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LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA I Prof. Mariano Neto 1 EXERCÍCIO Nº 03 1) O que compreende a expressão “legislação tributária” de acordo com o Código Tributário Nacional? compreende o conjunto de normas jurídicas que regulam a instituição, arrecadação, fiscalização e fiscalização dos tributos. Ela é formada por um conjunto de regras que englobam tanto as normas gerais e os princípios relacionados à tributação quanto as regras específicas para a sua aplicação e fiscalização. Conforme o art. 96 do Código Tributário Nacional, a legislação tributária é composta por: • As normas gerais de direito tributário - Princípios e regras gerais que fundamentam a tributação no país. • Leis ordinárias - Normas criadas pelo Poder Legislativo que regulam os tributos em nível federal, estadual e municipal. • Decretos, regulamentos e instruções normativas - Atos do Executivo que detalham e regulamentam as leis tributárias. • Outros atos administrativos que tratam diretamente das obrigações tributárias. 2) Qual a diferença entre Lei e Legislação? A diferença está no alcance e no conteúdo de cada termo, sendo "legislação" um conceito mais amplo do que "lei". • Lei: É uma norma jurídica específica que foi aprovada pelo poder competente, de acordo com o processo legislativo. Ela tem um caráter formal e é uma regra de conduta que deve ser seguida pela sociedade. As leis podem ser ordinárias, complementares, delegadas, municipais, estaduais, ou federais, dependendo de quem as cria e de sua esfera de aplicação. Exemplo: O Código Tributário Nacional (CTN) é uma lei, que estabelece as normas gerais de direito tributário no Brasil. • Legislação: É o conjunto de todas as leis e normas jurídicas que regulam um determinado assunto ou área do direito. Ela é um termo mais amplo que abrange não só as leis, mas também outras normas infralegais, como decretos, regulamentos, resoluções, portarias e outras disposições que detalham e complementam as leis. A legislação, portanto, engloba todo o sistema normativo que regula uma matéria específica. Exemplo: A legislação tributária é o conjunto de todas as normas e regras que tratam dos tributos, incluindo o Código Tributário Nacional, as leis que instituem tributos específicos, e os decretos e regulamentos que orientam a aplicação dessas leis. UNIDADE II – NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA I Prof. Mariano Neto 2 Resumo das Diferenças: • Lei: Norma jurídica individual, específica, elaborada de acordo com o processo legislativo. • Legislação: Conjunto de leis e normas jurídicas que regulam uma área do direito, incluindo leis, decretos, regulamentos, instruções normativas, etc. Em outras palavras, enquanto a lei é uma norma isolada, a legislação é o conjunto completo de normas que tratam de determinado tema. 3) Assinale V para Verdadeiro e F para Falso a) A legislação que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédio tributário, bem como aquela que outorga isenção aos contribuintes, deve ser interpretada de forma literal ( V) As normas que tratam da suspensão, exclusão do crédito tributário e isenções devem ser interpretadas de forma literal, pois são benefícios fiscais ou limitações ao direito de o fisco cobrar tributos, e a interpretação literal visa evitar que tais normas sejam aplicadas de forma mais ampla do que o texto legal permite. No direito tributário, interpretações extensivas podem prejudicar a arrecadação. b) O Código Tributário Nacional (CTN), estabelecido pela Lei Federal nº 5.172/1966, possui caráter nacional, sendo a única fonte do direito tributário no Brasil, não havendo espaço para a legislação estadual ou municipal complementar nesse campo ( F ) não é a única fonte do direito tributário. Existem também normas tributárias de legislação estadual e municipal. O CTN serve como base, mas os estados e municípios têm competência para criar suas próprias leis complementares, dentro do que a Constituição permite, para regular tributos em suas respectivas esferas. c) A Constituição Federal, as emendas à Constituição, as leis complementares, as leis ordinárias, as medidas provisórias, os decretos, as resoluções, os decretos