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2828282828 Aditivos & Ingredientes - nº 43 - Março/Abril 2006 Introdução Todos os alimentos contêm água, em quantidades mais ou menos importantes (90 a 95% para os legumes frescos e as frutas, 8 a 12% para os legumes secos, 60 a 70% para as carnes, etc.). Elimina-se uma parte dessa água para diminuir a sua atividade (Aw) ou para reduzir os custos de transporte e de estocagem no caso de produtos muito úmidos (leite, sucos, etc.). A redução da atividade Aw aumenta o prazo de conservação. De fato, quando a atividade Aw é baixada para 0,7 não ocorre mais desenvolvimento microbiano e, por volta de 0,2, todas as reações de alterações estão no mínimo. As diferentes técnicas de concentração e secagem consistem em eliminar a água, seja por via mecânica, seja por via térmica. Mecanicamente, poderá ser por centrifugação, filtração, ultrafiltração, osmose reversa, escoamento e prensagem, enquanto que, termicamente, ocorrerá por ebulição e retirada da água sob a forma de vapor. A liofilização é uma técnica de eliminação de água por sublimação. As outras técnicas para fazer baixar a atividade da água consistem em saturar o produto com açúcar (confisage) ou sal (salmoura) e outros solutos, ou ainda, de congelar a água. As técnicas mecânicas são econômicas em Ingredientes desidratados: A desidratação (ou secagem) é definida como sendo a aplicação de calor sob condições controladas para remover a maior parte da água normalmente presente nos alimentos, por evaporação energia, respeitam as qualidades do produto, porém, são limitadas e pouco seletivas: - caráter limitado: elas somente eliminam a água livre ou fracamente ligada ao produto. Nenhum processo mecânico permite abaixar a umidade de um produto acima de 60%; - baixa seletividade: não é a água pura que é eliminada, mas uma solução contendo solutos, como os minerais, a lactose, as proteínas solúveis,... Somente a osmose reverse é totalmente seletiva. - menor alteração do produto: com relação aos processos térmicos, o produto é menos alterado já que essas técnicas operam, normalmente, a temperatura ambiente. Não obstante, ocorrem perdas em matérias secas e, conseqüentemente, em qualidade nutritiva, devido à baixa seletividade; - econômia em energia: já que só se elimina a água pouco ligada, as necessidades em energia são poucas. O processo térmico gera uma vaporização da água, operação onerosa em energia. Ao contrário das técnicas mecânicas, a eliminação de água por meio térmico permite eliminar uma grande quantidade de água do produto. Porém, o aquecimento necessário à vaporização da água está na origem de alterações no produto e de um elevado consumo de energia. No caso de um tratamento térmico, podem-se observar as seguintes reações: oxidações das matérias graxas e das vitaminas, reação de 2929292929Aditivos & Ingredientes - nº 43 - Março/Abril 2006 liofilização x atomização Maillard, insolubilização das proteínas e volatilização dos aromas. Pode-se distinguir ainda a concentração por ebulição e a concentração e secagem por arraste. No primeiro caso, leva-se o produto a temperatura de ebulição e separa-se o vapor de água que assim se forma. Para limitar as alterações, a concentração é feita a vácuo para abaixar a temperatura de ebulição da água. Essa técnica é usada na concentração a vácuo e nos secadores cilíndricos. No processo de concentração e secagem por arraste, a diferença de pressão de vapor entre o produto e o ar quente e seco gera uma evaporação da água. É a técnica empregada no atomizador e no secador de leito fluidizado. A liofilização O processo de liofilização foi introduzido em 1906 pelos franceses Jacques-Arsène d’Arsonval (1851-1940) e Georges Bordas, depois de terem desenvolvido a refrigeração por absorção. A liofilização, ou criodessecação, é a dessecação de um produto previamente surgelado, por sublimação. Esse processo pode ser realizado à pressão atmosférica, porém, comercialmente, é feito em câmaras de vácuo para aumentar a velocidade do processo (pois reduz a pressão de vapor). O solvente sublimado é geralmente água, mas poderia ser também um álcool. O processo de liofilização é composto de três fases: - o congelamento: é necessário que o alimento seja trazido a uma temperatura suficientemente baixa para ficar com temperatura < -20°C durante a liofilização. Pode-se abaixar a temperatura no equipamento por circulação de um fluido