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11
Thiago Aragão Leite
CLÍNICA MÉDICA I
BRADIARRITMIAS
2
SUMÁRIO
BRADIARRITMIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1. Definições. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
2. Epidemiologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
3. Fisiopatologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
4. Quadro clínico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
5. Diagnóstico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
6. Exames complementares. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
6.1. Doença do nó sinusal . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
6.2. Bloqueio atrioventricular (BAV). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
7. Diagnóstico diferencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
8. Tratamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
8.1. Bradicardia instável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
8.2. Marca-passo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
8.3. Bradicardia estável . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
Mapa mental . Resumo das condutas na bradiarritmias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
Biblliografia consultada. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
3
BRADIARRITMIAS
O QUE VOCÊ PRECISA SABER?
 u Bradiarritmias são frequentes na prática clínica, sendo caracterizadas por Frequência Cardíaca (FC) 
abaixo de 50 batimentos por minuto. As mais relevantes do ponto de vista patológico são os Bloqueios 
Atrioventriculares (BAV).
 u Disfunção do Nó Sinusal (DNS): o nó sinusal está com automatismo deprimido, outras células assumem 
o controle com FC mais baixa. Quando acompanhado de sintomas, é chamado de doença do nó sinusal.
 u Bloqueio Atrioventricular (BAV) de primeiro grau: prolongamento do intervalo PR, que fica com duração 
superior a 200 ms.
 u BAV 2º grau Mobitz I: o intervalo PR apresenta um aumento progressivo até que ocorre o bloqueio, o que 
é chamado de Fenômeno de Wenckebach.
 u BAV 2º grau Mobitz II: o intervalo PR tem duração fixa até ocorrer o bloqueio. Esse tipo de bloqueio aponta 
para um defeito mais grave no sistema de condução, indicando implante de marca-passo na maioria dos 
casos. Por esse motivo, é fundamental diferenciar o BAV de 2º grau Mobitz I do Mobitz II.
 u BAV 3º grau (BAVT): ocorre a completa dissociação entre átrios e ventrículos. Nenhum batimento é con-
duzido. Tanto a onda P quanto o QRS têm ritmo regular e frequências independentes entre si.
 u O tratamento das bradicardias instáveis deve ser feito com atropina EV. Se não houver resposta, as opções 
de segunda linha são: dopamina, epinefrina ou marca-passo transcutâneo.
 u Nas bradicardias estáveis, deve-se procurar uma causa reversível, como uso de drogas antiarrítmicas e 
hipercalemia.
1. DEFINIÇÕES
Bradicardias ou bradiarritmias são definidas pela 
presença de Frequência Cardíaca (FC) abaixo de 50 
bpm. Podem ocorrer de forma fisiológica, em pacien-
tes nos quais o tônus vagal basal está aumentado 
(vagotônicos), como em atletas treinados.
Ocorre também em consequência do uso de drogas 
antiarrítmicas, distúrbios hidroeletrolíticos ou por 
evolução degenerativa, como fibrose do tecido do 
Nó Sinoatrial (NSA) ou do Nó Atrioventricular (NAV) 
em pacientes idosos.
Bradicardia sinusal é definida por frequência car-
díaca menor que 50 bpm em ritmo sinusal.
A disfunção do nó sinusal cursa com bradicardias 
relacionadas ao NSA e apresenta-se geralmente 
como bradicardia sinusal, pausas ou paradas sinu-
sais, bloqueio sinoatrial ou síndrome bradi-taqui 
(bradicardia seguida por taquicardia atrial, flutter 
ou Fibrilação Atrial – FA).
 DICA  A doença do nó sinusal representa 
a disfunção do NSA acompanhada de sin-
tomas como tontura, síncope e dispneia 
aos esforços.
importância/prevalência
Bradiarritmias Cardiologia
4
Bloqueio Atrioventricular (BAV) corresponde ao dis-
túrbio na condução de estímulos elétricos gerados 
nos átrios para os ventrículos.
2. EPIDEMIOLOGIA
A bradicardia sinusal e pausas sinusais de até 
2 segundos são comuns em pessoas saudáveis 
durante o sono e em atletas bem condicionados, 
devido ao aumento do tônus vagal, como já exposto.
A doença do nó sinusal e os bloqueios atrioventricu-
lares, por sua vez, são mais comuns em idosos (> 70 
anos) com comorbidades (HAS, DM, FA) e ocorrem 
devido à degeneração do sistema de condução.
Pausas noturnas acentuadas podem ser detectadas 
no Holter 24h de pacientes com Síndrome da Apneia 
Obstrutiva do Sono (SAOS).
Diversas causas, tanto intrínsecas (degeneração, 
síndrome coronariana aguda, miocardite viral, 
Doença de Lyme) quanto extrínsecas (medicações 
e distúrbios hidroeletrolíticos) podem ocasionar 
bradicardias (Tabela 1).
Tabela 1. Causas de bradicardias.
Intrínseca Extrínseca
Degeneração 
idiopática
Antiarrítmicos (amiodarona, 
betabloqueadores, diltiazem, 
verapamil, digoxina)
Intrínseca Extrínseca
IAM Psicotrópicos (lítio, tricíclicos)
Síndrome da 
apneia do sono Hipotireoidismo
Miocardite viral Hipotermia
Doença de Lyme Hipóxia
Doença 
neuromuscular Hiper ou hipocalemia
Doença de Chagas Hipertensão intracraniana
Síndrome do 
lúpus neonatal
Síndrome da hipersensibilidade 
do seio carotídeo
Doenças de depósito 
(amiloidose) Reflexo vasovagal
Fonte: Kusumoto et al.1
As bradiarritmias são incomuns em crianças e 
ocorrem geralmente em situações patológicas, 
como no Bloqueio Atrioventricular total (BAVT) con-
gênito, relacionado à síndrome do lúpus neonatal, 
pela passagem de autoanticorpos anti-SSA/Ro e 
anti-SSB/La que danificam o sistema de condução.
 DICA  Causas de bradicardia em crianças 
incluem estimulação vagal, hipoxemia, aci-
dose e elevação da pressão intracraniana.
