPOSO Resulta lesão corporal - 1/2 Resulta lesão corporal GRAVE 1/2 - Resulta em MORTE Pena DOBRADA Pena do homicídio culposo 1/3 DO S CRIM ES CO NTRA A FÉ PÚ BLI CA Em relação aos crimes contra a fé pública as questões são bem literais. De um universo de +137 analisadas, apenas UMA cobrou a “decoreba” das penas, portanto, não as colocarei aqui, apenas a conduta e alguma observação necessária! FALSI DADE DE TÍTU LOS E OUT ROS P AP É IS PÚ BLI COS CRIME CONDUTA E OBSERVAÇÕES Falsificação de papéis públicos Art. 293 - FALSIFICAR, fabricando-os ou alterando-os: • Vale postal • Bilhete, passe ou conhecimento de empresa de transporte administrada pela U, E, M • Papel de crédito público que não seja moeda de curso legal • Selo destinado a controle tributário, papel selado ou qualquer papel de emissão legal destinado à arrecadação de tributo • Cautela de penhor, caderneta de depósito de caixa econômica ou de outro estabelecimento mantido por entidade de direito público • Talão, recibo, guia, alvará ou qualquer outro documento relativo a arrecadação de rendas públicas ou a depósito ou caução por que o poder público seja responsável Condutas com a mes ma p ena Usa, guarda, possui ou detém qualquer dos papéis falsificados a que se refere este artigo. Importa, exporta, adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda, fornece ou restitui à circulação selo falsificado destinado a controle tributário. Importa, exporta, adquire, vende, expõe à venda, mantém em depósito, guarda, troca, cede, empresta, fornece, porta ou, de qualquer forma, utiliza em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, produto ou mercadoria: • Em que tenha sido aplicado selo que se destine a controle tributário, falsificado; • Sem selo oficial, nos casos em que a legislação tributária determina sua obrigatoriedade. Equipara-se a atividade comercial, qualquer forma de comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercido em vias, praças ou outros logradouros públicos e em residências. Condutas com p ena dis tinta Suprimir, em qualquer desses papéis, quando legítimos, com o fim de torná-los novamente utilizáveis, carimbo ou sinal indicativo de sua inutilização. ➢ Incorre na mesma pena quem usa, depois de alterado, qualquer dos papéis citados acima Petrechos de falsificação Art. 294 - FABRICAR, ADQUIRIR, FORNECER, POSSUIR ou GUARDAR objeto especialmente destinado à falsificação de qualquer dos papéis referidos no artigo anterior. Aumento de Pena: 1/6 se o fato é cometido por funcionário público prevalecendo-se do cargo https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 41 FALSI DADE DO CU M ENT AL CRIME CONDUTA E OBSERVAÇÕES Falsificação do selo ou sinal público Art. 296 - FALSIFICAR, fabricando-os ou alterando-os: • Selo público destinado a autenticar atos oficiais da U, E, M • Selo ou sinal atribuído por lei a entidade de direito público, ou autoridade, ou sinal público de tabelião Aumento de Pena: 1/6 se o fato é cometido por funcionário público Incorre nas mesmas penas quem: ✓ Faz USO do selo ou sinal falsificado; ✓ Utiliza INDEVIDAMENTE o selo / sinal verdadeiro prejudicando outrem ou proveito próprio / alheio ✓ ALTERA, FALSIFICA ou FAZ USO INDEVIDO de marcas, logotipos, siglas ou quaisquer outros símbolos utilizados ou identificadores de órgãos ou entidades da Administração Pública. Falsificação Documento Público Art. 297 - FALSIFICAR, no todo ou em parte, documento público, ou ALTERAR documento público verdadeiro Equiparados ao doc. público • Emanado por paraestatal • Título ao portador - ex: cheque • Ações de sociedade comercial • Livros mercantis • Testamento particular § 3o Quem INSERE ou FAZ INSERIR: 1. Na folha de pag. ou doc destinado à previdência pessoa que NÃO possua a qualidade de segurado obrigatório 2. Na CTPS, documento contábil ou destinado à previdência declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita § 4o Quem OMITE nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. Falsificação Documento Particular Art. 298 - FALSIFICAR, no todo ou em parte, documento particular ou ALTERAR documento particular verdadeiro. Obs: Equipara-se a documento particular o cartão de crédito ou débito. Falsidade Ideológica Art. 299 - OMITIR, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele INSERIR ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com a finalidade de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante ➢ Funcionário público e prevalece do cargo, pena 1/6 ➢ Falsificação / alteração de assentamento de registro civil, pena 1/6 Falso reconhecimento de firma ou letra Art. 300 - RECONHECER, como verdadeira, no exercício de função pública, firma ou letra que o não seja: Doc. Público: reclusão 1-5 anos + multa Doc. Particular: reclusão 1-3 anos+ multa Certidão ou atestado ideologicamente falso Art. 301 - ATESTAR ou CERTIFICAR FALSAMENTE, em razão de função pública, fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem. Falsidade material de atestado ou certidão FALSIFICAR, no todo ou em parte, atestado ou certidão, ou ALTERAR O TEOR de certidão ou de atestado verdadeiro, para prova de fato ou circunstância que habilite alguém a obter cargo público, isenção de ônus ou de serviço de caráter público, ou qualquer outra vantagem: Falsidade Atestado Médico Art. 302 - DAR o médico, no exercício da sua profissão, atestado falso ➢ Se tem como fim o lucro, aplica-se também multa Reprodução ou adulteração de selo ou peça filatélica Art. 303 - REPRODUZIR ou ALTERAR selo ou peça filatélica que tenha valor para coleção, SALVO quando a reprodução ou a alteração está visivelmente anotada na face ou no verso do selo ou peça. Mesma pena: incorre quem, para fins de comércio, faz uso do selo ou peça filatélica. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 42 CRIME CONDUTA E OBSERVAÇÕES Uso de Doc. Falso Art. 304 - FAZER USO de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302 Supressão de documento Art. 305 - DESTRUIR, SUPRIMIR ou OCULTAR, em benefício próprio ou deoutrem, ou em prejuízo alheio, documento público ou particular verdadeiro, de que não podia dispor. Doc. Público: reclusão 2-6 anos + multa Doc. Particular: reclusão 1-5 anos+ multa Falsa Identidade Art. 307 - ATRIBUIR-SE ou ATRIBUIR a terceiro falsa identidade p/ obter vantagem, própria ou alheia, OU p/ causar dano a outrem. STJ (Súmula 522): A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica, ainda que em situação de alegada autodefesa Art. 308 - USAR, como próprio, passaporte, título de eleitor, caderneta de reservista ou qualquer documento de identidade alheia ou CEDER a outrem, para que dele se utilize, documento dessa natureza, próprio ou de terceiro. OUT RAS FALSI DADE S CRIME CONDUTA E OBSERVAÇÕES Falsa Identidade Art. 307 - ATRIBUIR-SE ou ATRIBUIR a terceiro falsa identidade p/ obter vantagem, própria ou alheia, OU p/ causar dano a outrem. STJ (Súmula 522): A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica, ainda que em situação de alegada autodefesa Art. 308 - USAR, como próprio, passaporte, título de eleitor, caderneta de reservista ou qualquer documento de identidade alheia ou CEDER a outrem, para que dele se utilize, documento dessa natureza, próprio ou de terceiro. Fraudes em certames de interesse público Art. 311-A. UTILIZAR ou DIVULGAR, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem, ou de comprometer a credibilidade do certame, conteúdo SIGILOSO de: • Concurso público • Avaliação ou exame públicos • Processo seletivo para ingresso no ensino superior • Exame ou processo seletivo previstos em lei Mesmas penas incorre quem permite ou facilita, por qualquer meio, o acesso de pessoas não autorizadas às informações mencionadas. 1/3 se o fato é cometido por funcionário público https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 43 DO S CRIM ES CO NTRA A ADMIN IST RAÇÃO P ÚB LI CA STJ (Súmula 599): O princípio da insignificância é inaplicável aos crimes contra a administração pública. CRIM ES PRATI CADO S PO R FUN CION ÁRI O P ÚB LI CO (CRI MES PRÓP RIOS ) CO N CEI TO DE FUN CION ÁRI O P ÚB LI CO Art. 327 - Funcionário público: quem, embora transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública – EX: jurados, mesários, estagiários, etc. Aplica-se inclusive aos agentes políticos eletivos. § 1º - Equiparado: quem exerce cargo, emprego ou função em entidade paraestatal, e quem trabalha para empresa prestadora contratada ou conveniada para a execução de atividade TÍPICA da ADMP § 2º - Aumento de Pena: 1/3 se ocupantes de cargos em comissão ou função da ADMD, SEM, EP ou FUND - Cuidado! NÃO se aplica às AUT, porém o STF entende que a majorante se APLICA aos agentes políticos detentores de cargos eletivos. CRIM ES CRIME CONDUTA OBSERVAÇÃO Peculato Dica! PEgar APROPRIAR-SE de $$ ou bem móvel público ou particular, de que TEM A POSSE em razão do cargo, ou DESVIÁ-LO, em proveito próprio ou alheio. Peculato-apropriação: indivíduo age como se fosse dono (levar PC p/ casa). Peculato-desvio: indivíduo desvia o bem, sendo IRRELEVANTE se consegue proveito (FORMAL). Peculato Furto / doloso NÃO TENDO A POSSE , SUBTRAI ou CONCORRE p/ que seja subtraído, VALENDO-SE de facilidade que lhe proporciona por ser funcionário. EX: é o caso de, por ter acesso aos escritórios, o funcionário furta um PC. Peculato Culposo CONCORRER culposamente (imperícia, negligência ou imprudência) para o crime de outrem. Reparação do dano NÃO admite tentativa Peculato mediante erro de outrem APROPRIAR-SE de $$ ou qualquer utilidade que, no exercício do cargo, recebeu por erro de outrem – ERRO ESPONTÂNEO, sem provocação. CONSUMAÇÃO: no momento em que, tendo a posse da coisa, dela se apropria. *PECULATO-ESTELIONATO* Inserção de dados falsos em Sist. de Inform. Inserir ou facilitar, o FUNCIONÁRIO AUTORIZADO, a inserção de dados falsos, alterar ou excluir dados corretos, com o FIM de obter vantagem indevida ou causar dano. FORMAL CONSUMAÇÃO: momento em que as informações falsas passam a fazer parte do sistema de informações. Modificação ou alteração não autorizada de Sist. de Inform. Modificar ou alterar, o FUNCIONÁRIO, S.I, sem autorização. MERA CONDUTA CONSUMAÇÃO: alteração ou modificação. SE DANO: 1/3 a 1/2. Extravio, sonegação ou inutilização de livro ou documento Extraviar livro oficial ou documento de que tem a guarda em razão do cargo; sonegá-lo ou inutiliza-lo, total ou parcialmente. - Deve haver DOLO MERA CONDUTA - CONSUMAÇÃO: realização das condutas, sendo irrelevante a ocorrência de dano para a ADMP. Emprego irregular de verbas públicas Dar às verbas públicas APLICAÇÃO DIVERSA da estabelecida em lei. Cuidado! Apropriação = PECULATO. FORMAL CONSUMAÇÃO: aplicação irregular de verbas públicas, não bastando a simples indicação sem execução. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 44 CRIME CONDUTA OBSERVAÇÃO Concussão [Cai Muito!] EXIGIR , p/ si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função, ou antes de assumi-la, mas em razão dela, VANTAGEM INDEVIDA - desvio de função. FORMAL CONSUMAÇÃO: ocorre com a EXIGÊNCIA. CUIDADO! Se pessoa entregar valor, ela NÃO pratica Corrupção Ativa Excesso de exação EXIGIR tributo que sabe ou deveria saber indevido ou, quando devido, emprega na cobrança meio vexatório; QUALIFICADO: autor DESVIA o que recebeu indevidamente, para si ou 3º. FORMAL CONSUMAÇÃO: momento da exigência ou do emprego do meio vexatório ou gravoso. Corrupção passiva SOLICITAR ou RECEBER, para si ou 3º, ainda que fora da função, ou antes de assumi-la, mas em razão dela, VANTAGEM INDEVIDA, ou ACEITAR promessa de vantagem. QUALIFICADO: em consequência da vantagem, o funcionário retarda ou deixa de praticar ato ou o pratica infringindo dever - 1/3 FORMAL CONSUMAÇÃO • Momento em que a solicitação chega ao conhecimento do terceiro • Receber • Aceitar a promessa. Cuidado! Receber ou não, não influencia p/ ser crime consumado. Basta que a solicitação chegue ao conhecimento 3º Facilitação de contrabando ou descaminho FACILITAR, com infração de dever funcional, a prática de contrabando ou descaminho. Se for sem infração do dever funcional, ele pratica o próprio contrabando ou descaminho. FORMAL CONSUMAÇÃO: realização da facilitação, seja comissiva (ex: aconselhar) ou omissiva (ex: não criar obstáculos). Prevaricação (própria) RETARDAR ou DEIXAR DE PRATICAR ato de ofício, ou praticá- lo contra disposição legal, para SATISFAZER interesse ou sentimento PESSOAL – dolo específico. FORMAL CONSUMAÇÃO: omissão, realização ou retardamento do ato. Cuidado! NÃO HÁ necessidade de vantagem indevida. Prevaricação imprópria DEIXAR o Diretor de Penitenciária e/ou agente de cumprir seu dever de vedar ao preso acesso a CELULAR – o dolo é genérico OMISSIVO PRÓPRIO CONSUMAÇÃO: acesso do preso ao aparelho telefônico, ainda que não consiga utilizá-lo. Condescendência criminosa DEIXAR, por INDULGÊNCIA (dó), de responsabilizar subordinado que cometeu infração, ou se lhe falta competência, não levar ao conhecimento do competente. OMISSIVO PRÓPRIO CONSUMAÇÃO: simples conduta negativa. NÃO admite tentativa Advocacia adm. PATROCINAR (facilitar, advogar) interesse PRIVADO (legítimo ou ilegítimo) perante a ADMP, valendo-se da qualidade de funcionário. Agravante: se interesse é ILEGÍTIMO. FORMAL CONSUMAÇÃO: realizaçãodo 1º ato de patrocínio, independentemente da obtenção do resultado pretendido Abandono de função Abandonar cargo, fora dos casos permitidos em lei – só cometido por funcionário investido em CARGO. OMISSIVO PRÓPRIO CONSUMAÇÃO: afastamento do cargo por tempo juridicamente relevante. NÃO admite tentativa Exercício funcional ilegalmente antecipado ou prolongado Entrar no exercício antes de satisfeitas as exigências legais ou continuar a exercê-la, SEM autorização, depois de saber oficialmente que foi exonerado, removido, substituído ou suspenso. FORMAL CONSUMAÇÃO: momento em que o funcionário pratica o primeiro ato de ofício. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 45 CRIME CONDUTA OBSERVAÇÃO Violação de sigilo funcional REVELAR fato de que tem ciência em razão do cargo (aposentado tbm), e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação – crime que possui caráter subsidiário FORMAL CONSUMAÇÃO: momento do ato da revelação do segredo. Por ser. NÃO existe na modalidade culposa, pois exige-se dolo. Violação de sigilo funcional de Sist. de Inform. Permitir ou facilitar o acesso de pessoas não autorizadas a S.I ou D.B da ADMP; utilizar, indevidamente, o acesso restrito. CONSUMAÇÃO: momento da permissão ou facilitação. Ex: emprestar senha. Violação sigilo de proposta de concorrência Devassar o sigilo de proposta de concorrência ou proporcionar a terceiro o ensejo de devassá-lo. MATERIAL CONSUMAÇÃO: momento em que o funcionário ou o terceiro toma conhecimento do conteúdo da proposta. Violência arbitrária Praticar violência, no exercício de função ou a pretexto de exercê-la CONSUMAÇÃO: prática da violência. Art. 92 - São também efeitos da condenação: I - PERDA de cargo, função pública ou mandato eletivo: a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo > 1 ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a ADMP; b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo > 4 anos nos demais casos. CRIM ES PRATI CADO S PO R PARTI CULAR CO NTRA A ADM . (CRIMES CO MUNS ) São crimes COMUNS praticados tanto por particulares, quanto por funcionários públicos quando NÃO investidos nessa qualidade (ou seja, age como particular). CRIM ES CRIME CONDUTA CONSUMAÇÃO Usurpação de função pública USURPAR o exercício de função pública - sujeito não tinha vínculo anterior com a ADMP. Se do fato o agente aufere vantagem, então é tipo qualificado O crime é consumado com a prática do primeiro ato de ofício, independente do resultado (FORMAL), ou seja, não importando se o exercício da função usurpada é gratuito ou oneroso. Resistência Violência OPOR-SE execução de ato LEGAL por VIOLÊNCIA ou AMEAÇA à funcionário competente ou a quem lhe esteja prestando auxílio – a violência deve ser dirigida o funcionário e não a “coisa”. QUALIFICADO: se o ato, em razão da resistência, não se executa. É delito FORMAL, consumando-se no momento da violência ou ameaça. → Caso haja concurso de crimes, são aplicadas todas as penas. Ex: Lesão Corporal + Resistência – aplica-se ambas as penas! Desobediência Sem violência DESOBEDECER à ordem LEGAL de funcionário público. → Se funcionário, nessa qualidade, desobedecer, há PREVARICAÇÃO . O crime é consumado com a ação ou omissão (OMISSIVO PRÓPRIO) do desobediente. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 46 CRIME CONDUTA CONSUMAÇÃO Desacato Desacatar funcionário público no EXERCÍCIO da função ou EM RAZÃO dela. Ex: juiz está em um supermercado e alguém o chama de ladrão (desacato em razão da função). O crime é consumado com o ato ofensivo. É um crime FORMAL. → Ato deve ser presenciado pelo sujeito passivo (telefone, e-mail, etc. NÃO vale ⇾ injúria) → Funcionário público só comete desacato na qualidade de PARTICULAR. NÃO admite tentativa Tráfico de influência Solicitar, exigir, cobrar ou obter, para si ou outrem, vantagem ou promessa, a PRETEXTO DE INFLUIR em ato praticado por funcionário público no exercício da função. → Particular alega ter prestígio junto a funcionário, engana vítima através da promessa de poder influenciar em algum ato do Poder Público. Pena aumentada da 1/2 se o agente alega ou insinua que a vantagem é também destinada ao funcionário. No verbo obter, trata-se de CRIME MATERIAL e a consumação ocorre no momento em que o sujeito obtém a vantagem (ou a promessa). Nos verbos solicitar, exigir e cobrar, temos o CRIME FORMAL e a consumação opera-se com a simples ação do sujeito. Muitíssimo cuidado p/ não confundir com exploração de prestígio (CCAJ) Corrupção ativa OFERECER ou PROMETER vantagem indevida a funcionário público, PARA praticar, omitir ou retardar ato de ofício. → Cuidado! Os verbos são oferecer e prometer. Não existe previsão legal pela ação nuclear “entregar” Pena aumentada de 1/3 se, em razão da vantagem ou promessa, o funcionário retarda ou omite ato de ofício ou o pratica infringindo dever. O crime é FORMAL e consuma-se quando funcionário público toma conhecimento da oferta ou promessa. → Segundo a jurisprudência, se particular oferece vantagem p/ que funcionário não pratique ato ilegal, NÃO HÁ crime. → Se ato já foi praticado, o oferecimento não constitui crime, e sim fato atípico por ausência do fim especial. Inutilização de edital ou de sinal - Rasgar ou inutilizar ou conspurcar (sujar, manchar, macular) edital afixado por ordem de funcionário; - Violar ou inutilizar selo ou sinal empregado, por determinação legal ou por ordem de funcionário público para identificar ou cerrar qualquer objeto. Trata-se de crime MATERIAL. Consuma- se o delito com o ato de rasgar, inutilizar, conspurcar ou violar. Subtração ou inutilização de livro ou documento Subtrair ou inutilizar, total ou parcialmente, livro oficial, processo ou documento confiado à custódia de funcionário em razão de ofício ou de particular em serviço público. Crime MATERIAL e consumado com a subtração ou efetivação da inutilização Contrabando Dica! Counterfeit em inglês é “falsificado” IMPORTAR ou EXPORTAR mercadoria PROIBIDA → Pena: 2 a 5 anos reclusão A pena aplica-se em dobro se o crime de contrabando é praticado em transporte aéreo, marítimo ou fluvial. Incorre na mesma pena quem: Importa ou exporta clandestinamente mercadoria que depende de registro ou autorização; Importante! Reinsere no território nacional mercadoria BRA destinada à exportação. Vende, expõe à venda, deposita ou utiliza mercadoria proibida por lei; Adquire, recebe ou oculta mercadoria proibida. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 47 CRIME CONDUTA CONSUMAÇÃO Descaminho ILUDIR, no todo ou em parte, o pagamento de direito ou IMPOSTO devido pela entrada, pela saída ou pelo consumo de mercadoria → Pena: 1 a 4 anos reclusão A pena aplica-se em dobro se o crime de descaminho é praticado em transporte aéreo, marítimo ou fluvial. Incorre na mesma pena quem: Cabotagem não permitida; Pratica fato assimilado; Vende, expõe à venda, deposita ou utiliza mercadoria introduzida clandestinamente; Adquire, recebe ou oculta mercadoria estrangeira sem documentação ou com essa falsa. CO NSI DERAÇÕ ES Concurso de Pessoas: supondo que um funcionário público A cometa crime de peculato junto com um particular B, estranho ao quadro da ADMP. De acordocom o Art. 30, desde que B saiba que A era funcionário público, B responderá JUNTAMENTE pelo crime de peculato – ser funcionário público é elementar ao crime Art. 30 - Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal (circunstâncias subjetivas), SALVO quando elementares do crime. Explica-se: visa impedir que circunstâncias e condições de caráter pessoal de um dos autores ou partícipes sirva para beneficiar ou prejudicar os demais. Como no caso de peculato é elementar que um dos autores seja funcionário público, aplica-se a ressalva, desde que o coautor saiba da qualidade do autor. CRIM ES CONT RA A ADMI NIST RAÇÃO DA JU STI ÇA CRIME CONDUTA OBSERVAÇÃO Denunciação caluniosa Dar causa à INSTAURAÇÃO de: • Instauração de INQUÉRITO POLICIAL • Procedimento investigatório CRIMINAL • Processo JUDICIAL • Processo administrativo DISCIPLINAR • Inquérito CIVIL; • Ação de improbidade administrativa; [...] CONTRA ALGUÉM , imputando-lhe CRIME, infração ético disciplinar ou ato ímprobo de que o sabe inocente. Para a consumação é necessário que a autoridade tenha adotado alguma providência → Crime MATERIAL 1/6 se anonimato ou nome falso (nome suposto) 1/2 se imputação é de CONTRAVENÇÃO. Elemento subjetivo: DOLO, não admitindo forma culposa. Comunicação falsa de crime ou de contravenção PROVOCAR a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime ou contravenção que SABE não se ter verificado. Para a consumação é necessário que a autoridade tenha praticado algum ato → Crime MATERIAL Comunicação falsa à PM NÃO configura o delito. Elemento subjetivo: DOLO. Autoacusação falsa ACUSAR-SE, perante a autoridade, de CRIME inexistente OU praticado por outrem. Consumado no momento em que a autoridade toma conhecimento, pouco importando se toma providência. CUIDADO! NÃO pratica o crime quem assume sozinho a prática de um crime do qual participou (EX: um casal assalta, mas apenas o marido assume). Objeto NÃO pode ser contravenção penal. Se a confissão se der mediante coação, NÃO há crime. Exploração de prestígio SOLICITAR ou RECEBER dinheiro ou qualquer outra utilidade, a pretexto de INFLUIR em juiz, jurado, órgão do MP, funcionário de justiça, perito, tradutor, intérprete ou testemunha. 