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Enunciado 624 CJF, “a anulação do registro não autoriza a exclusão dos dados invalidados do teor da matrícula”. 6.4.2.1.4. Início dos efeitos do registro O registro é eficaz desde o momento em que se apresentar o título ao oficial do registro e este prenotar no protocolo. Esse efeito só não existirá se o interessado tiver de complementar a documentação apresentada e não o fizer no prazo de trinta dias (art. 1.246 do CC; art. 188 da Lei de Registros Públicos). 6.4.2.2. Usucapião 6.4.2.2.1. Conceito É a forma de aquisição originária da propriedade, pela posse prolongada no tempo e o cumprimento de outros requisitos legais. A usucapião também é chamada de prescrição aquisitiva. Essa forma de aquisição da propriedade independe de registro no Registro de Imóveis. Ou seja, cumpridos os requisitos legais, o possuidor adquire a propriedade da coisa. Assim, a sentença na ação de usucapião é meramente declaratória da aquisição da propriedade, propiciando a expedição de mandado para registro do imóvel em nome do adquirente, possibilitando conhecimento de todos da nova situação. A aquisição é originária, ou seja, não está vinculada ao título anterior. Isso faz com que eventuais restrições que existirem na propriedade anterior não persistam quanto ao novo proprietário. 6.4.2.2.2. Requisitos São vários os requisitos para a aquisição da propriedade pela usucapião. Vamos enumerar, neste item, apenas os requisitos que devem ser preenchidos em todas as modalidades de usucapião, deixando os requisitos específicos de cada modalidade para estudo nos itens abaixo respectivos. Os requisitos gerais são os seguintes: a) posse prolongada no tempo: não basta mera detenção da coisa, é necessária a existência de posse, e mais, de posse que se prolongue no tempo, tempo esse que variará de acordo com o tipo de bem (móvel ou imóvel) e outros elementos, como a existência de boa-fé, a finalidade da coisa etc.; b) posse com animus domini: não basta a mera posse; deve se tratar de posse com ânimo de dono, com intenção de proprietário; essa circunstância impede que se considere a posse de um locatário do bem, como hábil à aquisição da coisa; c) posse mansa e pacífica: ou seja, posse sem oposição; assim, se o legítimo possuidor da coisa se opôs à posse, ingressando com ação de reintegração de posse, neste período não se pode considerar a posse como mansa e pacífica, como sem oposição; d) posse contínua: ou seja, sem interrupção; não é possível computar, por exemplo, dois anos de posse, uma interrupção de um ano, depois mais dois anos e assim por diante; deve-se cumprir o período aquisitivo previsto em lei sem interrupção. Importante consignar que, conforme prevê o Enunciado 596/CJF “O condomínio edilício pode adquirir imóvel por usucapião”. 6.4.2.2.3. Usucapião extraordinário – Requisitos a) tempo: 15 anos; o prazo ficará reduzido para 10 anos se o possuidor houver estabelecido no imóvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo (art. 1.238, caput e parágrafo único, do CC); b) requisitos básicos: posse “mansa e pacífica” (sem oposição), “contínua” (sem interrupção) e com “ânimo de dono”. 6.4.2.2.4. Usucapião ordinário – Requisitos a) tempo: 10 anos; o prazo ficará reduzido para 5 anos se preenchidos dois requisitos: a) se o imóvel tiver sido adquirido onerosamente com base no registro constante do respectivo cartório; b) se os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia ou realizado investimentos de interesse social e econômico (art. 1.242, caput e parágrafo único, do CC); b) requisitos básicos: posse “mansa e pacífica” (sem oposição), “contínua” (sem interrupção) e com “ânimo de dono”; c) boa-fé e justo título: como o prazo aqui é menor, exige-se do possuidor, no plano subjetivo, a boa-fé, e no plano objetivo, a titularidade de um título hábil, em tese, para transferir a propriedade. 