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Na Educação Infantil, as aprendizagens essenciais compreendem tanto comportamentos, habilidades e conhecimentos quanto vivências que promovem aprendizagem e desenvolvimento nos diversos campos de experiências, sempre tomando as interações e a brincadeira como eixos estruturantes. Essas aprendizagens, portanto, constituem-se como objetivos de aprendizagem e desenvolvimento. Avaliar é um ato rigoroso de acompanhamento da aprendizagem. "É ela que permite tomar conhecimento do que se aprendeu e do que não se aprendeu e reorientar o educando para que supere suas dificuldades, na medida em que o que importa é aprender" (LUCKESI, 2005). o artigo 31 da LDB dispõe que na Educação Infantil a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental. “[...] não é possível praticar sem avaliar a prática. Avaliar a prática é analisar o que se faz, comparando os resultados obtidos com as finalidades que procuramos alcançar com a prática. A avaliação da prática revela acertos, erros e imprecisões. A avaliação corrige a prática, melhora a prática, aumenta a nossa eficiência. O trabalho de avaliar a prática jamais deixa de acompanhá-la”. (FREIRE, 1984, P.92) “A avaliação é um conjunto de procedimentos didáticos que se estendem por um longo tempo e em vários espaços escolares” (HOFFMAN, 2014, p. 13). A avaliação escolar, hoje, só faz sentido se tiver o intuito de buscar caminhos para a melhoria da aprendizagem. “avaliar não é julgar, mas acompanhar um percurso de vida da criança, durante o qual ocorrem mudanças em múltiplas dimensões, com intenção de favorecer o máximo possível seu desenvolvimento”. POR QUE AVALIAR? • Para conhecer os avanços (ou retrocessos) no desenvolvimento e na aprendizagem dos alunos; • Para refletir sobre o planejamento e as possíveis alterações necessárias; • Para implementar os registros com vistas à documentação pedagógica; • Para acompanhar os processos de desenvolvimento das crianças; • Para avaliar a intencionalidade do trabalho pedagógico. “Nessa etapa, a finalidade básica da avaliação é que sirva para intervir, para tomar decisões educativas, para observar a evolução e o progresso da criança e para planejar se é preciso intervir ou modificar determinadas situações, relações ou atividades na aula” (BASSEDAS, HUGUET E SOLÉ , 1999, p. 173). “A avaliação deve procurar abranger todos os aspectos do desenvolvimento da criança, não só o cognitivo, mas sim uma avaliação a partir do aluno, tendo ele como referência, como parâmetro de si mesmo. Deve ter uma ação também diagnóstica, que indique quais alterações na práxis do professor deve acontecer para facilitar a aprendizagem do aluno. Não é um procedimento que indique o ponto final de um trabalho, uma classificação, para depois resultar numa exclusão futura; deve mostrar ao professor o quanto o aluno avançou em um determinado tempo. O aluno precisa ser o autor da sua própria aprendizagem, tendo no professor um facilitador, um instrumento para interagir com ele na construção do seu conhecimento. Entretanto, qualquer que seja a postura, os educadores não podem avaliar somente para cumprirem uma exigência burocrática, deixando de explorar este instrumento poderoso que serve para redefinir a sua prática profissional” (SILVA, 2012, p. 2-3). O QUE DIZ A LEGISLAÇÃO? BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei de Nº 9394, de 20 de dezembro de 1996. Art. 29. A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5 (cinco) anos, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Art. 31. A educação infantil será organizada de acordo com as seguintes regras comuns: I- avaliação mediante acompanhamento e registro do desenvolvimento das crianças, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental. A BNCC não aborda, especificamente, a questão da avaliação na Educação Infantil, mas registra a necessidade da intencionalidade educativa e do acompanhamento da prática. “Parte do trabalho do educador é refletir, selecionar, organizar, planejar, mediar e monitorar o conjunto das práticas e interações, garantindo a pluralidade de situações que promovam o desenvolvimento pleno das crianças. Ainda, é preciso acompanhar tanto essas práticas quanto as aprendizagens das crianças, realizando a observação da trajetória de cada criança e de todo o grupo – suas conquistas, avanços, possibilidades e aprendizagens. Por meio de diversos registros, feitos em diferentes momentos tanto pelos professores quanto pelas crianças (como relatórios, portfólios, fotografias, desenhos e textos), é possível evidenciar a progressão ocorrida durante o período observado, sem intenção de seleção, promoção ou classificação de crianças em “aptas” e “não aptas”, “prontas” ou “não prontas”, “maduras” ou “imaturas”. Trata-se de reunir elementos para reorganizar tempos, espaços e situações que garantam os direitos de aprendizagem de todas as crianças.” (p. 39, grifo nosso) A avaliação da aprendizagem