frio entre as placas. Pode-se também abaixar a temperatura por uma evaporação de 15 a 20% da água do produto, sob vácuo; - a secagem ou dessecação primária: corresponde a sublimação do gelo do produto. A velocidade de dessecação é função da diferença das pressões parciais entre o vapor de água e o gelo, respectivamente, da frente de sublimação e do condensador. É inferior a 1.5 kg/(m².h); - a secagem secundária; em que a secagem ou, no caso da liofilização, por sublimação. Vamos conhecer, a seguir, dois dos principais processos util izados na desidratação: a liofilização (freeze-drying) e a atomização (spray-drying). Fonte: GEA Process Engineering Division - NIRO A/S Fonte: GEA Process Engineering Division - NIRO A/S 3030303030 Aditivos & Ingredientes - nº 43 - Março/Abril 2006 é efetuada a uma temperatura inferior à da degradação do produto, com a finalidade de eliminar os últimos vestígios de água retida por absorção. O objetivo desta dessecação é de reduzir a Aw (2 a 8% de umidade residual). Assim, pelo fato do processo ser realizado a baixa temperatura e em ausência de ar atmosférico, praticamente não se altera as propriedades químicas e organolépticas do produto. Comparando-se o processo de liofilização com outros processos de secagem, verifica-se que ele apresenta as seguintes vantagens: menos contração do produto; maior solubilidade devido à estrutura esponjosa deixada pela saída de água; evita decomposição pelo calor; reduz a perda de voláteis sem afetar a qualidade do produto; reduz as ações enzimáticas dos microrganismos; evita também a desnaturação de proteínas; e mantém a morfologia inicial do material. O calor seca os alimentos ou concentra líquidos fervidos, removendo água e, assim, preservando o alimento por uma redução da atividade de água. Porém, o calor também causa perda das características sensórias e qualidades nutricionais. Na liofilização ou desidratação a frio um efeito preservativo semelhante é alcançado através da redução da atividade de água sem aquecer o alimento e, como resultado, são mais bem retidas as qualidades nutricionais e características SEGURANÇA NO PROCESSAMENTO DE PRODUTOS DESIDRATADOS A preocupação atual com produtos saudáveis voltados ao natural, reforça a tendência das indústrias de alimentos a utilizarem produtos desidratados de frutas ou a base de frutas. Nesta linha observa-se a procura por produtos 100% fruta, frutas em pedaços, orgânicos, funcionais, livres de modificação genética – que trazem benefícios àquele que está consumindo. Esta busca se resume às indústrias e profissionais das áreas de desenvolvimento disponibilizarem produtos naturais, mantendo suas características nutricionais e, acima de tudo, agradável sensorialmente aos consumidores – tanto em sabor como aparência. A preocupação com a saúde leva a desenvolvimentos com maior preocupação com alimentos seguros, livres de pesticidas, contaminações microbiológicas e outros fatores que podem contribuir de forma negativa à saúde do consumidor. A Duas Rodas dispõe de alguns tipos de processos que asseguram a segurança do alimento que está sendo produzido. Os programas de qualidade aplicados nas linhas de produção aliados aos manipuladores destes produtos, contribuem de forma essencial para a garantia de um produto seguro. Para reduzir os riscos de contaminações, principalmente de ordem microbiológica, em produtos pós- processados, utiliza-se a técnica de desidratação, que reduz a atividade de água do alimento dificultando o crescimento microbiológico. A desidratação é um método de secagem bastante antigo, no qual se utilizam equipamentos que possibilitamo controle de variáveis que são imprescindíveis para a garantia da qualidade do produto final e objetiva a retirada total ou parcial da água presente no alimento “in natura”. Com esta retirada da água dos alimentos, produzimos matérias-primas desidratadas com altas concentrações de elementos constitutivos do produto, como por exemplo: gorduras, carboidratos, proteínas, vitaminas entre outros ingredientes. As vantagens na utilização dos produtos desidratados estão tornando estas matérias- primas cada vez mais utilizadas pelas indústrias de alimentos, devido as características que elas apresentam: disponibilidade de produtos à base de frutas o ano todo, produtos disponíveis em regiões em que as frutas não são nativas, diminuição de peso e volume, maior conservação em relação a fruta “in