legislativos, os convênios e as normas complementares são fontes do direito tributário brasileiro (V ) Todas essas normas mencionadas são fontes do direito tributário no Brasil. A Constituição e as emendas constitucionais possuem um caráter superior, as leis complementares e ordinárias regulam diversos aspectos tributários, e os decretos, medidas provisórias e normas complementares são utilizados para regulamentar e detalhar essas normas. Convênios também são fontes importantes quando envolvem questões de cooperação entre entes federados. d) A legislação tributária é composta apenas por leis ordinárias e não inclui tratados e convenções internacionais, decretos e normas complementares ( F ) Ela abrange um conjunto mais amplo de normas, incluindo tratados e convenções internacionais, que podem ter impacto sobre a tributação, decretos e normas complementares que regulam ou detalham as leis tributárias. Ou seja, a legislação tributária é composta por mais do que apenas leis ordinárias. e) A legislação tributária de cunho expressamente interpretativo pode ser aplicada retroativamente, desde que não implique a imposição de penalidade (V ) podem, sim, ser aplicadas retroativamente, desde que não resultem em penalidades para os contribuintes. O caráter interpretativo de uma norma significa que ela apenas esclarece o significado original de uma norma anterior, não criando nova obrigação. A retroatividade é permitida em casos como esse, sem implicar em penalidades, que são vedadas pela Constituição. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA I Prof. Mariano Neto 3 4) Qual o enunciado do Princípio da Legalidade? Estabelece que nenhum tributo pode ser criado ou aumentado sem uma lei que o autorize, conforme o artigo 150, inciso I da Constituição. Isso garante que a tributação seja uma ação legislativa e não uma decisão arbitrária do Executivo. 5) Assinale a alternativa correta: a) A majoração de tributos, ou sua redução pode ser estabelecida somente por decreto do poder executivo. ERRADO - Majoração de tributos deve ser feita por lei, não por decreto. b) Somente a lei pode estabelecer a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, sem ressalva. CORRETO - O fato gerador é definido somente por lei. c) Somente a lei pode estabelecer a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas. CORRETO - Penalidades tributárias devem ser cominadas por lei. d) Equipara-se à majoração do tributo a modificação de sua alíquota, que importe em torná-lo mais oneroso. CORRETO - A alteração da alíquota para torná-la mais onerosa é majoração. e) Constitui majoração de tributo, para fins do disposto no inciso II do art. 97, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. ERRADO - Atualização monetária da base de cálculo não é majoração. 6) Qual a diferença entre Lei Ordinária e Lei Complementar? 7) Quais as características da Lei Ordinária? é um tipo de norma jurídica elaborada pelo Poder Legislativo, que pode ser federal, estadual ou municipal. Ela é a forma mais comum de legislação e trata de uma ampla variedade de assuntos, como direitos e deveres dos cidadãos, políticas públicas e organização dos poderes. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA I Prof. Mariano Neto 4 8) Quais as características da Lei Complementar? é um tipo específico de norma jurídica no Brasil, prevista na Constituição Federal, que tem como principal objetivo complementar e detalhar dispositivos constitucionais. Essas leis são necessárias para regulamentar matérias que a própria Constituição determina que devem ser tratadas de formamais rigorosa, exigindo um quórum qualificado para sua aprovação. 