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AULA 2 Prof. Carlos Eleandro GESTÃO DO SUAS - MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO/ VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL 2 INTRODUÇÃO Esta aula visa analisar a relação da Vigilância Socioassistencial com as políticas sociais, a gestão de informações, o diagnóstico socioterritorial, a importância do monitoramento e a avaliação. TEMA 1 – VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL NA PROTEÇÃO SOCIAL BÁSICA – PSB E NA PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL – PSE Na estruturação das políticas sociais no Sistema Único de Assistência Social, na qual se tem a Política Social Básica – PSB e Política Social Especial – PSE, há os serviços que compõem essas políticas. • Política Social Básica – PSB: − Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (Paif); − Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV); − Serviço de Proteção Social Básica no Domicílio para Pessoas com Deficiência e Idosas. • Política Social Especial – PSE (média e alta complexidade): − Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias Indivíduos (Paefi); − Serviço Especializado em Abordagem Social; − Serviço de proteção social a adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa de Liberdade Assistida (LA) e de Prestação de Serviços à Comunidade (PSC); − Serviço de Proteção Social Especial para Pessoas com Deficiência, Idosas e suas Famílias; − Serviço Especializado para Pessoas em Situação de Rua; − Serviço de Acolhimento Institucional; − Serviço de Acolhimento em República; − Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora; − Serviço de proteção em situações de calamidades públicas e de emergências. Esses serviços prestados geram informações que facilitam os mapeamentos das situações de risco e vulnerabilidades, assim como as questões de violência e violação de direitos. 3 Essas informações precisam serem registradas pelas equipes técnicas nos sistemas de informação que a Rede Suas disponibiliza para servirem de base de dados e serem utilizadas nas análises territoriais das famílias atendidas, colaborando para o acompanhamento da efetividade e qualidade desses serviços. Também com esses dados as equipes técnicas avaliam seus trabalhos, sua atuação, os métodos aplicados e repensam o que pode ser mudado e melhorado para resolver questões de pessoas e famílias atendidas. Isso possibilita que se faça planejamento de ações e atividades direcionadas para as demandas presentes, promovendo a proatividade. O registro dessas informações colabora não apenas com um estudo do território, mas faz com que os serviços da Proteção Social Básica e da Proteção Social Especial busquem melhor qualificação, justamente pela forma que essas informações serão geradas, analisadas e armazenadas. Essa relação entre Vigilância Socioassistencial e as Proteções Sociais Básica e Especial é definida na NOB Suas 2012, que no art. 88 informa que a Vigilância Socioassistencial deve manter estreita relação com as áreas diretamente responsáveis pela oferta de serviços socioassistenciais à população nas Proteções Sociais Básica e Especial. Ainda, em seu parágrafo 1.º, aponta que as unidades que prestam serviços de Proteção Social Básica ou Especial e Benefícios socioassistenciais são provedoras de dados e utilizam as informações produzidas e processadas pela Vigilância Socioassistencial sempre que estas são registradas e armazenadas de forma adequada e subsidiam o processo de planejamento das ações. A responsabilidade de oferecer a Vigilância Socioassistencial é do órgão gestor da assistência social, porém, sabe-se das diversidades de condições entre os municípios, trazendo assim o comprometimento de todos que prestam os serviços socioassistenciais na gestão das informações geradas pelos atendimentos, acompanhamentos e demais ações ofertadas por todas as unidades, equipamentos e rede do Sistema Único de Assistência Social. TEMA 2 – GESTÃO DAS INFORMAÇÕES Atualmente há muitas informações e dados espalhados em várias fontes, polarizados, repetidos e desorganizados. Para implementar a Vigilância Socioassistencial é importante organizar essas informações de forma que sejam 4 confiáveis, estruturadas e de fontes seguras, principalmente das já existentes, possibilitando parâmetros e análises temporais. Há aplicativos do