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Cozinha Japonesa, Chinesa, Indiana, Árabe, Grega e das Américas INTRODUÇÃO ...........................................................................................................4 COZINHA ÁRABE ....................................................................................................5 Princípios da cozinha árabe .................................................................................... 5 COZINHA SÍRIO-LIBANESA ..................................................................................8 Principais aspectos culturais da cozinha árabe .................................................... 13 Ingrediente, técnicas e tendências da cozinha árabe ........................................... 17 Marrocos .................................................................................................................. 17 COZINHA GREGA ....................................................................................................20 COZINHA AMERICANA ..........................................................................................22 New England (Nova Inglaterra) ............................................................................... 22 Vale do Delaware e Middle-Atlantic ..........................................................................23 Midwest (o Centro-Oeste) ....................................................................................... 23 South (o Sul) ............................................................................................................. 23 West (Oeste) ............................................................................................................. 24 Os vinhos americanos ............................................................................................. 24 Fast Food ....................................................................................................................25 COZINHA CANADENSE .........................................................................................25 A dieta canadense ................................................................................................... 27 AMÉRICA CENTRAL ................................................................................................28 Tanto em terra quanto no mar ................................................................................ 28 Da Terra .................................................................................................................... 28 Uma pitada de sabor ............................................................................................... 29 Aromas e sabores .................................................................................................... 29 Vida cotidiana .......................................................................................................... 30 México ...................................................................................................................... 30 O mundo Yucatán dos Maias .................................................................................. 34 Costa do Pacífico ..................................................................................................... 34 COZINHA CHINESA ................................................................................................34 As tradições culinárias clássicas da cozinha chinesa .......................................... 35 A cozinha do norte ................................................................................................... 35 A cozinha do leste ................................................................................................... 36 A cozinha do sul ....................................................................................................... 36 A cozinha do oeste .................................................................................................. 36 Além das armadilhas para turistas ......................................................................... 36 A importância do chá .............................................................................................. 37 COZINHA INDIANA .................................................................................................37 A riqueza de ingredientes ........................................................................................ 37 Etiqueta social.......................................................................................................... 38 Alimentos para celebração ..................................................................................... 39 COZINHA JAPONESA .............................................................................................39 Ano Novo .................................................................................................................. 40 No dia a dia .............................................................................................................. 41 O Sushi ..................................................................................................................... 41 COZINHA DA AMÉRICA DO SUL ........................................................................42 CONSIDERAÇÕES FINAIS .....................................................................................44 REFERÊNCIAS ..........................................................................................................45 4 Introdução Nesta unidade apresentaremos conceitos importantes sobre Cozinha Internacional. Nosso objetivo é, ao final, sabermos caracterizar bem os pratos das cozinhas: japo- nesa, chinesa, indiana, árabe, grega e das Américas, além de termos propriedade para responder quando um cliente perguntar algo sobre. Para chegarmos lá, precisamos conhecer mais sobre cada uma destas culturas gastronômicas. A Cozinha Japonesa é, sem sombra de dúvidas, muito especial: não só por ser deli- ciosa, mas também porque é elaborada com pouquíssima gordura, de fácil preparo, com uma apresentação caprichada e, o mais importante, é muito saudável, já que são utilizados produtos da estação e sempre frescos. Com sua alimentação de boa quali- dade, os japoneses esbanjam longevidade. Seus métodos de cocção utilizam pouca gordura. Além disso, os pratos não incluem molhos pesados ou indigestos, apenas temperos sutis para ressaltar o sabor natural dos ingredientes. O destaque está na frescura e qualidade dos alimentos crus, desde sua escolha até a chegada à mesa. Os principais ingredientes dessa cozinha são o arroz, o peixe fresco e os derivados da soja, além de uma ampla variedade de legumes e verduras. A diversidade da Cozinha Chinesa muitas vezes confunde os viajantes, acostumados com os cardápios quase uniformes dos restaurantes chineses ocidentais. Quando o visitante está por suas fronteiras, encontra tantas surpresas culinárias que o efeito não poderia ser mais avassalador. Isso se deve a razões puramente geográficas, pois a China cobre uma área de mais de 9,5 milhões de Km², espalhada por quatro zonas climáticas distintas, desde as fronteiras frias da Sibéria até a ilha tropical de Hainan; das altas montanhas do Himalaya até o deserto de Gobi, portanto não surpreende que as tradições culinárias locais sejam muito diferentes umas das outras. Na índia, a refeição é sempre uma ocasião especial, o alimento não é tratado apenas como alimento do corpo, a crença local diz que o alimento ingerido e o Universo devem estar em sintonia, por isso comer em conjunto representa harmonia, amor e unidade, num sentido mais amplo. A Cozinha Indiana é caracterizada, então, por uma gama de cores, aromas e sabores, cada região tem seu próprio dialeto, costumes, gostos e maneiras de preparo dos alimentos. Toda refeição árabe começa com o mazza, e são servidos diversos pratos como pas- tas, frutas frescas e secas, conservas, saladas, guisados, grelhados e sobremesas. Resumindo, a Cozinha Árabe é considerada uma ocasião especial,culinárias e costumes ancestrais da comunidade”. Em 2010 a culinária tradicional mexicana foi oficialmente inscrita na lista representativa do patrimônio cultural ima- terial da humanidade. Mas o que exatamente é a cozinha tradicional mexicana? Em primeiro lugar, a cozinha tradicional mexicana se aplica apenas a pratos mexicanos autênticos; mesmo perto da fronteira, em San Diego, a maioria da comida mexicana servida nos Estados Unidos está longe de ser autêntica ou tradicional. Burritos, chilli com carne, chimichangas, tacos de casca dura ou enchiladas (como conhecidos nos Estados Unidos), nachos, todos são exemplos da culinária Tex-Mex; até as fajitas são uma invenção Tex-Mex (oferecida aos turistas no México, pois muitos americanos associam as fajitas à autêntica comida Mexicana). O Tex-Mex é uma culinária muito pouco relacionada à culinária mexicana, inventada pelos primeiros colonos do Texas. O Tex-Mex foi inspirado e adaptado pela culinária mexicana, no entanto, os ingredientes e práticas culinárias associadas à culinária tradicional mexicana não fazem parte desse tipo de comida “mexicana”, com sede nos Estados Unidos. Alguns aspectos são importantes para distinguir-se a comida original mexicana da Tex-Mex: https://www.mexicolore.co.uk/aztecs/aztefacts/aztec-floating-gardens 32 Ingredientes frescos e saudáveis, como tomates e pimentões, e não potes de salsa comprada em lojas, por exemplo. Especiarias tradicionais (como coentro e epazote) em vez de cominho ou orégano seco. Tortilhas à base de milho, não tortilhas de trigo. Tacos macios, não cascas de taco crocantes. Queijo branco (como cotija ou queijo fresco) em vez de queijo amarelo (cheddar). Grãos de milho cozidos e espigas de milho completas, em vez de salsas e pratos com milho doce como ingrediente. Frijoles preparados a partir do zero, não feijão frito americanizado. Tabela 2: Aspectos importantes da culinária mexicana tradicional para melhor distinguir os pratos mexicanos autênticos dos Tex-Mex. Fonte: Adaptado Maitre (2005). Desde a descoberta pelos espanhóis, muitas culturas culinárias se desenvolveram pela região; no México a culinária atual ainda se baseia firmemente nos fundamentos dos antigos habitantes – maias e astecas – mostrando, mesmo assim, as influências da culinária dos colonizadores espanhóis, que trouxeram seus próprios ingredientes, métodos e técnicas de cocção. Com a chegada dos europeus, a culinária nativa en- riqueceu, frutas, legumes, grãos, carnes e especiarias do Velho-Mundo juntaram-se ao milho e aos caldos de raízes da culinária nativa. SAIBA MAIS Leia o texto: A dispersão dos pimentos americanos e a disseminação de seu uso a partir da expansão marítima europeia. Disponível em: http://www.cih.uem.br/anais/2011/trabalhos/230.pdf Apesar de dominarem a agricultura, com o uso de técnicas avançadas (para a época), eles haviam domesticado apenas uns poucos animais; quando os espanhóis chegaram com cavalo, porco, gado e frango, foram muito bem-vindos. Os nativos adotaram uma série de novos sabores em sua dieta. Os espanhóis, em retorno, descobriram que o tesouro das Américas não era o ouro, e sim a comida. Rapidamente o Velho-Mundo aceitou o milho, a batata, os tomates, os chillis, o chocolate, o tabaco, o abacate, o amendoim, os feijões, a abóbora, a baunilha, o abacaxi e o mamão. Durante um curto espaço de tempo, o México foi influenciado com a sofisticada culinária trazida da França e da Áustria durante a experiência de ser um estado governado por Maximiliano de Habsburgo e Carlota Leopoldina, de 1864 até 1867. Quais são os componentes essenciais que dão à culinária mexicana seu reconhecido caráter? Chillis secos e frescos, doces ou picantes, são encontrados em vários pratos mexicanos. Apesar de muitos países latinos não utilizarem os chillis, os mexicanos desenvolveram praticamente todos os métodos imagináveis de incorporá-los à sua dieta. Canela, cravo, pimenta da Jamaica, cominho e pimenta-do-reino preta também me- recem destaque, ervas como coentro, epazote (no Brasil conhecida como mastruz), orégano e manjerona dão uma especial combinação de sabores, suco fresco de limão http://www.cih.uem.br/anais/2011/trabalhos/230.pdf 33 acentua as notas altas, enquanto as ervas, especiarias e chilli movem-se em uma escala total de sabores. O ritmo da culinária é provido pelo sabor de alhos e cebolas assadas, que passam por muitos pratos. Estas misturas de alimentos nutricionalmente essenciais transcende a fronteira da subsistência e entra no campo das prazerosas experiências de todos os dias. Para compreender melhor a diversidade da cultura gastronômica do México, podemos dividir o país em