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MINIMANUAL DO Oie, Preparei esse material com muito carinho, os mapas foram feitos após estudar e revisar de forma detalhada todos os temas abordados, resumi de forma esquematizada e objetiva, além de ser tudo colorido e visualmente eficiente com a utilização de esquemas visuais e desenhos para o melhor entendimento. Tudo isso para contribuir com o aprendizado facilitado de estudantes e profissionais na preparação para provas, concursos, residências e para a prática profissional. CLIQUE PARA VER MAIS MATERIAIS @MEDICINA.ILUSTRADA Introdução Generalidades Definição Sobre o coração - sistema de condução Derivações no ECG Derivações padrão Derivações aumentadas Der. no plano transversal ou precordial Como é produzido um electro O papel do eletrocardiograma O eletrocardiograma normal Ondas de um ECG normal Frequência cardíaca Ritmo cardíaco Onda P Intervalo PR Complexo QRS Orientação do eixo cardíaco (fácil) Segmento ST Onda T Intervalo QT Em resumo Interpretação do ECG 3.Electrocardiogramas segundo as patologias mais importantes A.Hipertrofia a.Hipertrofia ventricular esquerda b.Hipertrofia ventricular direita c.Hipertrofia atrial esquerda d.Hipertrofia atrial direita B.Bloqueios de ramo a.Bloqueio de ramo direito b.Bloqueio de ramo esquerdo C.Bradicardias a.Bradicardia sinusal b.Parada sinusal c.Bloqueio AV de I grau d.Bloqueio AV de II grau Mobitz I e.Bloqueio AV de II grau Mobitz II f.Bloqueio AV de III grau D.Taquicardias a.Extrasístoles atriais b.Extrasístoles ventriculares c.Taquicardia sinusal d.Taquicardia atrial e.Fibrilação atrial f.Flutter atrial g.T. Supraventricular paroxística h.Síndrome de Wolf-Parkinson-White i.Taquicardia ventricular j.Fibrilação ventricular E.Isquemia a.Angina de peito b.IAM Sem elevação do ST c.IAM Com elevação do ST d.Como saber onde está o ataque cardíaco F.Valvulopatias a.Estenose aórtica b.Insuficiencia aórtica c.Estenose mitral d.Insuficiencia mitral e.Prolapso mitral f.Estenose pulmonar g.Insuficiencia pulmonar h.Estenose tricúspide i.Insuficiencia tricúspide G.Pericardiopatias a.Pericardite aguda b.Derrame pericárdico/Tamponamento c.Pericardite constritiva H. Miocardiopatias a.Dilatada b. Hipertrófica c.Restritiva I.Miscelânea a.Alt. do potassio b.Hipocalcemia c.Digoxina d.Hipotermia e.Síndrome de Brugada J.Regra ECG CONTEÚDO O eletrocardiograma (ECG) é um teste complementar que é usado para diagnosticar doenças em cardiologia. Basicamente, é uma representação gráfica da atividade elétrica do coração. Essa atividade elétrica é captada por eletrodos situados sobre a pele do paciente, e o eletrocardiografo a converte, por meio de uma série de operações matemáticas, em um gráfico, em algumas ondas Olá a todos! Como você sabe, a eletrocardiografía é um tema muito amplo, impossível de abordar na íntegra nas páginas deste ebook, que pretende ser um breve resumo que facilite a revisão dos eletros. O objetivo principal será entender como se obtém um eletro, como é um eletro normal, e rever os eletros típicos de algumas patologias cardíacas. Para criar este miniguia vou criar ilustrações em vez de eletros reais, por dois motivos: primeiro, para não infringir os direitos autorais de ninguém pois não tenho eletros reais de tudo, e, segundo, porque assim tudo ficará de forma mais clara e esquemática. Como você já sabe, o coração é formado por tecido muscular e, como tal, suas células são polarizadas. Além disso, possui um complexo sistema de condução elétrica, que no final se traduz nas diferentes ondas que existem no ECG. Grosso modo, o impulso elétrico é gerado no nó sinusal (atrio direito), e enquanto viaja pelos feixes ou tratos internodais despolarizam os átrios, até chegar ao nó átrioventricular, que está no septo interatrialr, na sua parte inferior. Este último septo é isolante, por isso a onda de despolarização e não pode passar diretamente de átrios para ventrículos. Por isso existe o nó átrioventricular, para permitir a passagem do impulso elétrico para os ventrículos, mas com algum atraso, de alguns