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G R A D U A Ç Ã O ME. MAÍLSON JOSÉ DA SILVA Planejamento e Controle da Produção Híbrido GRADUAÇÃO Planejamento e Controle da Produção Me. Maílson José da Silva C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; SILVA, Maílson José da. Planejamento e Controle da Produção. Maílson José da Silva. Maringá-PR.: Unicesumar, 2020. Reimpresso em 2024. 272 p. “Graduação - Híbridos”. 1. Planejamento. 2. Controle. 3. Engenharia de produção. 4. EaD. ISBN 978-65-5615-156-4 CDD - 22 ed. 658.9 CIP - NBR 12899 - AACR/2 NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jardim Aclimação CEP 87050-900 - Maringá - Paraná unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 Impresso por: Coordenador de Conteúdo Crislaine Rodrigues Galan. Designer Educacional Janaína de Souza Pontes. Revisão Textual Cintia Prezoto Ferreira e Érica Fernanda Ortega. Editoração Victor Augusto Thomazini e André Morais de Freitas. Ilustração Natalia de Souza Scalassara e Welington Vainer Satin de Oliveria. Realidade Aumentada Cesar Henrique Seidel, Maicon Douglas Curriel e Matheus Alexander de Oliveira Guandalini. DIREÇÃO UNICESUMAR Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor e Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin, Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi. NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes e Tiago Stachon; Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho; Diretoria de Permanên- cia Leonardo Spaine; Diretoria de Design Educacional Débora Leite; Diretoria de Pós-Graduação EAD Bruno do Val Jorge; Head de Metodologias Ativas Thuinie Daros; Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima; Gerência de Projetos Especiais Daniel F. Hey; Gerência de Produção de Conteúdos Diogo Ribeiro Garcia; Gerência de Curadoria Carolina Abdalla Normann de Freitas; Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila de Almeida Toledo; Supervisão de Projetos Especiais Yasminn Talyta Tavares Zagonel; Projeto Gráfico José Jhonny Coelho e Thayla Guimarães Cripaldi; Fotos Shutterstock PALAVRA DO REITOR Em um mundo global e dinâmico, nós trabalha- mos com princípios éticos e profissionalismo, não somente para oferecer uma educação de qualida- de, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo- -nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emo- cional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revi- samos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educadores soluções inteligentes para as ne- cessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! BOAS-VINDAS Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à Co- munidade do Conhecimento. Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar tem sido conhecida pelos nossos alu- nos, professores e pela nossa sociedade. Porém, é importante destacar aqui que não estamos falando mais daquele conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas de um conhecimento dinâ- mico, renovável em minutos, atemporal, global, democratizado, transformado pelas tecnologias digitais e virtuais. De fato, as tecnologias de informação e comu- nicação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, informações, da educação por meio da conectividade via internet, do acesso wireless em diferentes lugares e da mobilidade dos celulares. As redes sociais, os sites, blogs e os tablets ace- leraram a informação e a produção do conheci- mento, que não reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em segundos. A apropriação dessa nova forma de conhecer transformou-se hoje em um dos principais fatores de agregação de valor, de superação das desigualdades, propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. Logo, como agente social, convido você a saber cada vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a tecnologia que temos e que está disponível. Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg modificou toda uma cultura e forma de conhecer, as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, equipamentos e aplicações estão mudando a nossa cultura e transformando a todos nós. Então, prio- rizar o conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância (EAD), significa possibilitar o contato com ambientes cativantes, ricos em informações e interatividade. É um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá as portas para melhores oportunidades. Como já disse Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer. Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quando investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequentemente, transformamos também a so- ciedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Criando oportunidades e/ou estabe- lecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompa- nhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógica e encontram-se integrados à proposta pedagógica, contribuindo no processo educa- cional, complementando sua formação profis- sional, desenvolvendo competências e habilida- des, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhecimentos necessários para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Stu- deo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendiza- gem, interaja nos fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das discussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de apren- dizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquili- dade e segurança sua trajetória acadêmica. APRESENTAÇÃO O estilo de vida que hoje temos é, em grande parte, influenciado pelas tecnologias, bens e serviços que nos rodeiam: internet, celulares, televiso- res, eletrodomésticos, veículos, artigos de decoração, serviço de limpeza residencial e comercial, serviço de pintura, lojas de departamentos etc. Poderíamos listar uma infinidade de exemplos para mostrar que, atual- mente, estamos organizados em torno da produção de bens e serviços. Produzirem torno de uma média, sazonalidade, tendência ou combinação de vários comportamentos), par- timos para a quarta etapa, que consiste em sele- cionar o método adequado para fazer a previsão de demanda. Basicamente, temos dois tipos de técnica de previsão: a qualitativa e a quantitativa. Na Figura 4, temos os dados de demanda de um hipotético vendedor de água mineral. Pela análise do gráfico, observamos que as vendas, na maioria dos meses, estão no intervalo de 3000 a 4000 litros por mês, porém, em agosto e setembro, houve um aumento expressivo na demanda. Como podemos entender o comportamento desse gráfico? A demanda que gira em torno de um valor médio sempre irá variar devido a dois fatores: causas aleatórias e causas não aleatórias. As causas aleatórias causam variações regulares em torno de um valor médio; as causas não alea- tórias causam variações irregulares. Por exemplo, o aumento da demanda nos me- ses de agosto e setembro pode ter ocorrido devido à falta de água na cidade, o que obrigou mais pes- soas a comprarem água mineral naqueles meses. Esse é um exemplo de causa não aleatória. Gostaríamos de ressaltar que as vendas dos meses de agosto e setembro, realmente, não são representativas da venda média de água mineral. É importante observar isso, pois esses dois dados 46 Previsão de Demanda As técnicas qualitativas estão baseadas em opinião de especialistas sobre o produto. Destacamos como técnicas qualitativas: pesquisa de mercado, método Delphi e simulação de cenários. Nosso foco será nas técnicas quantitativas, e elas estão baseadas nas seguintes premissas: O método qualitativo Delphi obtém a previsão de demanda por meio do consenso de diferentes espe- cialistas. Estes são solicitados a emitirem sua opinião sobre a demanda do produto em estudo. Suas opiniões são recebidas sem a interferência de opiniões alheias, ou seja, o participante tem liberdade para expressar o que pensa sobre o problema; isso acontece em uma primeira fase. As opiniões são dadas por meio de questionários que são enviados a cada participante. Novas perguntas podem ser feitas para esclarecer a solução do problema. Após obter a opinião refinada de cada participante, parte-se para a segunda fase do método, que é a obtenção de consenso entre as diferentes opiniões. O método pode ser complementado por previsões quantitativas. Fonte: adaptado de Fernandes e Godinho Filho (2016) e Lustosa et al. (2008). Vamos apresentar as seguintes técnicas quantitativas de previsão: média móvel, média exponencial móvel, previsão da tendência, correlação e previsão da sazonalidade. Considera-se que os fatores que afetam a demanda continuarão a existir nos períodos de previsão. As previsões não serão perfeitas, pois é impossível eliminar as causas aleatórias que afetam a demanda e sempre haverá erros de previsão. A previsão de demanda para produtos individuais gerará mais erros do que previsão de demanda para grupos ou famílias de produtos. Conforme aumentamos o período de previsão, perdemos a sua acurácia, pois usamos dados históricos mais distantes para prever dados futuros. 47UNIDADE 2 As técnicas de previsão baseadas na média uti- lizam o cálculo da média aritmética ou, então, um cálculo que acrescenta uma correção ao valor médio obtido em um período anterior. Vejamos cada uma delas. Técnica da Média Móvel Na técnica da média móvel, é possível prever a demanda do próximo período calculando-se a média de demanda de períodos anteriores. Pode- -se basear a média em dois, três ou cinco períodos anteriores etc. Como o próprio nome diz, a média é móvel, ou seja, cada previsão é baseada na média de de- terminados períodos que vão se alterando para cada nova previsão. Para calcular a média móvel, usamos a seguinte equação: M D nn i i n � � � 0 (1) Técnicas de Média 48 Previsão de Demanda Em que: • Mn: média móvel de n períodos. • n: número de períodos. • Di: demanda do período i. • i: índice do período. Também, para calcularmos o erro de previsão, utilizamos a equação: Ei = Di - Pi (2) Em que: • Ei: erro da previsão para o período i. • Di: demanda real no período i. • Pi: previsão da demanda para o período i. Um tipo de técnica de previsão bem simples e muito utilizada é a previsão baseada no período anterior. Por exemplo, a previsão de demanda por pães em uma padaria em certo dia é igual ao total de pães vendidos no dia anterior ou no mesmo dia da semana anterior. Considere o Quadro 1 a seguir, que representa a demanda por água mineral de um determinado vendedor. Quadro 1 - Dados de demanda por água mineral PERÍODO DEMANDA (L) PERÍODO DEMANDA (L) 1 3300 7 4000 2 3500 8 7000 3 3200 9 5000 4 3700 10 4000 5 3400 11 3800 6 3500 12 3500 Fonte: o autor. 49UNIDADE 2 Calculando a média móvel para 3 e 4 períodos, obtemos os seguintes resultados (os valores foram calculados utilizando-se as equações (1) e (2) apresentadas): Quadro 2 - Cálculo da média móvel PERÍODO DEMANDA - ÁGUA MINERAL (L) M3 ERRO M4 ERRO 1 3300 2 3500 3 3200 4 3700 3333 367 5 3400 3467 -67 3425 -25 6 3500 3433 67 3450 50 7 4000 3533 467 3450 550 8 7000 3633 3367 3650 3350 9 5000 4833 167 4475 525 10 4000 5333 -1333 4875 -875 11 3800 5333 -1533 5000 -1200 12 3500 4267 -767 4950 -1450 Erro acumulado do período 5 a 12 367 925 Erro absoluto médio (EAM) 971 1003 Erro percentual absoluto médio (EPAM) 0,20 0,21 Fonte: o autor. No Quadro 2, há três parâmetros que podemos usar para verificar a acurácia da técnica de previsão escolhida. O primeiro é o erro acumulado; para calculá-lo, basta somar o erro da previsão para cada período. O segundo parâmetro é o erro absoluto médio (EAM), que representa o quanto as previsões erraram na média, em termos de valores absolutos, e é calculado pela seguinte equação: EAM D P n i i i n � � � � 0 (3) Em que: • EAM: erro absoluto médio. • Di: demanda real no período i. • Pi: previsão da demanda para o período i. • n: número de períodos considerados. 50 Previsão de Demanda O terceiro parâmetro é o erro percentual absoluto médio, que representa a média de erro em termos percentuais do valor da demanda real. Ele pode ser calculado pela seguinte equação: EPAM D P D n i n i i i� � � �0 (4) Em que: • EPAM: erro percentual absoluto médio. • Di: demanda real no período i. • Pi: previsão da demanda para o período i. • n: número de períodos considerados. A partir dos resultados, observamos que a média móvel com 3 períodos apresentou o melhor de- sempenho, pois o erro acumulado e o erro absolu- to médio foram menores. Utilizando a técnica da média móvel, podemos prever a demanda para o período 13. Desafio-te a fazer o cálculo! Utilize a equação (1) para calcular a previsão de demanda, faça os cálculos utilizando média móvel com 3 e 4 períodos. Caso seu cálculo foi feito da forma correta, você obteve: M Di i 3 10 12 3 4000 3800 3500 3 3767� � � � �� � M Di i 4 9 12 4 5000 4000 3800 3500 4 4075� � � � � �� � Caro(a) aluno(a), observe, novamente, o Quadro 2, em que nós geramos as previsões para vários períodos da série de dados passados; essa foi a etapa 5 do modelo de previsão. Em seguida, nós fizemos a avaliação da precisão do modelo, comparando os três parâmetros EAM, EPAM e erro acumulado, e verificamos se a precisão está adequada ou não. Depois, podemos gerar a previsão da demanda para o período 13; sendo assim, essas foram as etapas 6, 7 e 8 do modelo de previsão. Em seguida, quando formos prever a demanda do período 13, podemos ajustar a previsão com base em informações qualitativas (etapa 9). Técnica da Média Exponencial Móvel A média exponencial móvel considera o valor médio de demanda de um período anterior ao período de previsão e acrescenta a ele um valor de correção, conforme um certo coeficiente de ponderação. A média é calculada por meio da seguinte equação. M M D Mt t t t� � �� �� � �� 1 1 1a (5) Em que: • Mt : previsão para o período t. •Mt−1 : previsão para o período t-1. • α: coeficiente de ponderação. • Dt−1 : demanda do período t-1. Vamos exemplificar sua aplicação com os seguin- tes dados de demanda. Quadro 3 - Dados de demanda para o cálculo da média exponencial móvel Mês Demanda Mês Demanda Jan 19919 Jul 19395 Fev 23722 Ago 20415 Mar 23035 Set 22754 Abr 18500 Out 20394 Mai 19585 Nov 55732 Jun 23910 Dez 21688 Fonte: o autor. 51UNIDADE 2 Vamos considerar o valor de α igual a 0,3. A previ- são para os períodos 2, 3 e 4 são, respectivamente: M2 19919= (neste caso, como não temos uma pre- visão para o período M1, consideramos a previsão M2 como sendo igual à demanda do período M1) M3 19919 0 3 23722 19919 21059 9� � �� � �, , M4 21059 9 0 3 23035 21059 9 21652 43� � �� � �, , , , Realizando os cálculos para todos os períodos e calculando o erro absoluto médio e absoluto mé- dio percentual, temos os resultados do Quadro 4. Quadro 4 - Previsão de demanda utilizando a média expo- nencial móvel (α=0,3) P Demanda Alfa (α) = 0,3 Previsão Erro 1 19919 2 23722 19919 3803 3 23035 21060 1975 4 18500 21652 -3152 5 19585 20707 -1122 6 23910 20370 3540 7 19395 21432 -2037 8 20415 20821 -406 9 22754 20699 2055 10 20394 21316 -922 11 21688 21039 649 Somatório 4383 EAM 1966 EAM% 9,12% Fonte: o autor. Pode ser feito o cálculo utilizando outros valores para o coeficiente alfa. O coeficiente que apre- sentar os menores valores de somatório de erro e erro absoluto médio percentual é o coeficiente que deve ser utilizado para prever a demanda dos próximos períodos. 52 Previsão de Demanda Previsão da Tendência e Correlação As técnicas baseadas na correlação são utiliza- das para encontrar uma equação que descreve o comportamento da demanda, que é correlaciona- do com o comportamento de outra variável, por exemplo, o Produto Interno Bruto de uma nação. A previsão da tendência é baseada no efeito da variável temporal para aumentar ou diminuir o valor da demanda. Previsão da Tendência A existência de tendência na demanda de um pro- duto pode ser observada graficamente, podendo ser positiva ou negativa. A demanda cresce ou de- cresce expressivamente ao longo do tempo; assim, por meio de métodos matemáticos adequados, podemos encontrar uma equação que descreve a demanda em função do tempo. A equação pode ser linear ou não linear (exponencial, parabólica, logarítmica etc.). 53UNIDADE 2 Neste tópico, vamos apresentar um método para obter uma equação linear relacionada à variável dependente “demanda” com a variável indepen- dente “tempo”. A equação linear é da seguinte forma: y = a + bx (6) Em que: • y: previsão de demanda para o período x. • a: intersecção com o eixo y. • b: coeficiente angular da reta. • x: período para a previsão. Para encontrarmos os valores de a e b, fazemos os seguintes cálculos: b n xy x y n x x � � � ��� �� ( ) ( )( ) ( ) ( )2 2 (7) a y b x n � � �� ( ) (8) Em que: • n: número de períodos observados. Tais cálculos podem ser feitos manualmente ou com a ajuda de softwares. Podemos utilizar, por exemplo, o Microsoft Excel ® para calcular tais valores. A seguir, apresentamos os dados de de- manda para o produto Tablet, cujo gráfico já foi apresentado anteriormente. Quadro 5 - Dados para o cálculo dos coeficientes da equa- ção linear de tendência PERÍODO (X) DEMANDA TABLET (Y) X2 XY 1 20 1 20 2 25 4 50 3 40 9 120 4 30 16 120 5 30 25 150 6 45 36 270 7 50 49 350 8 70 64 560 9 75 81 675 10 76 100 760 11 80 121 880 12 100 144 1200 SOMATÓRIOS 78 641 650 5155 Fonte: o autor. Equações não lineares exponencial, parabólica, logarítmica, dentre outras, podem ser utilizadas para descrever o comportamento de alguns fenômenos, bem como o comportamento da demanda de um produto em função de alguns fatores. Por exemplo, indústrias de petróleo têm crescido ex- ponencialmente à medida que novos campos de petróleo têm sido encontrados. O crescimento de populações de animais e plantas, sem restrições, segue também um comportamento exponencial. As equações possuem este nome devido ao fator matemático que carregam. A equação exponencial possui a incógnita (valor desconhecido) no expoente; a equação logarítmica possui um logaritmo. Fonte: adaptado de Ortega e Zanghetin (2007). 54 Previsão de Demanda Calculando os valores de a e b por meio das equações 7 e 8, obtemos: b n xy x y n x x � � � ��� �� ( ) ( )( ) ( ) ( )2 2 b � � � � 12 5155 78 641 12 650 78 6 912 ( ) ( )( ) ( ) ( ) , a y b x n � � �� ( ) a � � � 641 6 91 78 12 8 48, ( ) , Assim, a equação da previsão de demanda é dada por y = 8,48 +6,91x. Substituindo os valores de x para os períodos de 1 a 12, obtemos os seguintes dados de previsão: Quadro 6 - Previsão de demanda utilizando equação de tendência PERÍODO (X) DEMANDA TABLET (Y) PREVISÃO (Y = 8,48 +6,91X) ERRO 1 20 15 5 2 25 22 3 3 40 29 11 4 30 36 -6 5 30 43 -13 6 45 50 -5 7 50 57 -7 8 70 64 6 9 75 71 4 10 76 78 -2 11 80 85 -5 12 10 91 9 Erro acumulado 0 EAM 6,91 Fonte: o autor. A obtenção da equação de tendência gerou dados satisfatórios, tendo um baixo erro acumulado. Para verificarmos a aderência dos dados da previsão com os dados de demanda real, podemos verificar o valor do coeficiente de determinação r2 (seu cálculo é explicado no subtópico a seguir). Por meio da análise de dados, por regressão, do Microsoft Excel ®, calculamos o valor de r2 e obtemos o valor de 0,92. Quanto mais próximo de 1, melhor serão os resultados do modelo de previsão. 55UNIDADE 2 Correlação A correlação aqui estudada é a linear entre duas variáveis. Outros tipos de correlação, por exemplo, não lineares ou correlação com três ou quatro variáveis, também são possíveis. Considere o exemplo a seguir, extraído de Tu- bino (2000). O Quadro 7 mostra dados de venda de restaurantes fast-food e o número de alunos matriculados em escolas situadas a 2 km de dis- tância de cada restaurante. Quadro 7 - Demanda em cada restaurante e número de alu- nos matriculados próximo de cada unidade de restaurante Vendas por casa (mil) Número de alunos (mil) 31,56 10,00 38,00 12,00 25,25 8,00 47,20 15,00 22,00 6,50 34,20 11,00 45,10 14,50 32,30 10,10 29,00 9,20 40,90 13,40 40,00 12,70 24,20 7,60 41,00 13,10 Fonte: Tubino (2000, p. 82). Se plotarmos estes dados em um gráfico em que o eixo x representa o total de alunos, e o eixo y representa a quantidade vendida em cada casa, obtemos o seguinte gráfico. 56 Previsão de Demanda 50,00 40,00 30,00 20,00 10,00 0,00 5,000,00 10,00 15,00 20,00 Número de alunos matriculados (mil) Q ua nt id ad e ve nd id a (m il) Figura 8 - Relação entre quantidade vendida por restaurante e número de alunos matriculados Fonte: adaptada de Tubino (2000). Observe que o cruzamento dos dois dados nos indica que há uma relação linear crescente entre eles. Isto é, quando o número de alunos matriculados próximo ao restaurante aumenta, a demanda também aumenta. Para confirmar, precisamos encontrar a equação da reta utilizando as equações (7) e (8) apresentadas e também calcular o coeficiente de correção r, dado pela seguinte equação. r n XY X Y n X X n Y Y � �� � �� � � � �� � � � �� �2 2 2 2. (9) Realizando os cálculos de a e b, obtém-se os valores a = 1,757 e b=2,99. Isto é, a equação: Y = 1,757 + 2,99x. Esta pode ser usada para calcular a demanda em uma nova unidade de restaurante próximo de uma escola. Calculando o valor de r: r = ( ) − ( ) ( ) ( ) − ( ) , , . , , , . . 13 5224 86 143 10 459 71 13 1663 37 143 10 13 12 66416 82 450 71 0 99 2, , , ( ) − = O valor de r positivo mostra que existe uma correlação positiva entre as variáveis, ou seja, quando o valor de uma aumenta, o valor da outra também aumenta. Se elevarmos o r ao quadrado, obtemos o coeficiente de determinação. Quanto mais próximo de 1, maior é o grau de ajuste entre os valores obtidos com a equação e os dados da demanda (FERNANDES; GODINHO FILHO, 2016). Para o nossoexemplo, o coeficiente de determinação é igual 0,98, o que indica que a equação obtida gerará bons resultados. 57UNIDADE 2 Não é difícil de perceber que as vendas de sorvete caem significativamente na época do inverno e aumentam da mesma forma na época do verão. Esse padrão se repete ano após ano. Assim, dize- mos que a demanda por sorvetes possui sazona- lidade, ou seja, conforme a época do ano, a venda é maior ou menor, e esse padrão se repete nos anos seguintes. Existem demandas que apresentam apenas sazonalidade e outras que apresentam simulta- neamente sazonalidade e tendência. Vamos ver, a seguir, os métodos matemáticos para prever a sazonalidade sem tendência. Na sazonalidade sem tendência, a demanda varia regularmente em um determinado período de consolidação (ano, mês ou dia, por exemplo). Ela não apresenta uma tendência de crescimento ou decrescimento ao longo dos períodos. Cada período possui um índice de sazonalidade as- sociado. Quando é feita a análise do gráfico da demanda, o primeiro período do gráfico pode ou não corresponder ao primeiro período do ciclo de sazonalidade. Previsão da Sazonalidade 58 Previsão de Demanda Podemos visualizar o comportamento da demanda com sazonalidade e sem tendência na figura apresentada anteriormente sobre a demanda de sorvete. Observamos que o ciclo de sazonalidade é de 12 períodos ou 12 meses, isso significa que, a cada 12 meses, o comportamento geral da demanda se repete (volte na Figura 5 e confira). Para calcular o índice de sazonalidade de cada um desses 12 períodos, devemos calcular a média móvel centrada. O Quadro 9 apresenta os resultados. Quadro 9 - Cálculo do índice de sazonalidade Índice de Sazonalidade Período Demanda - Sorvete (L) MMC ½ MMC IS 1 3100,00 2 3200,00 3 3100,00 4 2800,00 5 2200,00 6 1500,00 2258,33 7 800,00 2254,16 0,355 2250,00 8 1000,00 2116,67 0,472 1983,33 9 1300,00 2106,25 0,617 2229,17 10 2300,00 2222,92 1,035 2216,67 11 2800,00 2210,42 1,267 2204,17 12 3000,00 2197,92 1,365 2191,67 13 3000,00 2185,42 1,373 2179,17 14 3100,00 2172,92 1,427 2166,67 15 2950,00 2160,42 1,365 2154,17 16 2650,00 2147,92 1,234 2141,67 59UNIDADE 2 Índice de Sazonalidade Período Demanda - Sorvete (L) MMC ½ MMC IS 17 2050,00 2135,42 0,960 2129,17 18 1350,00 2122,92 0,636 2116,67 19 650,00 20 850,00 21 1150,00 22 2150,00 23 2650,00 24 2850,00 Demanda média: 2169,44 Fonte: o autor. No quadro anterior, primeiro calculamos a MMC ½, que é a média móvel centrada no meio do ciclo de sazonalidade de 12 períodos. Para fins didáticos, podemos chamar essa média no período 6,7, ou seja, a média de 12 períodos centrada na posição entre os períodos 6 e 7. Temos que calcular esse valor, uma vez que o ciclo de sazonalidade é um número par (12 períodos). Para entender melhor, veja o detalhamento do cálculo da MMC ½ entre os períodos 6 e 7 e depois entre 7 e 8. MMC yi i 6 7 1 12 12 3100 3200 3100 2800 2200 1500 800 1000 1 , � � � � � � � � � �� � 3300 2300 2800 3000 12 2258 33� � � � , MMC yi i 7 8 2 13 12 3200 3100 2800 2200 1500 800 1000 1300 2 , � � � � � � � � � �� � 3300 2800 3000 3000 12 2250� � � � Observe que, no primeiro cálculo, fizemos a média entre i=1 até i=12, ou seja, períodos 1 a 12. No segundo cálculo, como a média é móvel, deslocamos um período e fizemos a média entre i=2 até i=13, ou seja, períodos 2 a 13. 60 Previsão de Demanda Após obter a MMC ½, devemos calcular a média entre dois valores consecutivos de MMC ½ para obter a média móvel do período. Assim, por exem- plo, a MMC do período 7 é o valor médio entre a MMC ½ de 2258,33 e 2250, ou seja: MMC7 2258 33 2250 2 2254 16� � � , , Observe que, fazendo este cálculo, iremos ob- ter 12 valores, entre o período 7 e 18. Observando o gráfico da Figura 5, vemos que o período 7 cor- responde ao mês de jul/14 e é o ponto de menor valor de demanda no ciclo de sazonalidade, cor- respondendo, portanto, ao primeiro período do ciclo de sazonalidade. O gráfico inicia no período 1, que é o mês de jan/14; porém, no ciclo de sazo- nalidade, ele não é o período 1. Observe que o ci- clo possui 12 períodos e o gráfico inicia no sétimo período do ciclo de sazonalidade, assim, deve-se calcular o índice de sazonalidade considerando a demanda e a média móvel de cada período do ciclo de sazonalidade. Para calcular, utilizamos a seguinte equação: IS D MMC = (10) Em que: • IS: índice de sazonalidade do período. • D: demanda do período. • MMC: média móvel centrada do período. Para entender melhor, veja, no Quadro 10, o valor de cada período, de 7 a 18, e sua correspondência com o período do ciclo de sazonalidade. Quadro 10 - Correspondência entre períodos da demanda e períodos do ciclo de sazonalidade Período Correspondência no Período do Ciclo de Sazonalidade 1 7 2 8 3 9 4 10 5 11 6 12 7 1 8 2 9 3 10 4 11 5 12 6 13 7 14 8 15 9 16 10 17 11 18 12 Fonte: o autor. Para obtermos a previsão de demanda, fazemos o seguinte cálculo: Previsão = Demanda média * IS (11) Em que: • Previsão: previsão de demanda do período considerado. • Demanda média: demanda média dos pe- ríodos considerados na obtenção do índice de sazonalidade. • IS: índice de sazonalidade do período. Foi necessário calcular a MMC ½, pois o ciclo de sazonalidade possui um número de períodos par. Caso o ciclo apresentasse um número de perío- dos ímpar, bastaria calcular a MMC diretamente. Não seria necessário calcular a MMC ½. 61UNIDADE 2 O Quadro 11 apresenta os resultados. Quadro 11 - Previsão da demanda com sazonalidade Período Demanda média IS Previsão Demanda Real Erro 1 2169,44 1,3727359 2978,074 3100 121,926 2 2169,44 1,4266539 3095,046 3200 104,954 3 2169,44 1,3654773 2962,327 3100 137,673 4 2169,44 1,2337536 2676,56 2800 123,440 5 2169,44 0,96 2082,667 2200 117,333 6 2169,44 0,6359176 1379,588 1500 120,412 7 2169,44 0,3548983 769,9322 800 30,068 8 2169,44 0,4724409 1024,934 1000 -24,934 9 2169,44 0,6172107 1339,004 1300 -39,004 10 2169,44 1,0346767 2244,674 2300 55,326 11 2169,44 1,2667295 2748,099 2800 51,901 12 2169,44 1,3649289 2961,137 3000 38,863 13 2169,44 1,3727359 2978,074 3000 21,926 14 2169,44 1,4266539 3095,046 3100 4,954 15 2169,44 1,3654773 2962,327 2950 -12,327 16 2169,44 1,2337536 2676,56 2650 -26,560 17 2169,44 0,96 2082,667 2050 -32,667 18 2169,44 0,6359176 1379,588 1350 -29,588 19 2169,44 0,3548983 769,9322 650 -119,932 20 2169,44 0,4724409 1024,934 850 -174,934 21 2169,44 0,6172107 1339,004 1150 -189,004 22 2169,44 1,0346767 2244,674 2150 -94,674 23 2169,44 1,2667295 2748,099 2650 -98,099 24 2169,44 1,3649289 2961,137 2850 -111,137 Erro acumulado: -24,087 EAM: 78,401 Fonte: o autor. Caso estivessem disponíveis mais dados históricos sobre a demanda, por exemplo, 48 períodos, poderia se calcular o valor do IS médio. Isso porque, dentro de 48 períodos, temos 4 ciclos de sazonalidade de 12 períodos, o que irá gerar mais de um valor de IS para cada período do ciclo de sazonalidade. 62 Previsão de Demanda Caro(a) aluno(a), após escolhermos a técnica de previsão de demanda mais adequada para o pa- drão de demanda que estamos prevendo e para realizar as previsões, devemos realizar a etapa 10 do modelo de previsão, que consiste em monito- rar os resultados e medidas do erro de previsão. Devemos fazer isso, pois pode ocorrer: Monitoramento do Modelo de Previsão Mudança no padrão da demanda. Causas não aleatórias que estão alterando a demanda radicalmente. Mudança nas causas aleatórias. Ações da concorrência que estão diminuindo ou até aumentando a demanda. 63UNIDADE 2 O monitoramento consiste em verificar se os erros são aceitáveis e se devemos alterar algum parâme- tro da técnica de previsão. Considerando que os desvios seguem uma distribuição normal eque a previsão não é tendenciosa, podemos afirmar que, segundo Lustosa et al. (2008), o erro de uma nova previsão seria: • ±1 EAM em relação à média, com 60% de probabilidade. • ±2 EAM em relação à média, com 90% de probabilidade. • ±3 EAM em relação à média, com 98% de probabilidade. Assim, podemos identificar se os erros do modelo estão dentro do intervalo de ±3 EAM, o que seria algo aceitável. Caso haja valores fora desse inter- valo, significa que a previsão, como um processo, está ficando fora de controle estatístico. Ações deverão ser tomadas, tais como escolher outra técnica de previsão, ajustar os parâmetros ou verificar a existência de causas não aleatórias de variação. Para monitorar os erros, pode-se construir um gráfico com os limites inferior e superior iguais a -3EAM e +3EAM, respectiva- mente. Os erros são plotados a cada nova pre- visão e, caso saiam dos limites, deve-se alterar a técnica de previsão ou fazer alguns ajustes em seus parâmetros. A construção do gráfico de controle dos erros absolutos médios das previsões é explicada na pílula de aprendizagem. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. Chegamos ao final do nosso estudo sobre previsão de demanda. Apresentamos alguns conceitos e exemplos básicos sobre as técnicas quantitativas. Para absorver o conteúdo, recomendamos que faça os exercícios das atividades de estudo e bus- que também resolver exercícios sobre previsão de demanda de outros materiais. 64 1. Em relação à previsão de demanda, é correto afirmar: a) Encerra-se quando a previsão de demanda do período desejado é obtida. b) Pode ser feita utilizando-se apenas técnicas quantitativas. c) Deve ser feita com base em um modelo composto por etapas. d) Deve ser feita utilizando-se ou técnica quantitativa ou técnica qualitativa. As duas técnicas não podem ser empregadas em conjunto. e) O monitoramento dos resultados da previsão de demanda é feito por empresas que querem criar modelos de previsão mais avançados, pois esta etapa não é obrigatória. 2. Considere os seguintes dados históricos sobre a demanda do produto genérico “A”. Período Demanda 1 150 2 170 3 130 4 160 5 135 Os dados estão livres de causas não aleatórias ou especiais. Com base nos dados, é correto afirmar: a) O erro de previsão para o período 3, utilizando a técnica da média móvel com 2 períodos, é igual a 30. b) O erro de previsão para o período 3, utilizando a técnica da média exponencial móvel, com alfa igual a 0,1, é igual a 22. c) A previsão de demanda para o período 6, utilizando a técnica da média móvel com 2 períodos, é igual a 148 unidades. d) A previsão de demanda para o período 6, utilizando a técnica da média móvel com 3 períodos, é igual a 140 unidades. e) A previsão de demanda para o período 6, utilizando a técnica da média exponencial móvel, com alfa igual a 0,1, é igual a 148. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 65 3. Considere os seguintes dados históricos sobre a demanda do produto genérico “A”. Período Demanda 1 130 2 140 3 148 4 163 5 170 6 190 7 205 Os dados estão livres de causas não aleatórias ou especiais. Com base nos dados, encontre uma equação linear para a previsão da demanda em função do tempo. Assinale a alternativa que representa corretamente essa equação. a) Y = 114,15 + 12,39x b) Y = 110,25 + 11,49x c) Y = 99,11 + 5,39x d) Y = 11,15 + 18,19x e) Y = 120,45 + 19,1x 66 4. Considere os seguintes dados históricos sobre a demanda do produto genérico “A”. Período Demanda 1 20 2 150 3 80 4 25 5 155 6 95 7 28 8 162 9 99 Os dados estão livres de causas não aleatórias ou especiais. Sobre os dados, é correto afirmar: a) Não apresentam sazonalidade. b) Apresentam sazonalidade, com ciclo de sazonalidade de 5 períodos. c) Apresentam sazonalidade, com ciclo de sazonalidade de 4 períodos. d) Apresentam sazonalidade, e os índices de sazonalidade são, respectivamente, 0,30; 1,50; 0,85. e) Apresentam sazonalidade, e os índices de sazonalidade são, respectivamente, 0,29; 1,72; 0,94. 5. Utilize os dados do exercício 1 e calcule o valor do EAM para a técnica de previsão de demanda baseada na média móvel com dois períodos. Em seguida, verifique em qual intervalo os erros da previsão estão em relação ao EAM. 67 Excel Avançado 2003/2007 Forecast Análise e Previsão de Demanda Autor: Fábio Gonçalves Editora: Ciência Moderna Sinopse: utilizando o Microsoft Excel, esse livro traz uma abordagem no estilo “livro de receitas” de modelos de previsão à luz da realidade comum da grande maioria das pessoas. São revisados os principais modelos estatísticos de pre- visão por extrapolação, os quais são capazes de projetar, no futuro, padrões e tendências presentes em séries históricas passadas e, na sequência, aplicados por meio do uso de ferramentas disponíveis no Microsoft Excel em passos se- quenciais em uma base de dados hipotética disponibilizada no Cd-rom anexo ao livro. Existe uma referência à utilização do Microsoft Access para análise de arquivos com muitas linhas, não suportados pelo Microsoft Excel. Comentário: as previsões de demanda utilizando técnicas quantitativas são feitas com o apoio computacional. O Microsoft Excel é uma ferramenta simples com diversos recursos. Recomendamos a leitura do material para praticar as técnicas de previsão de demanda. LIVRO Quebrando a banca Ano: 2008 Sinopse: Ben Campbell (Jim Sturgess) é um jovem tímido e superdotado do MIT que, precisando pagar a faculdade, busca a quantia necessária em jogos de cartas. Ele é chamado para integrar um grupo de alunos que, todo fim de semana, parte para Las Vegas com identidades falsas e o objetivo de ganhar muito dinheiro. O grupo é liderado por Micky Rosa (Kevin Spacey), um professor de matemática e gênio em estatística, com quem consegue montar um código infalível. Contando cartas e usando um complexo sistema de sinais, eles conse- guem quebrar diversos cassinos. Até que, encantado com o novo mundo que se apresenta e também por sua colega Jill Taylor (Kate Bosworth), Ben começa a extrapolar seus próprios limites. FILME 68 Como recurso que pode ser usado na previsão de demanda, recomendo que você conheça o Libre Office – pacote de aplicativos para escritório que inclui o Calc. Ele é semelhante ao Microsoft Excel. Para acessar, use seu leitor de QR Code. WEB Outra sugestão ainda sobre previsão de demanda é o The R Project, aplicativo gratuito para a computação de estatísticas e gráficos. Para acessar, use seu leitor de QR Code. WEB https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/1187 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/1186 69 FERNANDES, C. F. F.; GODINHO FILHO, M. Planejamento e Controle da Produção: dos fundamentos ao essencial. São Paulo: Editora Atlas, 2016. LUSTOSA, L. et al. Planejamento e Controle da Produção. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda., 2008. ORTEGA, E.; ZANGHETIN, M. F. de L. Crescimento exponencial. Laboratório de Engenharia Ecológica e Informática Aplicada. Campinas: Unicamp, 2007. Disponível em: https://www.unicamp.br/fea/ortega/ModSim/expo/expo-pt.html. Acesso em: 17 jun. 2020. TUBINO, D. Planejamento e Controle da Produção. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2000. 70 1. C. 2. C. Cálculo da média móvel com dois períodos: Período Demanda Previsão Erro 1 150 2 170 3 130 160 -30 4 160 150 10 5 135 145 -10 6 147,5 Cálculo da média exponencial móvel: Período Demanda Previsão Erro 1 150 2 170 150 20 3 130 152 -22 4 160 149,8 10,2 5 135 150,82 -15,82 6 149,238 71 3. A. Cálculos: Período Demanda X2 XY 1 130 1 130 2 140 4 280 3 148 9 444 4 163 16 652 5 170 25 850 6 190 36 1140 7 205 49 1435 Somatórios 28 1146 140 4931 b n xy x y n x x � � � ��� �� ( ) ( )( ) ( ) ( )2 2 b � � � � 7 4931 28 1146 7 140 28 12 392 ( ) ( )( ) ( ) ( ) , a y b x n � � �� ( ) a � � � 1146 12 39 28 7 114 15, ( ) , Equação: Y = a +bx, Y = 114,15 + 12,39x 72 4.E. O ciclo de sazonalidade é de três períodos, conforme o gráfico: Período D em an da 180 160 140 120 100 80 60 40 20 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 Cálculos do índice de sazonalidade: Período Demanda Média móvel Período do ciclo IS 1 20 1 2 150 83,33 2 1,80 3 80 85,00 3 0,94 4 25 86,67 1 0,29 5 155 91,67 2 1,69 6 95 92,67 3 1,03 7 28 95,00 1 0,29 8 162 96,33 2 1,68 9 99 117,15 3 0,85 Média 90, 4444444444444 73 Índice de sazonalidade de cada período do ciclo de 3 períodos: Período IS (média dos IS calculados) 1 0,29 2 1,72 3 0,94 5. Os resultados da previsão e erro são: Período Demanda Previsão Erro 1 150 2 170 3 130 160 -30 4 160 150 10 5 135 145 -10 O EAM é igual a: EAM =(30+10+10)/3 ≈ 16,7. Agora, vamos calcular os limites de 1 EAM, 2 EAM e 3 EAM: • 1 EAM = 16,7. • 2 EAM = 2.16,7 = 33,4 • 3 EAM = 3.16,7 = 50,1. Portanto, o maior erro foi de -30, que está dentro do intervalo de ±2EAM. 74 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Explicar como a capacidade produtiva pode ser medida. • Realizar o planejamento da capacidade com base em da- dos de demanda. • Realizar o planejamento da capacidade com base em da- dos de receita e custo. Introdução ao Planejamento da Capacidade Planejamento da Capacidade com Base em Previsões de Demanda Planejamento da Capacidade com Base na Análise do Ponto de Equilíbrio Me. Maílson José da Silva Planejamento da Capacidade Introdução ao Planejamento da Capacidade Para produzir um bem ou um serviço, são necessá- rios recursos produtivos, tais como: mão de obra, máquinas, equipamentos, ferramentas, instalações etc. O conjunto de recursos produtivos propor- cionará uma capacidade produtiva. Geralmente, quanto mais recursos, maior é essa capacidade, que representa o quanto uma unidade produtiva é capaz de produzir; mas quanto de capacidade uma empresa deve ter? Esta é a questão central que será respondida nesta unidade. Vamos iniciar explicando como medir a capacidade produtiva. Caro(a) aluno(a), pense na seguinte situação: você possui um hotel na sua cidade e, na próxima semana, haverá um grande evento internacional de executivos de várias empresas. A organização do evento lhe consulta sobre a sua disponibilidade para acomodar todos os participantes. Como você irá verificar sua disponibilidade? Você precisa co- nhecer a capacidade produtiva de seu hotel. 77UNIDADE 3 Segundo Slack et al. (1997, p. 346), a capacidade pode ser definida como sendo “ “o máximo nível de atividade de valor adi- cionado em determinado período de tempo, que o processo pode realizar sob condições normais de operação”. Preste atenção nesta definição! Veja que, quando são realizadas horas extras ou terceirizações para dar conta de picos de demanda, não podemos considerar essa produção como parte da capaci- dade produtiva, isso por que a planta não estará operando em condições normais. Podemos medir a capacidade de duas manei- ras: medir a capacidade dos insumos ou medir a capacidade de volume de produção. O quadro a seguir apresenta alguns exemplos de medidas de capacidade. Quadro 1 - Medidas de capacidade de insumos e volume de produção Operação Medida de capacidade de insumos Medida de capacidade de volume de produção Fábrica de celulares Horas-máquina disponíveis Número de unidades vendidas por mês Creche Número de vagas Crianças educadas por ano Fonte: adaptado de Slack et al. (2009). Para todo tipo de operação, produtora de bem ou de serviço, pode-se definir sua capacidade produ- tiva. Por exemplo, como pode ser representada a capacidade produtiva de um escritório de advoca- cia? Em termos de insumos, podemos representar pelo total de advogados disponíveis; em termos de volume de produção, podemos representar pelo número de processos atendidos no mês. Pense em outros exemplos! Observe que a unidade de medida de capaci- dade está relacionada ou não ao tempo. Por exem- plo, a unidade “número de unidades vendidas por mês” se refere a uma quantidade no tempo de um mês; já a unidade “número de vagas em uma cre- che” não está relacionada com o tempo. Agora que você já conhece como medir a ca- pacidade produtiva, vamos explorar a seguinte questão: por que precisamos planejar a capaci- dade de um processo produtivo? Objetivos do Planejamento da Capacidade O valor planejado de capacidade de produção vai depender de cinco itens: demanda, capacidade instalada dos equipamentos, disponibilidade de mão de obra, disponibilidade de matéria-prima e disponibilidade de recursos financeiros. A finalidade do planejamento da capacidade é obter os melhores resultados de eficiência e eficá- cia. Queremos ter bons resultados em termos de eficiência para não deixar os recursos da empre- sa ociosos, obtendo, assim, melhor lucratividade e menores custos. Precisamos ter eficácia para atender a demanda de forma satisfatória; dessa forma, é preciso planejar a capacidade para evi- tar basicamente duas situações: recursos ociosos e recursos sobrecarregados, com problemas no atendimento da demanda. Capacidade é diferente de demanda. As unidades usadas para ambas podem ser as mesmas, mas são conceitos diferentes. Por exemplo, pode-se afirmar que uma planta possui capacidade de fabricar 100 unidades/mês e que sua demanda média é de 50 unidades/mês. 78 Planejamento da Capacidade O planejamento da capacidade afeta os objetivos de desempenho da empresa, conforme mostra o Quadro 2. Quadro 2 - Situação dos objetivos de desempenho conforme a situação da capacidade produtiva Objetivo de desempenho O que acontece se há capacidade ociosa O que acontece se há sobrecarga dos recursos Custo O custo aumenta, pois houve um grande investimento nos recursos, mas eles não estão sendo totalmente usados. Pode ocorrer custos com vendas perdidas devido ao não atendimen- to de pedidos; custos com qualidade (defeitos) podem aumentar. Receitas É assegurado o atendimento de todos os pedidos, mantendo a receita. A receita pode diminuir devido às vendas perdidas. Capital de giro A formação de estoques de produtos aca- bados exigirá que a empresa financie o estoque até sua venda. Não há necessidade de financiar os estoques, pois serão consumidos rapidamente. Fonte: adaptado de Slack et al. (2009) Eficiência é a medida que mostra o quão bem uma operação está sendo realizada. Exemplo: uma cozinheira faz uma mesma receita de bolo gastando menos ingredientes do que uma outra cozinheira; pode-se afirmar que a primeira cozinheira é mais eficiente. Eficácia é a medida que mostra o atendimento a um objetivo. Por exemplo, ambas as cozinheiras podem ter sidos eficazes, caso tenham conseguido preparar um bolo. As situações apresentadas pelo Quadro 2 explo- ram dois extremos da situação da capacidade pro- dutiva: de um lado, recursos produtivos ociosos e, do outro, recurso produtivos sobrecarregados. Para termos resultados ótimos em termos de eficiência e eficácia, é preciso ter uma carga de trabalho entre os limites mínimos e máximo da capacidade de produção. No planejamento da ca- pacidade total de uma operação, é preciso buscar o balanceamento das diversas estações de trabalho. Este é o objetivo principal do planejamento da capacidade produtiva. Vejamos, agora, como os valores de capaci- dade produtiva mudam conforme a utilização e eficiência dos recursos produtivos. Tipos de Capacidade Podemos definir três tipos de capacidade que são diferentes devido à utilização e eficiência dos re- cursos produtivos: 1. Capacidade de projeto. 2. Capacidade efetiva. 3. Capacidade operacional. A capacidade de projeto representa a quantida- de máxima que uma máquina ou equipamento pode produzir nas condições em que foi proje- tado. É a capacidade de produção máxima, sem considerar paradas para manutenção, troca de lotes, perdas, programações, falta de material etc. 79UNIDADE 3 Por exemplo, uma perfiladeira (uma máquina que produz perfis metálicos) pode teruma ca- pacidade de projeto de 50 peças/hora. Utilizando a capacidade de projeto, nós conseguimos cal- cular o índice de utilização, ele é calculado pela seguinte expressão: Utilização = quantidade real produzida / quantidade possível de se produzir definida pela capacidade de projeto A capacidade efetiva é menor que a capa- cidade de projeto, isso porque ela é o resultado da capacidade de projeto com os descontos das paradas previstas. No nosso exemplo da per- filadeira, podemos prever que será necessário realizar a parada da máquina para fazer o abas- tecimento de material, troca de lotes e manuten- ções; assim, ela irá produzir menos que 50 peças em uma hora. Utilizando a capacidade efetiva, nós conse- guimos calcular a eficiência, que é calculada pela seguinte expressão: Eficiência = quantidade real produzida / quantidade possível de se produzir definida pela capacidade efetiva Com a informação de eficiência, conseguimos determinar a capacidade operacional. Ela é a capacidade real de uma máquina, equipamento ou processo. No nosso exemplo da perfiladeira, a capacidade efetiva pode ser de 30 peças/hora, de- vido às paradas para manutenção, abastecimento de material e troca de lotes; porém a máquina não irá produzir 30 peças, visto que haverá paradas para investigação de falhas de qualidade, falta de material e falta de pessoal. A produção pode ser baixa, chegando a 15 peças. Nesse caso, apli- cando a equação da eficiência, esta seria de 50% (Eficiência = 15/30 = 0,5 ou 50%). Políticas de Capacidade O planejamento da capacidade de produção ocorre em três etapas: (i) definição da demanda a ser atendida; (ii) levantamento das políticas de produção disponíveis; e (iii) seleção da política de produção a ser implantada. Ainda, vamos apresentar, nos próximos tópicos, duas bases para planejar a capacidade: demanda e ponto de equilíbrio. Nosso foco, aqui, são as políticas de produção. Há, basicamente, três opções: política de capa- cidade constante; política de acompanhamento da demanda; política de atuar sobre a demanda; e políticas mistas. Na política de capacidade constante, não há variação da capacidade ao longo do período, conforme a demanda altera. Um fabricante de garrafas térmicas pode manter sua capacidade ao longo do ano sem fazer demissões e contratações para atender uma demanda variável. Assim, nos períodos de baixa demanda, o fabricante aprovei- ta a capacidade extra para formar estoques e, nos períodos de alta demanda, ele utiliza o estoque acumulado. As vantagens dessa política é que se pode reduzir os custos, manter a mão de obra contratada, evitar demissões, manter a qualidade com a mão de obra fixa, desenvolver uma equipe de trabalho fixa e melhorar o índice de utiliza- ção. De outro lado, há uma maior necessidade de financiar os estoques formados nos períodos de baixa demanda. Na política de acompanhamento da de- manda, procura-se variar a capacidade para responder às variações da demanda. Para alte- rar a capacidade de produção, é preciso alterar as horas-máquina e horas-homem disponíveis. Pode-se fazer: horas extras; contratação e de- missão de pessoal; contratação de pessoal tem- porário; subcontratação; e investimentos em novas instalações. 