Ministério da Cidadania que servem como fonte de informações, como: • CadÚnico o Cadastro Único é um conjunto de informações sobre as famílias brasileiras em situação de pobreza e extrema pobreza. Essas informações são utilizadas pelo governo federal, pelos estados e pelos municípios para implementação de políticas públicas capazes de promover a melhoria da vida dessas famílias. (Caixa Econômica Federal, 2022) • Censo Suas como um dos principais instrumentos de Vigilância Socioassistencial, o Censo Suas fornece dados e informações que possibilitam conhecer melhor a estrutura de funcionamento do Suas, especialmente sobre demandas apresentadas, articulações com outras políticas setoriais, perfil dos recursos humanos e capacidades de ofertas da rede socioassistencial em âmbito nacional. Os dados do Censo Suas contribuem para a transparência e a efetividade da política de Assistência Social ao serem utilizados na elaboração de diagnósticos socioterritoriais e na construção de indicadores para o monitoramento das ações realizadas no Suas. (Brasil, 2022ª) • Cecad – Cecad ou Cecad 2.0 (Consulta, Seleção e Extração de Informações do CadÚnico) é uma ferramenta que permite conhecer as características socioeconômicas das famílias e pessoas incluídas no Cadastro Único (domicílio, faixa etária, trabalho, renda etc.), bem como saber quais famílias são beneficiárias do Programa Auxílio Brasil e de outros programas sociais que usam o Cadastro Único como base para seleção de beneficiários (Brasil, 2021); • Registro Mensal de Atendimentos (RMA) é um sistema onde são registradas mensalmente as informações relativas aos serviços ofertados e o volume de atendimentos nos Centros de Referência da Assistência Social (Cras), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) e Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centros POP). (Brasil, 2022b) • Sisc é uma ferramenta de gestão do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) em âmbito municipal, distrital, estadual e nacional. Por meio dele, a Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS) realiza a aferição dos atendimentos realizados para a provisão do cofinanciamento federal” (Brasil, 2022c). 5 Com esses aplicativos a Vigilância estrutura as informações de forma organizada e padronizada, visto que os dados alimentados e as informações geradas não são apenas de utilidade da assistência social e devem ser usados intersetorialmente colaborando para as demais políticas públicas, buscando fluxo de informações entre setores, territórios, cidades e estados. As famílias têm o direito de terem suas informações devidamente geridas, armazenadas e protegidas, garantindo sigilo e segurança de seus dados. Os responsáveis pela vigilância no local precisam manusear esses aplicativos, estarem familiarizados com os sistemas. Assim, além de analisarem os dados, podem fazer o monitoramento de serviços e atividades buscando orientar a assistência social na melhoria dos indicadores e qualificar a gestão da informação nos municípios, estados e governo federal. TEMA 3 – DIAGNÓSTICO SOCIOTERRITORIAL Pela NOB Suas 2012, art. 21 (Brasil, 2012): A realização de diagnóstico socioterritorial requer: I. processo contínuo de investigação das situações de risco e vulnerabilidade social presentes nos territórios, acompanhado da interpretação e análise da realidade socioterritorial e das demandas sociais que estão em constante mutação, estabelecendo relações e avaliações de resultados e de impacto das ações planejadas; II. identificação da rede socioassistencialdisponível no território, bem como de outras políticas públicas, com a finalidade de planejar a articulação das ações em resposta às demandas identificadas e a implantação de serviços e equipamentos necessários; III. reconhecimento da oferta e da demanda por serviços socioassistenciais e definição de territórios prioritários para a atuação da política de assistência social. IV. utilização de dados territorializados disponíveis nos sistemas oficiais de informações. Parágrafo único. Consideram-se sistemas oficiais de informações aqueles utilizados no âmbito do SUAS, ainda que oriundos de outros órgãos da administração pública. A realização e manutenção do diagnóstico socioterritorial é responsabilidade da Vigilância Socioassistencial. As informações obtidas pelos dados coletados fazem com que a assistência social tenha conhecimento da situação real e busque de forma planejada e estratégica desenvolver seus trabalhos, alinhar seus serviços e orientar sua equipe técnica. Além dos dados desses aplicativos, é importante haver a participação das famílias atendidas para elaboração do diagnóstico, com coletas de informações 6 coletivas, de modo a possibilitar que as demandas da comunidade sejam consideradas para tomadas de decisão. 