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Indaial – 2023 EmprEsarial Prof.ª Marina Rozin 2a Edição OrçamEntO Elaboração: Prof.º Marina Rozin Copyright © UNIASSELVI 2023 Revisão, Diagramação e Produção: Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI Impresso por: C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI. Núcleo de Educação a Distância. ROZIN, Marina. Orçamento Empresarial. Marina Rozin. Indaial - SC: Arqué, 2023. 174p. ISBN 978-65-5646-636-1 ISBN Digital 978-65-5646-630-9 “Graduação - EaD”. 1. Orçamento 2. Empresarial 3. Administração CDD 658.15 Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679 Neste livro didático, apresentaremos os conceitos essenciais da Administração Orçamentária. Em um contexto em que as organizações precisam constantemente inovar e enfrentar desafios para atender às demandas do público consumidor, é necessário conhecimento sobre planejamento e orçamento empresarial. De donos de seu próprio negócio a integrantes do quadro de colaboradores das empresas, a todos é imprescindível compreender como o orçamento é constituído, quais os requisitos para sua implementação e os benefícios que podem trazer para a organização. Além disso, é necessário estar ciente de que a tecnologia é uma grande aliada nos processos de controle e monitoramento de processos, oferecendo ferramentas de gestão, controle e auxílio na geração de resultados da organização. Para conhecermos mais sobre esses e outros aspectos da administração orçamentária, nosso conteúdo será apresentado em três unidades. Na Unidade 1, abordaremos os elementos que compõem o orçamento empresarial. Iniciaremos apresentando o conceito de orçamento empresarial e suas principais características, Também serão apresentados os componentes de um sistema orçamentário e as premissas necessárias para sua elaboração. Por fim, aprenderemos como elaborar metas orçamentárias para a organização, conhecer as condições para implementação e como realizar o controle do orçamento. Em seguida, na Unidade 2, estudaremos os tipos de orçamentos, peças orçamentárias e planejamento. Conheceremos as características e diferenças entre os orçamentos estático, flexível, contínuo, base zero e por atividades. Na sequência, abordaremos as peças orçamentárias de uma empresa, que estão diretamente ligadas às principais operações empresariais. Encerramos a unidade explicando o que é o planejamento empresarial, tema que será aprofundado na terceira unidade. Por fim, na Unidade 3, aprenderemos mais sobre o planejamento e orçamento empresarial. Conheceremos os tipos de planejamento e sua relação com o tempo, essencial para sua execução. Falaremos também sobre quais são as etapas que devem ser seguidas para realizar o planejamento empresarial, os aspectos limitantes de sua aplicação e sua relação com a missão e visão da empresa. E finalizamos a unidade e também nosso livro unindo o planejamento ao orçamento, possibilitando a previsão financeira e aplicação prática. Ao concluir seus estudos, você será capaz de criar um orçamento, relacionando todos os seus aspectos fundamentais junto ao planejamento para sua execução em contextos empresariais. Bons Estudos! APRESENTAÇÃO Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR Codes completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos. GIO QR CODE Olá, eu sou a Gio! No livro didático, você encontrará blocos com informações adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender melhor o que são essas informações adicionais e por que você poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto estudado em questão. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um novo visual – com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada também digital, em que você pode acompanhar os recursos adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Preparamos também um novo layout. Diante disso, você verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os seus estudos com um material atualizado e de qualidade. ENADE LEMBRETE Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela um novo conhecimento. Com o objetivo de enriquecer seu conheci- mento, construímos, além do livro que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa- res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada! Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confi ra, acessando o QR Code a seguir. Boa leitura! SUMÁRIO UNIDADE 1 - ELEMENTOS DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL ............................................... 1 TÓPICO 1 - O QUE É O ORÇAMENTO EMPRESARIAL? ..........................................................3 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3 2 O QUE É O ORÇAMENTO EMPRESARIAL? ..........................................................................3 3 INTRODUÇÃO ESTUDO DE CASO MEDICAL ASPEN ..........................................................6 RESUMO DO TÓPICO 1 ...........................................................................................................8 AUTOATIVIDADE ....................................................................................................................9 TÓPICO 2 - CARACTERÍSTICAS E PREMISSAS DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL ............11 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................................11 2 CARACTERÍSTICAS DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL ....................................................11 3 SISTEMA ORÇAMENTÁRIO ............................................................................................... 13 4 PREMISSAS DO ORÇAMENTO ..........................................................................................14 RESUMO DO TÓPICO 2 .........................................................................................................16 AUTOATIVIDADE .................................................................................................................. 17 TÓPICO 3 - METAS, IMPLEMENTAÇÃO E CONTROLE ORÇAMENTÁRIO ........................... 19 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 19 2 METAS ORÇAMENTÁRIAS ................................................................................................ 19 3 CONDIÇÕES PARA IMPLEMENTAÇÃO DO ORÇAMENTO ................................................ 21 4 CONTROLE DO ORÇAMENTO ........................................................................................... 24 LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................................. 31 RESUMO DO TÓPICO 3 .........................................................................................................37 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 38 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 40 UNIDADE 2 — TIPOS DE ORÇAMENTOS, PEÇAS ORÇAMENTÁRIAS E PLANEJAMENTO 43 TÓPICO 1 — TIPOS DE ORÇAMENTO ................................................................................... 45 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 45 2 ORÇAMENTO ESTÁTICO .................................................................................................. 45 3 ORÇAMENTO FLEXÍVEL ................................................................................................... 48 4 ORÇAMENTO CONTÍNUO .................................................................................................. 51 5 ORÇAMENTO BASE ZERO ................................................................................................ 54 6 ORÇAMENTO POR ATIVIDADES .......................................................................................57 6.1 BEYOND BUDGETING .........................................................................................................................58 RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................................ 62 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 63 TÓPICO 2 - PEÇAS ORÇAMENTÁRIAS ............................................................................... 65 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 65 2 ORÇAMENTO EMPRESARIAL .......................................................................................... 65 3 ORÇAMENTO DE VENDAS................................................................................................ 66 3.1 MÉTODOS DE ESTIMAÇÃO DE VENDAS .........................................................................................70 4 ORÇAMENTO DE PRODUÇÃO/FABRICAÇÃO .................................................................. 71 4.1 DETERMINAÇÃO DA PROGRAMAÇÃO E POLÍTICA DE ESTOQUES .......................................... 74 4.2 ORÇAMENTO DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO ................................................................................ 77 4.3 ORÇAMENTO DE MATÉRIA-PRIMA .................................................................................................78 4.4 ORÇAMENTO DE MÃO-DE-OBRA DIRETA ..................................................................................... 79 4.5 ORÇAMENTOS DOS CUSTOS INDIRETOS DE FABRICAÇÃO – CIF. .........................................82 5 ORÇAMENTO DE DESPESAS OPERACIONAIS E ORÇAMENTO DE INVESTIMENTO ..... 83 5.1 ORÇAMENTO DE DESPESAS DE VENDAS .................................................................................... 84 5.2 ORÇAMENTO DE DESPESAS ADMINISTRATIVAS ........................................................................85 5.3 ORÇAMENTO DE DESPESAS TRIBUTÁRIAS .................................................................................86 5.4 ORÇAMENTO DE INVESTIMENTO ....................................................................................................87 6 ORÇAMENTO DE CAIXA E ORÇAMENTO DE MARKETING .............................................. 88 6.1 ORÇAMENTO DE CAPITAL DE GIRO ...............................................................................................89 6.2 ORÇAMENTO DE FINANCIAMENTOS ..............................................................................................90 6.3 ORÇAMENTO DE DESPESAS FINANCEIRAS ................................................................................ 91 6.4 ORÇAMENTO DE MARKETING .......................................................................................................... 91 RESUMO DO TÓPICO 2 .........................................................................................................95 AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................96 TÓPICO 3 - O QUE É O PLANEJAMENTO EMPRESARIAL? .................................................99 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................99 2 O QUE É O PLANEJAMENTO EMPRESARIAL? ...............................................................100 3 PLANEJAMENTO: MOTIVOS PARA SUA UTILIZAÇÃO ..................................................103 LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................105 RESUMO DO TÓPICO 3 .......................................................................................................107 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................108 REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 110 UNIDADE 3 — PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO EMPRESARIAL .................................... 113 TÓPICO 1 — TIPOS DE PLANEJAMENTO E RELAÇÃO COM O TEMPO .............................. 115 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 115 2 TIPOS DE PLANEJAMENTO ............................................................................................ 115 2.1 OS TIPOS DE PLANEJAMENTO .......................................................................................................115 2.1.1 Planejamento Estratégico .......................................................................................................116 2.1.2 Planejamento Tático ...............................................................................................................116 2.1.3 Planejamento Operacional .....................................................................................................116 2.1.4 Planejamento de contingência .............................................................................................116 3 RELAÇÃO ENTRE PLANEJAMENTO E TEMPO ................................................................117 3.1 RELAÇÃO COM O TEMPO .................................................................................................................. 117 3.1.1 Planejamento de longo prazo ................................................................................................ 117 3.1.2 Planejamento de curto prazo ................................................................................................118 3.1.3 Integrando os tempos .............................................................................................................119 3.1.4 Existe planejamento de médioprazo? ...............................................................................120 RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................... 121 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................122 TÓPICO 2 - ETAPAS E ASPECTOS DO PLANEJAMENTO ORGANIZACIONAL .................125 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................125 2 AS 5 ETAPAS DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO ORGANIZACIONAL ......................125 3 PLANEJAMENTO – ASPECTOS LIMITANTES ................................................................128 4 MISSÃO E VISÃO ............................................................................................................130 4.1 VISÃO .....................................................................................................................................................131 4.2 MISSÃO ESTRATÉGICA .....................................................................................................................131 RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................134 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................135 TÓPICO 3 - PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO .................................................................. 137 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 137 2 PLANEJAMENTO E O ORÇAMENTO ............................................................................... 137 3 FERRAMENTAS DE PLANEJAMENTO E IMPLEMENTAÇÃO DE PROJETOS .................138 4 ESTUDO DE CASO .......................................................................................................... 140 4.1 ORÇAMENTO DE VENDAS ...............................................................................................................140 4.2 POLÍTICAS DE RECEBIMENTO .......................................................................................................144 4.3 ORÇAMENTO DE PRODUÇÃO ........................................................................................................ 145 4.4 ORÇAMENTO DAS DESPESAS OPERACIONAIS ......................................................................... 157 4.5 ORÇAMENTO DE MARKETING ........................................................................................................ 159 4.6 ORÇAMENTO DE INVESTIMENTOS ............................................................................................... 159 4.7 ORÇAMENTO DE IMPOSTOS E TRIBUTOS ...................................................................................160 4.8 POLÍTICAS DE PAGAMENTOS .........................................................................................................161 4.9 FLUXO DE CAIXA PROJETADO OU ORÇAMENTO DE CAIXA .................................................. 162 4.10 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO PROJETADO .....................................................................164 LEITURA COMPLEMENTAR ...............................................................................................168 RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................................171 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 172 REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 174 1 UNIDADE 1 - ELEMENTOS DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • compreender o que é o orçamento empresarial; • compreender a importância de realizar o orçamento empresarial; • analisar as características de um orçamento empresarial; • criar um orçamento empresarial de acordo com suas premissas; • criar as metas orçamentárias a serem alcançadas pela empresa; • avaliar as condições para implementação do orçamento; • criar o controle do orçamento após sua implementação. A cada tema de aprendizagem desta unidade, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TEMA DE APRENDIZAGEM 1 – O QUE É O ORÇAMENTO EMPRESARIAL? TEMA DE APRENDIZAGEM 2 – CARACTERÍSTICAS E PREMISSAS DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL TEMA DE APRENDIZAGEM 3 – METAS, IMPLEMENTAÇÃO E CONTROLE ORÇAMENTÁRIO Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 2 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 1! Acesse o QR Code abaixo: 3 O QUE É O ORÇAMENTO EMPRESARIAL? 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 1, abordaremos o que é um orçamento empresarial. Sendo um elemento de suma importância para o bom funcionamento de uma organização, é necessário conhecer mais a respeito. Veremos que existem diversas definições para o que é o orçamento, suas funções e finalidades, mas todas elas demonstram que o orçamento está baseado na ideia de planejar e provisionar. Além disso, o orçamento está diretamente ligado às principais atividades da empresa, sendo atrelado aos objetivos organizacionais. Por isso, quando pensamos ou vivenciamos o dia a dia de uma empresa não conseguimos imaginar suas operações sem a sua presença. O orçamento oferecerá a estrutura necessária para garantir o bom desempenho da organização. A partir dele é possível realizar projeções futuras para a empresa, definir suas prioridades e definir metas a serem alcançadas pela organização. Para garantir sua eficácia, é necessário compreender que o orçamento por si só não é capaz de oferecer os resultados esperados, por isso, deve estar diretamente ligado aos objetivos planejados para a organização e suas principais áreas funcionais. 2 O QUE É O ORÇAMENTO EMPRESARIAL? Pode-se dizer que o orçamento pode ser considerado um plano, pois é capaz de demonstrar os recursos necessários e a sua forma de utilização. Os recursos empresariais são: pessoal, técnicas específicas, equipamentos, espaço de trabalho e dinheiro. Por meio do orçamento, é possível comunicar os objetivos e as prioridades para o ano, pois o trabalho não será realizado se os recursos necessários à sua execução não forem orçados. O orçamento tem a função de prever o conteúdo dos demonstrativos financeiros da empresa durante o ano. Prevê também, detalhadamente, os resultados financeiros pertinentes, como receita e custos de todos os tipos, de todos os elementos organizacionais da empresa. Welsch (1996) associa o orçamento às funções administrativas, abrangendo o planejamento, execução, controle, avaliação, motivação e coordenação. A seguir, são descritos conceitos para que se possa compreender como o orçamento empresarial TÓPICO 1 - UNIDADE 1 4 pode ser considerado uma forte ferramenta de planejamento e gestão empresarial em uma organização. Segundo Brookson (2000 apud LUNKES, 2003, p. 39): Orçamento é um plano de atividades futuras. Ele pode assumir diversas formas, mas normalmente reflete os departamentos e o conjunto da empresa em termos financeiros, fornecendo as bases para se aferir o desempenho da organização. O orçamento é uma declaração de planos financeiros para um período que está por vir, normalmente de um ano. Para Lunkes (2003), os orçamentos, além de serem parâmetros para a avaliação dos planos, permitem a apuração do resultado por área de responsabilidade, desempenhando papel de controle por meio dos sistemas de custos e contabilidade. O orçamento está onipresente no ciclo administrativo, ele pode ser definido em termos amplos, com um enfoque sistemático e formal à execução das responsabilidadesdo planejamento, execução e controle. De acordo com Padoveze (2004), orçar significa processar todos os dados constantes do sistema de informação contábil de hoje, introduzindo os dados previstos para o próximo exercício. Segundo Sanvicente e Santos (2000), o orçamento é preparado por uma empresa para cobrir as operações no período de um ano, e sua finalidade é projetar os resultados das atividades previstas e programadas, além de verificar em que medida o lucro ou prejuízo se comparam aos objetivos de rentabilidade desejados pela alta administração ou proprietários. Salienta Atkinson (2000) que o orçamento é uma expressão quantitativa das entradas e saídas de dinheiro para determinar se um plano financeiro atingirá as metas organizacionais. Welsch (1996, p. 27) define orçamento como um plano administrativo que abrange todas as fases das operações para um período futuro definido. É a expressão formal das políticas, planos, objetivos e metas estabelecidas pela alta administração para a empresa como um todo, bem como para uma de suas subdivisões. Um orçamento é a expressão de um plano de ação futuro da administração para determinado período. Ele pode abranger aspectos financeiros e não financeiros desses planos e funciona como um projeto para a empresa seguir no período vindouro. Os orçamentos referentes a aspectos financeiros quantificam as expectativas da administração com relação a receitas futuras, fluxo de caixa e posição financeira (HORNGREN; FOSTER; DATAR, 2000). De acordo com Castro e Santos (2016, p. 62), “ [...] pode-se perceber que os orçamentos, além de serem parâmetros para avaliação dos planos, permitem a apuração do resultado por área de responsabilidade, desempenhando papel de controle por meio dos sistemas de custos e contabilidade, por isso, o orçamento é de extrema importância na atividade administrativa. Ele pode ser definido também como um enfoque sistemático e formal à execução das responsabilidades do planejamento, execução e controle. 5 Dessa forma, é possível associarmos o orçamento às funções administrativas, abrangendo o planejamento, execução, controle, avaliação, motivação e coordenação. Sendo assim, o objetivo principal é atingir com maior eficiência as diferentes atividades empresariais. Zdanowicz (1983, p. 21-22) destaca que o processo orçamentário deve apresentar as seguintes características: “projeção do futuro, flexibilidade na aplicação e participação direta dos responsáveis”. Tung (1994, p. 39) aproveita e complementa, apresentando as características básicas do orçamento: “um grau de acerto aceitável, a adaptabilidade ao ciclo operacional da empresa e a capacidade de demonstrar com rapidez pontos problemáticos e indicar decisões corretivas por meio de relatórios emitidos”. Toda empresa possui metas e objetivos a alcançar e decisões para tomar, e o orçamento empresarial oferece informações importantes, evitando tomada de decisão no improviso, e este não deve ser tomado como uma ferramenta inflexível, pois o mercado exige cada vez mais da empresa o seu potencial de reação às mudanças tanto do ambiente interno como externo. As organizações precisam cada vez mais reduzir ou minimizar os riscos de uma eventual ameaça, se preparar melhor para as oportunidades de negócios, e o orçamento tem grande importância para que os objetivos e metas sejam alcançados com maior segurança e viabilidade. O orçamento empresarial, entretanto, traduz esse planejamento e controle em algo mais estruturado, quantitativo e palpável no processo de administração. A potencialidade do uso do orçamento deve ser entendida de maneira a reconhecer que não se trata de uma técnica separada a ser utilizada independentemente do processo de administração como um todo. Ao contrário, os conceitos aplicados à formulação e execução de um orçamento devem estar integrados aos diversos estágios e técnicas de administração, para gerir uma organização. A montagem final do orçamento empresarial é tentar definir a previsão dos resultados operacionais que são esperados para o período orçado, bem como todos os problemas não previstos a serem resolvidos em cada fase de execução das atividades que foram orçadas para esse mesmo período. Um dos principais objetivos do orçamento é prever os fluxos de caixa, os resultados e o patrimônio da empresa, exercer o controle sobre eles e quantificar as metas previamente definidas no planejamento estratégico. O orçamento é uma ferramenta de planejamento e de controle do comportamento das organizações, isso pois pode fixar limites para os gastos organizacionais para priorizar o atingimento de um objetivo. O orçamento é importante no planejamento, pois representa o que se pretende atingir, com base nas metas da organização. 6 Em relação ao controle, ele é importante pois permite que os objetivos organizacionais sejam atingidos com base no acompanhamento dos resultados planejados. Assim como no ambiente familiar, as empresas podem passar por dificuldades caso não utilizem de forma adequada o orçamento. O orçamento expressa o que a empresa planeja fazer durante o ano em termos concretos de pessoal, recursos financeiros, equipamentos, e os resultados esperados em termos concretos de pedidos, vendas, lucro e fluxo de caixa. O orçamento prevê o conteúdo dos demonstrativos financeiros da empresa – lucros e perdas, balancete e demonstrativos de fluxo de caixa – durante, detalhadamente, os resultados financeiros pertinentes, como receita e custos de todos os tipos, de todos os elementos organizacionais da empresa. Agora que você já tem conhecimento sobre o que é o orçamento empresarial e sua importância, que tal assistir a uma aula para aprofundar seus conhecimentos e obter dicas práticas e exemplos sobre sua aplicação? Sugerimos uma aula ministrada pelo professor tutor Arílio. Você poderá assistir clicando no link: https://www.youtube.com/watch?v=rEHmZ1TOtU4. DICA 3 INTRODUÇÃO ESTUDO DE CASO MEDICAL ASPEN A Medical Aspen (empresa fictícia) foi idealizada por dois irmãos com visão empreendedora, que moraram mais de 10 anos nos EUA atuando no setor de desenvolvimento/fabricação e venda de produtos na área da saúde. Voltaram para o Brasil com uma forte influência sobre a importância do planejamento e gestão para que as organizações possam prosperar e vasto conhecimento sobre produção e venda de produtos inovadores na área da saúde. A organização, recém-criada no Brasil já trabalha com planejamento anual (curto prazo) e de 5 e 10 anos (longo prazo) e, consequentemente, com a elaboração do seu orçamento. E como é tudo muito recente, a organização não possui um histórico, apenas projeções a respeito dos números (receitas, despesas, variações, comportamento, dados de produção, tempos de processos, entre outros) de todos os setores e departamentos. Atualmente, os aplicativos de gestão integrados (vendas, estoques, logística, CRM, finanças, compras, produção, contabilidade etc.) que a organização utiliza (softwares e serviços de hospedagem de dados), bem como os produtos e matérias-primas adquiridas para fabricação e revenda são 80% adquiridos nos EUA. 7 Será que o fato de 80% dos insumos utilizados nas atividades desenvolvidas pela empresa serem importados faz que algum aspecto do orçamento deveria ter mais atenção? Esse seria o único aspecto a ser um destaque na elaboração do orçamento? A cotação do dólar, ou seja, a relação da quantidade de R$ (reais) para se comprar U$ 1 (um dólar) pode ter variações radicais em um único dia. Imagine em um ano. Isso pode determinar que alguns gatilhos fiquem ativos em relação à elaboração do orçamento, visando situações em que essa relação entre R$ e U$ se torne elevada ou não prevista. E quanto à não existência de dados históricos, face ao empreendimento e à implementação do orçamento serem algo recente, faz com que, na prática, a preparação do orçamento possa ficar comprometida, não pelas mudanças externas, mas pela ausência de informaçõeshistóricas consistentes. Contudo, se você tiver um conhecimento aprofundado sobre o sistema orçamentário, características, premissas, metas, implementação e controle, isso certamente vai ajudar. Para você experimentar uma minúscula situação sobre previsão de recursos, convidamos você a um desafio. Faça, para o próximo mês, uma relação, pode ser no computador, celular, caderno ou utilizando uma planilha do Excel, a ação de listar os recebimentos que estão previstos (salário, aluguel, lucro, comissões, juros, doações), qualquer recebimento, desde que seja recurso financeiro. Bens não contam, como celular, roupas, calçados e até alimentos. Apenas “dinheiro” ou que pode ter acesso sacando em uma Instituição Financeira. Faça o mesmo agora com o que você vai ter que pagar (energia elétrica, conta de celular, internet, telefone fixo, conta de água, impostos, gás, combustível para o carro, supermercado, saúde, educação, seguros, pet shop, lazer, assinatura de conteúdos digitais etc.). Depois de passar o mês, compare os valores que fez a previsão de receber com os de fato recebidos. E também os que fez a previsão de pagar com o que de fato pagou. Certamente você vai notar algumas características interessantes e muito parecidas quando se fala desse tipo de orçamento, também chamado de orçamento pessoal: a) A diversidade de fontes de receita geralmente é pouca: salário, aluguel, lucro, comissões, juros, doações etc. b) A diversidade de fontes de pagamento geralmente é muita: aluguel, combustível, impostos, alimentação etc. Você conseguiu elaborar o orçamento do seu mês? Quantas fontes de entrada de recursos e respectivos valores você conseguiu reunir? E de saídas? O orçamento que você projetou foi igual às entradas e saídas que realmente ocorreram? Utilize essas reflexões para começar a colocar em prática os conteúdos que serão aprendidos no decorrer desta unidade. 8 Neste tema de aprendizagem, você aprendeu: • Que o orçamento é, fundamentalmente, um plano. Ele mostra os recursos necessários e a sua forma de utilização. Através do orçamento, é possível comunicar os objetivos e as prioridades para o ano. • Que realizar o orçamento empresarial é importante, pois trata-se de uma condição que favorece e auxilia no planejamento da organização, contribuindo também para o seu bom funcionamento. • Ao elaborar e executar o orçamento, deve ser considerada certa flexibilidade, pois o mercado atual encontra-se em constantes mudanças, as quais devem ser absorvidas pelas empresas. Dessa forma, o planejamento do orçamento não deve ser demasiadamente rígido, pois ele é uma ferramenta essencial a qualquer administrador. RESUMO DO TÓPICO 1 9 AUTOATIVIDADE 1 O orçamento empresarial possui diversas definições, mas, em linhas gerais, pode ser entendido como um plano que demonstrará os objetivos a serem atingidos pela empresa em determinado período. Esse plano elucida os recursos necessários para alcançar os objetivos propostos, bem como sua forma de utilização. Sobre os recursos empresariais, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Os recursos empresariais são: pessoal, técnicas específicas, equipamentos, espaço de trabalho e dinheiro. b) ( ) Os recursos empresariais não podem ser previstos, pois atendem às demandas emergentes da empresa. c) ( ) Os recursos empresariais devem ser administrados por terceiros, garantindo, assim, melhor aproveitamento do orçamento. d) ( ) Para que os recursos empresariais permitam o alcance dos objetivos empresariais, é necessário analisá-los de forma separada do planejamento empresarial. 2 O orçamento é parte integrante essencial da organização e está diretamente atrelado às funções administrativas, permitindo eficiência nas atividades empresariais. Para que uma organização funcione adequadamente, é necessário estipular metas e executar atividades para orquestrar essas duas esferas, de forma a garantir o bom desempenho organizacional. Sobre as principais funções administrativas, analise as sentenças a seguir: I- O planejamento faz parte das funções administrativas básicas e tem como foco prever os recursos necessários para que a organização opere suas atividades em determinado período de tempo. II- Após o planejamento, deve-se deixar as atividades fluírem de acordo com a capacidade de execução do time e suas percepções sobre como realizá-las. III- A motivação dos colaboradores é função essencial para garantir o compromisso com os objetivos propostos, e as lideranças devem estar atentas constantemente atentas aos níveis de motivação de suas equipes. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 10 3 Sabendo que o orçamento se trata de um plano que esmiúça os recursos necessários para as operações, é importante atentarmos também às suas características básicas. Isso significa compreender quais são os parâmetros que definem de fato a atuação do orçamento e se ele realmente cumpre com seu objetivo. Sobre as características básicas de um orçamento descritas por diversos autores no decorrer da Unidade 1, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) O processo orçamentário deve apresentar as seguintes características: projeção do futuro, flexibilidade na aplicação e participação direta dos responsáveis. ( ) O orçamento é parte integrante da área financeira de uma organização e não possui relação com as demais áreas funcionais da empresa. ( ) O orçamento deve possuir como características básicas um grau de acerto aceitável, adaptabilidade ao ciclo operacional da empresa e capacidade de demonstrar com rapidez pontos problemáticos e indicar decisões corretivas por meio de relatórios emitidos. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 O orçamento pode ser entendido tanto como uma ferramenta de planejamento como de controle no comportamento das organizações. Para as organizações e para as pessoas, pode ser de grande valia, já que é capaz de estabelecer limites em relação aos gastos para que os objetivos e metas estabelecidos sejam atingidos. Disserte sobre como o orçamento pode oferecer esses benefícios para a organização de forma prática. 5 O ambiente externo e interno das empresas está em constante mudança, por isso é exigido das empresas que respondam às mudanças da melhor forma possível. Sem dúvidas, agir de forma planejada permite a redução das incertezas por parte da organização e seus interessados, permitindo melhores oportunidades de negócio. Nesse contexto, disserte sobre como o orçamento empresarial pode ser um aliado para melhor desempenho das organizações. 11 CARACTERÍSTICAS E PREMISSAS DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL 1 INTRODUÇÃO Sabendo que o orçamento é um elemento importante para as organizações, precisamos conhecer melhor suas características. Não basta relatar os recursos necessários para sua elaboração, é necessário que o orçamento cumpra com critérios básicos para ser considerado eficaz. Esses fatores irão elucidar as principais funções de um orçamento e quais as expectativas devem ser atendidas para garantir que cumpra com o seu papel. Além disso, conhecer e saber utilizar o orçamento oferece diversas vantagens para as organizações. O orçamento é uma ferramenta essencial e tem o poder de favorecer o desempenho da organização, facilitando o alcance de objetivos e metas estipuladas durante o planejamento estratégico. Veremos que o orçamento não é uma ferramenta isolada, mas sim um sistema que envolve atividades operacionais, táticas e estratégicas. Isso significa que, como aliado do planejamento, o orçamento contempla todas as áreas da organização e oferece um panorama completo sobre os recursos e açõesnecessárias para sua elaboração, implementação e controle. O sistema orçamentário possui também características específicas, que serão apresentadas no decorrer desta unidade. Por fim, compreenderemos melhor sobre as premissas básicas de um orçamento, que são o norteador para sua elaboração e execução. Essas premissas atendem a parâmetros externos e internos da organização. Nesse caso, são levados em consideração especialmente fatores econômicos que influenciam a aplicação do orçamento, considerando o contexto em que a empresa está inserida. 