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PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO: 
APRENDIZAGEM 
2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Olá! 
 
O processo de aprendizagem acontece a partir da aquisição de 
conhecimentos, habilidades, valores e atitudes através do estudo, do ensino 
ou da experiência. A construção de conhecimentos em sala de aula deve se 
constituir de forma gradativa adequando-se a cada estágio do 
desenvolvimento da criança. 
Nesta aula, iremos aborda sobre os processos psicológicos que 
envolvem a aprendizagem, os mecanismos envolvidos nos sistemas mentais, 
os processos psicológicos, envolvendo os aspectos cognitivos, afetivos e 
sociais envolvidos na aprendizagem. 
 
 
 
Bons estudos! 
AULA 4 – 
OS PROCESSOS 
FUNDAMENTAIS DA 
APRENDIZAGEM 
 
3 
 
4 PROCESSOS FUNDAMENTAIS DA APRENDIZAGEM 
Estamos em constante aprendizado, em um processo permanente de interação 
com o meio ambiente. Acreditamos que a aprendizagem é um processo contínuo de 
autoconhecimento que determina nossas relações sociais ao longo da vida. No nosso 
quotidiano, deparamo-nos com situações que nos desafiam das mais diversas formas 
e que nos obrigam a reagir a cada acontecimento. 
Você acha que é possível limitar toda a aprendizagem a um processo primário 
ou você imagina que existem diferentes concepções dos mecanismos que envolvem 
a aquisição do conhecimento? É sobre isso que falaremos mais adiante. 
No mesmo dia você pode resolver um problema familiar envolvendo problemas 
financeiros ou emocionais, ter a tarefa de preparar um documento sobre o trabalho, 
identificar um possível problema com seu carro, enfim, realizar tarefas que exijam 
conhecimentos diferenciados. Ainda que, para realizar uma destas atividades, tenha 
feito formação numa destas áreas, através do ensino teórico ou numa atividade 
prática, serão utilizados diferentes meios de aprendizagem para atingir o objetivo de 
resolver tal problema. 
De acordo com esse contexto, podemos identificar diferentes maneiras de se 
apreender e de se transmitir conhecimento, que variam de acordo com fatores como 
o tempo que cada um leva para adquirir conhecimento e o raciocínio utilizado para 
chegar a esses entendimentos. Analisar de forma abrangente os elementos que 
envolvem esse mecanismo nos permitirá interagir em nosso meio, levando em conta 
o conhecimento construído sobre esse tema, tão necessário em nossas práticas 
educativas. 
Para Abbad e Borges-Andrade (2004), a aprendizagem é um processo 
psicológico fundamental, amplo e complexo, correlacionado com fatores intra e 
interpsíquicos, sociais e culturais de uma vasta literatura que a analisa a partir de 
diferentes perspectivas teóricas e metodológicas. 
A aprendizagem individual, do ponto de vista cognitivo, é uma mudança 
relativamente permanente de atitude e comportamento, associada à experiência, que 
envolve os níveis afetivo, cognitivo e motor, garantindo flexibilidade, adaptabilidade e 
capacidade de transformação do ser humano. Como tal, está associada a mudanças 
nas estruturas cognitivas e comportamentais pessoais baseadas na reflexão pessoal 
4 
 
e na interação social. Durante o processo de aprendizagem, adquirem conhecimentos, 
habilidades e atitudes (CHAs) que podem ser inferidos a partir de mudanças de atitude 
e comportamento. 
Em outras palavras, a aprendizagem é um processo dinâmico e interativo no 
qual os indivíduos processam, decodificam e recodificam informações. É interessante 
notar que, se duas pessoas forem submetidas ao mesmo processo de recepção das 
informações, cada uma delas desenvolverá habilidades diferentes, pois perceberão, 
interpretarão e compreenderão de acordo com fatores internos, relacionados ao 
armazenamento de informações na memória. 
Esse armazenamento é feito de acordo com a ordem em que as informações 
são inseridas em relação ao significado que damos a esses dados, que se unirão ou 
se recombinarão ao qual acreditamos pertencer. Nossa capacidade de aprender 
aumentará porque já temos conhecimento formado sobre o assunto em nossa 
memória, bem como o estímulo que recebemos para a assimilação dessa informação. 
Dessa forma, você consegue compreender que a aprendizagem ocorrerá 
sempre associada a informações já armazenadas, de uma forma ou de outra, ela tem 
a capacidade de transformar os estados iniciais em estados finais (relacionados a 
competências) por meio, de experiências e reflexões. De acordo com esse contexto, 
vamos entender a relação da aprendizagem com os aspectos cognitivos, afetivos e 
sociais, que será discutido no próximo tópico. 
4.1 A aprendizagem e sua relação com aspectos cognitivos, afetivos e sociais 
Importantes estudos no campo da neurociência e da Neuropsicopedagogia têm 
destacado a relação entre os aspectos cognitivos, afetivos, sociais e a aprendizagem. 
Essas investigações consistem em estudar o desenvolvimento de várias funções 
cerebrais que são responsáveis pelos processos de aprendizagem. As 
atividades realizadas por diferentes áreas do cérebro estão integradas e em 
constante interação. 
O termo cognição refere-se ao processo de aquisição de conhecimento e 
envolve atividades mentais como atenção, percepção, processamento, diferentes 
tipos de memória e raciocínio. Através da cognição, os indivíduos processam, 
armazenam e internalizam informações, conectando-as com base em suas 
5 
 
