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1 PROPRIEDADE • Definição: Direito real subjetivo de usar, gozar e dispor da coisa e reivindicá-la de quem injustamente a detenha. (Caio Mário da Silva Pereira) • Critérios: Sintético: submissão de uma coisa, em todas as relações jurídicas, a uma pessoa Analítico: Direito de usar, dispor, fruir e alienar a coisa Descritivo: Direito complexo absoluto, perpétuo e exclusivo, pelo qual uma coisa está submetida à vontade de uma pessoa, sob os limites lei. • Direito fundamental contido atender à função social em • A propriedade é preenchida a partir dos atributos que constam no art. 1228 do CCB. • Não é um direito ilimitado, pois deve ser harmonizado pelo preceito da função socioambiental constante do texto constitucional Leitura do Código • Art. 1.228. O proprietário tem a faculdade de usar, gozar e dispor da coisa, e o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha. • § 1º O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados, de conformidade com o estabelecido em lei especial, a flora, a fauna, as belezas naturais, o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico, bem como evitada a poluição do ar e das águas. • § 2º São defesos os atos que não trazem ao proprietário qualquer comodidade, ou utilidade, e sejam animados pela intenção de prejudicar outrem. • § 3º O proprietário pode ser privado da coisa, nos casos de desapropriação, por necessidade ou utilidade pública ou interesse social, bem como no de requisição, em caso de perigo público iminente. • § 4º O proprietário também pode ser privado da coisa se o imóvel reivindicado consistir em extensa área, na posse ininterrupta e de boa-fé, por mais de cinco anos, de considerável número de pessoas, e estas nela houverem realizado, em conjunto ou separadamente, obras e serviços considerados pelo juiz de interesse social e econômico relevante. • § 5º No caso do parágrafo antecedente, o juiz fixará a justa indenização devida ao proprietário; pago o preço, valerá a sentença como título para o registro do imóvel em nome dos possuidores. 2 PROPRIEDADE Faculdades relativas à propriedade (GRUD) Gozo ou Fruição – possibilidade de retirar os frutos da coisa (naturais, industriais e civis). Ex: Locação de um bem imóvel. Reinvindicação – haver a coisa de quem injustamente a possua ou detenha (ius vindicandi) por meio de ação petitória fundada em propriedade (domínio) Uso – possibilidade de uso da coisa, limitada pelas leis especiais. Disposição – faculdade de dispor da coisa por ato intervivos (compra e venda e doação) e por ato de últimas vontades. Características da ação reivindicatória Ação Real com Fundamento na propriedade Finalidade de restituir a coisa ao proprietário Requisitos: prova da propriedade e da posse molestada. O réu pode alegar exceção de domínio, o que não pode ocorrer nas ações possessórias. Procedimento comum Características da ação reivindicatória • Características da ação reivindicatória: Ação Real com Fundamento na propriedade Finalidade de restituir a coisa ao proprietário Requisitos: prova da propriedade e da posse molestada. O réu pode alegar exceção de domínio, o que não pode ocorrer nas ações possessórias. Procedimento comum Admite-se tutela de evidência prevista no art. 311 CPC Possibilidade de intervenção de terceiros e litisconsórcio obrigatório 3 AÇÃO REIVINDICATÓRIA • Ação reivindicatória se estrutura em registro imobiliário com a descrição de confrontações. • Prazo para propositura: 2 correntes 19 corrente: 10 anos entre presentes 15 anos entre ausentes. 29 corrente: imprescritível Classificação da Propriedade quanto à sua amplitude Propriedade plena – proprietário ostenta todos os atributos da propriedade (GRUD) Propriedade limitada ou restrita – situação em que a propriedade tem restrição em algum(ns) dos atributos. Ex: Hipoteca. • Havendo cisão de alguns dos atributos o direito de propriedade é composto por duas partes destacáveis Nua propriedade – corresponde à titularidade do domínio, devido ao fato de que o proprietário a tem em seu nome. Domínio útil – corresponde aos atributos de usar, gozar e dispor da coisa. Ex: superficiário, usufrutuário, habitante, promitente comprador Propriedade Resolúvel • Conceito: É aquela que pode ser extinta quer pelo advento de uma condição (evento futuro e incerto) ou pelo termo (evento futuro e