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Microbiota e Mecanismos de patogenicidade bacteriana Danielle Pereira Vieira MICROBIOTA NORMAL DO CORPO HUMANO Microbiota normal do corpo humano Microbiota normal do corpo humano Na passagem pelo canal do parto, bebê recebe os primeiros componentes da microbiota. A microbiota normal desenvolveu uma relação simbiótica com seu hospedeiro mamífero. Microbiota normal do corpo humano Contribui para a saúde e o bem-estar do hospedeiro: Geração de produtos microbianos Inibindo o crescimento de microrganismos perigosos Microbiota normal do corpo humano Colonização Altamente diversa. Diferentes populações de microrganismos colonizam diferentes locais dos indivíduos, em diferentes momentos. Microbiota normal do corpo humano Microbiota normal do corpo humano Pele Microbiota normal do corpo humano Mais de 200 gêneros diferentes foram identificados. Mais de 60% das sequências - Corynebacterium (Actinobacteria), Propionibacterium (Actinobacteria) e Staphylococcus (Firmicutes). Pele Microrganismos eucarióticos também estão presentes na pele. Levedura - Malassezia - caspa Pacientes com HIV/Aids, ou individuos com microbiota normal comprometida - Candida e outros fungos - graves infeccoes de pele. Microbiota normal do corpo humano Pele Malassezia Fatores ambientais e do hospedeiro podem influenciar a composição da microbiota normal da pele. Clima - aumento na temperatura e umidade da pele, aumenta a densidade da microbiota cutânea. Higiene pessoal interfere na microbiota residente. Indivíduos pouco asseados - maior densidade populacional microbiana na pele. Microbiota normal do corpo humano Pele Microbiota normal do corpo humano Pele Importância da remoção da microbiota transitória das mãos pelos profissionais da área de saúde. Microbiota normal do corpo humano Cavidade oral Habitat microbiano complexo e heterogêneo. Partículas de alimentos e fragmentos celulares - altas concentrações de nutrientes nas superfícies próximas, como dentes e gengivas – condições favoráveis ao intenso crescimento microbiano local - Dano tecidual e doença Saliva – lisozimas e outras enzimas que matam bactérias Microbiota normal do corpo humano Cavidade oral Formação de Biofilme nas superfícies dentais Microbiota normal do corpo humano Cavidade oral Maioria aeróbio facultativo. Alguns – Bacteroidetes – anaeróbios. Aeróbios - Neisseria, Acinetobacter e Moraxella no filo Proteobacteria. Streptococcus - gênero mais abundante na boca – cerca de 25% das bactérias encontradas em alguns indivíduos. Microbiota normal do corpo humano Trato gastrointestinal O trato gastrintestinal possui cerca de 400 m2 de área superficial - media de 1014 células microbianas. Microbiota normal do corpo humano Trato gastrointestinal A composição da microbiota intestinal de seres humanos varia e depende, em parte, da dieta. Microbiota normal do corpo humano Trato gastrointestinal Produtos da microbiota intestinal Os microrganismos intestinais - ampla variedade de reações metabólicas – produção de vários compostos essenciais. A composição da microbiota intestinal e a dieta influenciam o tipo e a quantidade de compostos produzidos. Microbiota normal do corpo humano Trato gastrointestinal Produtos da microbiota intestinal Vitaminas B12 e K Vitaminas essenciais não sintetizadas pelo homem. Produzidas pela microbiota intestinal e absorvidas a partir do cólon. Microbiota normal do corpo humano Trato gastrointestinal Produtos da microbiota intestinal Durante a passagem do alimento pelo trato gastrintestinal, a água é absorvida da matéria digerida, que se torna gradativamente mais concentrada - fezes. As bactérias correspondem a cerca de um terço do peso da matéria fecal. Organismos que habitam o lúmen do intestino grosso são continuamente removidos pelo fluxo do material - bactérias eliminadas continuamente substituídas a partir de novo crescimento – similar