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Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) Cirurgia Geral CIRURGIA GERAL TRAUMA CRANIOENCEFÁLICO (TCE) CIR Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) ÍNDICE 3 3 12 13 19 19 22 24 29 12 36 INTRODUÇÃO ANATOMIA E FISIOPATOLOGIA AVALIAÇÃO INICIAL DO TCE LESÕES INTRACRANIANAS CONDUTAS DE ACORDO COM A GRAVIDADE: - TCE LEVE - TCE MODERADO - TCE GRAVE CONCLUSÃO BÔNUS: MORTE ENCEFÁLICA Bibliografia CIR 2 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) INTRODUÇÃO Fala, galerinha! Mais uma apostila de Trauma por aqui, sendo essa de Trauma Crânio-Encefálico (o famoso TCE). Galerinha, as lesões cranioencefálicas encontram-se entre os tipos de trauma mais frequentemente vistos nos Departamentos de Emergência, sendo que muitos destes doentes morrem antes mesmo de chegar ao hospital. Dos pacientes que recebem atendimento médico, aproximadamente 75% podem ser classificados como vítimas de trauma leve, 15% como trauma moderado e 10% como vítimas de trauma grave. Além disso, o TCE representa uma das principais causas de morbimortalidade no Brasil, sendo considerado um problema de saúde pública, por afetar diretamente uma faixa etária ativa da população e, geralmente, apresentar prejuízos funcionais às vítimas. O principal perfil de acometimento no país são adultos jovens, do sexo masculino. Pessoal, vamos raciocinar: os gastos com as internações em decorrência de TCE são muito mais elevados que os gastos com a prevenção! Dessa forma, medidas educativas, de prevenção e de estímulo ao cuidado com a segurança e a prudência são essenciais! Assim como a Lei Seca, que está relacionada à diminuição de acidentes de trânsito e, consequentemente, nas internações de vítimas de TCE. Agora que entendemos um pouco da importância desse tema - para as provas de residência, mas especialmente para a vida, vamos juntos aprender um pouco mais sobre TCE? ANATOMIA E FISIOPATOLOGIA CIR 3 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) Galerinha, anatomia e fisiologia de neuro é um assunto que muitos de nós vimos no comecinho da faculdade, não é mesmo? Vamos revisar um pouco, para entender melhor as consequências dos traumas nessa região? Pessoal, lembrando: o encéfalo é formado pelo cérebro, cerebelo e tronco cerebral. O cérebro é composto pelos hemisférios direito e esquerdo, separados pela foice cerebral. O lobo frontal controla as funções de execução, emoções, motora e, no lado dominante, a expressão da fala. O lobo parietal é o responsável pela função sensorial e a orientação espacial. O lobo temporal relaciona-se a funções da memória. E o lobo occipital vai ser responsável pela visão. Até aí tudo bem? Agora o tronco cerebral é constituído por mesencéfalo, ponte e bulbo. O mesencéfalo e a parte superior da ponte contêm o sistema ativador reticular, que é responsável pelo estado de alerta. No bulbo, alojam-se centros cardiorrespiratórios vitais. O cerebelo é o responsável principalmente pela coordenação e pelo equilíbrio. OK, agora vamos revisar as camadas que revestem o sistema nervoso - as meninges! Consistem em três camadas: dura-máter, aracnoide e pia-máter. A dura-máter é uma membrana resistente e fibrosa que se adere à superfície interna do crânio, sendo que as artérias meníngeas correm entre a dura-máter e a superfície interna do crânio no espaço epidural (aqui tá uma informação importante para a nossa prática: fraturas cranianas acima dessas artérias podem lacerá-las e resultar em hematoma epidural! A artéria meníngea média, que se encontra localizada sobre a fossa temporal, é o vaso meníngeo lesado com maior frequência. Abaixo da dura-máter, situa-se a segunda meninge, a membrana aracnoide, que não está firmemente aderida a dura-máter CIR 4 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) adjacente, existindo assim um espaço potencial (o espaço subdural) em que podem ocorrer hemorragias. A terceira meninge, a pia-máter, está firmemente aderida à superfície do cérebro. O líquido cefalorraquidiano (LCR) preenche o espaço entre a aracnoide impermeável e a pia-máter (o espaço subaracnoideo), acolchoando o cérebro e a medula espinhal. Hemorragia para dentro desse espaço preenchido de líquido (hemorragia subaracnoidea) é frequentemente acompanhada por