certo), quer pela superveniência de uma causa capaz de extinguir a relação jurídica. • Exemplos: Cláusula especial de retrovenda em que o vendedor tem a possibilidade de reaver a coisa no prazo máximo de 3 anos (art. 505 a 508 CCB). Até esse prazo a propriedade é resolúvel. Cláusula de venda com reserva de domínio – venda de coisa móvel pode o vendedor reservar para si a propriedade, que será transferida quando o preço esteja pago. Até lá a propriedade é resolúvel. Doação com cláusula de reversão Direito de preempção 4 FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE • Projeção da norma constitucional que prevê o atendimento da função social pela propriedade (art. 5º, XXIII CF) • Influência de Leon Duguit que preceituava que a propriedade não é um direito subjetivo, mas uma função a ser exercida pelo detentor da riqueza. • Karl Larenz vinculação social da propriedade à categoria de princípio jurídico, pelo qual a propriedade obriga, devendo servir tanto o proprietário como a coletividade. FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE A FSP antes vista como elemento exógeno limitador da propriedade contemporaneamente é parte do conteúdo da propriedade e da posse, se projetando na perspectiva ambiental, cultural e econômica PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO DIREITO DE PROPRIEDADE • Direito absoluto que deve ser relativizado pela função social, sendo o mais completo dos direitos reais. • Direito exclusivo posto que uma coisa não pode pertencer a mais de uma pessoa, com exceção de condomínio e co-propriedade • Direito perpétuo – permanece independentemente do seu exercício. • Direito elástico – pode ser ampliada ou contraída (plena x mitigada) • Direito complexo – composto por múltiplos atributos/faculdade • Direito fundamental – art. 5º, XXII e XXIII Desapropriação por Necessidade, Utilidade Pública, Interesse Social e Desapropriação Judicial • Possibilidade de o proprietário ser privado da propriedade nas hipóteses de utilidade pública, necessidade pública e interesse social (1228 §3º) 5 • Desapropriação judicial privada por posse-trabalho (1228 §4º e §5º) – articulação com o Estatuto da Cidade Propriedade Aparente • Conceito: É a situação na qual existe suposição de que uma pessoa tenha relação de domínio sobre o qual não recaem ônus que possam restringir direitos decorrentes da relação de domínio. • Fundamento na proteção do terceiro, confiança legítima do terceiro que agiu de boa fé, que faz produzir efeitos jurídicos válidos. • Requisitos da propriedade aparente: • Terceiros de boa fé diante de Negócio Jurídico inter vivos, mortis causa ou usucapião • Obtenção do título por um dos modos de aquisição da propriedade; alienação por quem aparenta ser o dono da coisa; validade formal do título aquisitivo e boa fé do terceiro FORMAS DE AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE IMÓVEL – FORMAS ORIGINÁRIAS E DERIVADAS • Formas de aquisição da propriedade: Formas originárias: Acessões (Ilhas, aluvião, avulsão, alvéolo abandonado, plantações e construções) e Usucapião Formas derivadas: Registro do título, Tradição e Sucessão hereditária FORMAS DE AQUISIÇÃO DA PROPRIEDADE IMÓVEL – FORMAS ORIGINÁRIAS E DERIVADAS • ACESSÕES – 1248 e 1249 CCB – Ilhas, Aluvião, Avulsão, Abandono de Alvéolo e Plantações ou ConstruçõesUsucapião de bens imóveis 6 • Aquisição da propriedade e de outros direitos reais pelo decurso do tempo estabelecido e em observância aos requisitos instituídos em lei (Caio Mário da Silva Pereira). • É o mecanismo pelo qual adquire-se a propriedade ou outro direito real (usufruto ou servidão) pela posse prolongada, permitindo a lei que uma determinada situação de fato alongada por certo intervalo de tempo se transforme em uma situação jurídica que se convola na aquisição originária da propriedade (Benedito Silvério Ribeiro) Usucapião de bens imóveis • Origem da Usucapião: Posse ad Usucapionem. • A mera tolerância na detenção não induz a usucapião. (Ex: utilização de área comum de condomínio edilício por condômino não viabiliza a usucapião). Precedente do STJ (Resp 214.680) sobre essa hipótese assentou a possibilidade de uso exclusivo (supressio), mas não a aquisição da propriedade • A posse mediada por contrato não induz a usucapião (Locação, Comodato Usucapião de bens imóveis • Usucapião em favor de herdeiro contra outro – herança é