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APRENDIZAGEM EM FOCO
NOVAS METODOLOGIAS E 
TECNOLOGIAS PARA O ENSINO 
DE FILOSOFIA
2
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA
Autoria: Alessandro Crisostomo
Leitura crítica: Luís Fernando Crespo
Olá, seja bem-vindo à disciplina Novas metodologias e tecnologias 
para o ensino de Filosofia!
Nesta disciplina, iremos refletir sobre o modo como o ensino de 
filosofia está inserido no contexto da educação contemporânea. 
Para tanto, serão abordadas discussões que remetem à utilização 
das metodologias ativas, em interface com as novas tecnologias 
da informação e comunicação, desenvolvidas para potencializar 
os processos de ensino e aprendizagem. Ao longo dos textos e 
das atividades, discutiremos sobre os desafios enfrentados na 
“tradução” dos conteúdos em filosofia para a dinâmica e a realidade 
vivenciadas no contexto escolar. 
Na contemporaneidade, a chave para tal construção da 
aprendizagem parece estar na identificação de competências 
essenciais que serviriam como o ponto de conexão entre a 
matéria e sua tradição acadêmica, a realidade cotidiana do 
estudante e o horizonte de expectativas supostas para a vida 
adulta. Nesse sentido, investiremos algum tempo discutindo sobre 
as competências da BNCC que apontam diretamente para as 
características centrais do ensino e da aprendizagem em filosofia e 
o modo como esse componente curricular interage com as demais 
áreas do saber nas possibilidades de garantir um tipo de formação 
que se aproxime da concepção integral de ser humano. 
Analisaremos algumas das alternativas entre as metodologias ativas, 
as quais serviriam para facilitar em sala de aula a relação entre a 
prática e a teoria, entre educadores e estudantes, entre a filosofia e 
as demais áreas de conhecimento. Da mesma forma, buscaremos 
3
entre as tecnologias digitais de comunicação e informação aplicadas 
ao contexto educacional aquelas que pareçam contribuir com maior 
eficiências e qualidade para as aulas de filosofia, tendo em vista 
estabelecer processos de interação no espaço escolar que permitam 
experiências significativas de aprendizagem. 
As reflexões ao longo de nosso curso representarão sugestões 
que podem, de acordo com cada contexto e a critério de cada 
profissional, ser adotadas, discutidas, repensadas ou descartadas 
em favor de técnicas que pareçam mais adequadas. Esperamos que 
a jornada seja proveitosa e sigamos em frente no aprimoramento 
dessa prática tão nobre, qual seja, facilitar a aprendizagem das 
pessoas e ao mesmo tempo promover o esclarecimento de si.
Conte conosco para o que precisar! Bons estudos!
INTRODUÇÃO
Olá, aluno (a)! A Aprendizagem em Foco visa destacar, de maneira 
direta e assertiva, os principais conceitos inerentes à temática 
abordada na disciplina. Além disso, também pretende provocar 
reflexões que estimulem a aplicação da teoria na prática 
profissional. Vem conosco!
Repensando o ensino de filosofia 
______________________________________________________________
Autoria: Alessandro Crisostomo
Leitura crítica: Luís Fernando Crespo
TEMA 1
5
DIRETO AO PONTO
Inicialmente, é importante destacar que a Base Nacional Comum 
Curricular (BNCC), promulgada em 2018, implementou, de 
forma decisiva, o foco em competências, a interdisciplinaridade 
e a complementaridade entre áreas do conhecimento. Nesse 
sentido, prevê que as atividades pedagógicas estejam articuladas, 
combinando, assim, os conhecimentos e as competências ao longo 
do processo de formação, tendo em vista a concepção de educação 
integral, isto é, a educação que contempla todos os aspectos da 
complexidade humana. Na prática, significa a proposta definitiva de 
ruptura com as rígidas divisões em especialidades, ainda presentes 
na estrutura escolar, de forma a motivar a adoção de articulações 
mais efetivas em torno de temas comuns, que atravessem as áreas 
de conhecimento, assim como a abordagem de problemas da 
realidade, a fim de possibilitar o desenvolvimento de ferramentas 
mais eficientes para lidar com as questões que se farão presentes na 
vida adulta. 
Nesse contexto, as novas tecnologias surgiram para ampliar e 
potencializar as possibilidades de levar a termo a intenção de 
romper com os limites que determinavam o contexto pedagógico, 
sobretudo no que diz respeito à didática. O aprimoramento de 
ferramentas por meio da tecnologia permitiria, assim, maior 
facilidade e efetividade no intuito de promover a articulação entre 
as áreas do conhecimento, as competências etc. Essa facilitação 
dos procedimentos se mostra importante em todas as etapas 
do planejamento escolar, desde o próprio planejamento até a 
realização e a aferição dos resultados. As ferramentas tecnológicas, 
uma vez adquiridas e apropriadas pelos profissionais, vieram com 
a perspectiva de otimizar o tempo e permitir, a partir disso, um 
tempo maior de reflexão e aprimoramento de aspectos como a 
intencionalidade ou a pesquisa de novas bases teóricas e práticas. 
6
A concepção de aprendizagem ativa se adequou com muita 
facilidade ao cenário de ruptura com as estruturas tradicionais 
e a implementação de novas tecnologias na educação. Trata-se, 
essencialmente, da reprodução, em termos pedagógicos, das 
condições pelas quais os sujeitos aprendem na realidade, isto é, 
no cotidiano das relações com os problemas surgidos ao longo da 
vida. Assim, além de prever o protagonismo atribuído ao próprio 
estudante, fundamenta-se no enfrentamento de problemas 
complexos, oriundos da realidade, e na flexibilidade em trilhas 
customizadas de aprendizagem, as quais representem a forma 
como os processos sofrem com as contingências e as mudanças de 
percurso ao longo dos processos. 
A aproximação da educação com as ciências na contemporaneidade 
produziu efeitos importantes na forma de compreender os 
processos pedagógicos. A partir desse movimento, ocorreu 
o aprofundamento em detalhes sobre como a aprendizagem 
é efetivada, em termos físicos e mentais, e quais estruturas 
concretas estariam envolvidas nas práticas adotadas em educação. 
Representou mais um fator agregado ao contexto contemporâneo, 
no qual, gradativamente, ocorreu a transição dos modelos 
tradicionais de educação, pautados no ensino e no protagonismo 
dos educadores, assim como a centralidade nos conteúdos e 
conceitos, para modelos mais centrados na compreensão dos 
processos de aprendizagem, atribuindo protagonismo ao papel dos 
estudantes, e norteados pela construção de competências básicas 
para o enfrentamento de desafios oriundos da vida concreta. Nesse 
sentido, a educação, estabelecendo relações com as contribuições 
de outras ciências, voltou-se para a realidade efetiva dos sujeitos e 
buscou, nas formas naturais, isto é, nos modos como efetivamente 
aprendemos no dia a dia, as chaves para potencializar as propostas 
formais de aprendizagem. 
7
No contexto atual, a aproximação entre o campo da educação e 
as ciências permitiu o detalhamento das estruturas envolvidas no 
processo de desenvolvimento e, por conseguinte, o aprimoramento 
das ações tendo em vista a aprendizagem dos estudantes. Contudo, 
do mesmo modo, tal configuração exigiu dos profissionais da 
educação um movimento em conjunto, no sentido de acompanhar 
as mudanças de paradigmas e a atualização das práticas, de tal 
forma a rever os modelos tradicionais, inclusive aqueles apreendidos 
ao longo da formação docente, para interpretar e apreender meios 
e práticas que fossem mais relevantes e adequados aos cenários 
encontrados em sala de aula, com os estudantes da atualidade. 
O hibridismo, entendido de forma ampla como a articulação 
dinâmica entre dimensões apartadas da prática e da realidade, 
apresenta-se como uma noção importante a ser aplicada nesse 
contexto de tensão entre o tradicional e o novo, entre o ensino 
e a aprendizagem, assim como a indefinição quanto às funções 
exercidas pelos educadores e estudantes. A perspectiva híbrida em 
educação é anterior ao advento das novas tecnologias e constitui 
a compreensão de que certasdimensões, apartadas pelo processo 
analítico, devem, efetivamente, ser articuladas em relações de 
complementaridade, de tal sorte a se potencializarem mutuamente. 
Diante do desafio proposto aos educadores em relação às 
exigências do contexto contemporâneo, significaria o processo de 
reflexão sobre os pressupostos e os mecanismos presentes, em 
perspectiva com o que surgiu ou foi assumido no cenário recente. 
Em vez do abandono daquilo que constitui o acervo intelectual e 
prático desses profissionais, o esforço se voltaria para a tendência 
de relacionar criticamente o conjunto teórico já existente com as 
novas possibilidades que se apresentam, algo que é comum e 
necessário em qualquer campo teórico ou prático. 
