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AULA 1 
GESTÃO DO SUAS - 
MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO/
VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL 
Prof. Carlos Eleandro 
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
 A aula em questão visa entender a concepção e conceitos da Vigilância 
Socioassistencial, assim como o objeto central que deve ser levado em 
consideração e o modelo de atenção a ser aplicado no Sistema Único de 
Assistência Social. 
TEMA 1 – VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL 
A Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social de 
2005 – NOB SUAS 2005 descreve que a Vigilância Socioassistencial consiste no 
desenvolvimento de capacidades e meios técnicos para que os gestores e 
profissionais da Assistência Social possam conhecer a presença das formas de 
vulnerabilidade social da população e do território pelo qual são responsáveis. 
A Norma Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social de 
2012, em seu artigo 1º, afirma a Vigilância Socioassistencial como uma função da 
política de assistência social, conjuntamente com a Proteção Social e a Defesa 
de Direitos. 
Dessa forma, destaca-se a importância da Vigilância Socioassistencial no 
conhecimento das demandas sociais locais, por meio de indicadores e análises 
que colaboram para o monitoramento e avalição das questões sociais e dos 
serviços, programas e projetos ofertados para prevenção e redução das situações 
de violação de direitos e violência. 
A Política Nacional de Assistência Social – PNAS, aprovada pela resolução 
n.145, de 15 de outubro de 2004 do Conselho Nacional de Assistência Social, no 
capítulo 3, descreve que a Vigilância Socioassistencial refere-se à produção, 
sistematização de informações, indicadores e índices territorializados das 
situações de vulnerabilidade e risco pessoal e social que incidem sobre 
famílias/pessoas nos diferentes ciclos da vida (crianças, adolescentes, jovens, 
adultos e idosos); pessoas com redução da capacidade pessoal, com deficiência 
ou em abandono; crianças e adultos, vítimas de formas de exploração, de 
violência e de ameaças; vítimas de preconceito por etnia, gênero e opção pessoal; 
vítimas de apartação social que lhes impossibilite sua autonomia e integridade, 
fragilizando sua existência; vigilância sobre os padrões de serviços de assistência 
social em especial aqueles que operam na forma de albergues, abrigos, 
residências, semi-residências, moradias provisórias para os diversos segmentos 
 