milissegundos, para que os ventrículos não estejam contraídos ao mesmo tempo que os átrios, o que impediria o preenchimento dos ventrículos. Depois de passar pelo nó atrioventricular, o impulso segue pelo Feixe de His, que se divide em seus dois ramos (esquerda e direita), finalmente distribuindo-se pelas paredes dos ventrículos através das fibras de Purkinje, contraindo-se finalmente os ventrículos. INTRODUÇÃO 1. GENERALIDADES DEFINIÇÃO SOBRE O SISTEMA DE CONDUÇÃO nó sinusal nó atrioventricular has de Bachmann trato internodal ant t. internodal médio t. internodal posterior ramo esq. haz de His ramo dir. haz de His has de Bachmann fascículo ant. esq. fibras de Purkinje fibras de Purkinje Na verdade, nos membros, colocamos eletrodos na parte mais distal possível dos membros: ambos os pulsos e no tornozelo esquerdo (ou seja, as derivações padrão). No tornozelo direito situa-se outro eletrodo (o preto), que é para estabilizar o ECG mas não é uma derivação em si. Para obter as derivações aumentadas (aVF, aVR, e aVL) não colocamos eletrodos fisicamente, mas o eletrocardiógrafo calcula automaticamente combinando as informações provenientes das derivações padrão (I, II, e III) Chamamos derivações aos eletrodos que colocamos sobre a pele do paciente. Normalmente são feitos ECG de 12 derivações. Assim, captaremos a mesma atividade elétrica do coração a partir de 12 pontos de vista diferentes, permitindo-nos colocar o coração no gáfico através do ECG. Existem dois tipos de derivações: algumas que são colocadas nos membros (padrão: I, II, III, e aumentadas: aVF, aVR, e aVL), que nos darão informações sobre o plano frontal do coração, e outras que são colocadas no tórax (V1-V6), que representarão um corte transversal do coração. As derivações do plano frontal, as dos membros, têm algumas cores atribuídas: As derivações padrão do plano frontal, I, II e III, são as chamadas bipolares. Isso é que para obter um vetor eles usam o dado de dois eletrodos, a diferença entre eles. Ou seja: A derivação I tomará o eletrodo do braço esquerdo como positivo e o direito como negativo. O II, o eletrodo da perna esquerda como positivo e o braço direito como negativo. O III, o eletrodo da perna esquerda como positivo, e o braço esquerdo como negativo. Por outro lado, temos as derivações no plano transversal, monopolares precordiais, que são co- locadas na parede do tórax, de acordo com a tabela a seguir. As derivações no plano frontal representam, pela localização física, partes específicas do coração: V1 e V2 representam a atividade elétrica do septo interventricular, V3-V4 a face anterior do coração, e V5-V6 a face inferolateral (ou apical). As derivações aumentadas do plano frontal, ou seja, aVF, aVL e aVR, são monopolares. Isto é que eles só precisam de um eletrodo para dar um resultado, tomando como referência o zero, representado pela derivação preta do pé direito. Ou seja, o eletrocardiógrafo «calcula» automaticamente as derivações aumentadas a partir dos mesmos eletrodos que usamos para as derivações padrão (I,II,III). DERIVAÇÕES NO ECG DERIVAÇÕES PADRÃO DERIVAÇÕES AUMENTADAS DERIV. NO PLANO TRANSVERSAL Braço direito Vermelho Braço esquerdo Amarelo Perna direita Preto Perna esquerda Verde O coração segue seu ciclo sístole-diástole graças às correntes elétricas geradas pelo aparelho de condução, e essa mesma eletricidade se espalha para a pele onde é captada pelos eletrodos do eletrocardiógrafo que colocamos nos membros e no tórax do paciente. Essas correntes elétricas se movem no espaço e no tempo, e como representam o coração, pode nos orientar o coração no espaço e ver o que acontece durante o ciclo de contração. Tudo isto é representado por vetores, que, podemos dizer que são flechas que indicam para onde vai essa corrente, tanto no plano frontal como no transversal. Quanto mais longa for a seta, maior o valor da mesma e maioro valor da corrente. No entanto, isso depende da derivação que você olha. Os vetores são positivos quando se aproximam do eletrodo que capta a corrente, e negativos quando se afastam do mesmo. O