8
Dessa forma, o exercício de encontrar pontos de conexão entre as 
perspectivas teóricas tradicionais e as novas tendências no debate 
atual, assim como a relação entre as tecnologias inovadoras e as 
práticas já consagradas em educação, alinhado ao direcionamento 
das experiências tendo em vista a compreensão sintética proposta 
nas competências essenciais da BNCC, as quais se articulam à noção 
de interdisciplinaridade e interdependência entre os campos teórico 
e prático da aprendizagem, tudo isso parece ser, simultaneamente, 
aspectos desafiadores do debate sobre educação, mas também 
ampliadores das possibilidades de contemplar a formação humana 
de forma mais completa, integral.
Figura 1 – A BNCC de 2018
Fonte: elaborada pelo autor.
Referências bibliográficas
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: 
MEC, 2018. 
9
PARA SABER MAIS
O conceito de aprendizagem significativa foi inicialmente 
desenvolvido pelo teórico David Ausubel, ao longo da década de 
1960, em obras como Educational psychology: a cognitive view (1968). 
Oriundo do campo da psicologia cognitivista, o estudo pretendeu 
compreender mais profundamente os processos que envolvem 
a aprendizagem, a fim de oferecer subsídios teóricos para o 
aprimoramento das práticas. 
Sousa, Silvano e Lima (2018, p. 27) explicam que a teoria da 
aprendizagem significativa parte da premissa fundamental de que o 
objetivo do ensino é a aprendizagem, e esta precisaria ser entendida 
em seus detalhes para que, de fato, as finalidades da educação 
fossem alcançadas. A aprendizagem, de acordo com a teoria, 
ocorreria na organização e integração dos materiais na estrutura 
cognitiva dos indivíduos, de tal forma a estabelecer interações entre 
o conhecimento prévio e os novos conhecimentos que entram em 
contato com a estrutura sensível. Esse processo se daria de forma 
não aleatória, posto que partiria de escolhas sensíveis e plausíveis, 
de acordo com os significados construídos ao longo da experiência. 
Nesse sentido, a experiência de aprendizagem, para ser significativa, 
deveria estabelecer a relação entre o prévio e o novo, em interações 
que dependem da escolha e da inclinação dos indivíduos para 
determinada experimentação que faça sentido e possa ser 
reconstruída em novos significados a partir da experiência vivida. 
Trata-se da compreensão sobre o modo como se aprende, ao longo 
da vida, de forma progressiva, mas não linear, uma vez que poderá 
ser inibido ou potencializado, de acordo com o contexto e com 
as condições que motivem ou dificultem a aprendizagem. David 
Ausubel (1968), em termos teóricos cognitivos, isto é, lançando 
mão das ferramentas científicas disponíveis na psicologia aplicada, 
10
parece reafirmar o que John Dewey (1979) preconizou em sua 
análise sobre a educação progressista, ou seja, o fato de que os 
processos de ensino e aprendizagem não podem ser conduzidos de 
forma mecânica, na simples transmissão e repetição de informações 
e conhecimentos, mas necessita da experiência com a realidade, 
em situações que representem desafios e problemas reais, os quais 
serão vividos na experiência adulta, a fim de que sejam experiências 
capazes de permitir a construção de significados mais profundos 
pelos indivíduos.
Ausubel (1968), embasado na análise de dados, afirma que, 
efetivamente, a aprendizagem ocorre dessa forma, à medida que as 
experiências sejam capazes de motivar a disposição individual por 
atribuir e construir significados a partir das condições dadas. Para 
isso, é necessário dispor do conjunto de fatores que levariam a esse 
processo, desde o acesso aos conhecimentos prévios e passando 
pelos disparadores emocionais diante da concretude presenciada, 
pelas articulações cognitivas e lógicas e pelas ferramentas para 
que a relação entre o anterior e o novo produza sínteses e 
reconfigurações, as quais seriam oriundas de uma experiência em 
específico. 
A teoria de David Ausubel, entretanto, não é recente, tampouco 
representa uma voz isolada em meio ao contexto da educação. 
Uma série de outros estudos e de teorias da aprendizagem 
reafirma a noção de que a educação ocorre ao longo da vida, ou 
seja, não apenas nos espaços e tempo da escolarização formal ou 
em processo de assimilação mecânica, nos quais a informação é 
transmitida e repetida sem a intervenção reflexiva dos indivíduos. 
Cabe, então, aos educadores, a tarefa de lançar mão desses 
ferramentais desenvolvidos ao longo do século XX e aprimorados no 
século XXI para estruturar suas experiências, tendo em vista o real 
motivo e o objetivo da prática pedagógica, qual seja, proporcionar a 
11
aprendizagem no nível máximo permitido pelas condições objetivas, 
utilizando as ferramentas disponíveis para tanto.
Referências bibliográficas
AUSUBEL, D. P. Educational psychology: a cognitive view. New York: Holt, 
Rinehart, and Winston Inc., 1968.
DEWEY, J. Experiência e educação. 3. ed. São Paulo: Summus, 1979.
SOUSA, C. O; SILVANO, A. M. C.; LIMA, I. P. Teoria da aprendizagem significativa 
na prática docente. Revista Espacios, [s.l.], v. 39, n. 23, p. 27-38, 2018.
TEORIA EM PRÁTICA
Considere que você incluiu no planejamento o uso da sala de 
multimídia, disponível no colégio em que atua, para uma aula 
diferenciada, a fim de aprofundar o tema que está sendo trabalhado 
na sequência didática. No entanto, no dia marcado, ao deslocar 
a classe para a sala previamente reservada, você constatou que 
os aparelhos não estavam funcionando adequadamente, alguns 
monitores não ligavam e a rede de internet estava instável. Dessa 
forma, você não conseguiu iniciar a atividade planejada e a turma 
começou a ficar inquieta. 
Pense na situação e faça um esboço, por escrito, sobre os tipos de 
ação que poderiam ser realizadas em tal circunstância. Reflita:
Como conduzir a atividade na falta dos equipamentos? O que deve 
ser priorizado para que o tempo seja mais bem aproveitado? 
Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, 
acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de 
aprendizagem.
12
LEITURA FUNDAMENTAL
Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis 
em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log 
in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em 
sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições 
públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou 
periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. 
Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de 
autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos 
que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, 
portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na 
construção da sua carreira profissional. 
Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da 
nossa Biblioteca Virtual e além! Sucesso!
Indicação 1
Na obra indicada, o autor organiza textos de especialistas nas 
principais tendências teóricas que fundamentam as práticas na 
atualidade. Desde a aprendizagem expansiva, passando pela 
abordagem transformadora até a teoria das múltiplas inteligências 
de Gardner aplicada à teoria da aprendizagem, assim como a 
aprendizagem biográfica, entre outras.
ILLERIS, Knud (org.). Teorias contemporâneas da aprendizagem.Porto Alegre: Penso, 2013.
Indicações de leitura
13
Indicação 2
Na obra indicada, o autor descreve de forma prática e aplicada 
à realidade as formas de utilização da tecnologia nos ambientes 
escolares, a importância desse tipo de mediação na atualidade 
e os princípios e fundamentos que norteiam a interação com os 
conteúdos tradicionais do ensino. É também a oportunidade de 
ter contato com modelos de implementação, reflexões sobre as 
vantagens e desvantagens oriundas de cada ferramenta e algumas 
projeções sobre as tendências e os desafios para o futuro.
MUNHOZ, Antonio, S. Tecnologias educacionais. São Paulo: Saraiva, 
2015. 
QUIZ
Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a 
verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber 
Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste 
Aprendizagem em Foco.
Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão 
elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco 
e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de 
questões de interpretação com embasamento no cabeçalho 
da questão.
14
1. Considerando o conceito de aprendizagem significativa, é 
possível afirmar que ela possui como finalidade: 
a. A compreensão aprofundada sobre os processos que 
envolvem a aprendizagem, tendo em vista o aprimoramento 
da prática pedagógica. 
b. A ressignificação das tendências tradicionais em educação, 
buscando a aplicação de novas tecnologias. 
c. A educação progressista, na qual a aprendizagem seja o foco 
do processo pedagógico, assim como o uso das tecnologias.
d. A retomada de valores clássicos, os quais foram substituídos 
ao longo do século XX por teorias com pouca eficácia e pouco 
fundamento teórico. 
e. A ressignificação dos valores clássicos em educação a partir do 
uso intencional das novas tecnologias. 
2. Sobre a teoria da aprendizagem significativa de David 
Ausubel, é possível afirmar que possui como premissa 
básica: 
a. A constatação de que o objetivo central do processo 
pedagógico é a aprendizagem.
b. A percepção sobre a realidade fluída e as descontinuidades 
características da pós-modernidade.
c. A noção de que o conhecimento é inato, sendo preciso então 
que a aprendizagem produza o acesso a este.
d. O princípio da “tábula rasa”, resgatando a tradição empirista 
sobre a constituição da mente.
e. A articulação dialética entre a realidade prática e teórica ao 
longo do esclarecimento da consciência. 