algumas regiões: Istmo de Tehuantepec O Istmo de Tehuantepec é a parte mais fina do México Continental, situada entre o Oceano Pacífico e o Golfo do México. Antes da abertura do Canal do Panamá, era a rota mais importante para mercadorias que viajavam lentamente através das terras relativamente planas entre as duas massas de água. Parte em Oaxaca, em Chiapas, em Tabasco e em Veracruz, o território tem suas próprias lendas, sua própria história e sua própria culinária. A culinária da região é baseada em alimentos e ingredientes tradicionais. Os pratos podem variar de simples a elaborados; a maioria dos pratos inclui milho e moles (mo- lho típico da região, feito à base de frutas, chilli e especiarias). Itens comuns incluem tamales feitos com iguana, frango, carne bovina ou tatu; guetabingui (bolinhos fritos de arroz e camarão); Garnachas, cobertas com queijo seco Oaxaca, e pozol, uma sopa à base de milho. As enormes pilhas de camarão, remetem à abundância das águas costeiras. Este camarão é cozido na água do mar depois de ser capturado e deixado para secar, eles são a base para uma variedade de itens alimentares vendidos nos mercados, tais como caldos – sopas – e Gueta Bingui – croquetes de camarão. Duas vertentes distintas surgiram na região, uma em Veracruz, onde a cozinha de- senvolveu-se naturalmente a partir da abundância de carne bovina e frutos do mar (com pratos típico das regiões caribenhas), outra nas terras altas de Oaxaca, o centro sulista da tradição indígena, onde encontramos suas raízes baseadas na rica cultura dos antigos habitantes locais – os zapotecas. Na falta de carnes e outras fontes co- muns de proteína, os nativos desta região utilizaram o que tinham à disposição, onde insetos e larvas ainda têm a sua importância na dieta de pessoas de todas as classes. Dentre as iguarias mais importantes, podemos salientar os escamoles, que são larvas da formiga; esse ingrediente é considerado uma iguaria, é sazonal (melhor época para coleta é de março a abril) e seu sabor lembra avelãs e manteiga. Os chapulines são grilos fritos crocantes servidos com sal, limão e chilli, geralmente são capturados nas plantações de milho e figuram uma boa fonte de nutrientes. Huitlacoche é o nome dado a um fungo que ataca o milho na região. Por fim, sobra o conhecido “verme da tequila” ou “verme do mescal”, que é a larva de uma mariposa que deposita seus ovos nos agaves, essas larvas (gusano de maguey) são geralmente fritas ou tostadas e depois comidas como aperitivo ou inseridas nas bebidas para lhes conferir sabor (ZURITA, 2013). 34 Fronteira O norte do México se assemelha muito ao Texas estadunidense. Vastas áreas aber- tas, mais secas, gado em criação extensiva, cozinha com influência dos vizinhos. Mexicanos vestidos como caubóis cavalgam na região localizada entre a Sierra Madre Oriental e Ocidental (TAUSEND; PALAZUELOS, 1993). Os laticínios produzidos em Chihuahua, Sonora e Durango abastecem todo o país. O queijo mexicano mais conhecido por sua qualidade é o chihuahua, muito usado nas populares quesadillas e nos chillis poblano rejenos. Tenochtitlan e as Terras Altas do México. Tenochtitlán era a antiga capital do Império Asteca, iniciou sua história em 1325; após 200 anos, Tenochtitlán havia se desenvolvido como a cidade maisavançada do mundo em agricultura. Cinco vezes maior que Londres, a futura Cidade do México foi cons- truída sobre um lago, com um complexo sistema de irrigação pronto para sustentar as culturas de milho, do chilli e outros legumes durante o ano todo. Desde o tempo dos Astecas a cidade era um lugar aonde todas as estradas levavam, trazendo bens e vários tipos de produtos de outras partes da região. A principal atração da cidade são os grandes mercados onde a comida de várias tribos e raças se juntaram. Apesar de não haver uma cozinha específica e unificada por todo o México, duas ten- dências saltam aos olhos: a enorme herança secular da velha cozinha dos ameríndios e os excitantes pratos criados pelos chefs, usando os ingredientes tradicionais de uma nova maneira. Puebla, considerado o berço da culinária mexicana, foi fundado pelos espanhóis no século 16. Era uma importante parada para os exércitos e viajan- tes entre Veracruz e a Cidade do México. Os pratos de Puebla sintetizam a fusão das culinárias indígenas e espanhola, e servem como núcleo da culinária mexicana hoje. O mundo Yucatán dos Maias Perfumada e picante, a cozinha yucateca pode deliciar o paladar com sabores exclusi- vos da região. A culinária regional distinta do estado de Yucatán incorpora muitos dos ingredientes tradicionalmente usados na culinária maia, incluindo milho, chocolate, peru selvagem, abóbora, pimentão e tomate, com ingredientes europeus como carne de porco, laranjas, queijo espanhol e Edam, dos holandeses. A culinária yucateca difere da culinária tradicional mexicana, em parte devido ao isolamento geográfico da região de Yucatán de outras partes do México e suas influências europeias, caribenhas, do Oriente Médio e indígenas. Muitos dos pratos deliciosos que você encontrará nos menus dos restaurantes da Península de Yucatán não são tradicionalmente prepara- dos em outras partes do país. Dois temperos frequentemente usados na culinária maia incluem o achiote (molho feito de sementes de urucum moído) e pipian (molho feito de sementes de abóbora moída). Pratos regionais como cochinita pibil (leitão assado) e pollo pibil (frango) são 35 preparados pela marinada de carnes em molho de achiote, e papadzules (tacos cheios de ovos cozidos) são servidos com molho de pimenta. Outros pratos tradicionais yucatecas que você encontrará incluem: sopa de lima (sopa de frango e tortilla com limão), poc chuc (carne de porco marinada em suco de laranja azedo), pollic ticuleño (frango assado em folhas de bananeira), pavo en relleno negro (peru em pasta preta do chile), pavo en escabeche (peru frito com cravo e pimenta-do-reino), trancas de porco (sanduíches de carne de porco desfiada) e panuchos e salbutes (tortillas fritas com cochinita). Carnes de veado, tatu e jacaré também são encontradas na região. Costa do Pacífico Esta é uma região conhecida pela fartura de frutos do mar. Os pratos regionais mais tradicionais são encontrados longe dos pontos mais turísticos, nas pequenas vilas de pescadores entre a costa e a cordilheira Sierra Madre Ocidental. Extensas plantações de cana-de-açúcar, tomate, arroz, pimentas e outros vegetais constituem a paisagem local. Nesta região já começamos a ver mais as tortilhas de trigo, e não tanto a de milho. Além dos frutos do mar, o porco é a principal proteína, recheando tortilhas e outras produções. O tepache é uma bebida fermentada típica, feita de abacaxi. Inclusive, a origem botânica do abacaxi é justamente a América Central (TAUSEND; PALAZUELOS, 1993). Cozinha Chinesa A culinária chinesa é uma das culinárias mais antigas e diversas do mundo. Dois mil anos antes do início de nossa era, as pessoas ali comiam macarrão. Ainda hoje, cada província – há 23 no total – tem seu próprio estilo de culinária, baseado em ingre- dientes e preferências regionais. Eles variam de verduras colhidas nas montanhas e frutos do mar frescos e salgados na costa nordeste até os leves e doces detalhes da culinária cantonesa. Na China Central, onde as malaguetas são exuberantes, as pessoas adoram comida picante, enquanto em Pequim o cordeiro é o favorito. Há um ditado chinês, muito antigo, que diz “comida é o paraíso para o povo” (autor desconhecido). Com mais de 5000 pratos nomeados, a culinária chinesa é tão variada quanto os diferentes povos e áreas geográficas do país. Tradicionalmente, a culinária chinesa deve ser apreciada por: aparência e aroma, sabor e textura, equilíbrio e har- monia dos elementos yin e yang, e suas propriedades nutritivas. Na culinária chinesa, o arroz é o símbolo da própria vida. É adicionado a muitos pratos e preparado de várias maneiras, seja cozido, cozido no vapor, assado ou frito. O arroz está entre uma das sete necessidades básicas da vida antiga. Os outros são: chá, combustível, óleo, sal, molho de soja e vinagre. Nos climas áridos do norte da China, o trigo é mais prevalente como alimento básico do que o arroz. A base de sabor de muitos pratos chineses consiste em alho, gengibre, pó de cinco especiarias (anis estrelado, canela, cravo, pimenta de Sichuan e semente de erva- -doce) e óleo de gergelim torrado, feito a partir de sementes de gergelim branco. Os 36 produtos fermentados, como molho de soja, vinagre de arroz, vinho de arroz Shaoxing e pasta de feijão fermentada, têm sabor e aroma fortes e são geralmente usados em pequenas quantidades ou processados em um mergulho, com o objetivo de adicionar uma dose salgada de umami. O consumo de carne tem sido um símbolo de riqueza e status ao longo da história chinesa. A maioria das pessoas não podia comprar carne, tornando o tofu uma im- portante fonte de proteína. Hoje, o crescimento da classe média da China significa que mais carne é consumida diariamente. A carne de porco é a carne mais popular na culinária chinesa, exceto entre a comunidade muçulmana, onde carne de carneiro e carne bovina são consumidas. Doces e sobremesas chinesas podem demorar um pouco para se misturar com aqueles de outras áreas do mundo devido aos seus gostos e texturas às vezes inesperados. Alguns ingredientes comuns incluem feijão mungo, feijão vermelho, arroz glutinoso, sementes de lótus e diferentes tipos de nozes. As tradições culinárias clássicas da cozinha chinesa Classicamente, a culinária chinesa é dividida em oito estilos distintos. Estes podem ser divididos em áreas geográficas ainda menores ou combinados em tradições culi- nárias mais amplas, dependendo de quão específico se deseja ser. Examinaremos quatro escolas de culinária com o nome das quatro direções principais. A cozinha do norte Segundo Liu (2009), a Escola do Norte é fortemente influenciada pelos mongóis nô- mades e pelo clima árido desta parte da China. Assim, os alimentos básicos desse tipo de culinária chinesa são trigo e milho, carne grelhada, leite e alho. Dois pratos principais são o Hot Pot da Mongólia, com carne de carneiro como ingrediente prin- cipal, e a carne de porco Mu Shu, feita de carne de porco, alho-poró, cebola e alho envoltos em panquecas no vapor. A cozinha do leste A Escola Oriental da culinária chinesa é caracterizada pelo uso predominante de peixe e arroz. Fritar e cozinhar são os dois métodos mais comuns de cozinhar. O molho de soja é frequentemente usado na culinária aqui. O termo “cozinhar vermelho” deriva desta escola de culinária (LIU, 2009). O nome vem da carne que é lentamente cozida em molho de soja escuro, o que confere à carne um tom avermelhado. O Congee, um mingau de arroz parecido com mingau de aveia, que agora é consumido no café da manhã em toda a China, teve origem em Fukien, no sudeste da China. A cozinha do sul Embora o resto da China possa achar a Escola de Culinária do Sul sem sabor, eles não podem negar que ela também se destaca por seu uso abundante de ingredientes frescos. Isso é especialmente importante na culinária cantonesa (TAN, 2003). Como o 37 clima quente e úmido do sul resulta em colheitas abundantes, uma grande variedade de ingredientes frescosestá disponível durante todo o ano. Arroz e frutos do mar são ingredientes comuns para essa variedade de culinária chinesa. A cozinha do oeste A Escola Ocidental de cozinha chinesa reflete as diversas minorias étnicas e culturais do país. A estes pratos definitivamente não faltam sabor. Às vezes, muitos tipos de gostos são combinados de uma só vez – doce, azedo, amargo e picante. Em Szechuan, a culinária foi influenciada ao longo dos séculos por caravanas que viajavam ao longo da Rota da Seda. Segundo Liu (2009), mais notavelmente, os espanhóis introduziram pimentas quentes na região. A culinária das culturas minoritárias é diferenciada pelo uso de ingredientes únicos, como carne de iaque e outros produtos de iaque na tra- dição culinária tibetana. Além das armadilhas para turistas Na primeira vez em que se come a culinária chinesa, em um restaurante real na China, pode-se surpreender ao descobrir que a comida tem um sabor bem diferente do que se aprendeu a esperar dos restaurantes chineses em outros países. O estilo da culinária chinesa mais prevalente nos países ocidentais deriva da tradição cantonesa. Assim que se afastar dos restaurantes turísticos, com sua seleção de culinária voltada para paladares estrangeiros, será apresentado a uma variedade mais ampla de culinária chinesa. Os restaurantes geralmente têm vários andares; o primeiro andar servirá comida mais barata, no estilo de cafeteria; no segundo andar, pode-se desfrutar de uma refeição com vários pratos; o piso superior é normalmente reservado para grupos e festas particulares. A atmosfera nos restaurantes chineses é geralmente muito animada e barulhenta. Comer nas inúmeras barracas de rua e mercados noturnos pode oferecer deliciosas especialidades locais, no entanto, deve-se ter cuidado com a higiene para evitar ficar doente, uma boa regra é comprar apenas comida das barracas mais movimentadas. A importância do chá A tradição de beber chá na China remonta a 2737 a.C., durante o governo do impera- dor Shennong. Para fins de higiene, esse imperador decretou que toda a água fosse fervida antes de beber. Segundo a lenda, um dia algumas folhas sopraram no chá do imperador, após provar, o imperador gostou tanto do sabor que começou a experi- mentar o processo – e nasceu o chá. Existem muitos tipos diferentes de chá chinês – do preto e verde ao amarelo, branco e oolong. O chá é mais bem apreciado entre as refeições com um pouco de dim sum, uma coleção de bolinhos e doces do tamanho de uma mordida. Se possível, o chá deve ser consumido em um local calmo e pacífico, como um jardim, onde é possível fazer uma pausa do dia agitado e estressante. 