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Cozinha Japonesa, Chinesa, 
Indiana, Árabe, Grega 
e das Américas
INTRODUÇÃO ...........................................................................................................4
COZINHA ÁRABE ....................................................................................................5
Princípios da cozinha árabe .................................................................................... 5
COZINHA SÍRIO-LIBANESA ..................................................................................8
Principais aspectos culturais da cozinha árabe .................................................... 13
Ingrediente, técnicas e tendências da cozinha árabe ........................................... 17
Marrocos .................................................................................................................. 17
COZINHA GREGA ....................................................................................................20
COZINHA AMERICANA ..........................................................................................22
New England (Nova Inglaterra) ............................................................................... 22
Vale do Delaware e Middle-Atlantic ..........................................................................23
Midwest (o Centro-Oeste) ....................................................................................... 23
South (o Sul) ............................................................................................................. 23
West (Oeste) ............................................................................................................. 24
Os vinhos americanos ............................................................................................. 24
Fast Food ....................................................................................................................25
COZINHA CANADENSE .........................................................................................25
A dieta canadense ................................................................................................... 27
AMÉRICA CENTRAL ................................................................................................28
Tanto em terra quanto no mar ................................................................................ 28
Da Terra .................................................................................................................... 28
Uma pitada de sabor ............................................................................................... 29
Aromas e sabores .................................................................................................... 29
Vida cotidiana .......................................................................................................... 30
México ...................................................................................................................... 30
O mundo Yucatán dos Maias .................................................................................. 34
Costa do Pacífico ..................................................................................................... 34
COZINHA CHINESA ................................................................................................34
As tradições culinárias clássicas da cozinha chinesa .......................................... 35
A cozinha do norte ................................................................................................... 35
A cozinha do leste ................................................................................................... 36
A cozinha do sul ....................................................................................................... 36
A cozinha do oeste .................................................................................................. 36
Além das armadilhas para turistas ......................................................................... 36
A importância do chá .............................................................................................. 37
COZINHA INDIANA .................................................................................................37
A riqueza de ingredientes ........................................................................................ 37
Etiqueta social.......................................................................................................... 38
Alimentos para celebração ..................................................................................... 39
COZINHA JAPONESA .............................................................................................39
Ano Novo .................................................................................................................. 40
No dia a dia .............................................................................................................. 41
O Sushi ..................................................................................................................... 41
COZINHA DA AMÉRICA DO SUL ........................................................................42
CONSIDERAÇÕES FINAIS .....................................................................................44
REFERÊNCIAS ..........................................................................................................45
4
Introdução
Nesta unidade apresentaremos conceitos importantes sobre Cozinha Internacional. 
Nosso objetivo é, ao final, sabermos caracterizar bem os pratos das cozinhas: japo-
nesa, chinesa, indiana, árabe, grega e das Américas, além de termos propriedade para 
responder quando um cliente perguntar algo sobre. Para chegarmos lá, precisamos 
conhecer mais sobre cada uma destas culturas gastronômicas.
A Cozinha Japonesa é, sem sombra de dúvidas, muito especial: não só por ser deli-
ciosa, mas também porque é elaborada com pouquíssima gordura, de fácil preparo, 
com uma apresentação caprichada e, o mais importante, é muito saudável, já que são 
utilizados produtos da estação e sempre frescos. Com sua alimentação de boa quali-
dade, os japoneses esbanjam longevidade. Seus métodos de cocção utilizam pouca 
gordura. Além disso, os pratos não incluem molhos pesados ou indigestos, apenas 
temperos sutis para ressaltar o sabor natural dos ingredientes. O destaque está na 
frescura e qualidade dos alimentos crus, desde sua escolha até a chegada à mesa. 
Os principais ingredientes dessa cozinha são o arroz, o peixe fresco e os derivados 
da soja, além de uma ampla variedade de legumes e verduras.
A diversidade da Cozinha Chinesa muitas vezes confunde os viajantes, acostumados 
com os cardápios quase uniformes dos restaurantes chineses ocidentais. Quando o 
visitante está por suas fronteiras, encontra tantas surpresas culinárias que o efeito 
não poderia ser mais avassalador. Isso se deve a razões puramente geográficas, pois 
a China cobre uma área de mais de 9,5 milhões de Km², espalhada por quatro zonas 
climáticas distintas, desde as fronteiras frias da Sibéria até a ilha tropical de Hainan; 
das altas montanhas do Himalaya até o deserto de Gobi, portanto não surpreende 
que as tradições culinárias locais sejam muito diferentes umas das outras.
Na índia, a refeição é sempre uma ocasião especial, o alimento não é tratado apenas 
como alimento do corpo, a crença local diz que o alimento ingerido e o Universo devem 
estar em sintonia, por isso comer em conjunto representa harmonia, amor e unidade, 
num sentido mais amplo. A Cozinha Indiana é caracterizada, então, por uma gama 
de cores, aromas e sabores, cada região tem seu próprio dialeto, costumes, gostos e 
maneiras de preparo dos alimentos.
Toda refeição árabe começa com o mazza, e são servidos diversos pratos como pas-
tas, frutas frescas e secas, conservas, saladas, guisados, grelhados e sobremesas. 
Resumindo, a Cozinha Árabe é considerada uma ocasião especial,culinárias e costumes ancestrais da comunidade”. Em 2010 a culinária tradicional 
mexicana foi oficialmente inscrita na lista representativa do patrimônio cultural ima-
terial da humanidade.
Mas o que exatamente é a cozinha tradicional mexicana? Em primeiro lugar, a cozinha 
tradicional mexicana se aplica apenas a pratos mexicanos autênticos; mesmo perto 
da fronteira, em San Diego, a maioria da comida mexicana servida nos Estados Unidos 
está longe de ser autêntica ou tradicional. Burritos, chilli com carne, chimichangas, 
tacos de casca dura ou enchiladas (como conhecidos nos Estados Unidos), nachos, 
todos são exemplos da culinária Tex-Mex; até as fajitas são uma invenção Tex-Mex 
(oferecida aos turistas no México, pois muitos americanos associam as fajitas à 
autêntica comida Mexicana).
O Tex-Mex é uma culinária muito pouco relacionada à culinária mexicana, inventada 
pelos primeiros colonos do Texas. O Tex-Mex foi inspirado e adaptado pela culinária 
mexicana, no entanto, os ingredientes e práticas culinárias associadas à culinária 
tradicional mexicana não fazem parte desse tipo de comida “mexicana”, com sede 
nos Estados Unidos.
Alguns aspectos são importantes para distinguir-se a comida original mexicana da 
Tex-Mex:
https://www.mexicolore.co.uk/aztecs/aztefacts/aztec-floating-gardens
32
Ingredientes frescos e saudáveis, como tomates e pimentões, e não potes de salsa comprada em 
lojas, por exemplo.
Especiarias tradicionais (como coentro e epazote) em vez de cominho ou orégano seco.
Tortilhas à base de milho, não tortilhas de trigo.
Tacos macios, não cascas de taco crocantes.
Queijo branco (como cotija ou queijo fresco) em vez de queijo amarelo (cheddar).
Grãos de milho cozidos e espigas de milho completas, em vez de salsas e pratos com milho doce 
como ingrediente.
Frijoles preparados a partir do zero, não feijão frito americanizado.
Tabela 2: Aspectos importantes da culinária mexicana tradicional para melhor distinguir os pratos mexicanos 
autênticos dos Tex-Mex. Fonte: Adaptado Maitre (2005).
Desde a descoberta pelos espanhóis, muitas culturas culinárias se desenvolveram 
pela região; no México a culinária atual ainda se baseia firmemente nos fundamentos 
dos antigos habitantes – maias e astecas – mostrando, mesmo assim, as influências 
da culinária dos colonizadores espanhóis, que trouxeram seus próprios ingredientes, 
métodos e técnicas de cocção. Com a chegada dos europeus, a culinária nativa en-
riqueceu, frutas, legumes, grãos, carnes e especiarias do Velho-Mundo juntaram-se 
ao milho e aos caldos de raízes da culinária nativa.
SAIBA MAIS
Leia o texto: A dispersão dos pimentos americanos e a disseminação de seu uso 
a partir da expansão marítima europeia.
Disponível em: http://www.cih.uem.br/anais/2011/trabalhos/230.pdf
 Apesar de dominarem a agricultura, com o uso de técnicas avançadas (para a época), 
eles haviam domesticado apenas uns poucos animais; quando os espanhóis chegaram 
com cavalo, porco, gado e frango, foram muito bem-vindos. Os nativos adotaram uma 
série de novos sabores em sua dieta. Os espanhóis, em retorno, descobriram que o 
tesouro das Américas não era o ouro, e sim a comida. Rapidamente o Velho-Mundo 
aceitou o milho, a batata, os tomates, os chillis, o chocolate, o tabaco, o abacate, o 
amendoim, os feijões, a abóbora, a baunilha, o abacaxi e o mamão. Durante um curto 
espaço de tempo, o México foi influenciado com a sofisticada culinária trazida da 
França e da Áustria durante a experiência de ser um estado governado por Maximiliano 
de Habsburgo e Carlota Leopoldina, de 1864 até 1867.
Quais são os componentes essenciais que dão à culinária mexicana seu reconhecido 
caráter? Chillis secos e frescos, doces ou picantes, são encontrados em vários pratos 
mexicanos. Apesar de muitos países latinos não utilizarem os chillis, os mexicanos 
desenvolveram praticamente todos os métodos imagináveis de incorporá-los à sua 
dieta.
Canela, cravo, pimenta da Jamaica, cominho e pimenta-do-reino preta também me-
recem destaque, ervas como coentro, epazote (no Brasil conhecida como mastruz), 
orégano e manjerona dão uma especial combinação de sabores, suco fresco de limão 
http://www.cih.uem.br/anais/2011/trabalhos/230.pdf
33
acentua as notas altas, enquanto as ervas, especiarias e chilli movem-se em uma 
escala total de sabores. O ritmo da culinária é provido pelo sabor de alhos e cebolas 
assadas, que passam por muitos pratos. Estas misturas de alimentos nutricionalmente 
essenciais transcende a fronteira da subsistência e entra no campo das prazerosas 
experiências de todos os dias.
Para compreender melhor a diversidade da cultura gastronômica do México, podemos 
dividir o país em algumas regiões:
Istmo de Tehuantepec
O Istmo de Tehuantepec é a parte mais fina do México Continental, situada entre o 
Oceano Pacífico e o Golfo do México. Antes da abertura do Canal do Panamá, era a 
rota mais importante para mercadorias que viajavam lentamente através das terras 
relativamente planas entre as duas massas de água. Parte em Oaxaca, em Chiapas, 
em Tabasco e em Veracruz, o território tem suas próprias lendas, sua própria história 
e sua própria culinária.
A culinária da região é baseada em alimentos e ingredientes tradicionais. Os pratos 
podem variar de simples a elaborados; a maioria dos pratos inclui milho e moles (mo-
lho típico da região, feito à base de frutas, chilli e especiarias). Itens comuns incluem 
tamales feitos com iguana, frango, carne bovina ou tatu; guetabingui (bolinhos fritos 
de arroz e camarão); Garnachas, cobertas com queijo seco Oaxaca, e pozol, uma sopa 
à base de milho.
As enormes pilhas de camarão, remetem à abundância das águas costeiras. Este 
camarão é cozido na água do mar depois de ser capturado e deixado para secar, eles 
são a base para uma variedade de itens alimentares vendidos nos mercados, tais 
como caldos – sopas – e Gueta Bingui – croquetes de camarão.
Duas vertentes distintas surgiram na região, uma em Veracruz, onde a cozinha de-
senvolveu-se naturalmente a partir da abundância de carne bovina e frutos do mar 
(com pratos típico das regiões caribenhas), outra nas terras altas de Oaxaca, o centro 
sulista da tradição indígena, onde encontramos suas raízes baseadas na rica cultura 
dos antigos habitantes locais – os zapotecas. Na falta de carnes e outras fontes co-
muns de proteína, os nativos desta região utilizaram o que tinham à disposição, onde 
insetos e larvas ainda têm a sua importância na dieta de pessoas de todas as classes.
Dentre as iguarias mais importantes, podemos salientar os escamoles, que são larvas 
da formiga; esse ingrediente é considerado uma iguaria, é sazonal (melhor época para 
coleta é de março a abril) e seu sabor lembra avelãs e manteiga. Os chapulines são 
grilos fritos crocantes servidos com sal, limão e chilli, geralmente são capturados nas 
plantações de milho e figuram uma boa fonte de nutrientes. Huitlacoche é o nome 
dado a um fungo que ataca o milho na região. Por fim, sobra o conhecido “verme 
da tequila” ou “verme do mescal”, que é a larva de uma mariposa que deposita seus 
ovos nos agaves, essas larvas (gusano de maguey) são geralmente fritas ou tostadas 
e depois comidas como aperitivo ou inseridas nas bebidas para lhes conferir sabor 
(ZURITA, 2013).