preferências, emoções e motivações. Veja abaixo Quadro 1, que descreve as funções 
e as subfunções cognitivas. 
Quadro 1- Descrição das funções e subfunções cognitivas. 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Fonseca (2014). 
6 
 
Você percebe que foram mencionadas, as principais características das 
funções cognitivas, responsáveis pela aprendizagem. E a partir daí, falaremos das 
funções conativas, que correspondem e se relacionam com as emoções, motivações 
e personalidade humana. 
Dificilmente a aprendizagem ocorre em um ambiente onde há algum tipo de 
fragilidade emocional, pois, esses processos estão intimamente relacionados aos 
aspectos afetivos. Para criar efetivamente uma atmosfera propícia ao aprendizado, o 
aluno deve ser capaz de compreender o motivo de realizar essa atividade mental, o 
objetivo a ser alcançado e como se sente em relação à tarefa. 
As funções conativas são, portanto, fundamentais porque, associa-se com às 
funções cognitivas, que são responsáveis, por manter, um equilíbrio que impulsiona a 
afetividade, condição para que a aprendizagem seja significativa e harmoniosa. Por 
exemplo, aprender a escrever, andar de bicicleta ou melhorar qualquer uma dessas 
atividades, nutre sentimentos de prazer e competência. Contudo, se esse processo 
levar à desregulação emocional, o processo de aprendizagem pode não ser concluído, 
resultando em aspectos negativos das funções conativas, além de insegurança, falta 
de motivação e disfunção cognitiva. 
É necessário ter um cuidado e muita atenção com esses mecanismos, pois, da 
mesma forma que o cérebro, quando estimulado, aprende, também é capaz de 
aprender a não completar as fases de aprendizagem se estiver em período de 
exaustão e autoestima comprometida. 
Uma terceira função coordenada com as duas citadas acima é chamada de 
função executiva, que atua no córtex pré-frontal, que, por sua vez, se comunica com 
as demais áreas responsáveis pela aprendizagem, adaptação ao ambiente e ao 
ambiente interacional e comportamental, e aspectos comportamentais do indivíduo. A 
seguir, observe algumas definições de funções executivas, de acordo com Fonseca 
(2014): 
➢ Atenção (sustentação, foco, fixação, seleção de dados relevantes em 
relação aos irrelevantes, evitamento de distratores, etc.); 
➢ Percepção (intraneurossensorial, interneurossensorial, meta-integrativa, 
analítica e sintética, etc.); 
➢ Memória de trabalho (localização, recuperação,rechamada, manipulação, 
julgamento e utilização da informação relevante, etc.); 
7 
 
