Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Sumário
1.	Introdução sobre ato infracional	1
2.	Conceito de ato infracional	2
3.	Medidas de proteção x socioeducativas	4
4.	Medidas de proteção	5
4.1.	Família substituta	9
4.2.	Programa de acolhimento familiar ou institucional	10
4.3.	Programa de acolhimento institucional	11
5.	Medidas socioeducativas	17
5.1.	Advertência (112, I c/c 115 do ECA)	21
5.2.	Obrigação de reparar o dano (112, II c/c 116 ECA)	21
5.3.	Prestação de serviços a comunidade (112, III c/c 117 ECA)	22
5.4.	Liberdade assistida (112, IV c/c 118 e 119 ECA)	24
5.5.	Regime de semi-liberdade (112, V c/c 120 ECA)	25
5.6.	Internação	28
5.6.1.	Internação provisória	28
5.6.2.	Internação sem prazo determinado	30
5.6.3.	Internação com prazo determinado	33
5.7.	O se leva em conta na aplicação da medida socioeducativa	35
5.8.	Proibição de trabalhos forçados	35
5.9.	Ato infracional x doença mental	35
6.	Fase pré-processual no ECA	36
6.1.	Internação (112, VI c/c 121 a 123 ECA)	40
6.2.	Execução das medidas sócio-educativas	43
6.3.	Medida cautelar de internação provisória	43
7.	Medidas pertinentes aos pais e responsáveis	46
8.	Identificação do menor	48
9.	Apuração do ato infracional	48
10.	Apreensão em flagrante	50
11.	Investigação sem estar em flagrante	53
12.	Procedimento da prisão em flagrante	53
12.1.	Hipóteses de não liberação	54
13.	Atuação do MP	56
13.1.	Promover o arquivamento dos autos	57
13.2.	Conceder remissão	58
13.3.	Oferecimento de representação – FASE PROCESSUAL	60
14.	Observações	62
FCC 2015 TJ SC Juiz - Considere o trecho da reportagem publicada no jornal Diário Gaúcho, de 01/05/2015, sob o título “Como o Estado não pôde impedir a morte de Emanuel": 
Os estágios da proteção: Um menino encontrado em situação de rua é encaminhado ao Conselho Tutelar e outras entidades municipais de acolhimento. O entendimento pode ser pela entrega dele à família ou algum abrigo. A decisão de abrigá-lo, no entanto, cabe ao Judiciário. Se este menino é pego cometendo algum ato infracional, sua punição passa por quatro etapas: advertência, prestação de serviços à comunidade, reparação do dano, semiliberdade e internação. Depois de cometer um roubo a pedestre no Centro, Emanuel foi internado provisoriamente na Fase. Depois de 30 dias, a definição foi de que ele cumpriria medida socioeducativa em semiliberdade em um abrigo de São Leopoldo. O delito cometido por ele, e o seu histórico, não eram passíveis de cumprimento de medida em regime fechado. 
Considerando a leitura do texto à luz da legislação vigente, é correto afirmar: 
a) a internação provisória, no caso narrado na reportagem, durou trinta dias, mas, segundo a lei vigente, poderia durar até sessenta dias, improrrogáveis.
b) a decisão de abrigar o adolescente, exatamente como diz o texto, cabe em regra ao Judiciário. Todavia, segundo a lei, em situações excepcionais o acolhimento pode ser determinado pelo Conselho Tutelar ou pelo Ministério Público.
c) a afirmação de que o cometimento de um roubo a pedestre não tornaria o adolescente passível de cumprimento de medida em regime fechado está incorreta, já que, mesmo sendo primário, há previsão legal para aplicação, nessa hipótese, de internação.
d) o texto está correto ao apontar fluxos de atendimento e medidas diferentes para o adolescente que é encontrado em situação de rua e para aquele que é pego cometendo um ato infracional, sendo proibida, segundo o Estatuto da Criança e do adolescente, a permanência em serviços de acolhimento institucional de adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa.
e) se um menino encontrado em situação de rua não concordar em ser levado ao Conselho Tutelar, a lei permite, expressamente, que seja conduzido coercitivamente ao órgão, sem necessidade de ordem judicial prévia.[endnoteRef:1] [1: Letra C] 
- Letra a) Incorreto
Art. 108. A internação, antes da sentença, pode ser determinada pelo prazo máximo de quarenta e cinco dias.
Parágrafo único. A decisão deverá ser fundamentada e basear-se em indícios suficientes de autoria e materialidade, demonstrada a necessidade imperiosa da medida.
- Letra b) Incorreto (sem MP)
Art. 93. As entidades que mantenham programa de acolhimento institucional poderão, em caráter excepcional e de urgência, acolher crianças e adolescentes sem prévia determinação da autoridade competente, fazendo comunicação do fato em até 24 (vinte e quatro) horas ao Juiz da Infância e da Juventude, sob pena de responsabilidade. 
 Parágrafo único. Recebida a comunicação, a autoridade judiciária, ouvido o Ministério Público e se necessário com o apoio do Conselho Tutelar local, tomará as medidas necessárias para promover a imediata reintegração familiar da criança ou do adolescente ou, se por qualquer razão não for isso possível ou recomendável, para seu encaminhamento a programa de acolhimento familiar, institucional ou a família substituta, observado o disposto no § 2o do art. 101 desta Lei
- Letra c) correta
Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando:
I - tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa; (No caso de Roubo, por exemplo)
II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves;
III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta.
§ 1º O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não poderá ser superior a 3 (três) meses, devendo ser decretada judicialmente após o devido processo legal.
FCC 2015 TJ SC Juiz - Paulo tem 8 anos e João,16. Ambos são filhos de Natália, usuária problemática de álcool e drogas e que se encontra longe do lar há várias semanas. A paternidade não foi declarada. Eles não têm contato com outros parentes e, com o sumiço da mãe, permaneceram morando em sua residência, desacompanhados de outros adultos. Contam com a ajuda de uma vizinha para auxiliá-los. Nenhum dos dois está frequentando escola, mas João trabalha. Segundo as regras e princípios da legislação vigente, 
a) caso sejam acolhidos, deve o respectivo serviço de acolhimento, elaborar imediatamente o Plano Individual de Atendimento, que deve prever, entre outras providências, a preservação do vínculo dos irmãos com a vizinha, a busca pela genitora e seu encaminhamento para tratamento, além da procura por familiares extensos. 
b) caso a Justiça decrete a perda do poder familiar de Natália sobre os filhos, ainda que ela se recupere do quadro de dependência de drogas, eles não mais poderão voltar a viver em sua companhia.
c) conhecido o caso pelas autoridades de proteção, tanto João quanto Paulo devem ser obrigatoriamente encaminhados a serviços de acolhimento institucional, desde que, no caso de Paulo, haja expressa anuência à medida, colhida em audiência judicial na presença do Promotor de Justiça. 
d) por se tratar de dois irmãos, com vínculo entre si, em nenhuma hipótese podem ser acolhidos em serviços distintos, nem é possível, sem que ambos concordem, o encaminhamento de Paulo para adoção separadamente de João. 
e) a vizinha, por não ser parente, não pode pleitear a guarda judicial dos irmãos, exceto se a genitora concordar com o pedido.[endnoteRef:2] [2: Letra A] 
Art. 100. Na aplicação das medidas levar-se-ão em conta as necessidades pedagógicas, preferindo-se aquelas que visem ao fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários.
Art. 101. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98, a autoridade competente poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas:
VII - acolhimento institucional; 
§ 4º Imediatamente após o acolhimento da criança ou do adolescente, a entidade responsável pelo programa de acolhimento institucional ou familiar elaborará um plano individual de atendimento, visando à reintegração familiar, ressalvada a existência de ordem escrita e fundamentada em contrário de autoridade judiciária competente, caso em que também deverá contemplar sua colocação em família substituta, observadas as regras e princípios desta Lei.
FCC 2015 TJ SC Juiz - A desjudicialização do atendimento é apontada por alguns autores como uma das tendências incorporadas pelo Estatutoa lavratura do auto poderá ser substituída por boletim de ocorrência circunstanciada.
- Após a lavratura do auto de apreensão ou do B.O. o delegado poderá:
Liberar o adolescente aos pais ou responsáveis sob termo de compromisso de apresentá-lo no mesmo dia ou no primeiro dia útil seguinte ao MP.
Poderá não liberar o adolescente, mantendo apreendido, mesmo fazendo o BO. Não liberará o adolescente se pela gravidade do ato infracional e sua repercussão social deva, o adolescente, permanecer internado para garantia de sua segurança ou para garantia de ordem pública.
- Não liberando o menor, o delegado poderá:
Apresentar imediatamente o adolescente ao MP com cópia do auto de apreensão ou do BO (175, caput).
Encaminhar a autoridade de atendimento que ficará encarregada de apresentar o adolescente ao MP em 24 horas (175, §1º ECA).
Art. 175. Em caso de não liberação, a autoridade policial encaminhará, desde logo, o adolescente ao representante do Ministério Público, juntamente com cópia do auto de apreensão ou boletim de ocorrência.
§ 1º Sendo impossível a apresentação imediata, a autoridade policial encaminhará o adolescente à entidade de atendimento, que fará a apresentação ao representante do Ministério Público no prazo de vinte e quatro horas.
- Em não havendo entidade de atendimento, o próprio delegado apresentará ao MP em 24 horas, e neste tempo deverá manter o adolescente em repartição separada dos maiores (art. 175, §2º ECA).
§ 2º Nas localidades onde não houver entidade de atendimento, a apresentação far-se-á pela autoridade policial. À falta de repartição policial especializada, o adolescente aguardará a apresentação em dependência separada da destinada a maiores, não podendo, em qualquer hipótese, exceder o prazo referido no parágrafo anterior.
Investigação sem estar em flagrante 
- O delegado não fará inquérito, encaminhando ao MP um relatório de investigações, promovendo as investigações normais (177 ECA).
Art. 177. Se, afastada a hipótese de flagrante, houver indícios de participação de adolescente na prática de ato infracional, a autoridade policial encaminhará ao representante do Ministério Público relatório das investigações e demais documentos.