80 Planejamento da Capacidade Caro(a) aluno(a), horas extras podem aumen- tar a capacidade da planta industrial, porém, a efi- ciência e a qualidade podem decair. A contratação de novos colaboradores irá requerer um período de aprendizagem até que eles consigam produzir na capacidade efetiva. Novos empregados também estão mais su- jeitos a acidentes de trabalho, o que pode oca- sionar paradas e custos. Deve-se considerar que incrementos na capacidade a partir de grandes investimentos tomam um tempo maior até que a capacidade desejada seja atingida. Por outro lado, como vantagens, o acompanhamento da deman- da evita a subutilização de máquinas e mão de obra, reduz o inventário e evita a obsolescência de produtos acabados. Ainda, nessa política, deve-se planejar adequadamente investimentos para que a capacidade esteja disponível no momento em que houver a demanda. Na política de atuar sobre a demanda, a empresa irá desenvolver ações para aumentar a demanda nas épocas em que normalmente os recursos ficam ociosos. Por meio de promoções e campanhas de marketing, o consumo é aumentado nas baixas temporadas. Outra forma de alterar a demanda é aproveitando a capacidade ociosa para produzir outros produtos fora da linha normal da empresa. Por fim, muitas empresas adotam políticas mis- tas de capacidade. É importante saber quais ob- jetivos de desempenho a empresa deseja priorizar, uma vez que ela terá que planejar sua capacidade para atender tais objetivos. Podemos classificar os objetivos de desempenho em três grupos: os qualifi- cadores, os ganhadores de pedidos e os indiferentes. Os qualificadores são aqueles que, quando atingidos, permitem que a empresa compita no mercado desejado. Os ganhadores de pedidos são aqueles que podem ser dispensados para partici- par do mercado, porém, quando atingidos, pro- porcionam um ganho no número de pedidos. Os objetivos indiferentes são aqueles que podem ser dispensados sem prejudicar a atuação da empresa no mercado pretendido e sem diminuir suas ven- das. Por exemplo, se o mercado em que a empresa atua prioriza o custo, ela deve planejar e desenvol- ver sua capacidade visando a redução de custos, criando um sistema de produção em massa. Este seria um objetivo qualificador (é requisito míni- mo ter preço baixo para atuar no mercado). Precisamos definir o melhor tipo de sistema de produção conforme a característica “demanda” em termos de quantidade e variedade. Por exemplo, para a demanda em grande volume e baixa varie- dade, o sistema de produção contínuo/em massa é mais eficaz que os sistemas repetitivos em lotes ou sob encomenda. No planejamento da capacidade, deve-se tomar decisões em algumas áreas relacio- nadas à produção, que garantirão o atendimento aos objetivos de desempenho. O quadro a seguir apresenta algumas dessas áreas. Ao acompanhar a demanda, o setor de PCP pre- cisa tomar algumas ações relacionadas aos re- cursos do sistema produtivo. Por exemplo, caso a demanda diminua, será preciso realizar demis- sões e vendas de equipamentos. Caso a deman- da aumente, será preciso contratar e comprar novos equipamentos. Em algumas situações, um novo equipamento toma um tempo significativo para entrar em operação. Assim, o PCP deverá planejar, com antecedência, muitas vezes, de meses, a aquisição de um novo equipamento. Esta dinâmica de mudança da capacidade pro- dutiva é bem explorada no jogo LSSP PCP. Para baixá-lo, acesse o link http://lssp.deps.ufsc.br// index_arquivos/LSSP_PCP.htm Fonte: adaptado de LSSP ([2019], on-line)1. 81UNIDADE 3 Quadro 3 - Áreas de decisão no planejamento da capacidade Área de decisão Descrição Instalações Localização geográfica, tamanho, mix de produção, grau de especialização, arranjo físico, forma de manutenção. Capacidade de produção Qual o seu nível e como obtê-la e aumentá-la? Tecnologia Qual o grau de automatização, quais equipamentos e qual o sistema de transporte? Integração vertical De todos os componentes dos produtos acabados, quais serão produ- zidos internamente? Recursos humanos Como recrutar, contratar, avaliar, desenvolver, motivar e remunerar a mão de obra? Fonte: adaptado de Tubino (2009). Para planejar a instalação de uma nova operação, o que implicará na instalação de uma capacidade produtiva, será preciso responder a estas e ou- tras perguntas relacionadas. Observe que elas estão relacionadas a diversas áreas e, dentre elas, temos aquelas que dizem respeito aos recursos de uma empresa, como máquinas e mão de obra necessária. Uma decisão muito importante para os recursos é determinar a quantidade necessária conforme os tempos de processamento de cada produto. Para isso, utilizamos uma equação clás- sica. Vejamos a seguir.Equação Clássica para Determinação da Quantidade de Recursos A quantidade necessária de um recurso (seja mão de obra ou equipamentos) para atender uma de- manda dependerá dos seguintes fatores: tempo de processamento do produto no recurso; demanda do produto no recurso; e eficiência do recurso. Por exemplo, considere você como um recurso que preenche formulários e que, em média, gasta 1 minuto para preencher cada formulário. Con- siderando que você trabalha com total afinco e não desperdiça nenhuma parte do seu tempo com paradas, podemos dizer que sua eficiência é de 100%. Nesta situação, caso haja uma demanda de 120 formulários para serem preenchidos em uma hora de trabalho, é fácil chegar à conclusão que seriam necessárias duas pessoas igual a você para dar conta do trabalho (cada uma preencheria 60 formulários dentro de uma hora). Para fazer esse cálculo, utilizamos a seguinte equação. Em que: • M: total de unidades do recurso necessá- rias, sejam máquinas ou pessoas. • T: tempo de processamento de uma uni- dade no recurso. • D: demanda total de unidades a serem pro- cessadas no recurso. • E: eficiência do recurso. A parte que multiplica 60 por 8 significa que, no cálculo, está sendo considerada uma jornada de trabalho de 8 horas por dia. Caso a jornada seja outra, é preciso fazer um ajuste. Vamos entender a aplicação da equação com um exemplo. 82 Planejamento da Capacidade A Indústria Aço Duro (fictícia) produz a fa- mília de pinos “Alfa”. Para realizar a produção, o material é processado em três operações e em três máquinas distintas. Deseja-se calcular a quanti- dade necessária de máquinas para atender uma demanda prevista de 3800 unidades/dia. O turno de trabalho é de 8 horas por dia; a eficiência das máquinas é de 90% e os tempos de processamento são dados pelo quadro a seguir. Quadro 4 - Dados de tempo de processamento em cada recurso Operação Máquina Duração (min) O1 M1 0,50 O2 M2 1 O3 M3 0,20 Fonte: o autor. Aplicando a equação para cada máquina, temos os seguintes resultados. Máquina 1: Máquina 2: Máquina 3: Como existe quantidade de máquinas apenas em números inteiros, é preciso arredondar cada resul- tado para o próximo número inteiro. Assim, serão necessárias cinco unidades da máquina 1; nove uni- dades da máquina 2; e duas unidades da máquina 3. Além de calcular a quantidade de recursos, outra atividade relacionada ao planejamento da capacidade é fazer a sua localização geográfica. Localização da Capacidade A localização de uma planta industrial vai de- pender de uma série de fatores, tais como preço do terreno, custo do metro quadrado para cons- trução, disponibilidade de mão de obra para tra- balhar na nova planta, incentivos locais, proxi- midade com fornecedores, proximidade com o mercado consumidor etc. Assim, pode surgir a seguinte questão: de posse de diversas alternativas para localizar uma planta industrial, qual esco- lher? Para responder, podemos utilizar algumas técnicas que tentam quantificar o desempenho de cada alternativa. Vejamos a técnica de localização denominada pontuação ponderada. Ela é aplicada em 5 passos: • 1º passo: listar localizações candidatas. • 2º passo: encontrar critérios. • 3º passo: definir peso para cada critério. • 4º passo: avaliar o desempenho de cada localização em cada critério. • 5º passo: identificar localização com maior pontuação (considerar nota e peso do cri- tério). Vamos ver sua aplicação com um exemplo. A empresa Papel a Limpo Internacional (fic- tícia) deseja instalar uma nova planta industrial no Brasil. Foram identificadas três localizações viáveis para a instalação da nova planta: • Localização A. • Localização B. • Localização C. Agora, deseja-se escolher a melhor localização com base no desempenho em quatro critérios: 83UNIDADE 3 • (M) Custo da mão de obra local. • (P) Proximidade de portos. • (I) Incentivo do governo local com o terreno. • (MP) Proximidade com a matéria-prima principal. Cada critério possui uma importância em pontos que varia de 1 a 4, conforme segue: • (M) Custo da mão de obra local - 3 • (P) Proximidade de portos - 2 • (I) Incentivo do governo local com o terreno - 1 • (MP) Proximidade com a matéria-prima principal - 4 Cada localização possui um desempenho nos quatro critérios que é quantificado por pontos que variam de 0 a 100. O Quadro 5 mostra o desempenho de cada localização conforme o critério. Quadro 5 - Desempenho de cada localização nos critérios de seleção Critério Localização A - Pontuação Localização B - Pontuação Localização C - Pontuação (M) 50 70 40 (P) 90 40 60 (I) 20 50 40 (MP) 40 80 40 Fonte: o autor. De posse destes dados, multiplicamos o valor de peso de cada critério pela respectiva nota naquele critério, para cada localização. O Quadro 6 apresenta os resultados: Quadro 6 - Pontuação de cada localização ponderada pelo seu peso Critério Peso Nota e nota multiplicada pelo peso – Localização A Nota e nota multiplicada pelo peso – Localização B Nota e nota multiplicada pelo peso – Localização C (M) 3 50 150 70 210 40 120 (P) 2 90 180 40 80 60 120 (I) 1 20 20 50 50 40 40 (MP) 4 40 160 80 320 40 160 TOTAL 510 660 440 Fonte: o autor. Observe que foram ponderadas as pontuações de cada localização pelo peso de cada critério; assim, por exemplo, temos o critério (M) com peso de 3. A localização “A” tinha pontuação de 50 pontos nesse critério. Fazendo a ponderação, temos 3 x 50 = 150, esta é a pontuação final da localização “A” neste critério. Por fim, somamos a pontuação final de cada critério para cada localização, chegando à pontuação total. Concluímos que a localização “B” possui a maior pontuação total, com 660 pontos; esta seria, então, a localização escolhida, depois dela, temos a localização “A” e, em seguida, a “C”. 84 Planejamento da Capacidade Umas das maneiras de se determinar o quanto de cada recurso será necessário em um sistema produ- tivo, sejam máquinas, equipamentos, postos de tra- balho, horas-homem, horas-máquina, dentre ou- tros, é utilizar como base as previsões de demanda (já estudada em uma unidade anterior). Tomando a previsão de demanda como base do planejamento, devemos percorrer os seguintes passos: 1. Realizar a previsão de demanda: obter os valores previstos da demanda para os próximos períodos. Pode-se utilizar uma previsão que cubra bimestres, semestres ou anos. O valor da previsão é baseado nas técnicas quantitativas e qualitativas, conforme estudamos. 2. Assumir que a previsão de demanda será igual à capacidade operacional ne- cessária e converter a demanda para tempo de processamento. Estudamos, no tópico anterior, que a capacidade ope- Planejamento da Capacidade com Base em Previsões de Demanda 85UNIDADE 3 racional é a capacidade real de um recurso, ou seja, é o quanto uma máquina/pessoa/ posto de trabalho consegue produzir em certo período de tempo, considerando as paradas para manutenção, inspeção de qualidade, troca de ferramentas, falta de material etc. Neste passo, vamos calcular a necessidade de capacidade operacional, em tempo (geralmente em minutos), as- sumindo que o total de capacidade será igual ao valor da demanda. 3. Estimar ou calcular a utilização (U) e eficiência (E) de cada recurso. É preci- so determinar o valor destes índices, seja com base em dados históricos da empresa ou em estimativas de outras empresas do setor. 4. Calcular a capacidade projetada. Para tanto, utilizamos a equação: Capacidade projetada = Demanda / (U x E). O valor da demanda é aquele calculado para a demanda em termos de tempo de processamento e não em termos de uni- dades. Vamos entender a aplicação desses quatro passos com um exemplo. Considere o caso de uma rede de lava rápido que quer instalar uma nova unidade. Sua estra- tégia é ter o serviço mais barato da cidade, de tal forma a lavar milhares de veículos no mês. A em- presa investe em propaganda, códigos de desconto e padronização de operações,de tal maneira que processa diversos veículos no dia. Assim, ela ne- cessita calcular o total de funcionários para a sua nova unidade. Seu processo de produção é com- posto pelos seguintes postos de trabalho: lavador externo (LE); lavador interno (LI); e secador e finalizador (SF). Cada posto representa um trabalhador que faz a sua respectiva atividade, ou seja, temos um total de três recursos, e nosso objetivo é planejar a capacidade desta nova unidade de lava rápido e determinar quantas unidades de cada recurso este novo lava rápido terá. Vejamos a aplicação de cada passo. 1º passo - Realizar a previsão de demanda: a rede de lava rápido fez um estudo de demanda e identificou que, no mês, terá uma demanda má- xima de 2.500 veículos. 2º passo - Assumir que a previsão de demanda será igual à capacidade operacional necessária e converter a demanda para tempo de processa- mento. Como a previsão de demanda é de 2.500 veículos/mês, temos que a capacidade operacio- nal necessária será de 2.500 unidades/mês. Para converter esta demanda em termos de quantidade para demanda em termos de tempo de proces- samento, precisamos saber quanto tempo cada veículo gasta para ser processado em cada recurso. A empresa sabe que um veículo nos recursos LE e LI demora 10 minutos para ser processado e um veículo no recurso SF demora 12 minutos. Agora, basta multiplicar a demanda pelo tempo de processamento para encontrar o valor da de- manda convertido em tempo de processamento. Fazendo os cálculos temos: • Recurso LE = 2.500 x 10 = 25.000 minutos. • Recurso LI = 2.500 x 10 = 25.000 minutos. • Recurso SF = 2.500 x 12 = 30.000 minutos. 3º passo - Estimar ou calcular a utilização (U) e eficiência (E) de cada recurso. A rede de lava rápido sabe, por dados históricos, que cada LE consegue lavar 1 carro em 10 minutos em seu posto de trabalho; porém, em cada posto de tra- balho, é necessário tempo para repor materiais, tais como os produtos químicos utilizados na lavagem e também necessita de tempo para se preparar para o trabalho, além de paradas para descanso e atendimento de necessidades fisioló- gicas. Dessa forma, para o posto LE, em 10 mi- 86 Planejamento da Capacidade nutos, considerando essas paradas, seria possível lavar apenas 0,8 carro, ou seja, seria possível lavar parte do veículo. Assim, a utilização deste recurso é igual a 80%. Em relação à eficiência, como será uma nova unidade de lava rápido com trabalha- dores ainda inexperientes, a eficiência é estimada em 60%. Fazendo este mesmo tipo de análise para os demais recursos, temos os seguintes valores de utilização e eficiência: LI: utilização = 80% e eficiência igual a 60%; SF: utilização = 70% e eficiência igual a 60%. 4º passo – Calcular a capacidade projetada. Vamos calcular a capacidade projetada para cada recurso, utilizando a equação apresentada. • Recurso LE: Capacidade projetada = De- manda / (U x E) = 25.000/(0,8 x 0,6) = 52.084 minutos. • Recurso LI: Capacidade projetada = De- manda / (U x E) = 25.000/(0,8 x 0,6) = 52.084 minutos. • Recurso SF: Capacidade projetada = De- manda / (U x E) = 30.000/(0,7 x 0,6) ≈ 71.429 minutos. Agora, vamos interpretar estes valores. Calcula- mos que a capacidade projetada ou capacidade de projeto dos recursos LE e LI deve ser de 52.084 minutos. Um funcionário trabalha durante 8 ho- ras por dia ou 480 minutos por dia e, em média, 21 dias no mês. Assim, um funcionário propor- ciona um total de 21 x 480 = 10.080 minutos/ mês. Para atingir o total de 52.084 minutos no mês necessários para processar os 2.500 veículos, serão necessários 52.084/10.080 ≈ 6 funcionários no posto LE e 6 funcionários no posto LI. No posto SF, para atingir o total de 71.429 minutos no mês necessários para processar os 2.500 veículos, serão necessários 71.429/10.080 ≈ 8 funcionários no posto SF. Portanto, a empresa terá que con- tratar um total de 20 funcionários para a nova unidade de lava jato. 87UNIDADE 3 Lustosa et al. (2008) propõem o planejamento da capacidade de produção com base no ponto de equilíbrio. Imagine a seguinte situação: um empresário deseja abrir um novo negócio em uma certa região; ele terá custos com suas instalações, tais como aluguel, construção, aquisição de equi- pamentos etc., também terá um custo variável conforme o total que ele irá vender. Se seu produto for um bem físico ou um item de consumo, ele terá custo, por exemplo, com a compra de insu- mos para produzir aquele item; se seu produto for um serviço, haverá o custo com mão de obra e insumos para a prestação de serviços. Planejamento da Capacidade com Base na Análise do Ponto de Equilíbrio 88 Planejamento da Capacidade O sucesso do negócio poderá ser medido pelo lucro proporcionado. Este é igual à diferença en- tre a receita obtida com as vendas e os custos e despesas totais. Observe que se o negócio possui mais custos e despesas do que receita, não haverá lucro, mas sim prejuízo; portanto, é interessante, ao planejar a capacidade de produção, considerar os custos totais e o mínimo de vendas que será ne- cessário para que o negócio comece a gerar lucro. Veja que o total de vendas está ligado à capa- cidade produtiva: só se pode vender aquilo que se tem capacidade para produzir. Assim, podemos fazer o planejamento da capacidade baseado no ponto de equilíbrio, que nada mais é que a quan- tidade ou o tempo necessário para que as receitas superem os custos totais. A receita é dada pela multiplicação da quanti- dade vendida de um item pelo seu preço de venda. Em termos matemáticos, temos: R = Qv x P Em que: • R: receita. • Qv: quantidade vendida. • P: preço de venda do item em questão. O custo total é dado pela soma entre o custo fixo e o custo variável. O custo variável é dado pela multiplicação entre a quantidade produzida e ven- dida e o custo unitário variável. Matematicamente, podemos representar estes itens por: CT = CF + CV = CF + (Qv x Cunit) Em que: • CT: custo total. • CF: custo fixo. • CV: custo variável. • Qv: quantidade vendida. • Cunit: custo unitário variável do item. Como vimos, o ponto de equilíbrio é a situação em que o total de receita se iguala ao custo total. Pode- mos escrever esta situação em termos matemáticos e, a partir da equação obtida, encontrar a quantidade de vendas do ponto de equilíbrio. Vejamos como fica: Receita = Custo total R = Qv x P = CT = CF+ (Qv x Cunit) Qv x P = CF+ (Qv x Cunit) (Qv x P) – (Qv x Cunit) = CF Qv (P – Cunit) = CF Qv = CF / (P-Cunit) Perceba que a quantidade necessária de vendas para que a receita se iguale ao custo total dependerá do custo fixo, do preço de venda e do custo unitário. Ve- jamos a aplicação deste conceito com um exemplo. Um empresário deseja abrir uma fábrica de camisetas; foram levantados os custos fixos para iniciar a operação: • Compra de equipamentos: R$ 8.000. • Custo para treinar seus funcionários: R$ 200. • Custo com aluguel: R$ 1.000. O custo variável para produzir uma camiseta é composto pelo custo com a compra do tecido, ho- ra-homem de trabalho para a produção, custo de embalagem, custo com tinta e demais insumos que são utilizados na camiseta. Considerando estes com- ponentes, o custo variável total é igual a R$ 8,70 por camiseta. O preço de venda de cada camiseta é de R$ 25,00. De posse desses dados, podemos calcular a quantidade a ser vendida do ponto de equilíbrio: Qv = CF / (P-Cunit) = 9200 / (25-8,70) = 9200/ 16,30 ≈ 564 unidades. Podemos representar os custos fixo e variável, a receita e a quantidade vendida em um gráfico. Veja a Figura 1 a seguir. 89UNIDADE 3 20000 18000 16000 14000 12000 10000 8000 6000 4000 2000 0 Quantidade Va lo r ( R$ ) 20 40 60 80 10 0 12 0 14 0 16 0 18 0 20 0 22 0 24 0 26 0 28 0 30 0 32 0 34 0 36 0 38 0 40 0 42 0 44 0 46 0 48 0 50 0 52 0 54 0 56 0 58 0 60 0 62 0 64 0 66 0 68 0 70 0 Custo �xo Custo Variável Custo total Receita Figura 1 - Evolução da receita e custototal em função da quantidade vendida Fonte: o autor. Observe, no gráfico, que a linha do custo fixo se mantém em um valor constante à medida que a quantidade vendida aumenta; já a linha do custo variável apresenta valores crescentes, à medida que a quantidade vendida aumenta. Em conse- quência disso, a linha do custo total também é crescente; a linha da receita aumenta, desde zero, à medida que a quantidade vendida aumenta. Observe que a linha da receita cruza a linha do custo total exatamente no ponto de equilíbrio que corresponde à quantidade de 564 unidades. Com base nessa informação, podemos con- cluir que a fábrica de camisetas estampadas deverá ter, no mínimo, uma capacidade de cerca de 570 camisetas/mês. Com base neste dado, pode-se fazer as seguintes análises: o total investido em equipamentos e mão de obra são suficientes para produzir uma quantidade de camisetas acima de 570 unidades? O marketing da empresa será capaz de vender mais de 570 unidades? O almoxarifa- do da empresa terá espaço para armazenar uma quantidade suficiente de matéria-prima e insu- mos para a produção? Essas análises serão úteis para que o empresário tenha sucesso no negócio e evite realizar um investimento sem retorno. Além das técnicas de previsão com base na demanda e no ponto de equilíbrio, o planejamento da capacidade pode ser auxiliado pela teoria apli- cada aos elementos do processo decisório. Veja a pílula de aprendizagem para saber mais. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. Finalizamos, aqui, nosso estudo sobre capacidade produtiva. Agora, você já está apto a descrever me- didas de capacidade de produção, seja em termos de unidades produzidas dentro de um período de tempo, horas-máquina ou horas-homem dis- poníveis, número de profissionais disponíveis, dentre outros. Você também pode estabelecer a necessidade de compra de máquinas e contra- tação de empregados utilizando o planejamento da capacidade com base na demanda. Por meio do planejamento baseado no ponto de equilíbrio, você pode avaliar qual a quantidade que deve ser vendida para que um negócio comece a ter lucro e, consequentemente, poderá planejar a capacidade necessária para se obter o ponto de equilíbrio. 90 1. A capacidade produtiva de um hospital pode ser medida por: I) Número total de leitos. II) Número total de médicos. III) Tempo total disponível de um aparelho de ultrassonografia. IV) Total de horas gastas em treinamentos. É correto o que se afirma em: a) I e II, apenas. b) II e IV, apenas. c) III e IV, apenas. d) I e III, apenas. e) I, II e III. 2. Uma máquina pode produzir até 500 peças por hora, segundo seu fabricante. Sobre ela, é correto afirmar: a) 500 peças por hora é a capacidade efetiva da máquina. b) Para saber a capacidade operacional da máquina, é preciso multiplicar 500 pela utilização da máquina. c) Para saber a capacidade operacional da máquina, é preciso multiplicar 500 pela utilização da máquina e pela eficiência. d) Para saber a capacidade efetiva da máquina, é preciso multiplicar 500 pela eficiência da máquina. e) 500 peças por hora é a capacidade operacional da máquina. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 91 3. Um empresário adquiriu uma máquina de sorvete italiano com capacidade operacional de 100 sorvetes por dia. Foi feito o cálculo do ponto de equilíbrio das vendas de sorvete e obteve-se o valor de 700 unidades. Caso o empresário consiga vender todos os sorvetes que consegue produzir, quantos dias a má- quina precisa trabalhar para pagar todos os custos? a) 4 dias. b) 7 dias. c) 10 dias. d) 12 dias. e) 15 dias. 92 Administração da Produção Autor: Nigel Slack; Alistair Brandon-Jonses; Robert Johnston Editora: Atlas Sinopse: estratégica e conceitual, esta obra chega à sua 8ª edição (alinhada à edição inglesa), com o propósito de oferecer ao leitor um caminho lógico por meio das atividades envolvidas pela administração da produção, sempre levando em conta a importância de se obter vantagem competitiva. A administração da produção é de suma importância, por ser responsável pela criação de todos os produtos e serviços dos quais dependemos hoje. Por isso, o objetivo dos autores, ao escreverem esta obra, é proporcionar um entendimento abrangente tanto dos problemas quanto das técnicas que envolvem a área, ajudando, assim, os leitores a terem não apenas sucesso acadêmico, mas também em sua capacita- ção para entenderem e aplicarem a administração da produção como um todo. Para esta nova edição, os autores incluíram diversos aspectos da sustentabilidade e responsabilidade social corporativa, além de novos casos de “Operações na Prática”. Houve destaque para o relacionamento entre inovação, criatividade e projeto dentro da organização. Temas como crowdsourcing, gestão de ideias, ecossistemas de negócios, layout de escritório, entre tantos outros, também ganharam espaço nesta edição. Livro-texto para a disciplina Administração da Produção dos cursos de Administração e Engenharia da Produção. Em virtude de sua abrangência, é recomendado para as disciplinas de Planejamento e Controle da Produção, Estratégia de Manufatura e Administração de Materiais. Comentário: nesse livro, você encontrará exemplos de planejamento da capa- cidade para bens e serviços. LIVRO 93 O artigo a seguir discute alguns fatores que influenciam a capacidade produtiva. Para acessar, use seu leitor de QR Code. WEB Este outro artigo mostra diversas considerações sobre capacidade produtiva e seu planejamento. Para acessar, use seu leitor de QR Code. WEB https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/1188 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/1189 94 LUSTOSA, L. et al. Planejamento e Controle da Produção. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda., 2008. SLACK, N. et al. Administração da produção. São Paulo: Atlas, 1997. SLACK, N. et al. Administração da produção. São Paulo: Atlas, 2009. TUBINO, D. F. Planejamento e controle da produção: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2009. REFERÊNCIA ON-LINE 1Em: http://lssp.deps.ufsc.br//index_arquivos/LSSP_PCP.htm. Acesso em: 17 jun. 2020. 95 1. E. 2. C. 3. B. Cálculo: 700 unidades /100 unidades/dia = 7 dias. 96 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Mostrar como é feito o planejamento a médio prazo da produção. • Realizar o planejamento agregado da produção. • Realizar o planejamento mestre da produção. Dinâmica do Planejamento a Médio Prazo Planejamento Agregado da Produção Planejamento Mestre da Produção Me. Maílson José da Silva Planejamento Agregado e Planejamento Mestre da Produção Dinâmica do Planejamento a Médio Prazo A produção de bens ou de serviços só é possível se existir capacidade de produção; para tanto, deve- mos fazer um planejamento da capacidade. Vimos isso na unidade anterior, porém, esse planejamen- to não detalha as informações necessárias para que as coisas efetivamente comecem a ocorrer, como: quantidade de matéria-prima a adquirir, itens que serão produzidos, níveis de estoques que serão formados, custos com mão de obra, custos com horas extras, custos com subcontratação etc. Este detalhamento é feito na fase do planejamento a médio prazo, que é o assunto desta unidade. Dinâmica Geral do Planejamento da Produção O planejamento da produção realizado pelo setor de PCP é um processo interativo, ou seja, é ne- cessário a troca constante de dados entre o PCP e outros setores, bem como a obtenção de dados do mercado consumidor. Basicamente, o PCP planeja: 1. O que será produzido. 2. As quantidades que serão produzidas. 3. O local em que haverá a produção. 4. Quais recursos serão utilizados na produção. 5. Quando a produção iniciará e terminará. 99UNIDADE 4 Estes cinco itens não são respondidos pelo PCP em um único momento! O planejamento requer que decisões sejam tomadas e, depois, se necessário, reavaliadas; afinal, as letras “P” e “C” de PCP significamplanejamento e controle. Este serve para fazer os ajustes no planejamento, com a finalidade de alcançar os objetivos inicialmente propostos. As cinco questões acima são respondidas para, basicamente, três horizontes de tempo: longo, médio e curto prazo. A decisão tomada no horizonte de longo prazo irá influenciar na tomada de decisão a médio prazo que, por sua vez, irá influenciar na tomada de decisão a curto prazo. Para você entender melhor, veja a Figura 1, que ilustra alguns dos principais elementos do fluxo de atividades do PCP ao longo do tempo. LONGO PRAZO MÉDIO PRAZO CURTO PRAZO Plano de produção Plano Mestre da Produção (PMP) Programação detalhada da produção Produzir e entregar - Estudo da demanda - Localização da capa- cidade produtiva - Aquisição de recursos - Política de produção Existe capacidade? Sim Não Não Não Sim Sim Existe capacidade? Existe capacidade? Figura 1 - Esquema da dinâmica do planejamento e controle da produção Fonte: o autor. O planejamento de longo prazo é aquele que abrange alguns anos à frente, podendo cobrir de 2 a 5 anos. Nele, as principais questões estão relacionadas à aquisição/construção de novas instalações produtivas (ou a venda de instalações existentes), mudança no mix de produtos, ampliação de espa- ços para armazenagem, mudanças nas políticas de produção, aquisição de novas tecnologias etc. Os 100 Planejamento Agregado e Planejamento Mestre da Produção assuntos a longo prazo são mais estratégicos, ou seja, pensa-se muito em como a empresa deverá agir, considerando seu contexto de mercado, para obter sucesso. Os resultados do planejamento a longo prazo serão as entradas do planejamento a médio prazo, também conhecido como planejamento agregado. Neste planejamento, será gerado o plano de pro- dução (PP), que abrange o horizonte de tempo de meses, geralmente de um ano ou de um semestre. Ele é feito para cada mês e define as famílias de produtos, a quantidade de cada família que será produzida ao longo do tempo, os níveis de esto- que, os custos (armazenagem, eventuais vendas perdidas, mão de obra), os níveis de horas extras e subcontratações. Após elaborado o plano de produção, este deve ser analisado sob o ponto de vista da capacidade de produção, ou seja, deve-se analisar se o que se pretende produzir será possível de ser realizado com a capacidade de produção existente, definida no planejamento de longo prazo de capacidade de produção. Caso não seja exequível, deve-se tomar uma das duas medidas: refazer o plano de pro- dução ou refazer o planejamento de longo prazo. Depois da aprovação do plano de produção, segue-se para o planejamento tático da produção, em que é gerado o Plano Mestre da Produção (PMP). Este plano irá desagregar a demanda de cada família, planejada no PP, e irá definir as quan- tidades de cada item que serão produzidas em cada período de tempo (inferior ao período de tempo usado no PP). Este período, geralmente, é a semana. O PMP definirá as quantidades a serem pro- duzidas, com base na previsão de demanda, nos pedidos em carteira e nos níveis de estoque. Após elaborado, o PMP passa por uma nova análise de capacidade de produção. Esta análise verificará, com mais exatidão, se os recursos disponíveis são suficientes para atender ao planejamento. Esta aná- lise é chamada de Rough Cut Capacity Planning (RCCP), ou Planejamento da Capacidade Bruta. A análise verifica o carregamento de cada re- curso. Caso o carregamento não ultrapasse o li- mite de capacidade de cada recurso, então o PMP é considerado aprovado e segue para a outra fase de planejamento. Caso a capacidade existente não seja suficiente, o PMP deverá ser refeito ou, até mesmo, o PP deverá ser reelaborado. Caso o planejamento de longo prazo tenha sido adequadamente feito, espera-se que existirá ca- pacidade suficiente de produção. Isso significa que os planejamentos de médio e curto prazo não terão problemas com capacidade de produ- ção; porém, na prática, diversas variáveis podem se alterar e de forma rápida. Por exemplo, alte- rações na demanda são muito comuns, assim, reforçamos a necessidade de replanejamento nas atividades do PCP. Com o PMP aprovado, parte-se para o planeja- mento de curto prazo. Este gera a programação da produção que, por sua vez, detalha a produção de cada item: o que será produzido, hora inicial e hora final de produção, sequência na fila de produção em um recurso etc. Novamente, existe uma verificação de capacidade. Neste caso, a ve- rificação é mais exata, pois considerará o tempo total para processamento de cada lote em cada recurso e também o tempo gasto com troca de ferramentas (setup). Caso a programação não seja exequível, possivelmente será preciso reprogra- mar alguns pedidos ou reelaborar o PMP. Agora que você já conhece a dinâmica do pla- nejamento da produção, vamos detalhar os dois planejamentos que vimos: agregado e mestre. 101UNIDADE 4 O Planejamento Agregado é feito por meio do Plano de Produção (PP). Este nada mais é que um arquivo contendo os seguintes dados (outros dados também podem estar presentes, conforme necessidade): item a ser produzido; períodos de abrangência; previsão de demanda; quantidade a ser produzida; mão de obra necessária; níveis de es- toque; custo com estoque; custo com mão de obra; quantidade produzida utilizando horas extras; e quantidade produzida utilizando subcontratações. Este arquivo pode ser elaborado utilizando-se dois tipos de métodos: métodos de planilha e métodos avançados. Antes de explicar e exemplificar a ela- boração do PP, gostaríamos que você entendesse como pode utilizar o referido plano. Imagine a seguinte situação: a fábrica em que você trabalha possui uma excelente capacidade de produção e uma linha de produtos bem variável. Os funcionários do setor de Marketing desejam promover a venda dos produtos de forma a gerar a maior receita possível à empresa. Vendedores desejam bater suas metas de venda a cada mês e querem que os pedidos de seus clientes sejam atendidos sem atrasos. Os empregados do setor Financeiro desejam que a empresa tenha dinheiro Planejamento Agregado da Produção 102 Planejamento Agregado e Planejamento Mestre da Produção em caixa para honrar com seus compromissos e que o nível de empréstimos seja o menor possível, e querem que os investimentos tenham boas taxas de retorno. Funcionários do setor de Compras querem realizar compras com custos mais bai- xos, o que implica em fazer parcerias com forne- cedores mediante uma previsão de compras. Os gerentes de produção e líderes buscam sempre a melhor eficiência, fazendo bom uso das máquinas e pessoal disponível para o trabalho. Estes são apenas alguns dos setores/das áreas presentes em um sistema de produção. Obser- ve que cada um deles possui objetivos que nem sempre são compatíveis. Por exemplo, se a inten- ção for atender todos os clientes com o mesmo nível de pontualidade, pode ser que haverá ne- cessidade de contratação de funcionários. Esta contratação poderá elevar os custos, caso a mão de obra seja subutilizada. Para atender pedidos com pontualidade, talvez será preciso aumentar os níveis de estoques, tanto de produtos acabados como de matéria-prima. Novamente, temos uma elevação nos custos. Conciliar e comunicar as demandas de cada setor pode ser uma tarefa difícil de ser realizada. Muitas empresas não fazem isso adequadamente, o que gera diversas ineficiências e descontenta- mentos, implicando em um resultado final ruim. Para resolver esse problema, pode-se utilizar o Plano de Produção, que é um documento que fornece as principais informações relacionadas à produção de interesse de vários setores. Com ele, pode-se decidir qual o melhor rumo a tomar na produção, atendendo, da melhor forma, a todos os setores interessados. O PP irá suavizar os impactos de mudanças demandadas por cada setor. Dada a importância do Planejamento Agrega- do e seu Plano de Produção,algo sempre foi uma característica do ser humano. A produção de um bem ou de um serviço se caracteriza pela agregação de valor a itens a princípio sem muita utilidade. Isso acontece, por exemplo, com a madeira e os minérios encontrados na natureza. Eles não são muito úteis em uma residência, mas quando passam por um sistema produtivo, eles ganham valor, pois são transformados em itens que desejamos e precisamos: sofás, guarda-roupas, camas, panelas de alumínio, fogões etc. Os sistemas produ- tivos são fundamentais para nossa existência e conforto. Um sistema produtivo é composto por diversos recursos, como máqui- nas, prédios, trabalhadores, informações, insumos etc. Quando estes recur- sos não são bem gerenciados, o sistema começa a apresentar falhas e custos altos. Esta situação é indesejada, pois todo sistema produtivo é montado, a priori, para gerar lucro àqueles que empreenderam a atividade. A aplicação do Planejamento e Controle da Produção (PCP) contribui para diminuir os custos e evitar as falhas no sistema. O PCP é realizado, em muitas situa- ções, pelo departamento que leva o mesmo nome. Em empresas menores, o departamento de PCP nem sempre está presente, porém suas atividades estão presentes, sejam bem ou mal realizadas. Neste livro, você aprenderá técnicas, métodos e conceitos ligados ao gerenciamento dos sistemas produtivos no que tange à utilização dos re- cursos produtivos. Iremos iniciar o estudo fazendo uma introdução ao PCP, conceituando e classificando os sistemas produtivos. Iremos apresentar a importância do PCP no contexto estratégico de uma organização e apre- sentaremos os conceitos de Operações Enxuta, que visam à eliminação de desperdícios nos sistemas. Em seguida, na segunda unidade, explicaremos o que é um modelo de previsão de demanda e apresentaremos algumas técnicas de previsão. Prever a demanda é algo fundamental para o planejamento, pois planejar significa preparar os recursos para algo que vai acontecer no futuro. A previsão de demanda irá guiar o planejamento dos recursos. Após apresentar os conceitos de previsão de demanda, iremos explicar o planejamento da capacidade de produção. Planejar a capacidade significa preparar o sistema produtivo para produzir conforme a demanda prevista. A capacidade de produção é dada pelo número de recursos no sistema, sejam máquinas, pessoas ou instalações. O Planejamento pode ser dividido em três níveis: longo prazo, médio e curto prazo. O planejamento da capacidade está ligado ao longo pra- zo. Para o longo a médio prazo, realizamos o planejamento agregado e o planejamento mestre. Estes serão explicados na Unidade 4. Explicaremos como montar um Plano de Produção e um Plano Mestre de Produção. Estes planos irão guiar a produção dos itens, fornecendo algumas informações que serão detalhadas posteriormente na programação da produção. Além dos planos de produção, estudaremos os conceitos de gestão de estoques. Inicialmente, apresentaremos a técnica de Planejamento das Necessidades de Materiais, conhecida pela sigla MRP. Além desta, vamos explicar as técnicas de reposição contínua e reposição periódica. Explicare- mos, também, outros conceitos, como classificação de estoques, acuracidade de estoques e indicadores de desempenho na gestão de estoques. Na Unidade 8, vamos apresentar os conceitos de programação detalhada da produção. Esta utiliza como dados de entrada os dados do Plano Mestre de Produção. A programação detalhada é feita conforme a classificação do sistema produtivo, sendo possível de ser realizada por meio da programação da produção em série, programação da produção em lotes e programação da produção em projetos. Na última unidade, iremos detalhar duas abordagens para a melhoria dos sistemas produtivos: o sistema Kanban e a Teoria das Restrições. Es- tas duas abordagens fecham nosso estudo para que você possa entender como gerenciar um sistema produtivo do ponto de vista do planejamento e controle da produção. CURRÍCULO DOS PROFESSORES Me. Maílson José da Silva Possui Mestrado em Engenharia Urbana pela Universidade Estadual de Maringá, especializa- ção em Engenharia de Segurança do Trabalho e graduação em Engenharia de Produção pela Universidade Estadual de Maringá (2010). Atualmente é engenheiro de segurança do trabalho e elaborador de provas de concursos públicos. Tem experiência na área de Engenharia de Produção e Segurança do Trabalho. Currículo Lattes disponível em: http://lattes.cnpq.br/2624890823247854 Introdução ao Planejamento e Controle da Produção 13 Previsão de Demanda 39 Planejamento da Capacidade 75 Planejamento Agregado e Planejamento Mestre da Produção Planejamento das Necessidades de Materiais 97 135 Conceitos Gerais da Gestão de Estoques 163 Modelos para a Gestão de Estoques Programação Detalhada da Produção 213 Sistema Kanban e Teoria das Restrições 243 189 27 Postos de trabalho 142 MRP e matérias-primas 247 Sistema Kanban Utilize o aplicativo Unicesumar Experience para visualizar a Realidade Aumentada. PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Me. Maílson José da Silva • Apresentar a classificação dos sistemas de produção. • Descrever o papel do PCP na estratégia da empresa e os níveis de planejamento. • Dar uma visão geral das operações enxutas e compará-las com os sistemas de produção convencionais. Introdução ao Planejamento e Controle da Produção (PCP) PCP no Contexto Estratégico e os Níveis Hierárquicos de Planejamento Operações Enxutas e Just-in-Time Introdução ao Planejamento e Controle da Produção Introdução ao Planejamento e Controle da Produção (PCP) Olá, caro(a) estudante! Iniciamos, aqui, o estu- do do que denomino de arte e ciência chamada de Planejamento e Controle da Produção (PCP). Para planejar e controlar a produção, é preciso utilizar metodologias que se provaram eficientes ao longo dos anos. Esta é a parte científica do PCP, porém, há também a parte que considero uma “arte”. Constantemente, pessoas que trabalham nos chamados setores de PCP ou PPCP (Plane- jamento, Programação e Controle da Produção) necessitam ter criatividade, resiliência, habilidade de inovar e constante reflexão sobre o que se passa em um sistema produtivo. Iniciamos, na Unidade 1, o conteúdo básico sobre o PCP. Vamos explicar porque todas as em- presas produtoras de bens e serviços precisam de um PCP, introduzindo, para isso, o conceito de sistemas de produção. Vamos mostrar como o PCP contribui para que organizações atinjam seus objetivos. Por fim, trataremos de temas con- siderados “atualizados” sobre o PCP e que estão voltados para a simplicidade. Iniciemos falando o significado básico do PCP. 15UNIDADE 1 O que é Planejamento e Controle da Produ- ção (PCP) para você? Vamos ao significado do verbo planejar. O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa ([2019], on-line)1 apresenta-nos os seguintes significados: fazer um plano, definir antecipadamente um conjunto de ações ou in- tenções ou ter algo como intenção. Entenda que o projeto em questão é qualquer situação que será analisada e estudada com a finalidade de melhorias, resolução de problemas, minimiza- ção de perdas, padronização, desenvolvimento e inovação etc., normalmente relacionada com a função de trabalho de uma empresa. Acerca disso, lembre-se, caro(a) aluno(a), que o planeja- mento gera um plano, em que serão registrados as principais atividades, ações, problemas e ob- jetivos. Todo plano pode ser alterado a qualquer momento, devido aos diversos fatores internos e externos que o cercam, ou seja, não é possível garantir que todo o planejamento seja executado conforme se espera. Agora, analisaremos o verbo controlar, que significa examinar, inspecionar, fiscalizar, exercer o controle de algo, ter sob o seu domínio, ter sob a sua vigilância (PRIBERAM, [2019], on-line)2. De forma geral, é definido que as empresas rea- lizam processos de transformação, ou seja, ad- quiremdaremos um exemplo para explicar como elaborá-lo. Elaboração do Plano de Produção Nosso exemplo é de uma fábrica que produz nove produtos diferentes, no sistema Make-to-Stock (MTS). O setor de PCP precisa apresentar, em uma reunião, a necessidade de mão de obra e os custos relacionados à produção para o próximo semestre, começando em janeiro. Como isso pode ser feito? Por meio do Plano de Produção. Assim, seguindo a metodologia de elaboração do PP, os nove produtos foram agregados em três famílias diferentes, denominadas famílias A, B e C. Após o atentado de 11 de setembro, o planejamento da Walmart percebeu que a demanda por bandei- ras dos Estados Unidos estava aumentando, isso fez com que a empresa estabelecesse contratos de fornecimento com fabricantes de bandeiras, de tal forma a atender satisfatoriamente a nova demanda. Passado algum tempo, o planejamento da Walmart identificou que a demanda por bandeiras estava começando a diminuir; era hora de finalizar os contratos de fornecimento. Seus concorrentes não identificaram isso e, então, compraram as bandeiras dos antigos fornecedores da Walmart, o que fez com que fossem formados altos estoques de produtos que não foram vendidos. A Walmart conseguiu esse resultado graças ao Plano de Vendas e Operações – também conhecido como Plano de Produção. Fonte: adaptado de Implement Consulting Group (2013, on-line)1. 103UNIDADE 4 Essa agregação levou em conta a similaridade de processamento dos nove produtos. Além disso, trabalhar com a previsão de demanda de forma individual pode gerar mais erros que trabalhar com a previsão de demanda de forma conjunta, para cada família. Assim, as previsões de demanda foram agregadas e obteve-se a previsão de demanda para as três famílias, conforme mostra o Quadro 1. Quadro 1 - Previsão de demanda para as três famílias de produtos Família “A” Jan Fev Mar Abr Mai Jun 15.000 17.000 19.000 20.000 20.000 15.000 Família “B” Jan Fev Mar Abr Mai Jun 10.000 10.000 12.000 13.000 13.000 14.000 Família “C” Jan Fev Mar Abr Mai Jun 30.000 30.000 30.000 35.000 35.000 35.000 Fonte: o autor. Neste exemplo, vamos elaborar o PP de apenas uma das famílias, que será a família “A”. O mesmo proce- dimento pode ser repetido para as demais famílias. Para fazer o Plano de Produção, é preciso deter- minar a produtividade média de cada trabalhador, ou seja, quantas unidades cada trabalhador conse- gue produzir por mês; a partir dessa informação, pode-se calcular a quantidade de trabalhadores necessários. Compara-se esse valor com a quan- tidade de trabalhadores atualmente contratados e é verificada a necessidade de contratação ou, até mesmo, de demissão, conforme a estratégia a seguir (veremos quais são as estratégias possíveis). Calcula-se, então, os custos de contratação e demissão de mão de obra; também, deve-se deter- minar, no PP, quantas unidades serão produzidas e determinar, conforme a estratégia, os níveis de es- toque de produto acabado. Com essa informação, calcula-se os custos de armazenagem e custo de falta do item. Todos os dados que são necessários para a elaboração do PP são apresentados a seguir: • Produção: 50 unid/dia/trabalhador. • Número de trabalhadores no início: 20. • Estoque no início: 5.000 unid. • Custo de contratação: R$ 1.500/trabalhador. • Custo com demissão: R$ 3.000/trabalhador. • Custo com salários e benefícios: R$ 150/ trabalhador/dia. • Custo com hora extra: R$ 6/unid. • Custo de armazenagem: R$ 5/unidade/mês. • Custo de subcontratação: R$ 7/unid. • Custo de falta: R$ 20/unid/mês. Os dados de produção e custo podem ser obti- dos por meio de dados históricos do desempenho da empresa. Estes dados são aproximações dos valores exatos, pois estamos trabalhando com o planejamento agregado, que considera a família de produto como unidade de planejamento. A elaboração do PP é feita em um arquivo modelo apresentado pelo Quadro 2. 