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FERNANDA RODRIGUES SP 8 — ”Negligenciando os cuidados“ 1. sobre o sistema visual: a) Anatomia e fisiologia Anatomia do olho O olho é o órgão da visão, formado pelo bulbo do olho e pelo nervo óptico (II). Órbitas As órbitas são cavidades ósseas no esqueleto da face que se assemelham a pirâmides quadrangulares ocas, cujas bases estão voltadas na direção ântero lateral e os ápices, na direção póstero medial. A região orbital é a área da face sobre a órbita e o bulbo do olho que inclui as pálpebras superior e inferior, além do aparelho lacrimal. Assim, os eixos das órbitas (eixos orbitais) divergem em cerca de 45°. No entanto, os eixos ópticos (eixos do olhar, a direção ou linha de visão) dos dois bulbos dos olhos são paralelos, e na posição anatômica estão voltados para frente. Essa posição dos bulbos dos olhos é denominada posição primária. Estruturas acessórias do olho As estruturas acessórias associadas ao olho incluem seis músculos extrínsecos, que são músculos esqueléticos que se fixam à superfície externa do bulbo do olho (globo ocular) e controlam os movimentos oculares. Os nervos cranianos III (oculomotor), IV (troclear) e VI (abducente) inervam esses músculos. As pálpebras superiores e inferiores se encontram na superfície anterior do olho, e o aparelho lacrimal, um sistema de glândulas e ductos, mantém um fluxo contínuo de lágrimas que lavam a superfície exposta, de modo que ela permaneça úmida e livre de partículas. A secreção lacrimal é estimulada por neurônios parassimpáticos do nervo craniano VII. A pupila é uma abertura através da qual a luz pode entrar para o interior do olho. O tamanho da pupila varia com a contração e o relaxamento de músculos lisos da pupila. A pupila aparece como o ponto negro do interior do círculo de pigmento colorido, denominado íris. Os pigmentos e outros componentes da íris determinam a cor do olho. 1 Bulbo ocular Anatomicamente, a parede do bulbo ocular consiste em três camadas: (1) túnica fibrosa. (2) túnica vascular. (3) túnica interna (retina). Túnica fibrosa A túnica fibrosa é a camada superficial (camada mais externa) do bulbo ocular e consiste na córnea anterior e na esclera posterior. A córnea é uma camada transparente que cobre a íris colorida. Por ser curva, a córnea ajuda a focar a luz na retina. Sua superfície externa consiste em epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado. A camada média da córnea consiste em fibras de colágeno e fibroblastos, já a superfície interna é de epitélio pavimentoso simples. Como a parte central da córnea recebe oxigênio do ar externo, as lentes de contato usadas por longos períodos devem ser permeáveis para permitir que o oxigênio passe por elas. A esclera, o “branco” do olho, é uma camada de tecido conjuntivo denso composta principalmente de fibras colágenas e fibroblastos. A esclera cobre todo o bulbo do olho, exceto a córnea; isso dá forma ao bulbo ocular, torna-o mais rígido, protege suas partes internas e serve como local de fixação para os músculos extrínsecos do bulbo ocular. Na junção da esclera e da córnea, há uma abertura conhecida como seio venoso da esclera (canal de Schlemm); um líquido chamado humor aquoso, que será descrito mais adiante, drena para esse seio. 2 Túnica vascular A túnica vascular, ou úvea, é a camada média do bulbo ocular. É composta de três partes: coróide, corpo ciliar e íris. A coróide altamente vascularizada, que é a porção posterior da túnica vascular, reveste a maior parte da superfície interna da esclera. Seus numerosos vasos sanguíneos fornecem nutrientes para a superfície posterior da retina. A coróide também contém melanócitos que produzem o pigmento melanina, o que faz com que essa camada tenha coloração marrom escura. A melanina na coróide absorve os raios de luz dispersos, o que impede a reflexão e a dispersão da luz dentro do bulbo ocular. Como resultado, a imagem lançada na retina pela córnea e pela lente permanece nítida e clara. Os albinos carecem de melanina em todas as partes do corpo, incluindo os olhos; assim, geralmente eles precisam usar óculos de sol, mesmo em ambientes fechados, porque mesmo a luz moderadamente brilhante é percebida como brilho intenso por causa da dispersão da luz. Na porção anterior da camada vascular, a coróide torna-se o corpo ciliar, que se estende da ora serrata, a margem anterior irregular da retina, até um ponto imediatamente posterior à junção da esclera e da córnea. Assim como a coróide, o corpo ciliar aparece na cor marrom escura, porque contém melanócitos produtores de melanina. Além disso, o corpo ciliar consiste em processos ciliares e músculo ciliar. Os processos ciliares são protrusões ou pregas, na superfície interna do corpo ciliar, que contém capilares sanguíneos secretores de humor aquoso. Estendendo-se do processo ciliar, estão as fibras zonulares, ou ligamentos suspensores, que se ligam à lente. As fibras consistem em fibrilas finas e ocas que se assemelham a fibras elásticas de tecido conjuntivo. O músculo ciliar é uma faixa circular de músculo liso; a contração ou o relaxamento desse músculo altera a rigidez das fibras zonulares, o que, por conseguinte, altera a forma da lente, adaptando-a para visão de perto ou de longe. 