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DISTÚRBIOS DO MOVIMENTO Distúrbios do movimento podem ser definidos de duas formas, sendo elas: 1 - Disfunções neurológicas caracterizadas por pobreza ou lentidão dos movimentos voluntários na ausência de paresia ou paralisia 2 - Atividade motora involuntária: Representada pelos diversos tipos de hipercinesia. Com isso, distúrbios do movimento podem ser classificados com base nas características que eles promovem no movimento, sendo os principais distúrbios do movimento vistos na prática clínica os seguintes: ● Síndromes Parkinsonianas ● Tremor ● Coreias ● Distonias ● Mioclonias Abaixo será falado dos distúrbios de movimento mencionados acima SÍNDROMES PARKINSONIANAS A Síndrome Parkinsoniana talvez seja o distúrbio mais frequente da prática clínica, entretanto, apesar do nome remeter a Doença de Parkinson(DP), está é a principal porém não a única causa de parkinsonismo, como será visto DEFINIÇÃO O parkinsonismo é definido como a BRADICINESIA somado a pelo menos uma das três manifestações abaixo: ● 1 – Tremor de repouso ● 2 – Rigidez: Pela hipertonia plástica, aquela com aumento de resistência em todo movimento ● 3 – Instabilidade postural: Pela perda de reflexos relacionados a manutenção postural A bradicinesia é um sintoma obrigatório e o mais importante no parkinsonismo, sendo definido como pobreza e lentidão na execução de movimentos DOENÇA DE PARKINSON Como dito, a DP é a principal causa de parkinsonismo, acometendo sobretudo idosos acima de 60 anos, mais homens do que mulheres Frequentemente a DP acompanha outros sintomas que não apenas o parkinsonismo, como será visto adiante FISIOPATOLOGIA A DP é considerada uma sinucleinopatia, pois ela tem sua gênese em alterações na alfa-sinucleína, que é um componente normal da sinapse neuronal. Acredita-se que na DP exista um aumento inicial da concentração de alfa-sinucleína, que começam a se acumular e aglomerar, formando filamentos, não se sabendo o gatilho ou motivo que leve a isso. Com isso, a alfa-sinucleína que se agregou fica instável, levando a uma morte neuronal de neurônios dopaminérgicos, os quais estão localizados na Substância Nigra e são responsáveis pelas aferências inibitórias e excitatórias do Núcleo da Base, que são aqueles grupos de neurônios envolvidos com a regulação e coordenação da ordem dos movimentos vindas do córtex, ocasionando no Parkinsonismo. Em análises histológicas dos gânglios da base de pessoas que tinham DP e morreram, também é visto o acúmulo de Córpusculos de Lewy, que é um aglomerado de proteínas, dentre elas a alfa-sinucleína Imagem mostrando o apagamento da substância nigra na letra B em comparação com a imagem da letra A, na C uma imagem normal, na D os neurônios dopaminérgicos sumiram. A imagem E mostra um Corpúsculo de Lewy SISTEMAS AFETADOS Atualmente sabe-se que a DP não acomete apenas o sistema motor, interferindo em diversos outros neurotransmissores como: ● Serotoninérgico ● Noradrenérgico ● Colinérgico ● Dopaminérgico Isso explica em grande parte as manifestações extra-motoras da DP que serão faladas a frente ELEMENTOS QUE CORROBORAM O DIAGNÓSTICO (GREEN-FLAGS) Existem green-flags que corroboram o diagnóstico de DP, excluindo-se outras causas possíveis de parkinsonismo, sendo as green-flags as seguintes características: ● Hiposmia: Talvez seja um dos primeiros sintomas a surgir, porém poucas pessoas percebem, isto pois os neurônios dopaminérgicos também possuem ações no bulbo olfatório. ● Tremor de repouso: Pode existir o tremor de ação na DP, porém o mais característico é o de repouso ● Início unilateral: O tremor costuma iniciar por um lado, e este lado sempre será o pior com o avançar da doença ● Curso progressivo e insidioso: Levando anos para a pessoa ir perdendo os movimentos ● Curso clínico de maior ou igual a 10 anos: Como dito, a DP é uma doença insidiosa ● Alucinações visuais: Diferentemente de doenças psiquiátricas que as alucinações são predominantemente