- O prazo para terminar as investigações é aplicado por analogia ao do CPP, 30 dias se o indiciado estiver solto (152 ECA – aplica-se ao ECA subsidiariamente as normas do CPP).
Procedimento da prisão em flagrante
Art. 173. Em caso de flagrante de ato infracional cometido mediante violência ou grave ameaça a pessoa, a autoridade policial, sem prejuízo do disposto nos arts. 106, parágrafo único, e 107, deverá:
I - lavrar auto de apreensão, ouvidos as testemunhas e o adolescente;
II - apreender o produto e os instrumentos da infração;
III - requisitar os exames ou perícias necessários à comprovação da materialidade e autoria da infração.
Parágrafo único. Nas demais hipóteses de flagrante, a lavratura do auto poderá ser substituída por boletim de ocorrência circunstanciada.
- Uma vez apreendido em flagrante por ato infracional cometido mediante violência a pessoa ou grave ameaça será encaminhado à autoridade policial, que deverá cumprir algumas formalidades.
- Procedimento:
1º Lavra-se o auto de apreensão se o crime foi cometido com violência ou grave ameaça. O auto de apreensão pode ser substituído por boletim de ocorrência se for sem violência ou grave ameaça.
2º Apreender o produto e os instrumentos da infração.
3º Requisitar perícia.
4º Identificar/Informar os responsáveis pela apreensão.
5º Comunicação à família ou pessoa indicada.
6º Em regra haverá a liberação do adolescente aos seus pais ou responsáveis e estes assumirão o dever de apresentar o menor ao MP. Excepcionalmente não ocorrerá a liberação.
Hipóteses de não liberação
Art. 174. Comparecendo qualquer dos pais ou responsável, o adolescente será prontamente liberado pela autoridade policial, sob termo de compromisso e responsabilidade de sua apresentação ao representante do Ministério Público, no mesmo dia ou, sendo impossível, no primeiro dia útil imediato, exceto quando, pela gravidade do ato infracional e sua repercussão social, deva o adolescente permanecer sob internação para garantia de sua segurança pessoal ou manutenção da ordem pública.
- Não há liberação em ato infracional grave com repercussão social, quando então o adolescente ficará internado para sua segurança pessoal ou garantia da ordem pública.
- Neste caso deverá haver apresentação imediata ao MP.
Art. 175. Em caso de não liberação, a autoridade policial encaminhará, desde logo, o adolescente ao representante do Ministério Público, juntamente com cópia do auto de apreensão ou boletim de ocorrência.
- Se não houver liberação pela autoridade policial, um suposto HC será competência do Juízo da Infância.
- Quando não for possível esta apresentação imediata ao MP o adolescente deve ser encaminhado a uma entidade de atendimento e apresentado em 24 horas. 
§ 1º Sendo impossível a apresentação imediata, a autoridade policial encaminhará o adolescente à entidade de atendimento, que fará a apresentação ao representante do Ministério Público no prazo de vinte e quatro horas.
Obs: Onde não houver entidade de atendimento deverá permanecer em repartição policial isolada dos presos e encaminhar ao MP em 24 horas.
§ 2º Nas localidades onde não houver entidade de atendimento, a apresentação far-se-á pela autoridade policial. À falta de repartição policial especializada, o adolescente aguardará a apresentação em dependência separada da destinada a maiores, não podendo, em qualquer hipótese, exceder o prazo referido no parágrafo anterior.
- Caso não apresente à autoridade competente pratica crime previsto no ECA.
Atuação do MP 
- Apresentado ao MP este fará uma oitiva informal (179 ECA) e promoverá colheita de informações. Neste momento não necessita de advogado, mas sua presença não pode ser impedida.
Art. 179. Apresentado o adolescente, o representante do Ministério Público, no mesmo dia e à vista do auto de apreensão, boletim de ocorrência ou relatório policial, devidamente autuados pelo cartório judicial e com informação sobre os antecedentes do adolescente, procederá imediata e informalmente à sua oitiva e, em sendo possível, de seus pais ou responsável, vítima e testemunhas.
- Esta oitiva informal não é providência obrigatória, servindo tão somente para que o MP colha elementos. Se o MP já possui elementos suficientes pode dispensar esta fase.
- Manifestações do MP:
Art. 180. Adotadas as providências a que alude o artigo anterior, o representante do Ministério Público poderá:
I - promover o arquivamento dos autos;
II - conceder a remissão;
III - representar à autoridade judiciária para aplicação de medida sócio-educativa.
Promover o arquivamento dos autos
- O MP pode promover arquivamento dos autos. Esta atuação depende de homologação do juiz e caso discorde remeterá ao PGJ.
Art. 181. Promovido o arquivamento dos autos ou concedida a remissão pelo representante do Ministério Público, mediante termo fundamentado, que conterá o resumo dos fatos, os autos serão conclusos à autoridade judiciária para homologação.
§ 2º Discordando, a autoridade judiciária fará remessa dos autos ao Procurador-Geral de Justiça, mediante despacho fundamentado, e este oferecerá representação, designará outro membro do Ministério Público para apresentá-la, ou ratificará o arquivamento ou a remissão, que só então estará a autoridade judiciária obrigada a homologar.
Conceder remissão
- A remissão pode ser ofertada por 02 vias, uma administrativa e uma judicial. Esta primeira, antes do oferecimento da representação é a administrativa, também chamada de ministerial.
- O MP pode conceder remissão como forma de exclusão do processo, cumulada ou não com medida socioeducativa não restritiva de liberdade, pois para o adolescente ser submetido a um processo tem que ser demonstrado a necessidade.
Art. 126. Antes de iniciado o procedimento judicial para apuração de ato infracional, o representante do Ministério Público poderá conceder a remissão, comoforma de exclusão do processo, atendendo às circunstâncias e conseqüências do fato, ao contexto social, bem como à personalidade do adolescente e sua maior ou menor participação no ato infracional.
- A remissão pode importar em um perdão simples ou então pode ser cumulada com uma medida socioeducativa.
- A remissão não implica em reconhecimento da autoria, pois se pode aceitar para não se ver processado. Nem tem efeito de antecedentes criminais.
Art. 127. A remissão não implica necessariamente o reconhecimento ou comprovação da responsabilidade, nem prevalece para efeito de antecedentes, podendo incluir eventualmente a aplicação de qualquer das medidas previstas em lei, exceto a colocação em regime de semi-liberdade e a internação.
- Esta remissão será acordada com o adolescente. Pode ser cumulada com medida socioeducativa, desde que não restritiva de liberdade.
- Há entendimento que é inconstitucional a cumulação da remissão com medida socioeducativa, entretanto o STJ entende ser constitucional tal cumulação (pois não importa em reconhecimento de autoria, nem serve para fins de antecedentes). 
- Afirma o STJ que se a remissão for cumulada com medida há necessidade da participação de advogado.
- Se o adolescente descumpre a medida não é cabível a internação, mas sim o MP oferecerá representação.
- O Juiz fiscalizará esta remissão e dependerá de sua homologação.
Oferecimento de representação – FASE PROCESSUAL
- Trata-se do início da fase judicial da apuração do ato infracional.
- Representação é a petição inicial da ação socioeducativa que somente pode ser oferecida pelo MP.
- É, também, chamada de ação socioeducativa pública. Implica em um caso de tutela jurisdicional diferenciada, tendo em vista que esta ação refere-se a direitos de adolescentes.
- Características da representação:
Pode ser apresentada na forma escrita ou oral na sessão diária instalada.
Deve conter breve resumo dos fatos e classificação do ato infracional, bem como indicação das testemunhas.
O oferecimento da representação independe de prova pré-constituída da autoria e materialidade.
O MP pode requerer a internação provisória (decretada antes da sentença, cujo prazo máximo é de 45 dias).
§ 1º A representação será oferecida por petição, que conterá o breve resumo dos fatos e a classificação do ato infracional e, quando necessário, o rol de testemunhas, podendo ser deduzida oralmente, em sessão diária instalada pela autoridade judiciária.
- A representação será apresentada à autoridade judiciária que poderá:
Rejeitá-la (cabe apelação).
Determinar sua emenda (cabe agravo de instrumento).
Receber.
- Quando receber a representação o Juiz irá designar audiência de apresentação, determinará a elaboração do relatório, determinará a cientificação do adolescente e seus pais (citação). Esta ciência poderá ser por oficial de justiça ou meio equivalente, p ex, próprio escrivão. O juiz, logo após, analisará a necessidade da internação provisória.
Art. 184. Oferecida a representação, a autoridade judiciária designará audiência de apresentação do adolescente, decidindo, desde logo, sobre a decretação ou manutenção da internação, observado o disposto no art. 108 e parágrafo.
Observações
- Em ato infracional o juízo da infância competente pode ser o do local do ato ou do resultado, diferentemente das demais ações cíveis que envolvam menores que será o local onde houver a residência dos pais do menor ou onde o menor se encontrar.
Art. 18-A do ECA
Art. 18-A. A criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los. 
Parágrafo único.  Para os fins desta Lei, considera-se:
I - castigo físico: ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força física sobre a criança ou o adolescente que resulte em:
a) sofrimento físico; ou 
b) lesão;
II - tratamento cruel ou degradante: conduta ou forma cruel de tratamento em relação à criança ou ao adolescente que: 
a) humilhe; ou 
b) ameace gravemente; ou  
c) ridicularize.     
	Memorize!!!
● Castigo físico:
a) sofrimento físico; ou 
b) lesão;
● Tratamento cruel ou degradante: 
a) humilhe; ou 
b) ameace gravemente; ou  
c) ridicularize.     
Art. 18-b do ECA – Lei da Palmada
ECA, Art. 18-B. Os pais, os integrantes da família ampliada, os responsáveis, os agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou qualquer pessoa encarregada de cuidar de crianças e de adolescentes, tratá-los, educá-los ou protegê-los que utilizarem castigo físico ou tratamento cruel ou degradante como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto estarão sujeitos, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, às seguintes medidas, que serão aplicadas de acordo com a gravidade do caso: 
I - encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família; 
II - encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico; 
III - encaminhamento a cursos ou programas de orientação; 
IV - obrigação de encaminhar a criança a tratamento especializado; 
V - advertência. 
