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Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Introdução ● Doenças que acometem os nervos periféricos causando disfunção em nervos sensitivos, motores e autonômicos Prevalência→ 2100/100.000 Questões para Avaliar as Neuropatias Periféricas Quais as partes do Sistema Nervoso envolvido? ● Somático, autonômico ou ambos ● Motor, sensitivo ou ambos Evolução: ● Aguda→Guillain-Barré, porfiria→ até 4 semanas ● Subaguda e crônica→DM, hanseníase→ >4 semanas Distribuição ● Predominantemente distal ou proximal, ou ambos ● Dermátomo, plexo, radicular Quais as alterações clínicas? ● Sinais, sintomas, exame físico (força muscular, sensibilidade, reflexos, etc..) ● Condições médicas → doenças relatadas, medicações usadas ● História familiar Qual é a patologia? ● Axonal, desmielinizante ou mista ● Neuropatias sensitivas→ destruição das fibras neurais de diâmetro pequeno ou grande → + comum a combinação de fibras afetadas. ○ Fibras finas → em geral tem disfunção autonômica associada → associada ao diabetes melito, à amiloidose, à doença de Fabry e à hanseníase lepromatosa. ○ Fibras grossas→ menos prevalente, mas está associada a intoxicação por tálio, ganglioneurite paraneoplásica, doença de Sjögren, toxicidade da piridoxina (vitamina B6) e sífilis. 🤔 Neuropatia e polineuropatia periféricas são termos usados para descrever as síndromes resultantes das lesões difusas dos nervos periféricos → geralmente se evidenciam por fraqueza, déficit sensitivo, dor e disfunção autonômicas. ● Mononeuropatia → acometimento de um único nervo → consequência de traumatismo, compressão ou encarceramento local. 1 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Mononeuropatia múltipla → acometimento focal de dois ou mais nervos→ doença sistêmica como diabetes melito ou vasculite. Sintomas Associados ● Queimação→DM ● Polineuropatia → dor, parestesias, fraqueza e déficit sensitivo distais. A dor pode ser espontânea ou desencadeada pela estimulação da pele e pode ser do tipo cortante ou ardente. ● Perda da sensibilidade à dor pode acontecer com as lesões traumáticas repetitivas associadas à degeneração das articulações (artropatia ou articulações de Charcot) e com as úlceras crônicas. Padrão de comprometimento: ● Simétrica → polirradiculoneuropatias(GB) ● Assimétricas → focal/traumática, mononeuropatias múltiplas (vasculite) Padrão de comprometimento de fibras sensitivas, motoras, autonômicas, fibras finas. ● Distribuição ○ Proximal→ polirradiculoneuropatia ○ Distal→Charcot Marie Tooth ● Tipo de lesão ○ Axonal→ mercúrio, porfiria ○ Desmielinizante→ polirradiculoneurites ● Causas ○ Adquiridas (DM, hanseníase, drogas) ○ Hereditárias (Charcot Marrie Tooth) Neuropatia motora ● 2º neurônio ou inferior (corno da medula) → Fraqueza, atrofia, fasciculações, cãibra ● 1º neurônio ou superior → fraqueza, atrofia, espasticidade (tônus aumentado, reflexo aumentado) Neuropatia sensitiva → parestesias, dor, queimação, choque, hipersensibilidade, hipoestesia, instabilidade postural Polineuropatias proximal motora simétrica ● Síndrome Guillain Barré → Polirradiculoneurite inflamatória desmielinizante aguda ● É de caráter ascendente, podendo comprometer a musculatura respiratória ● Muito comum no COVID → SARS-CoV-2 → neurotrópico com entrada pelo trato olfativo ● Polirradiculoneurite inflamatória desmielinizante crônica (PIDC): Guillain Barré que cronifica ● Porfiria ● DM ● Intoxicação/arsênico ● HIV/AIDS Polineuropatia sensitivo motora simétrico distal Endócrinas ● DM, hipotireoidismo Nutricional ● Deficiência de B12 Polineuropatia do doente crítico→ PRN Infecciosa ● AIDS Autoimune ● Sarcoidose Neuropatia tóxica ● Acrilamida, tolueno, mercúrio Drogas ● Alfainterferona Inspeção ● Pé cavo→ sinal de polineuropatia ○ Charcot Marie Tooth ● Pé de Charcot→ abaulamento no pé = DM 2 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Pernas em garrafa de champagne invertida (lipodermatoesclerose) ● Alteração da coloração da pele, presença de peles, atrofia Acometimento Neurônio Pode acometer a mielina ou o axônio. O DM pode acometer os 2 locais. Acometimento axonal: ● Neuropraxia ○ + comum por insulto leve, resultando em desmielinização focal, sem degeneração axônica associada. ○ Bloqueio da condução focal transitório através da lesão. ○ O axônio distal ao local de lesão permanece intacto, e o nervo mantém a sua continuidade. ○ Pode se manifestar na forma de fraqueza ou perda sensitiva na distribuição anatômica do nervo afetado. ○ Não há necessidade de nenhuma intervenção terapêutica específica ○ Pessoas bêbadas que dormem de todo jeito ● Axonotmesis → destruição do axônio , podendo ficar mielina → consiste de interrupção anatômica do axônio, sem interrupção, ou com uma interrupção parcial somente da estrutura do