auditivas ● Excelente resposta a L-Dopa: A levodopa é a principal droga no tratamento da DP, pois ela aumenta a dopamina e melhora as manifestações motoras. Portanto, uma resposta excelente a este fármaco é o esperado na DP. ● Resposta a L-Dopa por 5 anos ou mais: Visto que a doença é insidiosa e a L-Dopa é o melhor tratamento disponível, ela deve sustentar sua resposta por um longo tempo até que a morte neuronal seja expressiva. ● Coreia induzida por L-Dopa: É visto em fases mais avançadas da doença SINTOMAS NÃO-MOTORES Como dito, a DP não afeta apenas o sistema motor, levando a diversas outras manifestações com o avançar da doença e pela interferência em outros sistemas: ● Hiposmia: Como dito anteriormente ● Depressão e ansiedade: Pois a DP afeta também a serotonina, além de afetar a função da dopamina na emoção e prazer ● Dor: É uma queixa frequente, gerado pela hipertonia e própria doença, a dor tende a melhorar com o tratamento da DP ● Alterações autonômicas: Como constipação, retenção urinária, hipotensão postural ● Alterações cognitivas: Existe a demência da DP, porém ela aparece em fases mais avançadas da doença, surgindo após um certo tempo de manifestações motoras ● Distúrbios do sono: Como distúrbio comportamental do sono REM, insônia, sonolência excessiva diurna, síndrome das pernas inquietas, sonhos vividos (a pessoa tem pesadelo e bate em quem dorme ao seu lado, por exemplo) EXAME FÍSICO No exame físico de alguém com parkinsonismo, pode-se observar: ● Rigidez a movimentação passiva: Pelo aumento de tônus, é uma rigidez que independe da velocidade do movimento, dando o sinal da roda-denteada. É diferente da síndrome piramidal que tem o sinal do canivete, sendo aquela resistência que é maior no início do movimento e também com o aumento da velocidade ● Hipertonia dos músculos agonistas e antagonistas ● Retropulsão exagerada: Ao puxar a pessoa com parkinsonismo para trás, ela tem um recuo muito maior que o considerado normal, que seria 2 passos ● Instabilidade postural: Com dificuldade de locomoção ● Marcha em bloco ● Bradicinesia: Movimentos mais lentos e pobreza dos movimentos ● Tremor de repouso: Que tende a piorar durante a marcha EVOLUÇÃO DA DOENÇA Apesar de as pessoas acharem que a DP surge e progride em cerca de 10 anos, estudos mostram que a doença na realidade surge cerca de duas décadas antes do início das manifestações dos sintomas, com a presença sobretudo de manifestações não-motoras como constipação, problemas no sono, hiposmia, depressão Apenas após este tempo que começam a surgir as manifestações motoras, alterações cognitivas, sendo este período o qual o diagnóstico de DP é efetivamente dado TRATAMENTO As principais classes farmacológicas usadas no tratamento da DP são: ● Inibidores da MAO tipo B: Como selergilina e razagilina, sendo a MAO B a enzima que degrada a dopamina. ● Antagonistas NMDA: Como a amantadina, que promove um aumento da liberação de dopamina e bloqueiam sua recaptação, sendo uma alternativa ao IMAO-B. ● Agonistas dopaminérgicos: Pramipexole, rotigotina, atuam estimulando diretamente os receptores dopaminérgicos ● Levodopa: É a melhor droga para o tratamento de DP, podendo começar logo no início da doença, é uma droga análoga da dopamina que atravessa a BHE ● Inibidores da COMT: São utilizados em fases mais tardias da doença, sendo a COMT a enzima que metaboliza a levodopa, portanto, ao inibir a COMT ocorre aumento da oferta de levodopa. Um exemplo deste fármaco é a entacapona. Fora isso, também são necessárias medidas de tratamento não-farmacológica, como fisioterapia para ajudar na instabilidade e melhora dos movimentos e também a fonoterapia, visto que tais pacientes também desenvolvem disfagia. COMPLICAÇÕES DO TRATAMENTO Com o decorrer do tratamento, podem surgir complicações do tratamento como: ● Wearing-Off: É o retorno dos sintomas com menos de 4hrs da última dose de levodopa, isso acontece, pois, as drogas vão ficando cada vez menos eficazes com o decorrer da doença.