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PARTO Objetivos: 1. Estudar a fisiologia fetal-uterino do parto; 2. Entender as possíveis complicações do parto; 3. Compreender o período de puerpério. MECANISMO DO PARTO ● Mecanismo de parto são movimentos passivos que as contrações uterinas provocam no feto ao impulsioná-lo contra os pontos de resistência da pelve materna. ● Os mecanismos de parto dependem de três fatores: ➔ das contrações (movimentos passivos); ➔ do feto; ➔ da pelve materna. ● Deste modo, classicamente diz-se que a evolução do parto é influenciada por três componentes: ➔ o motor- são as contrações; ➔ o objeto- é quem vai ser empurrado, que é o feto ➔ o trajeto- que é a pelve materna. ● Os 6 tempo de parto são: ➔ insinuação; ➔ descida; ➔ rotação interna; ➔ desprendimento cefálico; ➔ rotação externa; ➔ desprendimento das espáduas. TEMPOS DO MECANISMO DE PARTO ● Movimentos relacionados à apresentação cefálica fletida; ● Nessa apresentação cefálica fletida o feto vai apresentar o menor eixo/ diâmetro cefálico. Se caracteriza por apresentação cefálica fletida quando eu sinto a fontanela posterior. Insinuação ● Se caracteriza pela passagem do maior diâmetro transverso da apresentação fetal pelo estreito superior da bacia materna ; ● Para ele estar insinuado, por definição, o ponto de referência/ o vértice/ a ponta da cabeça deve estar na altura da espinha isquiática, ponto 0 de De Lee; Lembrar que o diâmetro de apresentação cefálica será biparietal. ● Indica estreito superior adequado para a passagem fetal; Perceber, durante a avaliação da parturiente, que ocorreu a insinuação fetal permite afirmar que o estreito superior é adequado à passagem do feto! Cuidado: Não indica características do estreito médio e inferior! É o toque vaginal que permite perceber que o ponto de referência ósseo da apresentação fetal alcançou o nível das biespinhas isquiáticas (BIESQUIÁTICO); ● Eu sinto a insinuação pela avaliação sentindo a flexão cefálica, lembrando que o menor eixo é o suboccipito- bregmático, que mede em média 9,5 cm; ● A insinuação é sentida através dos tempo de leopold, geralmente pelo 3° e pelo 4° tempo; ● Pelo toque vaginal preciso sentir a fontanela anterior/ lambida, para confirmarmos que ele está numa cefálica fletida. Na primigesta a insinuação ocorre cerca de 15 dias antes do parto. Já na multípara ocorre a qualquer momento durante o trabalho de parto. Descida ● Caracteriza-se pela progressão do feto pelo canal de parto, passando do estreito superior ao estreito inferior da bacia obstétrica; - ou seja, quando o bebê nasce por completo! ● A descida da apresentação fetal está relacionada ao impulso que as contrações uterinas geram sobre o feto, impelindo-o a passar do estreito superior em direção ao estreito inferior da bacia obstétrica. ● As contrações uterinas ao impulsionar o feto pelo canal de parto, também promovem que movimentos de flexão lateral do polo cefálico aconteçam, acarretados pelo contato da apresentação fetal com pontos de resistência da pelve materna; ● Ocorre simultaneamente ao primeiro tempo e ao terceiro tempo; ● Essa descida ocorre em forma de J; ● Para ocorrer a descida eu preciso de: Contração + boa proporção cefalopélvica ● Saiba que esses movimentos permitem que o feto se acomode progressivamente ao trajeto de parto e, dessa forma, possa progredir por ele. Minha dica é que você pense nesse movimento como se fosse um “jeitinho”, que permite a apresentação fetal acomodar e atravessar o trajeto de parto. ● Perceba ainda que se o feto está fazendo movimentos de flexão lateral com a cabeça, isso significa que um osso parietal se antecipa ao outro, isso é, desce primeiro que o outro, durante a progressão do feto pelo canal de parto. ● Consequentemente, esse movimento também faz com que a sutura sagital ora esteja mais próxima da sínfise púbica materna, ora mais próxima do sacro. Ter esse conceito claro é fundamental para entender o assinclitismo. Assinclitismo é o nome dado para o posicionamento assimétrico do polo cefálico fetal dentro do canal de parto, caracterizado pela maior proximidade da sutura sagital das estruturas anteriores ou posteriores da pelve materna. Basicamente o assinclitismo é uma flexão lateral! ● assinclitismo anterior ou obliquidade de Näegele. ⬇⬇⬇ Quando a sutura sagital fica mais próxima do sacro materno.. ● Por outro lado, chama-se de assinclitismo posterior ou obliquidade de Litzmann quando o osso parietal posterior é o que desce primeiro. ⬇⬇⬇ Nessa situação a sutura sagital está mais próxima da sínfise púbica materna. Em contrapartida, quando os dois parietais progridem simultaneamente pelo canal de parto e a sutura sagital fica equidistante do sacro e da sínfise púbica, denomina-se sinclitismo. O “A” vem antes no nome NAegele do que LitzmAnn, logo NAegele é o assinclitismo Anterior. Perceba que a