natura”, facilidade na manipulação comparada com a utilização de polpas ou sucos, forma de introduzir frutas em produtos pós. Estes fatores demonstram a grande importância dos produtos desidratados para as indústrias de alimentos. O processo de desidratação a ser utilizado depende das características que se deseja em sua aplicação final. As características e o aspecto visual que se quer proporcionar ao produto final são estudados de forma a aplicarmos o melhor processo ao produto. Produtos com solubilidade instantânea para aplicação em chás, onde a solubilidade rápida é imprescindível, utiliza-se o Instant Flavor; produtos com boa solubilidade para aplicação em refresco em pó, balas, sobremesas, pudins, usa-se os produtos spray dryer; produtos com solubilidade intermediária para aplicação em recheios de biscoitos, recheios de waffers, biscoitos, emprega-se os produtos de drum dryer; produtos com baixa solubilidade, onde o interesse é que eles apareçam na aplicação final como para barras de cereais, cereais matinais, iogurtes, também para chás em sachês, basicamente as frutas em pedaços e outros desidratados, utiliza-se o vacuum dryer. A Duas Rodas Industrial dispõe de uma gama muito grande de produtos desidratados, neles estão incluídas as frutas desidratadas de alta padrão de qualidade. A empresa também conta com equipes técnicas, na área de desenvolvimento de produtos, aplicação de produtos desenvolvidos, análises e assistência técnica, preparada para suprir às necessidades de clientes e de um mercado cada vez mais exigente. David Roberto Vasel Desenvolvimento de Desidratados - Responsável Técnico Fonte: Liobrás Ind. Com. e Serviços de Liofilizadores Ltda. 3131313131Aditivos & Ingredientes - nº 43 - Março/Abril 2006 sensórias. Porém, ambas as operações são mais lentas do que a desidratação convencional, evaporação ou concentração por membrana. A liofilização é comercialmente a operação mais importante; é usada para secagem de alimentos caros que têm aromas ou texturas delicadas (por exemplo, café, cogumelos, ervas e temperos, sucos de fruta, carne, frutos do mar, legumes e refeições completas para rações do exército ou expedições), atendendo a consumidores que estejam dispostos a pagar preços mais altos por uma qualidade superior. Além disso, culturas microbianas para uso em alimentos processados são liofilizadas para armazenamento em longo prazo antes da geração de inoculação. A desidratação a frio não é usada amplamente em alimentos processados, mas encontra algumas aplicações como pré-concentração de extrato de café, antes da liofilização, aumentando o conteúdo de álcool no vinho e na preparação de sucos de fruta, vinagre e licores de pepino em conserva. Teoria da liofilização (freeze drying) A primeira fase do processo de liofilização é a pré-concentração do produto e esmagamento dos produtos sólidos, seguida do congelamento do produto a -40ºC; esse congelamento ocorre freqüentemente no próprio liofilizador. Pedaços pequenos de alimento são rapidamente congelados, produzindo pequenos cristais de gelo e reduzindo danos à estrutura celular do alimento. Em alimentos líquidos, o congelamento lento é usado para formar um gelo cristalino que provê canais para o deslocamento do vapor da água. A próxima fase é remover a água durante a subseqüente secagem e, conseqüentemente, obter um produto/alimento seco. Uma vez o produto congelado, efetua-se um vácuo parcial e injeta-se um fluido quente nas placas de aquecimento. A colocação sob vácuo a pressões inferiores a 610 Pa (6 mbar ou 4,58 Torr) é feita com o auxílio de duas bombas de vácuo, onde a primeira retira o máximo de ar e a segunda abaixa a pressão restante com uma vazão de ar fraca. Pode-se evitar o vácuo substituindo o ar por azoto frio, cuja pressão parcial em vapor de água é inferior aquela do gelo. Se a pressão de vapor da água de um alimento é mantida abaixo de 4,58 Torr (610,5 Pa) e a água é congelada, quando o alimento é aquecido, o gelo sólido sublima diretamente em vapor sem derreter Figura 1. O vapor de água é continuamente retirado do alimento, mantendo a pressão no gabinete de liofilização abaixo da pressão de vapor na superfície do gelo, removendo o vapor com uma bomba de vácuo e condensando o mesmo em placas de refrigeração. À medida que a secagem procede, uma frente de sublimação se desloca no alimento congelado, deixando para trás um alimento parcialmente seco. O vapor de água sai do