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- São afecções que se manifestam no olho (fundo do olho, movimentos dos olhos, visão...), mas que possuem uma origem e causa neurológica (Sistema Nervoso Central). É importante lembrar que a visão não depende apenas do olho. O problema da falta de visão pode ser nas vias ópticas ou no córtex cerebral occipital. Fusão de imagens -> imagem de um e do outro olho -> ocorre à nível cortical -> o que cai na retina temporal do olho direito, cai na retina nasal do olho esquerdo -> a imagem vai pelo trato óptico -> a imagem que está caindo na retina nasal vai cruzar o quiasma e a imagem que está caindo na retina temporal não cruza o quiasma e passa direto para o corpo geniculado lateral Giovanna Lopes -> as fibras que cruzam o quiasma são as fibras nasais de cada olho -> as fibras temporais não cruzam. Esse estímulo visual inicia nos cones e bastonetes da retina -> passa pelo nervo óptico -> quiasma óptico -> trato óptico -> sinapse no corpo geniculado lateral -> radiações ópticas -> córtex occipital -> ainda há uma interação com os lobos parietais para a interpretação dessa imagem. - Há um comprometimento (alteração) de: 1. Pupila e Acomodação. 2. Visão e Campo Visual. 3. Motilidade Ocular. - O reflexo oculomotor: o Verificar em etapas o reflexo fotomotor direto (assiste o movimento da contração), consensual (jogar a luz rapidamente e o olho já tem que estar em miose) e o swing test (jogar a luz de um lado para o outro várias vezes -> tem que estar sempre em miose no vai e volta). Se a pupila estiver aumentando e diminuindo mesmo jogando a luz nela, como se fosse uma alteração paradoxal, é indicativo de lesões parciais do nervo óptico e nas lesões extensas da retina (alteração relativa). o Dica -> sempre deixar o ambiente escuro ou na penumbra -> pupila vai contrastar ainda mais (miose e midríase). - Como acontece o reflexo fotomotor direto? o Através de 4 neurônios. o Jogamos a luz no olho esquerdo, há um estímulo dos fotorreceptores, esse estímulo será encaminhado pelo nervo óptico, as fibras temporais não irão cruzar no quiasma, as fibras nasais vão cruzar -> O 1º neurônio cruza ou não cruza o quiasma óptico. o Esse neurônio (1 só) acompanha o trajeto do nervo óptico e ele só irá fazer a primeira sinapse (cruzamento) no núcleo pré-tectal do tronco cerebral com o 2º neurônio, o internuncial (é pequeno e faz a sinapse entre os núcleos pré-tectais e o núcleos de Edinger-Westphal). o Esse neurônio fez as sinapses e, do núcleo de Edinger-Westphal para frente, entra o 3º neurônio que passa juntamente com o III par de nervo craniano (oculomotor). o Quando o III par de nervo craniano chega na órbita, ele encontra o gânglio ciliar, ocorrendo a quarta sinapse com o 4º neurônio, o pós- ganglionar (é considerado um nervo periférico e é mais curtinho), fazendo com que o estímulo visual chegue na íris, fazendo a miose. 1. Defeito Pupilar Aferente Absoluto: - Lesão muito grande do nervo óptico devido a traumatismos, por exemplo, que lesou completamente o nervo óptico. - Não responde ao jogar a luz em nenhum dos dois olhos. 2. Defeito Pupilar Aferente Relativo (Pupila de Marcus Gunn): - Se o nervo óptico estiver apenas muito inflamado ou com uma lesão parcial. - Esse defeito só aparece no swing test -> o reflexo fotomotor direto e consensual acontecem de forma lenta, pois o nervo está parcialmente acometido. - A pupila paradoxalmente aumenta ao fazer o swing test. - Acontece nos acometimentos graves da retina. - O nervo óptico é a união de vários axônios. Na retina, há milhões de células ganglionares (axônios de neurônios) -> é comprido e começa na superfície da retina e vai até o tronco cerebral. A retina tem 10 camadas, e uma delas é a de cones e bastonetes e a outra é a camada de fibras nervosas (onde estão os axônios dos neurônios) -> camada mais superficial, e há outras que são nucleares externas e internas (onde estão o corpo dos neurônios). 