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Lesão Medular Medula Espinhal • Raízes nervosas de cada segmento inervam regiões específicas do corpo • Segmento Cervical (C1 a C8): Cervical e MsSs. • Segmento Torácico (T1 a T12): Tórax e abdomen. • Segmento Lombar (L1 a L5): MsIs (anterior). • Segmento Sacral (S1 a S5): MsIs (posterior), genital, bexiga e intestino. Medula Espinhal • Constituída por células nervosas (neurônios) e por fibras nervosas (axônios) Vias espinhais Medula Espinhal No que consiste a afecção neurológica denominada Lesão medular? Lesão Medular • É uma afecção neurológica que acomete a medula espinhal e pode levar a alterações sensitivas, motoras, autônomas (vesical, urinário e reprodutor) e psicoafetivas. Lesão Medular Incidência No Brasil • A incidência variou de 16 a 26 pacientes por milhão por ano (média de 21 por milhão por ano). • Idade média de 34,75 anos; • 84% das vítimas do sexo masculino; • O segmento vertebral mais afetado foi a coluna cervical (36,65%). • A média de lesão medular completa foi de 34%. • A média de mortalidade foi de 11,58%. Botelho RV et al., 2014 Como podemos classificar a lesão medular do paciente de acordo com a etiologia? Etiologia • Lesões Traumáticas (TRM) – 86% • Ferimento por arma de fogo (45%) • Acidente de Trânsito (33%) • Quedas (10%) • Mergulho (7%) (AACD) Fratura Luxação Compressão Etiologia • Lesões Não-Traumáticas – 14% • Tumores (30%) • Infecciosas (17%) (AACD) Tumores Infecções Lesão Medular Classificação quanto a Fisiopatologia: • LESÃO PRIMÁRIA: ocorre no momento do trauma de forma aguda. Acontece por diferentes mecanismos de lesão. • LESÃO SECUNDÁRIA: ocorre em horas a dias que se seguem à lesão. Representado por uma cascata de eventos para a lesão tecidual. • Alterações vasculares –isquemia. • Alterações inflamatórias • Disfunção celular Classificação da Lesão Medular 1. Nível neurológico da lesão 2. Grau de lesão 3. Mecanismo de lesão 1. Nível neurológico da lesão Acima de T1: TETRA Abaixo de T1: PARA MsSs, tronco e MsIs MsIs e tronco A ASIA recomenda que nos casos de lesão medular SEMPRE se classifique como tetraplegia ou paraplegia. Assim, usa-se escala de Frankel para diferenciação dos casos. 1. Nível neurológico da lesão O nível exato de tetra ou paraplegia é determinado pelo segmento mais caudal da medula espinhal com funções motoras e sensitivas normais em ambos os lados do corpo Avaliação de miótomos e dermátomos Determina-se pelos dermátomos com sensibilidade dolorosa (ponta de alfinete) e tátil leve (algodão) preservadas 1. Nível neurológico da lesão 2. Grau da lesão Subclassificação: incompleta B, C ou D Escala de Frankel/ASIA No que consiste a escala ASIA? ESCALA DE CLASSIFICAÇÃO NEUROLÓGICA DA LESÃO MEDULAR (ASIA) Escala de Classificação Neurológica da Lesão Medular (ASIA) • Determina Nível neurológico: • SENSITIVO; • MOTOR. • Determina Grau da lesão: • COMPLETA: ausência da função motora e sensitiva a partir do segmento lesado. • INCOMPLETA: alguma função sensitiva e/ou motora abaixo do nível neurológico. • Determina Zona de preservação parcial (ZPP): • Refere-se aos dermátomos e miótomos localizados abaixo do nível neurológico que se mantêm parcialmente inervados. Classificação da Lesão Medular ASIA – Classificação do grau de lesão – Classificação de Frankel • Não existe função motora e sensitiva nos segmentos medulares abaixo da lesão, incluindo os segmentos sacrais; A = Lesão Completa • Sensibilidade (total ou parcialmente) preservada com extensão através dos segmentos sacrais S4-S5, sem função motora abaixo do nível neurológico; B = Lesão Incompleta • Função motora preservada abaixo do nível da lesão com a maior parte dos músculos-chave abaixo do nível neurológico apresentando um grau de força muscular menor que 3; C = Lesão Incompleta • Função motora preservada abaixo do nível da lesão com a maior parte dos músculos-chave abaixo do nível neurológico apresentando um grau de força muscular maior ou igual a 3 D = Lesão Incompleta E = Função motora e sensitiva normal ASIA – Classificação do grau de lesão – Classificação de Frankel Nível Motor • Avaliação de miótomos RAIZ MUSCULO-CHAVE C5 Flexores de cotovelo C6 Extensores de punho C7 Extensor de cotovelo C8 Flexão falanges distais T1 Abdutor 5º dedo L2 Flexores de quadril L3 Extensores de joelho L4 Dorsiflexores de tornozelo L5 Extensor longo do hálux S1 Flexores plantares de tornozelo Determinação do Nível Motor • Escala de Graduação de Força Muscular O = Ausência de contração muscular 1= Contração muscular palpável ou visível 2= Movimentação ativa em toda ADM sem gravidade 3= Movimentação ativa em toda ADM contra a gravidade 4= Movimentação ativa em toda ADM contra resistência moderada 5= Movimentação ativa em toda ADM contra grande resistência NT= Músculo não testável Nível Sensitivo • Avaliação de dermátomos Determinação do Nível Sensitivo 0 = Ausência de sensibilidade 1= Sensibilidade alterada (hipo ou hiperestesia) 2= Sensibilidade normal NT= Não testável 3. Classificação do mecanismo de lesão • Flexão • Compressão • Hiperextensão • Flexão – rotação • Atrito • Tração Alterações Funcionais • Fase Aguda: • CHOQUE MEDULAR - dura 24 hs • Paralisia flácida/ hipotonia; • Anestesia abaixo da lesão; • Abolição de reflexos vesical, intestinal e sexual ± 3 semanas • É impossível durante este período predizer se a lesão é completa ou incompleta A volta dos reflexos (testados o bulbo cavernoso e cutâneo anal) marca o fim do choque medular repetir o exame neurológico Alterações Funcionais Alterações Funcionais • Fase Crônica: # Retorno reflexos medulares (exceto lesões de cone medular e cauda equina); persiste flacidez devido a interrupção dos arco reflexos medulares # Hipertonia # Hiperreflexia # Automatismos Medulares Alterações Funcionais • C1 a C3 • Comprometimento respiratório Nervo Frênico Músculo Diafragma • Dependentes de respiração assistida • Tetraplegia ou Tetraparesia Alterações Funcionais • C4 • Comprometimento respiratório leve • Podem se manter livres dos respiradores • Controle de botões eletrônicos, cadeiras de rodas com o auxílio de adaptações como capacetes ou ponteiras orais. Alterações Funcionais • C5 • Preservação do deltóide e bíceps braquial • Independência: alimentação, higiene alimentar, escrita manual com auxílio de tecnologia assistiva. • Controle de cadeiras de rodas motorizada • Ortostatismo: prancha ortostática ou Stand in Table Alterações Funcionais • C5 Alterações Funcionais • C6 • Preservação do braquiorradial e extensor radial do carpo (possuem preensão palmar em pinça); • Independência: alimentação, higiene básica, ajudam no vestuário de tronco superior. • Controle de cadeiras de rodas com pinos em planos. • Ortostatismo: Stand in Table • Podem dirigir carro adaptado Alterações Funcionais • C6 Alterações Funcionais C7 • Extensão ativa de cotovelo • Ganho funcional nas transferências e AVDs com adaptações • Controle de cadeiras de rodas com pinos em planos e aclives suaves • Ortostatismo: Stand in Table Alterações Funcionais • C7 Alterações Funcionais C8 • Nível mais baixo de tetraplegia • Deficiência nos intrínsecos da mão • Pode ser totalmente independente • Ortostatismo: Stand in Table Alterações Funcionais • T1 a T12 • Preservação total dos MsSs; • Permite total independência nas AVDs; • Ortostatismo: • Stand in Table (níveis mais altos); • Órteses + andadores ou muletas canadenses (níveis mais baixos) Alterações Funcionais • T1 a T12 Alterações Funcionais • Níveis Lombares e Sacrais • L1 e L2 • Marcha com órteses longas • > L3 e Sacral • Marcha mais funcional (órteses curtas) Quanto mais baixo o nível, menor a necessidade de órtese e maior a chance da marchaser comunitária depende também da preservação da sensibilidade superficial e profunda. As úlceras de pressão seriam complicações comuns em pacientes com lesão medular? Quais alterações mais podem ocorrer? • Deformidades Alterações Musculoesqueléticas • Ossificação Heterotópica Alterações Musculoesqueléticas • Osteoporose Alterações Musculoesqueléticas • Fraqueza Muscular Alterações Musculoesqueléticas • Dor neuropática; • Vasculares (TVP, hipotensão postural, Disreflexia Autonômica); • Respiratórias; • Úlceras de Pressão; • Função sexual; • Vesicais (bexiga neurogênica); • Intestinais (intestino neurogênico); • Espasticidade/automatismos. Outras Alterações Intervenção fisioterapêutica neurofuncional Utilizar o potencial plástico demonstrado através da escala ASIA na zona de preservação parcial de cada paciente OTIMIZAR FUNÇÃO PROMOVER SUA INDEPENDÊNCIA Intervenção fisioterapêutica neurofuncional • Modulação tônus muscular; • Fortalecimento muscular acima do nível da lesão; • Manter/melhorar amplitudes articulares; • Manter/melhorar equilíbrio (estatico/ortostase) e controle postural; • Prevenir encurtamentos e deformidades; • Prevenir demais complicações... Fisioterapia presente desde a fase aguda da lesão! “Nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez.”