tecido conectivo ○ Ocorre durante lesões por esmagamento, distensão ou percussão, como ferimentos por arma de fogo, em que a lesão é causada, com mais frequência, pelo calor indireto e onda de choque da bala, e não por transecção. ○ Resultam em dano irreversível aos elementos axônicos, incluindo a bainha de mielina, com consequente degeneração distal. ○ As estruturas de sustentação, como o epineuro, o perineuro e, algumas vezes, o endoneuro, permanecem intactas. ○ O prognóstico para as lesões axonotméticas depende de vários fatores → grau de ruptura da estrutura interna do nervo, distância do órgão-alvo e as características particulares do nervo lesionado. ● Neurotmese → ruptura total do axônio, incluindo a destruição do nervo →DM ○ Perda completa de continuidade do nervo. 3 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ○ Todas as camadas de tecido conjuntivo, o axônio e a bainha de mielina sofrem dano irreversível. ○ Há necessidade de intervenção cirúrgica ● Destruição Walleriana → perda de função da parte longa (axônios) de algum neurônio que tenha sofrido uma lesão geralmente mecânica (distensão ou esmagamento) ⇒ se refere a lesão nervosa periférica → mielínica e axonal 🤔DM pode causar todos os tipos de neuripatias!! ● Predomina a axonal! Acometimento da mielina → impulso nervoso desacelerado, ocorrendo dispersão ● Neuropraxia: acometimento apenas da mielina reversível → Ex.: quando dorme por cima do braço e ele fica dormente. ● Desmielinização→Guillain-Barré 4 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Neuropatias Infecciosas ou/e Inflamatórias Infecciosas de causa definida ● Doença de Lyme ● HIV/AIDS ● Lepra ● Herpes zoster ● Hepatite B ● Hepatite C Autoimune ou possível infecciosas ● Sarcoidose ● Sd de Guillain-Barré/ (AIDP) ● Polineuropatia inflamatória desmielinizante crônica (PIDC) ● Vasculite ● Poliarterite nodosa (PAN) ● Artrite reumatóide ● Lúpus eritematoso sistêmico → mto por destruição do vasa nervorum ● Sd de Sjogren ● Neuropatia motora multifocal (NMM) ● Crioglobulinemia Tratamento Imunossupressor ● Prednisona→PIDC, vasculite ● Metilprednisolona→CIDP, vasculite ● Azatioprina→CIDP ● Ciclofosfamida→ vasculite, CIDP, MMN Tóxicas Axonal ● Vincristina→Oncovin ● Colchicina→ probenecida ● Isoniazida ● Hidralazina→ apresolina ● Metronidazol→ flagyl ● Lithium ● Alfainterferona ● Dapsona ● Fenitoína ● Cimetidina ● Dissulfiram ● Cloroquina ● Etambutol ● Amitriptilina ● Estatinas Desmielinizantes ● Amiodarona ● Cloroquina Neuronopatia ● Talidomida ● Cisplatina ● Piridoxina Metais pesados, toxinas industriais ● Acrilamida ● Óxido etileno ● Hexacarbonos ● Monóxido de carbono ● Organofosforados ● Arsênica ● Mercúrio ● Ouro ● Tálio Neuropatias Metabólicas Causas ● DM ● Uremia ● Doenças hepáticas crônicas ● Hipotireoidismo ● Amiloidose ● Acromegalia ● Gamapatia monoclonal ● Doença renal em estágio terminal ● + raro ○ Hipertireoidismo ○ Porfiria ○ Insuficiência adrenal→ autonômico Fisiopatologia Vascular→ neuropatia focal ou multifocal ● Acometimento de vasos que irrigam o nervo periférico → vasa-nervorum Metabólica→ polineuropatia simétrica ● + comum ● Lesa o funcionamentodos nervos Imunológica/inflamatória Degeneração/axonal ou dismielinação segmentar 5 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Classificação da polineuropatia diabética: ● Polineuropatia generalizada simétrica ○ Polineuropatia sensitiva distal (PNSD) ○ Variante→ aguda ○ PIDC diabética ○ Doença monofásica ○ PN diabética/caquexia ○ PN hiperglicêmica ○ Tto induzindo o PN diabético ● PN assimétrica focal e multifocal ○ Radiculopexopatia lombossacral diabética → Síndrome de Bruns-Garland, amiotrófica diabética, neuropatia diabética proximal ○ Neuropatia Diagnóstico das Neuropatias Biópsia de nervo periférico → só faz quando ñ chega a diagnóstico → Pede quando desconfia de neuropatia criptogênica e idiopática. ● Nervo afetado clinicamente ● Nervo com alterações eletrográficas ● Nervo sensitivo ● Biópsia fascicular x total ● Sequelas ● Vantagens e desvantagens ● Útil p: ○ Hanseníase ○ Vasculite ○ Amiloidose ○ Sarcoidose ○ Infiltração neoplásica Teste com microfilamento ● A técnica adequada consiste em pedir p/ o pcte fechar os olhos e fazer pressão com o monofilamento de 10 gramas. ● O monofilamento é colocado perpendicularmente à pele e a pressão aplicada até que o monofilamento dobre ● O monofilamento deve ser mantido na posição dobrada por 1 segundo e então liberado. ● Os locais de teste incluem as cabeças do primeiro, terceiro e quinto metatarso e a superfície plantar do hálux distal em cada pé ● A perda da capacidade de detectar o monofilamento em um ou mais locais indica neuropatia com alto risco de ulceração do pé. Exames de Laboratório ● Hemograma ● VHS ● Provas inflamatórias ● Metais pesados→ screnning toxicológico ● Anticorpos ● Testes genéticos ● FAB, anti-DNA, célula LE ● ANCA-P e ANCA-C ● Anticorpos → anti-mAG, anti-sulfatídeo anti-GM1, anti-ANNA-1, Anti-Hu ● Testes genéticos → painel genético para as neuropatias periféricas ou exoma Eletroneuromiografia ● Casos mais resistentes e sem resposta adequada ● Após estímulo afere amplitude e potencial de ação da condução nervosa ● Responde: ○ Há doença de nervos periféricos? ○ Qual o padrão de acometimento? ■ Topográfico, sensorial, motor, sensimotor ○ Axonopatia x mielonopatia 6 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Neuropatia Diabética ● + frequente → aproximadamente 50% dos pacientes com diabetes acabarão por desenvolver neuropatia ● Sensitiva distal, fraqueza muscular → fraqueza músculos intrínsecos dos pés ● Disestesia, queimação, redução da sensibilidade vibratória, tátil e arreflexia ● Evolução → ataxia sensitiva, N. autonômica, disfunção sexual, atonia de bexiga, alterações pupilares Classificação Neuropatia difusa ● PNSD → polineuropatia simétrica distal → perda progressiva da sensação distal correlacionada com a perda de axônios sensoriais, seguida, em casos graves, por fraqueza motora e perda axonal motora. ○ Principalmente neuropatia de fibras pequenas ○ Principalmente neuropatia de fibras grandes ○ Neuropatia mista de fibras pequenas e grandes (mais comum) ● Autonômica → complicação comum → diagnóstico de exclusão e pode passar despercebido devido ao envolvimento de múltiplos órgãos e início insidioso. ○ Cardiovascular ■ VFC reduzida ■ Taquicardia em repouso ■ Hipotensão ortostática ■ Morte súbita (arritmia maligna) ○ Gastrointestinal ■ Gastroparesia diabética (gastropatia) ■ Enteropatia diabética (diarreia) ■ Hipomotilidade colônica (constipação) ○ Urogenital ■ Cistopatia diabética (bexiga neurogênica) ■ Disfunção erétil ■ Disfunção sexual feminina ○ Disfunção sudomotora ■ Hipidrose/anidrose distal ■ Sudorese gustativa ○ Desconhecimento da hipoglicemia ○ Função pupilar anormal Mononeuropatia (mononeurite multiplex) (formas atípicas) ● Nervo craniano → + comum em nervos de regiões oculares→ oculomotor, abducente e troclear ○ Oftalmoplegia diabética → dor unilateral, ptose e diplopia, com preservação da função pupilar ○ Paralisia de Bell ocorre com mais frequência em diabéticos! ● Nervo periférico isolado ○ + comum é a mediana no punho ○ Fibular comum ● Mononeurite multiplex → Múltiplas mononeuropatias no mesmo paciente → se confluente pode assemelhar-se a polineuropatia Radiculopatia ou polirradiculopatia (formas atípicas) ● Neuropatia do radiculoplexo → polirradiculopatia lombossacral, amiotrofia motora proximal ○ Tipo + comum de polirradiculopatia ○ Afeta as raízes nervosas lombossacrais e os nervos periféricos. ○ Vários mecanismos fisiopatológicos foram propostos como causa → isquêmicos, metabólicos e/ou inflamatórios → + provável é a lesão isquêmica causada por uma microvasculite não sistêmica. ○ Início agudo, assimétrico e focal da dor, seguido de fraqueza envolvendo a perna proximal, com insuficiência autonômica associada e perda de peso. ○ A progressão ocorre ao longo de meses e é seguida por recuperação parcial na maioria dos pacientes. ○ Nenhum tratamento é comprovadamente eficaz ● Radiculopatia torácica → dor abdominal intensa, às vezes em um padrão semelhante a uma faixa ○ Alguns apresentam sintomas e sinais que sugerem radiculopatia torácica, plexopatia braquial ou mononeuropatias dos nervos ulnar e mediano. Neuropatias não diabéticas comuns no diabetes ● Paralisias de pressão ● Polineuropatia desmielinizante inflamatória crônica ● Neuropatia radiculoplexo ● Neuropatias dolorosas agudas de pequenas fibras (induzidas por tratamento)→ neurite insulínica ○ Incomum de pequenas fibras ○ Pacientes com hiperglicemia crônica que apresentam rápida melhora no controle glicêmico 7 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ○ As principais manifestações clínicas são dor intensa e resistente ao tratamento e disfunção autonômica, além de piora da retinopatia e da nefropatia. ○ Patogênese incerta→ mecanismos propostos incluem edema endoneural e isquemia, apoptose por privação de glicose e lesão neuronal microvascular devido a hipoglicemia recorrente. ○ Tto sintomático Outras neuropatias diabéticas → incomuns → associadas à perda de peso ● Caquexia neuropática diabética → polirradiculopatia diabética difusa sobreposta à neuropatia periférica grave. → está associada à perda de peso grave e não intencional e à depressão → + frequente em homens com DM2 em uso de hipoglicemiantes orais, de meia idade ou mais velhos. A maioria dos pacientes melhora espontaneamente dentro de 12 a 24 meses, embora alguns apresentem déficits neurológicos residuais. Não há terapia específica e o manejo é de suporte. ● Anorexia diabética → polineuropatia tipicamente