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Cardiotocografia Consiste em um exame feito a partir de 24 semanas (idealmente acima de 32) que avalia a vitalidade fetal, registra a frequência cardíaca, contrações e movimentos fetais, além de identificar hipóxia de SNC de forma indireta. Ela permite um auxilio mais efetivo quando comparada ao sonar de BCF. INDICAÇÕES • Alteração na ausculta dos BCF • Diminuição dos MF • Uso de ocitocinas e prostaglandinas • Analgesia de parto SOFRIMENTO FETAL Traduz a ocorrência de hipóxia fetal aguda (compressão de cordão, febre materna, contração uterina) ou crônica (DMG, HAS, infecções congênitas). O principal exame para casos de hipóxia aguda é a cardiotocografia, enquanto a dopplervelocimetria obstétrica é indicado para casos de hipóxia crônica. INTERPRETAÇÃO DA CARDIOTOCOGRAFIA Consiste em um exame com 3 sensores, caracterizados pelo sensor de batimento fetal (no dorso fetal – Manobra de Leopold), sensor de contração uterina (avaliação do tônus – no fundo do útero) e sensor de movimentação fetal (dependente da sensibilidade materna). Linha de Base – parâmetro Média aproximada dos valores da FCF, avaliada em qualquer segmento de 10 minutos na CTG, excluindo segmentos em que haja variação da frequência cardíaca superior a 25 bpm, acelerações e desacelerações. Linha de base normal: - 110 – 160 bpm no feto à termo - 120 – 160 bpm no feto pré termo • Sangramento vaginal • Líquido meconial • Febre intraparto; Taquissistolia • Gestação de alto risco Linha base alterada: - Abaixo de 110bpm = bradicardia fetal - Acima de 160bpm = taquicardia fetal (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) Variabilidade Consiste na oscilação da FCF na linha de base (variações rápidas), regulada pelo SN autônomo. Não pega de onde tem aceleração. Essa flutuação varia de 10 a 25 bpm (abaixo e acima desses valores traduzem variabilidade comprimida (<10) ou saltatoria (>25)) → USP 6 a 25 bpm → MS Aceleração transitória Aumento da FCF, ≥ 15 bpm em relação a linha de base, com duração mínima de 15 segundos e máxima de 2 minutos após 32 semanas. Para um feto ser considerado saudável, são necessárias pelo menos duas acelerações em 20 minutos. Pega o pico maior e subtrai do menor. É uma resposta do feto saudável a um estimulo ou situação de stress. (2) < 32 semanas: 10 batimentos em 10s > 2 min mudança da linha de base Desacelerações Traduzem quedas periódicas da FCF em mais de 15 bpm por mais de 15 seg, podendo ser: • Não periódicas (sem ralação com as contrações uterinas): DIP-0 ou desaceleração prolongada. • Periódicas (expressam alguma relação com a contração uterina): DIP-I, DIP-II e DIP-III DIP-0: observada no traçado da CTG, sem relação com a contração. Normalmente é um queda com bradicardia prolongada. DIP-I (desaceleração precoce): Imagem em espelho com a contração (Pode ter decalagem curta). Queda gradual e simétrica. Duração maior que 30s. Ele ocorre pela compressão do polo cefálico fetal com reflexo vagal. DIP-II (desaceleração tardia): normalmente é patológico, devido a presença de decalagem (espaço entre o pico da contração e o pico da desaceleração = não são coincidentes), implica em insuficiência placentária, ocorrendo diminuição da reserva de oxigênio comprometendo a oxigenação fetal durante a contração. DIP-III (desaceleração variável): queda abrupta de recuperação rápida, normalmente não esta associado a contração. DIP-I é fisiológico quando são fisiológicas quando ocorrem no trabalho de parto da bolsa rota; no final da dilatação; no período expulsivo e no oligoamnio Favorável (aceleração inicial e secundaria) Desfavorável (recuperação lenta, perda da oscilação com desaceleração dupla → mal prognostico) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) (2) Tratamento para DIP3 DESFAVORÁVEL: indicação absoluta de cesárea (2) (2) (2) (2) (2) (2) Contrações Uterinas Deve-se avaliar a dinâmica uterina (quantas contrações por 10 min), determinando se há taquissistolia e identificando sua causa se possível (uso de ocitocina é a mais comum). Interpretação de CTG normal: analisar os parâmetros acima citados, avaliar linha de base (entre 110 a 160), variabilidade (USP: 10 A 25bpm e MS: 6 a 25); aceleração transitória (no mínimo 2) e ausência de desaceleração CARDIOTOCOGRAFIA ANTEPARTO (fora do trabalho de parto) CTG com padrão tranquilizador: todos os parâmetros normais CTG com padrão não-tranquilizador: quando ocorre alteração em 1 ou mais parâmetros Pontuações: • Linha de base (110-160 bpm) – 1 • Variabilidade (10-25 bpm) – 1 • Acelerações transitórias (15 segundos e 15 bpm) – 2 • Desacelerações (nenhuma) - 1 Com base nessa pontuação, o feto é classificado em: • Ativo → índice de 4 e 5 – normal (padrão tranquilizador) • Hipoativo → índice de 2 e 3 – suspeito (padrão não tranquilizador) • Inativo → índice de 0 e 1 – anormal (padrão não tranquilizador) **Quando a CTG for padrão não tranquilizador, devemos realizar outra CTG mas com estimulo** CTG COM ESTIMULO Estimulação sonora: frequência de 500 a 1.000 Hz e pressão sonora de 110 a 120 Db (Buzina Kobo). Na região do polo cefálico mantendo esse estímulo de pelo menos 3 segundos. Interpretação da CTG com estimulo sonoro: • Feto reativo: aumento da FCF maior que 20 bpm por mais de 3 minutos • Feto hiporeativo: aumento menor que 20 bpm e ou duração menor que 3 minutos • Feto não reativo: sem resposta cardíaca fetal CARDIOTOCOGRAFIA INTRAPARTO (em trabalho de parto) É indicada para gestantes com alto risco de hipóxia. • Categoria 1: todos os parâmetros estão normais – sem sinais de hipóxia • Categoria 2: o que a diferencia é a variabilidade, que estará normal, enquanto os outros parâmetros estarão alterados • Categoria 3: apresenta variabilidade ausente – sugestivo de hipóxia CONDUTA NA CTG ALTERADA A partir de uma cardiotocografia alterada, deve-se iniciar as medidas de ressuscitação uterina e, em caso de não haver melhora, inicia-se o parto vaginal operatório ou cesárea de emergência. Medidas de ressuscitação intrauterina: • Melhorar a oxigenação fetal (decúbito lateral, suspender uterotônicos e puxos dirigidos, hidratação EV e suporte de O2); • Reduzir a atividade uterina (suspender uterotônicos, hidratação EV e uso de uterolítico); • Aliviar a compressão umbilical (mudança de posição materna, suspender puxos dirigidos, amnioinfusão e elevação do polo cefálico); • Corrigir hipotensão materna (mudança de posição materna, hidratação EV e uso de efedrina).