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1 de 8gran.com.br Aula-resumo III ADMINISTRAÇÃO GERAL AULA-RESUMO III O tema desta aula-resumo é planejamento e gestão estratégica. A seguir, são selecionados os principais pontos da matéria. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO Planejamento e gestão estratégica são conceitos distintos, mas relacionados entre si. Planejar é definir objetivos (aonde se quer chegar) e os meios para alcançá-los (as ferramentas para chegar a tal objetivo). Como um processo de trabalho, o planejamento envolve: • a aquisição de dados de entrada; • o processamento desses dados (interpretação das informações, geração de alternativas, realização de escolhas); • a preparação de planos (conjunto de objetivos, meios e mecanismos de controle). Os meios de realização englobam atividades e recursos. Assim, planejar é um processo em que se define aonde se quer chegar (objetivos e metas) e como chegar (meios e ferramentas) e, eventualmente, os meios para verificar se a direção correta está sendo tomada. Existe planejamento nos três níveis organizacionais: estratégico, tático e operacional. Primeiro há o planejamento estratégico; para realizá-lo, será necessário um plano tático que, por sua vez, demandará um plano operacional. Estratégico Tático Operacional O planejamento estratégico é responsabilidade da alta administração. Em regra, faz- se uma análise da situação estratégica, verificando qual a atual situação da organização, quais eram as estratégicas, os objetivos, quais resultados estão sendo alcançados, quais vantagens competitivas a organização tem ou deixa de ter. Trata-se de um diagnóstico inicial da situação estratégica da organização. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 2 de 8gran.com.br Aula-resumo III ADMINISTRAÇÃO GERAL Depois, é preciso definir o que se chama de identidade estratégica: uma visão de futuro e uma missão. A visão de futuro é aquilo que se quer alcançar, e a missão é o papel da organização no mundo. A partir desse ponto, há uma série de ações a serem tomadas: análises ambientais (do ambiente externo e interno da organização – tipicamente a análise SWOT) e a definição de objetivos e estratégias. Os objetivos são o alvo, enquanto as estratégias se referem ao caminho escolhido (linha de ação) para alcançar o alvo, entre tantos caminhos disponíveis. A rigor, nesse momento já existe um plano estratégico. No entanto, é preciso desdobrá-lo em nível tático/funcional/departamental e em nível operacional. Depois, o plano estratégico será executado e analisado. Assim, ao desenhar o plano estratégico, este deverá conter os seguintes elementos: • Identidade estratégica: − visão de futuro: como a organização pretende ser vista e reconhecida pelo mundo no horizonte do plano (projeção para o futuro, imagem que a organização irá perseguir); − missão: o papel da organização no mundo (para que ela existe?), que orientará todos os seus objetivos; − negócio: ramo de atuação; − valores: princípios da organização. Cuidado para não confundir negócio e missão. Tome-se como exemplo o Tribunal de Contas da União (TCU): o negócio do TCU é o controle externo da Administração Pública (ramo de atuação), e sua missão é aprimorar a Administração Pública em benefício da sociedade, gerando mais resultados. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 3 de 8gran.com.br Aula-resumo III ADMINISTRAÇÃO GERAL É muito comum bancas cobrarem a diferença entre visão de futuro e missão, e entre missão e negócio. • Objetivos estratégicos: alvos concretos, que podem ser precisos, ou representar intenções; • Estratégias: cursos de ação a serem seguidos. Para efeito de prova, o nível estratégico abrange toda a organização pelo horizonte de longo prazo. O nível tático envolve determinada área funcional ou departamental (p.ex., área de finanças, de marketing etc.); os planos táticos terão abrangência de média gerência e horizonte de médio prazo. Por fim, o nível operacional abrange as equipes e as pessoas, em um horizonte de curto prazo. Portanto: Estratégico = longo prazo Tático = médio prazo Operacional = curto prazo A b ra n gê n ci a ANÁLISE SWOTANÁLISE SWOT No processo de planejamento estratégico, é muito comum realizar a análise SWOT, em que devem ser demarcados os limites da organização. Ao olhar para dentro da organização (análise interna), serão encontradas forças e fraquezas, ou pontos fortes e pontos fracos. Ao olhar para fora da organização (análise externa), serão identificadas as oportunidades e as ameaças, isto é, aquilo que a organização pode aproveitar e aquilo que pode atrapalhá- la, respectivamente. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 4 de 8gran.com.br Aula-resumo III ADMINISTRAÇÃO GERAL Organização Forças Oportunidades Ameaças Fraquezas Obs.: como as iniciais formam “fofa”, às vezes essa análise aparece em prova como “análise FOFA”. No cotidiano, qualquer coisa que possa prejudicar a organização no futuro é chamada de ameaça; no entanto, no planejamento estratégico, não se pode fazer isso. Por exemplo, a falta de servidores qualificados não pode ser considerada uma ameaça para o órgão, porque diz respeito a algo interno à organização (servidores qualificados) – portanto, trata- se de uma fraqueza, e não uma ameaça. Ameaça é algo externo à organização: por exemplo, mudança cambial, novo tributo, mudança tecnológica etc. As questões de prova descreverão fatores e pedirão para que o candidato os diferencie entre força, fraqueza, oportunidade e ameaça. As variáveis internas à organização (forças e fraquezas) são as variáveis controláveis; já as externas (oportunidades e ameaças) são as variáveis não controláveis. Existe uma relação entre esses elementos. Imagine que, daqui a dois anos, acontecerá uma grande mudança tecnológica no setor de atuação do funcionário – é uma ameaça ou oportunidade? A resposta é: depende. Se a organização tem como força a capacidade de se adaptar, o gosto pela mudança, a cultura de inovação, ela pode reagir muito bem à mudança tecnológica, tratando-a como uma oportunidade. Se a organização for muito burocrática, com muita resistência a mudanças, esse cenário pode ser uma grande ameaça. Em resumo: deve-se olhar para os elementos internos e externos de forma relacionada, e não separada. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 5 de 8gran.com.br Aula-resumo III ADMINISTRAÇÃO GERAL A análise SWOT propõe quatro tipos de estratégias genéricas associadas: Primeiro, deve-se olhar para fora da organização e selecionar o que é predominante: as ameaças ou as oportunidades. Depois, faça o mesmo para a análise interna à organização: há predominância de forças ou fraquezas? A partir das combinações formadas, é possível selecionar a melhor estratégia. Utilizando o pior caso como exemplo: fora da organização predominam ameaças e, dentro, fraquezas: a estratégia adotada será a de sobrevivência. Se a organização sobreviver mesmo diminuindo e perdendo espaço, já é algo positivo. Em um ambiente externo de ameaças, se predominam forças na organização, a estratégia será de manutenção: a organização não consegue melhorar, mas sim se manter exatamente como está. Os cenários só começam a melhorar quando há predomínio externo de oportunidades: mesmo com fraquezas, é possível estabelecer uma estratégia de crescimento, e, se prevalecerem forças, a organização pode adotar uma estratégia de desenvolvimento – por exemplo, desenvolvimento de novos mercados, novos produtos etc. Particularmente, as estratégias genéricas apresentadas na análise SWOT já foram cobradas em prova várias vezes. No caso da seguinte afirmação: “o cenário em que predominam ameaças e fraquezas é o cenário ideal para a estratégia de crescimento”. Trata-se de uma afirmação falsa; a estratégia ideal é de sobrevivência. Para uma estratégia de crescimento, a combinação deve ser fraquezas com oportunidades. CENÁRIOSCENÁRIOS Um cenário é uma descrição, de formacoerente, de uma situação futura e do encaminhamento dos acontecimentos que precisam acontecer para que se passe da situação atual para a situação futura. Basicamente, existem dois tipos de cenários: cenários projetivos e cenários prospectivos: https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 6 de 8gran.com.br Aula-resumo III ADMINISTRAÇÃO GERAL • Abordagem projetiva: imagina-se que o mundo é determinístico. Conhecendo a realidade, projeta-se o cenário que ocorrerá com 100% de certeza, como se houvesse modelos matemáticos para prevê-lo. É evidente que, no mundo real e complexo, isso não é possível. • Abordagem prospectiva: é reconhecido que determinismo não existe – o que existe é incerteza. Constroem-se possíveis cenários, pelo menos dois, os quais são tratados como probabilísticos. A abordagem utilizada nesta aula é a prospectiva. Ao construir cenários dentro da visão prospectiva de gestão estratégica, eles devem ter um conjunto de atributos, a saber: • Não se deve construir um único cenário, mas sim um conjunto de alternativas, com no mínimo duas opções – em outras palavras, os cenários devem ser probabilísticos. • Os cenários descritos devem ser plausíveis, ou seja, sua elaboração deve se basear em um processo lógico, que considere as diversas relações encadeadas de causas e efeitos, que possibilitarão a migração do cenário atual para o cenário futuro. • Os cenários devem ser internamente consistentes, isto é, os elementos que integram um dado cenário devem ser compatíveis e logicamente coerentes entre si. Por exemplo, não se pode descrever um cenário em que ganha a eleição um candidato de esquerda e sua política econômica é de direita. • Os cenários devem ser relevantes para a organização, trazendo conceitos e informações úteis, compreensivas e inovadoras. Devem propiciar uma visão nova e original dos temas e questões contemplados no processo de análise