➢ Controle (iniciação, persistência, esforço, inibição, regulação e auto 
avaliação de tarefas, etc.); 
➢ Ideação (improvisação, raciocínio indutivo e dedutivo, precisão e conclusão 
de tarefas, etc.); 
Portanto, através de uma integração equilibrada das funções cognitivas, 
motoras e executivas, a fase de aprendizagem pode ser concluída com sucesso, pois, 
passa-se a entender como esse mecanismo funciona e quais são as suas 
peculiaridades, sendo essencial para potencializar esse momento de 
desenvolvimento do indivíduo. A seguir, você vai aprender um pouco sobre o 
panorama da Psicologia escolar/ educacional, na relação aluno professor. 
5 ATUAÇÃO DA PSICOLOGIA ESCOLAR/ EDUCACIONAL NA RELAÇÃO 
ALUNO-PROFESSOR 
Durante o período de crescimento dos testes psicométricos e do caráter 
"curativo" adquirido sobre a atuação do psicólogo (a) escolar nos primeiros anos de 
prática, o profissional (a) da Psicologia se empenhou em atender às necessidades da 
época, dando ênfase aos problemas de aprendizagem. Por outro lado, diante das 
mudanças sociais, políticas, culturais e estruturais que afetam as instituições 
educacionais, o psicólogo escolar deve aplicar seus referenciais teóricos e práticos a 
uma necessidade atual e emergente: a relação aluno-professor. 
De forma contextualizada, o aluno desse período era visto apenas como 
aprendiz, receptor de saberes e o professor como disseminador de saberes, o que 
fragilizou os vínculos entre professor e aluno, gerando distanciamento nessa relação 
que por vezes era autoritária. Dito isso, com base em Paulo Freire, entendemos o 
aluno como um ser incompleto e ativo em seu processo de estar no mundo, além de 
aprender criticamente sobre a realidade e o conteúdo, sem ser passivo em seu 
processo de aprendizagem (FREIRE, 2018). 
Além disso, podemos demonstrar que as metodologias de aplicação dos 
conteúdos e as regras institucionais, quando não levam em conta o aluno no processo 
educativo ativo, são mecanismos de poder disciplinar da escola e dos professores 
para os alunos, compreendendo que “a disciplina produz indivíduos, sendo a técnica 
específica de um poder que toma os indivíduos tanto como objetos, quanto como 
8 
 
ferramentas de seu exercício" (FOUCAULT, 2010, p. 164), considerando que "o poder 
existe nas 'relações de poder' e é praticado em todos os setores da sociedade" (DINIZ, 
2014, p.156), visto que o poder também está imbuído das relações entre as pessoas, 
em todas as áreas da sociedade (DINIZ, 2014). 
Além do mais, a patologização do fenômeno educacional, também confirma o 
distanciamento entre alunos e professores, considerando que os alunos de alguma 
forma eram excluídos dos demais, afetando negativamente a relação e 
consequentemente sua aprendizagem. Assim, com base no contexto exposto no 
tópico anterior, vemos a importância de relembrar a história para que as práticas 
reducionistas e viéssegregacionistas sejam repensadas. Levando em consideração, 
o contexto histórico da Psicologia escolar, é necessário descrever a prática do 
psicólogo escolar /educacional, crítica e analisar as contribuições que ela pode 
suscitar nas instituições de ensino que podem facilitar o ensino e a aprendizagem, 
particularmente em relação ao aluno-professor. 
Em relação a essa perspectiva, Vianna (2016) afirma que: 
O que notamos é que embora os profissionais de Psicologia tenham mais 
clareza do que outros colaboradores, no que se refere à contraindicação da 
utilização do modelo clínico dentro da escola, junto aos educadores ainda 
existe um conhecimento bastante superficial sobre as possibilidades de 
intervenção e do papel deste profissional. (VIANNA, 2016, p. 60). 
Além disso, em comparação com abordagens reducionistas e simplistas, novos 
modos de ação começaram a surgir a partir de um repensar metodológico que 
incorpora aspectos específicos da escola, bem como fatores subjetivos, sociais, 
familiares e econômicos dos alunos. Sugerimos, portanto, discutir as possibilidades 
de atuação dos profissionais de Psicologia diante do distanciamento das relações 
professor-aluno. 
Nesse contexto, a relação entre educadores e alunos é fundamental para o 
ensino e a aprendizagem quando entendemos que o processo educativo é 
fundamentalmente impulsionado pelas interações entre eles. Os professores atuam 
como mediadores na formação dos alunos, e os profissionais de Psicologia 
podem ajudar a construir esse vínculo, entre outros papéis na escola. 
Conforme o (CPF) Conselho Federal de Psicologia, o psicólogo escolar 
“juntamente com a equipe, colabora com o corpo docente e técnico no 
desenvolvimento, implantação, avaliação e reformulação de programas, projetos de 
9 
 