contusão cerebral ou trauma de grandes vasos na base do encéfalo. Legenda: As setas representam a produção, circulação e reabsorção do fluido cerebroespinhal. Fonte: ATLS 10 edição CIR 5 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) Legenda: Esquema topográfico das meninges. Fonte: ATLS 10 edição CIR 6 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) CIR 7 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) CIR 8 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) OK, neuroanatomia estamos fera! E a fisiologia? Onde entra? Galerinha, os conceitos fisiológicos relacionados ao TCE incluem três principais conceitos: a pressão intracraniana, a doutrina de Monro-Kellie e o fluxo sanguíneo cerebral. CIR 9 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) 1 - Pressão Intracraniana (PIC): consiste na pressão exercida pelo líquor em seu trajeto no espaço subaracnóideo. A PIC normal no estado de repouso é aproximadamente 10 mmHg, sendo que pressões maiores do que 20 mmHg, especialmente se mantidas e refratárias ao tratamento, são associadas a pior prognóstico no TCE. 2 - Doutrina de Monro-Kellie: A doutrina afirma que o volume total do conteúdo intracraniano deve permanecer constante, visto que o crânio é uma caixa não expansível. Quando o volume intracraniano aumenta, a PIC também aumenta, o que pode levar com que o sangue venoso e o LCR sejam ser comprimidos para fora do espaço intracraniano dando algum grau de compensação à pressão. Entretanto, uma vez atingido o limite de deslocamento do LCR e do sangue intravascular, a PIC aumenta rapidamente, gerando uma curva com ponto de inflexão conhecido como ponto de descompensação do TCE, quando o aumento do volume da intracraniano leva a um aumento da PIC que pode resultar em herniação cerebral e diminuição da pressão de perfusão cerebral (PPC). CIR 10 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) Legenda: Vocês podem ver que a PIC não se altera com o crescimento em volume da massa até o ponto de descompensação em que a PIC se eleva rapidamente. Esse é o momento em que tudo vai ladeira abaixo! Fonte: Wilson MH. Monro-Kellie 2.0: The dynamic vascular and venous pathophysiological components of intracranial pressure. J Cereb Blood Flow Metab. 2016;36(8):1338-1350. doi:10.1177/0271678X16648711 3 - Fluxo Sanguíneo Cerebral (PPC): a pressão de perfusão cerebral (PPC) é definida como pressão sanguínea arterial média (PAM) menos a pressão intracraniana, e reflete o fluxo sanguíneo direcionado ao encéfalo. CIR 11 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) A PAM entre 50 e 150 mmHg é “auto-regulada” para manter o fluxo sanguíneo cerebral constante. Contudo, o TCE grave pode prejudicar essa auto-regulação pressórica de tal modo, que o cérebro acaba ficando incapaz de compensar adequadamente as mudanças na PPC. Assim, se a PAM for muito baixa, pode ocorrer isquemia e infarto, e, se a PAM for muito alta, pode ocorrer “inchaço” com aumento da PIC. Valores de PIC > 20 mmHg são classificados como hipertensão intracraniana grave e podem resultar em isquemia cerebral. AVALIAÇÃO INICIAL DO TCE Pessoal, assim como qualquer trauma, os pacientes vítimas de TCE também devem ser atendidos conforme o protocolo de atendimento do ATLS. A investigação neurológica na avaliaçãoprimária está na letra D (= Disability), se apoiando no nível de consciência e na avaliação da pupila, no entanto, devemos avaliar todo o ABC antes! Após a realização do ABCDE, os doentes que são identificados por meio da avaliação clínica como doentes com TCE, necessitam de estratificação de risco a partir da escala de Glasgow e achados em exame complementar, como a tomografia de crânio, a qual é indicada em alguns casos, conforme veremos adiante. CIR 12 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) LESÕES INTRACRANIANAS Galera, vamos classificar lesões intracranianas como focais ou difusas, a depender do nível de acometimento encefálico, contudo, precisamos estar atentos, pois as duas formas de lesão frequentemente coexistem! Difusas: decorrem de mecanismos de aceleração e desaceleração do encéfalo dentro do crânio durante o trauma. Geralmente, são duas as principais lesões decorrentes deste mecanismo: Concussão cerebral: caracterizada por um distúrbio neurológico não focal