15
GABARITO
Questão 1 - Resposta A
Resolução: Como visto na seção Para Saber Mais, o conceito 
de aprendizagem significativa, surgido ao longo da década de 
1960, amplia a compreensão sobre a aprendizagem, de modo 
a descrever as formas de potencialização das experiências 
pedagógicas, tendo em vista o aprimoramento dos processos. 
Questão 2 - Resposta A
Resolução: Como visto na seção Para saber mais, a teoria 
da aprendizagem significativa parte da premissa de que 
os processos pedagógicos, incluindo o ato de ensinar, 
possuem como principal e última finalidade a promoção da 
aprendizagem dos estudantes. Nesse sentido, fundamenta-
se a importância de desenvolver estudos voltados para o 
entendimento aprofundado sobre os processos estruturais 
que possibilitam ou impedem a aprendizagem, sendo preciso 
estabelecer ações intencionais no sentido de promover a 
facilitação desta nos processos formativos. 
O ensino de filosofia no contexto da 
tecnologia e inovação 
______________________________________________________________
Autoria: Alessandro Crisostomo
Leitura crítica: Luís Fernando Crespo
TEMA 2
17
DIRETO AO PONTO
Os pressupostos que sustentam a noção de metodologias ativas 
estão presentes no pensamento ocidental desde a Modernidade. 
Eles concentram-se no deslocamento da atenção pedagógica, 
anteriormente voltada para as técnicas de ensino, para a atenção 
nos modos e processos de aprendizagem. Esse movimento prevê 
que haja o desenvolvimento do protagonismo do estudante 
ao assumir a responsabilidade pelos processos que envolvem 
sua aprendizagem, o que produziria o efeito de proporcionar a 
construção da autonomia ao longo do desenvolvimento, atendendo 
plenamente aos aspectos que envolvem a formação humana, sob 
uma perspectiva integral. 
No contexto contemporâneo, ocorreu a aproximação da 
educação com as ciências cognitivas, de tal forma a possibilitar 
o desvendamento mais detalhado dos processos que envolvem 
o desenvolvimento humano, as fases de formação e os modos 
de aprendizagem. Com o advento das novas tecnologias que 
impactaram a dinâmica e a organização social como um todo, o 
campo da educação se deparou com a ampliação das possibilidades 
técnicas de aprimoramento dos processos pedagógicos, assim como 
com a exigência de se adaptar às novas prerrogativas sociais que 
passaram a envolver o domínio da linguagem tecnológica. 
No tocante ao campo da educação, é importante considerar os 
fatores históricos e culturais, os quais podem justificar condições 
de facilitação ou de resistência em relação ao envolvimento com os 
métodos ativos de aprendizagem e ao uso das novas tecnologias 
disponíveis. No Brasil, o histórico sociopolítico constituído da 
sucessão de modelos autoritários parece ter produzido efeitos 
importantes sobre o modo de organização dos processos 
formativos. Atrelado a esse fator, somam-se condições de imensa 
18
desigualdade social e de acesso à cultura, o que produz o efeito 
de permitir contextos em que é viabilizado um alto nível de 
sofisticação nos processos pedagógicos em paralelo às condições 
de imensa precariedade e falta de acesso aos itens básicos para a 
aprendizagem, quando não para a sobrevivência. 
O ensino de filosofia está imerso nesse contexto característico do 
século XXI, no qual ocorreu a transição da atenção pedagógica, 
atualmente concentrada no aprimoramento das técnicas para 
potencializar os processos de aprendizagem e permitir o maior 
protagonismo dos estudantes. A despeito das contradições 
observadas no cenário nacional, existiria, em termos gerais, a 
exigência comum para que os componentes curriculares inseridos 
no currículo escolar da educação básica estabeleçam uma relação 
direta com as metodologias ativas e façam o movimento na direção 
de inserir, na medida do possível, as novas tecnologias nas práticas 
pedagógicas. Nesse sentido, os especialistas em filosofia tendem 
a lidar com o conflito, no qual é preciso articular a exigência de se 
aderir às características do contexto escolar e a tradição de estudo 
apreendida no campo acadêmico, com suas especificidades e 
resistências. 
Dessa forma, propõe-se, na experiência de ensino e aprendizagem 
em filosofia, a via reflexiva, devendo ser desenvolvida a análise 
crítica sobre o contexto e as ferramentas disponíveis para o 
desenvolvimento pedagógico. Isso implicaria na manutenção do 
espírito investigativo, nutrido pela formação continuada e por 
pesquisas no campo teórico e a experimentação no campo prático, 
de modo a articular a teoria com a prática, na análise das condições 
concretas envolvidas no cenário particular de cada experiência, 
o que seria potencializado na interação com debates e estudos 
coletivos com as equipes pedagógicas. 
19
Contudo, anteriormente à efetiva realização das práticas 
pedagógicas, faz-se necessário o planejamento criterioso na 
construção do currículo que norteará a experiência. Em tal 
construção, está prevista a ordenação das competências essenciais 
que estarão envolvidas nas propostas, assim como os objetivos, 
gerais e específicos, que serão intencionados ao longo do processo. 
Além disso, é importante considerar as possíveis interações entre 
os elementos internos que compõem a matéria, como os saberes 
prévios, e as possíveis relações com os saberes de outras áreas de 
conhecimento. A partir dessas definições, considera-se a escolha 
de ferramentas e técnicas, tendo em vista a potencialização da 
aprendizagem, assim como a redução do esforço desnecessário, o 
que, por sisó, permitiria o investimento de tempo na elaboração 
criativa de novas propostas. 
Na contemporaneidade, o campo da educação aprimorou a noção 
de hibridismo como um meio de potencializar os resultados 
almejados nos planejamentos pedagógicos. Trata-se da mistura 
intencional de dimensões distintas que compõem a realidade 
escolar, com o objetivo de explorar as técnicas e as ferramentas 
disponíveis para obter o maior aproveitamento das experiências 
propostas. Constitui-se na articulação que vai além do debate sobre 
a distinção entre aulas presenciais ou aulas on-line, pois requer, 
como princípio, a ruptura com os modelos tradicionais de ensino, 
tendo o deslocamento do protagonismo para os estudantes e o 
foco concentrado na compreensão sobre os meios e os modos 
de aprendizagem ao longo do processo formativo. Requer ainda 
o investimento em técnicas de aprendizagem que combinem 
dimensões distintas com o intuito de extrair maior valor de cada 
experiência, com o auxílio da tecnologia. 
Em suma, no hibridismo, considera-se as transformações nos 
paradigmas que determinam a dinâmica das atividades pedagógicas 
para tornar possível imprimir diferentes combinações, de acordo 
20
com o contexto e as condições de cada realidade. A depender da 
disponibilidade de espaços e ferramentas técnicas e da disposição 
humana para a pesquisa e a implementação das alternativas, são 
consideradas diferentes combinações no tocante à organização das 
pessoas e dos espaços físicos ou virtuais e, sobretudo, aos “papéis” 
que serão exercidos pelos “atores” que integram a experiência. 
Dessa forma, o protagonismo na coordenação, produção ou 
pesquisa passaria a ser compartilhado com os estudantes, ao passo 
que o suporte na orientação, tutoria e mediação, isto é, uma função 
“por trás das câmeras” por assim dizer, seria assumido com mais 
ênfase pelos educadores, no sentido de viabilizar as condições 
necessárias e suficientes para a conclusão dos projetos.
Figura 1 – Hibridismo
Fonte: elaborada pelo autor.
Referências bibliográficas
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: 
MEC, 2018. 
21
PARA SABER MAIS
A sala de aula invertida constitui uma das alternativas técnicas 
que contemplam as premissas defendidas pela noção de 
metodologias ativas. A transição do protagonismo, dos educadores 
para os estudantes, e o foco central da experiência pedagógica 
no entendimento e na potencialização da aprendizagem são 
observados nessa técnica, a qual possui características muito 
adequadas tanto na implementação da perspectiva ativa no uso de 
metodologias como na interface com as tecnologias. 
A inversão da sala de aula representa inicialmente a reorganização 
do planejamento tradicional, de modo a atribuir aos estudos 
individuais, em casa, o que seria proposto em sala de aula e, 
ao contrário, realizar em sala de aula aquilo que normalmente 
era atribuído como tarefa de casa. Esse tipo de inversão foi 
potencializado pelo uso de novas tecnologias, a começar pela 
facilidade que os educadores encontram na atualidade para 
produzir vídeos com a explanação do conteúdo, ou mesmo para 
selecionar e compartilhar por meio de links, em plataformas 
compartilhadas, a sequência de vídeos para estudo particular em 
casa. 