3 A íris, a parte colorida do bulbo ocular, tem a forma de uma rosquinha achatada. Está suspensa entre a córnea e a lente, fixada em sua margem externa aos processos ciliares. Consiste em melanócitos e fibras musculares lisas circulares e radiais. A quantidade de melanina na íris determina a cor dos olhos: os olhos parecem castanhos a pretos quando a íris contém uma grande quantidade de melanina; azuis quando sua concentração de melanina é muito baixa; e verdes quando sua concentração de melanina é moderada. Uma função principal da íris é regular a quantidade de luz que entra no bulbo ocular através da pupila (a “menina dos olhos”, que recebe esse nome porque é onde você vê um reflexo de si mesmo ao olhar nos olhos de alguém), o orifício no centro da íris. A pupila parece preta porque, ao olhar através da lente, você vê a parte de trás do olho fortemente pigmentada (corioide e retina). Entretanto, se a luz brilhante é direcionada para a pupila, a luz refletida é vermelha por causa dos vasos sanguíneos na superfície da retina. É por essa razão que os olhos de uma pessoa aparecem vermelhos em uma fotografia quando o flash é direcionado para a pupila. Os reflexos autônomos regulam o diâmetro da pupila em resposta aos níveis de luz. Quando a luz brilhante estimula o olho, as fibras parassimpáticas do nervo oculomotor (III) estimulam a contração das fibras circulares do músculo esfíncter da pupila da íris, causando uma diminuição do tamanho da pupila (constrição). Na penumbra, os neurônios simpáticos estimulam a contração das fibras radiais do músculo dilatador da pupila, o que faz com que ocorra um aumento no tamanho da pupila (dilatação). 4 Túnica interna (retina) A terceira e mais interna camada do bulbo ocular, a retina, reveste os três quartos posteriores do bulbo e é o início da via visual. A anatomia dessa camada pode ser visualizada com um oftalmoscópio, um instrumento que ilumina o olho e permite que um observador olhe através da pupila, fornecendo uma imagem ampliada da retina e seus vasos sanguíneos, bem como do nervo óptico (II). A superfície da retina é o único local do corpo onde os vasos sanguíneos podem ser visualizados diretamente e examinados quanto à presença de alterações patológicas, como aquelas que ocorrem na hipertensão, diabetes melito, catarata e degeneração macular relacionada à idade. Vários pontos de referência são visíveis através de um oftalmoscópio. O disco óptico (ponto cego) é o local onde o nervo óptico (II) sai do bulbo ocular. Com o nervo óptico, estão a artéria central da retina, um ramo da artéria oftálmica, e a veia central da retina. Ramos da artéria central da retina espalham-se para nutrir a superfícieanterior da retina; a veia central da retina drena o sangue da retina através do disco óptico. Também são visíveis a mácula e a fóvea central. 5 RETINA A retina é uma estrutura de múltiplas camadas na parte de trás do olho e contém as células fotorreceptoras. É o primeiro local de processamento da informação visual. A retina é capaz de se adaptar a diferentes situações de iluminação e pode acentuar a imagem percebida no tempo e no espaço pela utilização de diferentes tipos de células ganglionares, as quais respondem a diferentes tipos de informações visuais. A intrincada estrutura da retina e a presença de vários tipos e subtipos de neurônios, no entanto, sugerem que o processamento na retina não envolve somente a percepção da imagem, que é, então, transportada para o córtex para uma análise mais detalhada. Parece que uma parte do processamento que sempre foi considerada uma função do córtex, na verdade, ocorre no interior da retina. A retina participa do processo de triagem e redução da quantidade de informações que as células receptoras recebem para focar nas características mais importantes do ambiente visual. Especialização da retina A retina não é homogênea em termos de estrutura, e podem ser identificadas áreas especializadas em corte transversal. As fibras nervosas, ou axônios das células ganglionares, convergem para formar o nervo óptico e deixam o olho no disco óptico ou papila. Este é o chamado “ponto cego” do campo visual, pois não existem fotorreceptores nesta área. A mácula lútea, geralmente chamada apenas de mácula, é uma área circular perto da borda lateral do disco do nervo óptico, em que muitas das células contêm um pigmento amarelo (mácula lútea, em latim, significa “mancha amarela”). No centro da mácula está uma depressão de cerca de 1,5 mm de diâmetro, a fóvea central. Essa área é rica em cones e, portanto, é a região de maior acuidade visual, na qual se projeta a maior parte da luz do centro do campo visual. Na fóvea central, todas as camadas de células da retina são postas de lado, de modo que a luz pode projetar-se diretamente sobre os cones dos fotorreceptores. 6 Camadas da Retina Pode-se pensar na retina como uma organização em torno de uma cadeia vertical de células neuronais que consistem em fotorreceptoras (cones e bastonetes) e dois tipos de neurônios: as células bipolares e as ganglionares. Além disso, um sistema horizontal de interneurônios (células horizontais e amácrinas) integra as informações nas sinapses entre os fotorreceptores e as células bipolares e entre as células bipolares e ganglionares. Há também células da glia modificadas de suporte (células de Müller) e, por fim, células do epitélio pigmentado. A luz (fótons) recai sobre as células fotorreceptoras (bastonetes ou cones), que, então, transmitem a informação para as células bipolares, as quais, por sua vez, contatam as células ganglionares da retina. Os axônios dessas células ganglionares compreendem o nervo óptico. As células horizontais e as células amácrinas, que fornecem a integração horizontal da informação, podem influenciar o sinal em uma sinapse específica de acordo com a atividade em outras sinapses e, assim, permitir uma melhor resolução. 7 As membranas e as células da retina e seus processos estão dispostos em 10 estratos. A luz deve passar por todos eles para alcançar os fotorreceptores localizados no estrato mais interno da retina. Nesse estrato, a luz é transformada em sinal elétrico, que é transmitido de volta por uma cadeia de dois neurônios (células bipolares e células ganglionares). O sinal, então, é conduzido de volta por todos os estratos da retina. Esse arranjo de estratos neuronais e os caminhos tomados pela luz e pelo sinal elétrico são exclusivos da retina. 