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GESTÃO FINANCEIRA ESCOLAR Autoria: Gislaine Donizeti Fagnani da Costa Indaial - 2023 UNIASSELVI-PÓS 1ª Edição CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090 Impresso por: Reitor: Janes Fidelis Tomelin Diretor UNIASSELVI-PÓS: Tiago Lorenzo Stachon Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Tiago Lorenzo Stachon Ilana Gunilda Gerber Cavichioli Norberto Siegel Julia dos Santos Ariana Monique Dalri Jairo Martins Marcio Kisner Marcelo Bucci Revisão Gramatical: Desenvolvimento de Conteúdos EdTech Diagramação e Capa: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI C397 Costa, Gislaine Donizeti Fagnani da Gestão Financeira Escolar. / Gislaine Donizeti Fagnani da Costa. - Indaial: UNIASSELVI, 2023. 147 p.; il. ISBN Digital 978-65-5466-154-6 1. Gestão Financeira. - Brasil. 2. Escolar. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo da Vinci. CDD 658,15 Sumário APRESENTAÇÃO ............................................................................5 CAPÍTULO 1 Princípios Básicos da Educação Financeira...............................7 CAPÍTULO 2 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente ...... 45 CAPÍTULO 3 Principais Métricas Financeiras ................................................ 93 APRESENTAÇÃO No capítulo 1, abordaremos a gestão financeira em escolas, que é um dos principais pilares para uma administração escolar ser bem-sucedida. É importante o uso dos conceitos da gestão financeira para planejar e promover ações eficazes de ensino aprendizagem no ambiente escolar. Também faremos uma explanação de como as soluções tecnológicas auxi- liam a construção de orçamentos mais sólidos e próximos da realidade, apontan- do como maior benefício a redução de erros humanos, acarretando assim mais segurança no controle de fluxo de caixa da empresa. Destacamos também que a tecnologia, atrelada ao conhecimento financeiro, proporciona o agrupamento de dados e informações do negócio em uma única plataforma, facilitando assim o trabalho do gestor escolar e permitindo uma alocação acertada dos recursos da instituição de ensino. Além disso, ressaltamos que os problemas financeiros comprometem a qua- lidade do serviço prestado ao estudante. Nessa perspectiva, o monitoramento de fluxo de caixa, o desenvolvimento de estratégias para redução da inadimplência, as boas práticas de cobrança e o uso da tecnologia são essenciais para que a instituição escolar mantenha um bom controle financeiro. No capítulo 2, vamos aprender sobre os benefícios de uma gestão escolar eficiente. A evolução do mercado mostra um contexto no qual as organizações empresariais necessitam organizar, definir objetivos e traçar estratégias para um período de tempo cada vez mais curto. Assim, da mesma forma que devem traçar estratégias que promovam a maximização dos lucros, também devem desenvol- ver um plano estratégico para lidar com situações inesperadas que possam com- prometer o sucesso dos negócios. Desse modo, a construção de um planejamento estratégico adequado ao contexto no qual a empresa está inserida permite desenvolver planos e metas para o futuro, baseado no histórico da empresa, tendo em vista aproveitar as oportunidades que surgirem no mercado permeado pela competição. Se a empre- sa não elaborar um plano estratégico que conduza suas ações, terá sérias dificul- dades em identificar as necessidades e as oportunidades para os seus negócios, bem como o intervalo de tempo necessário para a implementação das medidas necessárias com a devida antecedência. No capítulo 3, abordaremos o conceito de ponto de equilíbrio e as principais métricas financeiras. Com base no ponto de equilíbrio, você compreenderá que as situações em que se objetiva a obtenção de uma determinada sobra financeira evidenciam que é possível fazer projeções mais precisas, mediante a considera- ção dos encargos do imposto de renda. CAPÍTULO 1 PRINCÍPIOS BÁSICOS DA EDUCAÇÃO FINANCEIRA A partir da perspectiva do saber-fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: Aprender que a gestão fi nanceira em escolas é um dos principais pilares para uma administração escolar ser bem-sucedida. Compreender que a gestão fi nanceira é uma das funções administrativas mais importantes em uma empresa. Compreender que uma gestão fi nanceira efi ciente consiste na realização de mais ações com o mínimo de recursos, sem comprometer a qualidade da prestação do serviço. Usar os princípios da gestão fi nanceira para planejar e promover ações efi ca- zes de ensino aprendizagem no ambiente escolar. 8 Gestão Financeira Escolar 9 Princípios Básicos da Educação Financeira Capítulo 1 1 CONTEXTUALIZAÇÃO Nesse capítulo, abordaremos desde a importância da gestão fi nanceira para escolas até mecanismos de controle, bem como o monitoramento de fl uxo de cai- xa, as estratégias para redução da inadimplência, as boas práticas de cobrança e o uso da tecnologia. Destacamos que, através de sistemas on-line de gestão, é possível otimizar recursos fi nanceiros e humanos dentro da instituição escolar e gerar relatórios gerenciais assertivos que apoiem a tomada de decisões. Assim, podemos evidenciar que uma boa gestão fi nanceira sinaliza fragili- dades e potencialidades em todos os âmbitos que permeiam uma instituição de ensino, auxiliando o desenvolvimento de espaço e estratégias capazes de desen- volver relações que promovam e fortaleçam o processo de ensino aprendizagem. Com a aplicação correta de recursos, as operações conseguem gerar lucro para a empresa. Defi ciências levam a uma visão distorcida sobre a realidade fi - nanceira da organização, ocasionando prejuízos por fatores como os de riscos não gerenciados, baixa competitividade, custos elevados e perda de oportunida- des de negócio. Como em qualquer outro contexto, a gestão fi nanceira é muito importante para manutenção e desenvolvimento da instituição. A gestão fi nanceira é uma das funções administrativas mais importantes em uma empresa. É a responsável por planejar e controlar o uso dos recursos da organização, infl uenciando todos os setores do empreendimento, pois o funcionamento de cada um deles depende do orçamento. Nesse sentido, para que a instituição escolar tenha sucesso, tanto no âmbito pedagógico quanto fi nanceiro, é importante que ela tenha uma estrutura adminis- trativa efi ciente e alinhada aos propósitos e objetivos do negócio. 2 GESTÃO FINANCEIRA ESCOLAR O sucesso de uma instituição de ensino ultrapassa a relação professor-aluno. Nesse sentido, a gestão fi nanceira de uma organização escolar é tão relevante quan- to o monitoramento da qualidade pedagógica e do desempenho dos estudantes. Por essa ótica, uma instituição de ensino tem como fi nalidade transmitir e criar conhecimento; no entanto, como em qualquer outro negócio, constitui-se em uma pessoa jurídica. Além disso, uma escola abriga um número grande de funcio- 10 Gestão Financeira Escolar nários, despesas fi xas e variáveis, contas a pagar e contas a receber que necessi- tam de organização e monitoramento. A gestão fi nanceira para as escolas consiste na sistematização dos procedi- mentos administrativos atrelados ao gerenciamento fi nanceiro da instituição. Tendo a fi nalidade de garantir a efi ciência da escola, é necessário que se faça o planeja- mento, o controle e o monitoramento das entradas e das saídas de recursos, equili- brando as contas e o capital de giro, sem prejudicar o desenvolvimento pedagógico. Souza (2009) afi rma que a gestão escolar está permeada de relações de política, poder e democracia, trazendo refl exões sobre essas questões de manei- ra a explicar que não há um conceito único de gestão democrática.a alternativa correta: a) Somente a sentença I está correta. b) Somente a sentença II está correta. c) As sentenças I e II estão corretas. d) As sentenças I e III estão corretas. e) Todas as sentenças estão corretas. 2) Soluções tecnológicas auxiliam a construção de orçamentos mais sólidos e próximos da realidade. Outra vantagem oferecida por esse tipo de tecnologia é a redução de erros humanos, proporcio- nando mais segurança no controle de fl uxo de caixa. Ao ter todos os dados do seu negócio agrupados em uma só plataforma, o gestor escolar será capaz de projetar melhor a alocação efi ciente 40 Gestão Financeira Escolar dos recursos da instituição de ensino. Nesse entendimento, uma gestão fi nanceira que proporciona mais tempo para pensar em outras estratégias para expansão do seu negócio é considerada: a) permanente. b) defi ciente. c) efi ciente. d) atualizada. e) desatualizada. 3) Sob a perspectiva de reestruturar a gestão escolar fi nanceira, o gestor deve buscar recursos fi nanceiros que viabilizem os traba- lhos coletivos e dinâmicos, para que possam enriquecer o traba- lho pedagógico na escola, erradicando a burocracia, o clientelis- mo e a hierarquia. Nesse caso, ampliam-se as competências, a fi m de buscar a compreensão entre os demais participantes do cotidiano escolar. Nesse sentido, analise as sentenças a seguir: I- É necessário redimensionar a gestão fi nanceira em prol do envol- vimento cada vez maior da equipe técnica nas tomadas de deci- sões, visto que se trata de uma estratégia assertiva para a melho- ria do âmbito educacional e, consequentemente, da qualidade do ensino ofertado. II- A gestão fi nanceira efi ciente traz ganhos para a instituição esco- lar, na tentativa de compreender a importância da gestão e identi- fi cá-la como um compromisso da escola com a comunidade, para satisfazer a necessidade de integração e participação nas práti- cas cotidianas. III. Ao elaborarem o orçamento fi nanceiro da escola com a efetiva par- ticipação dos envolvidos no processo, os gestores se tornam mais participativos, pois passam a delegar poderes, compartilhar a au- toridade e buscar experiências com os colegas de trabalho, nas tomadas de decisões, que vão acontecendo na relação com os in- tegrantes do grupo, que são ouvidos também com mais frequência. Assinale a alternativa correta: a) Somente a sentença I está correta. b) As sentenças I e II estão corretas c) As sentenças II e III estão corretas. d) Somente a sentença III está correta. e) Todas as sentenças estão corretas. 41 Princípios Básicos da Educação Financeira Capítulo 1 4) Ter uma escola de sucesso vai muito além da qualidade do ensi- no, é necessária dedicação diária para manter a escola saudável, seja na área pedagógica e também na estrutura fi nanceira, pois de nada vale possuir um excelente método de ensino, conquistar novos alunos, mas não conseguir manter a estrutura conquista- da. Os índices para análise de desempenho é o que possibilita uma visão geral e clara dos pontos críticos da gestão fi nanceira escolar, principalmente para ter conhecimento sobre custos de: a) oportunidade, índice de inadimplência e rentabilidade. b) generosidade, índice de inadimplência e rentabilidade. c) oportunidade, índice de inadimplência e fi delidade. d) oportunidade, índice de competência e rentabilidade. e) generosidade, índice de oportunidade e rentabilidade. 5) Imag ine que sua empresa decidiu cortar custos e, para isto, pla- neja dispensar parte da mão de obra produtiva. Liste ao menos três perguntas que poderiam ser feitas antes de tomar a decisão. _______________________________________________________ _______________________________________________________ ______________________________________________________ _______________________________________________________ 5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Para que uma empresa sobreviva e conquiste o mercado, a condição ne- cessária é que os recebimentos sejam maiores que os pagamentos operacionais. Todavia, é um desafi o para os gestores conseguirem um volume de vendas que forneça um caixa para a empresa, assumindo os menores riscos possíveis. Nesse entendimento, a apresentação de um fl uxo de caixa é um instrumento relevante para auxiliar na tomada de decisões e tem a fi nalidade ajudar o trabalho do gestor, por meio de análises de fl uxos passados e previsão de fl uxos futuros. Os dados e as informações obtidas ao realizar o fl uxo de caixa são de grande utilidade e entendimento, porque promovem ferramentas de compreensão e auxílio na tomada de decisões na área econômica, proporcionando ainda a obtenção de 42 Gestão Financeira Escolar informações contábeis que dizem respeito aos credores, ajudando a intervir cons- ciente e coletivamente nos objetivos e nas práticas de sua escola, na produção social do futuro da escola, da comunidade, da sociedade” (LIBÂNEO, 2013, p. 133). Os recursos fi nanceiros descentralizados, como os provenientes do PDDE, poderiam servir como instrumento indutor da gestão democrática escolar (SILVA FILHO, 2009; VIANA, 2017), caso favoreçam, de fato, a participação popular e a ruptura com práticas autoritárias de gestão. Além disso, são um norte para avaliar a capacidade de a empresa gerar caixa, bem como apontar as necessidades da em- presa em usar esses fl uxos de caixa. Serve ainda de base para prever, acompanhar e controlar todos os dados e informações, atualizando-as sempre que necessário, apoiando e contribuindo para a manutenção e o crescimento da empresa. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei Nº 8.078, de 11 de setembro de 1990. Dispõe sobre a proteção do consumidor e dá outras providências. 1990. Disponível em: . Acesso em: 10 nov. 2022. BUSS, Rosinete Bloemer Picklers. Gestão Escolar. Associação Educacional Leonardo da Vinci. Indaial: Asselvi, 2008. CAMPOS, Casemiro de Medeiros. Gestão escolar e docência. São Paulo: Paulinas, 2010. CESÁRIO, Ediane; TEPEDINO, Raquel; NEVES, Paulo Fernando. Gestão dos recursos escolares: pequenos detalhes, grandes desafi os. 2018. Disponível em: . Acesso em: 29 nov. 2022. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão fi nanceira: uma abordagem introdutória. 3. ed. São Paulo: Manole, 2014. GITMAN, Lawrence J. Princípios da administração fi nanceira. 10. ed. São Paulo: Pearson/Addison Wesley, 2004. LIBÂNEO, J. C. Organização e gestão da escola: teoria e prática. 6. ed. São Paulo: Heccus Editora, 2013. LUCK, Heloísa. Liderança em gestão escolar. v. IV, Rio de Janeiro: Vozes, 2014. 43 Princípios Básicos da Educação Financeira Capítulo 1 LUCK, Heloísa. Gestão educacional: uma questão paradigmática. v. 1. Rio de Janeiro: Vozes, 2015. PADOVEZE, Clóvis Luis. Contabilidade gerencial. Curitiba: IDESDE Brasil S.A., 2012. SEBRAE. Fluxo de Caixa. 2011. Disponível em: . Acesso em: 29 nov. 2022. SERASA. Gestão do fl uxo de caixa: saiba como fazer na prática. 2018. Disponível em: . Acesso em: 29 nov. 2022. SILVA FILHO, Geraldo Pereira da. A gestão fi nanceira na escola pública do Distrito Federal: avanços ou contradições? Dissertação de Mestrado em Educação, Universidade de Brasília, Brasília, 2019. SOUZA, Â. R. de. Explorando e construindo um conceito de gestão escolar democrática. Educação em Revista, v. 25, n. 3, dez. 2009. VIANA, M. P. Os recursos fi nanceiros descentralizados como indutores da gestão democrática e ferramentas para a promoção da qualidade do ensino. CAPÍTULO 2 BENEFÍCIOS DE UMA GESTÃO FINANCEIRA ESCOLAR EFICIENTE A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: Entender e compreender osbenefícios de uma gestão fi nanceira escolar efi - ciente. Aprender os passos necessários para realizar uma gestão fi nanceira adequada. Usar o conhecimento adquirido para desenvolver um planejamento fi nanceiro estratégico. Entender o que é um planejamento estratégico. 46 Gestão Financeira Escolar 47 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 1 CONTEXTUALIZAÇÃO A educação é um dos principais pilares do desenvolvimento econômico e so- cial, sendo importante para a transformação social. A aprendizagem é uma causa fundamental do comportamento humano, pois afeta poderosamente não somen- te a maneira pela qual as pessoas pensam, sentem e agem, mas também suas crenças, valores e objetivos. A gestão fi nanceira consiste em uma das áreas mais tradicionais da gestão de uma instituição. Ela é a responsável pela análise de dados e informações, to- mada de decisões atreladas ao contexto fi nanceiro necessário para manter ou expandir a organização. Desta forma, a função fi nanceira integra todas as tarefas ligadas à obtenção, utilização e controle de recursos fi nanceiros. A aplicação efi ciente dos recursos é um dos grandes desafi os para os gestores das escolas. Cabe a eles aplicá-los de forma responsável, com foco nos resultados positivos e na transparência, como também buscar inovações das práticas escola- res que estão correlacionadas a maiores elevações no aprendizado dos alunos. Nesse sentido, cada vez mais se observa a necessidade de realização de estudos sobre a aplicação de recursos, para verifi car onde estão os melhores re- sultados e a sua melhor utilização. Nessa Unidade, no Tópico 1, trataremos de aspectos referentes à gestão fi - nanceira escolar efi ciente. Inicialmente falaremos sobre a administração pública e particular. No Tópico 2, abordaremos o tema gestão democrática, os fi nanciamen- tos da educação brasileira, a descentralização de recursos fi nanceiros. Já no Tópi- co 3 discutiremos o desenvolvimento de um planejamento fi nanceiro estratégico em empresas, bem como as principais etapas do planejamento estratégico fi nanceiro. 2 COMO FAZER UMA GESTÃO FINANCEIRA ESCOLAR EFICIENTE A capacidade de gestão é pré-requisito para o fortalecimento da escola e o exercício de sua autonomia. Dirigir e coordenar signifi ca assumir a responsabi- lidade por fazer a escola funcionar mediante o trabalho em conjunto. “A gestão refere-se a todas as atividades de coordenação e de acompanhamento do traba- lho das pessoas, envolvendo o cumprimento das atribuições de cada membro da equipe, a realização do trabalho em equipe, a manutenção do clima de trabalho em equipe, a avaliação de desempenho” (LIBÂNEO, 2009, p. 348). 48 Gestão Financeira Escolar A escola é um todo, com a participação responsável do conjunto nas toma- das de decisões e na efetivação mediante um compromisso coletivo que se con- segue resultados educacionais cada vez mais signifi cativos. O gestor enfrenta muitas adversidades dentro do ambiente escolar. Seu pa- pel dentro da instituição é proporcionar um ambiente agradável e harmonioso, onde consiga envolver todos com os objetivos a serem alcançados. A falta de uni- dade de ação educativa escolar pode resultar em efeitos prejudiciais aos objetivos de aprendizagem. “A gestão democrático-participativa valoriza a participação da comunidade es- colar no processo de tomada de decisão, concebe à docência como trabalho intera- tivo e aposta na construção coletiva dos objetivos e do funcionamento da escola, por meio de dinâmica intersubjetiva, do diálogo, do consenso” (LIBÂNEO, 2009, p. 344). A gestão democrática dos recursos da escola pode vir a favorecer o envolvi- mento e a participação da comunidade, o que promove o exercício de participa- ção política, essencial para a cidadania e o convívio em sociedade, além de criar um vínculo entre a escola e a comunidade que refl ete também nas ações pedagó- gicas e de seus sujeitos. No âmbito da autonomia, o conhecimento específi co sobre a condução das questões fi nanceiras na escola vai além do domínio de cálculos ou operações simples de recursos. O gestor tem conhecimento das necessidades básicas da escola e, com a comunidade escolar, planeja, organiza e executa ações de me- lhorias na instituição, conforme os recursos fi nanceiros recebidos e as normas vigentes dos programas. Para tanto, é preciso um planejamento adequado, com a participação ativa da comunidade escolar, através do Conselho Escolar, do círculo de pais e mestres em conjunto com o gestor. Nesse sentido, planejar é um processo em que se defi ne o que fazer e como fazer, visando à utilização racional dos recursos disponíveis, para que se possa atingir, com efi ciência, efi cácia, efetividade e humanidade os objetivos pretendidos. Uma boa gestão envolve, de um lado, assegurar que os atores envolvidos no processo educacional, como pais, gestores, professores e funcionários, tenham os recursos e o conhecimento necessários para melhorar o desempenho dos alunos. A palavra “gestão” signifi ca o ato de administrar negócios, pessoas ou recur- sos, a fi m de alcançar objetivos e metas defi nidas, de forma efi ciente e efi caz, me- diante organização, planejamento, liderança e controle dos recursos disponíveis. 49 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 Na escola, a gestão deve ser um processo circular no qual haja uma inter-re- lação entre as pessoas envolvidas, em que o poder é partilhado, e todos (pais, fun- cionários, docentes, discentes, comunidade) são corresponsáveis pelas ações ali aplicadas. Uma agradável gestão acontece por meio da parceria entre as pessoas. Portanto, grupos de duas ou mais pessoas, trabalhando juntas, de forma coordena- da e cooperativa, podem realizar mais do que qualquer uma delas sozinha. Entende-se que a fi gura do gestor escolar representa a pessoa que tem como missão intermediar, facilitar e liderar o relacionamento entre meios e fi ns, visando à superação de problemas educacionais e administrativos. Entretanto, al- gumas atitudes tomadas pelo gestor podem ocasionar a inefi ciência na gestão, quando ele: • não programa as suas ações de forma planejada e as concebe no dia a dia conforme a urgência de cada situação; • não dá importância ao orçamento público, concebendo-o como entrave burocrático à sua administração; • não gosta de descentralizar decisões, pois entende que isto signifi ca per- da de poder; • tem receio de ser transparente, pois teme ser questionado sobre as suas ações; • não acredita que será punido se cometer erros ou prejuízos à sociedade ou ainda não se preocupa em ser responsável do ponto de vista legal, mas, sim, em ser efi ciente. Diante disso, para que um processo de gestão tenha resultados efi cientes e efi cazes, o gestor deve executar os chamados dez princípios fundamentais para uma adequada gestão: • Ser ético, realizando ações voltadas ao interesse público. • Planejar. • Cumprir o planejado. • Cumprir a lei. • Ser prudente. • Aprender com a experiência. • Ser transparente. • Documentar seus atos. • Manter assessoria técnica competente. • Ser efi caz e efi ciente. A palavra efi cácia é usada para indicar que os objetivos propostos foram al- cançados. A palavra efi ciência é usada para indicar que os objetivos propostos foram alcançados utilizando o mínimo dos recursos disponíveis. 50 Gestão Financeira Escolar Imagine um gestor que vive atarefado e sempre tem algo urgente para fazer, o que o impede de atender à comunidade escolar. Além disso, sempre reclama da burocracia para realizar as atividades referentes ao administrativo e pedagógico da escola, e não aceita delegar funções a sua equipe de trabalho. A comunidade escolar não tem acesso às informações e ações realizadas na escola. A atuação do gestor atende aos princípios fundamentais para uma ade- quada gestão pública? O que pode acarretar a ausênciada comunidade escolar nas tomadas de decisões referentes às ações a serem realizadas na escola? Ao propor ações no estabelecimento de ensino, o gestor deve buscar a co- munidade escolar e sua equipe de trabalho para que juntos possam realizar o pla- nejamento dessas ações, visando às prioridades a serem atendidas. Além disso, deve delegar funções e demonstrar o resultado das ações realizadas de forma transparente à comunidade escolar, buscando assim a efi ciência e a efi cácia em sua atuação como gestor. Acesse o link a seguir e conheça como pode ser a es- cola com a cara da comunidade: . O planejamento corresponde, entre outros conceitos, à defi nição de metas, objetivos e recursos que possibilitem a identifi cação de desvios e a correção des- ses, em tempo hábil, para melhor atingir os resultados previstos. É uma ferra- menta indispensável e necessária para a realização e concretização dos objetivos propostos, uma vez que permite visualizar os meios para alcançá-los com êxito, além de promover a integração, motivação e aprendizagem. No âmbito escolar, podemos dizer que o planejamento é uma ferramenta não somente gerencial, mas também pedagógica, que proporciona a sensibilidade para identifi car, ao longo do tempo, ações necessárias ao enfrentamento de es- trangulamentos e desafi os institucionais que devem ser vencidos, no que tange a aspectos administrativos e pedagógicos. É importante salientar que o gestor que planeja obtém sucesso, pois tem ca- pacidade de prever, orientar e controlar suas demandas. A falta de planejamento leva o gestor a comprar em caráter de urgência, sem observar os princípios bási- cos da administração pública, estabelecidos na Constituição Federal de 1988, em seu artigo 37: Legalidade, Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Efi ciência. No tópico a seguir, discutiremos sobre aspectos da gestão pública. 51 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 3 GESTÃO OU ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA O gestor de uma escola estadual recebeu a primeira cota normal de consu- mo do ano vigente, foi até o mercado mais próximo e utilizou todo o recurso em material de limpeza. Na semana seguinte, a secretária avisa que o material de expediente havia acabado; a merendeira informa que o botijão de gás estava no fi m; e a pessoa responsável pelos serviços gerais informa que algumas salas de aula estavam com as lâmpadas queimadas. Como você avalia a atuação desse gestor, no que diz respeito à utilização dos recursos fi nanceiros? Que princípio fundamental ele deixou de realizar, que comprometeu o desenvolvimento das ati- vidades na escola? Ao receber esses recursos, o gestor deve realizar um levantamento das prio- ridades, nos segmentos da escola e reunir-se com representantes da comunidade escolar para discutir e decidir como os recursos serão utilizados, a fi m de atender às demandas da escola. Souza (2009) afi rma que a gestão escolar está permeada de relações de po- lítica, poder e democracia, trazendo refl exões sobre essas questões de maneira a explicar que não há um conceito único de gestão democrática. Nessa concepção, a gestão democrática é tratada como um processo político amplo, que depende de educação política e participação. Compreende-se que ela se dá não apenas pela tomada de decisão coletiva, pelo voto igualitário ou pelo respeito à maioria, mas também com condições para que todos participem efetivamente em diversos processos: na identifi cação de problemas, no planejamento, acompanhamento e avaliação de ações, no controle e fi scalização de recursos, com acesso à infor- mação e ao conhecimento necessário para essa participação, baseada na escuta das vozes de todos os segmentos da escola. Segundo o autor, a gestão da escola pública pode ser entendida pretensa- mente como um processo democrático, no qual a democracia é compreendida como princípio e também como método. Ela é também uma ação educativa, no sentido da conformação de práticas coletivas na educação política dos sujeitos, porque a escola é fi nanciada por toda a sociedade para atender aos interesses que são de todos (SOUZA, 2009). Além disso, a gestão democrática da escola é um dos princípios constitucio- nais do ensino público, e precisa ser assumida como fator de melhoria da qualida- de da educação e de aprimoramento, na busca pela formação de cidadãos. 52 Gestão Financeira Escolar As mudanças econômicas, políticas, sociais, culturais, científi cas e tecnológi- cas no mundo são evidentes e infl uenciam direta e indiretamente na organização da sociedade e da educação. Assim, o gestor escolar tem muitos desafi os perante as fi nanças das escolas, logo é preciso eleger prioridades. Os gestores podem conseguir recursos com a sua própria criatividade, pois podem ser feitos eventos na escola para arrecadar fundos. Nesse sentido, um bom gestor consegue os seus objetivos engajando a comunida- de a ajudá-lo. Dessa forma, o gestor precisa ter uma gestão democrática, pois sem uma boa gestão democrática ele não vai conseguir alcançar os seus objetivos, e nesse caso nem falo só dos fi nanceiros. Para conhecer um pouco sobre recursos da educação escassos: como fazer mais com menos? Acesse o link: . No próximo tópico, aprofundaremos algumas ideias sobre gestão democrática. No âmbito pedagógico, quais os principais desafi os do gestor de uma instituição pública de ensino? 3.1 GESTÃO DEMOCRÁTICA A gestão escolar pública está ancorada no princípio da gestão democrática, legitimada por conquistas legais, como a Constituição Federal de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, pressupondo a participação de todos os segmentos da escola – profi ssionais, estudantes, famílias – na cons- trução, execução e acompanhamento das atividades desenvolvidas no cotidiano escolar, de forma a fomentar sua autonomia pedagógica e administrativa, atrelan- do esses conceitos à qualidade dos processos de ensino-aprendizagem. A gestão democrática é importante porque implica visualizar a perspectiva social, na qual os sujeitos podem “participar do processo de formulação e avalia- ção da política de educação e na fi scalização de sua execução”, salienta (CÓS- SIO, 2006, p. 31). Tem-se por pressuposto que a gestão é a atividade pela qual são “mobilizados meios e procedimentos para atingir os objetivos da organização, envolvendo aspectos gerenciais e técnicos administrativos” (LIBÂNEO; OLIVEI- RA; TOSCHE, 2005, p. 318). 53 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 Como descrevem Lück et al. (2000) em seu texto, “Perspectivas da Gestão Escolar e Implicações quanto à Formação de seus Gestores”, é de conhecimento geral que vivenciamos uma série de mudanças, que vão desde o acesso às novas tecnologias até o modo como nos relacionamos com as pessoas. Para os autores, a mudança mais signifi cativa, no entanto, está na maneira como vemos essa nova realidade, participamos dela e estabelecemos sua construção. Tenório (1998) defi ne a gestão democrática como sendo o conjunto de pro- cessos sociais, no qual a ação gerencial se desenvolve por meio de uma ação ne- gociada entre seus atores, perdendo o caráter burocrático em função da relação direta entre o processo administrativo e a múltipla participação social e política. Embora não haja uma única maneira de implantar um sistema de gestão par- ticipativa, é possível identifi car alguns princípios, valores e prioridades na constru- ção efetiva dessa gestão. A participação é o principal meio de assegurar a gestão demo- crática, possibilitando o envolvimento de todos os integrantes da escola no processo de tomada de decisões e no funciona- mento da organização escolar. A participação proporciona me- lhor conhecimento dos objetivos e das metas da escola,de sua estrutura organizacional e de sua dinâmica, de suas relações com a comunidade, e propicia um clima e trabalho favorável a maior aproximação entre professores, alunos e pais (LIBÂ- NEO, 2008, p. 450-451). A participação, portanto, demanda preparação, que envolve a capacidade de tomar decisões de forma compartilhada e comprometimento com a implementa- ção das decisões tomadas (LÜCK, 2007). Em vista disso, cabe, pois, ao gestor, promover na escola o ambiente propício para a orientação dessa participação. Para tanto, dentre outros cuidados, compete-lhe: a) criar na escola uma visão de conjunto, que estabelece o sentido de uni- dade e orienta o sentido de cooperação e ação articulada; b) promover clima de confi ança e reciprocidade na construção de um am- biente colaborativo; c) promover a integração de esforços, a articulação de áreas de atuação, a quebra de aresta e o enfraquecimento de atritos, dissensos e diferenças; d) criar cultura de valorização das capacidades, realizações e competên- cias das pessoas pela celebração dos seus resultados, como um valor coletivo da escola e da educação; e) desenvolver a prática das decisões colegiadas e compartilhamento de responsabilidades. 54 Gestão Financeira Escolar O mundo atual pauta-se, muito mais, por interação, parcerias, redes, alian- ças e cooperação na provisão de melhores resultados na prestação de serviços à sociedade (LÜCK, 2000). Os principais instrumentos promotores desse modelo de gestão são, sobretudo: a criação dos conselhos escolares, associações de pais e mestres e de grêmios estudantis, a elaboração de um Projeto Político-Pedagógico em âmbito interno com participação efetiva dos membros da comunidade escolar, e, como já citado, a escolha direta dos gestores. Entretanto, para Machado (2000, p. 6), a autonomia e a descentralização exigem a ação diferenciada dos gestores educacionais, em nível de sistema e de escola, visto que o enfoque da educação deixa de ser o processo e passa a contemplar o resultado. Não mais existe um processo único, mas, sim, fl exibili- dade na execução que, de fato, possa atender às demandas dos alunos de uma determinada escola: “cada um encontra seu caminho na busca da qualidade do ensino”. Não existe uma receita pronta, mas modelos exitosos. O importante é o objetivo almejado e o resultado a se alcançar. Nesse entendimento, no próximo tópico, discutiremos o que é gestão escolar. 