34
Fronteira
O norte do México se assemelha muito ao Texas estadunidense. Vastas áreas aber-
tas, mais secas, gado em criação extensiva, cozinha com influência dos vizinhos. 
Mexicanos vestidos como caubóis cavalgam na região localizada entre a Sierra Madre 
Oriental e Ocidental (TAUSEND; PALAZUELOS, 1993).
Os laticínios produzidos em Chihuahua, Sonora e Durango abastecem todo o país. O 
queijo mexicano mais conhecido por sua qualidade é o chihuahua, muito usado nas 
populares quesadillas e nos chillis poblano rejenos.
Tenochtitlan e as Terras Altas do México.
Tenochtitlán era a antiga capital do Império Asteca, iniciou sua história em 1325; após 
200 anos, Tenochtitlán havia se desenvolvido como a cidade maisavançada do mundo 
em agricultura. Cinco vezes maior que Londres, a futura Cidade do México foi cons-
truída sobre um lago, com um complexo sistema de irrigação pronto para sustentar 
as culturas de milho, do chilli e outros legumes durante o ano todo. Desde o tempo 
dos Astecas a cidade era um lugar aonde todas as estradas levavam, trazendo bens 
e vários tipos de produtos de outras partes da região. A principal atração da cidade 
são os grandes mercados onde a comida de várias tribos e raças se juntaram.
Apesar de não haver uma cozinha específica e unificada por todo o México, duas ten-
dências saltam aos olhos: a enorme herança secular da velha cozinha dos ameríndios 
e os excitantes pratos criados pelos chefs, usando os ingredientes tradicionais de 
uma nova maneira. Puebla, considerado o berço da culinária mexicana, foi fundado 
pelos espanhóis no século 16. Era uma importante parada para os exércitos e viajan-
tes entre Veracruz e a Cidade do México. Os pratos de Puebla sintetizam a fusão das 
culinárias indígenas e espanhola, e servem como núcleo da culinária mexicana hoje.
O mundo Yucatán dos Maias
Perfumada e picante, a cozinha yucateca pode deliciar o paladar com sabores exclusi-
vos da região. A culinária regional distinta do estado de Yucatán incorpora muitos dos 
ingredientes tradicionalmente usados na culinária maia, incluindo milho, chocolate, 
peru selvagem, abóbora, pimentão e tomate, com ingredientes europeus como carne 
de porco, laranjas, queijo espanhol e Edam, dos holandeses. A culinária yucateca difere 
da culinária tradicional mexicana, em parte devido ao isolamento geográfico da região 
de Yucatán de outras partes do México e suas influências europeias, caribenhas, do 
Oriente Médio e indígenas. Muitos dos pratos deliciosos que você encontrará nos 
menus dos restaurantes da Península de Yucatán não são tradicionalmente prepara-
dos em outras partes do país.
Dois temperos frequentemente usados na culinária maia incluem o achiote (molho 
feito de sementes de urucum moído) e pipian (molho feito de sementes de abóbora 
moída). Pratos regionais como cochinita pibil (leitão assado) e pollo pibil (frango) são 
35
preparados pela marinada de carnes em molho de achiote, e papadzules (tacos cheios 
de ovos cozidos) são servidos com molho de pimenta. Outros pratos tradicionais 
yucatecas que você encontrará incluem: sopa de lima (sopa de frango e tortilla com 
limão), poc chuc (carne de porco marinada em suco de laranja azedo), pollic ticuleño 
(frango assado em folhas de bananeira), pavo en relleno negro (peru em pasta preta 
do chile), pavo en escabeche (peru frito com cravo e pimenta-do-reino), trancas de 
porco (sanduíches de carne de porco desfiada) e panuchos e salbutes (tortillas fritas 
com cochinita). Carnes de veado, tatu e jacaré também são encontradas na região.
Costa do Pacífico
Esta é uma região conhecida pela fartura de frutos do mar. Os pratos regionais mais 
tradicionais são encontrados longe dos pontos mais turísticos, nas pequenas vilas de 
pescadores entre a costa e a cordilheira Sierra Madre Ocidental. Extensas plantações 
de cana-de-açúcar, tomate, arroz, pimentas e outros vegetais constituem a paisagem 
local. Nesta região já começamos a ver mais as tortilhas de trigo, e não tanto a de 
milho. Além dos frutos do mar, o porco é a principal proteína, recheando tortilhas 
e outras produções. O tepache é uma bebida fermentada típica, feita de abacaxi. 
Inclusive, a origem botânica do abacaxi é justamente a América Central (TAUSEND; 
PALAZUELOS, 1993).
Cozinha Chinesa
A culinária chinesa é uma das culinárias mais antigas e diversas do mundo. Dois mil 
anos antes do início de nossa era, as pessoas ali comiam macarrão. Ainda hoje, cada 
província – há 23 no total – tem seu próprio estilo de culinária, baseado em ingre-
dientes e preferências regionais. Eles variam de verduras colhidas nas montanhas 
e frutos do mar frescos e salgados na costa nordeste até os leves e doces detalhes 
da culinária cantonesa. Na China Central, onde as malaguetas são exuberantes, as 
pessoas adoram comida picante, enquanto em Pequim o cordeiro é o favorito.
Há um ditado chinês, muito antigo, que diz “comida é o paraíso para o povo” (autor 
desconhecido). Com mais de 5000 pratos nomeados, a culinária chinesa é tão variada 
quanto os diferentes povos e áreas geográficas do país. Tradicionalmente, a culinária 
chinesa deve ser apreciada por: aparência e aroma, sabor e textura, equilíbrio e har-
monia dos elementos yin e yang, e suas propriedades nutritivas.
Na culinária chinesa, o arroz é o símbolo da própria vida. É adicionado a muitos pratos 
e preparado de várias maneiras, seja cozido, cozido no vapor, assado ou frito. O arroz 
está entre uma das sete necessidades básicas da vida antiga. Os outros são: chá, 
combustível, óleo, sal, molho de soja e vinagre. Nos climas áridos do norte da China, 
o trigo é mais prevalente como alimento básico do que o arroz.
A base de sabor de muitos pratos chineses consiste em alho, gengibre, pó de cinco 
especiarias (anis estrelado, canela, cravo, pimenta de Sichuan e semente de erva-
-doce) e óleo de gergelim torrado, feito a partir de sementes de gergelim branco. Os 
36
produtos fermentados, como molho de soja, vinagre de arroz, vinho de arroz Shaoxing 
e pasta de feijão fermentada, têm sabor e aroma fortes e são geralmente usados em 
pequenas quantidades ou processados em um mergulho, com o objetivo de adicionar 
uma dose salgada de umami.
O consumo de carne tem sido um símbolo de riqueza e status ao longo da história 
chinesa. A maioria das pessoas não podia comprar carne, tornando o tofu uma im-
portante fonte de proteína. Hoje, o crescimento da classe média da China significa 
que mais carne é consumida diariamente. A carne de porco é a carne mais popular 
na culinária chinesa, exceto entre a comunidade muçulmana, onde carne de carneiro 
e carne bovina são consumidas.
Doces e sobremesas chinesas podem demorar um pouco para se misturar com aqueles 
de outras áreas do mundo devido aos seus gostos e texturas às vezes inesperados. 
Alguns ingredientes comuns incluem feijão mungo, feijão vermelho, arroz glutinoso, 
sementes de lótus e diferentes tipos de nozes.
As tradições culinárias clássicas da cozinha chinesa
Classicamente, a culinária chinesa é dividida em oito estilos distintos. Estes podem 
ser divididos em áreas geográficas ainda menores ou combinados em tradições culi-
nárias mais amplas, dependendo de quão específico se deseja ser. Examinaremos 
quatro escolas de culinária com o nome das quatro direções principais.
A cozinha do norte
Segundo Liu (2009), a Escola do Norte é fortemente influenciada pelos mongóis nô-
mades e pelo clima árido desta parte da China. Assim, os alimentos básicos desse 
tipo de culinária chinesa são trigo e milho, carne grelhada, leite e alho. Dois pratos 
principais são o Hot Pot da Mongólia, com carne de carneiro como ingrediente prin-
cipal, e a carne de porco Mu Shu, feita de carne de porco, alho-poró, cebola e alho 
envoltos em panquecas no vapor.
A cozinha do leste
A Escola Oriental da culinária chinesa é caracterizada pelo uso predominante de peixe 
e arroz. Fritar e cozinhar são os dois métodos mais comuns de cozinhar. O molho de 
soja é frequentemente usado na culinária aqui. O termo “cozinhar vermelho” deriva 
desta escola de culinária (LIU, 2009). O nome vem da carne que é lentamente cozida 
em molho de soja escuro, o que confere à carne um tom avermelhado. O Congee, um 
mingau de arroz parecido com mingau de aveia, que agora é consumido no café da 
manhã em toda a China, teve origem em Fukien, no sudeste da China.
A cozinha do sul
Embora o resto da China possa achar a Escola de Culinária do Sul sem sabor, eles 
não podem negar que ela também se destaca por seu uso abundante de ingredientes 
frescos. Isso é especialmente importante na culinária cantonesa (TAN, 2003). Como o 
37
clima quente e úmido do sul resulta em colheitas abundantes, uma grande variedade 
de ingredientes frescosestá disponível durante todo o ano. Arroz e frutos do mar são 
ingredientes comuns para essa variedade de culinária chinesa.
A cozinha do oeste
A Escola Ocidental de cozinha chinesa reflete as diversas minorias étnicas e culturais 
do país. A estes pratos definitivamente não faltam sabor. Às vezes, muitos tipos de 
gostos são combinados de uma só vez – doce, azedo, amargo e picante. Em Szechuan, 
a culinária foi influenciada ao longo dos séculos por caravanas que viajavam ao longo 
da Rota da Seda. Segundo Liu (2009), mais notavelmente, os espanhóis introduziram 
pimentas quentes na região. A culinária das culturas minoritárias é diferenciada pelo 
uso de ingredientes únicos, como carne de iaque e outros produtos de iaque na tra-
dição culinária tibetana.
Além das armadilhas para turistas
Na primeira vez em que se come a culinária chinesa, em um restaurante real na China, 
pode-se surpreender ao descobrir que a comida tem um sabor bem diferente do que se 
aprendeu a esperar dos restaurantes chineses em outros países. O estilo da culinária 
chinesa mais prevalente nos países ocidentais deriva da tradição cantonesa. Assim 
que se afastar dos restaurantes turísticos, com sua seleção de culinária voltada para 
paladares estrangeiros, será apresentado a uma variedade mais ampla de culinária 
chinesa.
Os restaurantes geralmente têm vários andares; o primeiro andar servirá comida mais 
barata, no estilo de cafeteria; no segundo andar, pode-se desfrutar de uma refeição 
com vários pratos; o piso superior é normalmente reservado para grupos e festas 
particulares. A atmosfera nos restaurantes chineses é geralmente muito animada e 
barulhenta.
Comer nas inúmeras barracas de rua e mercados noturnos pode oferecer deliciosas 
especialidades locais, no entanto, deve-se ter cuidado com a higiene para evitar ficar 
doente, uma boa regra é comprar apenas comida das barracas mais movimentadas.
A importância do chá
A tradição de beber chá na China remonta a 2737 a.C., durante o governo do impera-
dor Shennong. Para fins de higiene, esse imperador decretou que toda a água fosse 
fervida antes de beber. Segundo a lenda, um dia algumas folhas sopraram no chá do 
imperador, após provar, o imperador gostou tanto do sabor que começou a experi-
mentar o processo – e nasceu o chá.
Existem muitos tipos diferentes de chá chinês – do preto e verde ao amarelo, branco 
e oolong. O chá é mais bem apreciado entre as refeições com um pouco de dim sum, 
uma coleção de bolinhos e doces do tamanho de uma mordida. Se possível, o chá 
deve ser consumido em um local calmo e pacífico, como um jardim, onde é possível 
fazer uma pausa do dia agitado e estressante.
38
Cozinha Indiana
A Cozinha Indiana remonta a mais de 5000 anos; cada região tem suas próprias 
tradições, religiões e cultura que influenciam sua culinária. Os hindus tendem a ser 
vegetarianos e os muçulmanos tendem a ter pratos de carne, à base de cordeiro, pois 
o consumo da carne de porco é proibido. O fio condutor ao longo dos séculos conti-
nua sendo a mistura distinta de especiarias que invariavelmente conferem à culinária 
indiana seu sabor e aroma.
