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<p>BLOQUEIO ATRIOVENTRICULAR :</p><p>Estação 3 de 2024-06-29</p><p>O que é:</p><p>O bloqueio atrioventricular (bloqueio AV) é</p><p>um distúrbio do sistema de condução</p><p>elétrica do coração, no qual há um atraso</p><p>ou bloqueio completo da condução do</p><p>impulso elétrico dos átrios para os</p><p>ventrículos. Dependendo da gravidade do</p><p>bloqueio, ele pode ser classificado em três</p><p>graus: primeiro grau, segundo grau</p><p>(dividido em Mobitz I e Mobitz II) e terceiro</p><p>grau (bloqueio AV completo).</p><p>Em paciente com síncope ou crises</p><p>convulsivas sempre fazer a anamnese da</p><p>seguinte forma:</p><p>Antes da síncope:</p><p>• Alteração visual</p><p>• Palpitações</p><p>• Dor Torácica</p><p>• Náuseas</p><p>• Vertigem</p><p>Durante a síncope:</p><p>• Houve queda</p><p>• Bateu a cabeça</p><p>• Mordeu a língua</p><p>• Liberação esfincteriana</p><p>Após a síncope:</p><p>• Recuperação total da consciência</p><p>• Cefaleia e náusea</p><p>NOTA!!! Em suspeita de alteração cardíaca</p><p>o ECG é o primeiro exame a se fazer, antes</p><p>mesmo do hemograma, sempre deve</p><p>solicitar uma glicemia capilar.</p><p>Bloqueio AV de Primeiro Grau:</p><p>Características:</p><p>QRS SEMPRE chega atrasado mais sempre</p><p>vem!</p><p>Prolongamento do intervalo PR (mais de</p><p>200 ms), mas todos os impulsos atriais são</p><p>conduzidos aos ventrículos.</p><p>Clínica:</p><p>• Frequentemente assintomático.</p><p>• Se sintomas ocorrem, podem ser</p><p>inespecíficos, como fadiga ou</p><p>sensação de palpitações leves.</p><p>Pode ser fisiológico observado em atletas,</p><p>devido ao aumento do tônus vagal, ou pode</p><p>ser causado por medicamentos que afetam</p><p>a condução AV, como beta-bloqueadores,</p><p>bloqueadores dos canais de cálcio e</p><p>digoxina.</p><p>Tratamento</p><p>Bloqueio AV de Primeiro Grau: Geralmente</p><p>não requer tratamento específico, apenas</p><p>monitoramento regular.</p><p>Bloqueio AV de Segundo Grau:</p><p>Mobitz I (Wenckebach):</p><p>Vai atrasando cada vez mais , dando</p><p>sinais que não vai aparecer!</p><p>Caracteriza-se por um prolongamento</p><p>progressivo do intervalo PR até que um</p><p>impulso atrial não seja conduzido (onda P</p><p>sem QRS subsequente).</p><p>Clínica:</p><p>• Pode ser assintomático,</p><p>especialmente se o bloqueio for</p><p>intermitente.</p><p>• Sensação de palpitações.</p><p>• Tontura ou pré-síncope (sensação de</p><p>desmaio iminente).</p><p>• Em casos raros, síncope (desmaio).</p><p>Tratamento:</p><p>Se assintomático não requer tratamento</p><p>específico, apenas monitoramento e</p><p>tratamento da causa subjacente (ajuste de</p><p>medicamentos, por exemplo).</p><p>Nos casos sintomáticos deve ser</p><p>encaminhado para o cardiologista para</p><p>uma maior análise.</p><p>Mobitz II:</p><p>Nunca atrasa e de repente não aparece!</p><p>Características:</p><p>Bloqueio súbito e inesperado da condução</p><p>do impulso atrial, sem o prolongamento</p><p>prévio do intervalo PR (onda P não seguida</p><p>por QRS).</p><p>Clínica:</p><p>• Frequentemente sintomático devido</p><p>à interrupção súbita da condução</p><p>elétrica.</p><p>• Tontura e pré-síncope.</p><p>• Síncope (desmaio), especialmente se</p><p>houver uma redução significativa na</p><p>frequência cardíaca.