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<p>92</p><p>Unidade II</p><p>Unidade II</p><p>Nesta unidade, adentraremos no universo do jornalismo digital para entender o caminho que ele</p><p>percorreu e as características que as diferentes formas de fazer jornalismo online adquiriram até o</p><p>presente momento, entendendo que a rede digital é um organismo vivo que se alimenta a partir das</p><p>práticas da cibercultura e, exatamente por isso, muda constantemente.</p><p>Estudaremos as diferentes formas que o jornalismo adota no ambiente digital passando pela utilização</p><p>pioneira dos blogs, a construção do jornalismo colaborativo, o jornalismo multimídia, o ciberativismo e</p><p>o jornalismo móvel.</p><p>A partir desses conceitos prévios, vamos analisar as principais características que as reportagens e ss</p><p>notícias adotam no meio digital.</p><p>Esperamos que ao fim dessa unidade você seja capaz de criar conteúdos baseados em:</p><p>• Hiperlinks.</p><p>• Narrativas digitais.</p><p>• Design responsivo.</p><p>• Conteúdo multimidiático.</p><p>Esperamos que esta unidade o leve a uma reflexão sobre a própria prática jornalística na sociedade</p><p>em rede, para que não saia apenas instrumentalizado para construir informações que se adequam à</p><p>lógica da cibercultura, mas com uma visão crítica desses processos mecanizados de produção massiva</p><p>de conteúdo.</p><p>5 DIFERENTES JORNALISMOS NO AMBIENTE DIGITAL</p><p>Os processos comunicacionais sofreram muitas mudanças no final do século XX e início do século XXI,</p><p>e o jornalismo, para integrar ao meio digital, adotou novas técnicas e procedimentos, assumindo</p><p>características inovadoras que dialogam diretamente com o novo meio de comunicação.</p><p>Essas novas características foram apresentadas na unidade anterior. De maneira resumida temos a</p><p>interatividade, a utilização de hiperlinks, customização e personalização do conteúdo, a multimidialidade,</p><p>a memória, a instantaneidade e a utilização da base de dados.</p><p>93</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>Os jornalistas hoje desenvolvem seu trabalho em um mundo em que o ciclo de notícias se move em</p><p>uma velocidade nunca antes vista, por isso, estar atento, conectado e produzindo tornou-se indispensável</p><p>para a boa prática da profissão.</p><p>Assim, os jornalistas precisam adotar ferramentas que se tornaram imprescindíveis para que sua</p><p>prática hoje seja efetivada. Entre essas ferramentas, podemos citar:</p><p>• Computadores com acesso à internet que permitem que se escrevam e se arquivem histórias, além</p><p>de softwares profissionais para edição de vídeo, texto e áudio.</p><p>• Aplicativos de videoconferência, principalmente nesse mundo pandêmico e pós-pandêmico, para</p><p>facilitar o contato com fontes e parceiros distantes.</p><p>• Smartphones que hoje incorporam recursos aprimorados de transmissão de áudio, vídeo e texto.</p><p>• Mídias sociais e rastreamento de dados para entender as histórias que estão sendo publicadas,</p><p>quais pesquisas são necessárias e visualizar detalhadamente as interações.</p><p>Fonseca e Kuhn (2009) afirmam que os jornalistas enfrentam mudanças drásticas na</p><p>contemporaneidade, principalmente quando se compara sua atuação profissional ao modelo anterior,</p><p>principalmente por causa da necessidade de se adequar ao novo formato de consumo de notícias.</p><p>Essas mudanças estão relacionadas às inovações tecnológicas e a maneiras como se consomem as</p><p>notícias hoje.</p><p>Além dessas novas características e ferramentas, o jornalismo digital abriu espaço para inserção</p><p>de novos pontos de vista e diferentes dinâmicas de produção, quebrando o monopólio dos grandes</p><p>conglomerados de comunicação, que antes da internet detinham o poder da comunicação em massa.</p><p>Uma das grandes características e novidades do meio digital foi justamente permitir uma maior</p><p>democratização da produção e principalmente da circulação da mensagem, já que agora se tornou</p><p>possível atingir milhões de receptores com publicações feitas por um único indivíduo.</p><p>Quando pensamos no jornalismo especificamente entendemos que o ciberespaço abriu um caminho</p><p>para novas práticas e incluiu cidadãos que, até então, estavam muito distantes do processo de produção</p><p>da notícia, na elaboração de conteúdos dos mais diferentes assuntos.</p><p>Por isso passaremos agora, a entender um pouco mais sobre essas novas práticas de circulação e</p><p>produção de informação que passaram a reinar no ambiente digital.</p><p>5.1 A era dos blogs</p><p>Os blogs são entendidos como websites atualizados com certa frequência em que se postam</p><p>diferentes tipos de conteúdos como texto, fotos, arquivos de som etc., seguindo uma lógica cronológica</p><p>reversa, do mais novo para o mais antigo, e que oferecem a opção de inserção de comentários em</p><p>qualquer postagem (SCHITTINE, 2004).</p><p>94</p><p>Unidade II</p><p>Marlow (2005, p. 3) define weblog como uma “conversação massivamente descentralizada onde</p><p>milhões de autores escrevem para sua própria audiência”.</p><p>Amaral, Recuero e Portela (2009, p. 31) afirmam que os blogs podem ser entendidos como ferramenta</p><p>capaz de gerar uma estrutura característica, constituída como mídia e mediada pelo computador.</p><p>É importante ainda, olhar para os blogs como produtos culturais, apropriados pelos usuários</p><p>através de marcações e motivações diversas. O blog possui ainda uma função comunicativa no</p><p>ciberespaço, além de espaços de sociabilidades (AMARAL; RECUERO; PORTELA, 2009).</p><p>Jon Barger foi o pioneiro que utilizou pela primeira vez o termo “weblog” em 1997, para falar sobre</p><p>um conjunto de sites que elencavam e divulgavam links interessantes (BLOOD, 2000).</p><p>Garfunkel (2004) elencou alguns conceitos relativos à definição de blogs, sendo eles:</p><p>• Website subjetivo, geralmente não comercial, tipicamente produzido por um único indivíduo.</p><p>• Formato de um diário organizado em ordem cronológica reversa, atualizado com bastante</p><p>frequência.</p><p>• Referências a outros sites da web e fragmentos comentados de outras fontes e impressões pessoais.</p><p>• Relatos da vida diária.</p><p>Existem contradições sobre qual foi primeiro blog na web, alguns autores, como David Winer,</p><p>apontam o site de Tim Berners-Lee (https://bit.ly/3whkU3T), como pioneiro; já a jornalista Laís Bolina</p><p>coloca o site Open Diary, criado pelo cientista do MIT Claudio Pinhanez, um brasileiro, em 1994, como</p><p>o primeiro blog da história.</p><p>Independentemente de quem teve esse pioneirismo, é importante saber que no início os blogs não se</p><p>diferenciavam muito de outros sites, faziam listas com indicação de outros sites na web, e logo passaram</p><p>a adotar uma, a característica mais pessoal, como diários abertos de, seus produtores, falando sobre sua</p><p>rotina, dicas variadas, postagens de músicas, fotos etc.</p><p>O surgimento de ferramentas de publicação foi o responsável por alavancar a criação de blogs. Em</p><p>1999, a Pitas lançou a primeira ferramenta que facilitava as publicações e, ainda em 1999, a Pyra lançou</p><p>a plataforma Blogger, que popularizou o conceito.</p><p>O grande diferencial dessas ferramentas era que você não precisava ter domínio da linguagem HTML</p><p>para criar e publicar seu conteúdo, e, assim, elas foram rapidamense adotadas por um grande número</p><p>de usuários, entusiastas, mas que não possuíam habilidades de programação.</p><p>Segundo autores como Rocha (2003), Carvalho (2000) e Lemos (2002), a popularização do formato</p><p>se deu justamente pelo uso como diários pessoais, responsáveis por alavancar a utilização entre os</p><p>novos usuários da rede.</p><p>95</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>Os blogs apresentam-se como uma forma diferenciada de publicação na web, e uma das suas</p><p>principais características é a, possibilidade de personalização de seu autor expressa a partir de</p><p>suas escolhas de publicação (AMARAL; RECUERO; PORTELA, 2009, p. 33).</p><p>Efimova e Hendrik (2005) afirmam que mesmo aqueles blogs mais simples, com uma coleção de</p><p>links, ainda dizem algo sobre seus autores.</p><p>Com a popularização dos blogs, estes deixaram de ser de cunho exclusivamente pessoal e foram</p><p>apropriados para uso comercial de empresas e passaram a funcionar também como, alternativa de</p><p>produção de conteúdo para revistas, jornais e programas de televisão.</p><p>Foletto (2009) afirma que a aproximação do jornalismo ao cenário dos weblogs aconteceu em 2001,</p><p>visível sem que se necessite rolar a página (mas de forma legível),</p><p>melhor a adesão do usuário. Se o leitor não visualizar rapidamente no monitor o que procura, há</p><p>grandes chances de abandonar a página.</p><p>Para pensar nessa criação, Zemel (2015) afirma que precisamos adotar a filosofia “mobile first”</p><p>(móvel primeiro), que afirma que na hora de pensar o design deve-se planejar primeiro para dispositivos</p><p>móveis e depois pensar nos dispositivos maiores.</p><p>Uma vez que entendemos o que representa o design responsivo, devemos pensar: o que os jornalistas</p><p>precisam saber sobre isso?</p><p>122</p><p>Unidade II</p><p>Ao escrever para o meio digital, devemos pensar em como garantir uma experiência para nosso leitor.</p><p>Essa preocupação passa pela consideração de que esse usuário pode acessar nossa página a partir de</p><p>diferentes dispositivos, por isso precisamos estruturar a informação de maneira que essa ação não seja</p><p>apenas possível, como também intuitiva e prática, afinal o objetivo de um artigo, notícia ou reportagem</p><p>é ser lido pelo público, o que não vai acontecer se a página não se adequar à tela de um celular.</p><p>Para Helene Sears, designer editorial de jornalismo visual da BBC News, o jornalista precisa ver a</p><p>aparência de uma página ao carregá-la em seu celular, observando como cada palavra é preciosa, assim</p><p>uma introdução muito prolixa pode significar perder o usuário, já que ele precisará “rolar” a página para</p><p>baixo. Para a jornalista, é importante ter em mente o que o leitor está buscando e principalmente levar</p><p>em conta que hoje a notícia para dispositivos móveis vem em primeiro lugar. Dessa forma, é preciso</p><p>estabelecer uma hierarquia editorial clara; pensar em conteúdo para celular obriga o jornalista a ir</p><p>direto ao ponto.</p><p>Para entender melhor sobre a variação de layout que temos em relação aos diferentes dispositivos,</p><p>observemos a imagem a seguir:</p><p>Figura 19 – Jornal O Globo e suas versões digitais e imprensas</p><p>Fonte: Araújo (2019, p. 85).</p><p>Percebemos que o objetivo do jornal é o mesmo em cada versão, transmitir a mesma história a</p><p>partir de múltiplos dispositivos, entretanto identificamos que existe uma diferença das representações</p><p>nas plataformas. Há uma mudança na configuração estética da página e na disposição dos elementos</p><p>informativos nas interfaces.</p><p>123</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>Ao escrever para o ambiente digital, o jornalista precisa ter em mente essa variedade de acessos e</p><p>focar naquele em que seu público-alvo se encontra.</p><p>Observação</p><p>Entender que o usuário terá acesso à mesma informação por diferentes</p><p>plataformas pede que se pense em conteúdos e imagens que facilitem</p><p>essa adaptação e priorizem uma construção textual que seja facilmente</p><p>adequada para o design responsivo que os websites estão submetidos.</p><p>6.5 Criação de hiperlinks</p><p>Como vimos anteriormente, os hiperlinks impactaram a web desde o início e reconfiguraram a escrita</p><p>jornalística, sendo um dos grandes responsáveis pela nova forma de escrever no ambiente digital.</p><p>Um hiperlink é um link para uma publicação, é através dele que temos acesso a outros textos no</p><p>ciberespaço. Além de fazerem referência a outros textos, os hiperlinks podem nos levar a outras partes</p><p>do mesmo texto que estamos lendo. Eles produzem interferências em nossa leitura, oferecendo a</p><p>possibilidade da quebra da linearidade, apresentando diferentes percursos e interferindo na construção</p><p>de sentidos.</p><p>Podemos criar hiperlinks a partir de qualquer palavra que exista no texto, mas nem por isso nosso</p><p>texto deve ser um “menu” de hiperlinks sem fim. Essa possibilidade infinita se dá exatamente pela</p><p>característica fundamental de o hiperlink ser uma forma de acesso para outro lugar que, de alguma</p><p>maneira, esteja relacionado com aquela palavra específica.</p><p>A palavra em destaque precisa ser importante e estar de alguma forma relacionada com todo o</p><p>conteúdo do seu texto, assim o hiperlink serve para atender a uma expectativa e demanda do leitor por</p><p>mais informações sobre aquele assunto, ou ainda para explicar algo que o leitor desconheça.