2 CARACTERÍSTICAS DO ORÇAMENTO EMPRESARIAL O orçamento pode ser caracterizado pelas seguintes premissas básicas, segundo Zdanowicz (2000): a) Projeção para o futuro – deverá especificar o quanto e quando as atividades deverão concretizar-se, considerando, em parte, o presente para projetar o futuro. b) Flexibilidade na aplicação – deverá ter mecanismos que permitam a rápida adaptação às mudanças que ocorram no mercado. UNIDADE 1 TÓPICO 2 - 12 c) Participação direta dos responsáveis – todos os níveis da empresa deverão participar do processo e comprometer-se com a execução. d) Global – todas as unidades e atividades da empresa deverão participar. e) Prático – a elaboração do orçamento deverá ser em tempo hábil, para que a sua execução possa ocorrer no momento certo. f) Critérios uniformes – é necessária a defi nição de princípios e padrões para ser possível a avaliação do orçamento. g) Quantifi cação – expressa em valores físicos e monetários. h) Economicidade – deverá revelar, em termos econômicos, o que se terá de fazer e o que se pretende fazer na empresa no período orçamentário. Sanvicente e Santos (2000) consideram as vantagens do orçamento. Dentre as mais signifi cativas, pode-se mencionar: a) A existência e a utilização do sistema para que sejam concretamente fi xados objetivos e políticas para a empresa e suas unidades. b) Por meio de uma investigação de diversos orçamentos parciais em um orçamento global, esse sistema de planejamento força todos os membros da administração a fazerem planos de acordo com os planos de outras unidades da empresa, aumentando seu grau de participação e fi xação de objetivos. c) Obriga os administradores a quantifi carem e datarem as atividades pelas quais serão responsáveis, em lugar de se limitarem a compromissos com metas nos orçamentos. d) Reduz o envolvimento dos altos administradores com as operações diárias, por meio da delegação de poderes e de autoridade que se refl etem nos orçamentos das diferentes unidades operacionais. e) Identifi ca os pontos de efi ciência ou defi ciência no desempenho das unidades da empresa e permite acompanhar em que termo está havendo progresso para a consecução dos objetivos gerais e parciais da empresa. f) Finalmente, a preparação de um orçamento para toda a empresa tende a melhorar a utilização dos recursos a ela disponíveis, bem como ajustá-lo às atividades consideradas prioritárias, para que sejam alcançados seus objetivos. O orçamento empresarial é amplamente estudado por cientistas como ferramenta de controle das organizações. Pesquisas demonstram que o orçamento é extremamente útil para garantir o bom desempenho da organização. O orçamento está diretamente ligado às funções de planejamento, apesar disso, existem vertentes que indicam que o orçamento deveria ser cada vez mais valorizado pelas empresas e que suas capacidades devem ultrapassar o papel de auxiliar do planejamento, pois favorece melhoria nos processos de gestão e permite melhores tomadas de decisões e por isso, possui caráter multifuncional. Vamos aprofundar nosso conhecimento nas potencialidades do orçamento? Leia o artigo O campo de discussão do orçamento empresarial: uma análise das publicações no Brasil, publicado no XXVII Congresso Brasileiro de Custos. Disponível em: https://anaiscbc.emnuvens. com.br/anais/article/download/4784/4805/4922. Acesso em: 28 mar. 2023. INTERESSANTE 13 3 SISTEMA ORÇAMENTÁRIO O orçamento empresarial é parte integrante do planejamento estratégico, elaborado a partir do planejamento operacional, tendo nesta fase a influência de todos os setores e departamentos de uma empresa. O objetivo principal do Orçamento Empresarial, a nível de resultado final, é possibilitar a previsão dos fluxos de caixa, dos resultados e da situação patrimonial de uma organização para um determinado período. Entretanto, o controle dos itens que formam o orçamento é fundamental para que esse propósito seja atingido. Assim, é necessário o desenvolvimento de um sistema orçamentário completo, onde todas as atividades, tanto operacionais quanto de apoio e retaguarda da empresa, sejam contempladas no planejamento operacional. Para tanto, é importante também a participação de todos os níveis hierárquicos, de forma direta ou indireta, na elaboração dos objetivos da empresa. Antes de abordarmos especificamente o Sistema Orçamentário, é necessário um melhor entendimento sobre a definição de “sistema”. De acordo com Oliveira (1999, p. 23), “sistema é um conjunto de partes interagentes e interdependentes que, conjuntamente, formam um todo unitário com determinado objetivo e efetuam determinada função”. E segundo Catelli et al. (2001), a clara visão de um sistema pode ser contemplada apenas com uma visão integral de suas funcionalidades. Por isso, entendemos que as empresas são vistas como sistemas, compostos por subsistemas, mas que estas também estão inclusas em um sistema maior, chamado de sociedade. Todo sistema empresarial é aberto e dinâmico, tem que desenvolver uma capacidade de adaptação ou de influência no meio em que está inserido para garantir a sua continuidade. É interessante observar que em nenhum momento foi mencionado que, obrigatoriamente, um sistema é formado por máquinas ou, simplesmente, por softwares e hardwares, pois deve ficar claro que o sistema é um conjunto de partes interagentes e interdependentes, portanto, como tal, deve ser compreendido como o conjunto de homens e máquinas que interagem visando um objetivo comum: produzir informação. Da mesma forma, o sistema orçamentário não é um software ou qualquer outro aplicativo de gestão, mas sim as partes e processos participantes e agentes no processo de geração e formalização do orçamento empresarial. Diante do exposto, observe a interdependência do sistema orçamentário dentro do ambiente da empresa, sua influência, por meio de seus departamentos, e sua realidade com o meio externo. De acordo com Santos et al. (2008), as principais características que devem compor um sistema orçamentário são: • Projeção para o futuro. • Expressão monetária. 14 • Flexibilidade. • Comprometimento. • Completude. • Oportunidade. • Uniformidade. • Controle. 4 PREMISSAS DO ORÇAMENTO Premissas são orientações básicas, ou pressupostos (suposições antecipadas), para dar início ao processo de elaboração do orçamento empresarial, que será em conformidade com o planejamento estratégico da empresa. As premissas orçamentárias são definidas após a definição das estratégias, políticas internas e metas que vão vigorar durante o período orçado. As premissas iniciam a elaboração do orçamento empresarial. Essas premissas são parâmetros para a determinação de fatores que deverão influenciar os números do orçamento como, por exemplo: políticas quantitativas (estoques), remuneração do pessoal, inflação etc. Elas também devem atender aos parâmetros regularmente adotados pela empresa, como moeda e volume (dos itens do estoque, dados regionais etc.). Os diversos departamentos e setores da empresa preparam suas estratégias operacionais com base nas políticas e metas com o propósito de atingir o objetivo global definido para suas áreas de acordo com o planejamento estratégico. Ao definir as metas de lucro, consequentemente estamos nos referindo à definição de metas de ganhos, despesas e perdas. Esse lucro deve atender à remuneração do capital de terceiros (financiamentos) e do capitalpróprio (acionistas). Com base no desempenho histórico da empresa, sua situação atual e as perspectivas projetadas para o cenário, são definidas as metas de desempenho, que inclusive possibilitam a identificação de problemas com a finalidade de corrigir eventuais distorções. Ao se trabalhar com projeções, deve-se utilizar um cenário previsto, tendo em vista tanto o aspecto otimista quanto o pessimista, em que devem ser analisados alguns fatores, como os elencados por Santos et al. (2008): • PIB – Produto Interno Bruto: nível de atividade econômica do país. • Taxa de inflação: perda do poder aquisitivo da moeda. • Taxa de juros: custo de oportunidade de reter o recurso. 15 Para a correta projeção de valores em um cenário futuro, é recomendado utilizar- se de índices econômicos como poupança, Selic (taxa básica de juros da economia), CDI (Certificado de Depósito Interbancário, é uma taxa de juros utilizada nos empréstimos entre os bancos), dólar (moeda americana), IGPM (Indicador Geral de Preços do Mercado bastante importante para entender a economia do país) etc. Estes devem ser considerados no cadastro orçamentário para que possam corrigir desvios de mensuração de valor observados durante o período orçado. Segundo Frezatti (2007), as premissas podem ser divididas em: 1. Operacionais, relacionadas às atividades efetivas da empresa, como, por exemplo: • Fatores de consumo de materiais e mão de obra. • Hierarquia de produtos para o período futuro. • Estrutura organizacional do ponto de partida. • Relação dos centros de custos e unidades de negócios a detalhar no plano de contas. • Tendência de obtenção de insumos (importados ou nacionais). • Pontos de partidas (saldos de balanços, preços dos produtos, preço dos insumos, salários etc.). 2. Estruturais, como: • Moeda de decisão utilizada. • Período de planejamento (anual, semestral, coincidente com ano civil ou não). 3. Econômico-financeiras, a citar: • Inflação. • Juros. • Variação nos preços dos insumos. • Variação cambial. Para saber mais como avaliar fatores macroeconômicos brasileiros que afetam as organizações, é possível consultar o site do IPEA. Trimestralmente são elaborados relatórios denominados "Cartas de Conjunturas", que abordam as tendências econômicas do período. Essas informações são valiosas e podem ser utilizadas de forma confiável para avaliação de fatores externos das organizações. Para saber mais, acesse o site do IPEA, busque por Carta Conjuntura e acesse a carta do período: www.ipea.gov.br. INTERESSANTE 16 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tema de aprendizagem, você aprendeu: • As características básicas que compõem todos os orçamentos empresariais, necessárias para sua estruturação. • A necessidade do desenvolvimento de um sistema orçamentário completo, onde todas as atividades, tanto operacionais quanto de apoio e retaguarda da empresa, sejam contempladas no planejamento operacional. Por isso, é necessária a participação de todos os níveis hierárquicos, de forma direta ou indireta, na elaboração dos objetivos da empresa. • Que as premissas orçamentárias são definidas após a definição das estratégias, políticas internas e metas que vão vigorar durante o período orçado. As premissas iniciam a elaboração do orçamento empresarial. Essas premissas são parâmetros para a determinação de fatores que deverão influenciar os números do orçamento. 17 RESUMO DO TÓPICO 2 AUTOATIVIDADE 1 As premissas são orientações básicas, ou pressupostos (suposições antecipadas), para dar início ao processo de elaboração do orçamento empresarial, que será em conformidade com o planejamento estratégico da empresa. As premissas podem ser divididas em operacionais, estruturais e econômico-financeiras. Sobre as premissas econômico-financeiras, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As premissas econômico-financeiras dizem respeito às atividades realizadas no dia a dia das organizações. b) ( ) Uma premissa econômico-financeira básica a ser considerada no orçamento é o período de planejamento (anual, semestral, coincidente com ano civil ou não). c) ( ) As premissas econômico-financeiras são: inflação; juros; variação nos preços dos insumos; variação cambial. d) ( ) Nas premissas econômico-financeiras, devem ser consideradas a relação dos centros de custos e unidades de negócios a detalhar no plano de contas. 2 O orçamento é uma ferramenta essencial e tem o poder de favorecer o desempenho da organização, facilitando o alcance de objetivos e metas estipuladas durante o planejamento estratégico. Utilizar o orçamento da forma correta apresenta uma série de vantagens para as empresas. Sobre as vantagens do orçamento, analise as sentenças a seguir: I- Esse sistema de planejamento força todos os membros da administração a fazerem planos de acordo com os planos de outras unidades da empresa, aumentando seu grau de participação e fixação de objetivos. II- Reduz o envolvimento dos altos administradores com as operações, por delegar poderes e autoridade que se refletem nos orçamentos das unidades operacionais. III- A elaboração do orçamento deverá ser em tempo hábil, para que a sua execução possa ocorrer no momento certo. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 18 3 Para elaborar e implementar um orçamento, é necessário conhecer suas características e quais os parâmetros necessários para que ele cumpra sua finalidade. Esses parâmetros são denominados premissas. As premissas irão estabelecer os limites de um bom orçamento, sendo indispensável atender a seus critérios para torná-lo efetivo. Sobre as premissas do orçamento, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) O orçamento deverá especificar o quanto e quando as atividades deverão concretizar- se, considerando, em parte, o presente para projetar o futuro. ( ) Uma das premissas básicas é de que deverá revelar, em termos econômicos, o que se terá de fazer e o que se pretende fazer na empresa no período orçamentário. ( ) O orçamento deve relacionar os centros de custos e unidades de negócios a detalhar no plano de contas. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) V – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 Para definir metas de lucro durante a elaboração do orçamento, devemos levar em consideração os objetivos organizacionais e necessidade de remuneração dos acionistas. Além disso, é necessário compreender mais os fatores internos e externos da organização que possibilitem definir o seu cenário atual e realizar projeções futuras que irão guiar a confecção das metas estabelecidas. Disserte sobre os fatores internos e externos a serem considerados nas premissas do orçamento. 5 O objetivo principal do Orçamento Empresarial, em nível de resultado final, é possibilitar a previsão dos fluxos de caixa, dos resultados e da situação patrimonial de uma organização para um determinado período. Porém o orçamento empresarial é parte integrante do planejamento estratégico elaborado a partir do planejamento operacional, tendo nessa fase a influência de todos os setores e departamentos de uma empresa. Explique sobre o que é a necessidade de realizar um sistema orçamentário completo nas organizações. 19 TÓPICO 3 - METAS, IMPLEMENTAÇÃO E CONTROLE ORÇAMENTÁRIO 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 3, falaremos sobre as metas orçamentárias, as condições para implementação de um orçamento e também sobre o controle do orçamento empresarial. Para que o orçamento elaborado seja efetivamente colocado em prática, devemos alinhá-lo ao planejamento estratégico e os objetivos organizacionais. Feito isso, é possível estabelecer metas a serem executadas por cada uma das áreas funcionais da empresa.Após a definição das metas, elaboradas juntamente com o planejamento estratégico, podemos iniciar a implementação do orçamento empresarial. A implementação ocorre respeitando condições mínimas para sua implementação, atentando aos potenciais fatores críticos que podem afetar seu desempenho, bem como mitigar possíveis falhas orçamentárias. Por fim, após a implementação, é necessário realizar o controle do orçamento empresarial. O controle possibilita monitorar o desempenho e as metas estabelecidas e o andamento das atividades relacionadas. Com controle, é possível realizar possíveis ajustes durante e após a implementação, garantindo, assim, o cumprimento das metas estabelecidas. Com esse tema de aprendizagem, encerramos a Unidade 1, esperando que você seja capaz de compreender os conceitos e elementos básicos de um orçamento. Os temas aqui apresentados servirão de base para darmos sequência aos próximos temas. 2 METAS ORÇAMENTÁRIAS Observadas em todas as grandes empresas, e talvez temidas pela maioria dos executivos, as metas orçamentárias têm o propósito de quantificar os objetivos do planejamento estratégico. E nesse momento, as premissas certamente se manifestaram, influenciando as metas. As metas de vendas, de remuneração, de corte de gastos, de contratações, de caixa, ou quaisquer que sejam, têm sua origem no Orçamento Empresarial, por isso, todas elas são metas orçamentárias. São metas ligadas ao desempenho da empresa que devem basear o modelo orçamentário. Algumas metas de desempenho listadas por Santos et al. (2008) são: UNIDADE 1 20 • Aumento do giro dos ativos. • Aumento ou redução do nível de capital de giro. • Redução do índice de devolução de vendas. • Redução do índice de inadimplência dos clientes. • Redução do custo com mão de obra por meio de produtividade. • Redução ou aumento do endividamento da empresa. • Redução do nível de imobilização do patrimônio líquido. • Redução ou aumento do nível de estoques. Essa etapa de estabelecimento de metas pode ocorrer unilateralmente, sem qualquer troca de informações entre superiores e subordinados, ou pode ocorrer mediante um processo de negociação em que constantes interações entre superiores e subordinados buscam reduzir as diferenças de visão e informações de mercado existentes até que as metas orçamentárias sejam efetivamente definidas. Anthony e Govindarajan (2002) explicam que, em termos descritivos, no processo de negociação das metas orçamentárias, os gerentes de área, ou departamentais, têm a responsabilidade de levantar suas metas, as quais serão avaliadas por seus superiores, que poderão aprová-las ou não de imediato. No caso de não aprovação, alterações nas metas orçamentárias são negociadas até que se alcance a aprovação final. Interessante atentar ainda para as observações de Anthony e Govindarajan (2002), que, segundo eles, a participação dos gerentes na elaboração do orçamento provoca motivação por duas razões: 1. A aceitação das metas orçamentárias e o empenho dos gerentes em cumpri-las são maiores, pois elas não foram impostas pela alta administração. 2. A participação dos gerentes na elaboração do orçamento promove a troca de informações importantes entre os diversos setores. Quanto à definição de metas, Garrison e Noreen (2001) afirmam que os programas orçamentários mais bem-sucedidos são os que adotam o método “debaixo para cima”, principalmente se o orçamento for utilizado como base para a avaliação dos gerentes. Shim e Siegel (2005) lembram que, apesar do envolvimento dos gerentes de nível inferior, a alta administração ainda deve participar do processo orçamentário para garantir que as metas combinadas dos vários departamentos sejam consistentes com os objetivos de lucratividade da empresa. E de que há desvantagens, visto que é um processo demorado de participação e disseminação das informações, e as unidades operacionais podem negligenciar alguns objetivos da empresa. 21 3 CONDIÇÕES PARA IMPLEMENTAÇÃO DO ORÇAMENTO Assim como uma planta que precisa de certas condições ao seu redor (temperatura, água, nutrientes, oxigênio etc.) para germinar, crescer e se desenvolver, o orçamento também precisa de algumas condições ao seu redor para ser implementado. Ou seja, para a implantação de um processo de orçamento em uma empresa, exigem-se as mínimas condições, que, a seguir, são descritas por Zdanowicz (2000): 1. Estrutura organizacional – compatível com os objetivos e as metas propostas em seu plano geral de operações; 2. Contabilidade aberta, informatizada e descentralizada – processo autogerenciável – lançamento contábil feito na origem pelo próprio usuário; 3. Fixação dos objetivos e das metas da empresa – análise da situação interna e externa; 4. Disciplina e seriedade. Welsch (1983) destaca que o processo orçamentário exige da empresa: a) Um sistema de informação. b) Dados contábeis. c) Históricos adequados e apropriados. Para Lunkes (2003), a organização deve verificar algumas condições a serem consideradas para a implementação do orçamento, como ter objetivos operacionais (taxa interna de retorno, participação no mercado global e maximização do lucro). Recomenda-se que a empresa possua a contabilidade aberta e informatizada, voltada para o aspecto gerencial, possibilitando um controle orçamentário. A organização também tem que fazer uma análise dos fatores macroeconômicos, tais como a situação da economia, a evolução do setor em que a empresa atua, evolução da taxa de inflação, tendências dos preços dos produtos e as taxas de juros. A estrutura organizacional deve estar definida, os níveis hierárquicos existentes têm que ser explícitos, deve existir interdependência dos órgãos subordinados, possuir linhas de comunicação ascendentes e descendentes e também ter delegação de autoridade e cobranças de responsabilidade. Dentre as várias condições para implantação do orçamento, podemos ter uma síntese delas na Figura 1 a seguir. 22 Figura 1 – Condições para implantação do orçamento Fonte: Lunkes (2003, p. 45) Fatores críticos devem ser considerados para o sucesso na elaboração, implantação e acompanhamento do processo orçamentário. Torna-se oportuno comentar sobre os fatores críticos para o sucesso na política de gestão orçamentária. E para um melhor entendimento, o Quadro 1 a seguir traz esses fatores resumidos: Quadro 1 – Fatores imprescindíveis para o sucesso na implantação do orçamento Fatores Imprescindíveis Abrangência, oportunidades e características do sistema orçamentário Envolvimento da alta direção, dos demais executivos e funcionários. Apoio da alta direção. Empenho integral e participativo de cada integrante do quadro de funcionários da empresa. Adaptação organizacional. Adequação da estrutura organizacional. Evitar duplicação ou diluição de esforços e responsabilidades. Considerar a cultura da organização. 23 Fonte: Oliveira, Perez Junior e Silva (2002, p. 125) Apesar das vantagens e contribuições do orçamento, ele pode também apresentar algumas falhas. Os dados contidos nos orçamentos não passam de estimativas, estando, assim, sujeitos aos eventos internos e externos que podem afetar o processo de previsão, inviabilizando sua concretização. Dentre tais elementos, podemos listar a seguir algumas das principais causas de falhas na implantação de um sistema de orçamento: a) Estrutura organizacional inadequada. b) Sistema ineficaz de registro contábil. c) Falta de um sistema de custos definidos. d) Falta de apoio efetivo da cúpula administrativa. e) Expectativa grande demais em relação ao novo processo de trabalho. f) Implantação muito apressada. g) Supervisão e administração deficientes. h) Expectativa prematura de resultados. i) Falta de cooperação necessária. j) Falta de êxito na análise dos resultados e na apuração das causas das variações. k) Falta de dados históricos. l) Papelada excessiva ou detalhes excessivos. m) Período de projeção longo demais. Clara definição dos objetivos e dos padrõesde desempenho. Antes do momento de decisão. Padrões comparáveis com resultados. Comunicação integral. Responsabilidades e objetivos. Todos os níveis da estrutura organizacional. Definição de expectativas realistas. Evitar conservadorismo exagerado. Evitar otimismo irracional. Procurar alcançar alto nível de eficiência global. Oportunidade. Planos de datas. Relatórios de desempenho oportunos. Reconhecimento do esforço individual e do grupo. Justo, compreensível, preciso. Evitar estereótipos e preconceitos na avaliação da performance. Acompanhamento. Se inferior às metas, adotar ações corretivas de formas construtivas. Se favorável, divulgar para as demais áreas. 24 n) Falta de definição do processo de elaboração do orçamento. o) Falta de flexibilidade na reformulação das estimativas. p) Pesquisa de mercado malfeita. q) Falta de decisões globais sobre as políticas de preços, salários, despesas etc. 4 CONTROLE DO ORÇAMENTO O controle também faz parte de uma das funções administrativas, conforme já vimos anteriormente. Sua principal função é assegurar que os resultados planejados, organizados e dirigidos se ajustem aos objetivos estabelecidos, ou seja, verifica se está ou não atingindo os objetivos desejados. Sua presença no dia a dia da empresa é de vital importância, pois, sem ele, não ocorrerá o que foi planejado e não haverá como o administrador ter êxito na organização e direção da empresa. Segundo Atkinson (2000), o processo de monitoramento, avaliação e melhoria do desempenho operacional da empresa, no propósito de atingir os seus objetivos maiores, ou primários, é denominado de controle organizacional. Este, por sua vez, é o conjunto de métodos e ferramentas que os colaboradores da empresa dispõem para manter o foco nestes objetivos. Sua essência se embasa na verificação de que a atividade controlada está ou não alcançando os objetivos propostos. O controle é desmembrado em quatro fases: 1. Estabelecimento de padrões: ou seja, desempenhos desejados, que servem como balizas para definir o que é normal ou desejável. Alguns exemplos: custo-padrão, padrão de qualidade, tempo padrão. 2. Observação do desempenho: refere-se ao conhecimento e acompanhamento das operações e atividades das quais se espera um resultado de acordo com o planejado. 3. Comparação entre o desempenho e o padrão: permite detectar variações, erros ou desvios, observados os limites estabelecidos como normais ou aceitáveis. Esta pode ser feita por meio de estatísticas, gráficos, índices, porcentagens etc. 4. Ação corretiva: tem a finalidade de manter as atividades de acordo com os padrões estabelecidos. É a ação decorrente da identificação dos fatos descritos no item anterior. O processo de controle não tem nenhuma importância se a empresa não exercer as correções necessárias nas suas operações. Por fim, o controle pode ter abrangência em todos os tipos de planejamento, seja estratégico, tático ou operacional. Dentre tais elementos, o controle orçamentário é a técnica que procurará acompanhar, avaliar e analisar o planejamento financeiro em suas várias etapas, verificando as defasagens entre os valores orçados e realizados, para sugerir as medidas saneadoras que deverão ser implementadas na próxima proposta orçamentária da empresa. 25 Conforme Frezatti (2000, p. 37): “controle orçamentário é a forma de realimentar o sistema de planejamento, dependendo do seu grau de sofisticação deste último, ele pode ser estruturado de maneira flexível ou rígida, complexa ou simplificada, centralizada ou participativa”. A ideia central de um processo de controle orçamentário é de que não há sentido em fazer planejamento sem um esquema de controle ou vice-versa. Na medida do possível, no entendimento de Sanvicente e Santos (2000), o controle deverá apoiar- se num sistema de informações cujos produtos serão os relatórios, que forneçam indicações oportunas e rápidas para a tomada de decisões quanto a medidas corretivas ou não, apontando os setores e os responsáveis pelos bons ou maus desempenhos. Cada unidade deve ser responsável pelo controle das suas receitas e de suas despesas, os relatórios de acompanhamento devem conter os itens que o administrador do centro pode decidir. Os principais objetivos do relatório de acompanhamento do controle são: a) Confrontar os valores realizados com os orçados. b) Analisar as defasagens positivas e negativas entre os valores realizados e projetados. c) Auxiliar a empresa em sua contínua conquista de retorno sobre o capital investido. d) Sugerir medidas preventivas, corretivas e saneadoras, em tempo hábil, para que a empresa possa alcançar seus objetivos e metas. Uma das formas de se acompanhar o orçamento e as metas é por meio de indicadores de desempenho. É o processo que objetiva medir a situação real contra um padrão, previamente estabelecido e de consenso entre as partes. Deve servir para avaliar os valores realizados em relação aos projetados. Para Zdanowicz (2000), as características dos indicadores estão relacionadas aos níveis econômicos: mundial, nacional, estadual, setorial e interno. a) Nível mundial – principalmente para as empresas que pretendem exportar ou importar produtos: 1. Produto nacional bruto. 2. População economicamente ativa. 3. Distribuição de renda da população. 4. Flutuações da oferta e da demanda de produtos ou serviços no mercado Internacional. 5. Informações sobre o comportamento de safras agrícolas etc. b) Nível nacional e estadual: 1. Quantidade e valor da produção por produtos e serviços por ramo de atividade. 2. Quantidade e valor das importações e exportações dos produtos e serviços. 26 3. Principais indicadores de preços. 4. Número de estabelecimentos para cada ramo de atividade. c) Em nível interno: 1. Nível de vendas de produtos e serviços nos mercados local, regional, estadual, nacional e internacional. 2. Nível de compras de matéria-prima no mercado interno e externo. 3. Política de preços de venda e de compra. 4. Níveis de estoques. 5. Políticas salariais. 6. Indicadores econômico-financeiros e patrimoniais da empresa e do setor a que pertence. Ainda, quanto à fixação de padrões, é importante o envolvimento dos indivíduos na sua elaboração, pois eles serão avaliados pela sua performance quanto ao atingimento ou não desses padrões. O ideal num sistema de controle orçamentário é que ele forneça informações regulares que consistam em uma comparação entre os valores e níveis planejados e os executados, apontando as diferenças entre os dois valores, ou seja, explicitando as variações. Avaliando essas variações, a empresa deve considerar se elas são importantes; em caso afirmativo, deve identificar as causas; e caso as causas sejam controláveis, tomar as providências cabíveis. Os dez mandamentos do controle orçamentário, segundo Zdanowicz (2000), são: 1) A direção da empresa deverá considerar o orçamento como essencial. 2) Os executivos responsáveis deverão sentir entusiasmo pelo controle orçamentário. 3) O controle orçamentário será, em grande parte, um problema psicológico, ou seja, ignorar esse aspecto é abrir caminho ao fracasso. 4) Uma análise crítica da empresa deverá ser realizada, antecipadamente, pois será essencial à implantação do controle orçamentário, bem como terá de se repetir a intervalos regulares de tempo. 5) Deverá haver um gerente responsável para cada orçamento parcial na empresa. 6) A tarefa determinada no orçamento deverá ter uma relação causal com as estimativas da empresa. 7) O controle orçamentário deverá ser integral, isto é, deverá abranger todas as atividades da empresa. 8) O controle orçamentário será essencial quando se quiser proporcionar à direção da empresa uma base para descentralizar a autoridade e a responsabilidade, determinar tarefas, controlá-las e estabelecer os preços. 9) Para complementar o controle orçamentário, será necessária a utilização da estatística. 10) Sozinho, o orçamento será estéril, mas, junto com o controleorçamentário, alcançará sempre o objetivo, ou seja, a administração eficiente, eficaz e efetiva da empresa. 27 Nos últimos anos, as organizações vêm utilizando, cada vez mais, painéis de inteligência de negócios, muito conhecidos por sua nomenclatura em inglês, business intelligence dashboards, para efetuar o acompanhamento e o andamento do alcance de seus objetivos, sendo o acompanhamento do orçamento um dos seus principais usos. Pode-se dizer que um painel de BI é uma ferramenta voltada ao apelo visual dos indicadores mais importantes que foram definidos pelo planejamento em nível estratégico e traduzidos pelas esferas táticas e operacionais em programas, planos e objetivos a serem alcançados em um determinado período. Os painéis de BI geralmente são integrados com o banco de dados da organização, reagindo, assim, em tempo real, com as operações efetuadas, de compra, venda, aquisições, recebimentos, pagamentos, clientes, produtos, tempo de certos processos e muitos outros, de acordo com as características do negócio. Contudo, também podem ser abastecidos de planilhas que são alimentadas manualmente, ou de dados que passam por uma equipe de TI para depois ser consumida pelos painéis de BI. Esses painéis combinam variáveis e indicadores, apresentando-os em forma de gráficos, o que se torna muito mais interessante do que analisar relatórios estáticos. Outra vantagem para o usuário de um painel de BI é que ele é personalizável. Ou seja, cada usuário pode configurar o período e até hora das ocorrências, as informações desejadas e suas possíveis combinações como métricas de desempenho, estatísticas e outras referências. E ainda salvar essa customização sem ter que efetuar uma nova ao realizar uma nova consulta no painel. Isso facilita muito o trabalho do pessoal da controladoria da organização em ter que gerar informações de acordo com a necessidade do usuário. Com o uso de um painel de BI, o próprio usuário gera a informação que lhe interessa. Os usuários podem, apenas clicando nas áreas dos gráficos, gerar filtros, aprofundar as informações a ponto de poder gerar as tabelas que possibilitaram o gráfico e exportar para o Excel. De acordo com Sutner (2020), existem alguns benefícios e limitações a respeito do uso dos painéis de BI. Com relação aos benefícios, relaciona: • Possibilitar uma tomada de decisão com mais informações estruturadas e relacionada ao planejamento estratégico por parte dos executivos de negócios. • Fazer que informações com origem em grande quantidade de dados e métricas de análise de negócios sejam facilmente compreensíveis para usuários que não são analistas qualificados. • Pode auxiliar na identificação de tendências de negócios para que a organização possa tomar medidas no sentido de potencializar oportunidades e resolver problemas. • Permite que a análise de dados seja mais colaborativa e os processos de tomada de decisão ocorra com maior compartilhamento de informações. 28 Sutner (2020) também relata que os painéis podem representar desafios para equipes de BI e usuários de negócios. As desvantagens potenciais dos painéis de BI não resultam necessariamente do design do software, mas sim de como os painéis são usados e do custo de sua criação, implementação e manutenção. Em muitas empresas, os profissionais de BI e TI ainda projetam e atualizam painéis para usuários e também são responsáveis por documentar painéis e rastrear seu uso. Outros desafios que as organizações enfrentam na construção de painéis eficazes incluem: • Design de painel excessivamente chamativo ou desordenado que torna os painéis difíceis de usar. • Deixar de fornecer contexto para deixar claro como os indicadores e outros dados são relevantes para os usuários finais. • Dificuldade em criar caminhos de detalhamento para aprofundar os dados subjacentes às métricas de superfície. • Deturpar dados em painéis ou omitir dados relevantes, levando a análises imprecisas. Sutner (2020) relata algumas possibilidades desses painéis relacionadas às suas áreas de interesse de monitoramento, dentre elas: 1. Painéis de vendas e marketing Esses painéis são amplamente usados por executivos, gerentes de negócios e equipes de vendas e marketing. Um painel de vendas inclui dados sobre vendas, incluindo filiais, segmento de produtos, regiões, vendedores, custo das operações de vendas e outros indicadores, permitindo que os usuários acompanhem o progresso em relação às metas de vendas e identifiquem potenciais pontos problemáticos. Da mesma forma, um painel de marketing contém dados sobre custos, taxas de resposta, geração de leads e outras métricas de marketing. 2. Painéis do cliente Um painel do cliente permite que os usuários visualizem e analisem dados sobre a base de clientes de uma organização, incluindo seu tamanho, taxas de rotatividade e retenção, receita por cliente, volume de venda, rentabilidade, volume de captação de novos clientes por canal, região ou com base na reação de alguma campanha. E outras métricas do cliente que podem ser usadas para ajudar a planejar campanhas de marketing e esforços de vendas. 3. Painéis financeiros Este tipo de painel exibe dados sobre indicadores financeiros para os executivos, gerentes de negócios e equipes do departamento financeiro. As métricas em um painel financeiro variam de receita, despesas operacionais e lucros a liquidez, ativos e 29 passivos, capital de giro, margens de lucro, valores de impostos e tributos e muito mais, como quando recebe, quando paga, tudo para ajudar uma organização a monitorar o desempenho dos negócios e fazer planejamento e análise das finanças da organização. 4. Painéis de pessoas Um painel de pessoas fornece informações sobre a força de trabalho de uma organização para uso por gerentes de RH e executivos de negócios. Isso inclui dados básicos da força de trabalho, como o número de funcionários, estatísticas de salários e dados demográficos, bem como métricas de contratação e recrutamento, rotatividade, treinamento e indicadores como satisfação do funcionário, custos para auxiliar na gestão de talentos e iniciativas de experiência do funcionário. 5. Painéis de operações Esses painéis rastreiam o status das operações, processos de negócios e equipamentos em uma base contínua para uso diário de monitoramento e gerenciamento. Geralmente é utilizado pelos executivos, gerentes e equipes de produção, prestação de serviços e suporte aos negócios. Por exemplo, um painel operacional pode mostrar métricas na produção de máquinas de manufatura para ajudar os gerentes de fábrica a garantir que as metas de produção sejam atendidas e identificar problemas potenciais ou gargalos que eles precisam resolver. 6. Painéis de TI Os departamentos de TI e as equipes de BI, gerenciamento de dados, armazenamento de dados e ciência de dados são grandes usuários dos próprios painéis. Os painéis de TI os ajudam a rastrear métricas em vários aspectos das operações de TI, incluindo o uso de redes internas e externas, desempenho dos sistemas, bancos de dados, recursos de TI disponíveis, problemas de desempenho geral, problemas de segurança e custos de tecnologia. 