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PRINCÍPIOS E TÉCNICAS DE NEGOCIAÇÃO Autoria: Robinson Henrique Scholz Indaial - 2022 UNIASSELVI-PÓS 2ª Edição CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090 Impresso por: Copyright © UNIASSELVI 2022 Reitor: Prof. Hermínio Kloch Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Carlos Fabiano Fistarol Ilana Gunilda Gerber Cavichioli Norberto Siegel Julia dos Santos Ariana Monique Dalri Jairo Martins Marcio Kisner Marcelo Bucci Revisão Gramatical: Desenvolvimento de Conteúdos EdTech Diagramação e Capa: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI Sumário APRESENTAÇÃO ............................................................................5 CAPÍTULO 1 Do Negociador À Negociação ..................................................... 7 CAPÍTULO 2 Conflitos Nas Organizações ..................................................... 53 CAPÍTULO 3 Planejamento da Negociação e Ética ....................................... 97 APRESENTAÇÃO Olá! A arte da negociação, como muitos de nós ouvimos falar, faz referência à complexidade de relações que se estabelecem entre as partes envolvidas, que requer conhecimento sobre o assunto, clareza do que se está negociando, dados relativos ao contexto da negociação e, claro, a tomada de decisão mais adequada para satisfazer ao objeto proposto. A negociação pode ser aplicada em diferentes contextos, como na vida pes- soal, nas relações entre amigos, nas organizações públicas e privadas, nas ope- rações comerciais de empresas nacionais e internacionais, entre outros. Enfim, a negociação é uma prática que pode ser desenvolvida por qualquer indivíduo, objetivando a resolução de conflitos e o alcance de objetivos. Assim, a negociação implica em processo, movimento e busca de resolução de conflitos, que fazem com que as partes dialoguem e cheguem a um acordo no processo decisório. Mas para isso, os negociadores precisam desenvolver suas competências e experiências, tais como comunicação, resolução de conflitos, ar- gumentação e consenso, para que possam ampliar suas práticas. Alguns tipos de negociação podem favorecer mais uma parte ou outra, mas ambas podem sair ganhando. Dessa forma, cada negociador precisa conhecer bem o ambiente da negociação e a outra parte envolvida, para que possa aplicar o tipo de negociação mais adequado. Além disso, compreender o conflito estabe- lecido que demanda a negociação. Vale ressaltar que muitas negociações ocorrem porque há algum conflito la- tente, seja no ambiente de trabalho, no convívio em sociedade, na necessidade de compra de algum produto, além de situações existentes nas relações entre pessoas. Nesta perspectiva, cada vez mais os negociadores precisam saber mais sobre gestão de conflitos, as relações de poder existentes, utilizar a comunicação e técnicas para a condução de negociações sobre os conflitos e compreender a natureza em que emergem as situações a serem resolvidas. Em se tratando do ambiente da negociação, é primordial gerenciar as variá- veis básicas da negociação, que são o tempo, a informação e o poder. Cada uma delas pode contribuir com o favorecimento ou com uma fragilidade no processo da negociação. Por isso, para evitar problemas futuros, o planejamento da nego- ciação é essencial para obter negociações mais frutíferas entre as partes envolvi- das. Conhecer o objeto da negociação, saber mais sobre a outra parte envolvida, saber dos limites que podem ser acordados, bem como respeitar os acordos, es- tão presentes na fase de planejamento. Já a tomada de decisão, quando se fecham os acordos e são realizados os encaminhamentos da negociação, deve ser conduzida de forma com que se ob- serve os resultados produzidos e que estes possam atender aos objetivos propos- tos. Para auxiliar na tomada de decisão, os negociadores podem se valer de al- guns métodos que podem contribuir na melhor decisão a ser tomada. Para tanto, na fase de planejamento já pode ser definido o melhor método a ser empregado, embora o negociador deva estar atento à necessidade de possíveis mudanças e adaptações durante a negociação. E, por fim, cabe o destaque da conduta ética, a qual permite que os valores e princípios dos negociadores e das instituições que possam ser envolvidas se- jam respeitados, operando com respeito, dignidade, segurança, compromisso e execução dos acordos firmados. Não basta saber negociar, é preciso ser ético em todo o processo de negociação e decisão. Bons estudos! Professor Dr. Robinson Henrique Scholz CAPÍTULO 1 Do Negociador À Negociação A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: � estudar as bases que orientam a negociação em diferentes contextos; � compreender os tipos de negociação, suas vantagens e desvantagens; � aplicar as competências do negociador nos diferentes segmentos de negócios; � desenvolver processos de negociação que possibilitem a tomada de decisão alinhados com os objetivos organizacionais. 8 Princípios e Técnicas de Negociação 9 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 1 CONTEXTUALIZAÇÃO A negociação pode ser realizada e entendida em diferentes contextos e as- pectos. Podemos situar práticas de negociação no ambiente familiar, nas relações em sociedade com grupos de amigos, no contexto das organizações públicas e privadas, bem como nas organizações da sociedade civil. A negociação interna- cional também requer atenção de análise no contexto da gestão de empresas, bem como as práticas de negociação exercidas no contexto do varejo. Contribuin- do, as negociações entre empresas, denominadas B2B, são grande relevância aos estudos sobre negociação e processo decisório. Além disso, a negociação é um processo de interação entre duas ou mais partes envolvidas que buscam atender aos objetivos particulares de cada parte, intentando o melhor resultado. Para isso, há a necessidade de desenvolver com- petências requeridas aos negociadores, no sentido de promover melhor assertivi- dade na negociação e tomada de decisão, tendo em vista os objetivos almejados. Assim, para que a negociação possa obter os melhores resultados, as pes- quisas desenvolvidas sobre negociação apontam alguns tipos de negociação mais comuns de serem utilizadas em diferentes contextos. Importante ressaltar que não há um modelo padrão de negociação, pois muito vai depender do objeto da negociação, das partes envolvidas, dos acordos a serem estabelecidos e, cla- ro, das habilidades dos negociadores. 2 O QUE É NEGOCIAÇÃO? A negociação é algo que nos remete a movimento, não é mesmo? Na maioria das vezes, quando ouvimos a palavra negociação, a nossa mente busca exem- plos de acordos, informações, dados, objetivos a serem alcançados, pessoas en- volvidas e tomada de decisão. Desta forma, isso quer nos mostrar que negociar tem uma relação direta com mudança de estado, ou seja, mudança da realidade. Para ajudá-lo a entender, se você está lendo este material é porque você tinha o objetivo de estudar, não é mesmo? Assim, você buscou informações deste curso, conversou com pessoas responsáveis pela instituição, analisou os dados e tomou a sua decisão de se matricular no curso! Pois bem, esse exemplo apresentado nos mostra que a negociação está pre- sente nas nossas rotinas, no nosso cotidiano e em nossas práticas profissionais. Negociar significa em termos gerais, a negação ao ócio (negar + ócio = negócio). As empresas públicas e privadas desenvolvem sua administração e utilizam o si- 10 Princípios e Técnicas de Negociação nônimo de negócio para disseminar a ideia de estarem em movimento no merca- do para oferecer soluções em produtos e serviços à sociedade. Complementando a nossareflexão, Lewicki, Saunders e Barry (2014) orien- tam que a negociação é um campo de conhecimento e empenho no qual o princi- pal objetivo é conquistar pessoas de quem se deseja algo, isto é, obter vantagem sobre a outra parte. A visão tradicional é a de que negociar é algo que se objetiva tirar o máximo de vantagens com um mínimo de concessões. Essa abordagem demonstra o caráter competitivo e de miopia na visão da negociação, explicitando a condução da negociação para o rumo que proporcione ganhos e vantagens es- pecíficas para apenas uma das partes envolvidas. Como dito anteriormente, a negociação envolve pessoas em interação, as quais se valem de práticas, processos e ferramentas de comunicação para manter o diálogo e o processo de negociação. Assim, de acordo com Acuff (2004, p. 28): Negociação é o processo de comunicação de mão dupla cujo objetivo é chegar a um acordo mútuo sobre necessidades e opiniões divergentes. Negociar significa persuadir, ao invés de usar força bruta. Além do mais, negociar quer dizer que o outro lado sentir-se-á satisfeito com o resultado da negociação. Cabe aqui compreender que a satisfação apresentada no conceito acima refle- te a importância de se tomar decisões que oportunizem resultados que sejam signi- ficativos para as partes envolvidas. Importante dizer que a satisfação tanto pode ser no processo de negociação (quando alguma das partes está se sentido confortável na negociação) como no resultado (na tomada de decisão se verifica o que foi acor- dado e como se objetivou o resultado, avaliando a negociação e seus frutos). A satisfação pode ser entendida quando você vai comprar um produto em uma loja, negocia com o vendedor um desconto e você adquire o produto com um valor melhor do que estava sendo ofer- tado. O vendedor está satisfeito pela venda realizada e, você, pela compra, em uma relação harmônica entre as partes. Nota-se que a negociação pode estabelecer uma relação duradoura entre as partes envolvidas – podem ser pessoas, grupos, empresas, Estados etc. – desde que haja equilíbrio em deixar a situação do estado original (antes da negociação) 11 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 para objetivar mudanças que tragam satisfação para o estado futuro, tendo a sa- tisfação como uma das características de análise (PESSOA, 2009). Você pode estar se perguntando: mas como assim? Pois bem, quando se toma a decisão de economizar energia elétrica na sua casa, você desenvolve um processo de negociação com seus familiares, no sentido de que todos participem e cooperem no uso da energia elétrica. Dessa maneira, neste caso, todos saem do seu es- tado original em prol de uma economia coletiva. Assim, o resultado futuro é o de uma maior sustentabilidade, corte de gastos, investimentos em outras demandas, consciência ambiental, entre outros fatores. FIGURA 1 – NEGOCIAÇÃO FAMILIAR FONTE: <https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSvsZIq4ZF- NECOwkyzCgf6ziwDcY_T_5_E-9Q&usqp=CAU>. Acesso em: 26 jan. 2022. Aqui, você pode perceber que o resultado da negociação está fortemente ligado à percepção das pessoas, e percepção contém um grau elevado de subjeti- vidade. Portanto, esse aspecto pode influenciar a tomada de decisão dos envolvi- dos no processo de negociação. Para Pessoa (2009), situações que representam de fato um processo de negociação são aquelas nas quais existe, prioritariamen- te, um verdadeiro interesse das partes na construção de uma relação duradoura. Você pode compreender outros elementos que estão na pauta da aplicação da negociação, seus conceitos e possibilidades, prin- cipalmente do trabalho remoto tão evidente nas organizações. Para isso, acesse o artigo Negociação de assuntos interculturais em espa- ços telecolaborativos, que está disponível em: https://bit.ly/3MZSFwi. 12 Princípios e Técnicas de Negociação Através dos conceitos apresentados, evidencia-se a evolução na definição e no entendimento da negociação. A ideia de somente levar vantagem está cada vez mais em processo de extinção nas relações, e os negociadores visam estabe- lecer processos de negociação que sigam princípios de eficiência (fazer as coisas do modo correto), de eficácia (alcançar os resultados) e, de modo mais recente, de efetividade (manter uma boa imagem independentemente do resultado da ne- gociação). Outro aspecto interessante da negociação que você pode perceber, enquan- to princípio fundante, é a possibilidade de criar um canal, uma abertura, uma via para a comunicação entre as partes envolvidas. Por que essa abertura é tão im- portante? Pois se não há interesse por alguma das partes, a comunicação não se estabelece, tampouco é efetiva, pois há uma negação por uma das partes que im- possibilita a negociação de se desenvolver. Portanto, cada vez mais há a neces- sidade de construir mecanismos que permitam a abertura do canal de comunica- ção, ou até mesmo, a possibilidade de manter um diálogo para fins de efetivação do processo de negociação. Para fins de exemplo, vamos tomar por parte a sua leitura destas linhas aqui do material didático da disciplina. Se você estiver aberto a compreender os conte- údos, perceber a importância da negociação para a sua vida pessoal e profissio- nal, você já está aberto a compreender e dialogar com os professores e colegas, no sentido de negociar resultados que lhe permitam um melhor aproveitamento dos aprendizados. Pode ser um exercício, uma vivência prática, uma reflexão com o professor, uma troca de ideias e até mesmo um projeto de estudos que pos- sa ser desenvolvido por você e seus colegas, o qual demanda muita negociação desde a sua concepção até a entrega final. E mais negociação ainda, quando se almeja a satisfação das partes envolvidas, não é mesmo? Para que possamos aprofundar um pouco mais nossos conhecimentos sobre a negociação, no próximo subtópico, veremos algumas aplicações da negociação no contexto das organizações e sua atuação no mercado. 2.1 NEGOCIAÇÃO EM AMBIENTES EMPRESARIAIS A prática da negociação é a base da existência de uma loja, de uma indús- tria, de uma farmácia, de uma cooperativa e de uma empresa pública. Sabemos que os objetivos das organizações as movem ao desenvolvimento de um planeja- mento que incorpora a forma como os produtos e serviços são entregues à socie- 13 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 dade, organizando sua produção, as vendas, a gestão de pessoas, seus custos e investimentos. E, a negociação se apresenta em essência e todo o processo de administração de uma empresa, seja ela pública, privada ou sem fins lucrativos. Dito isso, você já pode compreender a importância de ter clareza sobre o que se vai negociar, quem é o seu público ou parceiro na negociação e quais os ob- jetivos que devem ser alcançados. Não basta querermos vender um produto, por exemplo. Precisamos saber quais são os objetivos da empresa que são impacta- dos com a venda do produto. Portanto, a visão sistêmica é de suma importância ao negociador, seja em qual cenário de negócios for. Visão sistêmica é um termo empregado no campo estratégico das empresas, objetivando a compreensão de que todas as partes, pro- cessos e pessoas estão interligadas ao desenvolvimento de uma em- presa. Assim, quanto melhor a visão do todo, entendendo que o todo é muito maior que a soma das partes, melhor é para o negociador. Diante do exposto, você pode entender que quanto mais você conhecer a empresa onde você trabalha ou com a qual você se relaciona, muito melhor será a sua visão sistêmica e, com isso, ampliar a sua capacidade de negociação. Temos uma realidade presente no ambiente empresarial que trouxe mudan- ças significativas na dinâmica estabelecida entre as organizações com seus clien- tes, funcionários, fornecedores, acionistas e comunidade: o acesso facilitado à informação e a redução das distâncias, uma vez que a tecnologia e o processode globalização derrubaram as fronteiras (MALHOTRA; BAZERMAN, 2009). O mer- cado tornou-se volátil, movediço e em constante mudança. 14 Princípios e Técnicas de Negociação FIGURA 2 – GLOBALIZAÇÃO FONTE: <https://s3.static.brasilescola.uol.com.br/be/2020/03/shut- terstock-1156923271.jpg>. Acesso em: 26 jan. 2022. De acordo com Lewicki, Saunders e Barry (2014), com este novo cenário surge a tomada horizontal de decisões, isto é, a negociação. Só assim, as ins- tituições ou pessoas que dependem da cooperação de organizações ou indiví- duos podem atingir seus objetivos. Essa realidade traz mais fortemente para as relações empresariais a interdependência, ou seja, cada vez mais é necessário integrar conhecimentos e interesses, nos diferentes níveis hierárquicos para que se alcance os objetivos de negócio. Para que você possa compreender melhor, uma equipe de um posto de saú- de, engajada com o Plano Nacional de Imunização contra a Covid-19, precisa estar engajada em seu planejamento e responsabilidades assumidas por cada um dos integrantes, em que cada pessoa desempenhando o seu papel, pode contri- buir com os resultados almejados sobre a vacinação, mesmo sendo em um posto de saúde. Este, por sua vez, contribui com os indicadores do município. Você pode perceber que a negociação está presente nesse contexto, uma vez que cada profissional de saúde vai desempenhar suas ações com o público a ser vacinado. Como vimos no exemplo, as práticas em equipe são negociadas, planejadas e organizadas entre os profissionais de saúde no intuito de poder atender à va- cinação. A partir do momento em que nos deparamos constantemente com esta realidade da negociação em grupo no ambiente das organizações, é importante considerar as vantagens e desvantagens que fazem parte deste processo, como destacado no Quadro 1. 15 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 QUADRO 1 – VANTAGENS E DESVANTAGENS DA NEGOCIAÇÃO EM GRUPO Vantagens Desvantagens Mais informação e conhecimento. Perde-se mais tempo com discussões e chegada a um consenso. Diferentes ideias, experiências e pers- pectivas. Perde-se tempo na discussão sobre ideias diferentes para concessões. O grupo detém maior senso de respon- sabilidade e engajamento. Dificuldade em chegar a um acordo bom e viável para todos. FONTE: O autor A partir do quadro, você pode entender que a negociação em grupo tende aos princípios éticos de democracia, respeito às ideias, bem como a necessidade de explorar os argumentos que tangenciam à negociação sobre alguma determi- nada situação a ser decidida. Além disso, podemos entender que quanto maior é a participação das pessoas nos processos de negociação em grupo, maior é o sentido de pertencimento, gerando ações mais engajadas pelos participantes. Por outro lado, requer mais tempo para o debate, esclarecimentos e defesas, tendo em vista o processo democrático e participativo. Outro aspecto presente na realidade atual, que influencia diretamente as re- lações empresariais, é a competitividade acirrada no mercado de atuação. Quan- to mais competitivo, maior será o esforço na negociação. Isso requer das organi- zações, um preparo maior para realizar negociações bem-sucedidas (LEWICKI; SAUNDERS; BARRY, 2014). Para muitos profissionais e pesquisadores, a negociação pode ser entendida como uma arte, que envolve preparo, treino, técnicas e objetivos claros. Assim, para saber mais sobre este assunto e apro- fundar os seus estudos sobre a negociação, convidamos você a as- sistir ao vídeo “A arte da negociação - Diego Faleck – TEDxSantos, disponível neste link: https://www.youtube.com/watch?v=8PDLTvJf- 46g&t=28s&ab_channel=TEDxTalks. Os novos modelos de gestão defendidos por Bittencourt (2019) e Goldstein (2015), em conjunto com a internet, o crescimento do comércio internacional, as https://www.youtube.com/watch?v=8PDLTvJf46g&t=28s&ab_channel=TEDxTalks https://www.youtube.com/watch?v=8PDLTvJf46g&t=28s&ab_channel=TEDxTalks 16 Princípios e Técnicas de Negociação preocupações ambientais, a responsabilidade social, o bem-estar da sociedade, a cobrança dos mercados por comportamentos éticos das organizações e ins- tituições, todas essas questões, direcionadas ao sucesso das organizações na gestão do negócio, aumentou de forma considerável as responsabilidades do ne- gociador. Novos componentes foram incorporados às práticas de negociação, tais como a comunicação eficaz, a gestão de conflitos e a inteligência emocional. 1) Leia a reportagem com atenção: Como negociar aluguéis na pandemia. O fechamento do comér- cio e serviços por conta da pandemia do coronavírus já fez muita gente perder renda ou o emprego. Mesmo com subsídios con- cedidos pelo governo, seja na forma do auxílio emergencial ou seguro-desemprego em caso de redução de salário e jornada, es- ses valores podem não ser suficientes para manter as contas em dia. Um gasto relevante que pode sofrer impacto nesse cenário é o aluguel. Assim como outros tipos de despesas, como mensa- lidades escolares, o caminho é negociar descontos ou parcelar os valores durante a pandemia. Mas diferente da negociação de outras despesas, no aluguel quase sempre iremos lidar com outra pessoa, cujo orçamento também pode ter sido impactado na crise ou ter o aluguel como única fonte de renda. Portanto, o cenário para a negociação é delicado. Por conta dessa característica, o aluguel não é visto como uma relação de consumo, e é regido pela Lei do Inquilinato. A lei, em seu artigo 68, prevê que o con- trato possa ser revisado. Contudo, deixa claro que o acordo deve satisfazer a ambas as partes. FONTE: <https://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/como-negociar-valores-de- -alugueis-na-pandemia/>. Acesso em: 30 jan. 2022. Com base nos estudos sobre negociação e na reportagem, ob- serve as seguintes afirmativas: I. A negociação pode ser definida como o processo em que duas partes compartilham ideias, informações e opções para atingir um acordo unilateralmente aceitável. II. Na negociação importa a comunicação, o processo decisório e a solução de conflitos. III. Existe um único conceito de negociação que é compartilhado pe- los autores dessa área de conhecimento. 17 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 É correto o que se afirma em: a) ( ) I, apenas. b) ( ) II, apenas. c) ( ) III, apenas. d) ( ) I, II, apenas. e) ( ) I, II, III. Para que você possa projetar luzes sobre práticas de negociação em contex- tos organizacionais diversos, a seguir, estudaremos três aplicações da negociação, que são: negociação internacional, negociação no varejo e negociação B2B. Para começar, veremos a negociação internacional, seus conceitos e características. 2.1.1 Negociação Internacional Negociar envolve planejamento, organização, informações, estratégias, en- tre outros fatores. Porém, quando se fala em negociação internacional, também envolve a questão cultural, influenciando diretamente o resultado do processo, fazendo com que haja diferenças e semelhanças. Há povos que são mais diretos e objetivos nas negociações, como é o caso dos europeus e dos americanos, enquanto alguns árabes preferem ter um tempo maior para a tomada de decisão. Além disso, você precisa estar atento, já que em algumas culturas, as negocia- ções não são feitas em horário de almoço por se tratar de um horário sagrado. Por isso, para ser ainda mais assertivo na hora de atingir a negociação esperada, é importante ter o maior conhecimento possível sobre as partes envolvidas. Algumas empresas optam por utilizar mediadores. A mediação exige capa- citação para lidar com os conflitos que possam acontecer, bem como políticos, sociais, entre outros. O mediador não possui controle sobre a decisão de negociar e também não tem autoridade para impor um acordo entre as partes (URY, 2013). Mediação é exercida por um facilitador, aquele que é neutroe imparcial na negociação, mas busca criar relacionamento com a ou- tra parte, a fim de evitar maus entendidos que tragam problemas no futuro e também se faz importante conhecer as culturas envolvidas. 18 Princípios e Técnicas de Negociação Complementando, o Conselho Nacional de Justiça orienta que “a mediação é um processo bastante dinâmico em que o serviço e suas formalidades são exami- nados sob uma perspectiva das necessidades dos atores” (BRASIL, 2016, p. 153). Diante disso, é importante destacar que o comércio internacional tem como objetivo tratar de operações de trocas entre países de intercâmbio econômico (mercadorias, serviços e mão de obra), político e cultural, enquanto o comércio exterior trata das questões tributárias, comerciais, aduaneiras, financeiras e ad- ministrativas (LIMA, 2015; CATEORA, 2013). O comércio exterior é quem garante que a mercadoria estará dentro das exigências com base na tomada de decisão sobre a negociação internacional realizada. Para assegurar que as negociações no contexto internacional sejam efetua- das com sucesso, o aspecto cultural é um fator extremamente importante para a manutenção das relações entre as partes em um cenário futuro. Sendo assim, a globalização tem um papel importante dentro das negociações, principalmente, as internacionais (CATEORA, 2013). Conforme já vimos sobre a globalização, ela também interfere nas diferentes culturas, aproximando-as cada vez mais os diferentes contextos, tornando as ne- gociações mais maleáveis e fáceis, por ter mais características em comum. Em virtude disso, temos uma nova realidade de negócios, que fez emergir os merca- dos globais (LIMA, 2015). Portanto, podemos notar a diferença vinda da globali- zação por meio da tecnologia e dos aspectos culturais, principalmente no atual momento em que vivemos, em que uma pandemia pode mudar todas as formas de nos comunicarmos e efetuarmos nossas negociações. Temos meios de vide- oconferências entre pessoas do outro lado do mundo decidindo tópicos extrema- mente importantes para o rumo de suas empresas e companhias. Para ajudá-lo com o entendimento sobre os negócios internacionais, desta- camos o exemplo do Dropshipping, em que Drop (largar) e Shipping (remessa) é uma estratégia para plataformas de vendas on-line que busca diminuir custos e mão de obra para o empreendimento, em que o fornecedor é o responsável por todo o armazenamento dos produtos, oferecendo o seu estoque de intermédio entre a loja e o cliente final. No momento em que o pedido é finalizado, a loja acio- na o fornecedor, passando os detalhes do pedido para o cliente final, a partir de então, o responsável pelo processo da entrega do produto é do fornecedor, o qual possui o estoque. Esse método de vendas pode ser usado tanto nacional quanto internacionalmente, porém, para vendas de produtos internacionais, é uma opção mais prática para fazer o intermédio do produto para o cliente final. Como exemplo de empresas que trabalham com dropshipping podemos citar a Amazon, Ebay, AliExpress, Mercado Livre e Alibaba. 19 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 FIGURA 3 – MARCAS DE DROPSHIPPING FONTE: <https://thumbs.jusbr.com/filters:format(webp)/imgs.jusbr.com/publica- tions/images/b05f5aac0d9b2c6f8e83cd5adc9b2203>. Acesso em: 29 out. 2021. Dentre essa, há outras vantagens, como possuir uma ampla opção de pro- dutos, menor investimento no empreendimento por se tratar de um e-commerce, mesmo pagando taxas altas de impostos nos produtos internacionais, porém reduz os custos por não possuir um espaço físico. No entanto, de acordo com os estudos de Lima (2015), como todos os tipos de negócios internacionais, este também tem desvantagens, como, por exemplo, a alta taxa de impostos cobradas nos produtos internacionais, nos custos de entrega ao chegar no Brasil simplesmente por se tra- tar de um produto do exterior, e, consequentemente, ter um lucro baixo, problemas de estoque e complexidade no envio, nesse caso, como há mais de um fornecedor envolvido no mesmo negócio, pode acabar dificultando a entrega do produto. Grande parte das exportações do Brasil são feitas para a China, que faz par- te do agrupamento de cinco países – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – denominado de BRICS. Isso facilita a negociação, pois seria muito difícil orga- nizar a compra e venda entre os países sem uma padronização, além do que é permitido ou não (BITTENCOURT, 2019). A Organização Mundial do Comércio (OMC) permite e facilita a relação e acordos entre estados, regula as relações co- merciais, servindo para organizar os acordos internacionais. Atualmente, são 164 membros, com sede em Genebra e que tem como objetivo padronizar as regras do comércio internacional. Os acordos estabelecidos pelo agrupamento dos países do BRI- CS oportunizam muitas possibilidades de ampliação de negócios, 20 Princípios e Técnicas de Negociação agendas de desenvolvimento sustentável, bem como ações inter- nacionais organizadas ao enfrentamento da pandemia do Covid-19. Para seu entendimento, indicamos a leitura do artigo disponível nes- te link: https://www.scielo.br/j/sdeb/a/MqzCJSkSThzSMVz36TccM- ZN/abstract/?lang=pt. Bons estudos! Além disso, é importante que você entenda que, no contexto das negocia- ções internacionais, existem os blocos econômicos, que são países que formam uma aliança política e comercial (geralmente são os dois), visando ao crescimento econômico e influência geopolítica, sendo assim, uma espécie de “bandeirinha de confiança”. No início das relações mercantis, as trocas aconteciam através das navega- ções, levando batata para trocar por arroz, por exemplo. Levando em considera- ção o tempo destinado a essa ação, chegou uma hora em que as trocas não eram imediatas, uma das partes envolvidas precisava prometer trazer o carregamento da mercadoria, sendo que o acordo era verbal. Isso aconteceu até a criação da moeda, que foi quando passou a assegurar a compra e venda nas negociações comerciais (DE PAULA, 2008). Infelizmente, nos caminhos, acontecia de algumas navegações serem furta- das e impedidas de continuarem, por exemplo. Na época, algumas navegações possuíam bandeiras que garantia a liberação, pois estavam indo para um porto e entendia-se que eram de confiança, hoje, chamados de blocos econômicos. Di- versos países se juntaram para facilitar o livre comércio, criando uma interdepen- dência e força para ir conquistando espaços que não iriam conseguir sozinhos. Agora, você já deve ter tido informações sobre o Mercosul, correto? Pois bem, o Mercosul é a integração regional da América Latina surgida no contexto da redemocratização e reaproximação dos países da região ao final da década de 1980, tendo como membros efetivos: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela. E, sendo os associados: Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname. https://www.scielo.br/j/sdeb/a/MqzCJSkSThzSMVz36TccMZN/abstract/?lang=pt https://www.scielo.br/j/sdeb/a/MqzCJSkSThzSMVz36TccMZN/abstract/?lang=pt 21 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 FIGURA 4 – PAÍSES DO MERCOSUL FONTE: <https://ichef.bbci.co.uk/news/640/cpsprodpb/13E3E/produc- tion/_104107418_mercosul.jpg>. Acesso em: 30 jan. 2022. Para sua melhor compreensão sobre as negociações, políti- cas e tratados do Mercosul, indicamos um vídeo que apresenta um resgate histórico sobre os acordos realizados entre os países que compõem este bloco econômico. Acesse https://www.youtube.com/ watch?v=pn7bIPB7p4A&t=26s&ab_channel=ProfessorRicardoMar- c%C3%ADlio e saiba mais. Também temos a União Europeia (EU), que é um bloco econômico, criado para estabelecer uma cooperação econômica e política entre os países europeus, sendo o bloco com mais participantes e o mais forte do mundo, com 27 membros, incluindo os principais estados da Europa, facilitando, assim, as negociações en- treos países. Importante lembrar que houve um plebiscito no Reino Unido sobre https://www.youtube.com/watch?v=pn7bIPB7p4A&t=26s&ab_channel=ProfessorRicardoMarc%C3%ADlio https://www.youtube.com/watch?v=pn7bIPB7p4A&t=26s&ab_channel=ProfessorRicardoMarc%C3%ADlio https://www.youtube.com/watch?v=pn7bIPB7p4A&t=26s&ab_channel=ProfessorRicardoMarc%C3%ADlio 22 Princípios e Técnicas de Negociação sua participação na EU, que definiu a sua saída, o famoso Brexit (saída britânica, na tradução literal). Esse é o termo mais comumente utilizado quando se trata so- bre a decisão do Reino Unido de deixar a UE. Você pode estar se perguntando: Por que o Reino Unido saiu da União Europeia? Para poder ajuda-lo nessa explicação, recomendamos que você assista a um vídeo que explica bem essa decisão https://www. youtube.com/watch?v=MYQJ8eJ0EuM&ab_channel=PlanoPiloto. São muitos os conceitos e práticas relacionadas às negociações no contex- to internacional, e que são gerenciadas por instâncias políticas provenientes das relações internacionais estabelecidas nas negociações entre os países que com- põem cada um dos blocos econômicos, e estes, com os demais blocos ou países, de forma independente. Recomendamos que você acompanhe as reportagens que ver- sam sobre esse assunto nos sites de notícias confiáveis. Seguindo na apresentação da negociação em contextos diversos, a negocia- ção no varejo é a próxima aplicação, e será descrita na sequência. 