</p><p>Koch (2009) apresenta três funções para os hiperlinks:</p><p>• Função dêitica: são apontadores enunciativos para oferecer vários ângulos e perspectivas,</p><p>ampliando as possibilidades de conexão.</p><p>• Função coesiva: oferece a possibilidade de “amarrar informações” para que o leitor elabore</p><p>conclusões mais seguras sobre o assunto, além de garantir a fluência da leitura.</p><p>• Função cognitiva: oferece ao leitor o desejo de seguir caminhos diferentes de leitura, com</p><p>possibilidades de desenvolvimento e aprofundamento de um tema.</p><p>124</p><p>Unidade II</p><p>Por essas funções podemos perceber que a função do hiperlink não é meramente instrumental. O</p><p>hiperlink precisa fazer sentido para a construção daquela informação, precisa estar relacionado ao texto</p><p>e à mensagem que se pretende passar.</p><p>Os hiperlinks são portas de entrada para outros espaços, funcionam como blocos de informação, eles</p><p>injetam o leitor para fora do texto, mas oferecem uma possibilidade de completude de informação que até</p><p>então era impossível. Amarram as informações de maneira a levar o leitor a percorrer um caminho repleto</p><p>de informações complementares e, a partir delas, extrair suas próprias conclusões.</p><p>Koch (2005) afirma que os hiperlinks exercem o papel de compressor de cargas de sentido, mas,</p><p>para que isso seja efetivo, o produtor do texto precisa construir uma teia de informações estratégica,</p><p>costurando essas possibilidades de leitura pelo texto.</p><p>No jornalismo, os hiperlinks materializam a capacidade de vincular páginas, sites e documentos que</p><p>enriquecem a informação e diferenciam a notícia online das outras mídias.</p><p>O bom uso dos hiperlinks auxilia ainda na relevância dos resultados nas pesquisas na web, uma vez</p><p>que, ainda que os motores de busca não divulguem os detalhes sobre a análise feita, a fim de evitar</p><p>manipulação dos resultados, a análise dos hiperlinks é também uma das formas de rankeamento.</p><p>Não podemos ignorar que ainda existem algumas controvérsias acerca da utilização dos hiperlinks.</p><p>Leitores mais tradicionais acham que os links são distrações e preferem ler o texto de maneira mais</p><p>linear, como no jornalismo impresso. Esses leitores acreditam que a grande quantidade de hiperlinks</p><p>pode os levar a se perder na leitura, uma vez que clicamos em um link, depois em outro, logo em outro</p><p>e esquecemos o que começamos a ler.</p><p>Entretanto, muitos leitores, principalmente aqueles mais habituados à lógica online, preferem muitos</p><p>links pela possibilidade de explorar mais o assunto e aprofundar seu conhecimento.</p><p>Para tentar estabelecer um padrão e auxiliar o jornalista nesse processo, algumas organizações</p><p>criaram seu próprio material com diretrizes sobre como vincular os hiperlinks às notícias e reportagens.</p><p>Nesse caso, cabe ao jornalista conhecer a política da empresa em que trabalha e escrever seus textos</p><p>em acordo com ela.</p><p>Uma das preocupações das empresas jornalísticas quanto à criação dos hiperlinks é levar o leitor</p><p>para outros sites e “perdê-lo”. Não podemos esquecer que as organizações jornalísticas são empresas e,</p><p>como empresas, precisam se preocupar com a retenção desse leitor, uma vez que sua permanência gera</p><p>tráfego e este é convertido em números para a busca de publicidade, gerando a receita necessária para</p><p>a existência da empresa. Como solução para esse problema, muitas empresas optam por colocar links</p><p>que direcionam para outras reportagens dentro do mesmo site, evitando ao máximo direcionar para</p><p>links externos.</p><p>125</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>Aqui nos deparamos com um desafio: como determinar qual informação precisa ser complementada</p><p>com os hiperlinks, quantos hiperlinks são suficientes para que correspondam à lógica web, mas sem</p><p>cansar o leitor e ainda não correr o risco de perdê-lo?</p><p>A verdade é que não existe uma fórmula mágica, nem modelos predeterminados que possam ser</p><p>usados por todas as empresas, tudo depende do seu objetivo como produtor de conteúdo; nesse objetivo</p><p>é preciso ainda considerar os cognitivos e</p><p>comerciais.</p><p>Não podemos esquecer que os hiperlinks garantem credibilidade ao artigo, já que o leitor pode</p><p>percorrer o caminho da informação e chegar à fonte, de modo que sua falta pode ser considerada</p><p>suspeita. Eles também garantem legibilidade ao artigo e conectividade no ciberespaço.</p><p>Maeyer (2012) afirma que os hiperlinks geram interatividade para os usuários, apenas um click e</p><p>podem navegar para diferentes partes da web, favorecendo que as pessoas controlem seu caminho</p><p>através de uma experiência única de mídia, focando no próprio interesse e criando o próprio ritmo. A</p><p>autora também ressalta a questão da credibilidade e transparência como resultado da adição dos links</p><p>nas notícias, tornando-as mais confiáveis, possibilitando o acesso a documentos oficiais, relatórios e</p><p>arquivos diversos, permitindo a compreensão em profundidade de qualquer assunto.</p><p>Para Maeyer (2012), os hiperlinks oferecem aos jornalistas a possibilidade de contar histórias mais</p><p>complexas concisamente, sem tornar a notícia pesada com texto adicional, e ainda rompem uma barreira</p><p>do jornalismo tradicional, a dificuldade em apresentar diferentes pontos de vista para uma mesma história.</p><p>Para fazer um argumento justo, o jornalista precisa apresentar “todos” os lados de uma história, com a</p><p>possibilidade da inserção dos links, é resolvido o problema do espaço e oferecido todo o contexto, além dos</p><p>pontos de vista possíveis.</p><p>Jarvis (apud MAEYER, 2012) afirma que a regra para o jornalismo é “cubra o que você faz de melhor</p><p>e vincule o resto”, você não precisa reescrever todos os detalhes, mas pode focar na melhor parte</p><p>da notícia, ou naquela parte em que conseguiu a melhor cobertura, e complementar o restante das</p><p>informações através dos hiperlinks.</p><p>Lembrete</p><p>A criação de hiperlinks é uma das maiores inovações na escrita digital.</p><p>Eles funcionam como portas de entrada para outros espaços e oferecem ao</p><p>leitor a possibilidade de aprofundar a leitura.</p><p>6.6 A cultura da convergência e o jornalismo</p><p>Ainda que extremamente atual, convergência não é um tema novo. O principal autor que abordou</p><p>de maneira mais completa e se tornou referência nessa temática foi Henry Jenkins com seu livro Cultura</p><p>da convergência, lançado em 2006.</p><p>126</p><p>Unidade II</p><p>De maneira simplista, poderíamos dizer que convergência seria a reunião das mídias em um único</p><p>ambiente, entretanto essa seria uma definição meramente tecnológica. Precisamos olhar para a</p><p>convergência como um fenômeno cultural, social e econômico.</p><p>Para Jenkins (2008, p. 28), convergência está relacionada ao “fluxo de conteúdos através de</p><p>múltiplos suportes midiáticos, à cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento</p><p>migratório dos públicos”.</p><p>O autor enfatiza que a cultura da convergência mudou a maneira de construir informação,</p><p>tornando-a muito mais participativa. Os elementos centrais do livro abordam três conceitos principais:</p><p>convergência midiática, cultura participativa e inteligência coletiva.</p><p>A convergência midiática está diretamente ligada à adaptação que os meios de comunicação</p><p>sofreram para se adequar à lógica do ciberespaço. Temos o lado tecnológico, aparelhos que integraram</p><p>vários dispositivos em um só, como smartphones que funcionam como rádio, TV, videogames, jornais</p><p>e livros. Mas, além da instrumentação tecnológica, temos a virtualização dos meios de comunicação e</p><p>o novo papel do consumidor, que passou a exercer o papel de produtor no meio digital. Temos uma</p><p>mudança na nossa relação com as mídias, ela é um processo, e não um fim.</p><p>A cultura participativa abarca o crescimento, propiciado pela rede, na participação do usuário das</p><p>diferentes produções e nos processos de comunicação. Ela contrasta com a forma tradicional dos meios</p><p>de comunicação, de uma para muitos, e transforma os participantes que interagem uns com os outros</p><p>e com os próprios produtores.</p><p>A inteligência coletiva está relacionada à integração, à cultura participativa e à “capacidade das</p><p>comunidades virtuais de alavancar a expertise combinada de seus membros” (JENKINS, 2008, p. 54).</p><p>Jenkins continua sua análise para além do livro. Em seu website, o autor afirma que a cultura da</p><p>convergência é definida por decisões tomadas em salas de reuniões corporativas, mas também em</p><p>quartos de adolescentes espalhados pelo globo. Ela é moldada pelo desejo dos conglomerados de mídia</p><p>em expandir seus impérios, mas também pelo desejo dos consumidores de ter a mídia que desejam, onde</p><p>quiserem, quando quiserem e no formato que quiserem.</p><p>Jenkins argumenta que a convergência representa uma mudança na lógica cultural, por meio da</p><p>qual os consumidores são encorajados a buscar novas informações e fazer conexões entre conteúdos de</p><p>mídia dispersos. Ela acontece no cérebro dos consumidores, a partir do fluxo contínuo de mídia ao nosso</p><p>redor que passou a ser transformado em recursos que nos auxiliam a entender nossa vida cotidiana.</p><p>Como jornalistas, precisamos refletir como essa cultura interfere e modifica os fluxos de produção</p><p>e consumo das informações. Rasêra (2010) afirma que a convergência é vista como estratégia de</p><p>crescimento para as empresas de comunicação, e ainda como consequência das mudanças de hábito</p><p>de consumo da notícia.</p><p>127</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>Percebemos que a cultura da convergência alterou os modelos de produção e recepção dos conteúdos</p><p>midiáticos e, consequentemente, dos produtos jornalísticos. As redações tiveram de ser remodeladas, e</p><p>os profissionais, aprender a lidar com as ferramentas digitais.</p><p>Entendemos que a cultura da convergência fomentou a cultura participativa no jornalismo,</p><p>passamos a ter uma participação ativa dos consumidores nos portais e redes sociais. Assim, as empresas</p><p>precisaram desenvolver estratégias que possibilitassem integrar o leitor nesses processos, ouvir suas</p><p>vozes e interagir com os consumidores de uma maneira que antes era impossível.</p><p>Se nos primórdios da internet a interação com o público acontecia a partir de e-mails enviados aos</p><p>jornais, hoje ela é muito mais rápida, principalmente através de comentários em suas redes sociais, em</p><p>que há interação das empresas com os usuários e também de usuários com outros usuários.</p><p>Temos agora uma audiência ativa, que, para Domingo et al. (2007), está diretamente relacionada</p><p>com as novas relações que os jornalistas estabeleceram com o público, principalmente através dos</p><p>conteúdos gerados pelos usuários.</p><p>Além disso, a convergência foi um dos fatores para aceleração de uma nova dinâmica produtiva</p><p>nas redações, chamada de produção integrada. Aqui nos atentamos às mudanças na rotina</p><p>produtiva dos jornalistas a partir das integrações multiplataformas. Essa produção integrada pode</p><p>ocorrer de diferentes formas, seja através de uma única redação, seja a partir de redações distintas, mas</p><p>com troca de informações para facilitar o trabalho conjunto.</p><p>Convergência tem mudado a forma como as notícias têm sido feitas.</p><p>Digitalização e convergência tecnológica são os meios para que as</p><p>plataformas midiáticas sejam facilmente cruzadas. Conteúdo pode facilmente</p><p>ser compartilhado entre jornalistas que fazem notícias para televisão,</p><p>rádio e web. Organizações midiáticas cada vez mais integram produção de</p><p>diferentes plataformas midiáticas, a fim de incentivar cooperação entre</p><p>redações (ERDAL, 2009, p. 58).</p><p>Assim, o perfil do novo jornalista acaba por ser muito mais dinâmico e conectado para que esteja</p><p>apto a atuar nessas plataformas convergentes, com um diálogo mais aberto e participativo.</p><p>Quinn (2014) defende que a convergência jornalística precisa ainda ser focada na narrativa, é função</p><p>do jornalista encontrar a mídia mais apropriada para contar uma história.</p><p>Temos aqui outra característica importante que diz respeito à convergência, a narrativa transmídia,</p><p>que é essa possibilidade de contar uma história por diferentes plataformas. Não temos uma recontação</p><p>da mesma história, mas a possibilidade de continuar e enriquecer a mesma informação respeitando as</p><p>particularidades</p><p>que cada mídia carrega.</p><p>A cultura da convergência pede um jornalista polivalente e redações capazes de entender o</p><p>comportamento migratório do público, eficazes em narrar histórias de maneira transmidiática, abertas</p><p>128</p><p>Unidade II</p><p>ao diálogo e a construções mais participativas, e, mais do que tudo, dispostas a se adaptar a um mundo</p><p>em constante mudança.