7. Painéis de gestão de projetos O painel de gerenciamento de projetos exibe dados sobre o status e o andamento dos projetos de negócios. Os gerentes de projeto podem usar um para rastrear tarefas, prazos, custos e outros parâmetros para auxiliar no monitoramento do trabalho, identificando problemas e mantendo os projetos dentro do cronograma e do orçamento. Esses painéis de negócios não são criados do zero, ou seja, com profissionais de TI escrevendo literalmente os códigos, como se estivesse criando um software/aplicativo novo. Existem no mercado softwares/aplicativos dedicados a essa tarefa. A maioria deles é comercializada com o seu próprio banco de dados, mas geralmente eles são muito flexíveis e consomem praticamente qualquer tipo e formato de dado, desde que 30 esteja organizado. Para seter uma noção desse mercado de geração de painéis de BI, vou relatar a seguir os principais fornecedores que vendem por meio de licença de uso os painéis, ferramentas de design e análise de indicadores de negócio: Tableau, Microsoft, Qlik, IBM, MicroStrategy, Oracle, SAP, SAS, Sisense, Tibco e Salesforce. Perceba que são gigantes da TI que estão nesse mercado. E os tipos de licença e banco de dados são muito diversifi cados. Desde aplicações que funcionam gratuitamente, claro com muitas limitações, até as que podem ser publicadas na internet ou intranet da organização com confi gurações por quantidade de usuários e privilégio de informações. As variações e permissões de uso são tão diversifi cadas nos tipos de licença de um único fornecedor citado e entre os fornecedores que um capítulo deste livro não seria sufi ciente para demonstrar todas elas. Se você digitar no YouTube o termo dashboard, ou, ainda, Power BI (nome da ferramenta de painel de BI da Microsoft), você vai ter uma noção do quanto esse mercado e intensifi cação desse tipo de ferramenta tem aumentado. Nesse exemplo, um especialista no Power BI (Microsoft) dá uma dimensão do uso da ferramenta por meio de um negócio de vendas no varejo, particularmente um supermercado. Vale a pena dar uma conferida. O objetivo desse podcast é levantar alguns pontos importantes sobre a dimensão e diversidade das organizações e sua relação com o planejamento das atividades que desenvolvem no mercado, seja indústria, comércio ou a prestação de serviços. Traz alguns aspectos relacionados ao foco do orçamento, boas práticas para sua implementação e controle. Apresenta, também, algumas refl exões sobre o tempo do orçamento e a relação entre planejamento de curto prazo e de longo prazo. NOVAS DESCOBERTAS 31 ELABORANDO O ORÇAMENTO EMPRESARIAL Juliana Spitaliare O orçamento empresarial permite que você olhe para o futuro do negócio e planeje seu sucesso financeiro nos mínimos detalhes. Na prática, é um documento com a projeção das receitas e despesas do negócio que permite planejar quais serão os investimentos e estratégias financeiras do próximo ano, semestre ou trimestre. Com ele, você consegue colocar o planejamento financeiro no papel (ou melhor, na planilha), definir metas claras e tomar decisões mais inteligentes sobre seu dinheiro. O que é orçamento empresarial? O orçamento empresarial é um instrumento fundamental do planejamento financeiro, que permite projetar as receitas e despesas da empresa em um determinado período. Esse documento costuma ser elaborado anualmente ou mensalmente, como parte do planejamento estratégico do negócio. O objetivo primordial do orçamento é o mesmo para qualquer empresa: gastar menos do que ganha e aumentar seus lucros. Mas existem vários caminhos para alcançar esse propósito, que podem passar pela redução de custos em determinadas áreas, investimentos em tecnologias e pessoas, novas estratégias de vendas, entre outras possibilidades. Por isso é importante elaborar um orçamento em detalhes e estimar quais serão as receitas e despesas da empresa no próximo ano, semestre ou trimestre, por exemplo. Com esse instrumento de gestão em mãos, você terá as finanças mais organizadas e conseguirá definir metas com base nas projeções, além de acompanhar de perto a evolução da empresa. A importância de elaborar um orçamento empresarial. O orçamento empresarial funciona como um mapa para guiar suas decisões financeiras durante os próximos meses ou no novo ano que se inicia. Ao criar esse documento, você consegue fazer um diagnóstico financeiro do negócio a partir dos dados passados e fazer as projeções necessárias para evoluir no futuro, assumindo uma visão de longo prazo das finanças. Assim, você terá uma referência confiável para acompanhar a evolução financeira da empresa e colocar seus planos em prática. Por exemplo, você pode se basear no orçamento para estimar os custos do lançamento de um novo produto ou serviço, LEITURA COMPLEMENTAR 32 planejar novas contratações, buscar soluções para reduzir despesas administrativas, pensar em estratégias de captação de investimentos, e várias outras ações. Da mesma forma que os consumidores consultam seu orçamento familiar para decidir sobre gastos, aumentar o patrimônio e melhorar a vida financeira, os empreendedores precisam avaliar seu orçamento empresarial para tomar qualquer decisão que envolva dinheiro. Modelo de orçamento empresarial Cada empresa deve utilizar o modelo de orçamento empresarial mais adequado às suas necessidades, mas existem alguns padrões e referências. Na internet, é possível encontrar diversas planilhas prontas e customizáveis para download gratuito, se você prefere se organizar por meio desses arquivos. Você pode usar, por exemplo, nosso modelo de planilha de orçamento empresarial que ajuda a projetar suas receitas e despesas de forma prática. Se preferir criar sua própria planilha, saiba que é possível fazer isso sem ter conhecimentos avançados em Excel. Basicamente, a planilha deve ser dividida entre entradas e saídas (ou receitas e despesas). Cada área deve trazer todos os itens que a compõem (um a cada linha), além de uma célula específica para o saldo. Assim, você pode elaborar uma planilha anual, dividida por meses: basta inserir uma previsão de valores para cada receita e despesa a cada mês. O mais útil desse tipo de planilha é que os cálculos podem ser feitos de maneira automática por meio de fórmulas, dispensando o trabalho de soma manual. Seu único trabalho será criar uma linha final, separada das anteriores, onde será calculado o saldo final (a real previsão orçamentária mês a mês). A fórmula é simples: clique sobre a célula na qual terá o resultado do mês de janeiro, insira o símbolo de igual (=), clique na célula que corresponde ao total de receitas, insira o símbolo de subtração (-) e, por fim, clique na célula com o total de despesas. Ao fazer isso, o Excel irá subtrair despesas de receitas e calcular a sua previsão para o mês de janeiro. Para usar a fórmula nos outros meses, basta clicar sobre a célula onde ela foi inserida e arrastá-la para aplicar o recurso em outras células. Para organizar melhor o arquivo, ainda é possível dividir os registros por cores (por entradas e saídas ou categorias de receitas e despesas, por exemplo). Orçamento empresarial x orçamento de vendas É importante não confundir o orçamento empresarial com o orçamento de vendas, pois são duas ferramentas bem diferentes. Enquanto o primeiro é usado para planejar as receitas e despesas do negócio e tomar decisões financeiras, o segundo é 33 enviado ao cliente como proposta comercial, com todos os detalhes da venda de um produto ou serviço (preço, quantidade, forma de pagamento, etc.). Ou seja: o orçamento empresarial é uma ferramenta da gestão financeira interna e o orçamento de vendas é uma ferramenta do comercial. Ambos são essenciais para o sucesso financeiro da empresa, mas têm finalidades distintas. Como fazer um orçamento empresarial em 8 passos Elaborar um orçamento empresarial do zero é uma tarefa trabalhosa, mas essencial para planejar suas finanças a cada ano, semestre ou trimestre. Confira o passo a passo para criar seu documento. 1. Comece pelo diagnóstico financeiro O primeiro passo para elaborar seu orçamento empresarial é fazer um diagnóstico geral da situação financeira da empresa. Para isso, você pode revisar os relatórios do ano ou dos últimos meses e analisar indicadores como volume de vendas, lucro (ou prejuízo), custos e despesas, faturamento, gastos com impostos, etc. Também é importante verificar em quais períodos a empresa teve melhor desempenho e possíveis sazonalidades nas vendas. No final da análise, você deve concluir se a empresa está evoluindo na direção esperada ou se é preciso fazer mudanças no orçamento. 2. Defina objetivos para o período Como vimos, o orçamento é um instrumento de planejamento, e para se planejarvocê precisa saber aonde quer chegar. Por isso, o próximo passo é definir os objetivos e metas financeiros do negócio, por exemplo: • Reduzir os custos fixos em 20% até o meio do ano. • Aumentar o faturamento em 30% no primeiro semestre. • Reduzir os impostos por meio de um planejamento tributário. • Aumentar o lucro bruto em 10% por meio da redução de custos variáveis e renegociação com fornecedores. • Investir em um novo produto/serviço, abertura de filial ou tecnologia. 3. Faça uma projeção de vendas A projeção de vendas é uma estimativa de quanto a empresa espera vender em um período futuro. Esse valor é importante para dar início ao planejamento, pois determina uma base financeira para projetar outros elementos como custos, despesas e investimentos. Para fazer sua projeção, você deverá considerar todos os canais de venda da empresa (loja física, loja online, redes sociais, revendedores, representantes, etc.) e todos os produtos ou serviços que constam no portfólio. Depois, será preciso 34 calcular o volume médio de vendas para cada item e canal, estimando quanto a empresa deve vender no próximo ano (ou qualquer outro período desejado) com base no histórico atual. 4. Estime as demais receitas Além de projetar quanto você deve receber pelas vendas, é importante incluir qualquer outra receita esperada para o período. Naturalmente, a maior parte da receita da empresa vem da venda de produtos e serviços (sua atividade fim), mas ela também pode receber dinheiro de aplicações financeiras, locações, cobranças de direitos autorais e de imagem, entre outros ganhos extras. 5. Liste todos os custos e despesas Depois de ter uma boa projeção das receitas, é hora de listar todos os custos e despesas esperados no orçamento empresarial. Como sempre reforçamos aqui no blog, existem quatro principais tipos de gastos em uma empresa: • Custos fixos: gastos recorrentes que não se alteram de acordo com o volume de produção, como o aluguel do escritório e folha de pagamento. • Custos variáveis: gastos que variam conforme o volume de produção, como a matéria- prima para fabricação de produtos e impostos pagos na comercialização. • Despesas fixas: despesas administrativas que não variam de acordo com as vendas e distribuição, como o IPTU do escritório, prestações de empréstimos e serviços de limpeza e manutenção. • Despesas variáveis: despesas administrativas que aumentam ou diminuem na mesma proporção das vendas, como a comissão de vendedores. Nessa etapa, é essencial que você contabilize todos esses gastos e faça uma estimativa para o próximo ano. Se estiver fazendo o orçamento geral do planejamento estratégico, você pode dividir os custos por área da empresa para facilitar a organização. Lembrando que esse é um bom momento para planejar o corte ou redução de custos e mudar esse cenário para melhor, se você enxergar essa oportunidade durante a elaboração do orçamento. 6. Calcule o ativo fixo Também é importante que o orçamento empresarial inclua o ativo fixo da empresa, ou seja, seus bens e direitos permanentes que garantem seu funcionamento. Existem basicamente dois tipos de ativos: 35 • Ativos tangíveis: são ativos palpáveis, ou seja, bens físicos como mobília, equipamentos, imóveis, máquinas, ferramentas, etc. • Ativos Intangíveis: são propriedades abstratas, que não podem ser tocadas, como direitos de ordem jurídica, financeira ou econômica. Alguns exemplos de ativos intangíveis são a marca da empresa, patentes de produtos e tecnologias, direitos autorais e títulos financeiros como ações e contratos. 7. Planeje os investimentos Se um dos objetivos da sua empresa é crescer, os investimentos precisam estar presentes no seu orçamento empresarial. Você pode se planejar para investir na abertura de uma nova filial, na compra de novos equipamentos, ampliação do quadro de colaboradores, implementação de novas tecnologias, entre outros projetos. De modo geral, as empresas podem investir a partir de seu capital próprio, destinando uma parte do lucro líquido para os projetos de expansão do negócio, ou buscar capital externo para esse fim. Nesse caso, há duas alternativas: buscar crédito junto aos bancos e instituições financeiras, assumindo uma dívida, ou buscar investidores interessados em se tornar acionistas da empresa. A vantagem do empréstimo é que você não precisa dividir os resultados com outros acionistas se a empresa tiver um bom desempenho futuro. Por outro lado, você estará se endividando (ainda que positivamente, já que se trata de um investimento) e pagando juros a uma instituição. Então, cabe a você decidir o que vale mais a pena e incluir os investimentos necessários no orçamento, definindo de onde virá o dinheiro para aplicar nos projetos de ampliação do negócio. 8. Organize tudo em uma planilha ou software Agora que você já projetou suas receitas, custos, despesas e investimentos, só precisa organizar toda essa informação em uma planilha, software ou ferramenta da sua preferência, como mencionamos anteriormente. Se quiser um processo mais ágil e eficiente, a melhor opção é ter um sistema de gestão empresarial com recursos de controle financeiro e automação de tarefas. A Importância de acompanhar e revisar o orçamento Depois de fazer seu orçamento empresarial, começa o trabalho de monitoramento e revisão contínua das metas. Afinal, não adianta fazer um planejamento orçamentário detalhado e abandoná-lo na gaveta. Para que os planos deem certo, você precisa usar o documento como referência para avaliar o progresso do financeiro em direção às metas do período e fazer os ajustes necessários conforme as mudanças forem aparecendo. 36 Assim, você se mantém fiel aos objetivos financeiros determinados pela empresa, mas ainda tem a flexibilidade necessária para se adaptar aos novos cenários e traçar novas estratégias. O importante é enxergar o orçamento como um instrumento dinâmico, que acompanha a realidade da empresa e se adequa às suas necessidades sem deixar para trás seus propósitos. E então, está preparado para elaborar seu orçamento empresarial? Fonte: SPITALIARE, J. Orçamento empresarial: guia para elaborar o seu em 8 passos. Blog Conta Azul, 2021. Disponível em: https://blog.contaazul.com/orcamento-empresarial#modelode. Acesso em: 16 de janeiro de 2023. 37 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tema de aprendizagem, você aprendeu: • Como estabelecer metas orçamentárias congruentes com o planejamento estratégico da organização. As metas permitem compreender qual o direcionamento preciso para a estratégia estabelecida e desenvolver ações para que sejam efetivamente alcançadas. Estabelecer as metas é fundamental para dar sequência à implementação do orçamento empresarial. • Como implementar um orçamento empresarial de acordo com as premissas essenciais. Nessa fase, é necessário respeitar as condições básicas e mitigar possíveis fatores críticos ou falhas que podem afetar o desempenho das metas estabelecidas para o orçamento. Esse também é o momento de estabelecer o escopo do orçamento que será utilizado durante todo o período planejado. • Que não basta realizar a implementação, mas também controlar o processo como um todo, já que durante a implementação podem acontecer eventos que afetam o andamento das atividades e desempenho das metas. Por isso, é importante monitorar de perto o andamento das atividades e, se necessário, realizar "ajustes nas velas" para garantir que tudo ocorra conforme o planejado. 38 AUTOATIVIDADE 1 É possível realizar o acompanhamento do orçamento de forma eficaz, utilizando metas e indicadores de desempenho. Esse processo é capaz de medir a situação real e serve para avaliar os valores realizados em relação aos projetados. Sobre os níveis relacionados às características relacionadas dos indicadores, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Econômico mundial, econômico nacional, econômico estadual, econômico setorial e econômico interno. b) ( ) Financeiromundial, financeiro nacional, financeiro estadual, financeiro setorial e financeiro interno. c) ( ) Ambiente mundial, ambiente nacional, ambiente estadual, ambiente setorial e ambiente interno. d) ( ) Conjuntura mundial, conjuntura nacional, conjuntura estadual, conjuntura social e conjuntura interna. 2 Para implementar o orçamento, a empresa necessita alinhar o orçamento ao planejamento estratégico da organização. A organização deve verificar algumas condições a serem consideradas para a implementação do orçamento, como ter objetivos operacionais (taxa interna de retorno, participação no mercado global e maximização do lucro). Recomenda-se que a empresa possua a contabilidade aberta e informatizada, voltada para o aspecto gerencial, possibilitando um controle orçamentário. Com base nas definições dos enfoques das modalidades de Engenharia, analise as sentenças a seguir: I- Ter objetivos operacionais como taxa interna de retorno, participação no mercado global e maximização do lucro. II- Possuir contabilidade aberta e informatizada, voltada para o aspecto gerencial, possibilitando um controle orçamentário. III- Estar em conformidade com normas sanitárias e ambientais, a fim de garantir a segurança das atividades da empresa perante clientes e fornecedores. IV- A organização também tem que fazer uma análise dos fatores macroeconômicos, tais como a situação da economia e a evolução do setor em que a empresa atua. Assinale a alternativa CORRETA: ( ) As sentenças I e II e III estão corretas. ( ) Somente a sentença III está correta. ( ) As sentenças I, II e IV estão corretas. ( ) Somente a sentença I está correta. 39 3 O processo de monitoramento, avaliação e melhoria do desempenho operacional da empresa é chamado de controle organizacional. O controle reúne um conjunto de métodos e ferramentas que os colaboradores da empresa dispõem para manter o foco nos objetivos organizacionais. É a partir dele que podemos verificar se as atividades estão ou não alcançando os objetivos a que se destinam. Sobre as fases do controle, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Estabelecimento de padrões: ou seja, desempenhos desejados, que servem como balizas para definir o que é normal ou desejável. Alguns exemplos: custo padrão, padrão de qualidade, tempo padrão. ( ) Observação do desempenho: refere-se ao conhecimento e acompanhamento das operações e atividades das quais se espera um resultado de acordo com o planejado. ( ) Comparação entre o desempenho e o padrão: permite detectar variações, erros ou desvios, observados os limites estabelecidos como normais ou aceitáveis. Esta pode ser feita por meio de estatísticas, gráficos, índices, porcentagens etc. ( ) Possibilitar uma tomada de decisão: com mais informações estruturadas e relacionadas ao planejamento estratégico por parte dos executivos de negócios, é possível tomar melhores decisões. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F - V. b) ( ) V – F – V - F. c) ( ) F – V – F - V. d) ( ) V – V – V - F. 4 O controle orçamentário é uma ferramenta que pode ter abrangência em todos os tipos de planejamento, seja estratégico, tático ou operacional. Podemos entender o controle orçamentário como uma técnica que procurará acompanhar, avaliar e analisar o planejamento financeiro em cada uma de suas etapas. O controle retroalimenta o planejamento e deve constantemente fornecer informações pertinentes em formato de relatórios de desempenho. Disserte sobre as características e objetivos do relatório de controle. 5 As organizações, cada vez mais, têm utilizado painéis de inteligência de negócios, ou business intelligence dashboards, para acompanhar o desempenho organizacional. O painel de BI é uma ferramenta que apresenta indicadores definidos no planejamento em nível estratégico, tático e operacional em formato de programas, planos e objetivos a serem alcançados em um determinado período. Explique as vantagens dos Painéis de BI para controle do orçamento empresarial. 40 REFERÊNCIAS ANTHONY, R. N.; GOVINDARAJAN, V. Sistemas de Controle Gerencial. São Paulo, Atlas, 2002. ATKINSON, A. A. Contabilidade gerencial. São Paulo: Atlas, 2000. CASTRO, S. C. de.; SANTOS, R. P. Administração Orçamentária. Maringá: Unicesu- mar, 2016. CATELLI, A. et al. Controladoria – Uma Abordagem da Gestão Econômica – Gecon. 2. ed. São Paulo: Editoras Atlas, 2001. FREZATTI, F. Orçamento empresarial: planejamento e controle gerencial. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2000. FREZATTI, F. Orçamento empresarial: planejamento e controle gerencial. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007. GARRISON, R. L.; NOREEN, E. W. Contabilidade Gerencial. Tradução de José Luiz Paravato. Rio de Janeiro: LTC, 2001. HORNGREN, C. T.; FOSTER, G.; DATAR, S. M. Contabilidade de custos. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2000. LUNKES, R. J. Manual de orçamento. São Paulo: Atlas, 2003. SANVICENTE, A. Z.; SANTOS, C. da C. Orçamento na administração de empresas: planejamento e controle. São Paulo: Atlas, 2000. SANTOS, J. L. dos et al. Fundamentos de orçamento empresarial. São Paulo: Atlas, 2008. OLIVEIRA, D. P. R. de. Planejamento Estratégico: conceitos, metodologia e práticas. São Paulo: Atlas, 1999. OLIVEIRA, L. M. de; PEREZ JUNIOR, J. H.; SILVA, C. A. dos S. Controladoria estratégi- ca. São Paulo: Atlas, 2002. PADOVEZE, C. L. Controladoria básica. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004. SHIM, J. K.; SIEGEL, J. G. Budgeting Basics and Beyond. 2. ed. New Jersey: John Wiley & Sons. Inc. Hoboken, 2005. 41 REFERÊNCIAS SUTNER, S. Business Intelligence Dashboard. Newton, MA: TechTarget, 2020. TUNG, N. H. Orçamento empresarial e custo padrão. 4. ed. São Paulo: Edições Uni- versidade – Empresa, 1994. WELSCH, G. A. Orçamento empresarial. Tradução de Antonio Zoratto Sanvicente. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1983. WELSCH, G. A. Orçamento empresarial. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1996. ZDANOWICZ, J. E. Orçamento operacional. Porto Alegre: Sagra, 1983. ZDANOWICZ, J. E. Planejamento Financeiro e Orçamento. 3. ed. Porto Alegre: Sagra Luzzato, 2000. 42 43 TIPOS DE ORÇAMENTOS, PEÇAS ORÇAMENTÁRIAS E PLANEJAMENTO UNIDADE 2 — OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • Compreender quais são os principais tipos de orçamentos utilizados pelas organizações. • Compreender o que são e quais tipos de peças orçamentárias compõem o plano orçamentário. • Compreender de forma introdutória o que é o planejamento empresarial. A cada tema de aprendizagem desta unidade, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TEMA DE APRENDIZAGEM 1 – TIPOS DE ORÇAMENTO TEMA DE APRENDIZAGEM 2 – PEÇAS ORÇAMENTÁRIAS TEMA DE APRENDIZAGEM 3 – O QUE É O PLANEJAMENTO EMPRESARIAL? Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 44 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 2! Acesse o QR Code abaixo: 45 TÓPICO 1 — TIPOS DE ORÇAMENTO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 1, abordaremos novos conceitos, técnicas, metodologias para melhorar e flexibilizar o orçamento tradicional para atender as demandas das organizações. Para isso, serão apresentados alguns tipos de orçamentos: Orçamento Estático, Orçamento Contínuo, Orçamento Base Zero, Orçamento Flexível, o Orçamento por Atividades e, por fim, o Beyond Budgeting. Dependendo do que se deseja, do tipo de empreendimento, dentre outras características internas do empreendimento, um ou outro tipo de orçamento se encaixa melhor. Por isso que é interessante você conhecer cada um desses “tipos” de orçamentos, para que ele se torne ainda mais eficiente na contribuição da gestão dos negócios. No decorrer da unidade, você poderá observar que os tipos de orçamentosvieram da própria diversificação de tipos de atividades, evolução tecnológica, dentre outros aspectos que o meio empresarial demandou ao longo dos anos. Em um segundo momento, irá entender melhor as características desses tipos de orçamentos. Lembrando que a evolução orçamentária que ocorreu durante os anos apresenta as mudanças decorrentes das necessidades empresariais. Isso não significa necessariamente que os mais atuais tipos de orçamentos são melhores que os mais antigos e vice-versa. 2 ORÇAMENTO ESTÁTICO É o nome dado ao próprio orçamento empresarial tradicional. Elaboram-se todos os orçamentos da empresa a partir da definição de determinados níveis de produção ou vendas, ou seja, basicamente do nível de atividade da empresa. A definição desse nível de atividade, consequentemente, determinará o volume das demais atividades e setores da empresa. O orçamento pode ser chamado de estático desde que a gestão do sistema não tolere alterações nas peças orçamentárias. Ou seja, mesmo que o volume de vendas que o período concretizou mude significativamente em relação ao que foi orçado/projetado, os valores desse tipo de orçamento não são alterados. E, logicamente, se o volume de vendas aumentar, os custos e despesas variáveis também vão aumentar, devido ao maior consumo de matéria-prima, impostos, comissões de venda. Mas isso não é ruim. Na verdade, é excelente, o objetivo é que os volumes de venda sempre sejam maiores. 46 Para que você entenda melhor essa questão de variação, vamos praticamente fazer um parêntese durante a explicação desse tipo de orçamento. E isso será extremamente importante na hora de entender a proposta de abordagem desse e dos outros tipos de orçamentos que vamos apresentar mais adiante, principalmente em relação ao orçamento flexível. Muito bem, em relação aos gastos, existe uma classificação quanto ao seu comportamento financeiro pertinente ao volume de atividades, os quais podem ser fixos ou variáveis. Ou seja, existem gastos que sofrem variação correlacionados diretamente ao nível de atividade. E existem gastos que, independentemente do nível de atividade, não sofrem alteração em função disso. Podem até ter alguma alteração, mas não pela relação do aumento ou redução do nível de atividade do empreendimento, como, por exemplo, reajuste de preços. Segundo Castro (2014, p. 37), “o primeiro aspecto a ficar claro quando se fala em ‘fixo’ é entender que ele, em nenhum momento, significa, obrigatoriamente, ser igual. Pode até ser igual ao longo de um período”. Vamos atuar com um exemplo para que fique mais evidente esse aspecto. Por meio da Tabela 1 a seguir, podemos perceber que os custos fixos não sofrem alterações proporcionais às variações no nível de produção da empresa. Tabela 1 – Custos Fixos/Aluguel CUSTOS FIXOS/ALUGUEL MÊS QUANTIDADE DE ITENS FABRICADOS CUSTO DE ALUGUEL DE FÁBRICA Junho 1.800 R$ 3.000,00 Julho 1.900 R$ 3.000,00 Agosto 1.000 R$ 3.000,00 Setembro 2.500 R$ 3.000,00 Outubro 1.300 R$ 4.000,00 Novembro 1.100 R$ 4.000,00 Dezembro 1.850 R$ 4.000,00 Fonte: o autor Perceba, também, por meio da Tabela 1, que o valor do aluguel alterou de R$ 3.000,00 para R$ 4.000,00 entre setembro e outubro. Contudo, a quantidade produzida reduziu. O que houve foi, provavelmente, o ajuste do valor do aluguel. Ou seja, não existe relação direta entre volume de atividade e o custo do aluguel, caracterizando o aluguel, nesse caso, como um gasto fixo. Agora, vamos ver, por meio da Tabela 2, um exemplo de um gasto variável, mais especificamente, um custo. 47 Tabela 2 – Custos Variáveis – Matéria Prima CUSTOS VARIÁVEIS - MATÉRIA-PRIMA MÊS QUANTIDADE DE ITENS FABRICADOS CUSTO COM A MATÉRIA PRIMA A Junho 5.000 R$ 50.000,00 Julho 6.000 R$ 60.000,00 Agosto 5.600 R$ 56.000,00 Setembro 4.300 R$ 43.000,00 Outubro 4.000 R$ 40.000,00 Novembro 5.800 R$ 58.000,00 Dezembro 3.800 R$ 38.000,00 Fonte: o autor É fácil perceber que o custo tem variação direta com o nível de atividade, bem como que o custo com a matéria-prima é de R$ 10,00 por unidade. Agora que você já sabe que existem recursos que se comportam diferentemente em relação ao nível de atividade do empreendimento, vamos continuar a tratar do orçamento estático. Agora, imagine uma situação em que o departamento de vendas consegue vender mais que o orçado. Certamente será avaliado positivamente, afinal, vender mais é sempre interessante e quase sempre o principal objetivo de um empreendimento. No entanto, o departamento de custos de produção poderá ser avaliado de forma negativa pelo fato de estar consumindo materiais e mão de obra direta acima do que foi projetado. E o contrário, se as vendas ficarem abaixo do esperado, as equipes de venda podem ser avaliadas negativamente, enquanto o departamento de custos de produção pode ser avaliado positivamente, pois estão sendo consumidos menos materiais. Se a organização no decorrer do período orçado verificar que os volumes que foram projetados não poderão ser atingidos, devido a aspectos incontroláveis, esse orçamento, em parte ou num todo, será desvalorizado tanto em relação à sua utilização como ao acompanhamento, análise, controle de metas, simulações, ajuste de variações e ainda como base para o próximo período de construção do orçamento. De acordo com Padoveze (2011), apesar desse orçamento conter um elemento crítico, que é a sua estaticidade e, portanto, inflexibilidade, esse tipo de orçamento ainda é utilizado amplamente por organizações de grande porte, principalmente as que possuem várias filiais ou operam em vários países. Essa utilização por grandes organizações é justificada pela necessidade de consolidação orçamentária de duas filiais, dispersas geograficamente, em um orçamento mestre e único. 48 Ou seja, esse tipo de orçamento estático é mais útil quando uma empresa tem vendas e despesas altamente previsíveis que não devem mudar muito durante o período orçamentário. Um outro uso para o orçamento estático ocorre em organizações sem fins lucrativos, educacionais e governamentais porque essas instituições normalmente recebem uma quantia específica de dinheiro. Já em empreendimentos onde o próprio ambiente de negócios é mais fluido, onde os resultados operacionais podem mudar substancialmente, um orçamento estático pode ser um obstáculo, uma vez que os resultados reais podem ser comparados a um orçamento que não é mais relevante. De acordo com Gomes (2007), esse orçamento consolidado é fundamental para que a organização tenha uma visão geral de suas atividades e dos resultados econômicos esperados para o próximo ano ou período, para aprovação de seus dirigentes. Nesse sentido, o orçamento estático é importante, já que eventuais alterações de volume em algumas de suas divisões não necessariamente impactarão de forma significativa no total dos orçamentos. Obviamente, quando os impactos de alterações de volumes em todas as unidades da corporação forem significativos, não há motivo para manter um orçamento estático, que não tenha validade para o processo decisório. 3 ORÇAMENTO FLEXÍVEL O orçamento flexível denota a condição de variabilidade que é inerente ao processo orçamentário, o que exige a flexibilidade para acompanhamento do orçamento, sendo este um fator marcante. Nesse contexto, Padoveze (2011) afirma que o orçamento flexível tem como objetivo suavizar a inflexibilidade imposta pelo orçamento estático. E ele parte do princípio de que o orçamento de vendas pode sofrer variações e, consequentemente, todas as demais peças orçamentárias que estão diretamente ligadas ao orçamento de vendas e que possuem gastos variáveis também sofrem variações. De acordo com esse mesmo autor, o ponto central do orçamento flexível está no comportamento dos recursos entre fixos e variáveis. Ou seja, enquanto os recursos das vendas e seus respectivos gastos provenientes da produção, impostos e despesas podem variar, os gastos fixos recebem tratamento tradicional, ou seja,como se estivessem sendo tratados no orçamento estático. Por meio da Tabela 3 a seguir, isso pode ser mais bem compreendido. 49 Tabela 3 – Variação do nível de atividade e gastos relacionados CUSTOS VARIÁVEIS - MATÉRIA-PRIMA Dados do mês de Março Previsto Variação Realizado Quantidade de Unidades Produzidas e Vendidas. 10.0000 20% 12.000 Gastos variáveis. R$ 40.000,00 20% R$ 48.000,00 Gastos fixos. R$ 100.000,00 0% R$ 100.000,00 Gastos totais. R$ 140.000,00 6% R$ 148.000,00 Gasto por unidade vendida no mês. R$ 14,000 12% R$ 12,33 Fonte: o autor Perceba que uma variação de 20% no volume de vendas alterou os gastos variáveis, mas não os fixos. Esse comportamento dos gastos já trabalhamos quando desenvolvemos as características do orçamento estático. E outro ponto interessante: perceba que o gasto por unidade reduziu. Talvez agora você entenda melhor, também, o quanto os empresários dão importância ao giro e produtividade. Quanto mais se produz com a mesma infraestrutura, menores são os gastos por unidade produzida. Quer ficar ainda mais deslumbrado? Contemple a Tabela 3 a seguir, uma continuação da Tabela 4. Tabela 4 – Variação volume x variação lucro CUSTOS VARIÁVEIS - MATÉRIA-PRIMA Dados do mês de Março Previsto Realizado Preço de venda por unidade. R$ 20,00. R$ 20,00 Receita total do mês de março. R$ 200.000,00 R$ 240.000,00 (-) Gastos totais do mês. - R$ 140.000,00 R$ 148.000,00 Resultado do mês. R$ 60.000,00 R$ 92.000,00 Variação no lucro. 53,33% Fonte: o autor 50 Entre tais elementos, o orçamento fl exível considera que a empresa deve estar atenta ao nível de atividade e suas possíveis variações. E o que mais interfere e varia nas atividades é a questão do custo. Não há como fi xar R$ 1,00 de custo para cada unidade fabricada. O nível de atividade faz variar as estimativas de custos, pois temos os custos fi xos e variáveis. Por isso, é necessária uma análise dos custos nas categorias variável e fi xa, para prever os gastos em diferentes níveis de atividades. Portanto, algumas variações que geralmente ocorrem em um processo de realização desse tipo de orçamento são: • Variação nos gastos reais. • Variação nos volumes de produção. • Variação nos volumes de vendas. E como o orçamento fl exível prevê variações, ele tem como uma de suas fi nalidades identifi car de onde vêm as diferenças e quais foram as suas causas: variações e discrepâncias, em que as primeiras referem-se a diferenças nos planos, como volumes de vendas maiores ou menores que o orçado, e as últimas estão relacionadas ao controle individual do gestor ou departamento. Essa capacidade de alterar o orçamento também torna mais fácil identifi car responsabilidades e os motivos caso uma receita ou meta de O grau de alavancagem operacional é a forma de medir em que proporção o resultado da empresa é afetado quando o volume de suas atividades de produção e vendas tem variações. Isso ocorre face ao comportamento dos gastos. A composição dos gastos dos empreendimentos, independentemente do ramo de atividade, se divide em fi xos e variáveis, isso faz com que o resultado não reaja na mesma proporção das variações do nível de atividade. Esse aspecto se dá pelo fato de os gastos fi xos permanecerem inalterados, enquanto os gastos variáveis oscilam proporcionalmente a essa alteração. E cada empreendimento, dependendo dessa proporção entre gastos fi xos e variáveis, tem um grau de alavancagem diferente. E em um mesmo empreendimento, isso muda toda vez que houver alguma alteração entre essa proporção, o que ao longo do tempo certamente irá ocorrer. INTERESSANTE Olha que bacana! Uma variação de 20% no volume de produção e vendas produziu um aumento de 53% no lucro. Esse é um princípio chamado de alavancagem operacional. E certamente isso quebra alguns paradigmas, demonstrando que a variação no volume de vendas não é a mesma do resultado (lucro ou prejuízo). 51 custo seja arruinada. Certamente, a adoção do orçamento flexível é mais complicada, requer um conhecimento sólido das despesas fixas e variáveis da empresa. No entanto, isso permite maior controle sobre as mudanças que ocorrem ao longo do período orçado, geralmente anual. A seguir, elencamos algumas características do orçamento flexível citadas por Lunkes (2003): • Não limita a projeção a um nível de atividades, mas para uma gama de atividades. • Os custos incorridos são comparados com os necessários para determinado nível de atividade. • É ajustado de acordo com as mudanças no nível de atividade real, ou receita e medidas de custo reais. • No planejamento, mostra quanto serão os custos em vários níveis de atividade. • Possibilita o exame dos resultados financeiros esperados para um número de cenários possíveis. • Admite-se uma faixa de nível de atividades, tendenciando os volumes de produção ou venda. • Necessita de um profundo conhecimento dos padrões de comportamento dos custos de fabricação, especialmente os custos indiretos, que se tornaram muito representativos nos últimos anos. • Depura melhor os insumos, separando-os em custos variáveis ou fixos. • Exige o conhecimento do que cada empregado, metro quadrado, máquina ou computador produz. Devido a todas essas características, o orçamento flexível é dinâmico por natureza, permitindo ao gestor observar o nível de atividade atingido durante o período orçado. Dessa forma, este tipo de orçamento exige um melhor desempenho no papel de gerenciamento e controle. De forma geral, como as mudanças sociais têm ocorrido cada vez mais rapidamente, em que previsões de longo prazo se tornam cada vez mais duvidosas, o orçamento flexível pode ser uma abordagem interessante para os empreendimentos terem uma ferramenta de suporte para o planejamento e controle de suas atividades. 4 ORÇAMENTO CONTÍNUO Como observamos em todo o estudo até o momento, existe uma tendência nas organizações em elaborar orçamentos em ciclos anuais. Entretanto, alguns segmentos de negócio têm dificuldade com orçamentos desse prazo, alguns por entender que um ano é muito tempo, e outros por entender que um ano é um período muito curto. Por exemplo, apesar das rápidas mudanças em nível mundial, é mais recorrente para empresas do ramo de tecnologia problemas com o planejamento para períodos anualizados, em virtude das velozes evoluções do setor. 