2.1.2 Negociação no Varejo O varejo tem o papel de comercializar bens para o cliente, ou seja, é es- sencialmente o elo entre consumidor final e fornecedor. Desse modo, para de- sempenhar com êxito seu papel é necessário gerenciar de modo assertivo as negociações com os fornecedores e com o mercado consumidor, pois nessas ne- gociações, se bem negociadas, teremos as oportunidades para a melhoria das operações comerciais varejistas, produtos com qualidade e preços bons (URY, https://www.youtube.com/watch?v=MYQJ8eJ0EuM&ab_channel=PlanoPiloto https://www.youtube.com/watch?v=MYQJ8eJ0EuM&ab_channel=PlanoPiloto 23 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 2013). Ainda, pode-se desenvolver boas negociações com fornecedores confiá- veis, tendo em vista a necessidade de produção de bens e serviços aos clientes e, se as negociações forem geridas de formas assertivas, teremos o sucesso co- mercial da empresa. Varejo é comercializar produtos ou serviços em pequenas quan- tidades; é uma forma de venda direta ao comprador final. Neste sentido, você terá possibilidade de saber mais sobre as práticas de ne- gociação e suas variáveis que afetam a negociação no varejo e as formas como a negociação pode ser classificada nesse contexto. Importante lembrar que no processo de negociação é preciso que se estabeleçam objetivos organizacionais claros para que a empresa se mantenha no mercado, bem como reciprocidade com as partes envolvidas na busca pelo equilíbrio e os melhores resultados. Dentro de um ramo comercial, você precisa entender que são diversos os pro- blemas e as dificuldades para manter a empresa ativa no mercado. Uma das difi- culdades consiste em atender plenamente à satisfação dos clientes e que as suas necessidades sejam atingidas (tanto dos clientes quanto da empresa). E para isso acontecer da melhor forma possível, a negociação comercial é de suma importância. FIGURA 5 – VAREJO NOS SHOPPING CENTERS FONTE: <https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTBGbJsv- 6ZYrXoS8irtnDR6pNZm3qg6bqi_BQ&usqp=CAU>. Acesso em: 30 jan. 2022. 24 Princípios e Técnicas de Negociação A negociação pode ser definida como um processo de “buscar aceitação de ideias, interesses ou propósitos, visando ao melhor resultado possível, de tal modo que as partes envolvidas terminem a negociação conscientes de que foram ouvidas, tiveram oportunidade de apresentar toda a sua argumentação e que tive- ram sucesso na negociação” (BRITO, 2011, p. 21). Contribuindo nesse entendimento, a negociação no varejo perpassa por uma série de processos, fluxos e canais de comunicação que buscam uma relação dupla: o vendedor precisa saber as necessidades do cliente, e este, precisa saber informações sobre o que e como a empresa pode oferecer a solução almejada. Nesta relação de diálogo pode ser desenvolvida a confiança entre as partes, pos- sibilitando a tomada de decisão futura sobre a negociação em tela. Assim: Embora algumas pessoas ainda acreditem que negociar signifi- ca ganhar e obter vantagem sobre o seu interlocutor, o que con- siste de um resultado que não demonstra futuro, somente para questões imediatistas, onde não consegue ganhar a fidelidade e confiança do cliente, sem haver assim, uma boa divulgação dos serviços ou produtos oferecidos (BRITO, 2011, p. 21). Importante que você perceba a importância dos varejistas na economia e na sociedade, os quais disponibilizam produtos e serviços para as pessoas de forma direta e fracionada, sem a necessidade de compras em grandes volumes. Assim, os varejistas estão em constante processo de negociação, uma vez que eles são o elo entre os produtores e os consumidores finais. Com isso, os varejistas agre- gam valor ao seu negócio desenvolvendo seu marketing de relacionamento, a comunicação direta e fluída com os consumidores, além de gerar negócios que atendam ao desenvolvimento local e regional nos locais onde atuam. A figura a seguir, mostra as variáveis controláveis e incontroláveis do varejo que devem ser levadas em consideração na hora de formular a estratégia do varejo: FIGURA 6 – DESENVOLVIMENTO DE ESTRATÉGIA PARA O VAREJO FONTE: Adaptada de Berman e Evans (2004) 25 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 A partir das variáveis apresentadas, temos uma expressiva necessidade de desenvolvimento de um planejamento que se relacione com a estratégia do va- rejo, tendo em vista a análise do ambiente interno (variáveis controláveis) e do ambiente externo (variáveis incontroláveis). Com base no planejamento estratégico desenvolvido, os objetivos organiza- cionais são traçados e orientam os processos de negociação no varejo, tendo como base as diretrizes e as políticas comerciais. Dessa forma, tanto o negocia- dor da empresa, quanto as partes envolvidas (aqui entendendo os interessados no negócio, tais como os clientes, fornecedores, parceiros, entidades reguladoras e o governo) podem conceber suas ações na busca dos melhores resultados. Para saber mais sobre as negociações no varejo, indicamos um site que apresenta informações interessantes sobre o assunto, além de descrever alguns estilos de negociação. Acesse https://in360. com.br/blog/o-varejo-e-seus-estilos-de-negociacao/ e boa leitura! Complementando as ideias até aqui apresentadas, a Figura 7 apresenta a influência que as forças competitivas de Porter têm no setor varejista. https://in360.com.br/blog/o-varejo-e-seus-estilos-de-negociacao/ https://in360.com.br/blog/o-varejo-e-seus-estilos-de-negociacao/ 26 Princípios e Técnicas de Negociação FIGURA 7 – A INFLUÊNCIA DAS FORÇAS COMPETITIVAS DE PORTER NO SETOR VAREJISTA FONTE: Adaptada de McGoldrick (2002) A partir da figura, você consegue visualizar que o poder de barganha que está intimamente relacionado à negociação, é evidente nas práticas varejistas, tendo em vista uma análise profunda de quem são as partes envolvidas, quais as melhores estratégias para negociar com os clientes, quais os potenciais podem ser explorados nas relações com o cliente, levando em consideração os diferen- ciais dos concorrentes, dentre outras possibilidades. O poder de compra dos clientes merece atenção dos negociadores no con- texto do varejo, pois com dinheiro na mão, eles partem para a negociação na bus- ca das melhores vantagens para a satisfação de suas necessidades. 27 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 FIGURA 8– PLANEJAMENTO DA ESTRATÉGIA DE SEGMENTAÇÃO DE MERCADO NO VAREJO FONTE: Adaptada de Berman e Evans (2004) A figura anterior apresenta um fluxo dos passos para construir uma estratégia de segmentação de mercado no varejo. Para seu entendimento, o varejo é seg- mentado e dividido pela área ocupada no mercado (boutiques, farmácias, restau- rantes, hotéis, ferragens etc.), pelos tipos de mercadorias comercializadas e pela segmentação do mercado na região onde atua. Ademais, a negociação no varejo acontece em todas as interações que a empresa tem com o setor: seja com clientes ou com fornecedores. Nesse contex- to, a negociação é uma ferramenta utilizada para alcançar as metas e objetivos da empresa. Portanto, quanto mais negociações bem-sucedidas um profissional conseguir, maior será o número de benefícios que ele trará para a empresa. Gostou do conteúdo estudado até aqui? Sim? Que bom, pois vamos para mais um contexto de aplicação da negociação: a negociação entre empresas. 2.1.3 Negociação B2B Você já ouviu o termo B2B? Conhece a importância das negociações entre as empresas? E, para que uma indústria desenvolva sua produção, ela precisa de fornecedores? Então, está clara a importância das negociações entre empresas para o desenvolvimento de produtos e serviços à sociedade. Desta forma, vamos identificar as soluções de business to business (B2B) que se desenvolveram nas operações das cadeias de suprimentos de grandes corporações brasileiras, visan- do analisar os seus benefícios e vantagens, as suas desvantagens e sua contri- buição para as mais variadas empresas, apresentando as principais ferramentas utilizadas nos processos de negociação e vendas. Na atual era da informação e da economia globalizada, a busca pela vanta- gem competitiva tem levado às empresas a mudarem algumas de suas atitudes de produção e operação (BITTENCOURT, 2019). Observamos novos métodos de 28 Princípios e Técnicas de Negociação modelos empresariais, os quais são compostos por diversas organizações que, por terem objetivos comuns de crescimento de mercado e sustentabilidade, de- vem formar correntes comerciais, integrando as cadeias de valores individuais numa perspectiva de sistema de valor. Então, desta forma, podemos notar que o B2B acontece de forma diferente, pois a compra não acontece por impulso, na qual o empresário faz suas visitas e sai com as compras da loja, tudo vem a partir de acordo com o planejamento e necessidade da organização. FIGURA 9 – B2B FONTE: <https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQMB5E63M- jsYIpaEJr9wBy77W79MBQpOApaaQ&usqp=CAU>. Acesso em: 30 jan. 2022. A expressão “business to business” está presente na linguagem dos ambien- tes corporativos, B2B é traduzido como “negócios para negócios” ou “negócios entre empresas” e tem como objetivo resumir a atividades negociais dentro de uma cadeia produtiva, antes desta chegar ao consumidor final individual – pessoa física (LEWICKI; SAUNDERS; BARRY, 2014). Quanto à origem da expressão B2B, podemos encontrar algumas referências parecidas sobre a transição da utilização da definição de “marketing industrial” para B2B, na década de 1990, com o início das primeiras plataformas on-line de comércio eletrônico, via internet, e da necessidade de se diferenciar daquelas que focalizavam diretamente o consumidor final – B2C (TOLEDO; CAIGAWA; RO- CHA, 2006). Nas operações comerciais B2B, uma instituição fornecedora vende produtos ou serviços para outra instituição, sendo esta, a instituição compradora. Planejada sob olhar mercadológico, ou seja, pertencente ao estudo do marketing, a catego- 29 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 ria de negócios denominada B2B abre espaço para conceituar a própria ciência, a partir de autores representativos. Tendo em vista que os conceitos e práticas do B2B são abran- gentes, dependendo o setor econômico e o segmento de mercado, indicamos um artigo que apresenta uma discussão interessante so- bre as práticas do B2D. Acesse este link https://revistas.uepg.br/in- dex.php/folkcom/article/view/19104 e boa leitura! Nos ambientes negociais B2B existem menos compradores (da oferta) de uma empresa que está vendendo, no entanto, os mesmos apresentam oportu- nidades de um volume elevado de compras, por transação. Destaca-se o núme- ro elevado de indivíduos envolvidos no processo de negociação, principalmente pelo lado das instituições que estão adquirindo algum produto ou serviço, e essa multiplicidade incorpora a incidência de muitas influências sobre o processo de compras corporativas. Tem-se a percepção de Bertaglia (2003), que acredita que o B2B é uma ferramenta que possibilita estreitar os laços entre as organizações, melhorando a comunicação realizada entre elas. Para ele, as organizações aca- bam integrando os seus processos com os seus fornecedores, clientes, parceiros e distribuidores. De acordo com Banzato (2005), é necessário que a tecnologia esteja a favor do processo B2B, fazendo com que os compradores e vendedores possam ter os dados e as informações em curto prazo do acordo que está sendo proposto, com a finalidade de assegurar a entrega e/ou efetivação do bem ou serviço. As tran- sações realizadas no mercado B2B também podem acontecer através das redes privadas e públicas, que utilizem as redes virtuais como ferramenta de realização. A reportagem intitulada A tecnologia muda também o mercado B2B, publicada na Revista Exame, apresenta uma relevante contri- buição para os nossos estudos. Acesse este link https://bit.ly/3PdfY- Vd para ter acesso à matéria e informe-se! https://revistas.uepg.br/index.php/folkcom/article/view/19104 https://revistas.uepg.br/index.php/folkcom/article/view/19104 30 Princípios e Técnicas de Negociação O B2B também é uma forma de realizar negócios on-line e que trouxe muitos benefícios. O crescimento de empresas que estão inseridas no comércio eletrô- nico é constante e é cada vez mais comum encontrar organizações que comer- cializam para outras empresas por meio de lojas virtuais. De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa Frost & Sullivan, até 2020, o e-commerce B2B deverá faturar cerca de 6,7 trilhões de dólares contra 3,2 trilhões do B2C. Apesar das informações otimistas e das vantagens que o B2B pode oferecer (praticidade e agilidade na aquisição, redução de gastos com comissões de intermediários etc.), o e-commerce B2B também possui diversos desafios. Existem alguns obstá- culos que possam dificultar a relação de compra e venda entre fornecedor e clien- te, tornando o processo um pouco mais complicado do que em outras formas de comércio eletrônico, como, por exemplo, lojas virtuais de empresas B2C, pois as empresas só compram aquilo que é necessário, ao invés de agirem por impulso (SANTOS, 2016). Para que você entenda melhor as práticas de B2B, observe a figura a seguir e os modelos descritos, posteriormente: FIGURA 10 – MODELOS DE B2B FONTE: <https://www.ecommercebrasil.com.br/wp-content/uploads/2019/12/mo- delos-e-commerce-b2b-artigo-cynthia-prado.jpg>. Acesso em: 29 out. 2021. A partir da figura, podemos perceber três modelos de negociações B2B: 31 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 • Modelo 1: A indústria negocia a sua venda diretamente para o varejista (B2B), e este realiza a venda direta ao cliente (B2C). • Modelo 2: A indústria negocia a sua venda diretamente com distribuido- res (B2B), e estes negociam com os varejistas os produtos da indústria (B2B). Por sua vez, a negociação do varejista ocorre com os clientes (B2C). • Modelo 3: A indústria negocia seus produtos com os atacadistas (B2B), e estes negociam os produtos com os varejistas (B2B) e com os clientes finais (B2C). Nos três modelos ainda podemos incluir outra relação, que é a compra de insumos pela indústria de seus fornecedores, que também apresenta negocia- ções B2B. Ainda, para Turchi(2015 apud SANTOS, 2016), a personalização de ofertas é um dos desafios do B2B. Para que se obtenha sucesso ao vender para outras organizações, as empresas precisam criar campanhas virtuais mais específicas do que ofertas voltadas a consumidores finais, que podem ser se- parados por nichos de mercado. Ainda para Turchi (2015 apud SANTOS, 2016), cada tipo de empresa está enquadrado em um perfil diferente, com diferentes órgãos regulamentadores, cada um com as suas demandas específicas, assim como recursos financeiros, estruturas e atividades diferentes. Dessa maneira, torna-se necessária a personalização da campanha, levando em consideração fatores como impostos, tipo de estoque a ser transportado, quantidade de cada pedido, limite de crédito de acordo com o porte de cada um dos clientes e con- dições de pagamento de acordo com a realidade de cada uma das empresas participantes do processo B2B. A produção de conteúdo de qualidade no comércio eletrônico é outro grande desafio para empresas que estão inseridas no método B2B. De acordo com Tur- chi (2015 apud SANTOS, 2016), as pessoas que ficam responsáveis pelas aquisi- ções em empresas possuem o mesmo perfil de consumidores finais do processo B2C. Existe uma busca on-line por produtos similares que tenham melhores pre- ços e também processos de entrega mais eficientes, já que a distribuição física fará muita diferença na decisão do comprador. É normal que potenciais clientes façam contato com outras empresas, em busca de opiniões sobre a experiência de consumo, compromisso com a qualidade e entrega da organização. 32 Princípios e Técnicas de Negociação FIGURA 11 – PLATAFORMAS DE MARKETPLACE PARA O B2B FONTE: <https://cdn.w600.comps.canstockphoto.com.br/b2b-plataforma-ne- g%C3%B3cio-feira-desenho_csp75604599.jpg>. Acesso em: 30 jan. 2022. Em meio dessas modalidades de comércio eletrônico aumentou o conceito de Business to Business (B2B), que designa negócios eletrônicos entre compa- nhias, proporcionando por meio da internet, novas e efetivas formas do gerencia- mento da cadeia de suprimentos e de relacionamentos entre as empresas. Você se interessou sobre o assunto do B2B e quer saber mais? Legal! Então, vamos indicar um site que apresenta cinco plataformas de B2B, as quais são muito interessantes e úteis às empresas no desenvolvimento das negociações com os fornecedores. Além dis- so, você pode pesquisar outros sites sobre o assunto, ampliando o seu conhecimento! Acesse https://nacao.digital/blog/plataforma-de-e- -commerce/. Em vista dos argumentos apresentados, conseguimos destacar diversos pon- tos sobre as empresas que seguem o pensamento do B2B. Muitas delas ressaltam https://nacao.digital/blog/plataforma-de-e-commerce/ https://nacao.digital/blog/plataforma-de-e-commerce/ 33 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 três funções mais importantes de suas marcas no B2B: a) incrementar a eficiência da informação; b) reduzir os riscos; e c) criar benefício de valor agregado/imagem. O mercado B2B ganhou grandes proporções em âmbito mundial e tem supe- rado em grande escala o mercado do consumidor final, visto que as transações de todas as organizações formais, sendo elas, pequenas ou grandes, privadas ou públicas, participam de alguma maneira na construção deste mercado industrial. É muito característico, no mercado B2B, os colaboradores levarem a bandeira da empresa, é essencial que eles estejam preparados, impulsionados e envolvidos com os objetivos e valores da empresa. A negociação pode ser entendida como uma arte? Acredita-se que sim, e no vídeo que indicamos a você são apresentados alguns argumentos e exemplos interessantes, defendendo esta visão sobre a negociação. Acesse este link https://www.youtube.com/watch?- v=8PDLTvJf46g&t=28s&ab_channel=TEDxTalks e reflita! Observadas as três aplicações da negociação em contextos e organizações diferentes, no próximo capítulo, o assunto a ser abordado trata das competências do negociador. Será que você já tem as habilidades e características de um nego- ciador ou negociadora? 3 COMPETÊNCIAS DO NEGOCIADOR O conceito de competência faz parte da nossa vida pessoal e profissional já há algum tempo, pois, com o desenvolvimento de novas funções e atividades nas empresas, tornou-se fundamental a evolução de nossos conhecimentos, habili- dades e atitudes para que possamos manter a empregabilidade. Podemos definir esse conjunto de fatores como competências individuais. Você já ouviu gestores e colegas determinarem se uma pessoa é ou não competente em algo, não é mes- mo? Mas o que é ser competente ou demonstrar competência na negociação? Esse conjunto é composto pelos conhecimentos que podem ser desenvol- vidos por meio do aprendizado acadêmico ou do aprendizado pela experiência, e que podemos definir como saber; também pelas habilidades consideradas como https://www.youtube.com/watch?v=8PDLTvJf46g&t=28s&ab_channel=TEDxTalks https://www.youtube.com/watch?v=8PDLTvJf46g&t=28s&ab_channel=TEDxTalks 34 Princípios e Técnicas de Negociação a capacidade em fazer determinada atividade ou saber fazer; ainda, pelas ati- tudes, que são definidas como ação que o leva a querer fazer (GRAMIGNA, 2007). Existe ainda uma subdivisão das competências entre competências téc- nicas (aquelas definidas pelo conhecimento de um sistema, um processo, uma língua estrangeira, por exemplo) e as competências comportamentais (aquelas consideradas de fundamental importância para as organizações, como tomada de decisão, comunicação verbal e escrita, controle emocional etc.). Conhecimentos: funcionam como pontos de referência pela aprendizagem teórica. Podemos usar, como exemplo, um confeiteiro: antes de iniciar suas atividades, esse profissional busca referências através de estudos, pesquisas, cursos de qualificação que direcionem o modo correto de negociar com os fornecedores para poder gerenciar cada ingrediente e uni-los na busca da composição de uma receita. Habilidades: são desenvolvidas na união da teoria com a prá- tica, em uma sequência de “tentativa e erro”, na qual o profissional desenvolve e se aprimora no seu objeto de trabalho e estudo. Ainda pensando na atividade do confeiteiro, após suas pesquisas e estu- dos, esse profissional inicia testes de receitas e negocia com sua equipe o cardápio, em que este processo ajudará a adquirir a experi- ência necessária para a execução de suas atividades. Atitudes: estão ligadas às características de personalidade in- dividuais, comportamentos que impulsionam o desenvolvimento de habilidades. No desenvolvimento de competências, a atitude ocupa o maior nível de importância, pois é esse comportamento que irá trans- formar o conhecimento teórico em uma prática profissional eficaz. Vamos pensar em nosso confeiteiro que até o momento possui todas as qualificações técnicas e habilidades em sua profissão, porém será por meio da atitude que ele se tornará um profissional reconhecido nas suas práticas de negociação. Agora, você pode estar pensando: como as competências contribuem nos processos de negociação? Pois bem, você precisa entender que decisões pre- cisam ser tomadas o tempo todo. Quando a decisão é individual, você é o único responsável pelo resultado da sua escolha. 35 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 Mas quando se trabalha em grupo ou para uma empresa, e uma decisão pre- cisa ser tomada, faz-se necessário pensar em algumas possibilidades: • Está claro para o grupo qual o principal objetivo em se tomar a decisão? Todas as alternativas para resolver a questão foram apresentadas? • Foram realizadas rodadas com todos os participantes do grupo para con- tribuição de ideias e soluções para a tomada de decisão? • Quais são os prós/contras de cada opção levantada para análise da ne- gociação? • Qual é a opção mais realista neste momento e que traga melhores resul- tados? • Quala opção que, provavelmente, resolverá o problema em longo prazo? • Quais critérios serão determinantes para identificar se a solução foi ou não bem-sucedida? • Foram avaliados os impactos e urgência desta decisão? Após estes e outros questionamentos pertinentes, você pôde perceber o quanto de competências o negociador precisa desenvolver para poder tomar as melhores decisões no contexto de sua atuação profissional. Por isso, quanto maior for a possibilidade de vivência e experimentação no desenvolvimento de negociações, muito melhor será a performance do negociador nas futuras transa- ções que ele realizar. E, em se tratando de tomada de decisão em grupo, o quadro a seguir apre- senta alguns modelos que podem ser aplicados e as ações pertinentes a cada modelo: QUADRO 2 – MODELOS DE TOMADA DE DECISÃO Modelo Ações Unanimidade Todos concordam com a decisão tomada. Maioria Mais de 50% dos participantes concordam. Pluralidade Parte do grupo decide, mesmo que não haja maioria. Autoridade Todos debatem sobre o assunto, mas apenas uma pessoa decide pelo grupo, que pode ser o especialista no assunto, por exemplo. Consenso Todos debatem sobre o assunto, mas apenas uma pessoa decide pelo grupo, que pode ser o especialista no assunto, por exemplo. FONTE: O autor Todos os modelos têm prós e contras, e talvez uma boa solução seja com- binar ideias; em vez de desistir de uma ideia e escolher outra, o grupo deve procurar maneiras de programar as duas ou juntá-las numa solução. Assim, é 36 Princípios e Técnicas de Negociação importante que o negociador possa desenvolver o processo com muita cautela, comunicação e atenção, no sentido de poder ter a sensibilidade sobre a nego- ciação realizada em grupo. As competências podem ser divididas em técnicas e comportamentais, se- gundo Gramigna (2007): • Competências Técnicas: são as competências desenvolvidas por meio dos estudos, da escola formal, faculdade, cursos e treinamentos. As ex- periências profissionais adquiridas ao longo da carreira também somam esse tipo de competência. • Competências Comportamentais: são competências diretamente rela- cionadas à personalidade do indivíduo, natas ou desenvolvidas no de- correr da vida pela interação com o outro, ou também por treinamentos comportamentais. Desta forma, você pode perceber que o negociar necessita desenvolver com- petências técnicas e comportamentais ao exercício do seu trabalho como tomador de decisões, tendo em vista a importância do conhecimento sobre o negócio e sobre o segmento de mercado com o qual trabalha e se relaciona com as partes interessadas. Sempre é bom fazer algumas pesquisas e publicações que pos- sam nos ajudar a entender melhor os conceitos aqui tratados, não é mesmo? Assim, indicamos um artigo que está disponível neste link https://unoesc.emnuvens.com.br/siepe/article/view/14896 para que você tenha melhor compreensão sobre as competências do negocia- dor. Boa leitura! Você poderá conhecer as principais competências requeridas aos negocia- dores, a partir dos estudos de Malhotra e Bazerman (2009) e Ury (2013): QUADRO 3 – COMPETÊNCIAS DO NEGOCIADOR Competências Técnicas Competências Comportamentais Preparação estratégica Raciocínio sob pressão e incerteza Abordagem Exposição a riscos https://unoesc.emnuvens.com.br/siepe/article/view/14896 37 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 Comunicação e Persuasão Flexibilidade Investigação de interesses Escuta ativa Revelação de interesses Soluções para impasses Convergência de interesses Processo analítico Argumentação Visão de longo prazo FONTE: Adaptado de Malhotra e Bazerman (2009) e Ury (2013) Durante a negociação, o objetivo é tomar frequentemente boas decisões, as quais vão gerar bons resultados. E, para que se alcance este objetivo, uma das condições é desenvolver as competências citadas. Então, ter estas competências desenvolvidas também servirá como fonte de segurança para o negociador. Na sequência, veremos com maior profundidade algumas destas habilidades e com- petências do negociador. As competências do negociador podem variar de acordo com o negócio, o perfil do público envolvido e contexto da negociação. As- sim, indicamos este site: https://www.ibccoaching.com.br/portal/co- nheca-5-caracteristicas-de-um-bom-negociador/ para que você pos- sa conhecer um pouco mais sobre as competências do negociador. 3.1 COMUNICAÇÃO Para a sua compreensão sobre a comunicação aplicada em uma empresa, vamos partir da ideia da atuação de um líder, o qual precisa ser um bom comu- nicador, que ensina, escuta, cria sentimentos de confiança nas pessoas, mostra uma possibilidade de desenvolvimento e um futuro promissor. Com base nisso, a liderança demanda de práticas de comunicação na gestão das equipes, bem como no desenvolvimento de sua profissão (MARTINO, 2017). Além disso, você já deve ter ouvido ou, até mesmo, falado aquela máxima de que “a nossa empresa tem problemas sérios de comunicação”. É sobre isso que os líderes de equipe devem se debruçar, pois palavras não claramente faladas ou mal escritas tendem a gerar ruídos, cujos desdobramentos podem, principalmen- te, afetar a harmonia de uma equipe de trabalho https://www.ibccoaching.com.br/portal/conheca-5-caracteristicas-de-um-bom-negociador/ https://www.ibccoaching.com.br/portal/conheca-5-caracteristicas-de-um-bom-negociador/ 38 Princípios e Técnicas de Negociação Dessa forma, a comunicação é um conceito amplo, pois como orienta Mar- tino (2017), sua amplitude faz com que várias situações e processos possam ser definidos dentro do conjunto daquilo que é comunicação. Podemos pensar em duas pessoas conversando, na análise de situações e condições econômicas de uma emissora de rádio, em um estudo sobre sites de redes sociais, pensar sobre blogs, dentro outras possibilidades. FIGURA 12 – COMUNICAÇÃO NA NEGOCIAÇÃO FONTE: <https://bcntreinamentos.com.br/site/wp-content/uploads/2017/07/ COMUNICACAO-NOVO-900x350.jpg>. Acesso em: 30 jan. 2022. Complementado, existem as barreiras da comunicação que podem afetar o processo de negociação e o desenvolvimento das competências dos negociado- res (PIMENTA, 2009), as quais são: • Filtragem: Refere-se ao emissor manipular propositalmente as informa- ções de modo que o receptor as veja mais favoravelmente. • Percepção Seletiva: Receptores projetam suas vontades e anseios nas comunicações como elas se decodificam. • Sobrecarga de Informações: Selecionar, ignorar, negligenciar ou es- quecer informações por excesso. • Emoções: Em caso de emoções extremas estamos mais propensos a desrespeitar nossos processos de pensamento racional e objetivo a substituir as decisões emocionais. • Linguagem: Palavras são passíveis a diferentes significados, quando não bem contextualizadas podem ser dúbias. • Silêncio: Pesquisas sugerem que o silêncio e a supressão de comuni- cação são comuns em 85% dos gestores. O silêncio ocorre por questões individuais ou grupais. 