ETIOLOGIA
Doenças isquêmicas do coração
Maior tônus vagal (atletas)
Degeneração idiopática do 
sistema de condução
Doenças sistêmicas – 
hipotireoidismo, hipotermia, 
hipertensão intracraniana
Medicamentos – bloqueados do 
canal de cálcio, beta bloqueadores, 
anestésicos (midazolam)
Fluxograma. Etiologias das Bradiarritmias
Fonte: Elaborado pelo autor.
Bradiarritmias 
5
 DIA A DIA MÉDICO
A diferenciação de bradicardias de causa intrínseca ou 
extrínseca pode ser feita a partir da história clínica e ECG 
basal de repouso do paciente. Falam a favor de etiologia 
primariamente cardíaca quando há relato de antecedente 
cardiovascular prévio, apresentação com síncope em idade 
avançada,sem pródromos, precipitadas pelos esforços 
ou ocorrida em decúbito. O ECG basal com alterações 
como bloqueio de ramo direito ou esquerdo, além de 
bloqueio fascicular, fala a favor de etiologia cardíaca 
para a bradiarritmia.
3. FISIOPATOLOGIA
 BASES DA MEDICINA
O coração possui um sistema de condução elétrica espe-
cializado que é influenciado pelo sistema nervoso autô-
nomo simpático e parassimpático. Estímulos adrenérgicos 
aumentam a frequência cardíaca, enquanto que estímulos 
provenientes do parassimpático a reduzem.
Além das células do nó sinusal, outros miócitos possuem 
capacidade de automatismo. Por isso, caso haja doença do 
nó sinusal, outras células cardíacas assumem o papel de 
marca-passo do coração, geralmente em uma frequência 
de disparo reduzido.
 BASES DA MEDICINA
O eletrocardiograma é a representação de alterações 
existentes no sistema de condução elétrica do coração. 
São diversos os mecanismos que podem culminar em 
bradicardias, desde situações benignas, como tônus 
vagal exacerbado em indivíduo atleta, até aquelas que são 
ameaçadoras à vida, como o BAV 3º grau. Como regra 
geral, os bloqueios de condução elétrica que ocorrem 
relacionados ao Feixe de His ou abaixo dele são poten-
cialmente malignos.
Todos os miócitos têm a capacidade de gerar 
impulso elétrico (automatismo), porém existe uma 
hierarquia dentro do sistema de condução car-
díaco: as células do NSA têm a maior capacidade 
(frequência de disparo de impulsos maior) e essa 
propriedade vai reduzindo conforme nos dirigimos 
para os ventrículos (Figura 1). Logo, as bradicardias 
ocorrem em 2 situações:
 u Automatismo do NSA está deprimido: nesse caso, 
outras células com menor frequência de disparo 
têm de assumir o ritmo.
 u Existe um bloqueio na condução do estímulo 
do NSA para os ventrículos: nessa situação, as 
células ventriculares assumem o controle com 
frequências bem baixas, o que chamamos de 
escape ventricular.
Bradiarritmias Cardiologia
6
Figura 1. Frequência intrínseca do sistema de condução.
Fonte: Acervo Sanar.
Os Bloqueios Atrioventriculares (BAV) estão subdi-
vididos de acordo com o local onde há o distúrbio 
na condução AV e isso relaciona-se à gravidade. 
Nos BAV de 1º grau e de 2º grau Mobitz I, o defeito 
está no NAV, e por esse motivo são considerados 
bloqueios “altos” ou não avançados. No caso do 
BAV 2º grau Mobitz II e no 3º grau (BAVT), o distúr-
bio ocorre abaixo do Feixe de His (infra-hissiano), 
portanto são considerados “baixos” ou avançados.
Os distúrbios de condução relacionados à isquemia 
do miocárdio dependem da localização da área do 
infarto e da massa de miocárdio afetada, correla-
cionando-se com pior prognóstico.
No infarto inferior (supra de ST em DII, DIII e aVF), 
ocorre oclusão da artéria coronária direita, respon-
sável pelo suprimento sanguíneo do NSA (60% das 
vezes) e do NAV (90%), além do Feixe de His. Além 
disso, na parede inferolateral do coração, existem 
receptores de vias aferentes vagais. Portanto, o IAM 
inferior cursa com bradicardia de localização mais 
“alta” no sistema de condução (região intranodal), 
por redução do suprimento sanguíneo para o NAV 
e estimulação parassimpática. As bradicardias 
mais comuns são sinusal, BAV 1º grau e BAV 2º 
grau Mobitz I. Na presença de BAVT (mais raro), 
geralmente a FC de escape fica entre 40 e 60 bpm 
e o QRS é estreito.
No infarto anterior (supra de V1 a V6), por outro 
lado, a bradicardia está relacionada à necrose do 
sistema de condução abaixo do Feixe de His e, por 
esse motivo, é mais grave. Os achados mais comuns 
são BAV 2º grau Mobitz II e BAVT, com escape de 
FC baixa e QRS largo. Como a artéria descendente 
anterior irriga o ramo direito do Feixe de His e a 
divisão anterossuperior do ramo esquerdo, a mor-
fologia mais comum do QRS é de BRD com BDAS.
Bradiarritmias 
7
 DIA A DIA MÉDICO
A presença de bradicardia e hipotensão em pacientes 
pós-IAM pode ser também decorrente de um reflexo vagal 
conhecido como Reflexo de Bezold-Jarisch. Esse reflexo 
pode ser abolido com o uso de atropina.
4. QUADRO CLÍNICO
Os sintomas têm relação com o baixo débito car-
díaco secundário à baixa FC e geralmente só ocor-
rem com FC  200 ms).
Figura 5. Bloqueio atrioventricular de 1º grau.
Existe uma onda “p” para cada QRS, com intervalo PR de 260 ms (> 200 ms).
Fonte: JY FotoStock/Shutterstock.com6.
Bradiarritmias Cardiologia
10
2. BAV 2º grau: existem ondas “p” que não são conduzidas (ditas “bloqueadas”), ouseja, perde-se a relação 
de uma onda “p” para cada QRS.