52 Assim, surge a necessidade do orçamento contínuo, que tem como objetivo central analisar o orçamento periodicamente, acrescentando ao fi m de cada ciclo um novo período. Ele geralmente cobre um período de 12 meses, o que mantém os gestores e colaboradores envolvidos continuamente no processo orçamentário, incorporando condições variáveis em momentos oportunos. Para citar um exemplo, normalmente os orçamentos, como vimos até então, são elaborados para 12 meses: janeiro de 20x1 a dezembro de 20x1. O orçamento contínuo funciona assim: após a realização do orçamento de janeiro do ano 20x1, orça-se já o orçamento de janeiro de 20x2. Assim, o novo período orçamentário vai de fevereiro de 20x1 a janeiro de 20x2. Isso pode ser mais bem compreendido ao se observar a Figura 1 a seguir. Figura 1 – Orçamento contínuo – Janeiro Fonte: o autor Quando fi nalizar, ou seja, verifi car o orçamento e o realizado do orçamento de fevereiro de 20x1, orça-se o período de fevereiro de 20x2, fi cando o período dos próximos 12 meses, de março de 20x1 a fevereiro de 20x2, abrangidos por este orçamento. Isso pode ser observado na Figura 2 a seguir. Figura 2 – Orçamento contínuo – fevereiro Fonte: o autor E assim, continuamente, esse tipo de orçamento vai gerar um novo período orçamentário. Nesse exemplo que utilizamos, o período considerado foi de 12 meses. No entanto, não existe um modelo único e nada impede que se utilize períodos menores, de 6 meses ou até 3 meses. Não existem regras. Alguns exemplos do uso dos períodos para esse tipo de orçamento podem ser observados na Figura 3 a seguir. 53 Figura 3 – Orçamentocontínuo – multiperíodos Fonte: o autor Enquanto os orçamentos tradicionais vislumbram o ano fi scal da empresa, o orçamento contínuo transmite a ideia de que planos realistas podem ser feitos em curto prazo, sendo possível replanejar e refazer projeções continuamente em virtude de circunstâncias não esperadas. O orçamento, então, de 12 meses é continuamente revisado, removendo-se dados do mês recém-concluído e adicionando-se dados orçados para o mesmo mês do ano seguinte. De acordo com Lunkes (2003), esse tipo de orçamento deve possuir algumas características importantes, como as relacionadas a seguir: • Cultura de entrega de relatórios mensais em tempo hábil. • Comportamento proativo. • Postura de autocorreção dos problemas orçamentários. • Analisar os pontos positivos e negativos durante o período passado para que se possa melhorar o próximo período. • Analisar e detalhar a receita e as despesas controláveis e elaborar estimativas para o próximo período. • Competência e habilidade dos participantes do sistema. 54 Lunkes (2003) também apresenta uma lista de vantagens que são proporcionadas pela utilização do Orçamento Contínuo: • Facilidade em orçar períodos menores. • Incorporação de novas variáveis. • Orçamento mais preciso e detalhado. • Fácil implementação. • Fácil gerenciamento. • Menor tempo de elaboração. • Assegura verdadeira responsabilidade. Além disso, o orçamento contínuo pode ser adequado com outros métodos orçamentários, seja o tradicional, base zero, flexível etc. Isso porque o seu princípio é fazer revisões e adaptações nas previsões no decorrer do período. E isso não inviabiliza a combinação com outros tipos de orçamentos. As desvantagens são de ordem operacional, pois fazer orçamentos mensais sempre exige que quase todo o processo orçamentário seja despertado, o que toma tempo de toda a organização. 5 ORÇAMENTO BASE ZERO Dentre as diversas abordagens de orçamentos, está havendo um destaque para o Orçamento Base Zero, conhecido no meio empresarial pela sigla OBZ. Um dos propósitos do OBZ é solucionar problemas de perpetuação de ineficiências históricas. De acordo com Lunkes (2003), o ponto de partida desse orçamento não é o ano anterior, como ocorre na maioria das abordagens. Isso faz com que todas as atividades sejam obrigadas a justificar sua existência para que se possa obter aprovação de recursos pela alta administração. Esse procedimento rejeita completamente a ideia intrínseca no orçamento tradicional de incrementar números e percentuais àquilo que foi feito em período passado. A pergunta básica que esse modelo se propõe a provocar é: quem garante que o valor gasto no passado não está muito além do que deveria ser gasto? Essa forma de conceito de orçamento age como um modelo de planejamento, no qual cada custo e despesa (gastos) são analisados, revistos e avaliados constantemente. Esse tipo de orçamento evita desperdícios e faz com que as equipes se esmerem sistematicamente em reduzir gastos, identificando possíveis excessos (ou carências). Isso vale desde a compra de insumos até a aquisição de material de escritório, ao contrário do que se rege a tradicional lógica das empresas em inspirar-se no orçamento do ano anterior e aplicar-lhe índices de redução para montar o do ano corrente, sem saber se o valor de cada gasto corresponde à realidade. 55 Com o orçamento OBZ, o ponto de partida para cada gasto é zero, o que apesar de lógico também é controverso por algumas outras abordagens sobre o orçamento. É interessante também relatar que esse tipo de orçamento não é tão recente como, talvez, muitos possam pensar, por isso, apresentamos em curto cronograma o registro da utilização desta forma de orçamento, conforme apresentado por Santos et al. (2008): • 1911 a 1917 – Tesouro Britânico. • 1960 – Departamento de Agricultura dos Estados Unidos. • 1969 – Texas Instruments. • 1971 – Xerox. • 1973 – Estado da Geórgia/USA. • 1998 – AMBEV – Brasil. Como já dito, essa forma de orçamento exige que os gestores estimem as vendas, produção e demais itens do orçamento como se as operações estivessem começando do ponto zero. Isso faz com que todas as solicitações de recursos orçamentários sejam plenamente justificadas ponderando análise de custos, propósitos, cursos alternativos de ação, medida de realizações, benefícios pretendidos e consequências que poderão advir caso a verba não seja concedida. A ideia central do OBZ é consolidar o planejamento (indica o resultado) com o orçamento (indica o que é necessário para a obtenção do resultado). A seguir, apresentamos algumas características e propósitos do OBZ, citados por diversos pesquisadores como Carvalho (2002), Frezatti (2015) e Santos et al. (2008): • Exige o exame detalhado dos gastos. • Define metas de redução específicas para cada gerência. • Propõe desafios compatíveis com o potencial de ganho de cada área. • Estabelece uma sistemática eficaz de acompanhamento e controle dos gastos. • Requer apoio constante e manifesto de maior autoridade executiva. • Exige o envolvimento de todos os níveis de chefias. • Elaboração orçamentária e de gestão no sentido “de baixo para cima”. • Analisa o custo-benefício de todos os projetos, processos e atividades, partindo de uma base “zero”. • Focaliza objetivos e metas das unidades de negócio cujos recursos são consequência do caminho ou direção planejada. • Assegura a correta alocação de recursos com base no foco e nos fatores-chave do negócio. • Aprova o nível de gastos após a elaboração com base em critérios previamente definidos. • Desenvolve-se de forma participativa com intensa comunicação entre as áreas. • Fornece subsídios inteligentes para a gestão. • Preocupa-se com resultados efetivos. • As decisões são baseadas em resultados. 56 Nem tudo, porém, são flores no OBZ. Santos et al. (2008) observam que, em setores industriais, o OBZ se aplica em algumas divisões como a área administrativa, técnica e comercial. Já em relação ao setor fabril, não há uma adaptação direta, visto que este está associado às operações de produção, como material direto e mão de obra direta (exceto os gastos indiretos de fabricação, na sua parcialidade), sendo quase impossível aplicar uma análise de custo/benefício para decidir sobre aumento ou redução de despesas. Nesse caso, não é recomendado um planejamento a partir do zero. Outra desvantagem do OBZ é o tempo de elaboração, muito maior do que os orçamentos tradicionais, devido a cada gasto exigir uma justificativa e uma aprovação. Por fim, encerramos este tópico com uma relação de vantagens que o OBZ obtém em detrimento dos demais orçamentos, segundo Lunkes (2003): • Força os gestores a refletirem sobre as operações e procurarem oportunidades de melhoria. • Fornece informações detalhadas relativas a recursos necessários para realizar os fins desejados. • Evidencia os excessos e duplicidade entre as atividades ou departamentos. • Concentra-se nas reais necessidades e não nas variações do ano anterior. • Proporciona melhor acompanhamento do planejamento x realizado. • Cria uma atitude interrogativa em lugar de assumir práticas decorrentes do passado. • Focaliza atenção na produtividade e não somente nos gastos. • Aplicável em qualquer entidade, com ou sem fins lucrativos, industrial, comercial ou de serviços. Orçamento Base Zero x Orçamento Base Histórico – como podemos observar, ambas as técnicas têm suas vantagens e desvantagens, e a questão de qual técnica utilizar vai depender muito do momento da empresa. Caso se esteja querendo reestruturar a empresa ou alguma área, o Orçamento Base Zero pode ser o mais indicado. Do contrário, o Orçamento Base Histórico proporciona ganhos de velocidade em sua elaboração, além do aprendizado que traz acumulado. Uma estratégia que se pode adotar é utilizar o Orçamento Base Zero a cada três ou quatro anos, e nos demais anos utilizar o orçamento base histórico para ir medindo a evolução do resultado da empresa. Outra estratégiainteressante é partir para um modelo híbrido, ou seja, caso o objetivo seja reestruturar somente uma área da empresa, aplicar o Orçamento Base Zero para esta área e o Orçamento Base Histórico para o restante da empresa. NOVAS DESCOBERTAS 57 6 ORÇAMENTO POR ATIVIDADES Ainda pouco utilizado pelas empresas, o Orçamento por Atividades é oriundo de uma nova técnica de custeio denominada de Custeio Baseado em Atividades ou Custeio ABC (Activity Based Costing), em que, na forma de orçamento, inverte-se o histórico pelo previsto, e é chamado pela sigla em inglês ABB – Activity Based Budgeting. Empresas que já utilizam o custeio ABC entenderam a necessidade de um conjunto de atividades específicas para atender a um cliente ou produzir um bem ou serviço, obtendo, assim, melhor detalhamento dos respectivos custos e uma visão mais clara dos seus processos. E se o empreendimento utiliza calcular seus custos por meio do custeio ABC, ele também precisa que o orçamento seja por atividades. Esse tipo de custeio e, respectivamente, orçamento é mais indicado para empresas prestadoras de serviços, onde muitos processos envolvem pessoas e o produto final não é a entrega de um tangível, ou seja, produto ou mercadoria. Imagine um hospital, a quantidade de processos envolvidos e, ao final, não existe a entrega de um produto, mesmo que durante os atendimentos muitos materiais e medicamentos tenham sido empregados. Segundo Lunkes (2003), o orçamento por atividades permite identificar os recursos alocados para cada atividade e como estas estão contribuindo para maximizar as oportunidades de seus produtos e clientes. A atividade descreve o modo como a empresa emprega o seu tempo e seus recursos para alcançar os objetivos empresariais que podem ser de produção, venda e atendimento. A principal função da atividade é converter os recursos (material, mão de obra e tecnologia) em produtos e serviços, assim, determina o seu custo e desempenho em termos de tempo e qualidade. Dentre as vantagens que o orçamento por atividade contribui, citados por Lukes (2003), estão: • Capacidade de elaborar orçamentos mais realistas. • Melhor identificação dos recursos necessários. • Associação dos custos à produção. • Vinculação mais clara dos custos com as responsabilidades do quadro funcional. • Identificação de folgas orçamentárias. O orçamento por atividades permite à empresa uma visão sistêmica sobre o consumo de recursos que permitirá aos gestores identificar e lidar com a falta ou excesso de capacidade. Em relação à implantação do ABB, o próprio procedimento permite que a empresa vislumbre áreas importantes e possa determinar políticas de maximização de recursos e atividades, conforme a seguir: 58 • Elimina atividades supérfluas. • Reduz o tempo ou os recursos empenhados no cumprimento das atividades. • Seleciona as atividades em um custo mais baixo. • Multiplica a utilização de atividades. • Desenvolve uma descrição de caso. • Define prioridades. • Oferece justificativa de custo. • Monitora os benefícios. • Avalia o desempenho para melhoria contínua. É oportuno mencionar que o orçamento por atividades não exclui completamente o orçamento tradicional, visto que ele começa estimando a necessidade de equipamentos e funcionários para atender à demanda projetada de forma tradicional. 6.1 BEYOND BUDGETING A tradução para Beyond Budgeting (BB) é ir além do orçamento. A premissa do BB é abandonar os processos orçamentários que são considerados tradicionais, como os que vimos até então, com o objetivo de ter a possibilidade de aprimorar o controle e gestão do empreendimento. A implementação dessa metodologia leva ao afastamento dos processos orçamentários tradicionais, direcionando o empreendimento a estabelecer um sistema organizacional altamente descentralizado e um conjunto adaptativo de processos de gestão. Pode ser verdade que existam justificativas para que o BB seja levado em consideração. Os processos orçamentários tradicionais podem apresentar uma série de imperfeições, como, por exemplo: • O desenvolvimento do orçamento é demorado e caro. • Os orçamentos raramente estão focados na estratégia da empresa. • Os orçamentos geralmente não estimulam a criação de valor. • Orçamentos podem criar obstáculos para mudanças. • Os orçamentos aumentam a centralização do poder dentro de uma organização. De acordo com o Quadro 1, pode-se perceber que a ideia sobre BB ainda é relativamente nova. Suas discussões e aplicações se iniciaram nos últimos 20 anos. E sua ascensão está associada à mudança de um modelo organizacional burocrático tradicional para uma estrutura de mais negócios ágeis. Essencialmente, a estrutura BB é baseada na ideia de agilidade de negócios. Inicialmente, as empresas ágeis predominavam principalmente entre as empresas de desenvolvimento de software. Essas empresas estabeleceram técnicas ágeis de negócios para se ajustar e se adaptar rapidamente às metas e requisitos em 59 constante mudança em um ambiente extremamente competitivo. Hoje em dia, empresas em diferentes setores implementam ativamente técnicas ágeis para cumprir megatendências exigentes, como digitalização, globalização e mobilidade. O Beyond Budgeting Institute (2016) é uma organização sem fins lucrativos que desenvolve e promove o BB e afirma que sua estrutura é baseada em 12 princípios. No entanto, de acordo com o instituto, os princípios não são uma receita nem uma checklist para a gestão. Os princípios servem apenas como um guia para empresas e gerentes que desejam adotar a estrutura. Os respectivos princípios estão dispostos no Quadro 1 a seguir: Quadro 1 – 12 princípios do BB Fundamentos de Liderança Processos Gerenciais Objetivo: os líderes engajam e inspiram as pessoas em torno de causas ousadas e nobres, não em torno de objetivos financeiros de curto prazo. Ritmo: os processos de gestão organizam-se de forma dinâmica em torno não só do calendário e dos exercícios fiscais, mas também dos ritmos e atividades empresariais. Valores: os líderes lideram por meio de valores compartilhados e julgamentos sólidos, não por meio de regras e regulamentos rígidos. Metas: os líderes optam por metas direcionais, ambiciosas e relativas, em vez de objetivos fixos e em cascata. Transparência: os líderes tornam as informações facilmente acessíveis para autorregulação, criatividade, aprendizado e controle. Planejamento e previsão: líderes planejando e prevendo processos limpos e imparciais, não exercícios rígidos e políticos. Organização: os líderes estabelecem um forte senso de pertencimento e promovem equipes responsáveis para se livrar do controle hierárquico e da burocracia. Alocação de recursos: os líderes impulsionam uma mentalidade de conscientização sobre os custos e disponibilizam os recursos conforme a demanda; não por meio de alocações orçamentárias anuais concretas. Autonomia: os líderes confiam nas pessoas com liberdade de ação. Avaliação de desempenho: o desempenho é avaliado de forma holística e com feedback dos pares para aprendizagem e desenvolvimento; não com base apenas em medição e não apenas para recompensas. Clientes: os líderes garantem que cada ação esteja ligada às necessidades do cliente e que conflitos de interesse sejam evitados. Recompensas: os líderes recompensam os sucessos compartilhados contra a concorrência, não contra metas de desempenho fixas. Fonte: adaptado de Beyond Budgeting Institute (2016) 60 A abolição completa dos processos orçamentários tradicionais requer a implementação de novas técnicas que irão substituí-los. A estrutura do BB não especifica as técnicas exatas aplicáveis a todas as empresas. No entanto, existem algumas técnicas que podem ser eficazes: • As previsões contínuas são criadas mensalmente ou trimestralmente, em vez de anualmente. • As metas da empresa são baseadas em indicadores-chave de desempenho (KPIs). • O desempenho dos gestores da empresa é avaliado com base em benchmarks externos,e não em seu desempenho anterior. • Os gerentes operacionais têm autonomia para reagir às mudanças no ambiente de negócios e podem coordenar dinamicamente suas ações. O BB é adequado para setores com um ritmo acelerado de mudança. Esse ambiente de negócios naturalmente exigiria uma abordagem de gerenciamento mais dinâmica e responsiva. Organizações recém-estabelecidas ou aquelas que estão passando por transformações radicais acharão os métodos orçamentários tradicionais difíceis de implementar devido à falta de dados históricos. Viu como foi interessante discorrer sobre os “tipos” de orçamento?! Talvez você não tenha percebido, mas cada um dos “tipos” orçamentários apresentados são, na verdade, variâncias do orçamento tradicional. O que muda são focos e concepções. Se for utilizar algum software para organizar o sistema e as peças orçamentárias, certamente ele não foi escolhido de um ou outro fornecedor face aos tipos de orçamento que foram definidos. O software, se tivesse uma consciência, certamente não saberia se os dados ali armazenados e tratados são de um ou outro tipo de orçamento. Veja, por exemplo, que o OBZ em relação ao tradicional é uma forma diferente de se apurar valores relacionados aos custos e despesas, mais especificamente. Ele rejeita a visão tradicional do orçamento, principalmente, a ideia do orçamento incremental, que leva em consideração os dados do ano passado mais um adicional. Em vez disso, o orçamento de base zero projeta todas as peças como se estivessem sendo compiladas pela primeira vez. Isso nada interfere no software ou dashboards de acompanhamento do orçamento. Quando inseridos em um software, seria mais um dado relacionado a um gasto ou receita. Já no orçamento flexível, em vez de um único número determinado de volume de fabricação ou vendas, a empresa admite uma faixa de nível de atividades, em que tendencialmente irão situar-se tais volumes de produção ou venda, face a existirem gastos fixos e variáveis; e continuamente em relação aos tipos de orçamento apresentados. 61 Entre tais elementos, nossa intenção foi demonstrar a você que existem perspectivas da administração, tanto acadêmica quanto prática de mercado, que são frutos da necessidade e da experiência de cada empresa, ou setor, forma de comprar, produzir, vender, remunerar etc. Não existe uma receita certa, mesmo para empreendimentos que são quase idênticos, tanto em produtos, forma de comercialização e tamanho, abrangência de atuação, dentre outras características. Cada empreendimento terá suas peculiaridades, particularidades, que as tornarão únicas, e isso vai fazer com que os gestores sejam impulsionados a lançar mão de conhecimentos, técnicas e métodos que lhes atendam e, consequentemente, à organização, de uma forma mais eficiente. E nada melhor do que ser possível conhecer vários “tipos” disso, não é mesmo? 62 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tema de aprendizagem, você aprendeu: • Que o orçamento empresarial evoluiu com o passar do tempo para atender às demandas das organizações. Algumas fases marcaram a aplicação e o desenvolvimento da prática orçamentária, que passou a ser utilizado, com mais abrangência e por uma quantidade de empreendimentos maior, em um conjunto de atividades que não apenas aquelas tradicionais com características de fabricação de produtos. • Que, além do orçamento tradicional, também chamado de estático, novos tipos de orçamentos foram implementados, o que foi historicamente visto como fases de evolução do orçamento. Ou seja, foram necessárias novas abordagens, tendo em vista a diversidade de tipos de negócios que passaram a surgir. • Cada uma das fases pelo qual o orçamento se desenvolveu. Na primeira fase, predominou com ênfase na projeção dos resultados e o posterior controle, sendo um projetado para atender a um nível de atividade do próximo período. A segunda fase privilegiou o orçamento contínuo, que tem como ênfase a revisão contínua, removendo-se os dados do mês recém-concluído e acrescentando-se dados orçados para o mesmo mês do ano seguinte. O passo seguinte foi o surgimento do orçamento de base zero, com a projeção dos dados como se as operações estivessem começando da estaca zero e tivessem necessidade de justificar os gastos. Na quarta etapa, é apresentado o orçamento flexível como destaque com a projeção dos dados das peças orçamentárias em vários níveis de atividade. O orçamento flexível é projetado para cobrir uma gama de atividades; portanto, pode ser usado para estimar custos em qualquer nível de atividade. E, por fim, surgiu o orçamento por atividades como uma extensão do custeio baseado em atividades, com projeção dos recursos nas atividades e o uso de direcionadores para estimar e controlar os resultados. 63 RESUMO DO TÓPICO 1 AUTOATIVIDADE 1 O orçamento flexível denota a condição de variabilidade que é inerente ao processo orçamentário, o que exige a flexibilidade para acompanhamento do orçamento, sendo este um fator marcante. Tem como objetivo suavizar a inflexibilidade imposta pelo orçamento estático, partindo do princípio de que o orçamento de vendas pode sofrer variações e, consequentemente, todas as demais peças orçamentárias que estão diretamente ligadas ao orçamento de vendas e que possuem gastos variáveis também sofrem variações. Sobre as variações que ocorrem em um processo de realização do orçamento flexível, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Variação nos gastos reais; variação nos volumes de produção; variação nos volumes de vendas. b) ( ) Variação nos aspectos econômicos; variação das finanças organizacionais; variação de tributos. c) ( ) Variação nas operações empresariais; variação nos processos da produção; variação nos processos de fabricação. d) ( ) Variação nas operações logísticas; variação nas decisões estratégicas da organização; variação na legislação trabalhista. 2 Os diversos tipos de orçamento devem ser analisados para que seja escolhido o que melhor se encaixa na realidade do empreendimento. Uma escolha acertada permite que a empresa tenha mais eficiência na gestão dos negócios. Com base nos conhecimentos a respeito dos tipos de orçamento, analise as sentenças a seguir: I- Cada orçamento possui características específicas, pensadas para atender a demanda das organizações de acordo com o perfil do negócio. É preciso conhecer essas características para escolher a melhor opção. II- Com a evolução dos orçamentos, foram possíveis ajustes que acompanharam também a evolução dos negócios, tornando as novas versões melhores que as anteriores. III- Os tipos de orçamentos que surgiram após o orçamento tradicional são: orçamento contínuo, orçamento base zero, orçamento flexível, o orçamento por atividades e, por fim, o beyond budgeting. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 64 3 O orçamento por atividades identifica os recursos necessários para cada atividade e como estas estão contribuindo para maximizar as oportunidades da organização e seus interessados. A atividade demonstra como a empresa utiliza o seu tempo e seus recursos para atingir objetivos organizacionais. Sobre algumas vantagens da utilização do orçamento por atividades, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Capacidade de elaborar orçamento mais realistas e melhor identificação dos recursos necessários. ( ) Associação dos custos à produção e vinculação mais clara dos custos com as responsabilidades do quadro funcional. ( ) Identificação de processos a serem otimizados e contribuição para tomada de decisão estratégica. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – V – F. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 Além do orçamento tradicional, tambémchamado de estático, novos tipos de orçamentos foram surgindo e sendo implementados ao longo do tempo, estabelecido em fases de evolução do orçamento. Essa evolução foi necessária devido à diversidade de tipos de negócios, novas atividades e perfis das organizações. Disserte, de forma resumida, sobre a evolução dos processos orçamentários. 5 O orçamento flexível explora a condição de variabilidade que é inerente ao processo orçamentário. E ele parte do princípio de que o orçamento de vendas pode sofrer variações e, por isso, todas as demais peças orçamentárias ligadas ao orçamento de vendas e que possuem gastos variáveis também sofrem variações. Disserte brevemente sobre as características do orçamento flexível. 65 PEÇAS ORÇAMENTÁRIAS 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 2, abordaremos as principais peças orçamentárias cuja consolidação nos possibilitará ter as Demonstrações Financeiras Projetadas. Você verá que cada uma dessas peças está diretamente ligada à peça anterior ou sucessora. Vamos aprender sobre a elaboração e consolidação do orçamento: orçamento de vendas, orçamento de marketing, orçamento de produção/fabricação, orçamento de despesas operacionais, orçamento de investimentos e orçamento de financiamentos/caixa. Certamente, durante sua vida, até esse momento, lendo essas palavras, você teve contato com um jogo chamado quebra-cabeça. Lembrando, trata-se basicamente de um jogo em que, ao juntar as peças, geralmente de papelão, forma-se uma imagem (foto, desenho, pintura, personagem etc.). Você já imaginou que o orçamento possui essa mesma característica de ter peças que, ao se formarem, tornam-se algo “completo” e compreensível? É isso mesmo, um orçamento completo é como um quebra-cabeça montado, em que o panorama geral é unicamente percebido com todas as peças nos seus devidos lugares! Por isso que se fala em orçamento de vendas, produção, matérias-primas, estoques de produtos acabados, mão de obra, despesas administrativas, tributárias, de vendas, orçamento de caixa, aplicações, investimentos, marketing, podendo existir ainda outros. Cada uma dessas “peças” orçamentárias tem a mesma conotação de uma peça de um quebra-cabeça, em que a reunião meramente de todas essas peças fará sentido. 2 ORÇAMENTO EMPRESARIAL Como já aprendemos na Unidade 1, o orçamento empresarial pode ser entendido como um plano que demonstra os recursos necessários e a sua forma de utilização. Podem ser considerados recursos: pessoal, técnicas específicas, equipamentos, espaço de trabalho e dinheiro. O orçamento irá especificar os objetivos e as prioridades para o ano, o conteúdo dos demonstrativos e resultados financeiros da empresa, como receita e custos, bem como os demais elementos organizacionais da empresa. UNIDADE 2 TÓPICO 2 - 66 Esse orçamento é composto por várias peças, assim como em jogos de quebra- cabeças. Cada organização possuirá a quantidade de peças orçamentárias que estejam de melhor acordo com sua realidade. Continuando nossa analogia com os jogos de quebra-cabeça, isso signifi ca que assim como haverá quebra-cabeças com mais e menos peças, haverá também orçamentos com mais e menos peças. Quando falamos em ramos de atuação das organizações, por exemplo, qual peça orçamentária todo tipo de organização vai precisar possuir: orçamento de vendas, orçamento de despesas administrativas, dentre outros. No entanto, algumas peças orçamentárias podem ser necessárias. Por exemplo, se a atividade do empreendimento não envolve fabricação. Agora pense e relacione quais as peças orçamentárias e orçamentos não fazem sentido em uma organização que não possui processos de fabricação ou montagem de produtos. Uma das diferenças conceituais sobre peças de um quebra-cabeça e as peças orçamentárias é que, em relação ao orçamento, existe uma peça central e inicial. Já no quebra-cabeça, você pode iniciar por qualquer lado, extremidade ou meio. Inclusive aqueles jogadores que gostam de demonstrar superioridade categórica, montam o quebra-cabeça pelo verso, ou seja, onde se vê apenas a cor do papelão sem ver a imagem que está sendo formada. No orçamento, existe uma peça inicial e central que, independentemente do ramo de atividade, qualquer uma da organização será sempre a mesma. Você consegue imaginar qual seria essa peça? Vamos descobrir juntos! O orçamento empresarial pode auxiliar as empresas a evitarem crises! Até aqui, falamos bastante sobre o que é o orçamento empresarial e suas características. No decorrer deste tema de aprendizagem, você saberá mais sobre seus principais componentes. Mas você sabia que o orçamento pode também ser uma excelente ferramenta para auxiliar as empresas a evitarem ou superarem crises? Isso mesmo! Por se tratar de um plano, é possível prever necessidades de ajustes e controlar os lucros e gastos da empresa por meio do orçamento. Saiba mais assistindo ao vídeo do especialista em fi nanças Gustavo Cerbasi, disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=j8QHbkSWXGc. DICA 3 ORÇAMENTO DE VENDAS A elaboração das peças orçamentárias e do orçamento como um todo, como um produto do planejamento, vai ocorrer alguns meses antes do início do ano orçado para que haja tempo sufi ciente para a conclusão do processo orçamentário que envolverá análise, discussão, aprovação e distribuição entre as pessoas das várias áreas envolvidas. E independentemente da área de atuação da organização, o orçamento de vendas sempre será a peça central e o pontapé inicial para começar a construção das 67 demais peças orçamentárias. E quando todas as peças estiverem prontas e juntas, igual a um quebra-cabeça, formarão o orçamento do período, geralmente de curto prazo. Comumente, o orçamento atende o período de um ano, sendo detalhado em meses e trimestres, conforme a necessidade e o nível de informação desejado. Pode, inclusive, com uso integrado de tecnologias da informação e painéis de BI, ser monitorado diariamente. O orçamento de vendas é a base para todas as outras peças orçamentárias; caso ele não seja preciso, as outras estimativas também serão incertas. Com base nas quantidades vendidas, serão defi nidas as quantidades a serem produzidas, níveis de estoque desejado, necessidades de matérias-primas e outros materiais. Ou seja, as demais peças orçamentárias, como pode ser observado na Figura 4 a seguir, serão diretamente afetadas. Figura 4 – Peças orçamentárias Fonte: o autor Sanvicente e Santos (2000, p. 43) afi rmam que “o orçamento de vendas constitui um plano de vendas futuras da empresa, para determinado período de tempo”. Com o orçamento de vendas, é possível estimar as quantidades de cada produto que a empresa planeja vender e o preço praticado. Santos et al. (2008) afi rmam que, de acordo com o setor, porte e modalidade de vendas à qual pertence a empresa, ela pode apresentar: • Quantidades físicas e valores de vendas por produto, unidades de negócio, regiões e total da empresa. 68 • Preço de venda unitário que será praticado em cada região ou unidade de negócio. • Modalidades de vendas e suas políticas, no caso de vendas a prazo: cartão de crédito, cheques pré-datados, boletos, e os seus prazos de vencimentos. • Formas de distribuição e vendas: venda direta, atacado, varejo, representantes, internet etc. O orçamento de vendas determina, também, os valores da receita total que será obtida, com condições básicas dessa venda, à vista ou a prazo, ou seja, a multiplicação das quantidades pelos respectivos preços unitários. Para a elaboração do planejamento de vendas, é muito importante elaborar uma política de preços. Quando se fala em preço e volume de vendas, é significativo o destaque de serem tarefas interdependentes, mas são interligadas. Portanto, relações entre preço, custo e volume exercem influência substancial sobre a estratégia que deve ser adotada pela empresa. Essas informações e outras mais vão desencadear a geração de dados que serão utilizados para a elaboraçãodo orçamento de produção e respectivos custos de fabricação e despesas operacionais e as demais peças orçamentárias que vamos abordar nessa unidade. A projeção do orçamento de vendas geralmente é mensal, indicando quantidades, preço unitário e receita total, ao longo do período a que se refere o orçamento, considerando inclusive a quantidade de dias de atividades úteis no mês. Por isso, apresenta o faturamento projetado, podendo (ou devendo) ser dividido por modalidades de vendas (à vista, a prazo, cartão de crédito, cheque pré-datado etc.), ou mesmo por região ou centro de lucros, entre outras métricas que podem ser inclusive customizadas pelos executivos, no caso do uso de um painel de negócios. Segundo Santos et al. (2008), o objetivo do orçamento de vendas é permitir à empresa visualizar o seu potencial de atuação dentro do mercado consumidor. De acordo com Lunkes (2003), o primeiro passo para estabelecer o orçamento de vendas é definir os fatores limitadores ou restrições. Portanto, torna-se necessário fazer um diagnóstico de seu ambiente interno e externo, visando identificar o que pode interferir nas previsões de vendas da empresa. Os fatores internos podem ser: • Capacidade produtiva: localização, número, tamanho e idade dos produtos, equipamentos e infraestrutura, qualidade exigida, capacidade produtiva, disponibilidade de matéria-prima e mão de obra, dentre outros. • Vendas e marketing: volume de vendas relacionado a estudos de pesquisas de mercado, localização e números de pontos de venda e quantidade de pessoas envolvidas, sistema de distribuição, políticas de precificação e promoções, imagem do negócio e divulgação dos produtos, marcas e patentes, capacidade de atendimento, entre outros. • Engenharia: qualificação dos recursos humanos, desenvolvimento e manutenção de novos produtos, relação de custos de manutenção com a produção, entre outros. 69 • Gestão e fi nanças: estrutura administrativa, competência e habilidades, cultura e valores, custo e disponibilidade de capital, sistema de planejamento e controle, liderança, estratégias, entre outros. Já os fatores externos são: • Mercado: potencialidade do mercado, diferenciação do produto, sazonalidade, lucratividade do setor, nível de renda dos clientes, dentre outros. • Competitividade: concorrência, intensidade da competição, barreiras para entrar e sair, fatia do mercado, substitutos disponíveis, dentre outros. • Economia e governo: condições econômicas setoriais e gerais, infl ação, impacto das mudanças externas, nível salarial, disponibilidade de material e mão de obra, legislação e impostos, dentre outros. • Tecnologia: inovação, maturidade e volatilidade, necessidade de novos produtos e processos, dentre outros. • Impactos ambientais: código de defesa do consumidor, mudanças demográfi cas, qualidade e mercados internacionais, dentre outros. Dois aspectos são primordiais na elaboração desse orçamento: capacidade produtiva da empresa e nível de estoques mínimo de produtos/mercadorias, defi nido pela equipe de planejamento orçamentário. Sobre as políticas de estoque, trataremos com mais detalhes quando desenvolvermos os aspectos inerentes ao orçamento de produção. Figura 5 – Orçamento de vendas – fatores internos e externos Fonte: adaptada de Frezatti (2015) 70 3.1 MÉTODOS DE ESTIMAÇÃO DE VENDAS Na elaboração do orçamento de vendas, sua base deve se centrar no crescimento histórico e crescimento esperado da empresa, assim como o crescimento esperado para o setor e a economia como um todo. Segundo Sanvicente e Santos (2000), existem diversos métodos de previsão, e embora nenhum deles seja absolutamente superior aos demais, a escolha de um ou mais de um deles se faz em função das características da empresa. Aliado a isso, a experiência e a intuição dos administradores da área são fundamentais para se assegurar previsões acertadas. Segundo Santos et al. (2008), os métodos de estimativas de vendas podem ser: • Com base no crescimento histórico: baseia-se em taxas médias de crescimento de vendas passadas, utilizando-se de médias aritméticas ou geométricas. • Com base no crescimento esperado da empresa/setor/economia: pressupõe que as vendas irão crescer de acordo com o crescimento projetado para o setor (curto prazo) ou para a economia como um todo (longo prazo). • Com base na previsão dos analistas: normalmente, oferecem melhores resultados do que os modelos mecânicos, pois, além de dados históricos, utilizam-se também de informações específicas da empresa e privilegiadas sobre a empresa, informações macroeconômicas, dos concorrentes e públicas. • Com base no uso de determinantes de crescimento de vendas: baseiam-se em determinadas decisões tomadas pela empresa no que se refere ao retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), alavancagem, retorno sobre ativos, margem de lucro e giro de ativo. Os mesmos itens apresentados acima são agrupados de outra maneira, talvez mais objetiva, por Kotler (1974 apud SANVICENTE; SANTOS, 2000), elencando seis métodos de previsão de procura, agrupados em três bases de informação: a) Métodos baseados no que se diz: • Levantamento de intenções de compradores. • Levantamento de opiniões de vendedores. • Levantamento de opiniões de especialistas. b) Métodos baseados no que se faz: • Lançamento de um novo produto. • Abertura de novas regiões. • Trabalhar com um mercado-teste. 