● Efeito On-Off: Sem relação com o horário da levodopa, existem oscilações em um período na qual o fármaco faz efeito(Período On) e que não faz (Efeito Off). ● Bloqueio motor (Freezing): O paciente abruptamente torna-se incapaz de se movimentar, fica “travado” ● Discinesias: Podem surgir movimentos coreícos durante o uso da levodopa (É UMA GREEN-FLAG) TRATAMENTO CIRÚRGICO Existe uma opção de tratamento cirúrgico para a DP, que é a estimulação cerebral profunda, na qual existe o implante de eletrodos no núcleo subtalâmico ou globo pálido interno Entretanto, tal tratamento melhora apenas os sintomas motores como acinesia, rigidez, tremor, distonias dolorosas, discinesias. Os sintomas axiais não melhoram com este tipo de tratamento. Os pacientes que mais possuem benefício com este tipo de tratamento são aqueles que estão melhor no período On da levodopa Isto não substitui o tratamento com levodopa, apenas reduz a dose de medicamento necessária. OUTRAS CAUSAS DE PARKINSONISMO Existem diversas outras causas de parkinsonismo, sendo elas: ● Parkinsonismo farmacológico: Provocado por diversas medicações, sobretudo antipsicóticos de 1ª geração(neurolépticos) ● Vascular: Problemas vasculares também podem promover parkinsonismo ● Outras sinucleinopatias: Como a Demência por Corpúsculos de Lewy, Atrofia de múltiplos sistemas, paralisia supranuclear progressiva Abaixo será falado das outras causas de parkinsonismo PARKINSONISMO FARMACOLÓGICO O parkinsonismo farmacológico é causado pelo uso de alguns fármacos que podem interferir na função motora do corpo, sendo os dois principais: ● 1º - Neurolépticos: São os antipsicóticos típicos, os atípicos(2ª geração) possuem menor chance, mas ainda possuem. Os antipsicóticos interferem na função da dopamina ao bloquear seus receptores. ● 2º - Bloqueadores do Canal de Cálcio: Principalmente pela flunarizina Outros fármacos tais como amiodarona, lítio, ISRS, valproato de sódio, também podem causar ocasionalmente o parkinsonismo Ao retirar o fármaco pode demorar meses ou até mesmo não melhorar o quadro de parkinsonismo, nos que não melhoram, acredita-se que já existia uma DP subclínica que foi “adiantada” pelo uso do fármaco PARKINSONISMO VASCULAR O parkinsonismo vascular também pode existir, na qual existem diferenças importantes no quadro clínico de um paciente com parkinsonismo vascular, sendo as manifestações clínicas destes pacientes: ● Acometimento principalmente axial: A marcha é a manifestação mais importante do parkinsonismo vascular ● Alterações de reflexos posturais e freezing: São mais frequentes ● Tremor: É raro ser visto tremor no parkinsonismo vascular ● Resposta pobre a levodopa: Como dito, a resposta a levodopa é um green-flag para o diagnóstico de DP, sendo que no parkinsonismo vascular a levodopa não melhora as manifestações A principal causa de parkinsonismo vascular são pequenos AVC’s que a pessoa sofreu ao longo do tempo DEMÊNCIA POR CORPÚSCULO DE LEWY A DCL é outra sinucleinopatia que possui como uma de suas manifestações o parkinsonismo, sendo que a DCL é uma demência subcortical que simula uma demência frontal A DCL é a 2ª-3ª causa mais frequente de demência, na qual existe inclusões dos Corpúsculos de Lewy em neurônios CORTICAIS, e não subcorticais(como na DP) QUADRO CLÍNICO O quadro clínico da DCL é composto de: ● Parkinsonismo + Demência: Diferentemente da DP que a demência surge apenas em fases mais tardias, cerca de 1 ano após o início das manifestações, na DCL demência já se manifesta em fases mais precoces da doença ● Flutuação dos sintomas cognitivos em minutos ou horas: A flutuação de sintomas é outra marca da DCL ● Relativa preservação da memória ● Alucinações visuais detalhadas, vívidas e recorrentes: Alucinações visuais vivas são uma marca da DCL ● Parkinsonismo: Costuma ser mais geral com padrão rígido-acinético e SIMÉTRICO, diferente da DP que tem um lado mais acometido(assimetria). Ou seja, as principais diferenças da DCL para a DP são