Parágrafo único. As medidas previstas neste artigo serão aplicadas pelo Conselho Tutelar, sem prejuízo de outras providências legais.da Criança e do Adolescente − ECA para a proteção dos direitos da população infanto-juvenil. Todavia, para algumas situações, ainda reservou a lei a necessidade de intervenção judicial específica. Nessa linha, segundo prevê expressamente o ECA, é necessária 
a) prévia autorização judicial para que adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de semiliberdade realizem atividades externas. 
b) decisão judicial para que se possa aplicar medida de advertência a pais ou responsável quando, por ação ou omissão, ameacem ou violem direitos de seus filhos. 
c) autorização, por, alvará judicial, para que os adotantes internacionais, após trânsito em julgado da sentença de adoção, possam obter o passaporte da criança/adolescente adotado. 
d) autorização, por alvará judicial, para a participação de menores de 18 (dezoito) anos em campeonatos desportivos durante o período letivo, nos horários de aula (inclusive noturnos), salvo se relativos à própria disciplina e organização do estabelecimento escolar frequentado pela criança ou adolescente. 
e) autorização judicial para permitir que os pais ou responsável visitem, em serviços de acolhimento institucional, crianças que foram afastadas de seu convívio por suspeitas de maus-tratos ou abuso.
A) Incorreta - ECA, art. 120;
Art. 120. O regime de semi-liberdade pode ser determinado desde o início, ou como forma de transição para o meio aberto, possibilitada a realização de atividades externas, independentemente de autorização judicial. 
§ 1º São obrigatórias a escolarização e a profissionalização, devendo, sempre que possível, ser utilizados os recursos existentes na comunidade.
§ 2º A medida não comporta prazo determinado aplicando-se, no que couber, as disposições relativas à internação.
B) Incorreta - ECA, art. 129, VII c/c art. 136, II;
Art. 129. São medidas aplicáveis aos pais ou responsável: 
VII - advertência; 
Art. 136. São atribuições do Conselho Tutelar: 
II - atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as medidas previstas no art. 129, I a VII;
Art. 129. São medidas aplicáveis aos pais ou responsável:
I - encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família;
II - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos;
III - encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico;
IV - encaminhamento a cursos ou programas de orientação;
V - obrigação de matricular o filho ou pupilo e acompanhar sua freqüência e aproveitamento escolar;
VI - obrigação de encaminhar a criança ou adolescente a tratamento especializado;
VII - advertência;"
C) Correta - ECA, art. 52, § 9º;
Art. 52. A adoção internacional observará o procedimento previsto nos arts. 165 a 170 desta Lei, com as seguintes adaptações: 
§ 9º Transitada em julgado a decisão, a autoridade judiciária determinará a expedição de alvará com autorização de viagem, bem como para obtenção de passaporte, constando, obrigatoriamente, as características da criança ou adolescente adotado, como idade, cor, sexo, eventuais sinais ou traços peculiares, assim como foto recente e a aposição da impressão digital do seu polegar direito, instruindo o documento com cópia autenticada da decisão e certidão de trânsito em julgado.
D) Incorreta - ECA, art. 149, II;
Art. 149. Compete à autoridade judiciária disciplinar, através de portaria, ou autorizar, mediante alvará: 
I - a entrada e permanência de criança ou adolescente, desacompanhado dos pais ou responsável, em:
a) estádio, ginásio e campo desportivo;
b) bailes ou promoções dançantes;
c) boate ou congêneres;
d) casa que explore comercialmente diversões eletrônicas;
e) estúdios cinematográficos, de teatro, rádio e televisão.
II - a participação de criança e adolescente em:
a) espetáculos públicos e seus ensaios;
b) certames de beleza.
E) Incorreta - ECA, art. 19, § 4º c/c art. 98, II c/c art. 101, VII.
Art. 19. Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes.
§ 4o Será garantida a convivência da criança e do adolescente com a mãe ou o pai privado de liberdade, por meio de visitas periódicas promovidas pelo responsável ou, nas hipóteses de acolhimento institucional, pela entidade responsável, independentemente de autorização judicial. 
 Art. 98. As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados: 
 I - por ação ou omissão da sociedade ou do Estado; 
 II - por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável; 
 III - em razão de sua conduta. 
 Art. 101. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98, a autoridade competente poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas: 
 VII - acolhimento institucional; (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
Introdução sobre ato infracional
- No estudo do ato infracional observa-se:
a)	Diretrizes para prevenção da delinqüência juvenil;
b)	Regras mínimas das Nações Unidas para a administração da Justiça da infância e da juventude (sistema de justiça especializada);
c)	Regras mínimas das Nações Unidas para proteção dos jovens privados de liberdade.
- Estas diretrizes e regras juntamente com as Convenções formam a doutrina das nações unidas da proteção integral da criança e do adolescente (doutrina encampada pelo ECA).
- O artigo 228 CF traz a garantia da inimputabilidade (cláusula pétrea). Conseqüências:
Art. 228. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às normas da legislação especial.
Criança e adolescente estão sujeitos à lei especial (ECA);
a)	Estão sujeitos a um juízo especial (vara da infância e da juventude, tão somente o adolescente, pois uma criança não pode estar sujeita a uma ação);
b)	Estará sujeito a um processo especial e a uma resposta diferenciada (ação socioeducativa e a possibilidade de aplicação de medida socioeducativa e/ou medida protetiva).
- Tanto criança como adolescente podem praticar ato infracional, entretanto, contra criança não pode ser aplicado medida socioeducativa, mas sim será encaminhada ao Conselho Tutelar que poderá adotar uma medida protetiva.
( ) MP/SP/2006 - Ato infracional é a conduta legalmente descrita como crime ou contravenção penal.[endnoteRef:3] [3: Verdadeiro] 
Art. 103. Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção penal.
Conceito de ato infracional
- Ato infracional é a conduta prevista na lei como crime ou contravenção penal praticada por criança ou adolescente. 
- Adota-se o princípio da tipicidade delegada pela qual o estatuto se vale da lei penal para a definição dos tipos penais.
- É o ato que corresponde a um crime ou a uma contravenção penal (art. 103). Se a conduta não corresponder nem a crime nem a contravenção, será atípica, pois se aplica o princípio da legalidade.
- É irrelevante se o ato infracional corresponde a um crime de ação pública condicionada ou de ação privada (o MP sempre deve agir de ofício, independentemente da vítima).
- STJ e STF afirmam ser perfeitamente possível aplicar princípio da insignificância em ato infracional (STF HC 96520).
STF HC 96520 - EMENTA: HABEAS CORPUS. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. PRESCRIÇÃO DE MEDIDA SOCIOEDUCATIVA. APLICABILIDADE DAS REGRAS PREVISTAS NO CÓDIGO PENAL. REDUÇÃO DO PRAZO PRESCRICIONAL À METADE COM BASE NO ART. 115 DO CÓDIGO PENAL. PRECEDENTE. ORDEM DENEGADA. HABEAS CORPUS PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESTA PARTE, DENEGADO. INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. ORDEM CONCEDIDA DE OFÍCIO. 1. Se a alegação da eventual incidência do princípio da insignificância não foi submetida às instâncias antecedentes, não cabe ao Supremo Tribunal delas conhecer originariamente, sob pena de supressão de instância. 2. É firme a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no sentido de que a prescrição das medidas socioeducativassegue as regras estabelecidas no Código Penal aos agentes menores de 21 (vinte e um) anos ao tempo do crime, ou seja, o prazo prescricional dos tipos penais previstos no Código Penal é reduzido de metade quando aplicado aos atos infracionais praticados pela criança ou pelo adolescente. 3. Habeas corpus parcialmente conhecido e, nesta parte, denegado. 4. Concessão de ofício para reconhecer a incidência do princípio da insignificância.
Medidas de proteção x socioeducativas
	
	Medida de proteção – art. 101
	Medidas socioeducativas – art. 112
	Destinatários
	Criança e adolescentes
	Adolescentes
	Cabimento
	Situações de risco (art. 98)
	Prática de ato infracional (art. 98, III)
	Rol
	Exemplificativo
	Taxativo
	Autoridade competente
	Art. 136, I, art. 148, III e § único
	Art. 148, I
Sobre as medidas específicas de proteção, pelo que vem disciplinado no Estatuto da Criança e do Adolescente, pode-se dizer que algumas podem ser aplicadas pelo Ministério Público, outras pelo Conselho Tutelar e outras ainda são de competência exclusiva da autoridade judiciária.[endnoteRef:4] [4: Falso] 
- MP não aplica medida de proteção. As medidas de proteção ou são aplicadas pelo conselho tutelar ou pelo juiz (apenas o juiz → colocação em família substituta, guarda, tutela, adoção)
Sobre as medidas específicas de proteção, pelo que vem disciplinado no Estatuto da Criança e do Adolescente, pode-se dizer que devem vir acompanhadas da regularização do registro civil, cabendo ao Conselho Tutelar requisitar a lavratura do assento de nascimento da criança ou adolescente se verificada a inexistência de registro anterior.[endnoteRef:5] [5: Falso] 
- Não é condição imprescindível para se aplica medida de proteção regularizar o registro civil.
Medidas de proteção
- São medidas assistenciais aplicadas à criança e ao adolescente em situação de risco definida no artigo 98 ECA.
Art. 98. As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados:
I - por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;
II - por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável;
III - em razão de sua conduta.
	Atenção!!!
- Criança pratica (até 12 anos incompletos) ato infracional, mas jamais receberá uma medida educativa. Criança recebe medida de proteção (art. 101).
- Vale informar que adolescente pode receber medida socioeducativa e medida de proteção.
Art. 105. Ao ato infracional praticado por criança corresponderão as medidas previstas no art. 101.
- quem aplica a medida de segurança é CT da localidade do ato infracional.
- Podem ser aplicadas pelo Conselho Tutelar nas hipóteses do artigo 101, I a VI. Podendo ser aplicada, também, pelo juiz.
- O art. 101 tem um rol exemplificativo. 