a um sistema de cultivo contínuo in vitro. Microbiota normal do corpo humano Trato gastrointestinal Microbiota normal do corpo humano Trato gastrointestinal Alterações da microbiota • Administração de antibióticos: inibe patógenos e microbiota normal – diarréia – Patógenos oportunistas – alteração função digestiva e doenças Ex. Clostridium difficile – infecção e colite Término da administração – microbiota restabelecida - Probióticos, culturas vivas de bactérias intestinais que, quando administradas ao hospedeiro, podem promover benefícios a saúde. Microbiota normal do corpo humano Trato gastrointestinal Alterações da microbiota Microbiota normal do corpo humano Trato gastrointestinal Alterações da microbiota ESTRESSE Microbiota normal do corpo humano Trato respiratório No trato respiratório superior microrganismos vivem em áreas banhadas pelas secreções das membranas mucosas. Bactérias penetram pelo ar - maioria delas fica presa no muco das vias nasal e oral, sendo expelidas com as secreções nasais, ou engolidas. Grupo restrito de microrganismos coloniza as superfícies mucosas respiratórias de todos os indivíduos. • maior frequência - estafilococos, estreptococos, bacilos difteroides e cocos gram-negativos. Microbiota normal do corpo humano Trato respiratório O trato respiratório inferior de adultos saudáveis não apresenta uma microbiota residente, apesar do grande número de organismos potencialmente capazes de alcançar essa região durante a respiração. Alguns patógenos são capazes de atingir estes locais, causando doenças, principalmente pneumonias. Microbiota normal do corpo humano Trato urogenital Trato urogenital masculino e feminino saudáveis - rins e a bexiga são normalmente estéreis. Células epiteliais que revestem a porção distal da uretra - colonizadas por bactérias aeróbias facultativas gram-negativas. Microbiota normal do corpo humano Trato urogenital A vagina da mulher adulta e ligeiramente acida (pH , 5). - Lactobacillus acidophilus - ácido láctico – pH ácido. Outros organismos, como leveduras, vários estreptococos e E. coli podem também estar presentes. Patógenos em potencial, como Escherichia coli e Proteus mirabilis Tais organismos frequentemente provocam infecções do trato urinário, especialmente em mulheres. Interações entre homens e microrganismos X Mecanismos de patogenicidade bacteriana Patogênese bacteriana FATORES DE VIRULÊNCIA VIRULÊNCIA - medida da patogenicidade – a capacidade relativa de um patógeno em provocar doenças. Conceitos importantes Atenuação diminuição ou perda da virulência de um patógeno. Conceitos importantes Quando os patógenos são mantidos em culturas laboratoriais, em vez de isolados a partir de animais doentes, sua virulência geralmente é diminuída ou mesmo totalmente perdidas. IMPORTÂNCIA As vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola, e as vacinas de raiva para animais, por exemplo, são compostas por vírus atenuados. 1. Lectina/carboidrato 2. Proteína/Proteína Ligação as glicoproteinas da superfície da célula hospedeira, iniciando o processo de aderência. * Flagelos também podem aumentar a adesão Ex: Fímbrias tipo I de bactérias entéricas (Escherichia, Klebsiella, Salmonella e Shigella). Fimbrias tipo I são distribuídas uniformemente sobre a superfície das células. Estruturas proteicas da superfície da célula bacteriana ADESÃO ADESÃO envoltório polimérico - camada densa e bem definida rede frouxa de fibras poliméricas ADESÃO Comunidade complexa e estruturada de microrganismos, envoltos por uma matriz extracelular de polissacarídeos, aderidos entre si a uma superfície ou interface. ADESÃO Lipopolissacarídeos tóxicos encontrados na maioria das bactérias Gram- negativas. Componentes estruturais da membrana externa Gram-negativa. Endotoxinas Toxinas Lipídeo A - toxicidade, Polissacarídeo- imunogênico Necessários para o efeito tóxico. Liberadas em quantidadestoxicas apenas quando