 2.1. BAV 2º grau Mobitz I (Figura 6): há aumento progressivo no intervalo PR (Fenômeno de Wencke-
bach) até que ocorre bloqueio da onda “p” que não é conduzida.
Figura 6. Bloqueio atrioventricular de 2º grau Mobitz I.
Ocorre aumento progressivo no intervalo PR até o bloqueio (fenômeno de Wenckebach). Observe a onda P bloqueada (seta) e a diferença 
entre o PR anterior (longo) e o PR posterior (curto).
Fonte: Adaptado de JY FotoStock/Shutterstock.com7.
 2.2. BAV 2º grau Mobitz II (Figura 7): intervalo PR fixo, com momentos em que a onda “p” é bloqueada.
Figura 7. Bloqueio atrioventricular de 2º grau Mobitz II.
Intervalo PR é fixo (não há fenômeno de Wenckebach), com presença de ondas P bloqueadas (setas).
Fonte: Adaptado de JY FotoStock/Shutterstock.com8.
 2.3. BAV 2º grau 2:1 (Figura 8): Existe um padrão de 2 ondas P para cada QRS. Como não existem 2 
batimentos conduzidos seguidamente, não conseguimos saber se o PR aumenta ou não, por isso 
pode se tratar tanto de Mobitz I quanto de Mobitz II.
 Para diferenciar, devemos obter um traçado longo e tentar observar se em algum momento apa-
recem 2 batimentos conduzidos consecutivamente, e avaliar o intervalo PR. Outra forma é fazer 
um teste com atropina, pois apenas o Mobitz I irá responder com aumento de FC.
Bradiarritmias 
11
Figura 8. BAV 2:1. Nesse tipo específico de BAV há 2 ondas P para cada QRS.
Fonte: Alencar Neto et al.9
3. BAV 3º grau ou BAVT (Figura 9): ocorre completa dissociação entre átrios e ventrículos, todas as ondas 
“p” estão bloqueadas, logo, não há relação nenhuma entre a onda “p” e o QRS. O intervalo PP e o RR 
são fixos. Às vezes, a onda “p” ocorre simultaneamente ao QRS e não é possível visualizá-la.
Figura 9. BAV de 3º grau ou BAVT. 
O intervalo entre ondas P e entre ondas R são regulares, mas não há relação entre elas. Observe que a onda P aparece entre o QRS e a onda 
T (seta), localização incomum que só ocorre no BAVT.
Fonte: Adaptado de Alencar Neto et al.9
 DIA A DIA MÉDICO
O ECG de 12 derivações é o exame complementar inicial 
de escolha para o diagnóstico das bradiarritmias. Apesar 
disso, a depender da sintomatologia do paciente e da 
frequência com que ela acontece, devemos realizar a 
solicitação de outros exames. O Holter 24h é um exame 
que monitoriza o paciente ao longo de todo o dia e pode 
registrar momentos de bradiarritmia e pausas que não 
são identificáveis em um ECG habitual. Pacientes com 
sintomas menos frequentes podem ser monitorizados 
ao longo de 7 a 14 dias com Loop Event Recorder. Casos 
que permanecem duvidosos podem ir para um exame 
de estudo eletrofisiológico. Assim, antes de definir se o 
paciente possui alguma doença ou não, deve-se avaliar a 
frequência de sintomas e escolher o exame apropriado. Um 
ECG de 12 derivações normal definitivamente não exclui 
uma doença no sistema de condução elétrica do coração.
Bradiarritmias Cardiologia
12
7. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Os diagnósticos diferenciais estão relacionados à 
etiologia da bradicardia, desde casos fisiológicos em 
atletas, passando por distúrbios hidroeletrolíticos 
(checar principalmente potássio e cálcio), isquemia 
miocárdica e uso de medicações bradicardizantes.
Em relação à síncope, diversos diferenciais são 
possíveis, como crises convulsivas, hipoglicemia, 
intoxicação exógena e acidente vascular encefálico.
8. TRATAMENTO
O tratamento consiste inicialmente na avaliação da 
bradicardia com ECG, estabelecer se existe causa 
reversível e se o paciente apresenta sintomas rela-
cionados à instabilidade hemodinâmica.
 DIA A DIA MÉDICO
Ao abordar o paciente com bradiarritmia é importante 
entender em qual cenário ele se encontra. Em situações 
em que há sinais de instabilidade, o tratamento baseia-
-se nas recomendações conforme o ACLS 202010 como 
veremos adiante. Já em contexto de estabilidade clínica, o 
mais importante é identificar precisamente qual a arritmia 
subjacente, afastar potenciais causas reversíveis e definir 
a necessidade de implante do marca-passo definitivo.
8 .1 . BRADICARDIA INSTÁVEL
A bradicardia é dita instável quando leva a sintomas 
relacionados ao baixo débito cardíaco, como os 
seguintes (5 Ds):
 u Dor torácica com característica anginosa.
 u Dispneia (por insuficiência cardíaca, com dessa-
turação e esforço respiratório).
 u Desmaio (síncope).
 u Diminuição da PA (hipotensão).
 u Diminuição do nível de consciência (rebaixamen-
to, Glasgowe dor ao paciente, visto que corren-
tes elétricas de 50 a 100 miliamperes (mA) são 
necessárias. Isso pode ser feito com opioides 
(morfina ou fentanil) e drogas hipnóticas (mida-
zolam ou etomidato).
3. Ligue o modo marca-passo e defina FC desejada 
e o modo de estimulação: em geral, FC de 70 a 
80 bpm é adequada. Existem 2 modos básicos 
de estimulação: de demanda, quando o MPTC só 
estimula se a FC do paciente estiver abaixo do 
estabelecido, evitando disparos durante a onda 
T (repolarização) de um batimento espontâneo, 
o que pode induzir fibrilação ventricular. O outro 
modo é fixo, quando o estímulo é disparado em 
intervalos regulares, independentemente do bati-
mento espontâneo do paciente. Esse modo deve 
ser reservado para situações de transporte, com 
paciente agitado ou no início da estimulação, até 
a estabilização inicial.