bem imóvel e é possível a usucapião contra outro(s) herdeiro(s) – REsp 1.631.859/SP. • Usucapião entre ex-cônjuges em torno da pos.se de bem constante de inventário não concluído – REsp 1.840.561/SP Características da Posse Ad Usucapionem: Posse com intenção de dono (animus domini); Posse mansa e pacífica Posse contínua e duradoura com a possibilidade de soma das posses (accessio possessionis – 1243 CCB) à exceção da usucapião urbana e rural (art.183 e 191 da CRFB) Posse justa Posse de boa fé e com justo título Causas suspensivas ou interruptivas aplicáveis ao devedor se estendem ao possuidor com o ânimo de usucapir (1244 CCB) 7 Hipóteses Obstativas da Usucapião (art. 167 a 166 CCB) • Não corre prazo de usucapião entre cônjuges na constância da sociedade conjugal; • Não corre prazo prescricional entre ascendentes e descendentes, até 18 anos; • Não corre prazo prescricional entre tutelados, curatelados e tutores e curadores; • Não correm contra absolutamente incapazes • Não corre prazo contra quem está ausentes do país a serviço público da União, Estado e Município Hipóteses Obstativas da Usucapião Não corre prazo contra quem se acharem servindo nas Forças Armadas Não corre prescrição pendendo de condição suspensiva. Ex: Pendência de ação reivindicatória. Não se adquire por usucapião não estando vencido eventual prazo para aquisição do direito; Não se contam prazo de usucapião quando a ação de usucapião se originar de fato que deva ser apurado no juízo criminal, não correndo prescrição antes da respectiva sentença definitiva. Decisão que determinar a citação interrompe prescrição Hipóteses Obstativas da Usucapião • O prazo prescricional para a usucapião se interrompe pelo protesto judicial ou protesto cambial • Interromperá o prazo prescricional para a usucapião a apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores • Qualquer ato judicial que constitua em mora o possuidor interrompe a usucapião • Qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe o reconhecimento de direito alheio por parte do possuidor implica a interrupção do prazo da usucapião. Espécies de Usucapião • Usucapião ordinária (art. 1242 CCB) - Adquire também a propriedade do imóvel aquele que, contínua e incontestadamente, com justo título e boa-fé, o possuir por dez anos. 8 • Redução para 5 anos caso o imóvel tenha sido adquirido onerosamente com base no registro constante no RI, cancelado posteriormente desde que o adquirente tenha estabelecido moradia. • Requisitos: Posse mansa, pacífica e ininterrupta com animus domini por 10 anos. Justo título Boa-fé (1201 CCB) Súmula 84 STJ – É admissível a oposição de embargos de terceiro fundados em alegação de posse advinda de compromisso de compra e venda de imóvel, ainda que desprovido do registro. Espécies de Usucapião • Usucapião extraordinária (art. 1238 CCB) – Aquele que, por quinze anos, sem interrupção, nem oposição, possuir como seu um imóvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de título e boa-fé; podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença, a qual servirá de título para o registro no Cartório de Registro de Imóveis. • Posse-Trabalho - § Único: reduz-se o prazo para 10 anos se o possuidor houver estabelecido sua moradia habitual ou nele realizado obras ou serviços de caráter produtivo • Requisitos: Posse mansa, pacífica e ininterrupta com animus domini por 15 anos. Desnecessidade de demonstração de boa fé e justo título. Espécies de Usucapião • Usucapião constitucional, agrária ou especial rural – pro labore (art. 1G1 caput CF/88, art. 123G CC e Lei 6G6G/81) • Art. 191. Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como seu, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra, em zona rural, não superior a cinqüenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade. • Art. 1239 CCB - Aquele que, não sendo proprietário de imóvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos ininterruptos, sem oposição, área de terra em zona rural não superior a cinqüenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua família, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe-á a propriedade. Espécies de Usucapião 9 • Usucapião constitucional, agrária ou especial rural – pro labore (art. 1G1 caput CF/88, art. 123G CC e Lei 6G6G/81) • Requisitos: Área não superior a 50 hectares localizada em zona rural; Posse de 5 