dolorosa observada com perda de peso intencional. Os sintomas podem melhorar à medida que o peso é recuperado. Fisiopatologia A polineuropatia simétrica distal é a forma mais comum de neuropatia diabética ● Causa →axonopatia de "morte" dependente do comprimento, envolvendo principalmente as porções distais dos axônios sensoriais mielinizados e não mielinizados mais longos, com relativa preservação dos axônios motores. ● Evidências de disfunção do nervo proximal nos gânglios sensoriais, o que pode contribuir para esse fenômeno ● Morfológica e funcionalmente indistinguível de muitas outras neuropatias "metabólicas", incluindo a neuropatia urêmica e a neuropatia alcoólica. ● Anormalidades morfológicas dos vasa nervorum estão presentes no início do curso da doença e podem ser paralelas à gravidade da perda de fibras nervosas. Fatores metabólicos + vasculares → alteração no equilíbrio entre dano e reparo das fibras nervosas, favorecendo o dano. ● Padrão seletivo → afeta + as sensoriais e autonômicas distais→ perda progressiva de sensação Múltiplas vias reguladas convergem para promover a disfunção mitocondrial com falha bioenergética e dano oxidativo dos axônios. ● Mitocôndrias devem viajar do neurônio sensorial ao longo de todo o comprimento do axônio para suprir as necessidades de energia axonal → lesão metabólica ocorre tanto no corpo celular quanto durante o tráfego mitocondrial → falha bioenergética, especialmentena porção mais distal do axônio.→ resulta na perda axonal distal a proximal que é a marca registrada da neuropatia diabética . Produção de energia ● Diabéticos têm excesso de glicose e lipídios circulantes → sobrecarga à produção normal de ATP → aumento da produção de ERO, falha de energia e perda da função celular normal. ○ Aumento das EROS interrompe a função do retículo endoplasmático, levando ao 8 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA enrolamento incorreto das proteínas e à lesão celular ○ Também danifica as mitocôndrias, interrompe a sinalização celular normal e produz danos celulares significativos, resultando em um ciclo vicioso de falha de energia e perda da função normal. ● Mitocôndrias lesionadas não podem mais viajar pelos axônios, e essa interrupção no tráfego axonal mitocondrial normal está subjacente ao padrão distal a proximal de dano axonal observado na neuropatia diabética. Poliol e hexosamina ● Excesso de glicose é metabolizado pelas vias do poliol e da hexosamina. ● Na via do poliol, o acúmulo de sorbitol leva à depleção do fosfato reduzido de NADPH. ● A via da hexosamina produz dinucleotídeos acetilados em excesso ● Subprodutos do excesso de energia levam ao aumento de ERO, perda de energia e inflamação Papel da isquemia ● Secundária à disfunção endotelial ● Fatores isquêmicos e metabólicos podem operar juntos Papel do reparo das fibras nervosas ● Reparo dos nervos periféricos é prejudicado no diabete ● Perda de peptídeos neurotróficos induzida pela doença que normalmente medeiam o reparo, a regeneração e a manutenção tônica dos nervos. → fator de crescimento nervoso, fator neurotrófico derivado do cérebro, neurotrofina-3, fatores de crescimento semelhantes à insulina e fator de crescimento endotelial vascular. ● A insulina funciona como um fator neurotrófico para os neurônios periféricos e, portanto, a perda de insulina no diabetes tipo 1 pode comprometer a viabilidade e o reparo dos nervos. Fatores de risco ● Maior duração do DM ● Níveis mais elevados de hemoglobina glicada ● Hipertensão ● Obesidade ● Dislipidemia ● Uso do tabaco ● Uso crônico de álcool ● Altura mais alta do paciente ● Idoso 9 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA 🚨 A idade avançada e a duração e gravidade da hiperglicemia são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de neuropatia diabética em pacientes com DM 1 e 2 Clínica ● Os primeiros sinais de polineuropatia diabética provavelmente refletem a perda gradual da integridade das fibras nervosas mielinizadas grandes e mielinizadas pequenas e não mielinizadas ● A grande perda de fibras nervosas leva ao comprometimento da sensação vibratória e da propriocepção e à redução dos reflexos do tornozelo ● A perda de pequenas fibras nervosas leva ao comprometimento da dor, do toque leve e da sensação de temperatura Sintomas e sinais de polineuropatia simétrica distal (DSPN) Grandes fibras nervosas mielinizadas Pequenas fibras nervosas mielinizadas Função Pressão, equilíbrio Nocicepção, sensação protetora Sintomas Dormência, formigamento, falta de equilíbrio Dor: queimação, choques elétricos, facadas Exame Reflexos do tornozelo: reduzidos/ausentes Percepção de vibração: reduzida/ausente 10 g de monofilamento: reduzido/ausente Propriocepção: reduzida/ausente Discriminação térmica (frio/quente): reduzida/ausente Sensação de picada: reduzida/ausente Sinais e sintomas neuropáticos ● Negativos → relacionados à perda ou disfunção de fibras nervosas→ dormência e perda de equilíbrio ● Positivos → relacionados à função anormal das fibras nervosas sobreviventes→ formigamento e dor. ○ Pioram à noite ● Começam distalmente nos dedos dos pés e pése ● Até 50% pode ser assintomático→ exame físico revela perda sensorial leve a moderadamente grave ● Os reflexos do tornozelo diminuídos ou ausentes ocorrem no início da doença, enquanto a perda mais generalizada dos reflexos é um achado tardio. ● Com a progressão da doença, a perda sensorial aumenta e, ao atingir aproximadamente o meio da panturrilha, surge nas mãos.