</p><p>Saiba mais</p><p>Para se aprofundar na teoria da convergência, leia o livro:</p><p>JENKINS, H. Cultura da convergência. Trad. Susana Alexandria. São</p><p>Paulo: Aleph, 2008.</p><p>Resumo</p><p>Nesta unidade estudamos as diferentes formas que o jornalismo</p><p>adota no ambiente digital, percebemos que sua característica inovadora</p><p>e dinâmica permite mais de uma maneira de se desenvolver, criar e</p><p>compartilhar informações.</p><p>As mídias digitais revolucionaram o jornalismo através de novas</p><p>maneiras de se construírem narrativas e contar histórias. Elas oferecem</p><p>uma gama variada de ferramentas que auxiliam na criação de conteúdo.</p><p>Percebemos que o jornalismo adere a essas novas características que</p><p>se converteram em práticas obrigatórias para a construção da informação</p><p>online, como o design responsivo, que facilita a interação do usuário e a</p><p>construção de conteúdos multimidiáticos, explorando as potencialidades</p><p>que a integração das mídias propicia no ambiente digital.</p><p>Outro ponto relevante acerca desse ecossistema digital é a</p><p>participação dos usuários, seja produzindo conteúdo, seja comentando, seja</p><p>compartilhando informações.</p><p>Os blogs, que se proliferaram rapidamente pelo ciberespaço, foram</p><p>aderidos pelo jornalismo. Redações e jornalistas individuais adotaram</p><p>essa prática, que ajudou a aumentar a produção, circulação e consumo</p><p>de informação no ambiente online, permitindo um aumento de pontos de</p><p>vista e maneiras de se contar uma história.</p><p>O jornalismo colaborativo também ganhou novas proporções com</p><p>o webjornalismo, houve um aumento de parcerias para a investigação</p><p>jornalística, uma expansão do público, maior compartilhamento de</p><p>experiências, recursos e ainda uma economia de orçamento.</p><p>129</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>Os hiperlinks são ferramentas que permitem uma leitura não linear,</p><p>enriquecem a informação e transformam cada leitura num processo único,</p><p>uma vez que cada usuário tem a liberdade de seguir um link específico, que</p><p>conduz a outro documento, enriquecendo a informação.</p><p>Hoje os smartphones são as maiores ferramentas para acesso à internet,</p><p>sua praticidade e tecnologia permitem ainda que sejam compatíveis</p><p>para criação e publicação de notícias de maneira fácil e rápida, por isso</p><p>o jornalismo móvel cresceu nos últimos anos, deixando o jornalismo</p><p>praticamente onipresente através de imensa oferta de informações que</p><p>vão ao encontro do usuário.</p><p>Vale lembrar ainda que no ciberespaço precisamos encarar a narrativa</p><p>como um sistema aberto e que sua sobrevivência depende das interações</p><p>com o meio. Assim, a narrativa no jornalismo digital precisa habituar-se a</p><p>pensar o formato menos como um produto acabado e mais como processo,</p><p>fluxo, resultado do sistema aberto e em constante adaptação.</p><p>130</p><p>Unidade II</p><p>Exercícios</p><p>Questão 1. Leia o texto a seguir.</p><p>O que são blogs?</p><p>Com a expansão da internet pelo mundo e a facilidade de comunicação que ela proporciona, cresceu</p><p>o interesse das pessoas em possuir seu próprio espaço na web. Contudo, para montar uma homepage</p><p>e publicá-la era necessário ter certo domínio técnico, que poucas pessoas tinham. Desse interesse e</p><p>dessa dificuldade conflitantes surgiram os bloggers, que são serviços que oferecem ferramentas para</p><p>possibilitar que internautas comuns publiquem seus próprios textos na internet. O blog, ou weblog, é</p><p>uma das ferramentas de comunicação mais populares da internet.</p><p>Adaptado de: https://bit.ly/3tntDQZ. Acesso em: 15 mar. 2022.</p><p>Com base no exposto e em seus conhecimentos, avalie as afirmativas.</p><p>I – Uma das vantagens do blog é que pode apresentar conteúdo dinâmico, isto é, sua atualização</p><p>pode ser frequente, exatamente como acontece nos websites.</p><p>II – Os blogs surgiram com a proposta do compartilhamento de informações e interesses pessoais e</p><p>profissionais e sempre foram vinculados ao jornalismo.</p><p>III – Um blog produzido por um jornalista profissional não pode ser considerado um blog</p><p>jornalístico se não apresentar características como relevância, atualidade, frequência estabelecida e</p><p>grande audiência.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>A) I, apenas.</p><p>B) III, apenas.</p><p>C) I e II, apenas.</p><p>D) II e III, apenas.</p><p>E) I, II e III.</p><p>Resposta correta: alternativa B.</p><p>131</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>Análise das afirmativas</p><p>I – Afirmativa incorreta.</p><p>Justificativa: uma das características dos blogs é ter seu conteúdo periodicamente atualizado,</p><p>já que se trata de uma publicação diferenciada e personalizada. Os websites, ao contrário, tendem a</p><p>ter atualizações menos frequentes, além de não possuírem uma seção de comentários, normalmente</p><p>presente nos blogs.</p><p>II – Afirmativa incorreta.</p><p>Justificativa: o aparecimento dos blogs no final da década de 1990 proporcionou a inserção de</p><p>informações pessoais na internet, sendo que o conteúdo na época visava, principalmente, documentar</p><p>a vida de seus criadores. Hoje, seu uso foi agregado pelo mundo corporativo, uma vez que os blogs</p><p>também são utilizados por empresas para publicações específicas. O vínculo dos blogs ao jornalismo é</p><p>recente, e cuidados devem ser tomados quanto à garantia da veracidade da notícia.</p><p>III – Afirmativa correta.</p><p>Justificativa: um blog, para ser considerado jornalístico, deve apresentar os atributos de relevância,</p><p>atualidade, frequência estabelecida e grande audiência. Blogs com conteúdo pessoal ou similar não</p><p>podem ser reputados jornalísticos.</p><p>Questão 2. Leia o texto a seguir.</p><p>O desafiador mundo do jornalismo multimídia</p><p>Na era da informação, ser jornalista multimídia é encontrar, quem sabe, a chave para uma carreira</p><p>de sucesso. Os desafios em torno do profissional multiplataforma vai além de uma boa redação: é</p><p>necessário alinhar um conjunto de fatores para entregar um texto pronto para diversos suportes. O</p><p>jornalista, na atualidade, define muito bem o que é ser multiúso, pois, além de escrever, pesquisar, correr</p><p>atrás de fontes, fotografar, filmar e editar, precisa ser ágil e rápido nas publicações. Vivemos uma época</p><p>em que a quantidade de informação é avassaladora, o que torna o desafio de um jornalista multimídia</p><p>ainda maior. É importante apresentar um conteúdo com áudio, imagem, fotografia e infográfico, mas o</p><p>essencial ainda é levar ao público um conteúdo bem apurado e checado, evitando, assim, cair na velha</p><p>tentação do furo de reportagem e na publicação de algo errado. Situação que pode ser devastadora</p><p>tanto para o jornalista quanto para o veículo em que trabalha.</p><p>Adaptado de: https://bit.ly/3JimuGV. Acesso em: 15 mar. 2022.</p><p>Conforme o texto, a produção do jornalismo multimídia é um desafio para o jornalista contemporâneo.</p><p>Nesse âmbito, o emprego harmônico de vários meios pode contribuir para um melhor entendimento da</p><p>mensagem. Mayer (2008) elaborou alguns princípios para uma produção multimídia eficaz, entre eles:</p><p>132</p><p>Unidade II</p><p>• proximidade espacial;</p><p>• canal duplo;</p><p>• redundância.</p><p>Fonte: MAYER, R. E. Applying the science of learning: evidence-based</p><p>principles for the design of multimedia instruction. The American Psychologist, v. 63, n. 760, 2008.</p><p>Em relação a esses princípios, avalie as descrições a seguir.</p><p>Descrição I – Implica apresentar o conteúdo em mais de um meio.</p><p>Descrição II – Implica arranjar objetos de modo a poupar empenho cognitivo para congregá-los.</p><p>Descrição III – Implica combinar conteúdo narrado com objetos visuais.</p><p>As descrições I, II e III referem-se, respectivamente, aos princípios:</p><p>A) Proximidade espacial, canal duplo e redundância.</p><p>B) Canal duplo, proximidade espacial e redundância.</p><p>C) Proximidade espacial, redundância e canal duplo.</p><p>D) Redundância, proximidade espacial e canal duplo.</p><p>E) Redundância, canal duplo e proximidade espacial.</p><p>Resposta correta:</p><p>alternativa D.</p><p>Análise da questão</p><p>O princípio da redundância tem a finalidade de apresentar o mesmo assunto ou a mesma matéria de</p><p>mais de uma maneira, por exemplo, texto e infográfico.</p><p>O princípio da proximidade espacial propõe-se a dispor texto e foto em posições contíguas, de forma</p><p>que o leitor não despenda esforços cognitivos para agrupá-los.</p><p>O princípio do canal duplo propõe a combinação de conteúdo narrado com objetos visuais, uma vez</p><p>que as pessoas processam informações por meio dos canais verbal e visual.</p><p>principalmente após os atentados terroristas às Torres Gêmeas nos EUA. Os blogs foram responsáveis</p><p>por dar visibilidade para o grande público e como consequência perceberam sua potencialidade para</p><p>o jornalismo.</p><p>A Guerra do Iraque também impulsionou a criação de blogs, que ficaram conhecidos como warblogs,</p><p>com detalhes mais amplos sobre o conflito e vários relatos diferentes.</p><p>No Brasil o jornalismo de blog também se consolidou a partir do blog “Diário de Bagdá” de Sérgio</p><p>Dávila e Juca Varella, correspondentes da Folha de S.Paulo durante a guerra do Iraque em 2003</p><p>(FOLETTO, 2009).</p><p>Foletto (2009) afirma que os warblogs foram responsáveis por fixar modelos de jornalismo em blogs</p><p>no ambiente digital, sendo estimulados por diferentes empresas jornalísticas.</p><p>Assim,</p><p>testemunhos pessoais sobre determinados acontecimentos, situações ou</p><p>lugares, que já correspondiam à grande parte da blogosfera, passaram a</p><p>ganhar maior importância como informação de relevância jornalística</p><p>(FOLETTO, 2009).</p><p>Os blogs com informações jornalísticas, sendo feitos ou não por jornalistas, ganharam destaque no</p><p>ambiente digital, levando a uma discussão relacionada às informações postadas como relevantes ou</p><p>não, uma vez que muitos não adotavam os procedimentos do jornalismo tradicional (FOLETTO, 2009).</p><p>Os blogs de jornalistas podiam ser relacionados com as colunas pessoais, que já refletiam a voz</p><p>individual do autor, sem tanta preocupação com o compromisso da objetividade.</p><p>A definição de blog jornalístico está relacionada ao crescimento do uso desses blogs, à adoção na</p><p>prática profissional jornalística e à incorporação ocasionada pela “adequação do meio à deontologia</p><p>jornalística” (FOLETO, 2009, p. 55).</p><p>96</p><p>Unidade II</p><p>Para Escobar (2009, p. 225), para ser um blog jornalístico é necessário:</p><p>• Possuir endereço público, acessível a qualquer pessoa.</p><p>• Ter como fim a divulgação de acontecimentos reais, dotados de atualidade e interesse.</p><p>• Estar preocupado e empenhado em disponibilizar novos conteúdos com frequência determinada.</p><p>• Estar preocupado e empenhado na divulgação do próprio blog para atrair um número expansivo</p><p>de audiência.</p><p>Palácios (2006) pontua que a apropriação dos blogs pelos jornalistas trouxe algumas mudanças como</p><p>uma subversão do lugar da emissão da informação, tornando possível que qualquer um compartilhe</p><p>conteúdos de relevância jornalística. Além disso, os próprios critérios de noticiabilidade foram revistos</p><p>uma vez que houve acréscimo de novos polos para transmissão da informação, aumentando a quantidade</p><p>de publicações e também de pessoas interessadas em fatos.</p><p>O autor ainda apresenta três diretrizes que alargaram o campo jornalístico vinculado à blogsfera:</p><p>• Jornalismo difuso: tem o blog como instrumento de reportagem, em que o produtor utiliza sua</p><p>posição privilegiada para noticiar algo que esteja acontecendo.</p><p>• Jornalismo de recuperação da informação residual: para dar visibilidade às notícias que não</p><p>obtiveram tanta relevância na mídia tradicional.</p><p>• Jornalismo de aprofundamento da colaboração: capacidade de diálogo entre blogs para uma</p><p>produção mais aprofundada a partir da colaboração.</p><p>Isso tudo porque nessa socieda,de midiatizada, imersa no mundo digital, existe a necessidade de</p><p>informações mais complexas. Assim:</p><p>Como advento do uso dos weblogs como fonte de informação de o relevância</p><p>jornalística, em 2001, veio para responder a uma demanda da sociedade de</p><p>ter outras visões dos acontecimentos, articulando os fatos mundial um todo e</p><p>explicando o contexto em que eles estão inseridos (FOLETTO, 2009, p. 212).</p><p>A incorporação dos blogs pelo campo jornalístico funciona como uma potencialização dos novos</p><p>meios, e não com uma ruptura dos modelos tradicionais.