 
3 
etários. Os indicadores a serem construídos devem mensurar no território as 
situações de riscos sociais e violação de direitos. 
A NOB SUAS 2005, em seu capítulo 1, determina que os serviços 
socioassistenciais no SUAS são organizados pela vigilância social, proteção 
social e defesa social e institucional coloca que a Vigilância Socioassistencial 
executa as seguintes funções. 
• Produz, sistematiza informações, constrói indicadores e índices 
territorializados das situações de vulnerabilidade e risco pessoal e social, 
que incidem sobre famílias / pessoas, nos diferentes ciclos de vida 
(crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos). 
• Identifica pessoas com redução da capacidade pessoal, com deficiência ou 
em abandono. 
• Identifica a incidência de crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos 
vítimas de formas de exploração, de violência, de maus tratos e de 
ameaças. 
• Identifica a incidência de vítimas de apartação social, que lhes impossibilite 
sua autonomia e integridade, fragilizando sua existência. 
• Exerce vigilância sobre os padrões de serviços de Assistência Social, em 
especial aqueles que operam na forma de albergues, abrigos, residências, 
semi-residências, moradias provisórias para os diversos segmentos 
etários. 
Os municípios, estados e governo federal devem ter estruturado e 
funcionando as ações de vigilância socioassistencial, pois dessa forma fortalecem 
a proteção social básica, a proteção social especial, melhorando a efetividade dos 
serviços e focando nas demandas mais prioritárias, reforçando o planejamento 
das atividades e execução financeira mais assertiva. Com a Vigilância 
Socioassistencial organizada por esses entes fica melhor fazer a gestão do 
Sistema Único de Assistência Social, fornecendo informações sobre as 
vulnerabilidades locais das famílias, as situações das ofertas socioassistenciais e 
o diagnóstico territorial. A vigilância considera três conceitos em sua aplicação, 
sendo o risco, a vulnerabilidade social e o território. 
O risco na assistência social é um conjunto de eventos que podem causar 
agravos na situação das famílias, os quais precisam ser prevenidos e evitados. A 
Política Nacional de Assistência Social – PNAS, aprovada pela resolução n.145, 
4 
de 15 de outubro de 2004 do Conselho Nacional de Assistência Social, define as 
situações de risco. 
• Situações de violência intrafamiliar; negligência; maus tratos; violência,
abuso ou exploração sexual; trabalho infantil; discriminação por gênero,
etnia ou qualquer outra condição ou identidade.
• Situações que denotam a fragilização ou rompimento de vínculos familiares
ou comunitários, tais como: vivência em situação de rua; afastamento de
crianças e adolescentes do convívio familiar em decorrência de medidas
protetivas; atos infracionais de adolescentes com consequente aplicação
de medidas socioeducativas; privação do convívio familiar ou comunitário
de idosos, crianças ou pessoas com deficiência em instituições de
acolhimento; qualquer outra privação do convívio comunitário vivenciada
por pessoas dependentes (crianças, idosos, pessoas com deficiência),
ainda que residindo com a própria família.
Em relação a vulnerabilidade, a Política Nacional de Assistência Social –
PNAS define que vulnerabilidade se constitui em situações ou ainda em 
identidades que podem levar a exclusão social dos sujeitos. Estas situações se 
originam no processo de produção e reprodução de desigualdades sociais, nos 
processos discriminatórios, segregacionistas engendrados nas construções 
sócio-históricas que privilegiam alguns pertencimentos em relação a outros. 
Nessa questão de vulnerabilidade importante, a análise ampla da realidade 
que as famílias vivem e convivem, não considerando apenas questões 
socioeconômicas e sim vários fatores que fragilizam as famílias. Assim, não é só 
uma ação da assistência social e sim das demais políticas que devem trazer a 
segurança de direitos as pessoas e acesso a uma vida digna. Fundamental 
avaliação específica para cada situação, famílias no intuito de não generalizar 
sempre a vulnerabilidade e sim perceber que cada família em um mesmo território, 
iminente aos mesmos ricos, podem apresentar vulnerabilidade diferentes, 
dependendo de fatores e situações e a forma como cada família consegue 
assimilar em seu contexto social. 
Quando é dito Território, isso refere-se às condições sociais de uma 
determinada família, pessoa em um determinado espaço, não apenas sua casa, 
rua, comunidade e sim das relações sociais, dos acessos as políticas públicas, 
das melhorias ou não das condições coletivas das famílias, de fatores históricos 
 
 
5 
de onde as famílias estão e a forma como as pessoas desse espaço se 
relacionam. 
A vigilância nesse conceito território proporcionará melhor estudo sobre o 
resolutividade das ações ofertadas pelos equipamentos do Sistema Único de 
Assistência Social e se essas ações estão impactando positivamente na redução 
dos riscos, vulnerabilidades no contexto coletivo. 
Havendo intervenções corretas nos territórios, famílias e indivíduos serão 
diretamente beneficiados e demandas sociais comunitárias reduzidas, 
melhorando a qualidade de vida das pessoas, sendo para isso fundamental o 
estudo, análise, monitoramento, avalição e organização das informações 
pesquisadas. 
TEMA 2 – EIXOS DA VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL 
Pela Política Nacional de Assistência Social e da Norma Operacional 
Básica do Sistema Único de Assistência Social de 2012, orienta-se que aVigilância Socioassistencial se organize a partir de dois eixos que se articulam 
para produzir a visão de totalidade. São eles: 
• a vigilância de riscos e vulnerabilidades; e 
• a vigilância sobre os padrões dos serviços. 
Os estudos das demandas de um território são essenciais para formalizar 
políticas públicas coerentes a realidade das famílias, considerando os riscos, 
vulnerabilidades, prevendo situações e melhorando os programas, projetos, 
serviços e benefícios para as pessoas. 
Para um bom planejamento precisa-se de dados reais e verdadeiros e, 
assim, implementar estratégias que promovam a mudança das situações 
apresentadas, trazendo para as pessoas, famílias, o atendimento das questões 
de risco e vulnerabilidade específicos e coletivos. Direcionando os trabalhos das 
equipes do Sistema Único de Assistência Social mais próxima da realidade de fato 
e não da subjetividade de entendimentos e interpretações não técnicas, 
fortalecendo os resultados buscados por esses profissionais. 
Conhecendo os riscos e vulnerabilidades fica mais fácil entender quais são 
as necessidades de proteção social, seja básica ou especial, os tipos de 
equipamentos necessários e assim decidir quais serviços e benefícios seriam 
ofertados para aquela situação e articulações com as demais políticas públicas. 
 