- O MP não aplica medida de proteção. As medidas de proteção ou são aplicadas pelo conselho tutelar ou pelo juiz (apenas o juiz → colocação em família substituta, guarda, tutela, adoção)
Art. 101. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98, a autoridade competente poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas:
I - encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade;
II - orientação, apoio e acompanhamento temporários;
III - matrícula e freqüência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental;
IV - inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, à criança e ao adolescente;
V - requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial;
VI - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos;
VII - acolhimento institucional; 
VIII - inclusão em programa de acolhimento familiar; 
IX - colocação em família substituta.
- Os incisos I a VI podem ser aplicados pelo Conselho Tutelar.
- Os incisos VII a IX só podem ser aplicados pelo juiz. Mas o juiz pode aplicar qualquer um dos incisos, mas os incisos VII a IX só podem ser aplicadas por juiz.
	Atenção!!!
- Compete apenas ao juiz → Acolhimento, Acolhimento ou família substituta
Art. 136. São atribuições do Conselho Tutelar:
I - atender as crianças e adolescentes nas hipóteses previstas nos arts. 98 e 105, aplicando as medidas previstas no art. 101, I a VII (leia-se I a VI);
Parágrafo único.  Se, no exercício de suas atribuições, o Conselho Tutelar entender necessário o afastamento do convívio familiar, comunicará incontinenti o fato ao Ministério Público, prestando-lhe informações sobre os motivos de tal entendimento e as providências tomadas para a orientação, o apoio e a promoção social da família.
- A medida de acolhimento institucional e acolhimento familiar são medidas excepcionais (artigo 101, §1º, ECA), utilizados como forma de transição.
Art. 101, § 1º O acolhimento institucional e o acolhimento familiar são medidas provisórias e excepcionais, utilizáveis como forma de transição para reintegração familiar ou, não sendo esta possível, para colocação em família substituta, não implicando privação de liberdade.
TJ GO FCC 2015 Juiz de direito - O acolhimento institucional e o acolhimento familiar são medidas específicas de proteção com as seguintes características:
a) provisórias e excepcionais, utilizáveis como forma de transição para reintegração familiar ou, não sendo esta possível, para colocação em adoção, implicando na privação de liberdade cautelar.
b) excepcionais, utilizáveis como forma de transição para colocação em família substituta, não implicando privação de liberdade.
c) provisórias ou definitivas, utilizáveis como forma de transição para reintegração familiar ou, não sendo esta possível, para colocação em família substituta, implicando restrição da liberdade em razão da institucionalização.
d) provisórias e excepcionais, utilizáveis como forma de transição para reintegração familiar ou, não sendo esta possível, para colocação em adoção, não implicando privação de liberdade.
e) provisórias e excepcionais, utilizáveis como forma de transição para reintegração familiar ou, não sendo esta possível, para colocação em família substituta, não implicando privação de liberdade.[endnoteRef:6] [6: Letra E] 
- Letra A - Não se confunde acolhimento com internação. O acolhimento é uma medida de proteção. A internação é uma medida socioeducativa que pode implicar em privação de liberdade
- letra b – O acolhimento não é necessariamente uma forma de transição para colocação em família substituta, mas pode ser para a própria família.
- letra c – o acolhimento jamais será definitivo.
- letra d – pode ser possível para a colocação em adoção.
- letra e – é a resposta.
Família substituta
Art. 19. Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes.
Programa de acolhimento familiar ou institucional
- O programa de acolhimento familiar ou institucional terá sua situação reavaliada, no máximo, a cada 6 meses.
- A permanência da criança e do adolescente em programa de acolhimento institucional não se prolongará por mais de 2 (dois) anos, salvo comprovada necessidade. Cuidado para não confundir com a medida sócio educativa que é de no máximo 3 anos.
	Atenção!!!
- O acolhimento institucional e o acolhimento familiar são medidas específicas de proteção com as seguintes características: 
a)	provisórias e excepcionais, 
b)	utilizáveis como forma de transição para reintegração familiar ou, 
c)	não sendo esta possível, para colocação em família substituta, 
d)	não implicando privação de liberdade
Art. 19, § 1º Toda criança ou adolescente que estiver inserido em programa de acolhimento familiar ou institucional terá sua situação reavaliada, no máximo, a cada 6 (seis) meses, devendo a autoridade judiciária competente, com base em relatório elaborado por equipe interprofissional ou multidisciplinar, decidir de forma fundamentada pela possibilidade de reintegraçãofamiliar ou colocação em família substituta, em quaisquer das modalidades previstas no art. 28 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)
Programa de acolhimento institucional
Art. 19, § 2º A permanência da criança e do adolescente em programa de acolhimento institucional não se prolongará por mais de 2 (dois) anos, salvo comprovada necessidade que atenda ao seu superior interesse, devidamente fundamentada pela autoridade judiciária. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)
§ 3º A manutenção ou reintegração de criança ou adolescente à sua família terá preferência em relação a qualquer outra providência, caso em que será esta incluída em programas de orientação e auxílio, nos termos do parágrafo único do art. 23, dos incisos I e IV do caput do art. 101 e dos incisos I a IV do caput do art. 129 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009)Vigência
§ 4º Será garantida a convivência da criança e do adolescente com a mãe ou o pai privado de liberdade, por meio de visitas periódicas promovidas pelo responsável ou, nas hipóteses de acolhimento institucional, pela entidade responsável, independentemente de autorização judicial. (Incluído pela Lei nº 12.962, de 2014)
Art. 20. Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.
Art. 21. O poder familiar será exercido, em igualdade de condições, pelo pai e pela mãe, na forma do que dispuser a legislação civil, assegurado a qualquer deles o direito de, em caso de discordância, recorrer à autoridade judiciária competente para a solução da divergência.(Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009)Vigência
Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais.
Art. 23. A falta ou a carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para a perda ou a suspensão do poder familiar. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009)Vigência
§ 1o Não existindo outro motivo que por si só autorize a decretação da medida, a criança ou o adolescente será mantido em sua família de origem, a qual deverá obrigatoriamente ser incluída em programas oficiais de auxílio.(Incluído pela Lei nº 12.962, de 2014)
§ 2o A condenação criminal do pai ou da mãe não implicará a destituição do poder familiar, exceto na hipótese de condenação por crime doloso, sujeito à pena de reclusão, contra o próprio filho ou filha. (Incluído pela Lei nº 12.962, de 2014)
Art. 24. A perda e a suspensão do poder familiar serão decretadas judicialmente, em procedimento contraditório, nos casos previstos na legislação civil, bem como na hipótese de descumprimento injustificado dos deveres e obrigações a que alude o art. 22. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009)Vigência.
Acolhimento sem prévia determinação judicial
Art. 93. As entidades que mantenham programa de acolhimento institucional poderão, em caráter excepcional e de urgência, acolher crianças e adolescentes sem prévia determinação da autoridade competente, fazendo comunicação do fato em até 24 (vinte e quatro) horas ao Juiz da Infância e da Juventude, sob pena de responsabilidade.
Parágrafo único. Recebida a comunicação, a autoridade judiciária, ouvido o Ministério Público e se necessário com o apoio do Conselho Tutelar local, tomará as medidas necessárias para promover a imediata reintegração familiar da criança ou do adolescente ou, se por qualquer razão não for isso possível ou recomendável, para seu encaminhamento a programa de acolhimento familiar, institucional ou a família substituta, observado o disposto no § 2o do art. 101 desta Lei.
Sobre as medidas específicas de proteção, pelo que vem disciplinado no Estatuto da Criança e do Adolescente, pode-se dizer que são aplicáveis apenas a crianças, cabendo aos adolescentes as medidas socioeducativas.[endnoteRef:7] [7: Falso] 
- As medidas socioeducativas são aplicadas apenas aos adolescentes.
- As medidas de proteção são aplicadas tanto aos adolescentes como às crianças. 
Art. 98. As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados:
I - por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;
II - por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável;
III - em razão de sua conduta.
Sobre as medidas específicas de proteção, pelo que vem disciplinado no Estatuto da Criança e do Adolescente, pode-se dizer que podem ser aplicadas tanto em casos de violação quanto em casos de ameaça de violação dos direitos da criança e do adolescente.[endnoteRef:8] [8: Verdadeiro] 
Art. 98. As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados:
I - por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;
II - por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável;
III - em razão de sua conduta.
( ) Defensoria/RN/2006 – Constituem medidas aplicáveis aos adolescentes em caso de prática de ato infracional a imposição de matrícula e frequência obrigatória em estabelecimento oficial de ensino e a liberdade assistida.[endnoteRef:9] [9: Verdadeiro] 
- Veja os inciso III do art. 101 e inciso IV do art. 112
( ) Defensoria/RN/2006 – Constituem medidas aplicáveis aos adolescentes em caso de prática de ato infracional a liberdade assistida, o abrigo em entidade, e detenção.[endnoteRef:10] [10: Falso] 
- A liberdade assistida (art. 112, IV), mas nos artigos 112 e 101 não há o termo abrigo em entidade ou detenção.
( ) Defensoria/RN/2006 – Constituem medidas aplicáveis aos adolescentes em caso de prática de ato infracional a prestação de serviços à comunidade e o abrigo em entidade.[endnoteRef:11] [11: Falso] 
- A prestação de serviços à comunidade (art. 112, III) é uma medida aplicável aos adolescentes em caso de prática de ato infracional, mas abrigo em entidade não há na lei.
( ) Defensoria/RN/2006 – Constituem medidas aplicáveis aos adolescentes em caso de prática de ato infracional a internação em estabelecimento educacional e detenção.[endnoteRef:12] [12: Falso] 
- A internação em estabelecimento educacional (art. 112, VI) é uma medida aplicável aos adolescentes em caso de prática de ato infracional, mas a detenção não há na lei contra adolescentes.
( ) Magistratura/PR/2008 – Verificada a prática de crime, a autoridade competente poderá aplicar ao adolescente a advertência.[endnoteRef:13] [13: Falso] 
- Adolescente não pratica crime, mas sim ato infracional.
ECA, Art. 112. Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente poderá aplicar ao adolescente as seguintes medidas:
I - advertência;
II - obrigação de reparar o dano;
III - prestação de serviços à comunidade;
IV - liberdade assistida;
V - inserção em regime de semi-liberdade;
VI - internação em estabelecimento educacional;
VII - qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI.