39 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 • Apreensão da Comunicação: Uma porcentagem estimada de que 15% - 20% da população sofre de apreensão debilitante da comunicação, ou ansiedade social. • Mentira: Esconder deliberadamente alguma informação ou responder de forma errônea a fim de encobertar a verdade. Outros ruídos podem ser mencionados, como: voz excessivamente baixa, articulação deficiente, barulho ambiental, erros ortográficos, caligrafia pouco le- gível, entre outras. Diante das barreiras existentes para efetivação da mensagem é possível colocar em prática algumas ações para melhorar a comunicação (RO- SENBERG, 2006): • ser sucinto; • falar com clareza e objetividade; • explorar em vez de discutir antecipadamente cada ideia do transmissor; • evitar interrupções e conversas paralelas; • sintetizar ideias; • tentar diminuir a tensão da equipe; • compartilhar responsabilidades; • elogiar e corrigir com amesma imparcialidade; • ouvir ativamente. Saber se comunicar é uma competência necessária a todos os negociadores, pois sem essa competência, raramente serão possí- veis processos de tomada de decisão quer permitam resultados sig- nificativos. Sobre a comunicação, acesse https://www.youtube.com/ watch?v=Zpnz_ltk6UA&ab_channel=GrupoVoitto-EscoladeNeg%- C3%B3cios, que traz um vídeo que aborda a temática da comunica- ção e a relação com os canais digitais no processo de negociação. Já que a comunicação pode sofrer algumas interferências, é importante tam- bém assegurar que a mensagem foi bem recebida. O feedback é o meio mais rápido e realizável de tornar a comunicação eficaz. A seguir, vamos tratar da per- suasão como sendo uma competência determinante ao negociador. https://www.youtube.com/watch?v=Zpnz_ltk6UA&ab_channel=GrupoVoitto-EscoladeNeg%C3%B3cios https://www.youtube.com/watch?v=Zpnz_ltk6UA&ab_channel=GrupoVoitto-EscoladeNeg%C3%B3cios https://www.youtube.com/watch?v=Zpnz_ltk6UA&ab_channel=GrupoVoitto-EscoladeNeg%C3%B3cios 40 Princípios e Técnicas de Negociação 3.2 PERCEPÇÃO Para começar, você precisa entender que a leitura desse material seja in- teressante e possa contribuir nos seus estudos, não é mesmo? Portanto, você precisa perceber a importância do material para que possamos negociar a con- tinuidade da leitura. Esse exemplo mostra a necessidade da percepção, que de acordo com Goldstein (2015), a percepção se refere ao processo de entender a realidade e interpretá-la de forma sensata. É possível entender que a percepção de cada pessoa pode ser diferente uma da outra diante de uma mesma situação, pois está sujeita à análise e interpretação próprias. Esta interpretação sobre a per- cepção é construída a partir das experiências obtidas ou não em relação ao fato, a qual pode ser diferente de pessoa para pessoa e de acordo com o contexto. FIGURA 13 – PERCEPÇÃO FONTE: <https://www.recriar.net.br/images/Blog/lg-5ac9b6ad-18cf- -4b49-9e9e-d86bc6452f95.jpg>. Acesso em: 30 jan. 2022. Assim, gera pontos de vista diferenciados e em alguns momentos muito contraditórios. Então, o alinhamento da percepção entre os negociadores é fun- damental para que o processo de negociação ocorra adequadamente, pois as diferenças de percepção de cada uma das partes afetam significativamente o jul- gamento dos aspectos que estão sendo negociados. Além de identificar essas diferenças, o negociador precisa saber compartilhar. Quando isso acontece, a comunicação entre as partes torna-se muito mais eficiente, facilitando a identifi- cação dos interesses comuns e a proposição de soluções que levem ao ganha- -ganha (GOLDSTEIN, 2015). 41 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 3.3 ARGUMENTAÇÃO Ury (2013) lembra de que devemos iniciar uma negociação bem preparados, já trazendo um bom leque de diferentes argumentos previamente elaborados. Por outro lado, é inadequado (e um dos principais equívocos dos negociadores inex- perientes) despejarmos uma avalanche de argumentos no nosso interlocutor, o que só gerará desgaste (a ambas as partes), além de confundir e dispersar o outro. Cabe destacar que não é somente para os diferentes tipos de argumentos que deveremos estar atentos, pois há outros fatores, tão importantes quanto, que exercem impacto na argumentação. Quando argumentamos, muitas vezes focamos somente o conteúdo, sem lembrar de que, além do conteúdo, o outro está percebendo inúmeras outras coi- sas, que podem até ser antagônicas ao que estamos falando. Cabe lembrar que um bom argumentador, além de saber o que dizer, deve, imprescindivelmente, saber também como e quando falar. Você se interessou sobre o tema da argumentação e está afim de desenvolver mais esta competência? Que bom, pois indicamos um vídeo que trata sobre esse assunto. Acesse https://www.youtube. com/watch?v=-x8QU3LvJms e coloque em prática a argumentação! Mesmo sendo pessoas inteligentes e experientes, podemos chegar a agir como se fôssemos cegos e surdos, não atentando para o fato de que somente quando entendermos o outro na sua essência é que passaremos a saber o que o move, para recolocarmos os nossos argumentos ajustando-os as suas neces- sidades e motivações (GOLDSTEIN, 2015). De nada adianta repetirmos algo e insistirmos no mesmo ponto como se nosso interlocutor tivesse problemas de en- tendimento e/ou de audição. Não é inteligente insistir no que não deu certo. 1) Para formar uma boa equipe a um processo de negociação, Valter, presidente da RHS Empreendimentos, necessita estabelecer dire- trizes e competências a sua equipe. Para tanto, de acordo com os https://www.youtube.com/watch?v=-x8QU3LvJms https://www.youtube.com/watch?v=-x8QU3LvJms 42 Princípios e Técnicas de Negociação estudos sobre negociação, ele identifica que são necessárias algu- mas características que precisam ser avaliadas na hora de compor as equipes. Neste sentido, assinale a alternativa que apresenta as características que os profissionais precisam ter: a) ( ) Profissionais calmos, pacientes e bom ouvinte que deixará a negociação acontecer livremente, sem interferências. b) ( ) Profissionais educados, astutos e críticos a ponto de interferir na negociação para que tire vantagens unilaterais dela. c) ( ) Profissionais inquietos, organizados e questionadores que irão arrastar a negociação. d) ( ) Profissionais criativos, perfil de relações públicas, facilidades de comunicação, competente para lidar com dados e informações e atitudes de juiz para defender os interesses da outra parte. e) ( ) Profissionais com perfil tecnológico, não ouvintes e pragmáti- cos que buscam uma negociação rápida. Certamente, os estudos das competências pode ser uma disciplina ou curso à parte, entendendo a sua complexidade, caraterísticas e práticas que permitam o melhor desempenho das negociações que você possa desenvolver. No próximo capítulo, vamos abordar os principais tipos de negociação, suas características e aplicações. 4 TIPOS DE NEGOCIAÇÃO Comercializar um produto, discutir ponto de vista sobre algum problema, bus- car as melhores alternativas para uma viagem em família, estabelecer prioridades no convívio entre amigos, contratar os serviços de fornecedores para uma em- presa, dentre outros exemplos, nos mostra a importância da negociação para a tomada de decisão. Assim, partimos da ideia de que há algumas técnicas genéricas de negocia- ção que podem ser conhecidas por você, mas que em cada realidade haverá téc- nicas e métodos próprios de negociação. Como por exemplo, técnicas de vendas são aplicadas no processo de negociação nas relações comerciais; técnicas po- líticas são utilizadas nos discursos realizadas nas instâncias governamentais etc. 43 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 Assim, Segundo Wanderley (2010, p. 32), existem duas formas de se chegar a um acordo, isto é, a uma decisão nas negociações: a barganha e a solução de problemas: A barganha tem como característica básica que cada uma das partes defende as suas propostas sem se preocupar com o todo, ou seja, sem a preocupação de entender ou aprofundar o conhecimento do objeto da negociação. Já na solução de pro- blemas, os negociadores usam etapas do processo decisório e solução de problemas. Primeiramente, compreendem a situação para, a partir desse entendimento, encontrar a solução. Para Wanderley (2010), a forma como a solução é encontrada proporciona três tipos diferentes de desfecho nas negociações: o acordo satisfaz ao interesse de ambas as partes, ou seja, os dois ganham; uma das partes interessada é aten- dida em detrimento da outra, ou seja, um ganha e o outro perde; ou a decisão é contrária aos interesses de ambas as partes, ou seja, os dois perdem. Você quer conhecer um exemplo de estratégia de negociação na prática? Pois bem, acesse https://www.youtube.com/watch?v=- gZUcJsOA2VQ&ab_channel=CBMAEcacbe assista ao vídeo de ani- mação sobre negociação. Dessa forma, vamos tratar de três tipos de negociação genéricos, os quais são apresentados na figura a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=gZUcJsOA2VQ&ab_channel=CBMAEcacb https://www.youtube.com/watch?v=gZUcJsOA2VQ&ab_channel=CBMAEcacb 44 Princípios e Técnicas de Negociação FIGURA 14 – TIPOS DE NEGOCIAÇÃO FONTE: <https://jaimemarlonsilva.files.wordpress.com/2011/08/ne- gociacao61.jpg?w=640>. Acesso em: 30 jan. 2022. • Ganha-ganha: a negociação do tipo “ganha-ganha” baseia-se na solu- ção de problemas em conjunto, satisfatória para as partes envolvidas, e tem como premissa básica a colaboração e o resultado sinérgico. • Ganha-perde ou perde-ganha: as negociações do tipo “perde-ganha” também apresentam características de competição, e frequentemente os acordos são determinados pela relação de poder de uma das partes. • Perde-perde: a negociação do tipo “perde-perde” é aquela em que am- bas as partes saem perdendo. Tem como característica básica posições de competição e relacionamentos negativos. Para que possamos entender melhor cada uma delas, acompanhe agora o tipo de negociação ganha-ganha. 4.1 GANHA-GANHA Vamos começar tratando de um exemplo que ambas as partes conseguem obje- tivar resultados satisfatórios sobre a negociação. Digamos que você resolve comprar um notebook de alta tecnologia e está com seus recursos financeiros escassos. Assim, em nosso exemplo, você realiza algumas pesquisas e encontra em uma loja digital o notebook que você deseja, mas com um preço não tão atraente, 45 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 tampouco as condições de pagamento. Mesmo assim, você resolve investir em uma negociação e contata a loja. Continuando o exemplo, um vendedor começa a negociação com você, bus- ca saber a sua necessidade e suas condições de compra. Na negociação, você apresenta alguns argumentos que promovem uma margem possível de descon- to e de maior parcelamento. O vendedor, por meio de seus objetivos traçados, apresenta uma proposta melhor, com mais parcelas de pagamento, uma garantia estendida e um desconto por você ser estudante. Como fechamento do nosso exemplo, podemos perceber que as partes saem ganhando: você feliz com o seu notebook que irá chegar em breve na sua casa e o vendedor, que fechou a venda. Este exemplo demonstra uma relação ganha-ganha, em que ambas as par- tes saem ganhando, mesmo com alguma margem de flexibilização e cedência. A negociação do tipo “ganha-ganha” baseia-se na solução de problemas em conjun- to, satisfatória para as partes envolvidas, e tem como premissa básica a colabo- ração e o resultado sinérgico. Segundo Pessoa (2009), a abordagem “ganha-ga- nha” favorece o alcance dos objetivos das partes e fortalece a visão colaborativa entre os negociadores, pois: • resolve a negociação com sucesso; • aumenta a confiança, o respeito e o comprometimento entre os negocia- dores que interagem com frequência; • reduz o tempo despendido nas negociações. Dessa maneira, a negociação “ganha-ganha” possibilita a satisfação dos in- teresses de todos, o que segundo Pessoa (2009, p. 15), “é a sua principal força”. Assim, os negociadores comprometem-se com soluções justas e evitam ressen- timentos e hostilidades residuais. Para Wanderley (2010), a negociação “ganha- -ganha” é resultado do somatório de competências do negociador, e entre essas competências está a de reconhecer todos os truques e procedimentos do nego- ciador que utiliza outra abordagem na negociação. 4.2 PERDE-PERDE Na negociação do tipo perde-perde, há uma necessidade muito elevada de tomada de decisão e parceria a ser alcança, em que as partes envolvidas cedem mais do que vêm para resolver um problema ou um conflito (LEWICKI; SAUN- DERS; BARRY, 2014). Um exemplo para isso é quando há uma pessoa que alta 46 Princípios e Técnicas de Negociação dívida de parcelas de seu condomínio e o síndico, em comum acordo, isenta os juros e multas, além de parcelar o condomínio em atraso para evitar a perda do imóvel. O devedor também perde com essa situação, pois ele precisa honrar com parcelas negociadas e manter o pagamento das novas taxas condominiais futu- ras. Embora se perceba que o conflito foi resolvido, houve uma negociação do tipo perde-perde das partes. Assim, você pode perceber que a relação entre as partes que participam de uma negociação desse tipo tem uma característica básica: ocupam posições de competição e relacionamentos negativos. Além disso, de defesa exacerbada dos interesses individuais. Segundo Pessoa (2009), esse tipo de negociação não re- solve a questão e direciona a negociação para uma situação de prejuízo para am- bas as partes, podendo provocar um impasse. Esses resultados ocorrem quando: • nenhuma das partes demonstra interesse ou desejo de encontrar uma solução ou chegar a um acordo; • as partes adotam posições de intransigência, inflexibilidade e fixas; • a mudança de curso ou geração de uma alternativa não é percebida por nenhuma das partes como vantagem que permita a solução do impasse ou um progresso em direção ao acordo. Assim, você deve entender que o maior sentimento que ocorre em um tipo de negociação como essa é o de frustração, negação e arrependimento, uma vez que não gera satisfação entre as partes envolvidas, pois elas saem perdendo. 4.3 PERDE-GANHA Para que possamos entender esse tipo de negociação, muitas vezes o que está em jogo é o poder que uma parte exerce sobre a outra. Pode ser poder de recursos, de conhecimentos, de influência, de status social, dentre outros (MA- LHOTRA; BAZERMAN, 2009). Assim, podemos pensar em um exemplo de ne- gociação em que um funcionário de uma empresa precisa negociar um período específico de férias para poder realizar uma viagem de estudos, em um período que não está previsto pela empresa. Este funcionário, ao trazer essa demanda ao seu líder de área, já começa o processo de negociação, em que o líder apresenta a escala de férias já programada e que não há a possibilidade de alteração de da- tas, por conta da especificidade de seu cargo. Dessa forma, se toma a decisão de se manter a escala já programada. Esta é uma clássica negociação perde-ganha (GOLDSTEIN, 2015), em que o líder mantém o seu funcionário no trabalho, e este perde a possibilidade da viagem de estudos ou precisa reagendá-la. 47 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 Dessa forma, esse tipo de negociação garante a destruição mútua, visto que a parte lesada no acordo alimentará sentimentos de insatisfação e de injustiça (URY, 2013), os quais no futuro tornam-se uma fonte de problemas, que, segundo Pessoa (2009, p. 16), em geral aparecem nos momentos mais inconvenientes e inesperados: “o conflito permanece e é mais do que provável que o cumprimento do acordo aceito seja apenas temporário”. Nas negociações com resultado percebido “perde-ganha”, não importa se a perda é real ou apenas percepção. As principais consequências, segundo Pessoa (2009), são: • quebra na confiança entre as partes, impossibilitando relacionamentos de longo prazo de forma definitiva; • a parte que se julgar lesada (mesmo que apenas percepção) usará de todos os subterfúgios possíveis para não cumprir a sua parte do acordo: tentará cancelar a negociação, postergar datas (entrega e/ou execução), prorrogar pagamentos, exigir documentos etc. • nas negociações futuras, o lesado tentará de todos os meios levar van- tagem e ganhar a qualquer preço. Esse comportamento é provocado por sentimento de revanche, vingança e retaliação à negociação anterior; dessa maneira, a nova negociação resultará em uma situação do tipo “perde-perde”. Na negociação do tipo “perde-ganha”, na realidade não existe vencedor pro- priamente dito, porque no médio e longo prazo essa negociação transforma-se em resultado “perde-perde”. As estratégias de negociação aplicadasvão ao encontro dos tipos de negociação e do contexto em que a negociação ocorre. Assim, po- demos pensar a negociação em empreendimentos solidários e como estes desenvolvem a gestão das relações que levam aos processos de tomada de decisão compartilhada. Acesse https://revistas.unilasal- le.edu.br/index.php/desenvolve/article/view/8787 e saiba mais! 1) Leia a notícia atentamente: https://revistas.unilasalle.edu.br/index.php/desenvolve/article/view/8787 https://revistas.unilasalle.edu.br/index.php/desenvolve/article/view/8787 48 Princípios e Técnicas de Negociação BOEING CANCELA ACORDO DE FUSÃO COM EMBRAER Americana afirma que exigências do negócio não foram cum- pridas. Brasileira acusa fabricante do 737 Max de fazer alegações falsas para não fechar transação Celebrada como o maior negócio da aviação brasileira, a par- ceria entre a gigante Boeing e a fabricante de brasileira Embraer foi cancelada 21 meses após ter sido anunciada e corre o risco de se transformar numa disputa judicial que pode se arrastar por anos na Justiça. As duas empresas trocaram acusações ontem, depois que a companhia americana divulgou comunicado afirmando que desistiu da transação avaliada em US$ 4,2 bilhões. A parceria criaria uma nova empresa na área de aviação comercial — a Boeing Brasil-Com- mercial —, em que a Embraer teria 20% e os americanos, 80%. Inte- grantes da área econômica do governo lamentaram o cancelamento da fusão e atribuíram a ruptura à pandemia de coronavírus. O namo- ro entre as duas companhias começou dois anos atrás e, na sexta- -feira passada, terminou o prazo para que um dos lados desistisse de ir adiante com o casamento. Foram os americanos que não quiseram esticar o prazo das conversas e tomaram a iniciativa de romper a relação. A Boeing alegou que a fabricante brasileira não atendeu a todas as condições exigidas e que, por isso, estava “exercendo seu direito de rescindir o contrato”. A americana não divulgou, no entanto, quais pendências não foram resolvidas. FONTE: <https://oglobo.globo.com/economia/boeing-cancela-acordo-de-fu- sao-com-embraer-24393657>. Acesso em: 30 jan. 2022. Com base nos tipos de negociação, considere as seguintes afir- mativas: I- A negociação do tipo “ganha-ganha” se baseia na solução de pro- blemas em conjunto, satisfatória para as partes envolvidas, e tem como premissa básica a colaboração e o resultado sinérgicos. II- A negociação do tipo “perde-perde” resulta em um impasse onde não se resolve a questão e direciona a negociação para uma situ- ação de prejuízo para ambas as partes. III- A negociação do tipo “perde-ganha” apresenta características de competição e frequentemente os acordos são determinados pela relação de poder de uma das partes, o que conduz à solução de- finitiva do problema, tornando o resultado tendencioso e lesivo para ambas as partes. 49 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 É correto o que se afirma em: a) ( ) I, apenas. b) ( ) II, apenas. c) ( ) III, apenas. d) ( ) I, II, apenas e) ( ) I, II, III. 5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Ao final deste capítulo, você pôde ter uma visão abrangente dos conceitos da negociação, suas aplicações e possibilidades em contextos organizacionais diversos. Além disso, você verificou a importância da negociação para o desenvol- vimento da vida em sociedade, da geração de negócios e da geração de acordos nos contextos públicos. Além disso, você pôde observar as diferentes aplicações da negociação em realidades distintas, tendo o cuidado de compreender cada cenário em que o pro- cesso de tomada de decisão está acontecendo. Para isso, estudamos a negociação internacional, muito importante em um mundo globalizado, para que as economias e tecnologias dos países possam cir- cular, bem como as pessoas. Estudamos, também, a aplicação da negociação no varejo, oportunizando a você a possibilidade de aplicar seus conhecimentos de negociação no seu dia a dia, bem como no seu trabalho. Vimos a importância do varejo ao desenvolvimen- to da sociedade e sua relação de importância na economia de um país. Você conheceu alguns aspectos relevantes para as negociações B2B, de sua importância ao desenvolvimento das empresas, pois sem fornecedores, cer- tamente elas não existiriam. Consideramos também, como aprendizado, a aplicação prática das princi- pais competências dos negociadores, que são: a comunicação, a percepção e a argumentação. Vimos as características de cada uma delas e certamente você já está aplicando essas competências de forma a perceber o que pode ainda ser melhorado e aperfeiçoado, por meio de suas vivências e experimentações. E, por fim, entendemos os três tipos básicos de negociação, que são do tipo ganha-ganha, perde-perde e perde-ganha. Cada um desses tipos ocorre por situ- 50 Princípios e Técnicas de Negociação ações específicas, as quais levam as partes a tomarem as decisões com base na condução da negociação. Por isso é importante ter competências apropriadas para ser um bom negociador para atender aos objetivos propostos. Vamos praticar? REFERÊNCIAS ACUFF, F. L. Como negociar qualquer coisa com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo. 2. ed. São Paulo: Senac, 2004. ALVES, A. P. Entenda os diversos formatos de varejo. Venda Muito Mais. Disponível em: http://vendamuitomais.com.br/2008/11/04/entenda-os-diversos- formatos-de-varejo/. Acesso em: 22 out. 2021. BANZATO, E. Tecnologia da informação aplicada à logística. São Paulo: IMAM, 2005. BERMAN, B.; EVANS, J. R. Retail management: strategic approch. New Jersey: Pearson Prentice Hall, 2004. BERTAGLIA, P. R. Logística e gerenciamento da cadeia de abastecimento. São Paulo: Saraiva, 2003. BITTENCOURT, L. A Atuação do Indivíduo como Elo Comunicativo nos Processos Negociais B2B: um Estudo Qualitativo sobre Vendedores e Compradores Profissionais. Faculdade Cásper Líbero, 2019. BRASIL. Conselho Nacional de Justiça. Manual de mediação judicial. 2016. Disponível em: www.cnj.jus.br. Acesso em: 29 jan. 2022. BRITO, E. P. A. Técnicas de negociação. Revista científica do ITPAC, Tocantins, v. 4, n. 1, p. 20-27, jan. 2011. CATEORA, P. R. Marketing internacional. 15. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. DE PAULA, V. A. F. Estratégias de marcas no varejo de alimentos: Concepção e Gestão de Marcas Próprias na Inglaterra e no Brasil. Universidade Federal de São Carlos, 2008. GOLDSTEIN, N. J. Persuasão e influência. São Paulo: HSM Editora, 2015. GRAMIGNA, M. R. Modelo de competências e gestão de talentos. 2. ed. London: Pearson, 2007. 51 Do Negociador À NegociaçãoDo Negociador À Negociação Capítulo 1 LIMA, G. B. Marketing Internacional: teoria e casos brasileiros. São Paulo: Atlas, 2015. LEWICKI, R. J.; SAUNDERS, D. M.; BARRY, B. Fundamentos de negociação. Porto Alegre: Bookman, 2014. MALHOTRA, D.; BAZERMAN, M. H. O gênio da negociação. Rio de Janeiro: Rocco, 2009. MARTINO, L. M. S. Teoria da comunicação: ideias, conceitos e métodos. Porto Alegre: Vozes Limitada, 2017. MCGOLDRICK, P. J. Retail marketing. 2. ed. London: McGraw-Hill, 2002. PESSOA, C. Negociação aplicada: como utilizar as táticas e estratégias para transformar conflitos interpessoais em relacionamentos cooperativos. São Paulo: Atlas, 2009. PIMENTA, M. A. Comunicação Empresarial. 6. ed. Campinas: Alínea, 2009. ROSENBERG, M. B. Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. São Paulo: Ágora, 2006. SANTOS, R. C. B. B2B: critérios decisórios de escolha na distribuição de medicamentos na cidade de João Pessoa/PB. Universidade Federal da Paraíba, 2016. TOLEDO, L. A.; CAIGAWA, S. M.; ROCHA, T. J. Reflexões estratégicas sobre o composto promocional de marketing no contexto da internet: um estudo exploratório junto a uma instituição financeira. Revista de Administração Contemporânea, v. 10, n. 1, p. 117-138. 2006. URY, W. Negocie para vencer: instrumentos práticos e criativospara chegar ao sim. São Paulo: HSM, 2013. WARDERLEY, J. A. Negociação e decisão. [s.d.]. Disponível em: https://www. jawanderley.pro.br/negociacao-e-decisao-voce-quer-chegar-a-um-acordo-de- qualidade-superior/. Acesso em: 14 out. 2021. 52 Princípios e Técnicas de Negociação CAPÍTULO 2 Conflitos Nas Organizações A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: � entender os fundamentos dos conflitos e sua relação com a negociação; � compreender as influências do poder e da comunicação no processo da nego- ciação; � exercitar a criatividade na negociação de conflitos em contextos diversos e nas organizações; � perceber as origens dos conflitos para estabelecer tomadas de decisão mais assertivas. 54 Princípios e Técnicas de Negociação 55 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 1 CONTEXTUALIZAÇÃO O conflito é inerente ao processo de negociação, pois sem ele não há moti- vos para a negociação acontecer. Sendo assim, compreender o que é um conflito, suas características e possibilidades de surgimento são destaques neste capítulo. Vamos estudar os tipos de conflitos, as causas que geram conflitos, bem como entender que o conflito pode acontecer em dizer contextos, tais como os conflitos intrapessoal, interpessoal, intragrupal e intergrupal. Vamos discutir, além desses mencionados, os conflitos organizacionais, que podem ser internos ou ex- ternos ao negócio. Após, vamos entender como o poder se manifesta nas negociações e nos conflitos. Vamos estudar que o poder está na relação entre as pessoas, que em um processo de negociação, o poder é transitório. E para ampliar nossos estudos, vamos conhecer a comunicação não violenta, seu conceito, suas práticas e suas aplicações, favorecendo o desenvolvimento das negociações. Por fim, você estudará a gestão de conflitos nas organizações, observando a importância de negociar as situações conflitantes para que não haja maiores perdas para a empresa e maior satisfação dos funcionários. Para isso, entender as caraterísticas do mediador de conflitos se faz relevante aos nossos estudos. Desejamos que aproveite ao máximo o conteúdo aqui apresentado e bons estudos! 2 O QUE É CONFLITO? No contexto organizacional, você pode entender que o dia a dia das rotinas e as diferentes personalidades trabalhando em conjunto é um cenário perfeito para a criação de certas divergências que, se não tratadas, podem gerar conflitos que colocam em risco o próprio empreendimento, não é mesmo? Os conflitos existem desde o início da humanidade, pois os indivíduos têm necessidades e interesses diferentes e que ainda dependem do meio e do mo- mento em que cada um está vivenciando. Os conflitos surgem quando existem discordâncias de opini- ões e/ou perspectivas divergentes entre pessoas, grupos ou organizações. Portanto, para que haja conflito, é preciso que pessoas tenham interesses diversificados ou desenvolvam ati- vidades incompatíveis com os interesses de outras, originando disputa entre as partes envolvidas (GARBELINI, 2016, p. 21). 56 Princípios e Técnicas de Negociação Dessa maneira, podemos dizer que um conflito é uma situação em que duas pessoas ou partes não concordam com uma opinião comum (PESSOA, 2009). Em outras palavras, o conflito surge principalmente por causa das diferenças de opiniões ou perspectivas. Isso significa que um conflito pode ser definido como a própria diferença de opiniões em si ou quando existe uma ameaça ou diferença real ou percebida nos desejos, pensamentos, atitudes, sentimentos ou comporta- mentos de dois ou mais partes. Mas, ao mesmo tempo, a empresa pode ser preju- dicada se eles não forem tratados adequadamente. Deve-se evitar que cheguem a um nível de disputa maior, envolvendo o bom trabalho de negociação. Para Berg (2012, p. 17), “a palavra conflito vem do latim, que significa emba- te entre duas coisas, choque entre pessoas ou grupos que se gladiam, ou seja, são duas forças contrárias que lutam entre si”. Na realidade, conflito é um estado contraditório de interesses, pessoas ou ideias, o que não passa de situações com opiniões divergentes ou incompatíveis. Cada ser humano está propício a gerar ou sofrer algum tipo de conflito, uma vez que as concepções de mundo são muito distintas de uma pessoa para a ou- tra. Assim, os ambientes organizacionais estão sujeitos a conflitos, porém saber gerenciá-los é uma habilidade que todo bom gestor precisa ter. Na posição de negociador de conflitos, uma das principais responsabilidades é fazer com que todos os colaboradores trabalhem em equipe e em prol do mesmo objetivo (CAR- VALHAL et al., 2013). A chamada gestão de conflitos se tornou parte fundamental para o sucesso dos negócios. Afinal de contas, é preciso entender que divergências fazem parte da rotina das empresas, mas gestores e líderes precisam saber os limites para que discordâncias e ideias diferentes não se tornem motivo de desequilíbrio e problemas sérios para organização. Gestão de conflitos é o conjunto de métodos e processos práti- cos que visam administrar situações conflituosas. A gestão de conflitos será tratada mais adiante neste capítulo, em que você poderá compreender melhor as práticas adotadas pelos negociadores ao enfren- tamento e gerenciamento dos conflitos. 