71 c) Método baseado no que se fez: • Instrumental matemático e estatístico na determinação de fórmulas que expliquem o comportamento das vendas passadas da empresa, e que possam também ser aplicadas para projeções futuras. Para empresas que trabalham com produtos sazonais e têm grande parte de seu faturamento concentrado em um curto período de tempo, como de um ano, Sanvicente e Santos (2000) mostram algumas alternativas: 1. Produzir proximamente aos picos de vendas, o que resulta em uma grande capacidade de produção ociosa durante o ano. 2. Manter seu ritmo de produção constante, o que requer, inversamente proporcional ao item anterior, menor capacidade produtiva, porém um maior investimento em estoques durante todo o ano. 3. Diversificar a linha de produtos tentando produzir artigos que possuam procura sazonal inversa, aproveitando, evidentemente, as mesmas instalações fabris. Quando possível, buscar, por meio de promoção e preços especiais, deslocar no tempo o período de baixa probabilidade de venda do produto para que sua comercialização se torne mais favorável. Ao longo da leitura até o momento, acredito que ficou evidente o motivo do orçamento de vendas ser a primeira e principal peça orçamentária. Após a elaboração do orçamento de vendas, o próximo passo é a elaboração do orçamento de produção, que tem por objetivo principal determinar as quantidades a serem produzidas durante o período orçado, visando, também, assegurar um nível de produção suficiente para atender à demanda do mercado, bem como a definição do nível desejado de estoques. 4 ORÇAMENTO DE PRODUÇÃO/FABRICAÇÃO O orçamento de fabricação para Sanvicente e Santos (2000) consiste basicamente em um plano de produção para o período considerado, visando atender às vendas orçadas e aos estoques preestabelecidos, ou seja, as métricas que foram definidas no orçamento de vendas. Apresenta, por períodos de tempo, em consonância com o orçamento de vendas, as quantidades de cada produto a serem fabricadas, quantidades a serem mantidas em estoques e seus respectivos custos. O planejamento da produção é uma etapa muito importante, pois se estabelece na base das demais peças orçamentárias subjacentes, em termos operacionais e de investimentos a serem realizados pela empresa. Por meio da Figura 6 a seguir, pode-se verificar quais peças orçamentárias compõem o orçamento de produção. 72 Figura 6 – Orçamento de produção Orçamento Empresarial Orçamento de Vendas Produção Níveis de estoques de produtos e mercadorias Custos de produção Custos indiretos Mãode obra direta Matéria-prima Fonte: o autor 73 Essa peça orçamentária deve abranger itens como as quantidades a serem produzidas com base no volume de vendas, política de estoques, capacidade operacional e financeira, sazonalidade das vendas, compras de insumos e capacidade de estocagem. Nesse prisma, Santos et al. (2008) conceituam o orçamento de produção como a estimativa de quantidade e valor financeiro da produção de produtos da empresa em determinado período, a partir do orçamento de vendas e do nível de estoque desejado pela empresa. O plano de produção envolve a programação de uso da capacidade instalada, política de estoques (produtos acabados, em elaboração, matérias-primas, dentre outros), identificação de necessidades de investimentos para atender ao programa de vendas, projeção de custos variáveis e custos fixos, objetivos de produtividade considerada no orçamento e outros itens necessários. Os principais objetivos do orçamento de produção, de acordo com Santos et al. (2008), são: • O estabelecimento dos níveis de estoques. • Dar suporte de informações ao orçamento de compras e ao fluxo de caixa projetado. • Dar suporte de informações aos saldos projetados de estoques no balanço patrimonial projetado. • Dar suporte de informações do custo dos produtos vendidos na demonstração de resultado projetada. • Estabelecer a quantidade e o momento de produzir os produtos da empresa, com base no orçamento de vendas e no nível desejado de estoques. • Possibilitar a redução de custos de maneira racional, sem comprometer o processo produtivo. Sobanski (1995, p. 32) destaca que, para elaborar o orçamento de produção, alguns requisitos são necessários: a) plano de vendas. b) características relativas à armazenagem dos materiais. c) escala econômica de fabricação. d) capacidade máxima de fabricação. e) duração e etapas do processo industrial. f) lotes econômicos de fabricação. g) utilização de mão de obra direta. 74 Ao elaborar o plano de produção, os executivos de fabricação defrontam-se com a necessidade de equilibrar as vendas, os estoques e a produção para que seja alcançado o mais baixo nível de custos possível. O orçamento de produção é a base principal do planejamento de necessidades de matérias-primas, mão de obra, investimento em imobilizado, caixa e custos de operação de fábrica. Portanto, o plano de produção é o elemento fundamental da preparação geral de orçamentos para a fábrica. Em resumo, o plano de produção é um importante instrumento de planejamento, coordenação e controle. Como instrumento de planejamento, ao expressar o volume do esforço de fabricação, ele estabelece as bases para o planejamento de todos os aspectos das operações da fábrica: necessidade de matérias-primas, de mão de obra de produção e de supervisão, dentre outros. 4.1 DETERMINAÇÃO DA PROGRAMAÇÃO E POLÍTICA DE ESTOQUES Os estoques incluem matéria-prima, produtos em elaboração, produtos acabados, mercadorias adquiridas para revenda, materiais de manutenção, dentre outros itens, de acordo com a atividade da empresa. De acordo com Sanvicente e Santos (2000), os estoques proporcionam flexibilidade à empresa em suas atividades de compra e venda. Sem esses estoques, haveria a necessidade de adquirir, nos momentos precisos, as quantidades exatas exigidas pela produção, o que impediria a otimização de compra, quando se compra um certo volume, baixando o valor pago individualmente. Isso deve ser compensador, quando, por outro lado, com um certo volume de estoque, a empresa obteria um custo mais elevado, seja da própria estrutura do estoque ou do custo financeiro em manter esses ativos armazenados na empresa. E na área de vendas e produção, interessa maiores estoques de produtos para entregar aos clientes e matérias-primas disponíveis para otimizar a produção. Seria, por exemplo, possível reduzir os prazos de entrega da mercadoria aos clientes. Em contrapartida, a área financeira tem por objetivo minimizar investimentos em estoques, pois esses investimentos absorvem fatias significativas do ativo total da empresa. E em uma empresa que possui um processo de fabricação, o caminho que inicia com a compra do insumo, até a sua conversão em produto final e venda, pode ser demorado, o que gera um custo elevado para a empresa em termos financeiros e de operação desses itens. Por meio da Figura 7 a seguir, pode-se verificar como esse processo pode ser demorado. 75 Figura 7 – Movimentação de Estoques Fonte: o autor 76 Já em uma empresa que compra mercadorias e as revende, sem passar por processos de modifi cação, esse caminho é bem menor. Veja a Figura 8 a seguir: Figura 8 – Movimentação de Estoques – Comércio Fonte: o autor A estabilidade das vendas de produtos determinará a política de estoques a ser adotada pela empresa. Assim, será importante analisar, previamente, se o consumo das mercadorias produzidas e vendidas não sofrerá oscilações, ou seja, não irá apresentar períodos de sazonalidade. A empresa deve manter o estoque mínimo e de equilíbrio, levando em consideração o tempo de produção e certa margem para outros riscos, para que as atividades não sejam interrompidas e, ao mesmo tempo, face ao que foi defi nido no planejamento fi nanceiro, considerá-lo com prudência, com objetivo de não afetar a liquidez e o capital de giro da organização. A sazonalidade das vendas é algo comum em muitas organizações, por isso é desejável manter os níveis de atividade estáveis. A programação das atividades é um dos pontos principais da administração da grande maioria das organizações. Outra preocupação é a disponibilidade de mão de obra capacitada para atender à demanda de produção, também baseado nas estimativas de vendas do orçamento de vendas. Nesse sentido, quando se pensa em nível de estoque desejado, é necessário ter em mente os elementos organizados na Figura 9, que segue: 77 Figura 9 – Determinantes dos níveis de estoques Fonte: o autor 4.2 ORÇAMENTO DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO Para a elaboração do orçamento de produção, é necessária, também, a elaboração do orçamento dos custos de produção. Assim, são preparadas as estimativas de materiais que são exigidos para atender ao nível de fabricação planejado. Na sequência, defi nem-se os custos relacionados à produção: matéria-prima, mão de obra direta e custos indiretos de fabricação, como você pode observar na Figura 10 a seguir: Figura 10 – Composição do Orçamento de Produção Fonte: o autor Após elaborado o orçamento de produção com seus respectivos quadros de matéria-prima, mão de obra direta e custos indiretos de fabricação, tanto da compra quanto do consumo deles, temos a possibilidade de encontrar o custo dos produtos a serem vendidos, que será transferido para a Demonstração de Resultado projetada. O custo dos produtos corresponde à soma dos elementos de custos, conforme pode ser observado na Figura 11 a seguir. 78 Figura 11 – Elementos formadores do custo do produto Fonte: o autor Inserimos como forma de materializar as matérias-primas, mão de obra e custos indiretos alguns custos descritos na Figura 11. No entanto, é importante ressaltar que eles podem ser outros, conforme a atividade do empreendimento. Por exemplo, enquanto na Figura 11 utilizamos como exemplo de matérias-primas: embalagens, metais, plásticos e madeira, em um empreendimento do agronegócio poderia ser: ração, fertilizantes, sementes, dentre outros. Ou seja, depende da atividade de cada empreendimento. 4.3 ORÇAMENTO DE MATÉRIA-PRIMA Também chamado de materiais diretos, engloba os custos de aquisição de todos os materiais que farão parte do produto e que podem ser identifi cados de uma forma economicamente viável. Também são considerados os rótulos, embalagens, manuais, ou seja, todos os insumos que são utilizados na fabricação ou montagem de 79 um produto. Geralmente, o levantamento se inicia com a pergunta: quais os materiais necessários para se produzir uma unidade do produto X, Y, Z eassim por diante? A área de produção elabora as necessidades de materiais e o setor de compras faz a cotação dos materiais e identifica o valor que será comprometido para atender às necessidades do orçamento de venda e, então, providencia a aquisição das quantidades estimadas. O objetivo é comprar esses materiais no momento certo e ao preço planejado, otimizando os recursos financeiros relativos à gestão dos estoques. Como a taxa de consumo de matéria-prima já é conhecida, o orçamento de consumo de matéria-prima é obtido pela multiplicação dessa taxa pela produção. Ou seja, leva em consideração o lote econômico de produção, tempo de produção, bem como uma margem de possíveis riscos, de forma que a velocidade e o ritmo de produção não sejam afetados por ausência de certos materiais. Sobanski (1995) afirma que a elaboração desse orçamento requer o cumprimento das seguintes fases: a) Determinação das quantidades de matérias-primas exigidas para o atendimento da produção. b) Estabelecimento das políticas de estocagem de matérias-primas. c) Elaboração do programa de suprimentos. d) Determinação do custo estimado das matérias-primas necessárias à produção. As principais finalidades em termos de detalhamento das necessidades de matéria-prima, para Welsch (1996), são: a) Fornecer informações sobre quantidades aos departamentos de compras – planejadas e adequadas. b) Fornecer informações em quantidades para permitir a projeção de custos. c) Fornecer dados para o estabelecimento de níveis de estoque. d) Fornecer dados para a determinação das necessidades de caixa. e) Fornecer informações para o controle de consumo de matérias-primas. Lembrando: como as matérias-primas e materiais passam pelo ciclo de estoques, as políticas de estocagem e sazonalidade também são inerentes a elas. 4.4 ORÇAMENTO DE MÃO-DE-OBRA DIRETA O orçamento de mão de obra direta também é necessário para a elaboração do orçamento de produção, pois projeta valores referentes à remuneração e encargos sociais dos colaboradores que atuam diretamente no processo produtivo dos produtos que foram listados no orçamento de vendas do empreendimento. 80 Segundo Lunkes (2003), o orçamento de mão de obra direta é de responsabilidade dos gerentes dos departamentos que compõem a fase de fabricação. São determinadas as horas-padrão necessárias para atender a produção estimada. Existem diferentes níveis de complexidade de mão de obra, estes devem ser especificados separadamente no momento da elaboração do orçamento. A elaboração do orçamento de mão de obra direta é fundamental para a maioria das empresas, pois absorve uma considerável parcela dos custos totais de produção. Para Welsch (1996), o planejamento e o controle dos custos de mão de obra envolvem estimativas e decisões do tipo: a) Necessidades de recursos humanos. b) Recrutamento. c) Treinamento. d) Avaliação e especificação de tarefas. e) Avaliação de desempenhos. f) Negociação com sindicatos. g) Administração salarial. Sardinha et al. (2008) também ressaltam a importância desse orçamento no sentido de possibilitar: a) A previsão da mão de obra direta necessária ao processo produtivo. b) A estimativa do custo de mão de obra dos produtos fabricados. c) O fornecimento, ao setor de RH, das necessidades de mão de obra para seu planejamento. d) O planejamento do fluxo de caixa. e) A obtenção de padrões de eficiência no uso da mão de obra direta. f) Os estudos relativos à racionalização do emprego da mão de obra nos processos produtivos. Os cálculos que envolvem a apuração do custo da mão de obra direta são baseados na força de trabalho necessária para a produção do portfólio previsto no orçamento de vendas. Os custos da mão de obra direta são computados pela multiplicação da força de trabalho e pela projeção dos níveis salariais que serão praticados durante o período orçamentário. No entanto, não é apenas o salário, todos os gastos relativos ao consumo de recursos com pessoal fazem parte do cômputo dos custos com a mão de obra. Por meio da Figura 12 a seguir, os gastos que compõem os custos com mão de obra podem ser observados. 81 Figura 12 – Elementos de custos com mão de obra Fonte: o autor Lembrando que esses elementos não são exclusividade do pessoal da produção. Eles também são considerados para as pessoas que atuam nas vendas e no administrativo. Ou seja, são inerentes ao cômputo do gasto com pessoas nas organizações. Por uma questão de convenção de termos da área de negócios, mão de obra, são próprios das pessoas que atuam na fabricação e montagem de produtos. E gastos com pessoal são próprios do pessoal de vendas e administrativos. 82 4.5 ORÇAMENTOS DOS CUSTOS INDIRETOS DE FABRICAÇÃO – CIF. Sanvicente e Santos (2000) relatam que os custos indiretos de fabricação abrangem todos os gastos de fabricação que não podem ser classifi cados como mão de obra direta e matéria-prima, e são incorridos em cada departamento ou em toda a fábrica. São custos como mão de obra indireta, depreciação, material de escritório e assim por diante. Podemos considerar também como custos indiretos de fabricação: seguros, aluguéis, serviços de terceiros, energia elétrica, água, dentre outros. Imagine uma fábrica de equipamentos de informática que atua com quatro produtos, mas compartilham colaboradores, infraestrutura, equipamentos, dentre outros gastos, conforme se observa na Figura 13 a seguir. Figura 13 – Exemplo custos indiretos de fabricação Fonte: o autor Perceba que os gastos não podem ser identifi cados diretamente nos produtos ou departamentos, por isso o próprio nome, indiretos. E dependendo da atividade da organização, eles podem ser signifi cativos e não podem ser ignorados. Os custos indiretos de fabricação correspondem a estruturas da organização que são utilizadas simultaneamente ou não por mais de um departamento, setor ou produtos. Por exemplo, a depreciação de máquinas, equipamentos e prédios que são utilizados de forma compartilhada. Ou ainda sobre os salários de colaboradores (trabalhadores, gerentes, supervisores etc.) que atuam em mais de um departamento, setor ou produto. Esses gastos precisam ser distribuídos aos produtos por meio de algum processo de rateio, que é a alocação destes a cada unidade do produto, obedecendo, logicamente, a algum critério como a proporção da utilização de área de fábrica, quantidade produzida, tempo de fabricação etc. 83 Fonte: o autor Esclarecido o que são custos e despesas, podemos afi rmar que o orçamento das despesas operacionais correspondem a todas as despesas necessárias ao desenvolvimento das atividades operacionais da empresa para o período requerido. A Figura 15 ilustra a composição dos itens a entrarem nesse orçamento. 5 ORÇAMENTO DE DESPESAS OPERACIONAIS E ORÇAMENTO DE INVESTIMENTO As despesas operacionais são gastos relacionados, principalmente, aos setores de venda e administrativos, mas envolvem também as despesas de ordem tributárias e fi nanceiras. Chegou o momento de entendermos a diferença entre custos e despesas. Enquanto os gastos da organização que ocorrem no setor produtivo são considerados custos, os gastos da administração e do setor de vendas são despesas. Logo, podemos afi rmar que os gastos podem ser custos ou despesas. A energia elétrica consumida na produção/fabricação é custo. Contudo, a energia elétrica consumida nas áreas administrativas e vendas é uma despesa. E de forma geral, a energia, sem essa classifi cação, é um gasto. Essa diferenciação é o que chamo de macrodepartamentalização da organização. Ou seja, antes de separar o departamento A, B, C, e assim por diante, existe uma diferenciação entre custos e despesas. Isso pode ser visualizado por meio da Figura 14 a seguir. Figura 14 – Macrodepartamentalização 84 Figura 15 – Composição do Orçamento de Despesas Operacionais Fonte: o autor Seu objetivo principal é dar suporte às receitas projetadas no orçamento de vendas e de produção, para possibilitar seu gerenciamentoe focar na minimização dos gastos, bem como fornecer informações à demonstração de resultado projetada e ao fluxo de caixa projetado. Os orçamentos de despesas são elaborados por diferentes gerentes. O gerente de vendas, ao elaborar o orçamento de vendas, também participa do orçamento das despesas de vendas. O gerente de administração elabora o orçamento de administração, e assim por diante para os demais departamentos. No planejamento dos gastos a serem incorridos pela empresa, os administradores devem encarar o planejamento e controle de despesas como um esforço necessário para manter níveis realistas e essenciais de recursos para a consecução de objetivos e a execução de programas. O planejamento e controle de despesas devem focar sua atenção na relação entre as despesas e os benefícios (resultados) delas decorrentes. Os benefícios essenciais devem assumir a forma de objetivos e programas planejados, e recursos suficientes devem ser programados para fornecer o apoio exigido. Para exemplificar, algumas empresas que procuram reduzir dispêndios sem planejar adequadamente os seus benefícios deixam de aplicar recursos (despesas) suficientes para a manutenção de ativos, tais como equipamentos e instalações. O controle de gastos deve ser firmemente associado a programas futuros e operações planejadas (objetivos) e a responsabilidades administrativas. A essência do controle de despesas, além da supervisão direta, é o conceito de padrão, ou seja, cada despesa deve estar associada a um dado conjunto de condições (programa de trabalho, produtos, políticas administrativas e variáveis externas). 5.1 ORÇAMENTO DE DESPESAS DE VENDAS Segundo Castro (2014), as despesas de vendas compreendem todos os gastos necessários para vender os produtos da empresa, como promoção, colocação e distribuição, assim como os riscos relacionados à venda. A seguir, alguns itens normalmente classificados como despesas de vendas, e ainda agrupados conforme a ordem temporal em relação às vendas: 85 a) Gastos com a remuneração da equipe de vendas. b) Comissões e bonificações para equipe de vendas. c) Impostos sobre a venda. d) Aluguel do ponto de venda. e) Fretes para entrega dos produtos. f) Perdas com devedores duvidosos. g) Cobrança. A elaboração do orçamento de despesas de vendas deve ocorrer concomitantemente à do orçamento de vendas. Isso se explica porque as despesas de vendas são maiores ou menores em função dos esforços necessários para que as vendas previstas sejam realizadas. A importância da elaboração desse orçamento apoia-se na ideia de que, como essas despesas são indispensáveis à efetivação das vendas, existe uma certa tendência de liberdade em seu controle. 5.2 ORÇAMENTO DE DESPESAS ADMINISTRATIVAS As despesas administrativas incluem todas as despesas necessárias para a gestão das operações de uma empresa e também os itens relativos ao pessoal, viagens, telefonemas, material de escritório, depreciação, seguros, energia elétrica, serviços, prestados por terceiros, dentre outros. As despesas administrativas estão relacionadas à gestão das atividades, como exemplo: a) Controladoria. b) Secretaria. c) Diretoria. d) Portaria. e) Contabilidade. f) Pessoal. g) Sistemas de Gestão. h) Limpeza e Vigilância. i) Seguros. j) Aluguel. k) Material de expediente. l) Comunicação. m) Despesas judiciais e legais. n) Depreciação de bens da administração. A elaboração e os posteriores controles do orçamento de despesas administrativas requerem que seus participantes passem, paulatinamente, a levar em conta o efeito de suas ações em termos monetários e em vista das metas prefixadas. 86 5.3 ORÇAMENTO DE DESPESAS TRIBUTÁRIAS O orçamento de despesas tributárias é o instrumento que procurará relacionar, em sua projeção, todos os tributos que a empresa deverá recolher em nível federal, estadual e municipal. A elaboração do orçamento de despesas tributárias geralmente não é tão simples, considerando o elevado número de tributos que ela terá de considerar e desenvolver no período orçamentário. Nesse sentido, e devido ao sistema tributário brasileiro ser demasiadamente intrincado, onde cada estado da federação, município, grupo de produtos, ramo de atividade (indústria, comércio, serviço), tamanho do empreendimento, composição societária, dentre outros aspectos, influencia quais impostos devem ser recolhidos. Logo, seria impensável abordar todas as situações possíveis para determinar quais impostos essa ou aquela empresa teria que recolher e sobre quais bases. Nesse sentido, o adequado é atuar com um profissional qualificado com conhecimentos em impostos e tributos. Vamos listar os possíveis impostos que os empreendimentos são suscetíveis, mas sem fazer relação entre eles: 1. Despesas tributárias incidentes sobre o faturamento (a venda): a) IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados. b) ICMS – Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços de transportes. c) ISS – Imposto Sobre Serviços. d) PIS – Programa de Integração Social. e) COFINS – Contribuição para Financiamento da Seguridade Social. 2. Despesas tributárias incidentes sobre o resultado (o lucro): a) IRPJ – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. b) CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. 3. Despesas tributárias incidentes sobre o patrimônio (os bens): a) IPTU – Imposto sobre a Propriedade Territorial e Urbana. b) IPVA – Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores. c) II – Imposto sobre a Importação. 4. Despesas tributárias incidentes sobre a folha de salários: a) CPP – Contribuição Previdenciária Patronal (INSS). b) Contribuição sindical (atualmente facultativo). 5. Despesas tributárias incidentes sobre serviços diversos. 87 a) Taxas de licenças junto a exatorias, prefeituras e órgãos públicos. b) Taxa de água e esgoto. Além desses conhecimentos, é necessário o conhecimento dos regimes tributários, especificamente aquele ao qual a empresa em questão está sujeita. Os principais regimes no Brasil hoje são: • Apuração pelo Lucro Real: em que os tributos sobre o faturamento são não cumulativos e o IRPJ e CSLL são calculados sobre o resultado efetivo. • Apuração pelo Lucro Presumido: em que os tributos sobre o faturamento são cumulativos (exceto o IPI e ICMS) e o IRPJ e CSLL são calculados sobre uma presunção de resultado pelo faturamento. • Simples Nacional: em que todos os tributos incidentes sobre faturamento, resultado e folha de salários são centralizados em uma única alíquota que é aplicada sobre o faturamento (conforme tabelas da legislação em vigor). 5.4 ORÇAMENTO DE INVESTIMENTO Outro orçamento a ser considerado para o bom desempenho da organização é o orçamento de investimento. O orçamento de investimentos em imobilizado expressa os planos detalhados da alta administração em relação a acréscimos, melhoramentos, substituições de ativos, patentes e aos fundos reservados para esses fins. Os aumentos de imobilizado representam a aquisição de ativos cujos custos são alocados a vários exercícios contábeis futuros. Esse orçamento não inclui reparos rotineiros que devem ser incorporados aos orçamentos de despesas ou custos. O orçamento de investimentos em imobilizado também pode ser designado pelo nome de orçamento de acréscimo de imobilizado, orçamento de instalações e equipamentos, orçamento de construção, orçamento de despesas de capital, orçamento de investimento ou orçamento de ampliação da capacidade de produção. O gerenciamento dos investimentos é fundamental para o desenvolvimento e o atingimento das metas orçamentárias. As empresas que querem permanecer competitivas terão que investir montantes cada vez maiores de recursos em seus ativos, sem qualquer certeza de colher resultados positivos. O orçamento de investimentos destina os recursos aos departamentos e estes os aplicam de acordo com os objetivos preestabelecidos. Os investimentos devem reduzir custos e melhorar a eficiência operacional e administrativa. Os investimentos isolados não vão proporcionarcrescimento sustentado. Sendo assim, a forma mais adequada para se gerenciar e controlar investimentos é a administração por projetos. Cada projeto terá um objetivo específico, e para tanto receberá recursos e terá uma pessoa responsável pela execução. Lunkes (2003) traz quatro razões para justificar a administração dos investimentos por projetos: 88 • Necessidade de abordagem sistemática em investimentos. • Integração entre as abordagens estratégica e operacional. • Escassez de recursos e poucas e caras fontes de financiamento. • Investimentos cada vez mais dispendiosos e de risco. Lunkes (2003) ainda pondera que o orçamento de investimentos deve atender três pontos: 1. O alinhamento do orçamento de investimentos às demais peças orçamentárias: visando maximizar os investimentos aplicando-os em projetos de alto valor de retorno. Devem estar alinhados com a estratégia global da empresa, pois determinam o crescimento futuro dela. 2. A utilização de um sistema dinâmico de avaliação do risco: um investimento é avaliado como vantajoso ou não, utilizando-se dos métodos a seguir: • Método do payback: isto é, o tempo de retorno do capital investido. • Método da taxa média de retorno. • Método do valor presente: isto é, a avaliação dos benefícios financeiros que serão gerados no futuro em valores atuais. • Método da taxa interna de retorno: isto é, comparar o percentual de possível rentabilidade que o projeto irá gerar e comparar com o custo de oportunidade. 3. A integração dos projetos à cultura empresarial: envolve compromisso, treinamento e remuneração de todo o pessoal envolvido, com a finalidade de valorizar os que agregam valor à empresa. 6 ORÇAMENTO DE CAIXA E ORÇAMENTO DE MARKETING Um orçamento de caixa ou disponibilidades é uma projeção de saldos disponível por subperíodos de um prazo maior. Muitas empresas devem preparar projeções de sua posição financeira tanto em longo quanto curto prazo. A projeção de curto prazo é incluída no plano anual de resultados. O orçamento de disponibilidades compreende duas partes: as receitas projetadas (entradas); e os desembolsos projetados (saídas). As entradas são provenientes das vendas de produtos, serviços e mercadorias. As saídas podem ser por necessidades de investimentos, a busca por recursos, geralmente em bancos para financiar esses investimentos que gera o orçamento de investimentos e também das despesas financeiras, incluindo serviços bancários de recebimentos e pagamentos; ou, ainda, no caso de sobra de recursos no caixa, quando a empresa pode fazer investimentos no mercado financeiro, buscando obter alguma remuneração em forma de juros recebidos. Em seguida, vamos detalhar um pouco mais essas peças orçamentárias. O orçamento de caixa possibilita ao administrador 89 Fonte: o autor projetar suas necessidades de caixa em curto prazo. Com o orçamento de caixa, o administrador tem uma visão clara do período em que ocorrerão as entradas e saídas previstas durante um determinado tempo. Esse orçamento consiste na elaboração do planejamento do fl uxo de caixa (entradas e saídas) mediante informações obtidas pelos demais orçamentos, nas quais podem ser visualizadas a sobra ou a falta de caixa, que devem ser solucionadas para que seja viável a execução dos demais planos. O objetivo desse orçamento está em assegurar recursos monetários sufi cientes para atender às operações da empresa estabelecidas nas outras peças orçamentárias. O orçamento de caixa está sujeito a improbabilidades e fracassos; é necessário ter uma margem de segurança que permita atender a um ocasional erro da previsão. 6.1 ORÇAMENTO DE CAPITAL DE GIRO O capital de giro representa a porção dos recursos investidos nas atividades do dia a dia, ou seja, na condução do negócio. Pode-se conceituar, então, como a parcela de recursos aplicados no ciclo operacional das empresas visando à manutenção do volume de suas operações. São recursos para pagar salários, impostos, fornecedores de matérias-primas, materiais e serviços, aluguel etc. E os recursos recebidos das vendas, sejam à vista, parceladas. Podemos, ainda, incluir a venda de algum bem da empresa que não está utilizando ou deseja fazer uma atualização para outro equipamento mais moderno. E nessa dinâmica entre recebimento e pagamentos ao longo do tempo, pode ser que exista falta de caixa para pagar os recursos, ou sobra deles. Se a empresa receber mais e mais rápido do que paga, terá provavelmente uma situação de sobra de caixa, mas o contrário quase sempre é a regra. Para entender melhor de onde vem essa necessidade, vamos analisar a Figura 16 a seguir: Figura 16 – Origem do capital de giro 90 Nesse exemplo hipotético de um empreendimento, fica evidente que ele precisa pagar os fornecedores com 40 dias. No entanto, vai receber com 160 dias depois de efetuada a compra. Ou seja, nesse exemplo, é indiscutível que existe um desencaixe financeiro, pois paga-se antes de receber dos clientes em 80 dias. E nesse período, o empreendimento precisa gerenciar de onde virá o dinheiro para o pagamento de suas atividades diárias. Perez Junior, Pestana e Franco (1997, p. 121) citam as principais finalidades do orçamento de caixa: a) Revelar a posição financeira provável em um momento futuro, como resultado das operações planejadas. b) Indicar excessos ou insuficiências de saldos. c) Indicar necessidades de empréstimos ou, inversamente, disponibilidade de fundos para investimentos temporários. d) Permitir a coordenação dos recursos financeiros em relação ao capital de giro, às vendas, aos investimentos e ao capital de terceiros. e) Estabelecer bases sólidas para a política de crédito. f) Estabelecer bases sólidas para o controle da posição financeira. 6.2 ORÇAMENTO DE FINANCIAMENTOS Verificamos que o orçamento de investimentos é a fase da busca de necessidade de equipamentos, aumento de estrutura, de forma geral para atender o orçamento de vendas. O orçamento de financiamentos vai apresentar o planejamento financeiro para fazer frente aos recursos que serão desembolsados nas aquisições, obras, serviços etc. Um dos grandes erros que ocorrem por parte dos gestores é utilizar recursos de capital de giro, que geralmente são mais onerosos, ou seja, mais caros para financiar investimentos. Isso pode gerar um colapso nas atividades operacionais, ou seja, do dia a dia do empreendimento, fazendo que os compromissos não sejam efetuados nas datas previstas, gerando estresse com fornecedores, bancos, impostos e até com o pagamento dos colaboradores. E como geralmente os recursos para aumento de infraestrutura são elevados, isso terá um impacto relevante se não for bem planejado. Nessa fase, caso o empreendimento não possua reservas de caixa, precisa fazer pesquisas de linhas de crédito de longo prazo em bancos, analisar valor das parcelas, taxa de juros e identificar a melhor opção. Pode também ocorrer por meio de empréstimos dos sócios, desde que devidamente registrado na contabilidade. 91 6.3 ORÇAMENTO DE DESPESAS FINANCEIRAS Para Zdanowicz (2000), o orçamento de despesas financeiras é o instrumento que irá relacionar futuros desembolsos destinados à manutenção do capital de giro ou do capital fixo necessários à ampliação, expansão, modernização, diversificação e relocalização da empresa no período projetado. Esse orçamento prevê os gastos com juros, descontos financeiros concedidos, variação monetária passiva, tarifas bancárias diversas, imposto sobre operações financeiras (IOF), cobrança bancária etc. O orçamento de despesas deverá contemplar os gastos que irão incorrer na empresa mediante decisões de empréstimos e/ou financiamentos a serem captados pela empresa. O principal objetivo do orçamento das despesas financeiras relaciona-se à importância que reveste, no momento de sua elaboração, quando a empresa se habilita a captar recursos de terceiros e, em contrapartida, devolve à instituição financeira o valor emprestado mais os encargos financeiroscorrespondentes. As despesas de financiamento consistem nas aquisições de itens considerados ativos fixos, ou nas operações de reforço de capital de giro de longo prazo, de financiamentos subsidiados e nos contratos firmados de arrendamento, o leasing. Outra característica das despesas financeiras de financiamento é que elas corresponderão a obrigações da empresa de longo prazo. Nesse grupo, também serão incluídas as receitas financeiras que são ganhos e rendimentos não ligados à atividade principal da empresa oriundos do excesso de recursos financeiros que serão aplicados em bancos ou mesmo nas vendas a prazo. São os juros recebidos, descontos financeiros recebidos, variação monetária ativa, rendimento de aplicações financeiras etc. Geralmente, as receitas financeiras são menores que as despesas financeiras e o resultado entre elas, isto é, o que se ganha e o que se paga, é denominado de “despesas financeiras líquidas”. Esse orçamento é muito influenciado pelo orçamento de investimentos, uma vez que parte deste é financiado por recursos de terceiros. 6.4 ORÇAMENTO DE MARKETING Com o advento de novas tecnologias, grande oferta de produtos, concorrência e formas de comunicação entre as pessoas, a área de marketing tem ganhado destaque dentro do orçamento empresarial, tornando-se, em muitos empreendimentos, mais uma peça orçamentária, deixando de ser apenas um dos itens a serem considerados junto ao orçamento de vendas, apesar de ainda ser comum empreendedores julgarem que marketing é uma área responsável apenas pela publicidade e propaganda. 