1/3 se o agente alega que o dinheiro também se destina a qualquer das pessoas referidas. Atenção, redação alterada em 2020 https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 48 CRIME CONDUTA OBSERVAÇÃO Coação no curso do processo USAR de violência ou grave ameaça , COM O FIM de favorecer interesse próprio ou alheio, em processo JUDICIAL, POLICIAL ou ADM, OU JUÍZO ARBITRAL. Se da violência resultar ferimento = Lesão Corporal + Coação Falso testemunho ou falsa perícia FAZER afirmação falsa, ou negar a verdade ou calar a verdade COMO testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete em: • Processo JUDICIAL • INQUÉRITO policial – Inquérito CIVIL não • Processo ADM • Juízo ARBITRAL 1/6 a 1/3 Se praticado mediante suborno OU com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo PENAL (qualquer) ou CIVIL (quando for parte ADMD ou ADMI). EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE: se, ANTES DA SENTENÇA agente se retrata ou diz a verdade Obs: sentença RECORRÍVEL, em regra, de 1º grau É CRIME PRÓPRIO (exige condição especial do autor) E DE MÃO PRÓPRIA (não admite coautoria). Crime só punido a título doloso, i.e, a pessoa tem a intenção de dar o falso testemunho. Corrupção Ativa de testemunha (...) Dar, oferecer ou prometer dinheiro ou outra vantagem a testemunha, perito, contador, tradutor ou intérprete, PARA fazer afirmação falsa, negar ou calar a verdade (DOLOSO). 1/6 a 1/3 se cometido com o fim de obter prova destinada a produzir efeito em processo PENAL ou CIVIL (quando for parte ADMD ou ADMI). Exercício arbitrário das próprias razões Fazer justiça pelas próprias mãos, PARA satisfazer pretensão, embora LEGÍTIMA1, SALVO se a lei o permite (legítima defesa). • SEM violência = queixa (AÇÃO PRIVADA) • COM violência = AÇÃO PÚBLICA Tirar, suprimir, destruir ou danificar coisa própria, que se acha em poder de terceiro por determinação judicial ou convenção. 1Legítima: punição que o Judiciário poderia aplicar, se provocado. Fraude processual INOVAR artificiosamente, no processo CIVIL ou ADM, o estado de lugar, coisa ou pessoa, com o FIM DE induzir a erro o juiz ou o perito. 2x se processo PENAL, AINDA QUE não iniciado. EX: limpar a cena do crime, retirar manchas de sangue, etc. Desobediência a decisão judicial sobre perda ou suspensão de direito EXERCER função, atividade, direito, autoridade ou múnus, de que foi suspenso ou privado por decisão JUDICIAL. Crime PRÓPRIO, pois somente quem sofreu a decisão judicial inibitória é que poderá praticá-lo. DO S CRIM ES CO NTRA A P AZ PÚ BLI CA CONDUTA OBSERVAÇÃO Incitação ao crime Art. 286 - Incitar, publicamente, a prática de crime. Pena Detenção 3-6 meses OU multa. Apologia de crime ou criminoso Art. 287 - Fazer, publicamente, apologia de fato criminoso ou de autor de crime. Pena Detenção 3-6 meses OU multa. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 49 CONDUTA OBSERVAÇÃO Associação Criminosa Art. 288. Associarem-se 3 ou mais pessoas, para o fim específico de cometer crimes. Pena Reclusão 1-3 anos. Associação armada ou participação de criança ou adolescente: pena aumentada até ↑1/2. Constituição de milícia privada Art. 288-A. Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes do Código Penal. Pena Reclusão 4-8 anos. DO S CRIM ES CO NTRA A O RG ANIZ AÇÃO DO TRABALHO CONDUTA OBSERVAÇÃO Atentado contra a liberdade de trabalho Art. 197 - Constranger alguém, mediante VIOLÊNCIA ou GRAVE AMEAÇA: Pena A exercer ou não exercer arte, ofício, profissão ou indústria, ou a trabalhar ou não trabalhar durante certo período ou em determinados dias. Detenção 1 mês a 1 ano E multa, além da pena correspondente à violência. A abrir ou fechar o seu estabelecimento de trabalho, ou a participar de parede ou paralisação de atividade econômica: Detenção 3 meses a 1 ano E multa, além da pena correspondente à violência. Atentado contra a liberdade de contrato de trabalho e boicotagem violenta Art. 198 - Constranger alguém, mediante VIOLÊNCIA ou GRAVE AMEAÇA, a celebrar contrato de trabalho, ou a não fornecer a outrem ou não adquirir de outrem matéria-prima ou produto industrial ou agrícola. Pena Detenção 1 mês a 1 ano E multa, além da pena correspondente à violência. Atentado contra a liberdade de associação Art. 199 - Constranger alguém, mediante VIOLÊNCIA ou GRAVE AMEAÇA, a participar ou deixar de participar de determinado sindicato ou associação profissional. Pena Detenção 1 mês a 1 ano E multa, além da pena correspondente à violência. Paralisação de trabalho, seguida de violência ou perturbação da ordem Art. 200 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, praticando VIOLÊNCIA contra pessoa ou contra coisa. Pena Detenção 1 mês a 1 ano E multa, além da pena correspondente à violência. Abandono Coletivo: indispensável o concurso de, pelo menos, 3 empregados. Paralisação de trabalho de interesse coletivo Art. 201 - Participar de suspensão ou abandono coletivo de trabalho, provocando a INTERRUPÇÃO de obra pública ou serviço de interesse coletivo. Pena Detenção 6 meses a 2 anos E multahttps://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 50 CONDUTA OBSERVAÇÃO Invasão de estabelecimento industrial, comercial ou agrícola. Sabotagem Art. 202 - Invadir ou ocupar estabelecimento industrial, comercial ou agrícola, com o intuito de impedir ou embaraçar o curso normal do trabalho, ou com o mesmo fim danificar o estabelecimento ou as coisas nele existentes ou delas dispor. Pena Reclusão 1-3 anos E multa. Frustração de direito assegurado por lei trabalhista Art. 203 - Frustrar, mediante FRAUDE ou VIOLÊNCIA, direito assegurado pela legislação do trabalho. Pena Detenção 1-2 anos E multa., além da pena correspondente à violência. Vítima menor de 18 anos, idosa, gestante, indígena ou PCD: pena aumentada de ↑1/6 a ↑1/3. Mesma Pena 1. Obriga ou coage alguém a usar mercadorias de determinado estabelecimento, para impossibilitar o desligamento do serviço em virtude de dívida; 2. Impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, mediante coação ou por meio da retenção de seus documentos pessoais ou contratuais. Frustração de lei sobre a nacionalização do trabalho Art. 204 - Frustrar, mediante FRAUDE ou VIOLÊNCIA, obrigação legal relativa à nacionalização do trabalho. Pena Detenção 1 mês a 1 ano E multa, além da pena correspondente à violência. Exercício de atividade com infração de decisão administrativa Art. 205 - EXERCER atividade, de que está impedido por decisão administrativa. Pena Detenção 3 meses a 2 anos OU multa. Aliciamento para o fim de emigração Art. 206 - RECRUTAR trabalhadores, mediante fraude, com o fim de levá-los para território estrangeiro. Pena Detenção 1-3 anos E multa. Aliciamento de trabalhadores de um local para outro do território nacional Art. 207 - ALICIAR trabalhadores, com o fim de levá-los de uma para outra localidade do território nacional. Pena Detenção 1-3 anos E multa. Vítima menor de 18 anos, idosa, gestante, indígena ou PCD: pena aumentada de ↑1/6 a ↑1/3. DO S CRIM ES CONT RA O S ENTI MEN TO RE LIGIO SO E CONT RA O RES PEIT O AOS M O RTOS CONDUTA OBSERVAÇÃO Ultraje a culto e impedimento ou perturbação de ato a ele relativo Art. 208 - ESCARNECER de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; IMPEDIR ou PERTURBAR cerimônia ou prática de culto religioso; VILIPENDIAR publicamente ato ou objeto de culto religioso. Pena Detenção 1 mês a 1 ano OU multa. Emprego de violência: pena aumentada ↑1/3, sem prejuízo da correspondente à violência. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 51 CONDUTA OBSERVAÇÃO Impedimento ou perturbação de cerimônia funerária Art. 209 - IMPEDIR ou PERTURBAR enterro ou cerimônia funerária. Pena Detenção 1 mês a 1 ano OU multa. Emprego de violência: pena aumentada ↑1/3, sem prejuízo da correspondente à violência. Violação de sepultura Art. 210 - VIOLAR ou PROFANAR sepultura ou urna funerária Pena Reclusão 1-3 anos E multa. Destruição, subtração ou ocultação de cadáver Art. 211 - Destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele Pena Reclusão 1-3 anos E multa. Vilipêndio a cadáver Art. 212 - VILIPENDIAR cadáver ou suas cinzas Pena Detenção 1-3 anos E multa. DO S CRIM ES CO NTRA A P RO PRIE DADE I MAT ERIAL Violação de direito autoral Art. 184. VIOLAR direitos de autor e os que lhe são conexos. • Detenção, 3 meses a 1 ano OU multa • Procede-se mediante QUEIXA • Ação Penal Pública INCONDICIONADA se em desfavor de entidades públicas, empresa pública ou Soc. Econ. Mista O disposto acima NÃO se aplica quando: 1. Se tratar de exceção ou limitação ao direito de autor; 2. Cópia, em um só exemplar, para uso privado do copista, SEM intuito de lucro. D e m a is C o n d u ta s Se a violação consistir em reprodução total ou parcial, com intuito de LUCRO direto ou indireto, sem autorização EXPRESSA. Reclusão 2-4 anos E multa Ação Penal Pública INCONDICIONADA Distribui, vende, expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, tem em depósito, original ou cópia de obra com violação do direito de autor, ou, ainda, aluga original ou cópia de obra intelectual ou fonograma, sem a expressa autorização com intuito de LUCRO. Reclusão 2-4 anos E multa Ação Penal Pública INCONDICIONADA Se a violação consistir no oferecimento ao público, mediante cabo, fibra ótica, satélite, ondas ou qualquer outro sistema, com intuito de LUCRO, sem autorização expressa - basicamente criminaliza o "Gato Net". Reclusão 2-4 anos E multa Ação Penal Pública CONDICIONADA https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 52 DO S CRIM ES CO NTRA AS FIN AN ÇAS PÚB LI CAS (LEI 10.028/ 0 0) CONDUTA OBSERVAÇÃO Contratação de operação de crédito Art. 359-A. Ordenar, autorizar ou realizar operação de crédito, interno ou externo, sem prévia autorização legislativa. Pena Reclusão de 1-2 anos. Mesma pena quem ordena, autoriza ou realiza operação de crédito, interno ou externo: • Com inobservância de limite, condição ou montante estabelecido em lei ou em resolução do Senado Federal; • Quando o montante da dívida consolidada ultrapassa o limite máximo autorizado por lei. Inscrição de despesas não empenhadas em restos a pagar Art. 359-B. Ordenar ou autorizar a inscrição em restos a pagar, de despesa que não tenha sido previamente empenhada ou que exceda limite estabelecido em lei. Pena Detenção 6 meses a 2 anos. Assunção de obrigação no último ano do mandato ou legislatura Art. 359-C. Ordenar ou autorizar a assunção de obrigação, nos 2 últimos quadrimestres do último ano do mandato ou legislatura, cuja despesa não possa ser paga no mesmo exercício financeiro ou, caso reste parcela a ser paga no exercício seguinte, que não tenha contrapartida suficiente de disponibilidade de caixa. Pena Reclusão de 1-4 anos. Ordenação de despesa não autorizada Art. 359-D. Ordenar despesa não autorizada por lei. Pena Reclusão de 1-4 anos. Prestação de garantia graciosa Art. 359-E. Prestar garantia em operação de crédito sem que tenha sido constituída contragarantia em valor igual ou superior ao valor da garantia prestada, na forma da lei. Pena Detenção 3 meses a 1 ano. Não cancelamento de restos a pagar Art. 359-F. Deixar de ordenar, de autorizar ou de promover o cancelamento do montante de restos a pagar inscrito em valor superior ao permitido em lei. Pena Detenção 6 meses a 2 anos. Aumento de despesa total com pessoal no último ano do mandato ou legislatura Art. 359-G. Ordenar, autorizar ou executar ato que acarrete aumento de despesa total com pessoal, nos 180 dias anteriores ao final do mandato ou da legislatura. Pena Reclusão de 1-4 anos. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 53 CONDUTA OBSERVAÇÃO Oferta pública ou colocação de títulos no mercado Art. 359-H. Ordenar, autorizar ou promover a oferta pública ou a colocação no mercado financeiro de títulos da dívida pública sem que tenham sido criados por lei ou sem que estejam registrados em sistema centralizado de liquidação e de custódia. Pena Reclusão de 1-4 anos. EXTRA – QUESTÕES (TEC) São questões de várias bancas (basta excluir das questões as bancas que não te interessam) e níveis (questões simples às complexas). Complemente esse caderno com questões que você já selecionou como favoritas / importantes, para revisarnas semanas anteriores à prova. Aliando este resumo com a resolução de questões você certamente estará MUITO bem preparado(a)! Link: https://tec.ec/s/Qb8hp https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br51 Dos Crimes Contra as Finanças Públicas (Lei 10.028/00) ................................................................................................................... 52 Extra – Questões (TEC) ............................................................................................................................................................... 53 https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 02 GLOSSÁRIO DE SIGLAS SIGLA SIGNIFICADO ADCT Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADM Administração / Administrativo / Administrador ADMD Administração Direta ADMI Administração Indireta ADMP Administração Pública ADMPF Administração Pública Federal ADMT Administração Tributária AMF Anexo de Metas Fiscais ARO Antecipação de Receita Orçamentária AUT Autarquia BRA Brasil C&T Ciência e Tecnologia CA Créditos Adicionais CASP Contabilidade Aplicada ao Setor Público CD Câmara dos Deputados CF Constituição Federal CMPOF Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização CN Congresso Nacional CS Capital Social ou Contribuições Sociais CTN Código Tributário Nacional DA Dívida Ativa DC Demonstrações Contábeis DK e DC Despesa de Capital e Despesa Corrente, respectivamente DOCC Despesa Obrigatória de Caráter Continuado DP Defensoria Pública DRU Desvinculação das Receitas da União EC Emenda Constitucional EP/SEM Empresa Pública / Sociedade de Economia Mista FAT Fundo de Amparo ao Trabalhador FPE Fundo de Participação dos Estados e DF FPM Fundo de Participação dos Municípios FUNDEF Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério FUP Fundação Pública i.e. Id Est = "Isto é" (ou seja, em outras palavras...) LC Lei Complementar LDO Lei de Diretrizes Orçamentárias LET Legislação Tributária LO Lei Ordinária https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 03 SIGLA SIGNIFICADO LOA Lei Orçamentária Anual LOAS Lei Orgânica da Assistência Social LRF Lei de Responsabilidade Fiscal LTN Letras do Tesouro Nacional MP Ministério Público MPV Medida Provisória OF Orçamento Fiscal OI Orçamento de Investimento ORC Outras Receitas Correntes OS Orçamento da Seguridade Social P.A.R.T Program Assessment Rating Tool PAC Programa de Aceleração do Crescimento PCPR Prestação de Contas do Presidente da República PEC Proposta de Emenda Constitucional PGFN Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PL Patrimônio Líquido / Projeto de Lei Ordinária PLC Projeto de Lei Complementar PLEN Plenário PPA Plano Plurianual PR Presidente / Presidência da República RAP Restos a Pagar RCL Receita Corrente Líquida RGF Relatório de Gestão Fiscal RGPS Regime Geral de Previdência Social RK Receita de Capital RPPS Regime Próprio de Previdência Social RREO Relatório Resumido da Execução Orçamentária SF Senado Federal SI Sistema(s) de Informação(ões) SL Sessão Legislativa SOF Secretaria de Orçamento Federal STN Secretaria do Tesouro Nacional TC / TCM / TCE / TCU Tribunal de Contas (Municipal, Estadual e da União, respectivamente) TN Tesouro Nacional U, E, DF e M União, Estados, Distrito Federal e Municípios VPA Variações Patrimoniais Aumentativas VPD Variações Patrimoniais Diminutivas https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 04 DA LEI PENAL CRIME: pena de reclusão ou detenção, com ou sem multa. > CONTRAVENÇÃO: isoladamente, prisão simples (não admite regime fechado) ou de multa, ou ambas. PRI N CÍPI OS DO DI REITO P ENAL Alteridade: NINGUÉM pode ser punido por causar mal APENAS a si. Subsidiariedade: DIPEN somente deverá atuar quando todos os demais ramos do Direito forem insuficientes Fragmentariedade: está relacionado à IMPORTÃNCIA do bem jurídico para a sociedade, assim o DIPEN só tutela aqueles bens especialmente relevantes. Consunção | Absorção: aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas com existência de um nexo de dependência. De acordo com tal princípio o crime fim ABSORVE o crime meio. Anterioridade + Legalidade + Reserva Legal: CF/88 - Art. 5º/XXXIX - NÃO há crime sem LEI anterior que o defina, NEM pena sem prévia cominação legal – Lei em sentido estrito [MPV NÃO, SALVO se + benéfica]. ▪ NÃO há punição durante o período de vacatio legis – lei ineficaz Insignificância | Bagatela: mínima ofensividade da conduta, ausência de periculosidade social, reduzido grau de reprovabilidade e inexpressividade da lesão jurídica. ▪ O princípio atua EXCLUINDO a TIPICIDADE da conduta (= não há crime) STJ (HC 60.949): pequeno valor da res furtiva NÃO se traduz, AUTOMATICAMENTE, na aplicação da insignificância. Há que se conjugar a importância do objeto para a vítima. STJ Entende que o princípio é inaplicável aos crimes contra Adm. Pública (Súmula 599), com exceção do crime de descaminho (conforme AgRg no REsp 1.346.879) X STF NÃO está em conformidade com essa tese (vide HC 107.370, HC 112.388 e HC 87.478). Para o Supremo deve haver análise do caso concreto. Intranscendência | Personalidade da Pena | Pessoalidade da Pena: CF/88 - Art. 5º/XLV - NENHUMA pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, estendidas aos sucessores e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; LEI P ENAL Lei Penal Incriminadora: CRIAM crimes e COMINAM penas; Lei Penal NÃO Incriminadora: NÃO criam delitos NEM cominam penas, sendo subdividas em: PERMISSIVAS: autorizam a prática de condutas típicas. Ex: Art. 23 - NÃO há crime quando o agente pratica o fato: I - em estado de necessidade [...] INTERPRETATIVAS / EXPLICATIVA: explicam determinado conceito. Ex: Art. 327 - Considera-se funcionário público, para os efeitos penais [...]. EXCULPANTES: não culpabilidade ou caracteriza a impunidade. Ex: Art. 312, §3º: No caso do peculato culposo, a reparação do dano, se precede à sentença irrecorrível, extingue a punibilidade INTE RP RET AÇÃO E AN ALOGI A DA LEI P ENAL Interpretação Extensiva: ADMITIDA em direito penal para estender o sentido e o alcance da norma. Interpretação Analógica: intérprete utiliza-se de elementos GENÉRICOS fornecidos pela própria lei, permitindo AMPLIAÇÃO do seu conteído – exposição de motivos NÃO é modalidade de interpretação autêntica Cuidado! Interpretação analógica e analogia são DIFERENTES. O primeiro é perfeitamente possível, já o segundo só quando em benefício do réu. Analogia: finalidade de SUPRIR LACUNAS (INTEGRAÇÃO), aplicando a um caso não previsto pelo legislador a norma que rege caso semelhante. Existem 2 tipos: https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 05 Analogia in malam partem: supre a lacuna PREJUDICANDO ao réu. Isto NÃO é possível, pois, segundo o STF / STJ, há violação do princípio da reserva legal. Analogia in bonam partem: aplica-se ao caso omisso uma norma FAVORÁVEL ao réu. É APLICÁVEL, a fim de EXTINGUIR a punibilidade (continua havendo crime, mas não há punição) LEI P ENAL NO T EM P O REGRA GERAL: lei penal incide sobre fatos ocorridos durante a sua vigência (tempus regit actum). CF/88 -Art. 5º/XL - a lei penal não retroagirá, SALVO para beneficiar o réu; Novatio Legis in MELLIUS: lei posterior que beneficia o réu. RETROAGE1, ainda que TEJ 1NÃO retroage sempre, uma vez que há exceção no caso de leistemporárias ou excepcionais, que serão aplicadas ainda que percam sua vigência (ultratividade) e mais gravosas. STF (Súmula 611): transitada em julgado a sentença condenatória, compete ao juízo das EXECUÇÕES a aplicação de lei mais benigna (DE OFÍCIO) Novatio Legis in pejus (incriminadora ou lex gravior): NÃO RETROAGE. A lei revogada perderá a eficácia, a menos que seja +benéfica que a lei nova, hipótese na qual continuará a reger os fatos durante sua vigência (ULTRATIVIDADE). STF (Súmula 711): A lei penal mais grave APLICA-SE ao crime CONTINUADO ou PERMANENTE, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. Abolitio Criminis: Art. 2º - NINGUÉM pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, CESSANDO a execução e os efeitos PENAIS da sentença. Permanecem os efeitos CIVIS havendo, penalmente, a extinção da PUNIBILIDADE. STF (AI 680.361): inadmissibilidade de MPV em matéria penal NÃO compreende a de normas penais BENÉFICAS - POSSÍVEL abolitio criminis via MPV “Continuidade típico-normativa”: lei incriminadora é revogada, porém a conduta continua sendo criminosa, pois passa o ser a partir de outro tipo penal, pré-existente ou criado pela norma revogadora. ULTRATIVIDADE: apesar de revogada, lei CONTINUA a produzir efeitos POSTERIORMENTE à sua revogação. EX: lei mais grave B, revoga A. Como não há retroação em prejuízo, A continua a produzir efeitos, mesmo revogada. AP LI CABI LI DADE DA LEI PE NAL LEI EX CEP CION AL E LEI TE MP ORÁRIA Art. 3º - A lei EXCEPCIONAL ou TEMPORÁRIA, embora decorrido o período de sua duração (TEMPORÁRIA) ou cessadas as circunstâncias (EXCEPCIONAL), APLICA-SE ao fato praticado DURANTE sua vigência - ULTRATIVIDADE A lei excepcional ou temporária será aplicada ainda que outra mais benéfica a suceda. É uma EXCEÇÃO à retroação da lei penal mais BENÉFICA. LEI P ENAL EM B RAN CO Lei penal em branco: é a lei que depende de outro ato normativo (complemento) para que tenha sentido. A PENA É DETERMINADA, mas seu CONTEÚDO PERMANECE INDETERMINADO. • SENTIDO LATO (homogênea / imprópria): complemento é determinado pela MESMA fonte FORMAL da norma incriminadora (LEI). EXEMPLO: CP (lei): Art. 237 - Contrair casamento, conhecendo a existência de impedimento que lhe cause a nulidade absoluta → Código Civil (lei) define causas de nulidade absoluta. • SENTIDO ESTRITO (heterogênea / própria): complemento está contido em norma procedente de OUTRA instância legislativa. EXEMPLO: tráfico de drogas (tipificado na Lei 11.343, art. 33). O dispositivo que lista o que é ou não droga é a Portaria SVS/MS 344/98 da ANVISA. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 06 INFRAÇÕES P EN AIS DE M ENO R POT EN CI AL O FEN SIVO Menor Potencial Ofensivo: lei comine pena MÁXcompetência para HOMOLOGAÇÃO de sentença estrangeira é do STJ CO NT AGE M DE P RAZ O Art. 10 - O dia do começo INCLUI-SE no cômputo do prazo. Art. 11 - Desprezam-se: FRAÇÕES de dia e FRAÇÕES de real (R$) Para cálculos em prova: sempre considerar a diminuição de um dia em razão de ser computado o dia do começo. Desta forma, se a pena é de 01 ano e teve início em 20/09/2009, estará integralmente cumprida em 19/09/2010. Pegadinha! No cômputo do dia do começo, a fração de dia é INCLUÍDA contando como 1 dia! https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 08 LEGI SLAÇÃO ESP E CI AL Art. 12 - As regras GERAIS do CP APLICAM-SE aos fatos incriminados por lei especial, SE esta não dispuser de modo diverso – i.e.: as regras gerais do CP têm caráter subsidiário em relação às leis especiais. RES PON SABILIZAÇÃO P EN AL DA PE SSO A JURÍ DI CA Tanto o STJ (RMS 39.173) quanto o STF (RE 548.181) atualmente afastaram a aplicação da teoria da dupla imputação no âmbito dos crimes ambientais. O que isso significa? Simples: que é possível responsabilizar penalmente a PJ, por crimes ambientais, independentemente da responsabilização concomitante da pessoa física que agia em nome dessa PJ. Ou seja, o MP pode apresentar denúncia apenas contra a PJ, sem a necessidade de a PF constar na mesma. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 09 DO CRIME VISÃO G ERAL DOS E LE MEN TOS CONST IT UTIVO S V S Ã O G E R A L TIPICIDADE CONDUTA Dolo e Culpa Preterdolo Excludentes da tipicidade NEXO CAUSAL Equivalência das condições x Causalidade Adequada Concausas dependentes e independentes RESULTADO ILICITUDE Excludentes de Ilicitude: estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento do dever legal e exercício regular de direito CULPABILIDADE Imputabilidade Causas de exclusão de imputabilidade Potencial consciência da Ilicitude Exigibilidade de conduta diversa EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE Iter Criminis Crime Tentado Crime Imposível Desistência Voluntária, Arrependimento Eficaz e Arrependimento Posterior Concurso de Pessoas Autoria, Coautoria e Participação https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 10 CO N CEI TO DE CRIM E Critério Material (substancial): TODA ação ou omissão HUMANA que lesa ou expõe a perigo bens jurídicos tutelados. NÃO basta a lei, há que ser verificado a LESÃO a bem de outrem. Critério Legal: infração penal que a LEI comina pena de RECLUSÃO ou DETENÇÃO, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de MULTA. - Adotado no CPEN BRA Critério Analítico (Formal / Dogmático): foca nos ELEMENTOS do delito TIPICIDADE Adequação entre fato conduta ILICITUDE Conduta definida em lei como ilícita CULPABILIDADE Juízo de reprovação sobre certa conduta PUNIBILIDADE Possibilidade de o Estado punir Teoria Quadripartida SIM SIM SIM SIM Teoria Clássica da Ação SIM SIM SIM - Bipartida ou Finalista da Ação SIM SIM - - TIPI CI DADE • FATO TÍPICO comportamento HUMANO (ação ou omissão) que se enquadra nos elementos descritos na norma. • Por definição, FATO ATÍPICO é aquele que NÃO se enquadra em nenhum dispositivo legal. RES ULT ADO N ATU RALÍ STI CO RESULTADO é a modificação do mundo real provocada pela conduta do agente. NÃO HÁ crime sem resultado JURÍDICO (lesão a bem jurídico tutelado), pois qualquer crime viola uma lei. Entretanto é POSSÍVEL um delito sem resultado NATURALÍSTICO (EX: TENTATIVA de homicídio) MATERIAIS CONDUTA + RESULTADO naturalístico → RESULTADO NECESSÁRIO É o caso do homicídio, cuja consumação é caracterizada pelo falecimento da vítima. FORMAIS CONDUTA + COM ou SEM RESULADO → INDEPENDE DE UM RESULTADO Ameaça: não se exigindo que a vítima realmente fique intimidada; MERA CONDUTA CONDUTA (ação ou omissão) → SEM RESULTADO Violação de domicílio, ato obsceno, e a maioria das contravenções. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 11 N E X O C A U S A L VÍNCULO indispensável entre a conduta e resultado. Aplica-se apenas nos crimes MATERIAIS . Teoria da Equivalência das condições (sine qua non): QUAISQUER das condutas que compõem a totalidade dos antecedentes é causa Art. 13 - O RESULTADO, de que depende a existência do crime, SOMENTE é imputável a quem lhe deu causa. Considera- se causa: ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido. NÃO basta só dependência física; exige-se DOLO ou CULPA do agente em relação ao resultado, a fim de evitar “regressão infinita”. EX: o vendedor de arma pode não ter querido o resultado ao vendê-la. Causalidade Adequada: considera causa do evento APENAS a ação ou omissão apta e idônea a gerar o resultado. A contribuição deve ser eficaz - EXCEPCIONALMENTE no BRA. CO N CAUS AS Concausas Dep endentes CAUSA DEPENDENTE é aquela DEPENDENTE da conduta. Só acontece por causa da conduta e, assim, NÃO exclui a relação de causalidade. Sucessão de acontecimentos previsíveis. Concausas Indep endentes CAUSA INDEPENDENTE: aquela que acontece por motivos diversos da conduta. Apresenta um resultado inesperado e não usual. É independente porque tem a capacidade de produzir, por si só, o resultado. ABSOLUTAMENTE: causa não tem NENHUMA relação de causalidade com a conduta. O resultado ocorreria de qualquer forma. AFASTA o nexo e responde o agente SÓ pelos atos já PRATICADOS, ou seja, ele NÃO responde pelo resultado (em nenhum caso, seja preexistente, concomitante ou superveniente) RELATIVAMENTE: resultado só acontece POR CAUSA da conduta, apesar dela NÃO ter sido a efetiva causa. Preexistentes: a causa já existe antes da conduta, entretanto, esta, por si só, não produziria o resultado. EX: A atira em B de raspão, mas por ser hemofílico, B sangra até morrer ARR Concomitantes: ocorre concomitantemente. EX: A ameaça atirar em B, que corre e, no momento do disparo, B é atropelado ARR Supervenientes: NÃO produzem, por si só, o resultado: A atira em B e acerta seu braço. Em seguida, no hospital, B morre por imperícia médica – B só foi p/ hospital por ser alvejado ARR PRODUZEM, por si só, o resultado: Art. 13, § 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, POR SI SÓ, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou - AÑRR AÑRR - Agente NÃO responde pelo Resultado ARR - Agente RESPONDE pelo Resultado CO N DUT A HU M AN A Teoria Clássica, Mecanicista, Naturalística ou Causal: Pratica fato típico aquele que simplesmente dá CAUSA ao RESULTADO, INDEPENDENTE de dolo ou culpa. Teoria ultrapassada! Teoria Social: NÃO basta saber se a conduta foi dolosa ou culposa, mas, também, fazer uma análise de tal comportamento e classificá-lo como SOCIALMENTE PERMITIDO ou NÃO. Tal teoria NÃO foi concebida pela nossa legislação. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 12 Teoria final ou finalista: analisada a FINALIDADE / MOTIVO / VONTADE do agente, que NÃO poderá ser separada da conduta. Analisa-se se a conduta foi DOLOSA ou CULPOSA, e, não presente tais elementos, há a ATIPICIDADE. Cai demais! DOLO e CULPA compõe a CONDUTA e, assim, integram a TIPICIDADE / TIPO e NÃO na culpabilidade (que analise o agente em si) EX CLUSÃO DA CON DUTA Caso fortuito ou força maior Atos ou movimentos reflexos Coação FÍSICA irresistível Sonambulismo e Hipnose CRIM E DO LO SO , CU LPOS O E P RET ERDOLOSO Cri me Dol os o DOLO: CONSCIÊNCIA e a VONTADE na realização da conduta típica ou a vontade da ação orientada para a realização do tipo penal. DOLO = CONSCIÊNCIA + VONTADE. Teoria da Representação: se o agente prevê o resultado como possível e ainda assim opta por continuar, já caracteriza o dolo. Pouco importa se o agente quis o resultado ou assumiu o risco. EX: “A” dá um tiro para o alto (sabia que poderia atingir alguém e mesmo assim o fez) e mata alguém (se ele quis ou não matar, pouco importa) Teoria da Vontade: Teoria da Representação + VONTADE de produzir o resultado (elemento volitivo). Teoria do Assentimento: há dolo não só quando o agente quer o resultado, mas também quando realiza a conduta ASSUMINDO o risco de produzi-lo. Prevê Resultado + Continua Ação + Vontade ou Assume Risco Art. 18 - Diz-se o crime DOLOSO: I – Agente QUIS o resultado OU ASSUMIU o risco DOLO DIRETO Genérico: vontade de praticar a conduta, SEM finalidade específica. Específico: agente QUER atingir um resultado ESPECÍFICO com a conduta DOLO INDIRETO Alternativo: dentre vários resultados, agente se contenta com QUALQUER um. “Tanto faz” Eventual: resultado NÃO querido, mas ASSUME risco, e POUCO SE IMPORTA com ele. Cri me Cul pos o Art. 18, II – CULPOSO: agente deu causa ao resultado por IMPRUDÊNCIA, NEGLIGÊNCIA ou IMPERÍCIA. Crime culposo: agente, por imprudência, negligência ou imperícia, realiza uma CONDUTA VOLUNTÁRIA que produz RESULTADO naturalístico INDESEJADO, não previsto e nem querido, que podia, com atenção, ter EVITADO. ELEMENTOS DO CRIME CULPOSO CONDUTA HUMANA A conduta deve ser VOLUNTÁRIA (VONTADE). VIOLAÇÃO DO DEVER OBJETIVO DE CUIDADO Negligência: agente deixa de fazer algo que deveria fazer Imperícia: quem deveria dominar uma técnica não a domina Imprudência: pessoa não toma os CUIDADOS que uma pessoa normal tomaria RESULTADO NATURALÍSTICO O resultado naturalístico é involuntário (não querido), SALVO culpa imprópria; TODO crime Culposo é CRIME MATERIAL NEXO CAUSAL SEMPRE presente. TIPICIDADE SEMPRE presente (claro), pois NÃO há crime culposo sem devida previsão legal. PREVISIBILIDADE OBJETIVA É a possibilidade de uma pessoa comum, com inteligência MEDIANA, prever o resultado. NÃO é culposo quando o resultado só teria sido evitado por pessoa extremamente prudente. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 13 ESPÉCIES DE CULPA Agente PREVÊ resultado? Agente QUER resultado? Consciente SIM NÃO Agente PREVÊ possíveis resultados, mas acredita que, com suas habilidades, será capaz de EVITÁ-LOS. Cuidado! Difere do dolo eventual. Em ambos o agente prevê o resultado, mas no dolo eventual agente ASSUME o risco. É o caso clássico do caçador que atira num animal que está próximo de seu companheiro de caça. Inconsciente NÃO NÃO - Própria SIM / NÃO NÃO É a CULPA COMUM, podendo o resultado ser ou não previsível pelo agente Imprópria Admite TENTATIVA - SIM Agente QUER o resultado, mas, por erro inescusável, acredita que o está fazendo amparado por uma causa excludente da ilicitude ou da culpabilidade – DISCRIMINANTE PUTATIVA! Compensação: NÃO SE ADMITE a compensação de culpas. TODOS respondem (concorrência de culpas). Tentativa: ÚNICA hipótese é na CULPA IMPRÓPRIA – Cuidado! As bancas falam que NUNCA há tentativa para crimes culposos = FALSO. Excepcionalidade: SÓ haverá PENALIZAÇÃO do crime CULPOSO quando a LEI textualmente o PREVER. Art. 18, Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, NINGUÉM pode ser punido por fato previsto como crime, SENÃO quando o pratica DOLOSAMENTE. Cri me P reter dolos o ANTECEDENTE (“CONDUTA”) CONSEQUENTE (“RESULTADO”) DOLO CULPA Crimes PRETERDOLOSOS o agente produz MAIS do que PRETENDE (prater = além). Exemplo: Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: 3m – 1a (QUALIFICADORA) §3° Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente NÃO QUIS o resultado, NEM ASSUMIU o risco: 4-12a IMPORTANTE! Art. 19 - Pelo resultado que AGRAVA a pena, SÓ responde o agente que o houver causado ao menos culposamente – significa que, se culposo, o resultado mais grave deve ser objetivamente previsível pelo homem médio para que possa ser imputado ao agente. ERRO DE TI PO Erro de Tipo: agente SUPÕE a ausência de elemento ou circunstância da norma incriminadora ou presença da norma permissiva. Art. 20 - O ERRO sobre elemento do TIPO legal EXCLUI o DOLO (SEMPRE), mas PERMITE a punição por CRIME CULPOSO, SE PREVISTO em LEI. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 14 ERRO DE TI PO ES S E NCI AL Erro recai sobre dados PRINCIPAIS do tipo (EX: atirar em uma árvore achando ser uma onça, mas MATA ALGUÉM – art. 121). O agente, se avisado do erro, PARARIA imediatamente o que iria fazer. Inescusável: erro poderia ter sido evitado. EXCLUI o DOLO Escusável: erro que não advêm da CULPA do agente, ou seja, qualquer pessoa MÉDIA incidiria naquele erro. Impunidade total EXCLUI o DOLO e a CULPA (se prevista) ERRO DE TI PO ACI DENT AL Erro recai sobre dados PERIFÉRICOS do tipo (EX: roubou açúcar achando ser sal – elemento principal é o roubo). O agente, se avisado do erro, o corrige e CONTINUA a agir ilicitamente (roubar). Pode ser: Erro sobre a Pessoa Art.20, § 3º - erro QUANTO À PESSOA contra a qual o crime é praticado NÃO isenta de pena. NÃO se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime1. 1Leva-se em conta a qualidade da vítima contra a qual o delito SERIA cometido e não da vítima propriamente dita. Erro na Execução Agente NÃO se confunde quanto à pessoa, mas ERRA O ALVO (aberratio ictus) EX: A mira em B, mas acerta uma criança. Neste caso, responderá pelo homicídio doloso, mas não de forma qualificada (infanticídio), pois, como vimos, vale o que ele QUERIA FAZER e não o que ele fez. Erro sobre o Nexo Agente alcança resultado pretendido, mas por meio de um nexo diferente do planejado Erro sobre o Crime Agente pretendia cometer um crime, porém, por acidente ou erro na execução, acaba cometendo outro (aberratio criminis) Erro sobre o Objeto Agente incide em erro sobre a coisa visada, sobre o objeto material do delito. IRRELEVANTE para fins de afastamento do dolo ou da culpa, assim como não afasta a culpabilidade. ITER CRI MIN IS (“CAMIN HO DO CRI ME ”) Iter Criminis: é o processo de evolução de um crime, ou seja, descrevendo as etapas que se sucederam desde o momento em que surgiu a ideia do delito até a sua consumação. Divide-se em fase interna e externa. Fase Interna: dá-se a cogitação do crime. Está na mente do potencial criminoso, logo NÃO é punível. Fase Externa: se divide em 3 subfases, sendo: 1. Atos preparatórios: passam da cogitação à ação. REGRA GERAL, não são puníveis (HÁ EXCEÇÕES). 2. Atos de execução: dirigidos diretamente à prática do crime. 3. Consumação: é aquela na qual estão presentes os elementos essenciais do tipo penal (homicídio = morte). TENT ATIV A Art. 14, II - INICIADA a execução, NÃO se consuma por circunstâncias ALHEIAS à vontade do agente - Há DOLO de consumação, isto é, o agente tinha VONTADE de alcançar a consumação. • Dolo Eventual Tentativa: CABÍVEL tentativa no Dolo Eventual. Punibilidade da tentativa: Art. 14, §único - SALVO disposição em contrário, PUNE-SE a tentativa com aMESMA pena do crime CONSUMADO, DIMINUÍDA de 1/3(MÍN) a 2/3(MÁX)). https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 15 Crimes que NÃO admitem tentativa: regra geral, crimes DOLOSOS comportam tentativa, mas há crimes que NÃO admitem: P reterdolosos: por se caracterizar pela culpa no resultado, não admite tentativa. U nisubsistentes: conduta é exteriorizada mediante único ato, não se falando em iter criminis. C ulposos: regra geral não admitem, pois deve haver resultado, salvo “culpa imprópria”. C ontravenções penais: não é admitida. A tentado: quando a tentativa é punida com a MESMA pena do CONSUMADO C ondicionados: dependem do cumprimento de uma condição para que possam ser punidos. H abituais: não é admitida. EX: tentativa de curandeirismo. O missivos próprios: não se exige um resultado decorrente da omissão. ESP É CIE S DE TEN TATIVA Tentativa Vermelha ou Cruenta Aqui, a vítima é atingida, MAS o delito não se consuma. EX: B atira em A e o acerta, porém A não morre (“apenas” sangra muito). Tentativa Branca ou Incruenta Agente NÃO atinge o objeto material. EX: A está com uma blusa branca e ao encontrar B, este começa a atirar. Nenhum tiro é acertado, logo o que era branco permanece branco Tentativa Imperfeita Agente inicia a execução, mas NÃO utiliza todos os MEIOS de que dispõe. Ex: sujeito para no 3º tiro Tentativa Perfeita ou Crime Falho INCOMPETÊNCIA do agente. O autor utiliza TODOS os meios disponíveis e, mesmo assim, não atinge a consumação (EX: gastar todos os cartuchos da arma). CRIM E I MP OSSÍV EL (“QU AS E CRIM E”) Art. 17. NÃO se PUNE a TENTATIVA quando, por INEFICÁCIA ABSOLUTA do MEIO ou ABSOLUTA IMPROPRIEDADE do objeto, IMPOSSÍVEL consumar-se o crime. • EX: matar alguém por BRUXARIA; desejando matar a vítima, efetua disparos sobre um CADÁVER. CRIM E PUT ATIV O Crime Putativo: aquele em que o agente acredita realmente ter praticado um crime, quando na verdade cometeu um indiferente penal. Exemplo: “A” vende um pó branco, acreditando tratar-se de cocaína. Na verdade, era talco”. • Tanto no crime putativo, quanto no crime impossível JAMAIS ocorre consumação, pois não há crime. DESIT ÊN CI A V O LU N TÁRIA, ARRE PE N DI MENT O EFI CAZ E PO STERIO R DESIST ÊN CI A V OLU NTÁRI A E ARREP EN DI MEN TO EFI CAZ Art. 15 - agente que, VOLUNTARIAMENTE, DESISTE de prosseguir na execução ou IMPEDE que o resultado se PRODUZA, só responde pelos atos JÁ PRATICADOS - EXCLUEM a TIPICIDADE. Em ambos os casos, se NÃO houver resultado, o agente NÃO responde por tentativa, mas apenas pelos atos já praticados. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 16 ARRE PE N DIM ENT O POST ERIO R Art. 16 - Nos crimes SEM violência ou GRAVE ameaça à PESSOA, REPARADO o dano ou restituída a coisa, ATÉ o recebimento da DENÚNCIA ou QUEIXA, por ato VOLUNTÁRIO = PENA 1/3 a 2/3. • Pode ocorrer em QUALQUER espécie de crime e não somente nos delitos contra o patrimônio; • A reparação / restituição deve ser INTEGRAL – EX: furto ILI CIT U DE (ANT IJU RI DI CI DADE ) Ilicitude: é a conduta humana em desacordo com a ordem jurídica (típica). Porém, nem toda conduta típica será ilícita, pois há situações que EXCLUEM a ilicitude da conduta. Causas que excluem a ilicitude (NÃO HÁ CRIME): EX CLU DE NTES DE I LI CITU DE EST ADO DE N E CES SI DADE Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para SALVAR de PERIGO ATUAL, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito PRÓPRIO ou ALHEIO, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se. § 1º - NÃO pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o perigo – EX: policial. § 2º - Embora razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena PODERÁ ser reduzida de 1/3 a 2/3 – caso seja sacrificado o bem / direito de MAIOR valor NÃO há exclusão, podendo haver redução da pena. LEGÍ TIM A DEFES A Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando MODERADAMENTE dos meios necessários, repele INJUSTA agressão, ATUAL ou IMINENTE, a direito SEU ou de OUTREM. [Novidade 2019] §único. [...] considera-se também em legítima defesa o agente de segurança pública que repele AGRESSÃO ou RISCO de agressão a vítima mantida refém DURANTE A PRÁTICA DE CRIMES. A legítima defesa é APLICÁVEL mesmo àqueles que podiam fugir da agressão injusta, mas optam por enfrenta-la. Legítima defesa putativa: agente ACREDITA existir injusta agressão, mas não há. É considerado um ERRO DE TIPO, não excluindo a tipicidade, mas apenas o dolo. ESTRITO CUM PRIM E NTO DO DE VE R LEG AL Consiste na realização de um fato TÍPICO, por força do desempenho de uma OBRIGAÇÃO imposta APENAS por LEI. Art. 23. NÃO há crime quando o agente pratica o fato: III – em ESTRITO cumprimento de dever LEGAL EXE RCÍ CI O REG ULAR DO DIREIT O Pressupõe uma FACULDADE de agir atribuída, regra geral, pelo ordenamento jurídico - pode advir de lei, regulamento e até mesmo COSTUME - a alguma pessoa, pelo que a prática de uma ação típica NÃO configuraria um ilícito. São exemplos clássicos: • A correção dos filhos por seus pais; • Prisão em flagrante por particular; Excludentes de Ilicitude Legais Genéricas: vistas a seguir - aplicável a todos os crimes Específicas: parte especial do CP Supralegais (doutrina) Consentimento EXPRESSO do Ofendido https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 17 • Expulsar alguém, quando da invasão da propriedade; • Ofendículos (cerca elétrica, vidro no muro, etc.); • Lesões ocorridas em esportes violentos (lutas). Art. 23 - NÃO há crime quando o agente pratica o fato: III – no exercício REGULAR de direito. EX CE SSO PU NÍVE L Art. 23, §único - O agente, em QUALQUER das hipóteses de excludentes de licitude, RESPONDERÁ pelo excesso DOLOSO ou CULPOSO. • Excesso INTENSIVO: agente excede na intensidade da reação • Excesso EXTENSIVO: decorre do prolongamento da ação defensiva, mesmo após ter cessado agressão injusta. DES CRI MIN ANT ES P UTAT IVAS – ERRO DE TI PO PE RM ISSIV O Art. 20, §1º - ISENTO de pena quem, por ERRO plenamente JUSTIFICADO pelas circunstâncias, supõe SITUAÇÃO DE FATO que, se existisse, tornaria a ação legítima. NÃO há isenção de pena quando o erro deriva de CULPA E fato é punível como crime CULPOSO. Agente atua ACREDITANDO estar acobertado por uma exclusão de ILICITUDE: • Tratando-se de erro ESCUSÁVEL, o agente NÃO SERÁ PUNIDO; • Se erro INESCUSÁVEL será o agente punido a título CULPOSO, caso haja previsão legal. Ocorre, por exemplo, na legítima defesa putativa, estado de necessidade putativo, e assim por diante. EX: Durante uma sessão de cinema, alguém leva uma metralhadora de brinquedo e finge atirar contra a plateia. Uma das pessoas, em desespero a caminho da saída, lesiona outras (estado de necessidade putativo) CU LP ABILI DADE A culpabilidade é o juízo de REPROVABILIDADE acerca da conduta do agente, considerando-se suas CIRCUNSTÂNCIAS PESSOAIS. Na culpabilidade estuda-se