anos ininterruptos, sem oposição e com animus domini; Utilização do imóvel para subsistência ou trabalho, podendo ser agrícola, pecuária, extrativismo (pro labore) Aquele que pretende adquirir não pode ser proprietário de outro imóvel rural ou urbano. Espécies de Usucapião • Usucapião constitucional, agrária ou especial rural – pro labore (art. 1G1 caput CF/88, art. 123G CC e Lei 6G6G/81) • Imóveis insuscetíveis de usucapião agrária: Indispensáveis à segurança nacional Terras habitadas por silvícolas Áreas de interesse ecológico Usucapião constitucional ou especial urbana (art. 183 CRFB, caput, art. 1240 CCB, art. 6º Lei Federal 10.257) • Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. • Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. • Lei 10.257, Art. 10. Os núcleos urbanos informais existentes sem oposição há mais de cinco anos e cuja área total dividida pelo número de possuidores seja inferior a duzentos e cinquenta metros quadrados por possuidor são suscetíveis de serem usucapidos coletivamente, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural. Usucapião constitucional ou especial urbana (art. 183 CRFB, caput, art. 1240 CCB, art. 6º Lei Federal 10.257) • Estatuto da Cidade estabelece regras especiais que conferem tratamento igualitário ao homem e à mulher (art. 9º) 10 • Não será reconhecido o direito ao mesmo possuidor mais de uma vez, reforçando a tese de que a aquisição da propriedade atende ao direito mínimo de moradia, na teoria do patrimônio mínimo formulada por Luiz Edson Fachin; • Herdeiro legítimo continua, de pleno direito, a posse de seu antecessor, desde que já resida no imóvel por ocasião da abertura da sucessão (accessio possessionispara a usucapião especial urbana. Usucapião constitucional ou especial urbana (art. 183 CRFB, caput, art. 1240 CCB, art. 6º Lei Federal 10.257) • Possibilidade de usucapião de área com dimensão inferior ao módulo urbano mínimo – RE422.349/RS • Possibilidade de usucapião de imóvel que tiver utilização mista (residencial e comercial) – REsp 1.777.404/TO • Usucapião especial urbana por abandono do lar – 1240-A CCB - Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta, com exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) cuja propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio integral, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. Abrange relações homoafetivas Usucapião Especial Coletiva Urbana (art. 10 do Estatuto da Cidade • Art. 10. Os núcleos urbanos informais existentes sem oposição há mais de cinco anos e cuja área total dividida pelo número de possuidores seja inferior a duzentos e cinquenta metros quadrados por possuidor são suscetíveis de serem usucapidos coletivamente, desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural. • Destinados a regularização fundiária de núcleos urbanos informais, definidos pela 13.465/2017. Usucapião Especial Coletiva Urbana (art. 10 do Estatuto da Cidade • Requisitos: Área urbana, sendo certo que a área total, dividida pelo número de possuidores, deve ser inferior a 250 m2 por cada possuidor. Posse por 5 anos ininterruptos, sem oposição, com animus domini. Existência de núcleo urbano informal ou de núcleo urbano informal consolidado. Aquele que adquire não pode ser proprietário de outro imóvel, urbano ou rural. 11 Usucapião especial indígena (Lei 6001/1673) • Art. 33. O índio, integrado ou não, que ocupe como próprio, por dez anos consecutivos, trecho de terra inferior a cinqüenta hectares, adquirir-lhe-á a propriedade plena. • Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às terras do domínio da União, ocupadas por grupos tribais, às áreas reservadas de que trata esta Lei, nem às terras de propriedade coletiva de grupo tribal. Usucapião especial indígena (Lei 6001/1673) • Requisitos Área de até 50 hectares Posse mansa e pacífica por 10 anos, exercida por indígenas Usucapião imobiliária administrativa decorrente da legitimação da posse anteriormente prevista no art. 60 da Lei 11.677/2006 e seu tratamento pela Lei 13.465 (arts. 25 a 27) • Art. 25. A legitimação de posse, instrumento de uso exclusivo para fins de regularização fundiária, constitui ato do poder público destinado a conferir título, por meio do qual fica reconhecida a posse de imóvel objeto da Reurb, com a identificação de seus ocupantes, do tempo da ocupação e da natureza da posse, o