políticas educacionais e na amplificação de novos procedimentos pedagógicos” (CFP, 
2007, p. 9). 
Dessa forma, a Psicologia tem como objetivo atuar em conjunto com o corpo 
docente e institucional, contribuindo para uma reformulação de metodologias 
pedagógicas pelos professores, repensando nessa relação entre educador e aluno 
que por vezes, tão fragilizada diante da rigidez imposta neste contexto relacional, 
quando a obrigação de aprender é reforçada e quando a prática pedagógica é 
autoritária, tornando a relação entre os dois conflituosa. Ao mesmo tempo, essas 
perspectivas obrigatórias e autoritárias, configuram os alunos como sujeitos passivos 
no processo de ensino-aprendizagem, o que pode criar complexidades e dificuldades 
no processo de aprendizagem dos alunos. 
De acordo com o (CFP) Conselho Federal de Psicologia, um dos papéis do 
profissional em Psicologia escolar é "analisar as relações entre os diferentes 
segmentos do sistema educativo e o seu impacto durante esse processo, para que 
promova o desenvolvimento de procedimentos, que são capazes de ir ao encontro 
das necessidades individuais” (CFP, 2007, p. 9), considerando que cada aluno tem a 
sua individualidade, ou seja, tem uma forma e tempo de aprendizagem diferentes. 
Portanto, o papel do psicólogo na análise dessas relações é necessário, pois, através 
disso o profissional, vai auxiliar de forma atuante na construção da subjetividade do 
indivíduo e na compreensão da educação, pois, a escola é um espaço dinâmico. 
Sobre o esse mesmo assunto, Antunes (2003) afirma: 
Como prática social humanizadora, intencional, cuja finalidade é transmitir a 
cultura construída historicamente pela humanidade. O homem não nasce 
humanizado, mas torna-se humano por seu pertencimento ao mundo 
histórico-social e pela incorporação desse mundo em si mesmo, processo 
este para o qual concorre a educação. A historicidade e a sociabilidade são 
constitutivas do ser humano; a educação é, nesse processo, determinada e 
determinante. (ANTUNES, 2003, p. 469). 
Por outro lado, os professores são influenciados direta ou indiretamente pelo 
sistema educacional e pelas instituições de ensino, o que significa que, em alguns 
casos, não é possível prestar atendimento individualizado a todos os alunos 
necessitados, isso confirma a forma unificada de ensino e fortalece a padronização e 
homogeneidade do ensino. Conforme este cenário, a escola é um espaço que, em 
determinados contextos, necessita necessariamente de novos e diversos métodos de 
ensino que possam abranger diferentes formas de aprendizagem e responder às 
10 
 
necessidades individuais dos alunos. 
Portanto, os psicólogos (a) escolares, cientes disso e levando em conta a 
experiência e o conhecimento dos professores, podem ajudar os educadores a discutir 
novas ferramentas para que esses alunos aprendam, e para que esses alunos sejam 
ouvidos, para que também possam avaliar as metodologias de ensino que fazem uso. 
Santos e Gonçalves (2016) apontaram que há professores que se preocupam demais 
para entregar o conteúdo programático instruídos pela escola, porém a disseminação 
exacerbada de conteúdos,gera um acúmulo de informações, impossibilitando o aluno 
de organizar seus pensamentos e acabam internalizando as novas informações que 
chegam e, portanto, impedem o aluno de aprender criticamente. 
Ainda conforme o (CRP) Conselho Federal de Psicologia, uma das 
possibilidades de intervenção dos psicólogos (a) escolares é “desenvolver programas 
que visem melhorar a qualidade de vida e os cuidados básicos das atividades 
acadêmicas” (CFP, 2007, p.9). É necessário destacar os problemas existenciais dos 
alunos em relação à sua vida escolar, que são frequentes e influenciam o seu 
desenvolvimento escolar, que pode ser voltado para problemas, tais como: com a sua 
própria aprendizagem, sociais, familiares ou de relacionamentos com os professores. 
Diante disso, os profissionais de Psicologia escolar, devem estar atentos a questões 
que surgem frequentemente no ambiente estudantil, como, preconceito contra alunos 
com necessidades especiais, questões de gênero, bullying, divisões entre alunos, 
entre outras questões recorrentes. 
Assim, cabe a sua atuação desenvolver programas em sintonia com a equipe 
técnica para melhor abordar essas questões, a fim de refletir sobre a realidade escolar 
e o desenvolvimento de novas posturas relacionadas a essa realidade. Além disso, o 
(CFP) Conselho Federal de Psicologia, também descreve que o papel do psicólogo 
(a) escolar é "validar e utilizar ferramentas e testes psicológicos adequados e 
confiáveis para auxiliar na reformulação e desenvolvimento do projeto escolar, ajustes 
e orientação da equipe escolar e avaliação da eficácia dos programas educacionais " 
(CFP, 2007, p.9). Deste modo, o papel do (a) profissional da Psicologia é participar 
nas formulações dos planos de ensino e nas avaliações da eficácia dos programas 
escolares, para uma eventual reafirmação ou reelaboração do mesmo. 
11 
 