denominação do assinclistismo depende de qual parietal desce e fica mais exposto no canal do parto e não da posição da sutura sagital. Para lembrar: ● Assinclitismo Posterior: sutura sagital mais perto da Pube materna; ● Assinclitismo Anterior: sutura sagital mais perto da sAcro materno; Rotação interna ● É o movimento no sentido horário ou no anti-horário que a apresentação fetal realiza ao ser impulsionada pelas contrações uterinas contra os pontos de resistência da pelve materna e que permite que o feto adapte seu maior diâmetro ao maior diâmetro da bacia obstétrica; ● Ele não nasceu, ele está rodando pela bacia/pelve. Ele irá rodar em direção ao maior eixo. Então ele faz diferentes rotações para se encaixar nos diferentes pontos da pelve; ● O objetivo vai ser rodar o lambda ( estamos falando sempre da cefálica fletida) para a sínfise púbica; Assim ficará mais fácil de ele fazer o desprendimento do polo cefálico; ● Tem como objetivo coincidir o eixo ântero posterior da bacia com o anteroposterior cefálico. ● Ocorre o movimento de rotação para locar o polo cefálico na sínfise púbica em espira; Desprendimento cefálico ● Desprendimento cefálico, como o nome sugere, relaciona-se ao movimento que permite que a cabeça fetal se desprenda do corpo materno. ● Ele vai fazer um movimento de deflexão, de extensão, de alavanca, esse movimento é chamado de hipomóclio; ● O bebê apoio no suboccipício e consegue fazer uma alavanca desprendendo o polo cefálico; ● Conjugata exitus:ocorre quando o cóccix faz um retropulsão, aumentando o diâmetro para a passagem final do feto de 9 para 11 cm; ● Lembre-se: exitus = exit (saída), movimento de retropulsão do cóccix para ampliar o estreito inferior. Rotação externa ● Consiste no movimento que restitui o dorso fetal para posição em que estava inicialmente no interior do canal de parto; ● Ele vai voltar para a posição de restituição que ele havia feito; ● Sentido inverso a rotação interna; ● Automaticamente também teremos a rotação interna do ombro para o diâmetro anteroposterior do estreito inferior; - esse processo de chama de Rotação Interna das Espáduas. Desprendimento das espáduas ● Caracteriza-se pelo movimento que resulta na exteriorização dos ombros fetais, sendo que, geralmente, o ombro anterior desprende-se primeiro, seguido pelo ombro posterior. ● Agora estamos entrando em outro diâmetro, saiu o polo cefálico eu preciso alinhar o maior diâmetro fetal no maior diâmetro materno, que é o ântero posterior; ● A cintura escapular dos ombros vamos alinhar no eixo antero posterior materno; ● Faz movimentos para cima para soltar o ombro posterior e depois para baixo para soltar o posterior. ● Movimentos de baixo para cima paraesse desprendimento! ● Esse movimento faz com que os ombros fetais se desprendam, primeiro o ombro anterior ao passar pela pube. ● Ombro anterior desprende por abaixamento; ● Ombro posterior desprende por elevação. FASES CLÍNICAS DO PARTO Período preparatório (pré parto) é caracterizado por: ● Descida do fundo uterino (2 a 4 cm); ● Eliminação do tampão mucoso; ● Amolecimento do colo uterino; ● Início: Contrações indolores (Braxton Hicks)- são contrações de preparo; ● Contrações efetivas: ➔ Possuem maior frequência e maior intensidade; ➔ Causam dilatação do colo do útero; ➔ Causam a expulsão fetal. Quatro períodos clínicos do parto: ● 1° Período ➡ Dilatação do colo ➔ Fase latente e ativa ● 2° Período ➡ Expulsão ● 3° Período ➡ Dequitação ● 4° Período ➡ Primeira hora pós-parto ou GREENBERG ➡ Golden hour (hora de ouro) Primeiro período clínico ● Existe duas modificações do colo uterino: dilatação e esvaecimento; ● A dilatação pode ser latente ( mais lenta) e ativa (mais forte); ● O esvaecimento refere quanto próximo o polo cefálico está da vagina; - quando o útero está bem fininho significa que está quase 100% esvaecido; ● Em nulíparas o colo esvaece antes da dilatação; ● Nas multíparas esvaece de forma concomitante; Gráfico de Friedman : ● Fase latente ➔ Duração de 8 horas; ➔ Velocidade em torno de 0,35 cm/h; ➔ Contração regular e pouco dolorosa ( 30 min) . OBS.: o normal é até 30 min de aguardo! Manter a TRAÇÃO CONTROLADA da placenta por profissional treinado com o objetivo de diminuir o tempo de dequitação e sangramento. Fica aqui a lembrança de evitar a tração vigorosa da placenta pelo risco de inversão uterina ou romper o cordão umbilical. Quarto período ● Primeira hora pós parto; ● Hora de ouro- Golden Hour; ● Essa hora é a hora que a mulher tem mais riscos de hemorragia, e é daí que o organismo precisa lançar mão de controles de sangramento; Miotamponamento ● Contração do útero para evitar sangramentos; ● Maior mecanismo para ela parar de sangrar. Trombotamponamento ● Grandes coágulos que se formam dentro do útero para parar o sangramento; Checar as 4 causas principais de sangramento vaginal por meio da REGRA dos 4 “ Ts”: