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Introdução Repetindo a pergunta título: "a felicidade existe?". Para os mais diversos interlocutores, a resposta muitas vezes seria "sim", no entanto, se mudamos a pergunta para "Você é feliz?" É possível que a nova questão cause um desconforto duplo: primeiro porque aquele que ouve a pergunta não sabe a resposta, afinal, não tem clareza sobre o que poderia ser "felicidade", então não consegue responder ao questionamento. Em segundo lugar, talvez haja na sociedade atual uma certa expectativa de felicidade, e quem ouve o questionamento sente-se incomodando de não atender às expectativas de seu grupo social, então responde um "sim" acanhado, na expectativa de encerrar o assunto. O ponto é que em filosofia dificilmente "encerramos" um assunto. A "busca pela sabedoria" está na origem da própria palavra [Amor (Filos) + Sabedoria (Sofia)]. A busca dos antigos filósofos gregos foi por entender como o mundo funcionava. Ainda na Grécia Antiga, a emblemática figura de Sócrates (por volta de 470 a.C. a 399 a.C.) incluiu com veemência o ser humano no centro da discussão filosófica. A inscrição no templo de Apolo, Conhece a ti mesmo, seria deste então um assunto recorrente entre os pensadores que viriam depois. Aristóteles (385 a.C. – 323 a.C.), por exemplo, ao especular sobre temas diferentes, ao discutir sobre a ética, não deixou de incluir a felicidade como tema: "[...] entendemos a felicidade considerando-a, além disso, o mais desejável de todas as coisas, sem contá-la como um bem entre outros."1 O pensamento aristotélico tem uma ideia de felicidade muito próxima ao que hoje chamamos de "autorrealização", pois para o velho pensador, alcançar a felicidade ligada era a ideia de viver de forma virtuosa, e, por virtude, ele compreendia a realização plena do potencial das coisas; como o ser humano consigo um potencial que lhe é próprio, sua capacidade de raciocinar. Assim, desenvolver essa racionalidade abrir o caminho para sermos capazes de viver de forma mais sábia, mais virtuosa, e segundo ele, mais feliz. 1 ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. (Os pensadores). Trad. Leonel Vallandro, Gherd Bornheim. São Paulo: Abril, 1979, p. 55. Entre os pensadores gregos – e entre outros muitos filósofos posteriores – a Razão é a grande guia para os seres humanos; a forma como nos relacionamos com a sociedade, como pessoas ao nosso redor, a natureza, e até com nós, mesmos tudo – com maior ou menor intensidade, a depender do filósofo – seria explicado e compreendido pelo nosso poder de pensar. Aliás, essa capacidade não é só nos distingue e na guia, como seria a fonte para o nosso empoderamento, autossuficiência, liberdade, e, por que não? Uma Felicidade. Encontramos algumas dessas preocupações presentes em linhas de pensamento como o estoicismo e o epicurismo. Afinal, se nos deparamos com a felicidade como um enigma a se solucionar, como algo a ser buscado, ou ainda, algo a ser cultivado, isso indica que para os filósofos a Felicidade não é algo tão evidente, quiçá, espontâneo, talvez ela esteja onde ainda não está, daí a busca por entender que ela é, o que há a ser buscado , um ser encontrado... Estoicos e epicuristas estão entre os grupos de pensadores que mais se debruçaram sobre o tema (não apenas este, é claro), produziram textos em tom de aconselhamento, não uma fórmula fechada em que atitude O necessariamente atinge a felicidade B, mas um reflexo sobre o cotidiano vivido; reflexão que se não nos satisfizer enquanto aquilo que esperamos para o caminho da felicidade, mostra-nos uma razoabilidade de atitude frente às questões cotidianas, por exemplo: Nunca devemos esquecer que o futuro não é nem totalmente nosso, nem totalmente não nosso, para não sermos obrigados a esperá-lo como se estivesse por vir com toda a certeza, nem nos desesperarmos como se não estivesse por vir jamais. (EPICURO, 2002, p. 33)2 2 EPICURO. Carta sobre a felicidade: (a Meneceu); Trad. e apres. Álvaro Lorencini e Enzo Del Carratore. São Paulo: Editora UNESP, 2002. Abordagens nessa direção trazem consigo uma ideia de ajuste das expectativas sobre aquilo