o início da demência, que na DCL é mais precoce e na DP a demência é precedida por pelo menos um ano de parkinsonismo, e a flutuação dos sintomas, que é característico da DCL TRATAMENTO O tratamento da DCL é feito através de: ● Levodopa: Resposta pobre, além disso, o uso de levodopa na DCL pode piorar alucinações e sintomas comportamentais ● Neurolépticos: Na DCL a pessoa possui hipersensibilidade a neurolépticos, que agravam o parkinsonismo e podem gerar a síndrome neuroléptica maligna ● Inibidores da acetilcolinesterase: São indicados na DCL, pois melhora a apatia, sonolência, delírio e alucinações, visto que na DCL também existe grave déficit de acetilcolina, um exemplo é a rivastigmina ATROFIA DE MÚLTIPLOS SISTEMAS A atrofia de múltiplos sistemas(AMS) também é uma sinucleopatia que cursa com parkinsonismo, na qual o quadro clínico é uma combinação variável dos seguintes sintomas: ● Parkinsonismo: SIMÉTRICO, sem ou com pouco tremor ● Levodopa: Resposta não sustentada ou pobre a L-dopa ● Disfunções autonômicas: Como hipotensão postural, impotência, retenção urinária ou incontinência urinária ● Sintomas cerebelares: Podem estar presentes EXAMES COMPLEMENTARES Na AMS, é possível observar algumas alterações na TC e RM, sendo elas: ● Atrofia do cerebelo e ponte: Caso existam sintomas cerebelares ● Hipodensidade em T2 no putâmen OBS: Sempre pedir neuroimagem na suspeita de DP para excluir outras causas. DEGENERAÇÃO CORTICOBASAL (TAUPATIA) A degeneração corticobasal é uma taupatia, porém que possui parkinsonismo como uma de suas manifestações, sendo que o quadro clínico difere da DP QUADRO CLÍNICO O quadro clínico da degeneração corticobasal é composto de: ● Rigidez e Bradicinesia ASSIMÉTRICA: Geralmente envolvendo apenas um membro, que fica rígido ● Fenômeno do membro alienígena: A pessoa relata que parece que o membro tem vida própria ● Apraxia: É um sintoma importante no membro afetado, sendo a apraxia a incapacidade de executar movimentos coordenados ● Perda sensorial cortical: Com alteração da discriminação de dois pontos, aesterognosia(incapacidade de reconhecer objetos pelo tato), disgrafoestesia ● Demência: Com alterações das funções executivas e disfunção parietal ● Resposta pobre a levodopa: A levodopa também tem pouca função nesta patologia EXAME DE IMAGEM No exame de neuroimagem da degeneração corticobasal é possível ver uma atrofia cerebral e pontina ASSIMÉTRICA PARALISIA SUPRANUCLEAR PROGRESSIVA A PSP é uma taupatia rara, com prevalência de 5/100.000 pessoas QUADRO CLÍNICO O quadro clínico da PSP é chama de Sd. De Richardson, que é composta de: ● Parkinsonismo SIMÉTRICO E AXIAL ● Instabilidade postural: Aumentando a quantidade de quedas, sobretudo para trás, é uma manifestação clássica da PSP ● Paralisia supranuclear do olhar vertical: Com alteração do movimento conjugado voluntário dos olhos, sobretudo o olhar vertical. Os reflexos oculares estão preservados. ● Demência frontal-subcortical ● Resposta pobre a levodopa Existem diversas outras formas de PSP, como a com acinesia pura e freezing de marcha, afasia progressiva não-fluente, podendo simular outras doenças EXAME DE IMAGEM Nos exames de imagem da PSP é possível ver atrofia do mesencéfalo dorsal, gerando diversos sinais como: ● Sinal do Beija-Flor ● Sinal da Orelha de Rato ou do Mickey RED-FLAGS Com isso, em contraponto as green-flags anteriormente mencionadas que corroboram o diagnóstico de DP, existem as red-flags que afastam a hipótese de DP, sendo as seguintes manifestações: ● Parkinsonismo BILATERAL E SIMÉTRICO desde o início: Em contraponto a assimetria da DP, visto na DCL e AMS ● Progressão rápida da alteração de marcha: Com necessidade de cadeira de rodas em 5 anos, ao contrário da DP que a doença leva até 10 anos para progredir a este ponto ● Disfunção bulbar precoce: Gerando manifestações como disartria, disfonia grave ou disfagia grave ● Disfunção inspiratória: Com estridor inspiratório diurno ou noturno,suspiros inspiratórios frequentes ● Falência autonômica grave nos primeiros 5 anos de doença: Isto é bem típico da atrofia de múltiplos sistemas ● Quedas recorrentes(mais de 1 episódio por ano): Devido a alterações do equilíbrio dentro dos 3 primeiros anos de doença, fala a favor de PSP ● Sinais piramidais inexplicáveis: Típico de doença vascular TREMOR Agora será falado de outro distúrbio de movimento, os tremores Tremor é definido como um movimento no qual existe uma oscilação rítmica de um determinado segmento corpóreo OBS: No tremor existe contração alternada de antagonistas e agonistas, que é diferente da distonia na qual existe contração simultânea dos agonistas e antagonistas. OBS2: Na mioclonia a oscilação não é rítmica. ETIOLOGIA Existem diversas etiologias para o tremor, sendo elas: ● Fisiológico ● Medicamentoso: O tremor pode ser provocado por cafeína, beta-agonistas, hormônios tireoidianos ● Síndromes Parkinsonianas: Como o tremor de repouso da DP ● Doenças do cerebelo ● Tremor essencial ● Tremor distônico ● Neuropatia periférica TIPOS Como dito, o tremor é uma oscilação rítmica de uma determinada parte do corpo, existindo diversos tipos como: ● Repouso: Como o tremor da DP, que existe no repouso e tende a cessar ou melhorar com o movimento ● Cinético: Tremor de movimento, podendo ser subclassificado como visto abaixo o Cinético simples: Tremor durante movimentos no geral o De intenção: É o tremor cerebelar, como ao tentar aproximar do alvo o Posição específica: É o tremor que ocorre em determinada postura o Tarefa específica: Como um tremor que surge ao escrever o Isométrico TREMOR ESSENCIAL Agora será falado do tremor essencial, uma importante etiologia de tremor, no qual a prevalência do tremor essencial aumenta com a idade, atingindo 5% das pessoas maiores de 65 anos O tremor essencial possui um componente familiar, sendo mais frequente em quem possui familiaridade positiva, além disso, nestes com história familiar positiva ele costuma manifestar-se mais cedo QUADRO CLÍNICO O tremor essencial possui as seguintes características: ● Tremor postural e de ação: Estando presente mesmo na movimentação voluntária ● Piora com: Aumento da idade, estresse ● Melhora com: Uso de álcool ● Parte do corpo afetada: Mãos em quase todos os casos, seguido por cabeça (34%), face e mandíbula(7%), voz(12%), língua(30%), tronco(5) e MMII(30%) TRATAMENTO O tratamento do tremor essencial é preconizado apenas caso ele atrapalhe atividades do dia-a-dia como comer, escrever ou causar constrangimento a pessoa Quando indicado, o tratamento de 1ª linha é o propranolol, ou primidona COREIAS Agora será falado dos movimentos coréicos, que são definidos como movimentos involuntários breves e abruptos, resultantes de um fluxo contínuo de contrações musculares aleatórias Ou seja, são movimentos que parasitam o movimento normal ETIOLOGIA Existem diversas etiologias para a coreia, como: ● Genética: Doença de Huntington, doença de Wilson ● Imunológicas: Coreia de Sydenham(Febre reumática), LES, SAAF, Síndrome Paraneoplásica ● Farmacológicas: Amantadina, anfetamina, anticonvulsivantes, estimulantes do SNC, cocaína, levodopa, dentre outros ● Infecções: Encefalites, parasitárias(neurocisticercose), sífilis, HIV/AIDS e relacionadas(neurotox) ● Endocrinológicas: Insuficiência adrenal, disglicemias, hiper/hipocalcemia, hipernatremia ● Vascular: Pós AVC ● Outras: Anóxia, Kernicterus, falta de B12, pós-TCE DOENÇA DE HUNTINGTON Agora será falada da doença de Huntington, uma causa genética de movimentos coréicos, sendo uma doença rara, com prevalência de 3-7/100.000hab A Doença de Huntington(DH) é uma doença AUTOSSÔMICA DOMINANTE com penetrância completa, relacionada ao cromossomo 4. Ou seja, quem tem história familiar, irá ter a doença. FISIOPATOLOGIA A fisiopatologia da DH ocorre devido a um erro genético que promove uma repetição excessiva do nucleotídeo CAG no gene da proteína Huntigtina, levando a um acúmulo desta proteína no núcleo dos neurônios, a qual promove morte