→ perda sensorial do tipo “meia-luva”.→ reflete dano preferencial de acordo com o comprimento do axônio ○ Axônios mais longos são afetados primeiro. ○ O envolvimento motor com fraqueza franca ocorre no mesmo padrão, mas apenas muito mais tarde e em casos mais graves. Sinais cutâneos e articulares ● Formação de úlceras nos pés e doenças musculares e articulares. → Predisposição devido à perda progressiva da sensação protetora ● As úlceras nos pés são geralmente classificadas em dois grupos → úlceras agudas secundárias à abrasão dérmica causada por sapatos mal ajustados e úlceras plantares crônicas que ocorrem em áreas de sustentação de peso. ● A ulceração crônica é provavelmente multifatorial, devido a uma combinação de polineuropatia diabética (com diminuição da sensação de dor), disfunção autonômica e insuficiência vascular. ● A perda axonal motora distal resulta em atrofia dos músculos intrínsecos do pé e um desequilíbrio entre a força nos extensores e flexores dos dedos dos pés. → última análise leva à flexão metatarso-falângica crônica (deformidade em garra), que transfere o peso para as cabeças dos metatarsos → formação de calosidades que podem fissurar, infeccionar e ulcerar. ● Outras alterações artropáticas também podem se desenvolver, incluindo colapso do arco do mediopé e proeminências ósseas, levando à artropatia de Charcot, fragmentação e esclerose óssea, formação de osso novo, subluxação, luxação e fraturas por estresse. Diagnóstico Clínico→ ENMG e biópsia de nervo ñ são necessários! Quem deve ser examinado? ● Pacientes com diabetes no momento do diagnóstico de diabetes tipo 2 e cinco anos após o diagnóstico de diabetes tipo 1 ● Pacientes com pré-diabetes que apresentam sintomas de polineuropatia ● Após a triagem inicial, todos os pacientes com diabetes tipo 2 ou tipo 1 que não apresentam polineuropatia devem ser examinados pelo menos anualmente para o desenvolvimento de neuropatia A avaliação da triagem inclui os seguintes elementos essenciais: ● Uma história cuidadosa 10 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Avaliação da função de pequenas fibras nervosas testando a sensação térmica ou de picada de alfinete e a percepção do toque leve com um monofilamento de 10 g na face dorsal do dedão distal do pé ● Avaliação da função de grandes fibras nervosas testando a sensação de vibração com um diapasão de 128 Hz, propriocepção (sensação de posição articular) e reflexos tendinosos profundos no tornozelo em comparação com locais mais proximais Avaliação pelo Instrumento de triagem de neuropatia de Michigan, Escala de Neuropatia Precoce de Utah Devo pedir exames? ● Pacientes com diabetes ou outra causa conhecida de polineuropatia simétrica distal (por exemplo, alcoolismo, quimioterapia) não necessitam de exames adicionais. ● O teste eletrodiagnóstico é necessário apenas quando a apresentação clínica da polineuropatia é atípica da polineuropatia diabética ● Para pacientes com diabetes que apresentam uma causa obscura de neuropatia, apesar de uma história clínica e exame detalhados, os exames laboratoriais sugeridos incluem B12 sérico e imunoeletroforese de proteínas séricas com imunofixação. ● Para pacientes com polineuropatia simétrica distal sem diagnóstico conhecido de diabetes, particularmente aqueles com múltiplos fatores de risco, é razoável obter um nível sérico de glicose em jejum e um teste de tolerância à glicose. Critérios diagnósticos → achados clínicos de um paciente com diabetes → sinais típicos, sinais típicos ao exame na ausência de sintomas ou apenas com a presença de uma úlcera indolor no pé. Quando pedir ENMG?? ● Evolução rápida da fraqueza muscular → sobreposição PIDC ● História familiar de neuropatia periférica → clínica sugestiva NHCMT Quando considerar a biópsia do nervo? ● Predomínio de neuropatia autonômica precocemente→ amiloidose ● Fraqueza rápida demembros inferiores→PIDC ● Padrão multifocal de rápida evolução → biópsia de músculo e nervo 4Tratamento ● Tratamento sintomático e tratamento p não piorar → controle da glicemia Nesta figura, o declínio na hemoglobina A1c é mostrado ao longo do eixo