92 Por exemplo, o consumidor da internet é diferente do consumidor convencional. Peruzzo (2015) aponta que o consumidor da internet é exigente, não aprecia demora, seja para visualizar uma página ou para receber um produto e, quando decide reclamar, não poupa palavras, pesquisa muito antes de comprar, enfim, é um consumidor extremamente atento aos seus direitos. Portanto, para estabelecer um relacionamento que atenda às especificidades do perfil desse tipo de consumidor, dois tipos de investimentos são fundamentais: o primeiro diz respeito a conhecer e satisfazer suas necessidades; o segundo investimento deve buscar a conquista de sua confiança (HART; JOHNSON, 1999). Neste sentido, de acordo com Gordon (1998), a organização pode aprimorar o favorecimento com o qual o cliente vê sua marca ao dar à organização: • Personalidade que corresponda à imagem preferida do cliente sobre a organização, em áreas como confiança, profissionalismo, técnica, honestidade, sofisticação etc. • Atitudes que o cliente veja como simpáticas, aperfeiçoadas, compreensivas em relação aos seus interesses pessoais e individuais. • Competitividade que demonstre superioridade em relação às ofertas e opções alternativas. No entanto, mais importante do que transferir essa imagem ao cliente é conseguir mantê-la efetivamente em funcionamento. Entre tais elementos, percebe-se que o marketing é uma área que não pode ficar subordinada à área de vendas, mas, sim, atuar conjuntamente para elaboração do orçamento. Sarquis e Ikeda (2003) acreditam que os autores de obras sobre orçamento ainda tratam o orçamento de marketing de forma limitada, sendo esse orçamento contemplado de forma estratificada em outros orçamentos de receitas e despesas. Esses autores ainda apresentam fatores para essa ocorrência, tais como: o orçamento de marketing ser geralmente considerado de menor importância dentro do processo de decisão em relação a outros processos decisórios, a não percepção da importância do processo de planejamento em relação ao orçamento de marketing e suas ferramentas. Em muitos casos, inclusive, tem-se a existência de planos de marketing sem uma mera mensuração dos resultados do que está sendo proposto. Esses autores defendem, ainda, que um planejamento de marketing precisa do seu próprio orçamento, o que vai permitir verificar os gastos do próprio plano e, ainda, possibilitar a análise do resultado (lucro/prejuízo), retornos e viabilidade do proposto. Os gastos que geralmente compõe o orçamento de marketing são os apresentados na Tabela 1 a seguir: 93 Tabela 1 – Gastos com Marketing GASTOS COM MARKETING Comunicação • Propaganda (TV, rádio, jornal, placas, outdoor, front light). • Promoção de vendas/merchandising (degustação, incentivos, feiras, amostra grátis, demonstrações, expositores e displays). • Relações públicas/publicidade, obras de caridade, assessoria de imprensa, eventos, patrocínio de atividades comunitárias. • Marketing direto, mala direta, catálogos e telemarketing. Pesquisas • Tendências nacionais e internacionais. • Testes de marketing. • Pesquisas evolutivas. • Aquisição de publicações, banco de dados e materiais de pesquisa. Vendas • Comissões sobre vendas. • Pré e pós-vendas. • Recrutamento, seleção, treinamento e desenvolvimento de profissionais de vendas. • Convenções e reuniões. • Publicações e materiais específicos de vendas. Desenvolvimento de produtos • Melhora de produtos atuais. • Desenvolvimento de novos produtos. • Testes funcionais dos produtos. • Desenvolvimento e treinamento de novos fornecedores. • Patentes. Serviços aos clientes • Reparo e assistência técnica. • Trocas, devoluções de produtos. • Suporte aos distribuidores e varejistas. • Serviço de atendimento a informações aos consumidores, reclamações e sugestões. Distribuição • Fretes, transportes, armazenamento e estocagem de produtos. • Centros de distribuição, segurança, falhas e avarias de entrega. 94 Fonte: adaptado de Sarquis e Ikeda (2003) Há possibilidade de você julgar que a elaboração do orçamento, por meio de suas peças orçamentárias, pode ser exclusivamente de empresas que já atuam no mercado há algum tempo. Se pensou nisso, está enganado! Não convém sermos fantasiosos em pregar que todo empreendimento nasce de um planejamento prévio. Existem empreendimentos que nascem de um fenômeno chamado empreendedorismo de necessidade, em que o indivíduo, por uma ausência de empregabilidade, se vê obrigado a iniciar uma atividade para preservar a sua subsistência e de sua família. Existem casos em que o próprio empreendimento é fruto de um planejamento. As cooperativas, por exemplo. Elas nascem por meio da identifi cação de uma necessidade de uma comunidade, bairro, cidade, grupo de pessoas com atividades parecidas, mesma formação etc., em superar, melhorar, ter acesso a um recurso que não tinham, ou se tinham, era muito oneroso. Logo, esse grupo de pessoas com anseios congêneres, por meio do planejamento de um empreendimento coletivo (a cooperativa), se lança no mercado para oferecer respostas às demandas também coletivas. E imagine um empreendimento que, de fato, ainda não nasceu, não está em atividade. Contudo, já está em curso para ser aberto. Ele pode, por meio do chamado plano de negócios, efetuar projeções do quanto vai faturar. E com o portfólio de produtos e serviços a oferecer no mercado, identifi car os sacrifícios fi nanceiros para efetuar a produção e venda, os investimentos necessários, a projeção de gastos com o marketing, custos de produção, administração do negócio, despesas tributárias etc. Ou seja, entra em ação a projeção das peças orçamentárias. Marketing • Pessoal (salários, encargos, benefícios e treinamento). • Materiais de consumo, móveis, equipamentos e softwares. • Viagens, deslocamentos. • Rateio por uso de infraestrutura da organização. Para saber mais e aprofundar seus conhecimentos a respeito das peças orçamentárias e como elas resultam em informações a respeito do resultado esperado, bem como relevância do controle do orçamento, indicamos a leitura do livro Orçamento Empresarial Integrado – Metodologia, Elaboração, Controle e Acompanhamento de Pedro Schubert, publicado pela editora Freitas Bastos. O livro apresenta a elaboração orçamentária de forma diferente das obras até aqui publicadas. Sua concepção sistêmica tem como objetivo a obtenção da demonstraçãodo resultado do exercício, do fl uxo de caixa, da geração de caixa e do balanço patrimonial. O texto é objetivo e o exemplo numérico claro; as transferências dos valores de uma peça para outra são indicadas em cada quadro e a sequência de encerramento do orçamento é bem defi nida. DICA 95 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tema de aprendizagem, você aprendeu: • As peças orçamentárias que compõem as demonstrações financeiras projetadas: orçamento de vendas, orçamento de marketing, orçamento de produção/fabricação, orçamento de despesas operacionais, orçamento de investimentos e orçamento de financiamentos/caixa. • Como cada uma dessas peças se conecta à peça anterior ou sucessora na elaboração e consolidação do orçamento empresarial. Cada um dos componentes orçamentários tem a mesma conotação de uma peça de um quebra-cabeça, em que a reunião organizada de todas essas peças faz sentido. • Que o orçamento de vendas é a primeira e principal peça orçamentária do orçamento da organização e que existe uma série de fatores que devem ser considerados na elaboração desse orçamento. 96 AUTOATIVIDADE 1 O objetivo do orçamento de vendas é permitir à empresa ter consciência de seu potencial de atuação dentro do mercado consumidor. O primeiro passo para estabelecer o orçamento de vendas é definir os fatores limitadores ou restrições por meio de um diagnóstico do seu ambiente interno e externo, permitindo identificar fatores que podem afetar as previsões de vendas da empresa. Sobre os fatores internos a serem considerados na elaboração do orçamento de vendas, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Histórico de vendas, histórico de produção, histórico de demonstrativos financeiros, histórico de operações.. b) ( ) Tendências globais de consumo, relacionamento com fornecedores, relacionamento com stakeholders, pesquisas de mercado. c) ( ) Mercados, competitividade, economia/governo, tecnologia, impactos ambientais. d) ( ) Produção, vendas/marketing, engenharia, gestão/finanças. 2 A base do orçamento de vendas está no crescimento histórico e esperado da empresa, assim como do setor econômico como um todo. Há diversos métodos de previsão e escolha de um ou mais de um deles se faz em função das características da empresa. Sobre as empresas que trabalham com produtos sazonais, analise as sentenças a seguir: I- Uma alternativa é atrelar a produção aos picos de vendas, resultado em grande capacidade de produção anual. II- A empresa pode manter seu ritmo de produção de forma constante, com menor capacidade produtiva e maior investimento em estoques. III- A empresa deve manter somente uma ou duas linhas de produtos de forma a garantir o nível de produção e vendas esperado. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 97 3 A área de marketing tem ganhado destaque dentro do orçamento empresarial, tornando-se, em muitos empreendimentos, mais uma peça orçamentária independente do orçamento de vendas. O marketing será responsável por estabelecer um relacionamento que atenda às necessidades dos consumidores, satisfazendo suas necessidades e conquistando sua confiança. Considerando como a organização pode fazer para aprimorar a percepção do cliente a respeito de sua marca, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Personalidade que corresponda à imagem preferida do cliente sobre a organização, em áreas como confiança, profissionalismo, técnica, honestidade, sofisticação etc. ( ) Promoção de vendas/merchandising (degustação, incentivos, feiras, amostra grátis, demonstrações, expositores e displays). ( ) Atitudes que o cliente veja como simpáticas, aperfeiçoadas, compreensivas em relação aos seus interesses pessoais e individuais. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 Existem diversos métodos de previsão que podem ser utilizados para elaboração de um orçamento de vendas. Os gestores devem considerar a experiência, e a intuição dos administradores da área é fundamental para se assegurar previsões acertadas. Disserte sobre quais os possíveis métodos que podem ser utilizados pelas organizações para estimar vendas. 5 O orçamento de despesas financeiras irá relacionar futuros desembolsos destinados à manutenção do capital de giro ou do capital fixo necessários à ampliação, expansão, modernização, diversificação e relocalização da empresa no período projetado. Esse orçamento prevê os gastos com juros, descontos financeiros concedidos, variação monetária passiva, tarifas bancárias diversas, imposto sobre operações financeiras (IOF), cobrança bancária etc. Disserte sobre o que deve ser contemplado na elaboração do orçamento financeiro. 98 99 TÓPICO 3 - O QUE É O PLANEJAMENTO EMPRESARIAL? 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 3, abordaremos aspectos introdutórios sobre o planejamento empresarial. Não há possibilidade de dialogar sobre orçamento sem antes falar em planejamento. Por isso, no decorrer desta unidade, você terá acesso à informações que vão permitir entender melhor algumas características do planejamento. Vamos começar imaginando fatos do dia a dia que podem favorecer o entendimento da importância do planejamento em nossas vidas. Ao acordar em uma manhã, a primeira autodeliberação cognitiva que você tem é: “vou construir uma casa”. Isso seria possível? Ou, ainda, seria possível essa autoinfligida determinação sem ter pensado nisso nos últimos meses ou anos, falando com alguém, lido a respeito, assistido a algum vídeo, filme, viajado a algum lugar? Afinal de contas, não é uma decisão do tipo “vou comprar um sorvete agora”! Ou melhor, “vou comprar um sorvete, porque está calor e estou na frente de uma sorveteria com uma grande imagem de pessoas se deliciando com taças de sorvete de vários sabores, coloridas e chamativas”. De forma geral, sem ter tido alguma influência do meio que vive, ou motivadores para tomar essa decisão, assim, do nada, isso seria algo considerado excessivamente estranho ao comportamento humano esperado. A decisão a respeito de construir uma casa é bem diferente de comprar ou não um sorvete. É quase como aquela anedota popular “você vai casar ou comprar uma bicicleta?” Primeiramente, uma residência dentro de padrões normais para uma família de quatro pessoas e um sorvete que não seja apenas gelo com algum aromatizante saborizante, custam muitos milhões de unidades monetárias diferentes. O montante de recursos financeiros empregados em uma casa seguramente corresponderia a mais de uma centena de milhares de unidades de sorvete. Posteriormente, no tempo para concluir as ações propostas e, nesse quesito, é certa a dispensa de explicações a respeito. Temos, ainda, a quantidade de pessoas envolvidas, processos e etapas, em que, inclusive, algumas só podem ocorrer depois de outras já terem sido concluídas. Para construir a casa, não tem como colocar o telhado sem que as paredes e estrutura para recebê-lo estejam prontas. Instalar a fiação elétrica sem antes os condutores para os fios terem sido acomodados. E muitos outros processos que requerem a dependência de estruturas anteriores concluídas. Para a compra do sorvete, talvez possamos imaginar que existe UNIDADE 2 100 também uma ordem natural, porém, quase nada. Com base no exemplo da casa e do sorvete, podemos dizer que, entre propor uma ação e concluí-la, existe um planejamento envolvido. Pode ser que você acorde de manhã e pense “vou comprar sorvete!” Tudo bem, parece algo insignificante no contexto do dia a dia. Contudo, para que isso se concretize, sua mente vai te levar a ações para que isso ocorra. E para construir uma casa também. No entanto, esse planejamento é mais alongado, emuito possivelmente passou por algumas fases, tais como: Por que? Quais os benefícios esperados? Como? Com quem? Quais os recursos necessários? Qual o tempo previsto? Dentre outros. Agora, chegou a sua vez. Se você julgasse que chegou o momento de construir uma casa para você morar, quais seriam os motivadores para essa decisão? Quais os primeiros passos que consideraria? Que informações imagina necessárias? Em quanto tempo pretende realizar esse projeto? Pense sobre isso. Perceba que esse desafio é algo interessante para despertar algumas abstrações e lhe trazer alguns aspectos que não estava imaginando antes, como, por exemplo, em que bairro vou construir a residência? Qual o tamanho do terreno? Quais os motivadores para escolher esse bairro? Existe alguma regulamentação sobre a construção de casas para esse local específico? Será totalmente térrea ou de andar? Ou seja, você pode, a partir do mapeamento das etapas do processo, identificar riscos e oportunidades, olhar para o que já existe de consolidado no mercado, propor coisas novas e conhecer detalhes que antes não tinha percebido. E quando se fala em organizações, esse ambiente se amplia ainda mais, face a ser um ambiente mais intrincado, dinâmico e multifacetado. 2 O QUE É O PLANEJAMENTO EMPRESARIAL? De acordo com Silva (2001), o planejamento, parte fundamental da administração, teve suas origens nas mais remotas civilizações, desde o momento em que o homem precisou realizar tarefas e organizar recursos disponíveis. Em sua obra Teorias da Administração (2001), o autor descreve diversas civilizações como a civilização Suméria, Egípcia, Babilônica, Chinesa, dentre outras, exemplificando tal afirmação. Segundo o autor, os sacerdotes dos templos sumérios, por meio do imenso sistema tributário, coletavam e administravam grandes somas de bens e valores, incluindo rebanhos, propriedades rurais e rendas. Por outro lado, Hindle (2002) conta que os primeiros conceitos de planejamento, embora nem reconhecidos como tais, devem provavelmente ter surgido ainda na pré-história, entre as primitivas “donas-de-casa”, que tinham que, de certa forma, ter alguns conhecimentos de planejamento. O certo é que, somente em meados de 1900, foram desenvolvidos sistemas de administração orçamentária como uma forma rudimentar de planejamento. 101 Para Chiavenato (2015), o planejamento envolve a determinação dos objetivos pessoais ou organizacionais, a formação de programas e rotas de ação para sua realização, o desenvolvimento de cronogramas e cronogramas de ação e a atribuição de responsabilidades para sua implementação. O planejamento, portanto, precede todos os esforços e ações, pois são os planos e programas que determinam o tipo de decisões e atividades necessárias para o alcance dos objetivos desejados. Nesse sentido, em um primeiro momento, o planejamento é de natureza intelectual. É um trabalho mental. É estar olhando para frente e se preparando para o futuro. Em um segundo momento, o planejamento está associado com um conceito de ação executiva que incorpora as habilidades de antecipar, influenciar e controlar a natureza e a direção da mudança. E, certamente, as organizações podem ter sucesso na utilização eficaz de seus recursos humanos, financeiros e materiais somente quando sua administração decide com antecedência seus objetivos e métodos para alcançá-los, ou seja, aplicação do planejamento. Sem isso, o esforço proposital e coordenado não é possível, e os resultados seguramente serão o caos, a confusão e o desperdício de recursos. De acordo com Chiavenato (2015), o planejamento, no contexto organizacional, encontra-se na base de todas as outras funções gerenciais, incluindo organização, pessoal, direção e controle. Na ausência de planejamento, será impossível decidir quais atividades são necessárias, como devem ser combinadas em funções e departamentos, quem será responsável por que tipo de decisões e ações e como as várias decisões e atividades devem ser coordenadas. E na ausência da coordenação envolvendo as atividades gerenciais citadas anteriormente, o quadro de funcionários não pode prosseguir e a direção não pode ser exercida. O planejamento também é um pré-requisito essencial para o desempenho da função de controle, pois fornece critérios de avaliação de desempenho. O planejamento, portanto, precede todas as funções gerenciais. O planejamento é função de todo gestor. Todo gestor planeja, independentemente do nível em que opera na organização. Do diretor administrativo ao supervisor de primeira linha – todos planejam em uma organização, embora a amplitude e o escopo variem de acordo com o nível da hierarquia. Segundo Chiavenato (2015), planejar, controlar, organizar, prover pessoal e dirigir são funções gerenciais projetadas para realizar os objetivos organizacionais. O planejamento, entretanto, precede todas as outras funções. É apenas por meio do planejamento que o gestor decide o que fazer, quando fazer e quem fará. 102 O planejamento e o controle caminham juntos. E não se pode controlar o que não é planejado sem previsibilidade. Entre tais elementos, o planejamento possui algumas características fundamentais, as quais listamos a seguir: 1. Planejar é olhar para o futuro. 2. O planejamento envolve uma linha de ação predeterminada. 3. O planejamento descobre a melhor alternativa dentre as muitas alternativas disponíveis. 4. O planejamento requer um tempo considerável para implementação. 5. O planejamento é um processo contínuo. 6. O objetivo do planejamento é atingir da melhor forma os objetivos predeterminados. 7. O planejamento integra várias atividades da organização. 8. O planejamento é feito para um período específico. 9. O planejamento não apenas seleciona os objetivos, mas também desenvolve políticas, programas e procedimentos para alcançá-los. 10. O planejamento é um processo interdependente que coordena as várias atividades empresariais. 11. O planejamento direciona os membros da organização. 12. O crescimento e a prosperidade de qualquer organização dependem do planejamento. 13. O planejamento é necessário em todos os níveis de gestão. Antes de começar o planejamento estratégico é comum surgirem algumas dúvidas de como ele pode ser elaborado, o que levar em consideração e como garantir sua aplicabilidade. No decorrer desta unidade e da Unidade 3, você aprenderá mais a respeito. Mas como dica, vamos falar de alguns pontos essenciais que podem ser utilizados. Em primeiro lugar, é preciso ter clareza sobre o que se deseja para a empresa no próximo período (geralmente no próximo ano), quais objetivos deseja alcançar. Você também precisará conhecer mais sobre o produto ou serviço que deseja ofertar e quais seus principais benefícios para os clientes. Conhecer os clientes e ter uma proposta de valor clara também é fundamental para garantir a confecção de um bom planejamento que terá resultados eficazes. Por fim, antes de iniciar seu planejamento, é necessário realizar uma análise estratégica do seu negócio. Para isso, podem ser utilizadas ferramentas como a análise SWOT. Para saber mais como utilizar, basta acessar o link e baixar o PDF gratuito do Sebrae: https://www.sebrae.com. br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/ME_Analise-Swot.PDF. ESTUDOS FUTUROS 103 Diante desses itens listados, pode-se perceber, ainda que de forma introdutória, os motivos para se utilizar o planejamento nas organizações. Vamos, em seguida, nos aprofundar nos possíveis motivos para utilização do planejamento. 3 PLANEJAMENTO: MOTIVOS PARA SUA UTILIZAÇÃO Quando se fala em planejamento, concomitantemente, estamos falando e olhando para o futuro e, de acordo com Lucio Junior (2012), existem alguns motivos primordiais para se planejar, o elencados a seguir: 1. Reduz a incerteza. Segundo Oliveira (2002), o exercício sistemático do processo de planejamento contribui para a redução das incertezas existentes no processo decisório e, consequentemente, provoca o aumentoda probabilidade do alcance dos objetivos, desafios e metas estabelecidos pela empresa, constituindo, dessa forma, um processo contínuo de pensamento sobre o futuro e, portanto, envolvendo incertezas. 2. Traz cooperação e coordenação. O planejamento pode trazer cooperação e coordenação entre várias seções da organização. As rivalidades e conflitos entre departamentos poderiam ser evitados por meio de planejamento. Além disso, o planejamento evita duplicação de trabalho. 3. Economia em operação. O planejamento seleciona as melhores alternativas entre as várias alternativas disponíveis. Isso levará à melhor utilização dos recursos. Os objetivos da organização são alcançados facilmente. 4. Antecipa contingências imprevisíveis. Alguns eventos não puderam ser previstos. Esses eventos são denominados como contingências. Esses eventos podem afetar o bom funcionamento de uma empresa. O planejamento fornece uma provisão para atender a tais contingências e enfrentá-las com sucesso. 5. Alcance dos objetivos predeterminados. As atividades de planejamento visam atingir os objetivos do empreendimento. A realização oportuna dos objetivos só é possível por meio de um planejamento eficaz. 6. Reduzir a concorrência. A existência de concorrência permite que a empresa tenha uma chance de crescimento. Ao mesmo tempo, a competição acirrada deve ser evitada. É possível reduzir a competição por meio do planejamento. 7. Evitar a mortalidade organizacional. Segundo Lucio Junior (2012), com o mercado supercompetitivo, independentemente da situação econômica local, nacional ou mundial, as empresas vêm enfrentando sérias dificuldades na manutenção de suas atividades. Muitas vezes, por não perceber as novas perspectivas, elas acabam perdendo o seu espaço no mercado e fechando as portas. E este é um fator importante para a sobrevivência das organizações, pois, segundo Zago (2000), a variabilidade do ambiente e a incerteza econômica promovem um fluxo constante de inovação, flexibilidade e desenvolvimento de produtos. E esse fluxo pode significar uma oportunidade ou uma ameaça. 104 O planejamento estratégico é muito utilizado para definir os rumos e próximos passos da organização. Por se tratar de um processo com certas especificidades, muitas vezes os pequenos e médios empresários acreditam que o planejamento estratégico é feito somente para grandes empresas. Essa concepção pode ser considerada um mito, pois o planejamento é essencial para que negócios de qualquer porte deem certo. Diversas pesquisas apontam sobre a necessidade de garantir a sobrevivência para pequenos e médios negócios, especialmente nos primeiros anos, já que estão se inserindo no mercado e começando a se posicionar. Por oferecer um direcionamento, necessitar de conhecimentos aprofundados sobre o negócio e seu ambiente interno e externo, bem como estabelecer indicadores que podem ser acompanhados pelo gestores da organização, o planejamento se torna essencial para garantir o sucesso de pequenos e médios negócios. INTERESSANTE 105 CONHEÇA O PASSO A PASSO PARA O PLANEJAMENTO EMPRESARIAL Sebrae A concorrência é um desafio para empreendimentos de todos os portes. Sobreviver em um mercado altamente competitivo requer preparo, e um bom planejamento empresarial vai ajudar você a alcançar o sucesso desejado. O planejamento empresarial é indispensável para construir cenários, analisar dados, traçar metas e chegar aos seus objetivos. Muitos empreendimentos relegam o planejamento para um segundo plano, o que traz riscos para a sua existência. Para ter uma melhor gestão do seu negócio, a indicação é fazer um planejamento de metas, que vai auxiliar você a organizar estratégias com parâmetros e opções de ações e tarefas para seu empreendimento. Essa é uma ferramenta poderosa, capaz de apontar eventuais obstáculos e oportunidades para o crescimento da sua empresa. Importante distinguir conceitos como meta e objetivo para começar a fazer o seu planejamento. As metas são etapas a cumprir para o seu negócio alcançar os objetivos traçados. Primeiros passos Comece detalhando o campo de atuação do seu negócio de forma clara, sem estreitar ou ampliar excessivamente essa definição. O próximo passo é fazer um diagnóstico do empreendimento, buscando encontrar os pontos fortes e fracos. Isso vai permitir você identificar o que pode ser melhorado. Você precisa conhecer bem os seus clientes para entender o que eles precisam, seus problemas e como pode oferecer os melhores produtos e serviços, bem como quanto estão dispostos a pagar. Confira quatro dicas para o seu planejamento 1. Defina as metas a serem alcançadas Procure descrever minuciosamente as metas. Isso vai ajudar você a caminhar para onde quer chegar. Para cada meta, defina a sua importância e prioridade. Lembre-se de que isso vai permitir caminhar passo a passo até o alcance dos objetivos do seu planejamento. LEITURA COMPLEMENTAR 106 2. Estabeleça e garanta os recursos necessários De nada adianta boas ideias se não houver recursos financeiros, tecnológicos, de pessoal ou outro, necessários para o cumprimento das metas estabelecidas. 3. Estabeleça prazos Procure definir o começo, o meio e o fim para as suas metas, detalhando o prazo em que cada etapa deve ser concluída. Assim, a sua empresa terá um panorama da proximidade para alcançá-las. 4. Defina um responsável É fundamental ter uma pessoa responsável por acompanhar a concretização do que foi planejado para, no tempo certo, se for preciso, rever metas e prazos. O planejamento empresarial é um conjunto de processos, contínuos e sistemáticos, que permitem concentrar atenção, recursos e esforços das empresas para alcançar as suas metas. Uma vez definido, você terá um cenário mais claro sobre a sua empresa e poderá partir para a criação de um plano de ação, que vai ajudar seu empreendimento a alcançar cada etapa definida. Nessa fase, utilize ferramentas que vão ajudar a fortalecer a planejar melhor as suas vendas e definir os melhores preços dos seus produtos e serviços, bem como os melhores canais para alcançar o seu consumidor. Inspire-se em outros parceiros ou até mesmo analise a possibilidade de aproveitar oportunidades de negócios que eles oferecem para a venda dos seus produtos e serviços. Tenha certeza de que, com planejamento, a sua empresa vai estar no caminho do sucesso. Transforme suas ideias em bons negócios e prepare-se para os lucros! Fonte: https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/conheca-o-passo-a-passo-para-o-planeja- mento-empresarial,a774119c93d82810VgnVCM100000d701210aRCRD#:~:text=O%20planejamen- to%20empresarial%20%C3%A9%20um,para%20alcan%C3%A7ar%20as%20suas%20metas. Acesso em: 6 fev. 2023. 107 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tema de aprendizagem, você aprendeu: • Que o planejamento determinará os planos e programas para decisões e atividades necessárias para o alcance dos objetivos desejados. O planejamento, portanto, precede todos os esforços e ações da organização, sendo uma bússola para guiar suas atividades durante determinado período de tempo. • Que o planejamento é uma visão de futuro da organização e está diretamente associado com as ações executivas que incorporam as habilidades de antecipar, influenciar e controlar a natureza e a direção da mudança. • Que o planejamento e o controle caminham juntos. Não é possível controlar o que não é planejado ou não possui certa previsibilidade. Para isso, é necessário conhecer os elementos e características fundamentais que compõem o planejamento para elaborá-lo de forma a facilitar sua implementação e controle. • Por fim, aprendeu que há motivos fundamentais para se planejar. O planejamento reduz a incerteza, traz cooperação e coordenação, favorece a economia em operação, antecipa contingências imprevisíveis, facilita o alcance dos objetivos organizacionais, reduz a concorrência e evita a mortalidade organizacional. 108 AUTOATIVIDADE 1 O planejamento antecede todasas funções gerenciais e é função de todo gestor realizá-lo, independentemente do nível em que opera na organização, a amplitude de suas responsabilidades e o escopo possam variar de acordo com o nível da hierarquia. Sobre as funções gerenciais projetadas para atingir os objetivos organizacionais de acordo com Chiavenato (2015), assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Planejar, controlar, organizar, prover pessoal e dirigir. b) ( ) Motivar, gerenciar, controlar, distribuir atividades e monitorar. c) ( ) Treinamento, desenvolvimento, remuneração, admissão e rescisão. d) ( ) Acompanhamento, desenvolver estratégias, recrutar pessoas e implementar ações voluntárias. 2 O planejamento é parte fundamental da administração, teve suas origens nas mais remotas civilizações, desde o momento em que o homem precisou realizar tarefas e organizar recursos disponíveis. Com base na evolução do planejamento com o passar do tempo, analise as sentenças a seguir: I- Somente em meados de 1900 foram desenvolvidos sistemas de administração orçamentária como uma forma rudimentar de planejamento. II- O planejamento é uma característica de sociedades ocidentais e não está presente em países do oriente. III- Os primeiros conceitos de planejamento foram desenvolvidos entre as primitivas “donas-de-casa”, que tinham que, de certa forma, ter alguns conhecimentos de planejamento para gerenciar as atividades do lar. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 109 3 O planejamento encontra-se na base de todas as outras funções gerenciais da organização. Sem planejamento, não é possível decidir quais atividades são necessárias, como devem ser combinadas em funções e departamentos ou quem será responsável por que tipo de decisões e coordenação das atividades. Sobre os motivos para realizar um planejamento, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) O planejamento pode trazer cooperação e coordenação entre várias seções da organização. As rivalidades e conflitos entre departamentos poderiam ser evitados por meio de planejamento. ( ) O planejamento está ligado ao nível tático da empresa e é utilizado pela média gerência para garantir que suas táticas sejam executadas de forma organizada pela equipe operacional. ( ) O planejamento permite que a empresa liste de forma detalhada todas as ações que devem ser realizadas no próximo mês, facilitando o controle mensal das atividades mais simples da organização. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 O planejamento é um item essencial das organizações extremamente necessário para a elaboração do orçamento empresarial. Sem um planejamento prévio, não é possível para as organizações definir quais ações devem ser implementadas para a organização em determinado período de tempo. Descreva quais as características fundamentais de um planejamento. 5 Quando se fala em planejamento, concomitantemente, estamos falando e olhando para o futuro e há diversos motivos primordiais para se planejar. O primeiro motivo para se planejar é a redução da incerteza. Explique como o planejamento pode auxiliar em mais previsibilidade para as organizações. 110 REFERÊNCIAS BEYOND BUDGETING INSTITUTE. The Beyond Budgeting principles. London, mar. 2016. Disponível em: https://bbrt.org/the-beyond-budgeting-principles. Acesso em: 4 mar. 2022. CARVALHO, J. R. S. Orçamento Base Zero na Eletrolux. São Paulo: IBC-International Business Communications, 2002. CASTRO, S. C. Contabilidade Gerencial. Maringá: Cesumar, 2014. CHIAVENATO, I. Administração: teoria, processo e prática. 5. ed. Barueri: Manole, 2015. FREZATTI, F. Orçamento Empresarial – planejamento e controle gerencial. 6. ed. Barueri: Grupo GEN, 2015. GOMES, A. dos S. Orçamento Empresarial. 2007. 38 f. 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PEREZ JUNIOR, J. H.; PESTANA, A. O; FRANCO, S. P. C. Controladoria de Gestão: teoria e prática. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1997. PERUZZO, C. M. K. Community Communication and Education for Citizenship. Critical Studies in Media Communication, v. 32, n. 3, p. 143-157, ago. 2015. Disponível em: http://www.tandfonline.com/toc/rcsm20/32/3. Acesso em: 22 fev. 2022. SANTOS, J. L. dos et al. Fundamentos de orçamento empresarial. São Paulo: Atlas, 2008. SANVICENTE, A. Z.; SANTOS, C. da C. Orçamento na administração de empresas: planejamento e controle. São Paulo: Atlas, 2000. SARDINHA, J. C.; ALMEIDA, J. M. B. de; DINOÁ, L. L.; FERREIRA, W. L. Orçamento e Controle. 2.ed. Rio de Janeiro: FGV, 2008. SARQUIS, A. B; IKEDA, A. A. Orçamento de despesas de marketing: uma proposição de modelo aplicável a pequena empresa. Revista Alcance Univali, v. 9, n. 1, p. 63-112, jan./abr. 2003. SILVA, R. O. Teorias da administração. São Paulo: Pioneira Thomsom Learning, 2001. SOBANSKI, J. G. 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A cada tema de aprendizagem desta unidade, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TEMA DE APRENDIZAGEM 1 – TIPOS DE PLANEJAMENTO E RELAÇÃO COM O TEMPO TEMA DE APRENDIZAGEM 2 – ETAPAS E ASPECTOS DO PLANEJAMENTO ORGANIZACIONAL TEMA DE APRENDIZAGEM 3 – PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 114 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 3! Acesse o QR Code abaixo: 115 TÓPICO 1 — TIPOS DE PLANEJAMENTO E RELAÇÃO COM O TEMPO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 1, aprenderemos os tipos de planejamento existentes e sua relação com a passagem do tempo. Você conhecerá os três principais tipos de planejamento que devem ser realizados pelas organizações, bem como a existência de um quarto modelo de planejamento utilizado para que as organizaçõesgarantam um plano B para garantir o resultado esperado. Para todas as organizações, é necessário realizar o planejamento empresarial e garantir que todos os níveis sejam contemplados. Da área estratégica até a operação, é necessário pensar quais são os rumos desejados para a empresa e, dessa forma, garantir que todas as metas e atividades sejam elaboradas de forma orquestrada para o alcance dos objetivos da organização. Por fim, falaremos mais sobre a relação do planejamento com o passar do tempo. É necessário compreender que, para cada período considerado no decorrer do tempo de vida da organização, será necessário desdobrar um planejamento. Isso significa estabelecer objetivos que considerem o curto, médio e longo prazo para aquilo que a empresa espera de resultados. Você saberá como considerar cada um desses períodos no momento de estruturar o planejamento de uma organização empresarial. 2 TIPOS DE PLANEJAMENTO 2.1 OS TIPOS DE PLANEJAMENTO Assim como Frezatti (2015), e muitos outros autores da área de negócios, existem níveis de abrangência do planejamento. Alguns autores descrevem em três níveis: estratégico, tático e operacional. Outros autores, como, por exemplo Nouri (2020), incluem mais um tipo de planejamento e o consideram descaracterizado de nível, pois pode ocorrer em qualquer um deles: trata-se do planejamento de contingência. Vamos, a seguir, caracterizar cada um deles. 116 2.1.1 Planejamento Estratégico Tudo começa no nível mais alto com a definição de uma missão e o lançamento de uma visão. O planejamento estratégico inclui uma visão geral de alto nível de todo o negócio. Esse planejamento pode ser considerado o planejamento base para as decisões de longo prazo. Isso significa que ele contemplará um período que pode compreender até 10 anos. Nessa etapa, é fundamental definir a visão, missão e valores da empresa. 2.1.2 Planejamento Tático O planejamento tático oferecerá o suporte ao planejamento estratégico. Nessa etapa são delineadas as etapas que a organização percorrerá para alcançar os objetivos estratégicos, em geral contemplando o período de um ano, e irá esmiuçar o planejamento estratégico previamente definido. O planejamento tático terá foco no cumprimento das metas estratégicas, enquanto os planejamento operacional terá foco em como a empresa poderá cumprir a missão da empresa. 2.1.3 Planejamento Operacional De acordo com Frezatti (2015), o planejamento operacional irá considerar o dia- a-dia da empresa. Nesse planejamento, será descrito como se darão as operações e atividades da empresa. Podem ser considerados como planos contínuos ou planos de uso único. São gerados para eventos e atividades que serão executadas em uma única campanha, como, por exemplo, em campanhas de marketing. 2.1.4 Planejamento de contingência Os planos de contingência são elaborados para situações inesperadas ou em caso de necessidade de mudanças. Esse pode ser considerado um tipo especial de planejamento, que não se enquadra nas especificações dos tipos anteriores. Nos planos de contingência, é possível que os gestores trabalhem com cenários imprevistos, onde é necessária adaptação para que possa atender a alguma mudança no ambiente interno ou externo. Os ambientes organizacionais exigem cada vez mais das empresas a capacidade de adaptação às mudanças, por isso, esse modelo de planejamento é tão necessário. Segundo Nouri (2020), os planos de contingência devem permanecer nos bastidores em caso de crise ou imprevisto. Os planos de contingência cobrem uma variedade de cenários 117 possíveis e respostas apropriadas para questões que variam desde o planejamento de pessoal até a preparação avançada para ocorrências externas que podem impactar negativamente os negócios. As empresas podem ter planos de contingência para coisas como responder a um desastre natural, software com defeito ou a saída repentina de um executivo de um ou outro nível na organização. Os planejamentos precisam convergir e serem integrados para garantir a boa gestão dentro das empresas. É possível realizar essas convergências utilizando modelos de gestão atuais, colaborativos e alinhados com os objetivos e momento da organização. Uma das metodologias mais utilizadas na atualidade é a gestão ágil, que proporciona comunicação transparente e entregas de atividades contínuas de forma interativa durante a gestão de projetos. Outras duas metodologias que também podem ser utilizadas são os OKRs (Objectives and Key Results) para construção coletiva de objetivos e o Balanced Scorecard, utilizado para processos internos e aprendizagem organizacional. NOTA 3 RELAÇÃO ENTRE PLANEJAMENTO E TEMPO 3.1 RELAÇÃO COM O TEMPO De acordo com Chiavenato (2015) e outros autores, o planejamento está diretamente relacionado com a perspectiva do tempo. Nesse sentido, ele pode ser visualizado em planejamento de longo, médio e curto prazo. A seguir, vamos entender melhor a fi nalidade de cada um deles. 