3.2 A ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR OU GESTÃO ESCOLAR Conceitua-se a administração escolar ou gestão escolar como a prática edu- cativa, que abrange atividades que garantam um sentido histórico do que se faz (WITTMAN; FRANCO, 1998). De acordo com Chiavenato (2000), a administração é o gerenciamento de forma coerente das atividades de um estabelecimento com fi ns lucrativos ou não. Sem o ato de administrar, as organizações não se manteriam. Na concepção do autor, a administração é vista de uma forma centralizadora e autoritá- ria a quem detém o poder, em um vínculo hierarquizado. Algumas das característi- cas de um administrador são: objetividade, imparcialidade e previsibilidade. Segundo Ferreira (2004), a administração da escola surge como uma das novas formas de organização e necessita da participação de todos. Já para Lück (2006), a administração é classifi cada como sistemática, constante e imutável. As soluções são baseadas na objetividade, condicionando uma visão realista e imparcial, sem deixar que aspectos de fora interfi ram. A função do administrador é conservar-se neutro e afastado dos sistemas de produção, como uma maneira de visualizar a situação de fora e desempenhar sua liderança e atingir bons ren- dimentos. Já a concepção de gestão, ao contrário da administração, é dinâmica e está em constante mudança. 55 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 [...] a gestão educacional tem natureza e características pró- prias, ou seja, tem escopo mais amplo do que a mera aplicação dos métodos, técnicas e princípios da administração empresa- rial, devido à sua especifi cidade e aos fi ns a serem alcançados. Ou seja, a escola, entendida como instituição social, tem sua lógica organizativa e suas fi nalidades demarcadas pelos fi ns políticos pedagógicos que extrapolam o horizonte custo-bene- fício stricto sensu. Isto tem impacto direto no que se entende por planejamento e desenvolvimento da educação e da escola e, nessa perspectiva, implica aprofundamento sobre a nature- za das instituições educativas e suas fi nalidades, bem como as prioridades institucionais, os processos de participação e decisão, em âmbito nacional, nos sistemas de ensino e nas escolas (DOURADO, 2007, p. 924). A educação exige participação da comunidade, no contexto escolar, para que o trabalho educacional seja efetivamente organizado, já que não basta ao estabe- lecimento de ensino apenas preparar o aluno para níveis de ensino mais eleva- dos, uma vez que ele precisa aprender a compreender a si mesmo e a sociedade, como condições para ações competentes na prática da cidadania, sendo o am- biente escolar o lugar propício para essa iniciação de experiência. Para que todas essas mudanças sejam adequadas ao contexto escolar, é fundamental um esforço especial de gestão, ou seja, de organização da escola (LIBÂNEO, 2008). É o que a escola busca para alcançar os objetivos propostos, além de uma educação de qualidade. A seguir, discutiremos como a construção de um Projeto Político pode auxiliar o trabalho do gestor na administração dos recursos fi nanceiros e pedagógicos. 3.3 PROJETO POLÍTICO- PEDAGÓGICO (PPP) Para Veiga (2002), o PPP é um veículo de engajamento coletivo na integra- ção das ações dispersas, criação de sinergias que buscam soluções alternativas para diferentes momentos do trabalho pedagógico-administrativo, e por meio do desenvolvimento do sentimento de pertença, mobilizar os protagonistas para a explicitação de objetivos comuns, para a defi nição do norte das ações a serem desencadeadas e fortalecer a construção de uma coerência comum, indispensá- vel para que a ação coletiva produza seus efeitos. A construção do PPP, na perspectiva da gestão democrática, fundamenta-se nos mesmos princípios que norteiam a escola pública e democrática. Sacristan (2001), ao discutir a escola pública como um projeto da modernidade, destaca seus objetivos e suas fi nalidades em cinco grandes grupos: 56 Gestão Financeira Escolar a) a fundamentação da democracia; b) o estímulo ao desenvolvimento da personalidade do sujeito; c) a difusão e o incremento do conhecimento e da cultura em geral; d) a inserção dos sujeitos no mundo; e) a custódia dos mais jovens, suprindo nessa missão a família. Para o autor, essas grandes dimensões se relacionam e se condicionam mu- tuamente, evidenciando aquilo que historicamente culminou nas fi nalidades da escola pública. Gadotti (2006), ao discutir o PPP, também aponta como princípios centrais para a gestão democrática da escola autonomia e participação. Segundo o autor, esses princípios garantem que o PPP não se torne apenas uma carta de intenções, ou apenas um plano orientado por metas e estratégias. Ao ressaltar esses dois princípios, o autor afi rma que a autonomia e a gestão democrática da escola fazem parte da própria natureza do ato pedagógico. A gestão democrática da escola é, portanto, uma exigência do seu Projeto Político-Pedagógico. Acesse o link a seguir e saiba um pouco mais sobre o Projeto Político- -Pedagógico de uma escola: . 3.4 FINANCIAMENTOS DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA Diante de inúmeras externalidades positivas que a educação pode promover na sociedade, sua oferta pelo governo com caráter gratuito ou subsidiado se torna necessária. 3.4.1 Aspectos gerais do fi nanciamento As despesas com educação pelo governo, em geral, são fi nanciadas com re- cursos orçamentários ou extraorçamentário. Qualquer que seja a fonte, ela pode ser vinculadaou não, no primeiro caso, à existência do vínculo que obriga o Es- tado ou município a utilizá-la de forma exclusiva como determinada pela lei; caso não haja vinculação, o governo pode dispor dos recursos de forma livre. 57 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 O fi nanciamento da educação no Brasil provém de recursos públicos, de em- presas privadas e dos cidadãos. Todavia, não há como calcular o gasto total em educação, já que o Brasil não contabiliza os recursos mobilizados pelo setor par- ticular. Cabe ao Ministério da Educação implementar a Política Nacional De Edu- cação, cuja a missão institucional é de articular ações com o que é proposto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Os recursos públicos destinados à educação têm origem em: • receita de impostos próprios da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios; • receita de transferências constitucionais e outras transferências; • receita da contribuição social do salário-educação e de outras contribui- ções sociais. A Constituição Federal determina que a União aplique, no mínimo, 18% para educação, e os estados, o Distrito Federal e os municípios, 25%. É da esfera fe- deral que provém a maior soma de recursos para o Ensino Superior, enquanto os estados e os municípios os destinam mais para o Ensino Fundamental. A complexidade federativa contribui para os vários tipos de soluções num sis- tema em que a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios têm a incum- bência de organizar, em regime de colaboração, os respectivos sistemas de ensino. De acordo a Emenda Constitucional Nº 53/2006 (BRASIL, s.d.), que insti- tuiu o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), os estados, o Distrito Federal e os municípios deverão destinar pelo menos 15% dos impostos e sua transferência para a manu- tenção e o desenvolvimento do Ensino Fundamental. Essa medida de vinculação de recursos da receita de impostos destinados à educação começou em 1921, na Conferência Internacional do Ensino Primário, patrocinada pelo Governo Federal, que iniciou com a proposta de 10% dos impos- tos para a educação. A legislação educacional brasileira defi ne que os recursos públicos devem ser destinados às escolas públicas, podendo ser dirigidos também a escolas co- munitárias, confessionais ou fi lantrópicas que: a) possua fi nalidade não lucrativa e não distribuam resultados, dividendos, bonifi cações, participações ou parcela de seu patrimônio, sob nenhuma forma ou pretexto; b) apliquem seus excedentes fi nanceiros em educação; 58 Gestão Financeira Escolar c) garantam a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, fi lan- trópica ou confessional, ou ao poder público, caso encerre suas atividades; d) prestem contas, ao poder público, dos recursos recebidos. Devido à grande diversifi cação do sistema, o Ministério da Educação tem buscado proporcionar um detalhamento sobre as fontes de recursos disponíveis para o fi nanciamento da Educação Profi ssional, como forma de articular e integrar os sistemas. Nessa perspectiva, ao analisar a forma de fi nanciamento da educação bra- sileira, é importante verifi car como os gastos do governo estão sendo realizados, buscando apreender se os princípios de igualdade e qualidade educacionais es- tão sendo formados na sociedade brasileira. 3.4.2 PDDE O programa dinheiro direto na escola, segundo o portal Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FUNDE), (BRASIL, 2017), o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) foi criado em 1995 e tem por fi nalidade prestar assistên- cia fi nanceira para as escolas, em caráter suplementar, a fi m de contribuir para a manutenção e a melhoria da infraestrutura física e pedagógica, com consequente elevação do desempenho escolar. Também visa a fortalecer a participação social e a autogestão escolar. Diante da Resolução Nº 6, de 27 de fevereiro de 2018 (BRASIL, 2018), os repasses dos recursos dar-se-ão em duas parcelas anuais, devendo o pagamento da primeira parcela ser efetivado até 30 de abril, e o da segunda parcela até 30 de setembro de cada exercício às EEx, UEx e EM que cumprirem as exigências de atualização cadastral até a data de efetivação dos pagamentos. O programa engloba várias ações que possuem fi nalidades e públicos-alvo específi cos, embora a transferência e a gestão dos recursos sigam os mesmos moldes operacionais do PDDE. As ações agregadas estão agrupadas em três ti- pos de contas da seguinte forma: a) PDDE Integral - Mais Educação; Novo Mais Educação; b) PDDE Estrutura - Escola Acessível; Água na Escola; Escola do Campo; Escolas Sustentáveis; c) PDDE Qualidade - Ensino Médio Inovador; Atleta na Escola; Mais Cultura na Escola; Mais Alfabetização; Conforme a descrição do site Fundo Nacio- nal de Desenvolvimento da Educação (FUNDE), (BRASIL, 2017). 59 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 O PDDE destina-se às escolas públicas da educação básica das redes esta- duais, municipais e do Distrito Federal, às escolas privadas de educação especial mantidas por entidades sem fi ns lucrativos, registradas no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) como benefi centes de assistência social, ou outras si- milares de atendimento direto e gratuito ao público e aos polos presenciais do sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) que ofertem programas de formação inicial ou continuada a profi ssionais da educação básica. Diante do portal Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FUNDE), Brasil (2017) ainda descreve como as escolas podem ter acesso a este benefício, destacando que os alunos da rede pública e privada de educação especial preci- sam estar inscritos no Censo Escolar do ano anterior e a lista de alunos dos polos da UAB deve ser informada ao FNDE pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes). As escolas públicas com mais de 50 alunos matriculados devem criar suas UEx e a aderir ao programa por meio do Sistema PDDE web (https://www.fnde.gov. br/pdde) até o último dia útil de outubro. Já as entidades mantenedoras (EM) devem encaminhar ao FNDE, para a Coordenação de Habilitação e Empenho de Projetos Educacionais (COHEP), até o último dia útil de outubro, os seguintes documentos: a) cadastro do órgão /entidade e do dirigente; b) certidão conjunta positiva de débitos com efeito de negativa relativos a tri- butos federais e à dívida ativa da União; c) certifi cado de regularidade de situação - CRS, referente ao FGTS; d) cláusula do estatuto da entidade com previsão de atendimento permanen- te, direto e gratuito aos portadores de necessidades especiais, conforme autorização do Art. 22 da Lei Nº 11.947, de 16 de junho de 2009; e) cópia da ata de eleição e posse da gestoria da entidade; f) cópia do CPF e da carteira de identidade do dirigente da entidade; g) cópia do estatuto da entidade; h) declaração de funcionamento emitida por três autoridades locais com fé pública; i) extrato do cadastro informativo dos créditos não quitados de órgãos e enti- dades federais - CADIN; j) prova de inscrição no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ. As UEx, EEx e EM precisam ainda estar adimplentes com a prestação de contas de exercícios anteriores. Atendidos aos requisitos citados, a assistência fi nanceira ao público-alvo do programa é concedida sem a necessidade de celebração de convênio, acordo, contrato, ajuste ou instrumento congênere. 60 Gestão Financeira Escolar O site Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FUNDE) (BRASIL, 2017) destaca ainda que os órgãos gestores e as áreas gestoras possuem um regime de parceria para a descentralização de recursos às escolas, que envolve tanto as secretarias do MEC na implementação de suas atividades e projetos, quanto os governos estaduais, distrital e municipal, bem como as entidades man- tenedorasdas escolas de educação especial. Assim se destacam: a) a Secretaria de Educação Básica (SEB/MEC) – unidade gestora das ações agregadas Novo Mais Educação, Atleta na Escola, Ensino Médio Inovador, Mais Cultura nas Escolas e Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE Escola); b) a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclu- são (Secadi/MEC) – unidade gestora das ações agregadas Água na Esco- la, Escola Sustentável, Escola do Campo e Escola Acessível; c) a Capes – unidade gestora dos polos presenciais da UAB; d) as secretarias estaduais e distrital de educação e as prefeituras dos mu- nicípios (EEx) – entidades que executam os recursos do PDDE destina- dos às escolas com até 50 alunos matriculados. Verifi ca-se no site Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FUNDE) (BRASIL, 2017) que a atuação na área responsável pelo portal no tocante ao PDDE e ações agregadas é a Diretoria de Ações Educacionais (DIRAE), por intermédio da Coordenação do Dinheiro Direto na Escola (CODDE). Publicado no site Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FUN- DE) (BRASIL, 2017), a legislação do PDDE é regida pela Lei Nº 11.947, de 16 de junho de 2009, e por resoluções do Conselho Deliberativo do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, cujas principias são as seguintes: a) Resolução Nº 9/2011, que estabelece os procedimentos a serem adota- dos para aquisição de materiais e bens e contratação de serviços, com os repasses efetuados à custa do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), pelas Unidades Executoras Próprias (UEx) e entidades qualifi ca- das como benefi centes de assistência social ou de atendimento direto e gratuito ao público que ministram educação especial, denominadas de En- tidades Mantenedoras (EM), de que trata o inciso I, § 2º, do Art. 22 da Lei Nº 11.947, de 16 de junho de 2009; b) Resolução Nº 10/2013, que dispõe sobre os critérios de repasse e execu- ção do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), em cumprimento ao disposto na Lei Nº 11.947, de 16 de junho de 2009; c) Resolução Nº 15/2014, que dispõe sobre as prestações de contas das en- tidades benefi ciadas pelo Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) e suas ações agregadas. 61 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 d) Resolução Nº 8/2016, que altera as Resoluções Nº 10, de 18 de abril de 2013, e 16, de 9 de dezembro de 2015, do Conselho Deliberativo do Fun- do Nacional de Desenvolvimento da Educação (CD/FNDE), e dá outras providências; e) Resolução Nº 6, de 27 de fevereiro de 2018, que altera dispositivos da Resolução Nº 10, de 18 de abril de 2013, entre eles, fi xa datas limites para repasses dos recursos e estabelece a exigência de atualização cadastral no PDDE web como condição para ser benefi ciário do programa. Na sequência, propomos uma refl exão sobre o conceito de descentralização. 3.5 O CONCEITO DE DESCENTRALIZAÇÃO Ao conceito de descentralização podem ser feitas algumas distinções, às vezes de caráter específi co das ciências jurídicas; outras, de uso mais comum. A descentralização administrativa está relacionada à execução das diretrizes do Estado, à forma organizativa e derivada dos poderes administrativos do aparelho estatal, enquanto que a descentralização política relaciona-se à elaboração de decisão política do Estado e ao direito autônomo que incide na garantia de auto- nomia e poderes a espaços não centralizados, assim podendo se opor à institui- ção central (ROVERSI, 1992). A descentralização não é um fi m em si mesma, a descentralização (ou cen- tralização) é uma política para alcançar certos fi ns. Em si, ela não é boa nem má, não é progressista ou conservadora. É uma política que pode ser boa ou má, pro- gressista ou conservadora, dependendo de quem a utilize e se contribui ou não para resolver os problemas (CASASSUS, 1995, p. 39). Para Cretella Júnior (1973, p. 89), no que diz respeito ao direito administrati- vo, desconcentração é “a irradiação de poderes da mão de um para a de muitos”, e descentralização é “a transferência de atribuições em maior ou menor número dos órgãos centrais para os órgãos locais ou para pessoas físicas ou jurídicas”. O autor afi rma que não há confusão entre ambos os termos, pois a descentralização “é vocabulário eminentemente técnico”. Para a abordagem da temática da descentralização de recursos fi nanceiros, é interessante observar o que Cretella Junior (1973) chama de “descentralização por colaboração”, tipologia que se refere à transferência de atribuições do Estado para pessoas físicas ou pessoas jurídicas de direito público ou privado. Isso ocor- re por meio de delegação, de concessão ou por autarquias. 62 Gestão Financeira Escolar Roversi (1992) traz também distinções tipológicas da descentralização, como a autárquica, que consiste na existência de instituições autônomas dentro da es- trutura administrativa estatal, e a de serviços, fundamentada na divisão em enti- dades com personalidade jurídica autônoma por setor de atividades homogêneas. Tais tipos de descentralização estão ligados à ideia de descentralização adminis- trativa, não em perspectiva vertical, mas horizontal das funções. Casassus (1995) aponta cinco “promessas” das políticas de descentraliza- ção: maior possibilidade de participação, consequentemente maior democratiza- ção; maior efi ciência derivada da ampliação do controle social sobre suas próprias vidas; mais recursos com a participação da sociedade civil, atraindo recursos do setor privado; desburocratização e aumento da efi ciência dos recursos por conta do maior controle social; e maior qualidade na educação pela aproximação da comunidade e atenção às necessidades locais. Como se pode observar, a discus- são sobre a descentralização nas políticas educacionais tem estado em questão em seus diferentes aspectos e pode se desdobrar na constituição da autonomia da instituição escolar. 3.6 AUTONOMIA ESCOLAR Olhando para o sentido etimológico da palavra autonomia, desde logo pro- jetamos a ideia de capacidade e possibilidade das pessoas e das organizações darem a si mesmas as próprias normas de ação (ALVES, 1999). O termo autogestão não está mais substantivamente presente nas diretrizes das políticas educacionais, podendo-se até dizer que sumiram do horizonte destas. No debate da área educacional, o conceito de autonomia vem sofrendo um pro- cesso de sacralização e, ao que tudo indica, encontra-se reduzido à redefi nição de procedimentos administrativos e fi nanceiros da rede de escolas, com signifi cativa ampliação de encargos e responsabilidades para elas (MARTINS, 2002, p. 48). Independentemente da autonomia decretada, as escolas no seu cotidiano “desenvolvem (e sempre desenvolveram) formas autônomas de tomada de deci- são, em diferentes domínios, que consubstanciam aquilo que pode ser designado por autonomia construída” (BARROSO, 1996, p. 185). 63 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 3.7 A DESCENTRALIZAÇÃO DE RECURSOS FINANCEIROS Voltando-se o olhar para como a questão da descentralização de recursos fi nanceiros para as escolas tem se apresentado no Brasil, no que tange à autono- mia de gestão fi nanceira das escolas, Polo (2001) destaca que a formulação apre- sentada na LDB/96, no artigo 15, tem por fi nalidade garantir que a escola, sendo reconhecida como instituição fundamental da educação, não seja sempre depen- dente das administrações dos sistemas de ensino e seus processos muito lentos. Entretanto, essa autonomia não tem o intuito de estabelecer total indepen- dência das escolas. Com isso, o autor entende que a autonomia de gestão fi - nanceira deve estar atrelada ao princípio da gestão democrática presente na CF/88 e na LDB/96, conforme pode ser conferido na íntegra em: . Neste site, você conhecerá melhor como esse princípio democráticodeve ser o orientador maior das diversas formas que a autonomia fi nanceira pode vir a tomar nas di- ferentes escolas e diferentes municípios. Desse princípio não se pode fugir, e é dele que deve vir a inspiração para tornar todos os atos relacionados com o planejamento e o uso dos recursos fi nanceiros em atos de aprendizagem e de exercício da cidadania (POLO, 2001, p. 283). Algumas formas de descentralização de recursos fi nanceiros para as esco- las foram implementadas no Brasil. Uma delas é o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), iniciativa do Governo Federal com recursos oriundos do Salário- -Educação, com o objetivo de repassar recursos para as escolas, de acordo com o número de alunos matriculados no Ensino Fundamental, havendo distinção pela região onde se localizam as escolas, como forma de discriminação positiva. O valor destinado às escolas do Norte, Nordeste e Centro-Oeste é superior ao das regiões Sul e Sudeste e do Distrito Federal. Vale ressaltar que vários esta- dos e municípios criaram seus próprios programas infl uenciados por esse modelo de descentralização de recursos fi nanceiros. Parte-se do entendimento de que o planejamento fi nanceiro é o caminho prin- cipal para a realização dos objetivos das demais áreas do planejamento pessoal, pois trabalha diretamente com o dinheiro, o que, neste caso, afeta quase todos os aspectos da vida. O dinheiro é mais que uma necessidade básica e acaba determi- nando a qualidade de vida. O planejamento estratégico organizacional, por sua vez, é uma ferramenta adotada pelas empresas para auxiliá-las a traçar e a alcançar os objetivos estratégicos voltados ao crescimento e à satisfação dos stakeholders. 64 Gestão Financeira Escolar Os stakeholders se referem a todos os grupos de pessoas ou organizações que podem ter algum tipo de interesse pelas ações de uma determinada empresa. As par- tes interessadas podem ser desde colaboradores, considerados stakeholders inter- nos, até investidores, fornecedores, clientes e comunidade, chamados de externos. Da mesma forma, o planejamento estratégico pessoal possibilita que o indivíduo refl ita sobre as ações realizadas no presente e formule uma situação futura almejada. Assim sendo, a fi m de desenvolver o modelo de planejamento fi nanceiro pessoal, buscou-se reunir elementos técnicos e comportamentais que estão presentes no pla- nejamento organizacional, como também no planejamento pessoal e na literatura. Com esta técnica, buscou-se acompanhar a evolução dos estudos quanto ao planejamento, bem como ordenar os diferentes modelos para propor um planeja- mento fi nanceiro pessoal. De posse destes dados, foi possível construir um mode- lo que servirá como um guia prático para sistematizar o planejamento fi nanceiro pessoal, auxiliando os indivíduos na conquista e na manutenção de seus objetivos econômicos fi nanceiros. O modelo proposto é composto de três etapas sequenciais: avaliação, for- mulação e implantação, e para tornar o modelo fl exível e adaptável a diferentes realidades e a diferentes indivíduos foi elaborado um mecanismo que proporciona uma dinâmica chamada de “retroalimentação”. Essa retroalimentação proporciona que o planejamento fi nanceiro seja realizado de acordo com as necessidades e a realidade de cada um, potencializando as ações que tornem efi ciente esse plano realizado por meio do modelo de planejamento fi nanceiro proposto. Para facilitar este processo, deve-se estabelecer sua missão, valores e objeti- vos, o que pode ser feito analisando seus aspectos pessoais e o ambiente externo para, só então, determinar suas estratégias, metas e ações, com o intuito de obter os resultados esperados e enfrentar as difi culdades com mais preparo e equilíbrio. 4 O DESENVOLVIMENTO DE UM PLANEJAMENTO FINANCEIRO ESTRATÉGICO EM EMPRESAS PARTICULARES As políticas de inovação e apoio voltadas para as pequenas empresas po- dem ser um instrumento de estímulo ao crescimento e à competitividade de seto- res e de regiões. Entretanto, a diversidade do universo destas empresas torna-se difícil à prática de políticas de inovação e apoio a elas destinadas. 65 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 Enquanto as grandes empresas têm vantagens materiais para gerar e adotar, as pequenas e médias empresas têm vantagens comportamentais relacionadas à sua maior fl exibilidade e capacidade de adaptação a mudanças. Normalmente as empresas menores têm atividades diversifi cadas e estruturas fl exíveis que fa- vorecem ações rápidas a mudanças. Além disso, estas empresas podem operar em nichos que apresentam uma alta taxa de inovação. O ambiente das empresas pequenas induz a uma maior motivação dos empregados em desenvolver a pro- dutividade e a competitividade através de inovações. Sendo assim, a evolução mercadológica tem proporcionado situações em que cada vez mais as empresas precisam se organizar e defi nir seus objetivos e es- tratégias anuais, para que possam atingir os resultados esperados e, até mesmo, contornar possíveis situações que comprometeriam o sucesso dos negócios. Para tanto, torna-se necessário o desenvolvimento de um planejamento estratégico. O planejamento estratégico auxilia a empresa a traçar metas para o futuro, baseado em ações do passado e presente, fazendo com que ela aproveite opor- tunidades frente às mudanças que ocorrem no mercado competitivo. Pode ser defi nido como sendo um processo de gestão que deve ser realizado de forma me- tódica e sistêmica, iniciando-se imediatamente no momento de maior necessida- de. Quando não se tem um plano estratégico para a condução dos negócios, fi ca difícil de identifi car as necessidades e as oportunidades para os seus negócios e o tempo que precisarão para iniciar a implementação das medidas necessárias com a devida antecedência. Caso contrário, ocorrerá o risco de chegar ao futuro como estão hoje, e se a concorrência permitir. Um planejamento estratégico bem defi nido, bem elaborado e compartilhado com toda a organização, fortalece o posicionamento da empresa no mercado, além de permitir uma efetiva transformação organizacional para melhor. Partindo-se da ideia de planejar, temos uma visão de algo que buscamos alcançar adiante, quando, com o auxílio de algumas ferramentas, conseguiremos criar um processo, planos de ações a serem postas em prática em um tempo determinado. Aliando-se esta ideia a estratégias, conseguiremos formular planos com ferramentas potenciais, capazes de nos direcionar para um caminho que nos levará a alcançar o objetivo com possibilidades de um êxito maior. Pode-se dizer que o planejamento estratégico norteará o ponto de vista ad- ministrativo, desenvolvendo ações que levarão a organização ao cumprimento de suas metas e objetivos, com o auxílio de ferramentas favoráveis, determinadas no processo de planejamento estratégico, buscando se proteger de possíveis ameaças e detectar oportunidades. As fases do planejamento estratégico são as seguintes: 66 Gestão Financeira Escolar • Avaliação Estratégica (Matriz Swot) - análise do ambiente interno (forças e fraquezas da empresa) e do ambiente externo (oportunidades e amea- ças do mercado). • Defi nição das Prioridades - identifi cação e defi nição dos principais focos de necessidades e objetivos da empresa, visando potencializar suas forças e minimizar ou eliminar suas fraquezas, convertendo-as em possíveis forças. • Programação das Ações - defi nir quem vai fazer, o que será feito, como será feito, quando será feito e quanto custará para ser realizado. • Monitoração - acompanhar todas as etapas para garantir que seguirão o planejamento previsto e atingir o sucesso almejado. Com essas ações mínimas realizadas anualmente, a empresa terá condições e ferramentas sufi cientes para caminhar durante o ano e contornar imprevistos que venham a surgir, considerando que terá realizado uma análise das possibili- dades com antecedência.Conseguirá, desta forma, prever custos, delegar tare- fas, otimizar tempo e potencializar resultados. Basta apenas ter foco e dedicação. 4.1 FASES DE UM PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO FINANCEIRO O planejamento fi nanceiro estratégico é um documento em que constam as diretrizes uma empresa para um determinado período. Nele estão o estudo da situação econômica atual de um negócio e quais são as projeções para o futuro. Com base no planejamento fi nanceiro, os gestores são capazes de entender quais as previsões de faturamentos, de gastos, de investimentos e quais são as melhores formas de agir para que o balanço fi nanceiro fi nal seja sempre favorável. Qualquer gestor busca a lucratividade do seu negócio, e é um grande risco ge- renciar um negócio sem ter ideia dos aportes fi nanceiros necessários não somente para que ele sobreviva, mas também para que possa render lucros. É exatamente nesse ponto que o planejamento fi nanceiro estratégico se faz importante. O plane- jamento auxilia você para a tomada de decisões com embasamento na situação econômica atual da empresa, o que diminui os riscos e potencializa os acertos. Dentre as inúmeras vantagens que podem ser citadas sobre o planejamen- to está a de que ele traz mais segurança para a empresa, além de colaborar na promoção do crescimento do empreendimento e fazer com que os gestores sejam mais efi cientes em suas atividades. 67 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 É preciso atentar-se para alguns métodos na construção de um plano fi nan- ceiro estratégico: a busca por informações sobre a situação econômica do ne- gócio, a defi nição de objetivos e de metas, a descrição de ações para o alcance daquilo que é almejado, os prazos, os recursos necessários, dentre outros. 4.2 AVALIAÇÃO DA SITUAÇÃO ATUAL DA SUA EMPRESA Para que o seu negócio cresça, é necessário saber exatamente onde ele se encontra. Para isso, não basta apenas ter conhecimento sobre quanto se tem em caixa e qual é o seu patrimônio; é preciso ir mais a fundo e desvendar todos os processos que fazem com que o negócio tenha estes e aqueles gastos e ganhos. Avaliar qual a margem de lucro das negociações, compreender despesas fi xas e variáveis, média de vendas, comissões, dentre outras informações fi nanceiras, é fundamental para entender até onde se pode chegar em um determinado tempo. 4.3 DEFINIÇÕES DO PLANEJAMENTO, OBJETIVOS, METAS E AÇÕES O planejamento fi nanceiro estratégico do empreendimento é fundamental para o crescimento do seu negócio. Isso porque uma das partes mais estratégicas do documento é a que expõe os objetivos do negócio. De posse deles, toda a equipe envolvida na atividade será capaz de ter em mente o que precisa ser feito para que aquilo que se sonha seja alcançado. Para que você tenha sucesso nos objetivos traçados, é necessário que uma série de atividades sejam planejadas. É preciso descrever e programar ações, relatar o tempo médio para executá-las, ter em mente os gastos envolvidos, os recursos humanos e os materiais, dentre outros. É importante também que nessa etapa sejam avaliados os impactos das no- vas ações nas estruturas e processos que já estão em funcionamento na empre- sa. Para que não aconteçam imprevistos, esteja atento às mudanças tributárias, logísticas, de estoque etc. que poderão ocorrer. 