x, com o risco absoluto de desenvolver neuropatia mostrado ao longo do eixo y. ● Com uma mudança maior na hemoglobina A1c, o risco de desenvolver neuropatia do diabetes aumenta. Além disso, as manifestações clínicas da neuropatia tendem a piorar, cobrindo regiões maiores do corpo. ● As áreas vermelhas do corpo estão regularmente envolvidas, enquanto as áreas cinzas às vezes estão envolvidas. ● Com uma alteração modesta na hemoglobina A1c de 2% a 3%, uma neuropatia distal de pequenas fibras pode ser a única manifestação Modificação dos fatores de risco ● Intervenções no estilo de vida ● Redução do peso corporal ● Metas individuais de glicemia, PA, perfil lipídico ● 150 minutos de atividade aeróbica moderada a vigorosa e duas a três sessões de treinamento de resistência semanalmente ● Cuidados com os pés ● Segurança e quedas ● Deficiência de B12 → principalmente em pacientes em uso de metformina Dor ● As opções de farmacoterapia de primeira linha para a neuropatia diabética dolorosa incluem vários antidepressivos (por exemplo, duloxetina , venlafaxina , amitriptilina e outros medicamentos tricíclicos) e os medicamentos anticonvulsivantes gabapentinoides ( pregabalina , gabapentina ) ● Escolha baseada nas comorbidades 11 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Antidepressivos ○ Tricíclicos ■ Amitriptilina → 25 mg/dia - 125 mg c/ 1-2 semanas→150mg ■ Imipramina→ 10-150 mg/dia ■ Boca seca, constipação, sedação, retenção urinária; ação anticolinérgica (esquecimento) não indicado para idosos ● Venlafaxina→ 75-225 mg ○ Inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina ● Duloxetina→ 60-120 mg ○ Inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina ● Bupropiona→ 150mg/dia/7 dias→ 2x dia ○ Inibidor da recaptação de dopamina e noradrenalina ● Escolher de acordo com os ef. colaterais ● Fármacos anti-crise→ anticonvulsivantes ○ Gabapentina → Muito usado → 900-3600mg/dia ○ Carbamazepina → Disponível na APS → 200-800 mg/dia ○ Pregabalina→ 150-600 mg/dia ○ Lamotrigina→ 100-200 mg/dia ○ Fenitoína→ 300 mg/dia ● Analgésicos tópicos → uso vem sendo substituído → tto sintomático ○ Capsaicina → 3-5x ao dia → creme 0,025% ou 0,075% ● Analgésicos opióides→ tramadol 50mg→ 1-2x/dia→ total de 200-400mg/dia ● Acupuntura Classe de drogas Comorbidades que favorecem o uso Comorbidades que favorecem a evitação Inibidores da recaptação de serotonina-norepine frina (SNRIs) ● Duloxetina* ● Venlafaxina Depressão Ansiedade Síndrome das pernas inquietas Disfunção sexual (para venlafaxina) Glaucoma de ângulo fechado Antidepressivos tricíclicos (ADTs) ● Amitriptilina ● Nortriptilina ● Desipramina Depressão Ansiedade Insônia Doença cardíaca QTc prolongado Hipotensão ortostática Disfunção sexual Retenção urinária Glaucoma de ângulo fechado Medicamentos anticonvulsivantes gabapentóides ● Pregabalina* ● Gabapentina Síndrome das pernas inquietas Tremor essencial Insônia Abuso de substâncias Edema periférico Doença pulmonar obstrutiva crônica 🤔 Anticonvulsivante se tiver com muita dor. ● Anaglesico até o antiepiléptico começar a fazer efeito Sintomas autonômicos→ complicações ● Acometimento cardiovascular, genitourinária, gastrointestinal ● Hipot. ortostática ○ Fludrocortisona→Antinflamatório ○ Midodrine (proamatine) 10mg/3x/dia - é um agonista alfa adrenoceptor, aumenta PA (constrição arterial e venosa) ● Gastroparesia → procinéticos → metoclopramida, domperidona ● Impotência→ sildenafila ● Atonia bexiga → medicação para controle de esfíncter vesical Fluxo tto: ● Neuropatia sintomática → excluir outras neuropatias → estabilizar controle da glicemia → tricíclicos → anti-crise → opióides → consideras outros (acupuntura, cremes) SGB com fase de progressão estendida ● Fase de progressão que excede 4 semanas ● Nestes pacientes, muitas vezes surge a questão de saber se o paciente realmente tem SGB ou se tem polineuropatia desmielinizante inflamatória crônica de início agudo (A-CIDP) Quando considerar o diagnóstico de A-CIDP? ● Pcts que foram inicialmente diagnosticados com SGB apresentam 3 ou mais períodos de deterioração clínica ou quando ocorre nova deterioração em > 8 semanas após o início da doença 12 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Pacientes com GBS-TRF podem melhorar após o retratamento com IVIg, enquanto aqueles com A-CIDP muitas vezes necessitam de tratamento crônico de manutenção com IVIg ou uma mudança terapêutica para corticosteróides!!!! Déficits residuais ● 6 meses após o início da doença, cerca de 20% dos pcts ainda não conseguem andar sem ajuda ● A maior parte da melhora ocorre no primeiro ano após o início, mas pode continuar após esse período ● Quais são? Redução da força muscular, sinais sensoriais, fadiga e dor ● Mts pcts precisam fazer mudanças no estilo de vida, no trabalho e nas atividades sociais ● Reabilitação multidisciplinar de alta intensidade → reduz incapacidade e melhora qualidade de vida ● Sintomas duradouros de fadiga estão presentes na maioria dos pcts com SGB ● Dor moderada a intensa é comum em pcts com SGB→ locais mais comuns: dor nas extremidades e nas costas → parestesias dolorosas, dores musculares, radiculares, artralgia ou meningismo ● A dor pode ser tratada com analgésicos neuropáticos, mas nem todos os pacientes respondem bem a esse tratamento Prognóstico Sua previsão precisa é importante para permitir que os médicos adaptem os cuidados de suporte e o tratamento às necessidades individuais do paciente e para informar os pacientes e familiares sobre o curso clínico esperado Escore de Desfecho para Síndrome de Guillain-Barré de Erasmus (EGOS) ● Pacientes com escore igual a 4 após duas semanas do início do quadro tem 7% de risco de não caminharem independentemente em 6 meses. 13 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Esse risco aumenta para 27% com escore de 5 e para 52% com escore maior que 5. Preditores de necessidade de ventilação →Erasmus GBS Respiratory Insufficiency Score (EGRIS) ● Pode ser utilizado no pronto-socorro para prever a possibilidade de desenvolvimento de insuficiência respiratória na primeira semana após a admissão ● Parâmetros avaliados: gravidade da fraqueza (pontuação da soma do MRC ⇒ extensão do punho, flexão de quadril, extensão de joelhos e dorsiflexão de pé), número de dias entre o início da fraqueza e a admissão e fraqueza facial e/ou bulbar ● EGRIS de 0 a 2 indica um baixo risco; um escore de 3 a 4 indica um risco intermediário (24%), e um escore ≥ 5 indica um risco elevado de necessitar de ventilação mecânica (65%) ● Se probabilidade de insuficiência respiratória for alta (EGRIS>4) ⇒ é melhor internar o pct em uma UTI do que em uma enfermaria de neurologia geral Preditores de mau prognóstico a longo prazo: ● Pontuação GBS ≥ 3 após 6 ou 12 meses, idade avançada, nota tão alta na escala GBS, diarreia precedendo a SGB⇒ resultados ruins ● Erasmus GBS Outcome Score (EGOS) → baseia-se em 3 variáveis → idade, escore de incapacidade GBS 2 semanas após a admissão hospitalar e diarreia anterior → 2 semanas é um atraso muito longo para adaptar o tto de acordo com o resultado ⇒ EGOS modificado ● EGOS modificado: pode ser usado para prever resultados no início do curso da SGB (na admissão ou 1ª semana após admissão hospitalar), antes que ocorram danos irreversíveis → idade, grau de força (soma de MRC) e diarreia anterior Preditores de morte ● Mortalidade por SBG varia de 3 a 7% ● Preditores de aumento do risco de morte: idade avançada, doença grave, aumento de comorbidades, complicações pulmonares e cardíacas, ventilação mecânica e infecção sistêmica ● Maior proporção de mortes ocorreu > 30 dias após início ● Um estudo mostrouque a maioria dos pcts que morreram estavam na fase de recuperação ● Os pacientes gravemente afetados na fase de recuperação da SGB e após a alta da UTI ainda necessitam de boa observação e cuidados de suporte ● Causas mais comuns de morte: insuficiência respiratória, infecção pulmonar, disfunção autonômica e parada cardíaca Polineuropatia Desmielinizante Inflamatória Crônica Início agudo e insidioso + evolução progressiva → seguida de evolução progressiva crônica ou recidivante ● Versão crônica da SGB ● Ocorre geralmente após infecções virais inespecíficas → menos comum que SGB ● Desmielinização segmentar e infiltrados linfocíticos nos nervos periféricos ○ Depósitos de anticorpos e infiltrados inflamatórios na bainha de mielina seriam responsáveis pelo processo de desmielinização relacionados com as manifestações clínicas e neurofisiológicas. ● Concentração de pteínas no LCR aumentada→ menor comum que SGB ● Forma infantil começa com hipotonia e atraso do desenvolvimento motor. ● Alguns pacientes têm neurite óptica. 🤔 O diâmetro dos nervos pode aumentar em razão da proliferação das células de Schwann e deposição de colágeno depois de desmielinização e remielinização segmentares Clínica ● Déficit motor e sensitivo, simétrico, evoluindo de forma progressiva ou em surto-remissão por um período de, pelo menos, oito semanas. ● O início é geralmente insidioso, mas quadros de início agudo podem ocorrer e, inicialmente, serem 14 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA confundidos com a síndrome de Guillain-Barré, especialmente nos casos em que esta apresenta flutuações relacionadas com o tratamento. ● O paciente vai lentamente evoluindo com piora da força muscular, com períodos de exacerbação e remissão. ● EF igual ao da SGB, exceto por um comprometimento maior da sensibilidade e menor simetria. ● Pode ser uma síndrome paraneoplásica→ principal por Ca broncogênico oat cell ● Pode estar associada a uma gamopatia monoclonal de