que controlamos (que depende de nós) e aquilo que não controlamos (que depende de fatores externos: outras pessoas, leis, economia etc.). Esse ponto – que também é encontrado no pensamento estoico – por vezes é mal compreendido, como se fosse um autocondicionamento para negar os problemas existentes, algo como: “Se não considero mais aquilo um problema, então ele deixa de existir ”, quando na verdade esse tipo de análise racional do cotidiano é mais sutil. Não se trata de negar a existência das coisas que nos deixam tristes ou contrariados, não é negar a existência da dor. A questão é fazer um reexame sobre quais são as nossas reais prioridades, e qual valor daremos a determinados temas, ideias, ações ou coisas. Daí também a ideia de duração dada à Felicidade. Vários pensadores que meditaram sobre o tema, descartaram a possibilidade de que coisas passageiras, alegrias momentâneas (bens de consumo?) – mesmo em grande quantidade – fossem por si só um sinônimo de vida feliz. Então, como em filosofia não costumamos dar certos assuntos como encerrados, voltemos às perguntas iniciais: A Felicidade existe? Se a Felicidade é mais do que a soma dos nossos momentos de alegria, a tristeza fará parte dela? A tristeza compõe a felicidade na medida em que dá contexto às nossas alegrias? A Felicidade vem com a Liberdade? Com a autossuficiência? O que essas coisas significam? E ainda, quanto mais nos conhecemos, somos mais felizes? Em filosofia, perguntas tendem a gerar novas perguntas, talvez por isso a reflexão filosófica tem tanta dificuldade em “encerrar assuntos”, pois, sempre há um outro caminho a se considerar. Curiosamente, isso pode também ter motivado filósofos a defender que o próprio exercício do filosofar (perguntar, questionar, buscar, etc.) seja um caminho para a Felicidade... Não devemos estragar o que está presente pelo desejo do que está ausente, mas ponderar que também as coisas presentes foram antes desejadas EPICURO Quando meditamos sobre a felicidade, é preciso lembrar que vários dos filósofos que trataram do assunto não separaram a felicidade do próprio viver. Mesmo que nosso pensamento possa nos levar para longe no tempo e no espaço, para lugares a que retornamos pela memória, ou a que desejamos ir conduzidos pela imaginação (e pela esperança?); Mesmo que em uma sociedade contemporânea complexa, sejamos muitos num só: pais, mães, filhos, filhas, chefes ou funcionários, professores e estudantes - A vida cotidiana, com seus embates diários, é onde estamos. Então, por enquanto, deixamos mais algumas perguntas e uma hipótese a se pensar: “A Felicidade está no final da jornada (busca), ou o simples fato de percorrer a trilha (o caminho) é parte integrante da felicidade?” Dependendo de para onde sua reflexão o(a) levar, você poderá chegar à conclusão que o aprendizado que você realiza em sua jornada é parte integrante de uma vida feliz! Pergunta 1 Um caminho apontado pelos filósofos para uma vida mais feliz seria: a. Buscar riquezas a todo custo. b. Evitar pessoas que pensem diferentes de nós. c. Ocupar o máximo do nosso tempo com alegrias mesmo que passageiras. d. Não pensar demais, pois quem pensa muito não é feliz. e. Buscá-la fazendo uso da Razão. Pergunta 2 “Não devemos estragar o que está presente pelo desejo do que está ausente, mas ponderar que também as coisas presentes foram antes desejadas”. Epicuro. Fazendo uma reflexão sobre esse enunciado, podemos concluir que: a. Tudo aquilo que é presente perdeu o valor no momento que fixarmos nossa próxima meta. b. Não há correlação entre o presente e o passado. c. É preciso valorizar mais as conquistas que se obteve no presente, pois elas também foram resultados de muito empenho. d. Se queremos realmente ter sucesso e felicidade devemos focar em tudo aquilo que ainda nos falta. e. Ponderar sobre o Tempo, o que desejamos passado, e o que temos presente simplesmente estraga nossa felicidade, pois tomamos consciência de tudo que ainda nos falta.Pergunta 3 Partindo de uma inspiração mais filosófica, o aprendizado pode ser um caminho para a felicidade? a. Não, quem muito estudo está sempre infeliz. b. Sim, basta alguns