o AGENTE e o não o fato. Para se mostrar merecedor de pena, de acordo com o CP, deve o sujeito ter consciência do caráter ilícito de sua conduta. Cuidado! A falta de consciência da ilicitude não se confunde com o desconhecimento da lei, que é inescusável. A primeira constitui a insciência de que o agir é proibido. A outra significa tão somente a carência da compreensão do texto legal. ERRO DE PROIBI ÇÃO (ERRO SO BRE A I LI CITU DE DO FATO ) Analisa-se se o agente, de acordo com suas característicasPESSOAIS (por isso se enquadra na culpabilidade), poderia ou não conhecer o caráter ilícito do fato. Pode existir tanto sobre a existência e validade da LEI, quanto da sua interpretação. Art. 21 - O DESCONHECIMENTO da lei é INescusável. O ERRO sobre a ilicitude do fato, se: INEVITÁVEL, ISENTA de pena; EVITÁVEL, poderá DIMINUÍ-LA de um 1/6 ou 1/3 - §único: agente atua ou se omite SEM a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência. EX: um capiau dos confins do interior do MS encontra um relógio de ouro na rua e fica com o mesmo, entretanto, mal sabe ele que é uma conduta criminosa (“Apropriação de coisa achada”). Erro de Proibição x Erro de Tipo: Erro de Proibição Exclui a CULPABILIDADE – fato típico, ilícito, mas não culpável. Erro de Tipo Exclui o fato típico – torna o fato ATÍPICO https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 18 IMP UTABI LI DADE Imputabilidade Penal: condições PESSOAIS que dão ao agente a capacidade p/ lhe ser juridicamente imputada a prática de um fato punível. Elementos: • Intelectivo: integridade MENTAL do indivíduo. • Volitivo: domínio da VONTADE, ou seja, o agente controla e comanda seus impulsos. • Cronológico: no Brasil, a partir do dia que completa 18 anos. Momento par a a constatação da i mp utabilidade Art. 26 - ISENTO de pena o agente que, por doença MENTAL ou desenvolvimento MENTAL incompleto ou RETARDADO, era, ao tempo da AÇÃO ou da OMISSÃO , inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar- se de acordo com esse entendimento. Sistemas p ar a af erição da i mp utabi lidade Causas de Ini mp utabilidade DES. MENTAL RETARDADO 1. Agente CAPAZ de entender o caráter ilícito: IMPUTÁVEL 2. Agente PARCIALMENTE CAPAZ de entender: SEMI-IMPUTÁVEL – pena 1/3 a 2/3 3. Agente inteiramente INCAPAZ de entender o caráter ilícito: INIMPUTÁVEL DES. MENTAL INCOMPLETO Silvícolas (índios) e os MENORES. • Quanto aos índios, deve ser feita uma perícia (não são totalmente inimputáveis, pois depende do contexto). DOENÇA MENTAL Abrange problemas PATOLÓGICOS + TOXICOLÓGICOS (usuário de drogas). • O agente estava lúcido no momento do ato? Responderá pelo ato ilícito (imputável) MENORIDADE (FATOR BIOLÓGICO) Há presunção ABSOLUTA de inimputabilidade. STJ entende que, se cometido crime no dia do aniversário, JÁ É IMPUTÁVEL, independentemente da hora do nascimento. Art. 27 - Os menores de 18 anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial (ECA). Crimes Permanentes (inicia como menor e termina como maior): SÓ poderá ser responsabilizado pelos fatos cometidos APÓS ter atingido a maioridade. Sistemas Biológico: determinadas condições biológicas. Presunção ABSOLUTA Psicológico: independentemente de deficiência mental, se no momento da ação ou omissão, mostrar incapacidade de entender um ilícito. Biopsicológico: inimputável aquele que, ao tempo da conduta, apresenta: Problema mental (biológico) E, em razão disso, NÃO temcapacidade p/ entender a ilicitude (psicológico) Única exceção: menores de 18 anos são SEMPRE inimputáveis https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 19 EMBRIAGUEZ ACIDENTAL COMPLETA PROVENIENTE DE CASO FORTUITO OU FORÇA MAIOR § 1º - É isento de pena (exclui imputabilidade) o agente que, por embriaguez COMPLETA, proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, INTEIRAMENTE incapaz de entender o caráter ilícito do fato [...]. § 2º - A pena pode ser 1/3 a 2/3 (NÃO exclui imputabilidade, mas reduz pena) se o agente, por embriaguez (INCOMPLETA), proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a PLENA capacidade de entender o caráter ilícito do fato [...] • Pegadinha! Embriaguez CULPOSA nunca exclui a imputabilidade • Força maior: indivíduo é OBRIGADO a se embriagar. • Caso fortuito: pessoa que desconhece determinada situação fisiológica que potencializa os efeitos da bebida – EX: sem saber dos efeitos, ingere Vodka + remédios. Ef eitos da I ni mp utabili dade • Menores de 18 anos - Ficam sujeitos ao ECA. • Demais – são processados e julgados – a culpabilidade é mero pressuposto de aplicação da PENA, portanto ficam ISENTOS apenas da PENA, sendo-lhe aplicada apenas uma Medida de Segurança. EXIGI BI LI DADE DE CO N DUT A DI VE RSA Só se pode impor pena ao autor de um fato típico e antijurídico quando se demonstrar ter sido seu comportamento reprovável. Para tanto, é necessário que dele se POSSA exigir conduta diversa, ou seja, que na situação em que o fato foi cometido, seja lícito concluir que o agente possuía uma alternativa válida de conduta. CP prevê situações em que essa conduta diversa é INEXIGÍVEL, portanto EXCLUEM a culpabilidade. Coação M ORAL irres istível e O bediênci a Hi erárq uica São causas EXCLUDENTES DE CULPABILIDADE: Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação (MORAL) irresistível OU em estrita obediência a ordem, NÃO manifestamente ilegal, de superior hierárquico1, só é PUNÍVEL o autor da coação ou da ordem. 1A hierarquia funcional pressupõe uma relação de direito público (serviço público). A autoria do crime é mediata do superior. EMO ÇÃO E P AIX A (CRIM ES PASSIO NAI S) Art. 28 - NÃO excluem a imputabilidade penal: I - a emoção OU a paixão; CO N CU RSO DE PES S OAS P R I V E Pluralidade de agentes E condutas Relevância causal das condutas Identidade de infração Vínculo subjetivo concurso de vontades Existência de fato punível Teoria Monoísta: TODOS os que contribuem (autores e partícipes) cometem o MESMO crime. Há unidade de crime e pluralidade de agentes. Basicamente DEVE haver “COMBINAÇÃO” ANTERIOR ENTRE OS AGENTES (= LIAME) PARTI CI PAÇÃO Aquele que efetivamente colabora para a prática de uma conduta delituosa, todavia, SEM realizar diretamente o núcleo do tipo – EX: “piloto de fuga” em um roubo a banco – responde pelo roubo !!! O auxílio deve ser MORAL ou MATERIAL. Se eu empresto uma arma a alguém, conhecendo suas intenções, mas não o incentivando e essa pessoa mata outra com outra arma, não serei considerado partícipe, pois não houve auxílio nem moral nem material (arma foi outra). https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 20 CO AU TO RIA Ocorre a co-autoria quando 2+ agentes executam o NÚCLEO do tipo (teoria objetivo-formal). STF (HC 110.425): O fato de o crime ter sido cometido por duas pessoas, uma delas menor inimputável, NÃO tem o condão de descaracterizar que ele foi cometido em coautoria Teoria do Domínio do Fato: utilizada para diferenciar coautoria e participação, sendo coautor aquele que presta contribuição independente, essencial à prática do delito, NÃO obrigatoriamente em sua execução. AUT ORI A COLAT ERAL Os agentes agem INDEPENDENTEMENTE. NÃO HÁ CONCURSO. Praticam a conduta ao mesmo tempo, mas não há liame. Resultado pode ser atingido pela ação de um apenas ou de ambos: • Responsável pela produção do resultado: crime CONSUMADO • Outro: crime TENTADO PUNI ÇÃO NO CON CU RSO DE AGE NTE S Art. 29 - Quem, de QUALQUER MODO, concorre para o crime incide nas MESMAS penas a este cominadas (MONOÍSTA), na medida de sua culpabilidade. Participação de Menor Importância • Art. 29, § 1º - (...) a pena pode (DEVE) ser 1/6 a 1/3 – alcança apenas o PARTÍCIPE. Participação em crime menos grave: Tício e Mévio resolvem se unir para furtar um veículo.Chegando ao local, iniciam a conduta típica, mas logo percebem a chegada do dono. Mévio, assustado, corre, mas Tício pega sua arma e efetua disparos. • § 2º - Se algum dos concorrentes QUIS participar de crime MENOS grave, ser-lhe-á aplicada a pena deste; essa pena será ½ , na hipótese de ter sido PREVISÍVEL o resultado mais grave. CI RCUN STÂN CIAS I NCOM UNI CÁVE IS Art. 30 - NÃO se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter PESSOAL, SALVO quando ELEMENTARES do crime. Exemplo do “Salvo...”: A, funcionário público, pratica peculato junto com B, que não faz parte do quadro da ADM. Poderá B, sendo particular, responder pelo citado crime (PECULATO)? SIM, pois na hipótese de concurso de pessoas, a elementar “funcionário público” é comunicável. ERRO DET ERMIN ADO P OR TE RCEI RO Atenção! NÃO SE TRATA DE CONCURSO DE PESSOAS Art. 20, § 2º - RESPONDE pelo crime o TERCEIRO que determina o erro. • Erro INEVITÁVEL, o agente NÃO SERÁ PUNIDO – “Não há participação culposa em crime doloso” • Se erro EVITÁVEL será o agente punido a título CULPOSO, caso haja previsão legal – pune ambos. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 21 PEN AS ESP É CIE S E COM IN AÇÃO DAS PE NAS EXTI N ÇÃO DA P UNI BILI DADE MORTE do agente; Os efeitos civis permanecem (Art. 5º, LV, CF/88) ANISTIA Advém de ATO LEGISLATIVO. Pode ser aplicada a qualquer crime GRAÇA e INDULTO Concedidos pelo Presidente República, por meio de DECRETO: a) Graça é concedida individualmente. b) Indulto de maneira coletiva – Cuidado! Indulto Natalino virou “tradição”, concedido pelo PR a vários presos no período do natal, quando são extintas suas punibilidades!! É diferente da saída temporária! STJ (Súmula 631/2019): O indulto extingue os efeitos primários da condenação (pretensão executória), mas não atinge os efeitos secundários, penais ou extrapenais. RETROATIVIDADE de lei. Abolitio Criminis !! RETRATAÇÃO, se lei a admite; Ato jurídico unilateral, NÃO dependendo de aceitação do suposto ofendido. RENÚNCIA do direito de queixa RENÚNCIA pode ser expressa ou tácita (querelante pratica ato incompatível c/ a vontade de se queixar) PERDÃO aceito, quando AP privada PERDÃO do ofendido tem como condição a aceitação do querelado. Pode ser processual ou extraprocessual, tácito ou expresso. PERDÃO JUDICIAL, casos previstos em lei VEDADA analogia in bonam partem STJ (Súmula 18): a sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade, NÃO subsistindo qualquer efeito condenatório PEREMPÇÃO Perda, pela inércia processual do querelado, do direito de continuar a MOVIMENTAR a AP exclusivamente PRIVADA DECADÊNCIA Perda do DIREITO de AÇÃO, por não ter sido exercício no prazo certo (queixa ou APP) P E N A S Privativa de Liberdade Têm seus limites estabelecidos na sanção correspondente a cada tipo legal de crime. Restritiva de Direitos Aplicáveis, independentemente de cominação na parte especial, em SUBSTITUIÇÃO à pena privativa de liberdade, fixada em quantidade INFERIOR a 1 ano OU nos CRIMES CULPOSOS Multa Cada tipo penal possui previsão própria. Será de no mínimo 10 dias-multa e no máximo 360 dias-multa. Obs: o dia-multa é fixado pelo juiz, não podendo ser inferior a 1/30 do maior salário mínimo vigente à época do fato, nem superior a 5x esse salário. https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 22 PRESCRIÇÃO Perda do DIREITO de punir do Estado, pelo decurso de tempo. ⚫ Prescrição Abstrata ⚫ Prescrição Retroativa ⚫ Prescrição Superveniente ⚫ Prescrição Executória PRES CRI ÇÃO DA P RE TENS ÃO PU NITIV A Intercorrente Superveniente / Subsequente: ocorre entre o TEJ da sentença condenatória para a ACUSAÇÃO e o TEJ da sentença condenatória definitiva (tanto acusação quanto defesa) Intercorrente Retroativa: ocorre quando, uma vez tendo havido o TEJ para a ACUSAÇÃO, chega-se à conclusão de que, naquele momento, houve prescrição entre a data da denúncia / queixo e a sentença condenatória. Executória: Perda, em razão da inércia do Estado, do direito de EXECUTAR uma SANÇÃO penal definitivamente aplicada pelo judiciário. PRES CRI ÇÃO DA P E NA DE M ULTA • Multa ISOLADAMENTE: prazo será de 2 anos • Multa + prisão (privativa de liberdade): o prazo de prescrição será o mesmo IMP E DE M A P RE S CRI ÇÃO (ART. 116 ) [Novidade 2019] Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição NÃO CORRE: • Enquanto o agente cumpre pena no exterior; • Enquanto não cumprido ou não rescindido o acordo de não persecução penal. • Enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o reconhecimento da existência do crime; • Na pendência de embargos de declaração ou de recursos aos Tribunais Superiores, quando inadmissíveis; INTE RROM PE M A P RES CRI ÇÃO (ART . 