 
6 
O Sistema Único de Assistência Social, tendo essas informações, 
consegue atender melhor a população e adequar ser serviços e orientações em 
prol da melhoria socioassistencial na vida das famílias, principalmente daquelas 
mais fragilizadas. 
2.1 Eixo da vigilância de riscos e vulnerabilidades 
Nesse eixo, o importante é fazer o estudo, diagnóstico de como estão os 
riscos e vulnerabilidades em um determinado território, conhecendo os aspectos 
que afetam as famílias, indivíduos. 
Sabendo das demandas fica mais fácil numerar as famílias atingidas pelas 
questões pesquisadas e assim fazer a oferta correta de serviços com a intenção 
de prevenção e amenização de agravos presentes. 
Não é fácil na Assistência Social mensurar as demandas, pois ainda faltam 
investimentos, reconhecimentos como política de direitos, interpretações do que 
é assistência social e uma base de dados passada para termos parâmetros com 
a atualidade. Mas, com a vigilância socioassistencial, vem se buscando essa 
construção de referências e estimativas próximas da realidade. 
Conhecer especificamente a demanda por meio dos riscos e 
vulnerabilidades ainda é um objetivo, porém de forma mais geral já se tem bons 
resultados, principalmente com os dados do Cadastro Único de Programas 
Sociais – CadÚnico –, do Programa Auxílio Brasil e do Benefício de Prestação 
Continuada – BPC, além dos dados populacionais produzidos pelo Censo 
Demográfico do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 
Também nesse eixo se analisa e monitora as questões relacionadas a 
violência e violação de direitos, mapeando essas situações e de forma mais 
direcionada propor intervenções em territórios como maiores índices dessas 
questões, promovendo melhor estruturação de atendimentos, equipes, 
equipamentos e políticas públicas visando a reparação, diminuição e prevenção 
de casos da política social especial, média e alta complexidade. 
2.2 Eixo da vigilância dos padrões dos serviços 
Nesse eixo, por meio de mensuração de dados, informações, é feito o 
monitoramento do Sistema único de Assistência Social, avaliando como estão os 
serviços e benefícios. Esses dados são repassados pelos Centros de Referência 
7 
de Assistência Social – CRAS, pelos Centros de Referência Especializados de 
Assistência Social – CREAS, Acolhimentos, Programas Sociais específicos e da 
Rede de Atendimento Socioassistencial. 
Conforme Manual de Orientações Técnicas da Vigilância Socioassistencial, 
é desejável que os dados coletados junto aos serviços/unidades sejam capazes 
de aferir: 
a. a quantidade e perfil dos recursos humanos;
b. o tipo e volume dos serviços prestados;
c. a observância dos procedimentos essenciais vinculados ao conteúdo do
serviço e necessários à sua qualidade;
d. o perfil dos usuários atendidos;
e. as condições de acesso ao serviço; e
f. a infraestrutura, equipamentos e materiais existentes.
Esses dados são atualmente coletados em sistemas de lançamentos como
o CENSO SUAS, que faz uma mensuração de informações sobre os
equipamentos públicos, serviços prestados por entidades sociais, a estrutura da 
gestão da assistência social local, Conselho de Assistência Social e o Fundo de 
Assistência Social. 
Outra fonte de dados é o Registro Mensal de Atendimentos, no qual é 
descrito numericamente os atendimentos prestados pelas unidades CRAS e 
CREAS, de forma individual ou coletiva, e também às famílias que estão 
acompanhadas por essas unidades. 
A alimentação correta e verdadeira desses dados colabora para o 
monitoramento da demanda e de que como estão os serviços prestados, fazendo 
com que decisões possam ser tomadas a nível municipal, estadual e federal. 
O desafio é que os profissionais das unidades usem esses dados para 
acompanharem as demandas, as necessidades dos equipamentos, melhorando 
assim o planejamento para melhorias operacionais e estruturais. Muitas vezes 
esses dados nos municípios são lançados apenas por obrigatoriedade e não são 
usados como referências de monitoramento. 
TEMA 3 – VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL E O SUAS 
A relação é direta da vigilância com os propósitos do Sistema Único de 
Assistência Social, visto que levantamento de informações, análises de demandas 
e territórios faz com que o SUAS seja descentralizado atendo municípios de vários 
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portes e com riscos e vulnerabilidades diferentes, melhorando a busca ativa e 
ordenando as ações conforme a especificidades locais, mas sem perder o 
alinhamento único da assistência social. 
Os profissionais envolvidos com o SUAS possuem com a vigilância 
direcionamento para verificarem suas potencialidades e vulnerabilidades em 
relação ao território, famílias e pessoas, fortalecendo a aplicação da Política 
Nacional de Assistência Social, a qual coloca a Vigilância Socioassistencial no 
mesmo nível que as proteções sociais e a defesa dos direitos. 
A Lei Orgânica de Assistência Social afirma que: 
Art. 2º A assistência social tem por objetivos: 
I - a proteção social, que visa à garantia da vida, à redução de danos e 
à prevenção da incidência de riscos, especialmente: (...); 
II - a vigilância socioassistencial, que visa a analisar territorialmente a 
capacidade protetiva das famílias e nela a ocorrência de 
vulnerabilidades, de ameaças, de vitimizações e danos; 
III- a defesa de direitos, que visa a garantir o pleno acesso aos direitos
no conjunto das provisões socioassistenciais.
(Fonte: Lei n. 8.742, de 1993, segundo redação dada pela Lei n. 12.435,
de 2011)
Art. 6º-A. A assistência social organiza-se pelos seguintes tipos de 
proteção: 
I - proteção social básica: (...); II - proteção social especial: (...). 
Parágrafo único. A vigilância socioassistencial é um dos instrumentos 
dasproteções da assistência social que identifica e previne as situações 
de risco e vulnerabilidade social e seus agravos no território. (Fonte: Lei 
n. 8.742, de 1993, segundo redação dada pela Lei n. 12.435, de 2011)
A vigilância socioassistencial é responsável pela organização das 
informações e dados, de forma a dar direcionamentos aos atendimentos das 
demandas sociais por meio de ofertas planejadas e executáveis. 
TEMA 4 – VIGILÂNCIA SOCIOASSISTENCIAL E AS RESPONSABILIDADES 
COMUNS DOS ENTES FEDERADOS 
Conforme a Norma Operacional Básica de 2012, no seu Art. 91, constituem 
responsabilidades comuns à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos 
Municípios acerca da área de Vigilância Socioassistencial. 
I. Elaborar e atualizar periodicamente diagnósticos socioterritoriais que
devem ser compatíveis com os limites territoriais dos respectivos entes
federados edevem conter as informações espaciais referentes:
9 
a. às vulnerabilidades e aos riscos dos territórios e da consequente
demanda por serviços socioassistenciais de Proteção Social Básica e
Proteção Social Especial e de benefícios;
b. ao tipo, ao volume e à qualidade das ofertas disponíveis e efetivas à
população.
II. Contribuir com as áreas de gestão e de proteção social básica e especial
na elaboração de diagnósticos, planos e outros.
III. Utilizar a base de dados do Cadastro Único como ferramenta para
construção de mapas de vulnerabilidade social dos territórios, para traçar o
perfil de populações vulneráveis e estimar a demanda potencial dos
serviços de Proteção Social Básica e Especial e sua distribuição no
território.
IV. Utilizar a base de dados do Cadastro Único como instrumento permanente
de identificação das famílias que apresentam características de potenciais
demandantes dos distintos serviços socioassistenciais e, com base em tais
informações, planejar, orientar e coordenar ações de busca ativa a serem
executas pelas equipes dos CRAS e CREAS.
V. Implementar o sistema de notificação compulsória contemplando o registro
e a notificação ao Sistema de Garantia de Direitos sobre as situações de
violência intrafamiliar, abuso ou exploração sexual de crianças e
adolescentes e trabalho infantil, além de outras que venham a ser
pactuadas e deliberadas.
VI. Utilizar os dados provenientes do Sistema de Notificação das Violações de
Direitos para monitorar a incidência e o atendimento das situações de risco
pessoal e social pertinentes à assistência social.
VII. Orientar quanto aos procedimentos de registro das informações referentes
aos atendimentos realizados pelas unidades da rede socioassistencial,
zelando pela padronização e qualidade desses.
VIII. Coordenar e acompanhar a alimentação dos sistemas de informação que
provêm dados sobre a rede socioassistencial e sobre os atendimentos por
ela realizados, mantendo diálogo permanente com as áreas de Proteção
Social Básica e de Proteção Social Especial, que são diretamente
responsáveis pela provisão dos dados necessários à alimentação dos
sistemas específicos ao seu âmbito de atuação.
 