38 Cozinha Indiana A Cozinha Indiana remonta a mais de 5000 anos; cada região tem suas próprias tradições, religiões e cultura que influenciam sua culinária. Os hindus tendem a ser vegetarianos e os muçulmanos tendem a ter pratos de carne, à base de cordeiro, pois o consumo da carne de porco é proibido. O fio condutor ao longo dos séculos conti- nua sendo a mistura distinta de especiarias que invariavelmente conferem à culinária indiana seu sabor e aroma. A mistura única de cozinhas da Índia evoluiu através de interações culturais em larga escala com a vizinha Pérsia, Grécia Antiga, mongóis e Ásia Ocidental. Alimentos do Novo Mundo, como pimenta, tomate, batata e abóbora, introduzidos por comerciantes árabes e portugueses durante o século 16, e estilos de culinária europeus introduzidos durante o período colonial, aumentaram a diversidade da culinária indiana, que tam- bém influenciou as cozinhas de todo o mundo, especialmente as do Sudeste Asiático, sendo agora uma das cozinhas mais populares do mundo. A comida, para a maioria dos indianos, é considerada um presente dos deuses, por- tanto, tratada com muito cuidado. A Índia é uma civilização antiga, uma terra de tra- dições, a comida é um reflexo desta herança cultural, religiosa e principalmente da sua localização geográfica. A riqueza de ingredientes Os alimentos básicos da culinária indiana são arroz, (farinha de trigo integral) e uma variedade de leguminosas, as mais importantes são as lentilhas partidas e as Dals, que são usadas em todas as regiões e fazem o papel do nosso feijão. As Raitas são coalhadas que servem para amainar o calor dos temperos e ajudar a fazer a digestão dos ingredientes mais fortes como o gengibre, a páprica e a pimen- ta. Podem ser misturadas aos vegetais e com frutas. No verão, a coalhada é servida como refresco e leva o nome de Lassi. É adoçada, temperada e batida com frutas. A maioria dos pratos indianos são feitos em óleo vegetal. No norte e oeste da Índia, o óleo de amendoim é tradicionalmente mais popular, enquanto no leste o óleo de mostarda é mais usado. No Sul, o óleo de coco e o óleo de gergelim são frequentes e nas últimas décadas os óleos de girassol e de soja ganharam popularidade em toda o país. A gordura vegetal hidrogenada (influência do mundo ocidental), conhecida como , também é um meio de cozimento popular que substitui o (manteiga clarificada). As especiarias mais importantes e usadas com mais frequência na culinária indiana são pimenta, grãos de mostarda preta, cominho, cúrcuma, feno-grego, assa-fétida,- gengibre e alho, todos transformados em pó. As misturas populares de especiarias são o , que geralmente são misturas de sete ou mais especiarias secas. Cada região (até mesmo cada família) tem sua própria mistura de . Sua composição básica é: canela, cravo, cardamomo, cominho, macis, noz-moscada e pimenta-do-reino preta. Variações de proporção e de ingredientes podem ser feitos de acordo com o gosto, região de origem e preferência de cada um. 39 Etiqueta social Vários costumes estão associados à maneira de consumo de alimentos na Índia. Tradicionalmente, as refeições são feitas sentadas no chão ou em almofadas muito baixas. Os alimentos são mais frequentemente consumidos sem talheres, usando os dedos da mão direita (não a esquerda, pois essa mão é considerada impura, pois é usada para realizar a higiene pessoal). A cultura indiana determina que comer com as mãos é uma experiência agradável, ativando o chamado sexto sentido, em vez de usar talheres, além disso, a comida já está em pedaços pequenos, tornando desnecessário o uso de faca e garfo. Figura 10: Thali, refeição indiana. Fonte: Local Samosa Os estilos de servir tradicionais variam de região para região na Índia, mas uma apre- sentação universal é o Thali, um prato grande com amostras de diferentes pratos regionais acompanhados de raita, pães como naan, puri e arroz; no sul do país, uma folha de bananeira limpa é frequentemente usada como uma alternativa visualmente interessante aos pratos. Da época do Império Persa, fortes influências se mantêm na cultura indiana, desde tabus, rituais, alimentos e utensílios. O forno mais popular no país, o tandoor ou tan- dur, por vezes chamado também de tandoori, é fruto da cultura persa. Este forno é originalmente feito em barro e enterrado no chão. Com brasa em seu fundo, mantém altas temperaturas, ideais para cocções rápidas (CAMARGO-MORO, 2006). Atualmente encontra-se o forno tandoori com fonte de gás e não enterrados. Os pães achatados do dia a dia da cultura indiana são tradicionalmente assados nesses fornos. Eles são simplesmente colados na parede interna do forno até tostarem (CAMARGO- MORO, 2006). Esses pães não são fermentados com fermento fresco, similares à tortilha de trigo da América Central, pão pita ou folha. Costumam ser elaborados so- mente com farinha e água, abertos em formatos de disco e bem tostados de ambos os lados. Esses pães costumam sempre estar à mesa, independentemente da refeição. https://www.localsamosa.com/2019/10/09/dara-singh-thali/ 40 Figura 11: Forno Tandoori. Fonte: Freepik.com Alimentos para celebração Quase todo feriado na Índia exige um banquete. O maior festival do ano é o Diwali, que ocorre em outubro ou novembro, a data real é definida pelo calendário lunar e varia de anopara ano. O significado do festival varia de acordo com a região e o gru- po religioso, mas algumas tradições são compartilhadas: dívidas antigas são pagas, casas são limpas, roupas novas são fabricadas ou compradas e uma refeição mais sofisticada é preparada; muitos pratos à base de cordeiro e vegetais bem temperados e com molhos encorpados são servidos em todas as casas, o pão sempre acompanha estas refeições. Muitos comemoram o início da primavera com Holi, de manhã, as pessoas se molham com água colorida e se borram com pós vermelho, amarelo, verde, azul e laranja. Muitos também bebem bhang, uma bebida de iogurte; após o festival, as roupas velhas são queimadas e o halwa (um prato doce feito com farinha de trigo ou arroz, manteiga e açúcar) é comido. O dia geralmente termina com uma festa e festividades musicais, os “bolos” halwa são frequentemente servidos no café da manhã em ocasiões espe- ciais, como aniversários. 41 Cozinha Japonesa O Japão é um arquipélago composto por muitas centenas de ilhas, onde dois terços da terra são montanhosos demais para o desenvolvimento, então quase todas as pessoas vivem em cidades, a maioria das quais foram construídas nas terras planas do país. Algumas áreas montanhosas foram cortadas em degraus para permitir que os agri- cultores cultivem vários produtos; o clima é bom para a agricultura, sendo o arroz a principal colheita. Cerca de metade das terras aráveis do Japão são dedicadas ao cultivo de arroz. Quanto aos pescados, o Japão responde por cerca de 8% de todos os peixes captura- dos no mundo, o povo japonês consome grandes quantidades de peixe; cada pessoa no Japão come mais de 68 quilos de peixe por ano, ou cerca de 1,3 quilos de peixe por semana. A culinária japonesa abrange uma série de alimentos regionais e tradicionais, que se desenvolveram ao longo de séculos de mudanças econômicas, sociais e políticas ocorridas. A culinária japonesa baseia-se na combinação dos alimentos básicos, que são arroz branco cozido no vapor, ou gohan, com um ou vários pratos principais ou acompanhamentos. O arroz é servido em sua própria tigela pequena – o chawan – e cada item do prato principal é colocado em seu próprio prato pequeno ou tigela para cada porção indi- vidual; isso é feito mesmo em casas japonesas, contrastando com os jantares de estilo ocidental em casa, onde cada indivíduo recebe ajuda dos grandes pratos de comida apresentados no meio da mesa de jantar. Tradicionalmente, o estilo japonês abomina pratos com sabores diferentes que se tocam em um único prato; portanto, pratos diferentes recebem seus próprios pratos individuais, como mencionado, ou são divididos usando, por exemplo, folhas. Colocar pratos principais em cima de arroz e “sujeira” também é desaprovado pela etiqueta antiquada. Nos anos 700 d.C., a ascensão do budismo levou à proibição de comer carne; o prato popular sushi surgiu como resultado dessa proibição, no século 19, os estilos de culi- nária se tornaram mais simples, uma grande variedade de pratos vegetarianos foram servidos em pequenas porções, usando uma das cinco técnicas de cozimento padrão. Todos os alimentos foram divididos em cinco grupos de cores (verde, vermelho, ama- relo, branco e preto-púrpura) e seis sabores (amargo, azedo, doce, quente, salgado e delicado), os japoneses continuam usando esse sistema de cozimento. Ano Novo O feriado mais importante no Japão é o Ano Novo, Shogatsu. Alimentos especiais de férias, chamados osechi, são preparados em caixas empilháveis lindamente decora- das, chamadas jubako. Cada camada da caixa possui compartimentos para vários alimentos diferentes; sardinhas vidradas, brotos de bambu, feijões pretos doces e castanhas em pasta de batata-doce são apenas alguns dos muitos alimentos para festas. Os alimentos de Ano Novo também são consumidos porque acredita-se que https://translate.googleusercontent.com/translate_c?depth=1&hl=pt-BR&prev=search&rurl=translate.google.com&sl=en&sp=nmt4&u=https://en.m.wikipedia.org/wiki/Chawan&usg=ALkJrhir1CND8bFJpyWsJ70nV8OIJTtqRQ 42 eles representem boa sorte ou vida longa. No ano novo, as crianças gostam especial- mente de bolos de arroz quentes mergulhados em pó de soja doce. Figura 12: Jubako de Ano Novo. Fonte: Japan Desgin Imazy No dia a dia Os japoneses comem três refeições principais por dia, sendo o principal ingrediente dos três o arroz (ou, às vezes, macarrão); sopa de missô e conservas de legumes também são sempre servidos. Refeições feitas no início do dia tendem a ser as mais simples, um café da manhã típico consiste em arroz, sopa de missô e um acompanhamento, como ovo ou peixe grelhado. Macarrão é muito popular para o almoço (e como um lanche), e um restaurante ou lanchonete conhecido como Noodles House é um local popular para o almoço. Um almoço típico consiste numa tigela de caldo de legumes, algas ou peixes. O bentô é um almoço tradicional embalado em uma caixa pequena e plana com divisórias e inclui pequenas porções de arroz, carnes, peixe (e frutos do mar), legumes e conser- vas; algumas lojas de departamento vendem bentô pronto para levar e algumas até têm ingredientes de estilo ocidental, como espaguete ou salsichas. Muitos japoneses se voltaram para a comida de estilo ocidental no café da manhã e almoço, especialmente nas cidades, no entanto, jantares tradicionais ainda são comidos pela maioria das pessoas no Japão, como arroz, sopa, conservas e peixe. Frutas frescas da estação são uma ótima sobremesa. No chá verde da tarde é que são servidos os doces mais tradicionais. O Sushi O termo sushi foi originariamente usado para um tipo de peixe ou carne fermentados, preparado para fins de preservação. Hoje, a palavra sushi se refere a um prato que contém arroz marinado com vinagre e decorado com peixe e legumes crus. Acredita-se geralmente que a forma mais antiga de sushi foi desenvolvida no sudeste da Ásia, de onde os imigrantes o levaram para a China antes de ser introduzida no https://japan-design.imazy.net/en/crafts/jds-orijinal-item/orijinal-juubako/ 43 Japão no século 8 d.C. Naquela época, a refrigeração não havia sido inventada, então os habitantes locais salgavam seus peixes, embrulhavam em arroz fermentado e dei- xavam por vários meses até que a proteína na