1. Estrato pigmentoso: A camada mais externa é o estrato pigmentoso, que separa a camada coroide da camada neuronal da retina. O epitélio pigmentado situa-se na lâmina basilar da coróide, uma lâmina muito dinâmica que permite o acesso de nutrientes aos neurônios da retina. As células do epitélio pigmentado contêm melanina, que absorvem e ajudam a evitar o espalhamento da luz que passa pela retina. 2. Estrato dos segmentos externos e internos: O estrato de bastonetes e cones contém os segmentos externos das células fotorreceptoras, e é nele que ocorre a fototransdução. Os fótons ativam uma cascata de sinalização dentro das células receptoras individuais. A distribuição das células nessa camada varia de acordo com a localização no interior da retina. Na fóvea central, por exemplo, são encontrados somente cones, o que permite uma acuidade visual muito elevada . 3. Estrato limitante externo: As extremidades externas das células de Müller formam o estrato limitante externo, pelo qual passam os processos fotossensíveis dos bastonetes e cones para se conectar a seus corpos celulares. 4. Estrato nuclear externo: Essa camada contém os corpos celulares dos bastonetes e cones. 5. Estrato plexiforme externo: Trata-se de um estrato sináptico, no qual bastonetes e cones fazem contato com as células bipolares. Essas células integrarão as informações de várias células fotorreceptoras. A integração horizontal da informação é conseguida nessa camada pelos processos das células horizontais, que se estendem por diversos terminais sinápticos entre múltiplas células. 6. Estrato nuclear interno: O estrato nuclear interno contém os corpos celulares das células bipolares, entre as quais estão intercalados os corpos celulares das células horizontais e outro importante tipo de interneurônio: as células amácrinas. Os corpos celulares das células de Müller, as principais células de suporte da retina, também estão localizados sobretudo no estrato nuclear interno. 7. Estrato plexiforme interno: Este também é um estrato sináptico, semelhante ao estrato plexiforme externo, no qual ocorrem os contatos sinápticos entre as células bipolares e as ganglionares. Esses contatos também são integrados horizontalmente, de modo semelhante ao que ocorre no estrato plexiforme externo, mas, neste caso, isso acontece nos processos das células amácrinas. 8. Estrato ganglionar: Este estrato contém os corpos celulares das células ganglionares. 9. Estrato de neurofibras: No estrato de neurofibras, os axônios das células ganglionares reúnem-se e vão para o disco ou papila do nervo óptico, onde formam o nervo óptico. Conforme observado, a papila carece de fotorreceptores e é chamada de o ponto cego do campo de visão. Os axônios das células ganglionares são amielínicos até que emergem do olho. Uma vez que a mielina é muito birrefringente, é vantajoso ter axônios não mielinizados dentro da retina para reduzir a quantidade de dispersão da luz. 10. Estrato limitante interno: As extremidades apicais das células de Müller formam o estrato limitante interno, que separa a retina do corpo vítreo. 8 Células fotorreceptoras Existem dois tipos de células fotorreceptoras: bastonetes e cones. Suas funções permitem enxergar sob condições de iluminação claras e escuras. A heterogeneidade dos cones permite que distingam-se as cores. Cada célula de fotorreceptor tem um segmento externo no qual ocorre a detecção da luz. Esse segmento é incorporado ao epitélio pigmentado. Os segmentos externos de bastonetes e cones diferem em sua morfologia, mas ambos contêm discos que possuem um fotopigmento ligado à vitamina A (rodopsina nos bastonetes, iodopsina em cones). A ativação desse fotopigmento pela absorção de luz (fótons) inicia a cascata de transdução do sinal. É no segmento interno que estão localizadas as mitocôndrias (que fornecem a energia para a célula) e os núcleos. Bastonetes e cones fazem sinapse com as células bipolares e horizontais. 1. Bastonetes: Os bastonetes são extremamente sensíveis à luz, e um único fóton é suficiente para evocar a resposta em um deles. Essas células permitem ver em condições de poucaluminosidade, como no crepúsculo ou ao luar, o que é conhecido como visão escotópica. Dentro da retina, muitos bastonetes convergem para uma única célula bipolar, e muitas células bipolares contatam uma dada célula amácrina. Esse arranjo permite a sensibilidade, mas resulta em perda de resolução espacial. O fotopigmento dos bastonetes é a rodopsina, que responde à luz da mesma forma em todas as frequências e não permite distinguir cores. 9 2. Cones: Os cones são relativamente insensíveis à luz, sendo necessários mais de 100 fótons para evocar uma resposta em um único cone. Dentro da retina, existe muito menos convergência de cones em células bipolares. Na verdade, na área de maior acuidade visual (a fóvea central), a transdução do cone para a célula bipolar é de 1:1. Esses receptores permitem ver com alta acuidade em condições de luz diurna, a chamada visão fotópica. O segmento externo dos cones que contêm o fotopigmento é mais curto que o de bastonetes e consiste em uma série de discos ligados à membrana. Distribuição de cones e bastonetes da retina Os bastonetes e cones não são distribuídos uniformemente na retina. Conforme já mencionado, a fóvea central contém apenas cones, o que permite a acuidade visual elevada em condições de luz diurna. A fóvea central não é muito eficaz em situações de baixa luminosidade, mas as áreas periféricas ricas em bastonetes são mais sensíveis. 