estratégica, de forma a constituir uma alternativa efetiva de futuro. Assim, os dois cenários (no mínimo) descritos devem apresentar diferenças entre si; se ambos os cenários forem muito similares, um deles não será relevante. • Os cenários devem se concentrar no foco delineado pela organização, embora eles não precisem ser restritos. Por exemplo, numa indústria de alimentação, não é preciso descrever apenas a alimentação – existem outros fatores que afetam o mundo da alimentação; no entanto, não se pode perder o foco. • Os cenários devem ser transparentes, criando condições para que sua descrição seja compreensível para as partes interessadas. É importante para a elaboração do planejamento e para o relacionamento com a gestão estratégica. GESTÃO ESTRATÉGICA A gestão estratégica também é chamada de administração estratégica ou gerenciamento estratégico. Envolve planejar, implementar e controlar, sendo mais ampla que o planejamento estratégico, englobando-o. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 7 de 8gran.com.br Aula-resumo III ADMINISTRAÇÃO GERAL Na gestão estratégica contemporânea, o planejamento, a implementação e o controle não são cronologicamente separados no tempo; todo o processo é contínuo, e cada passo influencia o outro: o planejamento induz a implementação, que traz aprendizados que mudam o planejamento; da mesma forma, o controle influencia na implementação e no planejamento ao longo do tempo. Assim, o planejamento, a implementação e o controle são logicamente distintos, mas concomitantes. Trata-se da percepção de que é necessário ter planejamento estratégico, mas esse plano pode precisar ser revisto no dia seguinte, a depender de fatores externos. Por exemplo, em caso de pandemia, o planejamento estratégico deve ser revisto imediatamente. A principal ferramenta utilizada em gestão estratégica é o Balanced Scorecard (BSC). Em uma descrição sintética, o BSC é um instrumento gerencial para suportar a gestão estratégica (transforma a estratégia em realidade) que alcança seu alvo por meio do apoio contínuo da liderança da organização, com base em uma visão integradora que equilibrará a organização desenhando objetivos, indicadores e metas associados a quatro perspectivas: financeira, mercadológica (cliente), dos processos internos e do aprendizado e crescimento. A distribuição dessas perspectivas acontece exatamente nessa ordem: no topo da cadeia de valor está a perspectiva financeira; logo abaixo, a perspectiva dos clientes (mercadológica); logo abaixo, a dos processos internos; e, por fim, a de aprendizado e crescimento. Existe um encadeamento lógico entre essas perspectivas. Dentro de cada uma, há um conjunto de objetivos, indicadores (formas de medir se o caminho está correto) e metas associadas aos indicadores. A organização precisa ter capacidade de aprendizado e crescimento, para melhorar os processos internos; ao aprimorar os processos internos, trazendo mais qualidade e eficiência, será gerado mais valor aos clientes; gerando mais valor aos clientes, no futuro serão alcançados resultados financeiros melhores. Portanto, parte- https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br 8 de 8gran.com.br Aula-resumo III ADMINISTRAÇÃO GERAL se da perspectiva de valores intangíveis (aprendizado e crescimento) para a perspectiva de valores tangíveis (resultados financeiros). Na prova, pode ser afirmado que no BSC o que importa são os indicadores isolados. Essa afirmação estará incorreta. O que importa, no BSC, é a conexão entre eles: como o indicador de aprendizado e crescimento mostra como será aprimorado o indicador de processos internos; como o indicador que mostra a melhoria na eficiência vai refletir o aumento na satisfação do cliente, e como isso gerará uma maior lucratividade para a organização. Há muitas questões de prova sobre a aplicação do BSC no setor público. Esse instrumento de gestão estratégica é aplicável ao setor público, mas com certa adaptação. Dentro do setor público, não faz sentido a perspectiva financeira estar no topo da cadeira de valor, então há a necessidade de uma reorganização da ordem de perspectivas. Cada organização escolhe um caminho para substituir: por exemplo, valor público, clientes ou cidadãos, sociedade, resultados no sentido amplo, resultados efetivos, benefício gerado para a sociedade etc. Afinal, em uma organização pública, a questão financeira continua sendo importante, porque é a que viabiliza as ações, mas não é o final. Portanto, a perspectiva financeira continua compondo a estrutura do BSC, mas no topo a organização pública escolherá um atributo que represente aquilo que ela entrega para a sociedade. �� �Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Concursos, de acordo com a aula preparada e ministrada pelo professor Leonardo Albernaz. �A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclusiva deste material. https://www.gran.com.br https://www.gran.com.br