carne fosse quebrada. Depois disso, eles descartavam o arroz e consumiam o peixe que geralmente permanecia seguro para se comer por vários meses. O sushi, o peixe fermentado, foi uma fonte vital de proteína para os japoneses por muitos séculos. Os japoneses gostavam de comer seu peixe fermentado com arroz cozido no vapor chamado namanari ou namanare. Durante o Período Muromachi (de 1336 a 1573), os namanare cresceram em popularidade e foi durante esse período que as pessoas começaram a comer peixe cru envolto em arroz e comido fresco antes que perdesse o sabor. A ênfase mudou da preservação para um novo método de combinar peixe com arroz. No meio do Período Edo (no século 18), os japoneses adotaram outro tipo de sushi chamado haya-zushi. Eles consumiram peixe e arroz ao mesmo tempo e era um prato único na cultura japonesa. Pela primeira vez, o arroz não era mais usado como agente de fermentação. Em vez disso, o arroz foi marinado em vinagre e, em seguida, foram adicionados peixes, legumes, especiarias e outros molhos. Esse foi o começo do conceito moderno de sushi, hoje amplamente aceito em todo o mundo. Cada região do Japão usou uma variedade de sabores locais para criar o tipo de sushi que foi passado para outras gerações. No início do século 19, barracas móveis de comida e vendedores ambulantes se mul- tiplicaram na cidade de Edo, nesse momento, uma nova forma de fast food chamada sushi nigiri se tornou popular entre os habitantes que se deslocavam rapidamente. O sushi nigiri originalmente tinha um pequeno bolinho de arroz com uma fatia de peixe cru colocada sobre ele, nem o arroz nem o peixe eram fermentados, e podiam ser consumidos rapidamente com os dedos ou com hashi. Foi duranteesse período que o sashimi japonês foi combinado com arroz para dar à luz o que é conhecido como sushi ao estilo Edo. O sushi se tornou muito popular fora do Japão, principalmente nos grandes centros urbanos, como Nova York, São Paulo e Londres, porque os chefs de sushi foram receptivos às sugestões dos consumidores ocidentais. Hoje, muitos chefs fora do Japão oferecem sushi tradicional e outras variedades ocidentalizadas. 44 Cozinha da América do Sul Muito antes de os europeus chegarem à América do Sul, as populações nativas desco- briram como cultivar uma incrível variedade de plantas. Eles desenvolveram sistemas de irrigação elaborados e moldaram as encostas íngremes das montanhas andinas em patamares para torná-las mais adequadas ao cultivo de alimentos, dentre os quais milho, feijões, batata, batata doce, pimentas, abacate e amendoim. Eles também cria- ram lhamas (espécie de porquinho da Índia). Cada região desenvolveu seus próprios pratos tradicionais. Quando os europeus chegaram, eles incorporaram alguns desses pratos nativos em sua própria cozinha. Eles levaram os novos alimentos de volta à Europa e trouxeram gado e alimentos europeus para a América do Sul, como porcos, galinhas, árvores cítricas, trigo, amêndoas, vacas e cabras. Os europeus aprenderam a fazer seus pratos favoritos usando ingredientes locais. Os métodos tradicionais de culinária dos nativos americanos foram adaptados e modi- ficados, e os novos alimentos da Europa foram misturados. Os imigrantes asiáticos e africanos trouxeram suas tradições culinárias também. Tudo isso combinado para fazer desta a culinária diversificada e emocionante que existe hoje. Alguns alimentos nativos não foram incorporados à culinária do estilo europeu que domina grandes cidades como Buenos Aires e Santiago. Recentemente, esses alimen- tos vêm ganhando popularidade, de restaurantes da moda agora exibem produtos andinos, como carne de alpaca e grãos como quinoa e amaranto. Ao discutir comida sul-americana, podemos separar o continente em grandes regiões gastronômicas. O noroeste da América do Sul, especialmente Equador, Bolívia e Peru, possui alguns dos alimentos mais exóticos do continente. As batatas e a quinoa altamente nutritiva do grão se originaram na região e ainda desempenham papéis importantes na culi- nária. Só o Peru possui mais de cem variedades diferentes de batata, incluindo uma batata azul que se tornou a “queridinha” dos chefs da moda na América do Norte. O Peru também possui alguns dos ingredientes mais apimentados da América do Sul; o tempero preferido aqui é o aji amarillo, uma pimenta amarela, que adiciona ardência em tudo, desde caucau (ensopado de frutos do mar) a papas a lahuancaina (salada de batata e queijo). Uma grande comunidade chinesa também influenciou a culinária peruana, criando a Cozinha Chifa (ou Chaufa); os primeiros imigrantes chineses do- cumentados chegaram ao Peru em 1849 para trabalhar em plantações de açúcar e minas costeiras, construir estradas de ferro e extrair guano como combustível. As regiões Norte e Central, em particular, Colômbia e Venezuela, exibem uma influ- ência espanhola. Os espanhóis se estabeleceram aqui e muitos dos temperos mais dominantes da região como cominho, orégano, canela e anis vieram diretamente da Espanha. Muitos pratos no nordeste da América do Sul, como tamales, apresentam um contraste de sabores doces e salgados (na forma de molas, ameixas, alcaparras e azeitonas). Além disso, a combinação de arroz espanhol e os excelentes frutos do mar da Venezuela dão origem a algumas das melhores paellas do mundo. 45 Na culinária da Venezuela, o feijão ocupa um lugar de destaque, ao lado das arepas. As grandes bananas da terra verdes entram, com o feijão, a carne, o arroz e os ovos, na composição de vários pratos. Na Colômbia, encontramos novamente as arepas; o arroz é bastante presente, ser- vido crocante, com peixe e coco, além do leite de coco que é usado em receitas de carnes e aves. O sul do continente compreende Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. Este é um país de gado, e os habitantes locais desfrutam de uma deliciosa carne alimentada com capim na forma de grandes cortes assados na frente de uma fogueira e parrilladas, bifes grossos e suculentos grelhados sobre carvalho em brasa. Embora os acompa- nhamentos sejam bastante simples, eles são intensamente saborosos: um tomate, cebola e pimenta, conhecido como salsa criolla e um molho de salsa, alho e vinagre chamado chimichurri. O Chile, com mais de 6000 km de litoral, é um paraíso para os amantes de peixes; o caldillo de congrio (sopa de enguias) pode ser apreciado próximo à melhor sopa da Nova Inglaterra; os ceviches também são frequentes nesta culinária, de pescado ou frutos do mar, sempre acompanham uma cerveja local bem gelada. Considerações finais Podemos perceber que a culinária é parte importante das culturas ao redor do mundo, servindo também como fator de afirmação destas. Seja no oriente ou no ocidente, as interações entre povos e culturas, forçadas por meio de colonizações e tráfico de pessoas ou naturais por meio de fluxos migratórios, gerou transformações nas culi- nárias locais, que se estabeleceram ao longo dos séculos e ajudaram a constituir a personalidade das cozinhas dos países, seja por meio do uso de especiarias ou por introduzir novas técnicas de preparo. Conhecer e entender essas origens e diferenças culturais é fundamental para os chefs que pretendem trabalhar com essas cozinhas, para que possam não só reproduzi-las como desenvolver novos preparos. 46 Referências BARBER, K.; TAKEMURA, H. Sushi: técnicas e receitas. São Paulo: Publifolha, 2015. BARGAS, D. História, mundo estranho: quando surgiu o açúcar? 2018. Disponível em: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/quando-surgiu-o-acucar/. Acesso em: 09 abr. 2020. CAMARGO-MORO, F. de. Arqueologias culinárias da Índia. Rio de Janeiro: Editora Record, 2006. CARELLE, A. C.; CÂNDIDO, C. C. 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O pão, sempre presente, assume o lugar dos talheres, servindo como invólucro para saladas, pastas, molhos e carnes. Colorida e com sabores potentes, a Cozinha Grega é extremamente saudável; azeite de oliva, peixes e frutos do mar (em abundância), abobrinha, pimentão, berinjela, tomate e carne de cordeiro compõem a dieta dos gregos desde os tempos clássicos. Essa gastronomia da antiguidade clássica se baseou em alguns pilares que continuam a caracterizar a culinária grega contemporânea: frescor, simplicidade e variedade de ingredientes, como que para atestar os valores de um povo que valoriza sua terra, sua herança e seu grande prazer nas refeições. 5 A Cozinha das Américas é subdividida em: América do Norte, América Central e América do Sul. Na América do Norte nota-se a influência dos índios nativos e depois dos colonos ingleses e franceses, que aprenderam a preparar os produtos locais e adaptaram suas próprias tradições culinárias. Na América Central as contribuições oriundas dos diferentes choques culturais (devido principalmente à escravidão) de- ram origem a esta cozinha, mas foram precisos séculos de convivência para que as tradições da África, da Europa e da Índia fizessem nascer uma culinária original, onde especiarias e condimentos tivessem papel muito importante. Na imensidão da América do Sul, as culinárias variam, porém apresentam um certo número de pontos em comum, como a importância do milho ou a constância dos molhos picantes ou das pimentas (frescas ou secas) e das carnes bovina e ovina de excelente qualidade. Também seria desnecessário dizer que o clima e a história deram a cada país sua culinária própria, com suas particularidades, especialidades e peculiaridades. Cozinha Árabe Dentre as diversas culturas gastronômicas mundiais, as cozinhas árabe e grega contemplam uma série de características de cunho histórico e cultural. Muitos dos seus insumos e práticas se baseiam em tradições que foram desenvolvidas ao redor de grande variedade de influências. Tudo na alimentação dessas duas culturas tem relação com o bem-estar de quem a consome e, ainda, com questões que se voltam à saúde mental e do corpo. De variados temperos à preocupação com a saúde biológica do corpo, nas cozinhas aqui destacadas o alimento não é de forma alguma tratado apenas como insumo, mas como agente de preservação das funções corporais, as- sim como uma ferramenta de manutenção de hábitos, costumes e rituais que têm nele a base para fomentar as características dessas duas culturas, tão apreciadas e valorizadas em todo o mundo. Os conceitos e princípios dessas duas cozinhas são definidos por suas características culturais e pela inci dência da religiosidade, da busca por uma vida ativa, que tenha longevidade, pelo prazer do comer bem, que previna doenças e que permita qualidade. Na tentativa de conceituar essas duas culturas, faz-se necessário ainda definir: quais os principais aspectos que influenciam a formação das culturas gastronômicas árabe e grega? Quais os principais ingredientes e produções árabes e a sua relação com a religiosidade? Como se caracteriza a gastronomia grega por meio de sua relação com a saúde e os povos que a influenciaram? Neste tópico, essas e outras informações serão tratadas para conceituar e definir ambas as culturas, por meio de seus ingredientes principais, produções tradicionais, hábitos alimentares, histórico e ainda influências diversas de outros povos e visibili- dade no restante do mundo. Princípios da cozinha árabe A cultura árabe é um emaranhado de aromas, cores e sabores. Por conta do uso con- sistente de especiarias, essa é uma das mais perfumadas cozinhas, dentre outras que poderiam ser comparadas a ela no continente em que residem. Além desses insumos 6 de uso tão corriqueiro, cotidiano e tradicional, na cozinha árabe os conceitos religiosos e os resquícios de sua própria cultura a definem e a tornam o que é. São considerados árabes um total de 22 países que compartilham do mesmo idioma, o árabe, dentre eles: Arábia Saudita, Líbano, Síria, Jordânia, Marrocos, Nigéria, Iraque e Palestina. Além disso, no que diz respeito às características que definem este povo, espalhado ao redor do mundo em diversos continentes, sua religião, predominante- mente muçulmana, também os define, em suas crenças, hábitos e rituais. Quanto ao que diz respeito à formação da gastronomia considerada árabe, esta se baseia nos princípios das culinárias da Síria e do Líbano, em especial, que inclusive são consideradas as bases da aglomeração de receitas e conceitos que denominam a alimentação do povo árabe como um todo. Deve-se, claro, levar em consideração que cada país, considerado árabe ou não, em seus aspectos alimentares, acaba por sofrer influências dos seus vizinhos e daqueles em que a cultura, de alguma forma, foi inserida, por meio de colonização, invasões ou mesmo nos períodos em que as explorações marítimas faziam-se incidentes do momento histórico, e que até hoje têm destaque. Os