68 Gestão Financeira Escolar A meta principal do planejamento estratégico fi nanceiro é avaliar o mercado e o ambiente interno para que as decisões tomadas sejam embasadas em infor- mações reais e possam gerar menos riscos ao seu negócio. Contudo, o cenário externo a uma empresa não pode ser controlado. Dessa for- ma, é importante pensar e planejar ações que possam ser implantadas em ambientes diferentes daqueles que possam parecer, em um primeiro momento, mais óbvios. O planejamento estratégico fi nanceiro de uma empresa não é estático e pre- cisa ser revisto sempre que as metas traçadas forem alcançadas ou sempre que o cenário previsto mudar drasticamente. Feito dessa forma, a equipe envolvida no processo terá uma noção da validade do planejamento, é preciso que um pra- zo seja defi nido já na sua construção. O tempo de duração, como dito, pode ser menor do que o previsto, mas nunca maior. Se o prazo estabelecido não seja sufi - ciente para o alcance das metas, um novo plano deverá ser feito. Outra fase importante do planejamento estratégico é a que diz de quanto em quanto tempo as ações planejadas deverão ser avaliadas para que todos saibam se a prática delas está em conformidade com aquilo que foi pensado anteriormen- te. O acompanhamento durante o andamento da atividade permitirá aos gestores realizar pequenos ajustes durante o processo que poderão ser cruciais para que o alcance dos objetivos seja mais rápido e assertivo. Pôr em prática um planejamento estratégico fi nanceiro conduz para o suces- so qualquer organização. Ele analisa o plano de negócio da empresa em cada detalhe, para verifi car se os objetivos estratégicos estabelecidos pela organização são possíveis de serem atingidos do ponto de vista fi nanceiro. Dessa forma, fi cará mais fácil para os gestores da empresa determinarem as metas fi nanceiras necessárias para que a organização esteja preparada para superar os desafi os propostos no plano de negócios. De forma resumida, podemos dizer que o planejamento estratégico fi nancei- ro consiste em criar um conjunto de orçamentos que determinam como alocar os recursos da empresa ao longo do tempo – sejam esses recursos fi nanceiros, equipamentos ou recursos humanos para que se possa atingir os objetivos gerais estabelecidos no planejamento com segurança e sem comprometer a estrutura de capital do negócio. 69 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 4.4 ATIVIDADES RELACIONADAS AO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO FINANCEIRO Geralmente, uma empresa cria um plano fi nanceiro imediatamente após a visão e os objetivos terem sido defi nidos. O planejamento estratégico fi nanceiro descreve cada uma das atividades, recursos, equipamentos e materiais necessá- rios para atingir esses objetivos, bem como os prazos para que isso ocorra. Para que se cheguem a essas conclusões, algumas atividades precisam ser realizadas pelo departamento de fi nanças: • avaliar o ambiente de negócios, tanto interno quanto externo; • certifi car-se de ter entendido plenamente a visão e os objetivos do negócio; • identifi car os recursos necessários para atingir esses objetivos; • especifi car os tipos e quantifi car a quantidade de recursos necessários; • calcular o custo total de cada tipo de recurso que será empregado; • organizar esses custos na forma de um orçamento; • identifi car quaisquer riscos ou problemas que possam afetar a execução do orçamento criado. Em outras palavras: o planejamento estratégico fi nanceiro pode ser defi nido como a tarefa de determinar como uma empresa terá condições fi nanceiras de alcançar seus objetivos estratégicos e metas específi cas. 4.5 AS PRINCIPAIS ETAPAS DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO FINANCEIRO O processo de planejamento fi nanceiro geralmente é dividido em cinco etapas: 1. formação da visão estratégica; 2. defi nição de objetivos; 3. elaboração da estratégia; 4. implementação e execução da estratégia; 5. avaliação e monitoramento da estratégia. 70 Gestão Financeira Escolar 4.5.1 Formação da visão estratégica Para se formar essa visão, é preciso responder a algumas perguntas: • Qual é a visão da empresa? • Aonde a empresa quer chegar? • Quais serão as futuras tecnologias, produtos ou serviços com foco no cliente que a empresa utilizará? • Que tipo de empresa a organização quer se tornar? • Que relevância em seu setor a empresa deseja alcançar em cinco anos? 4.5.2 Defi nição de objetivos É a hora de transformar declarações de visão estratégica e de missão de negócios em objetivos de desempenho específi cos, resultados a serem atingidos. Defi nirobjetivos claros e mensuráveis é fundamental para que se possa acompa- nhar a execução do planejamento estratégico fi nanceiro. 4.5.3 Elaboração da estratégia A estratégia fi nanceira também pode ser refi nada ao se responder a algumas perguntas importantes, cujas respostas já foram defi nidas no planejamento estra- tégico da empresa. Exemplos: • Vamos atender a uma ampla gama de clientes ou vamos nos concentrar em um nicho de mercado específi co? • Pretendemos desenvolver uma linha de produtos pequena e focada ou abrangente e diversifi cada? • Qual nossa política de preços, promoções e descontos? • O foco de nossa comunicação será em mídias de massa, impressas e eletrônicas, ou o marketing digital será mais relevante? Com base nessas respostas, diferentes estratégias de captação e alocação de recursos deverão ser usadas. 71 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 4.5.4 Implementação e execução da estratégia A execução da estratégia consiste em supervisionar e controlar a busca con- tínua dos objetivos traçados na estratégia fi nanceira, fazendo com que comprove um progresso mensurável na obtenção dos resultados desejados. Basicamente, é preciso monitorar e avaliar o desempenho, determinando os ajustes corretivos, quando necessário. 4.5.5 Avaliação e monitoramento da estratégia Não basta estar atento aos indicadores internos de desempenho, como des- crito na implementação e execução da estratégia. O ambiente externo também deve ser monitorado. A situação do mercado, as ações da concorrência, a mudança do cenário econômico e de políticas do governo, assim como outros fatores que possam afe- tar o plano fi nanceiro, devem ser verifi cados para se determinar se há a necessi- dade de mudanças e ajustes. Sim, o planejamento estratégico fi nanceiro é um tanto complexo, mas funda- mental para o bom desempenho de sua empresa. Independentemente da profi s- são, idade e planos, ter um planejamento fi nanceiro e saber controlar os gastos são essenciais para um negócio ou objetivo pessoal poderem prosperar. Fazer uma boa gestão do dinheiro, porém, nem sempre é uma tarefa fácil para todos. Acesse o link a seguir e conheça um plano estratégico na prática: . 72 Gestão Financeira Escolar 4.6 O QUE É PLANEJAMENTO FINANCEIRO? O planejamento fi nanceiro é a organização das fi nanças pessoais e uma im- portante ferramenta para poder alcançar metas. A partir dele, é possível controlar e organizar ganhos e gastos, melhorando a saúde fi nanceira da pessoa para tra- çar objetivos e montar planos de ação. Trata-se de um conjunto de estratégias que ajudarão a pessoa a utilizar me- lhor o seu dinheiro, seja pela defi nição de metas e objetivos fi nanceiros até a parte mais prática de organizar as fi nanças e o orçamento para executar os obje- tivos. Ele acaba funcionando como um mapa que guiará a pessoa para traçar e conquistar metas e sonhos que envolvem dinheiro. Um planejamento fi nanceiro é como se a pessoa estivesse fazendo uma con- tabilidade da sua vida para entender como está seu orçamento: positivo, neutro ou negativo. Se bem feito, traz um controle de gastos e serve como um mapea- mento e guia para sinalizar onde mudar e/ou o que melhorar dentro de um orça- mento, se for preciso. Assim, um dos objetivos do planejamento é prever o seu futuro fi nanceiro, já que ele facilita enxergar de forma clara receitas e gastos. Um planejamento fi nanceiro é importante para identifi car como está a situ- ação fi nanceira da pessoa ou empresa e, a partir dela, poder tomar as medidas estratégicas para mudar determinada realidade ou fi car mais próxima de atingir suas metas. Quando bem preparado, ele contribui para a administração do dinheiro, aju- dando eliminar gastos que podem ser desnecessários, proporcionando economia e reduzindo chances de endividamento. Assim, o planejamento fi nanceiro con- tribui para uma organização e até diminuição das preocupações fi nanceiras, so- brando mais tempo para dedicação para outras questões. 4.6.1 Tipos de planejamento fi nanceiro O planejamento fi nanceiro permite lidar com as fi nanças de forma organizada e responsável. Para isso, existe mais de um tipo e é importante saber a diferença entre eles e tê-los de forma separada. Veja os principais: • Planejamento fi nanceiro pessoal: trata-se de um planejamento para uma pessoa ou quando ela é a única fonte de renda de uma família. 73 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 • Planejamento fi nanceiro familiar: é quando se tem duas ou mais pessoas com fontes de renda e despesas. Por exemplo, um casal que trabalha e tenha fi lhos. Nestes casos, tem que entrar no planejamento a receita do casal, as despesas, bem como os gastos das crianças. • Planejamento fi nanceiro empresarial: é semelhante ao planejamento pessoal, porém é direcionado para as fi nanças das empresas. Seja para quem é dono de uma empresa ou está desenvolvendo algum trabalho em paralelo para obter renda extra, é importante ter esse planejamento de forma separada do pessoal. Assim, é possível ter um controle deta- lhado de como está o negócio, se está tendo lucro, prejuízos e possíveis problemas fi nanceiros, além da possibilidade de se traçar metas e obje- tivos específi cos. O planejamento fi nanceiro, também denominado de administração ou ges- tão fi nanceira, é a base para qualquer empresa, pois ele gerencia os recursos disponíveis, podendo melhorar os resultados obtidos pela empresa, aumentando a sua rentabilidade e o valor do seu patrimônio. Wernke (2008, p. 4) conceitua o planejamento fi nanceiro como “um conjunto de métodos e técnicas utilizados para gerenciar os recursos fi nanceiros da entidade, objetivando a maximização do re- torno do capital investido pelos acionistas”. Para Assaf Neto (2009, p. 37), esse é um campo de estudo teórico e prático que objetiva, essencialmente, assegurar um melhor e mais efi ciente processo empresarial de captação e alocação de recursos de capital. No planejamento fi nanceiro, segundo Hoji (2004, p. 21), “o objetivo econômico das empresas é a maximização de seu valor de mercado a longo pra- zo, pois dessa forma estará sendo aumentada a riqueza de seus proprietários”. O planejamento fi nanceiro procura evidenciar as necessidades de expansão da empresa, assim como identifi car desajustes futuros; por meio dele, é possí- vel ao administrador fi nanceiro selecionar, com maior segurança, os ativos mais rentáveis e condizentes com os negócios da empresa, de forma a estabelecer a maior rentabilidade sobre os investimentos (ASSAF NETO, 2009). Assim, podemos concluir que o planejamento fi nanceiro pode ser caracteri- zado como uma técnica ou ferramenta utilizada para controlar, de forma efi ciente, as fi nanças da empresa. 4.7 ANÁLISE FINANCEIRA A análise fi nanceira das organizações de qualquer ramo de atividade geral- mente indica pontos fortes e fracos do desempenho operacional e fi nanceiro da empresa. Para Gitman (2010, p. 42), as análises “são extremamente importantes 74 Gestão Financeira Escolar para diversos grupos que necessitam regularmente construir medidas relativas da efi ciência operacional da empresa”. Pereira (2012, p. 4) aprofunda essa ideia ao afi rmar que a análise fi nanceira precisa ter um enfoque holístico, abrangendo a estratégia da empresa, suas deci- sões de investimento e de fi nanciamento e suas operações. As empresas têm ob- jetivos importantes, como o retorno para os acionistas, propiciar um bom ambiente de trabalho e o interesse dos funcionários, sua responsabilidade com os objetivos e políticas nacionais, entre outros. Segundo Assaf Neto (2009, p. 109), “A análise das demonstrações fi nanceiras constitui um dos estudos mais importantes da ad- ministração fi nanceira e desperta enorme interesse tanto para os administradores internos da empresa, como para os diversossegmentos de analistas externos”. Um importante uso da análise fi nanceira é na determinação da efi ciência da empresa no controle de seus custos e na geração de lucros. Essa análise pode ser feita comparando a demonstração de resultado da empresa com as demons- trações de resultados do setor ou com a melhor empresa do setor (GROPPELLI; NIKBAKHT, 2006). Gitman (2010, p. 42) destaca que que a análise de índices a partir das de- monstrações fi nanceiras é importante para os acionistas, os credores e os adminis- tradores da própria empresa. Tanto os acionistas atuais como os possíveis acionis- tas futuros estão interessados no nível corrente e no nível futuro de risco e retorno da empresa, os quais afetam diretamente o preço da ação. Em seu livro, Sanvicen- te (2000, p. 177) afi rma que “As demonstrações contábeis e fi nanceiras de uma empresa também podem servir para a construção de índices, destinados a medir a posição fi nanceira e os níveis de desempenho da empresa em diversos aspectos.” Portanto, para fazer a análise fi nanceira da empresa, como vimos anterior- mente, é necessário ter conhecimento sobre algumas demonstrações fi nanceiras, como balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício, podendo as- sim construir indicadores fi nanceiros, como os índices de liquidez e rentabilidade. 4.7.1 Balanço patrimonial O balanço patrimonial é a principal demonstração fi nanceira existente, ele mos- tra como está, de fato, o patrimônio da empresa, refl etindo a sua posição fi nanceira. Para Gitman (2010, p. 38), o balanço patrimonial apresenta uma descrição sintética da posição fi nanceira da empresa em uma certa data. Para ele, é uma representa- ção sintética dos elementos constituintes do patrimônio da empresa. 75 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 De maneira geral, o balanço patrimonial é um demonstrativo dos ativos, pas- sivos e do patrimônio líquido de uma empresa, sendo o lado esquerdo desse de- monstrativo para a composição dos ativos em circulantes e não circulantes, e o lado direito exibe o passivo circulante e o patrimônio líquido (GROPPELLI; NI- KBAKHT, 2006). Concluímos então que o balanço patrimonial demonstra quais são e quanto valem os bens, direitos e obrigações de uma organização. Acesse o link a seguir e veja os dados necessários para realizar um balanço patrimonial e sua respectiva importância para manter a saúde fi nanceira de sua empresa: . 4.7.2 Demonstração do resultado do exercício A demonstração do resultado do exercício é um relatório imprescindível para as organizações, ele descreve as operações realizadas em determinado período, formando o seu resultado líquido, lucro ou prejuízo. Para Gitman (2010, p. 36), a demonstração do resultado do exercício forne- ce uma síntese fi nanceira dos resultados operacionais da empresa durante cer- to período. A demonstração do resultado do exercício, para Assaf Neto (2009, p. 119), “tem como fi nalidade exclusiva apurar o lucro ou prejuízo de exercício”. Para Groppelli e Nikbakht (2006, p. 348), “A demonstração do resultado do exercício relaciona os fl uxos de recebimentos gerados por uma empresa e os fl uxos das despesas incorridas para produzir e fi nanciar as suas operações”. Podemos perceber o quão importante é a demonstração de resultado do exercício para a análise da empresa, assim como serve de apoio para a tomada de decisões. A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é talvez a de- monstração contábil mais prestigiada pelos investidores. Os mais iniciantes ten- dem principalmente a valorizar demais a última linha dessa demonstração, conhe- cida como lucro ou prejuízo do período. Para saber mais acesse o link a seguir: . 4.7.3 Liquidez A liquidez de uma empresa consiste em medir a capacidade da empresa em transformar seus ativos em dinheiro, e com qual velocidade isso acontece. Assaf Neto (2009, p. 119) defi ne que os indicadores de liquidez visam a medir a capaci- 76 Gestão Financeira Escolar dade de pagamento (folga fi nanceira) de uma empresa, ou seja, sua habilidade de cumprir corretamente as obrigações passivas assumidas. Nesse sentido, Santos (2001, p. 23) ressalta que esses índices permitem prever a capacidade fi nanceira da empresa para liquidar seus compromissos fi - nanceiros no vencimento, fornecendo uma indicação de sua capacidade de man- ter seu capital de giro no volume necessário à realização de suas operações. O autor indica como uma liquidez baixa ou declinante é um precursor comum de difi culdades fi nanceiras e falência. Esses indicadores são vistos como bons indi- cadores de problema de fl uxo de caixa. Portanto, temos a liquidez como um indicador que mede o nível de insolvên- cia da empresa, isto é, a difi culdade para honrar os compromissos assumidos. Esses índices podem fornecer sinais antecipados de problemas de fl uxo de caixa e insolvência iminente do negócio. A insolvência é o estado em que passa um indivíduo ou empresa que possui mais obrigações a cumprir do que os seus ren- dimentos possam cobrir. Desse modo, uma empresa insolvente, por exemplo, não tem condições de pagar o seu endividamento em tempo hábil, o que torna a insolvência um proces- so bastante complicado. Para conhecer mais detalhes de como funciona o pro- cesso na prática sobre o nível de insolvência da empresa, acesse o link: . 4.7.4 Rentabilidade Se não houvesse lucro, uma empresa não atrairia capital externo. Proprie- tários, credores e administradores dão muita atenção à expansão dos lucros por causa da grande importância que o mercado lhes atribui. Os índices de rentabili- dade visam a avaliar o desempenho fi nal da empresa, tanto seu lucro ou prejuízo. Para Gitman (2010, p. 52), existem inúmeras medições da rentabilidade. Como grupo, essas medições permitem ao analista avaliar os lucros da empresa em relação a certo nível de vendas, a certo nível de ativos ou volume de capital investido pelos proprietários. Podemos conceituar rentabilidade como o grau de êxito econômico obtido por uma empresa em relação ao capital nela investido. Diante dessas considerações, percebe-se a importância de conhecermos as principais medições de rentabilidade, uma vez que estas permitem ao analista avaliar os lucros da empresa, tendo como base vários aspectos relacionados a 77 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 suas atividades. Nesse processo, os métodos tradicionais utilizados para medir a rentabilidade, bem como os componentes utilizados para efetuar os cálculos serão apresentados. A seguir são apresentados os indicadores de rentabilidade: Indicador Composição Interpretação Giro do ativo Vendas líquidas ativo total Quanto a empresa vendeu para cada $1,00 de investimento total. Permitem aos analistas fazerem avaliações sobre as vendas líquidas realizadas, levando em consideração a aplicação dos recursos, ativos totais. Margem líquida Lucro líquido x 100 vendas líquidas Quanto a empresa obtém de lucro para cada $100 vendidos. O analista poderá identifi car quanto a empresa obteve de lucro líquido em relação uma certa quantidade de vendas líquidas realizadas. Rentabilidade do ativo Lucro líquido x 100 ativo total Quanto a empresa obtém de lucro para cada $100 de investimento total. Possibilita ao analista identifi car quanto a empresa obteve de lucro líquido em relação uma certa quantidade de aplicação de recursos, ativo total. Rentabilidade do patrimônio líquido Lucro líquido x 100 patrimônio líquido Lucro líquido x 100 patrimônio líquido Fonte: adaptado de: Matarazzo (2003). Assaf Neto (2009) complementa ao afi rmar que tal medida revela o retorno produzido pelo total das aplicações realizadas por uma empresa.Os respon- sáveis pela administração devem primar pelo controle fi nanceiro e planejamento orçamentário. Dessa forma, para a realização de monitoramento competente do fl uxo de caixa, é necessário que as informações que o compõem sejam obtidas de fontes seguras, pois dados equivocados podem ocasionar decisões errôneas e prejudiciais para a instituição. Por outro lado, os administradores da instituição devem gerar conscientiza- ção e incentivo para reduzir gastos desnecessários. Tais gastos, na maioria das vezes, assumem uma parcela signifi cativa nas despesas do negócio, como são os gastos com o consumo de água e energia elétrica. Qualquer instituição escolar, seja ela de ordem pública ou privada, necessita executar um plano de controle de capital, pois, para o bom funcionamento do ne- gócio, há diversos compromissos assumidos, tais como o pagamento dos funcio- nários, a compra e a manutenção de equipamentos, a reforma e a manutenção da estrutura física, a realização de cursos formação e a capacitação, os investimen- tos em novas tecnologias, entre outros. Assim sendo, a administração fi nanceira no âmbito educacional: fundamenta-se no fazer o coletivo, com processo permanen- te, que é a mudança contínua/continuada, baseando-se na concepção de qualidade na educação na escola, é importante na solução dos problemas escolares a identifi cação, reconhe- cimento e aceitação dos responsáveis por ações que visam superá-los, é o processo de construção das estratégias e as ações concretas que produzem as transformações/evoluções necessárias à resolução dos problemas; assim, é preciso que a escola tenha competência técnica e compromisso político, co- letivos, necessita de mudanças de paradigmas que fortalecem na construção de uma proposta educacional e no desenvolvi- mento de uma gestão atual diferente (CESÁRIO; TEPEDINO; NEVES, 2018, p. 12). 11 Princípios Básicos da Educação Financeira Capítulo 1 2.1 A IMPORTÂNCIA DA GESTÃO FINANCEIRA ESCOLAR Um processo educacional e ação escolar signifi cam defi nir um projeto de ci- dadania e atribuir uma fi nalidade à escola que seja congruente com aquele proje- to. De acordo com Buss (2008), administrar os recursos de uma escola é fazer es- colhas, ou seja, é tomar decisões coletivamente. Na ausência de projeto comum, uma coletividade utiliza os recursos que tem, esforçando-se, sobretudo, para pre- servar uma certa equidade na repartição dos recursos. Por essa razão, se não for posta a serviço de um projeto que proponha prioridade, a administração descen- tralizada dos recursos pode, sem benefício visível, criar tensões difíceis de viven- ciar, com sentimento de arbitrariedade ou injustiça pouco propício à cooperação. Uma gestão fi nanceira efi ciente consiste na realização de mais ações com o mí- nimo de recursos, sem comprometer a qualidade da prestação do serviço. Assim, para garantir a maximização do lucro com o mínimo de recursos disponível, é necessário organizar processos, o que pode ser realizado através de um sistema de gestão. Nessa perspectiva, o uso da tecnologia de forma adequada em prol da orga- nização administrativa de sua instituição escolar tende a gerar benefícios para a instituição e para todos os membros da equipe escolar. No mercado, há inúmeras opções de sistemas que funcionam on-line, cuja fi nalidade é organizar informa- ções e tarefas em vários eixos: contas a pagar, contas a receber, informações cadastrais dos alunos e pais, entre outros. No entanto, para que o gestor consiga fazer a alocação de recursos de forma satisfatória, sem gerar impacto na qualidade pedagógica, é necessário um bom planejamento. O gestor escolar deve mapear todas as potencialidades, fragilida- de e necessidades do negócio, adquirindo assim uma visão panorâmica. Tal fato pode promover a tomada de decisão acertada, no que diz respeito à distribuição do orçamento disponível para o negócio. É imprescindível a elaboração de um orçamento geral, contendo o plano de despesas e custos da pessoa jurídica, a especifi cação dos gastos com despesas recorrentes, referentes à manutenção do cotidiano da empresa, as despesas de capital, como compra de equipamentos ou execução de obras e ainda outras par- ticularidades de cada instituição escolar que carecem de monitoramento adequa- do e efi ciente. 12 Gestão Financeira Escolar 2.2 CONTABILIDADE GERENCIAL Na gestão de uma instituição escolar, a “análise de índices envolve métodos de cálculo e interpretações de índices fi nanceiros, visando analisar e acompanhar o desempenho da empresa” (GITMAN, 2004, p. 42) e funcionam como termômetros. Nessa perspectiva, a contabilidade gerencial permite a comparação de qual- quer negócio com os concorrentes e utiliza as informações conhecidas sobre o mer- cado para entender de forma mais detalhada o setor em que está atuando, possibili- tando o estabelecimento de previsões e tendências para o futuro da empresa. Segundo Padoveze (2012), a contabilidade gerencial caracteriza pelo pro- cesso de identifi cação, manutenção, acumulação, análise, preparação e comu- nicação de informações fi nanceiras usadas pela gestão para planejar, avaliar e controlar diversos aspectos em uma organização, assegurando assim a contabili- zação e uso apropriado dos recursos disponíveis. A contabilidade gerencial ganha um espaço relevante na gestão de uma ins- tituição escolar, assumindo um papel ativo na tomada de decisões diárias e estra- tégicas de um negócio, tornando-se uma grande aliada da gestão fi nanceira, in- dependentemente do tamanho da instituição, ou seja, compreender o conceito de contabilidade gerencial é fundamental na gestão das pequenas e médias empresas. Sendo a contabilidade a ciência responsável pelo estudo das movimentações patrimoniais nas instituições de qualquer tamanho, ela tem a fi nalidade de reco- lher, classifi car e manipular recursos humanos e fi nanceiros, fazendo o registro numérico e sistemático das transações relativas a uma transação. Sob essa perspectiva, a contabilidade gerencial torna-se uma ferramenta im- portante na gestão de uma instituição de ensino, no intuito de prever o futuro de uma empresa, trazendo indícios de que estamos no caminho certo e usando es- tratégias para que possamos desviar dos erros, já que determina custos, despe- sas, ativos e passivos, detalhando cada movimentação do patrimônio e também as variações que podem afetar o empreendimento no futuro. A contabilidade gerencial envolve uma gama ampla de fatores que crescem com a evolução da instituição. Ela está relacionada a uma gestão fi nanceira de uma em- presa, que é realizada de forma adequada, visando a resultados diante de um investi- mento, tais como aumento do fl uxo de vendas e lucratividade. Seus processos devem estar em consonância com a evolução tecnológica, integrando e facilitando ações, criando processos para a integração dos setores e do escritório de contabilidade. 13 Princípios Básicos da Educação Financeira Capítulo 1 Por meio do fl uxo de caixa, a gestão fi nanceira passa a ser mais efi ciente através da contabilidade gerencial, e o gestor consegue ter mais visibilidade sobre os recursos fi nanceiros disponíveis, as expectativas para o futuro e as possibili- dades e alocação de recursos, conforme as necessidades da instituição escolar. De um modo geral, podemos dizer que a contabilidade gerencial proporcio- na total controle de todo tipo de transação do negócio, permitindo que os gesto- res acompanhem todo o desempenho da empresa por demonstrativos, que servem para apuração adequada de impostos. Além disso, pode ser base para a apuração de tributos e encargos devidos, inclusive como instrumento de prestação de contas sobre o desenvolvimento e o investimento da empresa aos sócios ou parceiros. Diante de um mercado que impõe suas exigências, maior qualidade em seus bens e serviços produzidos, o gestor escolar efi caz necessita de novos investi- mentos, proporcionadoAssim, podemos resumir o índice de rentabilidade como sendo o indicador que mede o retorno que o proprietário ou acionista recebe sobre o seu capital investido. 78 Gestão Financeira Escolar 5 COMO PROJETAR METAS PARA DIFERENTES CONTEXTOS 5.1 O QUE É META? Meta é onde normalmente a empresa quer chegar, aquilo que norteia qual será o esforço e a dedicação para se chegar ao objetivo fi nal. Metas devem ser engajadoras, desafi adoras e realistas ao mesmo tempo. 5.2 COMO DEFINIR METAS? Para defi nir metas, podemos usar diversas metodologias. A seguir, apresen- tamos três métodos para que você consiga traçar metas que realmente façam sentido para a realidade do seu negócio: 1. Smart: a metodologia Smart é uma das mais famosas entre as empresas, a sigla inglesa resume características que uma meta deve contemplar; ela deve ser Specifi c (específi ca), Measurable (mensurável), Attainable (alcançável), Relevant (Relevante) e Time-based (com prazo). É utilizada principalmente para metas de longo prazo. 2. Objective Key Result (OKR): o método de OKR foi uma metodologia cria- da pela Intel, na qual a estratégia é alcançar os objetivos, medidos por resultados chaves. Para traçar OKRs, é necessário que as metas conte- nham números para que sejam o mais mensurável possível. 3. Growth Hacking: essa metodologia é utilizada principalmente por start ups, quando você traz uma justifi cativa para cada hipótese usando o mo- delo: se (variável), então (resultado), porque (análise racional). Independente da metodologia escolhida: Tendo em vista compreender de forma mais clara os aspectos da admi- nistração fi nanceira, leia: HOJI, Masakazu. Administração fi nanceira: uma abordagem prática. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2004. 79 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 • defi na metas mensuráveis; • tenha disciplina para acompanhá-las; • torne-as transparentes para todos os colaboradores da empresa; • destrinche metas longas em objetivos de curto prazo. Um planejamento de metas é uma ferramenta que ajuda a organizar a vida profi ssional para alcançar os objetivos. Ele pode ter a forma de um documento, um quadro, uma lista, uma planilha ou o que funcionar melhor para você – o importante é que seja um registro dos seus objetivos e ações planejadas para atingi-los. 5.3 POR QUE É IMPORTANTE TER UM PLANEJAMENTO DE METAS? Se sua empresa está estagnada, sem saber direito o que está buscando e com baixa produtividade, saiba que esses são sintomas da falta de planejamento de metas. O planejamento de metas serve como uma referência para manter você focado nos objetivos mais importantes, principalmente nos momentos de dúvida, desânimo ou indecisão. Com um bom planejamento, você consegue: • decidir o que realmente quer; • defi nir prioridades e separar o que é importante das distrações; • manter sua motivação e foco durante a caminhada; • exercitar o autoconhecimento e a autoconfi ança; • investir no seu desenvolvimento profi ssional; • aumentar sua produtividade e resiliência. Nessa perspectiva, tendo clareza de suas metas, é possível usar sua energia nas tarefas certas. Assim, cada pequena vitória é um grande incentivo para seguir com seus planos e realizar seus sonhos. 5.4 COMO DEFINIR METAS PARA O SEU PLANEJAMENTO? Na área de planejamento, nós usamos um conceito chamado metas SMART, que é facilmente explicado pelo signifi cado do acrônimo: 80 Gestão Financeira Escolar • específi cas (Specifi c): metas práticas e específi cas que indicam clara- mente o que você deve fazer; • mensuráveis (Measurable): metas que permitem que você mensure o progresso a cada dia; • alcançáveis (Attainable): metas realistas e possíveis de serem atingidas na sua situação atual; • relevantes (Relevant): metas relevantes para seu contexto atual, com grande potencial de melhorar sua vida; • temporizáveis (Timed): metas com prazos defi nidos para manter você focado. As metas são desdobramentos de um objetivo maior. Por exemplo, se você tem o objetivo de conquistar uma posição de referência no mercado, vai precisar desdobrar esse plano de longo prazo em várias metas menores ao longo dos anos, como descobrir as melhores formas de divulgar seu trabalho, conquistando assim a confi ança por competência pedagógica. 5.5 FERRAMENTAS PARA FAZER SEU PLANEJAMENTO DE METAS Existem várias ferramentas que podem ajudar a organizar e dar forma ao seu planejamento de metas. A seguir, vamos discutir algumas das mais usadas no mercado. 5.5.1 Quadro de planejamento O quadro de planejamento (ou quadro planejador) é uma das ferramentas mais simples e efi cientes para registrar suas metas e ações. No mercado, você encontra quadros mensais e anuais com espaço para anotar ou colar post-its como você quiser. A vantagem é que as informações fi cam sempre à vista e te ajudam a lem- brar as metas constantemente. Por outro lado, por ser um quadro físico e estático, também é mais limitado e não tem os recursos de gestão e organização que as ferramentas digitais oferecem. 81 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 5.5.2 Planner O planner funciona como um caderno de metas no qual você anota seus objetivos, sonhos, projetos, estratégias e ações necessárias para chegar aonde deseja. Existem vários modelos de planner digitais que podem ser baixados para usar no computador ou impressos, e ainda os tradicionais cadernos físicos. De- pendendo do modelo, há espaço de sobra para o planejamento diário, semanal, mensal, semestral e anual. Para agilizar seu planejamento de metas, existem diversos aplicativos e plataformas que colocam a tecnologia a serviço da sua organização pessoal. O Trello, por exemplo, é uma excelente versão digital do qua- dro planejador e ajuda a gerenciar suas tarefas em quadros, listas e cartões dinâmicos. O Google Agenda é uma ferramenta para se plane- jar diariamente e traçar suas metas de médio prazo. 