 
10 
IX. Realizar a gestão do cadastro de unidades da rede socioassistencial 
pública no CadSUAS. 
X. Responsabilizar-se pela gestão e alimentação de outros sistemas de 
informação que provêm dados sobre a rede socioassistencial e sobre os 
atendimentos por ela realizados, quando estes não forem específicos de 
um programa, serviço ou benefício. 
XI. Analisar periodicamente os dados dos sistemas de informação do SUAS, 
utilizando-os como base para a produção de estudos e indicadores. 
XII. Coordenar o processo de realização anual do Censo SUAS, zelando pela 
qualidade das informações coletadas. 
XIII. Estabelecer, com base nas normativas existentes e no diálogo com as 
demais áreas técnicas, padrões de referência para avaliação da qualidade 
dos serviços ofertados pela rede socioassistencial e monitorá-los por meio 
de indicadores. 
XIV. Coordenar, de forma articulada com as áreas de Proteção Social Básica e 
de Proteção Social Especial, as atividades de monitoramento da rede 
socioassistencial, de forma a avaliar periodicamente a observância dos 
padrões de referência relativos à qualidade dos serviços ofertados. 
XV. Estabelecer articulações intersetoriais de forma a ampliar o conhecimento 
sobre os riscos e as vulnerabilidades que afetam as famílias e os indivíduos 
em um dado território, colaborando para o aprimoramento das intervenções 
realizadas. 
4.1 Responsabilidades específicas da união acerca da área da vigilância 
socioassistencial 
Conforme a Norma Operacional Básica de 2012, no seu Art. 92, constituem 
responsabilidades comuns à União acerca da área de Vigilância 
Socioassistencial: 
I. apoiar tecnicamente a estruturação da Vigilância Socioassistencial nos 
estados, DF e municípios; 
II. organizar, normatizar e gerir nacionalmente, no âmbito da Política de 
Assistência Social, o sistema de notificações para eventos de violência e 
violação de direitos, estabelecendo instrumentos e fluxos necessários à sua 
implementação e ao seu funcionamento; 
 