</p><p>Vale ressaltar que, como pontua Blood (2003), a afirmação de que blogs são as novas formas de fazer</p><p>jornalismo precisa ser revisada, vez que blogs utilizados para registrar memórias ou planejar encontros</p><p>não podem ser entendidos como jornalismo.</p><p>97</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>Escobar (2009) afirma que, para ser considerado jornalismo, o um blog precisa possuir atributos</p><p>que consideramos necessários para o jornalismo de maneira geral, como grande público, periodicidade</p><p>determinada, atualidade e relevância. E mesmo um blog, produzido por um jornalista conceituado, se</p><p>não tiver essas características, não pode ser considerado como um blog jornalístico.</p><p>Assim, blogs jornalísticos possuem endereços públicos, que divulgam acontecimentos reais,</p><p>dotados de atualidade, novidade, universalidade e interesse. Seus produtores devem se empenhar</p><p>na publicação de novos conteúdos e na divulgação para atrair um grande número de visitantes</p><p>(ESCOBAR, 2009).</p><p>Um ponto relevante é que os blogs pode ser considerados os primeiros produtos nascidos</p><p>genuinamente na internet, eles rompem com padrões antecessores: apresentam novidades formais,</p><p>como a disposição do conteúdo, simplicidade e agilidade para publicação da informação; aumentam a</p><p>velocidade da veiculação da notícia.</p><p>Entretanto, ainda que se entenda que os blogs são produtos novos, quando atrelados ao jornalismo,</p><p>precisam se preocupar com procedimentos que estão atrelados à prática. Foletto (2009) ressalta as</p><p>seguintes práticas:</p><p>• Apuração nos blogs jornalísticos: vital para o jornalismo, principalmente na crescente onda de</p><p>desinformação, é necessário que se adotem procedimentos que garantam a veracidade da notícia.</p><p>Por isso a apuração precisa ser realizada da mesma maneira que em outros meios, trazendo</p><p>mínimas diferenças no processo de busca e revelação das informações.</p><p>• Edição e redação em blogs jornalísticos: geralmente feita pela mesma pessoa, o blogueiro se</p><p>torna responsável por todas as etapas da edição da notícia. Existe também muita heterogeneidade</p><p>de estilos de textos encontrados nos blogs jornalísticos, sendo suporte para diferentes gêneros</p><p>jornalísticos.</p><p>• Circulação nos blogs jornalísticos: a internet possibilita uma horizontalidade muito mais</p><p>acentuada, os sistemas de circulação são mais flexíveis, funcionando a partir de links que</p><p>podem (e devem) ser linkados a outras páginas, que por sua vez também são links. Existe</p><p>uma circulação mais descentralizada, em conversação com o ciberespaço, em um ecossistema</p><p>próprio dessa mídia.</p><p>Os blogs romperam com conceitos enraizados no jornalismo tradicional e funcionam como</p><p>ferramenta assertiva para o jornalismo no ciberespaço e para a construção do próprio webjornalismo.</p><p>São ainda instrumentos que oferecem mais democratização na produção e no compartilhamento</p><p>das notícias – aproximando-se de diferentes camadas da sociedade – e abertura de divulgação de</p><p>diferentes pontos de vista.</p><p>Como aponta Foletto (2009, p. 136), “o papel dos blogs jornalísticos não será o de fazer aquilo que</p><p>o ciberjornalismo já faz, mas sim fazer algo diferente”.</p><p>98</p><p>Unidade II</p><p>Observação</p><p>O meio digital oferece possibilidades de maior aprofundamento das</p><p>notícias, maior transparência nos processos de produção, além de integrar</p><p>o usuário no processo de construção da informação.</p><p>Lembrete</p><p>Blogs são páginas virtuais que surgiram como diários pessoais, sem</p><p>fim comercial, alcançando grande adesão do público. Os blogs jornalísticos</p><p>possuem endereço público acessível, divulgam acontecimentos reais,</p><p>dotados de atualidade e interesse, possuem frequência determinada e</p><p>preocupação em atrair maior número de visitantes.</p><p>5.2 Jornalismo colaborativo</p><p>O jornalismo colaborativo não foi uma invenção da internet, entretanto o meio digital potencializou</p><p>e aumentou sua prática.</p><p>Podemos conceituar o jornalismo colaborativo como uma parceria editorial entre organizações de</p><p>mídia, organizações não governamentais (ou sem fins lucrativos), universidades e outros atores que</p><p>trabalham coletivamente na produção de histórias que seriam difíceis ou impossíveis de serem</p><p>criadas de outra maneira.</p><p>Primo e Träsel definem o jornalismo colaborativo como “práticas desenvolvidas em seções ou na</p><p>totalidade de um periódico noticioso na web, onde</p><p>a fronteira entre produção e leitura não pode ser</p><p>claramente demarcada” (2006, p. 9).</p><p>Para Zanotti (2010, p. 32), não há necessidade daeweb para que o jornalismo colaborativo exista,</p><p>mas este deve ser caracterizado pela participação através de mecanismos que envolvam o público em</p><p>“diferentes etapas dos processos de coleta, criação, análise e distribuição de notícias”.</p><p>O jornalismo colaborativo pode ser visto como um modelo de produção de jornalismo qus abraça o</p><p>surgimento de novos atores, usando-os como uma forma de apresentar novos e diferentes pontos de</p><p>vista para a, reportagem (SAMBROOK, 2018).</p><p>Para alcançar esse modus operandi cooperativo, os profissionais da mídia prese cisam compartilhar</p><p>informações, dados, fontes e recursos, o que não era comum antes, já que a lógica do jornalismo</p><p>tradicional era de garantir o melhor furo primeiro, promovendo um ambiente competitivo em vez de</p><p>cooperativo (CARSON; FARHALL, 2018).</p><p>99</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>Com o crescimento da internet e o aumento da competividade, as organizações e os jornalistas</p><p>viram na colaboração uma maneira de sobreviver aos desafios econômicos e como uma inovação nas</p><p>redações. Assim, os esforços colaborativos o funcionam como uma evolução nas práticas jornalísticas,</p><p>uma forma mais participativa de produzir notícias com o público e outros profissionais.</p><p>Esse novo “arranjo” de trabalho oferece também uma possibilidade de apresentar diferentes vozes nas</p><p>coberturas midiáticas, que sempre careceram de diversidade, assim o jornalismo colaborativo se torna</p><p>uma ferramenta crucial promovendo abordagens cooperativas entre redações, jornalistas e membros da</p><p>comunidade em um espírito de inclusão, diálogo e análise.</p><p>O jornalismo colaborativo acontece em diferentes níveis, indo do local ao internacional, podemos</p><p>pensar três modelos diferentes de jornalismo colaborativo:</p><p>• Uma rede permanente de jornalistas e não jornalistas engajados em projetos de reportagem</p><p>voltados para um mesmo tema.</p><p>• Organizações de notícias trabalhando juntas em uma única investigação extensa.</p><p>• Organizações de notícias regionais que compartilham conteúdo por meio de uma redação</p><p>colaborativa.</p><p>Existe um enriquecimento das notícias a partir da colaboração que passa pela potencialização</p><p>da produção das informações jornalisticamente relevantes e também pela interação que acontece</p><p>principalmente pelos comentários dos leitores com links que realizam uma interligação de</p><p>fragmentos complementares, aumentando assim a carga informativa da postagem inicial (RUBLESCKI;</p><p>BARICHELLO, 2013).</p><p>Os próprios leitores também passaram a enviar material para as redações, “tornando-se fontes</p><p>valiosas, de dados e imagens em lugares onde a imprensa não estava” (RUBLESCKI; BARICHELLO,</p><p>2013, p. 110).</p><p>No jornalismo colaborativo, o jornalista se torna também editor do conteúdo que recebe, uma vez</p><p>que precisa avaliar o material enviado através de uma checagem rigorosa.</p><p>Os jornais digitais abriram espaço para modelos mais colaborativos, com a contribuição de amadores</p><p>para a construção da notícia, potencializando a interação com o público, além da mudança em seu</p><p>papel informativo (BELOCHIO, 2008).</p><p>Quando pensamos em jornalismo colaborativo, abrimos para um leque de possibilidades que abrangem</p><p>diferentes áreas, assim, é importante pensarmos o que impulsiona essas parcerias comunicativas.</p><p>Vejamos alguns pontos identificados como motivadores para a busca por parcerias colaborativas:</p><p>100</p><p>Unidade II</p><p>• Expandir o público.</p><p>• Melhorar o conhecimento da marca.</p><p>• Aumentar a confiança do público por meio da colaboração com outro veículo mais conhecido.</p><p>• Economizar o orçamento através de custos compartilhados.</p><p>• Usir a experiência ou os recursos do parceiro.</p><p>É importante entender que o jornalismo colaborativo sempre existiu, mas foi potencializado pelas</p><p>facilidades das novas mídias. Sua construção vai além da simples complementação das informações por</p><p>autores diferentes, passa por objetivos específicos que visam enriquecer o trabalho do jornalista com</p><p>mais acesso a ferramentas, histórias e meios de produção.</p><p>Um excelente exemplo de jornalismo colaborativo foi a investigação do “Panamá Papers”, que</p><p>envolveu mais de 400 jornalistas em 70 países. Esses jornalistas eram integrantes do Consórcio</p><p>Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, sigla em inglês) e trabalharam secretamente</p><p>analisando os dados vazados que expuseram as participações em offshore (empresas usadas para</p><p>esconder dinheiro) de pessoasiem 200 países, incluindo 12 líderes mundiais atuais e anteriores.</p><p>No Brasil jornalistas d’O Estado de S. Paulo e do portal UOL integraram a equipe, que teve acesso a</p><p>mais de 11 milhões de documentos.</p><p>Os jornalistas estabeleceram uma relação colaborativa de trabalho que incluiu até a criação de uma</p><p>rede de relacionamentos privada em que as análises eram postadas e de um aplicativo para auxiliar na</p><p>formação de parcerias para a investigação.</p><p>No meio digital a cultura colaborativa é vital, e foi por meio dela que sites como a Wikipedia se</p><p>tornaram o que são. O futuro do jornalismo é muito otimista em relação ao rompimento de barreiras</p><p>geográficas e à construção colaborativa de informação, que, quando bem planejada, agrega frutos a</p><p>todos os envolvidos.</p><p>Lembrete</p><p>O jornalismo colaborativo tem como objetivo expandir seu público e</p><p>aumentar a confiança e se configura como uma rede de jornalistas e não</p><p>jornalistas engajados, que trabalham em conjunto em uma investigação</p><p>mais extensa. Entre seus benefícios podemos citar a economia de orçamento</p><p>e o compartilhamento de experiências e recursos.</p><p>101</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>5.3 Jornalismo multimídia</p><p>Uma das principais características do webjornalismo é sua capacidade de integrar em uma mesma</p><p>reportagem ou notícia diferentes mídias, o que só foi possível graças à tecnologia relacionada ao</p><p>ambiente digital.</p><p>Os meios digitais modificaram o desenvolvimento dos formatos noticiosos, que passaram a explorar</p><p>a linguagem hipermidiática renovando a maneira de fazer jornalismo. Em mais de 20 anos de existência,</p><p>o jornalismo na web desenvolveu estratégias para melhor se adequar ao meio digital.</p><p>O jornalismo multimídia une diversos formatos de conteúdo como imagens, infográficos, vídeos,</p><p>áudios, slides etc. Assim, no ambiente digital o jornalismo opera numa cultura da convergência que</p><p>permite narrativas transmidiáticas.</p><p>A cultura da convergência foi conceituada por Jenkins (2008) para explicar os novos paradigmas</p><p>da informação na cibercultura. Para o autor, a convergência se dá em uma situação em que múltiplos</p><p>sistemas de mídia coexistem.</p><p>É exatamente essa fluidez de conteúdo que quebra o paradigma, uma vez que ele passa por vários</p><p>canais em uma interdependência de sistemas de comunicação (JENKINS, 2008).</p><p>A cultura da convergência não fala apenas sobre a multiplataforma midiática, mas engloba</p><p>também aspectos tecnológicos, econômicos, corporativos e culturais. E mesmo quando falamos sobre a</p><p>convergência no jornalismo não podemos nos restringir à questão midiática, devemos pensar também</p><p>nas questões tecnológicas, editoriais, profissionais e empresariais.</p><p>Salaverría e Negredo (2008) afirmam que a convergência jornalística é um processo multidimensional,</p><p>facilitado pelas tecnologias digitais, integrando ferramentas e linguagens e elaborando conteúdos que</p><p>são distribuídos em múltiplas plataformas.</p><p>Jenkins (2008) afirma que a narrativa transmídia surgiu em resposta à convergência das mídias</p><p>e que significa contar uma história utilizando diferentes plataformas midiáticas, o que aumenta o</p><p>entendimento do público sobre aquela informação.