papel sobre o qual as ondas cardiacas são representadas é um papel milimetrado. O papel é muito importante porque permite medir as ondas: no eixo vertical se mede a tensão, amplitude ou altura da onda, enquanto no eixo horizontal representa o Por exemplo, digamos que ocorre uma corrente no braço direito e que se dirige para o braço esquerdo. Podemos olhar para essa mesma corrente de diferentes pontos de vista, a partir dos diferentes olhos que são as diferentes derivações. Se olharmos para a derivação padrão I, que tem o eletrodo positivo no braço esquerdo e o negativo no direito, nos saíra um vetor positivo, uma onda positiva, porque a corrente se aproxima do eletrodo positivo e dizemos que será positivo se se aproximar. Mas se observarmos a derivação III, outra coisa acontece. Como essa derivação é formada tomando o eletrodo do braço esquerdo como negativo, e o eletrodo da perna esquerda como positivo, a onda ficará mais negativa porque se afasta do eletrodo positivo, se você tiver em mente que com os braços esticados a perna esquerda estará mais à direita do que o braço esquerdo. Assim, combinando todos os vetores que representam todas as correntes que ocorrem durante o ciclo de contração cardíaca, obtém-se uma representação gráfica que é o ECG. No papel do ECG vêm as 12 tiras, uma para cada derivação: I, II, III, aVL, aVR, aVF, V1, V2, V3, V4, V5, e V6, e são a representação gráfica do mesmo, mas visto de 12 pontos de vista diferentes. COMO O ELETRO É PRODUZIDO O PAPEL DO ELETROCARDIOGRAMA Der V1 V2 V3 V4 V5 V6 Localización Quarto e. intercostal. logo à direita do esterno Quarto e. Intercostal à esquerda do esterno Entre V2 e V4 Quinto e. Intercostal na linha medioclavicular esquerda Quinto e. intercostal na linha axilar anterior esquerda Quinto e. intercostal na linha axilar média esquerda Quanto ao TEMPO, é calculado medindo os quadrados no eixo horizontal: 5 quadrados grandes equivalem a 1 segundo. 1 quadrado grande equivale a 0,2 segundos. 1 pequeno quadrado equivale a 0,04 segundos tempo. O papel é dividido em grandes quadrados, que contêm 25 pequenos quadrados dentro. Cada pequeno quadrado tem 1 mm de lado. Velocidade do papel: 25 mm por segundo. Para interpretar um eletrocardiograma e torná-lo o mais fácil e satisfatório possível, a chave está em seguir uma ordem específica, alguns passos que devemos nos acostumar a seguir. O objetivo deste guia é aprender a dizer se um ECG é normal ou não. Para isso Para medir a amplitude (altura) das ondas, a tensão, é sempre usada como referência a linha isoeléctrica, até a ponta da onda. Por exemplo, nesta imagem a onda R mede 4 mm, assim como a onda S. AMPLITUDE OU TENSÃO. Cada pequeno quadrado, 1 mm, equivale a 0,1 mV vamos ver as ondas que um eletro tem e as características para que seja considerado normal. 1. Onda P - Despolarização atrial. 2. Intervalo PR - O impulso viaja pelo nó AV, H. De His. 3. Segmento PR - Isoelétrico. 4. Complexo QRS - Despolarização ventricular. Onda Q, se o complexo começa com uma onda negativa. Onda R, são chamadas todas as ondas positivas, se houver mais de uma o resto será chamado de R ́ (R prima). Todas as negativas após o R serão chamadas de S. São colocados em minúsculas se a tensão estiver diminuida em relação ao normal. 5. Ponto J - Logo ao terminar o QRS e marca o começo do segmento ST. 6. Segmento ST - No ECG normal é isoelétrico. 7. Intervalo QT - Abrange a despolarização e a repolarização ventricular. Inclui a repolarização atrial, que normalmente não se vê porque coincide com o QRS. 8. Onda T - Repolarização ventricular. 9. Onda U - Não costuma-se ver, também não se sabe muito Bem o que representa. Diz-se que é a repolariza- Ção do sistema de condução ventricular. 