57 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 Segundo Silveira (2018), o conflito parte de um processo que tem o seu início provocado quando uma das partes envolvidas nota que a outra parte afetou sua relação de forma negativa, ou que irá ser afetada de alguma forma. O conflito abre a possibilidade de se estabelecer a negociação, negando a aflição (fecha- mento ao diálogo) e projetando o diálogo para a solução do conflito. Interessante que você entenda que nem todos os conflitos são atitudes nega- tivas. Vamos pensar, a seguir, em um exemplo que apresenta um conflito positivo. EXEMPLO: O aumento de vendas de uma confeitaria que opta por desenvolver ações de marketing digital gera um conflito interno no trabalho, pois aumenta o número de pedidos e, dessa forma, a necessidade de negociar com os fornecedores e funcionários, me- lhores práticas de produção para atender à demanda. Ampliando o nosso entendimento, o conflito é um processo no qual há di- vergência de opiniões, é quando uma parte ou mais defende suas visões e seus próprios interesses que são diferentes da posição do outro. Mas essa é apenas uma pequena parte do processo de conflito. Você pode também perceber que o conflito pode ser visto como uma oportu- nidade para a organização. Sim, uma oportunidade em que os funcionários têm de demonstrar seu potencial, expor suas ideias e até mesmo lutar juntos, em equi- pe, por um só objetivo. E aqui, a negociação se expressa na interação entre as partes para a tomada de decisão que leve para a solução do conflito existente (MALHOTRA; BAZERMAN, 2009). Percepções e interpretações divergentes das partes sobre um determinado assunto são aceitáveis e benéficas para o sucesso das organizações, pois com esta visão há de surgir melhorias constantes e melhores resultados. Para que numa situação conflitante seja possível obter o sucesso, é necessário que ambas as partes saibam se comunicar, ouvir e perguntar, pois sem diálogo, não há solu- ção possível para resolver os problemas, pelo contrário, somente serão gerados erros, irritações e conflitos cada vez maiores e insuportáveis. Daí a importância do entendimento do conflito e suas vantagens, pois só entendendo este assunto mais profundamente é que será possível desenvolver processos de tomada de decisão mais assertivos e satisfatórios na negociação. 58 Princípios e Técnicas de Negociação FIGURA 1 – CONFLITOS NA NEGOCIAÇÃO FONTE: <https://www.senacrs.com.br/cursos_rede/rotinas_de_re- crutamento_selecao_e_desenvolvimento_de_pessoas/html/negocia- cao_de_conflitos/objetos/hq.png>.Acesso em: 22 nov. 2021. Segundo Robbins, Judge e Sobral (2010), a definição do conflito é um pro- cesso que tem início quando um dos envolvidos percebe que a outra parte afeta, ou pode afetar, negativamente alguma coisa que a primeira considera importante. As formas de conflitos são altamente diversas e identificam possíveis conflitos de locus de organização: conflito intrapessoal ou conflito dentro de um indivíduo, conflito interpessoal, conflito intergrupal e conflito organizacional, os quais vere- mos a seguir. 2.1 TIPOS DE CONFLITOS Para entendermos os diferentes tipos de conflitos é preciso entender as vá- rias formas de compreender o conflito, seu contexto e relações estabelecidas. É importante termos definidas as formas e tipos de ocorrência do conflito, de manei- ra que ao ocorrer uma situação de divergência possamos identificá-la, para assim encontrarmos a forma mais correta para a sua resolução por meio da negociação (CARVALHAL et al., 2013). O conflito ocorre em relações próximas ou interdependentes em que existe um estado de insatisfação entre as partes. A insatisfação pode ter várias origens: divergência de interesses, competição pelo poder, incompatibilidade de objetivos, partilha de recursos escassos, desacordo de ponto de vista (LEWICKI; SAUN- DERS; BARRY, 2014). A situação de conflito pode assumir o caráter de conflito in- trapessoal (conflito interno), conflito interpessoal (conflito entre pessoas) e conflito 59 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 intergrupal (conflito entre grupos). Vamos saber um pouco de cada tipo? Segundo Carvalhal et al. (2013), os conflitos que mais são objetos de abor- dagem cotidiana de gerentes, administradores e líderes de equipes e nas rela- ções organizacionais são os interpessoais e intergrupais. No primeiro tipo, o perfil comportamental dos protagonistas tem um peso importante. No segundo tipo, o plano de fundo ambiental no qual os conflitos e ao momento político da organiza- ção precisam ser considerados. FIGURA 2 – CONFLITOS INTERPESSOAIS FONTE: <https://www.jornalcontabil.com.br/wp-content/uplo- ads/2020/01/conflito.jpg>. Acesso em: 22 nov. 2021. Para que você possa compreender um pouco mais de cada um dos tipos de conflitos (WACHOWICZ, 2008), observe: • Conflito intrapessoal: é a forma como a pessoa se encara, seus desas- sossegos, aflições, limites e frustrações. Este tipo de conflito por ser ine- rente a cada pessoa, suas interpretações refletem na distorção do que se diz e do que se faz e impacta diretamente no que se pensa e como age. Este conflito pode resultar em altos níveis de estresse e atrito. • Conflito interpessoal: acontece entre indivíduos do mesmo grupo social ou de trabalho. O conflito interpessoal emerge quando nestes existem opiniões diferentes sobre a mesma situação. Muitos conflitos são gera- dos pelos processos organizacionais, mas grande parte se origina de conflitos interpessoais, o que se torna mais difícil de resolver. • Conflito intragrupal: é a divergência em uma mesma área ou setor em 60 Princípios e Técnicas de Negociação uma determinada estrutura organizacional (conflito existente entre os com- ponentes do mesmo grupo). Além disso, pode também ocorrer o conflito intergrupal por dissensão entre áreas, diferentes setores, motivadas por antipatia e animosidade entre áreas. Isso se explica porque temos, como indivíduos, nosso próprio sistema de crenças e valores, necessidades e interesses, priorizarmos as metas e os objetivos de vida – tanto profissio- nal quanto pessoal – de acordo com eles. Quando nosso sistema e suas prioridades são confrontados, o resultado natural é o conflito. • Conflito organizacional: este é o resultado da situação organizacional, que está sempre em mudança, podendo ser também de causa externa à empresa, este conflito não está vinculado aos valores pessoais e seus princípios. As relações interpessoais são opulentas de emoções, críticas e concepções distintas de um ser humano ao outro. Assim, para am- pliar os seus estudos, indicamos a leitura deste artigo que versa so- bre o assunto: https://idonline.emnuvens.com.br/id/article/view/2401. Faz-se importante destacar que os tipos de conflitos são diversos, dependen- do o contexto, a negociação envolvida e os fatores que animam o surgimento do problema do conflito. Dessa forma, podemos entender que, segundo Burbridge e Burbridge (2012), existem duas formas de conflitos, o interno e o externo. O conflito interno ocorre entre setores ou entre unidades de negócios, mas sua base sempre é o conflito entre as pessoas, essa forma acaba tendo uma di- ficuldade maior, pois as pessoas que estão neste conflito fazem parte da mesma equipe e os custos são ocultos. Muitas vezes, o estresse acaba sendo elevado, as possibilidades de discussões e desavenças emergem, afetando o desenvolvimen- to do trabalho do grupo. Já o conflito externo é identificado com mais facilidade, este pode ocorrer por outra empresa, pelo governo, outra organização ou até mesmo por um indiví- duo. Em todos os casos relacionados há emoções que devem ser observadas e levadas em consideração, pois o conflito, por essência está vinculado a uma pes- soa. Portanto, para gerenciar conflitos precisamos gerenciar pessoas, começando por nós mesmos. Pesquisas que tratam conflitos analisam os tipos de conflitos sobre diversos pontos de vista e atribuem diferentes denominações (LEWICKI; https://idonline.emnuvens.com.br/id/article/view/2401 61 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 SAUNDERS; BARRY, 2014). Apesar de essas denominações serem distintas, suas ideias complementam-se. FIGURA 3 – ESTRESSE NO CONFLITO INTERNO FONTE: <https://blog.ipog.edu.br/wp-content/uploads/2018/06/Gest%- C3%A3o-de-conflitos-920x368.jpg>. Acesso em: 22 nov. 2021. Até aqui, você pode perceber que o conflito é um campo de pesquisa e de práticas que merece atenção, observação e entendimento sobre as causas e ob- jetivos do conflito, para que a negociação possa ter efetividade. Assim, embora os conflitos pareçam algo ruim, eles podem ser produtivos para o desempenho das tarefas dentro do ambiente de trabalho. Isso mesmo, pois na convivência grupal, eles são inevitáveis e até mesmo necessários. No quadro a seguir, vamos conhe- cer alguns tipos: QUADRO 1 – CONFLITOS POSITIVOS ÀS ORGANIZAÇÕES Tipo Característica Conflitos funcionais Esse conflito é importante para as mudanças pessoais, grupais e sociais, pois ele combate a estagnação da concordância constante, além de promover o interesse pelo desafio. Conflitos disfuncionais Enquanto os conflitos funcionais contribuem para o desen- volvimento da equipe, os conflitos disfuncionais prejudicam o desempenho organizacional e do grupo. Conflito de relaciona- mentos Baseado nas relações interpessoais, o conflito de relaciona- mentos influencia diretamente na execução de tarefas, uma vez que a hostilidade e as diferenças na personalidade prejudicam a compreensão e, consequentemente, a realização de atividades. 62 Princípios e Técnicas de Negociação Conflito de tarefa Relacionado aos objetivos do trabalho, esse tipo de conflito, quando em nível baixo e moderado, pode ser produtivo, uma vez que estimula a discussão de ideias do grupo, contribuindo diretamente para o desempenho das atividades. Conflito de processo Este tipo de conflito relaciona-se à forma com que o trabalho é reali- zado. Em nível baixo, ele pode ser importante para o desenvolvimento da equipe. Porém, quando atinge níveis altos, pode gerar dúvidas sobre as funções de cada membro, diminuir a produtividade e levar a um retrabalho. FONTE: Adaptado de Hanneck e Santos (2018) Com base nas situações apresentadas, você pode perceber que os conflitos são “portas abertas” ao desenvolvimento do negócio, além de fomentar o desem- penho profissional dos profissionais nas empresas. Outrossim, possibilita queos negociadores percebam que os conflitos podem ser revertidos em situações posi- tivas, desencadeando práticas distintas de tomadas de decisão. Para aumentar a nossa compreensão sobre os conflitos, podem ainda carac- terizá-los em três fontes primárias de conflitos nas organizações, de acordo com Goldstein (2015): • Estrutura: o conflito decorre da necessidade de interdependência grupal (presente em praticamente todas as organizações) entre unidades e/ou subunidades organizacionais. Por exemplo, quando uma das partes não realiza uma tarefa a tempo, a parte que lhe sucede não pode prosseguir com o seu trabalho etc. Tal ação gera tensão entre os membros da orga- nização, atraso no processo de produção, baixa da produtividade. • Papéis sociais: o conflito resulta do desacordo entre membros de gru- pos com comportamentos anteriormente definidos/esperados, ou entre fornecedores e empresa, entre os próprios elementos da empresa, entre parceiros etc. • Recursos: o conflito é gerado a partir da competição entre grupos de interesse, com vista à obtenção de recursos organizacionais. Acontece, geralmente, quando os recursos têm de ser partilhados ou são limitados. Agora, você lembrando da base que sustenta o conflito, é possível perceber que a oposição ou incompatibilidade de alguma forma de interação estabelecem as condições que determinam o ponto inicial do processo de conflito, mas o con- flito precisa ser percebido. A existência ou não de conflito é uma questão de per- cepção. Se ninguém notar a sua existência, costuma-se estabelecer que ele não existe (GOLEMAN, 2015). 63 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 Ainda, nos modelos de gestão clássicos, o conflito era tido como algo preju- dicial à organização, sendo, na maioria das vezes, ignorado, mas nas tendências contemporâneas ele é visto como um fenômeno inevitável e que está presente nas organizações. Em ambientes onde se reúnem pessoas de diferentes gera- ções, diferentes níveis de amadurecimento e motivação é natural que ocorram conflitos (MOREIRA, 2017). Ambientes em constante processos de mudança geram tensões, ansieda- des, resistências e, portanto, conflitos. Administrar e negociar conflitos, seja pre- venindo, minimizando ou solucionando-os, resulta em benefícios nas organiza- ções, pois há valorização, há desenvolvimento humano, há qualidade de vida e há prática da democracia (MATOS, 2014). Ainda, para o autor, independentemente da natureza, os conflitos auxiliam no processo de mudanças necessárias às orga- nizações, pois indicam que algo não está a contento. Perceber que um processo, tarefa ou atitude pode ser feito/resolvido de outra forma, seja ela mais prática, menos onerosa ou mais agregadora pode, inclusive, permitir a inovação e o maior engajamento dos envolvidos. Segundo Garbelini (2016, p. 47), “A chave para o sucesso é aprender como gerenciar conflitos de forma eficaz para que ele possa servir como um catalisador, em vez de ser um obstáculo à melhoria organizacional”. O negociador precisa desenvolver competências que possam ajudá-lo a gerenciar o conflito e tomar as melhores decisões frente às situações que o sustentam, seja ele qual for. Para lhe ajudar com esse assunto, indicamos este vídeo que trata do assunto: https:// www.youtube.com/watch?v=BtahWGGipqg&t=82s. Diante do exposto, a seguir, você poderá compreender um pouco mais sobre conflito organizacional, suas características e implicações à negociação. 2.1.1 Conflito Organizacional Se mencionamos a palavra organização nesse contexto, notamos que ela sugere planejamento, certo? Eticamente, sim, mas algumas pessoas, em algu- https://www.youtube.com/watch?v=BtahWGGipqg&t=82s https://www.youtube.com/watch?v=BtahWGGipqg&t=82s 64 Princípios e Técnicas de Negociação mas empresas, quase não prezam mais por essa característica, já que desenvol- vem concorrências desleais, conflitos e disputas para terem mais vantagens nas organizações em que atuam. Infelizmente, ainda há essas atitudes nas empresas, e percebemos que há avanços na gestão contemporânea que partem do princípio do compartilhamento de ideias, responsabilidades, comprometimento e engaja- mento das equipes para a solução de problemas e alcance dos resultados. E nis- so tudo há práticas de negociação e processos decisórios. Não é incomum identificarmos conflitos dentro das organizações e das equipes de trabalho, isto se dá na maioria das vezes quando um ou mais membros tem opi- niões ou ambições diferentes (MATOS, 2014). Mas a divergência nestes casos não deverá ser vista como algo negativo pela empresa ou gestor, já que da diversidade de opiniões saem grandes ideias e soluções de problemas. A questão, nestes ca- sos, está muito mais voltada para a forma como esses conflitos são gerenciados e o ambiente de confiança criado pelo líder é percebido pelos membros da equipe, esta que deverá ser desenvolvida para atingir uma maturidade emocional. Para Matos (2014, p. 90): Ao se definir a gerência como gestora de diferenças, agente de mudanças, guiada para o trato de incertezas, para a qual é exi- gida habilidade situacional, o campo da administração do con- flito passa a se constituir em ênfase diuturna. O conflito está inserido na prática gerencial, e saber administrá-lo passa a ser condição básica para o êxito em situações de turbulência. Em princípio, não importa tanto saber se o conflito é positivo ou ne- gativo, mas como deverá ser tratado, a fim de que não se cons- titua em fator destrutivo para a pessoa e para as organizações. Mas, retomando a questão dos conflitos, eles afetam as pessoas por vários motivos, entre os quais, diferenças de idade, sexo, valores, crenças, falta de re- cursos materiais e financeiros. Quando o relacionamento interpessoal passa dos limites, também gera conflito entre os membros da equipe. Ao mesmo tempo, se a atividade não é realizada com sucesso, ocorre a si- tuação do conflito. Como resolução, deve sempre haver um diálogo, pois nada se resolve sem diálogo. Os gerentes precisam ter foco definido para que possam re- alizar a tarefa de maneira mais apropriada, não acarretando conflito, mas aceitan- do seus pontos de vistas dos demais integrantes da equipe, estabelecendo uma escuta ativa e potencialização à comunicação para fins de negociação do conflito (GOLDSTEIN, 2015). A figura a seguir apresenta o processo de negociação de conflito, o qual par- te de uma relação entre partes envolvidas (A+B), os quais desenvolvem suas ar- gumentações e posicionamento a partir do tipo de conflito estabelecido, culminan- do em uma solução: a negociação. 65 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 FIGURA 4 – NEGOCIAÇÃO DE CONFLITOS FONTE: O autor Ao observamos a imagem, podemos perceber que os tipos de conflitos são variáveis, podendo ser de ordem pessoal e comportamental, até situações mais complexas, como relações jurídicas e éticas. Dessa forma, cada tipo de conflito que emerge na relação entre A+B demanda uma estratégia de diálogo para a negociação da situação em questão, observando a possibilidade da aplicação de uma negociação ganha-ganha. Os membros da equipe que são mais colaborativos e compreendem a neces- sidade da sinergia na equipe apresentam uma competência maior do que aqueles que só querem competir e agradar ao gestor, possibilitando a gestão compartilha- da das ações do negócio e contribuindo com o líder na gestão de equipe e dos conflitos que possam surgir (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2010). Agora, é importante destacar que os conflitos sempre vão existir, já que a relação entre pessoas é complexa. O processo de aceitar o outro e suas ideias se torna, então, um desafio diário no ambiente de trabalho. Além disso, nas relações comerciais, por exemplo, sempre haverá conflitos de interesses, pois, no momen- to que há a oferta de um bem ou serviço – já abrem portas à negociação com um possível cliente ou comprador– que estabelece um canal de conflito, ou seja, um canal de relação com o vendedor, por meio de processos de negociação, para fins de atingir o melhor resultado na tomada de decisão (LEWICKI; SAUNDERS; BARRY, 2014). 66 Princípios e Técnicas de Negociação Você pode aprender mais pesquisando em sites que apresentam casos de negociação de conflitos, ou até mesmo, os que apresentam dicas práticas, como este que lhe recomendamos: https://administra- dores.com.br/artigos/9-coisas-importantes-ao-administrar-conflitos-1. Podemos concluir que eles sejam positivos ou negativos, os conflitos podem ser considerados úteis pelo papel que desempenham na vida das pessoas e das organizações. Enfatizamos que o conflito mal gerenciado é um dos maiores ge- radores de prejuízos desnecessários, tanto para as organizações como para os indivíduos que nelas trabalham. A eficácia da administração de situações de con- flitos é essencial para que as pessoas e as organizações como fonte geradora de mudanças alcancem de forma equilibrada as metas propostas. Na maioria das vezes, os conflitos são responsáveis por ameaçar a estabili- dade da organização, mas também podem agir de maneira construtiva estimulan- do o potencial de inovação das pessoas. Cabe aqui destacar que a comunicação pode ser feita por qualquer tipo de canal de comunicação, seja pessoal ou digital, mas primando sempre por ser inteligível por ambas as partes e passível de avalia- ção na negociação. E, quando falamos de negociação e conflito, relações de poder podem emer- gir entre as partes, sendo o conteúdo que estudaremos a seguir. 1) O conflito pode ser entendido como a luta ativa de cada indivíduo por um resultado desejável para si, o qual, quando alcançado, impede aos demais de conseguirem o resultado favorável a eles. Em se tratando de gestão de conflitos, a liderança pode amenizar a situação: a) ( ) Demitindo os funcionários envolvidos no conflito. b) ( ) Aplicando punições a toda a equipe dos indivíduos envolvidos. c) ( ) Deixando as pessoas resolverem seus problemas. d) ( ) Ampliando o conflito, para ver até onde é possível tensionar os indivíduos. e) ( ) Ouvindo as partes envolvidas, propor um diálogo e buscar as soluções de forma conjunta. https://administradores.com.br/artigos/9-coisas-importantes-ao-administrar-conflitos-1 https://administradores.com.br/artigos/9-coisas-importantes-ao-administrar-conflitos-1 67 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 3 RELAÇÕES DE PODER E COMUNICAÇÃO Estudar o poder, suas implicações e formas de apresentação nas relações humanas e na sociedade é um desafio para todos nós. Muito se discute sobre quem detém e/ou exerce o poder, o comando sobre outra pessoa ou grupo de pessoas, portador da máxima de modificar a realidade, bem como nos processos de negociação. Pode-se pensar também no poder das instituições, reguladoras e normatizadoras (como o caso dos governos, empresas detentoras de uma grande fatia de atuação no mercado, as religiões etc.), nas quais os sujeitos que perten- cem a cada uma delas cumprem suas obrigações de acordo com o poder nor- mativo exercido pelas instituições sobre eles e diversos tipos de negociação de acordo com cada contexto. Essa atuação é percebida, muitas vezes, nas dinâmicas políticas, estatais e autoritárias, que imperam sobre a população na manifestação das vontades e ordens impostas pelo seu líder, presidente, chefe de estado, líder religioso etc. Foucault (2002, p. 33) pondera que se estude o poder, de certo modo, “do lado de sua face externa, no ponto em que ele está em relação direta e imediata com o que se pode denominar, muito provisoriamente, seu objeto, seu alvo, seu campo de aplicação, no ponto, em outras palavras, em que ele se implanta e produz seus efeitos reais”. Para que possamos compreender o que é o poder, iniciamos pela teorização de que “não existe algo unitário e global chamado poder, mas unicamente formas díspares, heterogêneas, em constante transformação” (MACHADO, 2005, p. XI). De acordo com Michel Foucault, “o poder não é um objeto natural, uma coisa; é uma prática social e, como tal, constituída historicamente” (MACHADO, 2005, p. XI). O poder não é algo palpável, que se possa usar, como se utiliza e manipula um objeto. O poder está nas ações, nas relações entre os indivíduos na socieda- de, em grupo de pessoas, na negociação e tomada de decisão, em um espaço público ou privado. Assim, o indivíduo é um efeito do poder e é, na mesma medida que é um efeito seu, seu intermediário: o poder transita pelo indivíduo que ele constituiu. O processo de negociação ilustra bem esse conceito, a título de exemplo, pois o indivíduo tem o poder de tomar a decisão de iniciar uma negociação, mas ao mes- mo tempo, não tem o poder de executar a decisão sozinho, pois depende da(s) outra(s) parte(s) envolvida(s) para decidir sobre o que estão decidindo. 68 Princípios e Técnicas de Negociação EXEMPLO: Roberto quer vender o seu automóvel para pagar umas dívidas que não conseguiu honrar. Para isso, ele anuncia a venda do seu carro em um site de vendas on-line e logo recebe um contato de Joice, que está interessada na oferta. Assim, combinam um horário e Joice vai avaliar, presencialmen- te, o carro de Roberto. Nesse dia, Roberto mostra o veículo (ELE TEM O PODER, POIS É O DONO DO VEÍCULO), apresenta a docu- mentação e sinaliza para Joice que é um bom negócio, pois o preço solicitado é menor que o cobrado no mercado. Joice, ao perceber que o negócio é mesmo interessante e o veí- culo está em bom estado, apresenta alguns elementos que precisam de melhorias e oferece um valor menor a Roberto pelo veículo, a ser pago em duas parcelas (ELA TEM O PODER NESSE MOMENTO, POIS TEM O DINHEIRO DE QUE ROBERTO NECESSITA). Roberto, por sua vez, analisa a proposta e faz uma nova oferta, dizendo que pode ser o valor ofertado por Joice, mas o pagamento é à vista (ELE RETOMA O PODER NA NEGOCIAÇÃO). Joice, satisfeita pelo preço da sua oferta ter sido mantido, fecha o negócio, pois ela possui o dinheiro para o pagamento à vista (ELA TAMBÉM DETÉM O PODER NESSE MOMENTO). A partir do exemplo, observamos que há uma transição de poder entre os envolvidos na negociação, conforme o processo de comunicação e propostas rea- lizadas, e que, ao final, resultam no compartilhamento do poder, numa relação ga- nha-ganha, em que ambos saem satisfeitos com a tomada de decisão realizada. 69 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 FIGURA 5 – PODER NA NEGOCIAÇÃO DO VEÍCULO DE ROBERTO FONTE: <https://bit.ly/3sPIhQ0>. Acesso em: 23 nov. 2021. Foucault (2005) argumenta que a simples disposição dos indivíduos em fun- ções que conformam e põem em movimento determinada instituição pode carac- terizar uma relação de poder. Nas indústrias modernas, por exemplo, há o contro- le do horário de trabalho, que é exercido pelos trabalhadores por meio do relógio de ponto (que registra os horários de entrada, de saída, dos intervalos) e, dessa forma, garante a remuneração do trabalhador ao final da jornada mensal de traba- lho, bem como certifica a presença desse trabalhador na instituição, atribuindo ao contratante, a “gestão do corpo e sobre o corpo” do contratado. Esse controle detalhado e minucioso do corpo, as observações pertinentes aos discursos, aos gestos, às formas de comunicação entre as pessoas, essas normas, passam a ser seguidas pelos integrantes de uma dada unidade social, como, por exemplo, uma empresa. Sua regulação se faz de forma hierarquiza- da, que legitima e regula as normas estabelecidas, fazendo com que a confiança ocorra entre os integrantes. 70 Princípios e Técnicas de Negociação E você, já pensou se exerce poder sobre algo? Como você per- cebe o poder na negociação? Já usou o poder de forma equivocada e arrependeu-se? E será que o poder sempre quer dizer algo pejorativo, ruim?Entendendo o cenário acima, podemos verificar que a negociação e o pro- cesso decisório perpassam todas as instâncias em que nos relacionamos, efeti- vamente (URY, 2013). Dessa forma, é importante você entender que o poder que uma pessoa exerce sobre a outra pode ser, entre diversas formas: • legitimado por um cargo ocupado dentro de uma estrutura organizacional; • por confiança que uma pessoa exerce sobre um grupo de pessoas, sem ocupação de cargos (liderança); • por conhecimento agregado ao longo de um tempo. Você deve estar entendendo que estudar o poder não é tão simples assim, não é mesmo? Dessa forma, o conceito de poder é definido por Robbins, Judge e Sobral (2010) como a capacidade que um indivíduo possui sobre o outro, de forma que aquele que detém o poder, o usa sobre o outro em benefício próprio. Isso significa que o poder nada tem a ver com relações simétricas, ao contrário, representa a desigualdade entre aquele que o possui e os demais indivíduos. E isso, você, como negociador, precisa estar atento para que sua comunicação seja adequada, as estratégias escolhidas possam ser efetivas, além da clareza neces- sária sobre os objetivos que orientam a tomada de decisão. Aqui, você pode perceber que, nas relações entre as pessoas, sejam quais fo- rem (entre irmãos, compra e venda, na igreja, na academia, na balada, no transpor- te público, no trabalho) sempre haverá o tensionamento do poder – para construção de consenso, reflexão ou tomada de decisão. O poder, portanto, é primordial nas relações sociais e contribui para o desenvolvimento dos processos de negociação e processo decisório, com vistas ao atingimento de objetivos (URY, 2013). Sempre é bom realizar algumas pesquisas e publicações que possam ajudar a entender melhor os conceitos aqui tratados, não é mesmo? Assim, indicamos um artigo para que você tenha me- 71 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 lhor compreensão sobre o poder na negociação. Boa leitura! Aces- se: https://www.scielo.br/j/rec/a/KTNnCwkVJMBHrFmczT7BKfB/?s- top=next&lang=pt&format=html. 1) A partir dos estudos sobre o poder, tem-se a orientação de que o indivíduo é um efeito do poder e é, ao mesmo tempo, na mesma medida em que é um efeito seu, seu intermediário: o poder tran- sita pelo indivíduo que ele constituiu. A partir disso, podemos en- tender que o processo de negociação na relação entre indivíduo e poder nas organizações: a) ( ) É um processo imaginário, pois todas as pessoas são iguais. b) ( ) É entendido que indivíduo tem o poder de aprender sobre uma determinada situação ou contexto, e é, ao mesmo tempo, meio de apropriação e resultado desse poder. c) ( ) É unilateral, ou seja, a empresa exerce poder sobre o indivíduo. d) ( ) É violento, pois o poder dos cargos de chefia destrói as rela- ções de trabalho. e) ( ) É uma prática involuntária, pois o indivíduo não quer o poder, mas sim, receber influência do poder no trabalho. A partir das concepções trazidas até aqui, agora vamos abordar a relação entre influência, poder e comunicação nos processos de negociação. 