alimento pelos canais Principais diferenças entre a liofilização e a secagem convencional Secagem convencional Liofilização Adequada para alimentos de fácil secagem Adequado para a maioria dos alimentos, mas (legumes e grãos) limitado aos que são de difícil secagem através de outros métodos Geralmente insatisfatório para carnes Adequado para carnes cozidas e cruas Temperatura 37 – 93°C Temperaturas abaixo do ponto de congelamento Pressão atmosférica Pressões reduzidas (27 – 133 Pa) Evaporação da água da superfície de alimentos Sublimação da água Movimento de solutos e, às vezes, Mínimo movimento de soluto casos de endurecimento Tensões em alimentos sólidos, causando Mínimas mudanças estruturais ou encolhimento danos estruturais e encolhimento Re-hidratação lenta e incompleta Re-hidratação rápida e completa Partículas secas sólidas ou porosas, Partículas secas porosas com menor apresentando freqüentemente uma densidade do que o alimento original densidade maior do que o alimento original Odor e flavour freqüentemente anormal Odor e flavour usualmente normais Coloração freqüentemente mais escura Coloração usualmente normal Valor nutricional reduzido Retenção de grande parte dos nutrientes Custos geralmente baixos Custos geralmente altos, até quatro vezes o da secagem convencional. 3232323232 Aditivos & Ingredientes - nº 43 - Março/Abril 2006 formados pelo gelo sublimado, sendo removido. Os alimentos são secos em duas fases: por sublimação ou dessecação primária, até atingir uma umidade de cerca de 15%, a uma temperatura inferior a -25ºC e, depois, por desorpção ou dessecação secundária, até atingir uma umidade residual de 2%, em temperatura de 20 a 40ºC, durante 2 a 6 horas, em função da espessura do produto. A desorpção é atingida elevando a temperatura na câmara de secagem até a temperatura ambiente (os 20 a 40ºC mencionados acima), segurando uma baixa pressão. A quebra do vácuo é feita com um gás neutro (azoto ou dióxido de carbono) para evitar uma retomada de umidade; esse processo dura cerca de 20 minutos. Em alguns alimentos líquidos (por exemplo, sucos de fruta e extrato de café concentrado), a formação de um estado vítreo no congelamento causa dificuldades na transferência de vapor. Neste caso, o líquido ou é congelado como uma espuma ou o suco é seco junto com a polpa. Ambos os métodos produzem canais dentro do alimento para o vapor escapar. Um terceiro método consiste em moer o suco congelado para produzir grânulos, que secam mais rapidamente e permitem melhor controle sobre o tamanho da partícula do alimento seco. A taxa de secagem depende principalmente da resistência do alimento à transferência de calor, porém, com menor importância, da resistência ao fluxo de vapor (transferência de massa) por parte da frente desublimação (Figura 2). Taxa de transferência de calor. Existem três métodos para transferir calor para a frente de sublimação. - Transferência de calor pela camada congelada (Figura 2 a). A taxa de transferência de calor depende da espessura e condutividade térmica da camada de gelo. À medida que a secagem progride, a espessura do gelo diminui e a taxa de transferência de calor aumenta. Com o processo de secagem, a espessura do gelo é reduzida e aumenta a taxa de transferência de calor. A temperatura na superfície do aquecedor é limitada para evitar o derretimento do gelo. - Transferência de calor pela camada seca (Figura 2 b). A taxa de transferência de calor para a frente de sublimação depende da espessura e da área do alimento, da condutividade térmica da camada seca e da diferença de temperatura entre a superfície do alimento e a frente gelada. A pressão constante na câmara, a temperatura da frente gelada fica constante. A camada seca dos alimentos tem muito baixa condutividade térmica (semelhante a materiais de isolamento), oferecendo assim uma alta resistência ao fluxo de aquecimento. À medida que o processo de secagem continua, essa camada torna-se cada vez mais grossa e a resistência ao fluxo de aquecimento aumenta. Como em outras operações unitárias, uma redução no tamanho ou espessura do alimento e um aumento na diferença de temperatura aumentam a taxa de Fonte: GEA Process Engineering Division - NIRO A/S 3434343434 Aditivos & Ingredientes - nº 43 - Março/Abril 2006 transferência de calor. Porém, na liofilização, a temperatura de superfície é limitada a 40-65°C para evitar a desnaturação das proteínas e outras mudanças