A mistura única de cozinhas da Índia evoluiu através de interações culturais em larga 
escala com a vizinha Pérsia, Grécia Antiga, mongóis e Ásia Ocidental. Alimentos do 
Novo Mundo, como pimenta, tomate, batata e abóbora, introduzidos por comerciantes 
árabes e portugueses durante o século 16, e estilos de culinária europeus introduzidos 
durante o período colonial, aumentaram a diversidade da culinária indiana, que tam-
bém influenciou as cozinhas de todo o mundo, especialmente as do Sudeste Asiático, 
sendo agora uma das cozinhas mais populares do mundo.
A comida, para a maioria dos indianos, é considerada um presente dos deuses, por-
tanto, tratada com muito cuidado. A Índia é uma civilização antiga, uma terra de tra-
dições, a comida é um reflexo desta herança cultural, religiosa e principalmente da 
sua localização geográfica.
A riqueza de ingredientes
Os alimentos básicos da culinária indiana são arroz, (farinha de trigo integral) e uma 
variedade de leguminosas, as mais importantes são as lentilhas partidas e as Dals, 
que são usadas em todas as regiões e fazem o papel do nosso feijão.
As Raitas são coalhadas que servem para amainar o calor dos temperos e ajudar a 
fazer a digestão dos ingredientes mais fortes como o gengibre, a páprica e a pimen-
ta. Podem ser misturadas aos vegetais e com frutas. No verão, a coalhada é servida 
como refresco e leva o nome de Lassi. É adoçada, temperada e batida com frutas.
A maioria dos pratos indianos são feitos em óleo vegetal. No norte e oeste da Índia, 
o óleo de amendoim é tradicionalmente mais popular, enquanto no leste o óleo de 
mostarda é mais usado. No Sul, o óleo de coco e o óleo de gergelim são frequentes e 
nas últimas décadas os óleos de girassol e de soja ganharam popularidade em toda o 
país. A gordura vegetal hidrogenada (influência do mundo ocidental), conhecida como 
, também é um meio de cozimento popular que substitui o (manteiga clarificada).
As especiarias mais importantes e usadas com mais frequência na culinária indiana 
são pimenta, grãos de mostarda preta, cominho, cúrcuma, feno-grego, assa-fétida,-
gengibre e alho, todos transformados em pó. As misturas populares de especiarias 
são o , que geralmente são misturas de sete ou mais especiarias secas. Cada região 
(até mesmo cada família) tem sua própria mistura de . Sua composição básica é: 
canela, cravo, cardamomo, cominho, macis, noz-moscada e pimenta-do-reino preta. 
Variações de proporção e de ingredientes podem ser feitos de acordo com o gosto, 
região de origem e preferência de cada um.
39
Etiqueta social
Vários costumes estão associados à maneira de consumo de alimentos na Índia. 
Tradicionalmente, as refeições são feitas sentadas no chão ou em almofadas muito 
baixas. Os alimentos são mais frequentemente consumidos sem talheres, usando os 
dedos da mão direita (não a esquerda, pois essa mão é considerada impura, pois é 
usada para realizar a higiene pessoal).
A cultura indiana determina que comer com as mãos é uma experiência agradável, 
ativando o chamado sexto sentido, em vez de usar talheres, além disso, a comida já 
está em pedaços pequenos, tornando desnecessário o uso de faca e garfo.
Figura 10: Thali, refeição indiana. Fonte: Local Samosa
Os estilos de servir tradicionais variam de região para região na Índia, mas uma apre-
sentação universal é o Thali, um prato grande com amostras de diferentes pratos 
regionais acompanhados de raita, pães como naan, puri e arroz; no sul do país, uma 
folha de bananeira limpa é frequentemente usada como uma alternativa visualmente 
interessante aos pratos.
Da época do Império Persa, fortes influências se mantêm na cultura indiana, desde 
tabus, rituais, alimentos e utensílios. O forno mais popular no país, o tandoor ou tan-
dur, por vezes chamado também de tandoori, é fruto da cultura persa. Este forno é 
originalmente feito em barro e enterrado no chão. Com brasa em seu fundo, mantém 
altas temperaturas, ideais para cocções rápidas (CAMARGO-MORO, 2006).
Atualmente encontra-se o forno tandoori com fonte de gás e não enterrados. Os pães 
achatados do dia a dia da cultura indiana são tradicionalmente assados nesses fornos. 
Eles são simplesmente colados na parede interna do forno até tostarem (CAMARGO-
MORO, 2006). Esses pães não são fermentados com fermento fresco, similares à 
tortilha de trigo da América Central, pão pita ou folha. Costumam ser elaborados so-
mente com farinha e água, abertos em formatos de disco e bem tostados de ambos os 
lados. Esses pães costumam sempre estar à mesa, independentemente da refeição.
https://www.localsamosa.com/2019/10/09/dara-singh-thali/
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Figura 11: Forno Tandoori. Fonte: Freepik.com
Alimentos para celebração
Quase todo feriado na Índia exige um banquete. O maior festival do ano é o Diwali, 
que ocorre em outubro ou novembro, a data real é definida pelo calendário lunar e 
varia de anopara ano. O significado do festival varia de acordo com a região e o gru-
po religioso, mas algumas tradições são compartilhadas: dívidas antigas são pagas, 
casas são limpas, roupas novas são fabricadas ou compradas e uma refeição mais 
sofisticada é preparada; muitos pratos à base de cordeiro e vegetais bem temperados 
e com molhos encorpados são servidos em todas as casas, o pão sempre acompanha 
estas refeições.
Muitos comemoram o início da primavera com Holi, de manhã, as pessoas se molham 
com água colorida e se borram com pós vermelho, amarelo, verde, azul e laranja. Muitos 
também bebem bhang, uma bebida de iogurte; após o festival, as roupas velhas são 
queimadas e o halwa (um prato doce feito com farinha de trigo ou arroz, manteiga e 
açúcar) é comido. O dia geralmente termina com uma festa e festividades musicais, 
os “bolos” halwa são frequentemente servidos no café da manhã em ocasiões espe-
ciais, como aniversários.
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Cozinha Japonesa
O Japão é um arquipélago composto por muitas centenas de ilhas, onde dois terços da 
terra são montanhosos demais para o desenvolvimento, então quase todas as pessoas 
vivem em cidades, a maioria das quais foram construídas nas terras planas do país.
Algumas áreas montanhosas foram cortadas em degraus para permitir que os agri-
cultores cultivem vários produtos; o clima é bom para a agricultura, sendo o arroz a 
principal colheita. Cerca de metade das terras aráveis do Japão são dedicadas ao 
cultivo de arroz.
Quanto aos pescados, o Japão responde por cerca de 8% de todos os peixes captura-
dos no mundo, o povo japonês consome grandes quantidades de peixe; cada pessoa 
no Japão come mais de 68 quilos de peixe por ano, ou cerca de 1,3 quilos de peixe 
por semana.
A culinária japonesa abrange uma série de alimentos regionais e tradicionais, que se 
desenvolveram ao longo de séculos de mudanças econômicas, sociais e políticas 
ocorridas. A culinária japonesa baseia-se na combinação dos alimentos básicos, que 
são arroz branco cozido no vapor, ou gohan, com um ou vários pratos principais ou 
acompanhamentos.
O arroz é servido em sua própria tigela pequena – o chawan – e cada item do prato 
principal é colocado em seu próprio prato pequeno ou tigela para cada porção indi-
vidual; isso é feito mesmo em casas japonesas, contrastando com os jantares de 
estilo ocidental em casa, onde cada indivíduo recebe ajuda dos grandes pratos de 
comida apresentados no meio da mesa de jantar. Tradicionalmente, o estilo japonês 
abomina pratos com sabores diferentes que se tocam em um único prato; portanto, 
pratos diferentes recebem seus próprios pratos individuais, como mencionado, ou são 
divididos usando, por exemplo, folhas. Colocar pratos principais em cima de arroz e 
“sujeira” também é desaprovado pela etiqueta antiquada.
Nos anos 700 d.C., a ascensão do budismo levou à proibição de comer carne; o prato 
popular sushi surgiu como resultado dessa proibição, no século 19, os estilos de culi-
nária se tornaram mais simples, uma grande variedade de pratos vegetarianos foram 
servidos em pequenas porções, usando uma das cinco técnicas de cozimento padrão.
Todos os alimentos foram divididos em cinco grupos de cores (verde, vermelho, ama-
relo, branco e preto-púrpura) e seis sabores (amargo, azedo, doce, quente, salgado e 
delicado), os japoneses continuam usando esse sistema de cozimento.
Ano Novo
O feriado mais importante no Japão é o Ano Novo, Shogatsu. Alimentos especiais de 
férias, chamados osechi, são preparados em caixas empilháveis lindamente decora-
das, chamadas jubako. Cada camada da caixa possui compartimentos para vários 
alimentos diferentes; sardinhas vidradas, brotos de bambu, feijões pretos doces e 
castanhas em pasta de batata-doce são apenas alguns dos muitos alimentos para 
festas. Os alimentos de Ano Novo também são consumidos porque acredita-se que 
https://translate.googleusercontent.com/translate_c?depth=1&hl=pt-BR&prev=search&rurl=translate.google.com&sl=en&sp=nmt4&u=https://en.m.wikipedia.org/wiki/Chawan&usg=ALkJrhir1CND8bFJpyWsJ70nV8OIJTtqRQ
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eles representem boa sorte ou vida longa. No ano novo, as crianças gostam especial-
mente de bolos de arroz quentes mergulhados em pó de soja doce.
Figura 12: Jubako de Ano Novo. Fonte: Japan Desgin Imazy
No dia a dia
Os japoneses comem três refeições principais por dia, sendo o principal ingrediente dos 
três o arroz (ou, às vezes, macarrão); sopa de missô e conservas de legumes também 
são sempre servidos. Refeições feitas no início do dia tendem a ser as mais simples, 
um café da manhã típico consiste em arroz, sopa de missô e um acompanhamento, 
como ovo ou peixe grelhado.
Macarrão é muito popular para o almoço (e como um lanche), e um restaurante ou 
lanchonete conhecido como Noodles House é um local popular para o almoço. Um 
almoço típico consiste numa tigela de caldo de legumes, algas ou peixes. O bentô 
é um almoço tradicional embalado em uma caixa pequena e plana com divisórias e 
inclui pequenas porções de arroz, carnes, peixe (e frutos do mar), legumes e conser-
vas; algumas lojas de departamento vendem bentô pronto para levar e algumas até 
têm ingredientes de estilo ocidental, como espaguete ou salsichas.
Muitos japoneses se voltaram para a comida de estilo ocidental no café da manhã 
e almoço, especialmente nas cidades, no entanto, jantares tradicionais ainda são 
comidos pela maioria das pessoas no Japão, como arroz, sopa, conservas e peixe. 
Frutas frescas da estação são uma ótima sobremesa. No chá verde da tarde é que 
são servidos os doces mais tradicionais.
O Sushi
O termo sushi foi originariamente usado para um tipo de peixe ou carne fermentados, 
preparado para fins de preservação. Hoje, a palavra sushi se refere a um prato que 
contém arroz marinado com vinagre e decorado com peixe e legumes crus.
Acredita-se geralmente que a forma mais antiga de sushi foi desenvolvida no sudeste 
da Ásia, de onde os imigrantes o levaram para a China antes de ser introduzida no 
https://japan-design.imazy.net/en/crafts/jds-orijinal-item/orijinal-juubako/
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Japão no século 8 d.C. Naquela época, a refrigeração não havia sido inventada, então 
os habitantes locais salgavam seus peixes, embrulhavam em arroz fermentado e dei-
xavam por vários meses até que a proteína na carne fosse quebrada. Depois disso, 
eles descartavam o arroz e consumiam o peixe que geralmente permanecia seguro 
para se comer por vários meses. O sushi, o peixe fermentado, foi uma fonte vital de 
proteína para os japoneses por muitos séculos.
Os japoneses gostavam de comer seu peixe fermentado com arroz cozido no vapor 
chamado namanari ou namanare. Durante o Período Muromachi (de 1336 a 1573), 
os namanare cresceram em popularidade e foi durante esse período que as pessoas 
começaram a comer peixe cru envolto em arroz e comido fresco antes que perdesse 
o sabor. A ênfase mudou da preservação para um novo método de combinar peixe 
com arroz.
No meio do Período Edo (no século 18), os japoneses adotaram outro tipo de sushi 
chamado haya-zushi. Eles consumiram peixe e arroz ao mesmo tempo e era um prato 
único na cultura japonesa. Pela primeira vez, o arroz não era mais usado como agente 
de fermentação. Em vez disso, o arroz foi marinado em vinagre e, em seguida, foram 
adicionados peixes, legumes, especiarias e outros molhos. Esse foi o começo do 
conceito moderno de sushi, hoje amplamente aceito em todo o mundo. Cada região 
do Japão usou uma variedade de sabores locais para criar o tipo de sushi que foi 
passado para outras gerações.