na educação infantil desempenha um papel crucial no desenvolvimento integral das crianças, conforme estipulado pela legislação educacional brasileira. Segundo a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a avaliação nessa fase deve ser contínua, processual e formativa, com foco no acompanhamento do desenvolvimento das competências e habilidades das crianças. Desenvolvimento Integral: A avaliação na educação infantil não se restringe apenas ao desempenho acadêmico, mas busca compreender e apoiar o desenvolvimento emocional, social, físico e cognitivo das crianças. Acompanhamento Contínuo: A legislação enfatiza a importância de um acompanhamento contínuo do progresso das crianças, sem utilizar práticas que as submetam a situações de estresse ou competição inadequada para a faixa etária. Educação Personalizada: A avaliação deve permitir a personalização do ensino, adaptando as práticas pedagógicas para atender às necessidades individuais de cada criança, respeitando seus ritmos de aprendizagem. Feedback Construtivo: Através da avaliação formativa, os educadores têm a oportunidade de fornecer feedback construtivo e orientações que contribuam para o avanço e aprimoramento das aprendizagens das crianças. Parceria com Famílias: A legislação também destaca a importância da comunicação regular com as famílias, compartilhando informações sobre o desenvolvimento das crianças e promovendo uma colaboração efetiva entre escola e família. Portanto, a avaliação na educação infantil, conforme estabelecido pela legislação, não apenas monitora o progresso educacional das crianças, mas também apoia seu desenvolvimento integral, garantindo uma educação de qualidade e inclusiva desde os primeiros anos de vida. Na educação infantil, os tipos de avaliação de aprendizagem podem ser categorizados em diferentes abordagens, cada uma com funções específicas que contribuem para o acompanhamento e desenvolvimento das crianças. Aqui estão os principais tipos de avaliação e suas funções: Avaliação Diagnóstica: Realizada no início do processo educacional para identificar o nível de conhecimento prévio das crianças, suas habilidades e necessidades específicas. Permite aos educadores planejar estratégias adequadas e personalizadas de ensino. Avaliação Formativa: É contínua e ocorre durante todo o processo de aprendizagem. Visa monitorar o progresso das crianças, identificar dificuldades e ajustar as estratégias de ensino. Fornecer feedback imediato para que os alunos possam corrigir erros e melhorar continuamente é uma de suas funções principais. Avaliação Somativa: Realizada ao final de um período de ensino ou unidade de aprendizagem para avaliar o que as crianças aprenderam. Seu objetivo principal é verificar o nível de aquisição de competências e habilidades conforme os objetivos estabelecidos. Pode ser utilizada para decisões sobre progressão escolar, mas na educaçãoinfantil, tende a ser mais descritiva e menos formal. Na prática, na educação infantil, a ênfase é geralmente na avaliação diagnóstica e formativa, proporcionando um acompanhamento contínuo e individualizado do progresso das crianças. Isso é fundamental para garantir que cada criança receba o suporte necessário para seu desenvolvimento integral, respeitando suas características individuais e ritmos de aprendizagem. Segundo Luckesi, a avaliação da aprendizagem é um processo que visa compreender o desenvolvimento do aluno no contexto educacional. Para ele, a avaliação não se limita a mensurar apenas o conhecimento adquirido pelo estudante, mas também busca compreender como esse conhecimento foi construído, considerando os aspectos qualitativos e subjetivos do processo de aprendizagem. Luckesi enfatiza que a avaliação deve ser compreendida como parte integrante do processo educacional, sendo uma prática contínua e formativa. Ou seja, seu papel não é apenas verificar o resultado final do aprendizado, mas também orientar o próprio processo de ensino-aprendizagem ao longo do tempo. Principais pontos destacados por Luckesi sobre a avaliação da aprendizagem: Processo Contínuo: Deve ser realizado de forma contínua ao longo do processo educativo, permitindo ajustes e intervenções no ensino conforme as necessidades identificadas. Formativa: Tem como objetivo principal fornecer feedback constante aos alunos e aos professores, com o intuito de melhorar o desempenho e promover aprendizagens significativas. Inclusiva e Humanizadora:** Deve considerar as características individuais dos alunos, respeitando seus diferentes ritmos de aprendizagem e incentivando uma avaliação que não gere exclusões ou discriminações. Para Luckesi, a avaliação da aprendizagem é, portanto, uma ferramenta essencial para a promoção de uma educação mais democrática e que valorize o desenvolvimento integral dos alunos, indo além da simples atribuição de notas ou resultados, e focando na construção efetiva do conhecimento e no desenvolvimento das competências dos estudantes.