104 Planejamento Agregado e Planejamento Mestre da Produção Quadro 2 - Modelo do arquivo de Plano de Produção Família: Períodos de planejamento Períodos Jan Fev Mar Abr Mai Jun Total Dias de trabalho/período Unidades/trabalhador/mês Demanda Trabalhadores necessários Trabalhadores disponíveis Trabalhadores contratados Custo de contratação Trabalhadores demitidos Custo de demissão Trabalhadores utilizados Custo da mão de obra Unidades produzidas Estoque final Custo de armazenagem Custo de falta Custo total Fonte: adaptado de Fernandes e Godinho Filho (2016, p. 51). Observe que o modelo de PP está adaptado para a quantidade de seis períodos de planejamento, que pode ser diminuída ou aumentada, conforme necessidade. Vamos, agora, apresentar o preenchimento do PP para cada tipo de estratégia de produção. Utili- zaremos os dados de entrada do PP apresentados e também a previsão de demanda apresentada no Quadro 1. A elaboração do PP será feita por meio de planilhas. É importante que você tenha conhecimentos básicos no uso de planilhas para entender os cálculos. Cada cálculo pode ser visualizado pelas fórmulas das planilhas. Disponibilizamos, no link a seguir, as planilhas utilizadas na elaboração do PP para cada estratégia. https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmj- VX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing. https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing https://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharinghttps://docs.google.com/spreadsheets/d/1WgHrE2RDakGxbmZVTii4tCmjVX7aYPZXN8bVSihGnFM/edit?usp=sharing 105UNIDADE 4 Estratégia 1: PP elaborado para acompanhar a demanda O princípio desta estratégia é o de produzir apenas o que vai ser demandado. Para tanto, deve-se fazer contratações, demissões, utilização de horas extras e subcontratar conforme necessidade. Ao final de cada mês, a ideia é deixar o estoque zerado, porém, sem permitir falta de itens para atender a demanda. Neste exemplo, vamos tomar a seguinte decisão: apenas contratar e demitir, quando necessário, até obter o número suficiente de trabalhadores para atender a demanda do mês. Veja o PP obtido no Quadro 3. Quadro 3 - PP baseado na contratação e demissão de funcionários para atender a demanda do período sem formação de estoques Família: A Períodos de planejamento Períodos Jan Fev Mar Abr Mai Jun Total Dias de traba- lho/período 20 19 22 22 21 20 124 Unidades/ trabalhador/ mês 1.000 950 1.100 1.100 1.050 1.000 6.200 Demanda 15.000 17.000 19.000 20.000 20.000 15.000 106.000 Trabalhadores necessários 10 18 18 19 20 15 100 Trabalhadores disponíveis 20 10 18 18 19 20 105 Trabalhado- res contrata- dos 0 8 0 1 1 0 10 Custo de contratação R$ 0,00 R$ 12.000,00 R$ 0,00 R$ 1.500,00 R$ 1.500,00 R$ 0,00 R$ 15.000,00 Trabalhado- res demitidos 10 0 0 0 0 5 15 Custo de demissão R$ 30.000,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 15.000,00 R$ 45.000,00 Trabalhado- res utilizados 10 18 18 19 20 15 100 Custo da mão de obra R$ 30.000,00 R$ 51.300,00 R$ 59.400,00 R$ 62.700,00 R$ 63.000,00 R$ 45.000,00 R$ 311.400,00 Unidades produzidas 10.000 17.000 19.000 20.000 20.000 15.000 101.000 Estoque final 0 0 0 0 0 0 0 Custo de armazenagem R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Custo de falta R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Custo total R$ 60.000,00 R$ 63.300,00 R$ 59.400,00 R$ 64.200,00 R$ 64.500,00 R$ 60.000,00 R$ 371.400,00 Fonte: o autor. 106 Planejamento Agregado e Planejamento Mestre da Produção Vamos explicar o cálculo feito para os dois primei- ros meses, acompanhe a explicação utilizando o Quadro 3. No mês de janeiro, existem 20 dias úteis de trabalho; como a produtividade de cada tra- balhador é de 50 unidades/dia, é totalizado 1.000 unidades/trabalhador/mês (50*20=1000). A de- manda do mês é de 15.000 unidades, porém, con- forme informado, existem em estoque 5.000 uni- dades e, portanto, a necessidade de produção do mês é de 10.000 unidades (15.000-5.000=10.000). Para atender essa demanda, serão necessários 10 trabalhadores (10.000/1.000=10). No começo do planejamento, conforme informado, existem 20 trabalhadores, portanto, é preciso demitir 10 com um custo total de R$ 30.0000 (10x3.000=30.000). Serão utilizados 10 trabalhadores para produ- zir as 10.000 unidades demandadas, o que re- sulta em custo de R$ 30.000 com mão de obra (10x150x20=30.000). Como tudo que será produ- zido vai ser consumido pela demanda, o custo com armazenagem será sempre igual a zero. Somando os custos de contratação (0), demissão (30.000), mão de obra (30.000), armazenagem (0) e faltas (0), o custo total no mês de janeiro será de R$ 60.000. Para o mês seguinte, fevereiro, existem 19 dias de trabalho. Como a produtividade de cada trabalha- dor é de 50 unidades/dia, é totalizado 950 unidades/ trabalhador/mês (50*19=950). A demanda do mês é de 17.000 unidades. Para atender essa demanda, serão necessários 18 trabalhadores (17.000/950=18, arredondando para o próximo número inteiro). No começo de fevereiro, existem 10 traba- lhadores, pois o período anterior finaliza com esse número. Portanto, é preciso contratar 8 tra- balhadores com um custo total de R$ 12.0000. (8x1500=12000). Serão utilizados 18 trabalhadores para produzir as 17.000 unidades necessárias, o que resulta em custo de R$ 51.300 com mão de obra (18x150x19=51300). Como tudo que será produ- zido vai ser consumido pela demanda, o custo com armazenagem será sempre igual a zero. Somando os custos de contratação (12.000), demissão (0), mão de obra (51300), armazenagem (0) e faltas (0), o custo total no mês de fevereiro será de R$ 63.300. Esta lógica é seguida para os demais períodos, resultando em um custo total, para o primeiro semestre, de R$ 371.400. Este PP pode ser apresen- tado em reunião com representantes de diferentes setores, para verificar se ele é vantajoso. Observe que a prática de contratar e demitir funcionários constantemente pode ser prejudicial, tendo em vista que isso desmotiva e amedronta os traba- lhadores, dentre outros prejuízos. Outras formas de elaborar o PP utilizando a es- tratégia apresentada são possíveis, desde que mantenha o princípio de acompanhar a demanda sem a formação de estoques. Poderia, por exem- plo, ser elaborado um PP sem fazer demissões e, quando necessário, subcontratando a produção ou realizando horas extras nos períodos de au- mento de demanda. Estratégia 2: PP elaborado para manter força de trabalho constante O princípio desta estratégia é o de calcular a melhor quantidade de mão de obra para atender à deman- da do período e manter esta quantidade durante todo o período de planejamento; para tanto, de- ve-se fazer contratações ou demissões, apenas no início. Ao final de cada mês, a ideia é deixar estoque para atender os períodos de alta demanda e, caso ocorram, permitir faltas, ou seja, não entregar tudo o que for demandado. Para calcular a quantidade de trabalhadores necessárias para atender à demanda, como sugestão, pode-se utilizar a seguinte equação: 107UNIDADE 4 Nº de trabalhadores = Somatório da demanda no período / Somatório da produção por trabalhador em todos os meses de planejamento. Para o nosso exemplo, o somatório da demanda é igual a 106.000 e o somatório da produção por trabalhador entre os meses de janeiro e junho é igual a 6.200. Portanto, temos: Nº de trabalhadores = 106.000/6.200≈ 18 trabalhadores. Com base nessa quantidade de trabalhadores fixos, vamos determinar o PP. Veja o resultado obtido no Quadro 4. Observe que a quantidade produzida em cada mês não foi, necessariamente, igual à capacidade máxima de produção de cada mês. Em alguns meses, foram produzidas menos quantidades do que a capacidade máxima, para evitar a formação de grandes estoques. Quadro 4 - PP baseado na manutenção da mão de obra constante permitindo faltas Família: A Períodos de planejamento Períodos Jan Fev Mar Abr Mai Jun Total Dias de trabalho/ período 20 19 22 22 21 20 124 Unidades/ trabalhador/ mês 1.000 950 1.100 1.100 1.050 1.000 6.200 Demanda 15.000 17.000 19.000 20.000 20.000 15.000 106.000 Trabalhadores necessários 18 18 18 18 18 18 108 Trabalhadores disponíveis 20 18 18 18 18 18 110 Trabalhadores contratados 0 0 0 0 0 0 0 Custo de con- tratação R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Trabalhadores demitidos 2 0 0 0 0 0 2 Custo de demissão R$ 6.000,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 6.000,00 Trabalhadores utilizados 18 18 18 18 18 18 108 Custo da mão de obra R$ 54.000,00 R$ 51.300,00 R$ 59.400,00 R$ 59.400,00 R$ 56.700,00 R$ 54.000,00 R$ 334.800,00 Unidades produzidas 10.000 17.500 19.800 19.800 18.900 18.000 104.000 108 Planejamento Agregado e Planejamento Mestre da Produção Família: A Períodos de planejamento Períodos Jan Fev Mar Abr Mai Jun Total Estoque final 0 500 1.300 1.100 0 3.000 5.900 Custo de armazenagem R$ 0,00 R$ 2.500,00 R$ 6.500,00 R$ 5.500,00 R$ 0,00 R$ 15.000,00 R$ 29.500,00 Custo de falta R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Custo total R$ 60.000,00 R$ 53.800,00 R$ 65.900,00 R$ 64.900,00 R$ 56.700,00 R$ 69.000,00 R$ 370.300,00 Fonte: o autor. No mês de janeiro, existem 20 dias úteis de tra- balho. Como a produtividade de cada traba- lhador é de 50 unidades/dia, é totalizado 1.000 unidades/trabalhador/mês (50*20=1000). A demanda do mês é de 15.000unidades. Cal- culamos, anteriormente, que serão necessários 18 trabalhadores durante todo o período de planejamento. No começo do planejamento, conforme informado, existem 20 trabalhadores, portanto, é preciso demitir dois com um custo total de R$ 6.000. (2x3000=6000). Estes 18 trabalhadores teriam capacidade de produzir 18.000 unidades (18x1.000=18.000), porém, como a demanda é de 15.000 e inicia- -se o mês com um estoque de 5.000, optamos por produzir apenas a quantidade necessá- ria para atender à demanda do mês, ou seja, 10.000 unidades. Estes trabalhadores represen- tam um custo de R$ 54.000 com mão de obra (18x150x20=54.000). O estoque final do mês de janeiro será igual à quantidade produzida (10.000), mais a quantidade inicial em estoque (5.000), menos o consumo da demanda (15.000), resultando em 0 unidades. Este estoque terá um custo igual a 0. Somando os custos de contrata- ção (0), demissão (6.000), mão de obra (54.000), armazenagem (0) e faltas (0), o custo total no mês de janeiro será de R$ 60.000. Esta lógica é seguida para os demais perío- dos, resultando em um custo total, para o pri- meiro semestre, de R$ 370.300. Observe que esta estratégia formou estoques nos meses de fevereiro e março, que foram sendo consumidos nos meses de abril e junho. Outras formas de elaborar o PP utilizando a es- tratégia apresentada são possíveis, desde que se mantenha o princípio de manter a quantidade de mão de obra constante. Poderia, por exem- plo, utilizar 15 trabalhadores no lugar de 18. O planejador deve determinar em que meses se- rão formados estoques e em que meses serão aceitas faltas. Estratégia 3: PP elaborado para utilizar horas extras O princípio desta estratégia é o de manter a me- nor quantidade de trabalhadores constante ao longo do período de planejamento. Nos meses em que a demanda for maior que a capacidade de produção, realiza-se horas extras. No item anterior, trabalhamos com um número de 18 trabalhadores. Vamos reduzir, aqui, para 16. Veja o resultado obtido no Quadro 5. 109UNIDADE 4 Quadro 5 - PP baseado na manutenção da mão de obra constante utilizando horas extras Família: A Períodos de planejamento Períodos Jan Fev Mar Abr Mai Jun Total Dias de traba- lho/período 20 19 22 22 21 20 124 Unidades/ trabalhador/ mês 1.000 950 1.100 1.100 1.050 1.000 6.200 Demanda 15.000 17.000 19.000 20.000 20.000 15.000 106.000 Trabalhadores necessários 16 16 16 16 16 16 96 Trabalhadores disponíveis 20 16 16 16 16 16 100 Trabalhadores contratados 0 0 0 0 0 0 0 Custo de contratação R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Trabalhadores demitidos 4 0 0 0 0 0 4 Custo de demissão R$ 12.000,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 12.000,00 Trabalhadores utilizados 16 16 16 16 16 16 96 Custo da mão de obra R$ 48.000,00 R$ 45.600,00 R$ 52.800,00 R$ 52.800,00 R$ 50.400,00 R$ 48.000,00 R$ 297.600,00 Unidades produzidas 16.000 15.200 17.600 17.600 16.800 16.000 99.200 Unidades produzidas com horas extras 0 0 0 0 2.800 0 2.800 Custo de horas extras R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 16.800,00 R$ 0,00 R$ 16.800,00 Estoque final 6.000 4.200 2.800 400 0 1.000 14.400 Custo de armazenagem R$ 30.000,00 R$ 21.000,00 R$ 14.000,00 R$ 2.000,00 R$ 0,00 R$ 5.000,00 R$ 72.000,00 Custo de falta R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 56.000,00 R$ 0,00 R$ 56.000,00 Custo total R$ 90.000,00 R$ 66.600,00 R$ 66.800,00 R$ 54.800,00 R$ 123.200,00 R$ 53.000,00 R$ 454.400,00 Fonte: o autor. 110 Planejamento Agregado e Planejamento Mestre da Produção Observe que surgiram duas novas linhas referentes à quantidade de unidades produzidas em horas extras e o seu custo. A produção de itens utilizando horas extras é feita no mês de maio. Até este mês, o estoque formado no mês de janeiro é consumido aos poucos. Observe que, em todos os meses, a produção foi igual à capacidade de cada mês. Nessa estratégia, o custo total, para o primeiro semestre, foi de R$ 454.400,00. Outras formas de elaborar o PP utilizando a estratégia apresentada são possíveis, desde que se mantenha o princípio de manter a quantidade de mão de obra constante, de preferência a menor quantidade, e utilizar horas extras para cobrir a demanda em meses em que a capacidade com mão de obra em horas normais não cobriria a demanda. Estratégia 4: PP elaborado para utilizar subcontratação O princípio desta estratégia é o de manter a menor quantidade de trabalhadores constante ao longo do período de planejamento. Nos meses em que a demanda for maior que a capacidade de produção, realiza-se a terceirização ou subcontratação da produção. Para esta estratégia, vamos utilizar 16 tra- balhadores. Veja o resultado obtido no Quadro 6. Quadro 6 - PP baseado na manutenção da mão de obra constante utilizando subcontratação Família: A Períodos de planejamento Períodos Jan Fev Mar Abr Mai Jun Total Dias de traba- lho/período 20 19 22 22 21 20 124 Unidades/ trabalhador/ mês 1.000 950 1.100 1.100 1.050 1.000 6.200 Demanda 15.000 17.000 19.000 20.000 20.000 15.000 106.000 Trabalhadores necessários 16 16 16 16 16 16 96 Trabalhadores disponíveis 20 16 16 16 16 16 100 Trabalhadores contratados 0 0 0 0 0 0 0 Custo de contratação R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Trabalhadores demitidos 4 0 0 0 0 0 4 Custo de demissão R$ 12.000,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 12.000,00 111UNIDADE 4 Família: A Períodos de planejamento Períodos Jan Fev Mar Abr Mai Jun Total Trabalhadores utilizados 16 16 16 16 16 16 96 Custo da mão de obra R$ 48.000,00 R$ 45.600,00 R$ 52.800,00 R$ 52.800,00 R$ 50.400,00 R$ 48.000,00 R$ 297.600,00 Unidades produzidas 16.000 15.200 17.600 17.600 16.800 16.000 99.200 Unidades sub- contratadas 0 0 0 0 2.800 0 2.800 Custo da sub- contratação R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 19.600,00 R$ 0,00 R$ 19.600,00 Estoque final 6.000 4.200 2.800 400 0 1000 14.400 Custo de armazenagem R$ 30.000,00 R$ 21.000,00 R$ 14.000,00 R$ 2.000,00 R$ 0,00 R$ 5.000,00 R$ 72.000,00 Custo de falta R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 56.000,00 R$ 0,00 R$ 56.000,00 Custo total R$ 90.000,00 R$ 66.600,00 R$ 66.800,00 R$ 54.800,00 R$ 126.000,00 R$ 53.000,00 R$ 457.200,00 Fonte: o autor. Outras formas de elaborar o PP utilizando a es- tratégia apresentada são possíveis, desde que se mantenha a quantidade de mão de obra cons- tante, de preferência a menor quantidade, e uti- lizar subcontratação para cobrir a demanda em meses em que a capacidade com mão de obra em horas normais não der conta. Observe que surgiram duas novas linhas refe- rentes à quantidade de unidades produzidas na subcontratação e o seu custo. A produção de itens utilizando terceiros é feita no mês de maio. Até esse mês, o estoque formado no mês de janeiro é consumido aos poucos. Observe que, em todos os meses, a produção foi igual à capacidade de cada mês. Veja que o custo dessa estratégia (R$ 457.200) é maior que o custo da anterior (R$ 454.400), pois o custo com a subcontratação é maior que o custo com horas extras. É preciso avaliar, portanto, a permissão para se realizar horas extras e dar preferência a elas. Em último caso, utiliza-se a subcontratação. A tercei- rização da produção pode abrir caminho para que concorrentes atuem no mercado da empresa. As- sim, em muitos casos, o que se utiliza é um quinto tipo de estratégia que é a estratégia mista. Veja, na pílula de aprendizagem a seguir, um exemplo de PP utilizando a estratégia mista. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 112 Planejamento Agregado e Planejamento Mestre da Produção Análise da Capacidade Produtiva Vimos, nos itens anteriores, que existem diversas estratégias de produção. É bem provável que a melhor estratégia é aquela com o menor custo total, porém, uma vez aprovado o PP, é preciso analisar se existirácapacidade produtiva para atendê-lo. Esta análise de ca- pacidade é feita para os recursos e é conhecida por RRP (Resource Requirements Planning). Vamos fazê-la utilizando o método de fatores globais de utilização de recursos (FGUR) (FERNAN- DES; GODINHO FILHO, 2016). Considerando os dados do exemplo apresentado no subtópico anterior, sobre estratégias de produção, apresentamos, no Quadro 7, o plano de produção para as três famílias de produtos “A”, “B” e “C”. Quadro 7 - Plano agregado de produção para as famílias A, B e C Família Jan Fev Mar Abr Mai Jun Produção Família “A” 10.000 17.500 19.800 19.800 18.900 18.000 Produção Família “B” 15.000 15.000 11.000 15.000 13.000 13.000 Produção Família “C” 40.000 35.000 35.000 30.000 30.000 30.000 Fonte: o autor. Como informado, cada família é composta por três produtos di- ferentes. Para serem processados, estes produtos passam por três centros de trabalho (que representa um conjunto de equipamentos que terão sua capacidade avaliada), denominados X, Y e Z. Estes serão tratados como recursos. O regime de trabalho é de 16 horas, com dois turnos, totalizando 320 horas no mês. Sabe-se, por dados históricos, que a eficiência é de 85%, resultando em 272 horas de trabalho efetivas por unidade de cada recurso (0,85x320=272). No nosso exemplo, vamos considerar que existem 150 unidades de cada recurso, ou seja, temos um tempo total disponível por recurso de 40.800 horas por mês. Cada FGUR é calculado por família para cada recurso, ou seja, teremos nove fatores para as três famílias e três recursos. Para cal- culá-lo, precisamos: • Do tempo de processamento de cada item de cada família. • Do peso de cada item em sua respectiva família, no que diz respeito à sua demanda. 113UNIDADE 4 O tempo de processamento pode ser obtido por meio da cronoanálise; o peso de cada item em relação à sua demanda é obtido pelos dados históricos de demanda. O Quadro 8 apresenta o peso de cada item para cada família. Quadro 8 - Peso de cada item em sua respectiva família, em relação ao percentual de participação na demanda total Família/Item Item 1 Item 2 Item 3 “A” 20% 40% 40% “B” 15% 30% 55% “C” 25% 40% 35% Fonte: o autor. Podemos verificar, por exemplo, que o item 2 da família “A” possui uma demanda que representa 40% do total da demanda da família “A”. Com estes dados, podemos calcular o FGUR para cada família de cada recurso. O cálculo é feito multiplicando-se o tempo de processamento de cada item pelo seu peso e somando-se os resultados para cada recurso. Veja o resumo dos cálculos no Quadro 9. Quadro 9 - Cálculo dos fatores globais de utilização de recursos para as famílias “A”, “B” e “C”. Cálculo para os itens I, II e III da família “A” Item I (h) Item II (h) Item III (h) Volume I (%) Volume II (%) Volume III (%) Fator Centro X 0,30 0,40 0,52 20 40 40 0,43 Centro Y 0,37 0,20 0,38 20 40 40 0,31 Centro Z 0,8 0,69 0,63 20 40 40 0,69 Cálculo para os itens I, II e III da família “B” Item I (h) Item II (h) Item III (h) Volume I (%) Volume II (%) Volume III (%) Fator Centro X 0,41 0,56 0,39 15 30 55 0,44 Centro Y 0,58 0,48 0,41 15 30 55 0,46 Centro Z 0,42 0,31 0,53 15 30 55 0,45 Cálculo para os itens I, II e III da família “C” Item I (h) Item II (h) Item III (h) Volume I (%) Volume II (%) Volume III (%) Fator Centro X 0,39 0,36 0,31 25 40 35 0,35 Centro Y 0,79 0,79 0,88 25 40 35 0,82 Centro Z 0,41 0,38 0,39 25 40 35 0,39 Fonte: o autor. Vamos detalhar o cálculo que foi feito para o fator da família A no recurso X: FGURrecurso X = (0,3x0,2)+(0,4x0,4)+(0,52x0,4) ≃ 0,43. 114 Planejamento Agregado e Planejamento Mestre da Produção Agora, com o FGUR de cada família para cada recurso, podemos calcular o número de horas ne- cessárias em cada recurso ou centro de trabalho. Basta multiplicar os valores do plano agregado de cada família pelo FGUR de cada recurso. Veja os resultados no Quadro 10. Quadro 10 - Cálculo do número de horas necessárias em cada centro de trabalho Centro de trabalho Jan Fev Mar Abr Mai Jun Horas necessárias X 24.900 26.375 25.604 25.614 24.347 23.960 Y 42.800 41.025 39.898 37.638 36.439 36.160 Z 29.250 32.475 32.262 32.112 30.591 29.970 Fonte: o autor. Vamos detalhar o cálculo das horas necessárias no centro de trabalho X para o mês de janeiro. Ele é dado pelo somatório do produto entre o plano de produção de cada família pelo seu FGUR. Temos, portanto: Horas necessárias = (10.000x0,43)+(15.000*0,44)+(40.000x0,35)=24.900 horas. Agora, temos dados suficientes para calcular a utilização de cada recurso. Sabemos que existem 40.800 horas de trabalho disponíveis em cada um deles; basta dividir o total de horas necessárias em cada mês por 40.800 para encontrar a utilização. O Quadro 11 apresenta os resultados. Quadro 11 - Cálculo da utilização em cada centro de trabalho Centro de trabalho Jan Fev Mar Abr Mai Jun Horas necessárias X 61,03% 64,64% 62,75% 62,78% 59,67% 58,73% Y 104,90% 100,55% 97,79% 92,25% 89,31% 88,63% Z 71,69% 79,60% 79,07% 78,71% 74,98% 73,46% Fonte: o autor. Podemos verificar que a utilização para o recurso X não apresenta sobrecarga em nenhum mês de planejamento; já para o recurso Y, há sobrecarga nos meses de janeiro e fevereiro. A partir dessa análise, pode-se tomar algumas decisões, como terceirizar a produção nos meses de janeiro e fevereiro, aceitar faltas ou aumentar o número de turnos. Caso a sobrecarga fosse no final do período de planejamento, poder-se-ia pensar em adquirir mais equipamentos, aumentando a quan- tidade de horas disponíveis no recurso Y. Enfim, diversas medidas poderiam ser tomadas. Por isso, é importante fazer esta análise de capacidade para seguir adiante com o planejamento da próxima etapa, que é o planejamento mestre da produção. Conforme ilustramos no começo da unidade, a dinâmica do planejamento é a de fazer um plano e avaliar a capacidade produtiva para atendê- -lo. Caso necessário, faz-se um replanejamento. Você precisa se acostumar com esta dinâmica dentro do PCP. 115UNIDADE 4 O planejamento mestre da produção é a continua- ção do planejamento agregado. O arquivo gerado nessa fase de planejamento é o Plano Mestre de Produção (PMP). Você pode encontrar este plano sendo tratado como MPS (Master Production Scheduling). O PMP possui um horizonte menor que o PP. Pode-se trabalhar, por exemplo, com o planejamento de até três meses. Caso se estenda, o PMP pode ficar sem validade, pois várias alte- rações na demanda e no fornecimento podem ocorrer, tornando inútil o PMP nos períodos mais à frente. A nossa unidade de tempo no PP é, ge- ralmente, o mês, e a unidade de tempo no PMP é a semana (outras unidades podem ser usadas, conforme necessidade). Apresentamos, no Qua- dro 12, um exemplo de arquivo do PMP. Planejamento Mestre da Produção 116 Planejamento Agregado e Planejamento Mestre da Produção Quadro 12 - Exemplo de arquivo do Plano Mestre de Produção Item: Períodos 0 1 2 3 4 5 6 Previsão de demanda independente Pedidos em carteira Demanda Estoque final sem PMP Estoque atual/projetado com PMP Disponível para promessa (ATP) PMP Liberação PMP Fonte: o autor. Observe que este arquivo é feito para cada item que vai ser produzido, isto é, trabalha-se com a demanda desagregada e não mais agregada por família. Veja que o arquivo apresenta o plane- jamento para seis unidades de tempo, no caso, seis semanas adiante. Temos uma linha corres- pondente à previsão de demanda independente, que é aquela que vem do processo de previsão de demanda. Contudo, aqui, trabalha-se com a de- manda desagregada por item, também temos uma linha correspondente aos pedidos em carteira, ou seja, o quanto do item já foi pedido pelos clientes para entrega em cada semana. A seguir, temos a linha da demanda. Esta será igual ao maior valor entre previsão e pedidos em carteira, também temos duas linhas referentes ao estoque: uma considera a posição do estoque sem a produção planejadano PMP e a outra considera a produção do PMP. Outra linha é a de disponível para promessa “ATP” (abreviatura para Available to Promise, ou Disponível Para Promessa). Esta é a quantidade que pode ser prometida para entrega aos clientes. As duas últimas linhas se referem à produ- ção do PMP, ou seja, quanto será produzido no PMP e quando se deve fazer a liberação da pro- dução, considerando o lead time ou tempo de entrega do item. Por exemplo, caso se planeje 200 unidades para o período 3 e o lead time do item é de uma semana, deve-se liberar o PMP no período 2. Lote econômico de produção é o lote que mi- nimiza os custos com preparação de máquinas e armazenagem. Isso por que, ao se produzir lotes em grandes tamanhos, aumenta-se o cus- to com a armazenagem, porém, o custo com a preparação de máquina é menor (faz-se me- nos preparações de máquina). Por outro lado, produzir pequenos lotes diminui o custo com a armazenagem e, em contrapartida, aumenta o custo com a preparação de máquinas. As- sim, o lote econômico é dimensionado de tal maneira que a soma dos dois custos citados é minimizada. Veremos, em outra unidade, como calcular este lote. 117UNIDADE 4 A quantidade a ser produzida no PMP vai depender da política de lotes da empresa. Algumas tra- balham com a política de lote peça por peça, ou seja, produz-se exatamente a quantidade necessária; outras utilizam a política de lote mínimo, por exemplo, se o lote mínimo de produção é de 40 peças e existe demanda para 20 peças, a quantidade do PMP vai ser de 40. Existem, ainda, as políticas de lote múltiplo, em que se trabalha com valores fixos de lote e produz-se múltiplos desse valor, e a política de lote econômico, em que se calcula o tamanho do lote que minimiza os custos. Além do tipo de lote adotado, o estoque de segurança é outro parâmetro que afeta o planejamento mestre da produção. Este estoque é uma quantidade produzida que não é necessária no momento do planejamento, serve para cobrir eventuais erros de previsão de demanda, alterações repentinas na demanda, atrasos de fornecedores, dentre outras situações. Outro conceito importante relacionado ao planejamento mestre é o time fence ou período de congelamento do planejamento. Este período é aquele em que alterações não são aceitas. Por exemplo, digamos que o time fence do planejamento de uma fábrica de bicicletas seja de duas semanas, isso significa que as ordens de produção emitidas via o PMP dentro das próximas duas semanas não po- dem ser alteradas. Quanto maior for esse período de congelamento, podemos afirmar que mais estável será o PMP. Por outro lado, se esse período é curto, há menor estabilidade, porém maior flexibilidade. O PMP pode ser elaborado basicamente de três maneiras diferentes: desagregação do plano agre- gado; nivelamento da produção; e produção conforme carteira de pedidos. Vamos ver exemplos para cada uma delas. PMP Elaborado Via Congelamento do Plano Desagregado Essa maneira de elaborar o PMP utiliza os dados do PP para programar a produção semanal. Vol- tando ao Quadro 7, que mostra o plano de produção para três famílias de produtos, vemos que o plano de produção da família “A” para o mês de janeiro é de 10.000 unidades, para a família “B” é de 15.000 unidades e para a família “C” é de 40.000 unidades. Sabemos que cada família é composta por três itens diferentes. 118 Planejamento Agregado e Planejamento Mestre da Produção Vamos fazer o PMP do item 1 da família A. O lote de produção deste item possui um lead time de uma semana de produção. A política da empresa é produzir este item em lote econômico de 600 unidades. A empresa deseja manter um estoque de segurança de 250 unidades para cobrir eventuais mudanças na demanda. Sabemos, ainda, que o item 1 tem um peso de 20% sobre a demanda total da família A (2.000 unidades). O estoque inicial do item 1 da família A é de 1.000 unidades. O quadro a seguir mostra o PMP elaborado. Quadro 13 - PMP para o item 1 da família A elaborado via plano de produção desagregado Item: 1 da família “A” Períodos 0 1 2 3 4 5 Previsão de demanda independente 0 1.000 1.000 0 0 Pedidos em carteira 0 500 100 0 0 Demanda 0 1.000 1.000 0 0 Estoque final sem PMP 750 -250 -650 550 550 Estoque atual/projetado com PMP 1000 1.000 600 800 800 800 Disponível para promessa (ATP) 1.000 100 1.100 PMP 0 600 1.200 0 0 Liberação PMP 0 600 1.200 0 0 0 Fonte: o autor. No PMP elaborado, a demanda total de 2.000 unidades mensais foi prevista para ser atendida nas semanas 2 e 3. Nestas semanas, há pedidos em carteira, nas quantidades de 500 e 100 unidades, respec- tivamente. O valor da demanda considerada é o maior valor entre a previsão e os pedidos em carteira. Observe como foi feito o cálculo do estoque final sem o PMP para as duas primeiras semanas: • Semana 1: 1.000 (estoque inicial) – 250 (estoque de segurança) = 750. • Semana 2: 1.000 (estoque inicial) – 1.000 (demanda) - 250 (estoque de segurança) = -250. Nas semanas em que este estoque for negativo, há a necessidade de produção via PMP. Esta quantidade aparece na linha “PMP”. Observamos que, na semana 2, há o recebimento de um PMP de 600 unidades (que é o tamanho do lote de produção) e na semana 3 um PMP de 1.200 unidades. Estes valores foram calculados da seguinte maneira: • Necessidade de PMP da semana 2: o estoque final da semana 2 sem o PMP é de -250 unidades, ou seja, há uma falta de 250 unidades para suprir todas as necessidades de demanda e estoque de segurança. Assim, deve-se produzir, no mínimo, um lote de produção que tem tamanho de 600 unidades. • Necessidade de PMP da semana 3: o estoque final da semana 3 sem o PMP é de -650 unidades, ou seja, há uma falta de 650 unidades para suprir todas as necessidades de demanda e estoque de segurança. Assim, deve-se produzir, no mínimo, dois lotes de produção que tem tamanho de 600 unidades, totalizando um PMP de 1.200 unidades. 119UNIDADE 4 Após calcular o PMP, pode-se calcular o estoque projetado com o PMP. Acompanhe o cálculo das semanas 1 a 5: • Semana 1: 1.000 (estoque inicial da semana 1) + 0 (quantidade do PMP da semana 1) - 0 (demanda da semana 1) = 1.000 unidades. • Semana 2: 1.000 (estoque inicial da semana 2) + 600 (quantidade do PMP da semana 2) – 1.000 (demanda da semana 2) = 600 unidades. • Semana 3: 600 (estoque inicial da semana 3) + 1.200 (quantidade do PMP da semana 3) – 1.000 (demanda da semana 3) = 800 unidades. • Semana 4: 800 (estoque inicial da semana 4) + 0 (quantidade do PMP da semana 4) - 0 (demanda da semana 4) = 800 unidades. • Semana 5: 800 (estoque inicial da semana 5) + 0 (quantidade do PMP da semana 5) - 0 (demanda da semana 5) = 800 unidades. Veja que a linha “PMP” representa a quantidade a ser recebida de produção no período. Como a produção dos lotes tem um lead time de uma semana, a liberação do PMP ocorre com uma se- mana de antecedência. Por exemplo, o PMP de 600 unidades da semana 2 deve ser liberado na semana 1. Observe que se houvesse necessidade de um PMP na semana 1, o mesmo já deveria ter sido liberado no momento do planejamento do PMP, na semana 0. Por isso existem períodos no PMP que devem ser congelados, pois alterações na programação se tornam impossíveis devido o tempo necessário para a produção dos lotes. A última linha que vamos explicar é a do ATP. Como informado, o ATP é a quantidade que pode ser prometida para entrega ao cliente em cada pe- ríodo. Para saber qual é essa quantidade, deve-se considerar apenas a produção (PMP) e a demanda dada pelos pedidos já feitos em carteira. Acom- panhe o cálculo do ATP para as semanas de 1 a 3: • Semana 1: 1.000 (estoque inicial) - 0 (pe- didos em carteira na semana 1) = 1.000 unidades. Como não há PMP na semana 1, considerou-se que a única certeza de itens disponíveis seriam as 1.000 unidades de estoque inicial. Caso algum cliente queira fazer um pedido para entrega na semana 1, pode-se prometer a ele um total de até 1.000 unidades disponíveispara entrega. • Semana 2: 600 (PMP) - 500 (pedidos em carteira na semana 2) = 100 unidades. Como há PMP na semana 2, sabe-se que haverá 600 unidades produzidas; haverá, também, com certeza, um consumo de 500 unidades em decorrência de pedidos já fei- tos. Caso algum cliente queira fazer um pedido para entrega na semana 2, pode-se prometer a ele um total de até 100 unidades disponíveis para entrega. • Semana 3: 1.200 (PMP) - 100 (pedidos em carteira na semana 3) = 1.100 unidades. Como há PMP na semana 3, sabe-se que haverá 1.200 unidades produzidas, have- rá, também, com certeza, um consumo de 100 unidades em decorrência de pedidos já feitos. Caso algum cliente queira fazer um pedido para entrega na semana 3, po- de-se prometer a ele um total de até 1.100 unidades disponíveis para entrega. Agora, vamos ver como ficaria o PMP conside- rando o nivelamento da produção. PMP Elaborado para Nivelar a Produção Nesse modo de elaboração do plano mestre de produção, os cálculos de cada linha do arquivo do PMP são basicamente os mesmos. O que muda é a forma de calcular o PMP de cada semana, que 120 Planejamento Agregado e Planejamento Mestre da Produção deve ser nivelado para cada semana. Este modo de se elaborar o PMP é aplicável preferencialmente para o caso em que o lote de produção é dimensionado de acordo com a necessidade e não de acordo com um valor múltiplo. Para calcular a quantidade constante a ser produzida em cada período, utili- za-se a seguinte fórmula: XT = (demanda acumulada até a semana T + estoque de segurança desejável - estoque inicial)/ T Este valor de XT é calculado para cada semana e, então, utiliza-se o maior valor calculado para determinar o tamanho do PMP. Considere os seguintes dados de demanda apresentados no Quadro 14. Para o cálculo, foi considerado um estoque de segurança igual a 100 unidades e estoque inicial igual a 200 unidades. Quadro 14 - Cálculo de XT Período 1 2 3 4 5 Demanda acumulada até o período 200 320 400 440 500 XT 100 110 100 85 80 Fonte: o autor. Observa-se que o maior valor é o da semana 2 de 110 unidades. Assim, este valor é o adotado no PMP. O Quadro 15 mostra os resultados obtidos. Quadro 15 - PMP elaborado para nivelar a produção Item Períodos 0 1 2 3 4 5 Previsão de demanda independente 100 120 50 40 60 Pedidos em carteira 200 0 80 0 0 Demanda 200 120 80 40 60 Estoque final sem PMP -100 -110 -80 -10 40 Estoque atual/projetado com PMP 200 110 100 130 200 250 Disponível para promessa (ATP) 110 110 30 110 110 PMP 110 110 110 110 110 Liberação PMP 110 110 110 110 110 0 Fonte: o autor. Observe que em todas as semanas haverá uma produção de 110 unidades. Os cálculos de estoque final sem PMP, estoque atual/projetado com PMP e ATP seguiram a mesma lógica do exemplo anterior. 121UNIDADE 4 PMP Elaborado com Base na Carteira de Pedidos Nesta forma de elaboração de PMP, considera-se como demanda apenas o total de pedidos em carteira. Esta forma é muito comum nos sistemas ETO, RTO, MTO e ATO, pois, nesses sistemas, a produção é feita com base na demanda dos clientes e utiliza-se pouco as previsões. Por exemplo, considere o caso de um fabricante de painéis metálicos que utiliza como base o item “Estrutura metálica” para a construção dos painéis de todos os seus clientes. Pode-se elaborar um PMP para este item, considerando apenas os pedidos em carteira. Neste caso, a produção é lote a lote com um estoque de segurança de 1 estrutura metálica. O lead time de entrega é de 2 semanas e o estoque inicial é de 1 unidade. Os resultados do PMP são apresentados no Quadro 16. Quadro 16 - PMP elaborado considerando apenas a carteira de pedidos Item Períodos 0 1 2 3 4 5 Previsão de demanda independente Pedidos em carteira 0 0 5 4 4 Demanda 0 0 5 4 4 Estoque final sem PMP 0 0 -5 -4 -4 Estoque atual/projetado com PMP 1 1 1 1 1 1 Disponível para promessa (ATP) PMP 0 0 5 4 4 Liberação PMP 0 5 4 4 Fonte: o autor. O cálculo do ATP é feito da seguinte forma: PMP do período menos o total de pedidos em carteira até a semana em que não há PMP. Por exemplo: considere o caso em que, na semana 2, há um PMP de 600 unidades e 500 unidades de pedido. O ATP é igual a 600-500=100 unidades; porém, caso, na semana 3, não houver um PMP programado e existir pedidos em carteira, deve-se acrescentar a quantidade de pedidos em carteira no cálculo. Por exemplo, se na semana 3 o total de pedidos em carteira for de 70 unidades, o cálculo fica igual a 600 (PMP da semana 2) - 500 (pedidos em carteira da semana 2) - 70 (pedidos em carteira da semana 3) = 30 unidades. 122 Planejamento Agregado e Planejamento Mestre da Produção Veja que começam a existir pedidos em carteira na semana 3, que gera a necessidade de um PMP de 5 unidades. Como o lead time é de 2 semanas, a produção inicia-se na semana 1. Durante as sema- nas é mantido um estoque de segurança de 1 unidade. Este estoque pode cobrir eventuais pedidos emergenciais ou falta de matéria-prima, dentre outros problemas que podem surgir. Veja que não foi calculado o ATP, pois tudo que é produzido é para atender à carteira de pedidos. Caso novos pedidos entrem na carteira, é preciso refazer o arquivo de PMP e verificar se é possível atender à nova demanda, considerando que existe um lead time de 2 semanas para a produção. Planejamento da Capacidade de Médio Prazo (RCCP) A partir do PMP elaborado, deve ser feita a verificação de sua exequibilidade em termos de capacidade produtiva. Como o PMP já define a quantidade de cada item, podemos prever, com maior exatidão, a necessidade de capacidade de produção nos recursos críticos ou gargalo. O planejamento da capa- cidade de médio prazo (RCCP) pode ser feito por meio da técnica de perfis de recursos. A partir do lead time produtivo e do tempo de produção unitário do item para cada recurso, determina-se o perfil dos recursos para cada produto. Considere a fabricação de camisetas que passam por três centros de trabalho: corte, costura e aca- bamento. O Quadro 17 mostra o perfil de recursos para os produtos A e B desse sistema produtivo. Quadro 17 - Perfil de recursos para os produtos A e B Perfil de Recursos Produto A Centro de trabalho Tempo de produção unitário (horas) Antecedência (semanas) Corte 0,01 2 Costura 0,05 1 Acabamento 0,03 1 Perfil de Recursos Produto B Centro de trabalho Tempo de produção unitário (horas) Antecedência (semanas) Corte 0,01 2 Costura 0,07 1 Acabamento 0,04 1 Fonte: o autor. Vemos no quadro, por exemplo, que os produtos A e B passam por três centros de trabalho. O produto B consome 0,01 hora no centro Corte; 0,07 hora no centro Costura; e 0,04 hora no centro Acabamento. A produção do item B no Corte deve iniciar com duas semanas de antecedência da semana de entrega; já nos centros de trabalho Costura e Acabamento, a antecedência é de uma semana. 123UNIDADE 4 Para calcular a necessidade de horas em cada cen- tro de trabalho, para cada semana, é preciso saber o PMP de cada produto. O Quadro 18 apresenta esta informação. Quadro 18 - PMP para os produtos A e B Produtos 1 2 3 4 5 6 PMP produto A 800 800 800 800 800 800 PMP produto B 200 150 130 120 100 100 Fonte: o autor. Com estes dados, podemos calcular o número de horas necessárias em cada centro de trabalho. O Quadro 19 mostra os resultados dos cálculos, que serão detalhados em seguida. A elaboração dos perfis dos recursos informan- do o tempo de produção unitário em cada cen- tro de trabalho e a antecedência de produção é fundamental para o cálculo da necessidade de capacidade de produção a médio prazo. A antecedência no perfil representada em sema- nas visa dar o tempo necessário para anteceder a produção de grandes lotes do produto, pois, muitas vezes, o tempo necessário envolve a compra do material, preparo de máquina, reor- ganização do layout, dentre outras atividades que representam mais tempo que o tempo de produção unitário do item. Quadro 19 - Cálculo do número de horas necessárias paraa produção dos produtos A e B Horas necessárias Semanas Centro de trabalho 1 2 3 4 5 6 Corte 9,3 9,2 9 9 0 0 Costura 50,5 49,1 48,4 47 47 0 Acabamento 30 29,2 28,8 28 28 0 Fonte: o autor. O cálculo de horas para cada semana foi feito multiplicando-se o perfil de carga de cada centro de trabalho pela demanda do item, conforme a antecedência e semanas. Por exemplo, a carga de trabalho na semana 1, no centro de trabalho Corte, provém da demanda dos produtos A e B na semana 3, pois tanto o produto A como o produto B possuem uma antecedência de duas semanas. Isto é, para entregar os produtos na semana 3, deve-se iniciar a produção na semana 1. Assim, o cálculo para a semana 1 fica: • Centro de trabalho Corte: (demanda produto A na semana 3 x tempo de produção unitário no Corte do produto A) + (demanda produto B na semana 3 x tempo de produção unitário no Corte do produto B) = (800 x 0,01) + (130 x 0,01) = 9,3 horas. • Centro de trabalho Costura: (demanda produto A na semana 2 x tempo de produção unitário na Costura do produto A) + (demanda produto B na semana 2 x tempo de produção unitário na Costura do produto B) = (800 x 0,05) + (150 x 0,07) = 50,5 horas. • Centro de trabalho Acabamento: (demanda produto A na semana 2 x tempo de produção uni- tário no Acabamento do produto A) + (demanda produto B na semana 2 x tempo de produção unitário no Acabamento do produto B) = (800 x 0,03) + (150 x 0,04) = 30 horas. 124 Planejamento Agregado e Planejamento Mestre da Produção Estes cálculos são repetidos para as demais semanas. Pode-se, ainda, calcular a utilização de cada centro de trabalho para cada semana. Considerando que há um total de 48 horas por semana disponíveis para trabalho em cada centro, basta dividir o total de horas necessárias por 48, em cada semana. O Quadro 20 apresenta os resultados. Quadro 20 - Utilização de capacidade em cada centro de trabalho Horas necessárias Semanas Centro de trabalho 1 2 3 4 5 6 Corte 19,38% 19,17% 18,75% 18,75% 0,00% 0,00% Costura 105,21% 102,29% 100,83% 97,92% 97,92% 0,00% Acabamento 62,50% 60,83% 60,00% 58,33% 58,33% 0,00% Fonte: o autor. Observe que apenas o centro de trabalho Cos- tura ficará sobrecarregado, nas semanas 1, 2 e 3. A partir disso, deve-se tomar algumas medidas. Por exemplo, subcontratar parte da produção nestas semanas ou utilizar horas extras. Caso o planejamento agregado tenha sido bem ela- borado, espera-se que haverá sobrecarga em poucas semanas e a níveis baixos. Isso porque toda a capacidade de produção já foi prevista anteriormente. Finalizamos, aqui, o conteúdo da Unidade 4. Vimos que o planejamento a médio prazo é feito com base em previsões de demanda, planejamento da produção para famílias e, depois, o planejamen- to da produção individual para cada item. A capa- cidade de produção é constantemente reavaliada para verificar se o plano obtido é exequível. Esta dinâmica permite que decisões sejam tomadas antes da ocorrência da produção, permitindo uma melhor resposta diante de eventos inesperados. 125 1. Um fabricante de cadernos e materiais escolares produz e comercializa 100 itens diferentes, dentre eles estão cadernos, fichários, blocos de anotações etc. Considerando a dinâmica do planejamento a médio prazo, analise as assertivas a seguir. I) Deve-se elaborar um plano da produção abrangendo seis meses para cada um dos 100 itens. II) Deve-se utilizar a previsão de demanda de cada item para elaborar o Plano de Produção. III) A capacidade de produção do fabricante deve ser constantemente avaliada, tanto no momento da elaboração do Plano de Produção quanto no momento da elaboração do Plano Mestre de Produção. IV) O Plano Mestre de Produção é elaborado de maneira independente do Plano de Produção. É correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) I, II e III apenas. e) II, III e IV apenas. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 126 2. Preencha os dados faltantes do PP apresentado a seguir. A estratégia de pro- dução adotada foi a de contratar e demitir trabalhadores conforme a demanda, sem formação de estoque no final do período. Os custos são: • Com demissão: R$ 3.000/trabalhador. • Com contratação: R$ 1.500/trabalhador. Família: A Períodos de planejamento Períodos Jan Fev Mar Total Dias de trabalho/ período 20 19 22 61 Unidades/ trabalhador/ mês 1.000 950 1.100 3.050 Demanda 20.000 18.000 15.000 14.000 Trabalhadores necessários 15 Trabalhadores disponíveis 20 Trabalhadores contratados Custo de contratação Trabalhadores demitidos Custo de demissão Trabalhadores utilizados Custo da mão de obra R$ 45.000,00 R$ 54.150,00 R$ 46.200,00 R$ 145.350,00 Unidades produzidas 15.000 18.000 15.000 48.000 Estoque final 0 0 0 0 Custo de armazenagem R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Custo de falta R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Custo total R$ 60.000,00 R$ 60.150,00 R$ 61.200,00 127 3. Preencha os dados faltantes no PMP a seguir. O estoque de segurança é de 20 unidades e o tamanho do lote de produção é de 40 unidades. O lead time de entrega é de 1 semana. Item: 1 da família “A” Períodos 0 1 2 3 4 5 6 Previsão de demanda independente 200 200 100 50 50 50 Pedidos em carteira 180 150 40 10 0 0 Demanda Estoque final sem PMP Estoque atual/projetado com PMP Disponível para promessa (ATP) PMP Liberação PMP 128 Planejamento e Controle da Produção: dos fundamentos ao essencial Autor: Moacir Godinho Filho; Flávio Cesar Faria Fernandes Editora: Atlas Sinopse: esse livro traz um sugestivo nome que os autores justificam assim: a partir dos fundamentos, é construída toda a lógica do Planejamento e Controle da Produção (PCP); já o essencial se refere a todos os conceitos, princípios, es- tratégias e técnicas que fazem toda a diferença ao se colocar o PCP na prática. O Planejamento e Controle da Produção está no coração dos processos produtivos das empresas. De sua adequada concepção e eficiente atuação dependem a produtividade e a competitividade dessas empresas. Entretanto, sua realização na prática não é simples, por envolver inúmeras variáveis e relacionamentos, além de passar por um processo natural de evolução com o advento de novos conceitos e tecnologias, necessitando ser permanentemente atualizado. Com o presente livro, dois conceituados especialistas no assunto dão sua contribuição de estado da arte, oferecendo, aos engenheiros, profissionais de empresas, professores e estudantes interessados na intrincada questão, uma obra extre- mamente abrangente, útil e obrigatória. Comentário: esse livro apresenta conceitos de PCP discutidos e apresentados em diversos artigos científicos. É um bom material para quem quer se aprofun- dar nas técnicas de PCP. Ele aborda o assunto de forma mais científica e possui algumas explicações com um tratamento matemático. LIVRO 129 Assista ao vídeo sobre preenchimento de Plano agregado, tema discutido na unidade. Observe que alguns procedimentos são um pouco diferentes, porém, são válidos para a elaboração deste plano. Para acessar, use seu leitor de QR Code. WEB Outra sugestão é o vídeo sobre Plano mestre da produção, que também explora- mos na unidade. Neste exemplo você também notará que alguns procedimentos são um pouco diferentes, porém, adequados. Para acessar, use seu leitor de QR Code. WEB https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/1190 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/1191 130 FERNANDES, F. C. F.; GODINHO FILHO, M. Planejamento e controle da produção: dos fundamentos ao essencial. São Paulo: Atlas, 2016. REFERÊNCIA ON-LINE 1Em: https://www.youtube.com/watch?v=0j0iDaAdhD4. Acesso em: 17 jun. 2020. https://www.youtube.com/watch?v=0j0iDaAdhD4 131 1. C. 2. Preencha os dados faltantes do PP apresentado a seguir. A estratégia de produção adotada foi a de contratar e demitir trabalhadores conforme a demanda, sem formação de estoque no final do período. Os custos são: • Custo com demissão: R$ 3.000/trabalhador.