5.5.3 Passos para fazer seu planejamento de metas Fazer seu planejamento de metas é mais simples do que parece, desde que você siga os passos certos. • Crie metas inteligentes: o próximo passo é usar os critérios SMART que você aprendeu para defi nir metas possíveis e relevantes para sua vida. Lembre-se de dividir as metas entre as de curto prazo, médio prazo e longo prazo, começando sempre pelas mais próximas do momento atual. Elas devem estar alinhadas aos objetivos, funcionando como pequenos passos necessários para alcançar grandes propósitos. • Entenda a importância de trabalhar com metas e como defi ni-las: traba- lhar com metas é uma excelente forma de contribuir para o crescimen- to da empresa. São diversos os fatores que estão relacionados a elas, como a elaboração de um bom planejamento, a ampla compreensão do negócio e o estabelecimento do percurso que o gestor deseja trilhar. 82 Gestão Financeira Escolar Nesse sentido, só é possível traçar metas por meio de uma avaliação crite- riosa do negócio, o que permite compreender melhor os pontos fortes e fracos e investir no desenvolvimento de ações focadas no contexto real da empresa. As metas costumam ser resultados de um planejamento prévio. Nesse sentido, ele é imprescindível para trazer mais assertividade em todo o processo de estabeleci- mento das metas. Além disso, algumas estratégias e dicas são importantes nesse processo, a saber: • elabore um planejamento que possa ser acompanhado constantemente. Esse documento deve prever pontos fortes e fracos, objetivos e resulta- dos pretendidos; • faça um mapeamento geral do negócio. Entender sobre a empresa ajuda a compreender suas necessidades; • ao estabelecer metas e objetivos, seja específi co e realista. Propósitos generalizados costumam perder o sentido no meio do processo. Por isso, as metas devem ser reais e possíveis dentro da realidade da empresa; • identifi que quais são os recursos necessários para alcançar os resultados; •estabeleça prazos para atingir as metas; • esclareça para todos os envolvidos o que eles têm a ganhar ao se atingi- rem as metas propostas; • acompanhe a realização das tarefas, mensurando os resultados e a pro- dutividade; • faça mudanças durante o trajeto caso julgue necessário; • realize reuniões periódicas de monitoramento e acompanhamento do plano; • seja fl exível e adapte objetivos, caso aconteça algum imprevisto; • estimule os colaboradores para que eles continuem focados e persistam no alcance dos resultados esperados. Como você pode ver, para tirar as metas do papel, é preciso planejar, esta- belecendo objetivos e principalmente mantendo um acompanhamento constante acerca do que foi desenvolvido. A concretização dos resultados só é possível com foco e determinação, o que vai refl etir na carreira de todos os envolvidos, representando o crescimento pessoal e profi ssional da equipe. • Benefícios de se trabalhar com metas: trabalhar com metas e objetivos é fundamental para o desenvolvimento de um bom trabalho em equipe. Por meio de um bom planejamento, é possível estar preparado para impre- vistos e ter acesso a ferramentas que vão ajudar a alcançar resultados com mais rapidez. As metas podem oferecer muitas vantagens para as organizações empresariais, a saber: 83 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 • o gestor só tem condições de estabelecer metas para a empresa a partir do momento em que ele realiza um mapeamento da organização e ela- bora um planejamento com os objetivos que deseja alcançar; • ao elaborar metas, o gestor da empresa está absorvendo conhecimentos sobre o negócio, com informações relevantes e que talvez não fossem conhecidas se não houvesse esse movimento. • os objetivos só são realizáveis se junto a eles estiverem traçadas me- tas reais e com prazo determinado. São as metas que conduzem para a materialização dos objetivos do negócio. Nesse sentido, elas são as responsáveis pela fl uidez e pela efetivação do planejamento desenvolvi- do. Por exemplo, uma empresa que deseja dobrar o seu faturamento em 12 meses precisa estabelecer metas palpáveis que tornem esse objetivo real e possível. Um dos grandes objetivos do estabelecimento de metas é assegurar maior motivação e engajamento da equipe, que passa a trabalhar com foco em um pro- pósito previamente estabelecido. Ao estabelecer metas, o gestor está apresentan- do para os seus colaboradores uma proposta de como expandir o negócio com base na união de esforços de todos os envolvidos. Dessa maneira, os colabo- radores se sentem uma parte importante do processo e consequentemente se envolvem de forma mais ativa com os projetos do negócio. Por estimular o engajamento e envolver todos os profi ssionais para atingir um objetivo em comum, as metas acabam sendo as responsáveis por criar bons hábitos dentro da organização. Além de promover a motivação dos colaborado- res, elas também criam um ambiente favorável para que se dê continuidade às práticas laborais mais colaborativas. Ao criar um planejamento, traçando objetivos e metas, o gestor está criando também a necessidade de dialogar com todo o time, porque o planejamento das metas só é possível com a participação e a colaboração de todos. Nesse sentido, elas acabam sendo um mecanismo interessante na promoção da comunicação entre os colaboradores e os gestores, aprimorando o relacionamento e melhoran- do a convivência rotineira. 5.6. DEFINIÇÃO DE PRAZOS, TAREFAS E MÉTRICAS As metas só funcionarão se você defi nir um prazo para cada uma e cumpri-lo rigorosamente. Para facilitar, você pode subdividir as metas em pequenas tarefas, 84 Gestão Financeira Escolar criando um plano de ação bem detalhado. Além disso, as metas devem ter suas métricas correspondentes, que servem para medir o progresso até sua realização. 5.7 COLOQUE SEU PLANO EM AÇÃO Com o planejamento de metas pronto e as tarefas claras, você já pode colo- car seu plano em ação. Se você tiver defi nidas as metas corretamente, será fácil acompanhar sua evolução e se manter focado no plano original. Se a vida muda o tempo todo, por que seu planejamento de metas continuaria sempre igual? Con- forme você for se deparando com mudanças e novas perspectivas, terá que revi- sar seu plano original e fazer as adaptações necessárias. Afi nal, entender seu negócio é a chave principal para conseguir estabele- cer metas alcançáveis. Por isso, antes de colocar seu produto em competição no mercado, é preciso compreender muito bem o contexto em que a empresa está inserida. Caso o contrário, muitas vendas poderão ser perdidas e, para que isso não aconteça, é fundamental entender o público-alvo, analisar a proposta de va- lor, analisar as vantagens competitivas sobre os concorrentes e defi nir fornecedo- res de qualidade e confi ança. Um bom plano de negócios é essencial para quem está começando ou ainda precisa de ajuda para se tornar competitivo no mercado em que está inserido. No entanto, antes da defi nição de metas que guiem seus objetivos, é essencial enten- der quais são os aspectos que precisam de melhorias no seu negócio. Mesmo a partir de uma noção do que pode impactar sua empresa, é imprescindível fazer uma análise mais profunda para que suas estratégias tomem um formato mais assertivo. Diante desse fato, existem ferramentas facilitadoras para tal análise, como a Análise SWOT ou FOFA (Forças – Strengths, Oportunidades – Opportunities, Fraquezas – Weakness e Ameaças – Threats), ou seja, essa ferramenta ajuda a identifi car os pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças a sua empresa. Para compreende melhor o que é a análise SWOT, assista ao vídeo: . 85 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 5.8 DEFINA INDICADORES PARA MONITORAR SUAS METAS Os indicadores são métricas para identifi car em que estágio as metas de sua empresa se encontra. Sendo assim, eles podem ajudar um gestor de marketing a identifi car se suas campanhas atingiram um objetivo. Além disso, dão as bases para o negócio identifi car trajetos mais efi cazes e a origem de desperdício de recursos. Para defi nir indicadores, é necessário que esses sejam mensuráveis, relevantes estrategicamente para a empresa e devem conter tempo defi nido, bem como estarem alinhadas aos objetivos organizacionais. 5.9 MENSURE E ACOMPANHE SUAS METAS Uma meta perde o seu sentido se ela não for acompanhada. É importante que o gestor tenha capacidade de avaliar e mensurar os objetivos do seu plano de metas. O monitoramento vai variar de acordo com as particularidades de cada empresa e dos objetivos traçados. Por exemplo, em metas que envolvem muitos times e diferentes setores, é importante o estabelecimento de uma boa política de comunicação, já que as vezes o diálogo não é tão simples. Além disso, as reuniões são muito importantes, mas em excesso elas podem acarretar desgaste dos profi ssionais e até mesmo má gestão do tempo, já que o trabalho deve estar focado, essencialmente, no alcance dos objetivos. Um bom mecanismo de acompanhamento de metas é por meio de platafor- mas de gestão, em que haja a possibilidade de incluir um dashboard com infor- mações que podem ser acessadas por todos os envolvidos acerca do andamento dos trabalhos e do nível de desenvolvimento de cada meta. A tecnologia é uma excelente aliada das empresas, desde o processo de criação do planejamento até a execução das metas ou seu acompanhamento. De- ve-se contar com soluções digitais que possam otimizar os processos, facilitando a comunicação entre os setores e trazendo mais efi ciência para o trabalho. Como você pode perceber que o trabalho com metas traz muitas vantagens, tanto para a empresa, quanto para os profi ssionais envolvidos. Com elas, é pos- sível focar o trabalho, engajar as equipes e trazer resultados signifi cativos para 86 Gestão Financeira Escolar a empresa.Esse tipo de estratégia vem sendo cada vez mais usados dentro das empresas, principalmente quando é combinado com mecanismos tecnológicos de acompanhamento e controle. 1) O mundo atual pauta-se, muito mais, por interação, parcerias, re- des, alianças e cooperação na provisão de melhores resultados na prestação de serviços à sociedade (LÜCK, 2000). Os princi- pais instrumentos promotores desse modelo de gestão são, so- bretudo, a criação dos conselhos escolares, associações de pais e mestres e de grêmios estudantis, a elaboração de um Projeto Político-Pedagógico em âmbito interno com participação efetiva dos membros da comunidade escolar. Entretanto, a autonomia e a descentralização exigem uma ação diferenciada dos gestores educacionais, em nível de sistema e de escola, visto que o enfo- que da educação deixa de ser o processo e passa a contemplar o resultado (MACHADO, 2000, p. 6). Nessa perspectiva, podemos afi rmar que: I- Não mais existe um processo único, mas, sim, fl exibilidade na execução que, de fato, possa atender às demandas dos alunos de uma determinada escola. II- Cada um encontra seu caminho na busca da qualidade do ensino. III- Não existe uma receita pronta, mas modelos exitosos. O impor- tante é o objetivo almejado e o resultado a se alcançar. Assinale a alternativa correta: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) As sentenças II e III estão corretas. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Todas a sentenças estão corretas. 2) O indicador é uma métrica que acompanha os objetivos da em- presa, seja de forma quantitativa ou qualitativa. Dessa forma, fun- cionam como um termômetro, indicando o grau de sucesso que determinada a ação da empresa, das equipes ou de funcionários para que tenham metas bem elaboradas. Além disso, são eles que vão monitorar se o trajeto realizado pela estratégia realmente 87 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 levará aos resultados que se espera. Portanto, é possível conse- guir alcançar uma maior efi ciência com planos estratégicos e ter você no controle dos resultados. No contexto educacional, com relação aos indicadores, classifi que V para as sentenças verda- deiras e F para as falsas: ( ) Cada indicador deve possuir o seu responsável, a respectiva meta ao qual está relacionado e sua periodicidade de apuração. ( ) Os indicadores devem ser mensuráveis, temporais e específi cos. ( ) Os indicadores são defi nidos e construídos com o uso de dados, registros e fontes de informação, podendo ser quantitativos e/ou qualitativos. ( ) Indicadores geram as informações relevantes e, a partir de suas análises, são estabelecidas as relações de causa e consequên- cia que favorecerão o encaminhamento de ações voltadas aos ajustes e aperfeiçoamento dos processos. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. a) ( ) F – V – F – V. b) ( ) V – V – V – V. c) ( ) V – F – F – F. d) ( ) V – F – V – F. e) ( ) F – F – V – V. 3. Pôr em prática um planejamento estratégico fi nanceiro é necessário para o sucesso de qualquer organização. Ele analisa o plano de negócio da empresa em cada detalhe, para verifi car se os objetivos estratégicos estabelecidos pela organização são possíveis de serem atingidos do ponto de vista fi nanceiro. Dessa forma, fi cará mais fácil para os gestores da empresa determina- rem as metas fi nanceiras necessárias para que a organização es- teja preparada para superar os desafi os propostos no: a) ( ) plano de negócios. b) ( ) plano fi nanceiro. c) ( ) plano econômico. d) ( ) plano estratégico. e) ( ) plano alternativo. 88 Gestão Financeira Escolar 6 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES A gestão escolar engloba todas as atividades de coordenação e de acompa- nhamento do trabalho dos funcionários da escola, referindo-se ao cumprimento das atribuições de cada pessoa que compõe a equipe escolar, a realização do trabalho em equipe, a manutenção do clima positivo de trabalho em equipe e a avaliação de desempenho. O gestor escolar encontra muitas adversidades permeando o ambiente es- colar. Sendo o principal agente difusor das boas relações dentro da instituição escolar, sua principal função é a de proporcionar um ambiente agradável e harmo- nioso, em que seja possível desenhar todos com os objetivos a serem atingidos. O trabalho de gestão escolar envolve relações de política, poder e democra- cia, proporcionando ações de refl exão sobre tais questões de forma democráti- ca. Nessa perspectiva, a gestão democrática é atrelada a um processo político amplo, que depende de educação e participação. Cabe ressaltar ainda que tal processo não ocorre especifi camente pela tomada de decisão coletiva, pelo voto igualitário ou pelo respeito à maioria, mas também pelas condições promovidas para que todos possam participar efetivamente em diversos processos. Entre es- ses processos podemos mencionar a identifi cação de problemas, o planejamento, o monitoramento e a avaliação de ações, o controle e a fi scalização de recursos disponíveis, tendo acesso à informação e ao conhecimento necessário para que essa participação ocorra. Assim, podemos assinalar que o objetivo principal do estabelecimento de metas é garantir maior envolvimento e engajamento da equipe, que passa a di- recionar os trabalhos tendo foco e propósitos preestabelecidos. Logo, ao estabe- lecer metas, o gestor está propondo para os seus colaboradores uma proposta que tem a fi nalidade de proporcionar a expansão do negócio, tendo como base a união de esforços de todos os envolvidos. Portanto, ao se sentirem parte importante do processo, os colaboradores se envolvem ativamente com os projetos do negócio para atingir um objetivo em co- mum, sendo responsáveis ainda pela criação de bons hábitos. 89 Benefícios de uma Gestão Financeira Escolar Eficiente Capítulo 2 REFERÊNCIAS ALVES, José Matias. Autonomia, participação e liderança. In: CARVALHO, A.; ALVES, J. M.; SARMENTO, M. J. Contratos de autonomia, aprendizagem organizacional e liderança. Porto: Edições Asa, 1999. ASSAF NETO, Alexandre. Estrutura e análise de balanços: um enfoque econômico fi nanceiro. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2009. BARROSO, João. Estudo da autonomia da escola: da autonomia decretada à autonomia construída. In: BARROSO, João (org.). O estudo da escola. Porto: Porto editora, 1996. BRASIL. FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Ministério da Educação. Resolução Nº 6, de 27 de fevereiro de 2018. Disponível em: . Acesso em: 19 nov. 2022. _____. Fundeb. Ministério da Educação. s.d. Disponível em: . Acesso em: 27 nov. 2022. _____. Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FUNDE). Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE), Brasília. MEC. 2017. Disponível em: . Acesso em: 10 ago. 2022. _____. Senado Federal. Constituição da República Federativa do Brasil, de 1934. Disponível em: . Acesso em: 24 ago. 2022. CASASSUS, Juan. A centralização e a descentralização da educação. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, n. 95, p. 37-42, nov., 1995. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. 6. ed. Rio de Janeiro, 2000. CÓSSIO, Maria de Fátima. Gestão democrática da educação: retórica política ou prática possível. In: CAMARGO, Ieda de. Gestão e políticas da educação. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2006. CRETELLA JÚNIOR, José. Dicionário de direito administrativo. São Paulo: José Bushatsky, 1973. 90 Gestão Financeira Escolar DOURADO, Luiz Fernandes. Políticas e gestão da educação básica no brasil: limites e perspectivas. 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Desafi os a serem enfrentados na capacitação de gestores escolares. Brasília, v. 17, n. 72, p. 97-112, fev./jun., 2000. MARTINS, Angela Maria. Autonomia da escola: a (ex)tensão do tema nas políticas públicas. São Paulo: Cortez, 2002. MATARAZZO, Dante Carmine. Análise Financeira de balanços. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2003. PEREIRA, José da Silva. Análise fi nanceira das empresas. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2012. POLO, José Carlos. Planejamento e orçamento no município. In: RODRIGUES, M. M.; GIÁGIO. Guia de consulta para o programa de apoio aos secretários municipais de educação – PRASEM III. Brasília: FUNDESCOLA/MEC, 2001. ROVERSI, Fabio. Descentralização e centralização. BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de Política. 4. ed. v. 1, Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1992. SACRISTAN, J. G. A educação obrigatória: seu sentido educativo e social. Porto Alegre: Artmed, 2001. SANTOS, Edno Oliveira dos. Administração fi nanceira da pequena e média empresa. 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CAPÍTULO 3 PRINCIPAIS MÉTRICAS FINANCEIRAS A partir da perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: Conhecer as principais métricas fi nanceiras. Compreender como as métricas fi nanceira podem contribuir para uma boa gestão fi nanceira no contexto escolar. Adequar os recursos disponíveis ao aspecto pedagógico. Otimizar os recursos disponíveis. 95 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 1 CONTEXTUALIZAÇÃO Em um cenário atual com mercado e política de preços de venda cada vez mais competitivos, a empresa tem pouca infl uência em seu preço de venda, sen- do este muitas vezes defi nido pelo mercado. Para não correr o risco de ser “engo- lida” pelo mercado, a empresa deve buscar alternativas para maximizar seu lucro. Nesse sentido, a prática da gestão dos custos nas empresas tem cada vez mais demonstrado sua essencialidade e objetividade, fornecendo informações atualiza- das e importantes conceitos que auxiliam na tomada de decisões nas empresas de um modo geral. Entre esses conceitos está o ponto de equilíbrio, que é o ponto em que a empresa iguala suas vendas aos seus custos e despesas. Caso as empresas tivessem apenas um produto, o que é raro, o cálculo do ponto de equilíbrio seria bastante simples. Como esse não é o caso para a maioria das empresas, a for- mulação do ponto de equilíbrio depende diretamente do rateio dos gastos fi xos aos diversos produtos da empresa. Dessa forma, pode-se encontrar o ponto de equilíbrio da receita total da empresa ou, se for tratar de volume de vendas, esse cálculo deve ser feito por produto, o que lhe concede uma menor credibilidade, já que se tem uma interferência direta do critério de rateio utilizado. Custo fi xo é defi nido como todo o gasto que não é afetado pelo au- mento ou diminuição da produção de produtos ou prestação de serviços da empresa. O critério de escolha de uma base de rateio deve ser bastante estudado pela empresa, pois dependendo do método escolhido pode haver distorção do resulta- do. Além disso, uma só base de rateio difi cilmente representa certamente o com- portamento dos custos. Por conta disso, alguns métodos fazem uso de bases de rateio múltiplas. Defi nido o critério de rateio e calculado os pontos de equilíbrio dos produtos, por meio de cálculo e tentativas, é possível descobrir de que forma o lucro líquido é mais infl uenciado, centrando, dessa forma, o modo de atuação da empresa em relação aos seus custos. 2 PONTO DE EQUILÍBRIO Segundo Atkinson et al. (2000, p. 193), o ponto de equilíbrio corresponde ao nível em que o volume de vendas cobre os custos fi xos dos recursos comprome- tidos, ou seja, o momento em que a empresa começa a contabilizar lucro, quando as vendas superam o ponto de equilíbrio. 96 Gestão Financeira Escolar A análise do ponto de equilíbrio é importante por mostrar o empenho neces- sário para que se comece a obter lucro, infl uenciando nas decisões gerenciais de viabilidade de um empreendimento. De acordo com Dubois, Kulpa e Souza (2006), o seguinte método é utilizado na defi nição do ponto de equilíbrio contábil. Ele só ocorrerá quando as receitas se igualarem aos custos, assim teremos: Já o ponto de equilíbrio fi nanceiro leva em conta a análise inserida no regime de caixa, devendo-se subtrair dos gastos fi xos os gastos não desembolsáveis, como a depreciação (BRUNI 2006). Assim tem-se: Além das análises de equilíbrio citadas, tem-se o ponto de equilíbrio econô- mico, que leva em consideração o conceito de remuneração do capital investido, podendo ser representado da seguinte maneira: Bruni (2006) destaca a diferença entre o ponto de equilíbrio contábil e o pon- to de equilíbrio econômico. A primeira expressa um lucro contábil nulo, já o segun- do expressa um lucro econômico nulo. Uma das formas de melhor compreender os conceitos de ponto de equilíbrio é utilizando a análise gráfi ca. Veja a fi gura 1: ponto de equilíbrio a seguir, em que o ponto de intersecção das retas de receitas totais e despesas totais representam o ponto de equilíbrio, a recei- ta total se iguala à despesa total. Observe que a área acima do ponto de equilíbrio (P.E) representa o lucro, assim como a área abaixo representa o prejuízo. 97Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 FIGURA 1 – RECEITA, CUSTO E LUCRO Fonte: a autora. Bruni (2006) e Dubois, Kulpa e Souza (2006) explicam que outros fatores po- dem ser calculados, como as margens de segurança operacional. É plausível que as empresas trabalhem com uma margem de segurança para suprir problemas no mercado. A margem de segurança é uma informação que, pressupondo deter- minadas relações de custos, possibilita à empresa tomar algumas medidas para minimizar riscos futuros (DUBOIS; KULPA; SOUZA, 2006). 2.1 MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO Há empresas que trabalham com uma variedade de produtos. Os recursos não são consumidos uniformemente por cada produto. Desse modo, concluímos que existem produtos que consomem mais recursos do que outros. A questão da venda está diretamente vinculada ao mercado e à demanda do produto. Há produtos que apresentam uma maior capacidade de venda. Nesse contexto, apre- sentamos o conceito de margem de contribuição (MgC). “A margem de contribuição é representada pela diferença entre receitas e gastos variáveis, e consiste em um dos mais importantes indicadores para a to- mada de decisão em custos, preços e lucros” (BRUNI, 2006, p.83). A diferença entre o preço de venda unitário e os custos e despesas variáveis unitários repre- senta margem de contribuição do produto (PADOVEZE,2003). Dubois, Kulpa e 98 Gestão Financeira Escolar Souza (2006) defi nem que a MgC é o valor representado que propiciará à empre- sa enfrentar seus gastos fi xos (custo e despesas). É o resultado das quantidades vendidas multiplicadas pelo preço de venda deduzido dos custos e despesas va- riáveis; ela deverá variar em função das quantidades vendidas. Assim, a MgC é o valor resultante da diferença entre o preço de venda e os gastos variáveis (custos variáveis e despesas variáveis) unitários: Preço de Venda – Gastos Variáveis Unitários = MgC Dubois, Kulpa e Souza (2006) afi rmam que a MgC é um elemento importante na tomada decisão e que é impensável ter uma MgC negativa. Em uma análise simples, percebe-se: − MgC total = custos e despesas fi xas, a empresa está operando no seu P.E. − MgC total > custos e despesas fi xas, a empresa está obtendo lucro. − MgC totalpara o alcance da efi cácia de tal processo de gestão. Tais relações e efeitos são comumente tratados de Análise das Relações Custo-Volume Lucro, ou CVL. A análise CVL tem sido referida pela literatura como um valioso ins- trumento ao processo de planejamento e tomada de decisão. De fato, ao incorporar o nível de atividades (volumes), custos e receitas correspondentes, ela envolve um conjunto de informações fundamentais à gestão fi nanceira da entidade. Hansen e Mowen (2001, p. 591) enfatizam que a análise CVL pode ser uma ferramenta valiosa para identifi car a extensão e a magnitude de um problema eco- nômico pelo qual a empresa esteja passando, e ajudá-la a encontrar as soluções necessárias. De forma mais específi ca, Hansen e Mowen (2001, p. 592) comen- tam que a análise CVL permite que os gestores façam análises de sensibilidade ao examinar o impacto dos vários preços ou níveis de custo sobre o lucro. Nesse sentido, a principal informação derivada da análise CVL é a identifi - cação do volume de produtos necessário para atingir determinados objetivos de lucro. E tal informação é dada pelo ponto de equilíbrio – a análise CVL também possibilita o desenvolvimento de outros estudos, tais como a mensuração e aná- lise da margem de segurança operacional (MSO) e do grau de alavancagem operacional (GAO). Algebricamente, o cálculo do ponto de equilíbrio em unidades físicas pode ser efetuado mediante a aplicação das formulações apresentadas a seguir. Para cálculo do ponto de equilíbrio em unidades monetárias, basta substituir o denomi- 102 Gestão Financeira Escolar nador das fórmulas para “% da Margem de Contribuição”, sendo esta calculada pela divisão do valor da margem de contribuição pelo valor da venda. Diversos autores têm abordado e reconhecido algumas das limitações da técni- ca do ponto de equilíbrio. Dentre elas, é dado destaque às simplifi cações das premis- sas assumidas na interpretação sobre as variações nos preços de vendas e dos cus- tos, bem como quando no cálculo e uso do ponto de equilíbrio para diversos produtos. QUADRO 1 – SUPOSIÇÕES E LIMITAÇÕES DA ANÁLISE CUSTO-VOLUME-LUCRO Suposições e Limitações da Análise Custo – Volume – Lucro 1 A análise é válida apenas para um intervalo limitado de valores e um período limitado de tempo. 2 Os custos podem ser categorizados em custos variáveis. 3 Os custos variáveis mudam proporcionalmente com o volume de vendas dentro do intervalo relevante. 4 Os custos fi xos são constantes dentro de um intervalo relevante de volume de vendas. 5 As receitas mudam proporcionalmente com o volume de vendas. 6 Não há variação signifi cativa nos estoques; o volume de produção é igual ao volume de vendas. 7 Apenas mudanças nos volumes são responsáveis por mudanças nos custos e receitas. 8 Informações apropriadas podem ser obtidas oportunamente. 9 A análise é determinística e não probabilística. 10 As questões de alavancagem operacional podem ser tratadas com a estrutura da análise CVL. Fonte: a autora. 103 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 Essas suposições e limitações a respeito do ponto de equilíbrio podem ser demonstradas grafi camente para um entendimento rápido, como ilustrado nas Fi- guras 3 a 6. FIGURA 3 – TIPOS DE RECEITAS Fonte: a autora. A partir de que se lance um produto e este tenha a aceitação dos consumido- res, a receita total cresce à medida que o consumo aumenta. Entretanto, a curva apresentara infl exão como efeito de entrada de concorrentes que imitarão o pro- duto e forçará a empresa a baixar os preços para vender maior volume. Neste mesmo gráfi co, a partir dos mesmos dados, pode-se calcular a receita média pela divisão da receita total pelo número de unidades produzidas e ven- didas, a qual revelará a curva da demanda da empresa em relação ao produto. Da mesma forma, pode-se calcular a receita marginal, que representa a unidade monetária para mais uma unidade vendida. Da mesma forma que se pode calcular a receita total, a receita média e a receita marginal, pode-se também calcular o custo total, o custo médio e o custo marginal, demonstrados na Figura 4, em que são demonstrados os pontos de rup- tura e de saturação relativos ao cruzamento das curvas de custo total (CT) com a curva da receito total (RT), enquanto que o ponto de lucro máximo (LM) que se pode obter representa o afastamento máximo entre as curvas de custo e receita, identifi cado como ponto de otimização. 104 Gestão Financeira Escolar Apesar dessas limitações, é entendido que a técnica do ponto de equilíbrio, se utilizada com as devidas reservas que tais limitações impõem, pode oferecer informações que ajudam na tomada de decisões efi cazes, como se pode visuali- zar na Figura 4. FIGURA 4 – RELAÇÃO DA RECEITA E CUSTOS ECONÔMICOS Onde: PO= Ponto de Otimização. CT = Custo Total. CV = Custo Variável. RT = Receita Total. LM = Lucro Máximo. CFT = Custo Fixo Total. Q/t = Quantida- de no Tempo. LT = Lucro Total. CMa = Custo Marginal. CTMe = Custo Total Mé- dio. RMe = Receita Média. RMA = Receita Marginal. PO= Ponto de Otimização. Fonte: Pereira (1998). 105 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 FIGURA 5 – LIMITAÇÕES DA ANÁLISE DE PONTO DE EQUILÍBRIO Fonte: WILLSON, J. D.; COLFORD, J. P. (1990) A ênfase no lucro líquido a ser distribuído decorre da observação prática da necessidade de empresas terem de reinvestir parte de seus ganhos com propó- sito de manterem-se competitivas e autossustentadas, impelidas a investirem em novas tecnologias, as quais exigem grande investimento e contêm alto nível de risco, sendo que, da análise das inovações, pode-se inferir que o sucesso tem sido assegurado por aquelas empresas que se preocupam com as inovações, numa competição por novos produtos e serviços, como ilustrado na fi gura 6. 106 Gestão Financeira Escolar FIGURA 6 – MOMENTO PARA LANÇAMENTO DE NOVA TECNOLOGIA Font e: a autora Além da incerteza contida nas inovações, em relação ao momento oportuno para lançamento das novas tecnologias e abandono das correntes, chega o mo- mento em que a empresa deve ter recursos necessários e sufi cientes para asse- gurar sua capacidade competitiva; do contrário perderá o timing da novidade, em virtude de que pode passar de atacante a defensora, como ilustrado na Figura 7. FIGURA 7 – COMPORTAMENTO DE USUÁRIOS TECNOLOGIA Fonte: a autora. 107 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 Se o adágio popular de que a melhor defesa é o ataque estiver correto, en- tão o momento de ataque deve estar suportado por recursos, principalmente fi - nanceiros. Cada projeto de investimento deve gerar fundos necessários para o reinvestimento em novos projetos, ou distribuição dos resultados com os projetos correntes aos investidores e eventualmente devolução até de capital. A capacidade de obter fi nanciamento junto a credores depende de se a em- presa tem parte do investimento necessário, e isso implica que os projetos em andamento devem gerar recursos para quitar endividamentos possíveis juntos aos credores. 4 PONTO DE EQUILÍBRIO FINANCEIRO: TRATAMENTO TRADICIONAL O tratamento que tradicionalmente é dado ao ponto de equilíbrio fi nancei- ro, como encontrado na literatura, enfatiza o conceito amparado na formulação matemática anteriormente apresentado. Mesmo no contexto de considerar-se as limitações da técnica, aqui incluídas a simplifi cação de que todas as receitas são recebidas e que todos os custos e despesas sejam pagos no próprio exercício, um aspecto não pode ser desconsiderado: o impacto fi nanceiro provocado pelo imposto de renda, o qual ocorre na modalidade do PEF com sobra de caixa. De fato, na modalidade original do PEF, em que se objetiva o equilíbrio entre recebimentos e pagamentos, o resultado contábil apresenta-se negativo, dada a não consideração fi nal dos custos e despesas não desembolsáveis (efeito fi nancei- ro), mas que existemno resultado fi scal. O exemplo da empresa Exemplo, no qua- dro 2, ajuda a entender essa relação entre resultado contábil e resultado fi nanceiro: QUADRO 2 – DADOS DA EMPRESA EXEMPLO Preço de venda unitário 100,00 Custo variável unitário 50,00 Despesa variável unitária 10,00 Custo Fixo 150.000,00 Despesa fi xa 50.000,00 Custo fi xo não desembolsável 15.000,00 Despesa fi xa não desembolsável 5.000,00 Fonte: a autora. 