árabes, por sinal, sempre foram um povo unido, que, mesmo com as interferências externas, conseguiu garantir que suas características fossem pre- servadas, por meio, dentre outros aspectos, da alimentação. Figura 1: Distribuição do árabe como única língua oficial (verde) e uma ou várias línguas oficiais ou nacionais (azul). Fonte:Wikipedia Um dos grandes marcos milenares de destaque na história da alimentação árabe foi o momento em que os fenícios, em decorrência de suas navegações marítimas e mercantis, incorporaram informações e produtos à cultura árabe. Foi este o momen- to em que houve uma maior reconfiguração desta gastronomia, momento em que a culinária árabe incorporou para si algumas das mais importantes características que tem hoje, como o apreço pelos grãos integrais, a utilização de seus diferentes e diversos temperos, o uso e maior valorização das carnes de cordeiro, cabrito, carneiro e, ainda, dependendo do país, de aves e peixes. Neste período, incorpora-se também https://pt.wikipedia.org/wiki/Mundo_%C3%A1rabe#/media/Ficheiro:Arabic_speaking_world.svg 7 a coalhada, conhecida por lában, tanto fresca, como seca, além de ingredientes como o cominho, a cebola e a tão utilizada hortelã, que dá frescor às produções. Algumas das especiarias incorporadas pelo povo árabe durante a chamada expansão islâmica são especificamente de origem Persa, como o cardamomo, o cominho, o coentro, o feno grego, a cúrcuma e o gengibre. Outros dos principais ingredientes que podemos mencionar quando trata-se da an- cestralidade deste povo, além das já citadas especiarias, são produtos como as frutas secas e castanhas, usadas principalmente nas famosas sobremesas, finalizadas com caldas feitas com base de mel ou apenas açúcar, e aromatizadas com água de rosas e de flor de laranjeira. A água de rosas é mais um dos ingredientes absorvidos da expansão islâmica de origem persa, além deste hábito do uso de massas com mel, recheadas com amêndoas e nozes, como vislumbrado na produção das tradicionais sobremesas árabes. Com a base de ingredientes apresentados, criaram-se então uma série de receitas combinadas entre si: petiscos, entradas, pratos principais, seus acompanhamentos e a finalização com sobremesas. Foram trazidos do Egito ingredientes mais complexos como arroz, pato e passas, e os sultões e califas aprenderam a deliciarem-se com as frutas e os segredos dos padeiros e confeiteiros egípcios. Através dos sírios, aprenderam a fazer a bahar e a pimenta síria, que geralmente leva cravo, canela, noz-moscada, gengibre e pimenta-do-reino preta e branca. Na Jordânia e no Líbano existe a zahtar – uma mistura de folhas de zahtar, manjerona, tomilho, sementes de gergelim torradas e as bagas vermelhas e amargas do sumagre. Os iemenitas acrescentaram a zhug – uma pasta de cardamo- mo, cominho, alho e malagueta moídos (MARANHÃO,2009). Os exércitos islâmicos acabaram sendo facilitadores no processo de expansão dos conhecimentos, costumes e ainda no transporte e difusão dos produtos de origem ou maior uso na culinária árabe. SAIBA MAIS Os imigrantes árabes chegaram ao Brasil no final do século 19 e tiveram uma certa facilidade em sua acolhida e de seus descendentes em razão de comparti- lharem com o Brasil de sua identidade cultural forjada por conta da colonização portuguesa. Esta trouxe consigo relevante influência moura, que já estava incor- porada aos seus hábitos e que passaram a incorporar os hábitos brasileiros. Acerca da contribuição moura, e desta influência sobre a Península Ibérica, que pode ser percebida de modo similar também no Brasil, por conta da já mencionada colo- nização portuguesa, destacam-se ainda como características percebidas nos povos árabes o gosto pelo uso de joias e vestidos exuberantes, azulejos em igrejas e chafari- zes, o asseio no quesito gastronômico, o paladar que se direciona para as produções gordurosas, oleosas e sobremesas doces e açucaradas. 8 Cozinha sírio-libanesa Principalmente no que diz respeito à gastronomia árabe incorporada ao Brasil, quando se trata dos aspectos relacionados aos seus países de origem, os de maior destaque são a Síria e o Líbano, visto que esses foram os que apresentaram uma maior parcela de imigrantes enviados ao Brasil. Nesses dois países, a forma de se alimentar sempre baseou-se na alegria e satis- fação do compartilhamento das refeições, preparadas pelas mulheres que, quando recém-casadas, buscam produzir as receitas de acordo com o gosto particular de seus maridos, ou seja, de acordo com a maneira em que as suas sogras a produzem. O papel da mulher árabe na cozinha é de extrema valorização, sendo ela a responsável por prover os alimentos servidos à sua família. Ainda a respeito das mulheres árabes, estas são submissas aos seus maridos e, em sua cultura, devem respeitá-lo. O homem pode casar-se, no máximo, com três mu- lheres, desde que tenha condições de sustentar as três esposas confortavelmente, que são retiradas de seus lares e vão então residir junto ao seu marido e familiares. Ainda que as mulheres que compartilham o esposo sejam colocadas em uma mesma casa, dentre os preceitos árabes, estas devem ter cada uma o seu quarto e receber o mesmo que as outras. Quem ensina as novas mulheres a cozinhar é sempre a so- gra, que determina como os alimentos devem ser feitos para agradar à família, ainda que as jovens esposas tenham durante toda a vida sido ensinadas por suas mães a “serem esposas”. A desgraça de uma mulher dentro deste contexto árabe pode estar relacionada com um desempenho considerado ruim na cozinha. Muitos destes costumes ao redor das mulheres árabes já as tem permitido uma maior liberdade de escolha, ainda que, principalmente nas pequenas comunidades, muitas delas sofram com a imposição de como devem seguir e administrar as suas próprias vidas. Alguns pratos na culinária árabe são mais emblemáticos que outros e acabam por carregar tradições que, no decorrer do intercâmbio cultural, entre povos e países, acabam por ganhar destaque em outras partes do mundo. O falafel, por exemplo, é um bolinho feito com massa de grão de bico e fava, frito por imersão e acompanhado por pastas, uma delas tradicional e feita também com grão de bico, o hommus, e a tradicional coalhada, seca ou fresca. 9 Figura 2: Tradicionais bolinhos de favas e grão de bico, conhecidos como falafel, na cultura gastronômica árabe. Fonte: Freepik.com. Uma outra destas pastas muito consumidas e ancestrais, o babaganuche, feita com berinjelas e tahine – uma mistura batida de gergelins – é, na Síria, considerada uma receita que pode terminar em casamento. Assim como no Brasil, diversas outras culturas, ao absorverem a cozinha árabe, acabaram tendo uma maior identificação com as características da culinária da Síria e do Líbano, caracterizando-a como um padrão no que diz respeito à cultura árabe como um todo. Os árabes, em geral, possuem o hábito do consumo de aperitivos, o que acaba sen- do um costume também percebido nos portugueses, com seus bolinhos diversos e pastéis, e nos brasileiros, que contemplam itens de culturas diversas. Dentre as tradições diversas já apresentadas, o povo árabe costuma fazer a monta- gem das chamadas mezzes, que são mesas onde são servidas porções sortidas e diversificadas de produções da culinária árabe, para serem compartilhadas. 10 Figura 3: Tradicional mesa árabe, conhecida como mezze, onde são servidos e compartilhados pratos típicos em porções a serem consumidas com auxílio de pão. Fonte: Tourist Jordan.com. Dessas porções, cada comensal pode se servir do que achar mais interessante, do que mais lhe agradar. Não há obrigatoriedade do consumo de todos os itens com- partilhados, em função desta variedade ser significativa. Costuma-se usar do serviço de pães diversos para o acompanhamento das produções apresentadas na mezze. “Uma mezze completa ainda deve apresentar o taboule, a labaneh (coalhada seca), o falafel (bolinhos de favas) e pode incluir a Mahammara (pasta de pimentão vermelho, com nozes e noz-moscada)” (MARANHÃO, 2009). Restaurantes árabes ao redor do mundo acabam por definir, assim como se faz na residência de cada cidadão de descendência árabe, quais serão os itens servidos em uma mezze, sendo essa, portanto, bastante diversificada e livre. No seu serviço, usualmente as pessoas sentam-se ao redor das produções e ali as compartilham, indicando mais uma tradição deste povo, que presa pelo hábito das boas relações e da sociabilidade entre os seus e entre aqueles que os cercam. Uma destas produções emblemáticas servidas nas mezzes é a esfiha, conhecida ao redor do mundo, semelhante, visualmente, a uma pizza. Tem como característica uma massa aberta em pequenos discos e recheada de formas diversas, ainda que em sua tradição leve carne. De acordo com Maranhão (2009), a esfiha é originalmente síria e tem como base do seu recheio a carne de carneiro, que deve ser temperada com alho e finalizada com suco de limão. Com o advento da globalização e a liberdade de criação de cozinheiros ao redor do mundo, a esfiha ganhou recheios de queijos, outras carnes, bases de molho de tomate, verduras e ainda versões doces, mesmo que essas, por vezes, acabem por fugir da ancestralidade árabe. No Brasil, ganhou nessas versões nos restaurantes de fast food e sua comercialização atualmente possui números significativos, que representam o sucesso e apreço dos brasileiros por esta produção. As bases da gastronomia da Síria, em suas diferentes produções, ainda que tenha sofrido influências semelhantes de alguns dos muitos países considerados de cultura árabe, possuem especificidades próprias, que acabam por diferenciá-la em seus as- 11 pectos conceituais, ainda que, com relação aos insumos e práticas culinárias, essas se confundam com as de outras regiões. Há na cozinha síria o uso do termo “levantina”, que configura a sua gastronomia e dá a ela particularidades próprias no que diz respeito ao seu reconhecimento perante as sociedades, ainda que nela resida um emaranhado de características comuns a outros países, de mesma cultura, que a cercam. A chamada cozinha “levantina” abran- ge toda a região anteriormente conhecida como Grande Síria, que hoje é dividida em Síria, Líbano, Iraque, Jordânia e Palestina, apresentando a mais homogênea etnia da região e, por isso, conservando muitos traços culturais comuns, incluindo a culinária. Esta, por sua vez, guarda muitas semelhanças com outras cozinhas do Mediterrâneo Oriental (MARANHÃO, 2009). Esta união cultural entre povos, ainda que não condizente com a atual realidade que relaciona muitos deles aos confrontos árabes, indica, entretanto, a força em sua cul- tura e em suas crenças religiosas, que facilita a preservação de sua ancestralidade, ainda que promova, dentre alguns deles, a separação física. Dos ingredientesde nomes específicos do idioma árabe, alguns, dentre os já abordados até o momento, destacam-se em suas características e, ainda, em suas possibilidades de uso e aplicação. PRODUTO ESPECIFICAÇÕES Aich Tipo de pão árabe, um pouco maior e mais fino (denominação usada no Egito) Bhar Tempero originário da Índia, muito parecido com o curry Baharat Páprica doce, pimenta-do-reino preta, sementes de cominho e coen- tro, cravo, canela, cardamomo e noz-moscada, moídos. Burghul ou bulghur Trigo inteiro que se prepara de um modo específico. Encontra-se em lojas especializadas em produtos orientais. Fulful bhar Mistura de pimenta-do-reino preta ou branca, curry, sementes de cominho e canela, moídos. Harissa No Magreb significa picante, é uma mistura de pimenta vermelha seca, sementes de coentro e cominho, alho, páprica doce e sal, moídos. Kahua ou Gahua Café Khubs ou Khubus Pão Lahm ou Lahme Carne moída (geralmente de cordeiro). Snoubar Semente branca, oval, de um pinheiro da região do Mediterrâneo; conhecido também como pinoli. Al Sukar Açúcar Sumak Folhas secas e trituradas de um arbusto, muito utilizado para tempe- rar carne de aves, com sabor ácido. Tahine ou tahina ou thinie Pasta de semente de gergelim branco. Zhug Pasta de cardamomo, sementes de cominho, alho e pimenta verme- lha seca. 12 PRODUTO ESPECIFICAÇÕES Maé zahar e maé wared Respectivamente, água de flor de laranjeira e água de rosas, duas essências típicas da confeitaria sírio-libanesa, possuem aromas intensos. Misk Resina vegetal de cor clara e consistência flexível utilizada para aro- matizar doces. É adquirido na forma de torrões ou pequenas pedras que devem ser amassadas antes de serem acrescidas na produção. Zahtar Mistura de ervas muito apreciada, constituída geralmente de tomilho, sementes de gergelim tostadas e de Sumak moídos. Tabela 1: Alguns ingredientes e produtos de uso ou serviço da gastronomia árabe. Fonte: Elaborado pelo autor, baseado em Jamal (2009). Como acompanhamento padrão para quase todos os pratos de origem árabe, tem-se na coalhada, seca ou fresca, o produto perfeito em sabor, textura e frescor para compor principalmente as produções de sabores mais intensos ou até mesmo gordurosos, que com a leveza e acidez da coalhada conseguem ganhar equilíbrio em sua compo- sição aromática e de sabor. Nas mesas dos países em que sua tradição é forte, esse é um produto feito com leite integral de forma simples. Para o seu preparo, deve-se levar o leite à fervura, colocá-lo em um recipiente de cerâmica, e acrescentar um coalho anterior, que tenha sido retirado de uma receita prévia produzida da coalhada. Em casos onde este coalho não está disponível, pode-se acrescentar iogurte, ainda que nesta substituição o resultado seja um tanto quanto diferenciado, pois sua fermentação não ocorre da mesma maneira. De acordo com especialistas, a coalhada é muito mais nutritiva que o próprio leite e os iogurtes diversos disponíveis nos supermercados, isso, inclusive, deveria ser mais divulgado e facilitado, para que a maioria das pessoas tivessem acesso e fizessem consumo, em benefício de sua saúde. A coalhada fresca pode ser usada em produções diversas da culinária árabe e, ainda, para o preparo de vitaminas, adoçadas na maioria das vezes com mel. Utiliza-se junto a ela, nas mais diversas receitas, como acompanhamento, a coalhada seca, que é a mesma, deixada sob refrigeração em tecido que possa permitir que seu soro seja dispensado e que a coalhada ganhe textura mais encorpada e sabor ainda mais ácido, favorecendo o seu uso em produções salgadas. 