</p><p>Podemos também adotar o nome de jornalismo transmidíático, que, segundo Pernisa Júnior (2010),</p><p>indica uma verdadeira conexão entre os meios, trazendo uma nova visão para o jornalismo.</p><p>Essas possibilidades midiáticas converteram-se em novas formas narrativas, o que no jornalismo</p><p>alguns autores, como Pernisa Júnior (2010), chamam de modelo “mônada aberta”,</p><p>que constrói a notícia</p><p>de modo diferente ao do modelo tradicional da pirâmide invertida. A reportagem é construída a partir de</p><p>blocos de informação com o máximo de dados sobre o tema que se ligam por meio de links. Uma</p><p>proposta que dialoga com o modelo de “pirâmide deitada” proposto por Canavilhas (2005).</p><p>102</p><p>Unidade II</p><p>Para Canavilhas (2007), a técnica de pirâmide invertida minimaliza os recursos oferecidos pela web</p><p>uma vez que uma das potencialidades do webjornalismo é justamente essa nova arquitetura noticiosa,</p><p>aberta e de livre navegação.</p><p>Uma pesquisa realizada por Ventura e Ito (2016) constatou que a multimidialidade é abundante em</p><p>narrativas jornalísticas, podendo ser encontrada principalmente na forma de vídeos, áudios, infográficos</p><p>e animações. Esses elementos multimídia aprofundam o assunto e ilustram a ideia para propiciar melhor</p><p>entendimento ao leitor com o intuito de uma complementariedade informativa.</p><p>O webjornalismo multimidiático alterou rotinas de produção e os jornalistas passaram a necessitar</p><p>de softwares, programação e algoritmos, além de compreender melhor a linguagem específica de cada</p><p>mídia e, como esse diálogo pode acontecer de maneira que potncialize o entendimento e o alcance da</p><p>história que está sendo contada.</p><p>Observação</p><p>A internet e quando os novos dispositivos inovaram as produções</p><p>jornalísticas exatamente pelo caráter multimidiático que essas novas</p><p>tecnologias propiciaram, integrando diferentes produções em um mesmo</p><p>produto.</p><p>5.4 Ciberativismo</p><p>Antes de conceituarmos o ciberativismo e o papel que o jornalismo, principalmente independente,</p><p>tem ocupado nessa nova dinâmica, vamos entender rapidamente os dois conceiptos que foram</p><p>amalgamados para formar esse neologismo, ciber e ativismo.</p><p>A palavra ciber vem do inglês cyber e está relacionada ao mundo digital, à própria noção de internet</p><p>e à sociedade em rede. Para Castells (1999), as redes são parte constituinte da estrutura da nossa</p><p>sociedade, interferindo nos processos produtivos, de experiência, poder e cultura.</p><p>Ativismo está ligado às relações de lutas que sempre emergiram na sociedade, pela reivindicação,</p><p>pacífica ou não, de grupos de pessoas que por algumas questões estão em desvantagem em relação a</p><p>outros grupos.</p><p>Antes, esses processos de ativismo eram mais restritos a localidades por questões logísticas e</p><p>de comunicação, entretanto, com a globalização e com as novas tecnologias de comunicação, eles</p><p>ganharam diferentes proporções e configurações.</p><p>Alcântara (2015) afirma ser consenso entre os autores que o marco inicial do ciberativismo foram</p><p>as revoltas zapatistas no México, em 1994, e que a Batalha de Seatle, em 1999, marcou um próximo</p><p>passo para a utilização das redes, estabelecendo uma relação entre o ativismo e os novos meios de</p><p>comunicação.</p><p>103</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>O ciberativismo é também conhecido como ativismo online; de maneira geral podemos</p><p>conceituá-lo como a utilização das tecnologias de comunicação, ligadas à internet, para as várias</p><p>formas de ativismo.</p><p>O ciberativismo está diretamente ligado à apropriação da internet por movimentos sociais, ONGs e</p><p>também pela sociedade civil de maneira geral, para alavancar e mobilizar uma agenda social.</p><p>Vegh (2003) chama de online ativismo a utilização da internet por movimentos, que possuem algum</p><p>tipo de motivação política para alcançar suas metas e lutar contra o que consideram injustiças.</p><p>Pensar nesse ciberativismo é também realizar uma análise sobre os movimentos sociais na internet.</p><p>Castells (2003) relata que as lutas sociais modernas estavam subjugadas a uma hierarquia vertical,</p><p>enquanto esses movimentos contemporâneos possuem uma estrutura cada vez mais horizontal a partir</p><p>da incorporação da internet e expansão de suas atividades através da rede.</p><p>Se hoje vivemos uma sociedade conectada, é natural que esses movimentos sociais também tenham</p><p>adotado uma lógica de rede e, nessa estrutura de conexão, busquem apoio para reivindicações, difundam</p><p>informações e abram espaço para discussões, sempre com o intuito de mobilização.</p><p>É importante lembrar que movimentos sociais articulados que lutavam por pautas diversas,</p><p>geralmente relacionadas aos direitos humanos, sempre existiram, entretanto, a internet deu uma nova</p><p>dimensão a esses movimentos, permitindo uma articulação que extrapola os limites geográficos e rompe</p><p>com barreiras físicas de organização.</p><p>A internet facilita a capacidade dos manifestantesm se reunirem rapidamente, no compartilhamento</p><p>de mensagens, na construção do diálogo e na quebra de hierarquias, deixando os movimentos mais</p><p>democráticos.</p><p>Vegh (2003) divide o ativismo online em três categorias principais: conscientização/informação,</p><p>organização/mobilização e ação. A internet se tornou uma fonte de informação que passa a ser utilizada</p><p>pelos grupos para conscientizar as pessoas, assim como a rede é uma facilitadora no processo de</p><p>mobilização para as ações planejadas, ademais, a ação prática que pode ocorrer nas ruas, gerada pela</p><p>conscientização e mobilização, também pode acontecer dentro da própria rede de diferentes maneiras,</p><p>inclusive pelo denominado hacktivismo.</p><p>Para analisar essas modalidades de ativismo, Castells (2003) realiza uma leitura de alguns movimentos</p><p>articulados via rede, social pelo mundo, como na Tunísia, Egito, Islândia e Espanha.</p><p>Na Tunísia, o movimento tinha como objetivo derrubar a ditadura de Bem Ali, e os manifestantes</p><p>utilizaram Facebook, YouTube e Twitter para criar um “espaço híbrido público de liberdade”; na Islândia,</p><p>um protesto em frente ao parlamento viralizou nas redes, culminando no início dos protestos; no Egito,</p><p>o Movimento 6 de Abril tinha uma página no Facebook com 70 mil participantes, e a articulação online</p><p>foi fundamental, fazendo com que o governo egípcio bloqueasse a internet e censurasse a mídia.</p><p>(CASTELLS, 2003).</p><p>104</p><p>Unidade II</p><p>Além desses países, o mundo viu surgir uma onda de protestos em 2011, principalmente do Oriente</p><p>Médio, que tiveram como força motriz a juventude articulada através das plataformas digitais.</p><p>Podemos considerar movimentos menores também como ativismo online, tais como as e-petições,</p><p>método utilizado para chamar atenção do poder público para causas diversas, em que, quanto maior</p><p>for o engajamento através de assinaturas online, maior a probabilidade de a causa ganhar repercussão</p><p>e ser efetivada.</p><p>A cultura participativa das redes favorece o ciberativismo, a comunicação das pautas é facilitada</p><p>pela internet através da capacidade de transmitir muitas mensagens por um baixo custo.</p><p>A utilização de hashtags também se caracteriza como uma forma de ativismo online, e, apesar de</p><p>simples, gera grande repercussão quando consegue alcançar uma quantidade significativa de adeptos</p><p>ou ainda quando uma personalidade famosa adere à campanha.</p><p>Castells (2003) afirma que existem características globais que colocam a internet como espaço de</p><p>autonomia e novas formas de transformação social; vivemos um novo contexto da sociedade em rede</p><p>em que a globalização rompe fronteiras. Os movimentos que surgem nas redes não se limitam ao digital,</p><p>mas rompem essa barreira ocupando os espaços públicos das cidades através de um hibridismo fluido</p><p>entre o online e o offline.</p><p>Cabe-nos questionar qual o papel do jornalismo nesse cenário de ciberativismo e se essa dinâmica</p><p>muda alguma coisa nas rotinas produtivas dos jornais.</p><p>Para responder esse questionamento, Borges (2009) analisou o portal de notícias G1 e entrevistou</p><p>Fausto Carneiro, então editor-chefe, que afirmou que a rotina produtiva do jornal não muda diante</p><p>do ciberativismo, o que acontece é uma percepção sobre o que nesses movimentos pode se tornar</p><p>valor-notícia e assim ser publicado pelos jornais.</p><p>Saiba mais</p><p>Para saber mais sobre o ciberativismo e os movimentos que intensificaram</p><p>essa prática, assista ao documentário:</p><p>THE SQUARE. Direção: Jehane Noujaim. Estados Unidos: Netflix,</p><p>2013. 108 min.</p><p>5.5 Jornalismo móvel</p><p>A tecnologia móvel (mobile) cresceu exponencialmente</p><p>nos últimos quinze anos, e esse crescimento</p><p>está diretamente ligado ao barateamento da tecnologia e, no Brasil, ao aumento do poder de consumo</p><p>de parcela da população.</p><p>105</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>Como tecnologia móvel, entendemos plataformas pessoais, interativas e habilitadas para internet,</p><p>que possuem um caráter pessoal, privado e individual.</p><p>Jensen (2013, p. 27) afirma que móvel é também a “integração da comunicação nas práticas cotidianas</p><p>em formatos crescentemente síncronos, localizados e individualizados”, e não apenas o dispositivo, mas</p><p>também o indivíduo.</p><p>O lançamento do iPhone pela Apple em 2007 marcou o início de uma nova era no processo de</p><p>digitalização, criando um novo padrão para entender o significado das comunicações móveis (GARCIA</p><p>et al., 2019).</p><p>O consumo através de dispositivos móveis transforma o paradigma das comunicações, sendo</p><p>necessária a adaptação de conteúdo ao público que o consome, preferencialmente através dessa</p><p>plataforma comunicativa, proporcionando novos formatos sincrônicos, localizados e individualizados</p><p>(GARCIA et al., 2019).</p><p>Garcia et al. (2019) afirmam que ainda não existe um conceito bem definido sobre o jornalismo</p><p>móvel, sendo um novo campo, com características próprias centradas na mobilidade; alguns autores o</p><p>chamam de jornalismo digital móvel, jornalismo de notícias móvel ou ainda apenas jornalismo móvel.</p><p>Existem duas perspectivas de análises distintas, uma centrada na recepção de conteúdos através dos</p><p>dispositivos e a outra, na produção de conteúdos através dos dispositivos.</p><p>Na perspectiva da recepção de conteúdos, os dispositivos móveis oferecem um ritmo mais intenso,</p><p>uma vez que a informação está mais próxima do público, ao mesmo tempo que esse consumo é mais</p><p>disperso, pois o público recebe diferentes estímulos, ocasionando uma mudança comportamental, em</p><p>que se tem acesso a todos os tipos de mídia simultaneamente e em tempo real (PELANDA et al., 2017).</p><p>Silva (2015, p. 13) afirma que existe uma nova relação entre jornalismo e mobilidade através da</p><p>“apropriação dos territórios informacionais enquanto espaços para conexão”, permitindo uma fluidez de</p><p>conteúdos afetados pela geolocalização através dos recursos do GPS, que permitem direcionar notícias</p><p>locais e contextualizadas, e também a demanda por atualizações constantes, que pressiona o aumento</p><p>da produção.</p><p>Salaverría (2016, p. 259) afirma que o jornalismo móvel é onipresente através de uma oferta de</p><p>informações que vai ao encontro do usuário, poupando seu esforço em buscá-las. Essas características,</p><p>alinhadas aos avanços tecnológicos, abriram caminho para o jornalismo ubíquo “que proporciona uma</p><p>oferta informativa personalizada e ininterrupta”.</p><p>A partir de autores como Bertochi (2016) e Silveira (2016), relacionamos alguns elementos</p><p>responsáveis por caracterizar o jornalismo para dispositivos móveis como a geolocalização, a navegação</p><p>em camadas pela possibilidade de aprofundamento de conteúdos, a personalização de conteúdo e o uso</p><p>de algoritmos que captam dados do usuário e definem suas preferências.</p><p>106</p><p>Unidade II</p><p>Além da mudança no consumo, os dispositivos móveis também reconfiguraram a produção</p><p>jornalística; a própria convergência tecnológica que os dispositivos apresentam propiciou uma nova</p><p>maneira de se produzir conteúdo, dando origem ao termo Mojo (mobile journalism), jornalismo móvel.</p><p>O Mojo está diretamente ligado à produção de conteúdo jornalístico com smartphones. Quinn</p><p>(2014) afirma que a agência Reuters, em Londres, foi a primeira a equipar seus jornalistas com um</p><p>“kit de jornalismo móvel” em 2007.</p><p>Mais de treze anos depois, temos celulares muito mais tecnológicos e conexões mais rápidas, o que</p><p>fez com que a adesão por parte dos jornalistas aumentasse ainda mais.