3.3 Elaboração do Diagnóstico Socioterritorial Como referência, o Caderno de Orientações Técnicas da Vigilância Socioassistencial descreve uma sugestão para apresentação de dados na elaboração do Diagnóstico Socioterritorial do Município ou Estado (Brasil, 2022d), como segue: 1. Variáveis e indicadores de contexto: Visam apresentar as condições gerais de desenvolvimento econômico e social dos municípios, microrregiões e estados. De forma geral, devem abordar de forma muito sintética as informações essenciais das seguintes áreas: demografia, educação, saúde, trabalho, infraestrutura urbana, economia e meio ambiente. Devem ocupar não mais que 25% do documento produzido. 2. Variáveis e indicadores de caracterização da demanda potencial para os Serviços e Benefícios da Assistência Social: Objetivam apresentar uma referência numérica que possa ser utilizada como proxi da demanda potencial, ou como dimensionamento do público alvo, para cada um dos serviços e benefícios do SUAS em um dado território. Devem considerar, todos os Serviços Socioassistenciais Tipificados, os Benefícios Eventuais, o Benefício de Prestação Continuada – BPC e o benefício pago por meio do Programa Bolsa Família. 3. Variáveis e indicadores relativos à estrutura de oferta dos Serviços e Benefícios da Assistência Social: Objetivam apresentar, por meio de dados quantitativos, informações sobre a existência, ou não, de oferta de cada um dos serviços tipificados e benefícios do SUAS em um dado território, bem como a caracterização do volume de oferta e/ou da capacidade instalada, devendo ainda, quando possível, incluir indicadores relativos à qualidade da oferta instalada e à existência e volume de financiamento federal para os referidos serviços e benefícios. 4. Variáveis e indicadores relativos à estrutura de oferta das demais políticas públicas, exclusivamente no que se refere aos pontos de contato e de complementariedade entre estas e a Assistência Social: Objetivam apresentar, por meio de dados numéricos e de dados categóricos, informações sobre a existência, ou não, de outras ofertas que, embora não integrem as ações de assistência social, constituem “retaguardas” ou pontos de apoio indispensáveis à dimensão intersetorial da atenção aos usuários da política de assistência. Nesse sentido, se destacam estruturas de ofertas, relacionadas à Justiça, aos serviços de saúde mental, Equipes/Unidades de Saúde da Família, Programas de Educação em horário integral etc.) 5. Indicadores que correlacionem demanda e oferta, segundo os Serviços Socioassistenciais Tipificados e, eventualmente, públicos específicos: Objetiva apresentar indicadores que permitam analisar, direta ou indiretamente, a cobertura dos serviços e benefícios em um determinado território. A análise da cobertura ocorrerá de forma direta quando for possível estimar com razoável precisão o volume da demanda efetiva e da oferta existente, podendo então a relação ser expressa em um percentual de cobertura. A análise da cobertura ocorrerá de forma indireta nas situações em que se tem apenas o dimensionamento genérico do público alvo de um serviço, mas não 7 é possível obter dados mais precisos sobre o volume efetivo da demanda e, por consequência, do nível ótimo da oferta. Neste caso, pode-se trabalhar com taxas ou razões que permitam analisar um território comparativamente a outros territórios ou à média do estado, ainda que não seja possível aferir o percentual de cobertura do serviço. Como exemplo desse tipo de indicador podemos citar uma taxa que descreva o número de vagas existentes em abrigos para crianças e adolescentes em um determinado território para cada grupo de 100 mil crianças e adolescentes. Tal indicador permitiria aferir que em uma microrregião existem 60 vagas para cada 100 mil crianças, ao passo que em outra região existem apenas 15 vagas para cada 100 mil crianças. No caso em questão, adota-se uma proxi genérica da demanda, ou