5.1 A psicologia do ensino aprendizagem na prática do professor 
Um modelo pedagógico pode ser conceituado como, um sistema de premissas 
teóricas que representa, interpreta e orienta a forma como se aborda o currículo, e se 
materializa na interação, professor-aluno-objeto da prática pedagógica e do 
conhecimento. 
Existem diferentes abordagens pedagógicas que se orientam quer pelo 
contexto histórico mundial, quer, pelas posições que as teorias assumem sobre os 
propósitos sociais da escola ou ainda pela criticidade das teorias em relação à 
sociedade, ou seja, por uma variedade de classificações destinadas a dar conta da 
compreensão das práticas educativas. Nesse contexto, é necessário adotar um 
padrão que facilite as discussões com base no processo de ensino e aprendizagem. 
A Psicologia é a ciência do comportamento humano e seus processos mentais, 
investiga qual é maior motivação do comportamento humano, que ampara seus 
processos mentais, que passam pela sensação, emoção, percepção, aprendizagem, 
inteligência. 
 Segundo Antunes (2003), a Psicologia é uma das disciplinas que deve ajudar 
o professor a desenvolver conhecimentos e saberes, bem como competências, 
atitudes e valores que lhe permitam construir o seu conhecimento pedagógico e 
desafiar o ensino, como prática, conforme necessário na vida cotidiana. Desta 
maneira, poderá ajudar os professores a desenvolver a capacidade da própria 
atividade de investigação, para construir e transformar seus conhecimentos 
pedagógicos no processo de construção contínua de identidades docentes. 
A visão socioconstrutivista considera o ensino como uma intervenção 
intencional nos processos intelectuais, sociais e emocionais do aluno, buscando sua 
relação consciente e ativa com o objeto de conhecimento. Em suma, essa 
compreensão significa que o objetivo principal do ensino é que os alunos construam 
o conhecimento, portanto, todas as ações devem se concentrar em sua eficácia em 
termos de resultados para o conhecimento e desenvolvimento dos alunos. 
Tais ações devem ativar o aluno, sujeito do processo em atuação frente 
ao meio externo, deve estar inserido no processo como objeto de conhecimento, ou 
seja, o aluno deve ter uma relação ativa com esse ambiente, em relação aos 
conteúdos da escola, como forma de desafio que o leve a um desejo de conhecê-lo. 
Do ponto de vista de que a personalidade se baseia em um processo relacional que 
12 
 
também pode se formar na relação dentro da escola, acredita-se então, que a aliança 
entre educação e a Psicologia é indiscutível, e bastante antiga, não havendo a 
necessidade de esperar o momento recente da constituição da Psicologia como 
ciência independente da grande mãe, a Filosofia, para buscar respostas sobre como 
aprender, quem é o sujeito da aprendizagem, como deve ser ensinada, levando em 
consideração as características psicológicas dos alunos, se é ou não válido aplicar 
punições e prêmios, qual a importância da informação para o desenvolvimento 
humano, qual é o ato de comunicação, o que interessa e encanta o aluno em 
aprender na escola (ANTUNES, 2003). 
No entanto, seja qual, for o ângulo dessa reflexão, veremos que, em nossa 
vida, a relação com o outro é uma questão central. Por isso, a intersecção do homem 
e da humanidade em geral, sempre se caracterizou por aproximações, distâncias, 
gostos, desgostos, egoísmo, altruísmo, ódio, amor, etc. 
Dessa forma, nos deixa constantemente preocupados em saber muitas coisas 
sobre o indivíduo, como por exemplo, o que ele pensa, o que ele gosta, quais são 
seus pontos fortes e fracos, como pode ser satisfeito, seduzido, manipulado, tocado 
ou, porém, como sair do egoísmo e ir ao encontro do outro, formar uma comunidade 
com os outros, enfim, como educar-se, para comunicar e conviver fraternalmente e 
cooperativamente com seus semelhantes. 
Contudo, a Psicologia também se aplica à educação e ao ensino, com o objetivo 
de mostrar como o conhecimento e a cultura acumulados, podem ser adquiridos por 
meio, da interação entre professores e alunos. Portanto, o papel dos professores 
nesse processo é fundamental. Busca construir as condições em que ocorre a 
interação professor-aluno, levando à apropriação do conhecimento (ANTUNES, 
2003). A Psicologia no ambiente escolar também deve ajudar a otimizar a relação 
entre professores e alunos, bem como entre pais, direção e demais interagindo nesse 
ambiente. É nesse contexto, e nesse lugar, que a Psicologia pode contribuir para uma 
compreensão mais ampla dos processos educativos que ocorrem no contexto 
educacional. 
A Psicologia da aprendizagem estuda o complexo processo pelo qual a criança 
toma posse dos modos de pensamento e conhecimento existentes em uma 
sociedade. Para compreender esse processo, é necessário reconhecer a natureza 
social da aprendizagem, pois, as operações cognitivas que participam dos processos 
13 
 