4. Aumente a corrente aplicada até captura elétrica: 
iniciar com 20 a 30 mA e aumentar progressiva-
mente, até que ocorra captura elétrica, ou seja, 
que cada espícula gerada pelo marca-passo seja 
seguida por QRS alargado.
5. Avalie se houve captura mecânica: checar se a 
FC estabelecida e presente no monitor corres-
ponde ao pulso femoral do paciente (evitar pulso 
carotídeo, uma vez que a estimulação elétrica 
gera abalos na musculatura torácica e dificulta a 
palpação da região cervical). Em outras palavras, 
avaliar se cada estímulo elétrico está gerando 
pulso palpável (Figura 11).
6. A partir desse ponto, deixe o valor da corrente 
elétrica com margem de segurança de 30% acima 
desse limiar: o valor mínimo de energia que é 
capaz de levar à captura elétrica e mecânica é dito 
limiar de estimulação. É conveniente o aumento a 
partir do limiar para prevenir perdas de capturas 
que podem ocorrer, eventualmente, por aumento 
da impedância da pele e deslocamentos das pás 
por movimentação do paciente.
Figura 11. Captura elétrica do marca-passo.
A. Falha de captura elétrica (existem espículas 
do marca-passo que não geram QRS).
B. Captura elétrica, ou seja, cada espícula gera 
QRS largo. Próximo passo é checar o pulso 
femoral e avaliar se coincide com a FC do ECG.
Fonte: Adaptado de Alencar Neto et al.9
A desvantagem do MPTC é a necessidade de alta 
energia de estimulação para vencer a impedância 
transtorácica (resistência da parede torácica ao 
fluxo da corrente elétrica) e chegar ao miocárdio. 
Além disso, exige sedação contínua e sua eficácia 
diminui após algumas horas, por isso outro método 
de estimulação deve ser estabelecido, como o 
Marca-Passo Transvenoso (MPTV).
O MPTV deve ser passado por profissional habilitado, 
de preferência guiado por radioscopia na sala de 
hemodinâmica. Requer acesso venoso central (de 
preferência jugular direita) e deve ser impactado na 
região do septo inferior do Ventrículo Direito (VD). 
Pode ser mantido por mais tempo que o MPTC, 
com energias de estimulação muito menores, e não 
requer sedação (maior conforto para o paciente). 
Suas principais complicações são riscos na pas-
sagem (pneumotórax, hemotórax, perfuração do 
septo), infecções e arritmias.
8 .3 . BRADICARDIA ESTÁVEL
Pacientes com bradicardia sem critérios de instabi-
lidade devem ser monitorados e avaliados quanto a 
possíveis causas reversíveis. Drogas antiarrítmicas 
devem ser suspensas (como betabloqueadores, 
amiodarona, bloqueadores do canal de cálcio não 
di-hidropiridínicos).
Bradiarritmias 
15
 DICA  O glucagon pode ser utilizado em 
casos de intoxicação por betabloqueadores 
ou bloqueadores do canal de cálcio.
Em caso de hipotermia, o ECG pode identificar 
bradicardia com onda J de Osborn. Está indicada 
a hidratação com soro fisiológico ou Ringer lactato 
aquecido através de acesso venoso central. Após o 
aquecimento, a FC tende a normalizar-se (Figura 12).
Figura 12. ECG na hipotermia. 
Bradicardia e onda J ou onda de Osborn, que consiste na elevação no ponto J (seta). Linha de base com tremores por movimentação dos 
membros.
Fonte: Adaptado de Alencar Neto et al.9
No hipotireoidismo, o ECG pode apresentar bra-
dicardia com baixa voltagem e inversão difusa de 
onda T. A reposição do hormônio tireoidiano é a 
conduta inicial.
Paciente com hipercalemia (Figura 13) pode se 
apresentar com bradicardia com ausência de onda 
“p” e QRS com onda T apiculada e simétrica (em 
“tenda”). O tratamento imediato nesse caso deve 
ser o gluconato de cálcio (estabilizador de mem-
brana) e medidas para hipercalemia (bicarbonato, 
diuréticos, Sorcal, entre outras).
Figura 13. ECG na hipercalemia.
Bradicardia com ausência de onda “p” e onda T apiculada e simétrica (em tenda).
Fonte: Sai Naresh et al.11
Pacientes estáveis, mas com bloqueios avançados 
(BAV 2º grau Mobitz II e BAVT) devem permanecer 
internados e avaliados para necessidade de mar-
ca-passo definitivo.
Bradiarritmias Cardiologia
16
Mapa mental. Resumo das condutas na bradiarritmias
MOVE:
Monitorização (cardioscopia, oximetria, PA)
Oxigenioterapia se hipoxemia (SpO2 . Acesso em 18 de junho de 2022.
3. Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, dis-
ponível em: . Acesso em 18 de junho de 2022.
4. Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, dis-
ponível em: . Acesso em 18 de junho de 2022.
5. Burns E. Sinus Node Dysfunction (Sick Sinus Syndrome). 
Life in the fast lane. ECG library. [Internet]; 2020 [acesso 
em 17 nov. 2022]. Disponível em: https://litfl.com/sinus-
-node-dysfunction-sick-sinus-syndrome/.
6. Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, 
disponível em: . Acesso em 18 de junho de 2022.
7. Imagem utilizada sob licença da Shutterstock.com, dis-
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Bradiarritmias Cardiologia
18
QUESTÕES COMENTADAS
Questão 1
(FACULDADE DE MEDICINA DO ABC - SP - 2021) Mulher, 63 
anos de idade, admitida na sala de emergência 
com quadro de confusão mental e letargia há duas 
horas. Relatou também episódio de tontura ao se 
levantar da cama. Previamente independente para 
atividades básicas e instrumentais da vida diária. 
Com diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica 
há 10 anos, infarto agudo do miocárdio há 3 anos. 