seja, assume-se que todas as crianças de 0 a 17 anos constituem potencialmente o público alvo dos serviços de acolhimento, uma vez que não é possível estimar com precisão razoável a demanda efetiva, que seria dada pelo número de crianças e adolescentes que necessitam ser acolhidas em função de situações de abandono ou violência. TEMA 4 – MONITORAMENTO CONFORME NOB SUAS 2012 Conforme NOB Suas 2012, art. 99. da Resolução CNAS n. 33, de 12 de dezembro de 2012, o monitoramento do Suas constitui função inerente à gestão e ao controle social, e consiste no acompanhamento contínuo e sistemático do desenvolvimento de serviços, programas, projetos e benefícios socioassistenciais em relação ao cumprimento de seus objetivos e metas. Deve realizar-se “por meio da produção regular de indicadores e captura de informações: I. in loco; II. em dados provenientes dos sistemas de informação; III. em sistemas que coletam informações específicas para os objetivos do monitoramento”. A NOB Suas 2012, no art. 100, orienta que os indicadores de monitoramento visam mensurar as seguintes dimensões: I. estrutura ou insumos; II. processos ou atividades; III. produtos ou resultados. Para alcançar os objetivos planejados, é necessário conhecer o que há disponível, assim como o que é necessário se ter para obtenção do que se busca como impacto social positivo, sendo fundamental acompanhar as dimensões acima citadas. No art. 101 da NOB Suas 2012 (Brasil, 2012), é descrito que o modelo de monitoramento do Suas deve conter um conjunto mínimo de indicadores pactuados entre os gestores federal, estaduais, do Distrito Federal e municipais, que permitam acompanhar: 8 I. a qualidade e o volume de oferta dos serviços, programas, projetos e benefícios de proteção social básica e proteção social especial; II. o cumprimento do Protocolo de Gestão Integrada de Serviços, Benefícios e Transferência de Renda; III. o desempenho da gestão de cada ente federativo; IV. o monitoramento do funcionamento dos Conselhos de Assistência Social e das Comissões Intergestores. Esses indicadores devem ser definidos entre os entes federados, considerando as diferenças de território e questões sociais locais que alteram os agravos, riscos e possíveis vulnerabilidades. O diálogo desses entes federados é fundamental para que se haja um monitoramento assertivo e condizente com as realidades das famílias assistidas pela assistência social. A construção desses indicadores deve ser de forma coletiva e participativa de todos os gestores, para que não sejam apenas intenções intangíveis para alguns, produzindo metas fora do contexto das localidades. No art. 102, a NOBSuas 2012 (Brasil, 2012) cita que para o monitoramento do Suas em âmbito nacional, as principais fontes de informação são: “I. censo Suas; II. sistemas de registro de atendimentos; II. Cadastros e sistemas gerenciais que integram o Suas; IV. Outros que vierem a ser instituídos e pactuados nacionalmente.” Essas fontes precisam ser alimentadas com dados, informações provenientes dos atendimentos, acompanhamentos, atividades, ações realizadas pelas profissionais da assistência social. Assim sendo, ressalta a importância da consciência desses profissionais em utilizar essas fontes de informação, não somente para repassar dados, mas como consulta e análise de como estão os trabalhos executados dentro da territorialidade. Em relação aos estados, no art. 103, a NOB Suas 2012 (Brasil, 2012) define que “o monitoramento do Suas deve conjugar a captura e verificação de informações in loco junto aos Municípios e a utilização de dados secundários, fornecidos pelos indicadores do sistema nacional de monitoramento do Suas ou provenientes dos próprios sistemas de informação estaduais”. O Estado deve ir a campo, visitar as cidades, coletar as informações presencialmente, fortalecendo o processo de monitoramento dos municípios e assim valorizando a função da vigilância social. Já nos municípios e no Distrito Federal, “o monitoramento do Suas deve capturar e verificar informações in loco, junto aos serviços prestados pela rede socioassistencial, sem prejuízo da utilização de fontes de dados secundárias utilizadas pelo monitoramento em nível nacional e estadual.” (Brasil, 2012). 