Magistratura/SC/2008 – Acerca das medidas sócio-educativas que podem ser aplicadas ao adolescente pela prática de ato infracional, assinale a alternativa correta.
a)	Internação em estabelecimento educacional; liberdade assistida; colocação em família substituta.
b)	Prestação de serviços à comunidade; orientação, apoio e acompanhamento temporários; multa.
c)	Detenção; inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos.
d)	Encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade; requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial; abrigo em entidade.
e)	Advertência; obrigação de reparar o dano; inserção em regime de semiliberdade.[endnoteRef:14] [14: Letra E] 
- A letra a) está errada tendo em vista que colocação em família substituta não é uma medida sócio-educativa pela prática de ato infracional.
- A letra b) está errada tendo em vista que multa não é uma medida sócio-educativa pela práticade ato infracional prevista nesta lei.
- A letra c) está errada tendo em vista que detenção não é uma medida sócio-educativa pela prática de ato infracional prevista nesta lei.
- A letra d) está errada tendo em vista que abrigo em entidade não é uma medida sócio-educativa pela prática de ato infracional prevista nesta lei.
ECA, Art. 112. Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente poderá aplicar ao adolescente as seguintes medidas:
I - advertência;
II - obrigação de reparar o dano;
III - prestação de serviços à comunidade;
IV - liberdade assistida;
V - inserção em regime de semi-liberdade;
VI - internação em estabelecimento educacional;
VII - qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI.
Medidas socioeducativas 
- É uma medida jurídica que pode ser aplicada ao adolescente (nunca à criança) autor de ato infracional. Depende a sua aplicação da observância do devido processo legal.
- Medidas (112 ECA):
a)	Advertência;
b)	Obrigação de reparar o dano;
c)	Prestação de serviços a comunidade;
d)	Liberdade assistida;
e)	Inserção em regime de semi-liberdade;
f)	Internação em estabelecimento educacional;
g)	Medidas previstas no artigo 101, I a VI do ECA.
- Medidas em meio aberto: a, b, c, d.
- Medidas em meio fechado (restritivas de liberdade): e, f. Estão condicionadas a 3 princípios, a saber, princípio da brevidade, excepcionalidade e do respeito à condição de pessoa em desenvolvimento.
Art. 121. A internação constitui medida privativa da liberdade, sujeita aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
ECA, Art. 112. Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente poderá aplicar ao adolescente as seguintes medidas:
I - advertência;
II - obrigação de reparar o dano;
III - prestação de serviços à comunidade;
IV - liberdade assistida;
V - inserção em regime de semi-liberdade;
VI - internação em estabelecimento educacional;
VII - qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI.
§ 1º A medida aplicada ao adolescente levará em conta a sua capacidade de cumpri-la, as circunstâncias e a gravidade da infração.
§ 2º Em hipótese alguma e sob pretexto algum, será admitida a prestação de trabalho forçado.
§ 3º Os adolescentes portadores de doença ou deficiência mental receberão tratamento individual e especializado, em local adequado às suas condições.
Art. 113. Aplica-se a este Capítulo o disposto nos arts. 99 e 100.
Art. 114. A imposição das medidas previstas nos incisos II a VI do art. 112 pressupõe a existência de provas suficientes da autoria e da materialidade da infração, ressalvada a hipótese de remissão, nos termos do art. 127.
Parágrafo único. A advertência poderá ser aplicada sempre que houver prova da materialidade e indícios suficientes da autoria.
- Princípio da brevidade: A medida deve durar o menor tempo possível, apenas o imprescindível à ressocialização.
- Princípio da excepcionalidade: A restrição da liberdade somente pode ser aplicada quando a ressocialização não puder ser atingida pelas medidas em meio aberto. Somente podem ser aplicadas nas hipóteses taxativamente previstas em lei.
- Medidas próprias: As demais medidas do artigo 112 do ECA, que não às do artigo 101.
- Medidas impróprias: São as medidas protetivas (são medidas assistenciais que podem ser aplicadas à criança e ao adolescente pelo Conselho Tutelar ou pelo juiz da vara de infância de da juventude. Relativamente ao ato infracional o Conselho pode aplicar às crianças, ao adolescente será aplicada pelo juiz). Estão contidos no artigo 101, I a VI do ECA.
Art. 101. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98, a autoridade competente poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas:
I - encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade;
II - orientação, apoio e acompanhamento temporários;
III - matrícula e freqüência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental;
IV - inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, à criança e ao adolescente;
V - requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial;
VI - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos;
- Medidas instantâneas: a, b.
- Medidas por tarefa: c.
- Medida por desempenho: d, e, f (não tem prazo determinado).
- A fiscalização pode ser pelo MP, Judiciário, etc.
- Pode haver entidades governamentais e não-governamentais que vão executar o projeto pedagógico e estas entidades podem estar sujeita aos Municípios (liberdade assistida e prestação de serviços à comunidade) e aos Estados (semi-liberdade e internação).
- Acompanhamento do Judiciário: Quando a decisão é a inserção do adolescente em alguma medida, salvo a advertência, será expedida a guia de execução de medida socioeducativa. Esta guia é autuada e vai inaugurar o processo de execução de medida que tramitará na vara de infância e da juventude que tiver domicílio ou residência o adolescente ou onde ele estiver cumprindo a medida.
- No processo de execução atuarão o MP e um defensor. Das decisões proferidas por um juiz na execução, como se trata de decisão interlocutória, será cabível um recurso de agravo de instrumento, salvo no caso de ser proferida sentença de extinção da execução.
- A L. 12.106/09 criou o departamento de monitoramento e fiscalização do sistema de execução de medida socioeducativas (âmbito do CNJ).
Advertência (112, I c/c 115 do ECA)
Art. 115. A advertência consistirá em admoestação verbal, que será reduzida a termo e assinada.
- Significa em admoestação verbal reduzida a termo.
- Para aplicação desta medida basta a prova da materialidade e indícios de autoria e participação (114, parágrafo único).
Obs: Para a aplicação de qualquer outra medida sócio educativa é necessário prova de autoria e de materialidade (114, caput).
Art. 114. A imposição das medidas previstas nos incisos II a VI do art. 112 pressupõe a existência de provas suficientes da autoria e da materialidade da infração, ressalvada a hipótese de remissão, nos termos do art. 127.
- Consiste na admoestação verbal ao adolescente conduzida pelo juiz.
- Esta admoestação deve ser transcrita.
- Para aplicação desta medida há necessidade, apenas, de indícios de autoria.
- Não necessita de acompanhamento.
Obrigação de reparar o dano (112, II c/c 116 ECA)
Art. 116. Em se tratando de ato infracional com reflexos patrimoniais, a autoridade poderá determinar, se for o caso, que o adolescente restitua a coisa, promova o ressarcimento do dano, ou, por outra forma, compense o prejuízo da vítima.
Parágrafo único. Havendo manifesta impossibilidade, a medida poderá ser substituída por outra adequada.
- Aplicada nos atos infracionais com reflexos patrimoniais, p ex, furto. Constitui em reparação da coisa, restituição do dano ou qualquer outra forma de compensação.
- Se o ato tiver reflexos patrimoniais pode ser utilizada esta medida.
- Exige a prova da materialidade e da autoria.
- O gerenciamento desta medida é feito pelo próprio Poder Judiciário.
- Quando reparado o dano, extingue-se a medida.
- Caso haja a impossibilidade de fazer, poderá ser substituído por outra medida adequada.
Prestação de serviços a comunidade (112, III c/c 117 ECA)
Art. 117. A prestação de serviços comunitários consiste na realização de tarefas gratuitas de interesse geral, por período não excedente a seis meses, junto a entidades assistenciais, hospitais, escolas e outros estabelecimentos congêneres, bem como em programas comunitários ou governamentais.
Parágrafo único. As tarefas serão atribuídas conforme as aptidões do adolescente, devendo ser cumpridas durante jornada máxima de oito horas semanais, aos sábados, domingos e feriados ou em dias úteis, de modo a não prejudicar a freqüência à escola ou à jornada normal de trabalho.
- Só pode ser decretada pelo prazo máximo de 06 meses.
- Esta medida consiste em tarefas gratuitas em escolas, hospitais, entidades assistenciais etc.
- Pode ter jornadasemanal máxima de 08 horas, em sábados, domingos ou feriados ou em dia útil em horário que não prejudique a freqüência ao trabalho ou a escola.
- Caracteriza-se pela prestação de tarefas gratuitas, com uma proporção de tempo. O tempo máximo é de 6 meses e a carga horária máxima é de 8 horas por semana.
- Deve haver a apuração da materialidade e autoria do ato infracional, além da possibilidade física e mental para a execução da tarefa.
- Esta atividade não pode ser insalubre e deve trazer benefícios ao adolescente.
- Dá-se início à prestação com a expedição de guia de execução.
- Deverá haver acompanhamento por entidade de atendimento responsável pela respectiva medida.
Liberdade assistida (112, IV c/c 118 e 119 ECA)
Art. 118. A liberdade assistida será adotada sempre que se afigurar a medida mais adequada para o fim de acompanhar, auxiliar e orientar o adolescente.
§ 1º A autoridade designará pessoa capacitada para acompanhar o caso, a qual poderá ser recomendada por entidade ou programa de atendimento.
§ 2º A liberdade assistida será fixada pelo prazo mínimo de seis meses, podendo a qualquer tempo ser prorrogada, revogada ou substituída por outra medida, ouvido o orientador, o Ministério Público e o defensor.
- Decretada pelo prazo mínimo de 06 meses.
- Aplicada nos casos em que o adolescente necessitar de acompanhamento, auxílio ou orientação.
- O juiz designa um orientador para acompanhar um adolescente e adotar as medidas do artigo 119.
Art. 119. Incumbe ao orientador, com o apoio e a supervisão da autoridade competente, a realização dos seguintes encargos, entre outros:
I - promover socialmente o adolescente e sua família, fornecendo-lhes orientação e inserindo-os, se necessário, em programa oficial ou comunitário de auxílio e assistência social;
II - supervisionar a freqüência e o aproveitamento escolar do adolescente, promovendo, inclusive, sua matrícula;
III - diligenciar no sentido da profissionalização do adolescente e de sua inserção no mercado de trabalho;
IV - apresentar relatório do caso.