No início do século 19, barracas móveis de comida e vendedores ambulantes se mul-
tiplicaram na cidade de Edo, nesse momento, uma nova forma de fast food chamada 
sushi nigiri se tornou popular entre os habitantes que se deslocavam rapidamente. O 
sushi nigiri originalmente tinha um pequeno bolinho de arroz com uma fatia de peixe 
cru colocada sobre ele, nem o arroz nem o peixe eram fermentados, e podiam ser 
consumidos rapidamente com os dedos ou com hashi. Foi duranteesse período que 
o sashimi japonês foi combinado com arroz para dar à luz o que é conhecido como 
sushi ao estilo Edo.
O sushi se tornou muito popular fora do Japão, principalmente nos grandes centros 
urbanos, como Nova York, São Paulo e Londres, porque os chefs de sushi foram 
receptivos às sugestões dos consumidores ocidentais. Hoje, muitos chefs fora do 
Japão oferecem sushi tradicional e outras variedades ocidentalizadas.
44
Cozinha da América do Sul
Muito antes de os europeus chegarem à América do Sul, as populações nativas desco-
briram como cultivar uma incrível variedade de plantas. Eles desenvolveram sistemas 
de irrigação elaborados e moldaram as encostas íngremes das montanhas andinas 
em patamares para torná-las mais adequadas ao cultivo de alimentos, dentre os quais 
milho, feijões, batata, batata doce, pimentas, abacate e amendoim. Eles também cria-
ram lhamas (espécie de porquinho da Índia). Cada região desenvolveu seus próprios 
pratos tradicionais.
Quando os europeus chegaram, eles incorporaram alguns desses pratos nativos em 
sua própria cozinha. Eles levaram os novos alimentos de volta à Europa e trouxeram 
gado e alimentos europeus para a América do Sul, como porcos, galinhas, árvores 
cítricas, trigo, amêndoas, vacas e cabras.
Os europeus aprenderam a fazer seus pratos favoritos usando ingredientes locais. Os 
métodos tradicionais de culinária dos nativos americanos foram adaptados e modi-
ficados, e os novos alimentos da Europa foram misturados. Os imigrantes asiáticos 
e africanos trouxeram suas tradições culinárias também. Tudo isso combinado para 
fazer desta a culinária diversificada e emocionante que existe hoje.
Alguns alimentos nativos não foram incorporados à culinária do estilo europeu que 
domina grandes cidades como Buenos Aires e Santiago. Recentemente, esses alimen-
tos vêm ganhando popularidade, de restaurantes da moda agora exibem produtos 
andinos, como carne de alpaca e grãos como quinoa e amaranto.
Ao discutir comida sul-americana, podemos separar o continente em grandes regiões 
gastronômicas.
O noroeste da América do Sul, especialmente Equador, Bolívia e Peru, possui alguns 
dos alimentos mais exóticos do continente. As batatas e a quinoa altamente nutritiva 
do grão se originaram na região e ainda desempenham papéis importantes na culi-
nária. Só o Peru possui mais de cem variedades diferentes de batata, incluindo uma 
batata azul que se tornou a “queridinha” dos chefs da moda na América do Norte. O 
Peru também possui alguns dos ingredientes mais apimentados da América do Sul; 
o tempero preferido aqui é o aji amarillo, uma pimenta amarela, que adiciona ardência 
em tudo, desde caucau (ensopado de frutos do mar) a papas a lahuancaina (salada 
de batata e queijo). Uma grande comunidade chinesa também influenciou a culinária 
peruana, criando a Cozinha Chifa (ou Chaufa); os primeiros imigrantes chineses do-
cumentados chegaram ao Peru em 1849 para trabalhar em plantações de açúcar e 
minas costeiras, construir estradas de ferro e extrair guano como combustível.
As regiões Norte e Central, em particular, Colômbia e Venezuela, exibem uma influ-
ência espanhola. Os espanhóis se estabeleceram aqui e muitos dos temperos mais 
dominantes da região como cominho, orégano, canela e anis vieram diretamente da 
Espanha. Muitos pratos no nordeste da América do Sul, como tamales, apresentam 
um contraste de sabores doces e salgados (na forma de molas, ameixas, alcaparras 
e azeitonas). Além disso, a combinação de arroz espanhol e os excelentes frutos do 
mar da Venezuela dão origem a algumas das melhores paellas do mundo.
45
Na culinária da Venezuela, o feijão ocupa um lugar de destaque, ao lado das arepas. 
As grandes bananas da terra verdes entram, com o feijão, a carne, o arroz e os ovos, 
na composição de vários pratos.
Na Colômbia, encontramos novamente as arepas; o arroz é bastante presente, ser-
vido crocante, com peixe e coco, além do leite de coco que é usado em receitas de 
carnes e aves.
O sul do continente compreende Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai. Este é um país 
de gado, e os habitantes locais desfrutam de uma deliciosa carne alimentada com 
capim na forma de grandes cortes assados na frente de uma fogueira e parrilladas, 
bifes grossos e suculentos grelhados sobre carvalho em brasa. Embora os acompa-
nhamentos sejam bastante simples, eles são intensamente saborosos: um tomate, 
cebola e pimenta, conhecido como salsa criolla e um molho de salsa, alho e vinagre 
chamado chimichurri.
O Chile, com mais de 6000 km de litoral, é um paraíso para os amantes de peixes; o 
caldillo de congrio (sopa de enguias) pode ser apreciado próximo à melhor sopa da 
Nova Inglaterra; os ceviches também são frequentes nesta culinária, de pescado ou 
frutos do mar, sempre acompanham uma cerveja local bem gelada.
Considerações finais
Podemos perceber que a culinária é parte importante das culturas ao redor do mundo, 
servindo também como fator de afirmação destas. Seja no oriente ou no ocidente, 
as interações entre povos e culturas, forçadas por meio de colonizações e tráfico de 
pessoas ou naturais por meio de fluxos migratórios, gerou transformações nas culi-
nárias locais, que se estabeleceram ao longo dos séculos e ajudaram a constituir a 
personalidade das cozinhas dos países, seja por meio do uso de especiarias ou por 
introduzir novas técnicas de preparo.
Conhecer e entender essas origens e diferenças culturais é fundamental para os chefs 
que pretendem trabalhar com essas cozinhas, para que possam não só reproduzi-las 
como desenvolver novos preparos.
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	Princípios da cozinha árabe
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	Referênciasé uma “refeição 
social”, onde os convidados e a família anfitriã apreciam as iguarias e conversam 
durante a ocasião. O pão, sempre presente, assume o lugar dos talheres, servindo 
como invólucro para saladas, pastas, molhos e carnes.
Colorida e com sabores potentes, a Cozinha Grega é extremamente saudável; azeite de 
oliva, peixes e frutos do mar (em abundância), abobrinha, pimentão, berinjela, tomate 
e carne de cordeiro compõem a dieta dos gregos desde os tempos clássicos. Essa 
gastronomia da antiguidade clássica se baseou em alguns pilares que continuam a 
caracterizar a culinária grega contemporânea: frescor, simplicidade e variedade de 
ingredientes, como que para atestar os valores de um povo que valoriza sua terra, sua 
herança e seu grande prazer nas refeições.
5
A Cozinha das Américas é subdividida em: América do Norte, América Central e 
América do Sul. Na América do Norte nota-se a influência dos índios nativos e depois 
dos colonos ingleses e franceses, que aprenderam a preparar os produtos locais e 
adaptaram suas próprias tradições culinárias. Na América Central as contribuições 
oriundas dos diferentes choques culturais (devido principalmente à escravidão) de-
ram origem a esta cozinha, mas foram precisos séculos de convivência para que 
as tradições da África, da Europa e da Índia fizessem nascer uma culinária original, 
onde especiarias e condimentos tivessem papel muito importante. Na imensidão da 
América do Sul, as culinárias variam, porém apresentam um certo número de pontos 
em comum, como a importância do milho ou a constância dos molhos picantes ou 
das pimentas (frescas ou secas) e das carnes bovina e ovina de excelente qualidade. 
Também seria desnecessário dizer que o clima e a história deram a cada país sua 
culinária própria, com suas particularidades, especialidades e peculiaridades.
Cozinha Árabe
Dentre as diversas culturas gastronômicas mundiais, as cozinhas árabe e grega 
contemplam uma série de características de cunho histórico e cultural. Muitos dos 
seus insumos e práticas se baseiam em tradições que foram desenvolvidas ao redor 
de grande variedade de influências. Tudo na alimentação dessas duas culturas tem 
relação com o bem-estar de quem a consome e, ainda, com questões que se voltam à 
saúde mental e do corpo. De variados temperos à preocupação com a saúde biológica 
do corpo, nas cozinhas aqui destacadas o alimento não é de forma alguma tratado 
apenas como insumo, mas como agente de preservação das funções corporais, as-
sim como uma ferramenta de manutenção de hábitos, costumes e rituais que têm 
nele a base para fomentar as características dessas duas culturas, tão apreciadas e 
valorizadas em todo o mundo.
Os conceitos e princípios dessas duas cozinhas são definidos por suas características 
culturais e pela inci dência da religiosidade, da busca por uma vida ativa, que tenha 
longevidade, pelo prazer do comer bem, que previna doenças e que permita qualidade. 
Na tentativa de conceituar essas duas culturas, faz-se necessário ainda definir: quais 
os principais aspectos que influenciam a formação das culturas gastronômicas árabe 
e grega? Quais os principais ingredientes e produções árabes e a sua relação com 
a religiosidade? Como se caracteriza a gastronomia grega por meio de sua relação 
com a saúde e os povos que a influenciaram?
Neste tópico, essas e outras informações serão tratadas para conceituar e definir 
ambas as culturas, por meio de seus ingredientes principais, produções tradicionais, 
hábitos alimentares, histórico e ainda influências diversas de outros povos e visibili-
dade no restante do mundo.
Princípios da cozinha árabe
A cultura árabe é um emaranhado de aromas, cores e sabores. Por conta do uso con-
sistente de especiarias, essa é uma das mais perfumadas cozinhas, dentre outras que 
poderiam ser comparadas a ela no continente em que residem. Além desses insumos 
6
de uso tão corriqueiro, cotidiano e tradicional, na cozinha árabe os conceitos religiosos 
e os resquícios de sua própria cultura a definem e a tornam o que é.
São considerados árabes um total de 22 países que compartilham do mesmo idioma, 
o árabe, dentre eles: Arábia Saudita, Líbano, Síria, Jordânia, Marrocos, Nigéria, Iraque 
e Palestina. Além disso, no que diz respeito às características que definem este povo, 
espalhado ao redor do mundo em diversos continentes, sua religião, predominante-
mente muçulmana, também os define, em suas crenças, hábitos e rituais.
Quanto ao que diz respeito à formação da gastronomia considerada árabe, esta se 
baseia nos princípios das culinárias da Síria e do Líbano, em especial, que inclusive 
são consideradas as bases da aglomeração de receitas e conceitos que denominam 
a alimentação do povo árabe como um todo. Deve-se, claro, levar em consideração 
que cada país, considerado árabe ou não, em seus aspectos alimentares, acaba por 
sofrer influências dos seus vizinhos e daqueles em que a cultura, de alguma forma, 
foi inserida, por meio de colonização, invasões ou mesmo nos períodos em que as 
explorações marítimas faziam-se incidentes do momento histórico, e que até hoje 
têm destaque. Os árabes, por sinal, sempre foram um povo unido, que, mesmo com 
as interferências externas, conseguiu garantir que suas características fossem pre-
servadas, por meio, dentre outros aspectos, da alimentação.
Figura 1: Distribuição do árabe como única língua oficial (verde) e uma ou várias línguas oficiais ou nacionais 
(azul). Fonte:Wikipedia
Um dos grandes marcos milenares de destaque na história da alimentação árabe 
foi o momento em que os fenícios, em decorrência de suas navegações marítimas e 
mercantis, incorporaram informações e produtos à cultura árabe. Foi este o momen-
to em que houve uma maior reconfiguração desta gastronomia, momento em que 
a culinária árabe incorporou para si algumas das mais importantes características 
que tem hoje, como o apreço pelos grãos integrais, a utilização de seus diferentes e 
diversos temperos, o uso e maior valorização das carnes de cordeiro, cabrito, carneiro 
e, ainda, dependendo do país, de aves e peixes. Neste período, incorpora-se também 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mundo_%C3%A1rabe#/media/Ficheiro:Arabic_speaking_world.svg
7
a coalhada, conhecida por lában, tanto fresca, como seca, além de ingredientes como 
o cominho, a cebola e a tão utilizada hortelã, que dá frescor às produções.
Algumas das especiarias incorporadas pelo povo árabe durante a chamada expansão 
islâmica são especificamente de origem Persa, como o cardamomo, o cominho, o 
coentro, o feno grego, a cúrcuma e o gengibre.