9) São tributos criados por lei complementar, exceto: a) Empréstimos compulsórios. Falso. Os empréstimos compulsórios podem ser criados por lei complementar. b) Imposto federal sobre grandes fortunas. Falso. O Imposto sobre Grandes Fortunas é um tributo que pode ser criado por lei complementar (Art. 153, § 1º da Constituição Federal), mas até hoje ele não foi instituído no Brasil, embora previsto na Constituição. c) Impostos residuais. Falso. Os impostos residuais podem ser criados por lei complementar. Eles são tributos de competência da União, Estados ou Municípios, instituídos quando há necessidade de novos impostos sobre matérias não previstas na Constituição ou legislação anterior (Art. 154, II da Constituição Federal). d) Contribuições residuais. Falso. As contribuições residuais também são criadas por lei complementar. Elas são tributos que podem ser instituídos quando houver a necessidade de contribuição para fins gerais, em áreas não especificadas pela Constituição, sendo uma forma residual de contribuição (Art. 149, § 2º da Constituição Federal). e) Imposto estadual sobre renda e proventos de qualquer natureza. Correto. O Imposto estadual sobre a renda e proventos de qualquer natureza não é um tributo que depende de lei complementar. O Imposto de Renda (IR), que incide sobre a renda, é federal, e o Estado pode instituir o imposto sobre a propriedade de bens móveis e imóveis, mas não sobre a renda de forma específica. Portanto, este imposto não é criado por lei complementar, mas sim por lei ordinária. 10) Quais as características das Medidas Provisórias? Edição e Validade: As MPs são editadas pelo Presidente da República e possuem um prazo inicial de validade de 60 dias, podendo ser prorrogadas uma vez por mais 60 dias, caso não sejam votadas antes do término do primeiro prazo. Tramitação no Congresso: Após a publicação, a MP deve ser analisada por uma comissão mista composta por deputados e senadores, que emitem um parecer sobre sua aprovação ou modificação. O texto aprovado segue para votação nas duas casas do Congresso (Câmara dos Deputados e Senado Federal). Efeitos Imediatos: Desde a sua publicação, a MP produz efeitos jurídicos imediatos, permitindo que suas disposições sejam aplicadas antes da aprovação final pelo Congresso. No entanto, se não for aprovada dentro do prazo estipulado, perde eficácia retroativamente à data de sua edição. Trancamento de Pauta: Se a MP não for votada em até 45 dias após sua publicação, ela tranca a pauta de votações da casa onde está tramitando, limitando a análise de outras proposições até que seja apreciada. Conversão em Lei: Se aprovada sem alterações, a MP é promulgada como lei pelo LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA I Prof. Mariano Neto 5 Congresso. Se houver modificações, ela se torna um Projeto de Lei de Conversão que ainda precisa da sanção presidencial. O Presidente pode vetar partes do texto alterado. 11) Quais os objetivos dos Tratados e Convenções Internacionais em matéria tributária? Evitar a Dupla Tributação: Os tratados visam garantir que uma mesma renda não seja tributada em mais de um país, o que poderia desencorajar investimentos internacionais. Prevenir a Evasão Fiscal: Estabelecem mecanismos de cooperação entre as autoridades fiscais dos países signatários para combater práticas de evasão e elisão fiscal. Facilitar o Comércio Internacional: Ao simplificar as obrigações tributárias, esses acordos incentivam o comércio e os investimentos transfronteiriços. Acordos Bilaterais ou Multilaterais: A maioria dos tratados é bilateral, mas existem também convenções multilaterais que abrangem diversos países. Hierarquia Normativa: No Brasil, conforme o artigo 98 do Código Tributário Nacional (CTN), os tratados internacionais têm primazia sobre a legislação tributária interna, podendo revogar ou modificar normas existentes. Internalização no Ordenamento Jurídico: Para que tenha efeito no Brasil, deve ser ratificado e incorporado ao ordenamento jurídico nacional. 12) Quais são as Normas Complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos? São normas que detalham ou especificam como devem ser aplicadas as regras estabelecidas por essas fontes primárias do direito. Elas têm a função de complementar a legislação e garantir a sua efetividade, fornecendo as orientações necessárias para a sua aplicação prática. • Normas Complementares das Leis São normas que complementam ou regulamentam as leis, detalhando suas disposições para facilitar sua aplicação no dia a dia. No campo tributário, elas são responsáveis por explicar e precisar aspectos que a lei em si não aborda de forma clara. Exemplo: No direito tributário, o Código Tributário Nacional (CTN), que é uma lei, pode ser complementado por decretos ou instruções normativas