transitório que frequentemente inclui • • CIR 13 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) perda de consciência, que geralmente é inferior a 6 horas de duração, podendo este tempo ser variável, após o qual o paciente recobra a consciência sem déficit neurológico associado. Na concussão, a TC pode, inicialmente, ser normal, ou apresentar edema difuso do cérebro, com perda da distinção habitual entre cinza e branco. Lesão Axonal Difusa (LAD): decorre de impactos de alta velocidade ou em lesões por desaceleração que causam o cisalhamento entre a susbstância encefálica, o que pode produzir hemorragias pontilhadas em todos os hemisférios cerebrais, concentrando-se nos limites entre as substâncias cinzenta e branca. Clinicamente, se apresenta com perda de consciência prolongada, geralmente superior a 6 horas. Nesses casos, a TC pode ser inicialmente normal, o que confere o achado de 'dissociação clínico-radiológico' - um paciente apresenta-se com importante alteração do Glasgow, mas as lesões observáveis na tomografia são relativamente discretas. Isto ocorre porque as rupturas axonais são microscópicas, não permitindo visualização em exames de imagem. O desfecho clínico é variável, porém, em geral, reservado. Focais: incluem as lesões caracterizadas por sangramentos delimitados. Hematoma Epidural ou Extradural: são relativamente raros, ocorrendo em 0,5% de todos os doentes com TCE. Esses hematomas tipicamente adquirem a forma biconvexa à medida em que “empurram” a dura-máter, aderida a calota craniana, em direção oposta à da tábua interna do crânio. Estão mais frequentemente localizados na região temporal ou temporoparietal e habitualmente resultam da ruptura da artéria meníngea média causada por uma fratura, sendo a • • • CIR 14 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) origem arterial a principal fonte de sangramento. Clinicamente, pode se apresentar com a presença de um intervalo lúcido, que é o intervalo de tempo entre o momento da lesão e a deterioração neurológica. Legenda: Hematoma Extradural/Epidural. Note a presença de fratura temporo-parietal esquerda associada a sangramento focal de padrão biconvexo (seta verde) associado ao desvio de estruturas e compressão do ventrículo adjacente (seta amarela) Fonte: ATLS 10 edição CIR 15 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) Hematoma Subdural: são mais comuns (aproximadamente 30% dos TCE graves), ocorrem mais frequentemente por dilaceração de vasos superficiais pequenos ou vasos em ponte do córtex cerebral. Assumem um padrão tomográfico em crescente, que se molda à forma do contorno do cérebro. Galera, por conta da lesão parenquimatosa concomitante presente no hematoma subdural, o comprometimento cerebral subjacente a ele costuma ser muito mais grave do que nos hematomas epidurais. • CIR 16 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) Legenda: Hematoma subdural. Note o padrão de sangramento em crescente (seta verde) que se molda ao contorno da calota craniana, associado a presença de edema e desvio de estruturas adjacentes (seta amarela). Fonte: Rincon S, Gupta R, Ptak T. Imaging of head trauma. Handb Clin Neurol. 2016;135:447-477. doi:10.1016/B978-0-444-53485-9.00022-2 Contusões e Hematomas Intracerebrais: ocorrem em cerca de 20% a 30% dos TCE graves, sendo que a maioria das • CIR 17 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) contusões ocorre nos lobos frontal e temporal. Essas lesões podem em um período de horas ou dias, evoluir para formar um hematoma intracerebral ou uma contusão adjacente capaz de gerar um efeito de massa suficiente para deslocar estruturas, o que pode exigir evacuação cirúrgica imediata. Por esta razão, doentes com contusão devem ser submetidos a tomogradias de controle para avaliar as mudanças no padrão da contusão nas 24 horas após a TC de crânio inicial. CIR 18 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) Legenda: Hemorragia intraparenquimatosa direita (seta verde), com desvio de linha média da direita para a esquerda e hemorragias biventriculares associadas (seta amarela). Fonte: ATLS 10 edição CONDUTAS DE ACORDO COM A GRAVIDADE: TCE LEVE Trauma craniencefálico leve é definido por um escore de 13 a 15 na Escala de Coma de Glasgow (GCS) após a reanimação. Frequentemente, estes