3.1 INFLUÊNCIA E COMUNICAÇÃO NA NEGOCIAÇÃO Não há como separarmos poder de negociadores, da mesma forma que não se pode negligenciar o impacto da influência na negociação exercida por um indi- víduo. Negociadores fazem uso do poder para atingir objetivos coletivos através da comunicação e de outras competências que contribuem ao seu sucesso (AN- DRADE; ALYRIO; MACEDO, 2010). https://www.scielo.br/j/rec/a/KTNnCwkVJMBHrFmczT7BKfB/?stop=next&lang=pt&format=html https://www.scielo.br/j/rec/a/KTNnCwkVJMBHrFmczT7BKfB/?stop=next&lang=pt&format=html 72 Princípios e Técnicas de Negociação Devemos refletir agora sobre as diferenças entre o uso deliberado do poder e da influência que pode ser exercida por um negociador. O poder não exige, ne- cessariamente, o respeito aos interesses comuns, pois ele gera dependência ime- diata, custe o que custar. Já a influência exige uma congruência entre os objetivos do negociador sob o objeto da negociação (FERREIRA, 2013). Influenciar é convencer para que todos vençam. Exige uma comunicação ajustada o suficiente a ponto de mobilizar a evolução na negociação, seja pela busca do aperfeiçoamento do processo, seja pelo convencimento ou seja pela adoção de comportamentos mais adequados ao esperado (GOLDSTEIN, 2015). Ainda, segundo o autor, um negociador exerce uma influência sobre a outra parte, podendo ser de forma descendente (da maior concentração de poder para a menor) ou ascendente (na menor concentração de poder para a maior) (GOL- DSTEIN, 2015). Enquanto a ênfase no poder foca em buscar estratégias para maior adesão das pessoas a um determinado estilo de gestão e negociação, a influência se encarrega de compartilhar informações e delegar responsabilidades, quando trabalhada nas equipes nos espaços organizacionais. Avancemos um pouco para o entendimento acerca das direções da comuni- cação nas organizações. Se por um lado há a tradicional comunicação descen- dente, onde há um privilégio de informações e uma mistura de poder por parte de quem detém a informação, por outro há a direção ascendente, que é aquela em que os níveis mais altos recebem demandas por parte dos níveis diretamente subordinados a eles (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2010). Você pode entender melhor por meio de Hunter (2006), que é um defensor da liderança servidora como um estilo que potencializa as negociações com os liderados e menciona que influenciar pessoas é discipliná-las a evoluírem. O autor também gosta de relacionar influência com a arte de ensinar pessoas. Isso por- que acredita que influenciar pessoas exige uma comunicação transparente o sufi- ciente a ponto de ajudá-las a identificar as áreas em que precisam se aprimorar e se desenvolver. 73 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 FIGURA 6 – INFLUÊNCIA NA NEGOCIAÇÃO ENTRE LÍDER E LIDERADOS FONTE: <https://fia.com.br/blog/wp-content/uploads/2020/12/0-2.jpg>. Acesso em: 23 nov. 2021. Para refletir sobre os desafios de cada uma dessas direções da comunicação por meio do viés do poder na negociação, podemos considerar as diferentes ênfa- ses atribuídas a cada uma delas. Será que uma comunicação mais descendente é apenas negativa ou é extremamente necessária ao exercício de algumas atividades que detêm o poder da informação? Como poderia um líder falar sobre tudo o que sabe aos liderados em uma negociação estratégica? Poderia um executivo deixar todos os líderes da organização a par de tudo em todos os momentos? E como seria se estes que detêm o poder não comunicassem, apenas aos níveis hierárqui- cos mais baixos, informações relevantes à negociação de suas responsabilidades? Quais prejuízos essa falta de comunicação causaria na negociação com clientes? Dessa forma, o líder deve estar atento aos seus liderados e às dificuldades de cada um, utilizando seu conhecimento e persuasão para convencê-los a olha- rem com mais frequência para seus desempenhos, com vistas a evoluírem con- tinuamente, em um processo de negociação interpessoal na gestão de equipes. EXEMPLO: Cláudia empreende no segmento de roupas, em uma pequena boutique, que atualmente busca expandir o seu ne- gócio e o seu crescimento para novos perfis de clientes. Para isso, inicia uma parceria com Sofia, que possui uma grande loja sofisti- cada de biquínis, criando uma linha de roupas de praia, somente e especialmente para essa nova parceria. 74 Princípios e Técnicas de Negociação Em uma reunião de negócios para a criação da linha exclusiva, investimentos e porcentagem dos faturamentos, houve um pequeno conflito entre os participantes por meio do poder de marca e da qua- lidade que essa loja já possui na sociedade, e esse poder trata da capacidade de causar influência e o conflito, causando um processo de oposição ou de divergência. O conflito em pauta é por conta daprodução de produtos que pudessem ser adquiridos por clientes de outros segmentos de mercados, não sendo o foco alvo de Sofia. Pela influência que a loja já obtinha, a equipe de gestão da Cláudia já previa que isso poderia ocorrer. Assim, o poder de tomar a decisão de iniciar uma negociação que prevalecia mais a equipe de Sofia, ao mesmo tempo não tem o poder de executar a decisão so- zinho, pois dependem da criatividade da equipe de Cláudia e do seu envolvimento para decidir sobre os rumos da linha exclusiva. No processo de negociação há uma transição de poder entre as duas empresas na negociação, durante o processo de comunicação e propostas realizadas, resultando no compartilhamento do poder, numa relação ganha-ganha, em que ambos saem satisfeitos com a tomada de decisão realizada. Com o conflito de negociação e a comunicação com a gestão das duas empresas, as negociações perpassam pela criação das peças, criatividade e marketing digital para a ampliação do negócio, em que Cláudia e sua equipe buscam a ampliação do mix de produ- tos para a sociedade, onde não seria limitada, mas oportunizando o acesso de um maior número de clientes pela variabilidade de preços e modelos. O conflito oportunizou a geração de novos produtos, sem perder a qualidade e aumentando a atuação no mercado. Resgatando o que já absorvemos até aqui, concluímos que para influenciar é preciso ter autoridade sobre o lugar que se ocupa, pois é desta forma que se ameniza o lugar do poder, reduzindo-o a um mero substantivo, não sendo mais adjetivo de quem o detém. 75 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 Entende-se que a comunicação é um dos elementos fundamen- tais para negociação e tomada de decisão, pois é por meio dela que dialogamos com a outra parte, expondo nossos argumentos, interes- ses e motivações para chegar ao resultado desejado. Agora, para que você entenda que o poder não é puramente ter maiores van- tagens sobre a outra pessoa, mas sim, deter o conhecimento para potencializar a comunicação e o processo de tomada de decisão. Assim, a comunicação não violenta pode ser uma prática que traga resultados satisfatórios na negociação. Vamos saber mais a seguir. 3.2 COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA As organizações estão inseridas em um ambiente incerto e de alta competiti- vidade. Para que se obtenha destaque e sucesso, umas das alternativas é apos- tar em profissionais que possuam competências técnicas, mas que se destaquem pelas competências comportamentais. A ferramenta de Comunicação não violenta (CNV) vem ganhando destaque dentro das organizações, já que auxilia os líderes na mediação de conflitos (ROSENBERG, 2006). A CNV é uma ferramenta nova que vem ganhando espaço e despertando in- teresse das lideranças no ambiente corporativo. A CNV, além de trazer benefícios para a organização, com a melhoria do desempenho individual dos colaboradores e das equipes, faz com que os indivíduos se sintam mais reconhecidos e valori- zados, sabendo que a empresa percebe, entende e respeita a individualidade de cada um (ANDRADE; ALYRIO; MACEDO, 2010). Uma das maiores dificuldades enfrentadas em negociações dentro das em- presas é a comunicação. Comunicar-se de forma clara e eficaz, para que não haja ruídos que causem desgastes aos indivíduos e perda de tempo. O líder tem papel fundamental, já que ele, na maioria das vezes, é quem repassa as informações ou orienta sua equipe sobre os objetivos da organização, para que estes possam negociar com os clientes e fornecedores (ROSENBERG, 2006). 76 Princípios e Técnicas de Negociação FIGURA 7 – COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA FONTE: <https://bit.ly/3NtyMOl>. Acesso em: 23 nov. 2021. Quando se fala em comunicação, parece ser muito simples para você, não é mesmo? Podemos pensar que a maioria das pessoas pensam que comunicação é apenas falar. Mas você, que é comunicativo, sabe que o processo de comuni- cação vai muito além, pois engloba algo mais difícil: o ouvir. Ervilha (2008, p. 121) entende que “comunicar é ouvir, ou melhor, escutar as pessoas. Comunicar-se é conseguir o entendimento entre as pessoas e por isso é um ato tão simples e ao mesmo tempo tão complexo”. A comunicação precisa ser eficaz, sabe-se que não é tarefa fácil, Missel (2012, p. 119) aponta que: “paciência e tolerância para escutar até o final o que o outro tem a dizer, com suas qualidades e dificuldades, com suas crenças e emo- ções, seja agradável ou desagradável, sem julgar não é um processo fácil, em especial no mundo corporativo”. Além disso, conforme já estudamos, deve existir no processo de comunica- ção, a transmissão de informação e de significado, pois se não houver, não há comunicação presente. Ainda, deve existir os elementos: emissor, receptor, men- sagem, canal de comunicação, ruídos e feedback (MAXIMIANO, 2011). Gostou do assunto sobre a comunicação não violenta e quer sa- ber mais sobre suas aplicações e exemplos? Ótimo! Acesse https:// www.youtube.com/watch?v=uofE9CnWDYU&ab_channel=SABER- COLETIVO e assista ao vídeo de animação sobre a CNV. https://www.youtube.com/watch?v=uofE9CnWDYU&ab_channel=SABERCOLETIVO https://www.youtube.com/watch?v=uofE9CnWDYU&ab_channel=SABERCOLETIVO https://www.youtube.com/watch?v=uofE9CnWDYU&ab_channel=SABERCOLETIVO 77 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 Para que o processo de comunicação seja eficaz em uma negociação, é pre- ciso ouvir o outro sem julgar e expressar o que se deseja com clareza, ainda assim, é possível que haja falha na comunicação. Já para o processo de comu- nicação não violenta, esta aparece para auxiliar nesse processo de entender as necessidades do outro e perceber até mesmo aquilo que não foi dito, ampliando a compreensão do conflito na negociação, almejando a melhor tomada de decisão entre as partes. Para Rosenberg (2006, p. 32): A CNV nos ajuda a nos ligarmos uns aos outros e a nós mesmos, possibilitando que nossa compaixão natural floresça. Ela nos guia no processo de reformular a maneira pela qual nos expressamos e escutamos os outros, mediante a concentração em quatro áre- as: o que observamos, o que sentimos, do que necessitamos, e o que pedimos para enriquecer nossa vida. A CNV promove maior profundidade no escutar, fomenta o respeito e a empatia e provo- ca o desejo mútuo de nos entregarmos de coração. O perfil ideal do negociador é ser firme e amistoso, sendo franco e persua- sivo sem usar coerção. As pessoas não devem querer falar o tempo todo, mas também ouvir interessadamente. Devem apresentar seus pontos de vista e com- preender as preocupações dos outros (ANDRADE; ALYRIO; MACEDO, 2010). Para que a CNV possa ser aplicada pelos negociadores, ela está estruturada em quatro pilares: Primeiramente, observamos o que está de fato acontecendo numa situação: o que estamos vendo os outros dizerem ou fa- zerem que é enriquecedor ou não para nossa vida? O truque é ser capaz de articular essa observação sem fazer nenhum julga- mento ou avaliação – mas simplesmente dizer o que nos agra- da ou não naquilo que as pessoas estão fazendo. Em seguida, identificamos como nos sentimos ao observar aquela ação: ma- goados, assustados, alegres, divertidos, irritados etc. Em tercei- ro lugar, reconhecemos quais de nossas necessidades estão li- gadas aos sentimentos que identificamos aí. Temos consciência desses três componentes quando usamos a CNV que expressa clara e honestamente como estamos. Uma mãe poderia expres- sar essas três coisas ao filho adolescente dizendo, por exemplo: “Roberto, quando eu vejo duas bolas de meias sujas debaixo da mesinha e mais três perto da TV, fico irritada, porque preciso de mais ordem no espaço que usamos em comum”. Ela imediata- mente continuaria com o quarto componente – um pedido bem específico: “Você poderia colocar suas meias no seu quarto ou na lavadora?” Esse componente enfoca o que estamos queren- do da outra pessoa para enriquecer nossa vidaou torná-la mais maravilhosa (ROSENBERG, 2006, p. 25). A CNV baseia-se em observar o que os outros dizem ou fazem sem fazer qualquer julgamento ou avaliação, e expor o que nos agrada ou não no que elas 78 Princípios e Técnicas de Negociação estão fazendo. Posteriormente, qual o nosso sentimento a respeito das suas ati- tudes e identificar quais as necessidades estão ligadas a respeito de como nos sentimos. Finalmente, colocar ao indivíduo o que estamos querendo para nos sentirmos felizes (ROSENBERG, 2006). Você pode estudar a CNV por meio da Figura 8, que descreve os quatro pas- sos importantes para colocar a CNV em prática. FIGURA 8 – PASSOS DA COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA FONTE: <https://assets.almanaquesos.com/wp-content/uploads/2019/11/ sos-comunicacao-nao-violenta_.jpg>. Acesso em: 23 nov. 2021. Por meio da figura, podemos entender que o conflito deve ser observado e compreendido para que a CNV possa ser aplicada pelos negociadores, depen- dendo do contexto. Assim, é importante refletir que no conflito muitas vezes o 79 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 negociador busca solucioná-lo e não procura entender qual a necessidade que não está sendo dita ou atendida por cada um dos envolvidos no conflito, como, por exemplo, em um conflito intragrupal. Assim, alguns gestores desenvolvem suas habilidades de comunicação, escuta e empatia, as quais são extremamente necessárias para a resolução de conflitos de forma assertiva. Na CNV, deve-se passar confiabilidade aos envolvidos e evitar o julgamento sobre as atitudes de cada um, para que, assim, os mesmos se sintam compreendidos e confiantes para expor os reais motivos que o fazem entrar em conflito e prejudicar a equipe e/ou a empresa (ROSENBERG, 2006). Nos conflitos organizacionais, a CNV pode trazer alguns benefícios significa- tivos tanto para a empresa quanto para os funcionários. Vejamos: • Melhora o ambiente organizacional. • Aumenta a produtividade interna. • Diminui a taxa de rotatividade. • Facilita a integração de novos funcionários. • Realiza a comunicação eficaz e empática. • Reflete sobre nossas necessidades e do outro. • Trabalha e pratica a empatia. • Autorreflexão. • Redução no medo de errar. • Minimiza os boatos e as fofocas. Temos uma dica ótima de site para você: o Instituto CNV Brasil. Nele, você encontra uma série de textos, treinamentos, reportagens e outras informações adicionais sobre o assunto. Acesse https:// www.institutocnvb.com.br/ e saiba mais! Por fim, é importante que você entenda que a comunicação não violenta pode nos ajudar a desenvolver a escuta ativa e a empatia nas práticas de ne- gociação. Antes de revidar com ódio, procure compreender as necessidades do outro e assim desenvolver a estratégia necessária à negociação. A atitude é a principal característica comportamental que os negociadores devem desenvolver, ou seja, a CNV pode apoiar os negociadores na mediação e resolução de confli- tos nos mais variados tipos de negociação. https://www.institutocnvb.com.br/ https://www.institutocnvb.com.br/ 80 Princípios e Técnicas de Negociação Com base nos estudos até aqui tratados sobre o que são conflitos, o poder nas negociações e a comunicação não violenta, você estudará a seguir, a gestão de conflitos, seus conceitos e aplicações no contexto da negociação. 4 GESTÃO DE CONFLITOS A gestão de conflitos pode ser utilizada em contextos diversos, tais como no ambiente familiar, no sistema jurídico, nas organizações, entre outros. Nas em- presas, os gestores além de gerenciarem a equipe e dar direcionamento para o alcance dos resultados, lidam com os desafios da gestão de conflitos. O mercado de trabalho busca profissionais que consigam gerenciar conflitos. Por isso, com- preender e saber lidar com eles é fundamental para o sucesso pessoal e profissio- nal (RIBEIRO; OLIVEIRA; ANDRADE, 2017). Chamamos de gestão de conflitos o conjunto de métodos e processos práti- cos que visam administrar situações conflituosas (GARBELINI, 2016). É uma for- ma de mediar os impasses entre pessoas e/ou equipes, diminuindo seu impacto negativo e tornando essa situação em algo produtivo. Você já sabe que um processo de negociação inicia com pessoas em po- sições divergentes, tentando superar os conflitos de necessidades, opiniões e ideias. As tensões ocorrem tanto no contexto externo, quando as partes focalizam umas nas outras para superar as divergências, como na mente de cada um dos negociadores (FERREIRA, 2013). Ainda, segundo Ferreira (2013), a negociação pode ser conduzida sob forte influência das emoções, sendo classificada como primal; ou sob o domínio da ló- gica e da razão, quando, então, é identificada como cognitiva. É muito difícil para o ser humano discutir e negociar as questões substantivas com total insensibili- dade as suas emoções e as dos outros. O que dá uma vantagem competitiva ao negociador cognitivo é a sua capacidade de usar as próprias emoções como fator de agregação de valor ao processo, tendo o cuidado, em cada instante, de não se tornar refém do emocional. Para Garbelini (2016, p. 65): [...] gerenciar um conflito não significa eliminá-lo ou ameni- zá-lo, mas administrá-lo por meio da interação com pessoas, conciliando suas emoções e mediando seus interesses, vonta- des e expectativas. Prever tensões, identificar a origem e seus desdobramentos e, principalmente, encontrar soluções satisfa- tórias são ações que fazem parte do processo. 81 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 Você deve entender que o desafio está em saber o que utilizar em cada oca- sião, procurando escolher e aplicar as técnicas de forma perspicaz. Não existe certo ou errado em relação ao método de escolha para a negociação de conflitos. A escolha pode ser apropriada e efetiva, dependendo das circunstâncias, do as- sunto a ser resolvido e das personalidades envolvidas (BERG, 2012). Você pode fazer uma pesquisa na internet para buscar mais in- formações sobre práticas de gestão de conflitos. Para ajudá-lo na pesquisa, indicamos o site Trilhas do Sucesso, que apresenta infor- mações interessantes para a gestão de conflitos nas organizações. Acesse https://trilhasdosucesso.com.br/gestao-de-conflitos-aprenda- -a-lidar-com-divergencias-na-empresa/ e bons estudos! Percebe-se que o conflito pode ser necessário para que o indivíduo não entre num processo de estagnação. Dessa forma, os conflitos não são necessariamen- te negativos, embora a maneira como são trabalhados é que pode gerar algum tipo de reação. Neste contexto, a administração de conflitos se refere à escolha e adoção de estratégias mais adequadas para lidar com cada tipo de situação. Buscando mostrar o lado positivo do conflito, Carvalhal (2013, p. 48) conceitua o conflito como “um processo onde uma das partes envolvidas percebe que a outra parte frustrou ou irá frustrar os seus interesses ou valores. Isto quer dizer que no dia a dia vivemos o conflito de diferentes maneiras”. Segundo Neto (2015), os conflitos surgem das interações sociais criadas en- tre os indivíduos, sendo que entre a complexidade do relacionamento e o número de situações de embate existe uma relação direta, afirmando o autor que quanto mais complexa é a relação interpessoal criada, maior o número de situações de conflitos. Ou seja, o conflito é mais que um desacordo, que uma discordância en- tre os membros de um grupo: refere-se a um elevado envolvimento na situação, há uma intensidade de emoções e a percepção da existência de oposição e de tensão das partes, neste processo, mostrando que um indivíduo ou grupo se sen- te negativamente afetado por outra pessoa ou grupo. https://trilhasdosucesso.com.br/gestao-de-conflitos-aprenda-a-lidar-com-divergencias-na-empresa/ https://trilhasdosucesso.com.br/gestao-de-conflitos-aprenda-a-lidar-com-divergencias-na-empresa/ 82 Princípios e Técnicas de Negociação FIGURA9 – INTENSIDADE DAS EMOÇÕES NA GESTÃO DE CONFLITOS FONTE: <https://blog.indeepdh.com.br/wp-content/uploads/2019/07/gestao- -de-conflitos-dentro-das-empresas.jpg>. Acesso em: 24 nov. 2021. Dando continuidade sobre a gestão de conflitos, Cunha e Lisboa (2012) ar- gumentam que o conflito apresenta as seguintes áreas de estudo: Conflito Tradi- cional e Conflito Social. O conflito tradicional faz parte da história e são aqueles que reúnem indiví- duos ao redor dos mesmos interesses, fortalecendo sua dependência recíproca. Essa área de conflito existe em função de três razões principais: pela competição entre as pessoas, por recursos disponíveis, mas escassos; pela divergência de al- vos entre as partes; e pelas tentativas de autonomia ou libertação de uma pessoa em relação à outra. Já o conflito social aparece em razão do grau de complexidade e implicação social, e isto é influenciado pela evolução da própria sociedade. Contribuindo, Wachowicz (2008, p. 72) afirma que as fontes de conflito po- dem ser: “[...] os direitos não atendidos ou não conquistados, a luta pelo poder, as mudanças externas acompanhadas por tensões, medo e ansiedades, a ne- cessidade de status, o desejo de êxito econômico, a exploração ou manipulação de terceiros, dentre outros”. Então, saber administrar o conflito se refere a um gerenciamento dos grupos por meio da negociação com o objetivo de tentar partir alguns dos estereótipos existentes na organização, sabendo que essas mesmas estratégias deverão ser repetidas periodicamente (BOENTE; ZOUAIN, 2016). A negociação e gestão de conflitos podem ser aplicadas em contextos diversos, sempre observando a causa do conflito e quais 83 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 os resultados estão em jogo. Assim, você pode estudar como são os processos de negociação e gestão de conflitos em cooperativas e na economia solidária acessando https://revistas.unilasalle.edu.br/index. php/desenvolve/article/view/8787. Bons estudos! Sendo assim, você pode entender que a negociação deve ser fundamentada em princípios, em que cada negociador deve focalizar no núcleo da questão e procurar soluções que atendam às necessidades de todas as partes envolvidas. Para solucionar conflitos de forma eficaz, faz-se necessário conciliar alguns pas- sos a serem seguidos, conhecer e aplicar alguns “saberes” e, também, definir o estilo a ser adotado como mediador (SOUZA, 2009). Souza (2009) indica alguns passos considerados importantes: a) Criar uma atmosfera afetiva. b) Esclarecer as percepções. c) Construir um poder positivo e compartilhado. d) Desenvolver passos para a ação a ser efetivada. e) Olhar para o futuro e, em seguida, aprender com o passado. f) Gerar opções de ganhos mútuos. g) Focalizar em necessidades individuais e compartilhadas. h) Estabelecer acordos de benefícios mútuos. Para que a negociação possa ocorrer é necessário que ambas as partes te- nham as seguintes capacidades: saber comunicar, saber ouvir e saber perguntar. Neste contexto, os conflitos são inevitáveis, podendo ocorrer em qualquer situação e ambiente de convívio, podendo ser: familiar, social e de trabalho. Por- tanto, destaca-se cada vez mais nas organizações, a gestão de conflitos, em que o maior desafio é saber a melhor estratégia para cada caso (MATOS, 2014). Você deve levar em consideração tudo o que for importante, buscando identificar e ad- ministrar e minimizar as situações destrutivas e melhorar resultados e satisfação das partes envolvidas, no sentido de gerar mais conforto no ambiente e refletir em vários pontos da organização. A negociação, como meio consensual de solução de conflitos, não enxerga o conflito de forma negativa, mas ao contrário: reconhece o conflito como algo natu- ral, que decorre das relações entre as pessoas, oportunizando o avanço positivo nas relações entre elas. A possibilidade transformadora dessa relação costuma ser analisada pelos meios autocompositivos, os quais garantem uma participação dos envolvidos na decisão e também contribuem para gerar um autoconhecimen- to sobre seu perfil de solução de conflitos (SILVEIRA, 2018). https://revistas.unilasalle.edu.br/index.php/desenvolve/article/view/8787 https://revistas.unilasalle.edu.br/index.php/desenvolve/article/view/8787 84 Princípios e Técnicas de Negociação A negociação é diferente de outros mecanismos consensuais de solução de conflitos que são assistidos pela presença de um terceiro, como a mediação e a conciliação. Ou seja, enquanto na negociação há um diálogo direto entre as partes, na mediação e conciliação há a presença de um terceiro (devidamente capacitado), que tem o papel de facilitar a comunicação entre as partes e costu- ma auxiliar na troca de informações e esclarecimentos da controvérsia (GABBAY; MANGE, 2018). Na administração de um conflito, de acordo com Matos (2014), é muito im- portante que se investiguem os fatos ocorridos antes de tomar qualquer decisão, assim como analisar quem são as pessoas envolvidas, qual foi o seu desempe- nho, suas condutas, entre outros. Tudo para que tenha um final satisfatório para todos, sem cometer nenhuma injustiça. 4.1 DIVERSIDADE E GESTÃO DE CONFLITOS Apesar de as organizações conviverem com a diversidade há algum tempo, elas atuam de forma reativa em relação a ela e a sua gestão. E essa postura afeta as negociações. Dutra, Dutra e Dutra (2017) destacam que desde 2010, há maior exigência e diversidade de pessoas, e lidar com isso tem sido uma preocupação crescente, tanto no que diz respeito à busca de vantagem competitiva pelas em- presas e suas negociações, quanto para gerenciar os conflitos que, porventura, surjam desse cenário. O conflito pode ser visto como uma interferência ativa ou passiva, mas deli- berada para impor um bloqueio sobre a tentativa da outra parte de alcançar seus objetivos. Assim, o conflito pode ocorrer entre duas ou mais partes, sejam pesso- as, grupos ou equipes (MATOS, 2014). Há certas condições que tendem a gerar conflitos, uma vez que geram percepções diferentes entre pessoas e grupos. Tais condições são chamadas de condições antecedentes e se constituem como as razões dos conflitos (CHIAVENATO, 2015). 1. Ambiguidade de papel: Quando as expectativas pouco claras e outras incertezas aumentam a chance de as pessoas se sentirem trabalhando para propósitos incompatíveis. 2. Objetivos concorrentes: Dentro da organização, com seu cres- cimento, surgem grupos especializados, com foco em seus ob- 85 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 jetivos específicos, desempenhando tarefas distintas, relacionan- do-se com diferentes partes do ambiente; cada grupo passa a desenvolver sua maneira de pensar e agir, sua linguagem pró- pria, seu modo de trabalhar. 3. Recursos compartilhados: Os recursos organizacionais, limita- dos e escassos, necessitam ser distribuídos e alocados entre os diversos grupos da organização, gerando uma percepção de “dis- puta”, que pode provocar uma imagem de objetivos e interesses distintos e incompatíveis. 4. Interdependência de atividades: Em uma organização, pessoas e grupos são interdependentes para o alcance de seus objetivos. Assim, há a percepção de que uma pessoa ou um grupo pode agir no sentido de auxiliar ou prejudicar o trabalho dos demais. FIGURA 10 – CONDIÇÕES ANTECEDENTES DO CONFLITO E PERCEPÇÕES RESULTANTES FONTE: Chiavenato (2015, p. 390) Sendo o conflito inevitável, o gestor precisa conhecer suas possíveis solu- ções, uma vez que a gestão dos conflitos pode trazer resultados positivos ou ne- gativos para a organização como um todo. 86 Princípios e Técnicas de Negociação 4.2 ESTRATÉGIAS DE GESTÃO DE CONFLITOS Como os conflitos são comuns no ambiente organizacional, o gestor deve saber administrá-los. Segundo Chiavenato (2015), existem três abordagens para administrar os conflitos: • Abordagens estruturais: Objetivos comuns; Sistemasde recompensas grupais; Reagrupamento; Separação; Rotação. • Abordagens mistas: Regras e regulamentos; Grupos e equipes de tra- balho; Papéis de ligação; Papéis integradores. • Abordagens de processo: Desativação; Confrontação direta; Colaboração Na abordagem estrutural, o conflito surge das percepções advindas da dife- renciação, dos recursos limitados ou escassos e da interdependência. Assim, a gestão do conflito consiste em atuar sobre uma das causas do conflito, minimizan- do as diferenças entre os grupos através da identificação de objetivos que possam ser compartilhados ou da redivisão dos grupos; interferindo nos recursos compar- tilhados através do uso de sistemas de recompensas e incentivos para premiar o desempenho conjunto de dois ou mais grupos e criar um objetivo comum; e redu- zindo a interdependência, separando os grupos física e estruturalmente. Na abordagem de processo, a gestão do conflito consiste em reduzir os con- flitos pela mudança do processo, ou seja, intervindo no episódio do conflito por meio da desativação do conflito (quando uma parte reage cooperativamente ao comportamento de conflito da outra, desarmando o conflito), da reunião de confron- tação entre as partes (reunião das partes conflitantes frente a frente, para discutir e identificar as áreas de conflito e as soluções do tipo ganha-ganha) e da colabo- ração (trabalho em conjunto das partes, visando solucionar o problema da maneira ganha-ganha ou buscar soluções integrativas), de forma mista (utilizando aspectos estruturais e de processo para a intervenção sobre a situação e sobre o conflito). Outro ponto importante, no que diz respeito às estratégias para a administra- ção de conflitos (MÓSCA et al., 2014), é o estímulo aos “bons” conflitos, que pode ser realizado por meio de: • Encontro e mediação entre as partes conflitantes, incentivando o resulta- do conjunto. • Criação de metas compartilhadas. • Promoção de uma cultura de interesses comuns, minimizando as dife- renças individuais. 87 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 • Mudanças na estrutura formal da organização, por meio do redesenho de atribuições ou funções. • Disponibilização de treinamentos específicos de mudança comportamen- tal, visando alterar atitudes que causem conflito. Você pode estudar algumas estratégias de gestão de conflitos e a ação da negociação que as perpassa assistindo ao vídeo Estra- tégias de Negociação e Gestão de Conflitos, do Prof. Breno Paque- let. Acesse https://www.youtube.com/watch?v=yUEO8hpcA_U&ab_ channel=Firjan e assista! Na gestão de conflitos não basta ter estratégia, é preciso ter atitude na nego- ciação. Por isso, vamos conhecer o perfil dos mediadores de conflitos, profissio- nais tão importantes para a resolução de conflitos. 