- Deve haver a apuração da materialidade e autoria.
- Esta medida consiste no acompanhamento, orientação e no apoio ao adolescente (tem-se a figura do orientador).
- O orientador encaminha relatórios ao juízo da execução.
- O prazo mínimo da liberdade assistida é de 6 meses, não sendo estipulado prazo máximo, aplicando o da internação (3 anos).
Regime de semi-liberdade (112, V c/c 120 ECA)
- É internação em estabelecimento adequado com atividades externas e freqüência obrigatória a escola.
- Pode ser aplicada como medida inicial ou como progressão da internação para liberdade.
- A medida de semi-liberdade pode ser aplicada como medida inicial desde que a sentença seja fundamentada de forma idônea (demonstrar a necessidade concreta desde o início) (STJ HC 86610).
STJ HC 86610 – HABEAS CORPUS. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ATO INFRACIONAL EQUIPARADO A TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES. MEDIDA SÓCIO-EDUCATIVA DE SEMILIBERDADE. MOTIVAÇÃO INIDÔNEA. GRAVIDADE GENÉRICA DO DELITO. AUSÊNCIA DE ANÁLISE DAS CONDIÇÕES PESSOAIS DO MENOR. ILEGALIDADE. ORDEM CONCEDIDA.
1. O disposto no art. 120, § 2o. do ECA, não impede a adoção da medida sócio-educativa de semiliberdade, desde o início, quando esta for compatível com a gravidade e circunstâncias do delito, bem como com a capacidade do menor em cumprí-la.
2. A imposição da semiliberdade, todavia, deve estar pautada nas circunstâncias peculiares do caso concreto, quando o Julgador reputar imperiosa a adoção da medida para a proteção integral do adolescente, finalidade precípua da Lei 8.069/90, sendo descabida qualquer vinculação aos requisitos previstos no art. 122 do ECA, imperativa somente nos casos de internação.
3. In casu, não foi atendida a exigência de apreciação das condições pessoais do infrator, haja vista a ausência de indicação de qualquer elemento concreto apto a justificar a medida cerceadora de liberdade. Ao revés, reportou-se o Julgador apenas à gravidade abstrata do delito que, como cediço, não serve como critério único para fixação da medida restritiva de liberdade.
4. Ordem concedida, para anular a sentença de primeiro grau, tão-somente no tocante à medida de internação, a fim de que outro decisum seja prolatado, devendo, enquanto isso, permanecer o menor em liberdade assistida, se por outro motivo não estiver internado.
- A medida de semi-liberdade não tem prazo determinado.
- É uma medida restritiva de liberdade e está condicionada aos princípios: Brevidade, excepcionalidade e Respeito à condição de pessoa em desenvolvimento.
- Pode ser aplicada de início ou como progressão do regime de internação.
- Importa na restrição parcial da liberdade. O adolescente permanecerá em um período junto à família e em outro período junto à instituição (entidade de atendimento).
- Para este atendimento será observado o princípio da incompletude institucional, ou seja, devem ser utilizados recursos existentes na comunidade para a ressocialização, não se limitando ao atendimento institucional. Por esta razão, as atividades externas, na medida de semi-liberdade, não podem ser restritas (disciplina-se o senso de responsabilidade).
Art. 120. O regime de semi-liberdade pode ser determinado desde o início, ou como forma de transição para o meio aberto, possibilitada a realização de atividades externas, independentemente de autorização judicial.
- Não há prazo determinado para sua aplicação, devendo ser reavaliada, pelo menos, a cada 06 meses, com prazo máximo de 03 anos.
§ 2º A medida não comporta prazo determinado aplicando-se, no que couber, as disposições relativas à internação.
João tem 19 anos e cumpre medida socioeducativa de internação há 2 anos e 6 meses pela prática de latrocínio. Em um tumulto havido no centro de internação, a João foi imputada a prática de tentativa de homicídio, razão pela qual é preso em flagrante. Conforme dispõe expressamente a legislação em vigor, 
a) considerando que o ato infracional pelo qual João foi internado é mais grave do que o crime a ele imputado, é vedado ao juiz extinguir de plano a medida socioeducativa, devendo aguardar a solução do processo criminal. 
b) a prisão em flagrante é descabida, tendo em vista que o jovem já se encontra internado e é presumido inocente em relação à tentativa de homicídio, cabendo ao juiz da Infância, caso libere João futuramente, comunicar o fato ao juiz Criminal, que avaliará eventual interesse em sua custódia cautelar. 
c) se João permanecer em prisão cautelar por mais de 6 meses e for impronunciado, sem recurso, não poderá retomar o cumprimento da medida socioeducativa. 
d) quando revogada sua prisão cautelar, se João tiver menos de 21 anos, deverá retomar a medida de internação, devendo o juiz, no prazo máximo de 30 dias, à luz de parecer interdisciplinar, avaliar a possibilidade de encerramento da medida socioeducativa. 
e) comunicada a prisão do jovem, diante das evidências de fracasso na ressocialização, a medida socioeducativa deve ser extinta pelo juiz da Infância, ficando o jovem sob jurisdição exclusiva da Justiça Criminal.[endnoteRef:15] [15: Letra C] 
- Se o infrator já cumpriu 2 anos e 6 meses, está faltando apenas 6 meses para sua desinternação provisória. A lei 12.594, art. 46, § 2º diz que o tempo de prisão cautelar deve ser descontado do prazo de cumprimento de medida socioeducativa, logo se o infrator passou 6 meses preso cautelarmente ele não poderá retomar o cumprimento da medida sócio educativa, já que cumpriu 3 anos de internação (Art. 121, § 3º). Por isso a resposta é a letra “c”.
Lei 12.594, Art. 46, § 1º No caso de o maior de 18 (dezoito) anos, em cumprimento de medida socioeducativa, responder a processo-crime, caberá à autoridade judiciária decidir sobre eventual extinção da execução, cientificando da decisão o juízo criminal competente. 
§ 2º Em qualquer caso, o tempo de prisão cautelar não convertida em pena privativa de liberdade deve ser descontado do prazo de cumprimento da medida socioeducativa.
ECA, Art. 121. §3º Em nenhuma hipótese o períodomáximo de internação excederá a três anos.
- A letra “e” está errada, pois conforme Lei 12.594, Art. 46, § 1º o juiz caberá à autoridade judiciária decidir sobre eventual extinção da execução, cientificando da decisão o juízo criminal competente. O erro é dizer que o juiz "deve", declarar extinta a medida socioeducativa. O juiz irá decidir.
Internação
- Modalidades de internação:
Internação provisória
Internação por prazo indeterminado (122, I e II, ECA)
Internação por prazo determinado (122, III, ECA)
Internação provisória
Art. 108. A internação, antes da sentença, pode ser determinada pelo prazo máximo de quarenta e cinco dias.
Parágrafo único. A decisão deverá ser fundamentada e basear-se em indícios suficientes de autoria e materialidade, demonstrada a necessidade imperiosa da medida.
- Será antes da sentença. Tem previsão no artigo 108 do ECA e será aplicada pelo juiz na fase de conhecimento, desde que haja indícios de autoria e materialidade e demonstração da necessidade imperiosa da medida.
- Prazo máximo de 45 dias.
- O adolescente deve ser encaminhado a uma entidade de atendimento. Em não existindo e não for possível encaminhar para uma localidade mais próxima, o adolescente aguardará em uma repartição policial (pelo prazo máximo de 05 dias) os outros dias necessariamente devem ser cumpridos em entidade de atendimento.
- O término deste prazo se dá com a sentença.
Inf. STF – O prazo de 45 dias previsto no art. 183 do ECA se refere ao período máximo para a apuração do ato infracional e para a conclusão do procedimento, devendo ser observado apenas até a prolação da sentença de mérito, mas, proferida esta, fica prejudicada a alegação de excesso de prazo da internação provisória. Com base nesse entendimento, a Turma denegou habeas corpus em que se pretendia a revogação da medida de internação decretada contra o paciente. Na espécie, o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul oferecera representação em desfavor do paciente, menor à época dos fatos, pela prática de atos infracionais equivalentes ao disposto nos artigos 33, caput, da Lei 11.343/2006 (tráfico de drogas), e 16, parágrafo único, IV, da Lei 10.826/2003 (posse de arma de fogo de uso restrito). Registrou-se que a sentença determinara a medida socioeducativa de internação, tendo acórdão da apelação interposta pela defesa mantido essa decisão. Considerou-se, ademais, que a magistrada de 1ª instância bem fundamentara a necessidade de internação, salientando-se, no ponto, a ausência de crítica do adolescente, que não trabalha, nem estuda, frente à gravidade dos atos infracionais por ele praticados.
Internação sem prazo determinado
Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando:
I - tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa; 
II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves;
Ex.: roubo, homicídio, estupro.
Súmula 492 do STJ - O ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por si só, não conduz obrigatoriamente à imposição de medida socioeducativa de internação do adolescente
- Será aplicada na sentença.
- Não tem prazo determinado, mas a sua duração máxima é de 03 anos, findo os quais o adolescente será inserido em liberdade assistida ou semi-liberdade.
§ 4º Atingido o limite estabelecido no parágrafo anterior, o adolescente deverá ser liberado, colocado em regime de semi-liberdade ou de liberdade assistida.
- A medida deve ser reavaliada, pelo menos, a cada 06 meses e esta reavaliação exige uma decisão fundamentada.
§ 2º A medida não comporta prazo determinado, devendo sua manutenção ser reavaliada, mediante decisão fundamentada, no máximo a cada seis meses.
§ 3º Em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três anos.
- Atividades externas: Podem ser restritas pela atividade judiciária (vigiadas).
- Esta medida pode ser aplicada quando houver necessidade pedagógica e:
1.	Praticado ato infracional mediante violência ou grave ameaça à pessoa.
2.	Reiteração de atos infracionais graves. Para o STJ reiteração é a prática de 03 ou mais atos infracionais (não se confunde com reincidência).
Obs: Entende-se ato grave quando na esfera penal for punido com reclusão. Para o STJ deve ser analisado o caso concreto.
Obs: O STJ entende que o prazo máximo de 3 anos é contado isoladamente para cada ato infracional.