9 Em nível municipal, o monitoramento Suas é a visão mais direta de como estão as demandas, os serviços, os programas, os projetos, os benefícios direcionados para as famílias, demonstrando se de fato o planejamento está sendo executado, quais os dificultadores e facilitadores. Ainda, conhecer a rede socioassistencial que se tem na localidade e os tipos de serviços ofertados fortalecem a atuação da política de assistência social. Esse é um novo perfil para os profissionais que atuam no campo da assistência social, pois devem ser apoiados na formação continuada para desenvolver competência e habilidades que lhes permitam: • saber onde buscar informações relevantes e se apropriar das formas de consulta das informações; • ler e compreender os dados produzidos por essas fontes; • relacionar essas informações, com aquelas produzidas pelas equipes que trabalham diretamente com a população; • construir indicadores de análise de demanda, de acompanhamento e de avaliação da rede socioassistencial. (Brasil, 2013) No Quadro 1 a seguir, são apresentadas algumas ferramentas na perspectiva do acompanhamento e monitoramento das condições de vida da população e de planos e programas sociais, e/ou ações e programas específicos. 10 Quadro 1 – Ferramentas Fonte: Brasil, 2013, p. 51. Há ferramentas para a consulta de informações que colaboram para monitorar serviços, programas, projetos e benefícios, como podemos observar no Quadro 2 a seguir. Monib – Painel de Monitoramento do Plano Brasil Sem Miséria Construção e consulta de painéis de indicadores para acompanhamento de ações do Plano e Programas do MDS, referidos aos contextos municipal, estadual e nacional. Os painéis podem ser organizados segundo diferentes perspectivas de apresentação dos indicadores tais como: área temática, nível estratégico-tático-operacional da ação, lógica processual insumo-processo-resultados- impactos. Painel de Acompanhamento da Conjuntura e Programas Sociais Apresentação articulada de indicadores, referidos a diferentes períodos e domínios territoriais, acerca da conjuntura social e econômica, condições de vida da população e Políticas e Programas nas áreas de Transferência de Renda, Assistência Social e Segurança Alimentar, como características dos públicos-alvo atendidos, recursos alocados, atividades realizadas, produtos, serviços e benefícios entregues, resultados alcançados. MI Social (Internet) Sistema de monitoramento que agrega os seguintes módulos: Tabelas Sociais: programas/ações/serviços do MDS nas três esferas de governo. MDS em Mapas: Ferramenta que mostra os mapas já existentes sobre as temáticas sociais O VISICON: visualizador de convênios MI Vetor: Ferramenta de visualização de ação/programa com evolução no tempo. Relatório de Informações Sociais O Atlas Social: construção mapas para visualizar a distribuição espacial de um programa social sobre determinadas áreas ou em todo o país. Painel de Monitoramento sobre Programa BPC 11 Quadro 2 – Serviços, prgramas, projetos e benefícios Cecad – Consulta, Seleção e Extração de Informações do CadÚnico Possibilita a consulta da realidade socioeconômica das famílias cadastradas no CadÚnico, contendo informações do núcleo familiar e os seus integrantes, das características do domicílio e das formas de acesso a serviços públicos essenciais e também dados de cada um dos componentes da família. Permite a consulta de várias formas por meio de tabulação cruzada de variáveis, frequência simples ou busca por nome ou NIS. Mapas temáticos de vulnerabilidade Social Construção de mapas temáticos de indicadores relacionados à condição de vulnerabilidade social em nível intramunicipal para todos os municípios brasileiros. É possível construir mapas da extrema pobreza por setor censitário assim como mapas do analfabetismo, concentração de crianças e idosos. IDV – Identificação de Domicílios em Vulnerabilidade Construção de diagnósticos para programas sociais, apresentando indicadores em tabelas ou mapas ao nível de estados, municípios e domínios submunicipais (área de ponderação e setores censitários). Com isso é possível dimensionar e localizar as áreas com maior concentração de famílias em situação de pobreza e/ou vulnerabilidade. Tab Social – Tabulador de Microdados O Tab Social reúne um conjunto de aplicativos que permitem produzir tabulações simples e cruzadas a partir das principais bases de microdados do MDS, como o Censo SUAS e o Cadastro Único de Programas Sociais. Fonte: Brasil, 2013, p. 52. TEMA 5 – AVALIAÇÃO CONFORME