Entretanto, a proposta da sala de aula invertida vai além da 
simples visualização de vídeos antes das aulas e a realização de 
tarefas práticas. O estudo preliminar, por exemplo, não precisa 
necessariamente ser feito por meio de vídeos. Embora seja mais 
comum o uso de videoaulas pontuais, outras ferramentas, como o 
próprio texto escrito, jogos, interações ou pesquisas, podem servir 
ao intuito de oferecer a base estrutural para a continuidade da 
sequência em aula. 
Outro ponto a considerar é o redimensionamento da própria aula. 
Ocorre que, ao rearticular o modelo de ensino e aprendizagem, 
22
o tempo de aula, seja presencial ou on-line – por meio de 
videochamadas síncronas –, também será alterado estruturalmente. 
Assim, o ponto focal dessa proposta se dá na compreensão de que 
o protagonismo e a responsabilidade pela aprendizagem devem ser 
assumidos pelos estudantes, ao passo que cabe aos educadores 
o planejamento da experiência, a fim de garantir que todas as 
ferramentas e condições estejam disponíveis. 
Jonathan Bergmann e Aaron Sams (2018, p. 12) descrevem a técnica 
da sala de aula invertida a partir da experiência pessoal com 
suas turmas. Em seus relatos sobre possibilidades e dificuldades, 
evidenciam detalhes importantes para ser observados, caso 
haja a pretensão de adotar a mesma técnica. É claro que não se 
trata de uma receita pronta, na qual existem todos os elementos 
idealmente dispostos com a garantia de sucesso se forem aplicados 
da forma prescrita. Os autores recomendam – e fazem – a constante 
pesquisa, experimentação e reflexão sobre suas práticas, de modo 
a aprimorar o que potencialmente daria certo ou abandonar o que 
não se mostrou promissor. 
Sendo assim, parece não ser adequada à técnica da sala de 
aula invertida a manutenção dos pressupostos tradicionais de 
ensino, nos quais os educadores devem deter o poder de acesso 
e compartilhamento do conhecimento, assim como a condução 
centralizada das experiências em contato com os estudantes. 
Seria preciso também a inversão dos pressupostos teóricos 
que sustentam a atividade, migrando para modelos em que a 
aprendizagem é tomada como objeto central, em simulações da 
realidade nas quais os estudantes assumam a responsabilidade 
e o protagonismo sobre sua aprendizagem e, em parceria com 
os educadores, lancem mão das ferramentas disponíveis para 
chegarem aos objetivos propostos.
23
Referências bibliográficas
BERGMANN, Jonathan; SAMS, Aaron. Sala de aula invertida: uma metodologia 
ativa de aprendizagem. Rio de Janeiro: LTC, 2018.
TEORIA EM PRÁTICA
Considere que você, educador especialista em filosofia, pretende 
experimentar a aplicação dos princípios das metodologias ativas, 
alinhados ao uso de tecnologias educacionais, em sala de aula. 
Contudo, a escola não dispõe dos recursos ideais para a prática, 
contando apenas com uma sala de informática com poucos 
computadores conectados à rede, um número reduzido de tablets 
disponíveis para o uso em aulas, além de uma biblioteca com um 
acervo geral de livros didáticos. Soma-se a isso o fato de a turma ser 
numerosa. 
Diante desse cenário, reflita: 
Como você lidaria com a situação? Quais alternativas poderiam 
ser exploradas para se chegar ao objetivo almejado, qual seja, 
desenvolver experiências pedagógicas em que sejam relacionadas 
as tecnologias educacionais disponíveis com os princípios das 
metodologias ativas? 
Escreva um texto com o ensaio de suas reflexões e proposições 
sobre o tema.
Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, 
acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de 
aprendizagem.
24
LEITURA FUNDAMENTAL
Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis 
em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log 
in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em 
sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições 
públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou 
periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. 
Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de 
autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos 
que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, 
portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na 
construção da sua carreira profissional. 
Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da 
nossa Biblioteca Virtual e além! Sucesso!
Indicação 1
A obra indicada possui como característica o detalhamento preciso 
sobre a técnica, a partir da experiência com a educação de jovens e 
adultos e cursos de graduação e pós-graduação. Embora surgidas 
no contexto da andragogia, as reflexões podem ser ampliadas para 
outras etapas da formação, em especial no ensinobásico, em que se 
considera a implementação de metodologias ativas com a interface 
de tecnologias educacionais. 
MUNHOZ, Antonio S. APB – Aprendizagem Baseada em 
Problemas: ferramenta de apoio ao docente no processo de ensino 
e aprendizagem. São Paulo: Cengage Lerning, 2015.
Indicações de leitura
25
Indicação 2
Os autores da obra indicada, após a contextualização da temática, 
oferecem a descrição de várias estratégias alinhadas às premissas 
das metodologias ativas. Trata-se de uma abordagem direta e 
prática sobre as técnicas disponíveis para a aplicação em sala de 
aula, a fim de ampliar consideravelmente o acervo de opções a 
serem consideradas no aprimoramento das aprendizagens ativas 
vinculadas ao uso das tecnologias educacionais.
CAMARGO, Fausto; DAROS, Thuinie. A sala de aula inovadora: 
estratégias pedagógicas para fomentar o aprendizado ativo. Porto 
Alegre: Penso, 2018. 
QUIZ
Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a 
verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber 
Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste 
Aprendizagem em Foco.
Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão 
elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco 
e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de 
questões de interpretação com embasamento no cabeçalho 
da questão.
26
1. Sobre as premissas que sustentam a aplicação da técnica de sala 
de aula invertida, é possível afirmar que:
a. Exigem o detalhamento estratégico no planejamento das 
experiências, de tal modo a determinar as etapas e os modos 
de aprendizagem.
b. Pressupõem que os estudantes já tenham em si os 
conhecimentos, necessitando apenas resgatá-los. 
c. Consideram que é preciso inverter a ordem sem alterar os 
princípios clássicos e consagrados da educação.
d. Determinam que os estudantes assumam a responsabilidade 
integral pelo processo de aprendizagem. 
e. Supõem que a aprendizagem é mais efetiva quando realizada 
isoladamente, em ambientes particulares. 
2. Acerca da prática da sala de aula invertida, é possível afirmar 
que:
a. Inverte o modelo tradicional e requer a reestruturação do 
planejamento, no tocante ao tempo e ao espaço dedicados ao 
aprofundamento. 
b. Limita-se à inversão do modelo tradicional, sem a alteração 
dos modos de condução das aulas.
c. Exige a inserção de vídeos e a implementação de tecnologias 
compatíveis com tendências mais inovadoras em educação.
d. Determina que toda a instrução seja realizada em casa, não 
sendo necessária a presença dos educadores.
e. Tende a ser mais eficiente quando praticada no modelo EaD 
(Ensino a Distância), devido ao uso intenso da tecnologia. 
27
GABARITO
Questão 1 - Resposta A
Resolução: Como visto na seção Para Saber Mais, a técnica 
da sala de aula invertida está incluída entre as opções que 
compõem o conjunto das metodologias ativas. Ela tem como 
premissa a compreensão ampla, com a contribuição das 
ciências, sobre os modos e processos de aprendizagem, de tal 
forma a determinar, a partir da experiência dos estudantes, os 
melhores meios para potencializar o processo formativo. 
Questão 2 - Resposta A
Resolução: Como visto na seção Para saber mais, a prática da 
sala de aula invertida começa pela inversão do planejamento 
tradicional, mas não se resume à simples alternância de etapas. 
Com o maior tempo disponível nas aulas presenciais – ou on-
line de forma síncrona –, exige que os educadores reestruturem 
o tempo e o espaço disponíveis para veicular propostas de 
aprofundamento, experimentações, discussões e exercícios 
práticos orientados, a fim de aproveitar o tempo disponível na 
ampliação da aprendizagem. 
Temas filosóficos no cotidiano 
e a interação com as novas 
metodologias e tecnologias 
______________________________________________________________
Autoria: Alessandro Crisostomo
Leitura crítica: Luís Fernando Crespo
TEMA 3
29
DIRETO AO PONTO
A educação contemporânea apresenta princípios oriundos do 
pensamento moderno, os quais serviram para balizar os objetivos 
formativos da atualidade. Nota-se, na estrutura da Base Nacional 
Comum Curricular (BNCC), a centralidade da noção de formação 
integral, vinculada à premissa de que a educação deve fornecer 
meios para que os estudantes construam a capacidade de pensar 
autonomamente. 