• Custo com contratação: R$ 1.500/trabalhador. Família: A Períodos de planejamento Períodos Jan Fev Mar Total Dias de trabalho/ período 20 19 22 61 Unidades/trabalhador/ mês 1.000 950 1.100 3.050 Demanda 20.000 18.000 15.000 14.000 Trabalhadores necessários 15 Trabalhadores disponíveis 20 Trabalhadores contratados Custo de contratação Trabalhadores demitidos Custo de demissão Trabalhadores utilizados Custo da mão de obra R$ 45.000,00 R$ 54.150,00 R$ 46.200,00 R$ 145.350,00 Unidades produzidas 15.000 18.000 15.000 48.000 Estoque final 0 0 0 0 Custo de armazenagem R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Custo de falta R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 R$ 0,00 Custo total R$ 60.000,00 R$ 60.150,00 R$ 61.200,00 132 3. Preencha os dados faltantes no PMP a seguir. O estoque de segurança é de 20 unidades e o tamanho do lote de produção é de 40 unidades. O lead time de entrega é de 1 semana. Item: 1 da família “A” Períodos 0 1 2 3 4 5 6 Previsão de demanda independente 200 200 100 50 50 50 Pedidos em carteira 180 150 40 10 0 0 Demanda Estoque final sem PMP Estoque atual/projetado com PMP Disponível para promessa (ATP) PMP Liberação PMP 133 134 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Apresentar os conceitos gerais do Planejamento das Ne- cessidades de Materiais (MRP). • Exemplificar o uso do MRP. • Discutir a exequibilidade do MRP em situações reais. Princípios do MRP Cálculo do MRP Considerações Sobre o MRP Me. Maílson José da Silva Planejamento das Necessidades de Materiais Princípios do MRP Você já parou para pensar em quantos compo- nentes e/ou peças um produto complexo, como um carro ou um avião, possui? É fácil concluir que este tipo de produto possui uma infinidade de itens que precisam estar presentes para que o produto funcione adequadamente. Em outras pa- lavras, podemos dizer que existe uma necessidade de diversos materiais para que o produto seja feito. Para administrar demandas com itens diversos e que, muitas vezes, custam caro, utilizamos uma técnica de planejamento e controle de materiais e estoques denominada MRP (do inglês, Material Requirements Planning ou, em português, Pla- nejamento das Necessidades de Materiais). Esta unidade está dedicada para entendermos os prin- cípios e cálculos utilizados nesta técnica. Vamos lá? Por que Utilizar o MRP? Usamos o Planejamento da Necessidade de Mate- riais para prever a necessidade de materiais para produzir um determinado produto. Por exemplo, um bolo possui diversos materiais em sua consti- tuição: farinha, açúcar, ovos, leite etc. Se um cozi- nheiro deseja saber quanto precisa comprar de cada ingrediente para produzir uma grande quantidade 137UNIDADE 5 de bolos, ele deverá multiplicar a quantidade de bo- los a ser produzida pela quantidade de cada ingre- diente que é usada na fabricação de uma unidade de bolo, concorda? Isso é o que fazemos quase de forma intuitiva. O MRP funciona basicamente do mesmo modo, porém, ele é aplicado para produtos mais complexos e utiliza conceitos mais avançados que são necessários para planejar adequadamente a quantidade a ser comprada/fabricada de cada componente que compõe o produto final. O MRP tomou corpo na década de 70. Joseph Orlicky, engenheiro considerado um grande herói do MRP, desenvolveu um algoritmo para realizar o planejamento das necessidades de materiais. Antes de seu trabalho, muitas empresas usavam métodos estatísticos e pontos de reposição para gerenciar itens em estoque. Estas metodologias tendem a formar grandes quantidades dos itens em estoque (KEMP, 2018, on-line)1. A metodo- logia proposta por Orlicky trouxe um grande incremento nas atividades de gerenciamento de estoques, permitindo o planejamento de materiais de acordo com a demanda final dos itens acaba- dos. Mais tarde, o MRP evoluiu para o MRP II. O MRP é recomendado para gerenciar os itens de classificação A em uma situação em que há uma grande variedade de itens a serem gerenciados. Veremos, na Unidade 6, que esta classe é a dos itens que possuem alto valor econômico em relação aos outros, ou seja, são itens caros, comercializados em baixo ou alto volume, mas que, financeiramente, possuem uma grande representatividade em re- lação aos demais itens. Contudo, pode-se usar o MRP em outras situações, conforme necessidade. Assim, por exemplo, você pode usar o MRP para planejar a quantidade de madeira a ser comprada em uma indústria de móveis que produz centenas de produtos acabados diferentes. Recentemente, o conceito de MRP foi expandido para planejamento dos recursos de manufatura (manufacturing resources planning), com a adoção da sigla MRP II e, mais adiante, para planejamen- to dos recursos da empresa, enterprise resources planning ou ERP. O MRP II trata da manufatura (produção) como um todo e não apenas dos materiais necessários à produção. O MRP II funciona a partir do plano mestre que define os estoques de materiais (envolvendo estoques de componen- tes de dependentes), a lista de materiais, a disponibilidade de mão de obra, a disponibilidade de equipamentos para, então, gerar as necessidades de compras ou as ordens de compras (para itens fornecidos por terceiros) e as ordens de produção (para os itens de fabricação própria). Tudo isso ocorre por meio de um planejamento das prioridades, tendo como base o plano mestre. Fonte: Chiavenato (2008, p. 45). MRP significa Planejamento das Necessidades de Materiais, ou seja, seu objetivo é planejar a necessidade de materiais para fabricar um pro- duto acabado. Ele funciona com base na entrada de dados fornecidos pelo planejador, tais como estoques iniciais, demanda, lead time, estoque de segurança e tamanho do lote. Sem o MRP, a compra/ressuprimento dos itens que compõem o produto final deve ser feito de outra maneira, por exemplo, mantendo-se um estoque mínimo de cada item. Nem sempre isso é vantajoso, pois pode gerar estoques desnecessários. 138 Planejamento das Necessidades de Materiais O MRP trabalha na lógica do planejamento para trás ou, em inglês, backwardscheduling. Mas o que é isso professor? É algo bem simples. Talvez você faça o planejamento para trás frequente- mente. Por exemplo, você já precisou viajar para outro país? Neste caso, digamos que você marque sua viagem para o dia 02/04, porém, para viajar, você precisa estar com seus documentos em dia e precisa ter roupas adequadas para o local, bem como um itinerário da viagem. Se não tiver car- tão de crédito internacional, talvez se interesse em fazer um. Cada uma destas necessidades demanda um tempo. Assim, por exemplo, se para obter toda a documentação necessária for preciso passar por um trâmite de cinco dias, seria prudente você iniciar a entrada dos documentos com, pelo me- nos, cinco dias de antecedência em relação à data 02/04. Para planejar o itinerário, você também vai precisar de tempo, necessitará de uns dois dias para fazer o planejamento, portanto, precisa se programar para que tudo fique pronto para o dia, para que você viaje com tranquilidade; isso nada mais é que o planejamento para trás: é estabele- cida uma data final e, a partir dela, há o “disparo” de diversas outras ações. No MRP, planejamos a data final de entrega de um produto acabado e, a partir dela, é disparada a necessidade de materiais para atender à produção do item final. Assim, se um material que compõe o produto final é entregue pelo fornecedor em cinco dias, será preciso retroceder em cinco dias no tempo, em relação à data de entrega do produto acabado. Entendeu a lógica? O MRP, a princípio, deveria resolver muitos problemas de gestão de materiais; porém, na prá- tica, ele possui, além de vantagens, algumas des- vantagens. Vejamos algumas delas. Vantagens e Desvantagens do MRP Por meio do MRP, supõe-se que existirá um maior controle das operações fabris. Afinal, vamos pla- nejar em detalhes quando iniciará a produção/ reposição tanto do produto acabado como de seus componentes.O MRP é elaborado via sistema computacio- nal, seja ele um ERP ou planilhas eletrônicas. Po- demos utilizar o sistema para simular diferentes planos mestre de produção, verificando sua exe- quibilidade. Em relação aos prazos, o MRP irá determinar quando um item será reposto. Isso pode melho- rar a visibilidade dos prazos, o que facilita dar respostas mais assertivas aos clientes quando eles questionam sobre a entrega de seus pedidos. O MRP irá gerar uma lista de necessidades de materiais em função da demanda de vários produtos acabados. Essa lista pode ser utilizada pelo setor de compras para planejar as compras, obtendo preços melhores e/ou firmando parcerias com os fornecedores. Ainda, o MRP proporciona uma melhor previsibilidade em relação a possíveis falhas na cadeia de suprimento. Isso por que o MRP gerará as necessidades de materiais e, caso seja constatado que os fornecedores (internos ou ex- ternos) não possuem capacidade para entregar os materiais no prazo necessário, o planejador poderá informar os setores interessados sobre os possíveis atrasos. Como o MRP planeja a necessidade de dife- rentes materiais que são fornecidos por diferentes fornecedores, pode-se verificar o desempenho de cada um deles, visando escolher os melhores fornecedores para se fazer parcerias. 139UNIDADE 5 Enfim, se for resumir as vantagens do MRP em poucas palavras, diria que o MRP melhora a previsão das necessidades de materiais, redu- zindo custo com estoque desnecessário e per- mitindo que a empresa conheça melhor como é feito o ressuprimento de materiais em sua planta; porém, também existem desvantagens. Como o MRP necessita de uma diversidade de dados para funcionar, bem como processos estruturados, muitas vezes, na implantação de um sistema MRP, é preciso contratar uma consultoria com experiência na implantação e uso do siste- ma. Isso pode ser considerado uma desvantagem em termos financeiros, além de demandar tempo para que todos os usuários do sistema tenham pleno conhecimento sobre ele. Outra desvantagem está ligada à quantidade de itens que podem ser programados no MRP. O sistema não possui limite! Isto é, se inserirmos no sistema que será necessário produzir 100, 200, 1.000, 10.000 ou 1.000.000 de unidades de um cer- to item acabado, o MRP irá aceitar esta demanda e gerará necessidades a partir dela. Assim, dizemos que a programação é infinita no MRP. Professor, mas qual é a desvantagem disso? Bem, se programamos algo sem considerar os li- mites de capacidade produtiva (lembra-se disso?) podemos “dar um tiro no pé”. O sistema computa- cional irá aceitar as quantidades, porém o sistema real físico da fábrica não irá conseguir atender à demanda, pois possui um limite de capacidade produtiva diário, semanal e mensal. Quando usamos o MRP, precisamos informar o lead time de entrega de cada item. Contudo, este lead time, na prática, pode variar em função do tamanho do lote que será produzido; dessa forma, o lead time informado e que, na realidade, é alterado, pode causar alguns problemas no pla- nejamento. O MRP não entende isso e trabalha com um lead time fixo, desconsiderando algumas situações em que deveria ser aumentado o tempo de entrega total de um lote. Uma grande desvantagem do MRP é que seu perfeito funcionamento depende quase que ex- clusivamente da qualidade dos dados que são in- seridos no sistema. O MRP, como veremos logo a seguir, utiliza os dados da lista de materiais do produto para gerar as demandas por matéria-pri- ma, componentes, semiacabados etc. Se a infor- mação constante na lista de materiais do produto estiver errada, grandes erros de compra ocorrerão, podendo causar enormes prejuízos. Dessa forma, a acuracidade é fundamental para o funciona- mento do sistema. O planejamento feito pelo MRP pode, e deve, ser refeito sempre que necessário. Dependendo da quantidade de alterações, o sistema (e seus usuá- rios) podem ficar “loucos”. Isso mesmo! É muito ruim quando algo é planejado e sofre profundas alterações. Itens que já foram comprados nos for- necedores, já foram programados nas máquinas, precisam, em alguns casos, serem cancelados ou ter suas quantidades aumentadas ou reduzidas, trazendo um grande transtorno na fábrica e em toda a cadeia de suprimento. Chamamos isso de nervosismo do sistema. Por fim, destacamos a necessidade constante de integração para que o MRP funcione adequa- damente. É preciso que tudo que é planejado no sistema seja integrado com o que acontece na fá- brica. Se o MRP gera ordens de fabricação, é pre- ciso que estas sejam repassadas adequadamente ao setor produtivo. Se algo é replanejado, é preciso passar as novas necessidades para a fábrica. Tudo isso pode ser desgastante, e se não for feito ade- quadamente, o sistema não irá funcionar. Bem, como já comentamos, o MRP trabalha com dados de entrada e parâmetros. Quais são eles? 140 Planejamento das Necessidades de Materiais Dados de Entrada e Parâmetros do MRP tempo. Também iremos calcular um estoque pro- jetado sem considerar a liberação planejada de ordens (LPO). Bill of Materials (BOM) A BOM, ou Lista de Materiais, nada mais é que a lista de ingredientes, componentes, semiacabados, peças etc. que compõe o produto final. Nesta lista, temos a relação dos componentes e a quantidade de componentes que é necessária para produzir uma unidade do produto acabado. Além da BOM, existe a estrutura de produtos, ela é a forma gráfica da lista de materiais e repre- senta todos os componentes do produto na forma de uma árvore com diversos ramos, denominados níveis do produto. A Figura 1 ilustra uma estru- tura de produto genérica. Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 414 Produto Y 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Figura 1 - Exemplo de estrutura de produto genérica Fonte: Chiavenato (2008, p. 44). Observe que, para produzir o produto Y, são ne- cessários os componentes 1, 2 e 3, que são compo- nentes de primeiro nível. Por sua vez, por exemplo, para produzir o componente 1, são necessários os componentes 4 e 5, que estão no segundo nível. Este subtópico poderá servir como um glossário que você irá consultar sempre que o termo apresen- tado aparecer no nosso texto. Vejamos a definição dos dados de entrada e parâmetros usados no MRP. Não se espante com os termos. Resolvemos dividi- -los para serem apresentados de forma didática. No final, você verá que são termos para coisas que você provavelmente já ouviu falar ou conhece na prática. MPS O MPS é o Plano Mestre de Produção que estu- damos em unidade anterior. Ele mostra o quanto vai ser produzido de cada item em cada período de planejamento. Este dado é inserido no arqui- vo do MRP para determinar a demanda do item acabado, o qual irá gerar a necessidade dos demais materiais que compõem o item. Demandas extras Além da demanda do MPS, podem existir outras demandas. Alguns componentes podem ser fabri- cados e/ou comprados para atender à necessidade de reposição no mercado de peças. Por exemplo, um fabricante de eletrodomésticos pode receber demandas de apenas alguns componentes do ele- trodoméstico, como o copo de um liquidificador ou a caixa de legumes de uma geladeira. Estas de- mandas também devem ser consideradas no MRP. Dados de estoque Assim como para o plano mestre de produção, vamos precisar dos dados de estoques inicial e final de cada componente para cada período de 141UNIDADE 5 Uma BOM ou estrutura de produto cem por cento correta é fundamental! Imagine que você informe ao sistema que para fabricar um carro são necessários dois pneus. Esta informação, que é inserida na estrutura do produto, será utilizada para planejar a necessidade de pneus. O resulta- do seria desastroso, pois a necessidade de pneus ficaria subestimada. Tamanho do lote O lote de cada item deve ser definido, ou seja, de- ve-se estabelecer o tamanho do lote dos produtos acabados, dos semiacabados e das matérias-pri- mas e componentes que formam os semiacabados.Os lotes podem ser: lote a lote (L4L, ou lot for lot, em inglês) – que significa um lote de tama- nho unitário; lote mínimo; e lote múltiplo (este múltiplo pode ser baseado no tamanho do lote econômico). Estoque de segurança Definimos, também, nos dados de entrada do MRP, o tamanho do estoque de segurança para cada item, tanto produto acabado, semiacabado ou matéria-prima. Por exemplo, se um deter- minado setor fabril, que produz um semiaca- bado, possui problemas para produzir, talvez seria prudente fazer com que este setor produza estoques de segurança para atender eventuais aumentos da demanda, que não seriam atendidos rapidamente caso não houvesse um estoque de segurança. Lead time Como vimos, o lead time (LT) é o tempo de entrega desde a liberação da ordem (seja ela de produção ou de compra) até a entrega efetiva do item no ponto de consumo. O lead time pode ser enxergado como a soma de diversos tempos. Podemos escrever: Lead time = Tempo para transporte + Tempo na fila para o lote ser processado + Tempo de preparação da máquina + Tempo de produção + Tempo de inspeção Essa divisão é útil para estabelecer LTs mais reais, que considerem o tempo necessário para receber o item necessário no tempo desejado. Explosão A “explosão” é um procedimento aplicado no MRP. Consiste em explodir a demanda do produto final, conforme a estrutura de produto, em demandas individuais de cada componente, por exemplo, se tivermos uma demanda de 50 unidades do item Y, que apresentamos na Figura 1, a explosão da demanda iria gerar necessidades brutas de todos os demais itens dos quatro níveis do produto. Netting Netting é outro procedimento aplicado no MRP. Consiste em determinar a necessidade líquida de cada item da estrutura do produto. Necessidade líquida é diferente de necessidade bruta. Esta é a necessidade de um item sem considerar o es- toque e os recebimentos programados. Quando consideramos o que temos de estoque e o que vamos receber no período, calculamos a neces- sidade líquida. 142 Planejamento das Necessidades de Materiais Liberação Planejada de Ordens (LPO) A aplicação dos procedimentos de netting e off- setting irá gerar a liberação de ordens planejadas (LPO). Uma LPO é um valor contendo a quan- tidade a ser produzida/comprada de um item. Este valor é usado para que a produção inicie a fabricação do item ou para que o setor de compras inicie a compra do item. Recebimentos programados Uma LPO poderá ser considerada um recebi- mento programado no momento em que o MRP estiver sendo revisto. Tanto a LPO como o rece- bimento programado, bem como outros dados, são registrados no arquivo do MRP. Arquivo do MRP Este arquivo pode ser representado por uma ta- bela contendo os períodos de planejamento e os dados de entrada, parâmetros e dados calculados pelo algoritmo do MRP. É em cima deste arquivo que fazemos o planejamento. Vamos apresentá-lo no tópico a seguir.MRP e matérias-primas Offsetting É mais um procedimento do MRP. Consiste em determinar o período em que as ordens de pro- dução ou compras devem ser liberadas para que o item desejado chegue no prazo em que realmente é necessário. Assim, por exemplo, se um item pos- sui um LT de 2 semanas, por meio do offsetting, o MRP irá liberar ordens de produção/compras com 2 semanas de antecedência. 143UNIDADE 5 Agora, vamos entrar na parte mais prática da nossa unidade. Vamos apresentar como montar o arquivo do MRP e realizar seus cálculos. Para tanto, iremos utilizar o MRP de dois produtos simples, para facilitar o entendimento e os cál- culos. Trata-se da fabricação de dois modelos de caneta: azul e preta; a estrutura de produto de cada uma delas é apresentada nas figuras a seguir, com a ilustração das peças e quantidades necessárias. Cálculo do MRP 144 Planejamento das Necessidades de Materiais 1 caneta azul LT = 1 dia; Lote = 5000 1 tampa azul LT = 2 dias; Lote = 10000 1 corpo translúcido LT = 2 dias; Lote = 5000 1 carga azul LT = 4 dias; Lote = 10000 1 tampinha azul LT = 2 dias; Lote = 20000 2g de plástico azul LT = 4 dias; Lote = 100000g 5g de plástico translúcido LT = 4 dias; Lote = 100000g 1g de plástico azul LT = 4 dias; Lote = 100000g Figura 2 - Estrutura de produto da caneta azul Fonte: o autor. 1 caneta preta LT = 1 dia; Lote = 5000 1 tampa preta LT = 2 dias; Lote = 10000 1 corpo translúcido LT = 2 dias; Lote = 5000 1 carga preta LT = 4 dias; Lote = 10000 1 tampinha preta LT = 2 dias; Lote = 20000 2g de plástico preto LT = 4 dias; Lote = 100000g 5g de plástico translúcido LT = 4 dias; Lote = 100000g 1g de plástico preto LT = 4 dias; Lote = 100000g Figura 3 - Estrutura de produto da caneta preta Fonte: o autor. 145UNIDADE 5 Consegue interpretar as estruturas ou árvores de produtos? Observe que ambas possuem dois ní- veis abaixo do produto acabado. Para montar uma caneta preta, é necessário um lead time de 1 dia. Por sua vez, a montagem da caneta preta necessita de quatro itens: 1 tampa preta, 1 corpo translúcido, 1 carga preta de tinta e 1 tampinha preta. Para fabricar tanto a tampa como a tampinha preta, é necessário plástico preto, na proporção de 2 g de plástico preto para a tampa e 1 g para a tampinha. O corpo translúcido é feito com 5 g de plástico translúcido e possui um LT de 4 dias. Talvez você se pergunte: mas por que o LT de uma caneta é de 1 dia? Bem, este LT considera a montagem de um ou mais lotes de canetas e considera outros tempos (veja a definição que apresentamos sobre lead time) e, portanto, é maior que o tempo necessário para montar apenas uma caneta. Observe que também temos informado o tamanho do lote de cada componente. Rodar o MRP é uma expressão que usamos para se referir aos cálculos e procedimentos que são aplicados com a finalidade de se determinar as ordens (de compra ou de produção) de cada item. Outra informação interessante que podemos obter das árvores de produto apresentadas é a questão de componentes comuns para ambos os produtos. Podemos observar que o item “corpo translúcido” é comum nos dois modelos de cane- ta. Ao gerar a necessidade deste item, o MRP irá considerar ambas as demandas. Muito bem, agora que temos os produtos que serão planejados, vamos apresentar o passo a pas- so para rodar o MRP. 146 Planejamento das Necessidades de Materiais Determinar o MPS Os MPS dos produtos caneta azul e caneta preta são apresentados pelas Tabelas 1 e 2. Tabela 1 - Determinação do MPS para o produto caneta azul Período 1 2 3 4 5 6 7 MPS 40.000 50.000 30.000 30.000 30.000 30.000 30.000 Fonte: o autor. Tabela 2 - Determinação do MPS para o produto caneta preta Período 1 2 3 4 5 6 7 MPS 30.000 37.500 37.500 22.500 22.500 22.500 22.500 Fonte: o autor. Determinar Número de Arquivos MRP O arquivo utilizado para o cálculo do MRP de cada item é apresentado no Quadro 1. Quadro 1 - Exemplo de arquivo MRP PERÍODOS: 1 2 3 4 5 6 7 Necessidade bruta Recebimentos programados Estoque inicial do item Estoque sem LPO Netting Estoque final o item Offsetting LPO Tamanho do lote Estoque de segurança Lead time Fonte: o autor. Observando a estrutura de produto das canetas, chegamos à conclusão que serão necessários doze ar- quivos MRP, sendo eles para os seguintes itens: 1) caneta azul; 2) tampa azul; 3) carga azul; 4) tampinha azul; 5) plástico azul; 6) caneta preta; 7) tampa preta; 8) carga preta; 9) tampinha preta; 10) plástico preto; 11) corpo translúcido; 12) plástico translúcido. Vamos realizar os cálculos para os itens apenas da caneta azul. 147UNIDADE 5 Realizar os Cálculos Para fins de simplificação dos cálculos, vamos considerar que todos os itens possuem estoque inicial igual a zero. Vamos considerar que apenas o item acabado necessita de estoque de segurança no valor de 3.000 unidades. As fórmulas que va- mos utilizar para calcular cada linha do arquivo do MRP são: • Necessidade bruta = valor do MPS, quando o item foruma matéria bruta e, nela, realizam um processo de transformação de agregação de va- lor e obtêm um novo produto. Então, podemos denominar um sistema produtivo conforme o esquema a seguir: Inputs (insumos) → Transformação → Outputs (produto acabado - bem ou serviço) É fácil visualizar este conceito no nosso dia a dia. Pense no caso de uma padaria. Talvez você frequente uma todos os dias para comprar pão. A padaria possui diversos insumos: farinha, sal, açúcar, padeiros, máquinas, instalações físicas etc. Observe que estes insumos se referem a recursos a serem transformados e recursos transformadores. Um padeiro e um forno são considerados recursos transformadores, pois eles irão transformar os re- cursos, como farinha, água, sal e fermento em pão (para fins didáticos, permita-me chamar um pa- deiro de recurso, embora ele seja muito mais que isso. Um “recurso” humano é talvez o maior bem que uma organização pode ter, pois é responsável por fazer o trabalho acontecer com criatividade e qualidade, a partir de suas habilidades únicas). A padaria também possui um processo de trans- formação, este segue um passo a passo bem definido para que o pão tenha o sabor que o consumidor sempre deseja. É preciso controlar o tempo em que a massa fica no forno, as quantidades de cada in- grediente, a temperatura do forno etc. Por meio dos inputs e do processo de transformação, a padaria produz os outputs que são os produtos vendidos, tal como o pão. Este é um exemplo de descrição de um sistema de produção. Consegue dar outro exemplo? Para que os sistemas produtivos funcionem, é preciso planejar e controlar a produção. Pla- neja-se, por exemplo, as compras de farinha em uma padaria, as compras de tubos de alumínio em Alguns autores tratam o assunto PCP como PPCP, que quer dizer Planejamento, Progra- mação e Controle da Produção. O conceito é o mesmo, porém adicionam a palavra programar que, segundo o Dicionário Priberam ([2019], on- -line)3, quer dizer: estabelecer um plano para fazer algo, fornecer instruções a uma máquina para um procedimento automático, submeter a uma rotina ou aprendizagem para reagir de determinada maneira. 16 Introdução ao Planejamento e Controle da Produção uma metalúrgica, as de solvente em uma indústria química, a quantidade de mão de obra em uma construção para acabá-la em um determinado prazo etc. Vários itens precisam ser planejados. Após o planejamento, é preciso acompanhar o andamento dos trabalhos (realizar o controle e o replanejamento), pois compras planejadas e rea- lizadas nem sempre chegam no prazo planejado. Trabalhadores faltam no trabalho por diversos motivos, fornecedores atrasam entregas, enfim, vários eventos são imprevisíveis, porém, um bom planejamento, leva em conta estes eventos e toma ações para lidar com estes desvios. O controle é fundamental. O planejamento pode ser alterado a qualquer momento, contudo, o ato de controlar exercerá um papel fundamental nessa situação para que o seu plano não pegue um atalho ou um desvio no seu caminho. Para que isso não aconteça, as intervenções precisarão ser realizadas, ou seja, ações devem ser implemen- tadas em um determinado momento de forma corretiva ou de ajuste, a fim de que os objetivos propostos sejam atendidos. Tubino (2007) relaciona o planejamento e con- trole da produção como ações que integram as informações do setor produtivo com os outros setores e departamentos de uma empresa. Lustosa et al. (2008) dizem que o PCP influencia na me- lhoria contínua, sendo que as empresas precisam ter como objetivo o atendimento das necessidades do cliente. Corrêa e Corrêa (2008) alertam que o processo de planejamento é contínuo, sendo necessário ter noção da situação no momento atual, visão de situações futuras, objetivos claros e entender como essas ações planejadas afetam as decisões que precisam ser tomadas no presente. Dada a introdução até o momento, talvez você reflita: as atividades de PCP ocorrem sempre que existe um negócio para atender a uma determinada demanda de clientes. É isso mesmo! Contudo, o PCP começou a ser mais “popular” de um tempo para cá. O conceito de Planejamento e Controle da Pro- dução ficou mais evidente junto com a Revolução Industrial, quando houve a possibilidade de produ- ção para que pessoas pudessem consumir em massa determinado produto. Então, no início do século XX, o assunto começou a ser estudado e aperfeiçoado. Alguns dos nomes importantes sobre esse assunto foram: Frederick Taylor, Jules Henri Fayol, Henry Gantt e Henry Ford. Já ouviu falar de algum deles? Conforme os anos foram se passando, a tecno- logia também foi evoluindo. Só o cérebro huma- no já não supria a necessidade de realizar tantos cálculos envolvidos nas atividades do PCP, então, mais alguns nomes importantes se destacaram, como: Joe Orlicky, Oliver Wight e G. W. Possl. Também, não podemos deixar de citar a grande influência japonesa com o sistema Toyota de pro- dução. Sugerimos que pesquise sobre estes nomes, descobrindo a influência de cada um deles nas ati- vidades de planejamento e controle da produção. O objetivo do nosso livro é tratar dos conceitos de PCP. Na prática, alguns destes conceitos são aplicados por meio de softwares de computador e de dispositivos móveis. Existem, por exemplo, os chamados ERP - Enterprise Resource Planning – que englobam módulos de planejamento e con- trole da produção. Entendemos que compreen- der os conceitos é tão importante quanto saber usar tais softwares. Assim, considere que sua jornada de estudos precisará ser complementa- da com cursos sobre a utilização destes recursos. Você viu até agora que o PCP atua sobre sistemas produtivos. Agora, para fins didáticos, iremos clas- sificar os sistemas de produção a partir de algu- mas características. 17UNIDADE 1 Classificação dos Sistemas de Produção Vamos entender como podemos enxergar tecni- camente os sistemas de produção. Como já men- cionado, o sistema se constitui de uma combina- ção de elementos (recursos humanos, recursos materiais, recursos físicos, informações, conhe- cimento etc.) que proporcionam a produção de bens e serviços. Sem os sistemas de produção, provavelmente, o desenvolvimento econômico que temos hoje não seria possível; é preciso que o homem organize vários sistemas de produção para atender às suas necessidades ilimitadas, po- rém, do ponto de vista de um profissional que trabalha com os sistemas de produção, essa in- finidade (indústrias químicas, alimentícias, têx- teis, empresas de serviços, indústria automotiva, indústria de produtos da chamada “linha branca” etc.) gera uma complexidade e um desafio para que as funções de planejamento e controle sejam executadas, pois, conforme muda o sistema pro- dutivo, mudam-se as abordagens. Assim, para não ficarmos perdidos na varieda- de de sistemas produtivos, buscou-se fazer a sua classificação. De acordo com Lustosa et al. (2008), o sistema de produção pode ser classificado de acordo com suas características, em cinco tipos diferentes, conforme segue. Classificação segundo o grau de padronização É possível visualizar o grau de controle que é exercido sobre a produção, pois, quanto maior a padronização, o processo será menos flexível e mais confiável. A classificação por grau de padro- nização é dividida em: • Produtos Sob Medida - o produto é elaborado e produzido conforme as es- pecificações e necessidades do cliente, ou seja, será exclusivo. Assim, o processo de produção dificilmente será padronizado, a presença de automação industrial é pouca, haverá tempo ocioso, portanto custo ele- vado e produtos mais caros. Por exemplo: alta costura, móveis planejados, construção civil e alimentos orgânicos. • Produtos Padronizados - produtos são feitos em larga escala. O processo de produção é mais organizado e, devido à padronização, existe um alto grau de uni- formidade nos produtos. Também há a redução do tempo ocioso, e a presençaum produto acabado + demanda extra ou Necessidade bruta = (valor da ne- cessidade bruta do item de nível superior x proporção do item em relação ao produto acabado) + demanda extra. • Recebimentos programados = valor de LPO programado anteriormente. • Estoque inicial do item = estoque final do item no período anterior ou estoque inicial do item no começo do planejamento. • Estoque sem LPO = estoque inicial do item + recebimentos programados – necessida- de bruta – estoque de segurança. • Netting = se o estoque sem LPO ≤ 0, será igual ao menor múltiplo do lote que seja maior ou igual ao estoque sem LPO em módulo. Isto é, primeiro deve ser verificado o valor do “estoque sem LPO”. Se este valor for negativo, o valor do Netting será um valor tal que seja, no mínimo, o valor do próprio “estoque sem LPO”. Por exemplo, se um item é produzido em lotes de 20 uni- dades e o valor calculado de “estoque sem LPO” for igual a 75 unidades, qual será o valor de Netting? Ele deve ser um valor que cubra, no mínimo, o valor do “estoque sem LPO”. Como o item é fabricado em múl- tiplos de 20 unidades, o valor do Netting será de 80 unidades (4x20). • Estoque final do item = Netting – necessi- dade bruta + estoque inicial. • Offsetting = valor do Netting de n períodos adiante, sendo n = lead time. • LPO = valor do offsetting do período. Utilizando as fórmulas propostas, vamos iniciar os cálculos do arquivo MRP para a produção da caneta azul. Este item é produzido em lote múltiplo de 5.000 unidades, conforme consta em sua estrutura de produto. A necessidade bruta da caneta será igual ao valor do MPS para cada período. Para o período um, a demanda bruta é de 40.000 unidades. Não temos nenhum recebimen- to programado e o estoque inicial é igual a zero. Desejamos manter um estoque de segurança deste item de 3.000 unidades. O estoque sem a LPO para o período zero será: Estoque sem LPO = Estoque inicial do item + recebimentos programados – necessidade bruta – estoque de segurança = 0+0-40.000- 3.000 = - 43.000 O valor de netting será: Netting = se o estoque sem LPO ≤ 0, será igual ao menor múltiplo do lote que seja maior ou igual ao estoque sem LPO em módulo = 45.000 Observe que será necessária a produção de 45.000 unidades, no mínimo, para cobrir o valor negativo de -43.000 unidades, pois o lote múltiplo é de 5.000 unidades. O estoque final do item no período um, considerando o netting, será de: Estoque final do item = Netting – necessidade bruta + estoque inicial = 45.000 – 40.000+0 = 5.000 unidades 148 Planejamento das Necessidades de Materiais O offsetting da quantidade necessária a produzir do período 1 deve ser feito com um período de antecedência, pois o lead time de entrega é de 1 período. Assim, vemos que teremos um problema para atender à demanda do período 1, pois a produção já deveria iniciar um período antes. Vamos fazer, agora, o cálculo para o período 2: • Necessidade bruta = valor do MPS = 50.000. • Recebimentos programados = 0. • Estoque inicial do item = estoque final do item no período anterior = 5.000. • Estoque sem LPO = Estoque inicial do item = recebimentos programados – necessidade bruta – estoque de segurança = 5.000+0-50.000-3.000 = - 48.000. • Netting = se estoque sem LPO ≤ 0, será igual ao menor múltiplo do lote que seja maior ou igual ao estoque sem LPO em módulo = 50.000. • Estoque final do item = Netting – necessidade bruta + estoque inicial = 50.000 – 50.000+5.000 = 5.000 Agora, podemos calcular o offsetting e o LPO para o período 1, pois ele será igual ao netting do período 2: • Offsetting = Valor do Netting de 1 período adiante = 50.000 • LPO = Valor do offsetting do período 1 = 50.000 A sistemática dos cálculos deve ser repetida para todos os demais períodos. No final, iremos obter o resultado mostrado na Tabela 3. Tabela 3 - Arquivo MRP para a caneta azul PERÍODOS: 1 2 3 4 5 6 7 Necessidade bruta 40.000 50.000 50.000 30.000 30.000 30.000 30.000 Recebimentos programados 0 0 0 0 0 0 0 Estoque inicial do item 0 5.000 5.000 5.000 5.000 5.000 5.000 Estoque sem LPO -43.000 -48.000 -48.000 -28.000 -28.000 -28.000 -28.000 Netting 45.000 50.000 50.000 30.000 30.000 30.000 30.000 Estoque final o item 5.000 5.000 5.000 5.000 5.000 5.000 5.000 Offsetting 50.000 50.000 30.000 30.000 30.000 30.000 0 LPO 50.000 50.000 30.000 30.000 30.000 30.000 0 Tamanho do lote: 5.000 Estoque de segurança: 3.000 Lead time: 1 Fonte: o autor. Agora, temos que fazer o arquivo de MRP para os demais componentes da caneta azul. No procedi- mento de explosão, a LPO da caneta azul irá gerar necessidade bruta dos demais itens: tampa azul, 149UNIDADE 5 corpo translúcido, carga azul e tampinha azul; por sua vez, a LPO da tampa azul e da tampinha azul irá gerar necessidade bruta do item plástico azul; e a LPO do corpo translúcido irá gerar necessidade bruta do plástico translúcido. As Tabelas 4, 5, 6 e 7 mostram os arquivos MRP da tampa azul, do corpo translúcido, da carga azul e da tampinha azul. Tabela 4 - Arquivo MRP para a tampa azul PERÍODOS: 1 2 3 4 5 6 7 Necessidade bruta 50.000 50000 30.000 30.000 30.000 30.000 0 Recebimentos programados 0 0 0 0 0 0 0 Estoque inicial do item 0 0 0 0 0 0 0 Estoque sem LPO -50.000 -50.000 -30.000 -30.000 -30.000 -30.000 0 Netting 50.000 50.000 30.000 30.000 30.000 30.000 0 Estoque final o item 0 0 0 0 0 0 0 Offsetting 30.000 30.000 30.000 30.000 0 0 0 LPO 30.000 30.000 30.000 30.000 0 0 0 Tamanho do lote: 10.000 Estoque de segurança: 0 Lead time: 2 Fonte: o autor. Tabela 5 - Arquivo MRP para o corpo translúcido PERÍODOS: 1 2 3 4 5 6 7 Necessidade bruta 50.000 50.000 30.000 30.000 30.000 30.000 0 Recebimentos programados 0 0 0 0 0 0 0 Estoque inicial do item 0 0 0 0 0 0 0 Estoque sem LPO -50.000 -50.000 -30.000 -30.000 -30.000 -30.000 0 Netting 50.000 50.000 30.000 30.000 30.000 30.000 0 Estoque final o item 0 0 0 0 0 0 0 Offsetting 30.000 30.000 30.000 30.000 0 0 0 LPO 30.000 30.000 30.000 30.000 0 0 0 Tamanho do lote: 5.000 Estoque de segurança: 0 Lead time: 2 Fonte: o autor. 150 Planejamento das Necessidades de Materiais Tabela 6 - Arquivo MRP para a carga azul PERÍODOS: 1 2 3 4 5 6 7 Necessidade bruta 50.000 50.000 30.000 30.000 30.000 30.000 0 Recebimentos programados 0 0 0 0 0 0 0 Estoque inicial do item 0 0 0 0 0 0 0 Estoque sem LPO -50.000 -50.000 -30.000 -30.000 -30.000 -30.000 0 Netting 50.000 50.000 30.000 30.000 30.000 30.000 0 Estoque final o item 0 0 0 0 0 0 0 Offsetting 30.000 30.000 0 0 0 0 0 LPO 30.000 30.000 0 0 0 0 0 Tamanho do lote: 10.000 Estoque de segurança: 0 Lead time: 4 Fonte: o autor. Tabela 7 - Arquivo MRP para a tampinha azul PERÍODOS: 1 2 3 4 5 6 7 Necessidade bruta 50.000 50.000 30.000 30.000 30.000 30.000 0 Recebimentos programados 0 0 0 0 0 0 0 Estoque inicial do item 0 10.000 0 10.000 0 10.000 0 Estoque sem LPO -50.000 -40.000 -30.000 -20.000 -30.000 -20.000 0 Netting 60.000 40.000 40.000 20.000 40.000 20.000 0 Estoque final o item 10.000 0 10.000 0 10.000 0 0 Offsetting 40.000 20.000 40.000 20.000 0 0 0 LPO 40.000 20.000 40.000 20.000 0 0 0 Tamanho do lote: 20.000 Estoque de segurança: 0 Lead time: 2 Fonte: o autor. Observe que a necessidade bruta de cada item para cada período é igual ao LPO da caneta azul (que é o produto acabado) em cada período. Os cálculos de cada linha do arquivo MRP foram feitos da mesma maneira que os cálculos dos períodos 1 e 2 apresentados anteriormente em detalhes. Observe que o que muda é a necessidade bruta, tamanho do lote, estoque de segurança (que para todos os itens é igual a zero) e o lead time. 151UNIDADE 5 Agora, vamos ver o MRP para os itens de nível mais inferior, que é o plástico azul e o plástico translúcido. Observe que quem gera a demanda do plástico azul são os itens tampa azul e tampinha azul. Conforme a estrutura de produto apresentada, cada tampa azul consome 2 g de plástico azul, e a tampinha azul consome 1 g de plástico azul; já o corpo translúcidoconsome 5 g de plástico translúcido. Assim, a necessidade bruta do plástico azul será igual à soma da multiplicação dos LPOs da tampa azul e tampinha azul pelos valores de 2 e 1, respectivamente. Isto é, por exemplo, para o período 1: Necessidade bruta = (valor da necessidade bruta do item de nível superior x proporção do item em relação ao produto acabado) = (30.000x2)+(40.000x1)=100.0000 A necessidade bruta do plástico translúcido será igual ao produto do LPO do corpo translúcido pelo valor de 5. Isto é, por exemplo, para o período 1: Necessidade bruta = (valor da necessidade bruta do item de nível superior x proporção do item em relação ao produto acabado) = (30.000x5)=150.000 As Tabelas 8 e 9 mostram os arquivos MRP do plástico azul e do plástico translúcido. Tabela 8 - Arquivo MRP para o plástico azul PERÍODOS: 1 2 3 4 5 6 7 Necessidade bruta 100.000 80.000 100.000 80.000 0 0 0 Recebimentos programados 0 0 0 0 0 0 0 Estoque inicial do item 0 0 20.000 20.000 40.000 40.000 40.000 Estoque sem LPO -100.000 -80.000 -80.000 -60.000 40.000 40.000 40.000 Netting 100.000 100.000 100.000 100.000 0 0 0 Estoque final o item 0 20.000 20.000 40.000 40.000 40.000 40.000 Offsetting 0 0 0 0 0 0 0 LPO 0 0 0 0 0 0 0 Tamanho do lote: 100.000 Estoque de segurança: 0 Lead time: 4 Fonte: o autor. 152 Planejamento das Necessidades de Materiais Tabela 9 - Arquivo MRP para o plástico translúcido PERÍODOS: 1 2 3 4 5 6 7 Necessidade bruta 150.000 150.000 150.000 150.000 0 0 0 Recebimentos programados 0 0 0 0 0 0 0 Estoque inicial do item 0 50.000 0 50.000 0 0 0 Estoque sem LPO -150.000 -100.000 -150.000 -100.000 0 0 0 Netting 200.000 100.000 200.000 100.000 0 0 0 Estoque final o item 50.000 0 50.000 0 0 0 0 Offsetting 0 0 0 0 0 0 0 LPO 0 0 0 0 0 0 0 Tamanho do lote: 100.000 Estoque de segurança: 0 Lead time: 4 Fonte: o autor. Como o lead time dos plásticos é de 4 períodos, observe que não teremos tempo hábil para aten- der à demanda, ou seja, o offsetting do plástico translúcido do período 4 (que teria que ser de 100.000 g) deveria acontecer um período antes do período 1 (período zero). No tópico a seguir, discutiremos esta questão. Contudo, por enquanto, foque sua atenção nos cálculos dos arquivos MRP. Observe como eles estão relacionados: a necessidade bruta de um item de nível inferior (chamado de item-fi- lho) depende da liberação planejada de ordens (LPO) do item de nível superior (item-pai). Além disso, devemos saber a quantidade necessária de cada componente que compõe uma unidade do produto acabado. Precisamos calcular os estoques inicial e final, bem como o valor do netting, que nada mais é que o valor a ser produzido/comprado no perío- do. Em seguida, devemos retroceder no tempo, conforme o lead time, para determinar quando a ordem, seja de produção ou de compra, deverá ser liberada. Parece que, com o MRP, podemos resolver vá- rios problemas na produção, pois trabalharemos com o planejamento que obedece às regras de lote, lead time, demandas dos clientes e, ainda, pode ser configurado para trabalhar com um estoque de segurança. Entretanto, algumas considerações precisam ser feitas. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 153UNIDADE 5 O MRP gera um plano de necessidades de ma- teriais que, à primeira vista, parece perfeito. Ele seria perfeito se: • As estruturas de produto estivessem total- mente corretas. • Atrasos não existissem. • Cliente não alterasse a demanda. • Lead times previstos fossem cumpridos. No entanto, alterações acontecem a todo o mo- mento. O cliente pode querer aumentar seu pedi- do ou, até mesmo, cancelar. O setor de engenharia monta a estrutura de produto que sofre alterações à medida que ele é fabricado (existe a necessida- de de ajustes técnicos, ou novos materiais mais baratos ou melhores podem ser incorporados ao produto). Além disso, se houver um erro de digi- tação ou falta de atenção, a estrutura de produto pode não condizer com a realidade. Fornecedores e postos de trabalho nem sem- pre entregam os produtos no prazo esperado. Os lead times tendem a se alterar conforme o tama- nho do lote, bem como devido à programação da produção. Assim, após elaborar o MRP e enviar as ordens de compra/produção, é preciso acom- panhar a sua execução e realizar atualizações. Considerações Sobre o MRP 154 Planejamento das Necessidades de Materiais A atualização serve para corrigir os saldos em estoque. Estas atualizações se dividem em dois tipos: regeneração e net change (FERNANDES; GODINHO FILHO, 2016). Uma atualização do tipo regeneração é aquela que faz uma atualização completa de todos os itens do MRP. Ela exige um esforço computacio- nal muito grande e, portanto, é feita com menor frequência (duas a três vezes no mês). A atualização net change é aquela que faz uma atualização parcial dos itens do MRP, atualizando os dados apenas do item que realmente alterou. Por exigir menor esforço computacional, é feita com uma maior frequência. O MRP pode ser aplicado apenas para alguns itens fabricados. Por exemplo, uma grande fábrica de móveis que produz itens mais caros e com baixa demanda pode utilizar o MRP para gerenciar os estoques destes itens. Para os itens com alta de- manda e com custo relativamente menor, pode ser utilizado outro sistema de controle de estoque, como o de revisão contínua ou ponto de pedido. Existem, ainda, outros sistemas de controle, como o sistema Kanban. Estudaremos estes sistemas de controle de estoque em outra unidade. Entretanto, o que queremos enfatizar é que nem sempre o MRP deve ser aplicado. Cabe ao responsável pela gestão de materiais verificar a praticidade e benefícios de uso do MRP para a sua situação. Outra consideração importante sobre o MRP, como já comentamos, é que ele é um sistema ba- seado na programação infinita. Ele não considera as limitações dos fornecedores e da própria planta industrial. É claro que o MRP é gerado com base no MPS que, por sua vez, passou por uma ava- liação de capacidade (conforme já estudamos). Contudo, o sistema pode gerar ordens de pro- dução/compras além da capacidade de produção, pois trabalhamos com estoques de segurança, lo- tes múltiplos e demandas de peças de reposição, que podem aumentar significativamente a de- manda pelos itens, ocasionando uma necessidade de capacidade de produção maior que a dispo- nível. Assim, um módulo extra de verificação de capacidade deve ser utilizado. Como vimos nos cálculos do MRP do tópi- co anterior, dependendo do lead time do item, o offsetting (antecipação) deverá ser feito em um período de tempo que, na verdade, já passou. Por exemplo, se um lote de um item tem um lead time de quatro dias, isso significa que se deve planejar a produção deste item, no mínimo, quatro dias antes do prazo desejado de entrega. Se esperarmos para planejar com três dias de antecedência, haverá atrasos! Portanto, ao se traba- lhar com o MRP, é preciso considerar os lead times e procurar atualizar o MRP com base no maior va- lor de lead time. Outra opção seria manter estoques de segurança maiores, para atender reprograma- ções, mesmo que não haja tempo hábil devido ao alto lead time. Isso poderá criar altos estoques; cabe, portanto, uma análise do planejador, verificando a possibilidade de se manter altos estoques. Esta situação me faz lembrar de uma maté- ria-prima importada que era utilizada em uma indústria em que trabalhei. Devido ao seu longo lead time (cerca de três meses), mantínhamos estoque deste item para atender pedidos do cliente que tinham um lead time bem menor que três meses. Se não fizéssemos isso, seria impossível atender ao cliente, a não ser que ele aceitasse es- perar três meses pela entrega de seu produto. Muito bem, finalizamos, aqui, nosso estudo so- bre MRP. Entendemos quais são as vantagens e des- vantagens desse sistema. Vimos como os cálculos do MRP são realizados. Por fim,fizemos algumas ponderações sobre o uso do MRP. Caso você utilize este sistema, possivelmente irá usar um software que possui um módulo de MRP ou, então, irá uti- lizar um sistema de planilhas. Independentemente do sistema utilizado, os conceitos por trás deles estão baseados no que estudamos nesta unidade. 155 1. Uma indústria possui, basicamente, duas linhas ou coleção de produtos. A primeira linha é composta por trinta itens diferentes de baixo valor agregado. Sua demanda é repetitiva e com alto volume. A segunda linha é composta por cinco itens diferentes com demanda não repetitiva e com baixo volume. Os itens desta segunda linha possuem alto valor agregado. Considerando a situação da empresa, para qual das duas linhas o MRP seria recomendado? Justifique sua resposta apresentado os motivos da recomendação e os motivos para não usar o MRP na outra linha. 2. Considerando os dados da “caneta preta” apresentados no segundo tópico desta unidade, monte o MRP dos seguintes itens: caneta preta e tampa preta. Consi- dere que os estoques de segurança são: caneta preta - 1000 unidades; tampa preta - 2000 unidades. Os estoques iniciais no momento do planejamento são iguais a zero. 3. O produto “Painel Croma Tech” é constituído por cinquenta matérias-primas diferentes. A maioria das matérias-primas possui um lead time baixo, de até cinco dias. A exceção é do item denominado “Painel Controlador”. Este item é fabricado fora do país e seu lead time de entrega é de quinze dias. Considerando que o “Painel Croma Tech” é gerenciado via sistema MRP, que medidas podem ser tomadas para que o MRP tenha um bom resultado na administração dos estoques do produto? Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 156 Operação Fronteira Ano: 2019 Sinopse: Tom Davis (Ben Affleck), Santiago Garcia (Oscar Isaac), Francisco Morales (Pedro Pascal), William Miller (Charlie Hunnam) e Ben Miller (Garrett Hedlund) são cinco ex-soldados das Forças Especiais dos Estados Unidos que decidem se reunir para executar um plano arriscado: roubar um poderoso senhor do crime na fronteira que separa o Brasil da Colômbia e do Peru. No entanto, quando o esquema dá errado, os antigos companheiros de batalha se verão forçados a embarcar em uma épica luta por suas vidas. Comentário: nesse filme, é possível perceber como um plano não executado em detalhes pode comprometer uma operação. Tom Davis (Bem Affleck) é con- siderado o “cérebro” da operação, por determinar os detalhes de como o roubo seria feito. No entanto, seu plano não é executado dentro do tempo previsto. Este é um dos motivos que desestabiliza a operação. No MRP, algo parecido pode acontecer. Se o plano não é feito em detalhes ou se ele não é executado corretamente, diversas falhas podem acontecer. Os tempos de entrega (lead times) devem condizer com a realidade e serem cumpridos. FILME O link a seguir mostra um modelo de planilha que pode ser utilizada nos cálculos do MRP. Para acessar, use seu leitor de QR Code. WEB 157 CHIAVENATO, I. Planejamento e controle da produção. 2. ed. Barueri: Manole, 2008. FERNANDES, F. C. F.; GODINHO FILHO, M. Planejamento e controle da produção: dos fundamentos ao essencial. São Paulo: Atlas, 2016. REFERÊNCIA ON-LINE 1Em: https://blog.qad.com/2018/05/joseph-orlicky-hero-materials-requirements-planning/. Acesso em: 17 jun. 2020. 158 1. O MRP seria recomendado para a segunda linha, pois esta possui itens de alto valor agregado e com deman- da não repetitiva. O MRP permite controlar e prever melhor os níveis de estoque, trabalhando de acordo com a demanda do produto final. Os produtos da segunda linha teriam uma previsibilidade maior quanto aos prazos de entrega, e o estoque das matérias-primas poderia ser planejado conforme a demanda dos itens finais da segunda linha. Possíveis atrasos na entrega seriam visualizados por meio do MRP. Enfim, utilizando o MRP para a segunda linha, poderia ser dada uma atenção maior aos produtos desta linha. Por outro lado, o MRP não seria recomendado para os produtos da primeira linha, pois eles possuem uma demanda repetitiva. Neste caso, poderia haver um nervosismo muito grande do sistema, devido constantes alterações. É preciso analisar o caso com mais detalhes, mas, a princípio, seria recomendado o uso de outro sistema que permita a formação de estoques e a reposição de forma mais rápida e simples. 2. A tabela a seguir mostra o MPS da caneta preta: Período 1 2 3 4 5 6 7 MPS 30000 37500 37500 22500 22500 22500 22500 É com base nele que montamos o MRP da caneta preta e da tampa preta. Os dados do MPS serão a neces- sidade bruta do item “caneta preta”. A tabela a seguir mostra os resultados dos cálculos. PERÍODOS: 1 2 3 4 5 6 7 Necessidade bruta 30.000 37.500 37.500 22.500 22.500 22.500 22.500 Recebimentos programados 0 0 0 0 0 0 0 Estoque inicial do item 0 5.000 2.500 5.000 2.500 5.000 2.500 Estoque sem LPO -31.000 -33.500 -18.500 -21.000 -12.000 -18.500 -21.000 Netting 35.000 35.000 40.000 20.000 25.000 20.000 25.000 Estoque final o item 5.000 2.500 5.000 2.500 5.000 2.500 5.000 Offsetting 35.000 40.000 20.000 25.000 20.000 25.000 0 LPO 35.000 40.000 20.000 25.000 20.000 25.000 0 Tamanho do lote: 5000 Estoque de segurança: 1.000 Lead time: 1 159 O valor de LPO da caneta preta será a necessidade bruta do item “tampa preta”, na proporção de um para um, ou seja, para cada “caneta preta” será necessária uma “tampa preta”. A tabela a seguir mostra os resultados dos cálculos. PERÍODOS: 1 2 3 4 5 6 7 Necessidade bruta 35.000 40.000 20.000 25.000 20.000 25.000 0 Recebimentos programados 0 0 0 0 0 0 0 Estoque inicial do item 0 5.000 5.000 5.000 10.000 10.000 5.000 Estoque sem LPO -37.000 -37.000 -17.000 -22.000 -12.000 -17.000 3.000 Netting 40.000 40.000 20.000 30.000 20.000 20.000 0 Estoque final o item 5.000 5.000 5.000 10.000 10.000 5.000 5.000 Offsetting 20.000 30.000 20.000 20.000 0 0 0 LPO 20.000 30.000 20.000 20.000 0 0 0 Tamanho do lote: 10.000 Estoque de segurança: 2.000 Lead time: 2 3. Neste caso, precisamos ficar atentos ao período mínimo para reprogramar o MRP. Como o maior lead time é de quinze dias, se trabalharmos com estoque de segurança igual a zero para este item, chegamos à conclusão que deverá ser estabelecida a regra que o replanejamento deve ser feito com, no mínimo, quinze dias de antecedência em relação à data desejada de entrega do item. Uma outra medida, caso seja desejado trabalhar com um prazo mais curto de replanejamento, seria for- mar estoques de segurança, ou do produto final ou da matéria-prima “Painel Controlador”. Neste caso, deverá ser feito um estudo dos custos decorrentes destes estoques e determinar o melhor tamanho de lote de segurança. 160 161 162 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Apresentar conceitos gerais sobre gestão de materiais em almoxarifados e depósitos. • Classificar os estoques segundo critérios de interesse para sua gestão. • Introduzir o conceito de inventário de estoques. A Gestão de Materiais Classificação de Estoques Acuracidade de Saldo de Estoques Me. Maílson José da Silva Conceitos Gerais da Gestão de Estoques A Gestão de Materiais O Planejamento e Controle da Produção visa de- terminar o que, quando e quanto será produzido de bens físicos e serviços. A produção envolve o uso de materiais, assim, fazer o planejamento e controle destes materiais é intrínseco às ativida- des do PCP. Conforme definido pelo dicionário Michaelis, gestão é o ato de gerir ou administrar (MICHAELIS, [2019], on-line)1. A gestão de ma- teriais é, portanto, o ato de administrar os mate- riais, sejam eles produtos acabados, semiacabados, matérias-primas ou materiais para manutenção e limpeza. Nesta unidade, introduziremos alguns conceitos relacionados a esta administração, apre- sentaremos como os estoques podem ser classifi- cados e falaremos sobre inventários. 165UNIDADE 6 O que é a Gestão de Materiais Você mora sozinho ou comsua família? Em ambos os casos, haverá situações em que será necessário fazer a gestão de materiais na casa. Vejamos como: em relação aos produtos ali- mentícios, o que você possui em casa? De- pendendo se você mora sozinho ou com sua família, a resposta pode variar bastante. Uma família (digamos com dois filhos e um casal) vai consumir muito mais alimento do que uma pessoa morando sozinha. Consequentemente, o estoque de produtos alimentícios na casa tende a ser maior para a família. Professor, mas por que você afirma que eu faço a gestão de materiais? Ora, quando você vai ao mercado, precisa decidir: o que comprar, quanto comprar de cada coisa e, além disso, quando ir ao mercado para comprar. Em algu- mas situações, você faz análises de preço: um saco de arroz de cinco quilos é mais caro que um saco de arroz de um quilo, porém o custo por quilo para o pacote maior é mais barato. Você também analisa a qualidade do produto que está comprando. Após a compra, talvez você faça um registro do que comprou e, no final do mês, veri- fica sua despesa com compras no mercado. Por sua vez, o mercado não sabe exatamente o que você quer comprar. A gestão do mercado faz uma previsão do que será consumido pelos seus clientes, talvez se baseando no histórico de vendas e nos pro- dutos oferecidos pelos fornecedores. Em alguns casos, o mercado coloca na prateleira produtos que não são vendidos. Por sua vez, os fabrican- tes sabem menos ainda o que exatamente você compra. Eles atuam com campanhas de mar- keting, fazem previsões e tomam outras ações para melhorar suas vendas, mas sempre haverá divergências do que é planejado e do que real- mente é vendido. Observe que o sistema você + mercado + fa- bricantes forma uma cadeia que são denominados de cadeia de suprimentos ou cadeia de abasteci- mento, ou seja, para que o alimento que você come diariamente chegue à sua mesa, são necessárias diversas operações logísticas. Tudo isso têm a ver com a gestão de materiais. Logística é o processo de planejar, executar e controlar o fluxo e a armazenagem, de forma eficaz e eficiente em termos de tempo, qualida- de e custos, de matérias-primas, materiais em elaboração, produtos acabados e serviços, bem como das informações correlatas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo (cadeia de abastecimento), com o propósito de assegurar o atendimento das exigências de todos os envol- vidos, isto é, clientes, fornecedores, acionistas, governo, sociedade e meio ambiente. Fonte: adaptado de Gasnier (2002) Observe quantos elementos diferentes temos na definição da logística. Ela envolve lidar não apenas com materiais, mas também com informação. Seu propósito não só é atender as exigências de clien- tes, tanto internos como externos, mas também atender as exigências de demais envolvidos, como acionistas, fornecedores e até o governo. Para que estas exigências sejam atendidas, é fundamental a aplicação da gestão de materiais em toda a cadeia de abastecimento: desde onde se extrai a matéria-prima da natureza até onde se consome o produto acabado, abrangendo, em alguns casos, o descarte e retorno do produto para a cadeia de abastecimento. Veja um exemplo de representação dos elementos de uma cadeia de abastecimento na Figura 1. 166 Conceitos Gerais da Gestão de Estoques Fornecedor IndústriaFornecedor do fornecedor Exportação Autosserviço Atacado Consumidor Varejo TransportadoraCD Canais Figura 1 – Exemplo de malha logística simplificada Fonte: Gasnier (2002, p. 21). Observe que para um produto chegar até a “casa” do consumidor, ele passa por diversos lugares. O pro- duto sai de um fornecedor que fornece para outro fornecedor, que irá fornecer o produto processado para uma indústria; esta irá produzir e enviar o pro- duto para um centro de distribuição (CD). Dali, o produto poderá ser exportado ou ser enviado para uma transportadora, que entregará o produto aca- bado em uma loja de atacado do tipo autosserviço ou em lojas de varejo. O cliente irá, então, até estes lugares para adquirir o produto acabado. Saber se o volume de estoque em cada ele- mento da cadeia de abastecimento está adequa- do é uma tarefa do gestor de materiais. Ele deve garantir volumes adequados e procurar fazer a integração dos elementos da cadeia. O que é esta integração? É trabalhar em conjunto com todos Em cada elemento da cadeia de abastecimento haverá um volume de estoque. Pense: este volume está adequado? os elementos da cadeia de abastecimento para que o fluxo de materiais possa ser constante e sem interrupções. É isto que queremos despertar em você: en- quanto gestor de materiais, você terá como missão suprir seus clientes sempre que necessitarem do material; estes clientes podem ser os consumidores do produto como também as máquinas e postos de materiais que necessitam das matérias-primas para trabalhar. Além disso, você deve pensar na sua rede de fornecedores, pois eles possuem uma capacidade finita de atendimento e necessitam de prazo para trabalhar. Atuar em conjunto com for- necedores, derrubando o “muro” que pode existir entre a empresa e seus fornecedores, é uma prática louvável e desejada em cadeias de abastecimento eficazes e eficientes. 167UNIDADE 6 Para gerir materiais, é interessante que você co- nheça alguns princípios da dinâmica dos mate- riais. Eles são aplicados de forma geral para todas as situações em que há a gestão de materiais. Ve- jamos alguns deles. Todo material que entra na empresa fará par- te de um sistema. Por exemplo, ao enxergar um estoque de tubos de aço em uma metalúrgica, ob- serve que há um pequeno sistema sendo formado: o estoque final dependerá do total de tubos que são comprados subtraído da quantidade de tubos que são usados na produção. Todo controle deve se basear neste princípio de entradas e saídas. Todo estoque de materiais existe por que algo o causou. Algumas das causas: não sabemos exa- tamente o que irá ser vendido (incerteza); nossos fornecedores podem atrasar a entrega ou pode haver uma greve do setor de transportes (riscos); clientes possuem uma demanda; o preço do ma- terial abaixou, ou seja, a oferta aumentou; erros de previsão ocorreram e, quando a previsão é maior que o realmente usado, estoques são criados. Ou- tras causas podem ser citadas. Ao enxergar um estoque de materiais na empresa, reflita: por que este estoque existe? Qual sua real necessidade? É possível eliminar sua causa? Um terceiro princípio é o da consequência. Se todo estoque possui uma causa, ele também pos- sui uma consequência: demandará espaço para sua armazenagem, necessitará de capital para sua manutenção, diminuirá a liquidez da empresa, necessitará de seguros etc. Estar ciente deste prin- cípio nos ajuda a refletir sobre a real necessidade de se manter itens em estoque. Os estoques de materiais permitem um flu- xo distinto de materiais ao longo da cadeia de abastecimento. Por exemplo, um mercado forma estoques de pacotes de arroz. Se ele não formasse este estoque e seus fornecedores de arroz ficassem temporariamente sem o material, o mercado não teria condições de manter o fluxo de vendas. Outro princípio é que os estoques devem ser dinâmicos. Estoques parados geram algumas consequências negativas. O gestor de materiais deve estar atento aos indicadores que medem a rotatividade e uso dos materiais, evitando a for- mação de estoques por longos períodos de tempo. Estoques são formados com uma finalidade. Podemos citar três grandes finalidades: estoques como “pulmão” – este termo se refere ao estoque que permite que a fábrica “respire” quando falta algum material, pois ele permite que o fluxo con- tinue mesmo com um eventual desabastecimento (fluxos distintos); estoques estratégicos – é o caso da formação de estoques para atingir algum obje- tivo estratégico, por exemplo, uma empresa pode comprar boa parte da matéria-prima existente no mercado para desabastecer seus concorrentes; esto-ques especulativos – ocorrem quando um material é comprado em grande volume devido seu baixo preço, para depois ser vendido a um preço maior. O último princípio envolve o gestor de ma- teriais, é o princípio da administração de esto- ques, ou seja, sempre que for formado estoque, haverá necessidade de administração dos mate- riais. Assim, não somente em indústrias, mas em centros de distribuição e lojas de varejo, o gestor O desenho da malha logística oferece excelentes oportunidades para gerar mudanças visando um melhor atendimento dos clientes. Você pode de- senhar os elementos que compõem sua cadeia de abastecimento e analisar se algo pode ser melhorado. Por exemplo, se seus clientes es- tão longe de você geograficamente, que tal criar um centro de distribuição perto dos principais clientes? Ou se seus fornecedores estão longe de você, que tal desenvolver fornecedores mais próximos com lead times de entrega menores? 168 Conceitos Gerais da Gestão de Estoques de materiais possui um papel importante. Por meio da administração dos materiais, é possível quantificar as incertezas que os envolvem, per- mitindo um atendimento adequado ao cliente. Vamos ver agora os tipos de materiais que po- dem ser administrados. Cada material é também denominado de SKU (stock keeping unit). • Componentes: é um material que não so- fre transformação física ou química, mas que é agregado ao produto final. Pode ser, por exemplo, uma peça que é instalada no produto final. Não é incomum trocarmos os termos matéria-prima e componentes para se referir a um item. • Ingredientes: são usados, geralmente, na formulação de uma receita, na indústria química ou de alimentos. Podem ser co- mercializados a granel (sem embalagem e em grandes quantidades). • Material auxiliar: são os materiais usados no processo produtivo, por exemplo, graxa, lixa, produto de limpeza etc. • Semiacabados: são os materiais que pas- saram por alguma operação no processo produtivo, mas que ainda não se tornaram um produto acabado. Para um veículo, por exemplo, existem semiacabados de portas, chassis, dentre outros. Utilizamos o termo work-in-process (WIP) para designar o es- toque de semiacabados. • Material de embalagem: o próprio nome já o descreve bem, ou seja, são materiais como embalagens plásticas, madeira para construção de caixas, papelão etc. usados para proteger e acondicionar os produtos em seu transporte e armazenamento. Dilema do Gestor de Materiais Ao longo desta unidade, referimo-nos várias vezes ao gestor de materiais. Como você provavelmente deve ter imaginado, o gestor de materiais é o pro- fissional responsável por gerir os materiais de uma empresa, ele pode fazer parte do setor de PCP, irá coordenar as ordens de compras e/ou de produção, talvez trabalhe em conjunto com mais profissionais envolvidos na gestão de materiais, dependendo do Tipos de Materiais Em uma empresa, existem diversos materiais. Se ela for uma produtora de bens, haverá um valor investido em matérias-primas e semiacabados re- lativamente alto; se a empresa for um revendedor de produtos, haverá um valor investido em mate- riais de prateleira. Podemos dividir os materiais em diferentes tipos. Vejamos alguns: • Produto acabado: é a designação dada ao material produzido por um processo produti- vo. O produto acabado pode ser formado por matéria-prima, componentes e semiacabados. • Matéria-prima: é o material adquirido de um fornecedor externo e sofre alterações – físicas ou químicas –, formando o produto final. De- pois dos produtos acabados, geralmente, é o material com valor financeiro mais alto. A sigla SKU, em português, significa “unidade de manutenção de estoque”. Ela se refere a um có- digo único que é atribuído a um item. Assim, se dissermos que uma empresa possui mil SKUs, significa que ela possui mil itens diferentes em es- toque. Cada item pode se diferenciar por peque- nas alterações, assim, por exemplo, podemos ter uma SKU para um tênis tamanho 40 e outra SKU para o mesmo modelo de tênis de tamanho 42. 169UNIDADE 6 tamanho da empresa. Em todos os casos, o gestor se deparará com um dilema. Este dilema é constituído por dois desafios com metas conflitantes. O primeiro desafio do gestor de materiais é fazer com que todos os clientes, sejam internos ou externos à empresa, sejam cem por cento atendidos, conforme sua necessidade, ou seja, “no mundo perfeito da gestão de materiais”, toda vez que um cliente chegar ao almoxarifado da empresa (cliente interno) ou solicitar um produto ao setor de vendas (cliente externo), seu pedido é atendido imediatamente. Consegue imaginar como seria boa essa situação? Imagine uma fábrica onde não há atrasos e to- dos são atendidos prontamente com aquilo que realmente necessitam. Seria um “paraíso logístico”! Contudo, na prática, é impossível o gestor de materiais proporcionar um nível de serviço perfeito. Isto é, haverá momentos em que os clientes externos terão seus pedidos atrasados. Haverá momentos em que a matéria-prima necessária para a produção do produto acabado faltará no estoque, devido, por exemplo, a um atraso de fornecedor. Nível de serviço significa o quanto as solicitações de clientes foram completamente atendidas no prazo em relação ao total de solicitações recebidas no mesmo período. Pode ser calculado pela fórmula: Nível de serviço solicitações completamente atendidas no prazo to = ttal de solicitações recebidas no mesmoperíodo %[ ] Por exemplo, se em uma semana dez itens estavam previstos para serem entregues e a empresa conseguiu entregar apenas seis itens, o nível de serviço será: Nível de serviço = = 6 10 60% Fonte: adaptado de Gasnier (2002) O gestor de materiais é um sujeito persistente. Mesmo não atin- gindo o objetivo de nível de serviço cem por cento, ele trabalhará para atingir o melhor nível possível. Contudo, à medida que ele melhora o nível de serviço, outra variável se altera. Esta tem a ver com o segundo desafio do gestor. 170 Conceitos Gerais da Gestão de Estoques Ao tentar atender todos os pedidos dentro do prazo, será necessário empregar mais capital nos materiais, o que irá diminuir o capital de giro da empresa. Pense o seguinte: para alcançar um nível de serviço de cem por cento, será preciso ter estoque de diversos itens e em um grande volume; porém, o gestor de materiais deve fazer bom uso dos recursos financeiros, possibilitando um maior capital de giro para a empresa, ou seja, se for utilizado o capital de giro para comprar materiais, ele irá diminuir, o que será algo ruim para a empresa. Assim, o gestor de materiais se depara com o seu grande dilema: ele precisa proporcionar um bom nível de serviço, porém precisa reduzir os custos com materiais em estoque. Ao melhorar o nível de serviço, o custo com materiais em estoque aumen- ta; ao diminuir o custo, o nível de serviço piora. Gestores de materiais se deparam com a si- tuação em que existe uma grande quantidade em estoque de um certo tipo de material e falta esto- que dos itens que estão sendo demandados no momento. Assim, um bom gestor de materiais é aquele que consegue fazer o balanceamento entre o nível de serviço e o capital de giro, investindo os recursos da empresa nos itens que realmente serão demandados. É preciso ser eficaz (atender aos pedidos dos clientes) e eficiente (fazer bom uso dos recursos financeiros). Ao longo desta unidade, bem como ao longo deste livro, apresentamos conceitos e técnicas que apoiam o objetivo do gestor de materiais de ser eficaz e eficiente. Vamos ver, no próximo tópico, como os materiais podem ser segmentados para que uma atenção especial seja dada a alguns tipos de materiais. Além dos aspectos gerais da gestão de mate- riais, existem conceitos e técnicas específicas de armazenamento e estocagem. Conheça alguns deles na pílula de aprendizagem. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 171UNIDADE6 Você já precisou priorizar algo em sua vida? Por exemplo, já se deparou com a situação de ter que fazer várias coisas no seu trabalho em pouco tempo? Se sim, talvez você concorde que começar pelas coi- sas que são mais importantes é uma excelente forma de apresentar um bom desempenho no trabalho. Afinal, nosso tempo, nossa atenção e nossa capaci- dade física e mental são limitados ao longo do dia. Com a gestão de materiais não é diferente. Uma empresa pode possuir mais de mil SKUs diferentes cadastrados em seu sistema de gestão de materiais, desde matérias-primas até produ- tos acabados. Os funcionários que lidam com os materiais são limitados. É impossível dispensar o mesmo tipo de atenção e tratamento a todos os materiais em estoque, porém, existem materiais que, devido algumas características ou critérios, merecem uma atenção maior que outros. O presente tópico irá mostrar quais são estes critérios e como podemos classificar os diversos itens em estoque para dispensar a atenção que cada um deles realmente merece, tendo em vista a limitação de recursos. Vamos apresentar cinco tipos de classificações diferentes dos materiais baseado no trabalho de Gasnier (2002). Classificação de Estoques 172 Conceitos Gerais da Gestão de Estoques Classificação ABC Esta classificação divide os itens conforme sua importância econômica. Para encontrar a importância de cada item, podemos multiplicar o total demandado do item dentro de um período de tempo pelo seu custo/preço médio. Itens que apresentarem o maior valor serão itens classe A; itens de valor inter- mediário serão itens classe B; e itens de valor menor serão itens classe C. Para fazer a classificação, você precisa levantar os seguintes dados: nome dos itens; demanda dos itens dentro de certo período; custo ou preço médio do item dentro do período; valor total do item, dado pela multiplicação da demanda pelo custo ou preço médio; e, representatividade, do item em relação ao total de itens, em termos percentuais. Para entender melhor, veja a Tabela 1 que mostra os dados de dez itens. Tabela 1 – Lista de itens para fazer classificação ABC Código do item Demanda anual (unidades) Custo médio (R$/unidade) Valor anual dos itens demandados (R$/ano) % da soma dos valores dos 10 itens 1 2.000 11 22.000 44% 2 1.000 8 8.000 16% 3 1.000 1 1.000 2% 4 1.500 1 1.500 3% 5 1.000 10 10.000 20% 6 300 3 900 2% 7 1.700 1,2 2.040 4% 8 150 10 1.500 3% 9 220 3 660 1% 10 5.000 0,5 2.500 5% Total 50.100 Fonte: o autor. Observe que o período considerado foi um ano. O valor anual dos itens foi obtido pela multiplicação do valor da segunda coluna (demanda anual) pelo valor da terceira coluna (custo médio). Por exemplo, para o item 1, o valor anual foi: Valor anual demanda anual custo médio� � � � �2000 11 22000 Na última coluna, temos a representação percentual do valor anual do item em relação ao valor total anual dos itens (que neste caso foi de 50.100). Por exemplo, para o item 1, o cálculo realizado foi: % da soma dos valores valor anual do item valor total anual dos itens = = 222000 50100 44= % O próximo passo é ordenar a lista de itens em ordem decrescente, do maior valor anual para o menor valor, conforme mostra a Tabela 2. 173UNIDADE 6 Tabela 2 – Itens ordenados em ordem decrescente de valor anual Código do item Demanda anual (unidades) Custo médio (R$/unidade) Valor anual dos itens demandados (R$/ano) % da soma dos valores dos 10 itens 1 2.000 11 22.000 44% 5 1.000 10 10.000 20% 2 1.000 8 8.000 16% 10 5.000 0,5 2.500 5% 7 1.700 1,2 2.040 4% 4 1.500 1 1.500 3% 8 150 10 1.500 3% 3 1.000 1 1.000 2% 6 300 3 900 2% 9 220 3 660 1% Fonte: o autor. Agora, precisamos determinar quais itens são classe A, B e C. Para isso, devemos estabelecer pontos de corte. Estes pontos determinam até qual porcentagem, do valor total de itens, uma classe abrange. Vamos utilizar os seguintes pontos de corte (que você pode usar como um modelo de pontos de corte): • Até 80% do total acumulado, os itens são classe A. • Entre 80% e 90% do total acumulado, os itens são classe B. • Acima de 90% do total acumulado, os itens são classe C. Assim, para classificar nossos itens, vamos acrescentar mais uma coluna na Tabela 2: porcentagem acumu- lada e classe. Em seguida, vamos determinar a classe dos itens. Os resultados são mostrados na Tabela 3. Tabela 3 – Itens segundo a classificação ABC Código do item Demanda anual (unidades) Custo médio (R$/ unidade) Valor anual dos itens demanda- dos (R$/ano) % da soma dos valores dos 10 itens % acumulada da soma dos valo- res dos 10 itens Classe 1 2.000 11 22.000 44% 44% A 5 1.000 10 10.000 20% 64% A 2 1.000 8 8.000 16% 80% A 10 5.000 0,5 2.500 5% 85% B 7 1.700 1,2 2.040 4% 89% B 4 1.500 1 1.500 3% 92% C 8 150 10 1.500 3% 95% C 3 1.000 1 1.000 2% 97% C 6 300 3 900 2% 99% C 9 220 3 660 1% 100% C Fonte: o autor. 174 Conceitos Gerais da Gestão de Estoques Por meio dessa classificação, podemos priorizar os itens 1, 5 e 2, pois são itens classe A, ou seja, são itens que representam até 80% do valor total investido em estoque. São itens que merecem, por exemplo, ter um inventário mais frequente, ter uma previsão de demanda mais precisa, menores volumes de es- toque, maiores giros, lotes menores de compra e de produção, dentre outras atenções especiais. Esta classificação é feita, item a item, de forma subjetiva pelo gestor de materiais e sua equipe, ou seja, é preciso avaliar cada item e determinar seu nível de criticidade para o processo. Classificação 123 Esta classificação divide os itens conforme a com- plexidade de fornecimento: • Itens classe 1 são aqueles de fornecimento complexo. São itens que demandam mui- to tempo para serem repostos, como é o caso de alguns itens importados ou que apresentam várias dificuldades, como fornecimento por um único fornecedor e problemas de qualidade constantes. • Itens classe 2 são aqueles de fornecimento difícil. São itens que apresentam alguma dificuldade de fornecimento, como lon- gos lead times ou que são fornecidos por poucos fornecedores. • Itens classe 3 são aqueles de fornecimento fácil. São itens com baixos lead times e/ou que são disponibilizados por vários forne- cedores. São itens com pouca ou nenhuma dificuldade de fornecimento. Esta classificação também é feita de forma sub- jetiva, mas podem ser utilizados dados históricos de entrega para avaliar melhor a dificuldade de fornecimento de cada item. Classificação PQR Esta classificação divide os itens conforme sua popularidade. Um item popular é aquele que é frequentemente requisitado no almoxarifado ou que é frequentemente reposto. O significado de cada classe é: A classificação ABC é baseada no Princípio de Pa- reto. Este princípio afirma que cerca de 80% dos efeitos são gerados por cerca de 20% das causas, ou seja, ser for necessário priorizar a eliminação de algumas causas, é interessante escolher pou- cas delas que estão ligadas à maioria dos efeitos não desejados. O Princípio de Pareto é aplicado na gestão de materiais, na economia, na enge- nharia, dentre outras áreas. Classificação XYZ Esta classificação divide os itens conforme o cri- tério de criticidade para o processo: • Itens classe X são aqueles que, se faltarem em estoque, irão afetar o processo produti- vo, porém poderão ser substituídos por ou- tros itens. O processo produtivo não para. • Itens classe Y são aqueles que, se faltarem em estoque, irão reter os itens acabados, impedindo o seu faturamento. O processo produtivo continua, mas não será possível entregar o produto acabado. • Itens classe Z são aqueles que, se faltarem em estoque, irão parar todo o processo produtivo e as entregas. São itens extre- mamente críticos. 175UNIDADE 6 • Itens classe P são itens muito populares, apresentam, no mínimo, uma movimentação por dia. • Itens classe Q são itens de média popularidade, apresentam menos que uma movimentaçãopor dia, porém possuem, no mínimo, uma movimentação no mês. • Itens classe R são itens de baixa popularidade, apresentam menos que uma movimentação no mês ou apresentam, pelo menos, uma movimentação no semestre. A movimentação se refere a um apanhe (retirada) do item no almoxarifado ou a uma reposição. Para trabalharmos com dados mais objetivos, podemos calcular o tempo médio entre apanhes (TMEA) ou o tempo médio entre reposições (TMER) utilizando as seguintes fórmulas: TMEA meses no ano dias corridos por mês popularidade de despac � �12 30 hho qtde de vezes por ano.� � TMER meses no ano dias corridos por mês popularidade de recebi � �12 30 mmento qtde de vezes por ano.� � Por exemplo, considere o caso de um item que saiu do estoque (foi despachado) 95 vezes no ano. Isto é, existiram 95 requisições deste item durante o ano, cada requisição solicita uma quantidade variável do item, porém, o que nos interessa é o número de vezes no ano que o item foi despachado. Para este caso, temos o seguinte valor de TMEA: TMEA meses no ano dias corridos por mês popularidade de despac � �12 30 hho qtde de vezes por ano dias entre cada despacho . , � � � � 360 95 3 8 TMEA meses no ano dias corridos por mês popularidade de despac � �12 30 hho qtde de vezes por ano dias entre cada despacho . , � � � � 360 95 3 8 Isto é, a cada 3,8 dias este item foi requisitado no estoque. Isso equivale a 0,26 (1/3,8) movimentações por dia ou cerca de 7,9 (30/3,8) movimentações no mês; portanto, este item é classe Q. 176 Conceitos Gerais da Gestão de Estoques Classificação GUS Esta classificação divide os itens conforme o local ou produto em que é usado. • Os itens classe G são aqueles que são usa- dos de forma geral, em diversos pontos de consumo e em vários produtos. • Os itens classe U são aqueles que são usa- dos em um único ponto de consumo, po- rém é usado em diversos produtos. • Os itens classe S são aqueles que são usados de forma específica em um único produto. Esta classificação deve ser feita item a item, sem a realização de cálculos. Ela auxilia o gestor a veri- ficar se há oportunidades de centralizar estoques. Por exemplo, itens que são classe G podem ser armazenados em um único centro de distribuição próximo dos pontos de consumo. O que Fazer após Classificar os Itens Como explicamos no início do tópico, fazemos as classificações para priorizar a gestão de materiais. Nem sempre você irá classificar os itens de acordo com todos os tipos de classificações que apresenta- mos. Assim, dependendo do seu objetivo, você usa- rá uma ou algumas das classificações. A escolha de qual classificação usar dependerá do seu objetivo. Se você estiver sofrendo com a falta constante de materiais em estoque, seria recomendado fazer uma classificação 123 para verificar as complexi- dades de fornecimento e, a partir daí, determinar os itens classes 1 e 2 que devem ser acompanhados de perto quanto ao seu ressuprimento, devido às dificuldades envolvidas. Se seu objetivo for redu- zir os tempos de manuseio de materiais, desde o almoxarifado até o ponto de consumo, seria inte- ressante utilizar a classificação PQR para determi- nar quais itens são os mais populares. Estes itens podem ser estocados mais próximo do ponto de consumo, reduzindo o tempo de manuseio. Usamos as classificações para determinar como cada item vai ser reposto. Por exemplo, se um item for das seguintes classes, que estratégia de reposição você adotaria? • Classe C. • Classe Z. • Classe 2. • Classe Q. Vejamos: o item é classe C e, portanto, possui um baixo valor econômico. Um alto estoque do item não representaria muito em termos de valores fi- nanceiros. Ele é classe Z, o que indica que sua falta iria parar todo o processo de produção. É classe 2 quanto à dificuldade de fornecimento, ou seja, não é fácil fazer sua reposição. E é um item de po- pularidade média (classe Q), portanto, podemos chegar à conclusão que a melhor estratégia seria manter um alto nível de estoque do item, utilizan- do um modelo de controle de estoque por ponto de reposição (vamos apresentar este modelo na próxima unidade). Para finalizar os conceitos gerais da gestão de estoques, vamos falar sobre uma importante ca- racterística dos sistemas de gestão de estoques: acuracidade de saldos. 177UNIDADE 6 O princípio de o estoque fazer parte de um sistema está relacionado com a acuracidade de saldos. Imagine que você consulte em um sistema de gestão de materiais (pode ser um ERP ou uma planilha) o saldo de um item relativamente caro. Segundo o sistema, existe uma determinada quan- tidade do item em estoque, porém, ao ir ao local físico de armazenagem, você constata que existe uma variação de cinquenta por cento a menos do material, ou seja, o sistema mostra, por exemplo, que existem 100 unidades em estoque, mas, na realidade, existem apenas 50 unidades. Esta grande divergência, apesar de incomum, pode ocorrer. Imagine as consequências. Como o item é caro, podemos afirmar como primeira consequência que haverá uma grande divergência em termos financeiros sobre o valor (em reais) armazenado em estoque. Outra consequência é a falta de controle, ou seja, em algum momento, poderia ter existido o saldo, mas ele saiu do al- moxarifado sem se ter o controle para onde foi. Acuracidade de Saldos de Estoques 178 Conceitos Gerais da Gestão de Estoques Há algumas consequências piores, por exemplo, se a empresa utiliza esse item para produzir produtos acabados e recebe um grande pedido de um importante cliente, o pedido poderá atrasar, chegando ao ponto de causar um descontentamento do cliente que o faça desistir de fazer negócios com a empresa. Isso por que o setor de PCP irá planejar a produção acreditando que o item existe em estoque. No momento da produção, o setor que irá utilizar o material irá constatar a sua falta e a produção ficará interrompida até a reposição do item. Você consegue citar outras consequências? Assim, a acuracidade de saldos é muito importante, tanto para o planejamento e controle da produ- ção como para o setor de contabilidade da empresa. Para alcançar a acuracidade de saldos, será preciso investir tempo nas atividades que visam o registro e controle dos itens em estoque. Este investimento traz benefícios para diversas áreas, como para a área contábil, área de vendas, logística e setor de produção. Algo acurado é algo feito com esmero, caprichado (MICHAELIS, [2019], on-line)2. A acuracidade pode ser aplicada tanto aos saldos em estoque como em outros elementos de um sistema produtivo: acuracidade da estrutura de produtos, acuracidade de roteiros de produção, acuracidade dos lead times, acuracidade dos custos, acuracidade dos endereços de localização dos materiais etc. A acuracidade pode ser definida matematicamente pela seguinte equação (GASNIER, 2002): Acuricidade Quantidade de informações corretas Total de informaç � õões � � �% Assim, por exemplo, se uma empresa possui em estoque 500 itens diferentes e faz um inventário (con- tagem de material no sistema físico e comparação da quantidade contada com o valor registrado no sistema virtual), constatando que 450 itens não apresentam divergência de saldos, a acuracidade será: Acuricidade = = 450 500 90% A acuracidade de saldos evita a divergência. Esta pode ser medida pela diferença entre a quantidade medida no sistema físico e a quantidade constante no sistema. Por exemplo, se um item possui, no sistema, 200 unidades em estoque e é contado no sistema físico a quantidade de 100 unidades, a di- vergência será: Divergência � � � � 100 200 200 50% Isto é, existe 50% a menos daquele item em estoque. Intuitivamente, sabemos que uma acuracidade de cem por cento é melhor que uma acuracidade de noventa por cento. Assim, quanto mais acuracidade existir na gestão de materiais, melhor será a situação. Entretanto, como alcançar bons valores de acuracidade? Podemos utilizar tecnologias que evitemfalhas nos registros de entrada e saída de materiais e po- demos realizar inventários com mais frequência. A título de ilustração, observe a Figura 2, que mostra os níveis de acuracidade em função das tecnologias empregadas. 179UNIDADE 6 Desogarnizado Periódico Rotativo CB/AutoID Acuracidade 100% 90% 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 99,9%98% 90% 30% Figura 2 – Acuracidade conforme tecnologia empregada Fonte: Gasnier (2002, p. 106). Observamos, na figura, que quando não existe um sistema muito bem estruturado, caracterizando uma situação de desorganização, a acuracidade tende a ser baixa (30%). Ao se realizar um inventário periódico ou rotativo, a acuracidade aumenta. Com um sistema automatizado, a acuracidade aumenta mais ainda para quase cem por cento. Para melhorar e verificar a acuracidade dos saldos, são realizadas as contagens dos itens em estoque e comparação com os valores registrados em sistema. Este procedimento é conhecido como inventário, que podem ser feitos de diversas maneiras, dentre elas (GASNIER, 2002): • Inventário geral: é feito a portas fechadas e abrange todos os itens. • Inventário permanente: é feito de forma periódica, abrangendo todos os itens. • Inventário rotativo: é feito de forma contínua e cíclica, conforme a importância do item. É parecido com o inventário permanente, po- rém a contagem é feita com mais frequência, conforme o item. • Inventário gratuito: é realizado sempre que existe uma oportunidade de fazer a contagem do item. • Inventário por grupo de itens: é uma conta- gem feita com muito mais frequência para um grupo específico de itens, devido à ne- cessidade de se ter um controle rigoroso de quantidades. A seguir, vamos explicar como planejar um inventário. 180 Conceitos Gerais da Gestão de Estoques Planejamento de um Inventário todas as SKUs são inventariadas em todos os seus ciclos. Em seguida, devemos determinar o ciclo de contagem de cada item ou grupo de itens. Um ciclo é o número de vezes em que um item é con- tado dentro do período do inventário. Para ficar mais claro, veja o seguinte exemplo. Uma empresa possui 5.000 SKU em estoque. Cada SKU foi classificada, conforme classificação ABC, e obteve-se o seguinte resultado. Tabela 4 - Quantidade de itens por classe ABC Classe Quantidade de itens (SKUs) A 100 B 1.000 C 3.900 Fonte: o autor. Foi determinado que o período para realização do inventário rotativo seria de seis meses (ou vinte e quatro semanas). Isto é, dentro de seis meses, todas as SKUs deveriam estar inventariadas em todos os seus ciclos. Em seguida, foi determinado o número de ciclos de cada SKU conforme sua classe. Os ciclos foram: • Para itens classe A (um total de 100 SKUs), foram determinados seis ciclos. • Para itens classe B (um total de 1000 SKUs), foram determinados três ciclos. • Para itens classe C (um total de 3900 SKUs), foram determinados dois ciclos. Isto é, uma SKU classe A, por exemplo, seria con- tada seis vezes ao longo das 24 semanas, que é o período do inventário. Um item classe B seria contado três vezes ao longo das 24 semanas, e um item classe C passaria por contagem duas vezes ao longo das 24 semanas. A partir desses dados, podemos montar um plano de contagens como o mostrado na Figura 3. Após decidir qual tipo de inventário será feito, é preciso definir quem o fará. Ele pode ser feito pelos próprios empregados da empresa que estará sendo inventariada ou por terceiros especializa- dos em inventários. Deve-se fazer uma preparação para o inventá- rio. Esta envolve o levantamento dos códigos e no- mes de todos os itens que serão inventariados, bem como sua localização. É feito uma comunicação geral sobre a existência do inventário, informan- do, por exemplo, o(s) dia(s) em que o inventário ocorrerá e quais itens serão inventariados. As pessoas são elementos fundamentais para o bom desempenho e velocidade de execução do inventário. Os papéis que cada pessoa terá devem ser determinados: contadores de esto- que, digitadores de dados no sistema, supervisor do inventário, auditores, analistas etc. É impor- tante que as pessoas entendam como funciona o inventário e estejam treinadas para realizar a tarefa que lhe couber. Estas pessoas podem ser organizadas em um organograma, para facilitar a visualização dos papéis e a quem cada pessoa deverá se reportar. Elaborar um cronograma para o inventário também ajudará na sua realização, especialmente se o inventário for do tipo permanente ou rotativo. Estes tipos de inventário envolvem a contagem de materiais mais de uma vez por ano, e com o cronograma fica mais fácil controlar as contagens. Vamos detalhar um pouco mais a realização de um inventário rotativo. Como vimos, esse tipo de inventário é feito de forma contínua e cíclica, ou seja, um item, por exemplo, é inventariado mais de uma vez ao longo do ano, conforme o número de ciclos de contagem. Para fazer o inventário rotativo, devemos, ini- cialmente, determinar qual é o período do inven- tário. O período é o intervalo de tempo em que 181UNIDADE 6 125 125 125 125 125 Número de contagensClasse Semana TOTAL DE CONTAGENS: 11400 A B C 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 100 SKU X 6 CICLOS = 600 CONTAGENS 1000 SKU X 3 CICLOS = 3000 CONTAGENS 3900 SKU X 2 CICLOS = 7800 CONTAGENS 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 125 125 125 25 25 25 125 125 125 125 125 125 125 125 125 125 125 125 125 125 125 125 325 325 325 325 325 325 325 325 325 325 325 325 325 325 325 325 325 325 325 325 325 325 325 325 Figura 3 – Exemplo de plano de contagens Fonte: adaptada de Gasnier (2002, p. 117). Quantas pessoas serão necessárias para fazer a contagem dos itens de cada semana? Ora, pela Figura 3, observamos que, em cada semana, haverá um total de 475 contagens (25+125+325). Conside- rando uma semana de cinco dias úteis, o número médio de contagens por dia será de 475/5=95. Como uma pessoa pode fazer 40 contagens por dia, chegamos à conclusão que serão necessárias cerca de três pessoas por dia para fazer a contagem. Estas pessoas devem ser treinadas e possuir, por dia, a lista dos itens que serão inventariados. É importante destacar que durante o inventário rotativo, mesmo sendo feita a comunicação sobre o inventário, os processos produtivos continuarão a funcionar. Se algum setor requisitar o material no momento do inventário, ou se for feito alguma entrega de material, uma das três ações deve ser tomada: • Parar o inventário e priorizar o atendimen- to do setor requisitante/fornecedor. • Não interromper o inventário e orientar o setor que requisite/forneça o material novamente após a realização do inventário. Vamos interpretar este plano. Para os itens classe A, cada item será contado seis vezes ao longo de 24 semanas. Como há um total de 100 itens classe A, haverá um total de 600 contagens ao longo das 24 semanas. Na primeira semana, conta-se 25 itens; na se- gunda semana mais 25; na terceira semana mais 25; e na quarta semana conta-se 25 itens, totali- zando os 100 itens da classe A. Fecha-se o primei- ro ciclo de contagem dos itens classe A. Na quinta semana, inicia-se novamente a contagem dos itens classe A e assim por diante. Este procedimento é aplicado, também, para os demais itens das classes B e C, porém, observamos que os itens classe B serão contados três vezes (três ciclos) e os itens classe C serão contados duas vezes (dois ciclos). A partir do plano de contagens, pode-se veri- ficar a necessidade de contadores. Considerando como valor de referência que uma pessoa pode fazer quarenta contagens por dia, ou seja: Produtividadede contagem contagens dia pessoa � � 40 182 Conceitos Gerais da Gestão de Estoques • Atender a requisição do setor e fazer o inventário. Neste caso, deve-se fazer um registro da transação e fazer o inventário, conciliando com a transação. Basicamente, estes sãoos procedimentos de um inventário rotativo. Ao se estabelecer o plano de contagens e o número de pessoas necessárias para executá-lo, o gestor de materiais pode estimar o custo e o tempo do inventário. Ao se identificar uma divergência de estoque, deve-se fazer a sua correção. No entanto, além de oferecer saldos acurados, o inventário possui outro objetivo. Ele visa a obtenção de informações para melhorar o processo de manter itens com saldos atualizados em estoque. Aprendendo com o Inventário Se você e sua equipe fazem um inventário e encontram altas divergências, fica a dica: não desanimem. Manter um estoque atualizado não é fácil, ele depende do nível de organização da empresa, mas, aos poucos, as coisas podem me- lhorar. Em alguns casos, no entanto, algumas medidas “extremas” devem ser tomadas, como a realização de inventários diários, auditores per- manentes para verificar o estoque em pontos estratégicos etc. Além das medidas extremas em algumas si- tuações, medidas de ordem preventiva e corre- tiva devem ser tomadas após um inventário. É preciso identificar o que causou a divergência no estoque. O objetivo do inventário rotativo é “identificar furos nos processos e ferramentas, para que possamos corrigi-los. É preciso atuar nas causas, para que não se repitam” (GASNIER, 2002, p. 123). As causas devem ser investigadas se a divergência for maior que a tolerância esta- belecida. A título de exemplo, listamos algumas das possíveis causas de divergências (GASNIER, 2002): • Causas relacionadas ao material: perda ocorrida nos processos de produção; va- zamento do produto pela embalagem; de- terioração do material. • Causas relacionadas à mão de obra: conta- dores erram na contagem; caligrafia ilegí- vel em registro; falta de treinamento; pressa decorrente da sobrecarga de trabalho. • Causas relacionadas ao método: o almo- xarifado entrega um produto diferente do produto da requisição; falta de conferên- cia do material; improvisações; erros de comunicação. • Causas relacionadas à máquina: erro de processamento; erros durante a conversão de unidades no sistema. • Causas relacionadas a medidas ou indica- dores: erro na estrutura de produto; erros de documentação. • Causas relacionadas ao meio ambiente: erro no fornecedor; furto; evaporação do material. Nesta unidade, estudamos o que é a gestão de ma- teriais, como os itens em estoque podem ser admi- nistrados conforme sua classe e vimos um exem- plo de inventário rotativo. A gestão de materiais é aplicada nas organizações que produzem e nas organizações que somente revendem materiais. Saber classificar os itens que são administrados no estoque permite que o gestor priorize itens que necessitam de maior atenção e tempo na sua administração. Realizar um inventário rotativo promove a acuracidade de saldos, impactando po- sitivamente nas demais operações da empresa que dependem de informação correta, como é o caso do uso do MRP estudado na unidade anterior. 183 1. Acompanhe o diálogo a seguir: Patrão: — Caro gestor, temos um grave problema na empresa. Faltam materiais constantemente e pedidos de produção não são despachados devido a isto. Gestor de materiais: — Tudo bem, estimado patrão. Para resolver este problema, devemos aumentar nosso estoque. Analisando o pequeno diálogo entre patrão e gestor de materiais, explique se a solução proposta pelo gestor está correta. 