10. Segmento TP - Isoelétrico. ONDAS DE UM ECG NORMAL 2. O ECG NORMAL linha isoelétrica linha isoelétrica ponto1 Página 1 1 Outra forma de calcular a frequência cardíaca é dividir 300 pelo número de quadrados grandes que po- demos contar entre duas ondas R. A frequência cardíaca é definida como o número de batimentos cardíacos que ocorrem em 1 minuto. No ECG, baseamo-nos na distância entre uma onda R e a próxima. Existem várias maneiras de calcular a Fc, uma mais rudimentar e outra mais sofisticada. A Fc normal é de 60 a 100 BPM. Mais de 100 é considerado taquicardia, e menos de 60 é bradicardia. A sofisticada consiste em contar o número de quadradinhos pequenos (que representam, cada um, 0,04 segundos) entre uma onda R e a próxima, para tirar quanto tempo há entre uma R e a seguinte. Depois, dividiremos 60 segundos entre esse tempo que contamos, sendo o resultado a frequência cardíaca. Por exemplo, se entre um R e o próximo houver 6 quadradinhos pequenos: 6 x (0,04) = 0,24. Depois: 60/0,24 = 250, que são batidas por minuto. A forma mais rudimentar é procurar uma onda R que se sobrepõe à linha que marca um quadrado grande, e ir contando linhas grossas até encontrar a próxima onda R. Se o próximo R se sobrepor à linha grossa imediatamente seguinte, a frequência cardíaca, aproximadamente, será de 300, se for um mais, 150, um mais 100, um mais 75, o próximo a esse, 60 e o próximo 50. Válido apenas para ECGs com ritmo sinusal. Requisitos para ser um ritmo sinusal normal: -FC 60-100 BPM. -Onda P positiva em I-II-aVF e negativa em aVR -Que não haja bloqueio AV completo É a regularidade com que o coração bate, como é a sucessão destas batidas. O tipo de ritmo depende fundamentalmente da estrutura que funciona como um marcapasso naquele momento. Em condições normais, o ritmo cardíaco é dado pelo nó sinusal, conhecendo-se este ritmo como, vale a redundância, ritmo sinusal. Mas se o NS parar de marcar o ritmo, outros marcapassos aparecem e o ritmo seria diferente do habitual. O ritmo sinusal é regular. Representa a despolarização dos átrios, com origem no nó sinusal, primeiro a direita e logo a esquerda. A onda P normal tem de ser arredondada e é geralmente positiva. Se for negativa na derivação padrão I, é que a origem dessa onda P não é sinusal, mas terá se originado no átrio esquerdo. A onda P normal é positiva e simétrica, que mede aproximadamente 2,5 pequenos quadrados de altura, e dura no maximo 3 quadrados (0,04s x 3= 0,12 segundos). Precede a todos os complexos QRS. Onda P normal: -Positiva em I, aVL, II-III-aVF, e negativa em aVR Altura aprox. 2.5 pequenos quadrados (0,1 s) Largura máxima: 3 pequenos quadrados (0,12 s) P Mitral: onda P com dois picos em II e III e duração superior a 3 quadrados. Aparece em estenose mitral, HTA... -P Pulmonar: Onda P assimétrica, com uma tensão superior a dois pequenos quadrados em V1. FREQUÊNCIA CARDÍACA ONDA P RITMO CARDÍACO QUADRADINHOS P MITRAL P PULMONAR NORMAL Intervalo PR normal: -0,12-0,20 segundos (3-5 pequenos quadrados) -Que seja constante Se for mais curto de 0,12 s, pode ser um ritmo atrial próximo dos ventrículos (marcapasos ectópico), ou pode indicar-nos a existência de uma via acessória atrioventricular. Se for mais longo do que 0,2 segundos, pode ser um bloqueio AV. O PR é medido na derivação II. Para olhar para as ondas do ECG tomamos sempre como referência a linha isoelétrica. Dependendo se as ondas deste complexo são positivas ou negativas, pode haver vários tipos de QRS. O QRS é um vetor que representa a despolarização dos ventrículos, e que se dirige para baixo e para a esquerda. Através das derivações padrão das extremidades poderemos orientar para onde vai esse vetor, e, portanto, o eixo do coração (orientá-lo no espaço). O eixo normal do coração está entre 0º e 90º, de acordo com o desenho que será mostrado adiante. Complexo QRS normal: -Positivo em II, em III, aVF, e I. -Pos (ou com uma pequena onda negativa) em aVL -Neg em aVR (eletrodo positivo em braço direito) Nas derivações monopolares do tórax, no plano transversal,as precordiais (V1 a V6), o QRS passa de negativo em V1 para positivo em V6. Duração do QRS -Normal: menos de 0,12 segundos (3 quadrados) Se for mais, pense em: -Pré-excitação -Bloqueio de ramo -Foco ectópico ventricular O PR é o tempo em que o impulso nervoso viaja pelo nó atrioventricular e pelo feixe de His e seus ramos. Desta forma poderemos saber se o