3.1.1 Planejamento de longo prazo O planejamento de longo prazo geralmente considera um período de três a cinco anos. Geralmente, é considerado de cinco anos, mas pode chegar a prever cenários para dez anos. É certo que, ao decidir fazer um curso superior, você tinha um plano de longo prazo em mente. Você passaria os próximos dois a quatro anos se preparando para se tornar um professor, um empresário, de forma geral, um profi ssional de mercado com o domínio de habilidades e competências necessárias para sua atuação. Seu objetivo 118 de longo prazo seria necessário para garantir que suas atividades diárias o ajudassem a alcançar o resultado desejado. Você poderia simplesmente ter se matriculado em uma Instituição de Ensino Superior e feito poucas aulas, tido poucos conteúdos e realizado provas que não o desafiassem a desenvolver habilidades e competências. Mas, então, onde você estaria em dois ou quatro anos? Provavelmente, você não teria tido acesso a conteúdos, metodologias e avaliações para se qualificar para o emprego ou para a atuação que deseja. Uma organização, especialmente uma empresa, não é tão diferente. Também precisa de um plano de longo prazo para garantir que as atividades diárias de seus funcionários contribuam para a missão e as declarações de valor da organização. Um plano de longo prazo é crucial para o sucesso final da organização. Ele, para muitas empresas, como construção, hotelaria ou manufatura, geralmente, se estende de quatro a cinco anos no futuro. Para outros setores de mudança mais rápida, especialmente empresas de tecnologia, um plano pode olhar apenas dois ou três anos no futuro. Depois disso, torna-se muito difícil prever o futuro com algum grau de certeza. Objetivos de longo prazo são aqueles que, por sua própria natureza, influenciam a direção geral da empresa. Geralmente, a capacidade de atingir metas de longo prazo é um reflexo genuíno de quão bem os funcionários de nível sênior estão em conformidade com a missão da empresa. Metas de longo prazo são muito estratégicas. Elas procuram remediar os problemas de forma permanente para garantir que a empresa possa atingir seu potencial máximo. Há muito planejamento envolvido no alcance das metas de longo prazo, pois leva em consideração todos os aspectos da empresa, incluindo fatores sociais, econômicos e políticos. 3.1.2 Planejamento de curto prazo Os planos de curto prazo, geralmente, alocam recursos para um ano ou menos. Eles também podem ser chamados de planos operacionais, porque se referem às atividades diárias e às operações comerciais padrão. Assim como os planos de longo prazo, os planos de curto prazo devem ser monitorados e atualizados, e este é o papel da gerência de nível médio e primeiro. Diferentes níveis gerenciais são responsáveis pela implementação de diferentes tipos de planos de curto prazo. Por exemplo, um gerente de departamento pode se sentir confortável implementando um plano operacional para o ano inteiro para seu departamento. Um gerente demarketing pode direcionar um plano de três a quatro meses que envolva a introdução de uma nova linha de produtos. Um líder de equipe só pode se sentir confortável planejando e implementando atividades muito específicas durante o período de um mês. 119 3.1.3 Integrando os tempos Os planos de longo prazo são divididos em vários planos de curto prazo para facilitar a implementação. No entanto, eles precisam ser integrados de forma eficaz para alcançar a realização de ambos. Em um processo de planejamento bem- sucedido, os planos de curto prazo são feitos com referência aos planos de longo prazo, porque os planos de curto prazo contribuem para os planos de longo prazo. Como tal, há necessidade de coordenação entre esses dois planos. Ao preparar os planos de curto prazo, os gestores devem considerar que desejam contribuir para os objetivos de longo prazo. Mesmo as pessoas em níveis na organização com ocupações mais operacionais e menos poder de decisão, também devem ser informadas desse fato. Às vezes, os planos de curto prazo não contribuem para os planos de longo prazo, embora possam contribuir para atingir os objetivos organizacionais imediatos, por exemplo, cortar custos de pesquisa e desenvolvimento para mostrar maior lucratividade. Mas será que isso não pode afetar objetivos de longo prazo relacionados à melhoria e desenvolvimento de novos produtos que podem garantir a longevidade da organização? Outra característica é que o planejamento de curto prazo é temporário e flexível. O planejamento de longo prazo, por outro lado, é mais concreto. Por exemplo, você tem um plano de longo prazo para dobrar suas vendas nos próximos cinco anos. Esse plano não muda repentinamente, no entanto, os planos de curto prazo que você faz para dar vida à meta de longo prazo podem mudar e, provavelmente, mudam várias vezes. Para atingir essa meta de longo prazo, você usará vários métodos, processos etc. Mais ainda, você medirá esses métodos, livrando-se dos que não funcionam e utilizando os que funcionam. Outra diferença notável entre o planejamento de curto e longo prazo é que o último impacta diretamente os rumos da empresa. Digamos que você tenha um plano de longo prazo para aumentar as taxas de satisfação do cliente para 99% nos próximos cinco anos. Certamente, essa meta terá um grande impacto em todos os aspectos da empresa. Alguns dos planos de curto prazo que você implementou para atingir esse objetivo não terão efeitos tão duradouros. Na verdade, alguns deles podem ter efeitos negativos, mas é por isso que os planos de curto prazo não são gravados em pedra. Você pode se livrar deles a qualquer momento e substituí-los por planos mais adequados que o ajudem a alcançar seus objetivos de longo prazo de forma mais eficaz e eficiente. 120 3.1.4 Existe planejamento de médio prazo? De forma geral, os planejamentos costumam ser considerados como de longo e curto prazo. No entanto, Markgraf (2019) apresenta argumentos que podem permitir a contemplação do planejamento de médio prazo. De acordo com a autora, o planejamento de médio prazo permite solucionar questões além das possíveis de serem contempladas no curto prazo. Nessa perspectiva, a empresa pode elaborar ações como, por exemplo, treinamentos para colaboradores considerando o médio prazo. Nesse horizonte, é possível alcançar melhores resultados e mais duradouros. No planejamento de longo prazo, é possível implementar políticas e procedimentos que garantam resultados que não seriam alcançados no planejamento de curto prazo. Você sabia que pode utilizar algumas ferramentas para realizar seu planejamento empresarial de forma que eles estejam de acordo com a gestão estratégica da empresa? Alguma das ferramentas mais conhecidas são: • 5 Forças de Porter – permite identificar pontos de melhoria durante o planejamento estratégico. • Business Model Canvas – utilizado para criar novos negócios e projetos. • 5W2H – matriz de perguntas que apontam as ações que devem ser realizadas no planejamento tático. • Checklists – pontos de checagem das atividades em todos os níveis de planejamento. • Matriz RACI – relação dos responsáveis por cada tarefa a ser executada. • Ciclo PDCA – fluxo de atividades para acompanhamento dos planejamentos, desde sua elaboração até a execução e possíveis ciclos de melhoria. • Meta Smart – utilizada para definição de objetivos e metas organizacionais. DICA Para saber mais, você poderá pesquisar a respeito no blog RunRunit, que disponibiliza essas e outras informações pertinentes sobre a gestão das empresas. Disponível no link: https://blog.runrun.it/. 121 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tema de aprendizagem, você aprendeu: • Quais os três principais tipos de planejamento empresarial existentes: estratégico, tático, operacional. Conheceu suas características e conseguiu verificar sua relação com os diversos níveis de atividades e tomadas de decisões empresariais, observando a necessidade de um planejamento para cada nível. • Compreendeu a importância de realizar um quarto tipo de planejamento: o planejamento de contingência. Tendo em vista que as organizações estão cada vez mais lidando com as mudanças de cenários internos e externos, esse tipo de planejamento é essencial para garantir uma boa resposta da organização diante de mudanças de contexto. • Compreendeu que o planejamento está diretamente ligado ao tempo e deve ser trabalhado em camadas de acordo com a perspectiva temporal. Com base nessa métrica, o planejamento pode ser realizado no longo, médio e ou curto prazo, considerando os objetivos da empresa e as possibilidades de alcançá-los em determinado período. 122 AUTOATIVIDADE 1 O planejamento empresarial possui níveis de abrangência que consideram as responsabilidades das organizações. Esses níveis vão desde as decisões estratégicas primordiais até as atividades operacionais rotineiras, passando pelas funções da média gerência. Todas as empresas devem considerar cada um desses níveis para elaborar seu planejamento, bem como possuir um planejamento adicional que ofereça uma opção no caso de situações adversas. Sobre os tipos de planejamentos existentes, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Planejamento estratégico, planejamento tático, planejamento orçamentário e planejamento de contingência. b) ( ) Planejamento tático, planejamento orçamentário, planejamento itinerário e planejamento de contingência. c) ( ) Planejamento orçamentário, planejamento de contingência, planejamento itinerário e planejamento operacional. d) ( ) Planejamento estratégico, planejamento tático, planejamento operacional e planejamento de contingência. 2 Para elaborar seu planejamento, as empresas necessitam criar projeções de acordo com determinado período de tempo. Essas projeções podem ser de curto, médio e longo prazo, no qual serão definidas as atividades que serão necessárias para que a empresa alcance seus objetivos em cada um dos prazos. Sobre o planejamento de longo prazo, analise as sentenças a seguir: I- Um plano de longo prazo é crucial para o sucesso final da organização. Ele para muitas empresas, como construção, hotelaria ou manufatura, geralmente se estende de quatro a cinco anos no futuro. II- O planejamento de longo prazo geralmente considera um período de um ano. Geralmente, é considerado esse período em função da necessidade de uma projeção mais longa para os objetivos da empresa. III- Metas de longo prazo são muito estratégicas. Elas procuram remediar os problemas de forma permanente para garantir que a empresa possa atingir seu potencial máximo. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 123 3 O planejamento tático apoia o planejamento estratégico e desenvolve táticas que a organizaçãoplaneja para alcançar os objetivos estratégicos. O planejamento tático se diferencia do planejamento operacional ser capaz de contemplar questões que permitem o cumprimento de metas estratégicas. Sobre o planejamento tático, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) O planejamento tático irá desenvolver as principais estratégias que serão repassadas para os colaboradores das operações das empresas para que esses possam realizá-las. ( ) O planejamento tático é feito pensando no período de três a cinco anos, podendo chegar ao período de 10 anos. ( ) O planejamento tático é diferente do planejamento operacional, pois os planos táticos fazem perguntas específicas sobre o que precisa acontecer para cumprir uma meta estratégica. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 Em geral, os planejamentos e planos empresariais são divididos em curto e longo prazo, considerando as necessidades e facilitação do processo de implementação. Para garantir a eficiência esperada e concatenar com os objetivos organizacionais, é necessário integrar esses planos de forma que o planejamento de curto prazo contribua para os resultados esperados do planejamento de longo prazo. Disserte sobre como é possível integrar os tempos no processo de planejamento. 5 Muitos especialistas afirmam que estamos vivendo uma nova era global, que impacta diretamente os cenários externos das organizações. Esse ambiente é denominado ambiente VUCA, e é caracterizado pela volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade. Para lidar com as realidades que emergem desse ambiente, é necessário que a empresa possua flexibilidade e se planeje para os fatores que podem afetar a rota previamente estabelecida. Nesse contexto, disserte sobre como o planejamento de contingência pode auxiliar a organização a superar possíveis situações adversas oriundas de mudanças. 124 125 ETAPAS E ASPECTOS DO PLANEJAMENTO ORGANIZACIONAL 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 2, abordaremos as etapas e aspectos fundamentais que você deverá conhecer para implementar o planejamento organizacional. Você conhecerá quais são as cinco fases básicas que devem ser percorridas sempre que for necessário elaborar e implementar o planejamento dentro de uma empresa, obtendo um passo a passo e dicas práticas para torná-lo viável. Durante a elaboração e implementação de um orçamento empresarial, é necessário estar ciente de que podem ocorrer fatores que podem limitar o andamento do planejamento organizacional. Cada um desses fatores será apresentado para que você obtenha conhecimento a seu respeito e também quais possíveis ações podem ser realizadas pelos gestores e demais colaboradores para evitar que atrapalhem os resultados esperados pelo planejamento empresarial. Encerramos este tema de aprendizagem falando sobre a estrutura funcional de uma empresa e consequentemente do planejamento empresarial: a missão e visão de futuro. Você conhecerá mais a respeito desses fatores e perceberá sua importância para o encadeamento das atividades planejadas para a organização, obtendo alguns exemplos de missão e visão adotados pelas empresas, bem como compreenderá como defini-las de forma prática para criar a estrutura básica da organização. 2 AS 5 ETAPAS DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO ORGANIZACIONAL De acordo com Nouri (2020), o processo de planejamento organizacional inclui cinco fases, conforme descrito a seguir. 1. Desenvolver o plano estratégico As etapas nessa fase inicial incluem: revise sua missão, visão e valores. Reúna dados sobre sua empresa, como indicadores de desempenho de métricas de seu departamento de vendas. Faça um balanço dos pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças da organização. UNIDADE 3 TÓPICO 2 - 126 2. Traduzir o plano estratégico em etapas táticas Nesse ponto, é hora de criar planos táticos. Traga os gestores de nível médio para ajudar a fazer o seguinte: a) Definir metas de curto prazo – metas trimestrais são comuns – que dão suporte ao plano estratégico de cada departamento, como definir uma cota para a equipe de vendas para que a empresa possa cumprir sua meta estratégica de receita. b) Desenvolva processos para revisar o cumprimento das metas para garantir que as metas estratégicas e táticas estejam sendo cumpridas, como executar um relatório a cada trimestre e enviá-lo ao Diretor de Vendas para verificar se o departamento comercial está atingindo sua cota. c) Desenvolva planos de contingência, como o que fazer em caso de mau funcionamento dos sistemas integrados da equipe de vendas ou violação de dados confidenciais. 3. Planear as operações diárias Os planos operacionais se referem aos processos e atividades que os colaboradores executarão nas rotinas da empresa. Em geral, é responsabilidade dos gestores a nível médio elaborar e repassar a sua equipe para que sejam implementados. Em processos de vendas, por exemplo, um processo comum é a conversão de um prospect ou lead (possível cliente). Esse processo passa por diversas etapas até o fechamento de uma venda, e pode ser considerado um plano operacional. Diversas atividades como cronogramas, fluxos de atendimento ao cliente e políticas de segurança permitem ao setor de vendas atingir suas metas de cotas de vendas (uma meta tática da empresa). Nessa etapa, devem ser incluídos o estabelecimento de metas e objetivos individuais que os colaboradores devem atingir durante um determinado período. Os gerentes podem optar por definir por conta própria alguns planos, como horário de trabalho. Por outro lado, as tarefas individuais que compõem um plano de vendas podem exigir a colaboração de toda a equipe. Esse estágio também deve incluir o estabelecimento de metas e objetivos que os funcionários individuais devem atingir durante um determinado período. 4. Execute os planos Nessa fase, os planos são colocados em prática. As atividades previamente definidas no plano operacional que devem acontecer na rotina empresarial serão capazes de permitir o alcance dos objetivos táticos provenientes do planejamento estratégico. 5. Monitore o progresso e ajuste os planos Para que os planos funcionem adequadamente, serão necessários reflexão e ajustes. Em geral, após um período definido de meta de curto prazo, os gestores irão revisar o atingimento de metas e oferecer relatórios executivos que deem suporte à tomada de decisão. 127 Um exemplo que pode ser dado é no caso de gestores de vendas que necessitam elaborar relatórios de análises de vendas, de forma a garantir que os processos ajudam sua equipe a bater as cotas defi nidas. Enquanto isso, as equipes de suporte, como o caso da equipe de marketing, podem analisar se seus esforços para otimizar a publicidade estão oferecendo a quantidade adequada de potenciais clientes (leads ou prospects) para o departamento de vendas. Os resultados das análises irão oferecer dados e informações para a tomada de decisão, que podem exigir ajustes nos planejamentos da empresa nos mais diversos níveis. O Benchmarking é um processo de estudo de concorrência, podendo ser uma análise profunda das melhores práticas usadas por empresas de um mesmo setor que o seu e que podem ser replicadas no seu empreendimento. De acordo com a equipe dos Resultados Digitais, entre seus benefícios, estão a redução de custos, aumento na produtividade e ampliação na margem de lucro. Para saber mais, acesse o link: https://resultadosdigitais.com.br/marketing/ benchmarking/#:~:text=Benchmarking%20%C3%A9%20 um%20processo%20de,amplia%C3%A7%C3%A3o%20 na%20margem%20de%20lucro. O que é o pipeline? Podemos defi ni-lo como uma espécie de “mapa” de todas as etapas que compreendem o ciclo de vendas de uma empresa. Alguns negócios possuem ciclos de vendas mais curtos, portanto o pipeline de vendas também será mais enxuto. No pipeline devendas atual, é necessário administrar os leads e seu percurso dentro do funil de vendas. Os leads são pessoas interessadas em seus produtos e serviços e que podem se tornar potenciais clientes, desde que sejam devidamente tratados pela equipe de vendas da empresa. INTERESSANTE NOTA 128 Um panorama geral sintético dessas cinco etapas descritas pode ser visualizado por meio da Figura 1 a seguir: Figura 1 – As 5 etapas do processo de planejamento organizacional Fonte: adaptada de Nouri (2020) Por meio da Figura 1, pode-se perceber que, depois de iniciado o planejamento em nível estratégico, ele passa a se desenvolver em planos, metas, objetivos quantifi cáveis, programas e ações em níveis táticos e operacionais. E os resultados do que foi, então, operacionalizado, passam novamente a servir de base para que as estratégias possam seguir como estão, ou efetuar ajustes, desde os mais extremos, como abandonar uma linha de produção, fechar fi liais e subsidiárias em alguma cidade, estado ou país, ou passar por pequenos ajustes de afi namento para uma maior efi ciência organizacional. 3 PLANEJAMENTO – ASPECTOS LIMITANTES Existem alguns aspectos na organização, relacionados principalmente ao comportamento e comprometimento das pessoas, que podem interferir de forma negativa no bom andamento do processo de planejamento nas organizações. Dentre eles, podemos destacar: 129 1. Falta de informações precisas O planejamento envolve previsões e o futuro é bastante incerto e complexo, e perde seu valor se as informações não forem precisas. O planejamento diz respeito à atividade futura e a qualidade das informações determina a produção básica do planejamento. Às vezes, os gerentes não sabem como usar as informações de forma eficiente; ou simplesmente não as têm. A primeira vez em sistematizar o orçamento é a mais difícil, sem dados históricos da organização. Nesse caso, o planejamento pode causar problemas futuros nas operações. 2. Resistência à Mudança A resistência à mudança é outro fator que limita o planejamento. A maioria das pessoas resiste à mudança devido ao medo do fracasso e da incerteza. No entanto, o planejamento muda a atitude das pessoas para torná-lo mais eficaz. O planejamento dá uma falsa sensação de estabilidade e segurança às pessoas na organização. É preciso ficar atento às mudanças. 3. Inflexibilidade O planejamento fornece o espectro de todas as atividades e, em geral, o planejamento resulta em rigidez no funcionamento interno da organização. Os gerentes geralmente são impulsionados a seguir os procedimentos rigidamente. As inflexibilidades internas que podem limitar o planejamento estão relacionadas à psicologia humana, às políticas e procedimentos organizacionais e ao investimento de capital de longo prazo. Além disso, os gerentes são confrontados com muita inflexibilidade externa e não têm controle sobre as pessoas. Esses fatores são sociais, jurídicos, tecnológicos etc. Os gestores devem formular seus planos tendo em vista a demanda desses fatores. 4. Planejamento inadequado Existem muitas razões pelas quais as pessoas falham no planejamento, tanto no nível de formulação quanto no de implementação. Algumas das desvantagens são a falta de compromisso com o planejamento, objetivo ambíguo, tendência a ignorar as premissas de planejamento, dependência de acontecimentos passados, falta de apoio administrativo, falta de técnicas de controle e resistência à mudança etc. Esses fatores são responsáveis por planejamento inadequado ou planejamento incorreto nas organizações envolvidas. 130 5. Fatores de tempo e custo Fatores de tempo e custo são considerados limitações reais ao planejamento, podendo gerar prejuízos a este. O tempo é um fator limitante para todos os gerentes da organização, pois pode não haver tempo suficiente para realizar todo o processo de planejamento. O planejamento envolve custos por parte da organização. Os custos aumentam no planejamento se ele se tornar mais detalhado. Assim, o planejamento não pode ser realizado além de um certo limite, mas deve justificar seus custos. Com relação ao custo, ele não deve ser, em nenhuma situação, superior ao valor do planejamento ou dos benefícios dele derivados. 6. Filosofia Organizacional Frequentemente, a filosofia de gestão também pode impedir o processo de planejamento. Uma vez que os gerentes se acostumaram a uma filosofia particular mantida por um longo período, ela tende a impor limitações internas de inflexibilidade ao planejamento. Os vários fatores analisados anteriormente contribuem para as limitações do planejamento, tornando o planejamento ineficaz ou reduzindo o grau de trabalho planejado. No entanto, deve-se reconhecer e aceitar que o planejamento é essencial e que os gestores devem tomar medidas para torná-lo mais eficaz. 4 MISSÃO E VISÃO Foi notório que muito do que foi apresentado até o momento dizia que todo o processo de planejamento organizacional se dava no nível estratégico. Tudo se iniciava com a missão e visão organizacional. Nesse sentido, vamos explorar e entender um pouco mais da relevância desses elementos para a organização. Os princípios, cultura, crença e valores estão incorporados na vida das empresas e possuem forte relação de líderes que atuam nessas organizações. Independentemente do nível da gestão, esses valores seguem os princípios dos fundadores e proprietários das empresas, tendo em vista que a história pessoal está diretamente ligada com a história da empresa. De acordo com Rodrigues (1984), uma pesquisa realizada constatou que o sucesso de grandes empresas, como Bradesco, IBM Brasil, Ultrafértil, Rede Globo, HP do Brasil, foi obter a adesão dos funcionários aos princípios, crenças e valores, este é um desafio para 131 o administrador e uma garantia de bom desempenho para a empresa. Esses princípios, valores e crenças são expressos por meio da definição da visão e missão da empresa. Para um melhor entendimento, conceituaremos essas duas perspectivas. 4.1 VISÃO Compreende a ideologia da empresa e sua perspectiva de futuro. A visão orienta a organização em uma meta de longo prazo, criando um compromisso consigo próprio no intento de atingir o propósito declarado. Líderes que oferecem uma visão clara, coerente e sustentada têm elevada base de poder para conduzirem os destinos da empresa. Segundo Frezatti (2015), a visão corresponde à formalização de uma reflexão com grau razoável de abstração, em que se expressa o propósito básico da entidade. A visão organizacional, de forma geral, não estratifica o portfólio de produtos e serviços, ou, ainda, não tem a intenção de apresentar fins quantitativos. Ela tem um caráter de personalidade, identidade e remete ao sentimento que as pessoas têm quando se menciona o nome da empresa. E, nesse sentido, ela trabalha com a percepção que espera ter ao ser lembrada pelas pessoas. A visão organizacional tem como objetivo criar uma filosofia que serve como guia para a empresa, uma aspiração e inspiração. Ela é um acumulado de convicções que norteiam a rota que a empresa vai seguir. 4.2 MISSÃO ESTRATÉGICA Compreende a forma que a empresa pretende alcançar a sua visão. A missão é uma declaração ampla e duradoura de propósitos que individualiza a organização e distingue o seu negócio impondo a delimitação de suas atividades dentro do espaço que deseja ocupar em relação às oportunidades de negócios. Ela está delimitada pelo negócio da entidade que proporciona foco à gestão e também a filosofia empresarial que gera condições de entender os valores e as crenças que os proprietários da empresa desejam que sejam observados. Segundo Hitt, Ireland e Hoskisson (2008, p. 27), [...] a missão estratégica flui a partir da intenção estratégica. Com enfoque externo, a missão estratégica é a declaração do propósito e do alcance únicos da empresa em termos de produto e de mercado, e possibilita as descrições gerais dos produtos que uma empresa deseja fabricare os mercados a que atenderá usando suas competências essenciais internas. A missão deveria responder às seguintes perguntas: 132 1. Quais os produtos/serviços estariam disponibilizando no mercado? 2. Que atividades a organização se propõe a desenvolver no ambiente? 3. Quem é o seu cliente? 4. Em que mercado atua? 5. Qual o benefício auferido pelo acionista? Drucker (1970, p. 156) nos oferece sua percepção sobre a importância da definição da missão por parte das empresas: “uma empresa não se define pelo seu nome, estatuto ou produto que faz; ela se define pela sua missão. Somente uma definição clara da missão é razão de existir da organização e torna possíveis, claros e realistas os objetivos da empresa”. A tabela a seguir apresenta algumas características da Visão e Missão que nos ajudará a compreender as diferenças entre uma e outra. Tabela 1 – Exemplos de missão e visão EMPRESA INFORMAÇÕES MISSÃO VISÃO Pão de Açúcar GPA, nome fantasia da companhia brasileira de distribuição, é controlada pelo Grupo Casino, de capital francês. Teve origem com a fundação da doceria Pão de Açúcar, em 1948 por Valentim Diniz. Que posteriormente se tornou uma rede de supermercados. Promover a empregabilidade e o empreendedorismo por meio de ações sociais, educacionais e culturais, voltadas às comunidades de atuação do GPA. Ser reconhecido como agente de transformação para a melhoria do desenvolvimento humano nas comunidades de atuação do GPA. CEMIG A Companhia Energética de Minas Gerais S.A é uma das principais concessionárias de energia elétrica do Brasil. Tendo sede na cidade de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais. Atuar no Setor de Energia com rentabilidade, qualidade e responsabilidade social. Consolidar-se nesta década como o maior grupo do setor elétrico nacional em valor de mercado, com presença em gás, líder mundial em sustentabilidade, admirado pelo cliente e reconhecido pela solidez e performance. 133 Fonte: o autor Tanto a missão e visão quanto o planejamento, nos mais diversos níveis, e os planos orçamentários e demais outros planos, devem ser trabalhados de forma integrada, prevendo suas ações no decorrer do tempo. A missão e visão, em geral, possui aplicabilidade em um período maior de tempo, enquanto os planos possuem menor duração. A Figura 2 demonstra o funcionamento dessa integração com o passar do tempo. Figura 2 – Integração da Missão, Visão, Planejamento e Planos SICOOB Sicoob é o maior sistema fi nanceiro cooperativo do país. É composto por cooperativas fi nanceiras e empresas de apoio, que em conjunto oferecem aos associados serviços bancários em geral. Ou seja, tem todos os serviços bancários, mas não é um banco. É uma cooperativa fi nanceira, onde os clientes são donos e por isso os resultados fi nanceiros são divididos entre os cooperados. Gerar soluções fi nanceiras adequadas e sustentáveis, por meio do cooperativismo, aos associados e às suas comunidades. Ser reconhecido como a principal instituição fi nanceira propulsora do desenvolvimento econômico e social dos associados. Fonte: o autor 134 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tema de aprendizagem, você aprendeu: • Que o processo de planejamento é desenvolvido em cinco etapas: planejamento estratégico, planejamento tático, planejamento operacional, execução e monitoramento. As três primeiras etapas estão diretamente ligadas à elaboração dos três principais tipos de planejamento, sendo o primeiro estratégico que será utilizado para o desdobramentos dos planos táticos e ações operacionais. As duas últimas etapas são focadas na efetivação dos planos, monitoramento e ajustes necessários durante o processo, de forma a garantir o alcance dos resultados esperados. • Os possíveis aspectos limitantes do planejamento estratégico que podem interferir na elaboração, execução e acompanhamento do planejamento estratégico. Também compreendeu possíveis ações para mitigar os impactos causados por essas limitações. • A importância da missão e visão da empresa como base para a estrutura do negócio e do planejamento estratégico. A missão e visão dão início ao modelo de negócios da organização, sendo considerados aspectos essenciais antes da elaboração do modelo de negócios, e devem ser considerados durante o processo de planejamento. 135 AUTOATIVIDADE 1 Alguns fatores da organização, em especial os relacionados ao comportamento e comprometimento dos colaboradores, pode afetar de forma direta ou indireta a elaboração e o planejamento da organização, interferindo em seu desempenho. Sobre os fatores que podem comprometer o planejamento empresarial, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Mudanças no ambiente interno; mudanças no ambiente externo; falta de planejamento de contingência; excesso de controles das atividades operacionais. b) ( ) Retrabalho das tarefas planejadas; falta de objetivos; falta de foco; não justifica- ção dos custos fixos e variáveis da organização. c) ( ) Falta de informações precisas; resistência à mudança; inflexibilidade; planejamento inadequado; fatores de tempo e custo; filosofia organizacional. d) ( ) Perfil dos gestores; falta de políticas empresariais; treinamento incorreto da equipe; descuido com a segurança da informação. 2 Para elaborar o planejamento empresarial, é imprescindível atender à orientação da organização sobre seus valores, propósito e onde deseja estar nos próximos anos. Para isso, o planejamento deverá estar pautado na missão e visão que a empresa tem para si para os próximos anos. Sobre a missão estratégica das organizações, analise as sentenças a seguir: I- É uma declaração ampla e duradoura de propósitos que individualiza a organização e distingue o seu negócio impondo a delimitação de suas atividades dentro do espaço que deseja ocupar em relação às oportunidades de negócios. II- Proporciona foco à gestão e também a filosofia empresarial que gera condições de entender os valores e as crenças que os proprietários da empresa desejam que sejam observados. III- Estabelece os objetivos que devem ser realizados pela empresa pelo período mínimo de cinco anos. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 136 3 O processo de planejamento empresarial deve ser cumprido de forma disciplinada a fim de garantir o bom desempenho da organização em seus resultados esperados. O processo de planejamento é realizado em cinco etapas. A respeito da fase de tradução do plano estratégico em etapas táticas, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) É importante trazer os gestores para realizar as atividades que compreendem a criação de planos táticos. ( ) Devem ser definidas metas de curto prazo que darão suporte ao plano estratégico de cada departamento. ( ) É preciso trabalhar com a equipe no modelo de gestão de projetos para garantir os melhores resultados nessa etapa. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – V – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 Um das etapas do planejamento empresarial é a confecção e execução dos planos operacionais, que são essenciais, pois é através deles que efetivamente serão elaboradas ações para que o planejamento estratégico se torne real. Disserte sobre como se dá o funcionamento da etapa dos planos operacionais. 5 A visão empresarial, junto à missão estratégica, oferece a base das ações da organização. A visão, especificamente, compreenderá a ideologia da empresa e a perspectiva que essa tem sobre seu futuro. Disserte sobre a importância da visão empresarial para as empresas. 137 TÓPICO 3 - PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO 1INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tema de Aprendizagem 3, abordaremos as relações entre o planejamento empresarial e o orçamento. Como já verificamos, é impossível conceber o orçamento empresarial e cada uma de suas peças orçamentárias sem conectá-lo com o que foi planejado para a organização. O planejamento gera planos e projetos que possuem custos e devem ser orçados e nesse tema de aprendizagem você aprenderá um pouco mais sobre isso. Além disso, aprenderemos a respeito de algumas ferramentas, metodologias e outros recursos que podem ser utilizados para implementar o planejamento empresarial e consequentemente o orçamento. Para colocar em prática, ser capaz de monitorar, acompanhar os resultados e realizar ajustes, é imprescindível contar com o suporte desses recursos, que além de trabalharem na operação, são capazes de promover mais eficiência aos resultados esperados para a empresa. Por fim, aprofundaremos nosso conhecimento sobre o conteúdo aprendido sobre o orçamento empresarial no decorrer de cada uma das unidades a partir do estudo de caso da Medical Aspen. Já introduzimos informações a respeito da empresa – que atua no segmento da área da saúde – nas unidades anteriores, mas, agora, faremos a aplicação direta do conteúdo utilizando a estrutura orçamentária da organização. Você perceberá como é possível aplicar o conteúdo de forma prática em diversos casos, podendo utilizar o modelo para sua vida pessoal e profissional. 2 PLANEJAMENTO E O ORÇAMENTO Tudo bem! Você deve estar se perguntando: se esse livro é de administração orçamentária, qual o motivo de estarmos tratando em uma unidade toda sobre planejamento? Vamos voltar na decisão de construir uma casa. Depois que você passa pelo processo do planejamento, apresentando motivadores da decisão, detalhes de como deve ser executado, os detalhes, dimensões, ou seja, tudo que imaginou executável, isso gera um ou mais projetos (projeto arquitetônico, hidráulico, elétrico, lógico/automação etc.). E tudo isso, consequentemente, vai gerar uma pergunta: quanto vai custar? Aí entra o orçamento. O orçamento é um plano representativo da quantificação de recursos (financeiros, estruturas, engenharia, processos, métodos, pessoas) explicitados no planejamento, tanto de curto como de longo prazo. Para a construção da casa, teria o orçamento UNIDADE 3 138 para compra do terreno, mão de obra do pessoal, parte elétrica, hidráulica, lógica/rede/ comunicação, janelas e portas, acabamento e pintura. Seriam suborçamentos que juntos globalizam toda a execução do projeto. Aspectos e o aprofundamento sobre o sistema orçamentário, premissas, peças orçamentárias e tipos de orçamentos serão abordados nas próximas unidades. Ou seja, o orçamento é produto do planejamento, e não do próprio planejamento. Enquanto planejamento é mais qualitativo, com a descrição textual e representações gráficas e infográficas dos objetivos a serem alcançados, o orçamento é mais quantitativo, representado numericamente em forma de tabelas, geralmente divididos mensalmente, os recursos necessários para atingir os objetivos descritos no planejamento. Não é aceitável, em termos de gestão sóbria, falar em orçamento sem antes falar em planejamento e, primeiramente, ainda fazer uma leitura da missão e visão organizacional. Orçamento é um plano, considerado produto de três matérias-primas: missão, visão e planejamento. Externalizar a intenção de implementação de um orçamento sem mesmo ter clara e declarada para toda a organização a missão e visão do empreendimento é deslize quando se fala em gestão. E se o planejamento tiver falhas, certamente o orçamento também herdará essa característica. 