Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

ANEXO C – MODELO DO PROJETO DE PESQUISA DO 
TCC I 
TÍTULO 
Nome do Estudante 
Nome do Orientador (a) 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Curso (TURMA) – TCC dd.mm.aa 
 
 
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
1. CONCEITO DE ECLÂMPSIA 
A eclâmpsia é uma complicação grave da gravidez caracterizada por convulsões e hipertensão arterial, que pode ameaçar a saúde da mãe e do bebê se não for tratada prontamente. Embora relativamente rara, a doença afeta cerca de 1 a 2 mulheres em cada 1.000 gravidezes, e seu quadro clínico é marcado por convulsões, hipertensão severa e sinais de dano a órgãos, frequentemente precedido por uma pré-eclâmpsia.(NOGUEIRA et al.,2024)
 Clinicamente, a eclâmpsia é marcada pelo surgimento abrupto de convulsões tônico-clônicas generalizadas, geralmente precedidas por sintomas de alerta como cefaleia intensa, distúrbios visuais (visão borrada, fotofobia), dor epigástrica ou no quadrante superior direito, e alterações do estado mental (confusão ou agitação). No entanto, nem todas as pacientes apresentam esses sintomas premonitórios, e as convulsões podem ocorrer de forma súbita e sem aviso prévio. Além das convulsões, a hipertensão grave e a proteinúria significativa são características típicas da eclâmpsia. Em casos mais severos, as pacientes podem apresentar sinais de disfunção de múltiplos órgãos, como insuficiência renal aguda, edema pulmonar, insuficiência hepática,coagulopatia e oftalmopatias (LOPEZ; PAIK, 2020). 
Por outro lado a pré-eclâmpsia é um distúrbio hipertensivo específico da gestação que afeta cerca de 5% das mulheres grávidas em todo o mundo, sendo uma das principais causas de morbidade e mortalidade materna e perinatal, em vista disso, este distúrbio foi reconhecido pela primeira vez na medicina no século XIX, e desde então, seu mecanismos fisiopatológicos que a desencadeiam, bem como no manejo clínico e preventivo, logo, a pré-eclâmpsia é caracterizada pelo aumento da pressão arterial (hipertensão) e pela presença de proteinúria (proteína na urina) após a 20ª semana de gestação, o que a distingue de outras condições hipertensivas pré-existentes, o diagnóstico é geralmente feito durante o pré-natal, sendo imprescindível o acompanhamento rigoroso da gestante para a detecção precoce de sinais e sintomas, como cefaleia, alterações visuais, dor abdominal e edema (Machado, 2020).
1.1 EPIDEMIOLOGIA DA ECLAMPSIA 
A epidemiologia da eclâmpsia abrange a análise da frequência, ocorrência e fatores de risco relacionados a essa séria condição que afeta gestantes, sendo que a pré-eclâmpsia, também conhecida como toxemia gravídica, é uma condição potencialmente grave caracterizada por disfunção endotelial difusa e um precursor importante da eclâmpsia (TRAJANO; MONTEIRO; JESUS, 2022).
 