STJ – HABEAS CORPUS. ECA. REPRESENTAÇÃO PELA PRÁTICA DE ATOS INFRACIONAIS EQUIPARADOS AOS DELITOS DE USO E TRÁFICO DE ENTORPECENTES, RECEPTAÇÃO SIMPLES, RECEPTAÇÃO QUALIFICADA E TENTATIVA DE ROUBO DUPLAMENTE QUALIFICADO. IMPOSIÇÃO DE 4 MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS DE INTERNAÇÃO. INADMISSIBILIDADE DO PLEITO DE UNIFICAÇÃO. PRECEDENTES DO STJ. PARECER DO MPF PELA DENEGAÇÃO DA ORDEM. ORDEM DENEGADA.
1. A pretensão de unificação das medidas socioeducativas impostas, como decorrência da pratica de diversos atos infracionais, é contrária aos arts. 99 e 113 do ECA, que autorizam a aplicação de medidas cumulativamente.
2. O entendimento deste STJ firmou-se no sentido de que o prazo de 3 anos previsto no art. 121, § 3o. da Lei 8.069/90 é contado separadamente para cada medida socioeducativa de internação aplicada por fatos distintos (RHC 12.187/RS, Rel. Min. FELIX FISCHER, DJU 04.03.02).
3. Parecer do MPF pela denegação da ordem.
4. Ordem denegada.
Internação com prazo determinado
Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando:
III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta.
- Pode ser aplicada pelo juízo de execução de medida, tendo prazo limitado à 03 meses.
§ 1º O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não poderá ser superior a três meses, devendo ser decretada judicialmente após o devido processo legal.
- Esta medida pressupõe o descumprimento reiterado e injustificado de medida anteriormente imposta.
- O descumprimento deve ser injustificado, portanto, deve ser oportunizada a justificativa para o adolescente (súmula 265 do STJ).
Súmula 265 STJ – É necessária a oitiva do menor infrator antes de decretar-se a
regressão da medida sócio-educativa.
( ) MP/SP/2006 - Na aplicação da medida sócio-educativa para o adolescente infrator, considera-se sua capacidade para cumpri-la, as circunstâncias e a gravidade da infração.[endnoteRef:16] [16: Verdadeiro] 
Art. 112, § 1º A medida aplicada ao adolescente levará em conta a sua capacidade de cumpri-la, as circunstâncias e a gravidade da infração.
Defensoria/SP/2007/FCC – Dentre os critérios expressamente previstos no ECA a serem considerados na aplicação da medida socioeducativa, tem-se
a) as necessidades pedagógicas do adolescente, sua capacidade de cumprimento e a gravidade da infração;
b) as circunstâncias da infração, o respaldo familiar do adolescente e sua capacidade de cumprimento;
c) a gravidade e as circunstâncias da infração e a personalidade do adolescente;
d) as circunstâncias da infração, o contexto social do adolescente e a necessidade imperiosa da medida;
e) as necessidades pedagógicas, o respaldo familiar e a idade do adolescente.[endnoteRef:17] [17: Letra A] 
Art. 112, § 1º A medida aplicada ao adolescente levará em conta a sua capacidade de cumpri-la, as circunstâncias e a gravidade da infração.
O se leva em conta na aplicação da medida socioeducativa
- A medida aplicada ao adolescente levará em conta:
a) a sua Capacidade de cumpri-la, 
b) as Circunstâncias e
c) a Gravidade da infração.
Art. 112, § 1º A medida aplicada ao adolescente levará em conta a sua capacidade de cumpri-la, as circunstâncias e a gravidade da infração.
	Memorize!!!
CGC – capacidade, gravidade, circunstância
Proibição de trabalhos forçados
Art. 112, § 2º Em hipótese alguma e sob pretexto algum, será admitida a prestação de trabalho forçado.
Ato infracional x doença mental
Art. 112, § 3º Os adolescentes portadores de doença ou deficiência mental receberão tratamento individual e especializado, em local adequado às suas condições.
Fase pré-processual no ECA
- Toda apuração de ato infracional será encaminhado ao MP.
- Sempre serárealizada uma oitiva informal do menor e de seus pais ou responsáveis, vítima e testemunhas (179 ECA).
Art. 179. Apresentado o adolescente, o representante do Ministério Público, no mesmo dia e à vista do auto de apreensão, boletim de ocorrência ou relatório policial, devidamente autuados pelo cartório judicial e com informação sobre os antecedentes do adolescente, procederá imediata e informalmente à sua oitiva e, em sendo possível, de seus pais ou responsável, vítima e testemunhas.
- Se o promotor não faz a oitiva informal e faz a representação do adolescente não haverá nulidade do processo se o MP já dispunha de elementos suficientes para fundamentar sua representação.
- Oitiva informal do adolescente sem acompanhamento de responsável ou defensor técnico gera apenas nulidade relativa, dependente de demonstração de efetivo prejuízo.
- Após a oitiva, o MP poderá:
Propor o arquivamento dos documentos e das peças quando não há elementos mínimos que comprovem a responsabilidade do adolescente. Nestes casos poderá haver homologação do juiz, se o juiz não concordar remeterá ao PGJ (181 ECA).
Conceder remissão. É uma forma de exclusão do processo (188 ECA), dependendo de homologação judicial para produzir efeitos. Se o juiz discordar da remissão não homologará, remetendo a questão ao PGJ.
- Remissão perdão: Remissão desacompanhada de qualquer medida sócio-educativa (126 ECA).
Art. 126. Antes de iniciado o procedimento judicial para apuração de ato infracional, o representante do Ministério Público poderá conceder a remissão, como forma de exclusão do processo, atendendo às circunstâncias e conseqüências do fato, ao contexto social, bem como à personalidade do adolescente e sua maior ou menor participação no ato infracional.
Parágrafo único. Iniciado o procedimento, a concessão da remissão pela autoridade judiciária importará na suspensão ou extinção do processo.
- Remissão transação: Acompanhada da proposta de aplicação de uma medida sócio-educativa não restritiva de liberdade (semi-liberdade e internação) – 181 ECA.
Art. 181. § 1º Homologado o arquivamento ou a remissão, a autoridade judiciária determinará, conforme o caso, o cumprimento da medida.
- O juiz pode homologar a remissão e cumular com uma medida sócio-educativa, pois há previsão expressa no artigo 127 do ECA, a medida sócio educativa não significa reconhecimento de responsabilidade pelo ato infracional e o STF reconheceu a constitucionalidade do artigo 127 do ECA (RE 248018). Nestes casos o juiz deve previamente ouvir o adolescente e o MP.
Art. 127. A remissão não implica necessariamente o reconhecimento ou comprovação da responsabilidade, nem prevalece para efeito de antecedentes, podendo incluir eventualmente a aplicação de qualquer das medidas previstas em lei, exceto a colocação em regime de semi-liberdade e a internação.
STF RE 248018 - EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ARTIGO 127 DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. REMISSÃO CONCEDIDA PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. CUMULAÇÃO DE MEDIDA SÓCIO-EDUCATIVA IMPOSTA PELA AUTORIDADE JUDICIÁRIA. POSSIBILIDADE. CONSTITUCIONALIDADE DA NORMA. PRECEDENTE. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. 1. O acórdão recorrido declarou a inconstitucionalidade do artigo 127, in fine, da Lei n° 8.089/90 (Estatuto da Criança e do Adolescente), por entender que não é possível cumular a remissão concedida pelo Ministério Público, antes de iniciado o procedimento judicial para apuração de ato infracional, com a aplicação de medida sócio-educativa. 2. A medida sócio-educativa foi imposta pela autoridade judicial, logo, não fere o devido processo legal. A medida de advertência tem caráter pedagógico, de orientação ao menor e em tudo se harmoniza com o escopo que inspirou o sistema instituído pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. 3. A remissão pré-processual concedida pelo Ministério Público, antes mesmo de se iniciar o procedimento no qual seria apurada a responsabilidade, não é incompatível com a imposição de medida sócio-educativa de advertência, porquanto não possui esta caráter de penalidade. Ademais, a imposição de tal medida não prevalece para fins de antecedentes e não pressupõe a apuração de responsabilidade. Precedente. 4. Recurso Extraordinário conhecido e provido.
- A remissão pode ser concedida a todo o tempo durante o processo como forma de exclusão ou suspensão do processo.
Oferecer representação. Se não for caso de arquivamento nem remissão, oferecerá representação. Oferecida a representação inicia-se a ação sócio-educativa em face do adolescente. Deve ser oferecida de forma oral ou escrita e deve preencher o requisitos do art. 182 do ECA.
- O ECA não prevê o número máximo de testemunhas que pode ser arrolada no procedimento (aplicando o CPP – 8 testemunhas). 
Internação (112, VI c/c 121 a 123 ECA)
- Só pode ser aplicada nas hipóteses taxativamente previstas nos artigos 122,incisos I a III do ECA:
Quando ato cometido mediante grave ameaça ou violência;
Reiteração de infrações graves (exige, no mínimo, a prática de 03 atos graves);
Descumprimento injustificado de outra medida imposta.
- Exemplo: Menor traficante transnacional de cocaína não se aplicará a internação se for a primeira vez que foi condenado, pois não está inserido no artigo 122 do ECA.
- É medida breve e excepcional que não deve ser aplicada se houver outra medida mais adequada (121, caput e 122, §2º ECA). – princípio da excepcionalidade da restrição da liberdade do menor.
- Prazos: 
Nas hipóteses do artigo 122, I e II, a internação é decretada por prazo indeterminado, não podendo ultrapassar 03 anos e tem de ser revista a cada 06 meses, pelo menos.
Na hipótese do artigo 122, III, a internação não pode ser superior a 03 meses.
- O prazo máximo de 03 anos de internação é contado isoladamente para cada ato infracional (STJ HC 99565).
STJ HC 99565 - HABEAS CORPUS. ECA. REPRESENTAÇÃO PELA PRÁTICA DE ATOS INFRACIONAIS EQUIPARADOS AOS DELITOS DE USO E TRÁFICO DE ENTORPECENTES, RECEPTAÇÃO SIMPLES, RECEPTAÇÃO QUALIFICADA E TENTATIVA DE ROUBO DUPLAMENTE QUALIFICADO. IMPOSIÇÃO DE 4 MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS DE INTERNAÇÃO. INADMISSIBILIDADE DO PLEITO DE UNIFICAÇÃO. PRECEDENTES DO STJ. PARECER DO MPF PELA DENEGAÇÃO DA ORDEM. ORDEM DENEGADA.