 
11 
III. planejar e coordenar, em âmbito nacional, o processo de realização anual 
do Censo SUAS, zelando pela qualidade das informações coletadas; 
IV. propor parâmetros nacionais para os registros de informações no âmbito 
do SUAS; e 
V. propor indicadores nacionais para o monitoramento no âmbito do SUAS. 
4.2 Responsabilidades específicas dos estados acerca da área da vigilância 
socioassistencial 
Conforme a Norma Operacional Básica de 2012, no seu Art. 93, constituem 
responsabilidades comuns aos Estados acerca da área de Vigilância 
Socioassistencial: 
I. desenvolver estudos para subsidiar a regionalização dos serviços de 
proteção social especial no âmbito do estado; 
II. apoiar tecnicamente a estruturação da Vigilância Socioassistencial nos 
municípios do estado; e 
III. coordenar, em âmbito estadual, o processo de realização anual do 
Censo SUAS, apoiando tecnicamente os municípios para o 
preenchimento dos questionários e zelando pela qualidade das 
informações coletadas. 
4.3 Responsabilidades específicas dos municípios e do distrito federal 
acerca da área da vigilância socioassistencial 
Conforme a Norma Operacional Básica de 2012, no seu Art. 94, constituem 
responsabilidades comuns aos Estados acerca da área de Vigilância 
Socioassistencial. 
I. elaborar e atualizar, em conjunto com as áreas de proteção social básica e 
especial, os diagnósticos circunscritos aos territórios de abrangência dos 
CRAS e CREAS; 
II. colaborar com o planejamento das atividades pertinentes ao 
cadastramento e à atualização cadastral do Cadastro Único em âmbito 
municipal; 
III. fornecer sistematicamente às unidades da rede socioassistencial, 
especialmente aos CRAS e CREAS, informações e indicadores 
 