qual é conversível em direito real de propriedade, na forma desta Lei. • § 1º A legitimação de posse poderá ser transferida por causa mortis ou por ato inter vivos . • § 2º A legitimação de posse não se aplica aos imóveis urbanos situados em área de titularidade do poder público. • Art. 26. Sem prejuízo dos direitos decorrentes do exercício da posse mansa e pacífica no tempo, aquele em cujo favor for expedido título de legitimação de posse, decorrido o prazo de cinco anos de seu registro, terá a conversão automática dele em título de propriedade, 12 desde que atendidos os termos e as condições do art. 183 da Constituição Federal , independentemente de prévia provocação ou prática de ato registral. • § 1º Nos casos não contemplados pelo art. 183 da Constituição Federal, o título de legitimação de posse poderá ser convertido em título de propriedade, desde que satisfeitos os requisitos de usucapião estabelecidos na legislação em vigor, a requerimento do interessado, perante o registro de imóveis competente . • § 2º A legitimação de posse, após convertida em propriedade, constitui forma originária de aquisição de direito real, de modo que a unidade imobiliária com destinação urbana regularizada restará livre e desembaraçada de quaisquer ônus, direitos reais, gravames ou inscrições, eventualmente existentes em sua matrícula de origem, exceto quando disserem respeito ao próprio beneficiário. • Art. 27. O título de legitimação de posse poderá ser cancelado pelo poder público emitente quando constatado que as condições estipuladas nesta Lei deixaram de ser satisfeitas, sem que seja devida qualquer indenização àquele que irregularmente se beneficiou do instrumento. Usucapião imobiliária administrativa decorrente da legitimação da posse anteriormente prevista no art. 60 da Lei 11.677/2006 e seu tratamento pela Lei 13.465 (arts. 25 a 27) • MCMV – usucapião administrativa ou extrajudicial decorrente da legitimação da posse a ser efetivada no RI, dispensado processamento de demanda judicial. • Lei 13.465/2017 – Poder Público emite declaratório reconhecendo a posse de imóvel subordinado a Política de Regularização Fundiária Urbana, conversível em aquisição de direito real de propriedade (art. 11, VI da Lei 13.465/2017) • Possibilidade de transmissão causa mortis ou ato intervivos • Não se aplica a imóveis situados em áreas de titularidade do Poder Público • 5 anos após a emissão do título de legitimação da posse, terá o título convertido em propriedade, por meio da usucapião urbana especial. • Não atendidos os requisitos da usucapião especial urbana, pode-se obter a usucapião pela aplicação de outras modalidades de usucapião. Aquisição Derivada da Propriedade pelo Registro do Título Aquisitivo (1245 a 1247 CCB) • Art. 1.245. Transfere-se entre vivos a propriedade mediante o registro do título translativo no Registro de Imóveis. • § 1 o Enquanto não se registrar o título translativo, o alienante continua a ser havido como dono do imóvel. 13 • § 2 o Enquanto não se promover, por meio de ação própria, a decretação de invalidade do registro, e o respectivo cancelamento, o adquirente continua a ser havido como dono do imóvel. • Art. 1.246. O registro é eficaz desde o momento em que se apresentar o título ao oficial do registro, e este o prenotar no protocolo. • Art. 1.247. Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule. • Parágrafo único. Cancelado o registro, poderá o proprietário reivindicar o imóvel, independentemente da boa-fé ou do título do terceiro adquirente. Aquisição Derivada da Propriedade pelo Registro do Título Aquisitivo (1245 a 1247 CCB) • Forma derivada de aquisição da propriedade • Intermediação de um ato entre uma pessoa e uma coisa para transferir a titularidade • Novo proprietário é responsável pelas dívidas que recaem sobre a coisa (tributos, cotas condominiais, etc) • Imóveis – transmissão por escritura pública (art. 108 CCB) • Escritura não transfere a propriedade (art. 104 CCB), e sim o seu registro (1227 e1245 CCB, art. 1º, IV e art. 167 da Lei 6.015/1973) • Teoria da aparência – Proprietário é aquele que está descrito no RI. • Havendo 2 negócios jurídicos com o mesmo bem, a propriedade caberá àquele que registrar primeiro, cabendo ao retardatário o direito a reparação de danos. Pode haver a prenotação do título, momento que fixa a prioridade do registro (princípio da prioridade) • Possibilidade de retificação (1247 CCB) Efeitos ou Características do Registro Imobiliário • Publicidade do ato – a propriedade é levada a conhecimento geral pelo RI. • Legalidade – somente é efetuado o registro se não houver irregularidades • Força Probante – Fé pública do Registro gera presunção relativa de pertencer a coisa à pessoa que transcreveu (presunção iuris tantum) • Continuidade – O registro deve obedecer à continuidade da cadeia detitularidade dos proprietários. • Obrigatoriedade – nos termos do 1245, o registro é indispensável para a aquisição da propriedade imóvel. 