3. Pupila de Argyl-Robertson: - Acontece quando há lesão dos neurônios internunciais. - É uma alteração muito sugestiva e quase patognomônica de neurossífilis -> difícil de ver na prática clínica. - Ambas as pupilas ficam com as pupilas pequenas e com bordas irregulares - > difícil de avaliar o reflexo fotomotor direto e consensual. 4. Pupila de Adie: - É mais frequente. - A maioria é de causa infecciosa viral em pacientes jovens. - É um acometimento pós-ganglionar (no 4º neurônio). - A pupila fica com uma reação lenta e vermiforme. - A Pupila de Adie fica maior do que a pupila normal. O reflexo fotomotor direto e consensual irá acontecer (mas não tão adequadamente -> a pupila não estará fazendo miose direito), mas terá essa diferença de tamanho em relação a pupila normal -> anisocoria. - Melhora após a virose se resolver. - Não afeta a visão. - Esse vírus em questão pode acometer outros nervos periféricos, gerando uma alteração dos reflexos profundos (como o reflexo com o martelo, por exemplo) -> Síndrome de Holmes-Adie. - A pupila contrai com pilocarpina diluída a 0,125%. 5. Dissociação Luz-Perto: - Ocorre quando a pupila contrai com a luz, mas não contrai com a acomodação. Geralmente, a origem do problema neurológico é na fossa posterior ou na glândula pineal. - Quando olhamos para longe, a pupila está midriática. Quando usamos a acomodação para focar em algo perto, a pupila está miótica. - Assim, não é apenas a luz que faz a pupila ficar pequena, a acomodação também faz isso. - Para isso, há um sinergismo -> quando se usa a acomodação, há uma convergência nos olhos e a pupila fica pequena. 6. Síndrome de Horner: - É quando ocorre uma lesão da via simpática, a qual é mediada pela noradrenalina e é responsável pela midríase. - Ocorre uma anisocoria -> a pupila que está com problema está em miose. - Além da miose, ocorre uma ptose leve para moderada do olho acometido (diferente da paralisia do NC III, onde há uma ptose completa). - O paciente também pode ter anidrose (a pele da região do mesmo lado que tem a miose não tem suor, fica ressecada -> 3º neurônio -> suor é mediado pela via simpática) e, em alguns casos, heterocromia (diferença de cor na íris) nos casos de Síndrome de Horner congênita -> a adrenalina e a noradrenalina são neurotransmissores responsáveis pela pigmentação da íris, estimulando a migração dos melanócitos para a íris, que acontece pelo estímulo do sistema nervoso simpático e essa pigmentação acontece com o tempo -> mediada pela noradrenalina. Quem tem a Síndrome de Horner Congênita -> nasce sem a inervação simpática no olho acometido -> falta de noradrenalina -> a pigmentação não irá acontecer. Nesse caso, o olho do Horner é o esquerdo -> íris azul. - A ptose é leve porque existe um músculo, chamado de Músculo de Miller, que é bem fininho e é estimulado pelo sistema nervoso simpático, mediado pela noradrenalina, e é esse músculo que faz o olho ficar arregalado, mas não é responsável pela abertura da pálpebra (trabalho do músculo levantador da pálpebra superior, inervado pelo Nervo Oculomotor) -> a pálpebra retrai em casos de descarga de adrenalina (susto, por exemplo) -> como na Síndrome de Horner, o sistema nervoso simpático está com problema, o Músculo de Miller não está sendo estimulado -> ptose leve. - Essa Síndrome pode ter vindo de alguma lesão no hipotálamo, ou de alguma lesão entre o hipotálamo e o pescoço. - Lesão no 1º neurônio: Lesão no tronco encefálico e na medula espinhal (vasculatura, tumor, doenças desmielinizantes...). Esse neurônio vem do hipotálamo, desce pela medula cervical e faz sinapse entre C8 e T2. - Lesão no 2º neurônio: Tumor de Pancoast (ápice do pulmão) e lesões cervicais. Esse neurônio sai da medula cervical, faz uma curva no gânglio estrelado e sobe para fazer sinapse no gânglio cervical superior. - Lesão no 3º neurônio: Aneurismas de Aorta, Tumores da Nasofaringe, Otite Média, alteraçãono seio cavernoso, cefaleia em salvas (sem anidrose). Esse neurônio vai do gânglio cervical superior, pega carona com a artéria carótida interna e chega para inervar a íris e a pupila, permitindo a midríase. - Também pode acontecer por conta de lesão do plexo braquial de recém nascidos na hora do parto, quando puxam pelo braço. - Testes farmacológicos -> cocaína, hidroxianfetamina, adrenalina... 