3 FERRAMENTAS DE PLANEJAMENTO E IMPLEMENTAÇÃO DE PROJETOS Nesta unidade, exploramos de forma satisfatória os aspectos relacionados ao planejamento: abrangência, tempo, propósito e até alguns aspectos que impedem ou dificultam sua ocorrência. Existem também algumas ferramentas de planejamento, bem como de criação e implementação de projetos. Inclusive softwares de utilização colaborativa. E de forma geral, eles começam com algumas perguntas básicas, e depois das respostas se mostrarem consistentes é que os planos são colocados em prática. Uma ferramenta interessante é a chamada 5W2H. Essa ferramenta corresponde basicamente em responder: • What / O que: nesse tópico, deve ser descrito o problema, o propósito do projeto e possíveis objetivos de melhoria a serem alcançados pela organização. • Who / Quem: nesse tópico, é definida a equipe de responsáveis pela resolução do problema e oportunidade de melhoria. • Where / Onde: nessa etapa, são registradas as informações sobre o ambiente do problema e seu contexto, isso significa delinear em qual setor específico da organização ou na organização como um todo. 139 • Why / Porquê: nessa etapa, é importante defi nir o motivo pelo qual o problema deve ser resolvido e como alcançar o objetivo proposto, considerando fatores como o aspecto fi nanceiro e outros. • When / Quando: nessa etapa, é defi nido o tempo no qual o problema ocorreu e também seu prazo para resolução. Pode ser defi nida uma data de entrega e um cronograma para garantir que os prazos e objetivos sejam cumpridos. • How / Como: basicamente, são defi nidos como o processo funciona, o processo pelo qual o problema está envolvido é a questão a ser respondida. • How much / Quanto: nessa etapa, as informações podem dizer respeito aos custos ou gastos do problema. Também pode ser descrito quanto investimento será necessário para resolvê-lo. Ok, agora que você já sabe o que é 5W2H, está na hora de lembrar daquela casa em que alguém acordou e a primeira autodeliberação cognitiva que teve é: “vou construir uma casa”. Está na hora de você praticar, desenvolvendo de forma imersiva as habilidades e competências que podem se apresentar nesta unidade. Se você já possui uma casa, pense em uma maior, mais bem localizada, dos seus sonhos, e coloque isso no papel preenchendo o quadro a seguir. Não tem resposta certa ou errada. Basicamente o errado é pensar em alguma entrega de um produto serviço, novo, melhorado, reformulado, sem responder a essas questões. A seguir, um quadro para ajudar nessa prática, que certamente pode auxiliar no seu trabalho e na sua vida, em como alcançar seus propósitos, que não precisam ser necessariamente ligados a ganhos fi nanceiros. Pode, inclusive, atender a anseios pessoais, ligados a cultura, emoções, experiências e satisfação pessoal. Figura 3 – Sete perguntas preliminares para chegar a um propósito Fonte: o autor 140 4 ESTUDO DE CASO Por meio da observação de uma empresa fi ctícia, já mencionada neste livro, a Medical Aspen, vamos propor algo que não seja complexo e procure trabalhar com vários itens abordados nas unidades anteriores, como orçamento de vendas, produção, despesas operacionais, marketing, investimento, caixa e a projeção demonstrativo de resultados e o fl uxo de caixa, dentre outros. Por uma questão de preservação estética do próprio material didático, diferentemente de uma planilha ou um software específi co de orçamento que pode ser visualizado em telas de computadores, procuramos trazer um conteúdo para ser observado de forma impressa. Por isso, vamos trabalhar com uma projeção de três meses. Após o conhecimento dos conceitos, características e objetivos de cada peça orçamentária, vamos elaborar cada um desses orçamentos em um único exercício prático que culminará no levantamento do Fluxo de Caixa Projetado/ Orçado e da Demonstração de Resultados Projetada. Pode-se ainda projetar outros demonstrativos contábeis e fi nanceiros, porém, vamos nos resumir a esses dois relatórios. Um ponto importante: os quadros apresentados ao longo desta unidade estão ocultando os valores em centavos, quase na sua totalidade, apresentados apenas quando necessário (quando atuamos com valores unitários que serão multiplicados muitas vezes). O objetivo é que você tenha uma visualizaçãomais “limpa” dos quadros, bem como poder focar no principal ponto: o desenvolvimento das peças orçamentárias, como estão conectadas e como podem ser apresentadas. A Medical Aspen atua com os produtos descritos na Figura 4 a seguir: Figura 4 – Família e produtos Medical Aspen Fonte: o autor 4.1 ORÇAMENTO DE VENDAS Tendo em vista a ausência de histórico da empresa, ela optou em fazer um orçamento para os próximos três meses, divididos por família de produtos, mês e região de atuação, nesse caso, região 1 e região 2, conforme pode-se observar na Figura 5 a seguir: 141 Figura 5 – Orçamento de quantidades vendidas Fonte: o autor Uma informação interessante é a quantidade de dias que os meses possuem. Eles podem infl uenciar nas receitas e gastos variáveis desse período. O próximo passo é fazer o planejamento do preço de venda de cada unidade vendida. E isso foi efetuado e pode ser visualizado na Figura 6 a seguir. 142 Figura 6 – Orçamento do preço de venda Fonte: o autor E ao multiplicarmos as quantidades pelos preços unitários, automaticamente será gerada uma informação bem importante: o montante de receitas, ou faturamento; e ainda, por família, produto e região. Essa informação pode ser observada por meio da Figura 7 e 8 a seguir: 143 Figura 7 – Orçamento de Receitas – meses 1 e 2 Fonte: o autor 144 Figura 8 – Orçamento de Receitas – mês 3 Fonte: o autor 4.2 POLÍTICAS DE RECEBIMENTO Para esse estudo de caso, as políticas de prazo de recebimento das vendas foram as descritas na Figura 9 a seguir: Figura 9 – Políticas de prazos e recebimentos de vendas Fonte: o autor Mais adiante, quando falarmos de custos e despesas, teremos também as políticas de prazo para pagamento. Isso vai ser necessário para gerar o orçamento de caixa. Como já temos os volumes vendidos, e o faturamento previsto, já podemos prever, também, o quanto vai entrar no caixa nesses três meses. Vamos fazer esse exercício já e depois somente transportar para o orçamento de caixa. Faremos isso 145 levando em consideração que não tinha faturamento anterior e nos ater aos três meses de planejamento. A Figura 10 apresenta essa projeção, ou seja, de quanto vendeu, de quanto vai receber à vista, depois em 30 dias e em 60 dias. Quando se fala à vista, como estamos atuando com períodos mensais, signifi ca dentro do próprio mês. Figura 10 - Projeção de recebimentos Fonte: o autor Veja que a Figura 10, apesar de estarmos falando de três meses, apresenta informações até o mês cinco, face aos recebimentos de 30 e 60 dias, em que o valor a receber é fi nalmente zerado, ou seja, levando em consideração que não houve ainda a projeção de faturamento a partir do mês 4. Por isso que a coluna do mês 4 na linha de “Aumento/redução com clientes a receber” passa a fi car negativa. Tendo fi nalizado a parte de projeção de vendas, em quantidade e posteriormente em valores de faturamento, por família, produto, região e prazo de recebimento, o próximo passo será de projetar os gastos. 4.3 ORÇAMENTO DE PRODUÇÃO Lembre-se de que esse orçamento tem como base o orçamento de vendas e reúne uma grande quantidade de informações e de outros orçamentos secundários, como matérias-primas, orçamento de mão de obra direta e custos indiretos de 146 fabricação e políticas dos estoques. Tem que se pensar, ainda, nas quantidades mínimas de estoques a serem mantidas, sazonalidade de algum período se houver, tempos de produção, investimentos a serem efetuados. Ou seja, para chegar ao orçamento de produção, de fato, muitas outras etapas ocorrem. Vamos, nesse estudo de caso, fazer os processos com uma lógica que facilite a sua compreensão. a) Políticas de estoques Tendo em vista uma margem de segurança com possíveis problemas aduaneiros e logísticos, foi estabelecido que seriam necessários manter os seguintes níveis de estoques para as famílias de produtos (Oximetria e Kit Estojos) que a Medical Aspen está atuando. Para isso, foi levado em consideração os materiais/componentes que podem ou não serem compartilhados em cada uma das famílias de produtos, conforme se pode observar na Figura 11 a seguir. Figura 11 – Níveis mínimos de estoques Fonte: o autor A Medical Aspen tinha prontas em seus estoques as seguintes quantidades de produtos, conforme Figura 12: Figura 12 – Estoques anteriores ao planejamento de vendas Fonte: o autor Muito bem, já sabemos a política de manutenção dos estoques. Com base na junção da quantidade a ser vendida e demais informações, podemos elaborar um mapa da quantidade de fato a ser produzida para atender às vendas e manter a margem de segurança dos estoques. E isso está demonstrado na Figura 13 a seguir: 147 Figura 13 – Quantidades a serem produzidas 148 Fonte: o autor b) Orçamento de matérias-primas A partir de agora, vamos precisar identifi car quanto vai consumir de recursos do empreendimento produzir essas quantidades em termos de matérias-primas/materiais/ componentes. E um dos orçamentos a ser elaborado é o das matérias-primas. Isso é efetuado por meio da lista de componentes (materiais) que são consumidos em cada unidade produzida. É comum que essa lista de consumo de cada unidade produzida seja chamada de fi cha técnica do produto. Como estamos atuando com seis produtos, para não termos uma quantidade mais que necessária de quadros, vamos efetuar um resumo da quantidade de componentes para cada produto fabricado, conforme Figura 14 a seguir. 149 Figura 14 – Quantidade de componentes por unidade Fonte: o autor Perceba que, até o momento, estamos atuando com quantidades. Agora, vamos precifi car esses itens, ou seja, quanto está planejado pagar para cada um desses componentes. Isso pode ser identifi cado a seguir, por meio da Figura 15: 150 Figura 15 Custo dos componentes por unidade Fonte: o autor Perceba que, neste momento, não precisamos relacionar ainda com a quantidade a ser utilizada em cada unidade. Contudo, esse é o próximo passo, ou seja, agora que temos a quantidade de componentes para cada unidade produzida e o valor unitário dos componentes, já podemos identifi car multiplicando a quantidade de componentes com seus custos e, assim, identifi car qual o custo com matérias-primas para produzir uma unidade de cada produto, conforme se observa na Figura 16 a seguir. 151 Figura 16 – Custo das matérias-primas por unidade produzida Fonte: o autor Chegamos, então, à seguinte informação: o valor projetado de custo com matérias-primas/componentes foi de R$ 21,43 para o produto Reanimador, R$ 19,88 para o Inalador, e R$ 32,51 o Nebulizador. Já para os kits, R$ 14,56 o de Sutura, R$ 12,02 o de Ginecologia e R$ 10,87 o Pediátrico. Lembrando que esse montante é o projetado para cada unidade produzida. 152 No entanto, saber o quanto vai ser o custo com as matérias-primas/componentes de cada unidade não é sufi ciente. É necessário saber o valor projetado que será gasto ao levar em consideração as quantidades produzidas em cada mês, ou seja, vamos relacionar as quantidades apresentadas nas fi guras anteriores. Ou seja, multiplicando o custo unitário com matéria-prima e a quantidade projetada, temos o resultado a seguir na Figura 17. Figura 17 – Orçamento de matérias-primas Fonte: o autor Dessa forma, sabemos quanto será gasto com matéria-prima em cada um dos produtos, meses e total do período. Isso poderia, ainda, ser mais estratifi cado, detalhando um total por região, família e vendas à vista ou a prazo. No entanto, acreditamos que essa informação já é sufi ciente para concluir o orçamento com matérias-primas/ componentes. O próximo passo é gerar o orçamento com a mão de obra direta. c) Orçamento de Mão de Obra Direta O orçamento de mão de obra leva em consideração os colaboradores que atuaram diretamente nos produtos. Lembrando que o custo com essa mão de obra vai além da remuneração mensal, leva em consideração também os encargos sociais, o 13º salário, férias e benefícios, caso o empreendimentoforneça para o quadro de colaboradores. Dentre tais elementos, a Medical Aspen emprega três cargos ou níveis de colaboradores com conhecimento e formação diferenciados que atuam na produção. São eles: técnicos A, técnicos B e técnicos C. Na Figura 18, a seguir, pode-se observar como o gasto com o pessoal que atua diretamente na produção é calculado, desde a remuneração base (salário) mais uma parte do 13º salário, férias, encargos sociais e benefícios. 153 Figura 18 – Cálculo dos Custos de Mão de Obra Direta Fonte: o autor Algumas informações muito importantes também foram geradas no Quadro 14: o custo por hora disponível, quanto é gasto mensalmente com cada cargo, o gasto mensal, considerando os três cargos (R$ 532.000,00), bem como o montante para os três meses. E a quantidade de pessoas a atuarem em cada um dos produtos faz com que possamos, inclusive, determinar qual o custo com mão de obra para cada família de produto e o próprio produto. Claro que os 20 técnicos A, os 50 técnicos B e os 60 técnicos C foram pensados na sua atuação em cada um dos produtos, como pode ser visualizado a seguir, na Figura 19. 154 Figura 19 – Distribuição de mão de obra direta por produto Fonte: o autor E como temos o custo com cada um dos técnicos (Quadro 14), os técnicos A R$ 4.750,00, técnicos B R$ 4.300,00 e técnicos C 3.700,00, basta multiplicar pela quantidade de colaboradores do Quadro 15 para saber qual será o custo com mão de obra para cada produto mensalmente. Isso vai proporcionar identifi car o custo de cada produto mais adiante. O resultado dessa multiplicação, ou seja, a quantidade de colaboradores pelo custo com cada um, pode ser observado na Figura 20 a seguir: Figura 20 – Custo com mão de obra direta por produto Fonte: o autor 155 Assim encerramos o orçamento com a mão de obra direta. O próximo passo é atuar nas demais informações/orçamentos para, enfi m, consolidar o orçamento de produção. d) Orçamento dos Custos Indiretos de Fabricação Consideremos que são pagos, no mesmo mês em que ocorrem (observando que não há desembolso de depreciação), os valores previstos descritos a seguir na Figura 21: Figura 21 - Custos indiretos de fabricação Fonte: o autor Lembrando que os custos indiretos são aqueles que são utilizados de forma compartilhada pelos departamentos/famílias de produtos e os próprios produtos. Uma observação importante: tendo em vista que não temos de que forma esses custos indiretos seriam distribuídos entre as famílias dos produtos, vamos alocar eles sem esse rateio/divisão. Defi nidas as políticas de estoques e quantidades a serem produzidas levando em consideração as quantidades mínimas a serem mantidas, a quantidade e valor da mão de obra, a quantidade de pessoas e respectivos custos e os custos indiretos de fabricação, podemos, então, consolidar os custos de produção, o qual fi zemos na Figura 22 que segue: 156 e) Consolidação do Orçamento de produção Figura 22 – Consolidação do orçamento de produção 157 Fonte: o autor Veja que ele apresenta um resumo dos quadros anteriores em relação aos custos de produção e a quantidade produzida. Isso proporciona, inclusive, o conhecimento sobre o custo direto por unidade produzida. Perceba, como comentado anteriormente, que os custos indiretos não possuem distribuição/divisão/rateio por produto, tendo em vista que atendem a todos os produtos e não sabemos quais critérios de divisão, o que não é relevante nesse momento. Contudo, esse rateio poderia ser em uma parcela igual para cada um dos seis produtos, pela quantidade, custo com mão de obra ou matéria-prima. 4.4 ORÇAMENTO DAS DESPESAS OPERACIONAIS De forma análoga ao orçamento de produção, o orçamento das despesas operacionais é composto por outros orçamentos, como de despesas administrativas, de vendas, fi nanceiras, dentre outros. Vamos apresentar alguns que a Medical Aspen projetou para esses três meses que estamos atuando nesse estudo de caso. a) Orçamento das Despesas Administrativas A seguir, na Figura 23, você verá o quadro com as despesas administrativas da empresa que estamos analisando. O desembolso ocorre conforme o mês de ocorrência. 158 Figura 23 – Orçamento de despesas administrativas Fonte: o autor Assim como existe uma parte de infraestrutura administrativa, existe um grupo de despesas que estão ligadas diretamente à força de vendas, trata-se do orçamento das despesas de vendas, o qual foi efetuado com a seguinte projeção para os três meses orçados. b) Orçamento das Despesas de Vendas Figura 24 – Orçamento de despesas de vendas Fonte: o autor 159 4.5 ORÇAMENTO DE MARKETING Não podemos nos esquecer de incluir as despesas de marketing em nossos cálculos. A seguir, na Figura 25, você verá o quadro de projeção das despesas com o orçamento de marketing de nossa empresa para o período. Figura 25 – Orçamento de marketing Fonte: o autor Cabe lembrar que, às vezes, esse orçamento é incluído no orçamento de vendas, mas no caso da Medical Aspen, ela tem esse orçamento à parte. A seguir, vamos apresentar outras peças orçamentárias também importantes. 4.6 ORÇAMENTO DE INVESTIMENTOS Observe agora na Figura 26 o orçamento de investimentos para o período, lembrando que esse orçamento leva em consideração o alinhamento com o planejamento do empreendimento, principalmente missão e visão. Figura 26 – Orçamento de Marketing 160 Fonte: o autor Perceba que se trata de um valor considerável, e geralmente, para não comprometer o fl uxo de caixa do empreendimento, a aquisição é efetuada por meio de algum tipo de fi nanciamento nas instituições fi nanceiras. Foi o que ocorreu na Medical Aspen, a empresa fez um investimento de R$ 594.000,00, parcelado em 36 parcelas mensais. Automaticamente, ele acaba gerando o valor das parcelas em que uma parte é o principal, ou seja, o valor de aquisição parcelada, e outra dos juros. Nesses casos, o valor da parcela que corresponde a R$ 17.925 é desembolsável, ou seja, pago, sai da conta do banco, mas apenas o valor dos juros R$ 1.425, que é uma despesa. O valor de R$ 16.500,00 corresponde ao valor parcelado do bem que está contabilizado no ativo imobilizado. E esse fi nanciamento acabou por gerar o orçamento das despesas fi nanceiras, ou seja, o valor dos juros: R$ 1.425. 4.7 ORÇAMENTO DE IMPOSTOS E TRIBUTOS Aqui, retratamos apenas o impacto tributário referente às vendas para simplifi car e reduzir ao máximo a quantidade de quadros que estamos utilizando neste estudo de caso, mas sem perder a essência dessa prática. Figura 27 – Orçamento de Impostos e Produtos Fonte: o autor 161 4.8 POLÍTICAS DE PAGAMENTOS Praticamente fi nalizamos a construção dos quadros das peças orçamentárias. Lembra-se de que no orçamento de vendas tinha uma política de recebimentos? Se não, volte um pouco no material para resgatar essa informação. Bom, temos também as políticas para os gastos (custos e despesas), sobre os quais efetuamos um resumo por meio da Figura 28 a seguir. Figura 28 – Políticas para os pagamentos Fonte: o autor Para facilitar, apenas as matérias-primas são pagas com algum prazo. Já os demais gastos serão pagos 100% à vista, isso signifi ca no mês de ocorrência. Assim como para o recebimento das vendas, efetuamos um resumo, por meio da Figura 29, demonstrando como fi cam os valores parcelados da matéria-prima a serem pagos. Isso vai facilitar você identifi car de onde vieram os valores do orçamento de caixa. 162 Figura 29 – Cronograma dos pagamentos das matérias-primas Fonte: o autor 4.9 FLUXO DE CAIXA PROJETADO OU ORÇAMENTO DE CAIXA Com base nas informações obtidas até então, podemos iniciar a projeção dos demonstrativos contábeis e do fl uxo de caixa orçado. Com relação ao demonstrativo contábil, vamos elaborar o Demonstrativo do Resultado do Exercício. Entenda que exercício é o termo utilizado na contabilidade para representar o período. Inicialmente, precisamos verifi car como se darão as entradas de caixa, lembrando-seda política de parcelamento para as vendas e respectivos valores. Além de sabermos o valor que ainda temos para receber, calculamos quanto temos que pagar e como. Com base nessas informações, podemos elaborar o orçamento de caixa para o período, conforme Figura 30. 163 Fonte: o autor Lembrando que as depreciações são gastos que não representam saída fi nanceira, sendo uma dedução do patrimônio pelo uso, desgaste e obsolescência dos itens do imobilizado. Assim, são excluídas das saídas de caixa. Uma observação: perceba que a Medical Aspen inicia o primeiro mês com um saldo de caixa de R$ 500 mil e termina com um saldo de R$ 365 mil. Ou seja, isso ocorre face aos recebimentos a prazo e apenas a matéria-prima ser adquirida com prazo. Os demais gastos são todos pagos dentro do mês. Figura 30 – Fluxo de caixa projetado 164 4.10 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO PROJETADO A demonstração do resultado projetado permite a análise da formação do resultado econômico da empresa, ou seja, o confronto da previsão das vendas e as respectivas deduções como os impostos, custos e despesas. É composta pelos mesmos itens que constam na demonstração tradicional, normatizada pelos organismos contábeis. Sua importância nas tomadas de decisão se deve ao seu caráter econômico e seus reflexos financeiros e patrimoniais. Cabe destacar que esta demonstração não se atém ao fato de ter recebido as receitas ou pago os seus custos/despesas/impostos, mas, sim, ao fato gerador que motivou os direitos e obrigações assumidas nesses compromissos. Entradas e saídas de dinheiro estão registradas no Fluxo de Caixa. Os principais objetivos da demonstração de resultados, enumerados por Santos et al. (2008), são avaliar a situação econômica da empresa, considerando as principais variações entre o previsto e realizado no orçamento da empresa. Podem ser utilizadas ferramentas de planejamento financeiro e também ferramentas de controle, que permitem verificar a margem bruta da empresa e seus resultados. A principal característica da demonstração de resultados do exercício projetado é a permissão da comparação dos resultados projetados e realizados, o que é um instrumento de controle para a gestão, o que colabora na verificação da eficiência e eficácia das operações da empresa. A seguir, apresentamos a Demonstração de Resultados projetada referente ao estudo de caso. 165 Figura 31 – Demonstrativo do resultado projetado 166 Fonte: o autor Perceba que, nesse demonstrativo, a data/período de entrada e saída de dinheiro no caixa não são levados em consideração. São considerados os fatos geradores, geralmente compostos com documentos fi scais, contratos etc. Um exemplo: quando você vai a uma loja comprar uma calça ou peça de roupa qualquer, ao fazê-lo e pagar parcelado, perceba: o valor da nota fi scal é do total da peça de roupa, mesmo que você faça a compra com várias parcelas no cartão de crédito. Essa é a lógica, uma coisa é você ter levado a mercadoria e ela sair do estoque, outra coisa é que você vai pagar parcelado. Se as pessoas ou empreendimentos não concedessem crédito para outras pessoas e empreendimentos, o Fluxo de Caixa seria igual ao Demonstrativo do Resultado do Exercício. Não teríamos dois relatórios. 167 Ufa! Quantos números e quantos quadros! Você achou cansativo? Pois é, lembre-se que o orçamento empresarial é o planejamento expresso em números. É a materialização do planejamento. Por isso, difi cilmente você verá uma literatura que trata exclusivamente de orçamento empresarial sem ter uma parte da obra que desenvolva temas relacionados a planejamento e planejamento estratégico. Não tem outro caminho. Aqui entram os profi ssionais contadores, administradores, economistas, engenheiros, fi nanceiros, dentre outros, que se propõem a montar o orçamento propriamente dito. Entretanto, quadros isolados não levam para muito longe. E apesar da apresentação prática dessa unidade, pode-se perceber que nem todas as informações são meramente fi nanceiras. Temos percentuais de variação das políticas de recebimento e pagamentos, correspondendo aos prazos e percentuais predominantemente utilizados nas suas vendas a prazo e os gastos relacionados, quantidades físicas, horas. Existem informações que são transportadas para outras peças orçamentárias onde são consolidadas em demonstrativos contábeis gerados, fl uxo de caixa e demonstrativo de resultados. Ou seja, a possibilidade de consolidação das demonstrações contábeis projetadas surge como um produto do Orçamento Empresarial. Costumamos dizer que o orçamento é a Contabilidade Projetada. É contabilidade ao inverso. Ao invés de iniciar o processo pela montagem da estrutura, elaboração do produto e sua venda, o orçamento apresenta o que precisa ser elaborado e qual a estrutura necessária. Qualquer material de orçamento empresarial passa pela simulação prática de um orçamento e não pode fugir a essa convenção. Portanto, o entendimento da montagem das fases orçamentárias é de fundamental importância para a compreensão e gestão orçamentária. Um “player de mercado” é como os executivos chamam o empreendimento de grande porte, de forma a serem capazes de mudar perspectivas e aspectos do próprio ramo em que atuam, tanto em pequena quanto em grande escala territorial. Ou seja, causam grandes impactos em outros empreendimentos direta e indiretamente relacionados e em atividades que resolvam investir. O fl uxo de caixa, apesar de não representar de fato o quanto o empreendimento está gerando de riquezas, é muito importante. Principalmente em relação à sua capacidade para não gerar atrasos no pagamento. Isso pode ser muito prejudicial ao empreendimento, gerando multas, condições menos favoráveis com fornecedores e colaboradores. NOTA INTERESSANTE 168 PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO E ORÇAMENTO EMPRESARIAL: COMO FAZER? Elizeu Salmuleski O planejamento estratégico é uma importante ferramenta de gestão empresarial, onde praticamente todas as empresas de médio e grande porte que são bem-sucedidas utilizam a prática. Para fazer um bom planejamento estratégico é fundamental que o orçamento empresarial demonstre todas as ações do planejamento estratégico, dessa forma podemos dizer que o orçamento empresarial é a tradução do planejamento estratégico em números. Como fazer o planejamento estratégico alinhado com o orçamento empresarial? Todos os objetivos estratégicos e os planos de ações aprovados no planejamento estratégico devem estar de acordo com o planejamento orçamentário projetado para o período, vamos a um exemplo. O principal objetivo estratégico é crescer 30% no próximo ano com um lucro líquido de 10% do faturamento. Se após a empresa realizar o orçamento projetado o lucro líquido ficou em 5% do faturamento, a empresa deve revisar as ações que foram projetadas e os valores orçados para buscar a convergência dos objetivos estratégicos com o plano orçamentário. No exemplo acima, a empresa poderia dar uma orientação aos gestores envolvidos no planejamento estratégico e orçamentário para reduzir custos e despesas até o resultado projetado ficar dentro do objetivo estratégico. Caso esse exercício já tenha sido realizado e a empresa não tem mais custos e despesas para reduzir sem comprometer o faturamento, pode-se reduzir o objetivo do lucro líquido para 5%. Esse exercício de alinhar o planejamento estratégico com o orçamento empresarial deve ser realizado várias vezes até que os dois instrumentos de gestão estejam totalmente alinhados. Um erro comum que acontece em várias empresas é simplesmente ajustar os valores do orçamento empresarial para ficarem de acordo com os objetivos estratégicos, sem fazer uma análise profunda das receitas, custos e despesas, isso é “empurrar o problema para debaixo do tapete”, porque no decorrer do exercício que está sendo orçado as metas não serão alcançadas, gerando um resultado insatisfatório. A dica é analisar profundamente o orçamento empresarial até que a empresatenha segurança que as projeções são plausíveis e realmente refletem as ações do planejamento estratégico, para isso existem vários tipos de orçamentos empresariais LEITURA COMPLEMENTAR 169 que podem ser utilizados, como o orçamento incremental, o orçamento base zero, o orçamento matricial, o orçamento estático (budget), o orçamento ajustado (forecast) e o orçamento flexível, sendo que cada empresa deve utilizar o(s) tipo(s) que melhor atendam às suas necessidades. Quais são os principais relatórios que devem ser projetados? No planejamento orçamentário os principais relatórios que devem ser projetados são o balanço patrimonial, a demonstração do resultado do exercício – DRE e a demonstração dos fluxos de Caixa – DFC. Mas além desses relatórios podem ser projetados vários outros, como a projeção analítica de faturamento, dos custos e despesas fixas, dos custos variáveis, a demonstração das mutações do patrimônio líquido – DMPL, a demonstração do valor adicionado – DVA, dentre outros. Não existe um padrão único de quais relatórios devem ser projetados, cada empresa deve decidir quais vai utilizar para atender às suas necessidades da melhor forma possível, isso acontece porque cada empresa é única, com a sua cultura de gestão, seu modelo de negócio, segmento, etc. Como controlar o orçamento empresarial? Um bom planejamento estratégico deve conter os objetivos estratégicos, os objetivos táticos e os objetivos operacionais, todos contemplados nos planos de ações, além do orçamento empresarial demonstrar em números exatamente o que foi planejado. Com essas informações a empresa tem todas as metas orçamentárias para acompanhar o orçamento empresarial, sendo que as principais são o faturamento, a venda, os custos, despesas, os investimentos, a margem de contribuição e o lucro, além das metas não orçamentárias. Os principais comparativos das metas são realizados com os valores orçados X valores realizados X valores históricos, com essas informações a empresa consegue analisar como está se comportando o planejado e a evolução histórica. Normalmente o acompanhamento das metas é realizado mensalmente, sendo que as distorções devem ser tratadas o mais rápido possível para que os objetivos planejados sejam alcançados, mas dependendo do segmento que a empresa atua as revisões podem ser realizadas a cada quinzena, bimestre, trimestre, semestre, ou conforme a necessidade. Conclusão Se a sua empresa não utiliza o planejamento estratégico e orçamentário ou está utilizando sem um alinhamento entre as duas ferramentas, tem uma excelente oportunidade de melhorar a gestão empresarial, aproveitando melhor as oportunidades de mercado e alavancando os resultados. Uma metodologia de gestão orçamentária que vem sendo utilizada com destaque para fazer esse alinhamento entre o planejamento 170 estratégico e o orçamento empresarial é o orçamento base zero combinado com o orçamento matricial, porque faz uma projeção detalhada das receitas, custos e despesas, conseguindo refletir exatamente os planos de ações. Caso a sua empresa não consiga fazer esse alinhamento, uma consultoria especializada pode ajudar nesse processo. Fonte: https://xrorcamentos.com.br/artigo/68/planejamento=-estrategico-orcamento-empresarial#:~:text- Como%20controlar%20o%20or%C3%A7amento%20empresarial,exatamente%20o%20que%20foi%20 planejado. Acesso em: 14 fev. 2023. 171 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tema de aprendizagem, você aprendeu: • Que quando falamos de orçamento, é imprescindível abordarmos antes o planejamento. Isso significa que não é possível realizar o orçamento sem atrelá-lo a missão e visão organizacional e ao próprio planejamento em si, ou seja, podemos considerar o orçamento um produto de três matérias-primas: missão, visão e planejamento. • A importância de utilizar ferramentas que facilitem a implementação do orçamento. Além disso, conferiu que algumas metodologias como a gestão de projetos e também o uso de softwares adequados podem contribuir para a otimizar o processo de implementação do planejamento estratégico. • Por fim, compreendeu a aplicação do conteúdo aprendido sobre orçamento empresarial a partir de um estudo de caso de uma empresa da área da saúde. A partir desse estudo de caso, é possível visualizar como ocorre a elaboração, estruturação e implementação do orçamento de forma prática, trazendo luz ao conhecimento adquirido até aqui. 172 AUTOATIVIDADE 1 O orçamento de produção tem como base o orçamento de vendas e reúne uma grande quantidade de informações. Nesse orçamento, é necessário pensar nas quantidades de estoques a serem mantidas, sazonalidade de algum período se houver, tempos de produção, investimentos a serem efetuados, de acordo com os orçamentos secundários. Sobre os orçamentos secundários que compõem o orçamento de produção, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Orçamento de matérias-primas, orçamento de mão de obra direta, orçamento de custos indiretos de fabricação e políticas de estoques. b) ( ) Orçamento de estoques, orçamento de vendas diretas, orçamento de custos com transportes e diretrizes de relacionamento com fornecedores. c) ( ) Orçamento de operações de vendas, orçamento de operações logísticas, normas de produção e orçamento de operações financeiras. d) ( ) Orçamento de produção, orçamento de fabricação, políticas comerciais e orçamento de transportes. 2 Elaborar e colocar o orçamento em prática é um desafio para as empresas, tendo em vista a necessidade de considerar todos os níveis organizacionais, definir objetivos e metas que possam ser alcançados pela organização e sistematizar todas as atividades que permitirão colocá-lo em prática. Por isso, em muitos casos é interessante que a empresa busque formas de facilitar a elaboração e implementação, utilizando metodologias e ferramentas que deem suporte em todo o processo. Com base nessas informações, analise as sentenças a seguir: I- Os softwares podem ser utilizados como forma de inserir e organizar a informação que compõem o projeto de elaboração e implementação do orçamento empresarial. II- As ferramentas podem ser aliadas no processo de planejamento, pois permitem operacionalizar de forma sistematizada as ações necessárias para alcançar os objetivos planejados. III- As formas mais eficazes de colocar o planejamento em prática são recrutar pessoas que entendam sobre as estratégias da empresa e operacionalizar o planejamento tático. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 173 3 De forma análoga ao orçamento de produção, o orçamento das despesas operacionais é composto por outros orçamentos, como de despesas administrativas, de vendas, financeiras, entre outros. De acordo com a estrutura básica do orçamento de despesas operacionais e suas especificidades, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) O orçamento de despesas administrativas considera elementos como suprimentos, salários de diretores, benefícios e remuneração com a equipe em sua composição. ( ) Um dos componentes do orçamento de despesas administrativas é o orçamento de produção, que considerará as necessidades de fabricação da empresa. ( ) O orçamento de despesas de vendas, assim como os demais orçamentos de despesas operacionais pode ser de curto, médio ou longo prazo. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – V – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 O processo de planejamento está na base das atividades de todas as organizações. Necessitamos dele para projetar os objetivos e ações que devem ser alcançadas pelas organizações em determinado período. O orçamento faz parte desse processo, pois permite que a organização compreenda quanto seránecessário para operar as atividades planejadas. Disserte de forma mais aprofundada sobre as relações entre planejamento e orçamento. 5 Para colocar em prática o planejamento, é possível que os gestores utilizem uma série de ferramentas que apoiem a implementação e acompanhamento do orçamento. Uma das mais comumente utilizadas é a 5W2H. Disserte sobre o funcionamento da ferramenta no processo de planejamento. 174 REFERÊNCIAS CHIAVENATO, I. Administração: teoria, processo e prática. 5. ed. Barueri: Manole, 2015. DRUCKER, P. F. Prática de administração de empresas. 4. ed. [S. l.]: Fundo de Cul- tura, 1970. Disponível em: https://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=- cat07568a&AN=s-bu.2321&lang=pt-br&site=eds-live. Acesso em: 19 jan. 2022. FREZATTI, F. Orçamento Empresarial - Planejamento e Controle Gerencial. 6. ed. Barueri: Grupo GEN, 2015. HITT, M. A.; IRELAND, R. D.; HOSKISSON, R. E. Administração Estratégica. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008. MARKGRAF, B. Short-Term, Medium-Term & Long-Term Planning in Business. Chron, 2019. Disponível em https://smallbusiness.chron.com/shortterm-mediumterm- -longterm-planning-business-60193.html. Acesso em: 17 jan. 2022. NOURI, C. Organizational Planning Guide: Types of Plans, Steps, and Examples. 2020. 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