6.4.2.2.5. Usucapião especial urbano – Requisitos a) tempo: 5 anos (art. 1.240 do CC); b) requisitos básicos: posse “mansa e pacífica” (sem oposição), “contínua” (sem interrupção) e com “ânimo de dono”; c) tipo de imóvel: i) área urbana; ii) tamanho de até 250 m2; d) finalidade do imóvel: utilização para a moradia do possuidor ou de sua família; e) requisitos negativos: i) que o possuidor não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural; ii) que o possuidor não tenha já sido beneficiado pelo direito à usucapião urbana. De acordo com o STJ, “não obsta o pedido declaratório de usucapião especial urbana o fato de a área do imóvel ser inferior à correspondente ao “módulo urbano” (a área mínima a ser observada no parcelamento de solo urbano por determinação infraconstitucional). Isso porque o STF, após reconhecer a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada, fixou a tese de que, preenchidos os requisitos do artigo 183 da CF, cuja norma está reproduzida no art. 1.240 do CC, o reconhecimento do direito à usucapião especial urbana não pode ser obstado por legislação infraconstitucional que estabeleça módulos urbanos na respectiva área em que situado o imóvel (dimensão do lote)” (RE 422.349-RS, DJe 27.05.2016). 6.4.2.2.6. Usucapião urbano coletivo – Requisitos a) tempo: 5 anos (art. 10 da Lei 10.257/2001 – Estatuto da Cidade); b) requisitos básicos: posse “mansa e pacífica” (sem oposição), “contínua” (sem interrupção) e com “ânimo de dono”; c) tipo de imóvel: a) área urbana; b) tamanho superior a 250 m2; d) finalidade do imóvel: a) utilização para a moradia; b) população de baixa renda; e) requisitos negativos: i) que o possuidor não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural; ii) que seja impossível identificar o terreno ocupado por cada possuidor. 6.4.2.2.7. Usucapião especial rural – Requisitos a) tempo: 5 anos (art. 1.239 do CC); b) requisitos básicos: posse “mansa e pacífica” (sem oposição), “contínua” (sem interrupção) e com “ânimo de dono”; c) tipo de imóvel: i) área de terra em zona rural; ii) tamanho de até 50 hectares; d) finalidade do imóvel: i) utilização para a moradia do possuidor ou de sua família; ii) área produtiva pelo trabalho do possuidor ou de sua família; e) requisito negativo: a terra não pode ser pública. Eis Enunciado do CJF sobre a usucapião especial rural: ENUNCIADO 594 – É possível adquirir a propriedade de área menor do que o módulo rural estabelecido para a região, por meio da usucapião especial rural. 6.4.2.2.8. Usucapião especial urbana familiar – Requisitos (introduzida pela Lei 12.424/2011) a) tempo: 2 anos (art. 1.240-A do CC); b) requisitos básicos: posse “mansa e pacífica” (sem oposição), “contínua” (sem interrupção) e com “ânimo de dono”; c) tipo de imóvel: a) área urbana; b) tamanho de até 250 m2; d) finalidade do imóvel: utilização para a moradia do possuidor ou de sua família; e) tipo de posse: posse direta, com exclusividade; f) requisito específico: imóvel cuja propriedade o possuidor dividia com ex-cônjuge ou ex-companheiro que tenha abandonado o lar; g) requisitos negativos: i) que o possuidor não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural; ii) que o possuidor não tenha já sido beneficiado pelo direito ao usucapião urbano; h) consequência: o possuidor abandonado adquire o domínio integral do imóvel. Confira agora alguns Enunciados das Jornadas de Direito Civil sobre a usucapião especial urbana familiar: a) “498 – A fluência do prazo de 2 (dois) anos previsto pelo art. 1.240- A para a nova modalidade de usucapião nele contemplada tem início com a entrada em vigor da Lei 12.424/2011”; b) “500 – A modalidade de usucapião prevista no art. 1.240-A do Código Civil pressupõe a propriedade comum do casal e compreende todas as formas de família ou entidades familiares, inclusive homoafetivas”; c) “501 – As expressões “ex-cônjuge” e “ex-companheiro”, contidas no art. 1.240-A do Código Civil, correspondem à situação fática da separação, independentemente de divórcio”; d) “502 – O conceito de posse direta referido no art. 1.240-A do Código Civil não coincide com a acepção empregadano art. 1.197 do mesmo Código”. e) ENUNCIADO 595 – O requisito “abandono do lar” deve ser interpretado na ótica do instituto da usucapião familiar como abandono voluntário da posse do imóvel somado à ausência da tutela da família, não importando em averiguação da culpa pelo fim do casamento ou união estável. Revogado o Enunciado 499. f) ENUNCIADO 664 – Art. 1.240-A: O prazo da usucapião contemplada no art. 1.240-A só iniciará seu curso caso a composse tenha cessado de forma efetiva, não sendo suficiente, para tanto, apenas o fim do contato físico com o imóvel. 6.4.2.3. Posse pro labore (desapropriação privada)