significado indeterminado (em 25% das vezes). ● A perda de força é tanto proximal quanto distal e desproporcional ao grau de atrofia muscular → indica um processo desmielinizante em vez de perda axonal comprimento dependente ● Hipo ou arreflexia. ● Os déficits sensitivos são predominantemente distais (bota e luva) e afetam mais intensamente as modalidades relacionadas com as fibras mielinizadas como palestesia e propriocepção, podendo ocasionar ataxia sensitiva. ● Dor neuropática é rara, assim como sintomas disautonômicos e o acometimento de nervos cranianos e da musculatura respiratória. Variantes Forma multifocal assimétrica ● Distribuição multifocal de envolvimento sensitivo e motor → MADSAM (Multifocal Acquired Demyelinating Sensory And Motor neuropathy) ou síndrome de Lewis-Sumner. ● Déficits ocorrem mais frequentemente nos membros superiores, envolvendo um número variável de nervos periféricos e assemelhando-se a uma mononeurite múltipla. ● Sinais clínicos e neurofisiológicos de desmielinização em vez de perda axonal, bem como a rápida resposta a prednisona, diferenciam MADSAM da mononeurite múltipla. Forma distal ● Alguns pctes com quadro simétrico apresentam um envolvimento marcadamente distal → neuropatia simétrica desmielinizante adquirida distal (DADS). ● Envolvimento predominantemente sensitivo, apesar de claro envolvimento de fibras motoras em estudos neurofisiológicos e de manifestações clínicas motoras em grau variável, geralmente mais leve. ● Um subgrupo dos pacientes com DADS apresenta IgM monoclonal correspondendo a anticorpos contra glicoproteína associada a mielina (anti-MAG), que podem ser identificados como DADS-M para distingui-los dos casos idiopáticos (DADS-I). ● Ñ respondem ao tratamento convencional com corticosteróides ou imunoglobulina EV. Forma exclusivamente sensitiva ● Envolvimento seletivo de raízes sensitivas. ● Polirradiculopatia sensitiva desmielinizante crônica → apresentam ataxia sensitiva e estudos de neurocondução sensitiva e motora normal nos nervos periféricos. ● Potenciais evocados somatossensitivos estão alterados, localizando a disfunção ao nível radicular. Forma exclusivamente motora ● Envolvimento assimétrico de fibras motoras de nervos periféricos, mais frequentemente em MMSS → neuropatia motora multifocal → Pacientes geralmente apresentam bloqueio de condução motora na eletroneuromiografia e anticorpos anti-GM1. ● Respondem bem à imunoglobulina endovenosa, maaaaas a resposta a corticosteroides é pobre e seu uso deve ser evitado Outras formas de PIDC ● Pctes c/ quadro distal ou proximal e distal de envolvimento sensitivo e motor + grave tremor postural e de intenção podem apresentar anti-IgG4 contra contactina-1 e neurofascina-155. → não respondem à terapêutica convencional com IgIV e corticosteróides → eventualmente podem responder à plasmaferese ou rituximabe. ○ Raramente, pode-se observar desmielinização concomitante no sistema nervoso central, que pode ser assintomática ou ter características semelhantes à esclerose múltipla. A Diagnóstico Clínico→ ñ há testes específicos ● Fazer testes p/ HIV, paraproteínas monoclonais, anticorpos contra glicoproteína associada à mielina (MAG) e, em alguns casos, doença de CMT tipo 1 ou neuropatia hereditária com predisposição à paralisia por pressão 15 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Eletroneuromiografia ● Achados de desmielinização, como aumento de latências motoras distais, redução das velocidades de condução motoras, dispersão temporal, bloqueio de condução e aumento da latência de ondas F, associados a associados a graus variáveis de perda axonal secundária -potenciais de ação de nervos sensitivos e potenciais de ação musculares compostos não elicitáveis ou com amplitude reduzida, com sinais de denervação aguda e crônica na eletromiografia com eletrodos de agulha. ● Variante DADS → aumento desproporcional das latências motoras distais. Líquor ● Dissociação proteinocitológica em 95% dos casos ● Variantes com envolvimento mais distal - MADSAM, DADS e NMM→ podem ter proteína normal ● Presença de hipercelularidade liquórica deve levantar a suspeita de PIDC associada ao HIV Biópsia de nervo periférico ● Pode mostrar infiltrado inflamatório e sinais de desmielinização e remielinização com formação de bulbos de cebola. ● Observam-se, ainda, sinais de perda axonal secundária ● Sua utilidade maior está em afastar diagnósticos diferenciais, como vasculites, hanseníase ou amiloidose, em pacientes com apresentações atípicas e investigação inconclusiva. Tratamento ● Glicocorticóides são eficazes→ metilprednisolona 6/6 semanas ou prednisona em doses imunossupressoras. ● Tbm melhora com plasmaférese ou IGIV. ● Fármacos imunossupressores na refratariedade 16 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA . 17