1. Afecções do Nervo Óptico: - Podem ou não evoluir com atrofia do Nervo Óptico -> se ficar atrófico -> pálido no exame de fundoscopia (fica esbranquiçado) -> visão quase 0. - Quando as lesões no Nervo Óptico são extensas levam a um defeito pupilar aferente, seja ele absoluto ou parcial. - Muitas dessas afecções comprometem a acuidade visual. - Também é muito comum a alteração de cores e de contrastes em uma lesão parcial do Nervo Óptico (a pessoa enxerga a letra muito bem, mas não com o contraste de cores. Pode ser uma letra enorme, mas se não for preta no fundo branco, a pessoa não enxerga. A pessoa vê uma formiga pequena numa mesa branca, mas não vê uma jarra de água de vidro nessa mesa branca). O baixo contraste é como se tivesse tudo nublado e acinzentado. - Se for uma lesão completa do nervo, a pessoa não enxerga. Baixo contraste. - Causas: o Disco Óptico: - Papilites (geralmente são autolimitadas, acontecem por infecções virais, com a recuperação da infecção o nervo volta ao normal junto com a visão). - Neurorretinites. - Edema de papila (tem uma boa recuperação se for só por hipertensão intracraniana. Mas se for por um edema muito crônico, às vezes fica com lesão grave). o Neurite retrobulbar (afeta a parte de trás do olho, dá pra recuperar a visão se for um tratamento rápido). o Neuropatias (formas mais crônicas): - Hereditárias, tóxicas, nutricionais (álcool, tabaco), radioterapias, tumores, malformações SNC. o Isquêmicas (em poucas horas pode ficar grave). o Doenças autoimunes. - É frequente. - Dor à movimentação e desconforto. - É muito comum acontecer na esclerose múltipla (equilíbrio, tato, fala, astenia, parestesias, disfunções na bexiga e intestino) -> principal doença desmielinizante -> produção de autoanticorpos contra a bainha de mielina nos nervos -> mensagem do estímulo nervoso não é transmitida sem essa bainha. - Acomete mais mulheres e adultos jovens. Internar e fazer metilprednisolona EV -> recupera um pouco a visão. - No caso da esclerose múltipla, em 20% dos casos, a doença se manifesta pela primeira vez pela neurite retrobulbar (perda de visão, embaçamento, sem contraste). - Em 50% dos casos, a neurite retrobulbar acontece durante a evolução da esclerose múltipla. - Em 56% dos casos, se tiver alguma lesão aparecendo na RNM, a pessoa já teve ou terá esclerose múltipla. - Tratamento: Metilprednisolona EV (acelera a recuperação). - O prognóstico visual é muito bom, mas ela só vai ter problemas se tiver várias recidivas de crises agudas de neurite retrobulbar. - Acomete mais em crianças. - É mais relacionada a viroses e a vacinas. - Pode estar relacionado com a Doença de Lyme, Herpes Zóster, criptococos e sífilis. - Geralmente é autolimitada, quando o vírus for embora tudo melhora. - É quando acontece a Papilite + Doença da Arranhadura do Gato (60% dos casos -> bactéria na unha do gato -> tratar com antibiótico e melhora), Sífilis, Doença de Lyme, Caxumba, Leptospirose. - Tratar a causa se tiver muita recorrência. Inflamação na retina com aspecto estrelado (Estrela Macular) -> a inflamação permitiu alguns depósitos nas fibras nervosas. - É causada pela arterite temporal ou arterite de células gigantes (artéria temporal é mais superficial) -> doença autoimune -> produzidos autoanticorpos contra as artérias -> inflamação absurda