doentes sofrem uma concussão e podem apresentar-se sem alteração do nível de consciência ou ainda com uma história de perda transitória da consciência após um TCE. Para este e outros casos, a tomografia de crânio está indicada no TCE leve nas seguintes condições: CIR 19 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) O exame a ser solicitado é uma tomografia de crânio sem contraste, pois, na fase aguda, sangue adquire um aspecto “branco” (hiperdensidade) na tomografia, conforme vimos em imagens acima. Se a gente observar anormalidades na TC, ou se o paciente fica sintomático ou neurologicamente anormal, devemos hospitalizá-lo e um neurocirurgião deve ser consultado. Caso o paciente se mantenha assintomático, e neurologicamente normal, ele poderá ser observado por algumas horas, reexaminado, e, se ainda estiver tudo OK, podemos dar alta com segurança, porém, MUITO CUIDADO! O doente deve receber alta com ORIENTAÇÕES (de preferência escritas, geralmente em um Formulário de orientações ao TCE, padronizado pela instituição) - aos cuidados de um acompanhante que possa ficar junto e observá-lo durante as próximas 24 horas, com acesso fácil ao hospital caso necessite retornar em caso de intercorrências. CIR 20 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) CIR 21 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) Legenda: Algoritmo para o Tratamento do Trauma Craniencefálico Leve. Fonte: ATLS 10 edição TCE MODERADO Trauma craniencefálico moderado é definido por um escore de 9 a 12 na Escala de Coma de Glasgow (GCS). Aproximadamente 15% dos doentes com trauma cranioencefálico apresentam TCE moderado. Esses doentes em geral estão confusos ou sonolentos e podem CIR 22 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) apresentar déficit neurológico focal como hemiparesia. Aproximadamente 10% a 20% destes doentes apresentam piora e entram em coma. Por este motivo, é crítico realizar avaliação neurológica seriada para tratar estes doentes. Ao contrário dos casos de TCE leve, TODOS os doentes com TCE moderado necessitam tomografia de crânio e de hospitalização para observação e frequente reavaliação neurológica nas primeiras 12 a 24 horas, sendo recomendada a realização de uma TC de controle em 24 horas, se a TC inicial for anormal ou houver deterioração do estado neurológico. Legenda: Algoritmo para o Tratamento do Trauma Craniencefálico Moderado. Fonte:ATLS 10 edição CIR 23 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) TCE GRAVE Trauma craniencefálico grave é definido por um escore de 3 a 8 na Escala de Coma de Glasgow (GCS). Aproximadamente 10% dos pacientes vítimas de lesão cerebral apresentam lesão cerebral grave. Doentes que sofreram TCE grave não são capazes de obedecer ordens simples, mesmo após estabilização cardiopulmonar. Embora essa definição inclua um amplo espectro de lesões cerebrais, ela identifica os doentes que apresentam o maior risco de sofrerem morbidade e mortalidade significativas. Portanto, a conduta imediata para estes pacientes, após estabilização inicial, é realização de um tomografia de crânio (assim que obtiver condição clínica), e avaliação neurocirúrgica. CIR 24 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) Legenda: Algoritmo para o Tratamento do Trauma Craniencefálico Grave. Fonte: ATLS 10 edição No TCE grave, a lesão primária no tecido nervoso já ocorreu, de forma que devemos tomar condutas para evitar a lesão cerebral secundária por isquemia ou hipóxia em um cérebro já comprometido, sendo assim necessária a otimização de medidas de aumentem a Pressão de Perfusão Cerebral (PPC), a qual é resultado da Pressão Arterial Média (PAM) menos a Pressão Intracraniana (PIC). Logo, medidas que aumentem a PAM e diminuam a PIC são o principal foco. CIR 25 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) Além dessas duas medidas, outros cuidados devem ser observados: Intubação e ventilação mecânica objetivando SatO2 > 95%, PaCO2 entre 35 e 45 mmHg e pH entre 7,35 e 7,45. A hiperventilação “lava” CO2 (PaCO2 entre 25 e 30 mmHg) e leva à vasoconstrição cerebral, de forma que temos redução da PIC às custas de redução de fluxo sanguíneo cerebral. Ou seja, se a hiperventilação for prolongada e agressiva, temos risco de isquemia. Contudo, a hiperventilação pode ser