</p><p>Podger, diretora da Digital Skills Agency, em parceria com a Konrad-Adenauer-Stiftung, produziu</p><p>um material gratuito que ensina as melhores técnicas e ferramentas para a produção do Mojo,</p><p>jornalismo móvel.</p><p>O manual afirma que jornalismo móvel coloca o smartphone no centro do processo, é uma ferramenta</p><p>narrativa digital que utiliza o dispositivo para criar e editar imagens, áudio e vídeo. Ele permite que</p><p>os jornalistas realizem muitas atividades de produção e distribuição com um único dispositivo, o</p><p>que torna os smartphones revolucionários, uma vez que também é a partir deles que o público tem</p><p>acesso aos conteúdos.</p><p>Podger afirma que a produção via smartphone incentiva a criatividade e a inovação digital,</p><p>principalmente pelas múltiplas possibilidades a um baixo custo, já que oferece a possibilidade de um</p><p>jornalismo holístico, e a prática jornalística já provou que esse modelo funciona.</p><p>A diretora ainda elenca algumas características que os smartphones possuem e facilitam o trabalho</p><p>do jornalista, como:</p><p>• Custo: mais acessível do que equipamento tradicional.</p><p>• Portabilidade: é possível consegue levá-lo para qualquer lugar de maneira fácil, o que simplifica</p><p>a cobertura de guerras, por exemplo.</p><p>• Discreto: ferramenta valiosa para jornalistas que precisam trabalhar com discrição.</p><p>• Tamanho reduzido: faz com que sejam menos intimidantes para os entrevistados.</p><p>• Aplicativos: muitos facilitam a contação de histórias, além daqueles criados especificamente</p><p>para jornalistas.</p><p>107</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>Saiba mais</p><p>Para saber mais e se aprofundar em modelos de produção de jornalismo</p><p>móvel, acesse:</p><p>MOJO. Disponível em: https://bit.ly/3hV482M. Acesso em: 9 mar. 2022.</p><p>6 CARACTERÍSTICAS DAS REPORTAGENS PRODUZIDAS PARA AS MÍDIAS DIGITAIS</p><p>O conceito de mídia digital está diretamente atrelado à internet e a, todas as plataformas que se</p><p>baseiam no ciberespaço, já que, assim, todos os canais de comunicação que estão alocados no mundo</p><p>virtual, como blogs, redes sociais e sites, configuram as mídias digitais.</p><p>A mídia digital trouxe inovações e mudanças em todos os aspectos da comunicação, inclusive no</p><p>que diz respeito ao jornalismo, inserindo novas práticas narrativas e diferentes maneiras de se contar</p><p>uma mesma história.</p><p>Como já vimos anteriormente, características como interatividade, customização e personalização</p><p>do conteúdo multimidialidade, instantaneidade, atualização contínua e utilização da base de dados são</p><p>mais do que ferramentas, são aspectos necessários dentro de uma narrativa para as mídias digitais e, por</p><p>isso, foram englobadas pelo webjornalismo.</p><p>As mídias digitais oferecem uma ampla gama de ferramentas que auxiliam na criação de conteúdo,</p><p>algumas são gratuitas, outras requerem o pagamento de planos ou pacotes, mas, independentemente</p><p>da maneira como esse acesso acontece, todas servem para facilitar a construção de uma informação</p><p>que dialogue diretamente com as lógicas dos produtos digitais, que precisam ser cada vez mais</p><p>interessantes para um usuário que tem na palma da mão o pode de muda. De conteúdo.</p><p>Existe um ecossistema digital na internet que leva o usuário a interagir participando, produzindo e</p><p>consumindo conteúdo. Nesse sistema, nada é fortuito, o mesmo usuário que produz e compartilha um</p><p>vídeo gratuitamente na internet tem suas preferências monitoradas e a partir delas recebe anúncios</p><p>relevantes, assim seu papel como provedor de dados se torna e mais importante do que como produtor</p><p>de conteúdo.</p><p>Essas considerações são fundamentais para entendermos as lógicas inseridas na rede e, claro, na</p><p>produção de reportagens ou de qualquer informação, seja ela jornalística ou não, aplicada ao mesmo</p><p>sistema de funcionamento.</p><p>Assim, para operar com sucesso nas redes é necessária, entre outras coisas, uma preocupação com</p><p>o design visual na construção das mensagens. Portanto, regras de cor, design de layout, tipografia</p><p>e princípios de contraste, repetição, alinhamento e proximidade (Crap), além do uso adequado de</p><p>imagens, são tão importantes quanto a própria informação que se quer transmitir (REYNA; HANHAM;</p><p>MEIER, 2018).</p><p>108</p><p>Unidade II</p><p>Existem ainda outros princípios básicos para uma produção de mídia digital eficaz que contribuem</p><p>para o melhor entendimento da mensagem e facilitam o usuário, atraindo sua atenção e facilitando o</p><p>processamento de informações.</p><p>Esses princípios foram elaborados por Mayer (2008), que defende que o princípio multimídia contribui</p><p>para uma aprendizagem mais significativa. Entre eles podemos citar:</p><p>• Princípio da proximidade espacial: localização dos textos e imagens próximas de maneira que</p><p>se complementem poupando esforços cognitivos para reuni-los.</p><p>• Princípio da sinalização: informações mais importantes devem ser destacadas.</p><p>• Princípio do canal duplo: utilização combinada de mas atérias narradas de materiais visuais,</p><p>uma vez que as pessoas possuem um duplo canal de processamento de informações, o visual e</p><p>o verbal.</p><p>• Princípio da redundância: apresentar o mesmo conteúdo em mais de uma forma, por exemplo,</p><p>texto e foto.</p><p>Ao relacionar essa teoria com o webjornalismo, entendemos que o usuário também passa por</p><p>um processo de aprendizagem quando se relaciona com a informação. Se o objetivo é que essa</p><p>informação seja compreendida da melhor maneira e prenda a atenção desse leitor, alguns desses</p><p>princípios podem ser aplicados quando pensamos na construção da reportagem e da notícia para o</p><p>ambiente digital.</p><p>Mayer (2008) afirma que o design visual auxilia na criação de ambientes agradáveis, facilitando</p><p>processos cognitivos para que o leitor se concentre na mensagem. Assim, não se trata de apenas criar</p><p>conteúdo, mas de uma comunicação eficaz para envolver o público no espaço digital (REYNA; HANHAM;</p><p>MEIER, 2018).</p><p>Reyna, Hanham e Meier (2018) pontuam que, enquanto a gramática é um conjunto de regras que</p><p>orientam a forma de falar e escrever, os princípios de mídia são uma gama de regras que direcionam a</p><p>criação de conteúdo digital.</p><p>Além disso, a criação digital pressupõe uma combinação de outros elementos, como a estrutura</p><p>paratextual, a criação de hiperlinks e o design responsivo, o qual nos aprofundaremos maie adiante.</p><p>Vale ressaltar que o ciberespaço é um universo dinâmico, as inovações acontecem constantemente,</p><p>e, por isso, não podemos olhar para os produtos digitais como fórmulas prontas a serem reproduzidas,</p><p>mas buscando compreender as novas ferramentas e a maneira como o público está consumindo</p><p>esse meio.</p><p>109</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>Saiba mais</p><p>Para saber mais sobre o design da informação no ambiente digital, leia:</p><p>MORAES, A.; BRAGA, M. Design de notícias: a acessibilidade do cotidiano.</p><p>São Paulo: Blucher, 2015.</p><p>6.1 Narrativa jornalística no contexto digital</p><p>Quando falamos de narrativa, estamos nos referindo ao ato de contar uma história, utilizamos</p><p>diferentes narrativas todo o tempo em nosso cotidiano, e, por isso mesmo, o jornalismo também se</p><p>encarrega de apresentar os fatos a partir de estrutur narrativas bem definidas.</p><p>Sodré e Ferrari (1986, p. 11) afirmam que narrativa pode ser entendida como “qualquer discurso capaz</p><p>de evocar um mundo concebido como real, material e espiritual, situado em um espaço determinado”.</p><p>Entendemos por, isso que a narrativa precisa carregar em si esse poder de transpor as barreiras linguísticas</p><p>presentes na mensagem e situar o leitor no acontecimento narrado.</p><p>Para Genette (2011, p. 265), a narrativa é entendida como “representação de um acontecimento ou</p><p>de uma série de acontecimentos, reais ou fictícios, por meio da linguagem”. Percebemos aqui a ênfase</p><p>nos acontecimentos que antecedem a lógica comunicativa em que a narração está inscrita.</p><p>Entre os elementos que usualmente compõem a narrativa, podemos destacar:</p><p>• Fato: a ação, o acontecimento, ou seja, o famoso “o que aconteceu?”.</p><p>• Tempo: quando a ação ocorreu.</p><p>• Lugar: onde a ação ocorreu.</p><p>• Personagens: quem são as pessoas envolvidas na ação.</p><p>• Causa: o motivo pelo qual a ação ocorreu.</p><p>• Modo: a maneira como a ação ocorreu.</p><p>• Consequência: o resultado dessa ação.</p><p>Para que a narração aconteça, é preciso que se tenha a combinação desses fatores, organizados de</p><p>maneira que o interlocutor obtenha a resposta para cada um dos tópicos apresentados.</p><p>110</p><p>Unidade II</p><p>A literatura é a grande “mãe” da narrativa, mas, a partir da segunda metade do século XX, acadêmicos</p><p>passaram a estudar as narrativas numa perspectiva mais abrangente. Podemos exemplificar com os</p><p>estudos de Roland Barthes, que se desprende exclusivamente da literatura escrita e passa a encarar a</p><p>narrativa como um fenômeno mais universal.</p><p>Essa narração também precisa ser estruturada a partir de um narrador, a pessoa que está contando a</p><p>história. Assim, podemos encontrar diferentes tipos de narradores: narrador personagem, que se insere</p><p>na ação; narrador observador, que não participa diretamente da história; e narrador onisciente, que sabe</p><p>sobre tudo, inclusive o pensamento dos personagens, e conhece toda a história.</p><p>Para analisar e compreender as narrativas digitais, Nora Paul (2012) elencou as características</p><p>principais, chamando-as de taxonomia para as narrativas digitais, pontuando cinco elementos, a saber:</p><p>• Mídia: combinação das diferentes mídias como foto, vídeo e texto que permitem diferentes</p><p>aspectos como configuração da narrativa, tipo de narrativa de acordo com a mídia escolhida, fluxo</p><p>e edição.</p><p>• Ação: o movimento do próprio conteúdo e a ação que o usuário faz para ter acesso a ele, podendo</p><p>ser dinâmico ou estático, ativo ou passivo.</p><p>• Relacionamento: a relação do usuário com o próprio conteúdo, que, quando permite a interação,</p><p>é chamado de aberto. Pode ser classificado de diferentes modos em relação à sua linearidade,</p><p>customização, registro de respostas, manipulação e expansão.</p><p>• Contexto: contextualização por meio da memória, acessado através dos hiperlinks.</p><p>• Comunicação: foco em trocas e conexões, que pode mudar de acordo com sua configuração,</p><p>objetivo, direcionamento, tipo e moderação.</p><p>Assim, Paul (2012) complementa que todos esses elementos (apresentados muito resumidamente)</p><p>oferecem incontáveis possibilidades para a narrativa digital.</p><p>No jornalismo, a narrativa adota algumas perspectivas diferentes das apresentadas antes, por</p><p>exemplo, nunca, ou quase nunca, encontraremos um narrador onisciente, uma vez que é impossível</p><p>para qualquer pessoa, por melhor que ela seja em apurar os dados, saber exatamente todos os detalhes</p><p>de uma história.</p><p>Assim, o jornalismo que se configurou como um gênero literário específico acabou por construir sua</p><p>própria estrutura narrativa na hora de narrar os fatos para os leitores.</p><p>A grande diferença entre as narrativas de maneira geral, e a narrativa jornalística centra-se nos</p><p>valores-notícia que aquele acontecimento carrega, seu conceito de noticiabilidade, determinando o que</p><p>vai virar notícia (BERTOCCHI, 2016).</p><p>111</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>O trabalho do jornalista consiste em construir narrativas partindo de um discurso ancorado na</p><p>realidade, assim, o jornalismo se envolve no real e verdade como referentes e precisa operar de maneira</p><p>objetiva e imparcial.</p><p>Pena (2005, p. 45) afirma que no início do século XX os jornais eram muito mais opinativos, as</p><p>“narrativas eram muito mais retóricas que informativas”.</p><p>Com a profissionalização da carreira, o jornalismo passou a adotar diferentes características e</p><p>elaborou um modelo narrativo singular, que inclusive permitia que os leitores conseguissem identificar</p><p>uma mensagem como produto jornalístico, e não literário ou publicitário.</p><p>Entre as técnicas narrativas que passaram a ser adotadas, temos a adoção do lead, que, para Pena</p><p>(2005, p. 42), consiste em um “relato sintético do acontecimento”.</p><p>O lead é uma construção clássica no jornalismo, que consiste no primeiro parágrafo da notícia e tem</p><p>como objetivo responder às perguntas fundamentais: o quê, quem, quando, onde, como e por quê. Ele</p><p>constrói a narrativa partindo do mais importante para o menos importante no transcorrer da matéria.