eixo é normal, ou seja, se está no quadrante inferior esquerdo, ou, pelo contrário, está desviado para a esquerda ou para a direita. O eixo cardíaco pode ser calculado de forma bastante precisa usando métodos um pouco complexos, o que na prática não é usado. É calculado aproximadamente comparando os complexos QRS de duas derivações: I e aVF. O que você olha é o «valor absoluto» do QRS em cada derivação: os pequenos quadrados positivos são adicionados e os negativos são subtraídos e os respectivos resultados são colocados em um «compasso» como na ilustração imediatamente seguinte, em suas respectivas derivações. Por exemplo, olho para o QRS na derivação I e há 5 quadrados acima da linha isoelétrica e 2 abaixo. O valor obtido é 3, desenharemos uma seta de 3 quadrados no eixo I da bússola, faremos o mesmo com a derivação aVF e depois traçaremos as linhas perpendiculares procurando ver onde elas se cruzam. Depois vamos traçar outro vetor que vai do centro do compasso até o ponto onde essas perpendiculares se cruzam, e esse vetor será o eixo do coração. Como em uma bússola, obteremos alguns graus aproximados do eixo.Por exemplo: INTERVALO PR COMPLEXO QRS ORIENTAÇÃO DO EIXO CARDÍACO Tensão do QRS -Alta tensão: o R mais alto ultrapassa os 30 mm (6 quadrados grandes) -Baixa tensão: nenhum R em (V1-V6) ultrapassa os 8 mm. Hipertrofias ventriculares -Se o QRS for muito positivo em V5-V6 e negativo em V1- V2, indica hipertrofia ventricular esquerda. -Se o QRS for muito positivo em V1-V2 e negativo em V5- V6, indica hipertrofia ventricular direita. linha isoelétrica eixo aprox Outro método: 1. Pesquisar em que derivação o QRS é isodifásco. 2. O eixo será o que marca a derivação perpendicular. 3. Se nele o QRS for positivo, o eixo estará na sua direção. Se for negativo, estará na direção oposta. Segmento ST normal: -Isoeléctrico -Máximo 1 mm (1 quadrado peq) para cima ou para baixo Segmento QTc normal: -Menor a 0,44 segundos É a repolarização ventricular. Deve ter o mesmo sinal que o QRS (se o QRS for positivo, o T também). Onda T normal: -Negativa em aVR e V1 -I, II, V4-V6, positiva Normalmente o segmento ST é isoelétrico, ou no máximo é considerada normal uma elevação ou uma depressão de 1 quadrado. As alterações do ST podem ocorrer por múltiplas patologias, mas podem indicar, e de fato são usadas para classificá-las, algum tipo de síndrome coronária (com ou sem elevação do ST). ONDA T SEGMENTO ST INTERVALO QT É o tempo que existe desde o início do QRS até o fim da onda T, e representa a despolarização e a repolarização dos ventrículos. O QT corrigido é usado porque o QT muda com a Fc: diminui com taquicardia e aumenta com bradicardia EI XO C A R D ÍA C O EIXOS ELÉTRICOS DO QRS DESVIO ESQ EIXO NORMAL DESVIO D IR DE RI . B IP OLA RES NO PLANO FRONTAL DERI. B IPO LA RES NO PLANO FRONTAL Onda T normal: -Negativa em aVR e V1 -I, II, V4-V6, positiva Segmento QTc normal: -Menor a 0,44 segundos Requisitos para ser um ritmo sinusal normal: -FC 60-100 LPM. -Onda P positiva em I-II-aVF e negativa em aVR -Que não haja bloqueio AV completo Segmento ST normal: -Isoeléctrico -Máximo 1 mm (1 quadrado peq) para cima ou para baixo Complexo QRS normal: -Positivo em II, em III, aVF, e I. -Pos (ou com uma pequena onda negativa) em aVL -Neg em aVR (eletrodo positivo em braço dir.) Onda P normal: -Positiva em I, aVL, II-III-aVF, e negativa em aVR -Altura aprox. 2.5 pequenos quadrados - A extensão máxima: 3 pequenos quadrados Duração do QRS -Normal: menos de 0,12 segundos (3 quadrados) -Se for mais, pense em: -Pré-exitação -Bloqueio de ramo -Foco ectópico ventricular Alterações que esperamos encontrar: -Ondas R de tensão aumentada em V1 e V2 -Eixo deslocado para a direita -S negativo em V5-V6 Alterações que esperamos encontrar: -Desvio do eixo do QRS para a esquerda, mesmo negativo -É possível QRS de alta tensão -R muito elevada em V5-V6, I, aVL -S muito negativo em V1-V2 -Índice de Sokolow: se a soma da onda R em V5- V6 com o S em V1 ou V2 é igual ou maior que 35 mm (3,5 mV), confirma o Dx de HVE. EM RESUMO: INTERPRETAÇÃO DO ECG HIPERTROFIA VENTRICULAR DIREITA HIPERTROFIA VENTRICULAR ESQUERDA 1. Calcular a frequência e o ritmo 2. Medir o intervalo PR em II 3. Medir o intervalo QRS 4. Calcular o eixo QRS 5. Olhar para o ST e descartar elevação ou depressão de >1mm 6. Verificar se a onda T é positiva em todas as Derivações exceto aVR e V1. 