10 Fisiologia b) Transdução fotoelétrica A fototransdução é o processo pelo qual a energia da luz é convertida em um potencial receptor no segmento externo de um fotorreceptor. Na maioria dos sistemas sensitivos, a ativação de um receptor sensitivo por seu estímulo adequado desencadeia um potencial receptor despolarizante. No sistema visual, contudo, a ativação de um fotorreceptor por seu estímulo adequado (luz) causa um potencial receptor hiperpolarizante. Igualmente surpreendente é que, quando o fotorreceptor está em repouso – ou seja, no escuro –, a célula está relativamente despolarizada. Para entender como ocorre a fototransdução, você deve primeiro examinar a operação de um fotorreceptor na ausência de luz: 1. No escuro, o cis-retinal é a forma do retinal associada ao fotopigmento do fotorreceptor. As moléculas de fotopigmento estão presentes nas membranas do disco do segmento externo do fotorreceptor. 2. Outra ocorrência importante na escuridão é que há uma alta concentração de GMP cíclica (GMPc, sigla em inglês para cyclic guanosine monophosphate) no citosol do segmento externo do fotorreceptor. Isso deve-se à produção contínua de GMPc pela enzima guanilato ciclase na membrana do disco. 3. Depois de produzido, a GMP liga-se à membrana do segmento externo e abre canais de cátions não seletivos nessa membrana. Esses canais dependentes de GMPc permitem principalmente a entrada de íons Na + na célula. 4. O influxo de Na +, denominado corrente escura, despolariza o fotorreceptor. Como resultado, no escuro, o potencial de membrana de um fotorreceptor é de cerca de −40 mV. Isso é muito mais próximo de zero do que o potencial de membrana de repouso de um neurônio típico de −70 mV. 11 5. A despolarização no escuro espalha-se do segmento externo para o terminal sináptico, que contém canais de Ca 2 + dependentes de voltagem em sua membrana. A despolarização mantém esses canais abertos, permitindo a entrada de Ca 2 + na célula. A entrada de Ca 2 +, por sua vez, desencadeia a exocitose das vesículas sinápticas, o que resulta na liberação tônica de grandes quantidades de neurotransmissor do terminal sináptico. O neurotransmissor em bastonetes e cones é o aminoácido glutamato (ácido glutâmico). Nas sinapses entre bastonetes e algumas células bipolares, o glutamato é um neurotransmissor inibitório: desencadeia potenciais pós-sinápticos inibitórios (PPSIs) que hiperpolarizam as células bipolares e as impedem de enviar sinais para as células ganglionares. A absorção de luz e a isomerização da retina iniciam mudanças químicas no segmento externo do fotorreceptor que permitem a fototransdução (Figura 17.16 B): 1. Quando a luz atinge a retina, o cis-retinal sofre isomerização em trans-retinal. 2. A isomerização do retinal causa a ativação de uma proteína G conhecida como transducina, que está localizada na membrana do disco. 3. A transducina, por sua vez, ativa uma enzima denominada GMPc fosfodiesterase, que também está presente na membrana do disco. 4. Uma vez ativada, a GMPc fosfodiesterase degrada a GMPc. A quebra de GMPc reduz a concentração de GMPc no citosol do segmento externo. 12 5. Como resultado, o número de canais abertos dependentes de GMPc na membrana do segmento externo é reduzido e o influxo de Na+ diminui. 6. A diminuição do influxo de Na+ faz com que o potencial de membrana caia para cerca de −65 mV, produzindo assim um potencial receptor hiperpolarizante. 7. A hiperpolarização espalha-se do segmento externo para o terminal sináptico, causando uma diminuição no número de canais abertos de Ca2+ dependentes de voltagem. A entrada de Ca2+ na célula é reduzida, o que diminui a liberação do neurotransmissor do terminal sináptico. Luzes fracas causam potenciais receptores pequenos e breves que desligam parcialmente a liberação de neurotransmissores; luzes mais brilhantes provocam potenciais receptores maiores e mais longos que desligam a liberação de neurotransmissores mais amplamente. Portanto, a luz excita as células bipolares que fazem sinapse com os bastonetes, desligando a liberação de um neurotransmissor inibitório. As células bipolares excitadas subsequentemente estimulam as células ganglionares a formar potenciais de ação em seus axônios. Via visual A via visual é o caminho percorrido pela informação visual de bastonetes e cones para a parte do cérebro onde ocorre o processamento. Os axônios das células ganglionares da retina formam o nervo óptico (II), que fornece a resposta da retina para o encéfalo. Os nervos ópticos (II) passam pelo quiasma óptico (um cruzamento, como na letra X), um ponto de cruzamento dos nervos ópticos . Alguns axônios cruzam para o lado oposto, mas outros permanecem não cruzados. Depois de atravessar o quiasma óptico, os axônios, agora parte do trato óptico, entram no encéfalo e a maioria deles termina no núcleo geniculado lateral do tálamo. Nesse lugar, eles fazem sinapse com neurônios cujos axônios formam as radiações ópticas, que se projetam para o córtex visual primário nos lobos occipitais do cérebro e a percepção visual começa. Algumas das fibras dos tratos ópticos terminam nos colículos superiores, os quais controlam os músculos extrínsecos do bulbo ocular, e nos núcleos pré-tectais, que controlam os reflexos pupilares e de acomodação. 13 Tudo o que pode ser visto por um olho é o campo visual desse olho. Como observado anteriormente, em humanos, os olhos estão localizados anteriormente na cabeça, assim, os campos visuais sobrepõem-se consideravelmente. Temos visão binocular em razão da grande região onde os campos visuais dos dois olhos se sobrepõem – o campo visual binocular. O campo visual de cada olho é dividido em duas regiões: a metade nasal (central) e a metade temporal (periférica). Para cada olho, os raios de luz de um objeto na metade nasal do campo visual caem na metade temporal da retina, já os raios de luz de um objeto na metade temporal caem na metade nasal da retina. A informação visual da metade direita de cada campo visual é transmitida para o lado esquerdo do encéfalo, por outro lado, a informação visual da metade esquerda de cada campo visual é transmitida para o lado direito: 1. Os axônios de todas as células ganglionares da retina em um olho saem do bulbo ocular no disco óptico e formam o nervo óptico desse lado. 2. No quiasma óptico, os axônios da metade temporal de cada retina não se cruzam, mas continuam diretamente para o núcleo geniculado lateral do tálamo domesmo lado. 3. Em contraste, os axônios da metade nasal de cada retina cruzam o quiasma óptico e continuam até o tálamo oposto. 