indicada por períodos curtos em pacientes com deterioração neurológica súbita enquanto outras medidas não são associadas. Note que a hiperventilação terapêutica deve ser uma ponte para o tratamento efetivo. PAS ≥ 100 mmHg e PAM > 80-90 mmHg e PIC entre 20-25 mmHg para manter boa pressão de perfusão cerebral (PPC). Essas metas podem ser atingidas através da expansão volêmica endovenosa, conduto pode ser necessário o uso de drogas vasopressoras no caso de sobrecarga hídrica. Normoglicemia (entre 80-180 mg/d): deve-se evitar tanto a hipo (principalmente), quanto a hiperglicemia, graças ao risco de agravamento da lesão neurológica Normonatremia (Sódio/Na entre 135-145): Hiponatremia deve ser evitada pois isto pode agravar o edema cerebral. • • • • CIR 26 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) Normotermia ( temperaturaclasses profissionais descritas, e com um intervalo de tempo pré-estabelecido de acordo com a idade do paciente. De forma simples, “quanto maior for a idade do paciente, menor o tempo entre os exames clínicos”, uma vez que crianças costumam se recuperar de lesões cerebrais extremamente graves. • • • • • • CIR 31 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) 2. Teste da apnéia: Deve ser realizado por um dos médicos avaliadores e consiste na detecção de ausência de movimentos respiratórios após um estímulo de hipercapnia. Abaixo encontra-se a descrição de como realizar este teste: Pré-oxigenação com O2 a 100% por 10 minutos Solicitar gasometria arterial idealmente apontando hiperoxia (PaO2 ≥200 mmHg) e normocapnia (PaCO2 35-45 mmHg) Desconectar ventilação mecânica Observar ausência de movimentos respiratórios por 10 minutos Nova gasometria arterial com PaCO2 >55 mmHg (vemos ausência de movimento respiratório na presença de hipercapnia, configurando um teste positivo) Reconectar ao ventilador mecânico • • • • • • CIR 32 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) 3. Exames complementares: obrigatória a realização de pelo menos um dos seguintes testes, os quais comprovam e documentam a ausência de atividade encefálica: Eletroencefalograma (EEG): laudo de ausência de atividade elétrica encefálica; Arteriografia ou USG Doppler transcraniano: laudo de ausência de perfusão sanguínea encefálica; Cintilografia cerebral: laudo de ausência de atividade metabólica encefálica. Após seguirmos todos os passos preconizados, a declaração de óbito (DO) deverá ser preenchida com o horário do último exame realizado para preencher o protocolo. Se a morte for em decorrência de causas externas, a DO deverá ser preenchida pelo médico do IML (Instituto Médico Legal), e o médico assistente deverá preencher o Termo de Declaração de Morte Encefálica. Vale também lembrar que diante de um caso de morte encefálica, devemos notificar de forma compulsória a Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDOs), independentemente do desejo de doação. • • • CIR 33 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) CIR 34 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) Pronto, galera, agora parece que acabou mesmo! Ufa! Ainda não está totalmente seguro? Aproveita, então, para dar uma revisada lá em cima e fazer várias questões para consolidar esse conhecimento! CIR 35 Cirurgia Geral Trauma Cranioencefálico (TCE) Bibliografia ATLS 10 edição MEDICINA DE EMERGÊNCIA - ABORDAGEM PRÁTICA. Velasco, Brandão Neto, Marino, Marchini, De Alencar, De Souza. 14 ed, 2020. SABISTON TRATADO DE CIRURGIA. Towsend, Beauchump, Evers, Mattox. 20 ed, 2019. 1. 2. 3. CIR 36 Sobre a Medway O único preparatório 100% focado em São Paulo A Medway é o único curso preparatório para a residência médica 100% focado nas instituições de São Paulo. Preparamos nosso material com didática padrão-ouro vinda de nossos professores especialistas que já foram residentes onde você quer passar. Nosso maior objetivo é ajudar nossos alunos a conquistarem a residência dos sonhos. E para isso, nos certificamos de estarmos juntos até o final. juntos até o final! Você em 1º lugar na residência dos seus sonhos! A sua aprovação pode ser a próxima a aparecer aqui! Seu nome na lista de aprovados Henrique Bosso 2º lugar na Unifesp em Oftalmologia Beatriz Aveiro 1º lugar no HIAE em Medicina Intensiva Raphaela Bastos 3º lugar na USP-RP em Dermatologia