O campo da Lógica se destaca como uma área específica do saber 
filosófico, na qual, ao longo da história do pensamento ocidental, 
desenvolveu técnicas para ordenar, desconstruir, reorganizar e 
interpretar os discursos oriundos da racionalidade, de tal modo a 
constituir regras precisas para determinar a validade ou falsidade 
de determinada afirmação ou justificativa. No contexto da educação, 
ela pode ser interpretada como o conjunto de técnicas que 
atravessam os discursos e auxiliam na interpretação das narrativas 
construídas nas diversas áreas do conhecimento. Assumindo 
a dinâmica interdisciplinar proposta no contexto pedagógico 
contemporâneo e, notadamente, na BNCC, esse campo específico 
do saber filosófico pode auxiliar na construção de competências 
importantes, ligadas à argumentação e comunicação. Amplia-se, 
desse modo, a perspectiva sobre a área, saindo do contexto restrito 
do pensamento abstrato para se aplicar na relação dinâmica com a 
realidade em suas diversas configurações.
A Teoria do Conhecimento é outro campo de estudo da filosofia que 
tende a extrapolar as questões imediatas do cotidiano, constituindo-
se no processo de metacognição. Ela investiga o conhecimento e 
produz saberes sobre o próprio saber, habitando, assim, a cultura 
ao longo da história e na atualidade. Contudo, diferentemente da 
Lógica, na qual existe o aprofundamento no próprio discurso e 
30
nas regras intrínsecas que determinam a validade ou falsidade das 
sentenças, afirmações e, em última instância, conclusões, a Teoria 
do Conhecimento amplia a perspectiva ao vincular sua investigação 
com questões que remetem a problemas históricos, éticos, estéticos 
etc. 
Do mesmo modo que na Lógica, a abordagem da Teoria do 
Conhecimento no contexto da educação básica parece exigir 
dos especialistas a capacidade crítica e criativa de estabelecer 
conexões com a realidade vivenciada pelos estudantes, de tal 
forma a identificar os problemas que são originados nesses campos 
específicos do entendimento e encontram-se presentes, ainda que 
de forma implícita, nas experiências com a realidade. O processo de 
investigação sobre o próprio conhecimento configura-se em uma 
experiência de abstração, na qual, entretanto, é possível que esteja 
previsto como objetivo final o esclarecimento de problemas para 
os quais os instrumentos práticos não são suficientes. Por isso são 
importantes o trabalho interdisciplinar e o planejamento pautado 
por finalidades claras, tendo em vista o desenvolvimento das 
competências essenciais e a formação integral. 
A Metafísica representa uma área específica do saber filosófico, 
na qual a simples transmissão da linguagem acadêmica para a 
sala de aula colocaria em questão sua validade ou relevância para 
o processo de aprendizagem, ou para a formação integral dos 
estudantes. No campo de reflexão, configurou-se que pretende dar 
conta de questões que não são passíveis de serem resolvidas nas 
demais matérias, dado o teor abstrato e a amplitude das temáticas 
que aborda. 
Na Metafísica, amplia-se o foco de investigação de modo a 
atravessar os contextos específicos com questões que remetem 
às raízes do conhecimento, aos princípios e às relações entre 
dimensões distintas. Nesse sentido, problemas verificáveis 
31
nas relações do cotidiano, como a liberdade em oposição ao 
determinismo, não são passíveis de serem resolvidos em termos 
concretos, pois exigiriam uma análise mais ampla, de ordem 
teórica, na qual são estabelecidas as relações entre os princípios 
do conhecimento, as estruturas da linguagem, os fatores sócio-
históricos, entre outros.
As discussões metafísicas, assim comoas demais áreas do saber 
filosófico, ainda que tenham suas características específicas, 
poderiam ser reinterpretadas no contexto pedagógico da educação 
contemporânea, em que os objetivos são projetados para a 
interação entre áreas distintas do conhecimento, a compreensão 
e apropriação de instrumentos capazes de permitir a interação 
dos estudantes com a realidade objetiva. São problemas a partir 
dos quais – a depender da forma como são configurados na 
realidade escolar – haveria ocasião para suscitar o questionamento 
investigativo e crítico, por meio de provocações que extrapolam a 
dimensão da prática e da imediaticidade e não se encerram em uma 
única área do saber, seja filosófico, científico, artístico ou religioso. 
O conjunto de técnicas de aprendizagem que compõem as 
metodologias ativas em educação se destaca na função de 
estabelecer a relação dinâmica entre a teoria e a prática, assim 
como entre as áreas distintas do conhecimento. Esse é um resultado 
de longo processo histórico, desde a transição do século XIX para 
o século XX, no qual os modelos tradicionais de ensino foram 
colocados em questão e confrontados pela perspectiva de que 
a centralidade do processo formativo deveria se concentrar no 
entendimento profundo sobre o desenvolvimento cognitivo e no 
aprimoramento dos métodos de aprendizagem. 
Nesse contexto, exige-se o esforço pedagógico, no qual se 
desenvolve a reorientação dos saberes, reconstituídos em novas 
plataformas mais adequadas ao contexto escolar. Atualmente, os 
32
recursos tecnológicos oferecem meios que permitem a redução 
do esforço e a potencialização de tais experiências. Nestas, as 
especificidades, sejam filosóficas ou científicas, cedem espaço para a 
interação em torno de problemas comuns às áreas e atravessam as 
experiências humanas, envolvendo tanto a dimensão prática como a 
teórica. Contudo, não se trata do abandono de conceitos e princípios 
essenciais na caracterização de determinados saberes, mas do 
movimento por meio qual são identificados e explorados os pontos 
de conexão, em torno de problemas que remetem à realidade, ao 
cotidiano e às questões desafiadoras da sociedade. 
Por fim, o avanço no desenvolvimento de recursos tecnológicos e 
a aplicação destes como ferramentas educacionais permitiram que 
dimensões, anteriormente vivenciadas em tempos e momentos 
distintos, fossem combinadas em propostas híbridas, nas quais 
se articulam de forma dinâmica os aspectos do teórico e do 
prático, assim como as dimensões do físico e do digital, o encontro 
síncrono e assíncrono, a relação entre o individual e o coletivo. São 
experiências desafiadoras, tanto no sentido de compreensão sobre 
a amplitude de possibilidades contidas em cada recurso como nos 
limites e efeitos potencialmente indesejados que o uso excessivo, ou 
mal direcionado, das tecnologias poderia provocar.
33
Figura 1 – Ensino de filosofia e as metodologias ativas
Fonte: elaborada pelo autor.
Referências bibliográficas
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: 
MEC, 2018.
BRASIL. Ministério da Educação. Programa de apoio ao novo ensino médio – 
Documento orientador. Brasília: MEC, 2018.
COSTA, Max W. A; MELO, Thiago B. Uma introdução à metafísica. Curitiba: 
Intersaberes, 2015.
GALLO, Silvio. Metodologia do ensino de filosofia: Uma didática para o ensino 
médio. Campinas: Papirus, 2020.
KANT, Immanuel. Sobre a pedagogia. Piracicaba, SP: Unimep, 1996.
MOSER, Alvino; LOPES, Luís F. Para compreender a teoria do conhecimento. 
Curitiba: Intersaberes, 2016.
VELASCO, Patrícia Del Nero. Educando para a argumentação: contribuições 
do ensino da lógica. Belo Horizonte: Autêntica, 2010. 
PARA SABER MAIS
A Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) surgiu como 
uma das possibilidades no conjunto de metodologias ativas 
desenvolvidas na contemporaneidade. Vinculada ao movimento 
34
mais amplo, que rompe com os modelos tradicionais de ensino 
para dedicar-se à centralidade da experiência pedagógica nos 
processos de aprendizagem, trata-se da construção de roteiros 
que tenham como norteadores problemas oriundos da realidade. 
Os estudantes, individualmente e em grupos, com o apoio dos 
educadores, assumem o protagonismo do processo em que ocorre a 
sistematização dinâmica das questões para se chegar à resolução do 
problema. 
De acordo como Helbe Herarth (2020, p. 8), a ABP foi inicialmente 
experimentada no contexto da graduação em Medicina, surgida na 
década de 1960 e aplicada nas escolas de medicina da MacMaster 
University, no Canadá. Depois disso, ampliou-se para os Estados 
Unidos e a Europa, firmando-se como uma das alternativas 
eficientes para a potencialização dos processos de aprendizagem 
centrados no protagonismo dos estudantes. No Brasil, começou a 
ser implementada em meados da década de 1990, em instituições 
do Paraná e São Paulo, ainda em caráter experimental, a partir da 
articulação com os currículos já existentes. 
Gradativamente, a ABP foi assumida também na educação básica 
devido ao caráter de atribuir aos estudantes o protagonismo e, por 
conseguinte, a responsabilidade pelo processo de aprendizagem. 
São princípios centrais para a delimitação da educação no 
contexto da contemporaneidade, corroborados por documentos 
internacionais, como Os Quatro Pilares Essenciais à Educação do 
futuro promovido pela UNESCO (Organização das Nações Unidas 
para a Educação, a Ciência e a Cultura), os quais encontram 
repercussão nas diretrizes nacionais para a educação, em especial 
na BNCC e nas diretrizes para o Novo Ensino Médio.