conhecimentos específicos, sobre como o mundo funciona, para me destacar da massa e ser feliz. c. Sim, mas somente se estudarmos as regras precisas que os filósofos dizem ser o caminho para a felicidade. d. Sim, ainda mais de esse aprendizado for rico o suficiente, para melhorar não só o meu entendimento do mundo como o meu autoconhecimento. e. Depende, somente se aquilo que eu aprender me permitir enriquecer rapidamente. Pergunta 4 O filósofo Aristóteles associava a Felicidade com: a. Ganhar muito dinheiro. b. Não ter nenhum tipo de doença. c. Ter muito prestígio junto a comunidade. d. Participar recorrentemente de grandes festas. e. Buscar viver de forma virtuosa Pergunta 1 Assinale a alternativa que NÃO corresponde ao pensamento de Sigmund Freud. a. A atenção de Freud parece estar voltada para os fenômenos culturais e sociológicos. A tese central é a ideia segundo a qual a vida social exige a repressão das pulsões, o que resulta em infelicidade. b. Aos olhos de Freud, “Se a cultura impõe sacrifícios tão grandes, não somente à sexualidade, mas também à inclinação do homem à agressividade, nós compreendemos melhor que seja difícil ao homem se sentir feliz”. c. Em O mal-estar na cultura, Freud questiona: o que os homens desejam na vida? Sem dúvida, afirma ser a felicidade. Dois aspectos são ressaltados deste objetivo: um positivo e outro negativo. Trata-se, por um lado, da obtenção de prazeres intensos e, por outro, da ausência de sofrimento, respectivamente. d. O conceito de felicidade que emerge da teoria freudiana é exclusivamente a obtenção de prazer. e. Freud afirma: “O que se chama felicidade no sentido mais estrito resulta da satisfação bastante súbita de necessidades fortemente postas em êxtase e, por sua natureza, é possível somente como um fenômeno episódico”. Pergunta 2 A partir das perspectivas freudianas, analise as seguintes assertivas quanto à veracidade – V para VERDADEIRO, ou F para FALSO: I - Os homens, na medida em que buscam a felicidade entendida da forma positiva, entendem perfeitamente que estão à procura de algo possível, pelo fato de toda a estruturação do aparelho psíquico estar voltada para atingir este fim. II - A felicidade, em Freud, é uma meta inatingível na vida do homem devido não só aos limites impostos pela cultura , mas, sobretudo, por àqueles estabelecidos por nossa própria constituição psíquica. III - “[...] Freud não tem uma concepção positiva do prazer, mas, no limite, uma totalmente negativa”. Isto faz com que o homem não busque o prazer, mas sim a eliminação do desprazer. A eliminação do desprazer, certamente, causa um estado de bem estar. a. V, V, F. b. V, F, V. c. F, F, V. d. F, V, F. e. F, V, V. Pergunta 3 Leia atentamente as informações contidas nas colunas “A” e “B” para, em seguida, assinalar a alternativa que reúne as correspondências CORRETAS entre as informações nessas contidas. Coluna A: I - Entre os gregos, a busca da felicidade estava vinculada à procura do bem supremo e da virtude. Um dos filósofos gregos mais importantes faz da felicidade "a atividade da alma dirigida pela virtude", isto é, pelo exercício da virtude, e não da simples posse. II - Este autor critica as concepções que depositam a felicidade nos sentidos ou que fazem dela um objeto da razão pura. Para ele, "a felicidade é sempre uma coisa agradável para aquele que a possui", mas ela supõe, "como condição, a conduta moral conforme a lei". III - Em nossos dias, os filósofos da liberdade declaram que o que existe são escolhas de existência. A felicidade não é mais um fim a ser atingido, mas uma função cíclica e intermitente, só surgindo na medida em que a afirmamos. Porque "não há moral geral", como define um determinado autor. Coluna B: 1.Kant 2. Sartre 3. Aristóteles a. I – 2; II – 3; III – 1. b. I – 3; II – 1; III – 2. c. I – 3; II – 2; III – 1. d. I – 1; II – 2; III – 3. e. I – 1; II – 3; III – 2. Pergunta 4 Complete o espaço “Em branco 1” com a frase correta Para Em branco 1 toda ação visa um bem, tudo que é feito por alguém, é feito em vista de algo de bom para si. Este autor considera que para alcançar a Felicidade toda ação visa um bem qualquer, um fim. Segundo