Outros dos principais ingredientes que podemos mencionar quando trata-se da an-
cestralidade deste povo, além das já citadas especiarias, são produtos como as frutas 
secas e castanhas, usadas principalmente nas famosas sobremesas, finalizadas com 
caldas feitas com base de mel ou apenas açúcar, e aromatizadas com água de rosas 
e de flor de laranjeira. A água de rosas é mais um dos ingredientes absorvidos da 
expansão islâmica de origem persa, além deste hábito do uso de massas com mel, 
recheadas com amêndoas e nozes, como vislumbrado na produção das tradicionais 
sobremesas árabes.
Com a base de ingredientes apresentados, criaram-se então uma série de receitas 
combinadas entre si: petiscos, entradas, pratos principais, seus acompanhamentos 
e a finalização com sobremesas.
Foram trazidos do Egito ingredientes mais complexos como arroz, pato e passas, e os 
sultões e califas aprenderam a deliciarem-se com as frutas e os segredos dos padeiros 
e confeiteiros egípcios. Através dos sírios, aprenderam a fazer a bahar e a pimenta 
síria, que geralmente leva cravo, canela, noz-moscada, gengibre e pimenta-do-reino 
preta e branca. Na Jordânia e no Líbano existe a zahtar – uma mistura de folhas de 
zahtar, manjerona, tomilho, sementes de gergelim torradas e as bagas vermelhas e 
amargas do sumagre. Os iemenitas acrescentaram a zhug – uma pasta de cardamo-
mo, cominho, alho e malagueta moídos (MARANHÃO,2009).
Os exércitos islâmicos acabaram sendo facilitadores no processo de expansão dos 
conhecimentos, costumes e ainda no transporte e difusão dos produtos de origem 
ou maior uso na culinária árabe.
SAIBA MAIS
Os imigrantes árabes chegaram ao Brasil no final do século 19 e tiveram uma 
certa facilidade em sua acolhida e de seus descendentes em razão de comparti-
lharem com o Brasil de sua identidade cultural forjada por conta da colonização 
portuguesa. Esta trouxe consigo relevante influência moura, que já estava incor-
porada aos seus hábitos e que passaram a incorporar os hábitos brasileiros.
Acerca da contribuição moura, e desta influência sobre a Península Ibérica, que pode 
ser percebida de modo similar também no Brasil, por conta da já mencionada colo-
nização portuguesa, destacam-se ainda como características percebidas nos povos 
árabes o gosto pelo uso de joias e vestidos exuberantes, azulejos em igrejas e chafari-
zes, o asseio no quesito gastronômico, o paladar que se direciona para as produções 
gordurosas, oleosas e sobremesas doces e açucaradas.
8
Cozinha sírio-libanesa
Principalmente no que diz respeito à gastronomia árabe incorporada ao Brasil, quando 
se trata dos aspectos relacionados aos seus países de origem, os de maior destaque 
são a Síria e o Líbano, visto que esses foram os que apresentaram uma maior parcela 
de imigrantes enviados ao Brasil.
Nesses dois países, a forma de se alimentar sempre baseou-se na alegria e satis-
fação do compartilhamento das refeições, preparadas pelas mulheres que, quando 
recém-casadas, buscam produzir as receitas de acordo com o gosto particular de seus 
maridos, ou seja, de acordo com a maneira em que as suas sogras a produzem. O 
papel da mulher árabe na cozinha é de extrema valorização, sendo ela a responsável 
por prover os alimentos servidos à sua família.
Ainda a respeito das mulheres árabes, estas são submissas aos seus maridos e, em 
sua cultura, devem respeitá-lo. O homem pode casar-se, no máximo, com três mu-
lheres, desde que tenha condições de sustentar as três esposas confortavelmente, 
que são retiradas de seus lares e vão então residir junto ao seu marido e familiares. 
Ainda que as mulheres que compartilham o esposo sejam colocadas em uma mesma 
casa, dentre os preceitos árabes, estas devem ter cada uma o seu quarto e receber 
o mesmo que as outras. Quem ensina as novas mulheres a cozinhar é sempre a so-
gra, que determina como os alimentos devem ser feitos para agradar à família, ainda 
que as jovens esposas tenham durante toda a vida sido ensinadas por suas mães a 
“serem esposas”. A desgraça de uma mulher dentro deste contexto árabe pode estar 
relacionada com um desempenho considerado ruim na cozinha.
Muitos destes costumes ao redor das mulheres árabes já as tem permitido uma 
maior liberdade de escolha, ainda que, principalmente nas pequenas comunidades, 
muitas delas sofram com a imposição de como devem seguir e administrar as suas 
próprias vidas.
Alguns pratos na culinária árabe são mais emblemáticos que outros e acabam por 
carregar tradições que, no decorrer do intercâmbio cultural, entre povos e países, 
acabam por ganhar destaque em outras partes do mundo. O falafel, por exemplo, é 
um bolinho feito com massa de grão de bico e fava, frito por imersão e acompanhado 
por pastas, uma delas tradicional e feita também com grão de bico, o hommus, e a 
tradicional coalhada, seca ou fresca.
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Figura 2: Tradicionais bolinhos de favas e grão de bico, conhecidos como falafel, na cultura gastronômica árabe. 
Fonte: Freepik.com.
Uma outra destas pastas muito consumidas e ancestrais, o babaganuche, feita com 
berinjelas e tahine – uma mistura batida de gergelins – é, na Síria, considerada uma 
receita que pode terminar em casamento.
Assim como no Brasil, diversas outras culturas, ao absorverem a cozinha árabe, 
acabaram tendo uma maior identificação com as características da culinária da Síria 
e do Líbano, caracterizando-a como um padrão no que diz respeito à cultura árabe 
como um todo.
Os árabes, em geral, possuem o hábito do consumo de aperitivos, o que acaba sen-
do um costume também percebido nos portugueses, com seus bolinhos diversos e 
pastéis, e nos brasileiros, que contemplam itens de culturas diversas.
Dentre as tradições diversas já apresentadas, o povo árabe costuma fazer a monta-
gem das chamadas mezzes, que são mesas onde são servidas porções sortidas e 
diversificadas de produções da culinária árabe, para serem compartilhadas.
10
Figura 3: Tradicional mesa árabe, conhecida como mezze, onde são servidos e compartilhados pratos típicos em 
porções a serem consumidas com auxílio de pão. Fonte: Tourist Jordan.com.
Dessas porções, cada comensal pode se servir do que achar mais interessante, do 
que mais lhe agradar. Não há obrigatoriedade do consumo de todos os itens com-
partilhados, em função desta variedade ser significativa. Costuma-se usar do serviço 
de pães diversos para o acompanhamento das produções apresentadas na mezze. 
“Uma mezze completa ainda deve apresentar o taboule, a labaneh (coalhada seca), o 
falafel (bolinhos de favas) e pode incluir a Mahammara (pasta de pimentão vermelho, 
com nozes e noz-moscada)” (MARANHÃO, 2009).
Restaurantes árabes ao redor do mundo acabam por definir, assim como se faz na 
residência de cada cidadão de descendência árabe, quais serão os itens servidos 
em uma mezze, sendo essa, portanto, bastante diversificada e livre. No seu serviço, 
usualmente as pessoas sentam-se ao redor das produções e ali as compartilham, 
indicando mais uma tradição deste povo, que presa pelo hábito das boas relações e 
da sociabilidade entre os seus e entre aqueles que os cercam.
Uma destas produções emblemáticas servidas nas mezzes é a esfiha, conhecida ao 
redor do mundo, semelhante, visualmente, a uma pizza. Tem como característica uma 
massa aberta em pequenos discos e recheada de formas diversas, ainda que em sua 
tradição leve carne. De acordo com Maranhão (2009), a esfiha é originalmente síria 
e tem como base do seu recheio a carne de carneiro, que deve ser temperada com 
alho e finalizada com suco de limão. Com o advento da globalização e a liberdade 
de criação de cozinheiros ao redor do mundo, a esfiha ganhou recheios de queijos, 
outras carnes, bases de molho de tomate, verduras e ainda versões doces, mesmo 
que essas, por vezes, acabem por fugir da ancestralidade árabe. No Brasil, ganhou 
nessas versões nos restaurantes de fast food e sua comercialização atualmente 
possui números significativos, que representam o sucesso e apreço dos brasileiros 
por esta produção.
As bases da gastronomia da Síria, em suas diferentes produções, ainda que tenha 
sofrido influências semelhantes de alguns dos muitos países considerados de cultura 
árabe, possuem especificidades próprias, que acabam por diferenciá-la em seus as-
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pectos conceituais, ainda que, com relação aos insumos e práticas culinárias, essas 
se confundam com as de outras regiões.
Há na cozinha síria o uso do termo “levantina”, que configura a sua gastronomia e dá 
a ela particularidades próprias no que diz respeito ao seu reconhecimento perante 
as sociedades, ainda que nela resida um emaranhado de características comuns a 
outros países, de mesma cultura, que a cercam. A chamada cozinha “levantina” abran-
ge toda a região anteriormente conhecida como Grande Síria, que hoje é dividida em 
Síria, Líbano, Iraque, Jordânia e Palestina, apresentando a mais homogênea etnia da 
região e, por isso, conservando muitos traços culturais comuns, incluindo a culinária. 
Esta, por sua vez, guarda muitas semelhanças com outras cozinhas do Mediterrâneo 
Oriental (MARANHÃO, 2009).
Esta união cultural entre povos, ainda que não condizente com a atual realidade que 
relaciona muitos deles aos confrontos árabes, indica, entretanto, a força em sua cul-
tura e em suas crenças religiosas, que facilita a preservação de sua ancestralidade, 
ainda que promova, dentre alguns deles, a separação física.
Dos ingredientesde nomes específicos do idioma árabe, alguns, dentre os já abordados 
até o momento, destacam-se em suas características e, ainda, em suas possibilidades 
de uso e aplicação.
PRODUTO ESPECIFICAÇÕES
Aich Tipo de pão árabe, um pouco maior e mais fino (denominação usada 
no Egito)
Bhar Tempero originário da Índia, muito parecido com o curry
Baharat Páprica doce, pimenta-do-reino preta, sementes de cominho e coen-
tro, cravo, canela, cardamomo e noz-moscada, moídos.
Burghul ou bulghur Trigo inteiro que se prepara de um modo específico. Encontra-se em 
lojas especializadas em produtos orientais.
Fulful bhar Mistura de pimenta-do-reino preta ou branca, curry, sementes de 
cominho e canela, moídos. 
Harissa No Magreb significa picante, é uma mistura de pimenta vermelha 
seca, sementes de coentro e cominho, alho, páprica doce e sal, 
moídos.
Kahua ou Gahua Café
Khubs ou Khubus Pão
Lahm ou Lahme Carne moída (geralmente de cordeiro).
Snoubar Semente branca, oval, de um pinheiro da região do Mediterrâneo; 
conhecido também como pinoli.
Al Sukar Açúcar
Sumak Folhas secas e trituradas de um arbusto, muito utilizado para tempe-
rar carne de aves, com sabor ácido.
Tahine ou tahina ou thinie Pasta de semente de gergelim branco.
Zhug Pasta de cardamomo, sementes de cominho, alho e pimenta verme-
lha seca.
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PRODUTO ESPECIFICAÇÕES
Maé zahar e maé wared Respectivamente, água de flor de laranjeira e água de rosas, duas 
essências típicas da confeitaria sírio-libanesa, possuem aromas 
intensos.
Misk Resina vegetal de cor clara e consistência flexível utilizada para aro-
matizar doces. É adquirido na forma de torrões ou pequenas pedras 
que devem ser amassadas antes de serem acrescidas na produção. 
Zahtar Mistura de ervas muito apreciada, constituída geralmente de tomilho, 
sementes de gergelim tostadas e de Sumak moídos.
Tabela 1: Alguns ingredientes e produtos de uso ou serviço da gastronomia árabe. Fonte: Elaborado pelo autor, 
baseado em Jamal (2009). 
Como acompanhamento padrão para quase todos os pratos de origem árabe, tem-se 
na coalhada, seca ou fresca, o produto perfeito em sabor, textura e frescor para compor 
principalmente as produções de sabores mais intensos ou até mesmo gordurosos, 
que com a leveza e acidez da coalhada conseguem ganhar equilíbrio em sua compo-
sição aromática e de sabor.
Nas mesas dos países em que sua tradição é forte, esse é um produto feito com leite 
integral de forma simples. Para o seu preparo, deve-se levar o leite à fervura, colocá-lo 
em um recipiente de cerâmica, e acrescentar um coalho anterior, que tenha sido retirado 
de uma receita prévia produzida da coalhada. Em casos onde este coalho não está 
disponível, pode-se acrescentar iogurte, ainda que nesta substituição o resultado seja 
um tanto quanto diferenciado, pois sua fermentação não ocorre da mesma maneira.
