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EXISTENCIALISMO E PSICOLOGIA
Introdução ao Existencialismo, aos filósofos da Existência e aos Temas Existenciais
Prof. Dr. Eraldo Carlos Batista
O que é EXISTENCIALISMO?
O que é EXISTENCIALISMO?
Existencialismo é um termo popular, utilizado em diversas circunstâncias. 
Algumas pessoas dizem “assisti a um filme existencial”, ou “estou em crise existencial, “essa música é bem existencial”, mas o que elas querem dizer com isso nem sempre corresponde ao significado de existencialismo, enquanto uma vertente filosófica. 
Não é muito simples compreender o existencialismo, pois há muitos representantes dessa filosofia e cada um segue caminhos um pouco distintos. Apesar disso, há alguns elementos que são comuns a maioria deles. 
CONTEXTUALIZAÇÃO
As mudanças ocorridas nos séculos XIX e XX: sentimentos de inquietação e caos, crise da subjetividade, guerras mundiais. 
Questionamento sobre o ser humano, fazendo este refletir sobre sua própria existência, sobre temas como o sentido da vida, o sofrimento emocional, as dores de existir e as angústias existenciais. 
Busca por novas respostas, pois os valores antigos já não mais imperavam, era preciso novas referências para novos tempos. Contextualização
CONTEXTUALIZAÇÃO
Questionamento sobre o Cientificismo 
Entre o final do século XIX e início do século XX também ocorrem diversos questionamentos e um sentimento de desconfiança para com o cientificismo. 
Cientificismo é uma crença de que a ciência e a razão humana poderiam resolver todos os problemas da humanidade, e tornar a vida e a convivência entre as pessoas melhor e mais saudável. 
Mortes de militares e civis, por armas e bombas com alto grau de destruição, construídas por meio de pesquisas científicas, muitos filósofos e inclusive cientistas passam a desacreditar na ciência;
Esses questionamentos influenciam um novo olhar sob o ser humano.
CONTEXTUALIZAÇÃO
Críticas ao Racionalismo 
Grande parte dos existencialistas também criticam a filosofia Racionalista, que corresponde a: 
uma vertente de filosofia que se desenvolveu durante os séculos XVII e XVIII, que toma a razão como principal meio do ser humano conhecer as coisas e o mundo, desprezando o corpo, os sentidos e as emoções. 
O racionalismo surge com influência do pensamento de Platão (século V a.C.), dividiu o entendimento do mundo em duas esferas, o mundo das ideias e o mundo dos sentidos. 
CONTEXTUALIZAÇÃO
Críticas ao Racionalismo 
Em sua filosofia, Platão entende que o mundo que vivemos e percebemos (dos sentidos) é mutável, tudo se transforma, por isso não há como garantir conhecimentos seguros, por isso entendeu esse mundo como “enganoso”. Segundo ele a verdade está no mundo das ideias, que seria atingido apenas por meio da razão.
CONTEXTUALIZAÇÃO
“A primeira coisa que a filosofia existencial faz é recusar-se a reduzir o ser humano e sua personalidade a uma entidade qualquer. 
Não se pode reduzir o homem a ser um animal racional, mas tampouco a ser um animal social, ou a um ente psíquico, ou biológico. 
O homem não é, pois, nenhuma substância, suscetível de ser determinada objetivamente, seu ser é um constituir-se a si próprio.” (Mora, 2005)
CONTEXTUALIZAÇÃO
Expressão literária e filosófica 
Todas essas condições históricas, concretas e subjetivas fizeram germinar uma nova vertente de expressão literária e filosófica, o existencialismo. 
Podemos perceber a angústia existencial expressa em quadros expressionistas, como “O Grito”, do artista norueguês Edvard Munch (1863-1944), que mostra uma pessoa diante de um momento de angústia e desespero existencial, destacando a intensidade dos sentimentos.
CONTEXTUALIZAÇÃO
Expressão literária e filosófica 
Expressionismo foi um movimento artístico iniciado no final do século XIX, que não buscava representar nas obras uma cópia objetiva da natureza, mas destacar o humano e as emoções humanas tal como são sentidas.
CONTEXTUALIZAÇÃO
Existencialismo na Literatura
O existencialismo tem início na literatura europeia e russa do final do século XIX, se estendendo para o século XX. 
Tem como característica a exploração da existência subjetiva, das emoções e das singularidades, tratando de temas como a liberdade, as escolhas, as dores e as angústias de existir. 