2. Você trabalha para a empresa Experta S/A. Um item denominado “item Alfa” é fornecido por 20 empresas diferentes, que se localizam em um raio de até 4 km em relação à Experta S/A. O item denominado “item Beta” é importado de um fornecedor do Japão. O item é extremamente delicado, necessitando de transporte e armazenagem refrigerados. Seu fornecimento é feito com um prazo mínimo de 40 dias úteis após o pedido. Já o “item Gama” é fornecido por três fornecedores diferentes localizados no mesmo Estado da empresa Experta S/A. Considerando as informações apresentadas, qual tipo de classificação poderia ser utilizada para gerenciar os estoques dos itens Alfa, Beta e Gama? Como os itens seriam classificados? Justifique sua resposta. 3. Um gestor de materiais deseja realizar um inventário rotativo. O inventário será realizado em um período de doze semanas. Para os itens de classe A, o gestor determinou que haverá quatro ciclos. Em quanto tempo todos os itens da classe A deverão ser contados pelo menos uma vez? Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 184 A dinâmica dos estoques Autor: Daniel Georges Gasnier Editora: IMAM Sinopse: A Dinâmica dos Estoques – um guia prático para planejamento e gestão de materiais, apresenta conceitos e ferramentas que, efetivamente, contribuem no equilíbrio do dilema entre o atendimento aos clientes e o dimensionamento do capital de giro em estoques. Comentário: essa obra se dedica inteiramente ao tema de gestão de materiais. Pode ser utilizada como um manual de bolso do gestor de materiais. Possui diversas ferramentas e conceitos que podem ser aplicados a rotina do PCP. LIVRO Sherlock: a new sleuth for the 21st century Ano: 2010 Sinopse: nessa série, inspirada nos livros de Sir Arthur Conan Doyle, o excêntrico Sherlock usa inteligência, psicologia e intuição para interpretar pistas. Comentário: fazer a gestão de materiais envolve técnica e intuição. Descobrir porque existem as divergências de estoques é descobrir problemas não eviden- ciados. Assim como um detetive, o gestor de materiais deve estar atento às pistas que indicam algo de errado nos processos e atividades da gestão de materiais. FILME O link indicado a seguir dá acesso a uma planilha contendo um exemplo de plano de contagem de um inventário rotativo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. WEB 185 GASNIER, D. G. A dinâmica dos estoques: guia prático para planejamento, gestão de materiais e logística. São Paulo: Imam, 2002. REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: https: https://michaelis.uol.com.br/palavra/MjvM/gest%C3%A3o/. Acesso em: 17 jun. 2020. 2Em: https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/acurado/. Acesso em: 17 jun. 2020. 186 1. Talvez o gestor esteja correto. É preciso avaliar o quanto será aumentado de estoque de cada item. Ele precisa se lembrar do grande dilema: devemos ter um nível de serviço alto, porém os recursos financeiros devem ser gastos de forma controlada, possibilitando um capital de giro adequado. 2. Pode-se utilizar a classificação 123, pois ela visa classificar os itens conforme as dificuldades de fornecimen- to, que é uma característica importante para a gestão dos itens em questão. O “item Alfa” seria um item classe 3, pois possui poucas dificuldades de fornecimento; o “item Beta” seria um item classe 1, pois seu fornecimento é muito complexo; e o “item Gama” seria um item classe 2, pois possui algumas dificuldades de fornecimento, ou seja, uma média complexidade de fornecimento. 3. Como o período do inventário rotativo é de semanas e dentro deste período haverá ciclos, chegamos à conclusão que cada ciclo terá uma duração de semanas. Assim, no mínimo, em um ciclo de semanas, todos os itens classe A estarão contados por uma vez. 187 188 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Explicar a dinâmica da reposição contínua de estoques. • Estudar a dinâmica da reposição periódica de estoques. • Apresentar indicadores de desempenho na gestão de estoques. Reposição Contínua Reposição Periódica Indicadores de Desempenho Me. Maílson José da Silva Modelos para a Gestão de Estoques Reposição Contínua Algumas das questões sobre PCP que comenta- mos neste livro são sobre a definição de quando e quanto comprar ou produzir um determinado item. Vimos que podemos utilizar o MRP para res- ponder a estas perguntas. No entanto, o MRP fun- ciona para a demanda dependente e nem sempre é recomendado, dependendo das características da demanda, conforme já comentamos. Existem outros modelos para a gestão de estoques.Nesta unidade, vamos conhecer os modelos baseados na reposição contínua e na revisão periódica. Vamos ver também como podemos avaliar a gestão de estoques por meio de alguns indicadores. Imagine a seguinte situação: uma serralhe- ria (local em que materiais de aço são cortados e soldados) fabrica painéis metálicos e utiliza quatro modelos diferentes de tubos de aço, de- nominados tubos A, B, C e D. Cada tubo se di- ferencia do outro devido às suas características, tais como altura, largura e espessura de parede. O uso desses tubos é constante. Como a serralheria atende a pedidos personalizados de clientes, seu sistema de produção é por projeto; contudo, cada projeto utiliza um ou mais modelos de tubos. O gestor de materiais dessa serralheria resolveu 191UNIDADE 7 não utilizar o MRP, devido a baixas quantidades de demanda para cada produto acabado. Em vez disso, foi decidido fazer a gestão dos tubos de aço utilizando o sistema de reposição ou revisão contínua. Como isso vai funcionar? Como o próprio nome indica, a revisão con- tínua é uma revisão de estoques feita continua- mente. Isto é, após retirar um tubo do estoque para ser usado na fabricação, verifica-se o estoque final. Isso é feito sempre que ocorre uma saída de material. Ao verificar o estoque final, compara-se seu valor com um determinado nível de estoque, denominado Ponto de Ressuprimento (PR). Caso o estoque final seja igual ou menor que o PR, o gestor de materiais faz um novo pedido de reposição daquele material. A quantidade que ele pede, geralmente, é uma quantidade fixa: um ta- manho de lote de reposição fixo. Se você entendeu o que explicamos até aqui, você entendeu o que é o sistema de revisão contínua. Em suma, é isso. Agora, utilizando valores, suponha que o PR seja igual a 30 tubos. Uma quantidade de 5 tubos é retirada do estoque para ser consumida na pro- dução. Após a retirada, verificou-se o saldo final, sendo que o valor encontrado foi de 27 tubos. Como este valor está abaixo do valor de PR, faz-se um pedido de reposição na quantidade de 80 tu- bos, que é o valor estipulado do lote de reposição. Parece simples, e realmente é. Contudo, precisa- mos ainda responder a algumas perguntas para entender melhor: como é determinado o tamanho do lote de reposição? Como garantir que até a chegada do pedido de reposição o estoque não fique zerado? Como determinar o valor de PR? Continue lendo para saber as respostas. Tamanho do Lote de Reposi- ção na Revisão Contínua O lote de reposição pode ser determinado, basi- camente, de duas maneiras. A primeira delas é aquela que leva em con- sideração alguns aspectos práticos, em que se avalia diversos fatores, como conveniência para o tamanho do lote, disponibilidade do item no fornecedor, espaço de armazenamento disponível para armazenar o lote etc. Por exemplo, para nosso exemplo da serralheria, o gestor de materiais pode definir que um lote de 80 tubos é um valor ideal, tendo em vista o custo do frete e o espaço existente na serralheria para comportar fisicamente o lote. A segunda maneira de determinar o tamanho do lote é fazendo cálculos. Estes buscam encontrar o melhor tamanho de lote que irá minimizar os custos totais de reposição. Quais são estes custos? Existem basicamente três: • Custo unitário de compra do item: é o valor que pagamos pelo material. Exemplo: um tubo custa R$ 38,00. Se o lote de reposição é de 80 tubos, logo o custo com o material comprado será de R$ 3.040,00 (80x38). • Custo com o pedido: é o valor gasto devido às atividades para fazer com que o material chegue a seu destino. Existe o custo com sistemas de comunicação, sistema para internet, salário de compradores, frete etc. Para o nosso exemplo, o custo estimado foi de R$ 150,00 por pedido, devido ao frete e custos do setor de compras. A revisão contínua é uma verificação do nível de estoque de certo item e a comparação deste nível com um nível de estoque denominado ponto de reposição. Se o nível de estoque atual for menor que o ponto de reposição, será necessário fazer a compra ou a produção do item. Se o nível de estoque atual for maior que o ponto de repo- sição, não será necessário fazer a compra ou a produção do item. 192 Modelos para a Gestão de Estoques • Custo com o armazenamento do item: é o custo gasto com o aluguel do prédio para armazenar o produto, custo de manuten- ção do prédio, custo financeiro do dinheiro que não está sendo usado para outros in- vestimentos e sim para manter o item em estoque etc. Este custo pode ser represen- tado por uma taxa de encargos financeiros sobre os estoques ou, então, por um valor em moeda. É um valor calculado consi- derando um período anual. Para o nosso exemplo, o custo com armazenamento é dado por uma taxa de 78% ao ano, o que equivale a um custo de R$ 29,64. Com base nesses custos, podemos afirmar que o custo total com a reposição de um item, dentro de um ano de exercício, será de: CT=D .C D Q C Q Canual unit anual pedido armazenage� � � � � � � � � � � � � �. . 2 mm Em que: • CT : Custo total com a reposição do item no ano. • Danual : Demanda anual do item. • Cunit : Custo unitário de compra do item. • Q : Tamanho do lote de reposição. • Cpedido : Custo com o pedido. • Carmazenagem : Custo com o armazenamen- to do item. Com base nessa equação, podemos encontrar o tamanho do lote que minimiza o valor de CT . Isso é feito matematicamente, derivando-se a equação em relação ao valor de Q . Como resultado, iremos obter a seguinte equação: Q*= C D C 2 ⋅ ⋅pedido anual armazenagem Considerando nosso exemplo da serralheria, se a demanda anual for de 2100 tubos, qual seria o tamanho de lote ideal? Bem, já sabemos os custos: R$ 38,00 (Cunit ), R$ 150,00 (Cpedido ), R$ 29,64 (Carmazenagem). Assim, aplicando os valores, temos: Q*= C D C 2 2 150 2100 29 64 146pedido anual armazenagem , � Isto é, o tamanho de lote de reposição de 80 uni- dades, atualmente usado pelo gestor de materiais, não é o ideal. O ideal seria um lote com 146 uni- dades ou algo próximo desse valor. Sabemos, então, como determinar o tamanho ideal do lote de reposição. Agora, precisamos saber como garantir que durante o período de reposição não faltará material em estoque. Esta falta pode decorrer da alteração da demanda durante o período de reposição ou atraso de entrega por parte do fornecedor. Um estoque calculado com base na demanda média durante o período de reposição pode não ser suficiente para cobrir a necessidade de materiais. Será, por- tanto, necessário um estoque extra, denominado de estoque de segurança. Vejamos como ele pode ser dimensionado. Nem sempre utilizamos o valor exato do Lote Econômico de Compra, mas sim valores próxi- mos a ele. Existe, portanto, uma Faixa Econômica de tamanhos de lotes que proporcionam baixos custos de reposição. em que Q* é o tamanho do lote que minimiza os custos totais. Este lote é conhecido, também, como Lote Econômico de Compra (LEC). 193UNIDADE 7 Estoque de Segurança no Sistema de Revisão Contínua ES=Z × ×LT Ds Em que: • ES : tamanho do estoque de segurança. • Z : número de desvios padrão adotados, que depende do nível de serviço desejado. • LT : lead time de entrega do item. • sD : desvio padrão da demanda durante o período de ressuprimento. Para dimensionar o estoque de segurança, pre- cisamos definir o nível de serviço desejado. Este nível representa a probabilidade de não faltar o item em estoque, durante o ressuprimento. Veja, na Tabela 1, alguns valores de nível de serviço e o correspondente número de desvios padrão ( Z ) que será usado na equação do ES . Tabela 1 – Nível de serviço e variável Z Nível de serviço Z 57,93% 0,20 65,54% 0,40 75,17% 0,68 85,08% 1,04 90,66% 1,32 94,66% 1,56 96,08% 1,76 97,50% 1,96 97,93% 2,04 98,30% 2,12 98,98% 2,32 99,53% 2,60 99,71% 2,76 99,80% 2,88 99,87% 3,00 99,91% 3,12 99,97% 3,40 Fonte: Peinado e Graeml (2007, p. 728). As equaçõesda automação industrial é grande, havendo maior controle. Por exemplo: automóveis, componentes eletrônicos e alimentos in- dustrializados. Classificação segundo o fluxo de processo • Fluxo de processo em linha: apresenta uma sequência de tarefas bem definidas, sendo que uma tarefa depende da ativi- dade realizada anteriormente e a próxima operação dependerá da tarefa atual. Veja a Figura 1 que ilustra o fluxo de processo em linha. As classificações possuem fins didáticos e, na prática, observamos a coexistência delas em uma mesma empresa. Por exemplo, uma indústria metal mecânica pode ter uma linha dedicada a produzir um único produto, vendido em prate- leira, e um setor que atende projetos especiais. 18 Introdução ao Planejamento e Controle da Produção A tiv id ad es A tiv id ad es Processo 1 Fluxo Processo 2 Processo 3 Fluxo Fluxo Fluxo Processo �nal Fluxo A tiv id ad es A tiv id ad es A tiv id ad es A tiv id ad es A tiv id ad es A tiv id ad es Figura 1 - Fluxo do processo em linha Fonte: o autor. Neste tipo de processo, podemos identificar dois tipos de operações: em massa e contínuo. As operações em massa são aquelas que são realizadas repetitivamente para a produção de uma grande quantidade de produtos, como é o caso da fabricação de ventiladores, aparelhos de ar condicionado, outros tipos de eletrodomésticos, automóveis etc. As operações em fluxo contínuo são aquelas realizadas nas in- dústrias químicas, produtoras de bebidas, reagentes químicos, solventes, no fornecimento de gás etc. Vamos ver mais detalhes sobre esses dois tipos de operação mais adiante. • Fluxo de processo por lote: apresenta um fluxo descontínuo, ou seja, há interrupções no processo, por isso, há intervalos entre a produção de um lote e outro. Cada produto possui uma sequência específica de tarefas, assim, você conseguirá observar que sempre haverá mais de um fluxo produtivo. Existe a flexibilidade nas operações, porém o descontrole é mais fácil de ocorrer. Veja, na Figura 2, um exemplo de fluxo de processo por lote. A tiv id ad es Processo 1 Fluxo Prod. A Processo 3 Processo 5 Processo 7 A tiv id ad es Fluxo Prod. C Fluxo Prod. B Fluxo Prod. A A tividades A tividades Fl ux o Pr od . A Processo 2 Fluxo Prod. B Processo 4 Processo 6 Processo 8 Fluxo Prod. A Fluxo Prod. A Fluxo Prod. C Fl ux o Pr od . B Fl ux o Pr od . A Fluxo Prod. BFluxo Pro d. B Fluxo Prod. C Fluxo Prod. C Fluxo Prod. A Fluxo Prod. B Fluxo Prod. C A tiv id ad es A tiv id ad es A tiv id ad es A tiv id ad es Figura 2 - Fluxo de processo por lote Fonte: o autor. • Fluxo de processo por projeto: apresenta como característica principal a produção de apenas um único produto. A sequência de processos é definida de acordo com o produto. É o caso da produção de uma casa, um navio, um produto com novas tecnologias feito para determinadas aplicações, um tratamento dentário etc. 19UNIDADE 1 Ambiente de produção Esta classificação refere-se ao modo como o sistema de produção faz os seus estoques finais e intermediários, o que impacta no tempo de resposta de um pedido. Existem empresas que produzem para estocar, como, por exemplo, fa- bricantes de itens plásticos, fabricantes de livros etc. Quando o cliente faz um pedido, o prazo de entrega é medido pelo tempo de processar o pedido e fazer sua expedição (tal ambiente de produção é denominado Make-to-Stock - MTS). Outras empresas fabricam módulos ou partes do produto final e os estocam. Quando o cliente faz um pedido, o tempo de entrega se concentra em montar as partes e fazer sua expedição (tal ambiente de produção é denominado Assem- ble-to-Order - ATO). Há, ainda, as empresas que não possuem módulos ou partes pré-fabricadas e, quando recebem um pedido do cliente, precisam fabri- car, montar e fazer a expedição, sendo que o tempo de resposta se concentra nessas fases (tal ambiente de produção é denominado Make-to- -Order - MTO). Por fim, caro(a) aluno(a), existem ambientes de produção em que não se sabe exatamente qual vai ser a demanda e os requisitos do cliente. Assim, quando recebe-se um pedido, inicia-se o processo de engenharia do produto, faz-se a aquisição da matéria-prima, realiza-se a fabricação e monta- gem e, depois, a expedição do produto. Observe que o tempo de resposta a um pedido nesse am- biente tende a ser maior (tal ambiente de produ- ção é denominado Engineering-to-Order - ETO). Há, ainda, o ambiente de produção Resources- -to-Order (RTO), que acontece quando existem os projetos dos produtos, porém a matéria-prima para sua fabricação não fica no estoque da empre- sa. Ela é adquirida quando um novo pedido é feito pelo cliente. Acompanhe, na Figura 3, um resumo do comportamento de alguns fatores importantes em função da estratégia de resposta à demanda, conforme o ambiente de produção. Alto volume de produção Baixo volume de produção Baixa variedade de produtos Nenhum grau de costumização Altos custos de estoque Baixo tempo de resposta Alta variedade de produtos Alto grau de costumização Baixos custos de estoque Alto tempo de resposta MTS ATO MTO RTO ETO MTS ATO MTO RTO ETO MTS ATO MTO RTO ETO MTS ATO MTO RTO ETO MTS ATO MTO RTO ETO Figura 3 - Comportamento de alguns fatores em função do ambiente de produção Fonte: adaptada de Fernandes e Godinho Filho (2016). 20 Introdução ao Planejamento e Controle da Produção Analisando a figura, percebemos que quando se deseja rapidez na entre- ga de produtos, o mais recomendado é um ambiente de produção MTS. Se a qualidade deve ser priorizada, então um ambiente RTO ou ETO poderiam ser os melhores, por possuírem alto grau de customização; outras análises podem ser feitas. Tipo de operação • Contínua: nesse tipo de operação, observa-se facilmente a uti- lização da automação, pois a demanda do produto é alta e, con- sequentemente, o lote de produção deve ser grande. É possível identificar que a padronização é bem definida, os produtos são uniformes, há sincronia entre as atividades desempenhadas, o lead time produtivo (tempo de entrega do produto para o cliente final) é baixo e a flexibilidade também. Por exemplo: produção de petróleo e produtos químicos. Na área de serviços, podemos citar: serviços fornecidos via internet (sites de busca) e sistemas de monitoramento. • Discreta: o tipo de operação discreta é aquela que é realizada para cada produto. Ela se diferencia da operação contínua por produ- zir produtos que podem ser separados. Por exemplo, aparelhos de televisão podem ser separados um do outro, são itens distintos. Já uma bebida produzida é considerada um único produto que é fracionado em embalagens (portanto, é um produto da operação contínua). A operação discreta subdivide-se em duas classes. ○ Em massa: a produção em grande escala é uma de suas ca- racterísticas, assim como a sua padronização bem definida. Uma das diferenças com a operação contínua é que existe a necessidade de ter uma equipe especializada participando do processo de transformação. O lead time produtivo também é baixo e a demanda dos produtos é estável. Veja, na Figura 4, um exemplo de posto de trabalho executando uma operação discreta em massa. Processos Processos ProcessosMaterial Produto acabado A B C Figura 4 - Operação em massa Fonte: o autor. 21UNIDADE 1 Observe que cada trabalhador tem seus processos bem definidos e eles são repetidos continuamente para um mesmo produto ou família de produto. Exemplos desse tipo de operação: abate e beneficia- mento de aves e suínos; montadoras de automóveis e eletrodomésticos. Na área de serviços, destaca-se a editoração de jornais e revistas. ○ Em lote: o volume e a variedade de produção são medianos e os processos são padronizados, porém, em lotes. O lote apresenta uma quantidade limitada de um produto que será produ- zido a cada pedido. Deve existir uma flexibilidade considerável para se ajustarapresentadas consideram que a de- manda possui uma distribuição normal. Para de- mandas com comportamento diferente, as equa- ções apresentadas podem não ser aplicáveis. Para dimensionar o estoque de segurança, utili- zamos algumas fórmulas. Porém, é preciso uma análise respondendo às seguintes questões: quanto custaria ficar sem o item em estoque? Quanto cus- taria para manter o estoque de segurança? Preci- samos responder a estas perguntas para encontrar um valor equilibrado. Isto é, se formos para um extremo, mantendo uma quantidade de estoque de segurança muito baixa, próximo de zero unidade, há uma grande probabilidade de faltar material em estoque. Isso terá um custo para a empresa, seja com pedidos de venda não faturados, perda de imagem, atrasos de entrega etc. Estes custos são justificáveis? Por outro lado, se formos ao extremo de “lotar” o estoque com várias unidades do produ- to, trabalhando com um alto estoque de seguran- ça, não haverá faltas, porém haverá um custo para manter os itens em estoque. Este custo é justificável? Para auxiliar a responder às perguntas e forne- cer um valor inicial de nível de estoque de segu- rança, podemos calcular o tamanho do estoque de segurança, tomando como premissa que a de- manda durante o período de ressuprimento segue uma distribuição normal. Vamos apresentar duas equações para o cálculo do estoque de segurança. A primeira equação é usada para o caso em que a demanda durante o período de reposição é va- riável, porém o lead time de entrega do item é relativamente constante: 194 Modelos para a Gestão de Estoques Por exemplo, se for desejado um nível de serviço de 99,97%, o valor da variável Z será de 3,40. Quanto maior o nível de serviço desejado, maior será o número de desvios padrão usados, o que aumentará o tamanho do estoque de segurança. Uma outra equação usada para o cálculo do ES é a que considera que a demanda durante o período de ressuprimento é relativamente cons- tante, porém o lead time de entrega é variável. Neste caso, utilizamos a seguinte equação: ES Z dLT LT� � �s Em que: • ES : tamanho do estoque de segurança. • Z : número de desvios padrão. • dLT : demanda média durante o período de ressuprimento. • sLT : desvio padrão do lead time de en- trega durante o período de ressuprimento. Observe que as duas equações são parecidas, alte- rando-se quanto ao desvio padrão daquilo que não é constante, ou seja, a primeira equação possui o desvio padrão da demanda; enquanto que a segun- da possui o desvio padrão do lead time de entrega. Veja como calcular o estoque de segurança quando a demanda e o lead time possuem va- riação. Você precisa avaliar o que possui variação: a de- manda ou o lead time. A partir dessa avaliação, você pode escolher qual equação será usada para dimensionar o estoque de segurança. Sabendo o lote de reposição e o tamanho do esto- que de segurança, podemos dimensionar o Ponto de Ressuprimento (PR ). Vejamos como dimen- sioná-lo com alguns exemplos. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 195UNIDADE 7 Determinação do Ponto de Ressuprimento Conforme vimos, o ponto de ressuprimento é o valor de nível de estoque que dispara a reposição de um determinado item. Pode- mos visualizar o ponto de ressuprimento e o nível do estoque de segurança em um gráfico. Observe a Figura 1. 1 Dia Vo lu m e de e st oq ue 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 120 100 80 60 40 20 0 PR ES Figura 1 – Evolução do nível de estoque no sistema de revisão contínua Fonte: o autor. A figura mostra a evolução do volume de estoque de um deter- minado item ao longo de 22 dias. Inicialmente, o estoque tem um volume de 100 unidades e vai decaindo em função do consumo do item. O ponto de ressuprimento ( PR ) é igual a 30 unidades. Assim, quando o estoque chega nesse valor, um pedido de 90 unidades é feito. Isso acontece no dia 13. Entre o dia 13 e o dia 17, há o consumo do item – este é o período de reposição. No dia 18, o pedido chega no estoque, aumentando o seu volume. Observe que se não fosse o estoque de segurança de 10 unidades, o item teria ficado com saldo zerado durante o período de reposição. Podemos, então, definir a equação do ponto de ressuprimento: PR d ESTOTAL� � Em que: • dTOTAL : demanda total durante o período de ressuprimento. Vamos entender a aplicação dessa equação com dois exemplos. 196 Modelos para a Gestão de Estoques O primeiro exemplo é referente à serralheria que comentamos no início do tópico. Como vi- mos, o lote econômico de reposição para certo tubo é de 146 unidades. É preciso calcular o esto- que de segurança e a demanda durante o lead time de ressuprimento. No caso do tubo em questão, iremos considerar que o lead time é relativamente constante ao longo do tempo e tem uma duração de cinco dias. A demanda média diária pelo tubo e o seu desvio padrão durante o período de ressu- primento são de, respectivamente, 8,4 tubos/dia e 1,87 tubos/dia. É desejável um nível de serviço de 99,97%. Nestas condições, qual é o tamanho do estoque de segurança e qual é o ponto de ressu- primento? Como a variação existe na demanda, vamos utilizar a equação do estoque de segurança para o caso de demanda variável: ES=Z × ×LT Ds O valor da variável Z, para o nível de serviço desejado, conforme Tabela 1, é de 3,40. Substituin- do os valores na equação, temos: ES=3,40 tubos� �5 1 87 14, � A demanda total durante os cinco dias do lead time é dada pela multiplicação do lead time pela demanda média diária durante o período de res- suprimento: dTOTAL � � �5 8 4 42, tubos Assim, o PR é igual a: PR d ESTOTAL� � � � �42 14 56 tubos Agora, para o segundo exemplo, vamos con- siderar que existe um tubo comprado pela serra- lheria que possui uma demanda estável de cinco tubos por dia. O problema de fornecimento deste item está no fornecedor que demora cinco dias para entregar o material, mas que possui alta va- riabilidade, tendo um desvio padrão de 2,83 dias. É desejado um nível de serviço de 99,97%. Qual será o estoque de segurança e o ponto de ressu- primento para este caso? Como a demanda é relativamente estável e o lead time é variável, iremos utilizar a equação: ES Z dLT LT� � �s Para o nível de serviço desejado, o valor da variável Z será de 3,40 (vide Tabela 1). Aplicando os dados na equação, temos: ES 3 40 5 2 83 48, , tubos.� A demanda total durante os cinco dias do lead time é dada pela multiplicação do lead time pela demanda média diária durante o período de res- suprimento: dTOTAL � � �5 5 25 tubos Assim, o PR é igual a: PR d ESTOTAL� � � � �25 48 73 tubos Em ambos os exemplos, observe que o estoque de segurança é cada vez maior na medida em que a demanda média é maior. O estoque de segu- rança também é maior na medida em que o lead time é maior. A variabilidade na demanda ou no tempo de ressuprimento também influencia no tamanho do estoque, bem como o nível de servi- ço aumenta o tamanho do estoque de segurança. Portanto, para ter estoques de segurança menores, seria necessário atuar nestes fatores, reduzindo, por exemplo, o lead time de entrega. Vamos falar, agora, do outro modelo de gestão de estoques em que a revisão não é contínua e sim periódica. 197UNIDADE 7 Neste modelo de gestão de estoques, não é fei- ta uma revisão contínua do nível de estoque e uma comparação com o ponto de ressuprimen- to. Aqui, é feita uma revisão a cada período de tempo fixo. Por exemplo, no caso da serralheria, caso fosse adotado o modelo de reposição ou revisão periódica, o gestor de materiais irá rever o estoque de tubos toda segunda-feira. Com base no valor do nível de estoque e em um valor de nível máximo de estoque, estabelecido previa- mente, o gestor de materiais irá fazer um pedido na quantidade que complete o estoque até o nível máximo. Por meio deste modelo, não será ne- cessário fazer um monitoramento contínuodos saldos em estoque. Por outro lado, como você deve ter imaginado, como o estoque é revisto somente no período fixado da revisão, para que não falte material, será preciso manter um nível maior de estoque. Observe a Figura 2, que mostra a evolução do estoque de um determinado item controlado pelo modelo de revisão periódica. Reposição Periódica 198 Modelos para a Gestão de Estoques Vamos aprender a calcular os seguintes parâmetros do modelo de revisão periódica: estoque de segurança e nível de estoque máximo. Estoque de Segurança no Modelo de Revisão Periódica No cálculo do estoque de segurança do modelo anterior de revisão contínua, nós considerávamos, como variável de tempo, o lead time de entrega do item. Já no modelo de revisão periódica, preci- samos considerar mais outro elemento da variável de tempo. Trata-se do tempo entre revisões (T ). Como a revisão não é contínua e sim feita a cada T unidades de tempo, o estoque de segurança terá um tamanho relativamente maior em relação ao estoque de segurança do modelo de revisão contínua, pois ele precisa cobrir a demanda no período de reposição e no período entre revisões. A equação que usamos é a seguinte: 1 Vo lu m e de e st oq ue 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 160 140 80 60 40 20 0 120 100 Nível máximo LT T Dia Figura 2 – Evolução do nível de estoque no sistema de revisão periódica Fonte: o autor. Observe que, no dia 4, é feito um pedido para completar o estoque máximo de 150 unida- des. Como o lead time ( LT ) é de dois dias, o pedido chega no dia 6. O tempo da revisão (T ) é de quatro dias, ou seja, a cada quatro dias verifica-se o estoque e é realizado um pedido para completar até o nível máximo. Portanto, depois do dia 4, o pró- ximo pedido acontece no dia 8. Esta lógica de reposição se es- tende para os demais períodos. ES Z T LT D� � � �s Em que: • ES : tamanho do estoque de segurança. • Z : número de desvios padrão utilizados, conforme o nível de serviço desejado. • T : tempo entre revisões. • LT : lead time de entrega do item. • sD : desvio padrão da demanda durante o período de ressuprimento e intervalo entre revisões. Pela equação, podemos observar que quanto maior for o tempo entre as revisões e/ou o lead time de entrega do item, maior será o estoque de segurança. Vamos ver, agora, como utilizar este valor de estoque de segurança para determinar o nível máximo de estoque do modelo. Determinação do Nível Máximo de Estoque Conforme se observa na Figura 2, o nível de es- toque no modelo não ultrapassa certo valor de nível máximo. Este nível máximo é calculado por meio da soma do valor do estoque de segurança com o valor da demanda durante o período entre revisões. Matematicamente, ele é dado por: 199UNIDADE 7 M D T LT ES� � � �[ ( )] Em que: • M : nível máximo de estoque. • D : demanda média no intervalo de tempo da revisão e do lead time. • ( )T LT+ : somatório do tempo de revisão e do lead time. • ES : estoque de segurança. Vamos entender o uso das equações apresentadas com um exemplo. Um supermercado administra o estoque de pa- cotes de arroz utilizando o sistema de revisão pe- riódica. A demanda mensal é uma média de 4.000 pacotes com um desvio padrão de 300 unidades. A demanda segue uma distribuição normal. O gestor de materiais do supermercado realiza a compra de arroz a cada 15 dias e o fornecedor faz a entrega em 4 dias. O nível de serviço adota- do para o item é de 94,66%. Para estas condições, vamos determinar o nível máximo de estoque e como o modelo de reposição irá funcionar. Primeiramente, vamos calcular o estoque de segurança. Para o nível de serviço desejado, con- forme a Tabela 1, temos que Z =1 56, . Como os dados de lead time e tempo de revisão são dados em dias e a demanda é mensal, precisamos con- verter os dias em meses. Vamos considerar que cada mês possui 30 dias: T mês= = 15 30 0 5, LT mês� 4 30 0 133, � Assim, o estoque de segurança será: ES Z T LT D� � � � � � � �s 1 56 0 5 0 133 300 372, , , unidades Agora, vamos determinar o nível máximo de estoque: M D T LT ES� � � � � � � � �[ ( )] [ ( , , )]4000 0 5 0 133 372 2904 unidades O modelo de reposição funcionará da seguinte maneira: a cada 15 dias, o gestor de materiais verifica o nível de estoque de arroz. Ele compara o nível de estoque atual com o nível máximo de estoque e faz um pedido para completar o estoque até o nível máximo. Este pedido irá ser entregue dentro de quatro dias. Caso haja alteração na demanda, o estoque não ficará vazio, pois existe o estoque de segurança para absorver as variações. Por exemplo, caso seja feito uma revisão do estoque e o nível atual seja de 1.500 unidades, o pedido será igual a: Pedido M Estoque atual unidades� � � � �2904 1500 1404 Observa-se, assim, que o tamanho do lote de reposição irá variar em cada reposição. 200 Modelos para a Gestão de Estoques Vamos ver, agora, alguns indicadores que podem ser calculados para verificação do desempenho da gestão de estoques. Embora o lote de reposição no modelo de revisão periódica tenha tamanho variável, em algumas situações é possível calcular o período de revi- são econômico. Este período é determinado com base na equação do lote econômico. A partir do valor do lote econômico de reposição, é calculado o intervalo entre revisões. 201UNIDADE 7 Além de fazer a reposição de estoques, propor- cionando um nível de serviço adequado, o gestor de materiais precisa avaliar como anda a gestão de materiais em termos financeiros. Os dados de consumo e saldo de estoques podem ser usados para calcular alguns indicadores relacionados à gestão de materiais. Inicialmente, conhecer o padrão de demanda dos materiais administrados é útil para saber quais modelos de controle são os mais recomendados para cada caso. Se for levantada a quantidade con- sumida de certo item ao longo do tempo, pode-se montar um gráfico de consumo pelo tempo, como o gráfico apresentado pela Figura 3. Indicadores de Desempenho 202 Modelos para a Gestão de Estoques Observamos na figura que o item 1 possui um consumo menor durante as oito primeiras sema- nas, e nas semanas seguintes o consumo aumenta significativamente, voltando a ser menor na sema- na dezessete. Esse padrão se repete, ou seja, a cada oito semanas há uma mudança significativa no consumo. Podemos afirmar que existe um padrão de sazonalidade com um ciclo de oito semanas. Já o item 2 não possui consumo em todas semanas. Observa-se que, em algumas semanas, o consumo é igual a zero. O padrão de demanda do item 2 é do tipo irregular, ou seja, não há regularidade no consumo do item. Montar os gráficos de demanda de cada item nos ajuda a identificar a melhor estratégia para administrar o item. Por exemplo, o item 1 pode ser controlado pelos modelos de revisão periódica ou revisão contínua, desde que se considere o fator de sazonalidade, ou seja, em alguns períodos do ano será conveniente aumentar o nível do estoque de segurança, pois o valor médio da demanda varia significativamente a cada oito semanas. Já para o item 2, como a demanda é irregular, um modelo de revisão periódica talvez não seria o mais reco- mendado, tendo em vista que a qualquer momen- to pode existir consumo do item e, dependendo do tempo entre as revisões, não haverá tempo hábil para suprir um alto consumo. O modelo de revisão contínua poderia apresentar um resultado melhor, sem necessitar de altos níveis de estoque. Saber extrair os dados de consumo e demais informações relacionadas aos materiais é fun- damental para o gestor de materiais. Ele precisa saber como é o consumo dos itens para fazer seu ressuprimento de maneira adequada. Neste sen- tido, é conveniente conhecer a demanda média e o seu desvio padrão. A média pode ser calculada para diferentes períodos. Existe a média de con- sumo mensal e a média de consumo diário. Esta última pode fornecer valores mais precisosdo que a média mensal. O gestor precisa verificar qual de- las é o melhor indicador de consumo para realizar o planejamento da reposição dos itens. Vamos ver agora alguns indicadores de desempenho. Figura 3 – Consumo de dois itens ao longo de 48 semanas Fonte: o autor. Semana Co ns um o 700 400 300 200 100 0 600 500 1 3 5 7 9 11 13 15 27 29 31 33 35 37 39 41 43 45 47 Item 1 Item 2 17 19 21 23 25 203UNIDADE 7 Giro de Estoque Este indicador é utilizado para avaliar a frequência com que o item sai do estoque. Quanto maior for a frequência, melhor será para a gestão de estoques. Um item com um giro de estoque alto é um item que é renovado constantemente. Calculamos o giro por meio da seguinte equação: Giro Anual= Total de saídas no período Saldo médio no períodoo Considere o caso de um pequeno importador de vinhos que comercializa três modelos diferentes de vinhos: Chateau A, Chateau B e Chateau C. A tabe- la a seguir mostra a quantidade média em estoque de cada item e a sua demanda ao longo de um ano. Tabela 2 – Consumo médio e demanda de vinhos durante um ano Item Quantidade média em estoque Custo por item (£) Demanda anual Chateau A 400 3 2000 Chateau B 100 4 1000 Chateau C 50 5 1000 Fonte: o autor. A quantidade média em estoque se refere ao valor que ficou em estoque, em média, durante um ano. A demanda anual equivale ao total de saídas no período de um ano. Assim, podemos calcular o giro de estoques para cada um dos vinhos ao longo de um ano: Além dos padrões de demanda sazonal e irregular, existem outros, tais como: demanda repetitiva, de- manda sincronizada com a demanda de outro item, demanda extraordinária, demanda de projetos etc. Giro Anual = Chateau A Total de saídas no período Saldo médio nno período vezes no ano= = 2000 400 5 Giro Anual = BChateau Total de saídas no período Saldo médio nno período vezes no ano= = 1000 100 10 Giro Anual = CChateau Total de saídas no período Saldo médio nno período vezes no ano= = 1000 50 20 Podemos ver que o item Chateau C tem um giro anual maior que o item Chateau B, embora ambos tenham a mesma demanda anual. O item Chateau C é renovado com mais frequência no estoque, indicando que ele possui um menor valor investido em estoque para atender uma mesma quantidade de demanda do item Chateau B. 204 Modelos para a Gestão de Estoques Cobertura de Estoque Este indicador mostra a capacidade do estoque de cobrir a demanda ao longo do tempo. Quanto maior o valor da cobertura, maior é a capacidade de o estoque cobrir a demanda futura. Ele é calculado pela equação: Cobertura Estoque médio do período Demanda média do período = Considerando o exemplo do pequeno vendedor de vinhos, suponha que ele possua em estoque as seguintes quantidades dos itens: • Chateau A: 150 unidades. • Chateau B: 150 unidades. • Chateau C: 50 unidades. Considerando um ano com 50 semanas, a demanda média semanal será dada pela divisão entre a demanda anual e o total de semanas no ano: Demanda semanal unidades/semanaChateau A = = 2000 50 40 Demanda semanal unidades/semanaChateau B = = 1000 50 20 Demanda semanal unidades/semanaChateau C = = 1000 50 20 A cobertura de estoques para cada um dos itens será: Cobertura = Chateau A Estoque médio do período Demanda média doo período semanas= = 150 40 3 75, Cobertura = Chateau B Estoque médio do período Demanda média doo período semanas= = 150 20 7 50, Cobertura = Chateau C Estoque médio do período Demanda média doo período semanas= = 50 20 2 50, Podemos observar que, embora os itens Chateau A e Chateau B possuam a mesma quantidade em estoque, a cobertura de estoques é diferente, pois a demanda média dos itens é diferente. O indicador nos dá uma estimativa de até quanto tempo teremos um item em estoque. 205UNIDADE 7 Coeficiente de Variabilidade O coeficiente de variabilidade (CV) relaciona a média da demanda de um item com o valor do seu desvio padrão. Podemos utilizar seu valor para descrever o padrão de demanda de certo item. O coe- ficiente é calculado por: CV Desvio padrão Média aritmética = Considere o exemplo de dois itens genéricos A e B. O item A possui demanda média de 30 unidades por dia com um desvio padrão de 2,5 unidades. O item B possui demanda média de 30 unidades por dia com desvio padrão de 15 unidades. Os coeficientes de variabilidade dos itens são: CV Desvio padrão Média aritméticaA = = , , 2 5 30 0 08� CV Desvio padrão Média aritméticaB = = = , 15 30 0 5 Observe que, embora ambos os itens possuam a mesma média, eles possuem coeficientes de variabili- dade diferentes, sendo que o item B possui o maior coeficiente. Isso significa que o item B possui uma demanda menos repetitiva que o item A. Retorno sobre o Investimento em Estoque Este indicador mostra o quanto certo item man- tido em estoque está proporcionando de retorno. Ele compara a margem de contribuição do item com o seu saldo médio. É calculado pela equação: RSI contribuição médioE = Margem de [R$] Saldo do item [R$] Considere o exemplo dos itens A e B que possuí- ram um estoque médio anual, em reais (R$), de R$ 4.000,00 cada um. No mesmo ano, foi vendido um total de R$ 40.000,00 do item A e R$ 30.000,00 do item B. O custo da mercadoria vendida do item A foi de R$ 20.000,00 e do item B foi de R$15.000,00. Portanto, a margem de contribuição dos itens A e B foi de: • Item A=40.000-20.000=R$ 20.000 • Item B=30.000-15.000=R$ 15.000 O retorno sobre investimento em estoque dos dois itens foi de: RSIE A, %= = 20.000 4.000 500 RSIE B, %= = 15.000 4.000 375 Podemos afirmar que o item A teve um retorno sobre o investimento maior que o item B, sendo, portanto, melhor investir no item A. 206 Modelos para a Gestão de Estoques Payback do Estoque Este indicador é calculado a partir do indicador de Retorno sobre o Investimento em Estoque. Este indicador mostra “o período de retorno do capital de giro investido em estoque para criar vendas” (GASNIER, 2002, p. 168). Ele é calculado pela equação: Payback dias/ano RSIE E dias= 365 [ ] Supondo um item que possui RSIE = 2 , temos que seu payback será de Payback dias/ano RSI diasE E = = = 365 365 2 182 5, Isto é, na metade de um ano, haverá o retorno do investimento feito em estoque do item. Existem outros indicadores que podem ser usados na gestão de estoques. Nesta unidade, vimos apenas alguns deles, dentre os quais o giro de estoques e a cobertura média, que são muito usados para avaliar a adequação dos níveis de estoque médios. Estudamos, também, os sistemas de reposição por revisão contínua e por re- visão periódica. É preciso avaliar como a reposição é feita e qual é o comportamento da demanda, para se determinar qual sistema de reposição deverá ser utilizado. Em todos os casos, será preciso conhecer parâmetros básicos, como a demanda média, lead time e desvio padrão. O uso do estoque de segurança é fundamental para garantir um nível de serviço adequado às operações. O gestor de materiais deve ser um constante estudante das características da demanda dos itens que ele gerencia. Em alguns casos, ele pode utilizar os parâmetros fornecidos por sistemas de informação e, em outros, ele deverá fazer os cálculos utilizando, por exemplo, planilhas eletrônicas. Isso é o que diferenciará a gestão de materiais profis- sional da gestão de materiais intuitiva. 207 1. Dentre os modelos de reposição de estoques, qual modelo seria o mais reco- mendado para se manter níveis de estoque menores? Justifique sua resposta. 2. Dentre os modelos de reposição de estoques, qual modelo seria o mais recomen- dado para criar compras agrupadas de itens, reduzindo o custo com a entrega do material? Justifique sua resposta. 3. Um gestor deseja investir certo montante financeiro na compra de novos itens para serem vendidos diretamente ao consumidor final. Como ele pode tomar esta decisãocom base nos indicadores de desempenho? 4. Um vendedor de cosméticos comercializa seus produtos por meio de uma loja virtual. O item “X” comercializado pelo vendedor é um item com demanda con- tínua ao longo do ano, com certa variação. O vendedor verificou, junto a seu fornecedor, que o tamanho ideal do lote de reposição é de 200 unidades. Para fazer a entrega deste item, desde o momento do pedido até seu recebimento, são necessários seis dias (este tempo não varia). Não existe um dia fixo no mês em que o nível de estoque do item é reposto. O vendedor faz a reposição con- forme o consumo do item. Em média, existe um consumo de 15 unidades/dia com um desvio padrão de 2,2 unidades/dia. No entanto, nos últimos dias, este item apresentou ruptura de estoque, ou seja, seu estoque constou “zerado” na loja virtual. Para resolver este problema, o dono da loja estabeleceu que, para o item “X”, seria proporcionado um nível de serviço de 99,7%. Considerando os dados apresentados, responda: a) Qual deverá ser o tamanho do estoque de segurança? b) Qual deverá ser o ponto de ressuprimento? c) Como funcionará o sistema de reposição do item? Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 208 Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos/Logística Empresarial Autor: Ronald H. Ballou Editora: Bookman Sinopse: esta edição apresenta os aspectos operacionais, táticos e estratégicos da cadeia de suprimentos/logística empresarial. A obra traz os seguintes temas: logística empresarial/cadeia de suprimentos; estratégia e planejamento da lo- gística/cadeia de suprimentos; o produto da cadeia de suprimentos/logística; logística/cadeia de suprimentos - serviço ao cliente; processamento de pedidos e sistemas de informação; fundamentos do transporte; decisão sobre transportes; necessidades de previsão da cadeia de suprimentos; decisões sobre política de estoques; decisões de compras de programação dos suprimentos; o sistema de estocagem e manuseio; decisões de estocagem e manuseio; decisões de localização das instalações; o processo de planejamento da rede; organização da cadeia de suprimentos/logística; controle da cadeia de suprimentos/logística. LIVRO A logística empresarial pode ser melhor entendida por meio de jogos. O jogo “Beer Game” dá aos participantes uma visão mais clara do que acontece em uma cadeia de suprimentos composta por diferentes elos: fábrica, distribuidor, revendedor, varejo, consumidor final etc. A falta de sincronização nestes elos pode causar rupturas de estoque. Para acessar, use seu leitor de QR Code. WEB https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/1194 209 GASNIER, D. G. A dinâmica dos estoques: guia prático para planejamento, gestão de materiais e logística. São Paulo: Imam, 2002. PEINADO, J.; GRAEML, A. R. Administração da produção: operações industriais e de serviços. Curitiba: UnicenP, 2007. 210 1. O modelo de revisão contínua seria o mais recomendado, pois o estoque do ponto de ressuprimento é dimensionado em função da demanda durante o período de ressuprimento somada do estoque de se- gurança. O estoque mantido por este modelo é menor que o estoque mantido pelo modelo de revisão periódica, pois o estoque é dimensionado para atender à demanda apenas do período de reposição e não do intervalo entre revisões. O modelo de revisão contínua dispara compras apenas quando necessário e não para manter certo nível máximo de estoque, como acontece no modelo de revisão periódica. 2. O modelo de revisão periódica é o modelo mais recomendado para este objetivo. Isso por que as reposi- ções são sempre feitas em intervalos regulares de tempo. Assim, por exemplo, para certa família de itens, pode-se determinar um mesmo intervalo de revisão de maneira que sempre na mesma data os itens daquela família serão solicitados de forma conjunta. 3. O gestor pode utilizar os indicadores de Payback e Retorno Sobre o Investimento (RSI). Os itens com os melhores valores para estes indicadores serão os itens mais recomendados para serem escolhidos como opção de investimento. 4. a) Aplicando a equação do estoque de segurança para o caso da demanda variável e tempo de ressupri- mento fixo, temos: ES=Z unidades� � � � � �LT Ds 3 4 6 2 2 19, , Consideramos, aqui, o valor de Z=3,4, para um nível de serviço de 99,97%, conforme Tabela 1. b) Aplicando a equação do ponto de ressuprimento, temos: PR d ESTOTAL� � � � � �( )6 15 19 109 unidades Consideramos, aqui, que a demanda total é igual ao número de dias do tempo de ressuprimento (6 dias) vezes a demanda média por dia (15 unidades/dia). c) O sistema funcionará da seguinte forma: o vendedor irá verificar continuamente o nível de estoque do item “X”, seja manualmente ou por meio de um sistema eletrônico. Quando o nível de estoque chegar a 109 unidades, o vendedor irá disparar um pedido de 200 unidades. Adicionalmente, existirá um estoque de segurança de 19 unidades para cobrir alguma variação da demanda. 