108 Gestão Financeira Escolar Com base em tais dados e aplicando-se a formulação apresentada no tópico anterior, chega-se ao volume de 4.500 unidades (180.000/40,00) como o necessário para atingir o equilíbrio fi nanceiro. Pode-se comprovar se tal volume realmente provo- ca o efeito desejado mediante a elaboração da respectiva demonstração do resultado: QUADRO 3 – PONTO DE EQUILÍBRIO FINANCEIRO Receita de venda 450.000,00 Custo e despesa variável 270.000,00 Margem de contribuição 180.000,00 Custo despesa fi xa 200.000,00 Lucro antes do imposto de renda 20.000,00 Imposto de renda (30%) - Lucro líquido 20.000,00 Custo e despesa não desembolsável 20.000,00 Resultado fi nanceiro - Fonte: a autora. Verifi ca-se que, de fato, praticando o volume de 4.500 unidades, ocorre a equa- lização entre receita recebida e custos e despesas pagos. Por outro lado, o que ocor- reria se, no mesmo exemplo, fosse considerada uma variável adicional: a necessida- de de obter uma sobra fi nanceira da ordem de $50.000,00 destinada a fi nanciar um futuro investimento necessário à ampliação da capacidade competitiva da empresa. Com essa nova informação, complementar àquelas consideradas no exemplo anterior e aplicando-se a formulação já apresentada, chega-se ao volume de 5.750 unidades como o sufi ciente para cobrir os custos e despesas desembolsáveis. Além disso, geraria uma sobra de $50.000,00, que é o objetivo da empresa. Será isso verdadeiro? A demonstração do resultado apresentada a seguir dará a resposta. QUADRO 4 – O PONTO DE EQUILÍBRIO COM SOBRA DE CAIXA Receita de venda 575.000,00 Custo e despesa variável 345.000,00 Margem de contribuição 230.000,00 Custo despesa fi xa 200.000,00 Lucro antes do imposto de renda 30.000,00 Imposto de renda (30%) 9.000,00 Lucro líquido 21.000,00 Custo e despesa não desembolsável 20.000,00 Resultado fi nanceiro 41.000,00 Fonte: a autora. 109 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 Verifi ca-se que o objetivo não foi alcançado. Na realidade, a não considera- ção do imposto de renda incidente sobre o lucro contábil resulta em uma sobra de caixa de $41.000,00 e não $50.000,00, como desejado. Qual então o tratamento correto a ser adotado? É o que será abordado no tópico seguinte. 5 PONTO DE EQUILÍBRIO FINANCEIRO: FOCADO NA DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO APÓS IMPOSTO DE RENDA Viu-se no tópico anterior que a formulação básica do PEF, quando da exis- tência de uma sobra fi nanceira desejada, precisa ser adaptada para evitar que a redução provocada pelo desembolso obrigatório do imposto de renda impeça que seja atingido o objetivo desejado. Para tanto, o que aqui se propõe é a adoção de uma formulação matemática que leve em consideração esse ônus tributário, o qual incide sobre o resultado contábil que se apresenta com a dedução de despesas que não representam de- sembolso, as quais devem ser revertidas para se chegar à sobra de caixa neces- sária para ser distribuída e fi nanciar novos investimentos. Isso pode ser demons- trado algebricamente com a seguinte fórmula: Em que PEFsc signifi ca ponto de equilíbrio com sobra de caixa; CDF, custo e despesa fi xa; CDFnd, custo e despesa fi xa não desembolsável; SC, sobra de caixa; IR, imposto de renda. Aplicando-se a formulação apresentada, chega-se ao volume de 6.071,43. A utilização desse volume leva ao resultado demonstrado a seguir. QUADRO 5 – RESULTADO REARRANJADO PARA A SOBRA DE CAIXA Receita de venda 607.143,00 Custo e despesa variável 364.286,00 Margem de contribuição 242.857,00 Custo despesa fi xa 200.000,00 110 Gestão Financeira Escolar Lucro antes do imposto de renda 42.857,00 Imposto de renda (30%) 12.857,00 Lucro líquido 30.000,00 Custo e despesa não desembolsável 20.000,00 Resultado fi nanceiro 50.000,00 Fonte: a autora. Verifi ca-se, portanto, que a utilização da formulação ora sugerida possibilita que seja identifi cado o volume que efetivamente viabilize a sobra fi nanceira de- sejada, depois de descontadas todas as saídas de caixa ensejadas pelas opera- ções, inclusive as provocadas pelo imposto de renda sobre o lucro contábil. Leia o artigo disponível no site: , logo após aponte três métricas fi nanceiras que você julga adequadas para subsidiar o trabalho do gestor. 6 ASPECTOS PEDAGÓGICOS DAS MÉTRICAS FINANCEIRAS Muitas escolas cresceram sem praticamente nenhuma preocupação com o planejamento de seus processos, acarretando com isso problemas em determina- dos momentos de sua história. A redução da taxa de natalidade nas últimas déca- das fez com que a população em idade escolar começasse a diminuir de tamanho. A cada ano que passa, a quantidade de crianças que saem do sistema não é suprida pela quantidade que entra. E como consequência de todos estes fato- res, o desfecho natural é que boa parte das empresas fechará, restando apenas as mais fortes. O aumento do número das instituições de ensino e o crescimento das taxas de evasão e inadimplência contribuem para convencer os dirigentes educacionais da necessidade de estratégias de marketing para garantir sua fatia de mercado, porém estas estratégias demandam investimentos que, para a maioria, é quase impossível. O cálculo do ponto de equilíbrio precisa fornecer dados e informações 111 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 reais ao gestor fi nanceiro para que, a partir destas informações, os gestores da instituição possam planejar com mais efi cácia, através da demanda mínima ne- cessária por segmento de ensino, todo o processo de matrícula. São várias as métricas que devem ser acompanhadas na gestão escolar, o que serve para te ajudar a visualizar o desempenho real do colégio. São muitos os campos que contam com números que precisam de uma atenção por parte do gestor da instituição. Conhecer todas elas gastariam muito tempo. A seguir apon- tamos as métricas por grupos, para que seja mais fácil entendê-las. Vamos apre- sentar as principais relacionadas às fi nanças, marketing, sala de aula e ao ensino dos alunos da instituição como um todo. 6.1 MÉTRICAS PARA AS SUAS FINANÇAS Existem uma série de métricas que devem ser acompanhadas na gestão esco- lar, e algumas das principais são as fi nanceiras. É muito importante que os gestores estejam atentos aos números relacionados ao lucro e aos gastos da instituição. Nenhuma outra grande ação é possível de ser tomada se o planejamento fi nanceiro da escola não for efetivo. Eventos, passeios, entre diversos outros pro- jetos não podem ser desenvolvidos, se o caixa não estiver apresentando bons números. No entanto, só é possível descobrir se a situação é positiva, se o gestor analisar, no mínimo, os seguintes pontos: • custo líquido de uma mensalidade: são analisados os gastos que se tem com cada aluno durante um determinado período, seja ele um semestre, trimestre ou bimestre; • porcentagem de bolsistas: bolsistas recebem descontos, e por isso é pre- ciso calcular o número de estudantes nessa categoria, para não ter qual- quer tipo de prejuízo; • custo por aluno: aqui são analisados os custos para a manutenção do aluno na escola, como pagamento de salário dos professores, além de outras questões ligadas ao tema. Em todo caso, é muito importante acompanhar todas as métricas do setor fi nanceiro de perto, para evitar contratempos. Além de garantir uma gestão mais efi ciente, isso também evita com que a escola contraia dívidas que não tem con- dições de pagar. 112Gestão Financeira Escolar Por essa razão, as métricas fi nanceiras devem ser prioritárias dentro da sua instituição. Saber exatamente quanto se gasta com cada aluno vai te ajudar a planejar as fi nanças em diferentes tipos de situações, evitando as crises que ges- tores sempre enfrentam. 6.2 MÉTRICAS PARA A TECNOLOGIA O uso de tecnologias novas faz parte do cotidiano de diferentes escolas nos dias atuais. Hoje a atuação da escola vai muito além do contato feito no ambiente de estudo, já que apps e sites permitem o aprendizado também em outros locais. A tecnologia aumenta a produtividade dos alunos em diferentes situações, e por isso não pode ser ignorada pelos gestores escolares. No entanto, é neces- sário saber que números analisar para saber se os esforços da instituição estão dando resultados. Dentre as principais métricas para fi car atento em relação à tecnologia, destacam-se as seguintes: • alunos que usam a tecnologia: é necessário conferir a porcentagem de alunos que usam as novas tecnologias, para delimitar a quantidade de recursos voltados para essa área; • uso do time de TI: é necessário registrar o número de chamadas para o time de TI, pois isso representa um atraso signifi cativo em outras áreas diferentes que dependem da tecnologia; • funcionários que usam a tecnologia: além dos alunos, também é preciso conferir a porcentagem dos funcionários que usam a tecnologia, para de- limitar a quantidade de recursos voltados para a área. 6.3 MÉTRICAS PARA SALA DE AULA Além dos pontos já citados, também é importante acompanhar de perto as métricas para sala de aula, essenciais para a escola. Elas são as responsáveis por nos mostrar como está sendo o rendimento dos alunos de acordo com a me- todologia aplicada. Entre os dados a serem levados em consideração neste cam- po, destacam-se os seguintes: • notas dos alunos: verifi car o rendimento dos estudantes, para que seja possível checar, com dados, se eles estão aprendendo; 113 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 • avaliação dos professores: defi nir pontos que ajudam a entender se a atuação do profi ssional de ensino está sendo realmente algo valoroso para os alunos; • frequência dos alunos: checar se os alunos estão inadimplentes ou não também é uma boa métrica para ser observada de perto pelo gestor. Em todo caso, essas métricas são muito importantes para checar como es- tão os níveis de desenvolvimento pedagógico da escola. Isso afeta diretamente a imagem que os pais têm do colégio, e por isso esses números são importantes. Caso a nota escolar dos alunos esteja baixa, é necessário verifi car se não existem outras abordagens que sejam mais interessantes para os estudantes, por exemplo. A baixa frequência também pode indicar que as aulas não estão sendo interessantes. No mais, a análise de números deve ser feita de forma constante, para evitar que suas ações sejam tardias demais na escola. As métricas são feitas para serem checadas com periodicidade. Por isso, não deixe de verifi car os números obtidos. 6.4 MÉTRICAS PARA O ENSINO Por fi m, entre as principais métricas que devem ser acompanhadas na gestão escolar, podemos citar as métricas de ensino. Por meio delas, o colégio verifi ca quais são os resultados das ações pedagógicas defi nidas pela equipe de planejamento. É aqui que os gestores verifi cam se todas as ações criadas pela instituição ti- veram os resultados esperados. Além disso, em várias escolas, também são ana- lisados os números de prêmios que são dados para os que estão envolvidos no ambiente escolar. No geral, as métricas voltadas para o ensino são as seguintes: • número de graduações: é preciso verifi car as taxas de graduação, para verifi car se a instituição está conseguindo os resultados que tanto almeja; • premiações: defi nir qual o número de premiações que serão dadas para estudantes e professores durante o ano letivo, e em quais situações elas acontecerão. Nesse sentido é essencial que o gestor análise todos os números que com- põem sua instituição, transformando em indicadores que podem nortear com se- gurança as tomadas de decisões importantes no seu negócio, evitando erros que podem ser evitados com mais informações. 114 Gestão Financeira Escolar 7 OTIMIZAÇÃO DE RECURSOS Quando se está envolvido na gestão escolar, custo é uma palavra que faz parte do dia a dia na instituição. A capacidade de identifi car os custos fi xos e classifi cá-los permite em primeiro plano entendê-los e consequentemente reduzi-los, além de ser um diferencial na hora de manter uma vantagem competitiva diante da concorrência. Os custos fi xos são todos aqueles gastos que permanecem constantes, inde- pendentemente de aumento ou redução na quantidade produzida, adquirida ou ven- dida. Aplicando este conceito em sua escola, podemos fazer a seguinte analogia: Se sua escola arca com o aluguel de um prédio na faixa de R$3.500,00 men- sais (locando um espaço com capacidade para suportar 100 alunos), tanto faz ela atender 25 ou 80 alunos – o custo será o mesmo, não é verdade? Então, até o limite de 100 alunos, seu aluguel será o mesmo valor de R$ 3.500,00. Assim, os custos fi xos somente variarão em função da produção (quantidade de alunos atendidos), quando um certo patamar for rompido. Os custos fi xos de uma escola podem ser associados aos desembolsos atribuídos ao produto, e eles difi cilmente sofrem alterações em função do número de alunos atendidos. Veja alguns exemplos de custos fi xos de uma escola: • salários; • aluguel; • impostos; • materiais de limpeza; • materiais de escritório; • telefone; • conservação; • pró-labore; • encargos sociais; • serviços de vigilância; • despesas com contador, entre outras. Para compreender melhor como os indicadores fi nanceiros podem tornar um processo de gestão efi ciente, acesse: . 115 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 É importante você saber também que despesas com água e energia são cus- tos fi xos e variáveis ao mesmo tempo. Isso acontece porque parte do valor destas contas não é alterada em função do número de alunos de sua escola (por exemplo, energia gasta nos setores administrativos); a outra, entretanto, sensivelmente so- frerá variação em relação a estes setores (eletricidade demandada com o funciona- mento de uma sala de aula, por exemplo). Vale salientar também que a depreciação (desvalorização no valor de equipamentos e máquinas) faz parte dos custos fi xos. Antes de tomar qualquer ação para reduzir os custos fi xos da sua escola, você deve compreender como funciona sua estrutura empresarial, analisar e des- cobrir qual a realidade fi nanceira atual de seu negócio e defi nir quais são seus objetivos. Tudo isso servirá para você desenvolver métodos e técnicas efi cientes para atingir tal propósito. Veja alguns apontamentos que auxiliam na redução dos custos fi xos de sua escola: • otimizar a jornada de trabalho – uma jornada de trabalho adequada e efi - ciente reduz o consumo de energia e gasto com horas extra; • investir em novas tecnologias – substituir lâmpadas incandescentes por fl uorescentes, utilizar torneiras automáticas e outros dispositivos ecolo- gicamente corretos, equipamentos eletrônicos que consomem menos energia; utilizar a internet (videoconferências, ligações gratuitas, entre outros) e é claro fazer uso de um bom software de gestão escolar; • encontrar quais funções podem ser terceirizadas – segurança e limpeza são alguns dos exemplos comuns. Ao fazer uma análise de desempenho de seus colaboradores, o gestor preci- sa estar preparado, em alguns casos, para eventuais demissões. O importante é manter-se focado no seu objetivo e estar com pessoas satisfeitas que realmente apresentem resultados positivos para sua escola. Portanto, reduzindo os custos fi xos de uma escola, você terá maior base para desenvolver planosestratégicos mais assertivos e visão integral da margem de contribuição. Custos e despesas, bem como seu gerenciamento, afetam diretamente o equilíbrio fi nanceiro de uma instituição de ensino. Ter conhecimento de como cada um desses gastos interfere nas contas da escola é tarefa de todo gestor. Com essas informações em mãos, é possível tomar decisões de investimentos ou corte de gastos, bem como manter a escola no azul. A seguir, vamos refl etir que são gastos, custos e despesas. • gasto – é qualquer desembolso fi nanceiro que se realiza para ter acesso a um bem ou serviço; um gasto pode ser um custo ou uma despesa; • custo – o que é desembolsado para a produção ou prestação de um serviço; • despesa – o que é desembolsado para permitir obter receita para a escola. 116 Gestão Financeira Escolar Dessa forma, custos e despesas são gastos realizados com objetivos espe- cífi cos. 7.1 CUSTOS DE UMA ESCOLA Custos são todos os gastos necessários para manter o funcionamento da escola no dia a dia. Segundo alguns conceitos fi nanceiros, os custos são divididos entre diretos e indiretos: os diretos estão relacionados ao ensino; e os indiretos são aqueles relacionados à manutenção da escola. 7.1.1 Exemplos de custos diretos • Mão de obra direta – referente à folha de pagamento dos professores e daqueles profi ssionais diretamente relacionados à educação do aluno; • Encargos diretos – parte de tributação incidente sobre a folha de paga- mentos, incluídos no pagamento da mão de obra direta; • Materiais diretos – todos os materiais destinados ao consumo dos alu- nos; • Serviços diretos – aqueles que são realizados para atender especifi ca- mente ao aluno. 7.1.2 Exemplos de custos indiretos • Mão de obra indireta – folha de pagamentos dos empregados, como por- teiros, inspetores, faxineiros e outros encarregados da manutenção; • Encargos indiretos – toda a tributação incidente sobre esta parte da folha de pagamentos; • Materiais indiretos – aqueles realizados para o funcionamento da escola, mas que não estão relacionados ao ensino do aluno; • Serviços indiretos – os que se realizam para manter o funcionamento da escola. 117 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 7.2 DESPESAS DE UMA ESCOLA As despesas são aqueles gastos com a administração e com investimentos que permitem o funcionamento e o crescimento da escola. Fixas ou variáveis, são gastos essenciais para que a escola possa desenvolver um bom trabalho. Alguns exemplos de despesas são: investimentos em tecnologia; folha de pagamento do setor administrativo; e marketing e publicidade. 7.2.1 A importância da divisão de custos e despesas na tomada de decisão Assim como para qualquer outro tipo de negócio, uma instituição de ensino precisa de uma análise profunda e periódica dos custos e despesas. A avaliação e o acompanhamento de custos e despesas permitem conhecer com segurança as margens de lucro que sua escola está tendo. Além disso, pode atuar sobre eles quando houver alguma distorção. Com um controle efi ciente sobre os gastos, é possível avaliar a adoção de medidas de ajustes em cobranças e enfrentar de forma segura a concorrência sem sofrer consequências. Manter os custos sob controle permite que a escola tenha as bases necessárias para cumprir seu papel principal: ensinar com qualidade. É fundamental estabelecer controles efetivos sobre gastos que auxiliem a identifi cação de custo individual por aluno, turma ou turno, entendendo assim os recebimentos e gastos existentes em cada cenário. Controles efi cientes e efetivos apontam eventuais desvios e necessidade de correção dos gastos da escola, melhorando seu resultado e possibilitando que os gestores realizem as mudanças pedagógicas necessárias. Nesse sentido, a escola precisa acompanhar de perto todos os dados do se- tor fi nanceiro, entendendo a relação deste com as demais áreas da gestão. Com uma visão ampla do cenário, a escola pode decidir os momentos de investir ou cortar gastos. Dessa forma, é importante: • determinar o orçamento semestral/anual, com teto de gastos; • acompanhar a taxa de inadimplência e motivação de cada caso; • acompanhar todas as receitas e gastos; • elencar as prioridades da escola para o momento; • ter em mente os objetivos da gestão para o ano letivo; 118 Gestão Financeira Escolar • evitar inadimplência, facilitando o pagamento de mensalidade com a mo- dalidade recorrente; • investir em tecnologia para automatizar as cobranças; • acompanhar todas as métricas do setor. 7.3 CUSTO DE AQUISIÇÃO DE CLIENTE O custo de aquisição de cliente (CAC) é uma das métricas fi nanceiras essen- ciais para qualquer negócio. Em uma escola, ele pode até ser adaptado para o custo de aquisição por aluno. A intenção, como o nome indica, é entender o quan- to custa atrair uma pessoa e obter uma matrícula. Quanto maior for esse valor, mais alta é a despesa envolvida, o que afeta a lucratividade. O cálculo é bem simples: basta dividir os custos com ações de captação pelo número de pessoas convertidas em determinado período. Para entender melhor, pense em uma campanha em que foram gastos R$ 15 mil. Ao fi nal, 50 novos alu- nos foram atraídos por esses esforços. Então, o CAC é de R$300,00. Gastar menos não signifi ca obter resultados melhores. Se uma campanha custou R$ 5 mil, mas só atraiu 10 estudantes, o CAC foi de R$500,00. Embora a despesa total tenha sido menor, a efetividade também caiu. Então, essa métrica ajuda a avaliar exatamente a questão. 7.4 APLICAÇÕES DO PONTO DE EQUILÍBRIO Conhecido como break-even-point, o ponto de equilíbrio é determinante para a saúde fi nanceira da instituição. De forma teórica, ele corresponde a quanto deve ser o faturamento para que as receitas se igualem aos gastos mensais. Ele de- termina, portanto, o mínimo necessário para que a empresa não sofra prejuízos. Para começar o cálculo, é preciso encontrar a margem de contribuição. Ela corresponde ao faturamento menos os custos e os gastos variáveis. Pense que, em um mês, uma escola faturou R$ 50 mil. Desse total, R$ 20 mil foram de des- pesas que se modifi cam. A margem de contribuição (MC) é de R$ 30 mil. Em por- centagem, corresponde a 60% do que foi faturado. 119 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 Ele é dado pela divisão entre os gastos fi xos e a porcentagem da margem de contribuição. Imagine o caso em que os custos fi xos, como com aluguel e folha de pagamento, são de R$ 15 mil. Então, o ponto de equilíbrio é de R$ 25 mil. Ao faturar qualquer valor acima disso, a instituição consegue ter resultados positivos. Conhecer e acompanhar os números do negócio é fundamental para qualquer empreendedor. A indústria 5.0 trouxe muitas novida- des com relação a isso. Para saber um pouco mais sobre a impor- tância desse indicador, acesse o site: . 7.5 RENTABILIDADE A rentabilidade é um conceito essencial e indica qual é o nível de retorno que a escola oferece em relação aos investimentos. De maneira simples, ela ajuda a entender o quanto dos recursos aplicados retornam em forma de faturamento. Um dos meios mais fáceis de calculá-la é dividir o lucro de um período pelo investimento inicial ou pelo valor atual do negócio. Imagine que, para abrir uma escola, foram gastos R$ 200 mil. No fl uxo de caixa anual, o lucro líquido consoli- dado é de R$ 30 mil. Então, a rentabilidade é de 15%. Se os ganhos subirem para R$ 40 mil, a rentabilidade passa a ser de 20%. Quanto maior for esse número, melhor é o desempenho do empreendimento. Esse é um jeito de entender se a atividade tem oferecido o retorno esperado. Ao mesmo tempo, o valor ideal depende de cada expectativa e da gestão. Também é interessante compará-lo com outras escolas e negócios do ramo, por exemplo. 7.6 ACOMPANHAMENTO DE RECEITAS E GASTOS Outra métrica indispensável tem a ver com o controle a respeito das movi- mentações financeiras. Primeiramente, é importante conhecer o crescimento ou 120 Gestão Financeira Escolar o avanço de receita. Essa métrica consiste em avaliar a diferença de faturamento em certas épocas do ano ou entre períodos variados. A intenção é verifi car se a escola tem tido um aumento nos ganhos. Isso indica melhoria nos esforços e maior possibilidade de crescimento. Além disso, é funda- mental fi car de olho nas diversas despesas. Veja como anda a evolução de gastos fi xos e variáveis e os pondere em relação à receita. Se os custos crescem mais rapidamente que o faturamento, a saúde fi nanceira pode fi car comprometida. Ao calcular essas duas medidas, também é possível conhecer a lucrativida- de. Primeiro, tire das receitas todos os gastos, fi xos e variáveis, para chegar ao lucro líquido. Então, dívida esse valor pela receita bruta. Quanto maior for a taxa percentual, melhor é o desempenho. 7.7 CUSTO DO SERVIÇO POR ALUNO Depois de entendermos quanto cada aluno custa para ser capturado e fazer a matrícula, chega o momento de identifi car o gasto relativo de cada um em rela- ção ao empreendimento. O custo do serviço para o aluno consiste, basicamente, em dividir o total das despesas (fi xas e variáveis) pelo número de estudantes. Pense em uma escola que gasta R$ 30 mil por mês e tem 150 matriculados. Nes- se caso, cada uma custa R$200,00. Se ela gastar R$ 20 mil, mas tiver apenas 50 pessoas, o valor do serviço por cabeça é de R$400,00. Essa comparação ajuda a acompanhar o aumento das despesas e também a entender a composição do lucro. Afi nal, é possível comparar esse gasto médio com o valor da mensalidade. Se o custo do serviço por aluno é de R$200,00 e a mensalidade é de R$600,00, os resultados são interessantes. Se o valor pago pe- las famílias, entretanto, for de R$250,00, o negócio pode entrar em apuros. 7.8 ÍNDICE DE INADIMPLÊNCIA A gestão escolar é um conceito que se difere da administração escolar, porque, enquanto uma visão administrativa foca na organização e direcionamento de recur- sos, a gestão é resultado de uma visão estratégica. Por sua vez, o que se sobressai é o signifi cado dos recursos que precisam ser atribuídos por pessoas e para pessoas. A gestão escolar aborda questões concretas da rotina educa- cional e busca garantir que as instituições de ensino tenham as condições necessárias para cumprir seu papel principal: 121 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 ensinar com qualidade e formar cidadãos com as competên- cias e habilidades indispensáveis para sua vida pessoal e profi ssional (LÜCK, 2015). Para desempenhar tal função, existem seis pilares da gestão escolar a serem considerados: gestão pedagógica, gestão administrativa, gestão fi nanceira, ges- tão de pessoas, gestão de comunicação, gestão de tempo e efi ciência dos pro- cessos. Ter essa divisão em mente e dar a devida atenção a cada um dos pilares ajuda os gestores a terem visibilidade de seu trabalho e atuar com maior foco em cada necessidade de cada vez. Para conhecer melhor os seis pilares da gestão escolar, assista ao seguinte vídeo: . 7.8.1 Gestão pedagógica É por meio da gestão pedagógica que se defi nem quais são os parâmetros de ensino-aprendizagem que sua escola adotará. Para tanto, é preciso analisar tam- bém as etapas que se precedem e sucedem o momento do aprendizado em si. Enquanto os propósitos direcionam o norte da educação, as metodologias adentrarão o campo da viabilização, através de materiais e treinamento de pro- fessores que permitirão atingir esses objetivos. A absorção e o engajamento dos alunos durante a aula serão refl exos destas etapas anteriores, mas deverão ser acompanhadas de perto pelos professores que precisam estar bem alinhados e motivados aos propósitos defi nidos. Através de uma metodologia voltada à experiência, por exemplo, é possível medir resultados já durante as aulas e não apenas esperar para avaliar o desem- penho por meio de provas posteriores. 7.8.2 Gestão administrativa Estabelecer o cuidado e a manutenção da estrutura da escola garante seu funcionamento, o que inclui recursos físicos, materiais e fi nanceiros. Dentro deste processo se encontram desde o cuidado e a manutenção patrimonial até as ro- 122 Gestão Financeira Escolar tinas da secretaria. Basicamente, trata-se de manter o ambiente organizado por meio de diretrizes que não atrapalhem; muito pelo contrário, permitem a fl uidez e otimização da gestão pedagógica. Por isso a importância de manter o ambiente limpo, todos os materiais dis- poníveis e até as tecnologias da informação adequadas que permitam melhorar o trabalho de todos no dia a dia. Para escolas conservadoras, a gestão administrati- va é sufi ciente, porém os recursos são apenas o cenário. A gestão adequada inse- re os alunos no centro de interesse e usa dos recursos para atender aos objetivos centrais da educação. 7.8.3. Gestão fi nanceira Enquanto a gestão administrativa aponta para as necessidades estruturais da escola, a gestão fi nanceira viabiliza esses recursos através das fi nanças que precisam estar equilibradas e saudáveis. Em resumo, elas precisam andar de mãos dadas. Para isto, é preciso ter controle de contas a pagar e a receber, visualização clara de gastos fi xos e variáveis, medidas para problemas, como o da inadimplên- cia, tanto quanto um trabalho voltado à captação de novas matrículas. Além de visão, na prática também será preciso investir em softwares e ter profi ssionais aliados de contabilidade e administração que permitam uma gestão segura dos recursos fi nanceiros da escola. 7.8.4 Gestão de pessoas Para que a escola funcione harmoniosamente diante de todos os pilares, como uma orquestra em sinfonia, é preciso considerar toda a comunidade esco- lar, ou seja, todas as pessoas direta ou indiretamente envolvidas. Portanto, a gestão de recursos humanos inclui especialmente alunos, profes- sores, coordenadores, funcionários, fornecedores e pais. Em geral, todos aqueles que podem afetar de alguma forma os objetivos estabelecidos. Um outro ponto é que, apesar de os gestores precisarem desenvolver a visão do processo completo, será preciso dividir os papéis de atuação mais próximos de cada função, entre gestores, coordenadores e professores. 123 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 Diante das pessoas, é preciso lembrar o papel de liderança que engaja e estimula a todos dentro dos mesmos ideais, mas estipula os papéis e as funções de cada um. Os líderes são capazes de manter o respeito e o entrosamento que favorece o trabalho em equipe, sempre incentivando e orientando para extrair o melhor das pessoas. 7.8.5. Gestão da comunicação A comunicação está ligada diretamente à gestão de recursos humanos. Afi - nal, diz respeito à troca entre transmissão e recepção da mensagem por pessoas. Por mais intangível que pareça, é por meio de uma boa comunicação que muitos problemas são evitados ou minimizados. Se achar melhor, pode organizá-la entre interna e externa. Entre algumas métricas que garantem a qualidade dessa gestão no ambiente escolar estão: garantir que professores estejam alinhados e engajados com as propostas da escola, assim como os alunos focados no aprendizado e pais cons- cientes de sua importância nos estudos dos fi lhos. Apesar dos vários meios, o mais importante é garantir que as informações foram recebidas e compreendidas pela outra ponta. Da mesma forma, saber ouvir e considerar as opiniões e possíveis respostas que surjam a partir daí. Na prática, as escolas podem se comunicar com a comunidade escolar atra- vés de murais, aplicativos, e-mails ou reuniões, por exemplo. Quanto mais objeti- va e generalizada a informação, maior é a chance de usar um método impessoal como um aplicativo. Já um feedback comportamental sobre um aluno a seus pais ou mesmo uma orientação voltada a um funcionário deve ser feita com maior cautela eassim o aumento da riqueza da instituição escolar. Dessa maneira, gera diferencial para seus clientes, aumentando a capacidade de atingir outras parcelas do mercado. São inúmeros os fatores que comprovam a importância da contabilidade ge- rencial para um negócio bem-sucedido, tornando-se uma ferramenta essencial para levantar, acompanhar e analisar dados e informações necessárias para nor- tear os gestores na consciência e tomada de decisões na gestão de pequenas e grandes empresas. Assim sendo, ressaltamos que a aplicação da contabilidade, com a função gerencial e de controle, implica transparência, auxilia a sistematização dos pro- cessos, melhorando de forma considerável a qualidade das ações do gestor esco- lar, que pode valorizar ainda o ambiente no qual está inserido. 2.3 FLUXO DE CAIXA O fl uxo de caixa é um instrumento que o gestor escolar utiliza para realizar um acompanhamento da situação fi nanceira de uma empresa, por meio de relatórios, obtidos a partir de dados e informações sobre toda a movimentação fi nanceira, ou seja, o dinheiro gasto ou recebido pela sua empresa em um certo período de tempo. Segundo o Sebrae (2011), o fl uxo de caixa é um instrumento de gestão fi nanceira que projeta para períodos futuros todas as entradas e as saídas de recursos fi nanceiros da empresa, indicando como será o saldo de caixa para o período projetado. 