que detalham a aplicação de tributos ou procedimentos administrativos. • Normas Complementares dos Tratados e das Convenções Internacionais Tratados e convenções internacionais celebrados pelo Brasil, uma vez ratificados, fazem parte do ordenamento jurídico nacional. Normas complementares podem ser criadas para adaptar esses tratados à realidade nacional, quando necessário, para regulamentar sua aplicação. Exemplo: Um tratado internacional pode exigir a criação de normas internas, como leis ou decretos, para garantir que o Brasil cumpra os compromissos assumidos, detalhando como esse tratado será implementado no país. • Normas Complementares dos Decretos Os decretos são normas que visam detalhar as leis, geralmente no nível do Poder Executivo. No entanto, também existem normas complementares que surgem para detalhar a aplicação dos decretos. Elas podem ser resoluções, portarias, instruções normativas, ou outras decisões administrativas. Exemplo: Se um decreto federal cria uma regulamentação sobre um tributo, uma instrução normativa da Receita Federal pode complementar esse decreto, esclarecendo procedimentos detalhados que devem ser seguidos pelos contribuintes. As normas complementares são aquelas que detalham ou regulamentam as leis, LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA I Prof. Mariano Neto 6 tratados, convenções internacionais ou decretos, assegurando que a aplicação de tais normas seja clara e prática. Elas podem assumir diversas formas, como decretos, instruções normativas, portarias, resoluções, ou outras normas administrativas. 13) Entre as fontes do direito tributário, há os chamados convênios de cooperação e os convênios de subordinação. Estes consistem especialmente em convênios previstos na Constituição para regular temas de interesse comum na coordenação dos Estados relativamente à cobrança do imposto estadual sobre a circulação de mercadorias e serviços (ICMS). Em relação a estes convênios, é correto afirmar que: a) condicionam a validade de leis estaduais que tratem dos assuntos que a Constituição Federal atribui a eles. CORRETA - A Constituição Federal, no art. 155, § 2º, prevê que o ICMS será regulado por meio de convênios entre os estados para coordenar e uniformizar a tributação. Esses convênios condicionam a validade das leis estaduais, ou seja, os estados não podem legislar livremente sobre temas que envolvam a coordenação do ICMS sem seguir os termos dos convênios firmados, o que implica que a legislação estadual precisa respeitar o que foi acordado nesses convênios. b) estão formal e materialmente sujeitos à revogação por lei estadual posterior, devendo respeitar leis estaduais precedentes. INCORRETA - convênios não estão sujeitos à revogação por lei estadual posterior, porque esses instrumentos fazem parte do sistema de coordenação entre os estados, com base em uma autoridade superior (Constituição Federal e normas gerais) e não estão subordinados a mudanças em leis estaduaisindividuais. O que ocorre é que os convênios podem ser alterados ou revogados apenas com a concordância dos estados envolvidos, não podendo ser modificados de forma unilateral por uma lei estadual. c) podem ser alterados mediante tratamento distinto nas respectivas Constituições Estaduais, no âmbito de cada estado da Federação. INCORRETA - convênios que regulam o ICMS e outros impostos não podem ser alterados pelas Constituições Estaduais. Esses convênios têm um caráter nacional e precisam ser seguidos por todos os estados, já que envolvem uma coordenação interestadual. Eles são firmados em nível federal, e as Constituições Estaduais não têm poder para modificar ou alterar esses convênios. A alteração depende da concordância dos estados envolvidos no convênio, não da Constituição Estadual. d) têm a mesma tramitação dos tratados internacionais, mas no âmbito dos estados da Federação, devendo ser assinados pelo Poder Executivo e ratificados pelo Legislativo estadual. INCORRETA - a sua tramitação não segue os mesmos procedimentos dos tratados internacionais, que exigem ratificação pelo Poder Legislativo federal. No caso dos convênios entre os estados para o ICMS, a aprovação e ratificação ocorrem entre os Executivos estaduais, sem a