Alguns autores:
Fiódor Dostoiévski (1821-1881), Liev Tolstoi (1828-1910)
Oscar Wilde (1854-1900), Hermann Hesse (1877-1962)
Franz Kafka (1883-1924), Fernando Pessoa (1888-1935)
Albert Camus (1913-1960), Clarice Lispector (1920-1977)
CONTEXTUALIZAÇÃO
Existencialismo na Filosofia 
É uma vertente de filosofia contemporânea, que reconhece e valoriza as diferenças individuais e a liberdade de ser, propondo um modo peculiar de compreender a existência
Trata-se de uma filosofia ética que questiona e reflete sobre o modo como cada indivíduo leva sua vida e lida com suas necessidades, em suas condições históricas, materiais e subjetivas; 
Questiona e contraria alguns conceitos tradicionais na filosofia, como: o racionalismo, a metafísica, o essencialismo, o determinismo, o idealismo, o positivismo, entre outros.
CONTEXTUALIZAÇÃO
Definição de Existencialismo 
Enquanto vertente filosófica, o existencialismo busca compreender a existência humana, com questões do tipo:
O que é existir enquanto ser humano?
Quais as características do existir humano?
Qual o sentido da existência humana? 
O existencialismo é, portanto, uma vertente filosófica ética contemporânea que contraria a concepção essencialista e metafísica sobre o ser humano, que reflete a existência humana em seus aspectos: concreto, singular, afetivo, temporal, livre, finito e histórico. 
CONTEXTUALIZAÇÃO
"A experiência traumática da guerra gerou desânimo e desespero, sentimentos que atingiram principalmente os jovens, descrentes dos valores burgueses tradicionais e da capacidade do homem de solucionar racionalmente as contradições da sociedade." (Penha, 2014)
Princípios do Existencialismo 
Cada filósofo existencialista segue suas questões por um caminho específico, porém há alguns princípios comuns em praticamente todos os ditos “existencialistas”: 
Nossa existência é constituída em relação com o espaço e o tempo;
Coexistem diversos modos de ser, somos livres para fazer escolhas;
Somos responsáveis pelas escolhas que fazemos e por nossa existência;
O mundo nos transforma e nós também o transformamos; 
Estamos em constante transformação interna, num constante vir-a-ser;
Experimentamos a vida a partir dos afetos, de maneira pré-reflexiva;
Não há um sentido dado para a vida, ele é continuamente criado.
Princípios do Existencialismo 
Características da existência humana 
Concreta: a existência material, ao invés de uma essência ou ideal;
Singular: olha para cada indivíduo, ao invés de generalizar concepções;
Afetiva: não somos apenas seres racionais, mas também emocionais;
Temporal: toda pessoa viveu um passado e se projeta para o futuro;
Livre: todos somos livres para fazer escolhas em nossa vida;
Finita: a vida um dia terá um fim e atravessamos momentos de finitude;
Histórica: cada um se desenvolve de acordo com as condições históricas.
Indeterminada: não somos determinados, nos fazemos a cada instante; 
Devir: estamos em constante transformação, num vir-a-ser permanente;
Absurda: não há um sentido dado para a vida e para a existência.
Princípios do Existencialismo 
Não há uma essência que nos defina 
Não existe uma definição para existência humana, não há algo que nos define antes de nossa própria existência. 
Não há nada que defina os modos de ser de cada pessoa antes de sua própria existência. Ou seja, somos construídos por nossa existência concreta no mundo. 
Princípios do Existencialismo 
Cada pessoa chega no mundo num local e num certo período, é esse contexto que vai fazer parte da construção de nosso modo de ser. 
Depois dele serão nossas escolhas as definidoras de nossos modos de existir, pois podemos mudar os rumos de nossa vida, costumes e o que valorizamos.
Princípios do Existencialismo 
 Não há valores absolutos 
Outra característica do existencialismo é que não parte de uma presunçãode que haja valores absolutos, do tipo “isso é bom para todas as pessoas” ou “aquilo que é bom, sempre será bom”. Pelo contrário, entende que o que é bom pode deixar de ser bom, ou o que é bom para uma pessoa pode não ser para outra. 
Parte-se da compreensão de que há uma relatividade nos valores, entendendo que uma coisa que foi tida como “boa”, por um período de tempo, não significa que será sempre “boa”, mas que, a qualquer momento, pode deixar de ser “boa” e ser tida como “ruim”, “péssima”, ou, até mesmo, ser descartada de nosso sistema de valores, tornando-se completamente ignorada.
Princípios do Existencialismo 
Somos livres para fazer escolhas 
O existencialismo entende que somos livres para fazer escolhas e responsáveis pelas escolhas que fizermos. 
A todo momento de estamos fazendo escolhas, agora mesmo você está escolhendo ler esse texto ou fazer um curso sobre existencialismo, e a todo momento você pode deixar de fazer isso e se dedicar a outra atividade. 
Princípios do Existencialismo 
Somos livres para fazer escolhas 
Como somos livres para escolher, somos eticamente responsáveis pelas consequências de nossas escolhas. Ou seja, se eu escolho a todo momento, eu sou responsável pelo que escolhi, e posso sempre fazer novas escolhas.