4. Cada trato óptico consiste em axônios cruzados e não cruzados que se projetam do quiasma óptico para o tálamo de um lado. 5. Axônios colaterais (ramos) das células ganglionares da retina projetam-se para o mesencéfalo, onde participam de circuitos neurais que controlam a constrição das pupilas em resposta à luz e à coordenação dos movimentos da cabeça e dos olhos. Os axônios colaterais também estendem-se 14 ao núcleo supraquiasmático do hipotálamo, que estabelece padrões de sono e outras atividades que ocorrem em um ritmo circadiano ou diário em resposta a intervalos de luz e escuridão. 6. Os axônios dos neurônios talâmicos formam as radiações ópticas à medida que se projetam do tálamo para o córtex visual primário no lobo occipital do cérebro do mesmo lado. A chegada de impulsos nervosos no córtex visual primário permite que você perceba a luz. O córtex visual primário tem um mapa do espaço visual: cada região dentro do córtex recebe o estímulo de uma parte diferente da retina, que, por sua vez, recebe os sinais de uma parte específica do campo visual. Uma grande quantidade de área cortical é dedicada ao estímulo da porção do campo visual que atinge a mácula. Lembre-se de que a mácula contém a fóvea, a parte da retina com a maior acuidade visual. Quantidades relativamente menores de áreas corticais são dedicadas às porções do campo visual que atingem as partes periféricas da retina. O estímulo do córtex visual primário é transmitido para a área de associação visual no lobo occipital; há também áreas nos lobos parietal e temporal que recebem e processam os estímulos visuais; para simplificação, essas áreas serão consideradas como uma extensão da área de associação visual. Essa área de associação processa ainda o estímulo visual para fornecer padrões visuais mais complexos, como a posição tridimensional, a forma geral, o movimento e a cor. Além disso, a área de associação visual armazena memórias visuais e relaciona experiências visuais passadas e presentes, o que nos permite reconhecer o que estamos vendo. Por exemplo: a área de associação visual permite que você reconheça um objeto como um lápis apenas olhando para ele. 15 Referência: 1. MOORE, K. L.; A M R AGUR; DALLEY, A. F. Anatomia orientada para a clínica. Rio De Janeiro (Rj): Guanabara Koogan, 2006. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527734608/epubcfi/6/42[%3Bvnd.vst. idref%3Dchapter08]!/4/782/2%4051:93 2. DEE UNGLAUB SILVERTHORN. Fisiologia Humana. 7. ed. [s.l.] Artmed Editora, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582714041/pageid/369 3. TORTORA, G. J. et al. Princípios de anatomia e fisiologia. Rio De Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739368/epubcfi/6/54[%3Bvnd.vst. idref%3Dchapter17]!/4/142/5:28[%20ol%2Cho] 2. Entenda os conceitos dos problemas refracionais e quais lentes de correção para cada um deles. Para entender sobre os erros de refração, primeiro precisamos entender sobre a refração da luz. Refração da luz Quando os raios de luz que atravessam uma substância transparente (como o ar) passam para uma segunda substância transparente com uma densidade distinta (como a água), eles se curvam na junção entre as duas substâncias. Essa curvatura é chamada de refração. Ametropias As ametropias ou erros de refração são defeitos ópticos que impedem que feixes de luz paralelos sejam focalizados na retina de maneira adequada. 16 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527734608/epubcfi/6/42[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter08]!/4/782/2%4051:93 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527734608/epubcfi/6/42[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter08]!/4/782/2%4051:93 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582714041/pageid/369 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739368/epubcfi/6/54[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter17]!/4/142/5:28[%20ol%2Cho https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739368/epubcfi/6/54[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter17]!/4/142/5:28[%20ol%2Cho Os principais vícios de refração são hipermetropia, miopia, astigmatismo e presbiopia. A principal repercussão dessas condições é a diminuição da acuidade visual. Emetropia Um olho emétrope (sem vício de refração) é aquele que tem uma correlação adequada entre o eixo do comprimento e o seu poder refrativo. Hipermetropia ( hiperopia) A imagem se forma depois da retina, resultando em uma visão borrada para perto e sem conforto visual. Correção: A correção se faz com lente convergente com o objetivo de trazer o foco mais pra frente. 17 Miopia A imagem se forma antes da retina, resultando em visão borrada para longe. Correção: A correção é feita com lentes divergentes (côncavas), com o objetivo de deslocar o foco mais para trás a fim de que ele localize-se sobre a retina. Astigmatismo O astigmatismo é um erro de refração em que a superfície da córnea é deformada, fazendo com que os raios de luz entrem de forma desigual, seguindo planos diferentes, formando múltiplos pontos focais e 18 tornando a imagem na fóvea pouco clara, resultando em uma visão embaçada tanto para longe quanto para perto. Correção: A correção é feita com lentes cilíndricas. Presbiopia A presbiopia ou visão senil é um erro não refrativo que afeta a acuidade visual, uma vez que corresponde à perda gradual e fisiológica do poder de acomodação do olho com o avançar da idade, que é marcada pela redução linear da elasticidade do cristalino. Correção: A correção é feita com lentes convergentes 19 Referências: 1. DEE UNGLAUB SILVERTHORN. Fisiologia Humana. 