NOB SUAS 2012 Conforme o Caderno de Orientação Técnica da Vigilância Socioassistencial (Brasil, 2022e, p. 29): NOB/Suas 2012 traz para dentro do escopo da Vigilância Socioassistencial a responsabilidade de efetivar a atividade de avaliação. Isso não significa dizer que toda pesquisa ou estudo será produzido exclusivamente pela Vigilância, mas que é esta a área responsável por apoiar a gestão na escolha de pesquisas que se adequem às necessidades do Suas. Portanto, a Vigilância deve propor ou auxiliar na proposição de temáticas, acompanhar o processo e traduzir os resultados para o âmbito do Suas. Cada ente federado tem sua responsabilidade sobre a avalição e tratativas das informações geradas. 12 A NOB Suas 2012, no art. 105, cita que caberá à União as seguintes ações de avaliação da política, sem prejuízo de outras que venham a ser desenvolvidas (Brasil, 2012): I. promover continuamente avaliações externas de âmbito nacional, abordando a gestão, os serviços, os programas, os projetos e os benefícios socioassistenciais; II. estabelecer parcerias com órgãos e instituições federais de pesquisa visando à produção de conhecimentos sobre a política e o Sistema Único de Assistência Social; III. realizar, em intervalos bianuais, pesquisa amostral de abrangência nacional com usuários do Suas para avaliar aspectos objetivos e subjetivos referentes à qualidade dos serviços prestados. No art. 106, a NOB Suas 2012 define que “os estados poderão realizar avaliações periódicas da gestão, dos serviços e dos benefícios socioassistenciais em seu território, visando subsidiar a elaboraçãoe o acompanhamento dos planos estaduais de assistência social” (Brasil, 2012). Referente ao Distrito Federal e aos municípios, conforme o art 107. da NOB Suas 2012, “poderão, sem prejuízo de outras ações de avaliação que venham a ser desenvolvidas, instituir práticas participativas de avaliação da gestão e dos serviços da rede socioassistencial, envolvendo trabalhadores, usuários e instâncias de controle social” (Brasil, 2012). “Para a realização das avaliações a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios poderão utilizar a contratação de serviços de órgãos e instituições de pesquisa, visando à produção de conhecimentos sobre a política e o sistema de assistência social” conforme o art.108 da NOB Suas 2012 (Brasil, 2012). A Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais é um instrumento de de referência para a avaliação da Política de Assistência Social, pois por meio de seus componentes da matriz possibilita elencarmos indicadores que se aplicam a todos os entes pelo Sistema Único de Assistência Social. A relação dos componentes da matriz da Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais e indicadores para Vigilância Socioassistencial, conforme Brasil (2013, p. 110-112), são: • referente à descrição, possibilita “o parâmetro para a análise da relevância, adequação e qualidade da oferta e atendimento”; • referente a usuários e condições de acesso, possibilita “referências para o estudo e acompanhamento da incidência territorial das demandas e dos graus, evolução da cobertura e condições de acesso”; 13 • referente à abrangência, possibilita a “análise da perspectiva territorializada da demanda e oferta”; • referente a objetivos, possibilita a “construção de indicadores de acompanhamento e de resultados, estabelecendo parâmetros de adequação entre serviços, benefícios, na garantia de direitos e do acesso a demais serviços setoriais”; • referente a provisões e período de funcionamento, possibilita “analisar padrões de atendimento, estabelecendo distinção entre os tipos de atendimento esperado no serviço e quanto às condições de estrutura física, capacidade técnica e continuidade do serviço”; • referente aquisições dos usuários, possibilita a “análise da resolutividade e efetividade dos serviços, ressaltando a participação e satisfação dos usuários e as mudanças efetivas e duradouras em sua condição de vida, na perspectiva do fortalecimento de sua autonomia e cidadania”; • referente à articulação em rede, possibilita “analisar a articulação entre funções, proteções, entre a rede socioassistencial e com as demais políticas setoriais”; • referente ao impacto social esperado, possibilita a “análise dos resultados, impactos e mudanças em relação às desproteções e violação de direitos”; • referente à