14 Gestão Financeira Escolar No cotidiano de uma instituição escolar, a organização fi nanceira é essencial. Para isso, o gestor conta com um instrumento básico de planejamento e controle fi nanceiro, denominado fl uxo de caixa. A fi nalidade na administração de caixa con- siste em fazer com que o investimento nesse ativo seja o quanto possível menor, sem prejudicar a efi ciência e a efi cácia das atividades da instituição escolar. Des- sa forma, estabelece os saldos apropriados de caixa e títulos negociáveis com o objetivo de reduzir o risco de inadimplência em um nível aceitável. Enquanto ferramenta, o fl uxo de caixa é responsável pela apuração do sal- do disponível. Quando se faz a projeção de um futuro próximo, tem-se sempre a preocupação de manter constantemente um capital de giro acessível, tanto para o custeio da operação da empresa (pagamento de funcionários, impostos e forne- cedores, entre outros), como para fazer investimentos em melhorias (aquisições e reformas, entre outros). Na administração de uma instituição escolar, o fl uxo de caixa torna-se uma ferramenta importante, que precisa registrar todos os: • recebimentos: vendas a prazo e à vista, em dinheiro, cheque, cartões, duplicatas entre outros. • pagamentos: pagamento de duplicatas, pagamento de despesas, entre outros. • previstos: pagamentos e recebimentos para o futuro, num período de pelo menos três meses. • benefícios: a elaboração do fl uxo de caixa permite ao administrador ou empresário ter uma visão fi nanceira do presente ou da projeção da em- presa no futuro. O controle de fl uxo de caixa é uma ferramenta relevante para uma boa gestão fi nanceira nas instituições de ensino, pois gerencia não só os valores, como também as datas de entrada e saída de dinheiro. Também é possível antecipar algumas decisões relevantes, tendo a fi nali- dade de evitar ou minimizar a ocorrência de difi culdades fi nanceiras futuras, tais como efetuar despesas sem comprometer o lucro, planejando investimentos, or- ganizando promoções para saída de estoque, avaliando a necessidade de solici- tar empréstimos ou negociando prazos com fornecedores, entre outros. 15 Princípios Básicos da Educação Financeira Capítulo 1 A estrutura do fl uxo de caixa está relacionada à natureza da instituição escolar. O produto esperado da realização do fl uxo de caixa consiste no saldo disponível (em dinheiro existente no caixa, aplicado ou depositado em conta corrente nos ban- cos, entre outros), isto é, corresponde à diferença entre o valor total recebido e os pagamentos feitos e contabilizados em um mesmo período. Dessa forma, podemos inferir que o saldo fi nal do fechamento de caixa deve corresponder ao valor total dos recursos disponíveis no caixa da empresa ou depositados em contas bancárias. De posse do fl uxo de caixa da instituição, o gestor ou o empresário tem a possibilidade de tomar decisões embasadas em dados reais. Cabe mencionar ainda que o saldo de caixa retrata um determinado momento. Dessa maneira, po- demos dizer que não corresponde necessariamente a uma confi rmação de que a empresa está tendo lucro ou prejuízo em suas atividades operacionais. Diversos fatores denominados eventuais ou sazonais podem exercer infl uên- cia no saldo correspondente, sendo primordial para uma compreensão mais deta- lhada realizar uma análise ao longo do tempo. De um modo geral, a observação de saldos diários elevados, tanto negativos quanto positivos, indicam a necessi- dade de promover melhorias na organização fi nanceira da empresa ou instituição. Saldo negativo normalmente sugere uma análise de custo das despesas, in- dicando a viabilidade de conseguir uma renegociação dos pagamentos aos forne- cedores, bem como outras decisões. Já o saldo positivo, sugere a possibilidade de fazer investimentos, visando a obter mais rendimentos. Na gestão fi nanceira de uma empresa, o fl uxo de caixa torna-se um instru- mento efi ciente para auxiliar na administração de uma empresa, proporcionando ao gestor alternativas de planejamento, organização, coordenação, direção e con- trole dos recursos fi nanceiros referente a um determinado espaço de tempo, exer- cendo assim uma infl uência positiva no processo de tomada de decisão pautada em seus objetivos a curto ou longo prazo. O fl uxo de caixa produz um relatório que fornece dados e informações atualiza- das, mostrando com transparência a verdadeira situação fi nanceira da empresa. E é imprescindível que o gestor fi nanceiro esteja preparado para os novos desafi os, não sobrando espaço para indecisão. Atualmente, devido à grande concorrência do mer- cado empresarial, exige-se das empresas efi ciência máxima na gestão fi nanceira de seus recursos, visto que as mudanças ocorrem de forma muito rápida, e muitas empresas acabam perdendo sua continuidade por falta de administração de caixa. Assim, mais uma vez, assinalamos que o fl uxo de caixa tem origem em da- dos reais, ou seja, nas entradas e saídas de dinheiro que já ocorreram dentro da empresa, sendo a estimativa das próximas saídas e entradas pautadas em 16 Gestão Financeira Escolar informações referentes ao passado e expectativas futuras. Além disso, uma boa projeção de fl uxo de caixa aponta de maneira precisa e objetiva se a empresa terá dinheiro em caixa para saldar seus compromissos fi nanceiros em um determinado período futuro ou se terá um excedente de caixa para fazer novos investimentos. A projeção caracteriza-se por uma análise minuciosa, precisa e efi ciente dos dados e informações que pertencem ao passado da empresa, facilitando a organi- zação das fi nanças de seu negócio. De posse dessa estimativa, o gestor consegue descobrir antecipadamente se será necessário realizar fi nanciamentos ou se terá so- bras de recurso, apontando as possíveis situações de risco ou falhas, bem como au- xiliando na tomada de medidas necessárias para evitar prejuízos e promover lucros. As instituições têm formas diferentes de organizar seu fl uxo de caixa para ob- ter as informações que sejam fundamentais ao seu desenvolvimento. Fato que in- depende das particularidades de análise de cada empreendimento. No entanto, é essencial que uma projeção de fl uxo de caixa leve em consideração (a) o saldo ini- cial em caixa, (b) as despesas fi xas e variáveis, (c) as entradas de receita, divididas em “previsão” e “realizadas”, e o intervalo de tempo dentre um recebimento e outro. Note que a observação de todos esses pontos deve ser organizada em uma tabela ou planilha, fornecendo ao gestor clareza a respeito de todas asde prefe- rência pessoalmente. 7.8.6 Gestão de tempo e efi ciência dos processos O tempo é um dos grandes recursos que precisam ser considerados para es- tabelecer prioridades e garantir o foco no cumprimento de tarefas. De acordo com pesquisas, os gestores escolares passam a maior parte de seu tempo imersos em 124 Gestão Financeira Escolar tarefas operacionais, enquanto “apagam incêndios” cotidianos. Já o planejamento a médio e longo prazo acabam sendo deixados para segundo plano, mesmo sa- bendo que este deveria ser o foco principal para os gestores. Dessa forma, estabelecer lista de prioridades, funções bem delimitadas en- tre os colaboradores e ainda desenhar processos assim como maneiras de au- tomatizá-los no dia a dia, faz parte de uma gestão de tempo efi ciente. Isso será um exercício constante em favor do aumento da produtividade, garantindo assim maior previsibilidade de desafi os e potenciais. 7.8.7 Visão 360° Todos os pilares têm igual importância e devem ser integrados à gestão geral da escola. Apesar de alguns estarem mais relacionados entre si, como gestão administrativa e fi nanceira ou então gestão de recursos humanos e comunicação, todos eles se afetam entre si, podendo gerar reações em cadeia tanto positivas, quanto negativas, dependendo do direcionamento de cada trabalho. Os bons gestores são aqueles capazes de desenvolver esta visão 360°, apren- dendo a desmembrar os pilares como um método para defi nir metas e medir resul- tados separadamente, atuando em cada setor com mais clareza e objetividade. Partindo para as métricas fi nanceiras ligadas às cobranças e ao cumprimen- to das obrigações, é hora de avaliar a taxa de inadimplência. Entender o volume de mensalidades atrasadas é essencial para fazer um provisionamento fi nanceiro, a fi m de criar campanhas de cobrança e evitar o crescimento do problema. O cálculo, entretanto, não é dado pelo número de alunos, mas pela perda de receita. O truque é dividir o custo das mensalidades atrasadas pelo valor que deveria ser obtido. Imagine uma escola com 150 estudantes e uma cobrança média de R$700,00. O total a ser recebido seria de R$ 105 mil. No entanto, há R$ 3 mil atrasados. Então, o índice de inadimplência é de 2,85%. Quanto maior for a taxa, pior é para a instituição. 125 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 7.9. TOTAL DE DESCONTOS Para completar, é indispensável entender qual é o impacto de possíveis descontos na operação da empresa. É o caso de identifi car qual é o volume de receita concedido na forma de bolsas de estudo. Também é preciso reconhecer o total dos descontos para mensalidades atrasadas e para acordos feitos com os responsáveis. Pense em uma escola que tem como ponto de equilíbrio o valor de R$ 50 mil. De acordo com o número de alunos, o faturamento seria de R$ 60 mil em determina- do mês. Se o total de descontos fi car acima de R$ 10 mil, há prejuízos para a ope- ração e a manutenção das atividades. Então, vale a pena fi car atento a esse ponto. Além de acompanhar esses elementos, também é fundamental que o proces- so seja feito da maneira ideal. Buscar meios práticos, como ao usar um software de gestão, é muito melhor que adotar planilhas de Excel. Afi nal, com a tecnologia e a automação, fi ca mais fácil visualizar as informações e tomar boas decisões. Com o uso das métricas fi nanceiras adequadas, a sua escolha tem uma ges- tão otimizada e maior saúde quanto aos recursos. Então, não deixe de usar esses elementos ao longo do seu gerenciamento. Reduzir os custos da escola é uma preocupação da gestão escolar para melhorar as fi nanças da instituição e utilizar de modo mais assertivo os recur- sos disponíveis, sem prejudicar a qualidade do serviço prestado. Principalmente em tempos de crise, como o enfrentamento da pandemia de Covid-19, torna-se ainda mais necessário realizar planos de ação para que a instituição consiga se manter funcionando. O fechamento das escolas, devido ao isolamento social, prejudicou a rentabi- lidade de muitas instituições, mas é preciso fazer uma análise mais precisa sobre os impactos fi nanceiros que isso desencadeou. Nem sempre a melhor maneira de economizar será demitir funcionários ou cortar serviços, pois tais cortes podem prejudicar a qualidade do trabalho. Para saber diferenciar entre um profi ssional que tem a visão 360º, assista ao vídeo: . 126 Gestão Financeira Escolar A gestão fi nanceira é um dos pilares da gestão escolar, portanto deve ter como foco o que é melhor para os alunos, visto que a atividade-fi m da escola é a qualidade do processo de ensino e aprendizagem. Ela é um desdobramento da gestão administrativa, essencial para garantir a sustentabilidade da instituição de ensino a longo prazo, gerando retorno fi nanceiro e abrindo possibilidades de expansão para a escola. Nesse sentido, é preciso realizar um planejamento, traçar metas e estraté- gias para reduzir os custos da escola de forma efi ciente e assertiva, para não pre- judicar a qualidade do serviço prestado e comprometer seu crescimento. A seguir, apontamos alguns pontos a se considerar no processo. 7.9.1. Planejamento e controle orçamentário Deve-se relatar todos os custos da instituição e analisar se são realmente necessários, pensar em possíveis imprevistos, detalhar as receitas e as despesas para identifi car se são condizentes, entre outros. Alguns pontos importantes para planejar e controlar o orçamento são: • renda mensal média da escola: estimar o valor da renda mensal média e multiplicar por 12, para obter o rendimento anual; • custos fi xos e variáveis: listar as despesas fi xas mensais e as variáveis ou eventuais – multiplique por 12, para obter uma média anual; • fundo de emergência: fazer uma estimativa dos gastos que podem surgir ao longo do ano, como o aumento do aluguel, a manutenção de equipa- mentos ou a contratação de algum serviço terceirizado; • acompanhar o planejamento: analisar e comparar a renda mensal e as despesas para mensurar o lucro obtido em cada mês e por ano, cuidan- do para haver coerência entre esses indicadores. 7.9.2. Economizar água para reduzir os custos da escola Reduzir os custos da escola, economizando água, pode parecer não fazer muita diferença, mas faz, pois a redução deve começar pelo básico. Recomenda- -se verifi car possíveis vazamentos, optar por torneiras automáticas, captar água da chuva, entre outros. 127 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 Além disso, economizar água é promover na prática a sustentabilidade e o cuidado com o meio ambiente na escola, levando à conscientização de alunos e colaboradores de que poupar esse recurso é cuidar da natureza e do planeta. 7.9.3 Utilizar a energia elétrica com consciência Reduzir os custos com a energia elétrica também faz diferença no orçamento da escola, ao mesmo tempo que conscientiza a comunidade escolar a utilizar de for- ma sustentável os recursos naturais e ensina sobre educação fi nanceira aos alunos. Fazer campanhas internas para apagar as luzes quando não estiverem em uso, utilizar lâmpadas de LED, optar por atividades ao ar livre, quando possível, manter portas e janelas fechadas quando o ar-condicionado estiver ligado, entre outros, são atitudes que contribuem para a redução de gastos. 7.9.4. Reduzir o uso de papel para reduzir os custos da escola O volume de papel utilizado pelas escolas é bastante expressivo, além de gerar um alto custo e prejudicar o meio ambiente. Pensando nisso, reduzir seu uso é fundamental para economizar. É possível adotar medidas alternativas, como atividades entregues via e-mail, utilizar materiais digitais, realizar avaliações on-line, encaminhar informativos por SMS, agenda eletrônica, entre outros. 7.9.5 Negociar com os fornecedores Ao comprar produtos ou contratar serviços necessários para a infraestrutura escolar, pesquise os preços e opte pelo melhor custo-benefício,procure por pro- moções ou compras no atacado, bem como ter mais de um fornecedor, dispor de mais opções facilita encontrar melhores preços. Além disso, economizar nas com- pras ajuda a melhorar a margem de lucro da escola. Portanto, faça orçamentos e analise detalhadamente antes de adquirir qualquer produto ou serviço. 128 Gestão Financeira Escolar 7.9.6 Tecnologia educacional para reduzir os custos da escola A tecnologia educacional está a nosso serviço e devemos nos benefi ciar dela! Um software voltado à administração fi nanceira pode ajudar muito na aná- lise e no planejamento dos custos. Essa ferramenta pode ajudar a organizar e monitorar os gastos e os ganhos, auxiliando no planejamento e na elaboração de estratégias para otimizar o orçamento da escola e utilizar de maneira mais asser- tiva os recursos disponíveis. Além disso, a tecnologia educacional ajuda a automatizar diversos serviços da gestão escolar e oferece um ensino remoto de qualidade, fi delizando os clientes em situações como a pandemia, por exemplo. Captação de alunos: como o sistema de ensino pode contribuir para sua estratégia? Como captar alunos usando a tecnolo- gia a favor da sua escola? Quais são os benefícios do sistema de ensino? 7.9.7 Evitar a inadimplência para reduzir os custos da escola A mensalidade da escola é um custo que pode ter o pagamento atrasado pelos responsáveis, pois a lei não permite que o serviço seja suspenso em virtude da inadimplência escolar. Diante disso, é importante realizar a cobrança de maneira assertiva, por meio de ações resolutivas, como oferecer várias opções de pagamento e comunicar o vencimento da fatura em diversos formatos e canais de comunicação. Negociar mensalidade com os pais: como entrar em acordo? Como captar alunos no cenário da pandemia? Evasão escolar: como prevenir e reduzir a saída dos alunos? 7.9.8 Tenha uma estratégia de cobrança É possível estabelecer que o pagamento das mensalidades será na própria escola, o que evita gastos com tarifas bancárias. Caso opte pelo uso de boletos, emita-os somente aos pais que tenham essa preferência. 129 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 Para economizar com os boletos, agrupe todos os serviços em um mesmo documento, o que também vale para a cobrança de mensalidades de alunos da mesma família em uma única guia de pagamento. 7.9.9 Evite o desperdício para reduzir os custos da escola Uma ótima maneira de reduzir os custos da escola é não desperdiçar! Isso envolve tanto os recursos quanto o tempo. Utilizar de maneira adequada os mate- riais faz com que durem mais e evite novas compras. Ser mais produtivo com o tempo também ajuda a economizar. Por exemplo: evitar intervalos de tempo entre as aulas de um professor, visto que as horas à disposição da escola devem ser remuneradas. 7.9.10 Engaje a equipe para reduzir os custos da escola Manter os colaboradores engajados e satisfeitos com a escola pode ajudar a economizar, pois isso evite que peçam demissão ou precisem ser demitidos por fal- ta de produtividade, o que geraria muitos custos para a instituição com a rescisão. Além disso, contratar novos colaboradores demanda treinamento e tempo, o que também implica muitos gastos e atrasos na produtividade e no serviço entre- gue, o que pode gerar insatisfação nos clientes. 7.9.11 Ligações telefônicas A escola tem um fl uxo de comunicação bastante intensa, precisa se comuni- car frequentemente com as famílias, com os fornecedores, com os colaboradores, com o seu sistema de ensino, entre outros. Em lugar de utilizar ligações telefônicas, que podem somar um valor expres- sivo nos gastos, a instituição pode optar por ferramentas digitais de comunicação, pois a maioria é gratuita. Vale lembrar que é importante manter o contato telefôni- co se necessário. 130 Gestão Financeira Escolar 7.9.12 Controle de ponto dos colaboradores Se a gestão de recursos humanos da escola não tiver um controle das horas trabalhadas de seus colaboradores, podem surgir problemas com horas extras não previstas ou processos jurídicos trabalhistas, por exemplo. Para tanto, é importante ter um sistema de ponto adequado, para garantir os direitos trabalhistas e para que a instituição tenha uma melhor gestão dos funcio- nários e acompanhe os custos com os salários. 7.9.13 Marketing digital para reduzir os custos da escola Divulgar a escola na internet pode ser uma maneira de reduzir gastos com campanhas publicitárias, por meio de redes sociais, site e blog. Além disso, apro- xima a instituição dos clientes, o que promove a fi delização. Com o uso adequado das redes sociais, as instituições de ensino podem se conectar com o público de forma próxima e frequente. Essa é uma maneira de manter a comunicação com os atuais matriculados e seus familiares, bem como de captar novos alunos. 7.9.14 Marketing educacional para reduzir os custos da escola O marketing educacional é um importante aliado para a manutenção da saúde fi nanceira da instituição, pois é uma forma de valorizar e divulgar o que a escola tem de melhor. Desse modo, é possível atrair novos alunos e manter os estudantes vigentes matriculados, evitando a evasão escolar, o que prejudica o orçamento da instituição e faz com que seja necessário reduzir ainda mais os custos. Para o bom funcionamento da escola, além de contar com uma boa infraes- trutura e um ensino de qualidade, é preciso mostrar esses atributos. Ter um bom sistema de ensino, por exemplo, é uma ótima maneira de divulgá-la, pois oferece soluções educacionais para tornar sua escola um referencial. 131 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 As estratégias pensadas pelo marketing educacional podem ajudar sua es- cola de diversas maneiras: na captação de alunos, na divulgação e no alcance dos eventos da instituição, no fortalecimento da marca, entre outros. 7.9.15 Focar em aumentar a rentabilidade da escola Além de reduzir os custos, é importante buscar aumentar a rentabilidade da escola. As duas tarefas devem andar juntas, pois o gestor escolar precisa tra- balhar com um planejamento fi nanceiro que inclua estratégias de otimização de recursos para aumentar a rentabilidade, possibilitando o desenvolvimento e a ex- pansão da instituição. Ao passo que os custos sejam reduzidos, é possível investir em melhorias para aumentar o rendimento fi nanceiro, como a adoção de tecnologias relevantes e inovadoras, formação dos professores, um sistema de ensino de qualidade, ma- teriais atualizados, entre outros. Assim, podemos assinalar que dar atenção aos aspectos econômicos da uma instituição de ensino é uma das chaves para atingir o êxito no mercado edu- cacional. Afi nal, apenas acompanhando as fi nanças da escola é possível ter saú- de fi nanceira sem comprometer as reservas da instituição. Nesse sentido, são as métricas fi nanceiras que vão servir como baliza para nos certifi carmos de que está tudo bem com o caixa da escola: elas servem para analisarmos as movimentações de muitos modos. Avaliando continuamente as métricas e comparando dados, é possível identifi car as questões que exigem mais cuidados, entender em quais áreas estão os maiores gastos e compreender onde estão as oportunidades para crescimento ou aprimoramento. 7.10 CHURN – OU TAXA DE CANCELAMENTO DE MATRÍCULAS O churn, também chamado de taxa de cancelamento, é um problema para qualquer administrador e, se não combatido, pode ser fatal para sua instituição. Não vamos entrar em detalhes a respeito das particularidades a respeito de cada tipo de escola, mas você deve saber que o churn deve ser analisado de maneira diferente para escolas ou para cursos livres. 132 Gestão Financeira Escolar No caso de escolas, não se deve considerar apenas as matrículas que foram canceladas, mas também aqueles que não voltam para o próximo ano letivo. Afi - nal de contas, esse aluno também é um cliente que não foi mantido. Paracalcular o churn, é necessário saber a quantidade de alunos/clientes do período a ser analisado (considerando ativos e cancelamentos) e daqueles que aban- donaram a instituição. Para saber se sua taxa de cancelamento está abaixo, acima ou dentro da média, busque as médias do mercado, em especial da sua região. Com esses dados em mãos, divida a quantia de alunos que abandonaram a instituição sobre o número total que iniciou o período considerado, e depois multipli- que por 100 para obter a porcentagem. Por exemplo, se sua escola tinha 1.000 alu- nos no começo do ano e perdeu 120 ao longo do período letivo, a conta fi ca assim: (120/1000) x 100 = 0,12 x 100 = 12% Em outras palavras, sua taxa de churn é de 15%. 7.10.1 Crescimento real da receita O crescimento real da receita exige que você calcule primeiro alguns indica- dores que nem sempre estão estáveis, como a margem de lucro. Em geral, esse índice é avaliado anualmente, mas isso pode mudar de acordo com a realidade da sua empresa. A partir da receita, analisa-se qual foi o real crescimento da instituição. As- sim, você pode observar se a escola está evoluindo, segundo o que foi planejado, e fazer previsões mais corretas para os períodos posteriores. Entretanto, atente para não confundir esse indicador com o lucro; o que os difere é que o cresci- mento real da receita está relacionado a tudo que é proveniente da prestação de serviços ou das vendas. 7.10.2 Custo de aquisição por cliente (CAC) Para manter seu negócio sustentável, é fundamental que você consiga atrair novos clientes. Para isso, você pode usar ferramentas de comunicação e marke- 133 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 ting, que mudarão conforme sua audiência. Entretanto, você precisa saber ao cer- to quanto gasta para conseguir esses novos clientes. Para calcular isso, divide-se os valores dos investimentos para atrair os clien- tes pela quantidade de alunos obtidos em certo período. Se o número fi nal for muito alto, provavelmente é necessário aumentar a margem de lucro. Digamos que você gastou R$50.000,00 (entre ações de comunicação e marketing, paga- mento de profi ssionais da área etc.) para atrair 150 alunos, que se mantiveram durante seu ano letivo. A equação fi ca: Investimento total/quantidade de alunos → 50.000/150 = R$333,33 Assim, o custo para adquirir cada aluno é de R$333,33. Vale a pena procurar os valores do seu mercado para saber se está dentro da média ou não. 7.10.3 Custo de serviço prestado Custo de serviço prestado compreende os gastos contabilizados com pro- fi ssionais da escola, tecnologias usadas, matérias-primas, além de gastos com aluguel, despesas de equipamentos, energia elétrica, entre outros. Não existe uma equação única para calcular o custo de serviço prestado, vis- to que esse custo pode variar bastante de mercado para mercado e de empresa para empresa. De qualquer modo, é indicado que você some os valores gastados e compare com os do seu mercado. 7.10.4 Índice de liquidez Esse é um índice contábil que vai além de apenas um índice fi nanceiro; é a relação daquilo que se tem a pagar no curto prazo com aquilo que se tem a rece- ber em curto prazo ou que já se tem em caixa. Essa relação deve ser igual a 1. A equação seria assim: a receber ou em caixa / a pagar = 1 Se esse índice for menor do que 1 (ou seja, se você estiver recebendo me- nos do que está pagando), sua escola está com uma saúde fi nanceira comprome- tida. Por outro lado, quanto maior esse índice for, melhor gestão fi nanceira escolar em curto prazo você terá. 134 Gestão Financeira Escolar 7.10.5 Lifetime value (LTV) O termo signifi ca o valor do tempo de vida do seu cliente. De fato, essa é uma mé- trica que você só vai saber individualmente quando seu aluno/cliente abandonar a insti- tuição, seja por mudar de escola ou por encerrar sua jornada acadêmica na instituição. Por exemplo: se um aluno entra na escola no começo do Ensino Fundamen- tal e vai até o fi m do Ensino Médio, fi cou 12 anos na instituição, ou seja, durante esses anos, ele gerou receita para a empresa. Ter um grande LTV é importante, pois isso signifi ca que você está conseguindo manter os alunos e consequente- mente obtendo mais renda de cada um deles. O cálculo do LTV é feito em algumas etapas. Primeiro, você calcula o valor pago anualmente, multiplicando a mensalidade por 12 meses. Após isso, você encontra a média de lucro por aluno, subtraindo do valor pago anualmente as des- pesas operacionais. Depois, você encontra o tempo médio de permanência dos alunos, o LT, que é encontrado dividido 1 pelo churn. Por fi m, você calcula o LTV, multiplicando o LT pela média de lucro por aluno. Exemplo: Passo 1 mensalidade média = R$500,00 valor anual = R$500,00 x 12 = R$6.000,00 Passo 2 despesas operacionais = R$3.000,00 média de lucro por aluno = R$6.000,00 – R$3.000,00 = R$3.000,00 Passo 3 churn = 12% LT = 1/12% = 1/0,12 = 8,33 anos Passo 4 LTV = 8,33 x R$3.000,00 LTV = R$25.000,00 7.10.6 Net Promoter Score (NPS): um termômetro para a taxa de retenção de alunos O NPS é uma métrica criada para mensurar o grau de lealdade dos consumi- dores de qualquer tipo de empresa. Em uma instituição, o NPS deve medir o grau de satisfação de pais. Em geral, é obtido por meio de uma pesquisa realizada com os clientes em que se faz a seguinte pergunta (com variações conforme o 135 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 segmento da empresa): em uma escala de 0 a 10, o quanto você recomendaria a escola X para um amigo ou colega? Nessa escala de 0 a 10, os clientes são clas- sifi cados nos seguintes grupos: • notas de 0 a 6 – detratores – clientes não satisfeitos e que tendem a le- var esta insatisfação adiante, contribuindo para uma piora na percepção da marca da sua escola. • notas de 7 a 8 – neutros – são aqueles pais que têm alunos na escola, mas não são leais e nem entusiastas da instituição. Não se pode dizer com certeza que seus fi lhos continuarão no estabelecimento de ensino no ano que vem. • Notas de 9 a 10 – promotores – tipo de pai que realmente ama a sua escola. São participativos e vão ajudar no crescimento da sua instituição. Para saber o NPS, você deve realizar uma subtração entre o percentual de promotores e detratores. Em geral, as empresas são classifi cadas em quatro zo- nas, de acordo com sua nota no NPS: • zona de excelência – NPS entre 76 e 100; • zona de qualidade – NPS entre 51 e 75; • zona de aperfeiçoamento – NPS entre 1 e 50; • zona crítica – NPS entre -100 e 0. A escola pode usar o aplicativo da Escola em Movimento, uma dica é usar o recurso de enquetes para criar questionários NPS e entender como as famílias avaliam sua instituição de ensino. Sem o app, outra possibilidade é usar o Google Forms ou o Survey Monkeys para criar os formulários. 7.10.7 Receita mensal recorrente (MRR) Em geral, as instituições de ensino são empresas que recebem de forma re- corrente mensalidades e, por isso, é possível calcular a receita mensal recorrente (MRR). O cálculo é simples, bastando somar o que foi recebido a cada mês. Os valores pagos, como compras de uniformes, material didático e taxas de adesão não entram nessa conta. Veja um exemplo: • número de alunos do primeiro ano = 200 • número de alunos do segundo ano = 120 • número de alunos do terceiro ano = 80 • mensalidade primeiro ano = R$ 500 • mensalidade primeiro ano = R$ 600 136 Gestão Financeira Escolar • mensalidade primeiro ano = R$ 800 MRR = (200 x 500) + (120 x 600) + (80 x 800) = 100.000 + 72.000 + 64.000 = R$236.000,00 7.10.8. Retorno sobre investimento (ROI) O ROI é um indicador que mensura quanto de receita houve de acordo com determinado investimento. Essa métrica vai indicar se seus esforços estão dando resultados segundo aquilo que foi planejado. A conta é a seguinte: o ROI é o resul- tado da receita menos o custo dividido por esse mesmo custo total. A fórmula fi ca: ROI = (receita – custo)/custoSe, por exemplo, você tiver uma receita anual de R$2.000.000,00, e os cus- tos forem de R$1.000.000,00, o cálculo será: ROI = (2.000.000 – 1.000.000)/1.000.000 = 1.000.000/1.000.000 = 1 Neste exemplo, o ROI foi o dobro do investimento inicial. Para calculá-lo como porcentagem, basta multiplicar por 100. Neste caso, o retorno foi de 100%. 7.10.9 Taxa de inadimplência Esse é um índice fi nanceiro ligado às cobranças e ao cumprimento de obri- gações e, portanto, é fundamental realizar um provisionamento fi nanceiro e criar campanhas de cobrança para evitar que o problema se agrave. A conta é feita com base não pela quantidade de alunos, mas pela receita que se perde com a inadimplência. Essencialmente, deve-se dividir o custo das mensalidades atrasadas pelo valor que deveria ser obtido. Por exemplo, considere uma instituição com 600 alunos que cobra uma men- salidade de R$500,00. O total a receber é R$300.000,00. Contudo, há R$9.000,00 em atraso. Assim, a taxa será: Taxa de inadimplência = 9000/300.000 = 0,03 = 3%. Obviamente, quanto maior a taxa, pior é a saúde fi nanceira da escola. 137 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 7.10.10 Taxa de ocupação A Taxa de ocupação diz respeito à quantidade mínima de alunos necessária para que a manutenção de uma turma ou curso seja fi nanceiramente sustentável. Esse índice é especialmente importante para que você não termine pagando para ter estudantes em algumas turmas e cursos. Para calculá-lo, é preciso analisar o custo total do curso ou turma – manuten- ção, materiais, professores, entre outros – e dividir esse valor pela mensalidade média cobrada. Por exemplo: Número mínimo de alunos por turma = custo total da turma / mensalidade da turma, ou seja, a turma precisa de pelo menos 20 alunos para se pagar, ou seja 10.000 / 500 = 20. 7.10.11 Ticket médio Por fi m, a última métrica da qual vamos falar é o ticket médio, que indica o valor médio que um aluno paga à sua instituição. Com esse indicador, você sabe- rá se sua precifi cação está de acordo com os gastos da escola ou não. A maneira de calcular é somar o MRR às atividades e serviços extras, como dança, esportes e idiomas, e dividir pela quantidade de matrículas pagantes. Ticket médio = (MRR + atividades e serviços extras) / número de matrículas Então, se uma instituição tem 400 matrículas pagantes, MRR de R$200.000,00 e R$20.000,00 de serviços extras, o ticket médio seria: Ticket médio = (200.000 + 20.000) / 400 = R$550,00 7.10.12 Métricas fi nanceiras e automação de documentos Contar com métricas fi nanceiras como a única justifi cativa para a automação é míope e autodestrutivo. Explicando, muito tem sido abordado sobre o retorno sobre o investimento fi nanceiro dedicado a projetos de automação de documen- tos, incluindo muitos cálculos para medir isso, entretanto a narrativa não está fal- tando com o verdadeiro valor da automação? 