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Andressa Algazal TEP É a fragmentação e migração de trombos formados no sistema venoso profundo para os pulmões (veia cava → átrio direito → ventrículo direito → artéria pulmonar). Os êmbolos geralmente são provenientes dos membros inferiores (veias íleofemorais são as mais frequentes) FATORES DE RISCO Fatores de risco são aqueles que interferem na tríade de Virchow: lesão endotelial, estase sanguínea e estado de hipercoagulabilidade FISIOPATOLOGIA • Quando um trombo se desprende e migra para a circulação pulmonar, ele impede a passagem de sangue da região e desencadeia uma hipoperfusão sanguínea com aumento do espaço-morto (áreas pouco perfundidas, mas bastante ventiladas). Essa área hipoperfundida evolui com isquemia, promovendo a liberação de mediadores vasoativos que causam vasoconstrição para redistribuir o fluxo sanguíneo, e substâncias neuro-humorais que agem à distância reduzindo a liberação de surfactante, promovendo broncoespasmos e áreas de atelectasia em locais bem perfundidos, ou seja, aumentando o efeito shunt (áreas bem perfundidas, porém com pouca ventilação) • O aumento da resistência vascular pulmonar gera dilatação e sobrecarga do ventrículo direito, e deslocamento do septo interventricular para o lado esquerdo. Ao longo do tempo, o ventrículo direito vai entrando em falência, diminuindo sua contraBlidade e débito, consequentemente levando à falência do ventrículo esquerdo, o que leva a diminuição do débito cardíaco, da PA e da perfusão da coronária direita, até um possível infarto agudo e óbito por choque cardiogênico QUADRO CLÍNICO • Dispnéia de início súbito (alguns casos dias de evolução) • Dor torácica/pleurítica súbita • Tosse • Hemoptise • Desmaio/síncope • Taquipneia (FR > 20) e taquicardia • Cianose • Hipotensão (PAS < 90) • Sibilos e estertores • Hiperfonese da 2ª bulha • Quarta bulha ou ritmo de galope do ventrículo direito • Sinais de TVP de MMII: dor, edema, eritema • Febre (10%) • Turgência jugular EXAMES COMPLEMENTARES • Arteriografia pulmonar: padrão ouro • Angiotomografia de tórax com contraste: exame feito na prática clínica • USG venoso de MMII: feito em gestantes Andressa Algazal • ECG: achados inespecíficos, que incluem alteração do segmento ST e inversão de onda T de V1-V4, arritmias atriais, bloqueio de ramo direito, padrão S1Q3T3. Porém a alteração mais comum é a taquicardia sinusal • Raio X de tórax: útil para diagnóstico diferencial e exclusão de outras causas de dispneia e dor torácica. Alguns achados clássicos (incomum) incluem: - Sinal de Hampton: imagem triangular/em cunha c o m a b a s e n a p e r i f e r i a d o p u l m ã o , representando infarto pulmonar - Sinal de Palla: dilatação da artéria pulmonar - Sinal de Westermark: áreas do pulmão mais preta • Ecocardiograma: dilatação de VD e AD, hipocinesia de VD, retificação ou desvio do septo para esquerda • D-dímero: solicitado para excluir TEP quando a probabilidade é baixa. Não faz diagnóstico • Gasometria arterial: pode estar normal. A alteração mais comum é hipoxemia e a hipocapnia • Troponina e BNP: não confirmam e nem excluem diagnóstico. Úteis apenas para determinar prognóstico • Cintilografia de ventilação-perfusão ESCORE DE WELLS Score pra avaliar a probabilidade clínica de TEP 0-1 ponto: baixa probabilidade de TEP ≥ 2 pontos: alta probabilidade de TEP Paciente estável Paciente instável Ou seja, só faz trombólise em TEP com instabilidade hemodinâmica VR d-dímero = 500. Se > 75 anos, o valor é a multiplicação da idade por 100 (exemplo, paciente com 75 anos, VR = 750) ESCORE DE PERC Em pacientes de baixo risco, usar o score de PERC para descartar a suspeita de TEP e encerrar a investigação (Para não precisar pedir d-dímero) PESI Andressa Algazal E um instrumento que avalia a gravidade. Isso auxilia a definir o local do tratamento (domiciliar ou hospi ta lar ) e agress iv idade do t ra tamento (anticoagulação ou trombólise) • PESI = 0 (mortalidade 1% em 30 dias). Considerar alta e tratamento ambulatorial com anticoagulante oral • PESI ≥ 1 (mortalidade 10,9% em 30 dias). Realizar ecocardiograma ou TC de tórax para avaliar VD, e troponina e BNP - Se não houver nenhuma alteração ou houver apenas elevação dos exames laboratoriais (com imagem normal), o risco é intermediário-baixo, tratar na enfermaria com anticoagulante - Se os exames de imagem e laboratoriais vierem ambos alterados, é risco intermediário-alto. Tratar em UTI com anticoagulante e possível trombólise TRATAMENTO Suporte hemodinâmico e ventilatório: • Oxigenioterapia se SatO2 < 90% • Até 500mL cristaloide (SF) em bolus para pacientes hipotensos. Reposição volêmica agressiva pode ser prejudicial e piorar o estresse de VD — evitar volumes > 500 mL • 0,2 a 1,0 µg/kg/min de norepinefrina para pacientes com choque cardiogênico PACIENTES DE BAIXO RISCO HBPM • Enoxaparina 1,5mg/Kg SC 1x/dia (ou 1mg/Kg 12/12h) • Não precisa colher TTPA • Pode ser prescrita em paciente com disfunção renal, porém é obrigatório monitorizar • Quando clearence de creatinina < 30, a dose enoxaparina é de 1 mg/kg ao dia • Cautela em pacientes > 120Kg HNF • Dose de ataque de 80 UI/Kg EV, seguido de 18 UI/ Kg/h • Monitorizar com TTPA, com objetivo entre 1,5-2,5 • Verificar plaqueta no 3º e 5º dia devido ao risco de plaquetopenia autoimune pela heparina • É a primeira escolha para o paciente em diálise ou com DRC avançada (ClCr < 30 mL/min) • Preferida em casos de instabilidade hemodinâmica, extremos de peso e idade e pacientes com alto risco de sangramento pelo potencial de reversão de protamina Fondaparinux • Inibidor sintético e seletivo do Fator X ativado (Xa) • < 50Kg: 5mg SC 1x/dia • 50-100 Kg: 7,5 mg SC 1x/dia • > 100Kg: 10mg SC 1x/dia • Não precisa de monitorização • Não deve ser usado em pacientes com clearence de creatina < 30 Rivaroxabana 15mg VO 12/12h por 21 dias, seguidos de 20mg VO 1x/dia por 3, 6 ou 12 meses PACIENTES DE RISCO INTERMEDIÁRIO OU ELEVADO Fibrinolítico (estreptoquinase, rt-PA ou tenecteplase) Estreptoquinase 1.500.000 UI EV em 2h rtPA (Alteplase) 100 mg EV em 2h (de escolha) Andressa Algazal Após a trombólise, fazer anticoagulação com HNF TEP