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Psicologia Existencial: Antecedentes filosóficos
Prof. Dr. Eraldo Carlos Batista
2025/2
Definição 
O termo existencialismo designa o conjunto de tendências filosóficas que, embora divergentes em vários aspectos, têm na existência o ponto de partida e o objeto fundamental de reflexões. 
Por isso, podemos designá-las mais propriamente de filosofias de existência, no plural. 
O que existe? 
Implica nas relações do homem consigo, com os outros seres humanos, com os objetos culturais e com a natureza. 
Definição 
Podem ser determinadas (Ex: leis da física)
Ou indeterminadas (resultam da nossa liberdade ou do acaso, sendo possíveis acontecer ou não)
Visão dramática da condição humana 
Albert Camus: 'a única questão filosófica série é o suicídio'
Conceitos característicos do existencialismo 
Ser Humano: é entendido como uma realidade imperfeita, aberta e inacabada, que foi 'lançada' ao mundo e vive sob riscos e ameaças. 
Liberdade Humana: não é plena, mas condicionada às situações históricas da existência. 
Neste sentido, não quero se identificar com poder. Homens e mulheres não envelhecem no mundo superando ou não os obstáculos que apresentam. 
Conceitos característicos do existencialismo 
Vida Humana: não é um caminho seguro em direção ao progresso, ao sucesso e ao crescimento. 
Ao contrário, é marcado por situações de sofrimento, como doença, dor, injustiças, luta pela sobrevivência, fracassos, velhice e morte. 
Assim, não podemos ignorar o sofrimento humano, a angústia interior, a exploração social. 
É preciso considerar estes aspectos adversos da vida e encará-los. 
Conceitos característicos do existencialismo 
Surgidas propriamente no século XX, as filosofias da existência sofreram influência do pensamento de alguns filósofos do período anterior, consideradas, por isso pré-existencialistas. Entre eles, destacam-se Schopenhauer, Kierkegaard, Nietzsche e Husserl. 
Conceitos característicos do existencialismo 
 Arthur Schopenhauer (1788 – 1860)
O maior opositor do pensamento hegeliano, acusando-o de charlatanismo por construir sua filosofia segundo os interesses do Estado prussiano. 
De fato a dialética hegeliana legitima todas as formas de governo e instituições, mesmo as mais nefastas. Por isso, Schopenhauer denominava Hegel como 'acadêmico mercenário'.
Como filósofo, apesar de sua vasta cultura, seria reconhecido muito tardiamente, nos últimos anos de sua vida
Conceitos característicos do existencialismo 
Sören Kierkegaard (1813 – 1855) 
Também contestou a supremacia da razão como único instrumento capaz de estabelecer a verdade, tal como Hegel propunha.
Como pensador cristão, defendeu o conhecimento que se origina da fé. 
Kierkegaard afirma que a existência humana possui três dimensões: 
Conceitos característicos do existencialismo 
Sören Kierkegaard (1813 – 1855) 
A dimensão estética: na qual se procura o prazer; 
A dimensão ética: na qual se vivencia o problema da liberdade e da contradição entre o prazer e o dever 
A dimensão religiosa: marcada pela fé. 
De acordo com o filósofo, cabe ao homem escolher em que dimensão ele quer viver, já que se trata de dimensões que se excluem entre si.
Essas dimensões podem ser compreendidas, também como etapas pelas quais o homem passa durante a sua existência: primeiro viria a estética, depois a ética e, por último, a religiosa, que seria a mais elevada. 
Conceitos característicos do existencialismo 
Sören Kierkegaard (1813 – 1855) 
De acordo com o filósofo, cabe ao homem escolher em que dimensão ele quer viver, já que se trata de dimensões que se excluem entre si.
Essas dimensões podem ser compreendidas, também como etapas pelas quais o homem passa durante a sua existência: 
primeiro viria a estética
depois a ética e, por último
religiosa, que seria a mais elevada. 
Conceitos característicos do existencialismo 
Em sua obra, analisamos os problemas da relação existencial do homem com o mundo, consigo mesmo e com Deus: 
A relação do homem com o mundo – outros seres humanos e a natureza – é dominada pela angústia, que é entendida como o sentimento profundo que temos ao perceber a instabilidade de viver num mundo de acontecimentos possíveis, sem garantia de que nossas expectativas sejam realizadas. 
Não possível, tudo é possível' 
Assim, vivemos num mundo onde tanto é possível a dor como o prazer, o bem como o mal, o amor como o ódio, o favorável como o desfavorável. 
Conceitos característicos do existencialismo 
 A relação do homem consigo é marcada pela inquietação e pelo desespero. 
Isso ocorre por duas razões fundamentais: 
ou porque o homem nunca está satisfeito com as propostas que fez, 
ou porque não conseguiu realizar o que pretendia, esgotando os limites do possível e fracassando diante de suas expectativas. 
Conceitos característicos do existencialismo 
A relação do homem com Deus seria talvez a única via para a superação da angústia e do desespero.
Contudo, é marcado pelo paradoxo de ter de compreender pela fé o que é incompreensível pela razão. 
Conceitos característicos do existencialismo 
Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 – 1900) Nasceu na cidade de Röcken (na Prússia) atual Alemanha.
Filho de um culto pastor protestante ascendeu a uma linhagem de pastores. 
Possuía um gênio brilhante, tendo treinado grego, latim e hebraico (tendo lido os evangelhos nessas línguas) foi professor de teologia e filosofia. 
Em 1869, tornou-se professor titular de Filosofia na universidade da Basiléia. 
Conceitos característicos do existencialismo 
A partir da leitura de O mundo como vontade e representação, sente-se profundamente atraído pelas filosóficas. 
Nietzsche foi, sem dúvida alguma, um dos maiores gênios da humanidade, embora muito incompreendido, ele foi um homem à frente do seu tempo, do nosso tempo e de muitos que ainda virão.
Edmund Husserl (1859-1938) Formulou o método de investigação filosófica conhecido como fenomenologia. 
Surgiu primeiramente na atmosfera da matemática, posteriormente desenvolveu-se na psicologia e na filosofia.
O método fenomenológico consiste, basicamente, na observação e descrição específicas das especificidades, isto é, aquilo que se manifesta, aparece ou se oferece aos sentidos ou à consciência. 
Busca-se analisar como se forma, para nós, o como de nossa experiência, sem que o sujeito oponha a resistência à resistência treinada nem se desvie dele. 
O sujeito deve, portanto, orientar-se para as especificações. Sua consciência será sempre consciência de alguma coisa. 
A fenomenologia se apresenta como uma investigação das experiências conscientes (fenômenos), ou seja, 'o mundo da vida', que Husserl denomina com o termo Lebenswelt
Martin Heidegger (1889 – 1976) Rompendo com a tendência dominante da filosofia moderna que, desde Descartes, estava voltada para a teoria do conhecimento, este alemão retomou a questão da ontologia, a investigação do ser. 
Para ele, o problema central da filosofia é o ser, a existência de tudo.
'a questão que me preocupa não é a existência do homem e sim a questão do ser em seu conjunto e enquanto tal' 
Para Heidegger, o ente é a existência, a manifestação dos modos de ser. 
O ser é essência, aquilo que fundamenta e ilumina a existência ou os modos do ser. 
A partir dessa diferenciação é possível estabelecer duas fases da filosofia heideggeriana. 
Na primeira, ela busca o conhecimento do ser através da análise do ente humano, da existência humana.
Na segunda, o ente sai do primeiro plano e o próprio será torna-se a chave para a compreensão da existência. 
Contexto Histórico
Surgiu no século XIX com o pensador dinamarquês Kierkegaard • Emerge como movimento nas primeiras décadas do século XX • Guerras – eficácia, rapidez, destruição • Novo modo de vida – Revolução Russa • Crack da Bolsa – fome, pobreza, desemprego
De acordo com o existencialismo: 
A existência é sempre particular e individual — sempre a minha existência, a sua existência, a existência dele, a existência dela.
A existência é primariamente o problemada existência (ou seja, de seu modo de ser); é, portanto, também a investigação do significado do Ser. 
Essa investigação se depara continuamente com diversas possibilidades, dentre as quais o existente (ou seja, o indivíduo humano) deve fazer... 
Como essas possibilidades são constituídas pelas relações do indivíduo com as coisas e com outros humanos, a existência é sempre um ser-no-mundo — isto é, em uma situação concreta e historicamente determinada que limita ou condiciona escolha. 
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