cognitivos, são sempre construídas ativamente nas interações com outros indivíduos. 
Dessa forma, reconhece-se que as pessoas, principalmente as crianças, 
aprendem por meio, da ação coletiva mediada pela linguagem e pelo ensino. No 
entanto, a interação entre adultos e crianças, é a base fundamental da aprendizagem. 
A Psicologia da aprendizagem, aplicada à educação e ao ensino, visa demonstrar 
como o conhecimento e a cultura, podem ser acumulados através da interação entre 
professores e alunos (ANTUNES, 2003). 
Nesse processo, o papel do professor passa a ser o alicerce, buscando 
construir as condições em que ocorre a interação professor-aluno, proporcionando a 
apropriação do conhecimento. Assim, em geral, essa visão de aprendizagem 
reconhece tanto a natureza social da aquisição do conhecimento, quanto o papel 
principal que os adultos desempenham nela. 
 Tomadas em conjunto, essas considerações têm sérias implicações para a 
educação: a aprendizagem passa do social para o pessoal e por sucessivas etapas 
de interiorização, com a ajuda de adultos ou pares mais experientes. Quando 
inseridos no processo de ensino, principalmente na salade aula, os professores 
podem assumir diversos papéis sociais. A Psicologia educacional, após anos de 
pesquisa, identificou alguns papéis claros que os professores desempenham em seu 
trabalho diário com os alunos. Assim, você conseguiu identificar as relações aluno-
professor, envolvendo também o auxílio da Psicologia educacional para o ensino na 
prática do professor. 
 
 
 
 
 
 
14 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ABBAD, G. S; BORGES; A. J. E. Aprendizagem humana em organizações de trabalho. 
In: ZANELLI, J. C.; BORGES-ANDRADE, J. E.; BASTOS, A. V. B. (Org.). Psicologia, 
organizações e trabalho no Brasil. Porto Alegre: Artmed, p. 237-275, 2004. 
 
ANTUNES, M. A. M. A psicologia no Brasil: leitura histórica de sua constituição. 
São Paulo, EDUC e Ed. Unimarco, 2003. 
 
CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução n° 13/2007. Que institui o título 
profissional de especialista em psicologia e o respectivo registro nos Conselhos 
Regionais. Brasília: CFP, 2007. 
 
DINIZ, F. R. A; OLIVEIRA, A.A.de. Foucault: do poder disciplinar ao biopoder. Revista. 
Scientia, v. 2, n. 3, p. 143-158, 2014. 
 
FONSECA, V. Papel das funções cognitivas, conativas e executivas na aprendizagem: 
uma abordagem neuropsicopedagógica. Revista Psicopedagogia, São Paulo, v. 31, 
n.96, p. 236-253, 2014. 
 
FOUCAULT, M. Vigiar e Punir. Trad. Raquel Ramalhete. 38ª ed. Petrópolis - RJ: 
Vozes, 2010. 
 
FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia. 57, ed. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2018. 
SANTOS, J. V. D; GONÇALVES, C. M. Psicologia Educacional: importância do 
psicólogo na escola. Revista eletrônica Psicologia. Pt, p. 1-22, 17 dez. 2016. 
(Documento online). 
VIANA, M. N. Interfaces entre a Psicologia e a Educação: Reflexões sobre a atuação 
em Psicologia Escolar. In M. N. Viana e R. Francischini (Orgs.), Psicologia Escolar: 
Que fazer é esse? pp. 54-73, Brasília, DF: Conselho Federal de Psicologia, 2016. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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