necessidade de passar pela tramitação no Poder Legislativo de cada estado. Não há a exigência de ratificação pelo Legislativo estadual para que o convênio tenha validade. e) são constitucionalmente equivalentes às leis complementares, não sendo, porém, revogáveis por elas. INCORRETA - não são constitucionalmente equivalentes às leis complementares. As leis complementares têm um caráter normativo mais amplo e podem tratar de matérias que exigem um quórum qualificado para aprovação. Já os convênios são acordos entre os estados para coordenar o ICMS e outros impostos, sendo LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA I Prof. Mariano Neto 7 instrumentos de natureza diferente das leis complementares. Além disso, os convênios podem ser alterados por novos convênios entre os estados, mas não por leis complementares. 14) O Município de Capivara, por meio de sua Câmara de Vereadores, aprovou determinada lei com o fulcro de interpretar ponto obscuro do Código Tributário Municipal. Considere que tal lei não impõe a aplicação de penalidades e que não foi determinada, em seus dispositivos, a sua vigência. Sobre a aplicação dessa lei, podemos afirmar que: a) Aplica-se imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início, mas não esteja completa, não podendo retroagir. INCORRETA - A lei pode ter aplicação imediata aos fatos geradores futuros e pendentes, mas a afirmação de que não pode retroagir está incorreta. Como a lei é interpretativa, ela pode, sim, retroagir para esclarecer fatos ocorridos antes de sua publicação. A retroatividade é permitida em leis interpretativas, conforme previsto no direito tributário. b) Aplica-se, respeitado o princípio da anterioridade, aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início, mas não esteja completa, não podendo retroagir. INCORRETA - O princípio da anterioridade trata da proibição de aplicação de tributos antes de 1º de janeiro do ano seguinte à sua instituição ou aumento. Porém, a lei interpretativa pode retroagir, ou seja, pode ser aplicada a atos ou fatos pretéritos, porque não cria nova obrigação ou penalidade. Assim, a ideia de que a lei não pode retroagir é incorreta. c) Aplica-se, respeitado o prazo de vacatio legis de quarenta e cinco dias, aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início, mas não esteja completa, não podendo retroagir. INCORRETA - A lei precisa respeitar o vacatio legis (período entre a publicação e a vigência), e, em geral, esse prazo é de 45 dias no âmbito municipal. No entanto, a retroatividade de uma lei interpretativa é permitida, ou seja, ela pode ser aplicada a fatos anteriores à sua edição. Portanto, a afirmação de que a lei não pode retroagir está errada. d) Aplica-se aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início, mas não esteja completa, podendo retroagir, aplicando-a a ato ou fato pretérito, por ser expressamente interpretativa. CORRETA - A lei interpretativa pode, de fato, retroagir para esclarecer fatos que ocorreram antes de sua publicação, sem criar novas obrigações ou penalidades. Isso ocorre porque a lei apenas esclarece a interpretação de normas existentes, e a retroatividade é permitida quando se trata de leis interpretativas. Assim, a lei pode ser aplicada aos fatos geradores futuros e pendentes, e também pode retroagir aos fatos pretéritos, como esclarecimento de normas anteriores. e) Aplica-se, respeitado o prazo de vacatio legis de quarenta e cinco dias, aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início, mas não esteja completa, podendo retroagir, aplicando-a a ato ou fato pretérito, por ser expressamente interpretativa. CORRETA - A lei interpretativa pode retroagir, e a aplicação da vacatio legis de 45 dias também é válida. Portanto, a lei pode ser aplicada aos fatos futuros e pendentes, respeitando o prazo de vacatio legis, e também pode retroagir aos fatos anteriores, por ser uma lei interpretativa. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA I Prof. Mariano Neto 8 15) Quando entram em vigor as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa? As decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, quando a lei atribui a elas eficácia normativa, entram em vigor imediatamente após sua publicação, salvo disposição em contrário. Ou seja, elas têm efeito imediato e automático uma vez que sejam divulgadas ou publicadas, e não há necessidade de um período de vacatio legis como ocorre com as leis. 16) Nos termos do art. 107, e seguintes, da Lei Nº 5.172/66, identifique a afirmação INCORRETA: a) Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. CORRETA - O art. 109 do CTN menciona que, em situações onde a legislação tributária não for expressa, poderão ser usados os princípios gerais de direito privado para ajudar na interpretação da legislação tributária, mas não para determinar efeitos tributários. Ou seja, a legislação tributária deve ser interpretada de acordo com os conceitos do direito tributário, não sendo permitido aplicar a analogia para alterar efeitos tributários ou criar tributos. b) O emprego da analogia poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. O emprego da equidade poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. INCORRETA - O art. 108 do CTN estabelece que a analogia pode ser utilizada, mas não para criar tributos ou exigir tributos não previstos em lei. A analogia é válida para interpretação da legislação tributária, quando esta não for clara ou quando houver lacunas, mas não pode ser usada para criar obrigações tributárias que não estão previstas em lei. Além disso, o emprego da equidade pode ser utilizado pelo fisco para suavizar ou flexibilizar a aplicação da legislação tributária, mas não para dispensar o pagamento de tributo devido. A equidade serve para ajustar a aplicação das normas tributárias conforme as particularidades de cada caso, mas não pode ser usada para excluir a exigência de tributos devidos. c) Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre suspensão ou exclusão do crédito tributário, outorga de isenção ou dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. CORRETA- O art. 111 do CTN estabelece que a interpretação das normas tributárias deve ser literal quando tratar de situações que envolvem suspensão ou exclusão do crédito tributário, isenção ou dispensa de obrigações acessórias. Nessas situações, não cabe interpretação extensiva ou analógica, já que essas matérias envolvem uma restrição ou redução de tributo e devem ser tratadas de forma estrita. d) A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. CORRETA - O art. 110 do CTN afirma que a lei tributária não pode alterar os conceitos ou institutos do direito privado que são utilizados pelas constituições ou pelas leis orgânicas para definir ou limitar a competência tributária. Ou seja, a competência tributária dos entes federativos deve ser respeitada e não pode ser alterada pela legislação tributária. A definição e alcance de conceitos privados, como LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA I Prof. Mariano Neto 9 pessoa jurídica ou contrato, são definidos pelo direito privado e não pela legislação tributária. 17) Em que situações a legislação tributária pode ser aplicada retroativamente? O artigo 106 do Código Tributário Nacional (CTN) trata das situações em que a legislação tributária pode ser aplicada retroativamente, ou seja, a normas que têm efeitos sobre fatos ocorridos antes de sua vigência. • A primeira hipótese de retroatividade ocorre quando a nova norma é meramente interpretativa. Neste caso, a nova lei pode ser aplicada a atos ou fatos pretéritos sem penalizar infrações cometidas sob a norma anterior. • A segunda hipótese diz respeito a atos que não foram definitivamente julgados. 18) Quais os métodos de interpretação da legislação tributária? Interpretação Literal: é aplicada em situações específicas, como na suspensão ou exclusão do crédito tributário, na outorga de isenção e na dispensa do cumprimento de obrigações acessórias. Nesses casos, a norma deve ser interpretada estritamente, sem se estender além do que está expressamente escrito no texto legal. Interpretação Extensiva: Este método busca ampliar o sentido da norma para incluir situações não expressamente mencionadas, mas que se enquadram na razão de ser da norma. Interpretação Restritiva: limita o alcance da norma, aplicando-a apenas aos casos claramente previstos em seu texto. Gramatical: Este método