químicas que reduziriam a qualidade do alimento. - Aquecimento através de microondas (Figura 2 c). O calor é gerado na frente gelada e a taxa de transferência de calor não é influenciada pela condutividade térmica do gelo ou do alimento seco, ou a espessura da camada seca. Porém, o aquecimento por microondas é mais difícil de controlar e há um risco de superaquecimento localizado se qualquer gelo derreter. Taxa de transferência de massa. Quando o calor alcança a frente de sublimação, ele eleva a temperatura e a pressão do vapor da água do gelo. O vapor se move através do alimento seco, para uma região de baixa pressão de vapor, na câmara de secagem. Em processo comercial de liofilização, 1 g de gelo forma 2 m³ de vapor a 67 Pa, sendo, então, necessário remover várias centenas de metros cúbicos de vapor por segundo pelos poros do alimento seco. Os fatores que controlam o gradiente da pressão do vapor da água são: - a pressão na câmara de secagem; - a temperatura do condensador de vapor, que deve ser tão baixa quanto economicamente possível; - a temperatura de gelo na frente de sublimação, que deve ser tão alta quanto possível, sem derreter. Na prática, a mais baixa pressão na câmara de secagem, do ponto de vista econômico, é de aproximadamente 13 Pa e a mais baixa SOPAS QUALIMAX EM NOVOS SABORES A Liotécnica lança dois exclusivos sabores das sopas instantâneas Qualimax® Express, com as opções batata com peito de frango e brócolis com peito de frango. 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Porém, acima de um ponto crítico de temperatura de colapso (Quadro 1) os solutos concentrados no alimento são suficientemente móveis para fluir simplesmente pelas forças que operam dentro da estrutura do alimento. Quando isto acontece, há um colapso instantâneo irreversível da estrutura do alimento que restringe a taxa de transferência de vapor e, efetivamente, termina a operação de secagem. Na prática, existe então uma temperatura máxima de gelo, uma temperatura mínima do condensador e uma pressão mínima da câmara, sendo que estes controlam a taxa de transferência de massa. Quadro 1 - Temperaturas de colapso de alguns alimentos na liofilização Alimentos Temperatura de colapso (ºC) Extrato de café (25%) - 20 Suco de maça (22%) - 41,5 Suco de uva (16%) - 46 Tomate - 4 Milho doce - 8 a -15 Batata -12 Sorvete -31 a -33 Queijo Cheddar - 24 Peixe -6 a -12 Carne de vaca -12 Adaptado de Bellows & King (1972) e Fennema (1996). Durante a secagem, o conteúdo de umidade caí de um nível inicial alto na zona congelada para um nível mais baixo na camada seca (Figura 2), que depende da pressão de vapor da água no gabinete. Quando o calor é transferido pela camada seca, a relação entre a pressão no gabinete e a pressão na superfície de gelo é: Ps + Kd (θθθθθs – θθθθθi) Pi = bλλλλλ s onde, P i (Pa) é a pressão parcial da água na frente de sublimação, P s (Pa) é a pressão parcial da água na superfície, K d (W m-1 K-1 ) é a condutividade térmica da camada seca, b (kg s-1 m-1) é a permeabilidade da camada seca, λ s (J kg-1) é o calor latente da sublimação, θ s (°C) é a temperatura de superfície e è i (°C) é a temperatura na frente de sublimação (°C). 3535353535Aditivos & Ingredientes - nº 43 - Março/Abril 2006 Os fatores que controlam o tempo de secagem são descritos da seguinte forma: x² p(M1 – M2)λλλλλs td = 8 kd (θθθθθs – θθθθθi) onde, t d (s) é o tempo de secagem, x (min) a espessura do alimento, r (kg m-3) é a densidade bruta do alimento seco, M 1 é o conteúdo de umidade inicial e M 2 é o conteúdo de umidade final na camada seca. Deve-se ressaltar que o tempo de secagem é proporcional ao quadrado da espessura do alimento: dobrando a espessura, aumentará o tempo de secagem por um fator de quatro. Equipamento usado no processo de liofilização. Os liofilizadores são equipamentos compostos de uma câmara de vácuo equipada de bandejas para segurar o alimento durante a secagem, e aquecedores para fornecer o calor latente de sublimação. São usadas válvulas de refrigeração para condensar os vapores direta- mente em gelo (i.e. sublimação inversa). São equipadas de dispositivos de descongelamento automático para manter a área máxima possível das válvulas de refrigeração livre de gelo para condensação de vapor. Isto é necessário, porque a maior parte do input em energia é usada para refrigeração dos condensadores, sendo o aspecto econômico da liofilização determinado