</p><p>• Fadiga e fraqueza.</p><p>• Palpitações.</p><p>• Mais grave e frequentemente</p><p>associado a doença do sistema de</p><p>condução.</p><p>• Pode causar sintomas significativos,</p><p>como síncope ou pré-síncope, e</p><p>pode evoluir para bloqueio AV</p><p>completo.</p><p>Tratamento:</p><p>Atropina EV 0.5mg em bolus, dentro de 3-</p><p>5 minutos pode se repetir a dose caso não</p><p>tenha obtido melhora, podendo ainda ser</p><p>repetido por mais uma vez (3ª dose). Se</p><p>ainda não tiver resposta pode ser feito</p><p>Epinefrina de 2 a 10 μg KG/H.</p><p>Após não obter melhora com a Epinefrina</p><p>requer avaliação e frequentemente</p><p>implantação de marcapasso IV ou</p><p>transcutâneo (No final do resumo vamos</p><p>descrever o procedimento).</p><p>Marcapasso intravenoso.</p><p>Marcapasso transcutâneo.</p><p>Bloqueio AV de Terceiro Grau</p><p>(Bloqueio AV Completo)</p><p>Características:</p><p>• Nenhuma condução dos impulsos</p><p>atriais para os ventrículos.</p><p>• Atividade atrial e ventricular</p><p>completamente dissociadas (ondas P</p><p>e complexos QRS ocorrem</p><p>independentemente).</p><p>• Bradicardia significativa (frequência</p><p>cardíaca muito baixa), geralmente</p><p>entre 30-50 batimentos por minuto.</p><p>Clínica:</p><p>• Síncope recorrente (desmaios</p><p>frequentes).</p><p>• Tontura constante ou pré-síncope.</p><p>• Fadiga extrema e fraqueza</p><p>generalizada.</p><p>• Dispneia (falta de ar) e intolerância</p><p>ao exercício.</p><p>• Dor no peito (angina), especialmente</p><p>em pacientes com doença</p><p>coronariana.</p><p>• Insuficiência cardíaca devido à</p><p>bradicardia severa e diminuição do</p><p>débito cardíaco.</p><p>• Confusão mental, especialmente em</p><p>idosos.</p><p>• Geralmente necessita de</p><p>implantação de marcapasso</p><p>permanente para manter a</p><p>frequência cardíaca e a perfusão</p><p>adequadas.</p><p>Tratamento:</p><p>Geralmente requerem marcapasso</p><p>permanente, especialmente se o paciente</p><p>for sintomático ou tiver bradicardia</p><p>significativa.</p><p>Diagnóstico</p><p>Eletrocardiograma (ECG): Ferramenta</p><p>essencial para diagnosticar e classificar o</p><p>bloqueio AV, analisando os intervalos PR e</p><p>a relação entre as ondas P e os complexos</p><p>QRS.</p><p>Holter 24 horas: Monitorização contínua</p><p>pode ser útil para detectar bloqueios</p><p>intermitentes e avaliar a frequência e a</p><p>gravidade dos episódios.</p><p>Estudo Eletrofisiológico: Em casos</p><p>complexos, pode ser necessário para</p><p>avaliar a localização e a extensão do</p><p>bloqueio e planejar o tratamento.</p><p>Principais medicamentos relacionados</p><p>com bloqueio átrio ventricular:</p><p>Beta-bloqueadores:</p><p>• Propranolol</p><p>• Metoprolol</p><p>• Atenolol</p><p>• Carvedilol</p><p>Digoxina</p><p>Antiarrítmicos:</p><p>Classe I (Bloqueadores de canais de sódio)</p><p>• Quinidina</p><p>• Procainamida</p><p>Classe II (Beta-bloqueadores)</p><p>• Esmolol</p><p>Classe III (Bloqueadores de canais de</p><p>potássio)</p><p>• Amiodarona</p><p>• Sotalol</p><p>Classe IV (Bloqueadores de canais de</p><p>cálcio)</p><p>• Verapamil</p><p>• Diltiazem</p><p>Outros Medicamentos Cardíacos:</p><p>• Ivabradina</p><p>Medicamentos Neurológicos e</p><p>Psiquiátricos:</p><p>• Antidepressivos tricíclicos</p><p>• Amitriptilina</p><p>• Nortriptilina</p><p>• Antipsicóticos</p><p>• Clozapina</p><p>• Quetiapina</p><p>Medicamentos