14 • Mutabilidade ou Retificação – o registro não é imutável, podendo ser retificado para exprimir a realidade fática ou jurídica. AQUISIÇÃO POR SUCESSÃO HEREDITÁRIA • Sucessão mortis causa – 1.784 CCB • Saisine – transmissão imediata da propriedade e da posse do imóvel • Delação é o momento em que os bens do de cujus passam aos herdeiros e sucessores. • Processo de inventario e partilha serve para delimitar os quinhões hereditários, após o pagamento das dívidas e do tributo. Formas de Aquisição de Propriedade Móvel Formas de Aquisição de Propriedade Móvel • Originárias Ocupação (1263 CCB) Achado de Tesouro (1264 a 1266) Usucapião ( 1260 a 1262) • Derivadas Especificação Confusão Comistão Tradição Sucessão Ocupação (1263 CCB) • Aquele que se assenhorar da coisa sem dono (res nullius), logo adquire-lhe a propriedade • Exemplos: Pesca no âmbito da Política Nacional de Aquicultura e Pesca (Lei 11.959/2009) • Também pode ser ocupada coisa abandonada por alguém em virtude da derrelição (res derelicta) 15 Achado do Tesouro (1264 §1º CCB) • Conceito de Tesouro – depósito antigo de coisas preciosas, oculto, de cujo dono não se tenha memória ou conhecimento • Regras: Dividido em iguais partes entre quem achou e o proprietário do prédio onde foi achado o tesouro O tesouro pertencerá por inteiro ao proprietário do prédio se aquele o achou, se determinou a busca. Se o tesouro for encontrado em terreno de enfiteuta, será dividido entre o enfiteuta e o descobridor. Se for descoberto pelo enfiteuta, a este pertencerá. Se o tesouro for encontrado em prédio público, pertencerá ao ente federado titular da propriedade. Usucapião de bens móveis (1260 a 1262) • Ordinária – 3 anos • Requisitos: • Posse mansa e pacífica com intenção de dono por 3 anos • Justo título e boa-fé. Justo título é todo e qualquer ato hábil para transmitir propriedade, independentemente de registro (Enunciado 86 CJF). • Extraordinária – 5 anos • Requisitos: • Posse mansa e pacífica por 5 anos. DA ESPECIFICAÇÃO (1266 A 1271) • Transformação da coisa em uma espécie nova, diante do trabalho do especificador na transformação da coisa em uma espécie nova por meio do trabalho do especificador, não sendo mais possível o retorno da coisa à forma anterior • Ex: Escultura em relação à pedra; Pintura em relação à tela, Poesia em relação ao papel. • Pertencerá ao especificador a coisa modificada pelo trabalho (Regra). Justificativa 16 de que o trabalho supera a matéria prima. • Se matéria prima for alheia e o especificador agir de boa fé, a este pertencerá a coisa, devendo indenizar o proprietário da coisa pelo seu valor original. • Se agir de má fé o especificador a coisa transformada pertencerá ao dono da proprietário da matéria prima. DA CONFUSÃO, DA COMISTÃO E DA ADJUSTÃO (1272 E 1274 CCB) • CONFUSÃO COMISTÃO OU ADJUSTÃO – Mistura de coisas em que não é possível a separação. • Pertencerão aos diferentes proprietários, se for possível retornar ao estado anterior, sem deterioração (1272). • Se não for possível separar as coisas, será dividido entre os proprietários ((1272 §1º). • Se a confusão, comistão ou adjustão se operou de má-fé, à pessoa que operou de boa fé cabe escolher entre ficar com a coisa resultante pagando o que não lhe pertencer e indenizar ou renunciar ao resultado e receber indenização. TRADIÇÃO (1267 CCB) • Entrega da coisa ao adquirente com a intenção de lhe transferir a propriedade. • Espécies • Real – entrega efetiva da coisa • Simbólica – ato representativo da entrega da coisa • Ficta – presunção da transmissão (traditio brevi manu), com a alteração do status do possuidor para proprietário. PERDA DA PROPRIEDADE IMÓVEL E MÓVEL • Pela Alienação • Pela Renúncia • Pelo Abandono • Por Perecimento da coisa • Pela desapropriação