A experiência de ensino e aprendizagem em filosofia, assim como 
os demais componentes curriculares, precisou se reinventar diante 
das novas tendências em educação e da ruptura com os modelos 
35
tradicionais de ensino. Os educadores especialistas nessa área 
se veem desafiados a construir mediações que sejam capazes de 
conectar os modelos teóricos apreendidos no âmbito acadêmico ao 
contexto escolar, articulando, assim, as delimitações da educação 
contemporânea às especificidades da própria área. 
Um exemplo disso é descrito por Prudente, Mercado e Matias 
(2015, p. 8) na aplicação da APB na sistematização das disciplinas 
filosóficas. Os autores relatam que, em uma turma de 32 estudantes, 
realizou-se a divisão por subtemas em referência a um tema gerador 
central. Cada grupo então ficou responsável por analisar e delimitar 
um problema específico dentro do subtema, ou seja, cabível ao 
contexto correspondente. Depois do cumprimento de etapas 
internas, nas quais deveriam organizar funções e subetapas para a 
resolução do problema, como pesquisa, discussão, sistematização e 
resultados, os grupos passavam a interagir a partir dos problemas e 
das soluções, promovendo intersecções e complementaridades em 
torno do tema central. 
Não é uma tarefa simples, posto que o contexto filosófico no 
âmbito acadêmico, devido ao caráter eminentemente teórico 
das discussões, preserva ainda, em grande medida, o modelo 
tradicional de ensino, pautado no protagonismo dos professores. 
Nesse sentido, caberia aos educadores especialistas que atuam na 
educação básica o exercício de traduzir os modelos teóricos para 
problemáticas que sejam relacionadas e repercutidas na realidade 
dos estudantes. Em outras palavras, caberia trazer problemas 
que se apresentam na esfera da experiência com o pensamento e 
com a ação, os quais são eminentemente filosóficos e, entretanto, 
exigiriam a reconfiguração criativa dos termos para que fossem 
considerados relevantes pelo público em questão. 
A proposta da ABP aplicada à experiência do ensino e da 
aprendizagem em filosofia parece fazer jus aos princípios da 
36
reflexão e da construção do pensamento filosófico, uma vez que 
aponta para processos nos quais se abrem possibilidades para a 
recriação de problemas fundamentais da história da filosofia, os 
quais, em essência, são atemporais. Em última instância, contempla 
em si a possibilidade de exercitar a formulaçãodinâmica dos 
conceitos, não mais como “letra morta”, mas como instrumentos 
para a decodificação de desafios e provocações oriundos da 
realidade, fazendo com que os estudantes, na elaboração de trilhas 
independentes de pensamento, entrem em contato com o potencial 
emancipatório da experiência filosófica.
Referências bibliográficas
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: 
MEC, 2018.
BRASIL. Ministério da Educação. Programa de apoio ao novo ensino médio – 
Documento orientador. Brasília: MEC, 2018.
HERARTH, H. H. Aprendizagem baseada em problemas. Curitiba: Contentus, 
2020.
PRUDENTE, T. P.; MERCADO, L. P. L.; MATIAS, W. O uso de metodologias ativas 
com TIC no ensino de disciplinas filosóficas: a ABP nos estudos filosóficos. 
Actas, [s.l.], v. 3, 2015.
TEORIA EM PRÁTICA
Considere que você, educador especialista em filosofia, notou que 
as turmas do 1º ano do Ensino Médio estão desmotivadas e não 
encontram significado ou importância na discussão teórica sobre os 
temas filosóficos oriundos do campo da metafísica. Tendo em vista 
o uso de metodologias ativas e os recursos tecnológicos atualmente 
disponíveis:
37
Faça o esboço de algumas ações pedagógicas possíveis, tendo como 
objetivo atrair o interesse e desenvolver experiências significativas 
de aprendizagem com os temas em questão.
Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, 
acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de 
aprendizagem.
LEITURA FUNDAMENTAL
Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis 
em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log 
in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em 
sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições 
públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou 
periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. 
Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de 
autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos 
que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, 
portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na 
construção da sua carreira profissional. 
Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da 
nossa Biblioteca Virtual e além! Sucesso!
Indicação 1
Os autores do livro indicado se dispõem a discutir o contexto da 
educação na interface com as novas tendências tecnológicas. Em 
capítulos independentes, será possível refletir sobre aspectos 
Indicações de leitura
38
diversos da sociedade contemporânea, os quais estão envolvidos 
com o modo como os estudantes aprendem na atualidade. 
Questões sobre a pós-modernidade, a formação dos professores 
e os métodos ativos de aprendizagem se relacionam às novas 
tecnologias assumidas em sala de aula na abordagem de temas 
cotidianos.
SOARES, Eliana. M. S.; PETARNELLA, Leandro (org.). Experiências 
educativas no contexto digital: algumas possibilidades. Caxias do 
Sul: Educs, 2013.
Indicação 2
Na obra indicada, a autora traça um panorama amplo e detalhado 
sobre as metodologias ativas, desde a origem do conceito 
até a contextualização com a atualidade e os diversos tipos e 
possibilidades de aplicação. Trata-se de uma organização simples e 
clara, na qual o leitor é levado a presenciar, na própria construção 
dos textos, a aplicação dos modelos teóricos que sustentam a 
proposta do desenvolvimento ativo da aprendizagem.
BACARIN, Lígia. M. B. P. Metodologias ativas. Curitiba: Contentus, 
2020. 
QUIZ
Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a 
verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber 
Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste 
Aprendizagem em Foco.
39
Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão 
elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco 
e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de 
questões de interpretação com embasamento no cabeçalho 
da questão.
1. Acerca dos princípios que norteiam a ABP, é correto afirmar 
que:
a. Inscreve-se no conjunto das metodologias ativas, em que se 
estabelece a ruptura com os modelos tradicionais de ensino, 
tendo o foco na aprendizagem.
b. Pressupõe o conjunto de técnicas tradicionais de ensino, ainda 
que reconfiguradas no contexto contemporâneo. 
c. Determina que os estudantes devem construir a capacidade 
de autogestão sem nenhum tipo de interferência ou apoio dos 
educadores. 
d. Estabelece que os conhecimentos essenciais do acervo 
cultural e histórico devem orientar os estudos e determinar a 
construção dos currículos escolares.
e. Considera que a aprendizagem ocorre por meio da construção 
de habilidades técnicas, não sendo necessária a abordagem 
direta dos conteúdos. 
40
2. Considerando a aplicação da ABP no contexto da experiência 
de ensino e aprendizagem em filosofia, é possível afirmar que:
a. Exige dos educadores o exercício de reinterpretação das 
questões oriundas do meio acadêmico para o contexto escolar 
e a relação com as temáticas do cotidiano.
b. Depende da elaboração de norteadores e sistematizações 
a partir de propostas desenvolvidas em materiais didáticos 
especializados. 
c. Devido à eficiência do método, é capaz de disponibilizar a 
transmissão direta dos conceitos e das questões teóricas, 
assim como foram desenvolvidas no campo acadêmico.
d. Permite desconsiderar as questões oriundas do contexto 
teórico, a fim de enfatizar os problemas do cotidiano e 
desenvolver opiniões a partir dos consensos e das narrativas 
comuns.
e. Exige a utilização de aulas expositivas e métodos tradicionais 
de ensino, dedicados a consolidar a aprendizagem e garantir a 
sistematização de cada etapa. 
GABARITO
Questão 1 - Resposta A
Resolução: Como visto na seção Para Saber Mais, a ABP 
corresponde a uma entre outras técnicas inscritas nas 
metodologias ativas. Estas possuem como característica 
comum, além da ruptura com os modelos tradicionais de 
ensino, a centralidade no desenvolvimento da aprendizagem, 
dedicando-se, assim, a aprimorar as ferramentas que se 
destinam a potencializar os processos de compreensão sobre 
os temas, os conteúdos e o desenvolvimento de competências 
essenciais. 
41
Questão 2 - Resposta A
Resolução: Como visto na seção Para saber mais, os 
educadores especialistas em filosofia precisariam desenvolver 
a capacidade de mediação entre as temáticas acadêmicas e 
as questões inerentes ao contexto escolar e ao cotidiano dos 
estudantes. Nesse sentido, a ABP apresenta-se como uma 
alternativa viável para a reconstrução dos problemas teóricos 
na prática de sala de aula, assim como para a ressignificação de 
conceitos que estariam restritos à pesquisa, contando, desse 
modo, com a participação ativa dos estudantes. 
Ética, Política e Estética: 
delimitações de temas no cotidiano 
______________________________________________________________
Autoria: Alessandro Crisostomo
Leitura crítica: Luís Fernando Crespo
TEMA 4
43
DIRETO AO PONTO
A relação entre ética e educação remete ao problema histórico 
sobre como a cultura se desenvolve ao longo dos tempos nas 
sociedades. O campo da educação, por atuar diretamente no 
desenvolvimento individual, com impactos coletivos, teria um lugar 
de destaque nessa construção histórica, de tal forma a reforçar 
ou enfraquecer determinados aspectos, sejam eles de conteúdos 
formais, comportamentos, valores ou habilidades, ou, ao contrário, 
enfraquecer e reduzir o escopo de certos aspectos da cultura que se 
julguem inadequados.