para Pressão Arterial:</p><p>• Clonidina</p><p>• Metildopa</p><p>Medicamentos Imunossupressores:</p><p>• Tacrolimus</p><p>Outras Substâncias:</p><p>• Lítio</p><p>• Agentes anestésicos</p><p>• Propofol</p><p>PROCEDIMENTO MARCAPASSO</p><p>TRANSCUTÂNEO (MPTC):</p><p>Materiais necessários:</p><p>• O MPTC é uma alternativa rápida e eficaz</p><p>nas situações de urgência em que houver</p><p>necessidade MP provisório. Como a</p><p>estimulação é transtorácica, é</p><p>extremamente desconfortável ao paciente,</p><p>variando com a sensibilidade do indivíduo.</p><p>O tratamento com analgésicos (ex.:</p><p>Morfina 2-4 mg 4/4 horas) e</p><p>benzodiazepínicos (ex.: Diazepam 1-5 mg</p><p>EV, diluído, lentamente) pode e deve ser</p><p>realizado para conforto do paciente.</p><p>Como o estímulo elétrico gera contração da</p><p>musculatura esquelética, o pulso mais</p><p>confiável para ser avaliado é a palpação da</p><p>artéria femoral. Pode ser usado para</p><p>observar pacientes estáveis, mantendo o</p><p>marca-passo em stand by ou ligado em FC</p><p>mais baixa que a do paciente:</p><p>Preparo:</p><p>• Garantir via aérea pérvia e</p><p>considerar suplementação com oxigênio.</p><p>• Monitoração contínua do paciente.</p><p>• Imprimir o traçado do ECG antes do</p><p>procedimento;</p><p>• Obter acesso venoso periférico</p><p>calibroso em membro superior.</p><p>• Checklist dos equipamentos básicos:</p><p>✓ Material de ventilação e acesso às</p><p>vias aéreas e medicações de</p><p>reanimação;</p><p>✓ Eletrodos de marca-passo externo</p><p>✓ Eletrodos sensores externos</p><p>(opcional);</p><p>✓ Marca-passo externo.</p><p>Procedimento:</p><p>1. Posicionar os eletrodos/pás</p><p>autoadesivos, um sobre o “ictus</p><p>cordis” (infra mamária esquerda,</p><p>próximo ao 5º espaço intercostal</p><p>na linha hemiclavicular) e, o</p><p>outro, sobre a região</p><p>infraclavicular direita (ou</p><p>posterior, diretamente atrás do</p><p>precordial, infraescapular</p><p>esquerda):</p><p>2. Efetuar sedação e analgesia em</p><p>pacientes conscientes (preferir</p><p>Quetamina em hipotensos).</p><p>3. Ligar o aparelho e regular a</p><p>frequência de disparo desejada</p><p>(usual: entre 70-80 bpm). Se</p><p>paciente séptico, uma FC > 100</p><p>bpm pode ser necessária.</p><p>4. Titular o aumento da corrente até</p><p>a captura, caracterizada por</p><p>alargamento do complexo QRS,</p><p>que segue a espícula do MP.</p><p>Ajustar até que se obtenha um</p><p>QRS para cada espícula.</p><p>5. Após ajuste de captura elétrica,</p><p>checar se cada QRS fornece</p><p>captura mecânica, pelo pulso</p><p>arterial femoral, e aumentar a</p><p>corrente se necessário.</p><p>6. Faça ajustes para o mínimo acima</p><p>do limiar para evitar desconforto</p><p>ao paciente.</p><p>7. Realizar novo ECG pós-</p><p>procedimento.</p><p>8. Após estabilização, considerar se</p><p>o paciente tem indicação de um</p><p>MP contínuo (procedimento</p><p>transvenoso) ou de reserva/back</p><p>up (ligar o marca-passo externo</p><p>com frequência abaixo da</p><p>frequência intrínseca do</p><p>paciente).</p><p>9. Observação! Nos casos de parada</p><p>cardiorrespiratória (assistolia),</p><p>regular amperagem máxima e</p><p>frequência de 60 bpm.</p>

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