regulamentação, possibilita “basear-se na base normativa de referência para a análise e construção dos indicadores”. Conforme Brasil (2013, p. 116): A respeito da adequação da oferta de serviços, programas e benefícios socioassistenciais, um estudo realizado por Aldaiza Sposati e Neiri Bruno Chiachio constrói algumas referências que podem servir para ilustrar como os graus de desenvolvimento apontados pelo Censo Suas podem se desdobrar em novos parâmetros e métricas de gestão, propondo como referências os seguintes indicadores: • Grau de adequação territorial dos serviços e programas (o que pressupõe uma definição de abrangência territorial, a identificação da intensidade da demanda e da capacidade efetiva do atendimento); • Grau de adequação institucional dos serviços não estatais no Suas (estimado a partir do percentual de instituições socioassistenciais privadas que têm aval do Conselho Municipal para funcionar, tendo sido cadastradas pelo órgão gestor; • Grau de regulação institucional por meio de convenio (estimada a partir da relação entre o total de convênios sujeitos a normatização e o total de convênios vigentes na área de assistência social); 14 “A construção de indicadores de qualidade assume grande complexidade porque implica no estabelecimento de medidas de valoração sobre políticas, programas e serviços de caráter público” (Brasil, 2012). Nesse sentido, resgata-se a importância de continuar avançando na construção e combinação entre: • Indicadores sociais de percepção: úteis para verificar como a população avalia os serviços de utilidade pública e o grau de importância deles para a sociedade. Neste sentido, toma-se como referência a experiência do IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e a construção do SIPS (Sistema de Indicadores de Percepção Social). • Indicadores sociais de satisfação: úteis para captar a percepção daqueles que utilizam determinado serviço ou equipamento. (Brasil, 2013, p. 117) 15 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Cidadania. Sagi: catálogo de ferramentas informacionais. Brasília, 2013. _____. Ministério da Cidadania. Secretaria Nacional de Assistência Social. Sistema de Informações do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (Sisc). Disponível em: <https://aplicacoes.mds.gov.br/sisc/auth/index.php>. Acesso em: 4 fev. 2022a. _____. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Capacita Suas: Caderno 3. Vigilância Socioassistencial: Garantia do Caráter Público da Política de Assistência Social. Brasília: MDS, 2013. Disponível em: <https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Cadernos/Ca pacitaSUAS_Caderno_3.pdf>. Acesso em: 4 fev. 2022. _____. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social. Norma Operacional Básica NOB – Suas 2012. Brasília, 12 dez. 2012. Disponível em: <https://www.mds.gov.br/webarquivos/public/NOBSUAS_2012.pdf>. Acesso em: 4 fev. 2022. _____. Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Secretaria Nacional de Assistência Social. Orientações técnicas da Vigilância Socioassistencial. Disponível em: <https://www.mds.gov.br/webarquivos/publicacao/assistencia_social/Cadernos/Ori entacoes_Vigilancia.pdf>. Acesso em: 4 fev. 2022b. _____. Portal Brasileiro de Dados Abertos. Censo SUAS. Disponível em: <https://dados.gov.br/dataset/censo-suas>. Acesso em: 4 fev. 2022c. _____. Portal Brasileiro de Dados Abertos. Registro Mensal de Atendimentos – RMA. Disponível em: <https://dados.gov.br/dataset/registro-mensal-de- atendimentos-rma>. Acesso em: 4 fev. 2022d. _____. Secretaria de Avaliação e Gestão da Informação. Departamento de Gestão da informação. Manual do Cecad. Brasília, 27 maio 2021. Disponível em: <https://manual-cecad-20.readthedocs.io/_/downloads/pt_BR/latest/pdf/>. Acesso em: 4 fev. 2022. 16 BRASIL. Secretaria Nacional de Assistência Social. Departamento de Gestão do Suas. Coordenação Geral dos Serviços de Vigilância Socioassistencial. Orientações Técnicas da Vigilância Socioassistencial: Versão Preliminar. Disponível em: <http://aplicacoes.mds.gov.br/sagi/dicivip_datain/ckfinder/userfiles/files/Orientaca o_Tecnica_Versao_Preliminar_Encontro.pdf>. Acesso em: 4 fev. 2022e. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. Cadastro Único: o que é. Disponível em: <https://www.caixa.gov.br/servicos/cadastro-unico/Paginas/default.aspx>. Acesso em: 4 fev. 2022.