4.3 O PERFIL DO MEDIADOR DE CONFLITOS O mediador é a pessoa que vai ser responsável por trazer a funcionalidade no transcorrer da negociação. De acordo com Robbins, Judge e Sobral (2010), o dever dele não é encontrar a solução para as partes, mas tornar possível que elas, juntas, cheguem a uma solução boa para ambas, permanecendo, assim, responsáveis pe- las consequências de suas escolhas. O apaziguamento é a recompensa. Mediadores mais experientes tendem a ser mais maduros, uma vez que já tiveram maior participação em negociação. Há eventos em que a teoria não consegue traduzir, apenas a experiência vivida. 88 Princípios e Técnicas de Negociação O mediador também deve ser capaz de enxergar os acontecimentos de ma- neira holística e sistêmica, observando e escutando atentamente. Portanto, essa pessoa não pode estar apenas munida de boas intenções e conhecimento prático, mas deve preencher os requisitos de perfil profissional descritos, conforme pontua Fiorelli (2011), a seguir. QUADRO 2 – CARACTERÍSTICAS DO MEDIADOR DE CONFLITOS Característica Descrição Idade O fator idade pode ser uma preocupação a depender de quem são as partes conflituosas. Muitas vezes, as pessoas colocam-se mais à von- tade com mediadores que tenham idade aproximada da sua, sendo comum o inverso, quando há a discrepância de idade. No fator idade, podemos considerar que o diálogo se torna facilitado quando há proxi- midade da faixa etária, por se tratar de haver uma sintonia de lingua- gem. Os profissionais mediadores mais experientes também já tiveram a oportunidade de conviver com os mais diversos tipos de personalidades. Formação superior Em uma mediação institucionalizada, a formação de nível superior pode dar maior garantia (mas não absoluta) de que o mediador está munido de teorias, técnicas e experiências. Além disso, mais capacitado para interpretação da linguagem falada, escrita e corporal, e para: elaborar metáforas e analogias pertinentes para o estabelecimento da comunica- ção eficaz e fazer uma ponte entre os mediandos; raciocinar em níveis abstratos; desenvolver a análise e elaborar uma síntese sobre a sessão; redigir os acordos celebrados pelas partes de modo claro, breve, preci- so, objetivo e correto. Competência interpessoal É demonstrada pelo modo objetivo, seguro, persistente e eficaz com que o mediador administra os comportamentos, mesmo quando imperam emo- ções negativas, como agressividade, tensão, mágoa, desprezo e raiva. Domínio da língua portuguesa É um requisito indispensável, uma vez que proporciona ao mediador a compreensão da linguagem falada e escrita, agilidade na leitura e enten- dimento de documentos e competência para redigir acordos. Além dis- so, um linguajar correto traz facilidade para expor as ideias de maneiras diferentes, para se fazer entender. Quando o mediador apresenta dificul- dade para falar adequadamente, pode passar mensagens que tenham duplo sentido, o que atrapalha o processo de mediação. Conhecimentos e competências a respeito de negociação e suas técnicas Isso faz com que se tenha o domínio da mediação, pois se dispõe de ferra- mentas para identificar as situações em que ela se aplica ou não. Também dá a quem medeia o conhecimento a respeito do seu papel e da sua respon- sabilidade, assim como dos mediandos e das mediandas; traz habilidades de comunicação interpessoal que permitam identificar e gerenciar situações críticas; e o domínio das técnicas de condução da sessão, da geração de opções, de tomada de decisão e elaboração de acordos. 89 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 Resistência ao estresse emocional Em uma sessão de mediação, o mediador poderá se tornar alvo de pes- soas mal-intencionadas, perversas, de caráter questionável ou, ainda, manipuladoras, que podem afetar o seu processo de mediação, envol- vendo-se nas investidas geradas por uma parte e sentidas pela outra, agravando ainda mais a situação. Um profissional que tem sensibilidade exacerbada, que tem bondade e senso de justiça pode se deixar levar por esses acontecimentos. A falta de experiência também pode ter esse papel. As emoções dos mediadores não devem fazer parte do processo, muito menos agravar a situação. Paciência Há sessões que são longas e estressantes, em que as partes se quei- xam, apontam e tem comportamentos inadequados. Mesmo assim, o mediador deve manter uma postura firme, insistir em voltar aos proce- dimentos e ao diálogo produtivo, comportando-se à altura da missão, por mais preconceituosos, ilógicos, impulsivos, intolerantes e agressivos que os mediandos lhe pareçam. Autoconfiança Um mediador autoconfiante traz inúmeros benefícios à sessão de me- diação porque tem presença, ou seja, desperta a confiança no media- do. Observe algumas características de uma sessão com um mediador confiante: incentiva a participação e se mantém aberto ao diálogo, e não se refugia em termos técnicos; mantém o olhar firme, a fala pausada e direta; não apresenta comportamentos de fuga, ou linguagem corpo- ral acuada/submissa; demonstra equilíbrio e ponderação; tem ousadia, mas não é impulsivo;exerce a sensibilidade de maneira consciente. FONTE: Adaptado de Fiorelli (2011) O mediador que apresenta essas características se mostra seguro diante de uma situação de negociação. Quando erra, sabe que reconhecer os seus erros não vai fazer dele um profissional ruim, pois apresenta segurança em si mesmo e, por isso, não teme em rever seus conceitos e metodologias. Esse apanhado de informações deve ser aprendido em curso de formação básica para mediadores, a fim de que tenham uma me- diação mais assertiva e comprometida com um resultado satisfatório. Além disso, textos e cursos específicos para o desenvolvimento de competências em comunicação interpessoal, criatividade, liderança situacional e condução de negociações podem ser de grande valia para o mediador. 90 Princípios e Técnicas de Negociação O indivíduo que almeja crescimento deve ter um comportamento digno no ambiente de trabalho, devendo confiar em seu potencial e capacidade, sempre com atitudes positivas, sem intenção de gerar conflitos. FIGURA 11 – MEDIADOR DE CONFLITOS FONTE: <https://bit.ly/3PyLld7>. Acesso em: 23 nov. 2021. Entretanto, é importante que você saiba que as empresas e os gestores pre- cisam estar atentos aos acontecimentos, notando que cada profissional tem uma função, como as do corpo humano, em que tudo está interligado, e o mau funcio- namento de um órgão prejudica os demais. Portanto, a melhor forma de adminis- trar conflitos é comunicar, expressar pensamentos, sentimentos e expectativas. Ou, como se diz corriqueiramente, trocar feedback, que também é um processo de negociação entre as partes envolvidas para fins de melhorias profissionais (VI- ZIOLI; CALEGARI, 2010). É comum nos ambientes das mais diversas organizações ocorrerem situ- ações de conflito ocasionadas por interesses, medos, ciúmes e outros motivos. Assim, uma das habilidades do líder deve ser identificar essas situações, obser- vando comportamentos em reuniões e comentários de outras lideranças interme- diárias para, então, tratar delas por meio de negociações salutares e prósperas às pessoas envolvidas e aos negócios (MOREIRA, 2017). Precisamos lembrar de que isso também pode ser entendido nas relações entre empresas, no comércio, na prestação de serviços, seja no âmbito da ne- gociação que for, pois remete a refletir sobre as boas práticas de relações que estabelecemos com os envolvidos e que podemos garantir negociações futuras. E, claro, o feedback após o processo de venda de um determinado produto ou consumo de um serviço é de extrema relevância para aprimoramento do trabalho (ROBBINS; JUDGE; SOBRAL, 2010). A título de exemplo, as pesquisas de satis- 91 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 fação com os clientes são um ótimo exemplo de feedback, quando conseguimos aplicar as pesquisas, analisar e desenvolver as melhorias apontadas e que são pertinentes ao negócio. Assim, isso também poderá potencializar negociações mais eficazes no cenário futuro. Os líderes que melhor sabem gerenciar os conflitos são os que deixam to- dos manifestarem suas ideias e viabilizam o entendimento sobre as diferentes perspectivas encontradas em uma equipe. Como líderes, devemos saber chegar a uma decisão que todos achem razoável e, para isso, devemos descobrir quais são as necessidades do grupo (CHIAVENATO, 2015). Uma vez que conseguimos identificar essas necessidades, será possível resolver o conflito com mais facilida- de. Lembre-se de que os líderes que sabem administrar conflitos produzem uma atmosfera de solidariedade amistosa, conseguindo respeito e admiração nas suas práticas de negociação e processos decisórios. Outro fator importante é o comprometimento, que tem um forte impacto na li- derança, influenciando fatores que ajudam a impulsionar a equipe, principalmente na realização de metas e objetivos da organização. O comprometimento é bastante complexo, pois, segundo Robbins, Judge e Sobral (2010), está ligado a tarefas desa- fiadoras, oportunidades de aprendizado ou de promoção, além do reconhecimento. 1) A gestão de conflitos e seus processos de negociação pode ser vista como uma ação estratégica, no sentido de que a empresa e as equipes possam se valer do conflito para a busca de soluções ao negócio. Assim, uma das ações que podem favorecer essa prática é: a) ( ) A liderança negar sua relação no processo de chegar a uma decisão na qual todos achem razoável, deixando apenas a equi- pe buscar a solução. b) ( ) Os líderes não administrarem os conflitos e, assim, produzir uma atmosfera de competitividade entre os profissionais. c) ( ) Os líderes deixarem todas as pessoas envolvidas manifesta- rem suas ideias e fazer com que consigam entender as diferentes perspectivas encontradas para a solução do conflito. d) ( ) A liderança ficar de fora da discussão e chamar um psicólogo da empresa para ajudar a mediar o conflito gerado. e) ( ) Não trabalhar com a motivação, pois esta não tem um forte impacto nos fatores que ajudam a impulsionar a equipe envolvida no conflito. 92 Princípios e Técnicas de Negociação 5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Ao final deste capítulo, você teve a possibilidade de analisar como os confli- tos emergem em diferentes contextos, sendo que cada conflito pode estar vincu- lado a alguma causa ou várias causas, dependendo das relações estabelecidas entre as partes. Vimos que a negociação tem um papel importante na resolução dos conflitos, com ética e imparcialidade, ainda mais nas empresas. Você estudou os tipos de conflitos, suas causas e implicações, de acordo com cada realidade. Além disso, foi possível conhecer mais sobre como a nego- ciação por parte dos líderes de equipes é de extrema importância para reduzir ou minimizar os conflitos, por meio de processos de tomada de decisão. E você também estudou o poder, observando que ele está na interação entre as pessoas. Nas negociações, o poder é transitório, passando de uma parte à ou- tra, dependendo da estratégia e o que está sendo negociado para a resolução do conflito. Também foi visto que o poder nem sempre está de posse de uma parte, mas sim, ele é substancial e condicional, ou seja, vai depender de quem está na negociação e qual o objeto do conflito. Por fim, estudamos que a comunicação não violenta pode favorecer as prá- ticas de negociação, tendo a observação prévia como fator primário ao processo. A empatia e as atitudes de comunicação não violenta podem ser favoráveis à ges- tão de conflitos, tendo como elemento algumas características importantes aos mediadores que irão conduzir os processos de negociação dos conflitos. Bons estudos! REFERÊNCIAS ANDRADE, R. O. B.; ALYRIO, R. D.; MACEDO, M. A. S. Princípios de negociação: ferramentas e gestão. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2010. BERG, E. A. Administração de Conflitos: abordagens práticas para o dia a dia. 1. ed. Curitiba: Juruá, 2012. BOENTE, R. M. P.; ZOUAIN, D. M. A importância da administração de conflitos: uma abordagem teórica e epistemológica. Revista Edu. Tec., v. 1, n. 1, 2016. Disponível em: http://faeterj-caxias.net/revista/index.php/edutec/article/ viewFile/280/285. Acesso em: 6 nov. 2021. 93 Conflitos Nas OrganizaçõesConflitos Nas Organizações Capítulo 2 BURBRIDGE, R. M.; BURBRIDGE, A. Gestão de conflitos: desafios do mundo corporativo. São Paulo: Saraiva, 2012. CARVALHAL, E. et al. Negociação e administração de conflitos. 3. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2013. CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 4. ed. São Paulo: Manole, 2015. DUTRA, J. S.; DUTRA, T. A.; DUTRA, G. A. Gestão de Pessoas. São Paulo: Atlas, 2017. ERVILHA, A. J. L. Liderando equipes para otimizar resultados. 3. ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Nobel, 2008. FERREIRA, G. Negociação como usar a inteligência e a racionalidade. 2. ed. São Paulo: Atlas S.A, 2013. FIORELLI, J. O. Mediação e solução de conflitos: teoria eprática. São Paulo: Atlas, 2011. FOUCAULT, M. A microfísica do poder. 21. ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 2005. FOUCAULT, M. Em defesa da sociedade: curso no Collège de France. São Paulo: Martins Fontes, 2002. GABBAY, D. M.; MANGE, F. F. Negociação. In: SILVEIRA, J. J. C. da. (Org.). 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Conflito e negociação nas empresas. São Paulo: Intersaberes, 2008. 96 Princípios e Técnicas de Negociação CAPÍTULO 3 Planejamento da Negociação e Ética A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: � estudar o ambiente da negociação e suas variáveis básicas; � compreender as fases do planejamento da negociação e suas particularidades; � conduzir práticas de negociação de forma ética e nos processos decisórios; � desenvolver o planejamento da negociação de forma crítica, comprometida e ética. 98 Princípios e Técnicas de Negociação 99 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 1 CONTEXTUALIZAÇÃO A negociação requer conhecimento, habilidade e atitude, ou seja, competên- cias construídas com base nos processos decisórios realizados. Contribuindo, as variáveis básicas da negociação são de suma importância para as negociações, as quais são o tempo, a informação e poder. Cada uma das variáveis permite aos negociadores o desenvolvimento e apli- cação de estratégias que levem a desfechos mais interessantes e adequados aos objetivos organizacionais. Contudo, é importante que o planejamento prévio ocor- ra com base em informações sobre o objeto, a negociação ou o conflito existente. Os métodos de negociação e de tomada de decisão contribuem para que os negociadores, gestores e nós, pessoas físicas, possamos planejar como vamos conduzir as negociações de acordo com cada contexto. Os métodos são basilares e permitem a visualização de cenários e possibilidades estratégicas para a condu- ção do processo de negociação. E, para que a negociação seja realizada com respeito e valorização das par- tes envolvidas, a ética é fundamental em todo o processo de negociação e de tomada de decisão, evitando situações de dilema ético aos envolvidos. Obter van- tagens sobre a outra pessoa de forma que prejudique a sua situação, é uma con- duta antiética, por exemplo. Assim, você já pode ir pensando como planejar suas negociações de forma ética e bons estudos! 2 VARIÁVEIS BÁSICAS DA NEGOCIAÇÃO Quando você pensa em negociação, logo, você lembra de que? Acordos, propostas, objetivos, compra, venda, conflito e relações entre as partes envol- vidas na negociação, correto? Ótimo, você está no caminho certo nos estudos sobre a negociação. Agora, vamos tratar de algumas questões que são pertinentes a qualquer ambiente de negociação: as variáveis básicas da negociação. Elas permitem que o negociador possa desenvolver e planejar as estratégias que podem ser utiliza- das na negociação, antes mesmo dela começar. As variáveis básicas são: tem- po, informação e poder. É importante também saber utilizar adequadamente cada 100 Princípios e Técnicas de Negociação uma delas, já que podem levar você ao alcance de seus objetivos de forma bem- -sucedida. Nesse sentido, para se ter uma negociação efetiva é importante obter ao menos duas das três variáveis básicas, além de saber utilizá-las de forma cor- reta (LEWICKI; SAUNDERS; BARRY, 2014). FIGURA 1 – VARIÁVEIS BÁSICAS DA NEGOCIAÇÃO FONTE: Adaptada de Lewicki, Saunders e Barry (2014) A figura apresenta a relação existente entre as variáveis tempo, informação e poder, as quais mobilizam interfaces e nuances tênues que precisam ser obser- vadas e interpretadas para que os negociadores possam efetivar a negociação. Lembrando que as variáveis têm suas origens nas partes envolvidas (negocia- dores) e que projetam forças que influenciam a negociação. Gostou do assunto e quer saber mais? Que bom, pois vamos aprofundar cada uma das variáveis, iniciando pelo tempo. 2.1 TEMPO O tempo foi – e ainda é – material de estudo de grandes filósofos por longos anos e realmente é uma questão difícil de responder: afinal, o que é o tempo? 101 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 Santo Agostinho disse: “o que é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer à pergunta, já não o sei” (CONFISSÕES – AGOSTINHO, LIVRO XI). Assim, para que você comece a en- tender, o tempo pode ser explicado de acordo com o seu contexto, se é um tempo físico ou experimentado, ou seja, de acordo com a percepção de cada indivíduo (ELIAS, 1998). A busca pela definição do tempo iniciou na Antiguidade, onde o ser humano orientava-se pelas ações da natureza, como o nascer e o pôr do sol, as marés. Por volta de 2700 a.C., foi criado o calendário, provavelmente pelos Sumérios, e a partir de então, as pessoas possuem uma forma de orientação. Mas, filósofos e físicosseguiram buscando outras concepções para conceituar o tempo (ELIAS, 1998). Para Elias (1998, p. 15), “o tempo é algo que se desenvolveu em relação a determinadas intenções e a tarefas específicas dos homens, nos dias atuais, o tempo é um instrumento de orientação indispensável para realizarmos uma multi- plicidade de tarefas variadas”, que traz uma orientação filosófica sobre esse meio de orientação que é individual: cada pessoa o realiza de uma forma diferente. E aqui, nós começamos a nos aproximar da negociação, foco dos nossos estudos. Wollenhaupt (2005, p. 21) orienta que “embora o tempo, não renovável e pe- recível, é o único recurso democraticamente distribuído”. Complementando, Dru- cker (1997, p. 25) enfatiza que “o suprimento de tempo é absolutamente inelás- tico. Seja qual for a quantidade da demanda, o suprimento não crescerá [...] o tempo de ontem está perdido para sempre e não voltará jamais”. Portanto, cabe a nós sabermos utilizá-lo nos processos de negociação, já que o tempo cronológico de um relógio é idêntico para todos, mas cada pessoa sabe a preciosidade de tempo que cada atividade de uma negociação requer para ser realizada na busca pela tomada de decisão mais eficiente. Para que você saiba mais sobre o conceito do tempo, sua com- preensão e particularidades filosóficas e sociológicas, indicamos uma resenha que vai possibilitar ampliar os seus estudos. Acesse https://unibh.emnuvens.com.br/dchla/article/view/2794 e boa leitura! É comum ouvir as pessoas dizerem que se houvesse a possibilidade, elas voltariam no tempo para mudar alguma coisa ou fazer algo que não foi feito, não https://unibh.emnuvens.com.br/dchla/article/view/2794 102 Princípios e Técnicas de Negociação é mesmo? Mas, para Bernhoeft (2009, p. 15), “o passado é morto e inutilizado e olhar para trás – a si mesmo ou à História – é uma perda de tempo”. Mas esse de- sejo mundial é resultante da falta de organização do tempo individual, e segundo Wollenhaupt (2005, p. 33), “outro aspecto pelo qual muita gente tem dificuldade em aplicar as técnicas do bom gerenciamento do tempo é que elas são contrárias a seus padrões de hábitos pessoais”, se o profissional não gerencia seu próprio tempo também não irá ter controle no gerenciamento de outras tarefas (DRU- CKER, 1997). Aqui, novamente podemos relacionar com a questão da negocia- ção, em que o tempo no desenvolvimento de um processo de explicação e con- vencimento requer tempo, mas com habilidade e estratégia para otimizar o tempo. Você já deve ter ouvido falar de outra famosa expressão: tempo é dinheiro. Ela traduz a relação que existe entre o homem e o trabalho, em que o mesmo acaba por trabalhar mais tempo a fim de receber uma remuneração maior. Com isso, po- demos entender que grande parte do tempo é dedicada à vida profissional e uma mínima parte para a vida pessoal. Segundo Thompson (1991, p. 358), “o tempo começa a ser relacionado a dinheiro”, e aqui, cabe o correlacionar com as nego- ciações no contexto das organizações, as quais envolvem recursos financeiros que devem ser administrados da melhor forma possível, evitando perdas inesperadas. FIGURA 2 – O CONTROLE DO TEMPO NAS EMPRESAS FONTE: <http://blog.fasb.com.br/wp-content/uploads/2019/11/cro- nometragem2menor.jpg>. Acesso em: 17 dez. 2021. 103 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 Nos estudos da administração científica, Taylor também pensava que o tem- po das pessoas deveria ser utilizado para o trabalho (CHIAVENATO, 2014), pois, segundo ele, a motivação do empregado era a sua remuneração (fruto do seu trabalho nas empresas), pois se o salário fosse mais alto, maior seria sua dedica- ção e, consequentemente, o empregador teria custos mais baixos na produção. Surgia, então, o método de gerir o tempo e aperfeiçoou o sistema capitalista da época, conhecido como Organização Racional do Trabalho – ORT. O estudo de Tempos e Movimentos verificou todos os movimentos necessá- rios, eliminou os inúteis da linha de produção e cronometrou o tempo que era pre- ciso para realizar cada atividade. Assim, elevou a eficiência dos empregados, jun- tamente com a identificação da atividade geradora da fadiga; dividiu o trabalho e especializou os operários; desenho de cargos e tarefas; criou incentivos salariais e prêmios de produção; conceito de “Homo Economicus”; condições de trabalho; padronização; e a supervisão funcional. Entretanto, essa teoria de Taylor recebeu muitas críticas e com o passar dos anos novos pensadores foram modificando-a e transformando-a, adequando os conceitos da administração e as relações de trabalho (CHIAVENATO, 2014). A administração do tempo, por muitos anos, definiu as atividades em dois critérios: atividades urgentes – algo que deve ser feito com rapidez e atenção – e atividades importantes – algo que produz resultado e possui prazo, mas não exige pressa. Com o avançar das pesquisas, na Matriz do Tempo proposta por Stephen Covey, existe quatro quadrantes que eram divididos em: urgente e importante; não urgente e importante; urgente e não importante, e não urgente e não impor- tante. Porém, era frequente a dúvida dos usuários, sobre qual quadrante deveria ser ocupado por cada atividade, a partir disso surgiu a Tríade do Tempo, proposta por Barbosa (2012, p. 37), o qual explica o seguinte: “proponho a divisão das ativi- dades em três critérios: importante, urgente e circunstancial”. Esses critérios são separados em forma de esferas, em que as atividades são distribuídas de acordo com seu grau de necessidade: a esfera da importân- cia refere-se a todas as atividades que você faz e que são significativas em sua vida – trazem resultado a curto, médio ou longo prazo; a esfera da urgência reúne todas as atividades para as quais o tempo é curto ou se esgotou atividades sem previsão e que geram estresse; e a esfera das circunstâncias, que trata das ati- vidades desnecessárias, inúteis, ou seja, não traz resultados (BARBOSA, 2012). 104 Princípios e Técnicas de Negociação FIGURA 3 – MATRIZ DO TEMPO FONTE: <https://eduardoquiza.files.wordpress.com/2018/07/ img_5742.jpg>. Acesso em: 17 dez. 2021. É notório que falta clareza em ordenar as atividades, em priorizá-las, distri- buí-las, já que o tempo é o mesmo, possui sessenta segundos, sessenta minutos e vinte e quatro horas. O importante é saber usá-lo, o gerenciamento deve partir da própria pessoa para depois gerenciar o tempo. Tendo como base essa orientação sobre o tempo, cabe aqui a nossa com- preensão de como o tempo contribui na negociação. Segundo Santos (2009), o tempo pode ser saudável quando: • Não se tem clareza ou entendimento sobre o objeto da negociação (quando se pede um tempo para pensar, elaborar uma proposta ou até mesmo pesquisar mais sobre ao assunto). • A negociação exige uma tomada rápida de decisão (quando o cliente quer um desconto sobre um produto e você precisa logo dar uma respos- ta para não perder a venda). • Coleta de mais evidências sobre um determinado conflito (quando há al- gum conflito entre colegas de trabalho e não se tem conhecimento da causa ou das provas para uma tomada de decisão). 105 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 EXEMPLO: Usualmente, o cliente, para efetivar uma compra de um notebook, por exemplo, ele busca informações dos modelos dispo- níveis, preços, prazos de entrega, frete, bem como busca informações com vendedores das lojas ou até mesmo de amigos. O tempo está presente nesse processo no sentido de avaliar qual a melhor loja para a aquisição do equipamento e que atinja as necessidades do cliente. Você pode compreender o desenvolvimento de estratégias e de comportamen- tos importantes dos negociadores em relação à variável tempo. Observe o quadro a seguir, que apresenta algumas táticas e suas ações a serem executadas. QUADRO 1 – NEGOCIAÇÃO E TOMADA DE DECISÃO TáticaAção Ampliar o tempo Prolongar a negociação para vencer no cansaço. Usar o elemento surpresa Posse de uma informação privilegiada. Ter paciência Não ter pressa para a tomada de decisão e, se possível, começar a negociação com antecedência. Tempo para pensar ou abstinência Interromper a negociação com alguma desculpa ou com- promisso a ser executado. Data limite Uso de um prazo determinado para pressionar a tomada de decisão. Precipitar o desfecho É pegar ou largar. FONTE: Adaptado de Lewicki, Saunders e Barry (2014) Você pode observar no quadro que o tempo pode ser conduzido estrategica- mente, acelerando ou retardando as ações e reações durante o processo, afetan- do emoções, expectativas e até mesmo a conquista dos interesses e da satisfa- ção como um todo. Com isso, a variável tempo é de suma relevância na negociação, bem como a informação, que você estudará a seguir. 106 Princípios e Técnicas de Negociação 2.2 INFORMAÇÃO Nas práticas de negociação executadas em qualquer contexto, a informação é uma variável básica de extrema importância. Faz-se pertinente entender que se possa estabelecer argumentos, críticas e soluções que estejam na pauta de uma negociação, a informação sobre o assunto em pauta é primordial. A ausência de informações barra a negociação, pois não há como prosseguir para uma tomada de decisão (URY, 2013). Por exemplo, se você quer comprar um pacote turístico, você precisa de informações sobre o destino, o hotel, o valor, entre outros ele- mentos. E, o operador turístico ter dados sobre as suas necessidades, condições financeiras, bem como os destinos que você quer ir, não é mesmo? Assim, a informação pode ser estimada como o ponto-chave de todo o pro- cesso de negociação e está intimamente conectada com as demandas, carências, fragilidades, potencialidades e necessidades e da outra parte envolvida na nego- ciação (LEWICKI; SAUNDERS; BARRY, 2014). Portanto, quanto maior a quanti- dade e qualidade de dados relativos à negociação e as informações que podem ser acessadas antes do processo negocial, melhor será o resultado. O conjunto de dados e informações podem sustentar os argumentos, defesas e comprova- ções que podem ser úteis à negociação. Quando usamos a informação na etapa de planejamento de uma negociação, é interessante fazer algumas perguntas para a ela- boração das estratégias de negociação: O que é importante para a outra parte? Quais são seus reais interesses? As informações que tenho vão me auxiliar na montagem da es- tratégia? Agora, para que você possa ter mais clareza sobre o uso desta variável, po- demos utilizar dados relativos ao objeto da negociação, bem como informações sobre a outra parte envolvida (YU, 2011). Por exemplo, na fase de abertura da negociação, a exploração das informações serve para verificar se os dados já pre- 107 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 viamente obtidos estão corretos, bem como para perguntar sobre algo que ficou faltando. Já na fase de apresentação, utilizamos as informações para chegar ao objetivo almejado de forma estratégica. Existem algumas táticas ligadas à variável informação. Ficou interessado? Pois bem, alguns exemplos podem ser visualiza- dos no quadro a seguir. QUADRO 2 – TÁTICAS DA VARIÁVEL INFORMAÇÃO EM UMA NEGOCIAÇÃO Tática Ação Blefe Revelar uma informação que a outra parte pensa ser verdadeira quando na realidade o objetivo é outro. O blefe distorce o fluxo das informações. Mistério No lugar de revelar tudo o que quer, faça-o aos poucos. Surpresa Acesso a alguma informação privilegiada. FONTE: Adaptado de Ury (2013) A informação serve de base para a negociação, pois permite uma análise mais detalhada dos riscos e das alternativas viáveis para fechamento de um acor- do. Assim, deve-se tomar cuidado, pois a melhor forma de administrar o fluxo de informações, a respeito de interesses, é percebendo que ele é um processo es- tratégico e conduzindo-o calmamente. Se você não entender o outro quanto aos seus interesses, expectativas e necessidades, não terá elementos para negociar, tampouco para a tomada de decisão (GARBELINI, 2016). FIGURA 4 – INFORMAÇÃO NA NEGOCIAÇÃO FONTE: <https://blog.gs1br.org/wp-content/uploads/2016/10/9-tecnicas-de-nego- ciacao-infaliveis-para-utilizar-em-sua-empresa.jpeg>. Acesso em: 17 dez. 2021. 