7. ed. [s.l.] Artmed Editora, 2017. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582714041/pageid/374 2. CELMO CELENO PORTO. Semiologia medica. 8. ed. Rio De Janeiro (Rj): Guanabara Koogan, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527734998/epubcfi/6/96[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter018]!/4/448/1: 0[%2COs%20] 3. HALL, J. E.; HALL, M. E. Guyton & Hall - Tratado de Fisiologia Médica. [s.l: s.n.]. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595158696/epubcfi/6/140[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter50]!/4/52/1:2 75[ent%2Ce.] 4. TORTORA, G. J. et al. Princípios de anatomia e fisiologia. Rio De Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739368/epubcfi/6/54[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter17]!/4/268/2 %4051:97 3. Explique a formação do campo visual e suas alterações. Do CGL, os axônios projetam-se para o córtex visual primário via radiações ópticas. As fibras nas radiações ópticas são organizadas de modo retinotópico e nos vários canais discutidos anteriormente. Sua separação nos campos visuais direito e esquerdo ocorre no quiasma. Nas radiações ópticas, as fibras dos campos visuais superior e inferior tomam diferentes vias . a. Campo visual inferior: A metade inferior do campo visual projeta-se para a porção superior da retina e daí para o CGL. Do CGL, essas fibras se projetam para a parte superior da radiação óptica, que passa pelo lobo parietal, e para a metade superior do sulco calcarino. b. Campo visual superior: Em contraste, a metade superior do campo visual projeta-se para as porções inferiores da retina. Do CGL, essas fibras se projetam para a metade inferior do sulco calcarino. Para chegar lá, elas devem circundar o corno inferior do ventrículo lateral no lobo temporal. Essas fibras inferiores formam a alça temporal (alça de Meyer). c. Campo visual médio: A parte do meio do campo visual projeta-se para a fóveacentral, e essas fibras tomam uma via direta do CGL ao sulco calcarino por meio do lobo parietal. A fóvea central tem a maior representação cortical no córtex visual primário. 20 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582714041/pageid/374 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527734998/epubcfi/6/96[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter018]!/4/448/1:0[%2COs%20 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527734998/epubcfi/6/96[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter018]!/4/448/1:0[%2COs%20 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595158696/epubcfi/6/140[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter50]!/4/52/1:275[ent%2Ce https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595158696/epubcfi/6/140[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter50]!/4/52/1:275[ent%2Ce https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739368/epubcfi/6/54[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter17]!/4/268/2%4051:97 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527739368/epubcfi/6/54[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter17]!/4/268/2%4051:97 PROCESSAMENTO CORTICAL DA VISÃO Os sinais sensoriais que foram extraídos da luz que estimula os fotorreceptores da retina devem ser reunidos em uma percepção coerente e unificada do universo visual. Como discutido, os primeiros passos desse processo ocorrem na retina pelos diferentes tipos de células ganglionares que enviam informações em feixes paralelos contendo vários aspectos da informação visual. No córtex visual primário, essa informação é remontada e enviada para posterior análise e processamento de ordem superior nas áreas de associação do córtex. 21 A. Córtex visual primário A organização encontrada em todo o sistema visual é mantida no córtex primário pelas colunas retinotópicas de neurônios. As vias paralelas que transportam informações de contraste, movimento, acuidade e cor se projetam em camadas distintas do córtex visual, em grupos separados de neurônios. A partir daí, esses sinais são integrados e convergem para os neurônios de outputs no córtex visual primário. Além disso, inputs de cada olho, transportando informações sobre a mesma área do campo visual, convergem para neurônios individuais no córtex estriado. Acredita-se que essa seja a base para a estereopsia, a percepção de profundidade quando se olha para objetos próximos. Essa organização permite que outputs do córtex visual primário para as áreas de associação visual contenham todas as informações visuais (acuidade visual, contraste, movimento e cor) de todo o campo visual de ambos os olhos. Além disso, alguns neurônios, em especial aqueles que recebem inputs da fóvea central, mantém um pequeno campo receptivo, o que permite uma elevada resolução espacial. 