pela eficiência do condensador: temperatura de sublimação Eficiência = temperatura de refrigeração no condensador Bombas de vácuo removem os vapores não condensáveis. Os tipos diferentes de secadores são caracterizados de acordo com o método utilizado para prover calor à superfície do alimento. Os equipamentos empregando condução e radiação são comercialmente usados, sendo agora também utilizados equipamentos de microondas. Para cada tipo de secador existem equipamentos contínuos ou por lote (batch). No sistema de secagem por lote, o produto é lacrado na câmara de secagem, a temperatura de aquecimento é mantida, inicialmente, em 100-120°C, sendo gradualmente reduzida em um período de secagem de 6-8 horas. As condições de secagem certas são determinadas individual- mente para cada alimento, contanto, que a temperatura na superfície do alimento não exceda 60°C. Na liofilização contínua, as bandejas de alimento entram e saem do secador através de fechaduras de vácuo. Uma pilha de bandejas, intercaladas com placas aquecedoresé conduzida sobre trilhos através das zonas de aquecimento em uma longa câmara de vácuo. As temperaturas de aquecimento e o tempo de permanência do produto em cada zona é pré- programada individualmente para cada alimento e são usados microprocessadores para monitorar e controlar os tempos do processo, temperatura e pressão na câmara, bem como a temperatura na superfície do produto. Os tipos de secadores utilizados em liofilização incluem: Liofilizadores de contato (ou condução). O alimento é colocado sobre bandejas sanfonadas que descansam em placas aquecedoras (Figura 3 a). Este tipo de equipamento de secagem é mais lento do que outros designs, porque o calor é transferido por condução para somente um lado do alimento. O contato entre o alimento congelado e a superfície aquecida é desigual, reduzindo a taxa de transferência de calor. Além disso, ocorre uma queda de pressão através do alimento, a qual resulta em diferenças entre as taxas de secagem nas camadas superiores e inferiores. A velocidade do vapor é da ordem de 3 m s-1 e pequenas partículas de produto podem ser levadas embora pelo vapor, se perdendo. Porém, os liofilizadores de contato têm 3636363636 Aditivos & Ingredientes - nº 43 - Março/Abril 2006 capacidades maiores do que os outros tipos. Liofilizadores de processo acelerado. Neste equipamento, o alimento é acomodado entre duas camadas de malha expandida de metal e sujeito a uma pressão leve em ambos os lados (Figura 3 b). O aquecimento é feito por condução, mas o calor é transferido mais rapidamente ao alimento pela malha do que no caso de bandejas convencionais, e o vapor escapa mais facilmente da superfície do alimento. Ambos os mecanismos causam uma redução no tempo de secagem comparados aos liofilizadores de contato. Liofilizadores por radiação – A radiação infravermelha de aquecedores radiantes é usada para aquecer camadas finas de alimentos em bandejas planas (Figura 3 c). O aquecimento é mais uniforme do que em liofilizadores de contato (ou condução), porque as irregularidades da superfície no alimento têm efeito menor na taxa de transferência de calor. Assim, não há queda de pressão no alimento e têm-se assim condições constantes de secagem. O movimento do vapor é de aproximadamente 1 m s-1 e tem pouco risco de pequenas partículas do produto serem levadas embora. Não é necessário um estreito contato entre o alimento e os aquecedores e pode-se usar bandejas planas convencionais, que são mais baratas e fáceis de limpar. Liofilizadores dielétricos e de microondas - Aquecedores de microondas têm uso potencial na liofilização, mas não são amplamente usados comercialmente. Seu controle é difícil, porque a água tem um fator de perda mais alto do que o gelo e qualquer derretimento local do gelo causa “fuga” de superaquecimento, com reação em cadeia. O processo de atomização (spray drying) O processo de atomização pode ser aplicado a qualquer produto possível de bombear: emulsões, pastas, soluções e suspensões de cereais e extratos de plantas, lácteos em geral, cafés e seus sucedâneos, leveduras, hidro- lisados de proteínas, derivados marinhos, subprodutos de frigoríficos, ovos, frutas e extratos de frutas. Basicamente, o processo de secagem por atomização consiste em pulverizar o produto dentro de uma câmara submetida a uma corrente controlada de ar quente e, dessa maneira, consegue-se uma evaporação dos solventes, em