11 7 ) • Recebimento da denúncia/queixa; • Pronúncia • Decisão CONFIRMATÓRIA da pronúncia • PUBLICAÇÃO de sentença ou acórdão condenatórios irrecorríveis • Início ou continuação do cumprimento da pena • Reincidência Art. 108 - A extinção da punibilidade de crime que é pressuposto, elemento constitutivo ou circunstância agravante de outro não se estende a este. Nos crimes conexos, a extinção da punibilidade de um deles não impede, quanto aos outros, a agravação da pena resultante da conexão https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 23 CLAS SIFI CAÇÃO DO S CRI MES Comuns Podem ser praticados por QUALQUER PESSOA Homicídio, furto Próprios Exigem do agente CAPACIDADE ESPECIAL – Sujeito Ativo Qualificado Peculato Mão Própria QUALQUER PESSOA, mas não por intermédio de outrem. NÃO admitem coautoria, APENAS PARTICIPAÇÃO. Falso testemunho Simples A lesão jurídica é una e NÃO apresenta qualquer circunstância que aumente ou diminua sua gravidade Homicídio simples. Qualificados Agrega situação que MAJORA a pena Homicídio qualificado (ex: motivo fútil) Privilegiados Agrega circunstâncias que o torna MENOS grave Furto de pequeno valor Comissivos Exigem uma atividade POSITIVA, ou seja, uma AÇÃO – EX: roubo Omissivos Próprios NÃO FAZER ALGO PREVISTO em LEI como TRANSGRESSÃO. INDEPENDE de RESULTADO, pois “do nada, nada surge” – EX: Omissão de socorro Omissivos Impróprios (Comissivos por Omissão) Transgressão DEVER de IMPEDIR RESULTADO → RESULTADO POSTERIOR Art. 13, §2º - A omissão é penalmente RELEVANTE quando o omitente DEVIA e PODIA agir para EVITAR o resultado por quem: a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; b) assumiu a responsabilidade de impedir o resultado. c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado. Instantâneos Quando consumado, encerra-se. A consumação ocorre em dado momento. Furto Permanentes Consumação se PROLONGA no tempo. Não admite tentativa. Sequestro; Cárcere privado Instantâneos efeitos perm. CONSUMADA a infração, os efeitos permanecem, independentemente da vontade do sujeito. Bigamia Materiais CONDUTA + RESULTADO naturalístico → RESULTADO NECESSÁRIO É o caso do homicídio, cuja consumação é caracterizada pelo falecimento da vítima. Formais CONDUTA + COM ou SEM RESULADO → INDEPENDE DE UM RESULTADO Ameaça: não se exigindo que a vítima realmente fique intimidada; Mera conduta CONDUTA (ação ou omissão) → SEM RESULTADO Violação de domicílio, ato obsceno, e a maioria das contravenções. Complexo 2+ tipos penais em umaúnica descrição legal. Roubo = Furto + Ameaça https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 24 PARTE ESPECIAL DO CÓDIGO PENAL AN ÁLI SE DE CO BRANÇA Bom, imagino que você já esteja familiarizado(a) com o conceito de Pareto (80/20). Assim, os resumos estarão sempre pautados naquilo que é mais cobrado em prova! Ou seja: abrangemos, em “poucas páginas”, algo em torno de 80% daquilo que mais cai. No caso da parte especial do Código Penal, fizemos uma análise de TODAS as mais de 1.732 questões dos últimos 6 anos, e ficou claro o que as bancas mais gostam de cobrar e, portanto, serão nosso foco. Chega de enrolação, vamos à análise. DIV ISÃO DA PARTE ESP E CI AL E PE RCEN TUAI S DE COB RAN ÇA A parte especial do código se divide basicamente em 11 títulos, sendo que, do total de questões, cada uma é responsável pelos seguintes percentuais de cobrança: TÍTULO CESPE FCC FGV VUNESP DEMAIS GERAL Dos crimes contra a pessoa 14% 15% 16% 16% 23% 19% Dos crimes contra o patrimônio 24% 18% 20% 20% 17% 19% Dos crimes contra a propriedade imaterial 1% 0% 0% 0% 0% 0% Dos crimes contra o sentimento religioso e contra o respeito aos mortos 1% 0% 0% 0% 0% 0% Dos crimes contra a organização do trabalho 1% 1% 1% 0% 1% 1% Dos crimes contra a dignidade sexual 5% 2% 4% 3% 3% 3% Dos crimes contra a família 0% 0% 0% 0% 1% 1% Dos crimes contra a incolumidade pública 2% 0% 6% 6% 2% 3% Dos crimes contra a paz pública 2% 2% 0% 2% 1% 1% Dos crimes contra a fé pública 12% 7% 6% 14% 5% 8% Dos crimes contra a administração pública 38% 55% 48% 39% 46% 45% Veja que interessante: apesar da parte especial ser enorme, basicamente 4, dos 11 títulos, são de fato bastante cobrados. Portanto, quando você for estudar dê prioridade à seguinte ordem: 1. Dos crimes contra a administração pública 2. Dos crimes contra o patrimônio 3. Dos crimes contra a pessoa 4. Dos crimes contra a fé pública Ótimo! Temos a primeira parte da nossa análise. Como cada título tem suas divisões e/ou crimes específicos, é importante também selecionarmos aqueles que são mais cobrados. Assim, vamos à segunda parte. O QU E I RE MO S ABRANG ER NO RE SUM O Como nessa segunda parte há muitos capítulos, para não ser enfadonho serei mais direto, e não colocarei uma análise minuciosa. Porém, acredite, selecionei só aquilo que é realmente bastante cobrado! Uma dica antes de prosseguir: eu coloquei a pena relativa a todos os crimes, mas isso é muito pouco cobrado! Atente-se mais aos casos de aumento / redução de pena e outros detalhes. Esses 4 títulos são responsáveis por nada menos que 90% das questões que versam sobre a parte especial! https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 25 DO S CRIM ES CO NTRA A P ESS OA HO MI CÍ DI O Atente-se para o fato de que, grande parte das questões que versam sobre “Crimes contra a pessoa”, fazem alguma alusão à “Teoria do Crime”. Assim, esteja em dia com a matéria! Exemplo, caso clássico, que trata do “erro na execução” (AQUI). HOMICÍDIO Art. 121. MATAR alguem CULPOSO Detenção 1-3 anos AUMENTA em 1/3 - inobservância de regra técnica - agente deixa de prestar socorro - agente foge para evitar flagrante Perdão Judicial Juiz PODERÁ deixar de aplicar a pena, se as conseqüências da infração atingirem o agente de forma tão grave que a pena se torne desnecessária. SIMPLES Reclusão 6-20 anos PRIVILEGIADO Pena reduzida ↓1/6 a ↓1/3 Motivo de relevante valor social ou moral (compaixão, piedade, etc.) - Ex: eutanásia Autor econtra-se sob domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima QUALIFICADO Reclusão 12-30 anos Mediante paga ou promessa de recompensa, ou motivo torpe ou fútil Emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel Traição, emboscada, dissimulação ou outro recurso que dificulte a defesa do ofendido Para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de OUTRO CRIME Homicídio Funcional Agentes de seg. púbica, membro FFAA, do sistema prisional em exercício ou em decorrência dele; OU contra cônjuge, companheiro e parente até 3º grau em razão dessa condição Feminicídio Contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, quais sejam: - Violência doméstica e familiar - Menosprezo ou discriminação Com emprego de arma de fogo de uso RESTRITO ou PROIBIDO Importante! É possível a existência tanto do elemento que qualifica quanto do que privilegia no mesmo crime! 1 2 3 4 https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br https://www.tecconcursos.com.br/questoes/638093 Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 26 AU MENT O DE P EN A 1 • Praticado CONTRA menor de 14 ou maior de 60 anos: pena AUMENTA em 1/3 • Praticado por milícia PRIVADA ou grupo de extermínio: pena AUMENTA de 1/3 a 1/2 2 AUMENTA de 1/3 a 1/2, se feminicídio praticado: • Durante a gestação ou nos 3 meses posteriores ao parto; • Contra menor de 14, maior de 60, com deficiência ou portadora de doenças degenerativas • Na presença física ou virtual de descendente ou de ascendente da vítima • Em descumprimento das medidas protetivas de urgência 3 Atenção! Segundo a jurisprudência do STF, o homicídio privilegiado-qualificado NÃO É crime hediondo! 4 Decidiu o STJ no REsp 1.829.601 que “a qualificadora do meio CRUEL é COMPATÍVEL com o dolo eventual.” Cuidado, pois não inclui as demais qualificadoras. INDUZI MENT O, INS TIGAÇÃO OU AU XÍ LIO A SUI CÍ DIO OU A AUT OMU TILAÇÃO Art. 122. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou a praticar automutilação ou prestar-lhe auxílio material para que o faça. Reclusão 6 meses a 2 anos Resulta lesão corporal grave ou gravíssima? Reclusão 1 a 3 anos se for contra menor de 14, reclusão de 2 a 8 anos Resulta morte? Reclusão 2 a 6 anos se for contra menor de 14, responde por homicídio simples Pena DUPLICADA se: 1. Motivo egoístico, torpe ou fútil 2. Vítima é menor ou tem capicade de resistência diminuída Pena aumentada ATÉ o dobro, se conduta realizada por computador, redes sociais ou transmissão ao vivo Pena aumentada da METADE se agente líder ou coordenador de grupo ou rede virtual Pegadinha! Não confunda “duplicada” com “até o dobro” https://www.concurseiroforadacaixa.com.br/ https://www.concurseiroforadacaixa.com.br Direito Penal H e n r i q u e d e L a r a M o r a i s concurseiroforadacaixa.com.br | 27 DAS LES ÕES CO RP O RAI S 1 Sempre pensar em “dobro”. Exemplo: a perda de um só ouvido não causa perda da função auditiva, mas “apenas” debilidade, portanto tratar-se-ia de uma lesão grave e não gravíssima 2 Dica! X, com intenção de matar Y, ataca-o. Por algum motivo, X desiste voluntariamente e poupa a vida de Y. Assim, X responderá pelos atos já praticados, ou seja, lesão corporal e não pela tentativa de homicídio (exemplo AQUI). OUT ROS TIP OS Violência Doméstica Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade. Detenção: 3 meses a 3 anos Aumento de pena: ↑1/3 se cometido contra PCD Atenção! Veja que aqui não há menção direta à mulher Violência Contra a Mulher Se a lesão for praticada contra a mulher, por razões da condição do sexo feminino. Reclusão: 1-4 anos Lesão Corporal Art. 129. OFENDER a integridade corporal ou a saúde de outrem LEVE