Faz uso de amlodipina 10mg por dia, AAS 100mg 
por dia e atorvastatina 40mg por dia. Ao exame clí-
nico: abertura ocular ao chamado, resposta verbal 
confusa e obediência aos comandos. Frequência 
cardíaca: 38 batimentos/minuto; pressão arterial: 92 
x 66 mmHg; frequência respiratória: 20 incursões/
minuto; Saturação de O2: 96% em ar ambiente. Sem 
outras alterações. Foi obtido um eletrocardiograma 
de 12 derivações, reproduzido a seguir: Qual é a 
primeira conduta terapêutica que deve ser adotada 
neste momento?
	⮦ Noradrenalina 0,1 mcg/kg/min por via intrave-
nosa em infusão contínua.
	⮧ Dopamina 1 mcg/kg/min por via intravenosa em 
infusão contínua.
	⮨ Adrenalina 1mg administrada por via intraveno-
sa em bolus.
	⮩ Atropina 1mg administrada por via intravenosa 
em bolus.
Questão 2
(BENEFICIÊNCIA PORTUGUESA DE RIBEIRÃO PRETO - SP - 2021) 
Paciente de 56 anos vem ao PS com sensação de 
mal estar torácico. Ao exame físico, notado bradi-
cardia. O traçado do ECG apresenta-se abaixo. Qual 
o diagnóstico?
	⮦ Bloqueio atrioventricular grau 1.
	⮧ Bloqueio atrioventricular grau 2 Mobitz 1.
	⮨ Bloqueio atrioventricular grau 2 Mobitz 2.
	⮩ Bloqueio atrioventricular total.
Questão 3
(SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE JOÃO PESSOA - PB - 2021) 
As bradiarritmias se definem como alterações do 
ritmo cardíaco que cursam com frequência cardía-
ca menor que 50 batimentos por minuto. Há condi-
ções com baixas frequências cardíacas fisiológicas, 
como em atletas e indivíduos com bom preparo 
Bradiarritmias 
19
físico, mas há diversas outras situações que levam 
a repercussões ao organismo, quando a presença 
médica é fundamental, pois podem se apresentar 
como emergência médica com necessidade de in-
tervenção precoce. Em relação a estas arritmias, 
é correto afirmar:
	⮦ Hipoxemia é uma causa comum de bradicardia. 
Nesses casos, a prioridade é corrigi-la. A bradi-
cardia reverterá mesmo sem a normalização dos 
parâmetros respiratórios.
	⮧ Há necessidade de tratamento imediato para 
elevação da FC em todos os pacientes.
	⮨ A atropina é o primeiro medicamento nos qua-
dros estáveis, pela disponibilidade, rapidez e 
facilidade na administração.
	⮩ Caso a instabilidade hemodinâmica seja refra-
tária todas as medidas prévias, deve-se passar 
o marcapasso transvenoso na emergência para 
rápida correção da frequência cardíaca.
Questão 4
(SANTA CASA MISERICÓRDIA DE MARÍLIA - SP - 2021) Conside-
rando de como utilizar o Marca-Passo Transcutâneo, 
podemos indicar como correto que:
	⮦ Fixe as pás autoadesivas no tórax colocando 
o eletrodo anterior à esquerda do esterno, cen-
tralizado e o mais próximo possível do ponto de 
máximo do impulso cardíaco.
	⮧ Colocar o eletrodo posterior nas costas, direta-
mente atrás do eletrodo anterior e à direita da 
coluna torácica.
	⮨ Uma alternativa é a colocação semelhante à do 
DEA: uma das pás sobre o ápice do coração e a 
outra na região para esternal esquerda.
	⮩ Considere analgesia e sedação, não tendo o cui-
dado com a qualidade da ventilação.
Questão 5
(HOSPITAL DO AÇÚCAR - AL - 2017) Durante procedimento 
eletivo com anestesia local na sala de pequenas 
cirurgias, ocorreu a emergência de um paciente 
eletivo da clínica cirúrgica. Você, então, foi chama-
do a ajudar no socorro do paciente apenas com a 
informação de que ele já era cardiopata em uso de 
digoxina e amiodarona. Na sua avaliação inicial, de-
tectou bradicardia com grande repercussão clínica; 
assim indicou o uso de marca-passo transcutâneo. 
Referente aos passos desse procedimento, marque 
a opção incorreta:
	⮦ Observe qual é o ponto de corte para que haja 
captura de algumas das espículas do MP. A par-
tir desse ponto, deixe o valor da corrente elétri-
ca com margem de segurança de 30% acima 
desse limiar.
	⮧ Fixe as pás autoadesivas no tórax despido da 
vítima. Coloque o eletrodo anterior à esquerda 
do esterno, centralizado e o mais próximo pos-
sível do ponto de máximo do impulso cardíaco. 
Coloque o eletrodo posterior nas costas, direta-
mente atrás do eletrodo anterior e à esquerda 
da coluna torácica. A alternativa a essa posição 
dos eletrodos é a colocação semelhante à do 
DEA: uma das pás deve ser posicionada na re-
gião sobre o ápice do coração e a outra, sobre 
a região paraesternal direita.
	⮨ Selecione inicialmentea frequência cardíaca 
desejada (geralmente em torno de 80 bpm, em 
casos de bradicardias). Em seguida, ajuste a cor-
rente elétrica a ser administrada, aumentando 
gradualmente o valor de corrente elétrica a partir 
do valor mínimo, até que se obtenha captura elé-
trica. Geralmente, a captura se caracteriza pelo 
alargamento do complexo QRS com uma onda 
T larga e oposta à polaridade do QRS.
	⮩ Avalie a resposta hemodinâmica do MP pelo 
pulso e pela pressão arterial. Forneça analgesia 
e sedação, conforme necessário.
Questão 6
(SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE GOIÂNIA - GO - 2020) Mu-
lher, 68 anos, portadora de doença de Chagas, sem 
uso de medicações prévias, é encaminhada ao 
pronto-socorro após episódio de síncope. O eletro-
cardiograma da ilustração abaixo foi realizado na 
emergência. Após avaliação do eletrocardiograma 
e tendo sido descartada a síndrome coronariana 
aguda, qual deve ser a conduta?