geral água, obtendo-se uma separação ultra-rápida dos sólidos e solúveis contidos, com a mínima degradação do produto a secar, terminando esse processo com a recuperação do produto já em pó. O processo de spray drier é tradicionalmente conhecido para produção de leite em pó; nos últimos 20 anos, os processadores de alimentos que utilizam essa técnica têm sido cada vez mais exigentes em termos de produtividade e flexibilidade dos equipamentos. Hoje, os principais requisitos dos produtores de alimentos em pó por atomização são: - flexibilidade, i.e. deve ser possível produzir uma grande variedade de produtos na mesma planta, ou seja, com os mesmos equipamentos; - os equipamentos devem produzir pós de alta qualidade com propriedades funcionais, bacteriológicas e físico-químicas específicas i.e. sem poeira, estável, com densidade definida, etc.; - deve ser possível ter longos períodos de produção dos equipamentos antes da necessidade de uma operação de limpeza i.e. sem a ocorrência de depósitos, de qualquer importância que seja, no equipamento de processo; - deve ser possível efetuar a limpeza dos spray dryers de forma rápida e efetiva; - os equipamentos devem funcionar com controles automáticos, com somente pequenas divergências em relação aos parâmetros selecionados e com início de operação, parada e limpeza automáticas; - os spray dryers devem ter baixo consumo de energia e baixos custos de operação. Na prática, os desenvolvimentos mais importantes dos atomizadores ocorreram nos seguintes campos: - os atomizadores tradicionais, de um só estágio, foram substituídos por atomizadores de dois ou multi-estágios; - as técnicas de atomização e aglomeração foram melhoradas; - a carga sobre o meio-ambiente e o consumo de energia foram reduzidas; - as condições de higiene e limpeza CIP (cleaning-in-place) foram melhoradas; - os sistemas de controle e automatização tornaram-se mais sofisticados. Hoje, a atomização é um processo flexível, com muitas possibilidades de controle dos Fonte: GEA Process Engineering Division - NIRO A/S 3737373737Aditivos & Ingredientes - nº 43 - Março/Abril 2006 parâmetros operacionais para obter a qualidade de pó desejada. A produção de pó consiste em vários processos diferentes, tais como, homogeneização, pré-aquecimento do concentrado, atomização/aglomeração, secagem, lecitinação, re-umidificação do aglomerado e secagem/esfriamento final, todos esses podendo ser controlados em um único sistema de secador. Tecnicamente, uma fina dispersão de um alimento pré-concentrado (40-60% de umidade) é atomizado para formar finas gotinhas, que são borrifadas em uma câmara de secagem grande, em um fluxo de ar aquecido, a co- ou contracorrente, a uma temperatura de 200-300°C. Existem vários tipos de bicos atomizadores e os mais usados são: - Atomizador centrífugo. O líquido é alimentado no centro de um disco ou esfera giratória, que têm uma velocidade periférica de 90-200 ms-1. As gotinhas, de 50-60 mm de diâmetro, são arremessadas para formar um spray uniforme. - Atomizador de bico de pressão. O líquido é forçado à alta pressão (700-2000 x 10³ Pa) por uma pequena abertura, formando gotinha de 180-250 mm. Ranhuras na parte interna do bico de atomização fazem com que a atomização ocorra em forma de cone, usando assim o volume total da câmara de secagem. - Atomizador de bico de fluido duplo. Um ar comprimido cria uma turbulência que atomiza o líquido. A pressão operacional é mais baixa do que em bico de pressão convencional, mas uma gama mais larga de tamanhos de gotinhas é produzida. - Atomizador de bico ultra-sônico. Em um atomizador de duplo estágio, no qual o líquido é primeiro atomizado por um atomizador de bico convencional para depois, por energia ultra-sônica, induzir uma cavitação adicional. Atomizadores de bico são suscetíveis a entupimento, por partículas de alimentos e, alimentos mais abrasivos alargam gradualmente a abertura dos bicos, o que vai progressivamente aumentar o tamanho médio das gotinhas. A secagem rápida (1-10 s) é obtida devido a área superficial muito grande das gotinhas. A taxa de alimentação é controlada para manter uma temperatura de ar de saída de 90-100°C, que corresponde a uma temperatura úmida (e temperatura de produto) de 40-50°C, produzindo poucos danos ao alimento. O pó seco é coletado na base do secador usando um transportador de parafuso ou sistema pneumático com ciclone separador. Existe um grande