138 Gestão Financeira Escolar Os benefícios fi nanceiros são um elemento importante dos critérios de su- cesso – os responsáveis por manejar o orçamento exigirão algum tipo de métrica fi nanceira para justifi car seus gastos. Isso é relativamente fácil para uma organi- zação comercial, quando a economia de tempo no custo de produção de docu- mentos signifi ca que os ciclos de vendas podem ser reduzidos e os departamen- tos jurídicos ocupados podem oferecer autoatendimento à empresa. Para os escritórios de advocacia, entretanto, reduzir o custo de produção nem sempre é uma meta tão direta, já que o faturamento por hora ainda está no cen- tro da operação da maioria dos escritórios de advocacia tradicionais e, portanto, a economia de custos não se traduz necessariamente em ganhos fi nanceiros. Nesse sentido, a menos que um modelo de faturamento alternativo seja usado para tran- sações, ou existem obstáculos signifi cativos que afetam as taxas de recuperação, uma justifi cativa puramente fi nanceira para automação pode ser complicada. Embora seja complicado, a efi ciência no uso do tempo é um bom lugar para começar, e tudo começa com economia de tempo. O cálculo básico é centrado no tempo economizado na geração de um contrato automatizado versus uma versão manual do mesmo contrato, multiplicado pelo número de contratos criados em um mês ou ano: (tempo para rascunho manual – tempo para rascunho automatizado) x n° de contratos por mês. Alguns cálculos vão além e levam em consideração o investimento necessá- rio para automatizar: [(tempo para rascunho manual – tempo para rascunho automatizado) x n° de contratos por ano] – tempo gasto na automação Em seguida, inclua fatores adicionais na tentativa de transformar a economia de tempo em benefícios fi nanceiros: • custo do redator (considere que redatores de custo mais baixo podem ser usados após a automação); • taxas de licença amortizadas da plataforma de automação (com o bônus do custo da licença distribuída, diminuindo com cada template adicional); • receita adicional (usando o tempo economizado para aplicar em uma su- posta atividade potencial que gerará receita adicional). No fi nal de tudo, isso se traduz na modelagem de um processo complexo em que os pontos de informação podem e estão mudando constantemente – vários redatores de valores diferentes tocarão um documento, os custos de licença e os 139 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 números dos modelos mudam, novas oportunidades de receitas também não são consistentes. Portanto, embora a redução do custo de produção seja uma linha clara, a tradução para maior lucratividade não é. Sempre vale a pena um certo grau de modelagem. Contudo, na realidade, a importância disso não é a exatidão, mas encontrar uma medida ampla do valor de um projeto que se alinhe aos seus objetivos. Economizar tempo deve ser uma meta do projeto. Entretanto, a empresa que aproveita esse tempo economizado para gerar receita não é uma métrica tão simples de medir. Quais são os outros benefícios, “mais suaves” e como podemos medi-los? Além das equações de tempo/custo/receita, há uma ampla gama de benefícios para a or- ganização e seus colaboradores provenientes da automação. Esses, embora tradicio- nalmente considerados benefícios “mais suaves”, são mensuráveis e tangíveis. 7.10.13 Qualidade e consistência Em comparação àqueles documentos produzidos por rascunho manual, um dos benefícios mais atraentes da automação é a melhoria da qualidade e con- sistência dos documentos criados a partir de conteúdo automatizado. O conteú- do automatizado sempre tem o mesmo ponto de partida básico (não é como na elaboração manual, quando é comum uma elaboração a partir de um contrato semelhante ao anterior considerado melhor na negociação). Isso pode ter um im- pacto enorme na redução de riscos e garantir que seus documentos tenham uma linguagem correta, completa e atualizada. Avalie métricas: uma maneira fácil de medir o impacto que isso tem em seus documentos é observar o número de inconsistências encontradas em formulários manuais ao automatizá-los. Ao removê-los no contrato automatizado, signifi ca que essas inconsistências serão removidas de todos os documentos daqui para frente. 7.10.14 Manutenção de precedentes reduzida Todos os precedentes da automação precisarão de alguma forma de ma- nutenção – seja aderindo aos regulamentos mais recentes ou mudanças na lei ou decreto. Para certos tipos de documentos, em que muitas versões podem ser consolidadas, há ganhos a serem obtidos, mantendo um conjunto menor de pre- 140 Gestão Financeira Escolar cedentes automatizados. Manter uma variedade de precedentes e pilotos varia- dos pode, na verdade, ser signifi cativamente mais trabalhoso do que manter um modelo combinado. Avalie métricas: pode ser possível comparar o tempo gasto na manutenção de precedentes (por exemplo, usando dados históricos de seu sistema de registro de horas) em comparação à manutenção de documentos automatizados. 7.10.15Maior satisfação no trabalho Neste momento, o setor jurídico, com muitos outros setores, está sendo afe- tado pela grande resignação no mercado de trabalho, uma nova tendência mun- dial que afl orou no último ano com a pandemia do Covid-19. Poucos são os advogados que escolheram a carreira por causa de um amor profundamente enraizado na preparação dos rascunhos de contratos. Reduzir os elementos mundanos da vida profi ssional dos advogados, na prática, os torna mais felizes e mais engajados, ajuda a atrair os melhores talentos para a empresa e aumenta a produtividade por meio do tempo gasto em atividades de maior valor. 7.10.16 Avalie métricas Considere pesquisar com os advogados para produzir métricas quantifi cá- veis antes e depois do projeto. Considere um mix de perguntas gerais – quais são os seus elementos menos/mais favoritos da função? Níveis gerais e mais especí- fi cos de satisfação no trabalho – você gasta muito tempo elaborando rascunhos de contratos/documentos? Onde você mais gostaria de ver a tecnologia oferecer benefícios de qualidade para sua a vida? 7.10.17 Retenção / aquisição de clientes Os clientes querem cada vez mais dedicação ao tempo de entrega e mais transparência no que está pagando. A automação pode ajudar a fortalecer em ambos os pontos. À medida que a automação se prolifera, está se tornando mais comum para os clientes exigir seu uso no trabalho e mais difícil para as empresas justifi car motivos para os clientes pagarem pelo rascunho manual dos documen- 141 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 tos. Usar processos de automação e fl uxo de trabalho para resolver problemas específi cos do cliente também pode ajudar a incorporar um escritório de advoca- cia às atividades diárias do cliente. Mantenha um registro de todas as vezes que os clientes solicitarem informações sobre os recursos de automação durante um processo de pitch. Quando o argumento de venda e a automação estiverem na proposta, pergunte aos clientes sobre o im- pacto que isso causou. Para o faturamento, verifi que se você reduziu os rascunhos usando automação ou se há menos desafi os nas revisões de faturamento. Ouvimos falar de muitas ocasiões em que a automação ajudou a oportunizar diferentes tipos de negociação para a empresa – seja de um cliente que normal- mente buscaria o serviço específi co (de valor inferior) em outro lugar ou alguém que deseja incluir documentos padrão auxiliares para a negociação em que não há muita margem para a empresa produzi-los manualmente. Uma vez automatiza- dos, os documentos podem ser cobrados com base em uma taxa fi xa, o que signi- fi ca que, uma vez que o tempo de automação seja quantifi cado e pago, quaisquer negociações futuras terão um alto retorno sobre o investimento na automação. Mantenha um registro de documentos específi cos do cliente que são auto- matizados para transações que normalmente não são feitas para a empresa. Co- brar com base em uma taxa fi xa signifi ca que os ganhos fi nanceiros serão facil- mente calculáveis. Use os cálculos de economia de tempo para avaliar se novos tipos de trabalho poderiam ser realizados agora, uma vez que anteriormente eram considerados não lucrativos. O casamento desses vários fatores apresentados não é simples, pois abran- gem uma variedade de medidas que vão desde o esforço de manutenção até o estado emocional. Alguns optam por não os medir de forma holística. Em vez dis- so, aceitando o valor geral da automação, eles visam a pontos específi cos que se alinham à estratégia mais ampla da organização, tais como: • foco no funcionário: visar a áreas com alta rotatividade ou baixa satisfa- ção, usando a automação para melhorar o modelo operacional geral; • foco na expansão: usando automação em uma área transacional para impulsionar a competitividade e capacidade, ou atrair novos clientes; • foco no cliente: entrega de automação que dá suporte a um ou mais clientes- -chave para melhorar o relacionamento e a retenção por meio da inovação. Outros procuram construir uma visão justifi cando os projetos de automação com base em scores compostos, ao invés de se basearem apenas na economia de tempo. Este método atribui valores aos vários componentes baseados sobre o quanto a empresa valoriza os diferentes benefícios da automação. 142 Gestão Financeira Escolar ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Em resumo, a automação tem comprovado benefícios para muitas empresas e departamentos jurídicos corporativos, e seu crescimento contínuo e a prolifera- ção de ferramentas de automação no mercado são uma prova disso. É equivocado, contudo, pensar que os benefícios fi nanceiros são a única ra- zão por trás disso: a automação permite que as organizações entreguem melhor e mais rápido, criando melhorias na qualidade de vida dos advogados e colabo- radores que os utilizam. Os benefícios da automação, que não são baseados em tempo/custo, são igualmente mensuráveis, mas um pouco mais de criatividade, bem como humanidade, é necessário na forma como os medimos. Os indicadores fi nanceiros são métricos que usamos para entendermos mais sobre algo. Quando falamos de empresas, os indicadores fi nanceiros ajudam a entender se ela está saudável, se o desempenho de uma determinada área está dentro do esperado ou se algo precisa de ajuste, contribuindo ainda para o incre- mento no processo de vendas do seu negócio. O faturamento de uma empresa é um dos principais indicadores fi nanceiros a ser observado, porque o acompanhamento do valor total das vendas pode ajudar na identifi cação de problemas pontuais, além de auxiliar na execução de estraté- gias de crescimento. O acompanhamento do faturamento bruto é particularmente especial, quan- do cruzamos com números projetados no orçamento empresarial. Através desse indicador, será possível checar se os objetivos de vendas foram alcançados ou se fi caram além do orçado, facilitando a compreensão de possíveis diferenças entre as vendas realizadas e as orçadas. O índice de lucratividade pode ser um dos principais indicadores de desem- penho fi nanceiro, que mostra ao empresário se a lucratividade está próxima da- quilo que foi planejado ou se há algum tipo de desvio. Se a lucratividade estiver abaixo do esperado, é possível planejar e tomar decisões importantes, como negociar vencimento de faturas, tomar empréstimos, aumentar o faturamento, avaliar investimentos em pessoal e máquinas ou até mesmo fazer aplicações do dinheiro. 143 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 Nessa perspectiva, a construção de métricas e indicadores darão ao gestor uma visão mais realista da instituição, permitindo uma análise fi nanceira pautada em dados seguros e confi áveis. Logo, aplicando as métricas, é possível criar es- tratégias de aprimoramento para gestão fi nanceira, melhorando o desempenho da escola e tornando-a mais sustentável. Outro ponto importante é a coleta e o armazenamento dos dados, que po- dem ser feitos de maneira adequada à instituição, porém devem ser seguros e confi áveis. As tomadas de decisões serão pautadas sobre essas informações. As reconhecidas limitações inerentes à adoção da técnica do ponto de equi- líbrio, para as quais algumas alternativas têm sido apresentadas como propostas de solução parcial, podem ser aperfeiçoadas com enunciações teóricas e práti- cas, como é o caso deste estudo, principalmente quando se tratar de investimen- tos em inovações. Com referência ao ponto de equilíbrio fi nanceiro, nas situações em que se objetiva a obtenção de uma determinada sobra fi nanceira, fi cou evi- dente que é possível fazer projeções mais precisas, mediante a consideração dos encargos do imposto de renda. É interessante notar que a inclusão do imposto de renda tem sido objeto de apreciação por estudiosos do assunto, apesar de não frequente, e apenas no âmbito do ponto de equilíbrio econômico, como o apre- sentado por Hansen e Mowen (2001, p. 595-596). Entretanto, o impostode renda não se observa quando o assunto tratado é o ponto de equilíbrio fi nanceiro, porque o ponto de equilíbrio signifi ca lucro zero, e so- bre o lucro zero não incide imposto de renda. A proposta aqui é que, sempre que se deseja um resultado-alvo específi co, pode-se considerá-lo na demonstração do re- sultado, algébrica ou grafi camente, isso traz clareza à interpretação da ferramenta ponto de equilíbrio e informa a gestão com detalhes importantes para a tomada de decisão, operacional e principalmente fi nanceira, evitando que decisões subótimas sejam tomadas, notadamente com relação a investimentos em inovações. 144 Gestão Financeira Escolar 1) Existe uma série de métricas que devem ser acompanhadas na gestão escolar, e algumas das principais são as fi nanceiras. É muito importante que os gestores estejam atentos aos números relacionados ao lucro e aos gastos da instituição. Nessa perspec- tiva, podemos afi rmar que: I- Nenhuma outra grande ação é possível de ser tomada, se o pla- nejamento fi nanceiro da escola não for efetivo. II- É importante acompanhar todas as métricas do setor fi nanceiro de perto, para evitar contratempos e garantir uma gestão mais efi ciente. III- Saber exatamente quanto se gasta com cada aluno vai te ajudar a planejar as fi nanças em diferentes tipos de situações, evitando as crises que gestores sempre enfrentam. Assinale a alternativa correta: a) ( ) Somente a sentença I está correta. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) Somente a sentença III está correta. d) ( ) As sentenças I e II estão corretas. e) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas. 2) O u so de métricas faz parte do cotidiano de diferentes escolas nos dias atuais. Hoje, a atuação da escola vai muito além do conta- to feito no ambiente de estudo, já que apps e sites permitem o aprendizado também em outros locais. Tais métricas são respon- sáveis por nos mostrar como está sendo o rendimento dos alunos de acordo com a metodologia aplicada. Entre os dados a serem levados em consideração neste campo, destacam-se: • notas dos alunos: verifi car o rendimento dos estudantes, para que seja possível checar, com dados, se eles estão aprendendo; • avaliação dos professores: defi nir pontos que ajudam a enten- der se a atuação do profi ssional de ensino está sendo realmente algo valoroso para os alunos; • frequência dos alunos: checar se os alunos estão inadimplentes ou não também é uma boa métrica para ser observada de perto pelo gestor. 145 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 Os dados apresentados compõem as métricas de: a) ( ) sala de aula. b) ( ) tecnologia. c) ( ) ensino. d) ( ) fi nanças. e) ( ) desenvolvimento. 3) A p rática da gestão dos custos nas empresas tem cada vez mais demonstrado sua essencialidade e objetividade, fornecendo in- formações atualizadas e importantes conceitos que auxiliam na tomada de decisões nas empresas de um modo geral. Entre es- ses conceitos está o ponto de equilíbrio, que é o ponto em que a empresa iguala suas vendas aos seus custos e despesas. Caso as empresas tivessem apenas um produto, o que é raro, o cálculo do ponto de equilíbrio seria bastante simples. Como esse não é o caso para a maioria das empresas, a formulação do ponto de equilíbrio depende diretamente do rateio dos gastos fi xos aos di- versos produtos da empresa. Dessa forma, podemos afi rmar que: I- Pode-se encontrar o ponto de equilíbrio da receita total da empre- sa ou, se for tratar de volume de vendas, esse cálculo deve ser feito por produto, o que lhe concede uma menor credibilidade, já que se tem uma interferência direta do critério de rateio utilizado. II- O critério de escolha de uma base de rateio deve ser bastante estudado pela empresa, pois, dependendo do método escolhido, pode haver distorção do resultado. Além disso, uma só base de rateio difi cilmente representará de maneira correta o comporta- mento dos custos. III- Defi nido o critério de rateio e calculados os pontos de equilíbrio dos produtos, por meio de cálculo e tentativas não é possível des- cobrir de que forma o lucro líquido é mais infl uenciado, centran- do, dessa forma, o modo de atuação da empresa em relação aos seus custos. Assinale a alternativa correta. a) ( ) Somente a sentença I está correta. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) Somente a sentença III está correta. d) ( ) As sentenças I e II estão corretas. e) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas. 146 Gestão Financeira Escolar HANSEN, Don R., MOWEN, Maryanne M. Gestão de custos: contabili- dade e controle, São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001. REFERÊNCIAS ATKINSON, A. A. et al. Contabilidade gerencial. São Paulo: Atlas, 2000. BERNARDI, L. A. Política e formação de preços: uma abordagem competitiva, sistêmica e integrada, São Paulo: Atlas, 1996. BRUNI, A. L. A administração de custos, preços e lucros. São Paulo: Atlas, 2006. CAMPOS, Casemiro de Medeiros. Gestão escolar e docência. São Paulo: Paulinas, 2010. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão fi nanceira: uma abordagem introdutória. 3. ed. São Paulo: Manole, 2014. DUBOIS, A.; KULPA L.; SOUZA L. E. Gestão de custos e formação de preços: conceitos, modelos e instrumentos: abordagem do capital de giro e da margem de competitividade. São Paulo: Atlas, 2006. HANSEN, Don R.; MOWEN, Maryanne M. Gestão de custos: contabilidade e controle. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001. HORNGREN, C. T.; SUNDEM, G. L.; STRATTON, W. O. Contabilidade gerencial. São Paulo: Pearson, 2004. JIAMBALVO, J. Contabilidade gerencial. Rio de Janeiro: LTC, 2002. HORNGREN, C. T.; FOSTER G.; DATAR, S. M. Contabilidade de custos. Rio de Janeiro: LTC, 2000. LÜCK, Heloísa. Gestão educacional: uma questão paradigmática. v. 1. Petrópolis: Vozes, 2015. LÜCK, Heloísa. Liderança em gestão escolar. v. 4. Petrópolis: Vozes, 2014. 147 Principais Métricas Financeiras Capítulo 3 PADOVEZE, C. L. Curso básico gerencial de custos. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003. PEREIRA, E. Modelos Avançados de Avaliação de Ativo. Trabalho apresentado à Disciplina Teoria Avançada de Contabilidade, Doutorado, FEA- USP, 1998. SILVA FILHO, Geraldo Pereira da. A gestão fi nanceira na escola pública do Distrito Federal: avanços ou contradições? Dissertação de Mestrado em Educação, Universidade de Brasília, Brasília, 2019. WILLSON, J. D.; COLFORD. J. P. Controllership: the work of the managerial accountant. New York: John Wiley, 1990.movimen- tações e das futuras necessidades fi nanceiras da instituição, bem como a previ- são de pagamentos e recebimentos. A seguir, trazemos alguns pontos a serem observados ao realizar a gestão fi nanceira de uma instituição de ensino. 2.4 REDUÇÃO DE CUSTOS Em tempos de globalização econômica, cabe ressaltar que a economia de todo o país é cíclica. Assim, mesmo que a instituição de ensino não apresente problemas de capital de giro no presente, é aconselhável julgar quais gastos são desnecessários e que poderiam ser evitados ou ainda otimizados. Nesse sentido, o olhar do gestor fi nanceiros para as despesas secundárias é essencial para a saúde fi nanceira da instituição escolar, evitando impactos in- desejados em períodos de crise fi nanceira. Imprevistos podem ocorrer a qualquer momento, e o corte ou a diminuição desses gastos resulta na possibilidade de descobrir como criar uma reserva fi nanceira para o futuro da empresa. Tal reserva pode se constituir em um orçamento separado, que pode ser desembolsado em emergências para saldar compromissos urgentes para o bom funcionamento da escola, como o conserto de um equipamento tecnológico, por exemplo. 17 Princípios Básicos da Educação Financeira Capítulo 1 Dessa forma, dedicar uma parte do seu orçamento para emergências é uma prática relevante para realizar uma gestão fi nanceira de uma instituição escolar. No entanto, é necessária muita cautela para fazer a redução de despesas quando o serviço prestado é na área de educação, pois envolve muita atenção e respon- sabilidade. Logo, ao mapear custos para serem cortados ou restringidos, o gestor escolar não pode perder de vista o cliente mais interessado, no caso, o aluno. Para mapear o consumo de papel e energia elétrica de impressoras, existem apli- cativos que facilitam a vida do professor para a elaboração de testes, provas e exercí- cios, eliminando o gasto excessivo com papel, tinta para impressão e eletricidade. Já quando o assunto for a promoção do uso consciente da água, precisamos considerar que, em uma instituição escolar, há diversos banheiros, os quais de- mandam um grande consumo de água por meio de suas torneiras e descargas. Logo, investir em vasos sanitários com caixa acoplada e torneiras automáticas proporcionará uma diminuição signifi cativa no gasto com água. Também podem ser realizadas campanhas de conscientização para o uso inteligente da água, oti- mizando assim essa despesa. No que diz respeito ao uso inteligente da luz elétrica, vale usufruir ao máximo da luz natural durante o dia. Nesse sentido, os docentes devem usar a quadra, o pátio e outros espaços abertos para fazer diversas ati- vidades que não sejam somente ligadas à educação física. Realizar a troca das lâmpadas comuns pela versão LED também é uma ótima saída. Se a instituição escolar for de médio ou grande porte, sugere- -se ainda investir em painéis de energia solar. Acesse o link a seguir e conheça algumas vantagens de se usar energia solar em industrias e fábricas: . 2.5 CONTROLE DE DESPESAS Todo negócio tem metas a serem alcançadas com o propósito de inovar e melhorar seus produtos ou serviços prestados. No caso de uma instituição de ensino, as metas mais utilizadas estão relacionadas ao número de matrículas, ao faturamento, à capacitação do corpo docente, a taxas de inadimplência e benfei- torias na infraestrutura. 18 Gestão Financeira Escolar A principal importância de ter metas é o direcionamento que elas dão para a empresa. O objetivo é sempre expandir os negócios de forma planejada e susten- tável. Só que para isso é necessário ter capital para ser empregado. Caso o valor necessário não esteja disponível de imediato, isso não é um problema. É aqui que está a importância do controle das despesas e do planejamento fi nanceiro. Metas de longo prazo pedem investimentos também de longo prazo. Ao saber exatamente quais são os custos fi xos e variáveis da escola, será possível calcular o valor mensal que estará à disposição para ser utilizado no cumprimento dos ob- jetivos traçados. Acesse o link a seguir e aprenda alguns detalhes de como cons- truir esse tipo de planilha: . A folha de pagamento costuma ser uma das maiores despesas de uma em- presa, ou seja, é um item que não pode deixar de estar sob controle na gestão fi nanceira para escolas. Sabemos que funcionário feliz é funcionário produtivo. Bons salários podem não ser o único fator de satisfação de um colaborador, mas ser recompensado fi nanceiramente por um trabalho bem prestado é muito gratifi - cante para qualquer pessoa. Procure fazer um levantamento do seu quadro de funcionários, identifi cando seu setor de trabalho e sua função. Ao direcionar a atenção para o trabalho pe- dagógico de qualidade, o gestor pode não se atentar a processos que podem ser melhorados, otimizando o tempo de execução de cada tarefa. Sistemas de gestão integrados são responsáveis pela realização de atividades repetitivas e burocráti- cas, tornando viável a diminuição do número de funcionários dos departamentos administrativo e fi nanceiro. 2.6 COBRANÇA Toda empresa necessita de um método de cobrança efi ciente, pois a ina- dimplência aparece em quase todas as instituições. Nas instituições escolares, a situação não é diferente. Visando a melhorar os índices de inadimplência exis- tentes, há inúmeras estratégias efi cientes e coerentes que asseguram resultados positivos. Acesse o link a seguir e conheça algumas estratégias para controlar a inadimplência: . Cabe ressaltar que as pessoas ou instituições não deixam de saldar seus compromissos propositadamente, ou seja, há diversos motivos por trás de um inadimplente. Dessa forma, é papel da instituição escolar buscar entender esses motivos, visando a manter o cliente e facilitando a quitação do saldo devedor. 19 Princípios Básicos da Educação Financeira Capítulo 1 Assumindo essa postura, a gestão fi nanceira da escola pode oferecer opor- tunidades viáveis, tanto para a instituição, quanto para o orçamento do inadim- plente, evitando o agravo da situação fi nanceira por meio de negociações que proporcionem vantagens para ambos os lados. Para tanto, é importante que os métodos de cobrança estejam de acordo com a Lei Nº 8.078, artigo 42, do Código de Defesa do Consumidor, ou seja, sem expor o inadimplente a qualquer tipo de ameaça ou constrangimento (BRASIL, 1990). Nessa perspectiva, por meios internos ou externos (terceirizado), o setor de cobrança da instituição escolar, ao entrar em contato com um cliente inadimplen- te, necessita ser baseado nos procedimentos e diretrizes. Assim, devem ser criados processos coesos com abordagens efetivas para realmente solucionar o problema do cliente e da instituição escolar. Estes devem ser organizados por meio de uma régua denominada régua de cobrança. Tal me- canismo auxilia a padronização das ações a serem realizadas, pois conta com envios de mensagens de texto para o celular e e-mails. Dessa forma, facilita o pagamento de valores atrasados ou mesmo lembrando o cliente de que haverá um vencimento em breve. Para conhecer os sete tipos de cobrança para reduzir a inadimplência de sua empresa, de acordo com o perfi l do devedor, acesse: . 2.7 GESTÃO DE CAIXA Segundo o Serasa (2018), a gestão do fl uxo de caixa é a parte essencial de uma administração corporativa efi ciente. Trata-se de um controle rigoroso das movimentações fi nanceiras do negócio, o que demanda atenção constante às en- tradas e saídas de dinheiro que, pelos mais diferentes fatores, não seguem uma frequência exata. Fazer o registro de entradas e saídas, especifi cando os valores e datas, é o primeiro e o mais relevante passo para se realizar um controle apropriado do fl uxo de caixa. Dessa forma,a disciplina é muito importante, pois cada centavo deve estar de acordo com o extrato bancário da conta da pessoa jurídica. 20 Gestão Financeira Escolar A montagem de planilhas comparativas mensais possibilita ver os gastos e os recebimentos, impactando na análise de corte de despesas e gerenciamento da inadimplência que permeia todos o sistema escolar. Contudo, apesar de algu- mas empresas ainda terem preferência pelo controle manual para identifi car o que e quando entram e saem recursos, há diversos aplicativos de gestão fi nanceira disponíveis no mercado. Inúmeras plataformas de gerenciamento fi nanceiro facilitam muito o trabalho do gestor escolar, otimizando assim o tempo e produzindo relatórios relevantes para análise efi ciente do caixa. Esse exame das contas e análise de dados auxilia na identifi cação de desperdícios, promovendo a descoberta de onde é viável im- plantar medidas para a contenção de despesas. Assim sendo, assegurar o aumento da lucratividade do seu negócio pode ser o resultado de providências simples. Um exemplo disso consiste no uso de canais de comunicação mais baratos do que ligações telefônicas (e-mails ou aplicativos), controlando de forma mais efi ciente o uso de produtos de limpeza, materiais de escritório e descartáveis, entre outros. Cabe ressaltar ainda que o planejamento e estruturação de mudanças não é sufi ciente. É preciso monitorar o resultado das ações implantadas, para apurar se a fi nalidade de obter lucro está sendo atingido. O acompanhamento periódico do orçamento apontará se as metas estão sendo atingidas e, caso não estejam, indica o foco de atenção. No entanto, além do controle de gastos, o foco do problema pode se encontrar na administração dos recebimentos das mensalidades escolares, ocasionando gerar graves conse- quências para a saúde fi nanceira da instituição escolar. Para saber mais, leia: CHIAVENATO, Idalberto. Gestão fi nanceira: uma abordagem introdutória, 3. ed. São Paulo: Manole, 2014. 21 Princípios Básicos da Educação Financeira Capítulo 1 2.8 INADIMPLÊNCIA NA ESCOLA Fatores como a perda do emprego ou a desorganização e a falta de compro- metimento com o pagamento da mensalidade geram graves problemas de ina- dimplência nas escolas. Para controlar os valores a serem recebidos, é preciso ter disciplina e organização. Nesse sentido, é relevante conseguir identifi car o motivo pelo qual seu clien- te não saldou sua dívida. Logo, o tipo de negociação que você deve oferecer para o inadimplente pontual deve ser diferente do inadimplente recorrente. Para os clientes que já estão com pagamentos em atraso, é preciso pensar em formas de prevenir e evitar chegar ao estágio de endividamento. Muitos clientes atrasam suas contas simplesmente por falta de organização e disciplina de suas despesas. Uma estratégia considerada efi caz é incentivar os clientes a fazerem o pagamento antecipado das mensalidades, promovendo ainda pacotes com descontos atrativos, o que evita atrasos na quitação da mensalidade, proporcionando à escola um controle efetivo dos recebimentos e do fl uxo de caixa. Há sistemas de gestão que fazem uso de lembretes eletrônicos, tais como li- gações automatizadas, e-mails ou mensagens de texto. Outra iniciativa importan- te para redução da inadimplência escolar é o uso de algum sistema de gestão re- corrente exclusivo para as instituições escolares. Tais sistemas são responsáveis pela geração e emissão automática dos boletos, agilizando e desburocratizando o processo de cobrança. Seja qual for o sistema de cobrança adotado pela gestão escolar, é preciso compreender que atrás de um devedor existe um ser humano. Assim, é impres- cindível compreender o processo ou o motivo que gerou o problema da inadim- plência. A gestão escolar também é responsável por educar fi nanceiramente seus clientes, conscientizando-os para reduzir os atrasos. 2.9 SISTEMAS QUE PODEM AJUDAR A gestão fi nanceira para as escolas compreende um grande número de de- talhes e procedimentos. É realmente imprescindível, portanto, a adoção de um sistema de gestão para automatizar o gerenciamento fi nanceiro. Ao usar esse tipo de plataforma, você otimizará o tempo da sua equipe para outras funções que precisam do capital humano para serem realizadas. Por exem- 22 Gestão Financeira Escolar plo, a interação com alunos e pais ou entre o corpo docente e a área administrati- va do seu negócio. De que forma isso se torna possível? Deixando de realizar tarefas repetida- mente. A automação permite que informações sobre o aluno e a cobrança sejam registradas uma única vez, fazendo com que o envio da cobrança seja automático pelo prazo que for defi nido em sistema. O cliente também terá segurança e facilidade ao poder optar pelo pagamento por cartão de crédito ou boleto bancário. Ao identifi car a baixa da mensalidade, o sistema avisa o gestor e também gera uma lista dos devedores, atualizando o fl uxo de caixa automaticamente. Ter o conhecimento de quais alunos estão inadimplentes, do valor da dívida e do tempo de atraso é muito importante para a efi ciência da gestão fi nanceira das es- colas. Para isso, deve-se escolher uma opção de sistema on-line fi nanceiro que seja totalmente integrada com seu sistema de gestão de mensalidades e pagamentos. 2.10 BENEFÍCIOS DE UMA GESTÃO ESCOLAR EFICIENTE Soluções tecnológicas auxiliam a construção de orçamentos mais sólidos e próximos da realidade. Outra vantagem oferecida por esse tipo de tecnologia é a redução de erros humanos, proporcionando mais segurança no controle de fl uxo de caixa. Ao ter todos os dados do seu negócio agrupados em uma só plataforma, o gestor escolar será capaz de projetar melhor a alocação efi ciente dos recursos da instituição de ensino. Uma gestão fi nanceira efi ciente proporciona mais tempo para pensar em ou- tras estratégias para expansão do seu negócio. Nessa perspectiva, diversifi car o público e criar opções de cursos e programas para terceira idade e adultos com curso médio concluído há muitos anos; promover a capacitação de pessoas com defi ciência, entre outras; o uso de tecnologias, sistemas de ensino, aulas intera- tivas e intercâmbios; a elaboração de planejamento estratégico de médio e longo prazo, buscando identifi car e antecipar as necessidades de mercado. Além disso, a busca de efi ciência operacional, ou seja, conceitos de CSC (Centro de Serviços Compartilhados) passam a ser considerados para institui- ções menores. Por outro lado, o avanço em produção e geração de conhecimento (pesquisas, patentes, entre outros) têm a fi nalidade de melhorar seu processo de formação acadêmica e gerar fontes alternativas de renda. 