22 Do córtex visual primário, a informação visual remontada é mais uma vez separada em novos feixes e retransmitida para áreas de associação visual especializadas. Há dois grandes feixes distintos: a via ventral, que está envolvida na percepção de cores e formas; e a via dorsal, que está envolvida no movimento e análise espacial. Os dois feixes, embora distintos, são muito integrados. Campo de visão O campo de visão é o conjunto de pontos no espaço que o olho teoricamente imóvel percebe, e corresponde à ilha de visão de Traquair, que demonstra a sensibilidade retiniana em cada ponto. Essa ilha, tridimensional, já foi descrita por Traquair como “uma ilha de visão em um mar de cegueira”, pois os pontos fora dela não podem ser percebidos. A sensibilidade luminosa é máxima na região que corresponde à fóvea e diminui gradativamente à medida que se aproxima da periferia, onde se extingue. Quanto maior a altura da ilha, maior será a sensibilidade luminosa nesses pontos. O campo de visão se estende a 60o nasal, 90° a 100o temporal, 60o superior e 70o a 75° inferior. As extensões dos campos visuais nasal e superior estão limitadas respectivamente pelo nariz e pelo rebordo 23 orbitário superior e sobrancelha. Não há qualquer limitação do lado temporal. Pacientes com exoftalmia ou enoftalmia podem ter, respectivamente, aumento e diminuição da extensão do campo de visão. Ainda que nosso campo de visão seja normalmente percebido de maneira binocular (neste caso, tem um formato ovóide e sua extensão é de 200º na horizontal e 130° na vertical), normalmente ele é medido de modo monocular. Ele é dividido em quatro quadrantes (temporal superior, temporal inferior, nasal superior e nasal inferior), que são separados por uma linha vertical e uma horizontal. O ponto de cruzamento dos eixos horizontal e vertical é o ponto de fixação e corresponde à fóvea, enquanto a mancha escura do lado temporal correspondente à projeção do nervo óptico no campo de visão e é a mancha cega de Mariotte. Como não existem fotorreceptores no disco, ele é projetado no campo visual como um escotoma absoluto temporal. A mancha cega apresenta forma oval na direção vertical e seu o centro está a aproximadamente 15,5º do ponto de fixação no lado temporal e cerca de 1,5º abaixo do meridiano horizontal. 24 Referência: 1. KREBS, C. Neurociências Ilustrada. [s.l.] Artmed Editora, 2013. Disponível em:https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788565852661/pageid/309 2. Putz Carla Oftalmologia - Ciências Básicas. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595152199/epubcfi/6/42[%3Bvnd.vst. idref%3DB9788535286915000063_3]!/4/2/4[s1525]/34[s1610]/10[p6285]/3:211[es%20%2Cqu] 4. Sobre retinopatia diabética, entenda: a) fisiopatologia A retinopatia diabética é a principal causa de cegueira, especialmente em adultos em idade de trabalho. O grau de retinopatia está altamente correlacionado com os seguintes fatores: – Duração do diabetes. – Níveis séricos de glicose. – Níveis de PA. A gestação pode prejudicar o controle de glicose no sangue e, assim, agravar a retinopatia. 25 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788565852661/pageid/309 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595152199/epubcfi/6/42[%3Bvnd.vst.idref%3DB9788535286915000063_3]!/4/2/4[s1525]/34[s1610]/10[p6285]/3:211[es%20%2Cqua https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595152199/epubcfi/6/42[%3Bvnd.vst.idref%3DB9788535286915000063_3]!/4/2/4[s1525]/34[s1610]/10[p6285]/3:211[es%20%2Cqua b) classificações A doença está dividida em dois tipos: RETINOPATIA DIABÉTICA NÃO PROLIFERATIVA É a fase menos avançada da doença. Aqui, é possível encontrar pequenas dilatações vasculares, hemorragias e vasos sanguíneos bloqueados, causando isquemia (falta de sangue com oxigênio e nutrientes). Infelizmente, esse estágio pode ser assintomático caso a mácula continue intacta. Porém, se for afetada, a visão ficará embaçada e aumentam as chances de perda visual parcial ou até cegueira. RETINOPATIA DIABÉTICA PROLIFERATIVA Ocorre depois da retinopatia diabética proliferativa. É o estágio mais avançado da doença, em que surgem neovasos sob a retina devido à isquemia. Nesta situação, ainda não há sintomas. Contudo, quando rompem e liberam sangue, geram perda de visão grave e até cegueira. c) diagnóstico – Fundoscopia. – Retinografia colorida. – Angiofluoresceinografia. – Tomografia de coerência óptica. O diagnóstico é por fundoscopia. A retinografia colorida ajuda a classificar o nível da retinopatia. A angiofluoresceinografia é utilizada para determinar a extensão da retinopatia, desenvolver um plano de tratamento e monitorar os resultados. A tomografia de coerência óptica também é utilizada para avaliar a gravidade do edema macular e da resposta ao tratamento. d) prevenção/tratamento Prevenção: Controlar a glicemia e a pressão arterial é fundamental, pois o controle intensivo da glicose sanguínea atrasa o aparecimento da retinopatia. Tratamento: O tratamento pode ser feito por meio de remédios, cirurgia ou técnicas com laser, dependendo da avaliação dos danos causados à retina e o estágio em quese encontra a doença. 26 Referência: MEHTA, S. Retinopatia diabética. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-oftalmol%C3%B3gicos/doen%C3%A7as-da-retina/retinopat ia-diab%C3%A9tica?query=retinopatia%20diab%C3%A9tica>. Acesso em: 7 abr. 2024. 5. Explique como é avaliada a acuidade visual. ↬ A acuidade visual é a medida da capacidade do olho de enxergar os detalhes. ↬ Ela é testada separadamente em cada um dos olhos. Ao fechar o olho que não está sendo examinado deve evitar pressioná-lo, pois isso pode causar distorção na imagem com a diminuição da acuidade visual. Importante: Se o paciente usar óculos, a acuidade visual deve ser avaliada com a correção óptica. ↬ O método mais usado é o da tabela de Snellen, ficando o paciente sentado a aproximadamente 6 m (20 pés) de distância dela. Tabela de Snellen ↬ A tabela de Snellen é feita de letras de tamanhos diferentes, com uma distância de 5 cm entre elas. ↪ Quanto mais afastada estiver a tabela, menor é a imagem na retina. ↬ Combinando os dois fatores, tamanho das letras e distância entre o paciente e a tabela, é possível determinar o ângulo visual mínimo que corresponde à melhor acuidade visual. Acuidade visual normal: 20/20. ↬ Se o paciente consegue ler só a linha 20/30, esta visão é, então, registrada. ↬ Se o paciente não consegue ler nenhuma linha, deve-se