Nesse sentido, a educação é permeada por objetivos éticos, 
além dos ordenamentos específicos para o desenvolvimento 
das atividades, isto é, os determinantes de convivência comuns 
a qualquer local, como empresas ou ambientes públicos. Tais 
objetivos, de acordo com a reflexão sobre como se desenvolveu 
historicamente a sociedade, apontam para a aplicação de esforços 
em ações que permitam a intervenção sobre os comportamentos 
e as microrrelações sociais ali observados. Essas ações podem, 
em linhas gerais,pretender o efeito de reforçar certos valores 
constituídos ou transformar as estruturas consolidadas. 
Destaca-se o lugar da filosofia no contexto escolar, devido a sua 
dominância no que diz respeito à discussão sobre os objetivos 
éticos. As aulas de filosofia, por sua composição teórica e histórica, 
teriam a responsabilidade de representar a ocasião privilegiada, 
na qual seria possível analisar com maior rigor, e, eventualmente, 
problematizar as normas e os costumes observados na sociedade. 
Para além dessa dimensão analítica da sociedade externa, isto é, 
fora do ambiente escolar, existiria ainda o potencial de estabelecer 
ocasiões para a autorreflexão sobre as estruturas internas que 
44
norteiam a convivência na comunidade escolar e o modo como estas 
refletem o contexto mais abrangente da sociedade. 
Dessa forma, é possível atribuir ao contexto do ensino ativo em 
filosofia a potencialidade de romper com o ensino tradicional, 
seja o enciclopedista, voltado para a transmissão e a assimilação 
de conteúdos, seja o tecnicista, dedicada ao desenvolvimento de 
habilidades básicas para a mão de obra produtiva. Esse aspecto 
ativo da experiência filosófica, no que tange aos objetivos éticos, 
permitiria a investigação radical dos saberes e valores, vinculada 
à produção dinâmica de conceitos que atribuam significado à 
realidade vivida, a partir dos processos de cooperação entre 
educadores e estudantes. 
A perspectiva da formação política em filosofia remonta aos 
primórdios dessa área de conhecimento. À medida que a sociedade 
grega, na Antiguidade, abandonou gradativamente os modelos 
despóticos para assumir estruturas mais descentralizadas de 
poder, esteve presente a discussão sobre a consciência política, 
intimamente vinculada à reflexão sobre a ética, isto é, o debate 
sobre como determinar os valores e os princípios que sirvam como 
norteadores do comportamento individual, mas tendo em vista a 
coletividade e os possíveis sistemas de exercício do poder. 
A experiência do ensinar e aprender filosofia a partir de temas 
políticos partiria de duas matrizes de investigação: a histórica e a 
atual. De um lado, estaria a análise crítica sobre os eventos que 
fizeram parte das transformações na sociedade e a alternância 
de modelos políticos, de acordo com cada contexto, e, do outro, 
a discussão a partir dos dados obtidos na realidade imediata, nos 
acontecimentos do momento presente, e o processo analítico de 
expor os meandros das estruturas de poder em vigência. 
45
O posicionamento político em educação não significa a tomada 
de partido em favor de determinado projeto político-ideológico. 
Trata-se do enfrentamento de problemas imanentes às relações 
sociais, os quais emergem na dinâmica da própria escola. Nesse 
sentido, a abordagem política permite aos educadores, e, com 
maior profundidade, aos filósofos a possibilidade de analisar 
criticamente as questões surgidas na realidade, buscando, assim, 
a fundamentação teórica e a compreensão da complexidade 
envolvida em tal fenômeno, ou seja, serviria como disparadores de 
experiências pedagógicas mais amplas. 
Dessa maneira, destaca-se o uso da Aprendizagem Baseada em 
Problemas (ABP) como método ativo de abordagem nas questões de 
caráter político. A partir de disparadores obtidos nas mídias formais 
e informais, seria possível, por meio do uso dos TICs (Tecnologias 
de Informação Comunicação), potencializar o acesso aos diferentes 
formatos sobre a informação, inclusive de acordo com versões 
distintas sobre o mesmo fato. A experiência pedagógica, iniciada 
com os elementos inerentes ao contexto vivido pelos estudantes 
e educadores, seguiria para a identificação e a interpretação dos 
problemas em suas diversas dimensões e aspectos, conduzindo, 
assim, para uma investigação ampla e significativa a respeito 
das estruturas e dos detalhes que compõem o fenômeno, tanto 
em sua historicidade quanto em sua apresentação imediata. Tal 
procedimento se encaminharia, por fim, à produção de resultados 
que indicassem o nível de compreensão e construção conceitual 
sobre a realidade e à possibilidade de intervenção crítica sobre esta. 
No que diz respeito à reflexão sobre os temas da estética 
filosófica, há que se considerar o lugar que esse tipo de discussão 
ocupa no contexto pedagógico. Para que e como desenvolver a 
sensibilidade artística? Qual o lugar ocupado pela arte na vida e no 
desenvolvimento das pessoas? Quais os determinantes estéticos 
que influenciam diretamente o processo formativo e de que modo 
46
os contemplar ao longo das investigações filosóficas em conjunto 
com os estudantes?
São provocações que indicam o terreno fértil representado pelo 
campo da estética no interior dos projetos pedagógicos. Tal 
potencialidade, entretanto, enfrentaria impedimentos e dificuldades 
conjunturais, as quais exigiriam o esforço de reestruturação dos 
contextos, de tal forma a permitir uma abordagem mais ampla 
sobre os temas propostos. Alguns elementos ainda presentes em 
determinados contextos da educação, como a hipervalorização do 
aspecto técnico, a ênfase no treinamento de habilidades práticas ou 
o ensino enciclopedista e propedêutico, produziriam o efeito prático 
de reduzir os espaços que poderiam ser ocupados por outras áreas 
no desenvolvimento amplo e integral dos sujeitos, como é previsto 
nas diretrizes gerais de educação. 
A abordagem filosófica sobre a estética, portanto, exigiria a 
concepção integral acerca do processo formativo, de tal forma a 
propor o desenvolvimento conjunto das competências e habilidades, 
preferencialmente em projetos interdisciplinares. Em meio a esse 
contexto, o lugar da estética na formação humana, situado no 
intervalo entre a experiência imediata dos sentidos e a formulação 
lógico-formal, entre o prático e o teórico, a experiência irrefletida 
e a elaboração conceitual, poderia ser contemplado em propostas 
que tenham por objetivo estabelecer as conexões entre as 
diferentes dimensões da realidade, na construção de competências 
essenciais. Para tal finalidade, o uso das novas tecnologias de 
informação e comunicação pode ser um facilitador dos processos 
e potencializador dos resultados, ainda que não substitua as 
outras demandas referentes à construção pedagógica, como o 
planejamento minucioso e a competência didático-metodológica.
47
Figura 1 – O processo significativo de aprendizagem em filosofia
Fonte: elaborada pelo autor. 
PARA SABER MAIS
A Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP) surgiu como resposta 
aos desafios impostos pela sociedade contemporânea, no tocante 
às transformações profundas no mercado de trabalho, na dinâmica 
da vida cotidiana e nas relações interpessoais. Desde o começo 
da década de 1980, em especial nos Estados Unidos, alertava-se 
para o impacto que as mudanças atribuídas às novas tecnologias 
geravam na formação dos estudantes, tanto no que diz respeito ao 
descompasso entre a formação e a demanda exigida no exercício 
de profissões quanto em relação ao impacto que a absorção 
espontânea das novas tecnologias de informação e comunicação 
produzia para o desenvolvimento de competências básicas, como a 
leitura e os cálculos matemáticos. 
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De acordo com Yanko da Costa (2020, p. 10), em 2006 ainda eram 
identificados nos Estados Unidos os altos níveis de deficiência 
sobre conhecimentos e habilidades imprescindíveis para os 
jovens entrantes no mercado de trabalho, assim como a alteração 
das expectativas quanto ao que era demandado em termos 
de características fundamentais para o exercício de funções. A 
criatividade e a inovação, o pensamento crítico e a resolução de 
problemas e a comunicação e colaboração se apresentaram como 
determinantes no processo de inserção dos jovens no contexto 
profissional. 
O campo da educação, em conexão com os demais setores da 
sociedade, sofreu a influência direta dessas transformações 
sociais, tendo que lidar com seus limites e desafios. Ainda que 
de forma heterogênea, sobretudo em sociedadescomplexas, 
como a brasileira, a adesão às novas tecnologias pareceu ser 
involuntária, orgânica, espontânea. Diante de tal perspectiva, seria 
tarefa dos educadores elaborar tal realidade, a ponto de refletir 
sobre o significado e os meios de interpretação dos fenômenos. 