Se o que escolhi não está bom, ou não me faz mais bem, posso escolher outra coisa. 
Se não estou satisfeito com a vida que estou levando eu posso projetar um novo caminho e lançar a minha existência.
Princípios do Existencialismo 
Não há um modelo de como devemos ser
 Outra compreensão é que não existe um modelo único de como “devemos ser”, mas que cada pessoa é uma. 
Cada pessoa se constrói em sua relação com o mundo, com as coisas do mundo, com outras pessoas e consigo mesma, e estabelece o que é bom ou ruim para si mesma, e para sua relação com os outros. 
Princípios do Existencialismo 
Não há um modelo de como devemos ser
Não há um modelo “correto” e “pronto” sobre como “devemos” viver a vida, pelo contrário, a vida se constrói na prática concreta, na relação cotidiana. 
Por isso o existencialismo não entende o ser humano como um ser abstrato, mas como um ser concreto, que vive no mundo e faz escolhas para si mesmo a todo momento. 
Princípios do Existencialismo 
Não há o intuito de alcançar verdades 
O existencialismo não tem como intuito alcançar “verdades” sobre o ser humano, ou sobre os modos de ser humano, mas busca compreender o ser humano em seus distintos modos de ser no mundo, do modo como cada pessoa se apresenta. 
Não tem como foco buscar “verdades absolutas” ou “verdades universais”, mas entender cada ser humano em suas singularidades, em seus modos específicos de ser e de se pronunciar no mundo. 
Princípios do Existencialismo 
Não há o intuito de alcançar verdades 
Não há como intuito formatar um sistema de entendimento, mas reconhecer as particularidades de cada pessoa, buscando entender como cada um lida com sua própria existência, como cada um decide fazer certas escolhas e deixar de lado outras, e, principalmente, como cada pessoa é afetado pelas escolhas que faz.
Princípios do Existencialismo 
Experimentamos os fatos de diferentes maneiras 
Como somos seres singulares, cada pessoa experimenta um fato de uma maneira, uma mesma situação pode ser percebida de diversas maneiras dependendo de quem observa. “Não há fatos, apenas interpretações.” (Friedrich Nietzsche) 
Cada fato que nos acontece não é entendido de maneira “pura” como algo “em si mesmo”, mas cada pessoa interpreta uma situação de acordo com sua história de vida, com seus valores, com suas experiências. 
O existencialismo não pretende generalizar as interpretações, mas valorizar as singularidades de cada um.
Princípios do Existencialismo 
"O termo existencialismo designa o conjunto de tendências filosóficas que, embora divergentes entre si, têm em comum a análise da existência humana. É difícil, contudo, estabelecer o exato sentido que os diversos filósofos existencialistas atribuem a essa palavra. Entretanto, podemos dizer que o conceito de existência é tomado como algo que se refere à condição específica do homem como ser no mundo. Existir, então, implica estar em relação com outros seres humanos, com as coisas e com a Natureza. Relações múltiplas, concretas, dinâmicas; relações possíveis de acontecer ou não." (Cotrim; Fernandes, 2013)
Filósofos Existencialistas 
Arthur Schopenhauer (Polônia-Alemanha, 1788-1860)
Soren Kierkegaard (Dinamarca, 1813-1855)
Friedrich Nietzsche (Império Prussiano, Alemanha, 1844-1900)
 Martin Heidegger (Alemanha, 1889-1976)
Gabriel Marcel (França, 1889-1973)
Jean-Paul Sartre (França, 1905-1980)
Simone de Beauvoir (França, 1908-1986)
Filósofos Existencialistas 
Arthur Schopenhauer (Polônia-Alemanha, 1788-1860)
Ênfase na vontade como força motriz da existência e no sofrimento como característica inerente à condição humana.
Para se alcançar a liberdade e a felicidade de fato, o indivíduo deve se despir do querer. Para ele existiam 3 níveis para se eliminar o desejo:
Filósofos Existencialistas 
Arthur Schopenhauer (Polônia-Alemanha, 1788-1860)
Estético: quando nós deixamos de querer o material e entendemos a essência e a ideia dele. 
Ético: quando nasce a consciência de que somos parte de um todo e não apenas um indivíduo, diminuindo a ação do ego para entender que o ciclo de prazer e sofrimento permeia toda a humanidade.
Ascético: quando o indivíduo alcança o desapego do mundo material e consegue anular o desejo.
"A vida é uma constante oscilação entre a ânsia de ter e o tédio de possuir".
Filósofos Existencialistas 
Soren Kierkegaard (Dinamarca, 1813-1855)
Foi um filósofo, teólogo, poeta e crítico social dinamarquês, considerado o precursor do existencialismo. 