Bradiarritmias Cardiologia
20
	⮦ Manter a paciente em observação, pois o eletro-
cardiograma não evidenciou nenhuma alteração.
	⮧ Encaminhar a paciente para realizar um Holter 
de 24 horas, por se tratar de bloqueio atrioven-
tricular de primeiro grau.
	⮨ Encaminhar a paciente para colocação de mar-
ca-passo, por se tratar de um bloqueio atrioven-
tricular total sintomático.
	⮩ Liberar a paciente, pois esses sintomas são co-
muns na Doença de Chagas.
Questão 7
(HOSPITAL RIO DOCE DE LINHARES - ES - 2020) Mulher, 78 anos, 
vai ao consultório de Clínica Médica para consulta 
de acompanhamento clínico. Está assintomática. 
É portadora de insuficiência cardíaca e faz uso de 
furosemida, enalapril, metoprolol, espironolactona 
e digoxina. Ao exame físico, apresenta-se alerta e 
orientada. Os dados vitais são PA: 120 X 70mmHg, 
FC: 30bpm, FR: 17ipm, SpO2 em ar ambiente 97%. O 
exame cardiovascular revela bradicardia e variação 
da fonese da primeira bulha. Sem outras anormali-
dades ao exame físico. Solicitou-se o eletrocardio-
grama apresentado a seguir.
Considerando o caso descrito, assinale a conduta 
imediata mais adequada para essa paciente:
	⮦ Administrar atropina, dopamina ou dobutamina 
em infusão contínua pela via intravenosa.
	⮧ Posicionar um marcapasso transvenoso até a 
colocação do marca-passo definitivo.
	⮨ Suspender o metoprolol e realizar o estudo ele-
trofisiológico após 48 horas.
	⮩ Suspender o metoprolol e a digoxina e manter a 
monitoração clínica e eletrocardiográfica.
Questão 8
(UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - SP - 2021) Mulher, 58 anos, 
vai à Unidade Básica de Saúde pois apresentou 
quadro de escurecimento visual durante prática 
de atividade física. Não houve perda da consciên-
cia. Não tem antecedentes mórbidos relevantes. 
No exame clínico, frequência cardíaca de 58 bpm. 
O restante do exame clínico é normal. Realizou o 
ECG da ilustração.
Qual é a conclusão do laudo do eletrocardiograma?
	⮦ Eletrocardiograma normal.
	⮧ Bradicardia sinusal.
	⮨ Bloqueio atrioventricular de segundo grau, Mo-
bitz I.
	⮩ Bradicardia sinusal.
Questão 9
(FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS DA UNICAMP - SP - 2015) 
Homem, 72 anos, queixa-se de tontura e cansaço 
por dois dias. No dia da consulta, apresentou que-
da da própria altura ao se levantar. Antecedente 
pessoal: hipertensão arterial em uso de metoprolol 
e hidroclorotiazida. Realizou o ECG da ilustração.
Bradiarritmias 
21
A conduta adequada é:
	⮦ Realizar cateterismo cardíaco.
	⮧ Suspender hidroclorotiazida e repor potássio.
	⮨ Realizar estudo eletrofisiológico.
	⮩ Inserir marca-passo temporário.
Questão 10
(SANTA CASA DE MISERICÓRDIA DE ARAÇATUBA - SP - 2017) 
Paciente diabética (mas não hipertensa) refere ao 
geriatra que a acompanha que, há um ano, vem 
apresentando piora da astenia, desânimo intenso 
e, por duas vezes, perda de consciência enquanto 
assistia televisão. Durante a investigação, eviden-
ciando o ritmo cardíaco da paciente, demonstrado 
na ilustração abaixo, qual conduta deve ser tomada?
	⮦ Realização de cardioversão elétrica
	⮧ Início de medicação antirrítmica
	⮨ Observação clínica com Holter a cada seis meses
	⮩ Implante de marcapasso definitivo
Questão 11
(HOSPITAL OFTALMOLÓGICO DE SOROCABA - SP - 2021) Pacien-
te de 77 anos de idade, antecedentes de diabetes, 
hipertensão arterial e insuficiência cardíaca, em 
uso de anlodipino (10 mg/dia), bisoprolol (20 mg/
dia), losartana (50 mg/dia), gliclazida (60 mg/dia) 
e atorvastatina (20 mg/dia), evolui com bradicardia 
sintomática. Exames séricos: creatinina: 1,1 mg/dL, 
glicemia: 168 mg/dL, potássio: 4,7 mEq/L. O medi-
camento que mais provavelmente pode justificar 
essa complicação é o(a)
	⮦ anlodipino.
	⮧ atorvastatina.
	⮨ bisoprolol.
	⮩ gliclazida.
	⮪ losartana.
Bradiarritmias Cardiologia
22
GABARITO E COMENTÁRIOS
Questão 1 dificuldade:   
 Y Dica do professor: O traçado eletrocardiográfico 
evidencia um bloqueio atriventricular de segundo 
grau. O bloqueio atrioventricular corresponde a 
anormalidades da condução do impulsão do átrio 
para os ventrículos. O nó atriventricular possui a 
capacidade de alentecer o estímulo, permitindo que 
átrios e ventrículos contraiam em momentos dis-
tintos e, assim, mantém o débito cardíaco. No BAV 
de primeiro grau, há um atraso maior que o normal 
nessa condução AV (intervalo Pr > 200 ms). No blo-
queio AV de 2º grau, alguns estímulos atriais não 
conseguem “passar” para o ventrículo. Esses são 
divididos em duas categorias diferentes: Mobitz I 
e II. No Mobitz I o intervalo PR vai aumentando de 
forma progressiva até que uma onda P é bloquea-
da. Essa característica é chamada de fenômeno de 
Wenckebach. No BAV 2º grau Mobitz II, o intervalo 
PR é fixo e, eventualmente, há uma onda P bloquea-
da. O BAV total ou de 3º grau, por fim, corresponde 
à completa dissociação entre os impulsos atriais 
e ventriculares, pois nenhum estímulo é conduzido 
pelo nó AV. A paciente da questão apresenta um 
eletro com evidência de BAV 2º grau 2:1, pois há um 
padrão de onda P bloqueada e onda P conduzida. 