1. A pretensão de unificação das medidas socioeducativas impostas, como decorrência da pratica de diversos atos infracionais, é contrária aos arts. 99 e 113 do ECA, que autorizam a aplicação de medidas cumulativamente.
2. O entendimento deste STJ firmou-se no sentido de que o prazo de 3 anos previsto no art. 121, § 3o. da Lei 8.069/90 é contado separadamente para cada medida socioeducativa de internação aplicada por fatos distintos (RHC 12.187/RS, Rel. Min. FELIX FISCHER, DJU 04.03.02).
3. Parecer do MPF pela denegação da ordem.
4. Ordem denegada.
- Aos 21 anos ocorre a liberação compulsória, não podendo permanecer detido mesmo que para tratamento psicológico.
- O adolescente não pode cumprir medida de internação em cadeia pública (ou em estabelecimento prisional para maiores), mesmo que em dependência separada (123 ECA). Devem ser separados por idade, compleição física e sexo.
- Além de todas as medidas sócio-educativas, o juiz pode, também, aplicar cumulativamente as medidas de proteção (101, I a VI do ECA), não podendo receber as dos inciso VII e VIII do artigo 101 do ECA.
- Súmula 108 do STJ: A aplicação de medidas sócio-educativas é de competência exclusiva do juiz.
Execução das medidas sócio-educativas
- Durante sua execução podem ser substituídas umas pelas outras, pois são fungíveis.
- Existe progressão de medidas sócio-educativas (substituição de uma medida mais grave por uma mais branda), existindo, também, regressão (substituição de uma medida mais branda por uma mais grave). A regressão deve ser com prévia oitiva do menor infrator, sob pena de nulidade (s. 265 do STJ).
Medida cautelar de internação provisória
- Única medida cautelar durante o procedimento do ato infracional, tendo prazo máximo de 45 dias (108 ECA).
Art. 108. A internação, antes da sentença, pode ser determinada pelo prazo máximode quarenta e cinco dias.
Parágrafo único. A decisão deverá ser fundamentada e basear-se em indícios suficientes de autoria e materialidade, demonstrada a necessidade imperiosa da medida.
- O STJ afirma que o prazo máximo de 45 dias em nenhuma hipótese poderá ser prorrogado, por vedação expressa do art. 108.
- Requisitos:
Indícios suficientes de autoria e materialidade;
Necessidade imperiosa da medida.
- Não pode ser cumprida em presídio e em não havendo estabelecimento de menores, deverá ser transferido para estabelecimento adequado de cidade mais próxima, podendo permanecer em repartição policial por até 05 dias, enquanto não se transfere, sob pena de responsabilidade (185 ECA).
Art. 185. A internação, decretada ou mantida pela autoridade judiciária, não poderá ser cumprida em estabelecimento prisional.
§ 1º Inexistindo na comarca entidade com as características definidas no art. 123, o adolescente deverá ser imediatamente transferido para a localidade mais próxima.
§ 2º Sendo impossível a pronta transferência, o adolescente aguardará sua remoção em repartição policial, desde que em seção isolada dos adultos e com instalações apropriadas, não podendo ultrapassar o prazo máximo de cinco dias, sob pena de responsabilidade.
Sobre as medidas específicas de proteção, pelo que vem disciplinado no Estatuto da Criança e do Adolescente, pode-se dizer que tratam-se, na verdade, de gênero do qual são espécies, entre outras, as medidas pertinentes aos pais ou responsável e as medidas de prevenção especial.[endnoteRef:18] [18: Falso] 
- Medidas pertinentes aos pais ou responsáveis é diferente de medida de proteção.
Magistratura/AL/2007/FCC - Antônio e Maria são pais de Ana, de 6 anos de idade. Após denúncia formalizada pela professora de Ana, o Conselho Tutelar intervém e requer judicialmente o afastamento de Antonio da moradia da família por considerá-lo autor de agressão. Segundo as disposições do Estatuto da Criança e do Adolescente, o juiz poderá conceder o afastamento cautelar do agressor em casos de: 
a)	maus-tratos, opressão ou abuso sexual; 
b)	ofensa verbal, ofensa física grave ou má administração dos bens dos filhos menores; 
c)	ofensa física leve, ofensa verbal ou abuso sexual; 
d)	ofensa física leve, abuso sexual ou má administração dos bens dos filhos menores; 
e)	ofensa verbal, ofensa física levíssima ou má administração dos bens dos filhos menores.[endnoteRef:19] [19: Letra A] 
Art. 130. Verificada a hipótese de maus-tratos, opressão ou abuso sexual impostos pelos pais ou responsável, a autoridade judiciária poderá determinar, como medida cautelar, o afastamento do agressor da moradia comum.
Medidas pertinentes aos pais e responsáveis
- São medidas assistenciais ou sancionatórias.
- Pode ser aplicada pelo Conselho Tutelar (possuem medidas assistenciais e uma sancionatória que é a advertência) ou pelo juiz (pode aplicar todas as medidas).
- São sanções exclusivas do juiz a perda da guarda, a destituição de tutela e a suspensão/destituição do poder familiar.
Das Medidas Pertinentes aos Pais ou Responsável
Art. 129. São medidas aplicáveis aos pais ou responsável:
I - encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família;
II - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos;
III - encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico;
IV - encaminhamento a cursos ou programas de orientação;
V - obrigação de matricular o filho ou pupilo e acompanhar sua freqüência e aproveitamento escolar;
VI - obrigação de encaminhar a criança ou adolescente a tratamento especializado;
VII - advertência;
VIII - perda da guarda;
IX - destituição da tutela;
X - suspensão ou destituição do poder familiar. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
Parágrafo único. Na aplicação das medidas previstas nos incisos IX e X deste artigo, observar-se-á o disposto nos arts. 23 e 24.
Art. 130. Verificada a hipótese de maus-tratos, opressão ou abuso sexual impostos pelos pais ou responsável, a autoridade judiciária poderá determinar, como medida cautelar, o afastamento do agressor da moradia comum.
Parágrafo único. Da medida cautelar constará, ainda, a fixação provisória dos alimentos de que necessitem a criança ou o adolescente dependentes do agressor. (Incluído pela Lei nº 12.415, de 2011)
( ) Magistratura/BA/2006/CESPE - os atos infracionais compreendem crimes e contravenções penais, e, para a prova da idade do adolescente, o documento primordial é a certidão de nascimento, muito embora esta gere presunção apenas relativa (juris tantum) da idade, o que significa poder ser afastada, diante de prova idônea em contrário. Por outro lado, no caso de apreensão de adolescente já civilmente identificado, é juridicamente possível, a depender das circunstâncias, a identificação compulsória por parte da autoridade policial.[endnoteRef:20] [20: Verdadeiro] 
ECA, Art. 109. O adolescente civilmente identificado não será submetido a identificação compulsória pelos órgãos policiais, de proteção e judiciais, salvo para efeito de confrontação, havendo dúvida fundada.
Identificação do menor
ECA, Art. 109. O adolescente civilmente identificado não será submetido a identificação compulsória pelos órgãos policiais, de proteção e judiciais, salvo para efeito de confrontação, havendo dúvida fundada.
Apuração do ato infracional
- Tem-se 02 fases:
a)	Fase administrativa (pré-processual)
b)	Fase processual
- O adolescente só pode ser apreendido em razão da prática de ato infracional por prisão em flagrante ou ordem de autoridade judiciária.
- As hipóteses de flagrante estão no artigo 302 do CPP. Uma vez apreendido deve ser encaminhado à autoridade policial.
Art. 172. O adolescente apreendido em flagrante de ato infracional será, desde logo, encaminhado à autoridade policial competente.
- Apreensão por ordem judicial ocorre nas seguintes hipóteses:
a)	Mandado de busca e apreensão de adolescente não encontrado para comparecimento à audiência de apresentação.
Obs: São situações diversas: Mandado de busca e apreensão para o caso de adolescente não encontrado e mandado de condução coercitiva quando o adolescente foi encontrado e não compareceu à audiência.
b)	Cumprimento de medida socioeducativa de internação. Neste caso o adolescente se encontrava em liberdade durante o processo.
c)	Evasão durante o cumprimento de medida socioeducativa.
d)	Internação sanção.
- Nestes casos o adolescente será apresentado ao Magistrado.
Art. 171. O adolescente apreendido por força de ordem judicial será, desde logo, encaminhado à autoridade judiciária.
- Fase policial
- Nenhum adolescente pode ser apreendido se não em flagrante de ato infracional ou se não houver ordem judicial de apreensão por meio do mandado de busca e apreensão (art. 106 c/c 171 do ECA).
- A apreensão do menor fora destas hipóteses caracteriza o artigo 230 do ECA (que é especial em relação ao abuso de autoridade).
Art. 230. Privar a criança ou o adolescente de sua liberdade, procedendo à sua apreensão sem estar em flagrante de ato infracional ou inexistindo ordem escrita da autoridade judiciária competente:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Apreensão em flagrante
- Neste caso deve o adolescente ser encaminhado diretamente a uma autoridade policial ou delegacia especializada para que seja formalizada a apreensão do adolescente.
- Se for ato infracional cometido com violência ou grave ameaça a pessoa o delegado lavrará um auto de apreensão de adolescente (art. 173, caput do ECA).
Art. 173. Em caso de flagrante de ato infracional cometido mediante violência ou grave ameaça a pessoa, a autoridade policial, sem prejuízo do disposto nos arts. 106, parágrafo único, e 107, deverá:
I - lavrar auto de apreensão, ouvidos as testemunhas e o adolescente;
- Se for ato infracional sem violência ou grave ameaça a pessoa ou se lavra o auto de apreensão de adolescente ou lavra o boletim de ocorrência circunstanciado (173, parágrafo único do ECA).
Parágrafo único. Nas demais hipóteses de flagrante,

Mais conteúdos dessa disciplina