neuronal Quanto mais cedo começa a haver a repetição excessiva do CAG, mais cedo ocorre o óbito Além disso, na DH comumente a doença começa a se manifestar cada vez mais cedo com o passar das gerações QUADRO CLÍNICO O quadro clínico da DH tem início geralmente em torno dos 30-40 anos, sendo composto de: Distúrbios Psiquiátricos + Demência Subcortical + Distúrbios do Movimento Abaixo será falado dos três sintomas acima: ● Distúrbios psiquiátricos: Podem ser compostos de depressão, ansiedade, suicídio, alcoolismo, psicose ● Demência subcortical: Pode existir alteração da personalidade, impulsividade, esquecimento leve, pensamento lentificado, falta de iniciativa e humor deprimido ● Distúrbios do movimento: Sendo o principal e mais comum a Coreia, porém de forma menos comum pode haver parkinsonismo EXAMES COMPLEMENTARES Nos exames de neuroimagem é possível ver a alteração da conformação do corno anterior do ventrículo lateral devido a ATROFIA DO NÚCLEO CAUDADO Além disso, é possível diagnosticar a doença através da identificação do distúrbio genético na análise de DNA do sangue. COREIA DE SYNDEHAM A Coreia de Sydenham é a coreia autoimune mais comum, provocada pela febre reumática na infância A idade de início da Coreia de Sydednham é em torno de 8-9 anos de idade, sendo provocada pela infecção da OROFARIGNE pelo Streptococcus Beta-Hemolítico do Grupo A, ocorrendo tipicamente 4-8 semanas após a infecção Deve-se ressaltar que a Coreia de Sydenham é comum de ocorrer apenas na infecção da orofaringe, na dérmica é muito incomum ou não ocorre Esse quadro é gerado pois existe semelhança molecular entre antígenos do S. pyogenes que a pessoa foi infectada e moléculas do SNC QUADRO CLÍNICO O quadro clínico da Coreia de Sydenham é composto de: ● Cardite: Vista em 60-80% dos casos ● Artrite: Vista em 30% dos casos ● Coreia: Se manifesta como único sintoma em 20% dos casos TRATAMENTO O tratamento nestes casos varia conforme a manifestação clínica: ● Coreia: É tratatada através de medicamentos como ácido valpróico, carbamazepina, neurolépticos(risperidona ou haldol) ● Pulsoterapia com metilprednisolona: Apenas para casos refratários aos fármacos acima ● Penicilia G Benzatina: Para realizar a profilaxia pela infecção de S. pyogenes DISTONIAS As distonias são definidas como uma contração muscular sustentada, na qual existe contração simultânea dos agonistas e antagonistas, causando movimentos repetitivos e posturas anormais, sobretudo de torção As distonias tendem a piorar com fadiga, stress e estados emocionais Por sua vez, as distonias melhoram com relaxamento, hipnose, sono e estímulos táteis ou proprioceptivos. A melhora com estímulos táteis ou proprioceptivos leva ao paciente realizar truques sensitivos, por exemplo, uma distonia da cabeça o paciente pode colocar a mão no músculo do movimento e melhorar a distonia, permitindo-o se alimentar, por exemplo Toda distonia de início precoce deve-se considerar a origem genética CLASSIFICAÇÃO A distonia é classificada com base na sua distribuição pelo corpo em: ● Focal: Apenas um segmento acometido ● Segmentar: Acometimento de 2 ou mais partes CONTÍGUAS, por exemplo, ombro e braço ● Multifocal: Acometimento de 2 ou mais partes NÃO CONTÍGUAS ● Generalizada: Acometendo a perna e outra parte do corpo ● Hemidistonia: Toda a metade do corpo foi afetada TRATAMENTO O tratamento das distonias é realizado com: ● Distonia focal: O tratamento preconizado é a toxina botulínica, reduz a contração muscular do músculo afetado ● Anticolinérgicos ● BZD ● Fisioterapia MIOCLONIAS As mioclonias são movimentos involuntários súbitos, de curta duração, como se fossem um choque, causado pela contração muscular ou inibição desta O exemplo de uma mioclina é o flapping visto na insuficiência hepática LOCALIZAÇÃO DA GERAÇÃO DO MOVIMENTO A mioclonia pode ter sua origem em diversos locais, como: ● Cortical: Na epilepsiamioclônica ● Cortical-subcortical ● Subcortical-suprasegmentar ● Tronco ou medula ● Periférica