Não é possível diferenciar entre Mobitz 1 ou 2 por-
que não há dois batimentos conduzidos seguidos 
para avaliar o intervalo PR. O manejo nesse caso, 
por se tratar de uma bradiarritmia sintomática (si-
nais de instabilidade, como confusão mental), en-
volve o uso de atropina endovenosa (primeira linha).
Alternativa A: INCORRETA. A noradrenalina é mais 
beta-1 seletiva e, por isso, promove um aumento 
maior da pressão arterial do que da frequência 
cardíaca, não sendo utilizada no manejo de bra-
diarritmias.
Alternativas B e C: INCORRETAS. A adrenalina e a do-
pamina podem ser usadas como ponte para a insta-
lação de marcapasso transcutâneo, se não houver 
resposta com a atropina.
Alternativa D: CORRETA. É a primeira linha no manejo 
de bradiarritimias sintomáticas.
 ✔ resposta: ⮩
Questão 2 dificuldade:  
 Y Dica do professor: É fundamental diferenciar os 
tipos de BAV: 1º grau é 1 para 1, ou seja, 01 onda P 
para cada QRS. No 2º grau, há onda P não conduzida 
(dita bloqueada). Neste caso, devemos olhar para o 
intervalo PR. Quando ele aumenta progressivamente 
até o bloqueio (fenômeno de Wenckebach), é cha-
mado de Mobitz 1 (menos grave, porque dá “aviso”, 
vai atrasando até bloquear). Quando o intervalo PR 
é constante, não aumenta, e temos o Mobitz 2. Por 
fim, no BAVT não dissociação total, o intervalo entre 
cada onda P é constante, assim como o intervalo 
entre QRS (onda R). A onda P “cai” muitas vezes 
“dentro” do QRS ou da onda T no traçado.
 ✔ resposta: ⮧
Questão 3 dificuldade: 
 Y Dica do professor: As bradiarritmias são arritmias 
que cursam com FCturvação visual, entre outros. Quando há 
sinais de instabilidade (hipotensão, dispneia, dor 
torácica, redução do nível de consciência e sínco-
pe), deve-se iniciar a administração de atropina na 
dose de 1 mg repetida a cada 3 a 5 minutos até 
uma dose máxima total de 3,0 mg. Na ausência de 
resposta, o ACLS 2020 indica a implantação de um 
marcapasso transcutâneo (contexto de emergên-
cia) ou Dopamina 5 – 20 mcg/kg/min ou Adrenalina 
2 – 10 mcg/min.
Alternativa A: INCORRETA. A hipóxia é uma causa de 
bradicardia mais comum na criança, e para melho-
rar deve ocorrer a melhora da oxigenação.
Alternativa B: INCORRETA. Se um paciente é atleta 
de alta performance, sua frequência cardíaca ba-
sal será reduzida, não necessitando de tratamento. 
Além disso, o tratamento imediato é indicado para 
pacientes que cursam com instabilidade hemodi-
nâmica.
Alternativa C: INCORRETA. A atropina é utilizada em 
pacientes que cursam com instabilidade hemodi-
nâmica. No caso de um paciente estável, há tem-
po hábil para investigação e tomada de decisão de 
forma mais tardia.
Alternativa D: CORRETA. O marcapasso transcutâneo 
é uma opção rápida e segura para reversão de bra-
diarritmias instáveis.
 ✔ resposta: ⮩
Questão 4 dificuldade:  
 Y Dica do professor: O marca-passo transcutâneo é 
uma ferramenta utilizada para a correção de arrit-
mias. Antes de sua colocação, devemos informar 
o paciente e os familiares. O paciente deve estar 
monitorizado e receber sedoanalgesia. As pás au-
toadesivas devem ser posicionadas colocando o 
eletrodo anterior à esquerda do externo, centrali-
zado e o mais próximo possível do ponto máximo 
do impulso cardíaco. O eletrodo posterior, por sua 
vez, deve ser colocado nas costas, diretamente atrás 
do eletrodo anterior e à esquerda da coluna toráci-
ca. Iniciamos a carga com 20-30mA, aumentando 
até que cada disparo corresponda a um QRS com 
pulso central palpável. Depois, mantemos um nível 
de energia 10-20% acima do menor nível de energia 
que conduza todos os pulsos.
Alternativa A: CORRETA. Conforme a dica.
Alternativa B: INCORRETA. O eletrodo posterior de 
fato deve ser colocado atrás do eletrodo anterior, 
mas à esquerda da coluna torácica.
Alternativa C: INCORRETA. A colocação semelhante 
à do DEA realmente é uma alternativa; entretanto, 
ela ocorre com a colocação de uma das pás sobre 
o ápice do coração e a outra na região paraester-
nal direita.
Alternativa D: INCORRETA. Devemos considerar anal-
gesia, sedação e a qualidade da ventilação.
 ✔ resposta: ⮦
Questão 5 dificuldade:   
 Y Dica do professor: Questão específica, referente à 
técnica de utilização do marca-passo transcutâneo, 
e, para não errarmos devido aos detalhes, devemos 
nos lembrar do passo a passo e analisar as alter-
nativas com calma.
Alternativa A: INCORRETA. Não deve haver captura de 
ALGUMAS espículas, e sim de TODAS as espículas 
para determinar o limiar de captura elétrica, deven-
do checar a captura mecânica no pulso femoral (o 
carotídeo terá interferência dos choques e conse-
quentes contrações musculares no tórax e pescoço).
Alternativa B: CORRETA. O posicionamento dos ele-
trodos poderá ser anterior e posterior ou seme-
lhante ao DEA, nas posições paraesternal direita 
e sobre o ápice.
Alternativa C: CORRETA. A frequência inicialmente 
desejada poderá ser entre 60-80 bpm, variando de 
acordo com a fonte. Devemos titular a carga até o 
limiar de captura e aumentar para ter margem de 
segurança, bem como observar o traçado caracte-
rístico com um QRS largo e uma onda T larga com 
polaridade oposta ao QRS.