 Quantidade de AIH com a CID 10 (categoria):013 à 016de 2018 à 2024 por UF
 FONTE: SIH/SUS, Extraído em 15/04/2025
A tabela apresenta a quantidade total de internações hospitalares relacionadas a eclâmpsia no Brasil entre os anos de 2019 a 2024, com foco nos cinco estados que registraram os maiores números de casos de eclâmpsia (código CID10 O15): como mostra na tabela, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão, Rio Grande do Sul e Pará. As categorias representadas incluem: hipertensão gestacional sem proteinúria significativa (O13), com proteinúria significativa (O14), eclâmpsia (O15) e hipertensão materna não especificada (O16). Observa-se que, embora os casos de eclâmpsia sejam expressivos, a hipertensão gestacional com proteinúria (O14) representa a maior parte das internações, indicando a importância do diagnóstico e do acompanhamento precoce para evitar a progressão da doença.
 As barreiras socioeconômicas, como dificuldades financeiras para transporte e exames, e a falta de acesso a serviços de saúde de qualidade, são obstáculos significativos para o cuidado pré-natal, especialmente em contextos vulneráveis. Fatores culturais e normas influenciam a percepção das gestantes, enquanto a ausência de apoio familiar pode resultar em isolamento. Condições psicossociais, como ansiedade e experiências traumáticas, afetam a disposição para buscar cuidados, e o nível de escolaridade e o acesso à informação impactam o entendimento sobre a importância do pré-natal (Rocha, 2022).
 Portanto o acompanhamento pré-natal é crucial para alcançar desfechos positivos, garantindo uma gravidez saudável tanto para a mãe quanto para o bebê. Ele desempenha um papel vital na redução das taxas de prematuridade e morbimortalidade infantil. Um atendimento eficaz e coordenado durante o parto não só melhora a saúde imediata do recém-nascido, mas também assegura uma estabilidade a longo prazo, promovendo benefícios significativos para a saúde pública e a qualidade de vida das crianças (Leal et al., 2020).
2.2 MECANISMO FISIOPATÓLICOS
 Os Mecanismo da eclampsia inicia-se com uma inadequada reestruturação dos vasos sanguíneos, que conduz à vasoconstrição e à hipoperfusão da placenta, resultando em isquemia e na liberação de substâncias inflamatórias que agravam essa condição. Essa condição causa danos ao endotélio, aumenta a permeabilidade vascular e ativa o sistema imunológico, ocasionando edema, lesão renal e proteinúria. A Hipertensão gestacional está relacionada ao diagnóstico de hipertensão após a 20ª semana de gestação. A pré-eclâmpsia se caracteriza pela hipertensão com lesão de órgão após as 20 semanas de gestação.(CRUZ NETO et al.,2021). 
 Figura 1- circulação placentária saudável, isquemia afetando a placenta 
 FONTE: Elaboração própria a partir de sites(2025)
A imagem apresenta um diagrama com uma placenta com circulação placentária saudável com vilosidades bem vascularizada e espaços intervilosos com boa perfusão, no entanto a segunda placenta apresenta uma isquemia placentária com áreas acompanhada de fluxos sanguíneo reduzidos(áreas escuras)o que prejudica a troca de oxigênio e nutrientes com o feto.
Essas alterações na placenta podem levar a complicações como o crescimento intrauterino restrito, hipóxia fetal e o aumento do risco de parto prematuro 
 De fisiopatogenia desconhecida, a Eclâmpsia se manifesta por convulsões ou coma inexplicáveis em gestantes com sinais ou sintomas de PE. Pode ocorrer na gestação, no momento do parto e no puerpério. Neste último grupo encontra-se a Eclâmpsia puerperal tardia, cuja manifestação se dá entre 48 horas e quatro semanas pós-parto. Ainda não há estudos que tenham comprovado com certeza qual é a etiologia da Eclâmpsia. Entre alguns dos mecanismos etiológicos estão a vasoconstrição cerebral ou vasoespasmo na encefalopatia hipertensiva, o edema cerebral ou infarto, a hemorragia cerebral e a encefalopatia metabólica, porém, não se sabe ao certo se os fatores citados são causa ou reflexo das convulsões eclâmpticas. (Hitti et al .,2018)