Em suas obras filosóficas ele priorizou a realidade humana concreta ao invés do pensamento abstrato, dando importância à escolha e ao compromisso pessoal. 
Escreveu textos críticos sobre religião, cristandade, moralidade, ética, psicologia e filosofia da religião, utilizando da metáfora, ironia e de parábolas. 
Kierkegaard introduziu o termo "existência" no sentido que é usado na filosofia contemporânea, se colocando contrário aos filósofos idealistas de seu tempo.
Filósofos Existencialistas 
Friedrich Nietzsche (Império Prussiano, Alemanha, 1844-1900)
filósofo, crítico cultural, poeta e compositor, nascido no Reino da Prússia, atual Alemanha. Ele criticou a religião, a moral e a tradição filosófica em forma de metáfora, ironia e aforismos. 
Sua filosofia central trata sobre a afirmação da vida, questionando quaisquer doutrinas que diminuem nossas potências existenciais, para a ampliação de nossas possibilidades de ser.
Suas ideias de superação individual e transcendência tiveram um impacto profundo sobre pensadores do final do século XIX e início do século XX. Seu questionamento sobre os valores e a objetividade da "verdade" influenciaram a filosofia continental: o existencialismo, pós-modernismo e pós-estruturalismo.
Filósofos Existencialistas 
 Martin Heidegger (Alemanha, 1889-1976)
Foi filósofo, escritor, professor universitário e reitor alemão. Estabeleceu as bases de sua filosofia existencial em seu livro "Ser e Tempo", publicado em 1927, com influência da fenomenologia de Edmund Husserl.
Seu maior intuito foi elaborar uma análise da existência, buscando esclarecer o sentido do ser, relacionando este com conceitos como Dasein (o "ser-aí"), morte, angústia, temporalidade, finitude, abertura, entre outros.
Apesar de não se denominar existencialista, sua filosofia dedicou grande parte sobre a questão da existência e do ser, sendo reconhecido como um importante filósofo tanto para o existencialismo como também para a filosofia do século XX.
Filósofos Existencialistas 
Gabriel Marcel (França, 1889-1973)
Foi um filósofo e dramaturgo francês que influenciou as tendências existencialistas e fenomenológicas. 
Sua filosofia é contrária ao racionalismo, que prioriza a razão sobre as experiências, e rejeita o cientificismo, que toma o homem comomero objeto.
Sua obra filosófica trata sobre introspecção e autorreflexão, utilizando como fonte de suas reflexões suas experiências interiores. O sentido existencial do indivíduo, em sua vida corporal e psíquica é entendido como a experiência imediata e irredutível.
Ele defendeu a singularidade irrepetível de cada ser existente, contrário ao racionalismo que reduz a existência a dados e explicações. Marcel reconhece a falta de objetividade como algo fundamental em cada pessoa, e entende que a existência corresponde ao próprio corpo.
Filósofos Existencialistas 
Karl Jaspers (1883-1969)
Foi um filósofo existencialista alemão que via a filosofia como um meio de compreender a existência humana e a busca por significado. 
Ele enfatizava a importância da liberdade, da historicidade e da transcendência na experiência existencial. 
A existência, para ele, é a dimensão autêntica e livre do ser humano, onde o indivíduo se confronta com suas possibilidades e escolhas.
Identificou situações-limite como momentos cruciais na vida humana, como morte, sofrimento, culpa e luta, que revelam a finitude e a fragilidade do ser. Essas situações desafiam o indivíduo a transcender sua condição e a buscar um sentido mais profundo. 
Filósofos Existencialistas 
Jean-Paul Sartre (França, 1905-1980)
Foi filósofo, escritor e crítico francês, um dos mais importantes representantes e divulgadores do existencialismo. 
Em sua infância, Sartre viveu numa família tipicamente burguesa, foi educado por seu avô e por cuidadores. Foi muito incentivado para seguir a vocação de escritor.
É o mais conhecido autor relacionado ao existencialismo, por ter se dedicado a sistematizar e divulgar essa vertente filosófica, além de se denominar também um filósofo “existencialista”. Ele desenvolveu o existencialismo partindo da análise do ser humano concreto e singular.
O existencialismo teve muita repercussão na Europa durante as décadas de 1940 à 1960, por conta da atuação político e social de Jean-Paul Sartre.
Filósofos Existencialistas 
Simone de Beauvoir (França, 1908-1986)
Filósofa existencialista, influenciou profundamente o movimento feminista ao aplicar os princípios do existencialismo à condição feminina, questionando as construções sociais da feminilidade e defendendo a liberdade e autonomia da mulher. 
Beauvoir, como existencialista, acreditava na liberdade humana fundamental e na responsabilidade individual por suas escolhas, estendendo essa noção à condição da mulher na sociedade. 
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