De acordo com especialistas, a coalhada é muito mais nutritiva que o próprio leite e 
os iogurtes diversos disponíveis nos supermercados, isso, inclusive, deveria ser mais 
divulgado e facilitado, para que a maioria das pessoas tivessem acesso e fizessem 
consumo, em benefício de sua saúde.
A coalhada fresca pode ser usada em produções diversas da culinária árabe e, ainda, 
para o preparo de vitaminas, adoçadas na maioria das vezes com mel. Utiliza-se junto 
a ela, nas mais diversas receitas, como acompanhamento, a coalhada seca, que é 
a mesma, deixada sob refrigeração em tecido que possa permitir que seu soro seja 
dispensado e que a coalhada ganhe textura mais encorpada e sabor ainda mais ácido, 
favorecendo o seu uso em produções salgadas.
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Figura 4: Figura 4 – Coalhada seca, guarnecida com azeite de oliva extravirgem e grão de bico, para acompanha-
mento de produções salgadas. Fonte: Freepik.com.
A coalhada e o iogurte são produtos utilizados na culinária e no cotidiano árabe, porém, 
no caso da coalhada, conforme já mencionado, há a adição do coalho, que promove 
inclusive o processo de produção de queijos.
SAIBA MAIS
O coalho usado para a produção de coalhadas é uma enzima chamada renina ou 
quimosina, que é extraída do estômago de animais ruminantes, enquanto eles 
ainda estão na fase de aleitamento materno.
Na coalhada, o soro é separado, diferentemente do iogurte, que tem textura mais lisa 
e cremosa, mantém o soro e baseia-se na fermentação por bactérias não patogênicas, 
que transformam a lactose em ácido lático.
Ambos os produtos são benéficos à saúde e atuam principalmente como reguladores 
da flora intestinal. Em continuidade às possibilidades de uso, especificamente da coa-
lhada, esta possui variações, sendo chamada de labanie, quando cozida e lában bi zait 
quando seca e acrescida de azeite de oliva extravirgem. Pode acompanhar entradas 
e sopas, ser usada para cocção e como guarnição de kibes, além dos possíveis usos 
junto a sobremesas.
Principais aspectos culturais da cozinha árabe
A cozinha libanesa, junto à síria, apresenta difícil detalhamento quanto aos aspectos 
que são de sua origem de fato e que fazem parte do conjunto que compõe os ele-
mentos da gastronomia árabe como um todo. Suas peculiaridades, justamente em 
razão desta comunhão que classifica como árabe todos os povos que simplesmente 
compartilham principalmente das questões religiosas e culturais, ainda que estas 
tenham diferentes influências, acabam se perdendo em meio à similaridade cultural.
14
O alimento, na cultura árabe, é agente de fomento das práticas pertinentes à preser-
vação cultural e de tradições deste povo, que usa da comida como um facilitador 
desta manutenção, por meio da repetição das ações que envolvem a produção e as 
regras de serviço desta comida, ora voltadas apenas à ancestralidade, ora voltadas 
às questões que se baseiam na religiosidade mulçumana.
Ainda que o compartilhamento dos alimentos envolva, nesse sentido, a comensali-
dade, que se baseia no comer junto e nas relações que se processam em virtude da 
alimentação, há rigidez na educação e criação dos árabes, ainda quando crianças, 
para que, quando adultos, adequem-se melhor às suas rotinas em sociedade. À mesa, 
algumas orientações chamam atenção no que diz respeito a como devem se portar 
crianças, homens e mulheres, e aquilo que lhes é ou não permitido. De acordo com 
Jansen e Maciel (2010), as refeições libanesas costumam seguir “uma ordem em que 
as crianças se sentam em lugares separados dos adultos e onde comer sem camisa 
e rir alto é considerado ofensa”.
As refeições árabes são seguidas de uma série de códigos que se dividem em três 
momentos diferentes e, ainda assim, que se complementam: o antes das refeições, o 
durante e o pós-refeições. Esses momentos conceituam-se em regras que se voltam 
às tradições do povo e, ainda, à religiosidade. Há, portanto, nesse aspecto, alguns 
destaques elencados a seguir, de acordo com Jamal (2009), quanto a alguns dos 
códigos a serem considerados antes das refeições:
• Deve ser feita a lavagem das mãos;
• A comida deve ser sempre colocada em uma mesa levemente elevada do solo, em 
respeito à dádiva de Deus, e quando não estando em casa, os árabes devem, durante 
viagens, estender um pano ou manta para colocar os alimentos;
• Não se deve utilizar utensílios de ouro ou prata;
• A maneira como se sentam próximo ao alimento deve ser considerada decente;
• Não se deve reclamar dos alimentos que são servidos, mas conformar-se com os 
alimentos que se possui;
• Quanto à religião, as pessoas de maior fé jamais comem sozinhos, visto que, de 
acordo com os ensinamentos de Maomé, as mesas devem estar sempre cheias de 
pessoas a compartilharem do mesmo alimento.
Para o momento durante as refeições, os códigos são organizados da seguinte maneira:
• Deve-se sempre comer com a mão direita, pois a esquerda é a mão considerada 
própria para a limpeza e higiene pessoal;
• Deve-se fazer menção a Deus antes de se comer as refeições. Ainda assim, algumas 
pessoas costumam fazê-lo a cada garfada;
• Deve-se mastigar bem sempre o alimento e colocar quantidades sensatasde ali-
mento na boca ao degustá-lo;
• Não se deve inibir aqueles que participam na mesa de uma refeição, portanto, não 
se deve vigiá-los, mas deixá-los à vontade em seu espaço.
Por fim, para o momento após as refeições, segue-se a relação a seguir:
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• Agradecer a Deus pelo alimento;
• Aconselha-se, principalmente depois do almoço, uma sesta de curta duração;
Com relação às questões ligadas à religiosidade árabe, há ainda dois fatores de ex-
trema importância e valorização por eles praticados, por conta de sua crença, que 
se baseiam na separação entre haram e halal. Os alimentos pela religião proibidos 
são, nos países de origem árabe, conhecidos como haram e englobam itens como a 
carne suína e bebidas alcóolicas. Já os halals são os alimentos ou produtos de uso 
permitido.
Ainda que a cozinha libanesa seja, de acordo com Mann (2013), considerada uma das 
mais ancestrais em todo o mundo, nela, ainda segundo a autora, observam-se influ-
ências tais como a turca, de onde foram absorvidos produtos como o azeite de oliva, 
os pães, as coalhadas e as frutas secas. Desses, o azeite e o pão não foram apenas 
absorvidos como ingredientes, mas ainda o conhecimento acerca de suas produções. 
Há nas tradições do Líbano o uso do azeite também, assim como em outros países 
árabes e nas culturas egípcias ancestrais, na conservação de alimentos. Com ele, 
algumas dessas culturas faziam ainda o uso para a mumificação e o passavam na 
pele para que fosse conservada jovem por mais anos.
De volta às grandes navegações, Mann (2013) enfatiza a importante relação da culinária 
árabe, e em especial libanesa, voltada ao uso de temperos, ervas e especiarias, com 
destaque para ingredientes como: frutas, verduras, legumes frescos e em conserva, 
trigo, lentilha, açafrão, canela, páprica, cravo e noz-moscada, entre outros tantos, que, 
ainda de acordo com a autora, foram agentes de impulsionamento do comércio na 
época em que haviam as trocas de produtos nas rotas marítimas.
SAIBA MAIS
Alguns dos ingredientes mais tradicionais, junto às suas produções tradicionais 
e às vertentes que giram ao redor da religiosidade e ancestralidade nos proces-
sos de reprodução das receitas libanesas e de outras culturas árabes, podem ser 
mais bem estudados no livro: Culinária do Líbano a Israel, de Sheila Mann, publi-
cado em 2013.
Ainda acerca das questões que se voltam à comercialização de especiarias nas 
grandes explorações marítimas nos séculos 15 e 16, faz-se pertinente mencionar 
que, algumas delas, em detrimento da supervalorização desses produtos, acabavam 
valendo quase que o seu peso em ouro.
A generosidade árabe em um contexto geral é percebida também na cultura libanesa, 
em separado, e as relações ao redor da mesa indicam a hospitalidade e comensali-
dade que este povo gosta de demonstrar. A recusa de alimentos oferecidos em uma 
refeição árabe pelos convidados é visto como algo de extrema grosseria e que ofende 
o anfitrião, que ali abriu as portas do seu lar e deu o melhor a quem estava servindo.
Nessas refeições, o pão é usado como substituto para os talheres, tradicionais nas 
culturas ocidentais. Disposto espalhado pela mesa, em pontos acessíveis a todos, ou 
ainda no centro para ser compartilhado, esse é um produto que facilita o hábito dos 
árabes de comer com a mão, sempre a direita. São feitos artesanalmente, abertos 
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finamente e assados em altas temperaturas, passos que dão a característica visual 
que os pães árabes têm, descolando suas partes e os tornando flexíveis e versáteis 
para uso em produções diversas, como sanduíches, saladas e sobremesas.
Os pães nesse serviço são, portanto, maleáveis, para que possam ser abertos e re-
cheados, ou mesmo serem usados dobrados, como uma colher, para pegar itens que 
serão levados à boca.
Os doces e sobremesas árabes têm semelhanças com relação aos doces portugue-
ses e, ainda, com os doces brasileiros, influenciados pela colonização de Portugal. 
A doçaria árabe caracteriza-se, de acordo com Mann (2013), pelos seus processos 
elaborados de produção. Costumam ser bem adocicados e carregam os aromas 
do uso de especiarias e águas de rosas e de flor de laranjeira junto às frutas secas, 
mel e castanhas, como as amêndoas e nozes, que compõem o seu sabor. Uma das 
mais tradicionais e renomadas sobremesas árabes de que se tem conhecimento em 
todo o mundo, ainda de acordo com a autora, é o baklewa ou beklewa, produzida em 
camadas e regada com calda aromática.
Figura 5: Tradicional Baklewa, cortada, feita com massa fina, recheada com nozes e regada com calda aromática. 
Fonte: Freepik.com.
O açúcar teve um longo caminho até chegar nas mesas árabes e ser incorporado, 
principalmente, às peculiares sobremesas desta cultura tão rica. De acordo com 
Bargas (2018), ele surge na Índia, no século 5, onde foi extraído da cana-de-açúcar 
e passou-se a desenvolver a técnica que solidificava o caldo da cana, para que os 
cristais granulados do açúcar fossem, dessa forma, transformados.
A partir do século 7, quando os árabes chegaram à Índia, desenvolveram novos pro-
cessos de fabricação e o levaram ao Oriente Médio. Mais tarde, com as Cruzadas, o 
açúcar chegou à Europa, onde virou um luxo. Como o cultivo no continente era difícil, 
o produto ganhou status de especiaria de alto custo, exclusiva da nobreza (BARGAS, 
2018). A partir do século 15, ainda de acordo com o autor, as grandes navegações 
permitiram que o açúcar chegasse em solo europeu e que este também passasse 
a ser produzido. Chegou ao Brasil por meio do intercâmbio cultural e de produtos 
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da época e até hoje o país exporta mais da metade do seu açúcar produzido para o 
restante do mundo.
Ingrediente, técnicas e tendências da cozinha árabe
A cozinha árabe, em um contexto global, conseguiu atingir países diversos, ainda que 
de culturas e religiosidades diferentes. A popularização do uso das especiarias, e a 
sua combinação com caldas, frutas secas, castanhas e ainda o consumo de carnes 
de ovino e caprino em suas diversas técnicas de cocção aplicadas, acabaram por 
ser adicionadas a diversas outras culturas gastronômicas, remetendo às tradições 
árabes. Com isso, muito dessa culinária, como tendência do mundo contemporâneo, 
sofreu adaptações nos países em que hoje sua presença é efetiva, para que melhor 
atendessem ao paladar local.
Foi em função dessa necessidade que algumas das produções tradicionais, ancestrais 
dos países árabes, acabaram por ter novos insumos agregados a elas, ou ainda que 
substituíram outros não tradicionais da cultura do país em que foram inseridas. Isso, 
ainda que traga enriquecimento a estas produções, é, por muitos especialistas, visto 
como algo que pode ocasionar uma absorção inadequada da realidade cultural dos 
países de origem destas produções.
Marrocos
A cozinha marroquina é, de acordo com Zebri e Aroult (2009), uma das mais misterio-
sas, considerada pelos europeus, apesar de sua proximidade com o continente, uma 
das mais exóticas e por eles menos contemplada e reproduzida.
É, assim como as demais gastronomias de cultura de origem árabe, repleta de sabores 
intensos, cores, métodos e utensílios próprios e ancestrais para a produção de seus 
alimentos e respeito à religiosidade, que acaba por ser agente de extrema relevância 
na interferência e formação de seus hábitos, ritos e costumes alimentares. 