13 Figura 4: Figura 4 – Coalhada seca, guarnecida com azeite de oliva extravirgem e grão de bico, para acompanha- mento de produções salgadas. Fonte: Freepik.com. A coalhada e o iogurte são produtos utilizados na culinária e no cotidiano árabe, porém, no caso da coalhada, conforme já mencionado, há a adição do coalho, que promove inclusive o processo de produção de queijos. SAIBA MAIS O coalho usado para a produção de coalhadas é uma enzima chamada renina ou quimosina, que é extraída do estômago de animais ruminantes, enquanto eles ainda estão na fase de aleitamento materno. Na coalhada, o soro é separado, diferentemente do iogurte, que tem textura mais lisa e cremosa, mantém o soro e baseia-se na fermentação por bactérias não patogênicas, que transformam a lactose em ácido lático. Ambos os produtos são benéficos à saúde e atuam principalmente como reguladores da flora intestinal. Em continuidade às possibilidades de uso, especificamente da coa- lhada, esta possui variações, sendo chamada de labanie, quando cozida e lában bi zait quando seca e acrescida de azeite de oliva extravirgem. Pode acompanhar entradas e sopas, ser usada para cocção e como guarnição de kibes, além dos possíveis usos junto a sobremesas. Principais aspectos culturais da cozinha árabe A cozinha libanesa, junto à síria, apresenta difícil detalhamento quanto aos aspectos que são de sua origem de fato e que fazem parte do conjunto que compõe os ele- mentos da gastronomia árabe como um todo. Suas peculiaridades, justamente em razão desta comunhão que classifica como árabe todos os povos que simplesmente compartilham principalmente das questões religiosas e culturais, ainda que estas tenham diferentes influências, acabam se perdendo em meio à similaridade cultural. 14 O alimento, na cultura árabe, é agente de fomento das práticas pertinentes à preser- vação cultural e de tradições deste povo, que usa da comida como um facilitador desta manutenção, por meio da repetição das ações que envolvem a produção e as regras de serviço desta comida, ora voltadas apenas à ancestralidade, ora voltadas às questões que se baseiam na religiosidade mulçumana. Ainda que o compartilhamento dos alimentos envolva, nesse sentido, a comensali- dade, que se baseia no comer junto e nas relações que se processam em virtude da alimentação, há rigidez na educação e criação dos árabes, ainda quando crianças, para que, quando adultos, adequem-se melhor às suas rotinas em sociedade. À mesa, algumas orientações chamam atenção no que diz respeito a como devem se portar crianças, homens e mulheres, e aquilo que lhes é ou não permitido. De acordo com Jansen e Maciel (2010), as refeições libanesas costumam seguir “uma ordem em que as crianças se sentam em lugares separados dos adultos e onde comer sem camisa e rir alto é considerado ofensa”. As refeições árabes são seguidas de uma série de códigos que se dividem em três momentos diferentes e, ainda assim, que se complementam: o antes das refeições, o durante e o pós-refeições. Esses momentos conceituam-se em regras que se voltam às tradições do povo e, ainda, à religiosidade. Há, portanto, nesse aspecto, alguns destaques elencados a seguir, de acordo com Jamal (2009), quanto a alguns dos códigos a serem considerados antes das refeições: • Deve ser feita a lavagem das mãos; • A comida deve ser sempre colocada em uma mesa levemente elevada do solo, em respeito à dádiva de Deus, e quando não estando em casa, os árabes devem, durante viagens, estender um pano ou manta para colocar os alimentos; • Não se deve utilizar utensílios de ouro ou prata; • A maneira como se sentam próximo ao alimento deve ser considerada decente; • Não se deve reclamar dos alimentos que são servidos, mas conformar-se com os alimentos que se possui; • Quanto à religião, as pessoas de maior fé jamais comem sozinhos, visto que, de acordo com os ensinamentos de Maomé, as mesas devem estar sempre cheias de pessoas a compartilharem do mesmo alimento. Para o momento durante as refeições, os códigos são organizados da seguinte maneira: • Deve-se sempre comer com a mão direita, pois a esquerda é a mão considerada própria para a limpeza e higiene pessoal; • Deve-se fazer menção a Deus antes de se comer as refeições. Ainda assim, algumas pessoas costumam fazê-lo a cada garfada; • Deve-se mastigar bem sempre o alimento e colocar quantidades sensatasde ali- mento na boca ao degustá-lo; • Não se deve inibir aqueles que participam na mesa de uma refeição, portanto, não se deve vigiá-los, mas deixá-los à vontade em seu espaço. Por fim, para o momento após as refeições, segue-se a relação a seguir: 15 • Agradecer a Deus pelo alimento; • Aconselha-se, principalmente depois do almoço, uma sesta de curta duração; Com relação às questões ligadas à religiosidade árabe, há ainda dois fatores de ex- trema importância e valorização por eles praticados, por conta de sua crença, que se baseiam na separação entre haram e halal. Os alimentos pela religião proibidos são, nos países de origem árabe, conhecidos como haram e englobam itens como a carne suína e bebidas alcóolicas. Já os halals são os alimentos ou produtos de uso permitido. Ainda que a cozinha libanesa seja, de acordo com Mann (2013), considerada uma das mais ancestrais em todo o mundo, nela, ainda segundo a autora, observam-se influ- ências tais como a turca, de onde foram absorvidos produtos como o azeite de oliva, os pães, as coalhadas e as frutas secas. Desses, o azeite e o pão não foram apenas absorvidos como ingredientes, mas ainda o conhecimento acerca de suas produções. Há nas tradições do Líbano o uso do azeite também, assim como em outros países árabes e nas culturas egípcias ancestrais, na conservação de alimentos. Com ele, algumas dessas culturas faziam ainda o uso para a mumificação e o passavam na pele para que fosse conservada jovem por mais anos. De volta às grandes navegações, Mann (2013) enfatiza a importante relação da culinária árabe, e em especial libanesa, voltada ao uso de temperos, ervas e especiarias, com destaque para ingredientes como: frutas, verduras, legumes frescos e em conserva, trigo, lentilha, açafrão, canela, páprica, cravo e noz-moscada, entre outros tantos, que, ainda de acordo com a autora, foram agentes de impulsionamento do comércio na época em que haviam as trocas de produtos nas rotas marítimas. SAIBA MAIS Alguns dos ingredientes mais tradicionais, junto às suas produções tradicionais e às vertentes que giram ao redor da religiosidade e ancestralidade nos proces- sos de reprodução das receitas libanesas e de outras culturas árabes, podem ser mais bem estudados no livro: Culinária do Líbano a Israel, de Sheila Mann, publi- cado em 2013. Ainda acerca das questões que se voltam à comercialização de especiarias nas grandes explorações marítimas nos séculos 15 e 16, faz-se pertinente mencionar que, algumas delas, em detrimento da supervalorização desses produtos, acabavam valendo quase que o seu peso em ouro. A generosidade árabe em um contexto geral é percebida também na cultura libanesa, em separado, e as relações ao redor da mesa indicam a hospitalidade e comensali- dade que este povo gosta de demonstrar. A recusa de alimentos oferecidos em uma refeição árabe pelos convidados é visto como algo de extrema grosseria e que ofende o anfitrião, que ali abriu as portas do seu lar e deu o melhor a quem estava servindo. Nessas refeições, o pão é usado como substituto para os talheres, tradicionais nas culturas ocidentais. Disposto espalhado pela mesa, em pontos acessíveis a todos, ou ainda no centro para ser compartilhado, esse é um produto que facilita o hábito dos árabes de comer com a mão, sempre a direita. São feitos artesanalmente, abertos 16 finamente e assados em altas temperaturas, passos que dão a característica visual que os pães árabes têm, descolando suas partes e os tornando flexíveis e versáteis para uso em produções diversas, como sanduíches, saladas e sobremesas. Os pães nesse serviço são, portanto, maleáveis, para que possam ser abertos e re- cheados, ou mesmo serem usados dobrados, como uma colher, para pegar itens que serão levados à boca. Os doces e sobremesas árabes têm semelhanças com relação aos doces portugue- ses e, ainda, com os doces brasileiros, influenciados pela colonização de Portugal. A doçaria árabe caracteriza-se, de acordo com Mann (2013), pelos seus processos elaborados de produção. Costumam ser bem adocicados e carregam os aromas do uso de especiarias e águas de rosas e de flor de laranjeira junto às frutas secas, mel e castanhas, como as amêndoas e nozes, que compõem o seu sabor. Uma das mais tradicionais e renomadas sobremesas árabes de que se tem conhecimento em todo o mundo, ainda de acordo com a autora, é o baklewa ou beklewa, produzida em camadas e regada com calda aromática. Figura 5: Tradicional Baklewa, cortada, feita com massa fina, recheada com nozes e regada com calda aromática. Fonte: Freepik.com. O açúcar teve um longo caminho até chegar nas mesas árabes e ser incorporado, principalmente, às peculiares sobremesas desta cultura tão rica. De acordo com Bargas (2018), ele surge na Índia, no século 5, onde foi extraído da cana-de-açúcar e passou-se a desenvolver a técnica que solidificava o caldo da cana, para que os cristais granulados do açúcar fossem, dessa forma, transformados. A partir do século 7, quando os árabes chegaram à Índia, desenvolveram novos pro- cessos de fabricação e o levaram ao Oriente Médio. Mais tarde, com as Cruzadas, o açúcar chegou à Europa, onde virou um luxo. Como o cultivo no continente era difícil, o produto ganhou status de especiaria de alto custo, exclusiva da nobreza (BARGAS, 2018). A partir do século 15, ainda de acordo com o autor, as grandes navegações permitiram que o açúcar chegasse em solo europeu e que este também passasse a ser produzido. Chegou ao Brasil por meio do intercâmbio cultural e de produtos 17 da época e até hoje o país exporta mais da metade do seu açúcar produzido para o restante do mundo. Ingrediente, técnicas e tendências da cozinha árabe A cozinha árabe, em um contexto global, conseguiu atingir países diversos, ainda que de culturas e religiosidades diferentes. A popularização do uso das especiarias, e a sua combinação com caldas, frutas secas, castanhas e ainda o consumo de carnes de ovino e caprino em suas diversas técnicas de cocção aplicadas, acabaram por ser adicionadas a diversas outras culturas gastronômicas, remetendo às tradições árabes. Com isso, muito dessa culinária, como tendência do mundo contemporâneo, sofreu adaptações nos países em que hoje sua presença é efetiva, para que melhor atendessem ao paladar local. Foi em função dessa necessidade que algumas das produções tradicionais, ancestrais dos países árabes, acabaram por ter novos insumos agregados a elas, ou ainda que substituíram outros não tradicionais da cultura do país em que foram inseridas. Isso, ainda que traga enriquecimento a estas produções, é, por muitos especialistas, visto como algo que pode ocasionar uma absorção inadequada da realidade cultural dos países de origem destas produções. Marrocos A cozinha marroquina é, de acordo com Zebri e Aroult (2009), uma das mais misterio- sas, considerada pelos europeus, apesar de sua proximidade com o continente, uma das mais exóticas e por eles menos contemplada e reproduzida. É, assim como as demais gastronomias de cultura de origem árabe, repleta de sabores intensos, cores, métodos e utensílios próprios e ancestrais para a produção de seus alimentos e respeito à religiosidade, que acaba por ser agente de extrema relevância na interferência e formação de seus hábitos, ritos e costumes alimentares. Seus ingredientes, diversos e diversificados, incluem uma base alimentar de frutas, verduras, legumes, especiarias, carnes assadas e cozidas e ainda peixes e frutos secos, de uso especialmente nas sobremesas ou guarnições destas carnes. Dentre as suas especiarias de maior uso, de acordo com Zebri e Aroult (2009), es- tão a canela, o cardamomo, o cominho, o gengibre e outros. Frutas cítricas, como o limão e a laranja, têm uso abundante nas produções e trazem a elas um frescor que, acompanhado da hortelã, dão características peculiares aos pratos dessa cultura. A hortelã é ainda um dos ingredientes de maior uso no país, por conta de ser usada paraa produção de infusões. Os chás, consumidos quentes e frios, são degustados durante todo o dia no país e nas principais refeições. Além das folhas de hortelã, que acabam se destacando nessa que é uma das principais bebidas de consumo no Marrocos, o chá, outra produção acaba sendo também uma das de maior consumo, em razão de ser utilizada não apenas como item principal dos pratos de destaque das refeições, mas ainda como guarnição de carnes, peixes e/ou legumes, o couscous marroquino. 