 
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territorializados, extraídos do Cadastro Único, que possam auxiliar as 
ações de busca ativa e subsidiar as atividades de planejamento e avaliação 
dos próprios serviços; 
IV. fornecer sistematicamente aos CRAS e CREAS listagens territorializadas 
das famílias em descumprimento de condicionalidades do Programa Bolsa 
Família, com bloqueio ou suspensão do benefício, e monitorar a realização 
da busca ativa destas famílias pelas referidas unidades e o registro do 
acompanhamento que possibilita a interrupção dos efeitos do 
descumprimento sobre o benefício das famílias; 
V. fornecer sistematicamente aos CRAS e CREAS listagens territorializadas 
das famílias beneficiárias do BPC. 
TEMA 5 – INFORMAÇÃO 
 A NOB SUAS 2012, art. 95, descreve que a gestão da informação, por meio 
da integração entre ferramentas tecnológicas, torna-se um componente 
estratégico para: 
I. a definição do conteúdo da política e seu planejamento; e 
II. o monitoramento e a avaliação da oferta e da demanda de serviços 
socioassistenciais. 
Na atualidade, saber lidar com informações certas e de forma gerencial 
empodera as tomadas de decisões, e com o auxílio das tecnologias facilita 
análises e definições para melhoramento da própria política de assistência social 
e dos serviços, programas, projetos, benefícios prestados para a população. 
Trabalhar com a informação requer investimentos e organização sistêmica, 
sendo que os entes federados precisam dispor de interesse e recursos financeiros 
para investir em ferramentas de gestão desses dados, os quais transparecem a 
realidade social das famílias e podem colaborar para a implementação de políticas 
públicas direcionadas para a redução de agravos nos quais as pessoas convivem. 
Essa ferramenta de gestão como a NOB SUAS 2012 apresenta a Rede 
SUAS, que operacionaliza a gestão da informação do SUAS por meio de um 
conjunto de aplicativos de suporte à gestão, ao monitoramento, à avaliação e ao 
controle social de serviços, programas, projetos ebenefícios da assistência social 
e ao seu respectivo funcionamento. No artigo 97 da NOB SUAS 2012, considera-
 
 
13 
se ferramentas de gestão, que orientam o processo de organização do SUAS, 
além dos aplicativos da Rede SUAS: 
I. o Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal; 
II. os sistemas e base de dados relacionados à operacionalização do 
Programa Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada, 
observadas as normas sobre sigilo de dados dos respectivos Cadastros; 
III. os sistemas de monitoramento; 
IV. o Censo SUAS; e 
V. outras que vierem a ser instituídas. 
 E as diretrizes que constituem as diretrizes para a concepção dos sistemas 
de informação no SUAS conforme Art 96. da NOB SUAS 2012, são: 
I. compartilhamento da informação na esfera federal, estadual, do Distrito 
Federal e municipal e entre todos os atores do SUAS - trabalhadores, 
conselheiros, usuários e entidades; 
II. compreensão de que a informação no SUAS não se resume à 
informatização ou instalação de aplicativos e ferramentas, mas afirma-se 
também como uma cultura a ser disseminada na gestão e no controle 
social; 
III. disponibilização da informação de maneira compreensível à população; 
IV. transparência e acessibilidade; 
V. construção de aplicativos e subsistemas flexíveis que respeitem as 
diversidades e particularidades regionais; e 
VI. interconectividade entre os sistemas 
E conforme o Art. 98., a União, os Estados, o Distrito Federal e os 
Municípios possuem responsabilidades específicas na gestão da informação do 
SUAS, §1º. Constituem responsabilidades relativas à gestão da informação do 
SUAS no âmbito da União: 
I. coletar, armazenar, processar, analisar e divulgar dados e informações 
nacionais relativas ao SUAS; 
II. organizar e manter a Rede SUAS; 
III. desenvolver, manter e aperfeiçoar ferramentas e aplicativos nacionais para 
a gestão do SUAS e para os serviços socioassistenciais; 
IV. propor a padronização e os protocolos nacionais de registro e trânsito das 
informações no âmbito do SUAS; 
 