ele, esse fim deve ser o sumo bem, e esse, em suma, é a felicidade. Pergunta 1 Complete as lacunas “Em branco 1, Em branco 2” corretamente: A Em branco 1 pode ser a base para análise de teorias e reflexões sobre o processo de Em branco 2, sob a luz dos processos cerebrais como origem da cognição e do comportamento humano (OLIVEIRA, 2014). Esses estudos têm se tornado base para o entendimento de como o cérebro aprende, estimulando a compreensão e o reconhecimento de sua importância no processo educacional. · Em branco 1 · Em branco 2 Pergunta 2 Complete as lacunas “Em branco 1, Em branco 2, Em branco 3” corretamente: “A felicidade é um fenômeno predominantemente Em branco 1, estando subordinada mais a traços Em branco 2 e Em branco 3 do que a fatores externamente determinados. A identificação desses fatores é particularmente útil na subpopulação que é mais predisposta a doenças mentais, favorecendo o desenvolvimento de abordagens preventivas, com potencial repercussão nas áreas social e ocupacional”. · Em branco 1 · Em branco 2 · Em branco 3 Pergunta 3 Em relação aos aspectos psicológicos e socioculturais, analise as seguintes assertivas quanto à veracidade – V, para verdadeiro, ou F, para falso: I - Os índices de felicidade costumam ser relativamente instáveis ao longo do tempo na vida de cada indivíduo, dependendo exclusivamente de eventos externos. Os eventos dramáticos ou extraordinários – como uma lesão medular causando tetraplegia, ou ganhar um prêmio de loteria – influem absolutamente nos níveis de felicidade reportados em longo prazo, como demonstraram Brickman et al. (1978) em um artigo que se tornou histórico. II - Vaillant (2000) investigou a felicidade enquanto traço, estudando três grandes amostras de adultos ao longo de várias décadas. Criou uma “escala de funcionamento defensivo” capaz de mensurar diferentes defesas psicológicas, concluindo que o desenvolvimento do que chama de “defesas da maturidade” – como o altruísmo, a sublimação, o humor e a antecipação – tem grande papel na manutenção de uma vida plena de alegria e de sucesso. III - Em relação ao estado civil, pesquisas indicam que o casamento tem pouca influência na felicidade. Por meio de uma meta-análise de 58 estudos realizados nos Estados Unidos, Haring-Hidore et al. (1985) concluíram que o efeito representado pelo casamento nos níveis de felicidade é de apenas 0,14. Demo e Acock (1996) compararam mães solteiras, casadas e recasadas e chegaram a uma conclusão semelhante. a. F, V, V. b. V, V, F. c. F, V, F. d. V, F, F. e. V, F, V. Pergunta 4 Em relação às conexões entre neurociência e práticas docentes, analise as seguintes assertivas quanto à veracidade – V, para verdadeiro, ou F, para falso: I - Entende-se que a neurociência é algo fundamental à formação docente, visto que ela engloba e relaciona outras ciências em seu aspecto multidisciplinar. Sendo assim, para desenvolver um bom ensino, é necessário que o professor, com ajuda da neurociência, procure por estratégias que ajudem na realização desse fato. II - Guerra (2011) defende que, como cada indivíduo possui um sistema nervoso diferente, apresentará comportamentos, habilidades limitações e potencialidades cognitivas distintas das demais e poderá demandar estratégias de aprendizagem distintas. III - Baseando-se em um dos princípios da neurociência cognitiva, no qual se sabe que, sem estímulos, o cérebro não aprende, fica evidente que a neurodidática defende um novo modelo educacional que motive os alunos, estabelecendo uma distância entre professor e aluno. IV - Segundo Grossi (2014), a neurociência cognitiva aplicada à educação ainda não é uma realidade na formação do docente, sendo também uma lacunaa ser preenchida na prática docente diária, haja vista a falta de disciplinas relacionadas com a neurociência na maioria das matrizes curriculares dos cursos de formação de professores. Essa mesma autora ainda defende que a revisão curricular se faz necessária, sendo um importante álibi para que os recursos neurocientíficos sejam utilizados no dia a dia da sala de aula. a. V, F, F, V. b. V, V, F, V. c. F, F, V, V. d. F, V, F, V. e. F, V, V, F.