sugere que o intérprete investigue antes de tudo o significado gramatical das palavras usadas no texto legal em exame. O instrumento de trabalho é o dicionário da língua. Importa sobretudo a etimologia dos vocábulos. Histórico: Neste método o sentido da norma é buscado com o exame da situação a que a mesma se refere através dos tempos. Investiga-se o Direito anterior. Compara-se a norma atual com a que lhe antecedeu no regramento do assunto. Sistemático: Neste método, procura o intérprete o sentido da regra jurídica verificando a posição em que a mesma se encarta no diploma legal e as relações desta com as demais regras no mesmo contidas. Teleológico: Com este método, o intérprete empresta maior relevância ao elemento finalístico. Busca o sentido da regra jurídica tendo em vista o fim para o qual foi ela elaborada. 19) Em que casos se interpreta literalmente a legislação tributária, de acordo com o Código Tributário Nacional? Interpretação Literal: é aplicada em situações específicas, como na suspensão ou exclusão do crédito tributário, na outorga de isenção e na dispensa do cumprimento de obrigações acessórias. Nesses casos, a norma deve ser interpretada estritamente, sem se estender além do que está expressamente escrito no texto legal. 20) Tendo em vista o previsto no Código Tributário Nacional (CTN), marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas. a) Durante o processo de importação de uma mercadoria, se já negociado o valor do bem e realizado o pagamento, mas antes do desembaraço aduaneiro, for publicada nova LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA I Prof. Mariano Neto 10 legislação tributária aumentando a alíquota do tributo incidente sobre o fato, a nova alíquota deverá ser cobrada (F ) Segundo o princípio da anterioridade, a legislação tributária não pode retroagir para aumentar tributos, especialmente no caso de tributos sobre a importação, que seguem o art. 150, III, "b" da Constituição Federal. A regra geral é que um tributo só pode ser cobrado no ano seguinte ao da publicação da lei que o institui ou altera, salvo em casos excepcionais. Se a negociação foi realizada e o pagamento já foi feito antes da publicação da nova legislação, a nova alíquota não pode ser cobrada retroativamente, pois o fato gerador já ocorreu, e a alíquota acordada previamente deve ser mantida. O aumento de alíquota só poderia ser aplicado em fatos geradores futuros, após o novo marco legal entrar em vigor. b) Em face da taxatividade e da literalidade com que deve ser interpretada a legislação tributária, não é possível que a isenção de imposto incidente em maquinário recaia também sobre peças de reposição ( F ) A legislação tributária deve ser interpretada literalmente, mas isso não significa que o legislador não possa estender os efeitos de uma isenção a situações correlatas, como peças de reposição. O CTN, no art. 111, prevê que a interpretação da legislação tributária deve observar a finalidade da norma. Se o objetivo da isenção é beneficiar a atividade produtiva, por exemplo, a isenção sobre o maquinário pode, sim, se estender a peças de reposição que sejam essenciais para o funcionamento da máquina. A aplicação de isenção deve considerar o contexto e a finalidade da norma, permitindo que a interpretação seja mais ampla quando fizer sentido, desde que em consonância com o propósito da legislação. c) Pendente execução fiscal sem julgamento definitivo, é possível a aplicação de lei nova que reduza a multa aplicada por infração à legislação tributária, independentemente da procedência dos embargos à execução opostos pelo contribuinte ( V ) De acordo com o art. 106, do CTN, as leis tributárias podem ser aplicadas retroativamente quando o efeito for favorável ao contribuinte, como é o caso de uma redução de multa. Mesmo que a execução fiscal ainda esteja pendente, ou seja, sem julgamento definitivo, se houver uma lei nova que reduza a multa por infração, ela pode ser aplicada retroativamente, independentemente dos embargos à execução. A retroatividade favorável ao contribuinte é permitida, mesmo que o processo de execução ainda não tenha sido finalizado, já que não prejudica o direito do contribuinte e, na verdade, pode beneficiá-lo.