Seus ingredientes, diversos e diversificados, incluem uma base alimentar de frutas, 
verduras, legumes, especiarias, carnes assadas e cozidas e ainda peixes e frutos 
secos, de uso especialmente nas sobremesas ou guarnições destas carnes.
Dentre as suas especiarias de maior uso, de acordo com Zebri e Aroult (2009), es-
tão a canela, o cardamomo, o cominho, o gengibre e outros. Frutas cítricas, como o 
limão e a laranja, têm uso abundante nas produções e trazem a elas um frescor que, 
acompanhado da hortelã, dão características peculiares aos pratos dessa cultura.
A hortelã é ainda um dos ingredientes de maior uso no país, por conta de ser usada 
paraa produção de infusões. Os chás, consumidos quentes e frios, são degustados 
durante todo o dia no país e nas principais refeições.
Além das folhas de hortelã, que acabam se destacando nessa que é uma das principais 
bebidas de consumo no Marrocos, o chá, outra produção acaba sendo também uma 
das de maior consumo, em razão de ser utilizada não apenas como item principal 
dos pratos de destaque das refeições, mas ainda como guarnição de carnes, peixes 
e/ou legumes, o couscous marroquino.
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Figura 6: Couscous marroquino ainda cru, que após hidratação em água ou outro líquido aromático pode acompa-
nhar pratos diversos, assim como ser utilizado como base para saladas e sopas. Fonte: Freepik.com. 
De acordo com Zebri e Aroult (2009), as pequenas bolinhas de sêmola, assemelham-se 
a arroz e são na cultura marroquina cozidas normalmente no vapor.
Outros dos principais pratos do Marrocos são as tajines, que baseiam-se em cozidos 
de carnes e/ou legumes, guisados em utensílio apropriado: uma panela feita de barro, 
com formato afunilado em sua tampa, que assemelha-se a uma panela de pressão 
e cozinha o alimento até que fique tenro e, ainda assim, mantenha a sua umidade, 
haja vista ser uma cocção ocasionada pelo vapor liberado da umidade dos próprios 
alimentos e de mais algum líquido aromático incorporado a eles. As tajines, panelas, 
costumam ser decoradas, pintadas à mão. O guisado produzido nelas costuma, além 
do couscous, acompanhar arroz ou legumes diversos, segundo Zebri e Aroult (2009).
Figura 7: Tradicional tajine aberta para representação de sua cocção, com guisado de carne acompanhado de 
legumes. Fonte: Freepik.com.
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Essas tradicionais tajines são, segundo Zebri e Aroult (2009), produções que, assim 
como em países como Portugal, que possuem inúmeras receitas de bacalhau, ou a 
Espanha, que possui inúmeras receitas de paella, podem ter uma infinidade de recei-
tas diferentes, que vão se moldando nas famílias marroquinas, de acordo com cada 
tradição.
SAIBA MAIS
O primeiro livro de culinária marroquina publicado no Brasil traz uma série de 
receitas familiares, tradicionais em seus costumes e métodos de produção, além 
de informações relevantes que se voltam às características e principais ingre-
dientes dessa valiosa cultura alimentar dentre os países de cultura árabe. O livro, 
Walima: a arte da culinária marroquina, é dos autores Natalian da Silva Fakhiri e 
Abdelali Fakhiri e foi lançado pela editora Record em 2002.
As tradições marroquinas seguem, assim como o conjunto já apresentado das ára-
bes em um contexto geral. No Marrocos, o hábito do consumo com as mãos segue, 
porém com a característica de que, além do uso do pão como apoio e da mão direita 
para tal, os dedos usados para a degustação são o polegar e os três primeiros dedos, 
segundo Zebri e Aroult (2009). Ainda que este costume seja recorrente de todo o país, 
há nos restaurantes a liberdade do uso dos talheres, para aqueles que se sentem 
constrangidos, ou, ainda, os turistas que por ali passam e não possuem o mesmo 
conhecimento ou facilidade no consumo dos alimentos desta forma.
Além de sopas nas entradas, as carnes nos pratos principais com seus acompanha-
mentos, há também as sobremesas regadas a mel e especiarias, que possuem ainda 
a característica do uso de frutas secas, castanhas e de agentes de aromatização, que 
fazem delas perfumadas e deliciosas produções.
20
Cozinha grega
A culinária grega é considerada uma das mais ancestrais do mundo, por conta prin-
cipalmente de ter como base a renomada Dieta do Mediterrâneo, que se caracteri-
za pelo consumo de produtos de qualidade em suas quantidades ideais, para uma 
alimentação baseada em nutrientes que promovam a longevidade da maneira mais 
natural e saudável o possível. Baseiam-se em peixes com relevante teor de colágeno, 
cereais e grãos integrais, frutas, legumes, verduras, azeites de oliva extra virgem e na 
prática de atividades físicas e hábitos de uma vida social ativa.
Figura 8: Bases da dieta do Mediterrâneo, formada por peixes, cereais, grãos, legumes, frutas, verduras e entre 
outros ingredientes as especiarias e ervas. Fonte: Freepik.com. 
Além disso, a Grécia se beneficia ainda de uma localização geográfica que facilita e 
promove uma relação do país com os produtos frescos do mar e da terra. Este pra-
zer no comer bem e na sua relação com a saúde sempre foi algo de interesse dos 
gregos quanto ao aspecto da funcionalidade dos nutrientes. Diz-se que os gregos, 
tradicionalmente, não costumam consumir alimentos sem ter a certeza dos benefícios 
possíveis em sua saúde.
SAIBA MAIS
Hipócrates, considerado o pai da Medicina, é creditado como o grande influen-
ciador da busca pela preservação do corpo e da saúde por meio de alimentos 
funcionais. Defendia uma alimentação equilibrada que garantisse uma vida ativa, 
saudável e longínqua, sem o uso de remédios e complementos.
Os queijos são ingredientes de extremo valor para a cultura alimentar grega e são 
diversos, com suas características específicas. Segundo Reis (2005), alguns deles, de 
maior destaque, são o feta, conhecido não apenas na Grécia, mas ao redor do mundo, 
feito com uma pasta de leite de ovelha ou cabra, que passa por processo de produção 
de coalhada e que depois é conservado em salmoura, que a ele agrega ainda mais 
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valor; o Kasséri, que é um queijo fresco, feito com leite de ovelha e o Metzovitico, queijo 
defumado, feito com uma mistura de leites de vaca, entre outros.
O famoso iogurte grego, de textura mais firme e encorpada, também tem uso consi-
derável no país, podendo ser consumido com mel, frutas secas e castanhas, ou ainda 
como acompanhamento em pratos diversos.
SAIBA MAIS
O filme Casamento Grego apresenta a intensa relação dos gregos com a hospi-
talidade, comensalidade e, principalmente, com o alimento, em todos os seus 
costumes, no cotidiano e nos rituais festivos. Neste filme, o pano de fundo é um 
casamento, por isso mostra como os ingredientes têm poder e como se valoriza 
a cultura grega por meio de sua alimentação.
O frescor e a leveza da alimentação grega contrariam a gastronomia clássica francesa, 
com seus molhos encorpados, suas marinadas longas e que antes da Nouvelle Cuisine, 
de acordo com Santos (2010), acabavam por, inclusive, em meio a essa produção 
prolongada, alterando o sabor original dos produtos, mascarados pela quantidade de 
temperos fortes não evidenciados em sua naturalidade.
Os hábitos e a rotina grega baseiam-se, de acordo com Reis (2005), em três refeições 
principais, que contemplam o café da manhã, sempre acompanhado de frutas, pães, 
mel, iogurtes e café; o almoço, que contempla os guisados e carnes assadas, além 
dos peixes regados à azeite, saladas, frutas e queijos e, por fim, o jantar, que costuma 
ser repleto de tira-gostos, montados em uma mesa repleta de queijos, azeitonas e, 
ainda, pequenos pedaços de polvo grelhado. Nessa mesa são ainda colocados itens 
diversos, o que a torna semelhante à mesa árabe, que na Grécia recebe o nome de 
mézédès e acompanha, por vezes, uma bebida, de acordo com Reis (2005), chamada 
de Ouzo, que é basicamente uma aguardente de anis.
22
Cozinha Americana
Nos Estados Unidos, os povos nativos ensinaram os primeiros colonos não só a 
plantar milho, abóbora e a caçar perus, mas também a cultivar da melhor maneira as 
suas terras. O sugaring off (processo em que a seiva da árvore red maple é recolhida e 
fervida até se transformar num xarope espesso ou açúcar cristalizado) foi um destes 
ensinamentos.
Os povos originários também inventaram os primeiros clams bakes – um modo de 
cozinhar frutos do mar frescos (mariscos, mexilhões, lagostins, lagostas etc.) em 
grandes potes sob cinzas, com algas e espigas de milho. Somando as tradições 
trazidas pelos colonos, outras influências foram de grande contribuição, como a dos 
Menonitas (entre os quais os Amish são os mais conhecidos), que se estabeleceram 
no final do século 17.
Ao longo dos séculos 18 e 19, os americanos desenvolveramdiversos novos alimentos. 
Durante a Era Progressista do final do século 19 e início do século 20, a produção de 
alimentos tornou-se bem mais industrializada. Os vários estilos culinários continuaram 
se expandindo nos séculos 19 e 20, proporcionalmente ao grande fluxo de imigrantes, 
de muitas nações diferentes, que alimentou uma rica diversidade na preparação de 
alimentos em todo o território.
Para melhor exemplificar os contrastes encontrados nos Estados Unidos, podemos 
dividir o país em cinco regiões gastronômicas:
New England (Nova Inglaterra)
Esta região inclui os estados de Connecticut, Massachusetts, New Hampshire, Rhode 
Island, Maine e Vermont. Aqui a culinária nativa americana tornou-se parte do estilo de 
culinária que se estabeleceu, mesclando-se com aquela que os primeiros colonizado-
res trouxeram com eles, basicamente se caracteriza pelo uso extensivo de produtos 
nativos (milho, abóbora e feijão), aves (peru e pato), frutos do mar e laticínios, o que 
resulta de sua dependência histórica de seus portos marítimos e indústria pesqueira, 
além de uma extensa produção de laticínios nas regiões do interior. Muitos dos pri-
meiros colonos puritanos da Nova Inglaterra eram do leste da Inglaterra, onde assar 
alimentos (como tortas, grãos e aves) era mais comum do que fritar. O carboidrato 
do dia a dia é a batata. A culinária da Nova Inglaterra é conhecida pelo uso limitado 
de especiarias, além da pimenta-do-reino moída, salsa, alho, sálvia e noz-moscada. 
O uso de creme é comum, devido à dependência dos laticínios.
O bacalhau é um ícone da culinária da Nova Inglaterra, a pesca comercial do baca-
lhau ao longo da costa do Atlântico remonta ao século 17. Esse mesmo bacalhau 
foi transportado por navios mercantes para a África, que retornavam com pessoas 
escravizadas para plantações no Caribe e açúcar para a Nova Inglaterra.
23
Vale do Delaware e Middle-Atlantic
A região do Meio-Atlântico compreende os estados de New York, New Jersey, 
Pennsylvania, Delaware e norte de Maryland. As influências na culinária desta região 
são extremamente ecléticas, devido ao fato de que foi e continua sendo uma porta de 
entrada para a cultura internacional, bem como para novos imigrantes; voltando aos 
tempos coloniais, cada novo grupo deixou sua marca na culinária local e as cidades, 
por sua vez, dispersam as tendências para todo o país. Além disso, cidades como 
New York e Philadelphia tiveram a influência passada das cozinhas holandesa, italiana, 
inglesa, alemã, irlandesa e judaica e essa influência continua até hoje.
Midwest (o Centro-Oeste)
Esta região abriga os seguintes estados: Illinois, Iowa, Kansas, Indiana, Michigan, 
Nebraska, Minnesota, Wisconsin, Oklahoma, North Dakota, Ohio e South Dakota. A 
gastronomia do é uma mistura muito eclética do conceito (práticas socioculturais 
e econômicas relacionadas à produção e consumo de alimentos), variando desde o 
churrasco no “estilo” de Kansas até o cachorro-quente ao “estilo” de Chicago, embora 
muitos de seus clássicos sejam pratos muito simples e saudáveis. Principalmente por 
esta região ter ficado completamente intocada por colonos tanto europeus quanto 
americanos até a Guerra Civil (1861 a 1865), foi povoada principalmente por agru-
pamentos nômades como os Cheyenne e Sioux, que tal como a maioria dos outros 
grupos nativos americanos consumiam as “três irmãs” (feijão, milho e abóbora) como 
base da dieta alimentar.
Esses grupos seguiam também os rebanhos de búfalo e os caçavam, primeiro a pé 
e depois a cavalo, usando arco e flecha (após a propagação da raça Mustang do 
Sudoeste, pela exploração dos conquistadores espanhóis). Há relatos escritos de 
caçadores e colonos que atestam sua dependência do búfalo. Depois do animal qua-
se ser eliminado, essa região passou a criar seus próprios búfalos ao lado do gado, 
por conta de sua carne ser lucrativa, transformando-os em hambúrgueres e vários 
cortes cárneos.