 
14 
V. produzir informações, estudos e pesquisas que subsidiem o monitoramento 
e avaliação da rede socioassistencial e da qualidade dos serviços e 
benefícios prestados aos usuários; 
VI. disseminar o conhecimento produzido pelo órgão gestor federal para os 
demais entes da federação; 
VII. elaborar o plano nacional de capacitação para a área; VIII - disponibilizar 
bancos de dados do órgão gestor federal do SUAS para os Estados, o 
Distrito Federal e os Municípios; e 
VIII. criar e manter canais nacionais de comunicação entre gestores, 
trabalhadores, conselheiros e usuários da assistência social. 
No parágrafo 2º do Art 98., descreve-se que constituem responsabilidades 
relativas à gestão da informação do SUAS no âmbito dos Estados: 
I. coletar, armazenar, processar, analisar e divulgar dados e informações 
estaduais relativas ao SUAS; 
II. organizar e manter o sistema estadual de informações do SUAS; 
III. compatibilizar, em parceria com a União, os sistemas estaduais de 
informação com a Rede SUAS; 
IV. propor a padronização e os protocolos estaduais de registro e trânsito da 
informação no âmbito do SUAS; 
V. alimentar e responsabilizar-se pela fidedignidade das informações 
inseridas no sistema nacional de informação; 
VI. produzir informações, estudos e pesquisas que subsidiem o monitoramento 
e avaliação da rede socioassistencial e da qualidade dos serviços e 
benefícios prestados aos usuários; 
VII. disseminar o conhecimento produzido pelo órgão gestor estadual para os 
Municípios, usuários, trabalhadores, conselheiros e entidades de 
assistência social; 
VIII. criar e manter canais estaduais de comunicação entre gestores, técnicos, 
conselheiros, usuários e entidades de assistência social; 
IX. prestar apoio técnico e financeiro aos Municípios na estruturação dos 
sistemas de informações locais; e 
X. disponibilizar os bancos de dados ao órgão gestor dos Municípios. 
E no parágrafo §3º do Art 98 diz que responsabilidades relativas à gestão 
da informação do SUAS no âmbito dos Municípios e do Distrito Federal: 
 
 
15 
I. coletar, armazenar, processar, analisar e divulgar dados e informações 
municipais ou do Distrito Federal relativas ao SUAS; 
II. desenvolver, implantar e manter sistemas locais de informação; 
III. compatibilizar, em parceria com Estados e/ou União, os sistemas locais de 
informação com a Rede SUAS; 
IV. alimentar e responsabilizar-se pela fidedignidade das informações 
inseridas nos sistemas estaduais e nacional de informações; 
V. propor a padronização e os protocolos locais de registro e trânsito da 
informação no âmbito do SUAS; 
VI. disseminar o conhecimento produzido pelo órgão gestor municipal e do 
Distrito Federal para os usuários, trabalhadores, conselheiros e entidades 
de assistência social; e 
VII. produzir informações que subsidiem o monitoramento e a avaliação da rede 
socioassistencial e da qualidade dos serviços e benefícios prestados aos 
usuários. 
 
 
 
16 
REFERÊNCIAS 
Caderno de Orientações Técnicas da Vigilância Socioassistencial - Ministério do 
Desenvolvimento Social e Combate à Fome- 2012 
BRASIL. Lei n.12.435, de 6 de julho de 2011. Altera a Lei n.8.742, de 7 de 
dezembro de 1993, que dispõe sobre a organização da Assistência Social. 
Resolução CNAS n.33, de 12 de dezembro de 2012 - Aprova a Norma 
Operacional Básica do Sistema Único de Assistência Social -NOB/SUAS e 
sub 
 
 
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2012.435-2011?OpenDocument

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