caminhar na sua direção até o ponto em que este consiga identificar quantos dedos o examinador está mostrando (acuidade visual – dedos a 3 m). Para fins de entendimento, deve-se esclarecer que: ↬ 20/20 significa que a 20 pés o paciente tem capacidade de enxergar o que um paciente normal deveria enxergar a 20 pés. ↬ 20/60 significa dizer que o paciente enxerga a 20 pés, o que um paciente normal enxerga a 60 pés. Isso significa uma visão pior. 27 https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-oftalmol%C3%B3gicos/doen%C3%A7as-da-retina/retinopatia-diab%C3%A9tica?query=retinopatia%20diab%C3%A9tica https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/dist%C3%BArbios-oftalmol%C3%B3gicos/doen%C3%A7as-da-retina/retinopatia-diab%C3%A9tica?query=retinopatia%20diab%C3%A9tica ↬ A avaliação da acuidade visual indica a função da fóvea, área da retina responsável pela melhor acuidade visual. ↬ Quando o paciente é analfabeto, o quadro é construído com objetos ou animais facilmente identificáveis. Tabela de Jaegger A tabela de Jaegger é utilizada para registrar a visão de perto, utilizando graduações de J1 a J6. ↪ A distância ideal para leitura de perto é de 33 cm. ↬ Quando o paciente afasta a leitura, deve-se suspeitar de presbiopia e quando o paciente aproxima a leitura, é provável que seja míope. 28 Referência: CELMO CELENO PORTO. Semiologia médica. 8. ed. Rio De Janeiro (Rj): Guanabara Koogan, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527734998/epubcfi/6/92[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter016]!/4/264/6 %4053:98 6. Sobre neuropatia diabética: a) fisiopatologia As neuropatias diabéticas (ND) são as complicações crônicas mais prevalentes do diabetes melito (DM) e constituem um grupo de distúrbios heterogêneos que afeta partes diferentes do sistema nervoso. Caracteristicamente, a neuropatia periférica instala-se a partir de lesão neural em nervos longos que fazem a inervação dos dedos dos pés e progride de forma proximal. Dentre as várias formas de neuropatia diabética, a polineuropatia distal simétrica (PNDS) e as neuropatias autonômicas diabéticas (NAD) particularmente a neuropatia autonômica cardiovascular (NAC), são as mais estudadas. Os efeitos metabólicos da hiperglicemia crônica associada a estresse oxidativo no desenvolvimento das complicações microvasculares diabéticas estão bem estabelecidos. A hiperglicemia crônica atua no desenvolvimento da lesão e na disfunção neuroaxonal. A glicólise excessiva sobrecarrega a cadeia de transporte mitocondrial de elétrons, com geração de espécies reativas de oxigênio (ROS; do inglês, reactive oxigen species) e de nitrogênio (RNS; do inglês,reactive nitrogen species). Há aumento da osmolalidade celular, redução do transportador NADPH, que também promove estresse oxidativo. A disponibilidade de óxido nítrico (NO) está reduzida, uma vez gue o superóxido se liga ao NO para formar o oxidante peroxinitrito,diretamente tóxico para as células endoteliais. A membrana basal das células endoteliais, glicosilada, contribui para diminuir a vasodilatação juntamente com o insuficiente NO, além de baixa resposta aos efeitos vasodilatadores da substância P, do peptídeo 29 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527734998/epubcfi/6/92[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter016]!/4/264/6%4053:98 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788527734998/epubcfi/6/92[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter016]!/4/264/6%4053:98 relacionado com o gene da calcitonina (CGRP), da bradicinina, da histamina e do polipeptídeo intestinal vasoativo (VIP). Características dos sintomas e sinais neuropáticos A dor é definida como experiência emocional desagradável relacionada a um dano tecidual real ou potencial, sendo dividida nos tipos "nociceptiva' e "neuropática. A nociceptiva ocorre por ativação fisiológica de receptores ou da via dolorosa e está relacionada com lesão de tecidos ósseos, musculares ou ligamentares; enquanto a dor neuropática periférica (DNP) é iniciada por lesão ou disfunção do sistema nervoso, sendo compreendida como resultado da ativação anormal da via nociceptiva (fibras finas e trato espinotalâmico). b) diagnóstico Os achados clínicos da neuropatia diabética são: alteração da sensibilidade à dor (pinprick, toque pontiagudo), à temperatura (principalmente fria), vibratória e propriocepção em uma distribuição de "meias e luvas". Depois disso, o estímulo é aplicado nos dedos de cada pé, seguindo proximalmente até o nível em que a sensibilidade é considerada normal. A sensibilidade dolorosa é testada com um palito pontiagudo, descartado após o uso; enquanto a temperatura (frio) é testada com um objeto metálico (o cabo do diapasão). A vibração é testada pela aplicação inicial em proeminência óssea (fronte, esterno) e depois no dorso do hálux; a propriocepção é examinada por pequenos movimentos da articulação interfalângica distal do hálux, solicitando-se o reconhecimento da posição pelo paciente (para baixo ou para cima). Pinprick e sensibilidades de temperatura são mediadas por fibras finas, enquanto a sensibilidade vibratória e a propriocepção, por fibras grossas. c) tratamento Manejo clínico terapêutico das neuropatias difusas diabéticas →Controle da glicose, fatores de risco cardiovascular e mudanças no estilo de vida O foco do manuseio de PND e NAD é o controle da glicemia, e isso deve ser buscado para ambos os tipos de DM, com metas individualizadas, principalmente para pacientes com DM1. Além disso, modificações do estilo de vida, sobretudo em pacientes com DM2,tratamento da dor, com melhora da qualidade de vida, especialmente diante de disautonomias, devem ser pilares do tratamento. Referência: Livro Endocrinologia Clínica ( Lúcio Vilar), disponível na minha biblioteca 30