Alternativa D: CORRETA. Devemos sempre fornecer 
analgesia e sedação, pois os choques do mar-
ca-passo transcutâneo são dolorosos. Além dis-
so, devemos monitorar a resposta hemodinâmica 
do paciente, atentando para sinais vitais e outros 
Bradiarritmias Cardiologia
24
parâmetros clínicos, como Grau de consciência e 
perfusão periférica.
 ✔ resposta: ⮨
Questão 6 dificuldade:  
 Y Dica do professor: O ECG evidencia um ritmo regu-
lar com intervalo RR constante. Nota-se que não há 
relação entre a onda P e o QRS, com onda P ocor-
rendo no final da onda T no terceiro batimento do 
D2 longo. Portanto, estamos diante de uma paciente 
com Doença de Chagas que teve síncope por BAVT, 
indicação formal de implante de marca-passo.
 ✔ resposta: ⮨
Questão 7 dificuldade:   
 Y Dica do professor: Questão difícil sobre bradicardia 
em uma paciente idosa em uso de diversos medi-
camentos. A grande dica nesse caso é a avaliação 
do ECG, no qual notamos onda P dissociada do 
complexo QRS (em ritmos diferentes). O que isso 
indica? BAVT ou bloqueio atrioventricular de terceiro 
grau. Observe que no 5º batimento do D2 a onda P 
está caindo dentro da onda T (bem no final dela). 
No caso em tela, a grande suspeita diagnóstica vai 
recair justamente sobre o uso de medicamentos, 
principalmente a digoxina e o betabloqueador, que 
podem levar à bradicardia.
Alternativa A: INCORRETA. Não devemos adminis-
trar atropina. Tal fármaco estaria indicado em si-
tuações de bradicardia instável, que não é o caso 
dessa paciente.
Alternativa B: INCORRETA. A paciente se encontra 
estável, não indicando a passagem de um marca-
-passo de forma emergencial, como proposto pela 
alternativa.
Alternativa C: INCORRETA. Está correto suspender o 
metoprolol, porém o estudo eletrofisiológico não 
está indicado, já que não acrescentaria novos da-
dos ao diagnóstico.
Alternativa D: CORRETA. Como a principal hipótese 
para bradicardia na questão é justamente o uso de 
fármacos e a paciente se encontra estável, devemos 
então suspender tais medicamentos e avaliar a 
resposta.
 ✔ resposta: ⮩
Questão 8 dificuldade:  
 Y Dica do professor: O reconhecimento dos padrões 
de bloqueios atrioventriculares (BAVs) é funda-
mental para as provas: fique atento aos traçados. 
No traçado apresentado, podemos observar no D2 
longo que existem ondas P que não conduzem QRS 
(ditas “bloqueadas”). Portanto, estamos diante de 
um BAV. Quando observamos com calma, notamos 
um prolongamento progressivo do intervalo PR até 
que a onda P é bloqueada (observe que o intervalo 
PR do 5º QRS no traçado D2 longo é muito maior 
que o PR do 6º QRS). Esse achado do ECG é conhe-
cido como Fenômeno de Wenckebach e ocorre no 
BA-V2º grau Mobitz 1.
 ✔ resposta: ⮨
Questão 9 dificuldade:  
 Y Dica do professor: A história deste paciente é clás-
sica, numa questão de ECG, de Bloqueio Atrioven-
tricular (BAV). No traçado, vemos uma bradicardia 
com ondas P não relacionadas aos QRS, ou seja, 
uma dissociação atrioventricular (observe que no 4º 
batimento do D2 longo, a onda P está caindo entre 
a onda R e a onda T, sinal de dissociação total), ca-
racterística do BAV Total ou BAV de terceiro grau. 
Trata-se de um bloqueio atrioventricular maligno 
(infra-hissiano), que pode de repente degenerar para 
PCR (assistolia ou FV), e, portanto, a conduta deve 
ser o implante de um marca-passo, inicialmente 
temporário, para depois fazer o definitivo.
 ✔ resposta: ⮩
Questão 10 dificuldade: 
 Y Dica do professor: Paciente com queixa de cansaço 
e síncopes e com achado no ECG de BAV 2º grau 
Mobitz 2, já que temos ondas P bloqueadas e, nos 
momentos em que há condução, o intervalo PR é 
fixo, não ocorre o fenômeno de Wenckebach. Nes-
te caso, está indicado o implante de marca-passo 
Bradiarritmias 
25
definitivo, já que estamos diante de um bloqueio 
avançado sintomático sem causa reversível.
 ✔ resposta: ⮩
Questão 11 dificuldade: 
 Y Dica do professor: Temos um paciente de 77 anos, 
em uso de anlodipino, bisoprolol, losartana, gliclazida 
e atorvastatina que apresenta quadro de bradicar-
dia sintomática. Dentre as principais medicações 
que podem desencadear esta condição, temos os 
betabloqueadores, que no caso de nosso paciente 
é representado pelo bisoprolol.
Alternativa A: INCORRETA. O anlodipino é um bloquea-
dor dos canais de cálcio (BCC) e não costuma es-
tar relacionado a bradicardias, sendo seus efeitos 
colaterais maisfrequentes edema perimaleolar e 
cefaleia. Existem BCC não diídropiridínicos (vera-
pamil e diltiazem) que podem causar bradicardia.
Alternativa B: INCORRETA. A atorvastatina é uma esta-
tina, e não costuma estar relacionada a bradicardias, 
sendo mialgia seu efeito colateral mais comum.
Alternativa C: CORRETA. Como mencionado na dica, 
o bisoprolol é um betabloqueador, droga que pode 
apresentar como efeito colateral a bradicardia sin-
tomática
Alternativa D: INCORRETA. A gliclazida é uma sulfoniu-
reia e não costuma estar associada à bradicardia, 
mas sim à hipoglicemia.
Alternativa E: INCORRETA. A losartana é um bloquea-
dor dos receptores da angiotensina (BRA) e não cos-
tuma apresentar associação com bradicardia, sendo 
sua principal manifestação adversa hipercalemia.
 ✔ resposta: ⮨
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