Indiretamente, a educação seria provocada a desenvolver no interior 
de suas atividades cotidianas as demandas acerca das habilidades 
e dos conhecimentos necessários para a inserção dos jovens no 
mercado de trabalho. 
A ABP traduz para o ambiente educacional a linguagem na qual 
se determinam as experiências a partir de projeções do que se 
pretende alcançar em determinado prazo, contando com essa 
ou aquela ferramenta e investimento de recursos. Trata-se da 
apropriação pedagógica da dinâmica empresarial, pautada por 
termos como: metas, recursos, etapas, prazos, resultados, criação 
colaborativa, entre outros. Em termos contemporâneos, cada 
um desses aspectos é atravessado pelas novas tecnologias de 
informação e comunicação, as quais possuem a capacidade de 
realizar demandas que não seriam possíveis por outras vias. 
49
Diante de tais características, haveria margem para problematizar 
esse tipo de abordagem, denunciando, assim, um aparente 
tecnicismo vinculado aos procedimentos adotados. Entretanto, a 
concepção pedagógica vinculada aos projetos traz o potencial de 
atribuir novos significados às dinâmicas em curso na sociedade. A 
educação, articulada às condições práticas e imediatas da vida em 
sociedade possuiria, talvez de forma exclusiva, a oportunidade ou 
memo a tarefa expressa de refletir sobre as condições vivenciadas 
pelos sujeitos e no interior da própria linguagem corrente e produzir 
as alterações desejáveis. 
Nesse sentido, houve a demanda para que a educação passasse de 
um modelo transmissor/reprodutor para um modelo pautado no 
desenvolvimento da aprendizagem e da autonomia, uma vez que 
as condições objetivas tornaram esse processo necessário a partir 
da articulação constante e intensa entre o contexto pedagógico e 
o contexto social. A ABP sinalizaria para as exigências presentes 
na dinâmica social contemporânea, tanto no que diz respeito às 
competências essenciais no contexto profissional e nas relações 
sociais cotidianas como no tocante à apropriação das novas 
tecnologias de informação e comunicação, algo que parece se dar de 
forma simultânea. 
Por fim, o papel da educação – e nota-se o lugar privilegiado da 
filosofia nesse aspecto – seria atribuir significado às experiências, 
refletir sobre os próprios mecanismos que estão em uso e, 
porventura, fazer projeções de melhorias sobre o que ainda não 
é contemplado enquanto princípio para a formação básica. De 
todo modo, a ABP reuniria as características de, ao mesmo tempo, 
preparar ativamente para a dinâmica e a própria linguagem utilizada 
na realidade cotidiana e desenvolver as competências essenciais 
previstas para a educação básica.
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Referências bibliográficas
COSTA, Yanko Y. K. Aprendizagem baseada em projetos. Curitiba: Contentus, 
2020.
TEORIA EM PRÁTICA
Considere a seguinte situação:
O entorno da escola em que você atua, anteriormente uma região 
tranquila, sem grandes intercorrências policiais, tem apresentado, 
gradativamente, um aumento exponencial de casos de roubo, 
violência e destruição do espaço público, em especial nas praças 
próximas à escola. Em conversa com a equipe pedagógica, os 
educadores da área de geografia, história, sociologia e, você, de 
filosofia concordaram em propor uma intervenção pedagógica por 
meio de metodologias ativas. 
Diante disso, elabore um esboço de um plano para o projeto, tendo 
em vista a interdisciplinaridade e a intervenção no espaço público.
Para conhecer a resolução comentada proposta pelo professor, 
acesse a videoaula deste Teoria em Prática no ambiente de 
aprendizagem.
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LEITURA FUNDAMENTAL
Prezado aluno, as indicações a seguir podem estar disponíveis 
em algum dos parceiros da nossa Biblioteca Virtual (faça o log 
in por meio do seu AVA), e outras podem estar disponíveis em 
sites acadêmicos (como o SciELO), repositórios de instituições 
públicas, órgãos públicos, anais de eventos científicos ou 
periódicos científicos, todos acessíveis pela internet. 
Isso não significa que o protagonismo da sua jornada de 
autodesenvolvimento deva mudar de foco. Reconhecemos 
que você é a autoridade máxima da sua própria vida e deve, 
portanto, assumir uma postura autônoma nos estudos e na 
construção da sua carreira profissional. 
Por isso, nós o convidamos a explorar todas as possibilidades da 
nossa Biblioteca Virtual e além! Sucesso!
Indicação 1
A obra indicada reúne, a partir de fragmentos e descontinuidades, 
os escritos do autor sobre os temas de estética e filosofia da arte. 
Trata-se de uma importante análise sobre as condições estéticas na 
sociedade contemporânea, influenciando, assim, outros autores na 
discussão sobre os padrões e valores imanentes à atividade artística 
e à experiência estética, na perspectiva dos avanços tecnológicos 
verificados no século XX e do modo de vida no interior das 
sociedades capitalistas. 
BENJAMIN, Walter. Estética e filosofia da arte. Belo Horizonte: 
Autêntica, 2017.
Indicações de leitura
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Indicação 2
A obra indicada expõe o encontro entre dois importantes estudiosos 
do cenário brasileiro, reconhecidos pelas contribuições públicas 
nas áreas de filosofia e educação. Os capítulos são organizados por 
temas que surgem do cotidiano e, portanto, fazem parte da vida 
das pessoas de modo geral, revisitados no diálogo dos autores, os 
quais estabelecem a articulação com os fundamentos teóricos no 
aprofundamento rigoroso, mas também bem-humorado, acerca das 
questões importantes da sociedade. 
CORTELA, Mario. S; RIBEIRO, Renato J. Política: para não ser idiota. 
Campinas: Papirus 7 mares, 2013. 
QUIZ
Prezado aluno, as questões do Quiz têm como propósito a 
verificação de leitura dos itens Direto ao Ponto, Para Saber 
Mais, Teoria em Prática e Leitura Fundamental, presentes neste 
Aprendizagem em Foco.
Para as avaliações virtuais e presenciais, as questões serão 
elaboradas a partir de todos os itens do Aprendizagem em Foco 
e dos slides usados para a gravação das videoaulas, além de 
questões de interpretação com embasamento no cabeçalho 
da questão.
53
1. Na discussão sobre as determinações históricas e sociais 
exercidas na relação entre ética e educação, é correto afirmar 
que: 
a. A educação exerce impacto na construção histórica das 
sociedades ao reforçar ou propor transformações nos 
modelos de sociedade constituídos.
b. A educação deveria se concentrar nas funções cabíveis à 
área, como o desenvolvimento de habilidades técnicas e 
conhecimentos fundamentais.
c. A ética constitui um campo teórico da filosofia que faz parte 
do processo de aprofundamento acadêmico, posterior ao 
ensino básico. 
d. A educação precisaria assumir a responsabilidade de 
determinar os valores e as atitudes no desenvolvimento 
infantil, em concordância com as famílias.
e. O ensino de ética e a construção dos valores sociais previstos 
se sobrepõem aos demais interesses veiculados pelas 
instituições educacionais. 
2. No que diz respeito aos objetivos éticos da educação e à 
relação com a filosofia, é possível afirmar que:
a. A filosofia, devido a suas características fundamentais, 
representaria uma ocasião privilegiada no sentido de efetivar 
os objetivos éticos.
b. A filosofia, a partir do caráter histórico e conceitual que 
faz parte de seu escopo, assumiria integralmente a 
responsabilidade pela formação ética. 
c. Caberia aos educadores especialistas em filosofia a tarefa 
de elaborar os fundamentos éticos constantes no regimento 
escolar.
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d. Os objetivos éticos da educação seriam compartilhados por 
todas as áreas, não havendo, portanto, lugar de destaque 
ocupado pela filosofia.
e. Caberia à filosofia o desenvolvimento do Projeto Político 
Pedagógico, no qual estão dispostos os principais objetivoséticos firmados pela escola. 
GABARITO
Questão 1 - Resposta A
Resolução: Como visto na seção Direto ao ponto, é importante 
que se construa o debate em torno da relação entre ética 
e educação, uma vez que é verificável o impacto dessa 
dimensão social na construção da cultura, seja para reforçar 
os valores vigentes, seja para sinalizar mudanças cabíveis no 
desenvolvimento da sociedade em questão. 
Questão 2 - Resposta A
Resolução: Como visto na seção Direto ao ponto, muito embora 
as finalidades éticas na educação sejam compartilhadas 
por toda a equipe pedagógica, a filosofia, devido ao escopo 
histórico e conceitual próprio de sua área, representaria um 
espaço no qual essas questões poderiam ser aprofundadas 
com maior rigor e amplitude. 
BONS ESTUDOS!
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