7. Se nada de estranho for detectado até agora, você pode considerar que o eletrocardiograma é normal 3. ECGs PATOLÓGICOS A. HIPERTROFIA NOTA para este manual: quando você vê a ilustração de um ECG, olhe para a forma das ondas mais do que para o papel, pois em muitas delas o papel não está em escala, por razões estéticas. O motivo disso é que é difícil enquadrar as escalas e que seja visível em um espaço tão pequeno. Intervalo PR normal: -0,12-0,20 segundos (3-5 pequenos quadrados) -Que seja constante HIPERTROFIA ATRIAL DIREITA HIPERTROFIA ATRIAL ESQUERDA BRADICARDIA SINUSAL BLOQUEIO DO RAMO DIREITO BLOQUEIO DO RAMO ESQUERDOAlterações que esperamos encontrar: -QRS de baixa tensão em V1 (⪕4 mm) -Onda P pulmonale em II, III, aVF -P de duração normal e alta tensão (⪖2,5 mm) Alterações que esperamos encontrar: -Onda P larga (>3 quadrados, 0,12 s) em I e II -Onda P mitral em I e II - Onda P difásica em V1 Alterações que esperamos encontrar: -QRS com pequeno R inicial em V1 seguido de uma onda S seguida de outro R (rSR’). -ST e T podem ter polaridade contrária ao QRS Alterações que esperamos encontrar: -R positivo e muito alto em V5 V6, e ondas negativas (QS) em V1 V2 -Em V1 não há onda positiva inicial r, e em V6 não há a primeira onda q (negativa) -T e ST com polaridade contrária ao QRS ECG completamente normal, mas com Fc inferior a 60. C. BRADICARDIAS B. BLOQUEIOS DE RAMO II NORMAL PULMONAR MITRAL Alterações que esperamos encontrar: -Ondas P normais sempre seguidas de QRS - Intervalo PR alongado (>0,20 segundos) Alterações que esperamos encontrar: -Algumas ondas P não seguidas de QRS - Fenômeno de Wenckebach: o PR vai se alongando progressivamente até chegar a um ponto que não é seguido de QRS. Ocorre devido a uma falha transitória na produção do potencial de ação pelo nó sinusal. Dura de 2 s a minutos. Cessação repentina do traçado porque não ocorre onda P. Depois, reaparece o ritmo sinusal ou um marcapasso ectópico EXTRASÍSTOLES ATRIAIS BLOQUEIO AV DE SEGUNDO GRAU - MOBITZ II Alterações que esperamos encontrar: -Ritmo atrial independente do ventricular BLOQ AV DE TERCEIRO GRAU /COMPLETO Alterações que esperamos encontrar: -Ondas P constantes sem alongamento do PR -De vez em quando uma onda P é bloqueada aleatoriamente e o QRS não aparece Alterações que esperamos encontrar: -Onda P de forma diferente da normal, dependendo de onde nasce o impulso -QRS Estreito (menos de 0,12s, 3 quadrados) -Ocorre uma pausa de uma duração menor que o dobro do intervalo PP normal D. TAQUICARDIAS PARADA SINUSAL BLOQUEIO AV DE SEGUNDO GRAU - MOBITZ I - WENCKEBACH BLOQUEIO ATRIOVENTRICULAR DE PRIMEIRO GRAU TAQUICARDIA SINUSAL TAQUICARDIA ATRIAL Alterações que esperamos encontrar: -QRS estreito (100 BPM EXTRASÍSTOLES VENTRICULARES Alterações que esperamos encontrar: -QRS largos (>3 quadrados), semelhante ao dos bloqueios de ramo -QRS não precedido por onda P -Há uma pausa compensadora Alterações que esperamos encontrar: -Ondas P iguais entre elas, mas diferentes da P normal. -Intervalo PR constante -FC 150-250 BPM Dependendo de onde nasce o impulso:Localização atrial baixa -P negativo em II, III, aVF (p é direcionado para cima) Localização atrial esquerda -P positivo em aVR Foco próximo ao nó sinusal -P muito parecido com a onda P normal FIBRILAÇÃO ATRIAL FLUTTER ATRIAL Alterações que esperamos encontrar: -As aurículas se tornam loucas -Ondas F: entre 500 e 600 ondas irregulares -O nó sinusal é anulado e não há ondas P - Distância entre QRS irregular: o nódulo AV deixa passar ondas F de vez em quando para os ventrículos. Alterações que esperamos encontrar: -300 ondas F por minuto (em dentes de serra) -Distância entre complexos QRS regular -Dependendo do que o nó AV deixa passar, Digamos 2:1, se a frequência