das artérias e arteríolas da cabeça e pescoço. Mas o que acontece na artéria temporal, também acontece na artéria central da retina -> isquemia do nervo óptico -> cegueira gravíssima. - Acomete mais os idosos e mulheres (acima de 50 anos). Não é comum dar em pessoas com menos de 40 anos. - Cefaleia intensa na região temporal uni ou bilateral (principal característica clínica), artéria temporal tortuosa, claudicação mandibular – dor ao mastigar -, polimialgia, astenia, prostração, anemia discreta, VHS aumentado, PCR aumentado. - Se o VHS estiver acima de 40 ou 60 -> internar e tratar com metilprednisolona EV rápido -> dá pra salvar o olho contralateral da cegueira (a visão continua ruim), porque o primeiro já não dá mais tempo. - Às vezes o quadro é agudo e em outras vezes a cefaleia já vem se arrastando. - É quase fulminante -> prognóstico ruim. - Acomete mais os idosos, precipitados por uma crise hipertensiva, Diabetes Mellitus, colesterol, sildenafil, hipotensão súbita... - É uma isquemia do nervo óptico que não é causada pela arterite temporal. - Ocorre uma oclusão das artérias ciliares posteriores curtas. - É indolor. - Defeitos altitudinais. - Prognóstico muito bom sem tratamento. - É causada, principalmente, por Hipertensão Intracraniana (HIC) com uma pressão acima de 210mmHg: hidrocefalias, tumores, edema cerebral, AVC, meningite, TCE (sempre olhar o fundo de olho nesses casos), trombose do seio cavernoso, HAS grave, eclâmpsia... - Também pode ser Idiopática (pseudotumor cerebral). Acompanha sinais de HIC. - Prognóstico visual ruim nos casos mais crônicos -> edema a longo prazo leva à perda visual. - Sem bordas delimitadas da papila -> edema. Papiledema -> causada por HIC. Edema de Papila -> outras causas. - Tumores: o Adenomas hipofisários (em adultos). o Craniofaringioma (crianças). o Meningioma, glioma, cordomas, disgerminomas. - Vasculares: o Aneurisma cerebral anterior e de carótida interna. - Outras: alteração no seio cavernoso, cistos, displasia fibrosa e traumatismo. - Lesão no quiasma -> alteração no campo visual -> hemianopsia bitemporal. - Acuidade visual boa se não atingir o nervo óptico. - Pode ter defeitos pupilares. - Pode ter atrofia óptica (setorial). - Campo visual com Defeitos Bitemporais Congruentes ou Incongruentes (superiores se lesão abaixo, inferiores se lesão acima). - Alterações sistêmicas do próprio tumor. - TCE, AVC e Tumores. - Obstrução da artéria cerebral posterior e artéria cerebral média. - Hemianopsias / Quadrantanopsias homônimas (mais congruentes quanto mais posteriores). - Pode ser uma lesão grave na retina ou pode ser bem focal. - Posterior: artéria cerebral média -> visão macular (perde a visão da periferia). - Calcarino: artéria cerebral posterior -> hemianopsia poupa a mácula. - As causas sempre são no SNC, sendo que as 2 causas mais comuns são picos de glicemia ou pico de hipertensão arterial. - Paresia de III Nervo Craniano (Nervo Oculomotor): Estrabismo (exotrópico, pois o reto lateral está normal, mas o reto medial está acometido pela lesão no NC III), ptose e midríase (deixa mais grave). Causas: Lesões no Segmento Basilar, aneurisma de artéria comunicante posterior, TCE com hematoma extradural, lesões no seio cavernoso, DM, aneurisma, fístula C-C, inflamatório, tumor, lesões intraorbitárias (traumatismo, compressão), lesão das fibras (pupilomotoras – superficialmente na parte supero-medial, expostas à compressão), lesões cirúrgicas. - Paresia de IV Nervo Craniano (Nervo Troclear): Diplopia vertical (estrabismo -> um olho mais alto do que o outro), hipertropia aumenta na adução e na inclinação para o lado acometido (Bielshowsky), posição viciosa da cabeça. Causas: congênita, traumáticas, vasculares. - Paresia de VI Nervo Craniano (Nervo Abducente): Esotropia, limite de abdução, pode evoluir com contratura do reto medial, posição viciosa.