As alterações laboratoriais em pacientes com eclâmpsia refletem a extensão da disfunção endotelial e a presença de lesão de múltiplos órgãos. A proteinúria maciça, frequentemente superior a 5 g/dia, é um achado característico da doença e está associada à disfunção renal. Além disso, é comum observar elevação de enzimas hepáticas (transaminases), indicando lesão hepática, e níveis elevados de creatinina e ureia séricas, refletindo insuficiência renal. A trombocitopenia (contagem de plaquetas inferior a 100.000/mm³) pode indicar o desenvolvimento de coagulação intravascular disseminada (CIVD) e está associada a maior risco de sangramento (DUFFY; HEINRICH ,2019). Outros achados laboratoriais podem incluir aumento da hemólise (anemia hemolítica microangiopática), hiperuricemia e hipoalbuminemia, indicando a gravidade do comprometimento sistêmico.
2.3 CONSEQUÊNCIAS DA ECLÂMPSIA PARA SAÚDE MATERNA
 As complicações da eclâmpsia representam um risco significativo durante a gestação. As convulsões são as manifestação que mais se característica nessa condição, podendo causar traumas e complicações que afetam diretamente a saúde da mãe. Além disso, a hipertensão severa associada à eclâmpsia aumenta o risco de problemascardiovasculares, como:
•acidente vascular cerebral (AVC) 
• insuficiência cardíaca. 
Também pode ocorrer dano renal agudo, levando à insuficiência renal temporária ou permanente. Alterações na função hepática são comuns, podendo indicar comprometimento do fígado durante a gestação. A síndrome HELLP, que envolve hemólise, elevação das enzimas hepáticas e trombocitopenia, é uma emergência médica associada à eclâmpsia que pode resultar em complicações graves. O impacto psicológico não deve ser subestimado, pois a experiência de convulsões pode levar a um aumento de probabilidade depressão pós-parto ou transtornos de ansiedade. Esse impacto psicológico, somado ao fato de que embora raro, existe o risco de mortalidade materna se a condição não for tratada prontamente.
 Além disso, mães que sofreram eclâmpsia podem necessitar de cuidados adicionais após o parto devido às complicações relacionadas à condição, afetando sua recuperação geral. Portanto, é crucial que as mulheres grávidas recebam acompanhamento pré-natal adequado para identificar sinais precoces de pré-eclâmpsia e prevenir a progressão para eclâmpsia.(ACOG ,2022)
 Gestantes que enfrentaram a eclâmpsia grave apresentam um risco aumentado de desenvolver doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, doença cardíaca coronariana e acidente vascular cerebral. Estudos também evidenciam uma associação entre essa condição e um maior risco de diabetes tipo 2 (NUNES et al. 2020). Ademais, a pré-eclâmpsia grave pode provocar danos renais, contribuindo para o aumento do risco de doença renal crônica a longo prazo (JAMSHEDOVNA et al. 2022). Além das implicações físicas, é relevante considerar o impacto emocional, pois a vivência dessa condição e as complicações associadas durante a gravidez podem desencadear ansiedade, depressão e estresse pós-traumático na mãe (ELAWAD et al. 2024).
 Além dos riscos mencionados é importante notar que a eclâmpsia normalmente surge após a 20ª semana de gestação, porém pode ocorrer logo após o parto. As convulsões eclâmpticas são súbitas e violentas, muitas vezes acompanhadas por perda de consciência, podendo ter consequências sérias para a mãe e o feto. Durante esses episódios convulsivos, o fornecimento de oxigênio ao cérebro pode ser comprometido, aumentando o risco de danos temporários ou permanentes no cérebro da mãe. Além disso, a rápida elevação da pressão arterial pode prejudicar diversos órgãos, como o fígado e os rins, ressaltando a grande importância do diagnóstico precoce e tratamento para evitar complicações significativas.(DUARTE et al.,2024)
A mortalidade materna associada à eclâmpsia resulta principalmente das complicações sistêmicas. Convulsões eclâmpticas podem levar ao edema cerebral, hemorragia intracraniana e PRES, sendo que, todos fatores citados, contribuem diretamente para o aumento do risco de óbito materno. Além disso, a eclâmpsia está frequentemente associada à insuficiência renal aguda e ao desenvolvimento de coagulação intravascular disseminada (CIVD), disfunções que complicam o tratamento e aumentam a mortalidade (LOPEZ; PAIK, 2020)
2.4 IMPACTO DA ECLÂMPSIA NA SAUDE DO RECÉM NASCIDO 
No cenário de impactos a longo prazo, estudos indicam que bebês nascidos de mães com histórico de eclâmpsia grave enfrentam um risco elevado de desenvolver doenças cardiovasculares na idade adulta, como hipertensão arterial e doença cardíaca. Adicionalmente, há um aumento da probabilidade de distúrbios metabólicos, incluindo obesidade e diabetes tipo 2, na vida adulta desses indivíduos (NDWIGA et al. 2020). A influência da eclâmpsia grave no desenvolvimento cerebral do feto também é notável, aumentando o risco de problemas neurológicos a longo prazo, como atraso no desenvolvimento cognitivo e déficits de aprendizagem (HEMMATZADEH, et al. 2020).Além disso, os bebês nascidos de mães com eclâmpsia grave têm maior probabilidade de desenvolver hipertensão arterial mais tarde na vida (EDDY et al. 2022)