número de designs de atomizadores, câmara de secagem, aquecedores de ar e coletores de pó; esses diferentes modelos surgem dos diferentes requerimentos decorrentes da variedade muito grandede alimentos que podem ser spray dried (por exemplo, leite, ovo, café, cacau, chá, batata, mix para sorvete, manteiga, nata, iogurte e queijo em pó, coffee whitener, sucos de fruta, carne, fermento, aromas encapsulados, amidos de trigo e de milho). Os spray driers também podem ser equipados com a instalação de um leito fluidizado para dar um maior acabamento ao pó saindo da câmara de secagem. Os equipamentos de spray drying variam em tamanho, desde modelos em escala- piloto para pequenos volumes de alto valor, tais como enzimas e aromas, até modelos comerciais com capacidade para produção de 10.000 kg de leite em pó por hora. As principais vantagens do processo de secagem por atomização são secagem rápida, Fonte: GEA Process Engineering Division - NIRO A/S Fonte: GEA Process Engineering Division - NIRO A/S 3838383838 Aditivos & Ingredientes - nº 43 - Março/Abril 2006 produção contínua em larga escala, baixo custo de mão-de-obra e, são de operação e manutenção relativamente simples. As principais limi- tações são o alto custo de capital inicial e a necessidade de se trabalhar com um con- teúdo de umidade do alimento relativamente alto, para assegurar que o mesmo possa ser bom- beado para o atomizador. Isto resulta em mais altos custos de energia (para a remoção da umidade) e perdas voláteis maiores. Os secadores de correia-transportadora e de leito fluidizado estão começando a substituir os spray dryers por serem mais com- pactos e eficientes do ponto de vista energético. Outra alternativa são os secadores por ultra- sons. Primeiro, são produzidas pequenas gotículas em um líquido através de ultra-som, sendo então aquecidas para remover a água. A secagem ocorre de forma muito rápida (às vezes dentro de segundos), sendo o resíduo seco coletado. Este processo funciona bem para soluções de baixo teor de gordura, porém, não tão bem com alimentos oleosos ou gordurosos que não secam facilmente. Conclusão As vanta- gens da liofili- zação são bas- tante claras. Os alimentos liofilizados apresentam uma retenção muito alta de suas características sensórias e qualidades nutricionais, bem como uma vida útil superior a 12 meses, quando corretamente embalados. Os compostos aromáticos voláteis não são arrastados no vapor de água produzido pela sublimação e ficam retidos na matriz do alimento. Como resultado, é possível conseguir uma retenção de aroma de 80-100%. A textura dos alimentos liofilizados é bem conservada; apresenta pouco encolhimento e nenhum caso de endurecimento. A estrutura porosa aberta (Figura 4) facilita uma completa e rápida re-hidratação, porém, é frágil e requer proteção contra danos mecânicos. Não ocorre quase que nenhuma mudança nas proteínas, amidos ou outros carboidratos. Porém, a estrutura porosa aberta do alimento pode permitir a entrada de oxigênio e causar, assim, uma deterioração oxidativa dos lipídios. Por este motivo, é adequado o empacotamento com gás inerte. As mudanças no conteúdo de tiamina e de ácido ascórbico durante a liofilização são moderadas e as perdas de outras vitaminas são desprezíveis (Quadro 2). Porém, as perdas de nutrientes devido a procedimentos de preparação, especialmente o branqueamento de legumes, podem afetar, substancialmente, as qualidades nutricionais finais do alimento liofilizado. Já o processo de atomização oferece a possibilidade de ter uma produção flexível de alta qualidade, oferecer produtos em pó sob medida (taylor-made) – incluindo concentrados e produtos com altos teores de gordura – com propriedades de acordo com as necessidades dos clientes e dentro dos padrões internacionais, tais como: fórmulas infantis, proteínas de leite concentradas, caseínato, queijo, imitação de creme para café (coffee whitener), mistura para sorvetes, lactose, iogurte, proteína de soro concentrada, etc., etc.❏ Quadro 2 - Perda de vitaminas durante a liofilização Perda (%) Vitamina C Vitamina A Tiamina Riboflavina Niacina Ácido pantotênico Feijão (verde) 26 - 60 0 -24 - 0 10 - Ervilhas 8 - 30 5 0 - 0 10 Suco de laranja 3 3 - 5 - - - - Carne de vaca - - 2 0 0 13 Carne de porco - - < 10 0 0 56 Fonte: adaptado de J.M. Klink, Effect of processing on nutritive value of food: freeze-drying Fonte: GEA Process Engineering Division - NIRO A/S