23 Princípios Básicos da Educação Financeira Capítulo 1 A educação é um dos melhores investimentos que podem ser feitos para ga- rantir sucesso no futuro. Como profi ssional de educação, você deve garantir que sua instituição de ensino esteja funcionando perfeitamente. Não é uma questão apenas de pedagogia, mas também de gestão fi nanceira para escolas e cursos. Afi nal, uma instituição de ensino fechada não capacita ninguém. Assim, controlar bem as despesas da sua instituição de ensino traz vários benefícios, tanto para os estudantes quanto para os seus profi ssionais. Isso garante que os salários serão pagos em dia, que haverá recursos para todas as aulas e projetos e que a estrutu- ra será sempre a melhor possível. 3 EXPLORANDO POSSIBILIDADES DE UMA GESTÃO FINANCEIRA ESCOLAR EFICIENTE Em qualquer negócio, inclusive no ramo de educação, há certos custos que são mais importantes que outros. Por exemplo, manter as contas de água e de luz, a folha de pagamentos e disponibilidade de material para aulas é mais impor- tante do que criar um projeto, como uma gincana ou feira de ciências. Nos exem- plos citados, todas as opções agregam valor à escola, mas as primeiras são mais relevantes para sua manutenção e sobrevivência.3.1 DESENVOLVA UM PLANEJAMENTO FINANCEIRO ESTRATÉGICO 3.1.1 Priorize Ao elencar suas prioridades, deve-se ter em mente quais custos são neces- sários para que a instituição de ensino se mantenha aberta e relevante. Uma nova pintura pode contribuir para a identidade do ambiente, mas não é tão vital quanto o pagamento dos professores. Certos investimentos, como uma semana de es- portes, podem ser muito úteis para atrair mais matrículas. 24 Gestão Financeira Escolar 3.1.2 Planeje seus custos Após elencar as prioridades, o próximo passo do gestor escolar é planejar os custos no decorrer do ano letivo. É preciso defi nir qual será o valor estipulado para o gasto mensal com a manutenção, traçar os principais projetos a serem realizados e em qual período, além de considerar as contas fi xas e os impostos a serem pagos, entre outros. Tal planejamento, além de organizar, estimar e programar seus gastos anu- ais, sinaliza como se encontra o desempenho do negócio e se os gastos anuais estão dentro do orçamento, mostrando ainda se existe a possibilidade de fazer investimentos ou rever estimativas. 3.1.3 Acompanhe e classifi que Um planejamento representa apenas uma estimativa e, portanto, não pode ser seguido à risca, pois normalmente sofre alterações de acordo com o contexto. Afi - nal, tudo o que foi estimado está sujeito a variações no seu capital de giro, seja por atrasos no pagamento, inadimplência ou ainda custos de manutenção gerados por imprevistos. Dessa forma, a gestão fi nanceira nas instituições escolares deve ser realizada regularmente, adaptando planos a qualquer mudança de contexto. Ao identifi car de onde vem e para onde vai o dinheiro, o gestor escolar en- contra quais são suas principais fontes de capital e quais custos são mais eleva- dos. Dessa forma, além de fazer o registro de entradas e saídas no orçamento, é relevante realizar a categorização desses gastos. Assim sendo, se existem (a) entradas que se referem às mensalidades, (b) pagamentos atrasados ou (c) lucro gerado pela realização de um evento. Do mesmo modo, teremos o custo (a) refe- rente aos pagamentos a serem efetuados, (b) com a manutenção de materiais e (c) para cobrir gastos imprevistos. Examinando cuidadosamente o faturamento da instituição de ensino, o ges- tor identifi ca o valor do gasto aproximado que corresponde a cada setor. Com base nesses apontamentos, é possível achar o percentual de recursos exigido por cada setor, tais como: 12% devem ser poupados para emergências, 42% corres- pondem à folha de pagamento dos funcionários, 18% deve ser destinado à reali- zação de projetos interdisciplinares, entre outros. Além de informar, tais demarcações percentuais apontam ainda não apenas a restrição de gastos, mas o equilíbrio, ou seja, melhora a percepção de quando um dos custos do negócio começa a ultrapassar os outros, independente da prio- ridade, indicando assim que é necessário rever o planejamento fi nanceiro. 25 Princípios Básicos da Educação Financeira Capítulo 1 3.1.4 Reserve recursos para emergências Como em todo e qualquer negócio, uma boa estratégia é dedicar um percen- tual de recursos para a reserva na sua gestão fi nanceira, pois com certeza sur- girão gastos inesperados, bem como quedas de faturamento, perda de clientes, oportunidades de investimento, entre outros imprevistos. Para administrar essas situações ou aproveitar novas oportunidades, é ne- cessário manter uma reserva de emergência. O percentual dedicado a tal reserva pode variar bastante, de acordo com o porte da instituição. 3.1.5 Procure custos que podem ser reduzidos A maioria das instituições escolares possui custos que não são necessários para o funcionamento e a manutenção, como uma porta não tão chamativa, mas que requer muito trabalho de manutenção para conservar uma aparência considerável. Dessa forma, tais custos não agregam valor real para o negócio. Assim, quando o gestor for realizar o seu orçamento, pode e deve identifi car e eliminar esses tipos de custos desnecessários que acarretam gastos e não promovem re- torno que faça a diferença. Tais economias se revertem em lucro e reservas fi nan- ceiras muito úteis para a instituição escolar. 3.2 INVISTA EM FERRAMENTAS DE GESTÃO FINANCEIRA As operações que dizem respeito à maioria das tarefas de gestão fi nancei- ra para instituições escolares são cansativas e repetitivas, que consomem uma Para saber mais sobre planejamento fi nanceiro, acesse: . 26 Gestão Financeira Escolar grande fração do tempo do gestor escolar, tais como a coleta de dados em larga escala, a organização dessas informações, o agendamento de pagamentos. Nessa perspectiva, existem ferramenta que apoiam a automação dessas ta- refas. Assim, uma boa solução para facilitar o trabalho do gestor escolar fi nan- ceiro é realizar o investimento em um software de gestão escolar. Por meio da automatização dessas tarefas, o gestor terá à sua disposição um serviço mais efi ciente, poupando tempo e energia para o desenvolvimento de ações mais es- tratégicas, como a exploração e a análise dos dados e investimentos necessários para fomentar o número de matrícula. Faça uma pesquisa, apontando quais ferramentas fi nanceira são mais utilizadas pelas instituições escolares. Para que as organizações sobrevivam em um ambiente turbulento como aquele em que estão inseridas atualmente, é preciso que avaliem e acompanhem suas fi - nanças. Além disso, após conhecer sua “saúde fi nanceira”, deve-se criar e monitorar um planejamento fi nanceiro com a fi nalidade de direcionar as ações da empresa. Outro aspecto que deve ser considerado pelas instituições se trata da cria- ção de diferentes cenários, que, por consequência, apresentam diferentes cursos de ação. Isto se justifi ca quando o mercado econômico é analisado. Constatando- -se sua instabilidade, deve-se idealizar alguns cenários, como o otimista, realista e pessimista, auxilia nas tomadas de decisões futuras e clareiam sobre o rumo que a organização deve tomar. Ao gestor escolar é imprescindível o acompanhamento mensal dos números da instituição escolar. O fechamento do período anterior deve se dar logo nos primeiros dias do mês subsequente, comparando os resultados mensais com os previstos no orçamento. Em caso de desvio, propor ações corretivas. As condições voltadas aos rendimentos da instituição deverão ser avaliadas pelo menos duas vezes ao ano. Dessa forma, pode ser por curso, turma, níveis ou pelo total. Quando se fala em rentabilidade, deve-se avaliar a questão com relação à análise comparativa de produtos ou de serviços da concorrência e outras opor- tunidades de investimentos ou ativos fi nanceiros. É fundamental que jamais con- fundamos rentabilidade com lucratividade. Acesse o vídeo a seguir e compreenda melhor essa diferença: . 27 Princípios Básicos da Educação Financeira Capítulo 1 Há a necessidade de se avaliar mensalmente a situação fi nanceira da insti- tuição, com a inclusão do recebimento à vista, elaborando, desta forma, o fl uxo de caixa. A sugestão é que, ao fazer o planejamento futuro, a escola lembre-se de contemplar as despesas que deverão ser provisionadas mensalmente, porém serão desembolsadas no fi nal do ano ou concentradas em outros períodos. Na gestão fi nanceira, uma área que demanda especial atenção é a do caixa e empréstimos. Para toda e qualquer necessidade de decisão de investimentos que a instituição recorrer a empréstimos, deve-se sempre procurar adequar ao pagamento, desembolsos das parcelas e juros ao fl uxo caixa. O mantenedor da instituição, via de regra, não precisa saber fazer a gestão fi nanceira escolar completa, porém é indispensável que saiba da existência de ferramentas para o acompanhamento do desempenho de sua instituição. Os índices para análise de desempenhoé o que possibilita uma visão geral e clara dos pontos críticos da gestão fi nanceira escolar, principalmente para ter co- nhecimento sobre custos de oportunidade, índice de inadimplência e rentabilidade. Ter uma escola de sucesso vai muito além da qualidade do ensino, é neces- sário dedicação diária para manter a escola saudável, seja na área pedagógica como na estrutura fi nanceira, pois de nada vale possuir um excelente método de ensino, conquistar novos alunos, mas não conseguir manter a estrutura conquis- tada. Um bom sistema de gestão deve ajudar a instituição nos seguintes pontos: • gestão de custos; • controlar e diminuir a inadimplência; • controle de despesas; • organizar o setor fi nanceiro e manter o caixa saudável. Problemas fi nanceiros comprometem a qualidade do serviço prestado aos alunos. O monitoramento de fl uxo de caixa, estratégias para redução da inadim- plência, boas práticas de cobrança e o uso da tecnologia são essenciais para que a instituição tenha um controle fi nanceiro forte. 3.3 ESTABELEÇA METAS Metas exibem patamares específi cos que necessitam ser atingidos dentro de um espaço de tempo. Na maioria das vezes, as metas se encaixam dentro de objetivos mais amplos. As metas tendem a ser quantifi cação de seus resultados, ou seja, funcionam como a representação de um ponto que precisa ser atingido 28 Gestão Financeira Escolar pela instituição escolar. Dessa forma, precisam ser claras e concisas para sim- plifi car sua execução. Assim, podemos dizer que, se uma intuição precisava crescer no mínimo 25% no semestre, por exemplo, não vai ter cumprido sua meta, mesmo que con- siga alcançar esses números depois de sete meses. Pela ótica desse exemplo, podemos assinalar que as metas da instituição escolar estão sujeitas à carac- terística do contexto, tais como o tempo e o espaço. No entanto, seja qual for a natureza da meta da instituição escolar, é essencial defi ni-la de forma atingível, ou seja, permeada por condições para que possam ser cumpridas. 3.4 METAS, TAREFAS E OBJETIVOS Ao falar de metas, é necessário entender que elas não aparecem desconec- tadas do contexto na rotina de gestão. Assim, é preciso cuidado para não confun- dir metas com objetivos e tarefas. O início de tudo é o objetivo. Ele nos orienta a direção para onde devemos seguir, o que a instituição almeja conquistar, como um incremento nas matrículas. A partir disso, estabelecem-se as metas, de forma a expressar esse objetivo de forma numérica, detalhando-o e fazendo sua quantifi cação. Ainda com relação ao exemplo, podemos estabelecer que a empresa precisa realizar uma campanha para aumentar as matrículas em ao menos 20% até o fi nal do semestre. Por outro lado, as tarefas são ações que precisam ser realizadas para que a meta se concretize. Tais tarefas estão contidas no plano de ação de todos os profi ssionais da instituição escolar, garantindo o percurso para atingir o objetivo. 3.5 QUAL A IMPORTÂNCIA DE SE TRABALHAR COM METAS? Na vida, é importante ter metas e objetivos. Eles nos ajudam a entender se estamos caminhando no sentido certo para alcançar nossas ambições. No am- biente profi ssional, as metas descrevem os objetivos da organização e precisam ser compartilhadas por todos os colaboradores. Por outro lado, as metas pessoais são particulares de cada um e orientam sobre o tipo de pessoa que se quer ser e os planos que se deseja concretizar no médio e longo prazo. 29 Princípios Básicos da Educação Financeira Capítulo 1 3.6 DISCUTINDO A RELEVÂNCIA DE SE TRABALHAR COM METAS A evolução de toda instituição depende de um planejamento. Tal planejamento é responsável pela análise das potencialidades e fragilidades da empresa, estabe- lecendo uma visão de onde ela quer chegar e quais serão as ações necessárias. Assim, o planejamento direciona o caminho para o qual devemos seguir em nossas ações. No entanto, não nos aponta os métodos e as ferramentas necessá- rias para atingir as metas e as projeções. Como mencionado anteriormente, as metas quantifi cam os objetivos e confe- rem materialidade a ambições que podem ser bem amplas, como apenas realizar mais matrículas. Quantas matrículas? Quando deseja-se observar esse cresci- mento? Essas são apenas algumas das perguntas pertinentes que o desenvolvi- mento apropriado das metas precisa responder. Quando não investimos um tempo no planejamento estratégico, fi ca muito mais difícil direcionar os esforços e conquistar os objetivos. Assim, a visão da em- presa se torna um sonho cada vez mais distante. A defi nição das metas pode ser uma tarefa desafi adora para quem não está acostumado. Muitas vezes não sabemos por onde começar. Em outras palavras, há difi culdade de compreender o que são metas praticáveis e que podem ser cumpridas dentro do contexto. Mais adiante você encontrará algumas dicas práti- cas para vencer esses obstáculos. 3.7 AS VANTAGENS DE SE TRABALHAR COM METAS A importância de trabalhar com metas é real e se comprova pelos efeitos positivos para a organização que as incorporam em seu planejamento. Confi ra algumas das vantagens. 30 Gestão Financeira Escolar 3.7.1 Mais assertividade As metas norteiam o trabalho de maneira defi nitiva, propondo parâmetros e prazos específi cos que permitem verifi car a evolução dos negócios. Desse modo, torna a gestão muito mais assertiva. Sempre que precisar tomar uma decisão, o líder pode recorrer aos objetivos e às metas previamente estabelecidos. Eles funcionam como uma “cola” do que é a resposta correta para o que a organização almeja. Assim, escolhe-se de manei- ra assertiva para garantir que a visão dos negócios será alcançada. 3.7.2 Senso de prioridade Outro ponto importante das metas é que elas ajudam a compor um senso de prioridades mais preciso. Intrinsecamente relacionadas aos objetivos, revelam o que está no cerne da organização. Assim, podemos priorizar as ações de acordo com aquilo que está posto no planejamento. As tarefas que estão ligadas às metas são prioridade e devem sempre ser mantidas no radar para que os objetivos não escapem do horizonte. 3.7.3 Mais produtividade Uma função importante das metas é ajudar na organização das tarefas da pauta, orientando o trabalho do dia, da semana e até mesmo do mês. Esse plane- jamento antecipado garante uma gestão mais efi ciente do tempo, que por sua vez resulta em mais produtividade. Ao agendar as atividades com antecedência, é possível se certifi car de que não haverá sobrecarga de trabalho nem excesso de tempo ocioso. Ainda, con- segue-se mensurar melhor o tempo que cada atividade toma para se programar com ainda mais precisão no futuro. 3.7.4 Trabalho em equipe Não é só no nível individual que a adoção de metas traz vantagens. No âmbito coletivo também fi ca muito mais fácil garantir sincronia entre os colabo- 31 Princípios Básicos da Educação Financeira Capítulo 1 radores. Isso porque todos sabem o que esperar da organização: os objetivos gerais orientam as metas que, por sua vez, infl uenciam nas tarefas. 3.7.5 Comunicação e transparência Por último, a comunicação e a transparência também são uma consequência feliz aqui. Ao trabalhar orientados por metas, nós voltamos aos valores e aos ob- jetivos da organização como referência. Quando isso é desdobrado em tarefas do dia a dia, fi ca muito transparente qual é o papel de cada um para o todo. A comu- nicação ganha com todos engajados para conquistar as metas coletivas. 3.8 TIPOS DE META As metas de uma empresa podem ser diversas. Tudo depende das neces- sidades verifi cadas e dos objetivos do planejamento. Obviamente, uma mesma organização deve conviver com diferentes metas, cada uma buscando atender a um aspecto dentre os objetivos. Na hora de defi nir as suas, é importante conhecer os tipos diferentes que existem. 3.9 META BASEADA EM RESULTADO A meta baseada em resultado é determinada a partir daquilo que é mais im- portante paraa empresa no momento. É específi ca sobre um determinado produ- to ou projeto e indicam os resultados que devem ser perseguidos. Nesse sentido, podemos pensar numa meta hipotética na qual a instituição escolar deseja aumentar as matrículas em um determinado curso em 20%, no período dois meses. Aqui, defi nimos de maneira clara qual o resultado almejado e o prazo esperado. 3.10 BASEADA EM DESEMPENHO As metas baseadas no desempenho não apontam diretamente para o objeti- vo, como no caso do tipo anterior. Pode-se entender esse grupo como um degrau necessário para se atingir as metas de resultado, que são principais. 32 Gestão Financeira Escolar Ainda dentro do exemplo, a gestão deve se perguntar o que precisa ser feito para ter um crescimento de 20% nas vendas dentro do período sugerido. Após in- vestigação interna, identifi cou-se que as taxas de conversão de oportunidades em vendas eram o problema. Por isso, a meta de desempenho deve ser aumentada de 20% para 30% quanto ao número de vendas feitas a partir desses contatos. 3.11 META BASEADA EM PROCESSO As metas baseadas em processo não falam sobre o resultado, nem o desem- penho, mas sobre o processo necessário para se chegar lá. De maneira hierár- quica, as metas de processo ajudam a realizar as metas de desempenho e, por consequência, as metas de resultado (principais). Dentro do nosso caso hipotético, um exemplo de meta de processo seria re- alizar dois treinamentos com a equipe de atendimento e vendas nos próximos 30 dias. Dessa forma, aumentaríamos a conversão de oportunidades para atingir a meta principal de 20% a mais nas vendas no produto. 3.12 COMO DEFINIR AS METAS E OS OBJETIVOS É necessário estabelecer um objetivo, já que isso contribui para o compro- metimento de todos os envolvidos nos processos da companhia. Uma boa ideia é registrar e compartilhar o objetivo em local de destaque, para que todos possam ter acesso fácil sempre que preciso. 3.13 CRIE METAS DE CURTO, MÉDIO E LONGO PRAZO Para manter o engajamento, é primordial que existam metas mais simples de alcançar, enquanto se está na trajetória de um plano mais desafi ador. Lembre a hierarquia dos tipos de meta. As pequenas conquistas são o combustível ideal para que a equipe continue no caminho do aperfeiçoamento e sucessos contínuos. 33 Princípios Básicos da Educação Financeira Capítulo 1 3.14 ESTABELEÇA METAS CONFORME AS RESPONSABILIDADES Não estipule metas diferentes para colaboradores com a mesma função, tendo em vista que isso pode gerar confl itos internos para a companhia. Procure defi nir me- tas compatíveis com o perfi l de cada time e departamento. Isso fará com que todos trabalhem em conjunto e não como competidores em busca da melhor colocação. É necessário promover o trabalho em equipe e a cooperação mútua. Dessa forma, fi ca claro que delegar mais responsabilidade a um funcionário do que a outro da mesma equipe não é a melhor alternativa. Uma outra dica para estabelecer metas na empresa é mostrar clareza sobre o que se espera do time. Isso evita diversos confl itos, já que cada trabalhador vai entender a demanda da forma que deve ser, sem afetar a comunicação. 4 PROJEÇÃO DE CENÁRIOS A projeção de cenários é um conceito de origem militar e que foi amplamen- te difundido por estudos e consultorias, sendo hoje amplamente utilizado como ferramenta de gestão. Ela permite que estratégias sejam estabelecidas, conside- rando-se um contexto futuro no qual fatores que podem impulsionar o negócio são identifi cados, a fi m de obter um avanço perante um cenário competitivo. Em inglês, a projeção de cenários é conhecida como “What If Scenarios”, que em tradução literal seria “cenários de hipóteses”. Em outras palavras, projetar cenários é literalmente se fazer perguntas como: e se acontecer tal situação. E se acontecer tal aumento? E assim por diante. A principal fi nalidade de projetar cenários é analisar o contexto (interno e ex- terno) no qual a empresa está inserida e identifi car fatores futuros que são passí- veis de ocorrer. Isto possibilita à empresa uma visão mais clara do cenário atual e permite a tomada de decisão mais fundamentada e precisa. É importante destacarmos aqui que a projeção de cenários não tenta prever o futuro, mas identifi car fatores (variáveis) que podem se tornar reais a longo pra- zo. Desta forma, a empresa pode se preparar, criando planos de ações prévios para os cenários mais prováveis. 34 Gestão Financeira Escolar Podemos realizar a projeção de cenários para as mais variadas óticas da or- ganização, dependendo do que se quer analisar. Entre as diversas possibilidades, podemos destacar: • cenários estratégicos: simulações comparando os diversos caminhos que a organização poderia tomar; • cenários orçamentários: projeções considerando várias alternativas para o uso dos recursos fi nanceiros da empresa; • cenários econômicos: análise das alterações nas variáveis que impactam os resultados econômicos da empresa. Acesse o link a seguir e conheça as projeções do desempenho da economia brasileira: . • cenários fi nanceiros: idem ao anterior, simula alterações nas variáveis que impactam as disponibilidades fi nanceiras da organização (fl uxo de caixa); • cenários operacionais: projeções e simulações considerando as mais di- versas alternativas de uso da capacidade produtiva da companhia. Estes são apenas alguns exemplos, mas as possibilidades são praticamente infi nitas. Você pode (e deve) realizar projeções de cenários antes de qualquer to- mada de decisões em sua empresa. 4.1 ANÁLISE DE CENÁRIOS ORÇAMENTÁRIOS COMO PARTE DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Como vimos no tópico anterior, você pode utilizar a análise de cenários nas mais diversas áreas da empresa. Não teríamos como falar sobre todas as possibili- dades, então vamos nos concentrar na análise de cenários orçamentários. Lembre: a maior parte dos conceitos que vamos abordar daqui em diante é útil para qualquer outro tipo análise de cenários que você precisar realizar em uma empresa. Todavia, quando falamos de análise de cenários orçamentários, é difícil dei- xarmos de pensar em análise de cenários estratégicos. Um está intimamente li- gado a outro; afi nal, o orçamento empresarial é a tradução do planejamento es- tratégico em números, isto é, ao realizar seu orçamento empresarial, os números e as projeções devem estar devidamente alinhados aos planos traçados em seu planejamento estratégico. Para fi car mais claro, imagine, por exemplo, que você esteja planejando ca- sar e comprar um apartamento, mas resolveu comprar um carro com alto consu- 35 Princípios Básicos da Educação Financeira Capítulo 1 mo e vai a festas caras todo fi m de semana. A não ser que tenha uma fonte de renda muito boa, é muito provável que não vai conseguir juntar o montante neces- sário para concretizar seus planos. Em uma empresa é a mesma coisa. Imagine, por exemplo, que a empre- sa traçou planos estratégicos de dobrar sua participação de mercado, mas não estipulou em seu orçamento verbas adicionais para marketing e contratação de pessoal para executar estes planos. De nada adianta o planejamento estratégi- co ser traçado para levar a empresa a uma determinada direção, se os recursos fi nanceiros alocados no planejamento orçamentário não estiverem condizentes. Portanto, lembre-se de que, ao projetar cenários orçamentários, também será preciso sempre analisar se estes cenários estão alinhados aos planos es- tratégicos. E o inverso também é verdadeiro. Ao projetar cenários estratégicos, muito provavelmente será necessária uma análise dos cenários orçamentários, verifi cando se eles ainda continuam pertinentes. Vale lembrar que não é por ser uma simulação que você vai colocar “uns valores loucos”. Ao realizar uma projeção de cenários, você deve utilizar previ- sões possíveis de serem realizadas, simulando as situaçõese as mudanças mais prováveis, lembrando sempre que o que for defi nido e homologado virará a meta a ser batida. 4.2 TIPOS DE SIMULAÇÕES DE CENÁRIOS ORÇAMENTÁRIOS Basicamente, podemos trabalhar com três formas de simular de cenários or- çamentários: • cenário base zero: neste tipo de simulação, é realizada a cópia de toda a estrutura do orçamento (grupos de produtos, canais de distribuição, pla- no de contas, centros de custos etc.), porém zerando todos os valores na nova simulação. É comum o uso deste tipo de simulação para a geração de um orçamento base zero, repensando criticamente a importância de cada receita, custo e despesa na empresa; • cenário cópia ou incremental: aqui é realizada a cópia de toda a estru- tura do orçamento, bem como os valores da simulação base da cópia. Geralmente se utiliza esta opção para uma revisão orçamentária ou um cenário comparativo (exemplo: visão otimista x visão pessimista); 36 Gestão Financeira Escolar • cenário ajustado: também conhecido como rolling forecast (inglês). Nesta opção é realizada a cópia de toda a estrutura do orçamento, e os valores realizados da simulação base são carregados, sobrepondo os valores planejados da nova simulação. Esse tipo de simulação é muito útil para realizar uma visão impactada do orçamento, ou seja, depois que o exercício já está iniciado, quando se refaz o planejamento para os meses restantes, considera-se os efeitos de valores dos meses que já passaram. 4.3 CENÁRIO OTIMISTA, CENÁRIO PESSIMISTA E CENÁRIO REALISTA Se tudo correu bem, neste ponto você já deve ter entendido bem os con- ceitos e deve estar começando a se perguntar: afi nal, como projetar e analisar cenários na prática? Algumas empresas chegam a criar dezenas de simulações de cenários, mas você pode começar com bem menos e já estará muito à frente da maior parte das empresas no Brasil (incluindo seus concorrentes). Nossa sugestão é começar com três simulações, a saber: • um cenário otimista é aquele em que a ideia central é prever um ambien- te favorável para a organização, em que todas as metas de faturamento sejam batidas, que o menor custo de produção seja alcançado, e que as despesas operacionais fi quem abaixo dos limites estabelecidos etc.; • um cenário pessimista é aquele em que o oposto acontece, prevendo as piores situações de receita, custos, despesas e investimentos para a companhia; e por fi m, • um cenário realista, mais pé no chão. Um cuidado a ser tomado é não confundir o cenário realista com um “meio termo” ou “fi car em cima do muro”. Cada cenário deve ser pensado de forma crítica, avaliando os im- pactos de cada decisão no contexto geral. 37 Princípios Básicos da Educação Financeira Capítulo 1 4.4 EXEMPLOS DE PLANEJAMENTO DE CENÁRIOS ORÇAMENTÁRIOS – O SEGREDO ESTÁ NAS PERGUNTAS Na prática, simular cenários é muito simples e consiste basicamente em par- tir de um planejamento base já existente e criar diversos modelos derivados des- te, em que são alteradas variáveis-chave para o modelo de negócios da empresa para então avaliar os impactos no resultado e fl uxo caixa. Neste sentido, mais importante do que as respostas, é saber quais as per- guntas certas a se fazer. Para fi car mais claro o que estamos falando, separamos a seguir alguns exemplos práticos de como o planejamento de cenários orçamen- tários pode ser útil para a empresa, com uma série de perguntas que você pode se fazer antes de tomar uma decisão. Exemplo 01 – Compra de uma nova máquina produtiva Digamos que sua empresa planeja realizar a compra de uma nova máquina para incrementar a produção de uma determinada linha de produtos. Será que o investimento valerá a pena? Quais os impactos que a compra da nova máquina causaria na empresa? Vejamos alguns exemplos de perguntas que poderiam ser feitas para reduzir as incertezas com relação aos retornos sobre os investimentos (ROI). • Nossa área produtiva está preparada para atender à nova demanda ou precisaremos contratar mais pessoas para operar a nova máquina? • Temos espaço ou precisaremos investir em expansão da área produtiva para acomodar a nova máquina? • Quanto à logística, conseguiremos escoar essa produção? Temos onde estocar? Vamos precisar investir na ampliação do esquema logístico e contratar mais pessoas? • Precisaremos aumentar nossa equipe de marketing e vendas para dar vazão ao novo volume produzido? Os novos contratados precisarão ser treinados? Quanto isto custará? • Precisaremos investir em equipamentos (computadores, tablets, celula- res, automóveis etc.) para a equipe de vendas? • A equipe administrativa está preparada para dar suporte às áreas comer- cial e produtiva com o aumento de demanda ou precisaremos contratar mais pessoas para dar suporte administrativo? 38 Gestão Financeira Escolar • Temos espaço e infraestrutura para contratar mais pessoas ou precisare- mos investir? • Nosso fi nanceiro está preparado com pessoas e sistemas para faturar e controlar a nova demanda? • Nosso fl uxo de caixa está equilibrado (para dar suporte ao aumento na operação)? Esse capital será próprio ou de terceiros? Pagaremos juros por isso? • Nossos softwares e sistemas internos estão preparados para um cresci- mento de demanda ou precisaremos investir em atualização, implanta- ção e treinamento? 4.5 OUTROS EXEMPLOS DE PREVISÕES DE CENÁRIOS ECONÔMICO-FINANCEIROS Estas são só algumas questões a serem respondidas durante o processo de planejamento e orçamento, mas a lista não para por aí. A projeção de cenários pode (e deve) ser utilizada por empresas que trabalham em mercados voláteis ou que de- pendam de índices externos, como câmbio, taxa de juros, preço de matérias-primas (commodities), entre outros. Neste caso, algumas perguntas comuns a serem feitas. • O que acontecerá se o dólar subir? E se baixar? • Qual nossa posição quanto à taxa de juros? Continuaremos a expandir? • Qual o preço mínimo para comprarmos nossa matéria-prima base? • E o que acontecerá se o preço da matéria-prima não baixar e nosso esto- que esvaziar? Compraremos ao preço de mercado ou pararemos a pro- dução? • E se o preço chegar ao “gatilho” de compra, quanto compraremos? Apro- veitaremos para fazer estoque? Qual o custo de manter este estoque? 4.6 MODELO DE PLANILHA DE PROJEÇÃO DE CENÁRIOS Uma planilha de projeção de cenários é bem simples de usar. Basta pre- encher a previsões de entradas e saídas em cada uma das abas e no fi nal você pode ver o comparativo entre as simulações. Deixamos a planilha preparada para três simulações: 39 Princípios Básicos da Educação Financeira Capítulo 1 • um cenário realista; • um cenário otimista; e • um cenário pessimista. Você pode, no entanto, duplicar as pastas e criar várias outras simulações e projeções para sua análise de cenários. Quanto mais, melhor! Assim sua empresa estará muito melhor preparada para as situações que podem surgir. Acesse o ví- deo a seguir: e conheça um exemplo de uma planilha de projeção de cenários. 1) Para defi nir onde alocar os recursos de forma efi ciente, sem ne- nhum impacto na qualidade pedagógica, é preciso planejamento. O gestor deve mapear todas as necessidades da escola, ganhan- do uma visão panorâmica do negócio. Dessa forma, serão mais assertivas as decisões de distribuição da verba. Nessa perspecti- va, podemos afi rmar que: I- O primeiro passo é elaborar um orçamento geral, com o plano de despesas e custos da pessoa jurídica. II- Gastos com despesas recorrentes, referentes à manutenção do dia a dia, despesas de capital, como compra de equipamentos ou execução de obras e outras particularidades de cada instituição de ensino precisam ser monitorados. III- O controle de fl uxo de caixa é uma ferramenta importantíssima da gestão fi nanceira para escolas, pois não só gerencia os valores, como também apresenta as datas de entrada e saída do dinheiro. Assinale