108 Princípios e Técnicas de Negociação Para Ury (2013), a qualidade da informação é que pode tornar o processo decisório mais adequado e assertivo. Assim, estudar o tema a fundo e experi- mentar seu conhecimento sobre o objeto da negociação é fundamental. Quanto melhor informado o negociador estiver sobre tudo que afeta o processo, maiores são suas chances de fazer um bom negócio. A informação é uma peça variável chave em toda e qualquer ne- gociação. Assim, para que você possa expandir mais o seu conheci- mento sobre essa variável, indicamos que você assista a um vídeo dis- ponível neste link: https://www.youtube.com/watch?v=4VGY3giqOWk. Resumindo, você, como negociador, pode obter informações por diversas fontes antes do processo da negociação. As fontes podem ser por meio de con- sultas na internet, contatos de pessoas, pesquisas já realizadas, banco de dados etc. Além disso, você deve estar preparado com essas informações, pois a outra parte também pode ter feito suas pesquisas e ter em sua posse dados importan- tes que podem ser usados na negociação. Portanto, não basta ter informações, mas sim, planejar como você irá usá-las para que possa obter maiores vantagens sobre a outra parte e possibilitar uma melhor tomada de decisão que atinja os objetivos traçados. Dicas são sempre muito bem-vindas, não é mesmo? Assim, nesta notícia da Exame, você poderá ter acesso a algumas dicas que podem ser utilizadas na negociação, bem como se valer das infor- mações sobre o contexto da negociação. Acesse: https://exame.com/ marketing/dicas-nunca-falhar-negociacoes-pai-persuasao/. Diante do exposto, a seguir, você estudará o poder, como sendo a terceira variável básica na negociação. https://www.youtube.com/watch?v=4VGY3giqOWk https://exame.com/marketing/dicas-nunca-falhar-negociacoes-pai-persuasao/ https://exame.com/marketing/dicas-nunca-falhar-negociacoes-pai-persuasao/ 109 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 2.3 O PODER Esta terceira variável da negociação reflete um sistema de forças complexo que se estabelece antes, durante e depois do processo negocial. Dessa maneira, Goldstein (2015) orienta que o poder (enquanto substantivo), legitima uma das partes envolvidas na negociação que se sobressaia em relação à outra, e que, com base em informações ou no tempo, pode repassar o poder para a outra par- te envolvida na negociação. Por isso, o poder é transitório e vai depender das relações estabelecidas entre as partes. A Figura 5 expressa a transitoriedade do poder na negociação. FIGURA 5 – O PODER NAS NEGOCIAÇÕES FONTE: <https://esbrasil.com.br/wp-content/uploads/2017/05/ne- gociacao_imoveis_2.jpg>. Acesso em: 17 dez. 2021. Vamos relembrar o conceito de poder. Para Foucault (1987), não mais é per- cebido como absoluto ou como capacidade de uma única pessoa sobre outra, mas um conjunto de dispositivos de controle sobre os indivíduos, buscando a sua sujeição. Sua estrutura interna comporta conceitos como: redes de poder, objeti- vação, mecanismos de dominação, disciplinarização, normalização e práticas de sujeição, não excluindo a violência nem o consenso, compreendidos como uma consequência do poder. A isso chamou de microfísica do poder, isto é, “relações de força que se entrecruzam, que remetem umas às outras, convergem ou, ao contrário, se opõem e tendem a se anular” (FOUCAULT, 1987, p. 71). Em outras palavras, não existe “o poder”, mas um poder em relação, que: [...] funciona e se exerce em rede. Nas suas malhas os indiví- duos não só circulam, mas estãosempre em posição de exer- cer este poder e de sofrer sua ação; nunca são o alvo inerte 110 Princípios e Técnicas de Negociação ou consentido do poder. São sempre centros de transmissão. Em outros termos, o poder não se aplica aos indivíduos, passa por eles [...]. Efetivamente, aquilo que faz com que um cor- po, gestos, discursos e desejos sejam identificados e constru- ídos enquanto indivíduos é um dos primeiros efeitos de poder (FOUCAULT, 2005, p. 183). Com base no poder, precisamos sempre ter atenção sobre as nossas ações em sociedade, na relação de uns com os outros, pois o poder estará sendo ava- liado, medido, testado e condicionado à moral, costumes e postos de autoridade. Portanto, nas relações e negociações entre as pessoas, sejam quais forem (entre irmãos, compra e venda, na igreja, na academia, na gestão pública, no transporte público, no trabalho etc.), sempre haverá o tensionamento do poder – para cons- trução de consenso, reflexão ou tomada de decisão. O poder é primordial nas relações sociais e nas negociações e contribui no desenvolvimento dos processos de tomada de decisão (FOUCAULT, 1987). Ao que pese a compreensão sobre o poder na administração de negócios, e aqui a negociação perpassa em diferentes áreas da empresa e suas relações in- ternas e externas, podemos referenciar que o poder também tem a ver com auto- ridade, e tanto poder quanto autoridade são meios de influenciar as pessoas. Em outras palavras, algumas pessoas usam o poder para influenciar outras pessoas, ou, ainda, para conseguirem aquilo que querem. De forma simples, podemos en- tender poder como a capacidade de controlar e influenciar pessoas, fatos ou re- cursos e conseguir aquilo que se quer, mesmo que haja obstáculos ou vontades contrárias (KWASNICKA, 2012; LACOMBE, 2009; CHIAVENATO, 2014). Você pode querer mais informações sobre o poder nas nego- ciações, não é mesmo? Ótimo, pois você pode estudar mais sobre o assunto com base em um artigo que discute as negociações e o uso do poder no serviço público. Interessante, não? Então, acesse o link e bons estudos: http://www.raunimep.com.br/ojs/index.php/rau/ article/view/1501. Deste modo, as negociações são permeadas pelas relações de poder entre as partes. O poder é o potencial de influência que uma parte pode exercer sobre a(s) outra(s) parte(s), sobre os eventos e sobre si mesma. O poder está muito relacionado com o grau de dependência que um lado tem em relação ao outro. http://www.raunimep.com.br/ojs/index.php/rau/article/view/1501 http://www.raunimep.com.br/ojs/index.php/rau/article/view/1501 111 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 Então, quanto maior a dependência de “B” em relação à “A”, maior o poder de “A” sobre “B” (GOLDSTEIN, 2015). Portanto, é necessário identificar previamente, a partir de sua percepção, qual é o poder existente entre as partes. Muitas vezes, as respostas a estas questões já podem ser encontradas na etapa de planejamento, pois, ao se preparar para negociação, com a coleta de in- formação, você poderá ter esse retorno. Existem algumas táticas que são ligadas à variável poder. Seguem alguns exemplos no quadro a seguir. QUADRO 3 – TÁTICAS DA VARIÁVEL PODER Tática Ação Consulta à autoridade superior Consultar quem você está representando. Intimidação Visa reduzir sua autoconfiança. Autoridade limitada Quando o limite do negociador é estabelecido pela estrutura organizacional. Chantagem Uso de subterfúgios para coagir a negociação. FONTE: Adaptado de Chiavenato (2014) Caso você seja o detentor do poder na negociação, não se descuide das infor- mações e dê a devida atenção aos sinais que a outra parte transmite. Fique atento, pois uma faceta positiva do poder na negociação está relacionada com a preocu- pação de ajudar na busca e formulação dos objetivos que são comuns, ou seja, exercer a influência em favor e não sobre os outros. Dessa forma, o retorno será para ambos e em prol de uma relação de respeito e confiança (GOLDSTEIN, 2015). O poder pode ser entendido por diferentes formas e práticas nas negociações. Contudo, sempre é bom pesquisar mais sobre o assun- to e estudar as possibilidades de interpretação do poder e como ele afeta a tomada de decisão. Assim, você pode saber mais por meio do site da HSM acessando este link: https://experience.hsm.com.br/ posts/poder-nas-negociacoes. Agora que estudamos as variáveis básicas da negociação, é importante que você já possa ir observando e praticando como o tempo, a informação e o poder exercem forças e influências sobre suas negociações, não é mesmo? Portanto, boas experimentações! https://experience.hsm.com.br/posts/poder-nas-negociacoes https://experience.hsm.com.br/posts/poder-nas-negociacoes 112 Princípios e Técnicas de Negociação 1) Conforme os estudos de Foucault, o poder não é algo palpável, que se possa usar, como se utiliza e manipula um objeto. O poder está nas ações, nas relações entre os indivíduos na sociedade, em grupo de pessoas, em um espaço público ou privado. PORQUE o que interessa ao poder é a forma como são conduzidas as rela- ções entre as pessoas, em processos de subordinação e controle. Analisando as afirmativas acima, com base nos estudos sobre o poder, conclui-se que: a) ( ) As duas afirmações são verdadeiras, e a segunda justifica a primeira. b) ( ) As duas afirmações são verdadeiras, e a segunda não justifi- ca a primeira. c) ( ) A primeira afirmação é verdadeira, e a segunda é falsa. d) ( ) A primeira afirmação é falsa, e a segunda é verdadeira. e) ( ) As duas afirmações são falsas. 3 PLANEJAMENTO DA NEGOCIAÇÃO No contexto da gestão e administração de empresas, sejam elas do seg- mento ou estrutura que tiverem, desenvolver estratégias de negociação possibilita que hajam melhores processos negociais, bem como tomadas de decisão que objetivem o alcance de resultados mais eficientes e condicentes aos objetivos or- ganizacionais. Temos uma realidade presente no ambiente empresarial que trouxe mudan- ças significativas na dinâmica estabelecida entre as organizações com seus clien- tes, colaboradores, fornecedores, acionistas e comunidade: o acesso facilitado à informação e a redução das distâncias, uma vez que a tecnologia e o processo de globalização derrubaram as fronteiras (MATOS, 2014). O mercado tornou-se volá- til, movediço e em constante mudança. Esta realidade traz mais fortemente para as relações empresariais a interdependência, ou seja, cada vez mais é necessário integrar conhecimentos e interesses, nos diferentes níveis hierárquicos para que se alcance os objetivos de negócio (THOMPSON, 1991). 113 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 Para conduzir uma boa negociação é preciso ter a capacidade de comuni- car-se de maneira eficaz (BERG, 2012). A comunicação eficaz deve ser uma co- municação assertiva, ou seja, objetiva e clara que gere entendimento e resposta, persuadindo a outra parte. Dentro das técnicas de negociação, fatores estratégicos como: habilidades pessoais, planejamento e organização, treinamento e disciplina, autodesenvol- vimento, visão, determinação, inovação, alianças, flexibilidade e adaptabilidade, são alguns exemplos de desenvolvimento (SANTOS, 2009). Exige, ainda, que se esteja acima de tudo, preparado. A preparação permite que se negocie com mais confiança e naturalidade. É preciso buscar entender o real interesse da negociação. A posição da outra parte é sempre clara e muitas vezes facilmente perceptível, enquanto as motivações estão normalmente ocultas (BRITO, 2011). É justamente nesse real interesse que se deve concentrar. FIGURA 6 – PLANEJAMENTO DA NEGOCIAÇÃO FONTE: <https://proativosconsultoriarh.files.wordpress.com/2012/05/prepara- c3a7c3a3o-e-planejamento2.jpg?w=300&h=199>. Acesso em: 20 dez. 2021. Ter um roteiro é um passo importante na organização das ideias, paradefinir como se pretende desenvolver a negociação, facilitando a fluência e a concisão das informações, evitando falar desnecessariamente. Para o bom negociador, a negociação começa muito antes de se “sentar à mesa”. É necessário planejamen- to, identificação de objetivos e muito estudo a respeito dos fatores envolvidos na negociação (BRITO, 2011), tais como: 114 Princípios e Técnicas de Negociação • Com quem negociar. • Detalhes do que será negociado. • Qual a melhor opção caso não haja acordo. • Qual o preço de reserva para um acordo (ex.: preço máximo no caso de uma compra e preço mínimo no caso de uma venda). Assim, para que a negociação possa atender à resolução de um conflito es- tabelecido, saber gerenciar os conflitos de uma empresa por meio de técnicas e planejamento da negociação, pode trazer grandes vantagens, inclusive, a trans- formação de um problema em uma grande oportunidade de crescimento, evitando que se torne mais complexo e maior com o passar do tempo (URY, 2013). Você quer saber mais sobre o planejamento da negociação e se desenvolver para obter melhores resultados na sua carreira? Muito bem, sempre é bom estudar mais sobre o assunto em fontes confiá- veis, como este artigo científico disponível em: http://revista.unicuritiba. edu.br/index.php/admrevista/article/view/4306, que vai lhe apresentar teorias e práticas sobre o planejamento da negociação. Bons estudos! É preciso entender que todo conflito deve ser encarado como um sensor de que alguma relação estabelecida precisa de um conserto ou de uma solução. Nesse sentido, a gestão dessa área gera novos desafios e acaba estimulando grupos e pessoas a trabalharem em conjunto através de algumas técnicas e es- tratégias de gestão (FERREIRA, 2013). 1) Colaborar para resolver os problemas Colaborar é a técnica de gerenciamento de conflitos mais produtiva. Quando os membros da equipe confiam uns nos outros e sabem que precisam trabalhar juntos para alcançar um objetivo comum, automaticamente os conflitos são resol- vidos de forma rápida (GARBELINI, 2016). O gestor precisa entender junto com o time qual a causa do problema e quais os pontos de vista dos membros da equipe em relação a ele. Apresentar uma solução inovadora e obter consenso entre to- dos é a chave para essa técnica de resolução de conflitos. Dessa forma, o engaja- mento entre colaboradores não será prejudicado. http://revista.unicuritiba.edu.br/index.php/admrevista/article/view/4306 http://revista.unicuritiba.edu.br/index.php/admrevista/article/view/4306 115 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 Como a resolução de problemas requer a consideração de múltiplos pontos de vista, Matos (2014) orienta que essa técnica leva um bom tempo e muito esfor- ço em comparação com as outras. 2) Suavizar a situação Suavizar a situação deve ser empregado quando os argumentos surgem en- tre as partes e você minimiza o problema, buscando pontos comuns. Isso não significa negar as diferenças, que devem ser discutidas com cuidados, mas sem antagonismo extremo. A ideia é fazer com que cada um dos envolvidos dê um passo atrás, esfrie a cabeça e aproveite para pensar sobre o que está acontecen- do. A suavização é um trabalho temporário e não resolve o problema real. Mas ele é extremamente importante como uma das técnicas de gestão de conflitos. Com ele, você consegue melhorar o ambiente e fazer a solução surgir de forma mais natural e mais harmônica. 3) Atuar como um mediador Ser um mediador é uma das técnicas de gestão de conflitos que vai ajudar todas as partes a concordarem com um caminho escolhido. Para assumir essa posição na prática, o mediador deve considerar alguns pontos importantes, como: • Escutar separadamente ambos os lados antes de tomar uma atitude. • Identificar se há interesses externos por trás das posições de cada lado. • Procurar sempre por alternativas ganha-ganha. • Manter ambas as partes focadas e respeitosas. • Impedir que qualquer parte sinta que está perdendo voz na empresa. • Ter sempre por escrito os acordos que são feitos. 4) Deixar claro que estão em um ambiente profissional Um dos grandes motores para gerar mais e mais conflitos dentro das empre- sas está no fato de que algumas pessoas assumem uma divergência como algo pessoal. A partir daí, a resolução deixa de ser o foco. Assim, a própria discussão para encontrar o lado certo ou errado é que predomina, na maioria das vezes. 3.1 FASES E ETAPAS DA NEGOCIAÇÃO Em se tratando de planejamento da negociação, você pode pensar que para comprar uma calça nova pode ser que não haja essa necessidade. Mas, quando 116 Princípios e Técnicas de Negociação negociamos a produção de várias peças de calças, um lojista comprador, certamen- te, deve ser planejada a negociação a partir de alguns critérios, objetivos e cuidados com o ambiente da negociação e suas variáveis (tempo, informação e poder). Segundo Robbins e Judge (2014), podemos estruturar as etapas do proces- so de negociação em: • Preparação e planejamento: devem ser coletadas todas as informações para a condução de um processo de negociação eficaz, considerando to- das as partes envolvidas: natureza do conflito, histórico de negociações anteriores, pessoas envolvidas, expectativas de cada parte (objetivo e BATNA). • Definição de regras básicas: acordo de como será o processo de ne- gociação, prazos, limites, escopo, questões não abertas à negociação, regras a serem adotadas para solução de conflitos (se houver). • Esclarecimento e justificativa: cada parte explica sua posição e procu- ra compreender a posição da outra parte. • Barganha e solução de problemas: momento em que as partes fazem concessões mútuas e chegam a um acordo. • Encerramento e implantação: formalização do acordo e acompanha- mento de sua implementação. FIGURA 7 – ETAPAS DA NEGOCIAÇÃO FONTE: Adaptada de Robbins e Judge (2014) Cumprida as etapas da negociação, com os recursos necessários ao seu de- senvolvimento (financeiros, tempo, pessoal, materiais, contratos etc.), a negocia- ção pode não se encerrar com a tomada de decisão. Sim, pode haver continuidade como no caso das práticas de gestão de vendas, em que o processo de pós-venda é de extrema importância para a fidelização do cliente. Além disso, é nesse momen- to que se pode avaliar os resultados da negociação, a satisfação do cliente, a valori- zação do produto adquirido, entre outros fatores (CHIAVENATO, 2014). Agora, só seguir os passos acima não o faz seguro para uma negociação, mas lhe permite ter mais clareza sobre o que pode acontecer e como a negocia- ção pode ser desenrolada. Para tanto, a Figura 8 apresenta o processo de nego- ciação dividido por etapas, que permite uma adequada interpretação de como o conflito, a negociação e a tomada de decisão estão intimamente relacionados. 117 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 FIGURA 8 – ETAPAS DO PROCESSO DE NEGOCIAÇÃO FONTE: Adaptada de Robbins e Judge (2014) Robbins e Judge (2014) esclarecem que há duas visões que, em geral, te- mos para a noção de conflito: a tradicional e a interacionista. Na visão tradicional, todo conflito é ruim e deve ser evitado. O conflito é entendido como uma falha de gestão nos processos de grupo, decorrente de falhas de comunicação, falta de transparência ou de confiança ou falta de habilidade dos líderes na condução das equipes ou ainda na administração de expectativas e aspirações de seus lidera- dos ou dos públicos com os quais interage. Em uma visão interacionista de conflito, alguns deles podem ser bons, pois podem levar à autocrítica, ao aprendizado e, por fim, à melhoria do desempenho ou à capacidade de atendimento aos objetivos de um grupo. Esse conflito preci- sa ser conduzido de forma construtiva ou funcional, pois conflitos disfuncionais podem levar ao rompimento de um grupo ou à incapacidade de consecuçãode um objetivo. Daí a importância do desenvolvimento de técnicas e habilidades de negociação, de forma a tornar os conflitos funcionais (LACOMBE, 2009). Sempre bom pesquisar alguns artigos e publicações que possam nos ajudar a entender melhor os conceitos aqui tratados, não é mesmo? Assim, indicamos um artigo que está disponível em: https://www.murillo- dias.com/publicacoes/artigos/1628343901.pdf para que tenha uma me- lhor compreensão sobre o processo da negociação. Boa leitura! Muito bem, já que você estudou as etapas do processo de negociação, va- mos saber mais sobre os objetivos e estratégias mais utilizadas e como os ne- gociadores precisam desenvolver suas competências para que as negociações sejam realizadas com mais eficiência. Estágio I Oposição potencial ou incompatibilidade Estágio II Cognição e personalização Estágio III Intenções Estágio IV Comportamento Estágio V Consequências Condições antecedentes: • Comunicação • Estrutura • Variáveis pessoais Interações para a admi- nistração dos conflitos: • Competição • Colaboração • Compromisso • Não-enfrentamento • Acomodação • Concessão Conflito aberto • Comportamento das partes • Reação dos autores Conflito percebido Melhoria do desempenho do grupo Piora do desempenho do grupo Conflito sentido https://www.murillodias.com/publicacoes/artigos/1628343901.pdf https://www.murillodias.com/publicacoes/artigos/1628343901.pdf 118 Princípios e Técnicas de Negociação 3.2 OBJETIVOS E ESTRATÉGIAS DA NEGOCIAÇÃO Os gestores, além de gerenciar equipes e dar direcionamento para o alcance dos resultados e atingimento de metas em suas negociações, precisam lidar com os desafios da gestão de conflitos que demanda de estratégias para possíveis soluções. O mercado de trabalho busca profissionais que consigam lidar com con- flitos, por isso compreender e saber lidar com eles é fundamental para o sucesso pessoal, profissional e das negociações em organizações de diferentes contextos (RIBEIRO; OLIVEIRA; ANDRADE, 2017). Gerenciar um conflito não é simplesmente amenizá-lo ou eliminá-lo, mas ad- ministrá-lo por meio da interação com os envolvidos. Faz parte do processo conci- liar as emoções e mediar os interesses, vontades e expectativas dos envolvidos. O objetivo final é chegar em um denominador comum. A negociação apresenta como princípio fundamental um acor- do entre as partes distintas com vista a se chegar a um re- sultado comum. Portanto, negociar envolve um processo de comunicação adequado e, sobretudo, a vontade de se chegar a um denominador comum (GARBELINI, 2016, p. 76). De certa forma, as emoções e sentimentos afetam os negociadores e o su- cesso está relacionado à forma em que isso será administrado. O desafio está em saber o que utilizar em cada ocasião, procurando escolher e aplicar as técnicas de forma perspicaz. É preciso que o negociador estude cada caso individualmente e esteja preparado. Podendo sofrer interferência das emoções, as negociações podem ser clas- sificadas como primal ou cognitiva: A negociação pode ser conduzida sob forte influência das emo- ções, sendo classificada como primal ou sob o domínio da ló- gica e da razão, quando, então, é identificada como cognitiva. Nesse último caso, embora as emoções também participem do processo, atuam sob controle do negociador na conquista dos seus objetivos. Na verdade, é muito difícil para o ser humano discutir e negociar as questões substantivas com total insen- sibilidade às próprias emoções e às do outro. O que dá uma vantagem competitiva ao negociador cognitivo é a sua capaci- dade de usar as próprias emoções como fator de agregação de valor ao processo, tendo o cuidado, em cada instante, de não se tornar refém do emocional (FERREIRA, 2013, p. 73). Para definir os melhores caminhos e as estratégias para negociação, deve- -se avaliar inicialmente as intenções percebidas entre as partes. Segundo Rob- bins e Judge (2014), temos que inferir a intenção do outro para sabermos a forma mais eficaz de reagirmos ao comportamento. 119 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 Você pode saber mais sobre as estratégias e táticas de negocia- ção por meio deste vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=GLMS- 7DgWp98. Nele, alguns exemplos e estudos desenvolvidos em Harvard são mencionados e podem ser interessantes em seu aprendizado. Resumimos as cinco principais intenções de manipulações de conflitos usan- do duas dimensões, de acordo com os autores Lewicki, Saunders e Barry (2014): cooperatividade, ou o grau em que uma das partes tenta satisfazer às necessi- dades da outra parte; e assertividade, ou o grau até o qual uma das partes tenta satisfazer as suas próprias necessidades. Temos, então, conforme cada intenção, posturas colaborativas, concorrentes, acomodativas, evitativas e compromissa- das, descritas na figura a seguir. FIGURA 9 – INTENÇÕES E ATITUDES PERANTE UM CONFLITO Acomodação ou Suavização Deixando de fora o conflito e buscando harmonia entre as partes Colaboração ou solução de problemas Buscando uma solução que satisfação as necessidades das partes envolvidas Competição ou comando autoritarismo Forçando uma solução que imponha a vontade de uma das partes Evitação ou fuga Negando a existência do conflito e ocultando os verdadeiros sentimentos Grau de cooperação Não cooperativo Cooperativo Grau de assertividade Não assertivo Assertivo Compromisso Negociando para obter ganhos e perdas para cada uma das partes FONTE: <https://pt-static.z-dn.net/files/d1e/c781fd9c13908e- 245adf079595d5919e.png>. Acesso em: 20 dez. 2021. Os conflitos podem ser administrados seguindo estilos de negociação. Há estilos de administração de conflitos que podem combinar as dimensões assertiva ou cooperativa. Na dimensão assertiva, há tentativa de satisfazer aos próprios https://www.youtube.com/watch?v=GLMS7DgWp98 https://www.youtube.com/watch?v=GLMS7DgWp98 120 Princípios e Técnicas de Negociação objetivos e interesses, e na dimensão cooperativa, há tentativa de também satis- fazer aos interesses de outras pessoas (CHIAVENATO, 2014). A partir desse entendimento de intenções de como uma das partes pretende interagir com a outra, podemos decidir adotar entre estratégias de negociação distributivas (em que uma das partes ganha e a outra perde) ou integrativas (do ganha-ganha), conforme apresentado no Quadro 4, que revela a relação entre estilo, dimensão e utilização em negociações a partir dos conflitos que estejam sendo discutidos entre as partes (RIBEIRO; OLIVEIRA; ANDRADE, 2017). QUADRO 4 – ESTILOS DE NEGOCIAÇÃO, SUA DIMENSÃO E UTILIZAÇÃO Estilo Dimensão Quando utilizar Evitação Nem assertiva e nem cooperativa Quando é necessário mais tempo para obter informações, pois a chance de perder é maior e um desacordo pode ser oneroso. Acomodação Cooperativa Quando manter a harmonia é importante e pode-se suavizar o problema resolvendo os pontos menores primeiro. Competitivo Assertiva Quando uma das partes usa a autoridade, principalmente em situações de urgência na decisão. Compromisso Assertiva e Cooperativa Quando ambas as partes aceitam ganhos e perdas sem pres- são do tempo. Colaboração Assertiva e Cooperativa Quando ambas as partes ganham, há um consenso entre as partes. FONTE: Adaptado de Chiavenato (2014) Para cada estilo de administração de conflitos, espera-se obter um resultado satisfatório, minimamente. E, quando o estilo da evitação prevalecer, o melhor é desistir da negociação ou se valer do tempo para que haja a melhor oportunidade de se negociar o conflito e tomar a melhor decisão. Para que você possa compreender melhor, o Quadro 5 reflete algumas rela- ções que podem favorecer os estudos e possibilitar uma análise prática sobre as suas vivências de negociação em seu cotidiano. QUADRO 5 – ESTILOS DE NEGOCIAÇÃO E SEUS RESULTADOS Estilo Resultado Evitação Perder/Perder As razões do conflitopermanecem, pois nenhuma das partes alcançou o pretendido. Acomodação Perder/Ganhar Há coexistência pacífica entre as partes, são destacados os pontos de possível acordo. 121 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 Competitivo Ganhar/Perder Uma das partes alcança o pretendido, muitas vezes com comple- ta exclusão da outra parte. Compromisso Ganhar/Perder Nenhuma das partes fica totalmente satisfeita e se mantêm moti- vos para futuros conflitos. Colaboração Ganhar/Ga- nhar As partes conciliam as diferenças de forma que ambos ficam satisfeitos. FONTE: Adaptado de Chiavenato (2014) É importante ter em mente que não existe certo ou errado em relação ao mé- todo de escolha para a negociação de conflitos. A escolha pode ser apropriada e efetiva, dependendo das circunstâncias, do assunto a ser resolvido e das expec- tativas das partes envolvidas (BERG, 2012). A partir desse entendimento de intenções de como uma das partes pretende interagir com a outra, podemos decidir adotar entre estratégias de negociação dis- tributivas (em que uma das partes ganha e a outra perde) ou integrativas (do tipo ganha-ganha), conforme apresentado no Quadro 6, a seguir. QUADRO 6 – ESTRATÉGIAS DE NEGOCIAÇÃO INTENÇÕES NEGOCIAÇÃO DISTRIBUTIVA NEGOCIAÇÃO INTEGRATIVA Metas Obter a maior vantagem possível Satisfazer a ambas as partes Motivação Ganha-perde Ganha-ganha Foco Entrincheiramento (não posso ir além desse ponto nessa questão) Entendimento (poderia explicar porque esta questão é tão importante) Interesses Opostos Congruentes Compartilhamento de informa- ções Baixo (compartilhar informação é ceder vantagens à outra parte) Alto (compartilhar informações permite soluções de interesse mútuo) Duração do relacionamento Curto prazo Longo prazo FONTE: Adaptado de Robbins e Judge (2014) Nesse processo, pode ser compreendido que cada negociador possui uma margem de cedência e de pressão exercida sobre a outra parte. A estratégia de negociação distributiva pode ser entendida a partir do esquema apresentado na Fi- gura 10, a seguir, em que os dois negociadores são denominados de João e Maria. 122 Princípios e Técnicas de Negociação Cada negociador tem um objetivo distinto e distante do outro, mas está pron- to a ceder até determinado ponto, um limite de resistência para a aceitação de um resultado não favorável, que denominamos de BATNA (Best Alternative To a Negotiated Agreement). Cada negociador terá o seu BATNA e, no intervalo entre esses pontos, encontra-se a zona de acordo possível, ou ZOPA (Zone of Possible Agreement). Desde que haja essa zona de interação entre aspirações, uma solu- ção negociada pode ser alcançada (SANTOS, 2009). FIGURA 10 – EXEMPLO DE NEGOCIAÇÃO DISTRIBUTIVA FONTE: <https://static.wixstatic.com/media/210aa8_89a2ca80c90e4825861d80dee- 0a1fc6d~mv2.png/v1/fill/w_740,h_455,al_c,q_90,usm_0.66_1.00_0.01/210aa8_89a- 2ca80c90e4825861d80dee0a1fc6d~mv2.webp>. Acesso em: 20 dez. 2021. Quando envolvido em uma negociação distributiva, a melhor estratégia, se- gundo Robbins e Judge (2014), é tomar a iniciativa de forma agressiva, pois fazer a primeira oferta mostra poder e ancora o ponto de partida a seu favor, dando a impressão de que você estará cedendo durante a negociação. Já quando envolvi- do em processos de negociação integrativa, a recomendação dos autores é con- duzir as negociações entre equipes de negociadores, colocando sobre a mesa, o maior número de questões de interesse de cada parte. As equipes tendem a tra- balhar questões múltiplas de forma mais eficaz, e quanto mais questões houver, maiores as alternativas de “troca de favores” que podem levar a um acordo. 