atrial for 300 a ventricular será de 150 aproximadamente Taquicardias por reentrada. Alguns corações têm estruturas patológicas adicionais que cumunicam atrios com ventrículos além do nó AV, de modo que o impulso pode passar para os ventrículos como faria normalmente pelo nó AV mas reentrar nos atrios por essa via acessória produzindo taquicardia. Também é possível que dentro do mesmo nó haja mais de uma via de condução do impulso e dependendo das condições de despolarização e repolarização, pode ocorrer uma reentrada dentro do mesmo nó, resultando em taquicardia por reentrada intranodal (como um curto-circuito dentro do mesmo nó atrioventricular). Estas taquicardias são paroxísticas: têm um início e um fim bruscos, e uma frequência cardíaca de cerca de 200 batimentos por minuto Nem todos os impulsos conseguem passar pelo nó atrioventricular, de modo que a frequência dos ventrículos (QRS) dependerá disso. Se, por exemplo, os átrios forem para 150 bpm e o nó AV deixar passar um em cada dois, a frequência ventricular será de 75 batimentos por minuto. SÍNDROME DE WOLF PARKINSON WHITE Alterações que esperamos encontrar: -QRS emplastado (onda delta) e largo -PR encurtado (menor de 0,12 segundos) - Podem ser dadas taquicardias suprav. paroxísticas TAQUIC. SUPRAVENTRICULAR PAROXÍSTICA Alterações que esperamos encontrar: -Frequência cardíaca 200 BPM aprox. -Motivo: taquicardia por reentrada (via acessória ou intranodal) -QRS em geral estreito (menos de 0,12 s) -A taquicardia aparece e desaparece de repente. Wolf-Parkinson-White. Estes pacientes têm uma via acessória que liga o atrio com o ventrículo. Por esta via, que é rápida, sem o freio do nó AV (que normalmente atrasa o impulso alguns milise- gundos), o impulso passa para os ventrículos e pode excitá-los antes do impulso que viaja pela via normal. Quando chegar o impulso pela via convencional (nó AV, feixe de His, Purkinje...) os ventrículos já estarão excitados e serão despolarizados de forma aberrante... É o chamado fenômeno de preexcitação típico do WPW. O WPW é caracterizado por preexcitação + taquicardias por reentrada via acessória (fascículo de Kent). FIBRILAÇÃO VENTRICULAR TAQUICARDIA VENTRICULAR Alterações que esperamos encontrar: -Não há QRS -Não há ondas P -Oscilação sem tom nem som da linha de base Alterações que esperamos encontrar: -QRS largo (mais de 3,5 quadrados ( 0,14s)) -QRS iguais (taquicardia ventricular monomorfa) -QRS diferentes (polimorfa) -Disociação AV: as ondas P auriculares vão independentes para os QRS -Intervalo PR variável -Mais de 3 QRS largos para um FC >100 BPM En la brilación ventricular no hay contracción ecaz del ventrículo, es decir: el corazón está en parada. Está indicado desbrilar para preservar la vida. Taquicardia ventricular. Ocorre porque aparece um marcapasso ectópico ao nível do músculo ven- tricular. Como o impulso não é levado pelo sistema de condução, como normalmente acontece, o impulso se estende mais lentamente e, portanto, o QRS é largo. Uma taquicardia de QRS largo é uma taquicardia ventricular até que seja provado o contrário ANGINA DO PEITO Torsade de Pointes. É um tipo de taquicardia ven- tricular em que os QRS são tão irregulares que parece que o ápice do coração está girando sobre a linha de base. Eles ocorrem em pacientes com QT longo. INFARTO AGUDO DE MIOCARDIO Face inferior VE. O mesmo em II, III, aVF. IAM SEM ELEVAÇÃO DO ST/ IAMSEST Alterações que esperamos encontrar: -Depressão do ST -Ondas T podem se tornar negativas (Alterações não específicas) IAM COM ELEVAÇÃO DO ST/ IAMCEST Alterações que PODEMOS encontrar: -Descida do ST -Onda T invertida -ECG normal Alterações que PODEMOS encontrar: -Elevação do ST -Ondas T positivas, picudas e simétricas em pelo menos duas derivações -Progressivamente ST se normaliza e aparecem ondas T negativas (lesão subepicárdica) + ondas Q. Face posterior VE. V7-V8 (Derivações especiais). Ventrículo direito. V3R E V4R (Der. especiais). A elevação do ST indica danos miocárdicos graves que abrangem toda a espessura do músculo. Se uma onda Q (negativa e