</p><p>Assim, de acordo com Pena (2005), o lead serve para apontar a singularidade da história, informar</p><p>o que se sabe sobre o acontecimento, apresentar as pessoas e os lugares que são importantes</p><p>para o</p><p>entendimento dos fatos, dar o contexto em que o evento ocorreu e provocar no leitor o desejo de ler</p><p>o restante da matéria.</p><p>A inserção do lead nas narrativas jornalísticas foi responsável pela criação da famosa pirâmide</p><p>invertida, técnica adotada para a construção das notícias que aprofundaremos um pouco mais a seguir,</p><p>no tópico correspondente às notícias no ambiente digital.</p><p>O discurso narrativo midiático é construído através de estratégias comunicativas dotadas de</p><p>objetivos específicos, com foco nos resultados que se pretende atingir (MOTTA; COSTA; LIMA, 2005).</p><p>Entendendo um pouco sobre como funciona a narrativa jornalística, vamos agora pensar em como</p><p>essas teorias podem ser aplicadas quando inseridas no contexto digital.</p><p>Bertocchi (2016) afirma que, no ciberespaço, precisamos encarar a narrativa como um sistema</p><p>aberto e que sua sobrevivência depende das interações com o meio, assim, a narrativa no jornalismo</p><p>digital precisa habituar-se a “pensar o formato menos como artefato e como entrega final, e mais como</p><p>processo, fluxo, resultado do sistema aberto e em constante adaptação”.</p><p>Essa perspectiva de construção faz muito mais sentido quando entendemos a lógica colaborativa e</p><p>interativa que a rede apresenta, logo as narrativas digitais aderem ao formato mais fluido característico</p><p>da cibercultura.</p><p>As tecnologias digitais interfer, assim,nas rotinas das redações e nos processos de escrita, assim, as</p><p>narrativas passaram a adotar questões como fragmentação e temporalidade.</p><p>112</p><p>Unidade II</p><p>A fragmentação está relacionada à navegação multiplataforma que acontece através dos hiperlinks</p><p>constituintes da construção narrativa digital. Já a temporalidade se relaciona ao imediatismo com que</p><p>os meios digitais precisam noticiar um acontecimento; hoje essa transmissão precisa ser praticamente</p><p>concomitante ao ocorrido.</p><p>Canavilhas (2007) também reflete sobre as mudanças na narrativa jornalística digital e afirma que</p><p>ela passa a ser multiplataforma, hipermultimidiática, permite a participação e adapta-se a diferentes</p><p>contextos de recepção.</p><p>Essa questão sobre a multiplataforma dialoga diretamente com o conceito de transmídia, formulado</p><p>por Jenkins (2008). Tal conceito explica a nova prática, viabilizada pelos meios digitais, da utilização de</p><p>diferentes plataformas para se contar uma história, de maneira que exista uma complementação daquilo</p><p>que se é contado, gerando assim uma nova forma narrativa, a narrativa transmidiática.</p><p>Esse fenômeno de transmidiação também foi adotado pelo webjornalismo, assim, temos em curso</p><p>práticas de narrativas jornalísticas transmidiáticas.</p><p>Dall’Agnese e Barrichello (2018) especificaram quais são os requisitos para uma narrativa jornalística</p><p>transmídia. Vejamos a seguir alguns deles:</p><p>• as histórias são contadas em diversos meios e se inter-relacionam em um arranjo;</p><p>• há acesso aos conteúdos por uma ou mais plataformas;</p><p>• ainda que inter-relacionados, cada meio é uma unidade autônoma;</p><p>• existe um ponto de partida tido como meio nativo;</p><p>• existem caminhos diversos para serem explorados pelo usuário;</p><p>• há recursos de interatividade;</p><p>• as histórias não precisam ser associadas a um gênero jornalístico específico;</p><p>• os jornalistas podem contar histórias completas ou explorar tópicos específicos;</p><p>• as histórias são produzidas em contextos jornalísticos diversos;</p><p>• as histórias promovem conhecimento ampliado da temática;</p><p>• os textos promovem ofertas narrativas mais plurais;</p><p>• as construções textuais podem incentivar maior engajamento da audiência.</p><p>113</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>Percebemos, assim, que as narrativas para as plataformas digitais são mais complexas que as</p><p>tradicionais, uma vez que a tecnologia oferece diferentes suportes, possibilidades criativas e percursos.</p><p>Já faz anos que o jornalismo deixou de ser meramente transpositivo e passou a adotar as ferramentas</p><p>propiciadas pelo universo digital. Essa incorporação é necessária para garantir a sobrevivência num</p><p>universo cada vez mais dinâmico e interativo.</p><p>As narrativas jornalísticas no contexto digital precisam ser construídas a partir dessa nova</p><p>arquitetura, que permite ao usuário uma leitura aprofundada, interativa e dinâmica.</p><p>Lembrete</p><p>O contexto digital abriga diferentes formas de narrativas, entretanto duas</p><p>características se sobressaem: sistema aberto e navegação multiplataforma.</p><p>6.2 Planejamento da reportagem online</p><p>O conceito de reportagem está estritamente ligado ao conceito de repórter. Foi a Guerra Civil</p><p>norte-americana que profissionalizou o trabalho do repórter, uma vez que vários profissionais foram</p><p>destacados para cobrir a guerra. Entretanto, apenas após a primeira Guerra Mundial o termo repórter</p><p>passou a ser designado para identificar quem escrevia reportagens.</p><p>A reportagem é tida como um gênero informativo e, para além da notícia, se concentra em não</p><p>apenas informar um fato, como também aprofundar as informações de maneira a fornecer ao leitor um</p><p>conteúdo mais elaborado, amplo e completo.</p><p>Para Lazo (2012, p. 67), a reportagem apresenta uma fusão dos gêneros jornalísticos, “dedica-se a</p><p>aprofundar as interioridades da notícia nas causas e consequências de algum acontecimento”.</p><p>Machado (2012) afirma que a reportagem tem a capacidade de abranger tanto acontecimentos</p><p>atuais como grandes temas contemporâneos, aumentando seu alcance quando pensamos em</p><p>possibilidades de pauta.</p><p>Inúmeros autores classificam os tipos e características da reportagem, e um ponto em comum é</p><p>a perspectiva de aprofundamento que ela apresenta, bem como sua classificação como informativa</p><p>e interpretativa.</p><p>Warren (apud CHAPARRO, 1998) classifica os tipos de reportagens como de acontecimento, de ação,</p><p>de citações e de seguimento. Já Kindermann (2003), como de aprofundamento de notícia, a partir de</p><p>entrevistas, de pesquisa e de retrospectiva. Por sua vez, Machado (2012) elabora uma lista mais longa,</p><p>conceituando reportagens objetiva, interpretativa, argumentativa, quente, morna, fria, de sequência, de</p><p>revista, intemporal, entre outras.</p><p>114</p><p>Unidade II</p><p>Yanes (2004) afirma que a reportagem constrói um novo gênero a partir de uma mistura, tornando-se</p><p>um estilo híbrido que trabalha a partir da fusão de outros formatos. Sua importância se dá justamente</p><p>na possibilidade de tornar público assuntos mais complexos. Para a autora, ela pode ser: objetiva,</p><p>quando utiliza dados concretos extraídos de relatórios, por exemplo; de retrospectiva, quando advém da</p><p>recuperação de informações; de profundidade, quando revela novos dados; de investigação, o que acaba</p><p>por ser redundante, uma vez que toda reportagem é investigativa.</p><p>A reportagem, parte do jornalismo investigativo, está diretamente vinculada à prática de publicar</p><p>uma notícia, que demanda um processo de apuração, assim, a investigação jornalística abrange desde a</p><p>apuração da pauta até a finalização da reportagem.</p><p>Há duas características fundamentais para a reportagem: o detalhamento e a contextualização.</p><p>A reportagem também se liberta do imediatismo, fator determinante para a notícia (FERRARI;</p><p>SODRÉ, 1986).</p><p>Lage (2001) pontua que a reportagem possui outro nível de planejamento, carece de uma</p><p>abundância de informações, e ainda:</p><p>A reportagem visa atender a necessidade de ampliar os fatos para uma</p><p>dimensão contextual e colocar para o receptor uma compreensão de maior</p><p>alcance, objetivo melhor atingido na prática da grande-reportagem, que</p><p>possibilita um mergulho de fôlego nos fatos e em seu contexto e oferece</p><p>ao seu autor uma dose ponderável de liberdade para superar os padrões e</p><p>fórmulas convencionais do tratamento da notícia (LAGE, 2001, p. 31).</p><p>Podemos perceber que a construção da reportagem online não exclui as práticas jornalísticas</p><p>tradicionais, passando por uma apuração adequada, entrevistas e aprofundamento dos conteúdos,</p><p>entretanto ela também precisa se adequar às características das novas mídias para que não se perca no</p><p>universo digital.</p><p>Ao transpormos a reportagem para a plataforma digital,</p><p>incluímos as preocupações e práticas</p><p>tradicionais e aderimos às características próprias que o meio carrega, como a questão da interatividade,</p><p>hipermidialidade, instantaneidade, customização, memória e, ainda, a utilização da base de dados, que</p><p>passa a ser muito mais prática.</p><p>O meio digital operacionalizou a reportagem por meio de dados, uma forma de apuração que, de</p><p>acordo com Barbosa e Torres (2013), possui funcionalidades como a integração de processos de apuração;</p><p>orientação na coleta e contextualização de conteúdos; regulamentação do sistema de categorização</p><p>das fontes por relevância; habilitação do uso de metadados; aplicação de técnicas de tags, que servem</p><p>para otimizar as buscas; garantia de flexibilidade combinatória e relacionamento de conteúdos.</p><p>A linguagem transmidiática, que conceituamos anteriormente, também foi acoplada na produção das</p><p>reportagens digitais. Essa reunião de plataformas permite uma reportagem que apresenta conteúdos</p><p>115</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>que circulem, principalmente, em dispositivos móveis, as maiores ferramentas de acesso por parte</p><p>dos usuários.</p><p>Bueno e Reino (2019) afirmam que as narrativas jornalísticas na internet, embora tenham adotado</p><p>construções hipertextuais e multimidiáticas, ainda seguiam modelos tradicionais de linguagem, a</p><p>informação construída a partir do lead e construções narrativas sem grandes rupturas.</p><p>Entretanto, os autores afirmam que a interferência das métricas na rotina jornalística alterou as</p><p>etapas de produção, incluindo a seleção da pauta e a edição do texto, com maior influência da audiência</p><p>e adesão dos mecanismos de métricas e estratégias que geram aumento de tráfego (BUENO; REINO,</p><p>2019). Entre essas características, cabe-nos destacar as técnicas de search engine optimization (SEO),</p><p>que auxiliam na melhora do seu posicionamento em sites de buscas, como o Google.</p><p>As pessoas realizam buscas para obter informações sobre infinitos assuntos e, para isso, fazem uso de</p><p>palavras-chave que ativam os mecanismos de buscas na rede. As primeiras posições que resultam dessa</p><p>busca são as mais acessadas pelos usuários, fazendo com que reportagens, mesmo que de qualidade,</p><p>deixem de ser vistas pelo público se estiverem em posições mais desfavoráveis na lista de resultados.</p><p>Ao se apropriar dessas técnicas, o jornalista passa a incorporá-las no processo produtivo, e assim</p><p>consegue aumentar sua visibilidade de maneira orgânica.</p><p>SEO é um recurso de otimização dos mecanismos de busca que na prática</p><p>se configura em uma operação que ajuda a identificar os termos (tags) mais</p><p>adequados para descrever um conteúdo e fazer com que ele seja encontrado</p><p>pela audiência. No jornalismo, é mais uma ferramenta de auxílio no sentido</p><p>de chamar atenção para uma publicação no emaranhado de outras (BUENO;</p><p>REINO, 2019, p. 99).</p><p>Alvarez (2011) afirma que a utilização das técnicas de SEO não serve apenas para o rankeamento das</p><p>matérias em sites de busca, mas criam uma linguagem mais próxima do leitor.</p><p>Se os buscadores influenciam nas rotinas produtivas das redações e na maneira de se produzirem</p><p>as reportagens, é preciso se apropriar de algumas técnicas que auxiliem o jornalista a construir seu</p><p>texto, por isso Alvarez (2011) elaborou um manual que ajuda nesse processo. Vejamos as principais</p><p>elencadas abaixo:</p><p>• Meta tags importantes: elementos de programação para fornecer metadados sobre a página</p><p>web. O jornalista não precisa entender de programação, mas deve saber identificar essas tags nas</p><p>interfaces das páginas. As principais são as title tags, que definem os títulos das páginas; meta</p><p>description, descrição das páginas e meta keywords, que reúne as palavras-chaves mais relevantes</p><p>para a busca.</p><p>116</p><p>Unidade II</p><p>• Cuidado com o título: o título é uma meta tag e deve estar em todas as páginas da reportagem,</p><p>o Google lê apenas 63 caracteres, por isso a autora orienta que o título não deve passar de 70</p><p>caracteres. Além disso, ele deve reunir palavras-chaves importantes para a busca.</p><p>• Boa descrição: ela também é uma meta tag e deve estar presente no portal de notícias contendo</p><p>no máximo 250 caracteres. Ela informa os buscadores sobre o conteúdo da página.</p><p>• Palavras-chave: para fazer a escolha adequada utilize a ferramenta de comparação presente no</p><p>Google. A melhor ferramenta é a do Google Trends, em que você visualiza gráficos que explicam</p><p>quais são as palavras mais procuradas por regiões; existe ainda o Google Insights for Search,</p><p>uma ferramenta um pouco mais aprimorada, que também fornece as principais buscas. Uma vez</p><p>escolhidas as palavras, é preciso que elas estejam no título e também destacadas ao logo do texto.</p><p>• Conteúdo: precisa ser qualificado e relevante para melhorar o rankeamento. Para o SEO, a</p><p>qualidade está ligada a maior engajamento por parte dos usuários.</p><p>• Tags heading: marcadores que criam uma hierarquia em seu texto são usados para mensurar o</p><p>grau de importância. Essas tags se apresentam com a letra H e um número, assim é necessário que</p><p>o título seja sempre uma H1.</p><p>• Uso do bold: sempre que precisar dar destaques ao longo do texto.</p><p>• Evite conteúdo duplicado: os buscadores realizam uma varredura e costumam retirar dos índices</p><p>de sua busca quando identificam duplicidade de conteúdo.</p><p>• Uso correto de imagens: utilize o atributo “alt” para informar ao buscador o que aquela imagem</p><p>representa (e não o nome ou crédito do fotógrafo).</p><p>Assim, para planejar a reportagem online, os jornalistas precisam se apropriar das potencialidades do</p><p>meio digital para construir reportagens que sejam capazes de se sobressair na avalanche comunicativa</p><p>pela qual todos somos inundados cotidianamente. Não basta apenas criar textos interativos e</p><p>hipermidiáticos, recheados de hiperlinks, precisamos também entender como funciona a dinâmica da</p><p>rede, quais são as técnicas de SEO que podemos aplicar em nossa reportagem para que o conteúdo, por</p><p>mais relevante que seja, realmente chegue ao leitor.</p><p>Lembrete</p><p>Entender um pouco de SEO facilita na escolha de palavras para compor</p><p>seu texto. O próprio site do Google oferece ferramentas que auxiliam a</p><p>entender como os usuários realizam suas buscas, sendo assim, é necessário</p><p>aprender quais são as palavras mais buscadas e planejar títulos e textos</p><p>que as contemplem.</p><p>117</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>Saiba mais</p><p>Para saber mais sobre as técnicas de SEO para jornalistas, leia a Cartilha</p><p>de SEO para jornalistas, elaborada pela jornalista Barbara Zamberlan Alvarez:</p><p>ALVAREZ, B. Z. Cartilha de recomendações de SEO para jornalistas.</p><p>2011. Monografia (MBA em Jornalismo Digital) – Pontifícia Universidade</p><p>Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011. Disponível em:</p><p>https://bit.ly/37Haa5k. Acesso em: 12 abr. 2022.</p><p>6.3 Notícia na mídia digital</p><p>É impossível falar em notícia e em sua construção sem retomarmos o modelo clássico, eternizado</p><p>pelo jornal impresso, conhecido como modelo da pirâmide invertida.</p><p>Qualquer manual de jornalismo apresenta para o leitor essa técnica, que consiste em sempre começar</p><p>a notícia pelos dados mais importantes, respondendo às perguntas clássicas do jornalismo: o quê, quem,</p><p>quando, onde, como e por quê.</p><p>Cabe-nos pensar se essa mesma lógica de construção textual, ainda que efetiva para a transmissão</p><p>da notícia, é a mais adequada para os meios digitais.</p><p>Canavilhas (2007, p. 6) afirma que “autores como Jacob Nielsen (1996), Rosental Alves ou José</p><p>Álvarez Marcos, insistem na importância da pirâmide invertida nos meios online”, entretanto autores</p><p>como Ramon Salaverría, e o próprio Canavilhas, ainda que reconheçam sua importância como técnica</p><p>de notícias, consideram esse modelo limitador quando pensamos nas potencialidades do ciberespaço.</p><p>Essa limitação acontece principalmente porque o jornalismo impresso está ancorado no papel, e por</p><p>isso enfrenta como dificuldade a questão do espaço de publicação, barreira vencida quando pensamos</p><p>na produção digital, uma vez que o espaço é praticamente infinito, e, portanto, quando há edições, estas</p><p>acontecem por “questões estilísticas e não espaciais” (CANAVILHAS, 2006, p. 6).</p><p>Assim, o webjornalismo, além de aproveitar as potencialidades do hipertexto, precisa se apropriar de</p><p>uma “arquitetura noticiosa aberta e de livre navegação” (CANAVILHAS, 2006, p. 7).</p><p>Salaverría (2016) afirma que os meios digitais oferecem muito mais flexibilidade e que, por isso,</p><p>as informações precisam se organizar a partir das estruturas hipertextuais, que podem ser lineares,</p><p>reticulares ou mistas.</p><p>Essas organizações a partir das estruturas hipertextuais refletem o grau de navegação a que o leitor</p><p>é condicionado. Em uma estrutura linear, os blocos de texto estão ligados a partir de um ou mais eixos;</p><p>118</p><p>Unidade II</p><p>nas estruturas reticulares não há eixos predefinidos, mas uma rede de textos com navegação livre,</p><p>aberta a inúmeras possibilidades de leitura (CANAVILHAS, 2006).</p><p>Nessas diferentes possibilidades de organização textual, a pirâmide invertida perde sua força, a</p><p>lógica organizativa está mais centrada na importância dos fatos.</p><p>Temos um novo paradigma uma vez que a quantidade e a variedade de informações disponibilizadas</p><p>variam e que a notícia pode se desenvolver com mais ou menos possibilidades de aprofundamento</p><p>(CANAVILHAS, 2006).</p><p>Como</p><p>Por quê</p><p>O quê</p><p>Quem</p><p>Quando</p><p>Onde</p><p>+++</p><p>Arquivos+ Por quê</p><p>Externos</p><p>+++</p><p>Arquivos+ Quando</p><p>Externos</p><p>+++</p><p>Arquivos+ O quê</p><p>Externos</p><p>+++</p><p>Arquivos+ Onde</p><p>Externos</p><p>+++</p><p>Arquivos+ Quem</p><p>Externos</p><p>+++</p><p>Arquivos+ Como</p><p>Externos</p><p>- informação + informação</p><p>Figura 17 – Modelo de análise</p><p>Fonte: Canavilhas (2006, p. 14).</p><p>Através da figura, percebemos que a navegação múltipla e única de cada usuário, a partir dos</p><p>hiperlinks, permite uma construção informativa diferente.</p><p>119</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>O autor afirma que nesse modelo o leitor pode “abandonar a leitura a qualquer momento sem perder</p><p>o fio da história”; é ainda oferecida ao leitor a “possibilidade de seguir apenas um dos eixos de leitura</p><p>ou navegar livremente dentro da notícia” (CANAVILHAS, 2006, p. 15).</p><p>Por isso, pensando na escrita da notícia online, Canavilhas (2006) apresenta uma nova forma de</p><p>estruturar a webnotícia, através de uma “pirâmide deitada”.</p><p>Unidade</p><p>base</p><p>Nível de</p><p>explicação</p><p>Nível de</p><p>contextualização</p><p>Nível de</p><p>exploração</p><p>Figura 18 – Modelo proposto por Canavilhas</p><p>Fonte: Canavilhas (2006, p. 15).</p><p>Nesse modelo o autor propõe uma pirâmide deitada com quatro níveis de leitura, unidade base, nível</p><p>de explicação, nível de contextualização e nível de exploração:</p><p>• A unidade base – o lead – responderá ao essencial: o quê, quando, quem e onde. Esse texto inicial</p><p>pode ser uma notícia de última hora que, dependendo dos desenvolvimentos, pode evoluir ou não</p><p>para um formato mais elaborado.</p><p>• O nível de explicação responde ao por que e como, completando a informação essencial sobre o</p><p>acontecimento.</p><p>120</p><p>Unidade II</p><p>• No nível de contextualização, é oferecida mais informação, um maior detalhamento – em formato</p><p>textual, vídeo, som ou infografia animada – que pode ser diacrônica (acontecimentos anteriores)</p><p>ou sincrônica (explica o ambiente).</p><p>• O nível de exploração, o último, liga a notícia ao arquivo da publicação ou a arquivos externos.</p><p>Canavilhas (2006, p. 16) acredita que essa técnica pode ser libertadora para o jornalista, enquanto o</p><p>usuário pode realizar uma leitura pessoal e única sobre o texto, o jornalista “tem ao seu dispor um</p><p>conjunto de recursos estilísticos que, em conjunto com novos conteúdos multimídia, permitem reinventar</p><p>o webjornalismo em cada nova notícia”.</p><p>Com as possibilidades oferecidas pela web e com o consumo de notícias diferenciado do meio digital,</p><p>o jornalista é obrigado a pensar em novas construções para a narrativa das notícias. Isso não significa</p><p>ignorar os manuais de jornalismo anteriores ou excluir totalmente a lógica da pirâmide invertida, mas</p><p>entender que as ferramentas oferecem diferentes caminhos de leitura, e, por isso, para escrever em uma</p><p>lógica webjornalística, é preciso se apropriar dessas técnicas.</p><p>O modelo da pirâmide deitada proposto por Canavilhas (2006) ilustra uma das mudanças necessárias</p><p>para a escrita da notícia online, pensando em textos que articulem com outros dados, principalmente</p><p>através dos hiperlinks, e que distribua a informação de maneira mais fluida no decorrer do artigo.</p><p>Observação</p><p>Esse modelo proposto, o da pirâmide deitada, oferece a possibilidade de</p><p>maior retenção da atenção do leitor, além de permitir o aprofundamento</p><p>das informações.</p><p>6.4 Design responsivo</p><p>Com o avanço da tecnologia, principalmente aquela ligada aos smartphones, os usuários passaram</p><p>a acessar as páginas da internet através de diferentes dispositivos, como desktops, celulares e tablets.</p><p>No início isso criou um problema, principalmente porque a maioria dos sites era formatada para serem</p><p>acessados sobretudo através de computadores de mesa; um layout flexível podia ser considerado quase</p><p>um luxo, praticamente apenas os elementos estruturais de uma página, como as colunas de navegação,</p><p>eram adaptáveis, às vezes havia dificuldade de ajuste entre uma tela grande de computador para uma</p><p>tela menor de notebook.</p><p>O comportamento do usuário mudou e as páginas passaram a ser acessadas através dos mais</p><p>diferentes dispositivos. Foi aí que surgiu a necessidade da criação de sites com designs responsivos, para</p><p>que o leitor não abandonasse uma página por não se adequar ao seu dispositivo de acesso.</p><p>O design responsivo é uma ferramenta que possibilita que uma página web seja acessada por qualquer</p><p>dispositivo, tamanho de tela ou plataforma de utilização. Assim você consegue acessar um site a partir</p><p>121</p><p>WEBJORNALISMO E MOBILIDADE</p><p>do seu celular, notebook, computador de mesa, tablet ou qualquer dispositivo móvel, sem que se perca</p><p>a qualidade ou as funções dessa página. Os programadores misturaram grades de layouts flexíveis para</p><p>que, conforme o usuário migrasse do computador para o celular, o site acomodasse automaticamente a</p><p>resolução, o tamanho da imagem e as habilidades de script.</p><p>Antes de qualquer coisa, é necessário que fique muito claro que design</p><p>responsivo não diz respeito simplesmente e somente à adaptação do</p><p>layout ao tamanho da tela. Vai muito além disso, pois o conceito de design</p><p>responsivo na sua forma ampla deve ser entendido como design capaz</p><p>de responder às características do dispositivo ao qual é servido. Responder,</p><p>neste contexto, tem sentido de movimentar-se expandindo e contraindo.</p><p>Em outras palavras, o design responsivo ou layout responsivo expande e</p><p>contrai com a finalidade de se acomodar de maneira usável e acessível à área</p><p>onde é visitado ou, mais genericamente, ao contexto onde é renderizado,</p><p>seja um smartphone, um tablet, um leitor de tela, um mecanismo de busca</p><p>etc. (SILVA, 2014, p. 35).</p><p>Por isso os programadores oferecem um único site com suporte para muitos dispositivos, considerando</p><p>conteúdo, design, e desempenho de maneira que garantam sua usabilidade. Aqui temos como foco a</p><p>criação de experiências utilizáveis.</p><p>Como o design responsivo depende da mistura de elementos pela página, o design e o desenvolvimento</p><p>precisam trabalhar juntos para garantir uma experiência utilizável em todos os dispositivos. O design</p><p>responsivo geralmente se transforma na resolução de um quebra-cabeça – como reorganizar elementos</p><p>em página maiores para caber em páginas mais estreitas e longas ou vice-versa. No entanto, garantir</p><p>que os elementos se ajustem a uma página não é suficiente. Para que um design responsivo seja</p><p>bem-sucedido, ele deve ser utilizável em todas as resoluções e tamanhos de tela.</p><p>A experiência do usuário está diretamente relacionada à maneira como os elementos estão dispostos</p><p>nas telas, por isso a criação de um bom design responsivo passa pelo entendimento daquilo que o</p><p>usuário procura para, assim, deixar a página da maneira mais orgânica possível.</p><p>Uma das maneiras para isso é através da priorização do conteúdo como aspecto-chave, quanto</p><p>maior for a quantidade de conteúdo</p>