South (o Sul)
A Região Sul dos Estados Unidos é formada pelos estados: Alabama,Arkansas, North 
Carolina, South Carolina, Florida, Georgia, Louisiana, Kentucky, Missouri, Mississippi, 
Maryland, Tennessee, Texas, Virginia e West Virginia. Muitos elementos desta culinária, 
tais como abóbora, milho (e seus derivados, incluindo grãos) e churrascos em pro-
fusão são heranças das tribos indígenas do Sudeste, como os Seminole. Supõem-se 
que a palavra para churrasco – ou “Bar-b-que” ou ainda “B.B.Q.” – tenha derivado da 
palavra haitiana ; muitos atribuem esse costume à criação de gado durante a grande 
migração para o oeste. A carne é grelhada em fogo à lenha ou carvão em brasa, pin-
celada com molho antes, durante e depois da cocção.
Na Louisiana, a culinária Creole ou Cajun é o estilo predominante, onde se combinam 
influências africana, francesa, espanhola, ameríndia e haitiana; a culinária da Flórida 
(conhecida como ) é baseada na cozinha espanhola, com óbvias influências caribenhas.
24
West (Oeste)
A Região Oeste do país é formada pelos estados do Alaska, Arizona, Colorado, 
California, Hawaii, Idaho, Nevada, Montana, New Mexico, Utah, Oregon, Washington 
e Wyoming. O oeste dos Estados Unidos possui sua própria culinária, distinta de várias 
maneiras da do resto do país.
Na região, o Movimento Local de Alimentos é cada vez mais influente, assim como 
o conceito de sustentabilidade. Esses movimentos visam a conectar produtores e 
consumidores da mesma região geográfica, para desenvolver redes alimentares mais 
autossuficientes e resilientes, melhorar as economias locais e afetar positivamente 
a saúde, o ambiente, a comunidade e a sociedade de um determinado local. Nos es-
tados do Oregon e Washington, existem várias especialidades envolvendo salmão; 
nos estados de Utah, Montana, Idaho, New Mexico, Nevada, Colorado e Wyoming, a 
cultura é um fator decisivo, onde variações no tema da carne bovina grelhada e culi-
nária ao ar livre são comuns.
Os vinhos americanos
A vitivinicultura não é recente nos Estados Unidos, tendo sido introduzida na Califórnia 
no final do século 18, com a chegada dos missionários espanhóis. No século 19, 
desenvolveu-se com os imigrantes europeus até a Lei-Seca, que de 1919 a 1930 
limitou drasticamente sua evolução. Finda esta lei, a vitivinicultura voltou a florescer, 
principalmente após o boom econômico de 1970.
As variedades cultivadas são de origem francesa, essencialmente Cabernet Sauvignon, 
Merlot, Syrah e Pinot Noir para as castas tintas e Chardonnay, Sauvignon Blanc e 
Chenin Blanc para as castas brancas. Os vinhos americanos são, em sua maioria, 
varietais (produzidos com um tipo só de uva), com a especificação indicada no rótulo.
Na Califórnia estão localizados mais de 80% dos vinhedos do país, suas duas regiões 
mais famosas são: Napa Valley, mais ao interior, ao norte de San Francisco, e Sonoma 
Valley, próxima ao Oceano Pacífico. Desfrutando de condições climáticas particula-
res favoráveis, com variações de temperatura de mais de 20ºC, essas duas regiões 
produzem os melhores e mais finos vinhos dos Estados Unidos.
Durante muitos anos, todo tipo de variedade de uvas foi cultivado na região sem se 
levar em conta suas especificidades, mas a partir da década de 1980 iniciou-se a 
plantação de variedades mais nobres e melhor adaptadas às especificidades do solo; 
assim, o melhor Chardonnay provém das regiões mais frias, que favorecem o refina-
mento e a elegância dos vinhos. Por outro lado, a casta Cabernet Sauvignon é plantada 
em regiões mais quentes, de modo a atingir uma melhor maturação. De forma geral, 
a tendência da região é produzir vinhos relativamente amadeirados, graças ao uso 
de barricas de carvalho americano, que confere ao vinho um sabor mais doce, mais 
marcante e mais opulento que os dos vinhos europeus (principalmente os franceses).
25
SAIBA MAIS
O filme O Julgamento de Paris relata a degustação de vinhos mais importante 
ocorrida no século 20. A partir dela, a vinicultura renasceu nos Estados Unidos, 
logo após a queda provocada pela Lei Seca. Oevento foi uma degustação às 
cegas realizada em Paris, em 24 de maio de 1976, com a participação de reno-
mados rótulos franceses em contraste com desconhecidos vinhos norte-ameri-
canos. O filme tem a direção de Randall Miller, e estreou em 2008.
O Central Valley, entre as cidades de Los Angeles e San Francisco, também produz 
vinhos, mas de qualidade menos interessante, são os chamados Jug Wines (vinhos de 
jarra) ou vinhos de mesa, mais baratos, geralmente vendidos em garrafão de 1, 3 ou 
5 litros. Se a economia da vitivinicultura californiana é importante, ela se concentra, 
contudo, nas mãos de algumas poucas vinícolas ou wineries, que vinificam não só as 
suas próprias colheitas, mas também aquelas provenientes de pequenos produtores 
que as vendem.
No oeste dos Estados Unidos, dois outros estados se distinguem pela qualidade 
de seus vinhos, o estado de Washington, que na maioria vende suas colheitas para 
serem vinificadas na Califórnia, e o estado de Oregon, onde os vinhos produzidos de 
Pinot Noir ganham cada vez mais notoriedade. Na costa leste o estado de New York 
ocupa a segunda colocação em superfície vitivinícola, cultivando variedades híbridas 
e produzindo vinhos frisantes.
Fast Food
Atualmente, os Estados Unidos possuem a maior indústria alimentar de do mundo 
e os restaurantes americanos dessa modalidade estão localizados em mais de 100 
países. Aproximadamente 4,7 milhões de trabalhadores americanos estão empre-
gados nas áreas de preparação e serviços de alimentação. Preocupações com uma 
epidemia de obesidade e outras doenças relacionadas inspiraram muitos governos 
locais nos Estados Unidos a propor a limitação ou regulamentação de restaurantes 
desse tipo. O interessante desse fenômeno é que algumas áreas são mais afetadas 
do que outras, em Los Angeles, por exemplo, cerca de 45% dos restaurantes no centro 
são cadeias de fast food ou restaurantes com assentos mínimos; em comparação a 
apenas 16% dos restaurantes da periferia.
26
Cozinha canadense
O Canadá é o segundo maior país do mundo (depois da Rússia) e é o maior país da 
América do Norte. As províncias orientais, conhecidas como Maritimes, são separa-
das do resto do país por cadeias de montanhas baixas. Terra Nova e Prince Edward 
Island são províncias do Oceano Atlântico, no total 4/5 de seu território são cobertos 
por extensões de florestas e água – um rico manancial para a gastronomia.
Os primeiros cozinheiros do Canadá, os povos indígenas, são conhecidos por terem 
usado mais de 500 espécies de plantas como alimento. Eles cultivavam e coletavam 
essa grande variedade de plantas, consumiam animais de caça (grandes cervídeos e 
pequenos mamíferos), aves (patos, gansos e perdizes) e peixes de mar e água doce 
(salmão, truta e bacalhau).
Segundo Ford (2020), também usaram várias ferramentas para ferver, defumar/pre-
servar e assar seus alimentos. A chegada dos franceses e ingleses trouxe mais ingre-
dientes e novas técnicas de cozinha. Hoje, muitos dos pratos tradicionais do Canadá 
têm a marca dessas influências indígenas, francesas e inglesas.
Mas quando dizemos cozinha canadense, que características vêm à mente?
É realmente difícil de dizer. Quando dizemos comida indiana, pensamos imediatamente 
na mistura de especiarias e cheiros que a tornam distintamente indiana. Mencione 
comida chinesa e você imagina pratos bens saborosos. Com a culinária canadense, 
pode ser difícil identificar um sabor, textura ou característica singular. Um primeiro 
ministro canadense chegou a descrevê-la como “uma mistura de outras cozinhas”, 
o que é um pouco preciso, já que o Canadá é um dos países mais multiculturais do 
mundo.
No entanto, se procurarmos por pratos populares na tentativa de defini-los, veremos 
que o que torna a comida canadense verdadeiramente canadense, pode ser seu pano 
de fundo histórico e os ingredientes locais usados para fazê-la. Segundo Herch (2009), 
não existe uma definição única para a culinária canadense; começa com ingredientes 
que brotam da paisagem e com pratos tradicionais mergulhados na história e cultu-
ra da região. Na linha de frente da cena culinária do Canadá, cada chef reinterpreta 
de forma inovadora esses elementos para refletir uma visão muito pessoal da terra, 
comida e pessoas ao seu redor.
Os alimentos favoritos dos canadenses variam um pouco de região para região e 
são fortemente influenciados por sua herança familiar, principalmente em relação 
às celebrações de feriados. Ao longo da costa atlântica, são comuns frutos do mar 
e pratos derivados das tradições inglesas, exceto em Quebec, onde as comidas fa-
voritas vêm da herança francesa. Em todo o Canadá, xarope de bordo e produtos de 
bordo são populares, refletindo o significado da árvore de bordo, cuja folha adorna a 
bandeira nacional. Muitas famílias desfrutam de uma visita no início da primavera a 
um “barraco” de açúcar de bordo, o edifício rústico especial onde a seiva das árvores 
é fervida em uma grande panela aberta para se fazer o xarope de bordo.
No final da primavera, muitas pessoas no leste do Canadá visitam uma área arborizada 
para colher “cabeças de violinos”, estas plantas são chamadas assim pois parecem 
com a extremidade enrolada de um violino, são os novos e saborosos brotos de sa-
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mambaias da floresta, colhidas antes de se transformarem em grandes folhas ren-
dadas. São uma especialidade frágil da primavera, geralmente disponível por apenas 
algumas semanas. Os supermercados do Canadá podem estocar cabeças de violino 
congeladas ao lado de outros vegetais congelados (HERCH, 2009).
A dieta canadense
Os canadenses costumam comer três refeições padrão por dia – café da manhã, 
almoço e jantar – cada uma das quais é bastante distinta.
O café da manhã é preparado para fornecer combustível para o dia todo. Infelizmente, 
muitos canadenses tendem a ser apressados demais pela manhã para dar muito 
esforço à refeição e, como resultado, ela costuma ser a refeição mais largamente 
ignorada. Os alimentos tradicionais do café da manhã no Canadá são: ovos cozidos, 
linguiça ou bacon fritos, batata frita, pão torrado, panquecas com xarope de bordo e 
cereais ou aveia com leite quente. Para quem está com pressa, um café da manhã 
pode consistir apenas em uma das opções acima; para quem leva a sério, não é 
incomum que um café da manhã canadense “saudável” contenha quase tudo o que 
foi mencionado.
O almoço também pode ser uma refeição leve, pois é tradicionalmente consumido ao 
meio-dia, hora em que a maioria dos canadenses ainda está trabalhando. Os alimentos 
tradicionais do almoço canadense tendem a ser fáceis de fazer, como sanduíches, 
sopas ou saladas. Nas ocasiões em que mais tempo e esforço estão disponíveis 
(por exemplo, no fim de semana ou quando se visita um restaurante), as refeições no 
almoço podem ser bastante indistinguíveis das refeições no jantar.
O jantar é quase sempre a maior e mais bem preparada refeição de qualquer cana-
dense, algo que se espera com prazer após um longo dia de trabalho. Esse desejo 
de tornar a refeição agradável e satisfatória significa que os canadenses tendem a 
ter muitas coisas diferentes para o jantar, no entanto, pode ser difícil resumir uma 
comida de jantar canadense “tradicional” como resultado.
De modo geral, os jantares canadenses apresentam uma grande variedade de prepara-
ções, sendo as carnes bem diversificadas, como frango, carne de porco, hambúrguer 
ou carne moída, legumes cozidos (cenoura, ervilha, feijão verde, couve-flor, brócolis 
ou milho) e uma base de grãos ou amido, como arroz, macarrão, batata ou pão.
Apenas cerca de 5% das terras do Canadá são consideradas aráveis (capazes de 
cultivar) e a agricultura contribui com cerca de 2% para o produto interno bruto do 
país. As fazendas canadenses produzem grãos como trigo, cevada, milho e aveia; o 
Canadá ocupa o terceiro lugar no mundo em exportação de grãos. Os agricultores 
e pecuaristas canadenses também criam gado para exportação, especialmente em 
Alberta, Saskatchewan e Manitoba.H. F. Ullmann, 
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