grande) aparecer no QRS significa que sim há necrose do miocárdio COMO SABER ONDE ESTÁ O INFARTO Septo interventricular (septal). Elevação do ST e, depois, onda Q, em V1 e V2. Face anterior do ventrículo esquerdo. O mesmo em V3-V4. Face lateral VE. O mesmo em V5-V6, I, e aVL. E. ISQUEMIA estreito largo INSUFICIENCIA AÓRTICA ESTENOSE AÓRTICA Alterações que esperamos encontrar: -Sinais de hipertrofia ventricular esquerda -Ondas R alta tensão em V5-V6, I, aVL Alterações que esperamos encontrar: -Sinais de hipertrofia ventricular esquerda se grave Infarto agudo do miocárdio na face inferior. Elevação do ST em II, III e aVF. PROLAPSO MITRAL ESTENOSE MITRAL INSUFICIENCIA MITRAL ESTENOSE PULMONAR ESTENOSE TRICUSPÍDEA INSUFICIENCIA PULMONAR INSUFICIENCIA TRICUSPÍDE Alterações que esperamos encontrar: -P pulmonale Alterações que esperamos encontrar: -Dilatação atrial direita -Dilatação ventricular direita Alterações que esperamos encontrar: -ECG normal se leve -Ondas P mitral, FA -Crescimento ventricular esquerdo: R alta tensão V5-V6, I e aVL Alterações que esperamos encontrar: -ECG normal no início ou complexos QRS de alta tensão em V1-V2. Desvio do eixo para a direita em V1-V2. Alterações que esperamos encontrar: -Extrasístoles (a ou v) -Sd. WPW ou QT longo -T achatadas, difásicas ou negativas em II, III, aVF Alterações que esperamos encontrar: -Sinais de bloqueio de ramo direito em V1 e V2 -Sinais de dilatação ventricular direita mais progredidos Alterações que esperamos encontrar: -P mitral em V1 e de mais de 3 quadrados -Hipertrofia atrial direita e ventricular direita se avançada, por HTP (Hipertensão pulmonar) F. VALVULOPATÍAS PERICARDITE AGUDA MIOCARDIOPATIA DILATADA PERICARDITE CONSTRITIVA Alterações que poderíamos encontrar: -QRS baixa tensão -T achatadas ou invertidas -Hipertrofia atrial -FA ou bloqueio AV DERRAME PERICÁRDICO/ TAPONAMENTO Alterações que poderíamos encontrar: -Crescimento ventricular esquerdo, eixo esquerdo -Taquicardia sinusal. -Bloqueio do ramo esquerdo -Ondas Q em derivações precordiais Alterações que poderíamos encontrar: -Elevação do ST côncavo para cima (o ataque cardíaco é geralmente convexo) -Esta elevação é difusa nas derivações, não em algumas específicas, mas em geral, em todas as exceto aVR. -Descida PR Alterações que poderíamos encontrar: -Baixas tensões ondas p e QRS generalizadas -Derrame grave: alternância elétrica, ou seja, vai tensão alta e baixa variando com a respiração. MIOCARDIOPATIA RESTRITIVA MIOCARDIOPATÍA HIPERTRÓFICA Alterações que poderíamos encontrar: -QRS de baixa tensão -ECG anodino Alterações que poderíamos encontrar: -Sinais de hipertrofia ventricular esquerda -R alta tensão em V5-V6, I, aVL -Descida ST + T invertida em V5-V6, I, aVL -Ondas Q V5-V6, I, aVL H. MIOCARDIOPATIAS G. PERICARDIOPATIAS HIPOCALCEMIA HIPOPOTASEMIA HIPERPOTASEMIA Alterações que esperamos encontrar: -Intervalo QT aumentado -Onda U grande -T achatado -PR alongado -Arritmias ventriculares se hipoK+ grave Alterações que esperamos encontrar: -T alta, simétrica e pontiaguda -Bradiarritmias, QRS largos... se grave -P larga e achatada Alterações que esperamos encontrar: -Alargamento do QT -Pode dar Torsade de Pointes DIGOXINAHIPOTERMIA SÍNDROME DE BRUGADA Alterações que esperamos encontrar: -Bradicardia -PR e QT prolongados -QRS largo -Onda J de Osborn Alterações que esperamos encontrar: -Bloqueio do ramo direito -Elevação do ST em V1-V2 Alterações que esperamos encontrar: -Descida difusa do ST -Intoxicação: extrasistoles ventriculares -Qualquer tipo de arritmias em intoxicação. I. MISCELÂNEA V2 Instruções: imprima-o em A4. Verifique, com uma régua, que a escala se enquadre. Se não corresponder, reajuste as suas preferências de impressão e verifique novamente. Se ainda não lhe convier, edite o PDF e arraste a imagem para ajustá-la da melhor forma possível Capa Creditos CONTEÚDO INTRODUÇÃO 1. GENERALIDADES 2. O ECG NORMAL 3. ECGs PATOLÓGICOS A. HIPERTROFIA B. BLOQUEIOS DE RAMO C. BRADICARDIAS D. TAQUICARDIAS E. ISQUEMIA F. VALVULOPATÍAS G. PERICARDIOPATIAS H. MIOCARDIOPATIAS I. MISCELÂNEA