 2.5 intercorrências prevalentes durante a gestação 
 Estudos tem mostrado que durante a gestação, diversas intercorrências podem surgir, afetando a saúde da mãe e do feto. Entre essas condições, a eclampsia se destaca como uma das mais graves, com um prognóstico que varia conforme a gravidade da doença e a presença de complicações. Além da Eclâmpsia, que representa um risco significativo, outra condição importante que pode surgir durante a gestação é a hipertensão gestacional como pré-eclâmpsia, insuficiência renal, descolamento prematuro da placenta, complicações neurológicas, e restrição de crescimento fetal podem ter consequências severas tanto para a mãe quanto para o bebê. A prevenção da eclampsia representa um desafio significativo na prática obstétrica; no entanto, algumas estratégias têm sido propostas para mitigar seus efeitos, como o uso de aspirina de baixa dose em gestações de alto risco e o monitoramento frequente da pressão arterial. Devido à sua importância clínica e epidemiológica, pesquisadores têm se empenhado em elucidar os principais fatores de risco e etiológicos associados à eclampsia, visando detectar e acompanhar os quadros em seus estágios mais precoces. Nesse contexto, é recomendada uma triagem universal no primeiro trimestre de gestação para diminuir a morbimortalidade associada a essa condição (LU; HU, 2019; LICURSI et al., 2021; JUNG et al., 2022.
A hipertensão gestacional é o aumento da pressão arterial (PA), maior que 140/90mmHg, após 20 semanas de gestação, essa condição pode afetar a saúde do feto, levando a complicações como parto prematuro e baixo peso ao nascer, sem proteinúria maior que 300mg/24 horas (h) em mulheres previamente normotensas, enquanto a hipertensão crônica é aquela hipertensão que já existia mesmo antes da gravidez se estabelecer (REZENDE FILHO, 2022). Já a pré-eclâmpsia caracteriza-se pela PA maior que 140/90 mmHg após a 20ª semana de gestação associada a proteinúria maior que 300mg/24h ou evidências de lesão de órgão alvo. A eclâmpsia é uma convulsão não atribuível a outras causas, geralmente precedida pela pré-eclâmpsia. A pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão arterial ocorre quando pacientes hipertensas prévias desenvolvem a pré-eclâmpsia (KAMETAS; NZELU; NICOLAIDES, 2022).
O diabetes é uma doença de impacto global, responsável por mais de 4 milhões de mortes anuais e afetando 537 milhões de adultos entre 20 e 79 anos, o que equivale a 1 em cada 10 indivíduos nessa faixa etária. Em 2021, a doença causou 6,7 milhões de óbitos, uma morte a cada cinco segundos, e projeções indicam que os casos podem chegar a 643 milhões até 2030 e 783 milhões até 2045. Diante desse cenário alarmante, é urgente que países e territórios adotem ações eficazes já comprovadas para prevenir e gerenciar o diabetes, reduzindo seus impactos sobre a saúde pública global (International Diabetes Federation, 2021). 
Assim, o diabetes mellitus gestacional (DMG) reconhecido como um problema de saúde pública, É uma patologia que acomete mulheres durante a gestação e pode persistir no período pós-parto. Essa condição decorre de uma disfunção pancreática de gravidade variável, que pode ir desde uma leve redução na função do pâncreas endócrino até a incapacidade total de produzir insulina. Caracteriza-se por hiperglicemia resultante da resistência à ação da insulina, cuja fisiopatologia está relacionada à elevação dos hormônios contra reguladores devido ao estresse fisiológico da gravidez, além de influências genéticas e ambientais. A prevalência global do DMG varia entre 1% e 28%, dependendo dos critérios diagnósticos e das características populacionais. No Brasil, estima-se que cerca de 12% a 18% das gestantes sejam afetadas pelo diabetes mellitus gestacional, refletindo uma preocupação crescente com a saúde materna.(Batista et al., 2021; MENDONÇA et al., 2024).
 
REFERÊNCIAS 
Referenciar todas as obras citadas conforme ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas Atualizadas. 
 
15
 
 
15
 
 
15
 
 
 
 
	18 
	18 
	18 
image1.jpeg
image2.jpeg

Mais conteúdos dessa disciplina