123 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 Você pode saber mais sobre a aplicação do BATNA por meio de pesquisas na internet de vídeos e sites que trazem exemplos bem inte- ressantes. Para começar, você pode pesquisar em https://crmpiperun. com/blog/batna/ e começar a ampliar o seu conhecimento! Boa leitura! Portanto, faça de cada negociação um aprendizado que lhe possibilite apren- der mais, a analisar, planejar, desenvolver estratégias de negociação e perceber a aplicação dos conceitos aqui tratados. Na sequência, vamos tratar da ética na negociação e os modelos de tomada de decisão. 1) Na definição de estratégias de negociação, apresentamos um modelo de cinco posturas básicas de uma parte durante a nego- ciação, com base em seu grau de cooperatividade e assertivida- de. Marque a alternativa correta que diz respeito a esse modelo: a) ( ) Estratégias integrativas de negociação não são possíveis quando há posturas de baixo grau de cooperatividade. b) ( ) Uma postura acomodativa favorece uma relação do tipo ga- nha-ganha. c) ( ) Mesmo com uma postura evitativa, sempre é impossível che- gar-se a algum tipo de acordo decorrente de um processo de ne- gociação. d) ( ) Sempre que existe alto grau de cooperatividade, o resultado da negociação será uma relação do tipo ganha-ganha. e) ( ) Uma postura concorrente levará a ótimos resultados de nego- ciação, pois ambas as partes estão sempre buscando satisfazer ao máximo suas necessidades. 4 ÉTICA E TOMADA DE DECISÃO Ao longo do desenvolvimento de nossos estudos sobre a negociação, você deve ter visto que para tomar uma decisão, é importante ter planejamento, trazer https://crmpiperun.com/blog/batna/ https://crmpiperun.com/blog/batna/ 124 Princípios e Técnicas de Negociação as estratégias, ter objetivos claros, compreender as variáveis básicas e conhecer a outra parte interessada, para que a sua negociação possa ser a mais assertiva possível. Vimos, também, alguns tipos e técnicas que podem ser aplicadas no processo da negociação, bem como suas etapas. Contudo, ainda há outros elementos importantes que você precisa estudar: a tomada de decisão e a ética na negociação. A tomada de decisão permite que você possa decidir o fechamento da negociação e a ética incorpora valores e sen- tidos que estruturam os princípios entre as partes, respeitando cada uma delas e fazendo-se cumprir o que foi acordado (GOMES; GOMES, 2014). Dessa forma, para começarmos a falar sobre estes assuntos, os conceitos, modelos e técnicas da tomada de decisão são apresentados a seguir. 4.1 TOMADA DE DECISÃO As adversidades presentes no dia a dia da dinâmica empresarial trazem aos gestores situações muitas vezes complicadas de administrar, sendo assim, um desafio constante é tomar decisões corretas que propiciem bons resultados para as organizações. Conforme Napolitano e Júnior (2015) explicam, o processo de tomada de decisão é para as empresas uma necessidade de realizar a escolha das atitudes da melhor forma possível, buscando aperfeiçoar os resultados e dimi- nuir os gastos com recursos empregados nestas melhorias, por isso há a impor- tância de processos decisórios de qualidade dentro das organizações. De acordo com Aguilera e Lazarini (2009), tomar decisões é correr riscos, e também é definida como a tarefa mais nobre e mais difícil que se impõe a um negociador na gestão de empresas. Conforme sua visão, a tomada de decisão é: Longe de ser uma simples questão de abastecer de números um algoritmo fixo em uma ponta e pegar o resultado em outra, decidir implica equilibrar racionalidade e criatividade. Se todos os dados fossem conhecidos, não seria necessário tomar uma decisão. Administração não é uma ciência exata e decidir não é uma operação exatamente científica (AGUILERA; LAZARINI, 2009, p. 153). Não sendo uma ciência exata, a administração se abastece de informações relevantes referentes ao problema em questão e utiliza da criatividade para de- finir o caminho a ser tomado. Para Neto (1994), o papel da criatividade em um ambiente organizacional é o de garantir ao negócio a permanente adequação dos produtos e serviços aos mercados onde estão inseridos, em que a criatividadeencontra o ambiente propício ao seu desenvolvimento mais eficaz. 125 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 A visão de um tomador de decisões, no passado, era por muitas vezes de uma pessoa que tomava decisões de forma totalmente racional, que utilizava a avaliação dos riscos de forma objetiva e baseada somente em dados, e que com essas informações escolhia o melhor caminho para a organização seguir. Porém, Prates (2014) cita o surgimento da Teoria da Perspectiva, em que a condição de perfeita racionalidade do homem no momento da escolha é questionada pelos autores Kahneman e Tversky. Eles estudam sobre a tendência humana para es- colhas. De acordo com a teoria, os indivíduos sofrem desvios comportamentais e acabam sendo mais propensos a prever cenários de perdas, podendo fazer o jul- gamento de forma intuitiva e influenciando suas decisões em não assumir devidos riscos, que talvez resultassem em ganho. Para que você tenha uma visão mais ampla dos conceitos e práticas sobre a tomada de decisão, indicamos um vídeo que está disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=7LOiCprSrk4, que vai traçar exemplos, dicas e situações para a reflexão de como tomar decisões corretas. Para Aguilera e Lazarini (2009), o processo de decisão é rodeado de incer- tezas, por ser uma ação humana e comportamental, nunca é uma tarefa simples. No âmbito pessoal também existem sempre momentos de decisões importantes que colocam o ser humano em dúvida, confirmando o pensamento de que “a in- certeza é inerente ao processo de decidir. Não é uma tarefa simples pensar em diversas alternativas, não raro conflitantes ou tão numerosas e imbricadas que chegam a ser paralisantes. Outras vezes faltam informações cruciais. Mesmo as- sim, decidir é preciso” (AGUILERA; LAZARINI, 2009, p. 170). Para facilitar este processo da tomada de decisão, existem passos que po- dem servir como guia aos gestores, possibilitando uma racionalização da escolha, conforme Ferreira (2010, p. 2) cita estes passos: Definir o problema para entender melhor a decisão a ser to- mada, para isso o problema deve estar claro e com as infor- mações completas. É importante ao gerente reunir dados e informações e cumprir metas conhecidas e acordadas, e ter todos os problemas devidamente formulados e definidos, den- tro disto é de grande importância o consenso entre os gerentes e todos os envolvidos estarem cientes dos problemas e oportu- nidades existentes. As informações coletadas devem dar maior https://www.youtube.com/watch?v=7LOiCprSrk4 126 Princípios e Técnicas de Negociação certeza e para tanto devem estar completas, após isso deve ser usado o processo racional e captar a complexidade real dos eventos na organização. Depois de iniciado o processo, após a coleta de informações, o agente precisa entender que mesmo semelhante ou parecido com outras situações, todo processo decisório deve ser encarado e abordado como uma nova situação e diante disto, mesmo utilizando-se de heurísti- cas, fazê-lo de modo racional, obedecendo a regras, critérios e etapas. É importante conhecer todos os critérios de avaliação das alternativas, e assim selecionar a melhor, para isso essa busca não deve ser limitada, sem restrições de recursos, pes- soas e informações. Ao final é preciso tomar uma decisão, sem acomodação, ordenando preferências, avaliando as alternati- vas e destinando valores o que aumentará o alcance das me- tas que pretendem ser alcançadas com sua implementação. Baseado nesses quatro passos, pode-se captar um processo de instrução para análise de cenários e a partir disso, decidir as atitudes a se tomar. Ferreira (2010) fala que o segredo da boa tomada de decisão está em ter uma definição clara do problema em questão e na importância de informações coerentes à dis- posição dos gestores. Essas atitudes de análise baseada na racionalidade podem auxiliar o gestor no processo decisório. A iniciativa inicial de um pequeno empreendedor ao adquirir um negócio, por exemplo, é justamente o poder absoluto sob a tomada decisão, ter o controle de seu negócio e seus atos, sem a obrigação de prestar contas de suas decisões. Maximiano (2009), sobre a tomada de decisão, afirma: [...] O processo de tomar decisão começa com uma situação de frustração, interesse, desafio, curiosidade ou irritação. Há um objetivo a ser atingido e apresenta-se um obstáculo, ou acontece uma condição que se deve corrigir, ou está ocorrendo um fato que exige algum tipo de ação, ou apresenta-se uma oportunidade que pode ser aproveitada. Assim, a tomada de decisão deve ser a chave para o desenvolvimento de qualquer planejamento, devendo analisar diversos fatores, para que se desen- volva um caminho mais adequado à empresa. Antes de tomar qualquer decisão deve-se fazer estudos para que as chances de erros diminuam e não acabe resul- tando em pontos negativos para a empresa. Segundo Matos (2014), a tomada de decisão é a alma de administrar bem; é tão importante a maneira de decidir que quando você administra está tomando de- cisões sobre dificuldades, incertezas, riscos e interesses pessoais. As empresas vivem constantemente por períodos de evolução e mudanças, que intensificam as incertezas e acirram uma corrida pelo aumento da inovação e competitividade de seus produtos e serviços. À frente de tantas incertezas, e da exorbitância de informações presentes nos ambientes, destacam-se as empresas que possuem 127 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 competências e conhecimentos suficientes para suprir esses fatores e de realizar uma boa tomada de decisão. REFLETINDO: Mas o que significa tomar uma decisão? Como pode ser tomada a decisão na prática? Quais benefícios a tomada de decisão traz à empresa? Segundo Yu (2011), a tomada de decisão pode ser simplesmente caracteri- zada pelo simples ato de alocar recursos de maneira irreversível. Trata de uma ação sem volta, pois depois de alocar recursos fica difícil trazer os mesmos para outra situação. Mas, na prática, qual o significado disso? Esses atos caracteriza- dos pelo autor comparam-se ao ato de efetuar escolhas de diferentes alternativas, sendo estas, caracterizadas por diferentes resultados e objetivos esperados pela empresa. Trata-se do fato de escolher um plano de ação que dê um auxílio na tratativa das situações vividas por uma empresa, em seu determinado momento. Para que você possa desenvolver suas competências na toma- da de decisão é importante pesquisar sobre o assunto e ler algumas dicas e vivências de profissionais da área. Assim, você pode acessar este link: https://www.ibccoaching.com.br/portal/a-importancia-da-to- mada-de-decisoes-nas-organizacoes/ e ampliar o seu conhecimento. Bons estudos! https://www.ibccoaching.com.br/portal/a-importancia-da-tomada-de-decisoes-nas-organizacoes/ https://www.ibccoaching.com.br/portal/a-importancia-da-tomada-de-decisoes-nas-organizacoes/ 128 Princípios e Técnicas de Negociação FIGURA 11 – TOMADA DE DECISÃO FONTE: <https://crescimentum.com.br/wp-content/uploads/2019/10/shut- terstock_524133994-845x321.jpg>. Acesso em: 21 dez. 2021. Segundo Chiavenato (2014), a decisão é o processo de analisar e escolher, dentre as várias alternativas disponíveis, o curso de ação que a pessoa irá adotar. Toda decisão, explica o autor, deverá envolver seis elementos, sendo eles: 1. Tomador de decisão: pessoa que faz a escolha ou opção dentre as possíveis alternativas de ação. 2. Objetivos: resultado que a pessoa que fez a escolha pretende atingir. 3. Preferências: critérios definidos pelo tomador de decisão para fazer sua escolha. 4. Estratégia: curso de ação ou caminho definido pelo tomador de decisão para atingir seus objetivos. 5. Situação: são os aspectos do ambiente que afetam a escolha do toma- dor de decisão. 6. Resultado: é a consequência da estratégia adotada por quemtoma a decisão. Conforme nos explica Chiavenato (2014), todo tomador de decisão está en- volvido em uma determinada situação. Ao tomar uma decisão, a pessoa estará se baseando em suas escolhas e preferências pessoais, devendo seguir, portanto, uma determinada estratégia para atingir seus objetivos. O processo decisorial é complexo e depende tanto das características pessoais do tomador de decisões quanto da situação em que o mesmo esteja envolvido, bem como da maneira como ele percebe essa situação. Segundo Chiavenato (2014, p. 417-418), o pro- cesso decisorial pode ser dividido em sete etapas: 1. Percepção da situação que envolve algum problema. 2. Análise e definição do problema. 3. Definição dos objetivos. 129 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 4. Procura de alternativas de solução ou de cursos de ação. 5. Avaliação e comparação dessas alternativas. 6. Escolha (seleção) da alternativa mais adequada ao alcance dos objetivos. 7. Implementação da alternativa escolhida. Essas etapas não ocorrem na ordem mencionada, mas cada uma influencia as outras e, consequentemente, todo o processo. 4.2 MÉTODOS DE TOMADA DE DECISÃO Segundo nossas reflexões, podemos dizer que a tomada de decisão é um ato que exige firmeza ou coragem na resolução do problema, objetivando con- quistar resultados positivos tanto pessoais quanto econômico. Assim, de acordo com Yu (2011), tomada de decisão é o ato ou efeito de tomar, de decidir. Além disso é a resolução de problemas que podem ser abordada de muitas maneiras diferentes, mas geralmente seguem a dois modelos: racional e comportamental. QUADRO 7 – MODELOS DE TOMADA DE DECISÃO Modelo Característica Racional O tomador de decisão tem informações perfeitas (relevantes e apuradas), tem uma lista exaustiva de alternativas dentre as quais pode escolher, é racional, tem em mente os melhores interesses da organização. Comportamental O tomador de decisões tem informações imperfeitas (incompletas e possi- velmente imprecisas), não tem um conjunto completo de alternativas ou não entende plenamente aquelas que têm à disposição, racionalidade definida e se restringe a valores, experiência, hábitos, escolherá a primeira alternativa minimamente aceitável. FONTE: Adaptado de Simon (1987) Complementando as informações apresentadas no quadro, Maximiano (2009) afirma que as as decisões podem ser divididas em duas categorias: as pro- gramadas e não programadas. As decisões programadas são aquelas rotineiras e repetitivas: As decisões programadas fazem parte do acervo de soluções da organização. Resolvem problemas que já foram enfrenta- dos antes e que se comportam sempre da mesma maneira. Não é necessário, nesses casos fazer diagnósticos, criar alter- nativas e escolher um curso de ação original. Basta aplicar um curso de ação predefinido. Exemplos de decisão programadas são políticas, algoritmos, procedimentos e regras de decisão (MAXIMIANO, 2009, p. 59). 130 Princípios e Técnicas de Negociação As decisões não programadas é uma decisão única, tomada uma única vez: As decisões não programadas são preparadas uma a uma, para atacar problemas que as soluções padronizadas não con- seguem resolver. São atitudes novas, que a organização está enfrentando pela primeira vez e admitem diferentes formas de serem resolvidas, cada uma com suas vantagens e des- vantagens. Situações desse tipo precisam de um processo de análise sucessivas, desde o entendimento do problema até a tomada de decisão (MAXIMIANO, 2009, p. 59). Decisões programadas economizam tempo e energia, evitando que os ge- rentes se desgastem procurando soluções para problemas que já foram resol- vidos antes, um dos objetivos do projeto decisório deve ser o de procurar criar o maior número de decisões programadas possíveis (MAXIMIANO, 2009). 4.2.1 Método Racional Para iniciar, você precisa saber que muitos negociadores compartilham a existência de uma mesma percepção (e podemos dizer que, às vezes, a espe- rança, pois isso diminuiria sua responsabilidade sobre as consequências das de- cisões tomadas) de que a tomada de decisão eficiente pode ter como orientação uma escolha racional, que envolve identificação, escolha e aplicação da melhor alternativa possível. Dessa forma, os métodos racionais são organizados pelo se- guinte conjunto de etapas, de acordo com McShane e Von Glinow (2014): QUADRO 8 – ETAPAS DO MÉTODO RACIONAL Etapa Ação 1. Identificar proble- ma ou oportunidade de maneira clara Por vezes, os gestores e suas equipes agem sem ter um entendimento com- pleto do problema, levando-os a resolverem o problema errado. Além disso, a meta deve ser a solução do problema e não apenas a remoção dos sintomas. 2. Definir o método a ser utilizado Identificar critérios diferentes e sua importância relativa; os processos de deci- são por vezes requerem o alcance de mais de um objetivo, e isso implica iden- tificação e priorização de todos os objetivos por meio de critérios de avaliação para selecionar a melhor opção considerando todos os aspectos envolvidos. 3. Desenvolver possíveis escolhas ponderadas pela utili- zação dos critérios Gestores racionais envolvem as equipes na tarefa de atribuir peso relativo a cada problema para classificá-lo e priorizá-lo. As alternativas possíveis devem ser classificadas segundo os critérios identificados. 4. Identificar a solu- ção otimizante Realizadas as primeiras etapas, esta resultaria teoricamente do julgamento natural fundamentado nas anteriores, facilitando o consenso. Recomenda- -se fazer previsões sobre eventos futuros, tentando avaliar as consequên- cias potenciais da escolha segundo os critérios identificados para validar a tomada de decisão. 131 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 5. Implementar a solução selecionada Deve-se avaliar, sempre que possível, tanto a aderência aos planos quanto aos resultados obtidos em relação aos esperados, propondo ajustes quan- do necessário. 6. Avaliar a escolha selecionada É recomendado que haja um aprendizado sobre todo o processo, incluindo fatores não previstos durante a implantação e diferenças de resultados en- tre planejado e realizado, buscando-se aprimorar métodos e critérios para processos futuros de tomada de decisão. FONTE: Adaptado de McShane e Von Glinow (2014) Uma das dificuldades é a definição dos critérios utilizados para análise e se- leção das decisões. Modelos econômicos têm sido desenvolvidos voltados a ma- ximizar a utilidade subjetiva prevista, podendo essa utilidade ser entendida como o maior grau de satisfação das necessidades das partes interessadas em uma decisão. O conceito de utilidade está relacionado ao que lhe agrega maior valor ou satisfação, dado que existem restrições de orçamento, tempo, escolhas mutu- amente exclusivas etc. A escolha será o que lhe trouxer maior utilidade e é uma escolha pessoal e subjetiva. 4.2.2 Método Naturalista Em se tratando dos métodos de tomada de decisão, Yu (2011) destaca que não apenas os métodos naturalistas são uma opção disponível, mas, também, às vezes, a melhor opção recomendada, dada a impossibilidade de utilização de métodos racionais em função de fatores como: • Problemas não estruturados que dificultam abordagens racionais. • Presença de incertezas em ambientes dinâmicos, com ciclos que reali- mentam o modelo a partir das primeiras escolhas realizadas. • Objetivos mal definidos e mutáveis. • Pressão do tempo para tomada de decisão. • Múltiplos participantes com conflitos de interesse e dificuldade de chegar a um consenso. • E o fato de que esses modelos não consideram de forma adequada as consequências graves para o decisor, que talvez esteja inclinado a pos- turas mais conservadoras ou menos arriscadas em relação às indicadas pelos processos racionais. Para Yu (2011), determinada situação ou problema gera estímulos que per- mitem o reconhecimentode padrões adotados em situações ou casos semelhan- tes que já vivenciamos. Esses padrões determinam a escolha de roteiros para 132 Princípios e Técnicas de Negociação ação. A resposta pode ser mais rápida ou intuitiva ou ainda passar por ciclos de refinamento com base nos padrões mentais que utilizamos para análise e tomada de decisão. 4.2.3 Método Multicritério Este método, de acordo com Gomes e Gomes (2014), o cenário em que se apresenta o conflito e suas variáveis são complexos, exigem maior expertise e destreza do negociador. Diversas questões mal resolvidas podem ser resultantes de problema real de tomada de decisão, mas, em geral, estão condicionadas a problemas mal estruturados, que não apresentam soluções simples de serem re- solvidos nem por métodos racionais, nem por métodos naturalistas. Portanto, faz-se necessários processos de coleta de informações e elabora- ção de critérios que auxiliem na análise de dados para que, com base em dados analisados, seja possível tomar decisões que permitam alcançar melhores resul- tados. Dessa maneira, o método multicritério potencializa a tomada de decisão valorizando o tempo, o poder e as informações do contexto da negociação (FER- REIRA, 2013). QUADRO 9 – MÉTODO MULTICRITÉRIO FONTE: <https://lh3.googleusercontent.com/_mklvezPmPZcLTzo2_ODUOAKkqL- 15fyaBaiR67IIC4ZVmWQ9N_q87Wpir0cYvwMLFuLKCngRBNZQ-TlSv6k68aZE-YkwSj- CmelMtXdRoNYOj6iK5ZriHwzGAM3cZ8Rk1BJKxOe0u>. Acesso em: 21 dez. 2021. 133 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 Assim, com base nas orientações analíticas do método multicritérios, é pos- sível realizar uma investigação mais profunda sobre o objeto da negociação e do conflito, para que a tomada de decisão seja a mais adequada. Esse modelo é muito empregado em casos complexos e que envolvam mais de uma parte inte- ressada, tendo em vista a envergadura e capilaridade de alcance da negociação. Para que você entenda mais sobre o método multicritério para a tomada de decisão, recomendamos a leitura do artigo que está em https://periodicos.uninove.br/exacta/article/view/14265/8527. Nele, certamente você terá mais subsídios para a compreensão do méto- do. Bons estudos! Com base nos métodos que você viu até aqui, agora vamos tratar da ética no contexto das negociações. 4.3 ÉTICA NA NEGOCIAÇÃO Na vida cotidiana, bem como no contexto das organizações, a ética é um fator determinante para se estabelecer a confiança e o convívio em sociedade. A ética reflete no comportamento das pessoas, suas posturas e atitudes. Dessler (2014) relata que uma pesquisa de mais de 30 anos concluiu que três fatores de- terminam escolhas éticas. A primeira é descobrir as maçãs podres, ou seja, as pessoas que mais ten- dem a fazer escolhas antiéticas, pois as pessoas que têm maior desenvolvimento cognitivo pensam no que suas decisões podem causar e acabam buscando prin- cípios éticos. A segunda é desvendar o que corrobora para posicionamentos éticos ruins. Incrivelmente, questões simples são as maiores causadoras de decisões ruins, prin- cipalmente. Por pensarem que danos menos graves causam menos incômodo. E a terceira é referente aos ambientes desfavoráveis, também chamados de ambientes “venenosos”. Muitas vezes causados pelas próprias empresas ao pro- moverem a ideia de cada um por si. Isso gera competitividade entre as partes https://periodicos.uninove.br/exacta/article/view/14265/8527 134 Princípios e Técnicas de Negociação envolvidas em um conflito ou negociação e favorece o acontecimento de decisões antiéticas. Para Dessler (2014), a ética se inclui no estudo da administração do fator hu- mano, pois ela colabora para o funcionamento dos processos, até porque, quem está por trás dos processos são pessoas, e essas pessoas não conseguem man- ter o trabalho se seus gestores forem vistos como antiéticos. E o que é ética? Ética é o um conjunto de princípios que norteiam as decisões de um grupo ou do próprio indivíduo (DESSLER, 2014). Em sua obra, Dessler (2014) revela que de acordo com outra pesquisa rea- lizada, 25% dos funcionários de uma empresa relataram que seus chefes davam bons exemplos de conduta ética, contra 72% que não consideram que seus supe- riores não passem bons exemplos éticos no ambiente de trabalho percebidos pela forma da condução de negociações e suas tomadas de decisão realizadas. Nesse contexto podem ser citados os seguintes exemplos de atitudes: • Dizer aos funcionários para fazer o que for necessário para alcançar resultados desejados; • Enfatizar, em excesso, a cobrança por melhor desempenho dos empregados para garantir que o trabalho seja feito; • Fingir que ignora a ocorrência de irregularidades, desde que o resultado esperado tenha sido alcançado; • Receber o crédito pelo trabalho dos outros ou transferir a culpa (DESSLER, 2014, p. 334). Observe que algumas atitudes podem ser claramente percebidas em um pro- cesso decisório, ainda mais quando se quer obter proveito sobre alguma relação ou negociação, prejudicando uma das partes. Portanto, os princípios de honesti- dade, lealdade e transparência, quando praticados nas organizações, criam uma atmosfera que estimula a criatividade, trazendo benefícios para a mesma e suas negociações. Os princípios éticos trazem benefícios para as organizações, criando ambiente positivo que possibilita o surgimento de novas ideias, beneficiando a to- dos os ambientes. Podemos complementar que as consolidações de valores éticos contribuem para o engajamento das pessoas no ambiente de trabalho e estimula a busca de conhecimento para obtenção de resultados (DIAS; OLIVEIRA, 2016). 135 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 Quem já não vivenciou uma situação em que fomos postos a (re)pensar as posturas adotadas diante de um terminado contexto que pode nos influenciar a tomar decisões éticas ou antiéticas? Pois bem, a figura a seguir demonstra muito bem essa relação em que ficamos em uma constante análise, em que seguimos nossa conduta ética e nossos valores que nos orientam em nossas vidas ou obje- tivando os resultados acima de qualquer coisa. Situação bem complexa essa, não é mesmo? FIGURA 11 – ÉTICA NA NEGOCIAÇÃO FONTE: <http://obviousmag.org/renato_collyer/%C3%A- 9tica.png>. Acesso em: 21 dez. 2021. Essa situação apresentada é um dilema ético, em que muitas vezes nos de- paramos e precisamos tomar uma decisão, mesmo não estando diretamente em uma negociação. Agora, na administração de empresas, os dilemas éticos preci- sam ser muito bem trabalhados, refletidos e avaliados para que a tomada de deci- são seja realizada de forma ética e valorizando as partes envolvidas. Você deve entender que os dilemas éticos se fazem presentes no cotidiano das empresas. Portanto, ter equilíbrio emocional, ma- turidade e imparcialidade são necessários à conduta ética na ne- gociação. Quer saber mais sobre o assunto? Acesso https://www. ibccoaching.com.br/portal/coaching-carreira/dilemas-eticos-o-que- -sao-como-lidar-com-eles/ e boa leitura! https://www.ibccoaching.com.br/portal/coaching-carreira/dilemas-eticos-o-que-sao-como-lidar-com-eles/ https://www.ibccoaching.com.br/portal/coaching-carreira/dilemas-eticos-o-que-sao-como-lidar-com-eles/ https://www.ibccoaching.com.br/portal/coaching-carreira/dilemas-eticos-o-que-sao-como-lidar-com-eles/ 136 Princípios e Técnicas de Negociação A utilização da ética nas negociações e no processo decisório, de certa for- ma, é um compromisso velado com as partes envolvidas, de forma a guiar o que se espera em termos de conduta naquela negociação e as instituições que ele representa, pois muitas vezes o que é óbvio para um pode não ser para o outro, assim como fazer o certo versus o que é esperado. A ética, além disso, ajuda como um portfólio de intenções e condutas, como cumprir leis e normas, ser transparente, sempre responsável comqualidade, se- gurança e meio ambiente etc. A falta de ética no contexto dos negócios, pode implicar desde o não cumprimento de leis e isso acarretar multas ou em perdas de licenças, como a ausência de procura de novos funcionários, fornecedores e clientes que cada vez mais procuram nas empresas um caráter próprio e respon- sável em sua atuação no ecossistema em que funcionam. 1) Conforme estudado, vimos que há modelos de tomada de deci- são racionais e naturalistas. Sobre esses paradigmas, avalie as asserções propostas a seguir: I- Nas decisões não racionais, o decisor, mesmo que de forma in- consciente, leva em conta seu conjunto de crenças e valores para valorar tais decisões. II- Quanto maior a quantidade de experiências e informações que um profissional acumula, maior sua capacidade de agir intuitivamente. III- Em um contexto de múltiplos participantes com interesses confli- tantes, normalmente se faz uso de um modelo de decisão racional. Está correto o que se afirma em: a) ( ) I, apenas. b) ( ) II, apenas. c) ( ) III, apenas. d) ( ) I, II, apenas. e) ( ) I, II, III. 5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Ao final deste capítulo, você teve a possibilidade de estudar que nas nego- ciações, em qualquer tipo de conflito a ser decidido, ou algum encaminhamento, há a presença de três variáveis básicas: o tempo, a informação e o poder. Cada 137 Planejamento da Negociação e ÉticaPlanejamento da Negociação e Ética Capítulo 3 um deles influencia o ambiente da negociação, permitindo que cada parte envolvi- da possa se valer das vaiáveis ou se prejudicar, dependendo a situação. Compreender que o planejamento da negociação deve ser realizado pelos negociadores, compreendendo seu processo de elaboração de estratégias com base nos dados reais sobre o contexto da negociação. O planejamento contribui no desenvolvimento das competências dos negociadores, bem como favorece to- madas de decisões mais eficientes. Por fim, conhecemos algumas práticas de negociação, métodos de tomada de decisão e suas características, bem como as implicações e limitações de cada uma delas. Vimos que não há uma relação direta entre um tipo de conflito e um método a ser adotado, mas sim, a valorização da conduta ética em todo o proces- so negocial e o cumprimento dos acordos definidos no processo decisório. REFERÊNCIAS AGUILERA, J. C.; LAZARINI, L. C. Gestão estratégica de mudanças corporativas. São Paulo: Saraiva, 2009. BARBOSA, C. A Tríade do Tempo: a Evolução da Produtividade. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2012. BERG, E. A. Administração de Conflitos: abordagens práticas para o dia a dia. 1. ed. Curitiba: Juruá, 2012. BERNHOEFT, R. Administração do tempo: um recurso para melhorar a qualidade de vida pessoal e profissional. São Paulo: Nobel, 2009. BRITO, E. E. A. 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