18 Figura 6: Couscous marroquino ainda cru, que após hidratação em água ou outro líquido aromático pode acompa- nhar pratos diversos, assim como ser utilizado como base para saladas e sopas. Fonte: Freepik.com. De acordo com Zebri e Aroult (2009), as pequenas bolinhas de sêmola, assemelham-se a arroz e são na cultura marroquina cozidas normalmente no vapor. Outros dos principais pratos do Marrocos são as tajines, que baseiam-se em cozidos de carnes e/ou legumes, guisados em utensílio apropriado: uma panela feita de barro, com formato afunilado em sua tampa, que assemelha-se a uma panela de pressão e cozinha o alimento até que fique tenro e, ainda assim, mantenha a sua umidade, haja vista ser uma cocção ocasionada pelo vapor liberado da umidade dos próprios alimentos e de mais algum líquido aromático incorporado a eles. As tajines, panelas, costumam ser decoradas, pintadas à mão. O guisado produzido nelas costuma, além do couscous, acompanhar arroz ou legumes diversos, segundo Zebri e Aroult (2009). Figura 7: Tradicional tajine aberta para representação de sua cocção, com guisado de carne acompanhado de legumes. Fonte: Freepik.com. 19 Essas tradicionais tajines são, segundo Zebri e Aroult (2009), produções que, assim como em países como Portugal, que possuem inúmeras receitas de bacalhau, ou a Espanha, que possui inúmeras receitas de paella, podem ter uma infinidade de recei- tas diferentes, que vão se moldando nas famílias marroquinas, de acordo com cada tradição. SAIBA MAIS O primeiro livro de culinária marroquina publicado no Brasil traz uma série de receitas familiares, tradicionais em seus costumes e métodos de produção, além de informações relevantes que se voltam às características e principais ingre- dientes dessa valiosa cultura alimentar dentre os países de cultura árabe. O livro, Walima: a arte da culinária marroquina, é dos autores Natalian da Silva Fakhiri e Abdelali Fakhiri e foi lançado pela editora Record em 2002. As tradições marroquinas seguem, assim como o conjunto já apresentado das ára- bes em um contexto geral. No Marrocos, o hábito do consumo com as mãos segue, porém com a característica de que, além do uso do pão como apoio e da mão direita para tal, os dedos usados para a degustação são o polegar e os três primeiros dedos, segundo Zebri e Aroult (2009). Ainda que este costume seja recorrente de todo o país, há nos restaurantes a liberdade do uso dos talheres, para aqueles que se sentem constrangidos, ou, ainda, os turistas que por ali passam e não possuem o mesmo conhecimento ou facilidade no consumo dos alimentos desta forma. Além de sopas nas entradas, as carnes nos pratos principais com seus acompanha- mentos, há também as sobremesas regadas a mel e especiarias, que possuem ainda a característica do uso de frutas secas, castanhas e de agentes de aromatização, que fazem delas perfumadas e deliciosas produções. 20 Cozinha grega A culinária grega é considerada uma das mais ancestrais do mundo, por conta prin- cipalmente de ter como base a renomada Dieta do Mediterrâneo, que se caracteri- za pelo consumo de produtos de qualidade em suas quantidades ideais, para uma alimentação baseada em nutrientes que promovam a longevidade da maneira mais natural e saudável o possível. Baseiam-se em peixes com relevante teor de colágeno, cereais e grãos integrais, frutas, legumes, verduras, azeites de oliva extra virgem e na prática de atividades físicas e hábitos de uma vida social ativa. Figura 8: Bases da dieta do Mediterrâneo, formada por peixes, cereais, grãos, legumes, frutas, verduras e entre outros ingredientes as especiarias e ervas. Fonte: Freepik.com. Além disso, a Grécia se beneficia ainda de uma localização geográfica que facilita e promove uma relação do país com os produtos frescos do mar e da terra. Este pra- zer no comer bem e na sua relação com a saúde sempre foi algo de interesse dos gregos quanto ao aspecto da funcionalidade dos nutrientes. Diz-se que os gregos, tradicionalmente, não costumam consumir alimentos sem ter a certeza dos benefícios possíveis em sua saúde. SAIBA MAIS Hipócrates, considerado o pai da Medicina, é creditado como o grande influen- ciador da busca pela preservação do corpo e da saúde por meio de alimentos funcionais. Defendia uma alimentação equilibrada que garantisse uma vida ativa, saudável e longínqua, sem o uso de remédios e complementos. Os queijos são ingredientes de extremo valor para a cultura alimentar grega e são diversos, com suas características específicas. Segundo Reis (2005), alguns deles, de maior destaque, são o feta, conhecido não apenas na Grécia, mas ao redor do mundo, feito com uma pasta de leite de ovelha ou cabra, que passa por processo de produção de coalhada e que depois é conservado em salmoura, que a ele agrega ainda mais 21 valor; o Kasséri, que é um queijo fresco, feito com leite de ovelha e o Metzovitico, queijo defumado, feito com uma mistura de leites de vaca, entre outros. O famoso iogurte grego, de textura mais firme e encorpada, também tem uso consi- derável no país, podendo ser consumido com mel, frutas secas e castanhas, ou ainda como acompanhamento em pratos diversos. SAIBA MAIS O filme Casamento Grego apresenta a intensa relação dos gregos com a hospi- talidade, comensalidade e, principalmente, com o alimento, em todos os seus costumes, no cotidiano e nos rituais festivos. Neste filme, o pano de fundo é um casamento, por isso mostra como os ingredientes têm poder e como se valoriza a cultura grega por meio de sua alimentação. O frescor e a leveza da alimentação grega contrariam a gastronomia clássica francesa, com seus molhos encorpados, suas marinadas longas e que antes da Nouvelle Cuisine, de acordo com Santos (2010), acabavam por, inclusive, em meio a essa produção prolongada, alterando o sabor original dos produtos, mascarados pela quantidade de temperos fortes não evidenciados em sua naturalidade. Os hábitos e a rotina grega baseiam-se, de acordo com Reis (2005), em três refeições principais, que contemplam o café da manhã, sempre acompanhado de frutas, pães, mel, iogurtes e café; o almoço, que contempla os guisados e carnes assadas, além dos peixes regados à azeite, saladas, frutas e queijos e, por fim, o jantar, que costuma ser repleto de tira-gostos, montados em uma mesa repleta de queijos, azeitonas e, ainda, pequenos pedaços de polvo grelhado. Nessa mesa são ainda colocados itens diversos, o que a torna semelhante à mesa árabe, que na Grécia recebe o nome de mézédès e acompanha, por vezes, uma bebida, de acordo com Reis (2005), chamada de Ouzo, que é basicamente uma aguardente de anis. 22 Cozinha Americana Nos Estados Unidos, os povos nativos ensinaram os primeiros colonos não só a plantar milho, abóbora e a caçar perus, mas também a cultivar da melhor maneira as suas terras. O sugaring off (processo em que a seiva da árvore red maple é recolhida e fervida até se transformar num xarope espesso ou açúcar cristalizado) foi um destes ensinamentos. Os povos originários também inventaram os primeiros clams bakes – um modo de cozinhar frutos do mar frescos (mariscos, mexilhões, lagostins, lagostas etc.) em grandes potes sob cinzas, com algas e espigas de milho. Somando as tradições trazidas pelos colonos, outras influências foram de grande contribuição, como a dos Menonitas (entre os quais os Amish são os mais conhecidos), que se estabeleceram no final do século 17. Ao longo dos séculos 18 e 19, os americanos desenvolveramdiversos novos alimentos. Durante a Era Progressista do final do século 19 e início do século 20, a produção de alimentos tornou-se bem mais industrializada. Os vários estilos culinários continuaram se expandindo nos séculos 19 e 20, proporcionalmente ao grande fluxo de imigrantes, de muitas nações diferentes, que alimentou uma rica diversidade na preparação de alimentos em todo o território. Para melhor exemplificar os contrastes encontrados nos Estados Unidos, podemos dividir o país em cinco regiões gastronômicas: New England (Nova Inglaterra) Esta região inclui os estados de Connecticut, Massachusetts, New Hampshire, Rhode Island, Maine e Vermont. Aqui a culinária nativa americana tornou-se parte do estilo de culinária que se estabeleceu, mesclando-se com aquela que os primeiros colonizado- res trouxeram com eles, basicamente se caracteriza pelo uso extensivo de produtos nativos (milho, abóbora e feijão), aves (peru e pato), frutos do mar e laticínios, o que resulta de sua dependência histórica de seus portos marítimos e indústria pesqueira, além de uma extensa produção de laticínios nas regiões do interior. Muitos dos pri- meiros colonos puritanos da Nova Inglaterra eram do leste da Inglaterra, onde assar alimentos (como tortas, grãos e aves) era mais comum do que fritar. O carboidrato do dia a dia é a batata. A culinária da Nova Inglaterra é conhecida pelo uso limitado de especiarias, além da pimenta-do-reino moída, salsa, alho, sálvia e noz-moscada. O uso de creme é comum, devido à dependência dos laticínios. O bacalhau é um ícone da culinária da Nova Inglaterra, a pesca comercial do baca- lhau ao longo da costa do Atlântico remonta ao século 17. Esse mesmo bacalhau foi transportado por navios mercantes para a África, que retornavam com pessoas escravizadas para plantações no Caribe e açúcar para a Nova Inglaterra. 23 Vale do Delaware e Middle-Atlantic A região do Meio-Atlântico compreende os estados de New York, New Jersey, Pennsylvania, Delaware e norte de Maryland. As influências na culinária desta região são extremamente ecléticas, devido ao fato de que foi e continua sendo uma porta de entrada para a cultura internacional, bem como para novos imigrantes; voltando aos tempos coloniais, cada novo grupo deixou sua marca na culinária local e as cidades, por sua vez, dispersam as tendências para todo o país. Além disso, cidades como New York e Philadelphia tiveram a influência passada das cozinhas holandesa, italiana, inglesa, alemã, irlandesa e judaica e essa influência continua até hoje. Midwest (o Centro-Oeste) Esta região abriga os seguintes estados: Illinois, Iowa, Kansas, Indiana, Michigan, Nebraska, Minnesota, Wisconsin, Oklahoma, North Dakota, Ohio e South Dakota. A gastronomia do é uma mistura muito eclética do conceito (práticas socioculturais e econômicas relacionadas à produção e consumo de alimentos), variando desde o churrasco no “estilo” de Kansas até o cachorro-quente ao “estilo” de Chicago, embora muitos de seus clássicos sejam pratos muito simples e saudáveis. Principalmente por esta região ter ficado completamente intocada por colonos tanto europeus quanto americanos até a Guerra Civil (1861 a 1865), foi povoada principalmente por agru- pamentos nômades como os Cheyenne e Sioux, que tal como a maioria dos outros grupos nativos americanos consumiam as “três irmãs” (feijão, milho e abóbora) como base da dieta alimentar. Esses grupos seguiam também os rebanhos de búfalo e os caçavam, primeiro a pé e depois a cavalo, usando arco e flecha (após a propagação da raça Mustang do Sudoeste, pela exploração dos conquistadores espanhóis). Há relatos escritos de caçadores e colonos que atestam sua dependência do búfalo. Depois do animal qua- se ser eliminado, essa região passou a criar seus próprios búfalos ao lado do gado, por conta de sua carne ser lucrativa, transformando-os em hambúrgueres e vários cortes cárneos. South (o Sul) A Região Sul dos Estados Unidos é formada pelos estados: Alabama,Arkansas, North Carolina, South Carolina, Florida, Georgia, Louisiana, Kentucky, Missouri, Mississippi, Maryland, Tennessee, Texas, Virginia e West Virginia. Muitos elementos desta culinária, tais como abóbora, milho (e seus derivados, incluindo grãos) e churrascos em pro- fusão são heranças das tribos indígenas do Sudeste, como os Seminole. Supõem-se que a palavra para churrasco – ou “Bar-b-que” ou ainda “B.B.Q.” – tenha derivado da palavra haitiana ; muitos atribuem esse costume à criação de gado durante a grande migração para o oeste. A carne é grelhada em fogo à lenha ou carvão em brasa, pin- celada com molho antes, durante e depois da cocção. Na Louisiana, a culinária Creole ou Cajun é o estilo predominante, onde se combinam influências africana, francesa, espanhola, ameríndia e haitiana; a culinária da Flórida (conhecida como ) é baseada na cozinha espanhola, com óbvias influências caribenhas. 