211 212 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Apresentar técnicas de programação da produção em série. • Estudar técnicas de programação da produção em lotes. • Conhecer técnicas de programação da produção em projetos. Programação da Produção em Série Programação da Produção em Lotes Programação da Produção em Projetos Me. Maílson José da Silva Programação Detalhada da Produção Programação da Produção em Série Nesta unidade, iremos retomar os conceitos de planejamento da produção. Nas duas unidades anteriores, direcionamos o nosso estudo para a administração de estoques. O planejamento que iremos tratar aqui é um planejamento de prazo mais curto que o planejamento realizado no plano de produção e no plano mestre de produção – trata-se da programação da produção. A palavra “programa” está relacionada a um “ conjunto de instruções, expressões ou da- dos registrados num suporte e necessários para a execução de uma série de determi- nadas operações [...] (PRIBERAM, [2019], on-line)1. Programar algo na produção é detalhar dados de tempo, atividades e quantidades relacionados à produção de cada item. Veremos a aplicação da programação para três situações: produção de itens repetitivos em série; produção de itens repetitivos em lotes; e produção de itens com al- tos tempos de processamento e diversidade de atividades, denominados de projetos. 215UNIDADE 8 A Produção em Série Alguns itens disponíveis no mercado são produ- zidos em alto volume, apesar de serem itens re- lativamente complexos, que exigem uma série de montagens. Um bom exemplo deste tipo de item são os eletrodomésticos. Muitos deles possuem circuitos eletrônicos e estruturas em plástico e/ou metálicas. Para se obter o item final, é necessária uma série de operações que envolvem, por exem- plo, colocar placas eletrônicas, parafusar, colocar cabos, encaixar peças plásticas, realizar testes, em- balar etc. Os eletrodomésticos são itens básicos de uma residência e, portanto, são demandados em grandes volumes. Em algumas épocas do ano, como no verão, a demanda por alguns itens tende a aumentar – por exemplo a demanda por venti- ladores e condicionadores de ar. Devido ao volume e repetitividade das opera- ções, estes itens de produção em série são fabricados de forma mais eficiente com o sistema produtivo organizado em linhas de montagem. Em uma linha existem diversos postos de trabalho; cada posto irá executar uma ou mais operações no material e o en- caminhará para o posto seguinte. O material segue até o final da linha, quando é considerado pronto para ser expedido ao cliente final. A Figura 1 mostra um exemplo didático de uma linha de produção. ROP = TC ROP = TC ROP = TC ROP = TC ROP = TC ROP = TC ROP = TC ROP = TC COMPONENTES PA TC = TD/D MP Figura 1 – Modelo de linha de produção Fonte: Tubino (2007, p. 103). Observamos, na Figura 1, que existe a entrada de matéria-prima (MP) na linha. A matéria-prima passa por cada posto de trabalho, representado por uma mesa com umapessoa trabalhando. Cada posto possui uma rotina de operações-padrão (ROP), que é o conjunto de operações que ela deve executar sobre a matéria- -prima. Esta ROP é executada dentro de certo tempo, denominado tempo de ciclo (TC). Paralelamente, existe a entrada de componentes que são agregados ao material que está sendo processado na linha. No final da linha, o material processado sai como produto acabado (PA). 216 Programação Detalhada da Produção O PCP atua na produção em série responden- do à seguinte questão central: quais atividades (ou operações) deverão ser atribuídas a cada posto de trabalho de tal maneira que o sistema produtivo seja eficaz e eficiente? Ser eficaz está relacionado a atingir um ob- jetivo. Um objetivo em uma linha de produção é conseguir fabricar a quantidade planejada de produção diária. Assim, o PCP precisa programar uma linha de produção para que ela consiga pro- duzir a quantidade demandada no dia. Ser eficiente está relacionado a usar os recursos disponíveis, evitando desperdícios. A programa- ção dos itens em série deve distribuir as operações entre cada posto de trabalho de tal modo a não so- brecarregar um posto e deixar outro com menos carga de trabalho (ocioso). Em outras palavras, a atividade fundamental da programação dos itens em série é balancear a linha de produção. Para facilitar o entendimento, vamos explicar cada item utilizando um exemplo. Balanceamento de Linha Nosso exemplo é de um fabricante de carrinhos de bebê. Para fins didáticos, apresentamos as opera- ções necessárias para a fabricação de um carrinho na Tabela 1. Tabela 1 - Operações necessárias para a montagem de um carrinho de bebê Operação Tempo (min) Dependência A - Montagem da almofada 1,5 - B - Acoplagem da almofada 0,5 A C - Montagem das rodinhas 1,0 - D - Verificação de segurança 0,5 C E - Calibragem do carrinho 1,0 B, D Fonte: adaptado de Vianna (2015). A montagem do carrinho de bebê envolve cinco operações, sendo que para realizar a operação B, é preciso que a operação A tenha sido reali- zada; para realizar a operação D, é preciso que a operação C tenha sido executada; e a operação E depende da conclusão das operações B e D. O balanceamento de linha é a atividade realiza- da pelo PCP que compreende a distribuição das operações necessárias para a produção de um item nos diversos postos de trabalho, diminuindo a sobrecarga e a ociosidade em cada posto. Para balancear uma linha de produção, devemos, basicamente, calcular e definir os seguintes itens: • Tempo disponível de produção. • Demanda a ser atendida. • Operações a serem realizadas. • Relação de dependência entre as opera- ções. • Tempo de ciclo. • Número de postos de trabalho necessários para atender a demanda. • Eficiência do balanceamento. O número de operações em uma linha de produ- ção pode ser muito maior que o apresentado no exemplo. O PCP atua em conjunto com a enge- nharia de tempos e métodos para definir as ope- rações necessárias à montagem de um produto. 217UNIDADE 8 Após conhecer as operações necessárias, seus tem- pos de execução e a relação de dependência entre elas, é preciso conhecer a demanda diária a ser atendida e o tempo disponível de trabalho no dia. Quanto maior for a demanda, maior tende a ser a quantidade necessária de postos de trabalho para atendê-la. O tempo disponível de trabalho também irá influenciar na quantidade de postos. Quanto mais tempo estiver disponível para trabalhar, me- nor vai ser a quantidade de postos para atender à demanda. Em nosso exemplo, iremos considerar uma demanda de 280 carrinhos por dia e um tempo de trabalho de 8 horas diárias (480 min). O tempo de ciclo (TC) é o tempo necessário para que uma peça seja processada em um posto de trabalho, de tal modo a atender à demanda diária. Calculamos este tempo por meio da se- guinte equação: TC TP D = Em que: • TC: tempo de ciclo. • TP: tempo disponível para produção. • D: demanda diária. Aplicando os dados do nosso exemplo, temos: TC= TP D = 480 280 1,71 min/unidade Consegue interpretar o significado do valor cal- culado? Ele significa que a cada 1,71 minutos uma unidade de carrinho de bebê deve ser processada em um posto de trabalho para que em um dia de trabalho de 480 minutos a demanda de 280 unidades seja atendida. Observe que estamos de- terminando ou “ditando” o ritmo da produção. Por isso, quando se determina o tempo de ciclo para atender a uma determinada demanda, podemos afirmar que estamos calculando o “takt time”. Este termo vem do alemão “Takt”, que significa “compasso”, e “zeit”, que significa período (MEIRE, 2013, on-line)2. Após determinar o tempo de ciclo da linha, precisamos definir quantos postos de trabalho serão necessários para executar as operações. Sa- bemos que cada posto deve gastar, no máximo, 1,71 minutos para processar uma unidade de car- rinho. Calculamos o número mínimo de postos por meio da equação: N TCmínimo t � � Em que: • Nmínimo : número mínimo de postos de trabalho. • t� : somatório do tempo das operações. Para os dados do nosso exemplo, conforme a Tabela 1, temos: N TC postosmínimo t 1 5 0 5 1 0 0 5 1 1 71 2 6, , , , , ,� 218 Programação Detalhada da Produção O número de postos de trabalho deve ser um número inteiro e, portanto, serão necessários, no mínimo, três postos de trabalho. O próximo passo para ba- lancear a linha é determinar quais operações serão realiza- das em cada posto de trabalho. Uma possível combinação é apresentada pela Tabela 2. Outras combinações podem ser realizadas; o balanceamento não é único. Desde que ele atenda ao tempo de ciclo e respeite a dependência entre as atividades, é teoricamente exequível; porém, outras complexidades em termos físicos podem interferir no balanceamento, como a necessidade de mudar o layout da linha para que um posto execute mais de uma operação. Tabela 2 - Distribuição de operações nos postos de trabalho Posto de rabalho Operações realizadas no posto Tempo total Posto 1 A 1,5 min Posto 2 B e C 1,5 min Posto 3 D e E 1,5 min Fonte: o autor. A distribuição de operações atende ao tempo de ciclo calculado e respeita a dependência entre as atividades. Cada posto de trabalho tem uma carga de trabalho total que não ultrapassa 1,71 minutos. O posto 2 executa a operação B, que depende da realização da operação A, que, neste caso, já estará realizada pelo posto 1. O posto 3 executa as operações D e E que dependem das operações B, C e D que já estarão realizadas pelos postos 1 e 2. Após fazer a distribuição das operações nos postos de trabalho, devemos verificar a eficiência do ba- lanceamento. Ela é calculada por meio da seguinte equação: I =1- tempo livre N.TCeficiência � Em que: • Ieficiência : índice de eficiência do balanceamento de linha. • tempo livre� : somatório do tempo livre em cada posto de trabalho. 219UNIDADE 8 Além do formato tradicional linear de uma linha de produção, outras configurações são possíveis. Existem os formatos em “L”, “U” ou em serpentina. Por meio destas configurações, é possível com- binar operações independentes, melhorando a eficiência do balanceamento. Uma pessoa pode realizar mais de uma operação. Isso irá demandar uma maior polivalência e ajuda mútua entre os trabalhadores da linha. Fonte: adaptado em Tubino (2007). O tempo livre em cada posto de trabalho é calculado pela diferença entre o tempo de ciclo e o tempo das operações atribuídas ao posto. Para o nosso exemplo, o tempo livre em cada posto será: Tempo livre tempo total = 1,71-1,50=0,21 minPosto TC1 � � Tempo livre tempo total = 1,71-1,50=0,21 minPosto TC2 � � Tempo livre tempo total = 1,71-1,50=0,21 minPosto TC3 � � Assim, a eficiência do balanceamento é de: I =1- tempo livre N.TC 1- 3.1,71eficiência ( , , , ) ,0 21 0 21 0 21 0 888� ou 88% Portanto, no balanceamento realizado, as cinco operações serão divididas entre três postos de trabalho, sendo que o posto 1 executa a operação A, com duraçãode 1,5 min; o posto 2 executa as operações B e C, com duração total de 1,5 min; e o posto 3 executa as operações D e E com duração total de 1,5 min. Em média, os postos de trabalho ficarão ociosos durante 12% do tempo de trabalho ou ocupados durante 88% do tempo de trabalho. Agora, vamos estudar a programação da produção de itens fabricados em lotes. 220 Programação Detalhada da Produção Quando o sistema produtivo não está organiza- do em linha, um arranjo comum é a distribuição de postos de trabalho conforme a especialidade de cada recurso. Por exemplo, em uma indústria metalomecânica, pode existir um espaço físico no chão da fábrica para um grupo de máquinas denominadas “dobradeiras”. Estas máquinas são agrupadas fisicamente próximas umas das outras, formando um departamento de dobra. Em outra área da indústria, podem existir má- quinas de corte à laser. Ainda, podem existir uma ou mais cabines de pintura. Observe que, nessa situação, existem vários recursos do mesmo tipo, que são usados para processar diversas ordens de produção, conforme o ambiente de produção da empresa, seja para atender pedidos específicos e/ ou para formar estoques de produtos para pronto atendimento. Essa situação cria uma certa complexidade para o setor de PCP, à medida que diversas or- dens de produção são emitidas e a quantidade de recursos disponíveis para seu processamento aumenta. Por exemplo, considere o caso de um gabinete metálico (uma caixa feita de metal) que, para ser produzido, precisa passar pelos seguintes Programação da Produção em Lotes 221UNIDADE 8 processos ou departamentos: corte da chapa me- tálica; dobra da chapa cortada; e solda das laterais da chapa. Em um mesmo dia de trabalho, podem existir diversas ordens de produção para diferentes modelos de gabinetes metálicos. O programador de produção deverá fazer duas decisões básicas: • Decidir qual ordem de produção será produzida primeiro: o programador pre- cisa definir, dentre as ordens de produção emitidas, a sequência de execução de cada ordem. Por exemplo, se existirem cinco or- dens de produção (OP1, OP2, OP3, OP4 e OP5), qual delas deve ser processada primeiro? Qual deve ser processada em segundo lugar? • Decidir em qual recurso cada ordem de produção será processada: após escolher a ordem de produção que será executada, é preciso escolher em qual recurso ela será processada. Lembre-se que as máquinas es- tão agrupadas por similaridade e, portanto, dentro de um departamento de máquinas, há a possibilidade de se processar a ordem de produção em diferentes máquinas. Estas decisões formam a complexidade existente na programação da produção em lotes. As possi- bilidades são diversas. Para o nosso exemplo dos gabinetes metálicos, considere que no setor de corte existem três máquinas disponíveis; no setor de dobra existem quatro máquinas diferentes; e no setor de solda existem cinco máquinas de solda. Veja que o total de possíveis sequências de pro- cessamento, para uma única ordem de produção, é de 60 caminhos diferentes, resultante da multi- plicação de possibilidades em cada departamento ( 3 4 5 60� � � ). Para deixar a situação ainda mais complexa, existem alguns problemas inerentes aos siste- mas produtivos: necessidade de paradas para manutenção; preparação de máquinas; falta de matéria-prima; absenteísmo; quebra de máqui- nas etc. Esses problemas que podem surgir ao longo de um dia de trabalho irão impactar na programação feita, exigindo que o programador refaça a programação para atender da melhor maneira os pedidos dos clientes. Para lidar com essa situação complexa nos pro- cessos repetitivos em lote, foram criadas as regras de sequenciamento. Iremos explicar a sua aplica- ção com o objetivo de responder à questão sobre qual deverá ser a sequência de processamento de ordens em cada recurso produtivo. Regras de Sequenciamento As regras de sequenciamento podem ser dinâmi- cas ou estáticas. Uma regra dinâmica é aquela que atualiza o sequenciamento realizado conforme alterações na situação do sistema produtivo. Por exemplo, caso as datas de entrega das ordens de produção sejam alteradas, as regras dinâmicas irão considerar este novo cenário, ajustando o se- quenciamento. As regras estáticas não consideram as novas prioridades, mantendo o sequenciamen- to originalmente realizado. Caso você administre ou administrasse uma pizzaria, qual regra de sequenciamento você usa ou usaria? Seria a regra de atender aos pedidos conforme sua ordem de chegada? Seria a regra de atender aos pedidos conforme a similaridade dos ingredientes? Seria pela regra de dar prioridade à pizza mais simples de ser feita? Para cada tipo de negócio e sistema produtivo, deverá ser escolhida a regra que melhor atenda à real necessidade do momento. Por exemplo, são usadas regras simples para priorizar ordens de produção mais atrasadas ou com menor tempo de processamento; também, é possível combinar regras; e, ainda, regras heurís- ticas sofisticadas podem priorizar carregamentos ou rotas alternativas. 222 Programação Detalhada da Produção A seguir, apresentaremos algumas regras simples de sequenciamento. Elas serão aplicadas para as ordens de produção da Tabela 3. Tabela 3 - Ordens de produção a serem sequenciadas Ordem Tempo de processamento – Máquina A (h) Tempo de processamento – Máquina B (h) Entrega (ho- ras) OP 1 2 2 7 OP 2 2 1 9 OP 3 1 2 6 OP 4 1 1 11 OP 5 1 1 12 Fonte: o autor. Uma regra de sequenciamento é uma instrução de como será dada prioridade à cada ordem de produção. A regra define o que é importante: tem- po de processamento, data de entrega, ordem de chegada etc. A regra pode combinar diversos fatores, como o tempo de processamento e a data de entrega. Os métodos heurísticos surgem como um meio eficiente para alcançar soluções aceitáveis sem grandes esforços computacionais. Estes méto- dos podem ser comparáveis ou superiores aos métodos determinísticos, quando incertezas de tempo de processamento estão presentes. Fonte: adaptado de Montevechi et al. (2002). A tabela apresenta cinco ordens de produção, cujos produtos serão processados nas máquinas A e B. Cada ordem possui um tempo de proces- samento, em horas, nas duas máquinas. A data de entrega é apresentada em horas. Vejamos como fica o sequenciamento utilizan- do quatro regras diferentes. As regras de sequenciamento são baseadas em dados de entrada sobre as ordens de produção. Os dados que iremos utilizar são os apresenta- dos na Tabela 3, referente à ordem de chegada das ordens, aos tempos de processamento das ordens e data de entrega. Acompanhe a explica- ção utilizando a Tabela 3. 223UNIDADE 8 Primeiro a Entrar Primeiro a Sair (PEPS) Esta regra prioriza as ordens de produção que entraram primeiro no sistema produtivo. Ela é muito utilizada nos sistemas em que o cliente está presente e deseja ser atendido conforme sua ordem de chegada. Uma desvantagem dessa regra é que caso alguma ordem de produção tenha um tempo de processamento muito alto, ela irá retardar as demais ordens, deixando os recursos produtivos ociosos. Com base nos dados da Tabela 3, considerando que a ordem que primeiro entrou no sistema é a OP1, o sequenciamento será: • OP1-OP2-OP3-OP4-OP5 Menor Tempo de Processamento (MTP) Esta regra irá priorizar as ordens de produção que apresentam o menor tempo total de processamento, ou seja, ela prioriza as ordens que são mais rápidas de serem processadas. Como consequência, esta regra tende a gerar um menor lead time do sequenciamento e reduzir o estoque em processo. Ela pode atender melhor os clientes. Como desvantagem, a regra sempre irá postergar as ordens de produção com longos tempos de processamento. Com base nos dados da Tabela 3, o sequenciamento será: • OP5-OP4-OP2-OP3-OP1 Observe que consideramos o tempo total de processamento nas duas máquinas (A e B). Menor Data de Entrega (MDE) Esta regra irá priorizar as ordens de produção com a datade entrega mais próxima da data atual do sequenciamento. Assim, por exemplo, se uma ordem de produção estiver atrasada, ela será a ordem priorizada. Esta regra é adequada para sistemas produtivos sob encomenda, para evitar atrasos. No entanto, a regra não considera o tempo de processamento das ordens. Com base nos dados da Tabela 3, o sequenciamento será: • OP3-OP1-OP2-OP4-OP5 Índice crítico (ICR) Esta regra atribui um índice para cada ordem de produção baseado nos seguintes dados: data prome- tida de entrega da ordem; data atual; e tempo de processamento da ordem. O índice é calculado pela seguinte equação: ICR= data de entrega- data atual tempo de processamento 224 Programação Detalhada da Produção As ordens são priorizadas conforme o menor valor de índice crítico. Utilizando os dados da Tabela 3 e considerando a data atual como sendo a data zero, os índices de cada ordem são: ICR = data de entrega- data atual tempo de processamento 7 OP1 = -- 0 4 1 75= , ICR = data de entrega- data atual tempo de processamento 9 OP2 = -- 0 3 3= ICR = data de entrega- data atual tempo de processamento 6 OP3 = -- 0 3 2= ICR = data de entrega- data atual tempo de processamento 1 OP4 = 11- 0 2 5 5= , ICR = data de entrega- data atual tempo de processamento 1 OP5 = 22- 0 2 6= Podemos concluir que a OP1 é a ordem mais crítica, pois possui uma data de entrega curta e um tempo de processamento alto. Observe que a regra ICR considera não somente a data de entrega, mas também o tempo de processamento, sendo mais abrangente que a ordem MDE. Com base nos índices calculados, o sequenciamento será: • OP1-OP3-OP2-OP4-OP5 O gráfico de Gantt é um instrumento para a visualização de um programa de produção, auxiliando na análise de diferentes alternativas de sequenciamento deste programa. O gráfico de Gantt pode ser empregado de diferentes formas, sendo que uma das mais comuns consiste em listar as ordens programadas no eixo vertical e o tempo no eixo horizontal. Fonte: Tubino (2007, p. 154). Agora que você já conhece algumas regras de sequenciamento, surge a pergunta: qual delas deverá ser utilizada? Para responder a essa pergunta, precisamos avaliar o desempenho de cada sequencia- mento elaborado. A avaliação considera as seguintes características: • Lead time total. • Lead time médio. • Atraso médio. • Tempo de espera médio das ordens de produção para serem processadas. Outras características podem ser usadas, mas as que apre- sentamos são, normalmente, as mais importantes dentro de um sistema produtivo. Para encon- trar o desempenho de cada re- gra, vamos construir um gráfico de Gantt, que é utilizado para mostrar o tempo em que cada ordem será processada. 225UNIDADE 8 Avaliação do desempenho de regras de sequenciamento Para avaliar qual regra de sequenciamento atende melhor às necessidades de programação da produção, vamos primeiro montar o gráfico de Gantt de cada regra utilizando os sequenciamentos realizados. O gráfico apresenta, no eixo horizontal, a escala de tempo e, no eixo vertical, os recursos (no nosso caso, temos as máquinas A e B). As ordens são representadas por barras. Para a regra PEPS, temos o sequenciamento: OP1-OP2-OP3-OP4-OP5. Considerando a sequência e os tempos de processamento de cada ordem, o gráfico obtido é mostrado na Figura 2. Máquina B Máquina A horas0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 OP1 OP2 OP3 OP4 OP5 OP1 OP2 OP3 OP4 OP5 Figura 2 - Gráfico de Gantt para a regra PEPS Fonte: o autor. Podemos observar no gráfico, na parte inferior, o sequenciamento das ordens na máquina A. A primeira ordem a ser processada, OP1, é plotada com duração de 2 horas na linha da máquina A. A seguir, a ordem vai para a máquina B e é processada por duas horas, finalizando quatro horas. A OP2 já é processada na máquina A assim que a OP1 é finalizada, ou seja, inicia-se as duas horas do tempo do processo. Ela é processada por duas horas, e é processada na máquina B a partir das quatro horas. O fluxo de ordens segue a sequência estabelecida pela regra PEPS. Observamos que todas as ordens estarão prontas após nove horas de processo. Ainda, observamos no gráfico que as máquinas A e B não ficarão ociosas, pois sempre que acabam de processar uma ordem já existe outra disponível para ser processada. A Figura 3 apresenta o gráfico de Gantt para a regra MTP. OP4 OP2 OP3 OP1OP5 OP1OP2 OP3OP4OP5Máquina B Máquina A horas0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 Figura 3 - Gráfico de Gantt para a regra MTP Fonte: o autor. 226 Programação Detalhada da Produção Observamos, no gráfico, que a máquina B ficará ociosa por uma hora, após processar a OP4. Isso ocorre porque a OP2, que seria a próxima ordem a ser processada depois da OP4, está sendo processada na máquina A por três horas. As Figuras 4 e 5 apresentam o gráfico de Gantt para as regras MDE e ICR. OP3 OP1 OP2OP1 Máquina B Máquina A horas0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 OP2 OP4 OP5 OP3 OP4 OP5 Figura 4 - Gráfico de Gantt para a regra MDE Fonte: o autor. OP2OP3 OP1 OP2OP3 OP4 OP5Máquina B Máquina A horas0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 OP1 OP4 OP5OP1 Figura 5 - Gráfico de Gantt para a regra ICR Fonte: o autor. Utilizando os dados dos gráficos e as datas de entrega prometidas das ordens de produção, apresenta- mos, na Tabela 4, as características de desempenho de cada regra. Tabela 4 - Desempenho das regras de sequenciamento Regra Lead time total (h) Lead time médio (h) Atraso médio (h) Tempo de espera médio (h) PEPS 9 9/5 = 1,8 (0+0+1+0+0)/5=0,2 (0+0+0+1+1)/5=0,4 MTP 9 9/5 = 1,8 (0+0+0+1+2)/5=0,6 (0+0+0+0+0)/5=0 MDE 8 8/5 = 1,6 (0+0+0+0+0)/5=0 (0+0+0+0+0)/5=0 ICR 9 9/5 = 1,8 (0+0+0+0+0)/5=0 (0+1+1+1+1)/5=0,8 Fonte: o autor. 227UNIDADE 8 O lead time total é o valor final de tempo nos gráficos. A melhor regra neste quesito foi a MDE. O lead time médio é o tempo gas- to, em média, para processar cada ordem de produção nas duas máquinas. A regra MDE também foi melhor nesse aspecto. O atraso médio é a média dos atrasos de cada ordem de produção, considerando a data final em que a ordem ficou liberada e a data de entrega prometida. A regra MTP foi a que apresentou o pior desempenho nesta característica, pois prioriza as ordens apenas pelo seu tempo de processamento e não leva em consideração as datas de entrega prometidas. O tempo de espera médio é calculado pela média dos tempos de espera de cada ordem nas máquinas. No caso, houve espera apenas na máquina B. O maior tempo médio foi para a ordem ICR, pois as OPS 3, 2, 4 e 5 ficaram esperando uma hora na máquina B para serem processadas. Considerando todas as características, a regra MDE foi a regra que apresentou o melhor desempenho, devendo ser escolhida prioritariamente. As regras apresentadas são regras determinísticas, ou seja, são baseadas em tempos estabelecidos (determinados) de proces- samento. No entanto, é natural existir variações. O desempenho do sequenciamento pode ser influenciado pelo tamanho do lote a ser processado e pela necessidade de preparação de máquina antes de iniciar o processamento. 228 Programação Detalhada da Produção Existem sistemas produtivos que trabalham com projetos. Um projeto pode ser definido como um conjunto de atividades que possuem um tempo para sua execução e que demandam a utilização de recursos. As atividades são únicas para o projeto e a padronização de operações se torna difícil. Um projeto possui um início e fim definidos. Você con- segue imaginar quais sistemas produtivos atendem a projetos? Geralmente, são sistemas que lidam com produtos com longos lead times de entrega. Neste conjunto, temos: fabricação de navios, construção de pontes, edifícios e demais obras civis, e fabricação personalizada de produtos. Programação da Produção em Projetos O sequenciamento de atividades em projetos não é o mesmo que o sequenciamento de atividades da produção sob encomenda – esta produção pode ser feita para atender clientes específicos, porém os produtos possuem roteiros padroniza-dos e, dependendo da estrutura, existe a possibili- dade de se trabalhar com lotes de semiacabados. 229UNIDADE 8 O programador de produção que lida com pro- jetos irá trabalhar com a definição de prazos de início e término de atividades e a alocação de re- cursos (humanos, materiais e financeiros) para a realização de cada uma delas. Portanto, ao lidar com a produção de um item por projeto, deve-se responder, basicamente, às seguintes questões: • Qual será o prazo final para entregar o projeto? • Quanto custará o projeto? • Quais e quantos recursos serão necessários para a execução do projeto? Neste tópico, vamos apresentar as técnicas PERT/ CPM para a programação das atividades de pro- jetos. Os termos PERT e CPM vem do inglês – Program Evaluation Review Technique (Avalia- ção do Programa e Técnica de Revisão) e Critical Path Method (Método do Caminho Crítico). Por meio do PERT, é estabelecida uma rede gráfica que representa as atividades de um projeto com a definição dos tempos das atividades e prazos para seu início e conclusão. O CPM define o conjunto de atividades críticas para a execução do projeto. O atraso em uma dessas atividades implicará no atraso de todo projeto. Vamos explicar o uso das técnicas com o exem- plo de um projeto constituído de cinco atividades, conforme Tabela 5. Tabela 5 – Lista de atividades do projeto exemplo Atividade Dependência Duração (dias) A - 5 B A 8 C B 4 D - 9 E - 3 F E 2 Fonte: o autor. O nosso projeto exemplo depende da execução de seis atividades, denominadas A, B, C, D, E e F. Algumas atividades só podem ser executadas se outra atividade já tiver sido realizada. É o caso da atividade B que depende da execução da atividade A para ser iniciada; também, as atividades C e F dependem da conclusão das atividades B e E, res- pectivamente. Você consegue imaginar este tipo de dependência em projetos? Por exemplo, a pintura de uma parede só pode ser realizada após a cons- trução da parede; e a fabricação de um produto só pode ser iniciada após a compra dos materiais. No entanto, algumas atividades podem ocorrer sem depender da conclusão de outras atividades. Este é o caso das atividades A, D e E. Inclusive, elas podem ser realizadas simultaneamente. Você conse- gue imaginar este tipo de atividade em um projeto? Por exemplo, a atividade de elaboração do projeto arquitetônico de um edifício pode ser realizada em paralelo com a atividade de limpeza do terreno; e a atividade de treinar trabalhadores em novos proces- sos pode ocorrer de forma simultânea com a ativida- de de compra dos materiais para início da produção. Observamos, na Tabela 5, que cada atividade possui uma duração em dias. Esta duração pode variar; porém, iremos considerar estes valores determinísticos. De posse desses dados, vamos aplicar as técnicas PERT/CPM para determinar quanto tempo durará a execução do projeto e quais atividades poderão sofrer atrasos sem atra- sar o prazo final do projeto. Estabelecimento de Eventos e Atividades da Rede A rede PERT/CPM é composta por nós e setas. Os nós indicam os eventos da rede do projeto, e as setas indicam as atividades. Toda atividade inicia em um evento e termina em outro evento. A Figura 6 mostra uma visão preliminar da rede. 230 Programação Detalhada da Produção 3 1 2 4 5 3 5 4 2 8 9 A B C F D E Figura 6 - Visão preliminar da rede PERT/CPM Fonte: o autor. Na rede, identificamos cinco eventos, delimitados pelos círculos. A numeração dos eventos ocorre da esquerda para direita e de cima para baixo. Eles são ligados por setas, que são as atividades. O nome da atividade é representado na parte de cima das setas, com a sua duração na parte de baixo. Compare a relação de dependência entre as atividades dada pela Tabela 5 e a dependência de atividades da rede da figura. Veja que pode- mos identificar graficamente que a atividade B depende da atividade A e a atividade C depende da atividade B. As atividades A, D e E podem ser realizadas de forma independente, inclusive, po- dem iniciar simultaneamente. Para completar a rede, falta determinar as datas de início e término de cada atividade. Existem dois tipos de datas para o início e término das ativi- dades: datas cedo e tarde. Isso mesmo, para cada atividade, iremos determinar a data mais cedo e a data mais tarde que ela pode iniciar; iremos deter- minar também a data mais cedo e a data mais tarde que a atividade pode terminar. Estes tempos são representados por dois números escritos na forma de uma fração, sendo que o numerador representa a data “cedo” e o denominador a data “tarde”. Inicialmente, determinamos os tempos “cedo” de cada evento. Adotamos que o primeiro evento iniciará no tempo zero (0) – este será o cedo do evento 1 –; depois, a atividade A durará 5 dias. Somando o valor de 0 do evento 1 com a duração da atividade, obtemos o valor de cedo do evento 2: 5 dias. Em seguida, entre os eventos 2 e 4, temos a atividade B com duração de 8 dias. Somando-se esse tempo com o cedo do evento 2, obtém-se o valor de 13, que é o cedo do evento 4. Posterior- mente, temos a atividade C entre os eventos 4 e 5; esta atividade possui duração de 4 dias que, somados com o cedo do evento 4, resulta em 17 (13 4+ ), que seria o cedo do evento 5. Contudo, como as atividades D e F também terminam no evento 5, ainda não podemos afirmar que o cedo deste evento é o valor de 17. Quando mais de uma atividade termina em um evento, é preciso calcu- lar todos os possíveis cedos e selecionar o maior valor como sendo o cedo daquele evento. Entre os eventos 1 e 5, temos a atividade D com duração de 9 dias; este valor somado ao cedo do evento 1 resulta em 9, que seria o cedo do evento 5. Entretanto, este valor é menor que 17, que foi o outro valor que calculamos para o cedo do evento 5. Assim, não iremos adotar este valor, pois ele é menor que 17. Entre os eventos 1 e 3 existe a atividade E, com duração de 3 dias. Este valor somado ao cedo do evento 1 resulta em 3, que é o cedo do evento 3. Entre os eventos 3 e 5 existe a atividade F com duração de 2 dias. Somando este valor com o cedo do evento 3, obtemos o valor de 5, que seria o cedo do evento 5; porém, este valor é menor que 17, que foi calculado anteriormente. Portanto, o cedo do evento 5 será o valor de 17. Estes resultados são apresentados pela Figura 7. 5 13 17 3 0 3 1 2 4 5 3 5 4 2 8 9 A B C F D E Figura 7 - Rede PERT/CPM com datas de cedo de cada evento Fonte: o autor. 231UNIDADE 8 Em seguida, calculamos os “tardes” de cada evento, que serão representados abaixo dos “cedos”. O cál- culo inicia-se da esquerda para a direita na rede, ou seja, iniciamos do evento 5. Vamos adotar que o tempo mais tarde para o evento 5 será o mesmo tempo do cedo, isto é, o valor de 17. A partir disso, determinamos o valor dos tardes de cada evento fazendo a subtração do tarde do evento pela du- ração da atividade predecessora. Assim, o tarde do evento 4 será igual a 17 4 13� � . O tarde do evento 2 será igual a 13 8 5� � . Já para o evento 1, precisamos calcular todas as possíveis datas de tarde, já que este evento possui três atividades que partem dele. O tarde de eventos que possuem mais de uma atividade será o menor valor calcu- lado. Calculando a primeira possibilidade, temos 5 5 0� � (valor do tarde do evento 2 subtraído do valor da duração da atividade A). Outra possibilidade é considerar a atividade D que está entre os eventos 1 e 5. O tarde do evento 5 é igual a 17 que, subtraído do valor da duração da atividade D (9), resulta em 8. Este valor é maior que 0 e, portanto, não é o valor do tarde do evento 1. Na parte de baixo da rede, temos que calcular o tarde do evento 3. Ele é dado por 17 – 2 = 15. Entre os eventos 1 e 3 existe a atividade E com duração de 3 dias. O tarde do evento 1, neste caso, seria de 15 – 3 = 12 dias. Este valor é maior que 0 e, portanto, não é o valor do tarde do evento 1.A Figura 8 mostra a rede completa, com as datas de cedo e tarde de cada evento. 5 13 17 3 0 17 135 15 0 3 1 2 4 5 3 5 4 2 8 9 A B C F D E Figura 8 - Rede PERT/CPM Fonte: o autor. Determinação das Datas de Início e Término das Atividades A partir dos dados da rede, podemos definir as datas de início e término de cada atividade. As datas que definiremos são: • Primeira data de início (PDI): é a data mais cedo que uma atividade pode iniciar. • Última data de início (UDI): é a data mais tarde que uma atividade pode iniciar sem atrasar a data de conclusão do projeto. • Primeira data de término (PDT): é a data mais cedo que uma atividade pode ser concluída. • Última data de término (UDT): é última data que uma atividade pode ser concluída. A partir dessas definições, você consegue calcular as datas da atividade E? Vejamos: • PDI: igual a 0, correspondente ao início do evento 1. • UDI: igual a 0 também, pois é o tempo tar- de do evento 1. • PDT: igual a 3, pois é o resultado da soma do início da atividade com sua duração. • UDT: igual a 15, pois é o tarde do evento 3, ou seja, se a atividade E que dura 3 dias atrasar 12 dias, o atraso não irá alterar a data final de conclusão do projeto (dia 17). Com as datas UDT e PDI é possível calcular o tempo disponível para realização de uma ativida- de. Ele é dado pela diferença entre UDT e PDI. Por exemplo, para a atividade E, o tempo disponível é igual a 15 0 15� � . A partir do valor de tempo disponível, pode- mos calcular a folga total de cada atividade. Ela é dada pela seguinte equação: Folga total = Tempo disponível duração da atividade- 232 Programação Detalhada da Produção Para a atividade E do nosso exemplo, temos: Folga total = 15 - 3 = 12 dias Portanto, a atividade E pode sofrer um atraso de até 12 dias sem atrasar o projeto. Além da folga total existem as folgas livres, dependente e independente. A folga livre corresponde ao atraso máximo que uma atividade pode sofrer sem alterar o início cedo do seu evento final. A folga dependente corresponde ao tempo disponível para realizar a atividade com início no tarde do evento inicial, sem ultrapassar o tarde do evento final. E a folga independente é o período de tempo para realizar a atividade com início no tarde do evento inicial e término sem ultrapassar o cedo do evento final. Fonte: Tubino (2007, p. 174). A Tabela 6 apresenta a folga total de todas as atividades. Tabela 6 - Cálculo da folga total Atividade T Cedo inicial Cedo final Tarde inicial Tarde final FT A 5 0 5 0 5 5-0-5=0 B 8 5 13 5 13 13-5-8=0 C 4 13 17 13 17 17-13-4=0 D 9 0 17 0 17 17-0-9=8 E 3 0 3 0 15 15-0-3=12 F 2 3 17 15 17 17-3-2=12 Fonte: o autor. Observando os dados da tabela, você consegue identificar quais atividades podem sofrer atrasos sem prejudicar a entrega do projeto? São as ativi- dades D, E e F. As atividades A, B e C não podem sofrer atrasos, pois possuem folga total igual a zero. Essas atividades formam o chamado caminho crí- tico do projeto. O atraso de um dia em qualquer uma dessas atividades implicará no atraso de um dia no projeto. As atividades críticas devem ser bem gerenciadas, e as atividades não críticas, caso atrasem mais que a folga total, tornar-se-ão críticas. Outra informação importante obtida com a rede PERT/CPM são os dados de custo para ace- lerar um projeto. 233UNIDADE 8 Aceleração da Rede e Redução de Custos A tabela mostra que algumas atividades podem ser executadas em um tempo menor. Por exemplo, a atividade A pode ser acelerada em uma unidade de tempo; a atividade B pode ser acelerada em duas unidades de tempo. Observe que nem todas as atividades podem ser executadas em um tempo acelerado. A aceleração de cada atividade implica- rá em um custo extra, por unidade de tempo ace- lerado. Considerando estes dados, qual(is) ativi- dade(s) você escolheria para ser(em) acelerada(s)? Observe que, conforme vimos, existem ativida- des que não podem sofrer atraso, pois implicará no atraso do projeto. Portanto, estas atividades devem ser escolhidas, preferencialmente, para serem acele- radas, pois a aceleração em uma unidade de tempo implicará no adiantamento do projeto em uma uni- dade de tempo. Assim, as atividades D e E podem ser aceleradas resultando na redução do prazo de entrega do projeto. Como a atividade D pode ser reduzida em até 2 unidades e possui um custo menor de redução em relação à atividade E, recomenda-se realizar a redução destas duas unidades inicialmente, caso haja uma limitação nos recursos financeiros. Finalizamos, aqui, nosso estudo sobre progra- mação da produção. Ela faz parte do planejamen- to em um nível mais detalhado. Observe que é na programação da produção que os tempos de início e fim das atividades são estabelecidos. Na próxima unidade, estudaremos um sistema de programação mais dinâmico que é operacionalizado pela própria fábrica – o sistema Kanban. Também, veremos al- guns princípios da Teoria das Restrições que é utili- zada para eliminar gargalos nos sistemas produtivos. A montagem da rede PERT/CPM pode ser feita utilizando tempos probabilísticos, apresentando mais de um tempo para a realização de uma ativi- dade. Veja na pílula de aprendizagem a montagem da rede utilizando tempos probabilísticos. Algumas atividades podem ser executadas de for- ma mais rápida se mais recursos forem emprega- dos na sua realização. Por exemplo, considere a atividade de pintura de uma casa. O tempo para realizar a pintura pode ser reduzido caso se con- trate vários pintores (neste caso, será aumentada a quantidade de recursos humanos). Qual a vantagem de se executar atividades em um tempo menor? Bem, a primeira delas é que o projeto poderá ser entregue em um prazo menor. Isso pode melhorar a imagem da empresa que está fazendo a gestão do projeto, perante seus clientes, e os recursos serão liberados mais cedo para po- derem ser utilizados em outros projetos. No entanto, é preciso avaliar quanto custará a redução do tempo de cada atividade. Para en- tender melhor, considere os dados da Tabela 7, referentes às atividades do nosso projeto exemplo. Tabela 7 - Tempos e custos de aceleração Atividade Tempo normal Tempo acelerado Custo por unidade de tempo reduzida A 5 4 R$ 100 B 8 6 R$ 200 C 4 4 - D 9 7 R$ 500 E 3 2 R$ 700 F 2 2 - Fonte: o autor. Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 234 1. A produção do item X deverá ser feita em uma linha de produção que executa as operações apresentadas na tabela a seguir. Operação Tempo (min) Dependência A 1 - B 1,7 A C 2,3 - D 4 C E 1 B, D Considerando que a demanda diária é de 200 unidades por dia e que o tempo disponível para trabalho é de 480 minutos, responda: qual deveria ser o tempo de ciclo para atender à demanda? Qual é a produção máxima que pode ser atingida por esta linha? 2. Considerando que o tempo da operação D do exercício 1 foi reduzido para 2,1 minutos, realize o balanceamento da linha. 3. Considere as seguintes ordens de produção que precisam ser sequenciadas. Ordem Tempo de processamento – Máquina A (h) Tempo de processamento – Máquina B (h) Entrega (horas) OP 1 2 1 4 OP 2 1 1 5 OP 3 3 4 6 OP 4 2 3 6 OP 5 2 5 7 Utilizando a regra ICR, qual será o sequenciamento? Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 235 4. Determine o atraso médio para a regra ICR do exercício 3. 5. 5 13 17 3 0 17 135 15 0 3 1 2 4 5 3 5 4 2 8 9 A B C F D E Sobre a rede PERT/CPM da figura apresentada, em que os tempos representam dias, é correto afirmar: a) Se a atividade D for executada em 3 dias, o prazo final do projeto será dia 11. b) Se a atividade F for executada em 3 dias, o prazo final do projeto será dia 18. c) Se a atividade B for executada em 7 dias, o prazo final do projeto será dia 16. d) Se a atividade A for executada em 4 dias, o prazo final do projeto serádia 11. e) Se a atividade C for executada em 5 dias, o prazo final do projeto será dia 19. 236 PERT/CPM: série gerenciamento de projetos Autor: Darci Prado Editora: Editora Falconi Sinopse: dentre as abordagens quantitativas de Gerência de Projetos, o PERT/ CPM é a mais conhecida. Trata-se de uma técnica que permite analisar os aspec- tos de tempo, custos e recursos e que se baseia na representação do projeto por meio de uma rede. Nos dias atuais, não se usa mais efetuar cálculos manuais em redes PERT/CPM: o computador é a ferramenta adequada. Nos últimos anos, têm ocorrido diversos lançamentos de softwares para a área de Gerência de Projetos, e a tendência aponta para a popularização do uso. Observa-se uma ten- dência de uso mais sofisticado de tais ferramentas, principalmente envolvendo nivelamento de recursos e acompanhamento de custos. Assim, o objetivo deste livro é dar uma visão conceitual do PERT/CPM, nos aspectos tempo, recursos e custos. Abordagens de vanguarda são apresentadas, tais como o nivelamento de recursos, o modelo CCPM (Critical Chain Project Management) e o modelo EVM (Earned Value Management). Assim, espera-se que o leitor esteja mais bem preparado para trabalhar com os softwares disponíveis LIVRO Para entender melhor sobre métodos heurísticos, assista ao vídeo a seguir. Para acessar, use seu leitor de QR Code. WEB A programação de projetos pode ser realizada por meio de softwares específicos, como o Microsoft Project. Acesse o link para saber mais. Para acessar, use seu leitor de QR Code. WEB https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/1195 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/1196 237 MONTEVECHI, J. A. et al. Análise comparativa entre regras heurísticas de sequenciamento da programação aplicada em job shop. Produto & Produção, Porto Alegre, v. 6, n. 2, p. 12-18, jun. 2002. Disponível em: https:// seer.ufrgs.br/ProdutoProducao/article/view/1438/383. Acesso em: 15 jul. 2019. TUBINO, D. F. Planejamento e controle da produção: teoria e prática. São Paulo: Atlas, 2007. VIANNA, F. R. P. M. Balanceamento de linha. Curitiba: UTFPR, 2015. 36 slides, color. Disponível em: http:// paginapessoal.utfpr.edu.br/fernandovianna/ge70l-gestao-da-producao/material-aulas/balanceamento-de-linha/ BALANCEAMENTO%20DE%20LINHA.pptx/at_download/file. Acesso em: 15 jul. 2019. REFERÊNCIAS ON-LINE 1Em: https://dicionario.priberam.org/programa. Acesso em: 15 jul. 2019. 2Em: https://blogdaqualidade.com.br/takt-time/. Acesso em: 15 jul. 2019. https://dicionario.priberam.org/programa 238 1. Em primeiro lugar, vamos calcular o tempo de ciclo: TC TP D = = = 480 200 2 4, min/ unidade No entanto, observamos que a operação D possui um tempo de 4 minutos que é maior que o tempo de ciclo. Portanto, não será possível atender à demanda de 200 unidades. A capacidade máxima de produção é aquela dada pela divisão entre o tempo disponível e o tempo da maior operação (4 minutos): CP TP Tmáxima operação = = = maior tempo de unidades480 4 120 2. Como calculado no exercício 1, o tempo de ciclo para atender à demanda deve ser de 2,4 min/unidade. O número mínimo de postos é dado por: N TC postosmínimo t � � � � � � � �� 1 1 7 2 3 2 1 1 2 4 4, , , , Assim, pode-se distribuir as operações nos postos da seguinte forma: • Posto 1: operações A e E (total de 2 minutos). • Posto 2: operação B (total de 1,7 minutos). • Posto 3: operação C (total de 2,3 minutos). • Posto 4: operação D (total de 2,1 minutos). O layout da linha deve proporcionar ao posto 1 que execute as operações A e E. Uma solução seria usar uma linha em formato de U. 3. Precisamos calcular o ICR para cada ordem: ICR = data de entrega- data atual tempo de processamentoOP1 4 � �� � 0 1 33 2 3 ICR = data de entrega- data atual tempo de proces , OP ssamento ICR = data de entrega- data atual tempo d � � � 5 0 2 2 5 3 , OP ee processamento ICR = data de entrega- data atu � � � 6 0 7 0 86 4 , OP aal tempo de processamento ICR = data de entrega- � � � 6 0 5 1 2 5 , OP ddata atual tempo de processamento � � � 7 0 7 1 Assim, a sequência será: OP3-OP5-OP4-OP1-OP2 239 4. O gráfico de Gantt é apresentado a seguir. ICR Máquina B Máquina A horas0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 OP3 OP3 OP5 OP5 OP4 OP1 OP2 OP4 OP1 OP2 O atraso de cada ordem é: OP1=16-4 = 12 dias OP2=17-5 = 12 dias OP3=7-6 = 1 dia OP4=15-6 = 9 dias OP5=12-7 = 5 dias O atraso médio é igual a: ( ) , 12 12 1 9 5 5 7 8� � � � � dias 5. C. A redução de uma unidade de tempo em uma atividade crítica irá reduzir o prazo de conclusão do projeto em uma unidade. 240 241 242 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM Me. Maílson José da Silva • Entender os conceitos de programação puxada da pro- dução. • Compreender os princípios gerais da Teoria das Restrições. • Analisar os indicadores de desempenho da Teoria das Restrições. • Conhecer os cinco passos essenciais da Teoria das Res- trições. • Identificar os princípios da Manufatura Sincronizada. Programação Puxada da Produção Princípios Gerais da Teoria das Restrições (TOC) Os Cinco Passos da TOC Princípios Básicos da Manufatura Sincronizada Indicadores de Desempenho da TOC Sistema Kanban e Teoria das Restrições Programação Puxada da Produção Imagine a seguinte situação ideal em uma fá- brica: clientes entrando em contato com o setor de Vendas solicitando produtos. O setor anota o pedido, o qual é encaminhado à fábrica. Esta inicia o processo de produção e, no mesmo dia, despacha o produto ao cliente. Na fábrica, não existem estoques intermediários entre as estações de trabalho. No almoxarifado, a quantidade em estoque é exatamente igual à quantidade de mate- riais necessários para a produção do dia. Por conta disso, o espaço requerido na fábrica e no almo- xarifado são relativamente pequenos em compa- ração com fábricas tradicionais. As informações necessárias para a produção chegam nos postos de trabalho com exatidão e no tempo necessário. Os trabalhadores são habilidosos, resolvem proble- mas imediatamente e sempre buscam melhorar os processos pelos quais são responsáveis. Muitas atividades de planejamento e controle da produ- ção são realizadas pelos próprios trabalhadores do chão de fábrica, com apoio do setor de PCP. Os produtos saem da fábrica sem nenhum defeito. Os clientes ficam surpreendidos com a qualidade e rapidez de entrega. 245UNIDADE 9 A situação hipotética apresentada mostra algu- mas das características de um sistema de produção enxuto. Utiliza-se a palavra “enxuto” para significar que não existem excessos, seja de materiais, de tempo, informação ou de outro recurso. A opera- ção do sistema enxuto é feita por meio da produ- ção puxada, ou seja, o mercado consumidor puxa a produção. Ao contrário da produção empurrada, na produção puxada, evita-se a formação de esto- ques intermediários e de produtos acabados. Operação do Sistema Kanban Antes de explicar como funciona o sistema Kan- ban, é preciso destacar que o sistema irá combater, principalmente, os seguintes tipos de desperdício: excesso de estoque e superprodução. Estes des- perdícios, juntamente com outros cinco, formam o conjunto de sete desperdícios identificados na Toyota (fabricante de veículos do Japão), que deu origem ao sistema de Produção Enxuta. Eles fo- ram identificados por Fujio Cho (SLACK; BRAN- DON-JONES; JOHNSTON, 2018): 1. Produtos defeituosos. 2. Espera. 3. Transporte. 4. Movimentação. 5. Excesso de processamento. 6. Superprodução. 7. Estoque. A produção enxuta pode ser entendida como uma filosofia, método ou conjunto de ferramen- tas que visam à eliminação de desperdícios em um sistema produtivo. Fonte: adaptado de Slack, Brandon-Jones e Johns- ton (2018). A situação ideal preconizada é buscada por meio da aplicação dos conceitos de Produção Enxuta e da Teoria das Restrições. Estes dois conceitos- -chave, em resumo, buscam os seguintes obje- tivos: eliminar desperdícios e melhoraraos diferentes pedidos de clientes e flutuações de demanda. Cada lote possui uma sequência de operações que deve ser programada e realizada. Por causa dos tempos de espera dos lotes produzidos entre uma operação e outra, acaba ocasionando um lead time produtivo intermediário (o responsável deve estar atento a esse fator). Veja, na Figura 5, um exemplo de configuração de operação discreta em lote. EstoqueMatéria-prima Produto acabado A EstoqueProcesso B Estoque C Estoque Figura 5 - Operação em lote Fonte: o autor. Observe que cada trabalhador possui seu posto de trabalho em que retira peças de seu estoque, as processa e, em seguida, forma um novo estoque. Este não é de apenas um tipo de produto, como é o caso da produção em massa. Cada posto de trabalho está apto a processar diferentes tipos de pro- dutos. Os estoques se formam, pois os tempos de processamento de cada produto em cada posto de trabalho são variáveis. Como exemplo desse tipo de operação, citamos: tecelagens e departamentos de usinagem e solda. Na área de serviços, temos os restaurantes, laboratórios de análises químicas e oficinas de reparo para automóveis. ○ Sob encomenda: as características desse tipo de operação é a baixa demanda e baixo volume de produção, alta flexibilidade e variedade de produto. Já que é necessário a realização de um projeto específico para atender as necessidades especiais e específicas de cada cliente, acaba-se gerando um lead time produtivo altíssimo. Como exemplos, citamos a construção de navio, avião e usinas hidrelétricas. Os escritórios de advocacia e agências de publicidade são exemplos de prestadores de serviços. Natureza do produto Esta classificação se baseia no resultado do sistema produtivo: o produto. Esse resultado nada mais é do que: um bem material, quando há a transformação de algo tangível, ou um serviço, quando há a transformação de algo intangível. O PCP no Contexto Estratégico e os Níveis Hierárquicos de Planejamento Caro(a) aluno(a), dando continuidade ao nosso estudo sobre os sistemas produtivos e sua relação com o planejamento e controle da produção, vamos apresentar, neste tópico, como o PCP apoia a em- presa em sua estratégia competitiva. Observe que o PCP atua em uma das funções desempenhadas por uma empresa, que é a função produção. Qual é seu papel? Slack, Chambers e Johnston (2009) res- pondem a esse questionamento citando três itens: • Implementação da estratégia. • Apoio à estratégia. • Impulsionar a estratégia. Os autores ainda finalizam dizendo que a função produção agrega competitividade para a empresa, pois possui a habilidade de resposta ao consumi- dor e desenvolve capacitação que coloca a empre- sa à frente de concorrentes. Por isso, enfatizam que “a administração da produção pode ‘fazer ou que- brar’ qualquer empresa” (SLACK; CHAMBERS; JOHNSTON, 2009, p. 36). Para aumentar o lucro, deve-se aumentar a re- ceita ou reduzir os custos. Que opção é a melhor? Veja a resposta na pílula de aprendizagem. 23UNIDADE 1 No Brasil, a partir dos anos 90, as empresas co- meçaram a sentir fortemente os impactos da globalização na sua competitividade. Assim, foi imperativo que tais empresas reagissem e melho- rassem seu desempenho em 5 áreas: qualidade, confiabilidade, flexibilidade, velocidade e custos (LUTOSA et al., 2008). Quadro 1 - Objetivos de desempenho Qualidade A empresa deve buscar atender os requisitos dos clientes e eliminar os defeitos de produtos. Confiabilidade A empresa deve ter processos confiáveis. Maior confiabilidade proporciona o atendimento de pedidos dentro do prazo e a redução de es- toques. Flexibilidade A empresa deve ser flexível para responder às variações. Existe a flexibilidade de expansão, fle- xibilidade de volume, flexibilidade de processos, flexibilidade de operações, flexibilidade de rotea- mento, flexibilidade de produto, flexibilidade de mix de produção e flexibilidade de maquinário. Velocidade A empresa deve ter um processamento veloz, reduzindo tempos de entrega (lead time) e cus- tos com material em processo. Custos Esse objetivo é influenciado pelos quatro ob- jetivos anteriores. A empresa perceberá o re- sultado da melhoria nos demais objetivos pela minimização de custos. Fonte: adaptado de Lustosa et al. (2008). Para a empresa atingir e priorizar esses obje- tivos, é preciso que ela defina sua estratégia produtiva. Por exemplo: pense no caso de uma rede de fast-food. O objetivo de desempenho da velocida- de é realmente importante e impacta diretamente na competitividade de um restaurante fast-food. Já para um fabricante de relógios, a qualidade e ausência de defeitos dos produtos pode ser o fator-chave para o destaque da empresa no mer- cado de relógios. Os objetivos de desempenho nos auxiliam a elaborar estratégias para a atuação das Peque- nas e Médias Empresas (PME). Uma PME pode atuar em nichos de mercado, priorizando um ou mais dos cinco objetivos de desempenho, diferenciando-se dos seus grandes concorren- tes. Empresas menores, por exemplo, podem ter um tempo de resposta mais rápido que grandes empresas que possuem processos mais buro- cráticos. O PCP de uma PME pode apoiar este objetivo, criando ferramentas e técnicas para gerir a produção de tal modo a reduzir o tempo de entrega de produtos. Assim, ao elaborar uma estratégia produti- va, a organização deve pensar em uma série de questões referente a fatores externos e internos, conforme as características de seu mercado de atuação. A título de exemplo, listamos os se- guintes fatores: • Fatores externos: ○ Quais são as exigências legais? ○ Qual é a situação política atual? ○ Qual é a disponibilidade dos recursos que serão necessários nas operações? • Fatores internos: ○ Quais são os custos operacionais? ○ Qual é a capacidade da planta? ○ Como capacitar e qualificar a mão de obra? Tenha sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo. Para acessar, use seu leitor de QR Code. 24 Introdução ao Planejamento e Controle da Produção Como o PCP troca informações com diversos departamentos e atua como mediador de interesses, proporcionando o atendimento das necessidades dos clientes com a melhor utilização dos recursos (humanos, físicos e financeiros), os profissionais que atuam nesse setor, como Assistentes de PCP, Analistas de PCP e Supervisores de PCP, precisam fazer essa integração com os outros departamentos permitindo que a empresa seja competitiva no mercado global e local. Por meio das técnicas de pla- nejamento e controle, o PCP apoia a empresa no alcance dos objetivos de desempenho. Como ocorre o planejamento e controle ao longo do tempo? O PCP planeja em basicamente três horizontes de tempo: longo prazo, médio prazo e curto prazo. Podemos afirmar que há uma hierarquia nas atividades do PCP que irão sustentar a estratégia produtiva da empresa. Quando nos referimos a esta hierarquia, estamos nos referindo a conjuntos de decisões que são tomadas para diferentes espaços de tempo: decisões a longo, médio e curto prazo. O PCP toma decisões no horizonte de longo prazo que irão impactar nas decisões de médio prazo e que, por sua vez, irão refletir nas decisões de curto prazo. Observe isso na Figura 6 apresentada a seguir. Projeto de produto/Projeto de processso: Desenhos de produtos e especi�- cações, lista técnica (BOM), roteiros e tempos de fabricação, lista de centros produtivos Planejamento de longo prazo Planejamento Agregado: plano de produção agregado . Planejamento Mestre da Produção. Planejamento da Capacidade - RCCP. Planejamento das Necessidades de Materiais (MRP) . Plano detalhado de materiais e capacidade - CRP . Programação detalhada da produção. Programa detalhado de fabricação e montagem . Compras - Programa de recebimento de fornecedores . Fabricação - Controle de Chão de Fábrica. Distribuição - Programa detalhado de distribuição . Marketing e vendas: Previsão de demanda Previsão de demanda desagregadao fluxo produtivo. Observe que, na situação ideal, o fluxo produtivo flui como água em um percurso sem obstáculos. O fluxo é contínuo e equilibrado, ou seja, não é muito rápido e nem muito lento, a sua velocidade é ajustada para atender exatamente a demanda do mercado. Como é possível obter este fluxo contínuo? Resumidamente, é possível ob- tê-lo por meio da eliminação de desperdícios no sistema produtivo e por meio do melhor uso dos recursos gargalo (aqueles recursos que afunilam o fluxo produtivo, como o gargalo de uma garrafa). Vamos entender como eliminar desperdícios, focando no sistema Kanban para o gerenciamento de estoques. O sistema Kanban é um sistema para o geren- ciamento de estoques e faz parte do conjunto de ferramentas da Produção Enxuta. A aplicação apenas do sistema Kanban não significa que está sendo aplicada a Produção Enxuta. Um oitavo tipo de desperdício atualmente aceito é o de aproveitamento da criatividade de cada tra- balhador do sistema produtivo. A Produção Enxuta apoia a resolução de problemas pelos próprios trabalhadores. Não ouvi-los ou não criar mecanis- mos para captar sua participação na resolução de problemas pode ser considerado um desperdício. 246 Sistema Kanban e Teoria das Restrições Você já identificou algum destes tipos de desper- dício em um sistema produtivo? Possivelmente, você já foi até um local médico, seja um hospital ou uma clínica, para ser consultado e, ao chegar lá, passou por uma fila de espera. Neste caso, você observou os desperdícios de “espera” e “estoque”, uma vez que existem vários pacientes a serem atendidos, formando-se um estoque de “pacientes” a serem processados pelos recursos (médicos e de- mais profissionais da saúde). Você já tentou ligar em uma central de telemarketing e foi transferido para diversos setores até chegar ao setor que aten- deu sua demanda. Neste caso, você observou os desperdícios de “espera” e “transporte”. Consegue pensar em outros exemplos? Considerando que os desperdícios não repre- sentam algo positivo tanto para uma organização como para as pessoas que atuam e que necessitam dela, é lógico concluir que todos os desperdícios devem ser combatidos. Como podemos fazer isso? A gerência da Toyota trouxe uma com- preensão excelente sobre o papel dos estoques na geração de desperdícios. Ficou evidente, a partir do Sistema Toyota de Produção (ou Produção Enxuta), que à medida que se reduz o estoque (seja intermediário, entre estações de trabalho, seja de matéria-prima ou produto acabado) em um sistema produtivo, os trabalhadores (seja do chão de fábrica ou da gerência) precisam trabalhar para reduzir os desperdícios. Isso ocorre porque os estoques servem como uma “maquiagem” para disfarçar os desperdícios existentes em um sistema produtivo. Por exemplo, quando existe estoque entre duas máquinas, que atuam em sequência, problemas na primeira má- quina não irão refletir imediatamente no desem- penho da segunda máquina, pois o estoque entre elas irá manter abastecida a segunda máquina. Neste caso, a produção não para. Contudo, se o estoque entre as máquinas é eliminado, qualquer problema na primeira máquina irá refletir na se- gunda máquina, pois ela ficará parada devido à parada da primeira máquina. Quanto menor o ní- vel de estoque no sistema produtivo, mais evidente ficarão os problemas e desperdícios existentes, exigindo que o sistema produtivo como um todo atue para eliminar desperdícios e melhorar seu desempenho continuamente. Para se trabalhar com um nível de estoque bai- xo, utiliza-se a ferramenta denominada de Kanban. Este termo designa cartões ou demais sinais visuais utilizados para gerenciar o estoque em um sistema produtivo. Por meio do Kanban, o fornecimento dentro e fora do sistema produtivo se torna um for- necimento Just-in-Time (JIT) ou um fornecimento “apenas no tempo necessário”. Isto é, a produção é feita apenas quando realmente é requisitada pelo cliente e na quantidade realmente necessária. Observe que para este tipo de fornecimento, os produtos precisam ter qualidade, caso contrário, a produção poderá parar momentaneamente devido ao fornecimento de um item defeituoso. Para operar o sistema Kanban, são necessários alguns elementos básicos: 247UNIDADE 9 1. Cartões Kanban: o cartão Kanban autoriza a produção ou a movimentação de um item. As estações de trabalho produzem apenas se existir um cartão Kanban autorizando a produção. As Figuras 1 e 2 mostram exemplos de cartão Kanban. Processo Centro de trabalho Nº do item Nº prateleira estocagem Tipo de contenedor Capacidade do contenedor Materiais necessários Código Locação Nº de emissão Nome do item Figura 1 – Modelo de cartão Kanban de Produção Fonte: Tubino (2009, p. 143). Código do item Centro de trabalho fornecedor Centro de trabalho cliente Tamanho do lete Nº de emissão Tipo de contenedor Localização no estoque Localização no estoque Nome do item Figura 2 – Modelo de cartão Kanban de Movimentação Fonte: Tubino (2009, p. 144). Os cartões servem como uma ordem de produção, contendo informações necessárias para a produção dos itens. Obser- ve, na Figura 1, que o cartão de produção indica o processo e centro de trabalho em que o item é fabricado, código e des- crição do item a ser produzido, código e localização das maté- rias-primas necessárias para a produção do item, quantidade a ser produzida conforme a capa- cidade e o tipo do contenedor. Isto é, o trabalhador, ao pegar o cartão em um quadro, terá as informações que precisa para iniciar a produção do item. Sistema Kanban 248 Sistema Kanban e Teoria das Restrições 2. Contenedor padrão: a produção é feita em lotes de tamanho fixo, definidos pelo contenedor padrão. Este é um recipiente usado para armazenar os itens. Um conte- nedor pode conter apenas uma ou, então, várias unidades, e pode ter características diferentes conforme as características do produto. Por exemplo, em uma indústria de autopeças, o contenedor pode ser uma caixa plástica que armazena parafusos, re- trovisores, pedais, dentre outras peças; em uma indústria de confecção ele pode ser um cabide que suporta uma camisa que está sendo produzida. 3. Centro de trabalho: é o local em que ocorrem as operações de produção. Os trabalhadores do centro produzem os itens e os estocam nos contenedores. 4. Painel de Kanban ou Porta Kanban: é um painel usado para armazenar os cartões Kanban. É para este painel que os trabalhadores olham a fim de verificar se existe algum cartão autorizando a pro- dução. Os trabalhadores colocam cartões Kanban no painel à medida que seus es- toques de componentes ou matéria-prima são consumidos, indicando a necessidade de reposição. A Figura 3 mostra um exem- plo de Porta Kanban. Peça 1 Peça 2 Peça 3 Peça 4 Peça n Figura 3 – Exemplo de Porta Kanban Fonte: o autor. Perceba que o quadro Kanban é dividido por cores. Elas significam a urgência de reposição de cada peça. Quando existirem cartões Kanban nas áreas vermelhas, signi- fica que o ressuprimento do item referente à área é urgente; quando existirem cartões nas áreas amarelas, significa que o ressu- primento é prioritário; e quando existirem cartões nas áreas verdes, significa que o res- suprimento é necessário, porém não urgen- te. A quantidade de áreas verde, amarela e vermelha dependerá do dimensionamento feito para cada peça, que é determinado pela demanda, pelo estoque de segurança desejado, dentre outros fatores. Os cartões são colocados de baixo para cima e são reti- rados de cima para baixo. Veja que o quadro Kanban permite que o próprio trabalhador do posto de trabalho decida a prioridade do momento, agilizando a programação da produção. 5. Áreas de entrada e de saída: podem ficar próximas ou distantes do centro de traba- lho e definem espaços para armazenar os contenedores, tanto de peças produzidas pelo centro de trabalho como de peças con- sideradas insumos do centro de trabalho.Pedidos �rmes Planejamento estratégico: Políticas de estoque, políticas de atendimento a demanda, políticas de mão de obra, política de investimento Gestão de estoques: Estoque de produtos acabados Registro de estoques Planejamento de médio prazo Planejamento de curtíssimo prazo Planejamento de curto prazo Execução e Controle Figura 6 - O PCP no contexto da empresa e os níveis de planejamento Fonte: adaptada de Lustosa et al. (2008). Na elaboração da estratégia organizacional, deve-se identificar os fatores críticos de sucesso, lis- tando as variáveis internas e externas que influenciam na competitividade. Pode-se usar a técnica denominada SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats), também chamada de FOFA (Forças, Oportunidades, Fraquezas, Ameaças). 25UNIDADE 1 Veja que o planejamento de curtíssimo prazo depende das entradas fornecidas lá no planejamento de longo, médio e curto prazo. Exemplificando, se no planejamento de longo prazo é decidido adquirir uma máquina de alta capacidade, o planejamento de curto prazo irá produzir lotes de grandes tamanhos, ou seja, pequenos pedidos poderão não ser atendidos, devido ao alto custo para processar um lote ou, então, serão atendidos com a formação de es- toque. Consegue perceber que decisões a longo prazo são importantes para se ter um bom de- sempenho a curto prazo? A dinâmica de planejamento começa no nível hierárquico de longo prazo. As decisões ali toma- das são passadas adiante e um novo planejamento a médio prazo será necessário. Por sua vez, este planejamento será “refinado” no momento da execução da produção, trata-se do planejamento de curto e curtíssimo prazo. Alterações no plane- jamento de longo prazo podem ser necessárias. Faz-se estas alterações e, então, elas são passadas adiante para outros níveis. Exemplificando, considere um fabricante de brinquedos. A longo prazo, ele pode decidir ad- quirir uma nova planta industrial próxima de uma região que considera sua principal região de ven- das. O objetivo é reduzir custos de transporte e au- mentar a velocidade na entrega de seus produtos. Esta decisão é passada para o planejamento de médio prazo, que deverá prever a quantidade de brinquedos de cada família, que deverá ser produ- zida naquela nova planta industrial, em cada mês. Em seguida, o planejamento de curto prazo irá determinar os modelos de brinquedos que serão produzidos em cada semana. O planejamento de curtíssimo prazo estabelecerá as quantidades a se- rem produzidas em cada dia ou até em cada hora. Caso o mercado altere seu comportamento, mu- dando a quantidade demandada de brinquedos, o planejamento de longo prazo pode ser revisto. Talvez aquela região não seja mais a principal re- gião de vendas e um novo planejamento de longo prazo será necessário. Podemos destacar uma série de perguntas que são respondidas pelo PCP, auxiliado pelas infor- mações de outros departamentos da empresa, dentro de cada nível hierárquico da estratégia de produção: • No nível estratégico: ○ Qual é a demanda do mercado? ○ Qual será a capacidade da planta insta- lada para atender essa demanda? ○ Quais recursos tecnológicos, humanos, financeiros e materiais serão necessá- rios? • No nível tático: ○ Qual é a política de produção? Volume constante, variação da mão de obra, minimização de estoques, aceitação de atrasos, aceitação de vendas perdidas? ○ Quais serão os nossos fornecedores? ○ Como implementar um processo de inovação? • No nível operacional: ○ Qual será o tamanho dos lotes? ○ Quando deve ser produzido? ○ Em qual máquina produzir? Assim, por meio do PCP, a empresa poderá sus- tentar uma vantagem competitiva no mercado, respondendo e refletindo adequadamente sobre as questões pertinentes a cada nível de plane- jamento. Agora que você já sabe da importância do PCP para uma organização e a sua dinâmica de planejamento, vejamos, no tópico a seguir, con- ceitos relativamente recentes sobre melhorias aplicadas em sistemas de produção. Trata-se de técnicas japonesas para a produção com menos desperdícios ou usando um termo da área, uma produção lean. Operações Enxutas e Just-in-Time Caro(a) aluno(a), a forma que o sistema de produ- ção é gerenciado irá influenciar em seu desempe- nho, por exemplo, gerando desperdícios de tempo, material e trabalho humano. Iremos estudar as técnicas de planejamento e controle da produção para justamente evitar tais desperdícios e gerar um programa de produção com resultados satisfatórios. No entanto, antes de entrarmos nas técnicas de planejamento e contro- le da produção, é preciso entender as duas formas de produção possíveis: produção empurrada e produção puxada. Classicamente, na produção em massa realizada pela Ford Motor Company, no início do século XX, a produção seguia a ideia de empurrar a quantidade produzida para o mercado absorver. A produção empurrada, gerando altos volumes de estoque, tan- to final como entre as estações de trabalho, obteve resultados positivos. Tanto é que o veículo da Ford, Modelo T, vendeu mais de 15 milhões de unidade nas cidades de Detroit, Highland Park e Michigan, nos Estados Unidos (HISTORY, [2019], on-line)4. Este veículo, que era feito na cor desejada pelo cliente, “desde que fosse preta”, foi concebido para ser facilmente produzido e ser mantido. 27UNIDADE 1 Contudo, conforme observado ao longo dos anos, a necessidade por produtos diversificados e o poder do mercado de regular o preço das mer- cadorias fizeram com que a produção empurrada não obtivesse mais resultados positivos. Assim, com esse problema e outros advindos da escassez de recursos, a empresa japonesa Toyota Motor Company, em meados da década de 70, começou a desenvolver uma filosofia de produção diferencia- da. Era preciso produzir conforme a necessidade do mercado, evitando estoques e modificando o tipo de produção: de empurrada para a puxada. A produção puxada é diferente, pois produz somente o necessário para o momento, evitando a formação de estoques, ou seja, o mercado puxa o rumo da produção. Para realizar a produção puxada, é necessário que a empresa desenvolva os conceitos da produção enxuta. Conforme o pró- prio nome sugere, essa produção busca trabalhar somente com o necessário, combatendo os des- perdícios no processo produtivo. Os desperdícios podem ser ocultados pelos estoques. Altos níveis de estoque com baixo giro são, muitas vezes, consequências de problemas não re- solvidos. Por exemplo, quando um produto passa pelas estações de trabalho A e B (primeiro A e de- pois B) e observamos uma pilha de estoques a ser processada na estação B, poderíamos avaliar que: a) A estação B possui uma alta taxa de de- feitos, portanto, a estação A necessita pro- duzir uma quantidade extra para cobrir a deficiência causada pelos defeitos. b) A estação A não consegue produzir lotes econômicos menores, portanto, é menos flexível. c) A estação B está com capacidade abaixo do necessário para gerar um fluxo cons- tante na produção. d) A estação B sofre paradas constantes para manutenção etc. A falta de sincronia entre postos de trabalho gera a formação de estoques. O balanceamento de trabalho em cada posto faz parte dos conceitos de balanceamento de linha que são aplicados na produção enxuta. Utilize seu leitor de QR Code para acessar a realidade aumentada e veja um processo de trabalho sem sincronia. Observe as consequências: formação de estoques, trabalhado- res sobrecarregados e outros com sobra de tempo. Produção empurrada significa produzir confor- me uma previsão de vendas e pedidos, empur- rando os produtos para o mercado consumir. Produção puxada significa produzir com base em previsão de vendas e pedidos, porém ela é sincronizada com o consumo real do mercado. A cada retirada de produto no estoque, dispara-se uma reposição. Para operacionalizar a produção puxada, utiliza-se o sistema de cartões, denomi- nado sistema Kanban. Postos de trabalho28 Introdução ao Planejamento e Controle da Produção Assim, em meados da década de 70, começou a conceituar-se as técnicas Just-in-Time (JIT). Esse termo significa “na hora certa”, “oportuno”. Por meio da JIT, reduz-se estoques e elimina-se os desperdícios. Você pode estar se perguntando: se tal filoso- fia proporciona bons resultados, por que todas as empresas não a adotam? Bem, para praticar a filosofia JIT, é preciso que as empresas atendam alguns pressupostos básicos, conforme mostra a Figura 7. Quando falamos na filosofia JIT e, conse- quentemente, no conceito de operações enxuta e empresa enxuta, há princípios fundamentais que precisam ser considerados, conforme apresenta o Quadro 2. Figura 7 - Pressupostos básicos do JIT Fonte: adaptada de Lustosa et al. (2008). Redução dos tempos de preparação Padronização das operações Reorganização dos layouts da fábrica Força de trabalho altamente capacitada Quadro 2 - Princípios fundamentais para implantação do JIT PRINCÍPIO SIGNIFICADO Priorização do mercado A empresa enxuta produz apenas para atender a necessidade do momento, sendo que produções adicionais são consideradas desperdício. Garantia da qualidade A falta de qualidade é um problema grave e deve ser severamente combatido. Minimização de estoques Estoques tendem a ser usados como proteção das incertezas do sistema produtivo. Eles devem ser reduzidos ou até zerados. Ao reduzirmos os esto- ques, conseguimos identificar problemas ocultos. Redução dos tempos de setup Devemos produzir lotes cada vez menores e, para isso, é preciso reduzir os tempos de preparação de máquinas. Com lotes reduzidos, reduzimos os volumes de estoque e a empresa se torna mais flexível. Trabalhador multifuncional A mão de obra deve ser altamente capacitada para operar máquinas diversas. Manutenção produtiva total Um sistema de produção é saudável quando não há paradas e atrasos. Desenvolvimento de fornecedores É preciso eliminar incertezas na cadeia de produção, melhorando a qualidade e a previsão de demanda com fornecedores mais confiáveis. Padronização de operações É preciso aproveitar-se dos ganhos de eficiência obtidos pela padronização de operações. Layout do posto de trabalho É preciso minimizar os tempos de transporte e movimentos desnecessários. Fonte: adaptado de Lustosa et al. (2008). 29UNIDADE 1 A produção enxuta busca a eliminação de sete desperdícios (LUSTOSA et al., 2008): super- produção, estoque desnecessário, transporte excessivo, movimentação desnecessária, espera e produtos defeituosos. Podemos, ainda, citar um oitavo desperdício que é o desperdício da capacidade criativa não utilizada das pessoas. Com a eliminação dos desperdícios, a empresa ganha em termos de qualidade, flexibilidade e entregas rápidas. A produção enxuta apoia o trabalho de qua- lidade, personalizado e o uso de trabalhadores polivalentes, conforme o modelo de produção artesanal. Por outro lado, as operações enxutas buscam a padronização de produtos, a organi- zação de layout e buscam a automatização de al- gumas operações. Observe que ela mistura con- ceitos de produção antigos (produção artesanal, de alta qualidade, por trabalhador habilidoso) e mais recentes (padronização de operações, eco- nomia de escala). Para o Planejamento e Controle da Produção, as operações enxutas trarão novas ferramentas e técnicas de controle, como o Kanban, formação de supermercados de mercadorias entre etapas do sistema produtivo, mapeamento do fluxo de valor, Kaizen e layout celular. Para finalizar nosso estudo sobre a produção enxuta, apresentamos o Quadro 3, que resume alguns dos benefícios desta produção. Quadro 3 - A produção enxuta em termos de “mais” e “menos” LEAN PRODUCTION EM TERMOS DE “MAIS” E “MENOS” MAIS MENOS Mais delegação de pode- res para os funcionários Menos desperdício Mais flexibilidade Menor tempo de projeto Mais capacidade produ- tiva Menos níveis hierár- quicos Maior qualidade Menor quantidade de fornecedores Fonte: o autor. A simplicidade do Lean Dada a parte introdutória sobre a produção en- xuta (Lean Production), gostaríamos de fazer um adendo neste subtópico: a aplicação do lean deve prezar pela simplicidade e constância em sua aplicação. Gostaria de lhe apresentar um grande entu- siasta do Lean, o estadunidense Paul Akers. Em seu livro, Two Second Lean (AKERS, 2014), é mostrada a aplicação simples, rápida e universal dos conceitos da produção enxuta. Akers (2014) mostra que uma empresa Lean é aquela que faz, todos os dias, pequenas melhorias (ou a melho- ria contínua), que são feitas pelos próprios tra- balhadores. A capacidade de fazer melhorias e resolver pequenos problemas é supervalorizada Além da produção enxuta e filosofia JIT, existem outros conceitos importantes no campo da pro- dução e do PCP. Um deles é a chamada Indús- tria 4.0. Este termo indica uma quarta revolução industrial, em que sistemas inteligentes fazem o controle da produção e são integrados remota- mente. Várias tecnologias compõem a Indústria 4.0, tais como algoritmos avançados para otimi- zação dos processos, machine learning, minera- ção de dados, big data, autenticação e detecção de fraudes, realidade aumentada, computação em nuvem, terminais móveis, sensores inteligen- tes, dentre outros. Fonte: adaptado de Cavalcante e Almeida (2018). 30 Introdução ao Planejamento e Controle da Produção na empresa Lean. Os trabalhadores são pagos não só para executar seu trabalho, mas também para redesenhar seu próprio trabalho. Akers (2014) mostra diversos exemplos sim- ples de resolução de problemas, baseados na cultura lean. Adotando um estilo lean de apre- sentação dos conceitos, acompanhe, nas figuras a seguir, algumas das melhorias realizadas por uma empresa que adota a cultura lean. Na Figura 8, podemos observar um posto de trabalho sem a aplicação do Lean e outro com a sua aplicação. Figura 8 - Posto de trabalho melhorado por meio da me- lhoria contínua Fonte: Akers (2014, p. 26). Observe que, na segunda figura, há uma certa “paz mental”! Objetos estão organizados conforme sua utilização, acondicionados em locais adequados. A produtividade neste posto tende a ser maior, pois é mais fácil achar uma ferramenta ou qualquer outro objeto de uso. Acidentes de trabalho tendem a ser menores em um local mais organizado. Para chegar na segunda situação, foi preciso dez anos de melhoria contínua. Isso é o Lean, melhorar um pouco, todos os dias. A cultura da empresa deve favorecer essa filosofia. Veja, agora, outra ação relacionada à cultura de produção enxuta na Figura 9. Figura 9 - Disciplina e limpeza é responsabilidade de todos Fonte: Akers (2014, p. 43). A figura mostra três funcionários de uma empresa japonesa realizando a limpeza do piso. Um detalhe talvez surpreendente é que o próprio presidente da empresa também realiza a limpeza. Isto não é uma simulação, é um trabalho que acontece em uma empresa de cultura lean avançada. A limpe- za e organização deve estar na mente de todos, e limpar seu ambiente de trabalho serve como um exercício de humildade. Está impressionado com isso? Bem-vindo ao “verdadeiro” lean. Como já dito, a produção enxuta visa eliminar desperdícios. Observe quanto tempo desperdiça- mos procurando coisas. A sinalização para a guar- da de objetos pode eliminar este desperdício de tempo. Veja a Figura 10 que mostra um exemplo. 31UNIDADE 1 Esta imagem é de um refeitório de uma empresa Lean. Observe que a mesa não sai do seu lugar, pois possui identificação de onde deve estar. Se for retirada para limpeza, voltará ao mesmo lugar que estava. Até objetos em cima da mesa, como o saleiro, possuem um lugar específico. Talvez pa- reça um exagero à primeira vista, porém é com ações deste tipo que se cria uma cultura de evitar desperdícios. Por fim, apresentamos mais um aspecto de uma empresa enxuta. O treinamento e capacita- ção. Veja, na figura a seguir, um exemplo.Na imagem, podemos ver Paul Akers treinan- do seus funcionários sobre como fazer uma ativi- dade da melhor maneira. Poderíamos ver vários outros exemplos de iniciativa de uma empresa enxuta, mas deixamos a você, ao final da unidade, a indicação de um livro simples de ler e entender sobre o assunto. Queremos mostrar que o Kanban, que aborda- remos em mais detalhes na Unidade 9, é apenas um aspecto da produção enxuta e que existem muitos outros conceitos associados. Finalizamos, aqui, a parte introdutória do nos- so estudo. Na próxima unidade, vamos iniciar a parte mais prática. Como o PCP irá planejar as quantidades de produtos a serem produzidas, cabe uma pergunta fundamental: como saber o que e quanto produzir antes de receber efetiva- mente um pedido? Para responder, utilizamos as técnicas de previsão de demanda. Assunto da nossa segunda unidade. Figura 10 - Sinalização de posicionamento de objetos mantém as coisas no lugar Fonte: Akers (2014, p. 45). Figura 11 - Tornar as pessoas as mais bem treinadas do mundo no que fazem, todos os dias, é um objetivo da cul- tura Lean Fonte: Akers (2014, p. 57). 32 1. Assinale a alternativa que representa uma entrada (input) do sistema de pro- dução de um restaurante: a) Corte de legumes. b) Sobremesa preparada pela cozinha. c) Cozinheiros. d) Lasanha servida aos clientes. e) Aquecimento de alimentos. 2. O serviço de transporte disponibilizado pelo Uber pode ser classificado como qual tipo de sistema de produção? a) Produto padronizado. b) Processo em linha. c) Produto personalizado. d) Make-to-stock. e) Operação contínua. 3. A decisão de contratar mão de obra temporária, para um mês de pico de de- manda em uma fábrica de chocolates, é: a) Uma decisão de longo prazo. b) Uma decisão de médio prazo. c) Uma decisão de curto prazo. d) Uma decisão de curtíssimo prazo. e) Uma decisão a nível estratégico. Você pode utilizar seu diário de bordo para a resolução. 33 4. Em uma barraca de sucos naturais, localizada em uma movimentada praça, o proprietário compra laranjas à medida que os sucos são feitos. Ele armazena uma quantidade muito pequena de laranjas que, geralmente, são consumidas em meio dia de trabalho. Como a barraca fica perto de um sacolão de frutas, quando o nível de laranjas chega a um determinado tamanho, o proprietário solicita a seu empregado que compre mais laranjas, em uma quantidade limi- tada. Pode-se afirmar que: a) O sistema de produção é puxado. b) O sistema de produção é empurrado. c) O sistema de produção é do tipo por projeto. d) O sistema de produção é do tipo personalizado. e) O sistema de produção é do tipo ETO. 5. Faz parte da cultura Lean: a) O excesso de processamento. b) Paradas. c) A constância. d) Excesso de movimentação. e) A superprodução. 34 Two Second Lean: como desenvolver pessoas e criar uma cultura Lean Autor: Paul Akers Editora: Fast Cap Press Sinopse: essa obra foi escrita em uma linguagem simples para mostrar a apli- cação dos conceitos Lean no trabalho e na vida pessoal. Por meio de pequenos textos em cada capítulo e exercícios práticos, o leitor obterá conhecimentos sobre a produção enxuta de forma rápida e entusiasmada. O livro é ricamente ilustrado, mostrando a jornada de Paul Akers para tornar sua empresa lean. Comentário: o livro é disponibilizado gratuitamente pelo autor no formato digital. Acesse: https://paulakers.net/wp-content/uploads/dlm_uploads/2015/12/2SL- -3rd-Portuguese-Brazil-20170622.pdf. LIVRO Joy: o nome do sucesso Ano: 2015 Sinopse: diante do desafio de superar uma adversidade, a protagonista Joy Mangano mudou a sua vida a partir de uma boa ideia. A trajetória de uma jo- vem empresária ressalta questões que abordam a importância da liderança, da gestão em momentos de crise, da capacidade de inovar e de um planejamento propositivo. Com períodos de dificuldades e de transformação da protagonista, o filme foi indicado na categoria de melhor atriz no Oscar deste ano. FILME 35 Sobre senso de utilização, recomendo o vídeo de título “5S: SENSO DE UTILIZAÇÃO” de Hiroaki Kokudai. Para acessar, use seu leitor de QR Code. WEB O canal Paul Akers (em inglês) apresenta vários vídeos curtos sobre processos de produção, entre eles, destacam-se três: Caixas em ângulo (título “Angled Boxes | Reversible Box Stand”), identificação de materiais (título “Box Backer) e inventário enxuto (título “Lean Box Inventory”). Vale a pena conferir. Para acessar, use seu leitor de QR Code. WEB Na sugestão de link a seguir, você pode assistir a um exemplo de aplicação da Indústria 4.0. Para acessar, use seu leitor de QR Code. WEB O canal português The Lean Crawl traz exemplos e discussão sobre melhoria contínua e produção enxuta, como o de análise de filas, de título “Porquê esta fila no metro?” e como iniciar o Lean, com o vídeo “O Lean começa no “banheiro”! A história do nosso WC Lean...”. Aprecie o canal! Para acessar, use seu leitor de QR Code. WEB https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/1185 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/1182 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/1183 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/1184 36 AKERS, P. Two Second Lean: Como desenvolver pessoas e criar uma cultura Lean. Estados Unidos da América: Fast Cap Press, 2014. CAVALCANTE, C. G. S.; ALMEIDA, T. D. de. Os benefícios da Indústria 4.0 no gerenciamento das empresas. Journal of Lean Systems, v. 3, n. 1, p. 125-152, 2018. CORRÊA, H.; CORRÊA, C. Administração de Produção e Operações. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2008. FERNANDES, C. F. F.; GODINHO FILHO, M. Planejamento e Controle da Produção: dos fundamentos ao essencial. São Paulo: Editora Atlas, 2016. LUSTOSA, L. et al. Planejamento e Controle da Produção. Rio de Janeiro: Elsevier Editora Ltda., 2008. SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da Produção. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2009. TUBINO, D. Planejamento e Controle da Produção - Teoria e Prática. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2007. REFERÊNCIAS ONLINE 1Em: https://dicionario.priberam.org/planejar. Acesso em: 17 jun. 2020. 2Em: https://dicionario.priberam.org/controlar. Acesso em: 17 jun. 2020. 3Em: https://dicionario.priberam.org/programar. Acesso em: 17 jun. 2020. 4Em: https://br.historyplay.tv/hoje-na-historia/fusca-ultrapassa-o-ford-t-como-o-carro-mais-vendido-do-mundo. Acesso em: 17 jun. 2020. 37 1. C. Os cozinheiros podem ser considerados como recursos transformadores, ou seja, fazem parte da en- trada do processo. 2. C. Cada viagem é diferente conforme o requisito do cliente. 3. B. Esta decisão impacta no médio prazo (meses). A mão de obra é temporária. Não é uma decisão de longo prazo, pois a mão de obra não ficará o ano todo. 4. A. O cliente puxa a reposição das laranjas. Estoques são minimizados. 5. C. A constância faz parte da cultura lean, pois as melhorias devem ser contínuas. 38 PLANO DE ESTUDOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM • Explicar o que é um modelo de previsão de demanda. • Aplicar técnicas de previsão de demanda baseadas na média. • Aplicar técnicas de previsão de demanda baseada na re- gressão linear e correlação. • Aplicar técnica de previsão de demanda para encontrar a sazonalidade de dados. • Monitorar um modelo de previsão de demanda. Modelos de Previsão de Demanda Técnicas de Média Previsão da Sazonalidade Monitoramento do Modelo de Previsão Previsão da Tendência e Correlação Me. Maílson José da Silva Previsão de Demanda Modelos de Previsão de Demanda Caro(a) aluno(a), para você, o que é a demanda? Podemos conceituar a demanda como sendo a disposição que os clientes têm para consumir de- terminado produto ou serviço. A demanda não é o mesmo que total vendido (em unidades). O total de demanda por um pro- duto pode ser diferente do total de vendas do mesmo produto. Por exemplo, a demanda por um equipamento eletrônico pode ser mais alta que o total de vendas. A empresa fornecedora pode não ter o total de produtos para suprir o desejo de seusclientes. Como podemos saber qual é essa disposição dos clientes? A demanda é influenciada por uma série de fatores, como disponibilidade de crédito, pro- moções, publicidade, preço, disponibilidade, ações da concorrência etc. Além disso, na visão de uma empresa, a demanda pode seguir determinados padrões, conforme ilustrado pela Figura 1. 41UNIDADE 2 Basicamente, para a empresa, a demanda pode ser pontual ou repetitiva. Demandas pontuais são aquelas que ocorrem esporadicamente, por exem- plo, para uma nova vacina, haverá um período de alta demanda pontual e, depois, a demanda reduzirá drasticamente. As demandas repetitivas ocorrem regularmente ao longo dos dias, meses e anos. Podemos, ainda, visualizar essas demandas repetitivas em dois grupos: as demandas depen- dentes e independentes. Quando dizemos que uma demanda é depen- dente significa que o seu valor depende da deman- da de outro produto, por exemplo, se uma fábrica de bicicletas tem uma demanda de 20 bicicletas por dia, a demanda de pneus será de 40 unidades, pois a demanda de pneus depende do número de bicicletas a serem produzidas. Esta demanda será maior caso a empresa também forneça peças de reposição. Nesta situação, a demanda de pneus possuirá dois componentes: uma demanda de- pendente do total de bicicletas produzidas e uma demanda independente, conforme necessidade do mercado por pneus de reposição. Assim, temos a demanda independente. Esta é, geralmente, a demanda dos produtos acaba- dos ou das peças de reposição. Essa demanda é influenciada pelo ciclo de vida do produto, ou seja, um produto possui um ciclo de vida em que sua demanda se comporta de forma diferente, conforme sua fase, que pode ser: introdução, crescimento, maturidade e declínio. Observe a Figura 2, que ilustra as fases do ciclo de vida de um produto. Figura 2 - Fases do ciclo de vida de um produto Figura 1 - Padrões de demanda Fonte: o autor. Matéria-prima, componentes Ciclo de vida do produto Crescimento: tendência Sazonalidade Maturidade: estacionária Declínio: estacionária Padrões de demanda Pontual Repetitiva Dependentes Independentes 42 Previsão de Demanda No eixo vertical do gráfico, temos o total de vendas do produto e, no eixo horizontal, temos o horizonte de tempo. Observe que, no início, as vendas são baixas, pois o produto está na sua fase de introdução no mercado; a demanda é consequentemente baixa. Na fase de crescimento, temos uma demanda ascendente. Quando o produto alcança sua maturidade, a demanda tende a ficar próxima de um valor médio. Por fim, na fase de declínio, a demanda tende a ser decrescente. Observe, portanto, que conhecer a fase do ciclo de vida de um produto auxilia a determinar sua demanda no mercado. Considerando os fatores apresentados no parágrafo anterior, podemos concluir que prever a demanda pode ser uma atividade complexa, porém, por meio de um modelo de previsão adequado, podemos obter previsões que irão gerar resultados úteis. Previsão de demanda é o processo de estimar o valor da demanda futura baseado em valores passados de demanda ou em valores de demanda de outros produtos. A previsão de demanda utilizando métodos quantitativos pode ser usada juntamente com métodos qualitativos, para dar mais certeza no processo de previsão. Antes de explicarmos como elaborar um modelo de previsão de de- manda, é importante entender o porquê de precisarmos dela. Pense nas seguintes questões: ao iniciar uma empresa, como saber quantas máquinas serão necessárias para atender todos os clientes de forma satisfatória, sem atrasos e sem subutilização de recursos? Quantos funcionários devem ser contratados? Qual é a quantia de dinheiro necessária para o fluxo de caixa da empresa? Qual é o espaço necessá- rio para estocar produtos acabados, intermediários e matéria-prima? Prezado(a), observe que as perguntas anteriores estão relacionadas com a demanda, pois a resposta dependerá da demanda pelo seu pro- duto e/ou serviço. Assim, fica fácil concluir que precisamos da previsão da demanda, pois não sabemos exatamente qual será o seu comporta- mento, contudo, se tivermos uma previsão adequada, diminuiremos os erros de planejamento e de produção (em excesso ou em falta). Assim, dada a importância do processo de previsão, vamos en- tender o que é um modelo de previsão de demanda. Esse modelo é ilustrado pela Figura 3. 43UNIDADE 2 Sim Não 1. Identi�car o objetivo da demanda 2. Coletar dados (séries históricas e eventos) 3. Construir grá�cos para identi�car padrões 4. Selecionar um método adequado de previsão 5. Gerar previsões para um período determinado da série 6. Avaliar a precisão com uma ou mais medidas de erro 7. A precisão está adequada ao propósito da revisão 8b. Veri�car parâmeros do modelo utilizado ou selecionar outro modelo 8a. Gerar as previsões para o horizonte de planejamento 9. Ajustar previsões com base em infor- mações qualitativas adicionais 10. Monitorar resultados e medidas do erro de previsão e por que iremos fazer uma previsão. Devemos definir os produtos e/ou família de produtos que terão suas demandas previstas e para que iremos utilizar os dados da previsão. Conforme o objeti- vo desta, teremos a necessidade de uma acurácia maior ou menor da previsão de demanda. Na segunda etapa, vamos coletar os dados dis- poníveis sobre a demanda dos produtos definidos no nosso objetivo. Vamos examinar os registros de venda e as solicitações de pedidos não atendidas. Devemos definir, também, conforme nosso obje- tivo, quais períodos de tempo iremos examinar, ou seja, se são os dados passados de um ano, dois anos, três meses ou seis meses, por exemplo. Figura 3 - Modelo de previsão de demanda Fonte: adaptada de Lustosa et al. (2008). Um modelo é algo que representa o funciona- mento ideal de um processo ou de um produto. Ele descreve as partes constituintes daquilo que se deseja obter. O modelo de previsão de deman- da pode ser adaptado a cada situação, porém, deve ser executado em todas as suas etapas para se obter bons resultados. Na etapa de identificação do objetivo da previsão de demanda, estabeleceremos o que iremos prever 44 Previsão de Demanda Após obter a série histórica de demanda para cada produto e/ou família de produto, devemos fazer a análise desses dados para identificar padrões de demanda, ou seja, vamos estudar o comportamento da demanda. Uma ferramenta visual muito útil para isso é o gráfico. Observe as Figuras a seguir. Demanda - Água Mineral (L) 8000 7000 6000 5000 4000 3000 2000 1000 0 jan/15 fev/15 mar/15 abr/15 mai/15 jun/15 jul/15 ago/15 set/15 out/15 nov/15 dez/15 Figura 4 - Demanda de água mineral (L) Fonte: o autor. Demanda - Sorvete (L) 3500 3000 2500 2000 1500 1000 500 0 jan/14 mar/1 4 abr/1 4 mai/1 4 jun/14 jul/1 4 ago/14 se t/1 5 out/1 5 nov/15 dez/1 5 fev/14 se t/1 4 out/1 4 nov/14 dez/1 4 jan/15 mar/1 5 abr/1 5 mai/1 5 jun/15 jul/1 5 ago/15 fev/15 Figura 5 - Demanda de sorvete (L) Fonte: o autor. 45UNIDADE 2 Demanda - Tablet 120 100 80 60 40 20 0 jan/15 fev/15 mar/15 abr/15 mai/15 jun/15 jul/15 ago/15 set/15 out/15 nov/15 dez/15 Figura 6 - Demanda por tablets (unidade) Fonte: o autor. podem influenciar o modelo de previsão de de- manda. Talvez, teríamos que desconsiderar esses dois valores, conforme nosso objetivo. Na Figura 5, temos o gráfico com os dados de demanda de sorvete por um período de dois anos. Conseguimos observar que existe sazonalidade, isso significa que, em determinados períodos do ano, a demanda de sorvete é maior ou menor do que um valor médio. A demanda cresce e decresce regularmente. Na Figura 6, conseguimos observar que a demanda cresceu ao longo dos meses; por- tanto, ela não variou em torno de um valor médio e também não é sazonal. Essa demanda possui um comportamento de tendência de crescimento. Após construirmos os gráficos da demanda dos produtos e identificarmos seu padrão (valores