24 West (Oeste) A Região Oeste do país é formada pelos estados do Alaska, Arizona, Colorado, California, Hawaii, Idaho, Nevada, Montana, New Mexico, Utah, Oregon, Washington e Wyoming. O oeste dos Estados Unidos possui sua própria culinária, distinta de várias maneiras da do resto do país. Na região, o Movimento Local de Alimentos é cada vez mais influente, assim como o conceito de sustentabilidade. Esses movimentos visam a conectar produtores e consumidores da mesma região geográfica, para desenvolver redes alimentares mais autossuficientes e resilientes, melhorar as economias locais e afetar positivamente a saúde, o ambiente, a comunidade e a sociedade de um determinado local. Nos es- tados do Oregon e Washington, existem várias especialidades envolvendo salmão; nos estados de Utah, Montana, Idaho, New Mexico, Nevada, Colorado e Wyoming, a cultura é um fator decisivo, onde variações no tema da carne bovina grelhada e culi- nária ao ar livre são comuns. Os vinhos americanos A vitivinicultura não é recente nos Estados Unidos, tendo sido introduzida na Califórnia no final do século 18, com a chegada dos missionários espanhóis. No século 19, desenvolveu-se com os imigrantes europeus até a Lei-Seca, que de 1919 a 1930 limitou drasticamente sua evolução. Finda esta lei, a vitivinicultura voltou a florescer, principalmente após o boom econômico de 1970. As variedades cultivadas são de origem francesa, essencialmente Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e Pinot Noir para as castas tintas e Chardonnay, Sauvignon Blanc e Chenin Blanc para as castas brancas. Os vinhos americanos são, em sua maioria, varietais (produzidos com um tipo só de uva), com a especificação indicada no rótulo. Na Califórnia estão localizados mais de 80% dos vinhedos do país, suas duas regiões mais famosas são: Napa Valley, mais ao interior, ao norte de San Francisco, e Sonoma Valley, próxima ao Oceano Pacífico. Desfrutando de condições climáticas particula- res favoráveis, com variações de temperatura de mais de 20ºC, essas duas regiões produzem os melhores e mais finos vinhos dos Estados Unidos. Durante muitos anos, todo tipo de variedade de uvas foi cultivado na região sem se levar em conta suas especificidades, mas a partir da década de 1980 iniciou-se a plantação de variedades mais nobres e melhor adaptadas às especificidades do solo; assim, o melhor Chardonnay provém das regiões mais frias, que favorecem o refina- mento e a elegância dos vinhos. Por outro lado, a casta Cabernet Sauvignon é plantada em regiões mais quentes, de modo a atingir uma melhor maturação. De forma geral, a tendência da região é produzir vinhos relativamente amadeirados, graças ao uso de barricas de carvalho americano, que confere ao vinho um sabor mais doce, mais marcante e mais opulento que os dos vinhos europeus (principalmente os franceses). 25 SAIBA MAIS O filme O Julgamento de Paris relata a degustação de vinhos mais importante ocorrida no século 20. A partir dela, a vinicultura renasceu nos Estados Unidos, logo após a queda provocada pela Lei Seca. Oevento foi uma degustação às cegas realizada em Paris, em 24 de maio de 1976, com a participação de reno- mados rótulos franceses em contraste com desconhecidos vinhos norte-ameri- canos. O filme tem a direção de Randall Miller, e estreou em 2008. O Central Valley, entre as cidades de Los Angeles e San Francisco, também produz vinhos, mas de qualidade menos interessante, são os chamados Jug Wines (vinhos de jarra) ou vinhos de mesa, mais baratos, geralmente vendidos em garrafão de 1, 3 ou 5 litros. Se a economia da vitivinicultura californiana é importante, ela se concentra, contudo, nas mãos de algumas poucas vinícolas ou wineries, que vinificam não só as suas próprias colheitas, mas também aquelas provenientes de pequenos produtores que as vendem. No oeste dos Estados Unidos, dois outros estados se distinguem pela qualidade de seus vinhos, o estado de Washington, que na maioria vende suas colheitas para serem vinificadas na Califórnia, e o estado de Oregon, onde os vinhos produzidos de Pinot Noir ganham cada vez mais notoriedade. Na costa leste o estado de New York ocupa a segunda colocação em superfície vitivinícola, cultivando variedades híbridas e produzindo vinhos frisantes. Fast Food Atualmente, os Estados Unidos possuem a maior indústria alimentar de do mundo e os restaurantes americanos dessa modalidade estão localizados em mais de 100 países. Aproximadamente 4,7 milhões de trabalhadores americanos estão empre- gados nas áreas de preparação e serviços de alimentação. Preocupações com uma epidemia de obesidade e outras doenças relacionadas inspiraram muitos governos locais nos Estados Unidos a propor a limitação ou regulamentação de restaurantes desse tipo. O interessante desse fenômeno é que algumas áreas são mais afetadas do que outras, em Los Angeles, por exemplo, cerca de 45% dos restaurantes no centro são cadeias de fast food ou restaurantes com assentos mínimos; em comparação a apenas 16% dos restaurantes da periferia. 26 Cozinha canadense O Canadá é o segundo maior país do mundo (depois da Rússia) e é o maior país da América do Norte. As províncias orientais, conhecidas como Maritimes, são separa- das do resto do país por cadeias de montanhas baixas. Terra Nova e Prince Edward Island são províncias do Oceano Atlântico, no total 4/5 de seu território são cobertos por extensões de florestas e água – um rico manancial para a gastronomia. Os primeiros cozinheiros do Canadá, os povos indígenas, são conhecidos por terem usado mais de 500 espécies de plantas como alimento. Eles cultivavam e coletavam essa grande variedade de plantas, consumiam animais de caça (grandes cervídeos e pequenos mamíferos), aves (patos, gansos e perdizes) e peixes de mar e água doce (salmão, truta e bacalhau). Segundo Ford (2020), também usaram várias ferramentas para ferver, defumar/pre- servar e assar seus alimentos. A chegada dos franceses e ingleses trouxe mais ingre- dientes e novas técnicas de cozinha. Hoje, muitos dos pratos tradicionais do Canadá têm a marca dessas influências indígenas, francesas e inglesas. Mas quando dizemos cozinha canadense, que características vêm à mente? É realmente difícil de dizer. Quando dizemos comida indiana, pensamos imediatamente na mistura de especiarias e cheiros que a tornam distintamente indiana. Mencione comida chinesa e você imagina pratos bens saborosos. Com a culinária canadense, pode ser difícil identificar um sabor, textura ou característica singular. Um primeiro ministro canadense chegou a descrevê-la como “uma mistura de outras cozinhas”, o que é um pouco preciso, já que o Canadá é um dos países mais multiculturais do mundo. No entanto, se procurarmos por pratos populares na tentativa de defini-los, veremos que o que torna a comida canadense verdadeiramente canadense, pode ser seu pano de fundo histórico e os ingredientes locais usados para fazê-la. Segundo Herch (2009), não existe uma definição única para a culinária canadense; começa com ingredientes que brotam da paisagem e com pratos tradicionais mergulhados na história e cultu- ra da região. Na linha de frente da cena culinária do Canadá, cada chef reinterpreta de forma inovadora esses elementos para refletir uma visão muito pessoal da terra, comida e pessoas ao seu redor. Os alimentos favoritos dos canadenses variam um pouco de região para região e são fortemente influenciados por sua herança familiar, principalmente em relação às celebrações de feriados. Ao longo da costa atlântica, são comuns frutos do mar e pratos derivados das tradições inglesas, exceto em Quebec, onde as comidas fa- voritas vêm da herança francesa. Em todo o Canadá, xarope de bordo e produtos de bordo são populares, refletindo o significado da árvore de bordo, cuja folha adorna a bandeira nacional. Muitas famílias desfrutam de uma visita no início da primavera a um “barraco” de açúcar de bordo, o edifício rústico especial onde a seiva das árvores é fervida em uma grande panela aberta para se fazer o xarope de bordo. No final da primavera, muitas pessoas no leste do Canadá visitam uma área arborizada para colher “cabeças de violinos”, estas plantas são chamadas assim pois parecem com a extremidade enrolada de um violino, são os novos e saborosos brotos de sa- 27 mambaias da floresta, colhidas antes de se transformarem em grandes folhas ren- dadas. São uma especialidade frágil da primavera, geralmente disponível por apenas algumas semanas. Os supermercados do Canadá podem estocar cabeças de violino congeladas ao lado de outros vegetais congelados (HERCH, 2009). A dieta canadense Os canadenses costumam comer três refeições padrão por dia – café da manhã, almoço e jantar – cada uma das quais é bastante distinta. O café da manhã é preparado para fornecer combustível para o dia todo. Infelizmente, muitos canadenses tendem a ser apressados demais pela manhã para dar muito esforço à refeição e, como resultado, ela costuma ser a refeição mais largamente ignorada. Os alimentos tradicionais do café da manhã no Canadá são: ovos cozidos, linguiça ou bacon fritos, batata frita, pão torrado, panquecas com xarope de bordo e cereais ou aveia com leite quente. Para quem está com pressa, um café da manhã pode consistir apenas em uma das opções acima; para quem leva a sério, não é incomum que um café da manhã canadense “saudável” contenha quase tudo o que foi mencionado. O almoço também pode ser uma refeição leve, pois é tradicionalmente consumido ao meio-dia, hora em que a maioria dos canadenses ainda está trabalhando. Os alimentos tradicionais do almoço canadense tendem a ser fáceis de fazer, como sanduíches, sopas ou saladas. Nas ocasiões em que mais tempo e esforço estão disponíveis (por exemplo, no fim de semana ou quando se visita um restaurante), as refeições no almoço podem ser bastante indistinguíveis das refeições no jantar. O jantar é quase sempre a maior e mais bem preparada refeição de qualquer cana- dense, algo que se espera com prazer após um longo dia de trabalho. Esse desejo de tornar a refeição agradável e satisfatória significa que os canadenses tendem a ter muitas coisas diferentes para o jantar, no entanto, pode ser difícil resumir uma comida de jantar canadense “tradicional” como resultado. De modo geral, os jantares canadenses apresentam uma grande variedade de prepara- ções, sendo as carnes bem diversificadas, como frango, carne de porco, hambúrguer ou carne moída, legumes cozidos (cenoura, ervilha, feijão verde, couve-flor, brócolis ou milho) e uma base de grãos ou amido, como arroz, macarrão, batata ou pão. Apenas cerca de 5% das terras do Canadá são consideradas aráveis (capazes de cultivar) e a agricultura contribui com cerca de 2% para o produto interno bruto do país. As fazendas canadenses produzem grãos como trigo, cevada, milho e aveia; o Canadá ocupa o terceiro lugar no mundo em exportação de grãos. Os agricultores e pecuaristas canadenses também criam gado para exportação, especialmente em Alberta, Saskatchewan e Manitoba.H. F. Ullmann, 2010. OLIVER, J. Jamie’s America: easy twists on great America Classics, and more. United States: Hachette Books, 2010. PERAFAN-SIMMONDS, M. S.; MAUMONT, J. M. La Cocina Sudamericana. Madrid: Sausaeta Ediciones, 1998. PHAM, M. 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