as células sofrem lise. Endotoxinas Toxinas • Provocam vários efeitos fisiológicos. Febre - estimula as células hospedeiras a liberarem citocinas, proteinas solúveis secretadas pelos fagócitos e outras células, que atuam como pirogênios endógenos, proteinas que afetam o centro cerebral que controla a temperatura, provocando a febre. As citocinas liberadas em resposta a exposição a endotoxina também podem causar diarreia, rápida diminuição no número de linfócitos e plaquetas, e inflamação generalizada. Altas doses de endotoxinas podem causar a morte por choque hemorrágico e necrose de tecidos. • Exotoxinas são proteínas tóxicas liberadas pela célula do patógeno, a medida que ele cresce. • Essas toxinas deslocam-se de um sitio de infecção e causam danos em regiões afastadas. • Classificam-se em uma entre 3 categorias em termos de mecanismos: as toxinas citolíticas, as toxinas AB e os superantígenos. • Um subconjunto das exotoxinas são as enterotoxinas. Toxinas Exotoxinas Exotoxinas Toxinas Citotoxinas ou toxinas citolíticas Proteínas extracelulares solúveis, secretadas, produzidas por uma variedade de patógenos - danificam a membrana citoplasmática do hospedeiro, provocando lise e morte celular. Devido a atividade lítica destas toxinas, são mais facilmente observadas nos ensaios que utilizam eritrócitos – hemolisinas. α-Toxina de estafilococos Os superantígenos estimulam um grande número de células da resposta imune, resultando em intensas reações inflamatórias e danos teciduais. Exotoxinas Toxinas Toxinas Exotoxinas tipo AB ToxinasToxinas Exotoxinas tipo AB - toxina entra através de endocitose mediada receptor -Acidificação da vesícula endocítica permite a dissociação do fragmento A de B -Fragmento A entra no citoplasma - Síntese proteica interrompida – morte celular Interação da toxina Toxina diftérica • Exotoxina A de Pseudomonas aeruginosa, toxina Shiga e tipo Shiga produzida por E. coli enteropatogenica atuam de forma similar. Atua como neurotoxina ToxinasToxinas Exotoxinas tipo AB Toxina botulínica Bloqueia a liberação de neurotransmissores envolvidos no controle muscular Impede a contração muscular e provoca a paralisia flácida e morte por asfixia - resultado fatal do botulismo. Atua como neurotoxina ToxinasToxinas Exotoxinas tipo AB Toxina tetânica Bloqueia a liberação de neurotransmissores envolvidos no controle muscular Mantém os músculos afetados em constante estado de contração. Quando os músculos respiratórios são envolvidos, a contração prolongada pode resultar em morte por asfixia. ToxinasToxinas Exotoxinas tipo AB Toxina colérica Diarreia grave, desidratação que traz risco de vida, e depleção de eletrólitos. AMPc - mediador de diferentes sistemas reguladores nas células, incluindo o equilíbrio iônico. Alteração nas concentrações iônicas leva a secreção de grandes quantidades de água no lúmen intestinal - a taxa de perda de água no intestino delgado é maior do que sua possível reabsorção pelo intestino grosso, resultando em uma perda maciça global de fluidos e diarreia aquosa. degradação do polissacarídeo ácido hialurônico dos tecidos. destroem rede de colágeno que sustenta os tecidos dissolvem os coágulos de fibrina, tornando possível a disseminação da invasão membrana Cápsula - Streptococcus pyogenes – ác. hialurônico - quimicamente idêntico ao humano Proteína inibidora do complemento de Streptococcus pyogenes - inativa o complexo C5-C9 anulando a função lítica Diferentes tipos de polissacarideo O SISTEMAS DE SECREÇÃO - Existem 6 sistemas de secreção descritos para bactérias – I ao VI - Os sistemas de secreção dos tipos I, III, IV e VI – secretam proteínas através das membranas interna e externa em um único passo. - III, IV e VI possuem aparato para injetar proteínas diretamente no citosol da célula eucariótica. SISTEMA DE SECREÇÃO TIPO III Sistema de secreção Tipo III – secreta proteínas como, tir e outras envolvidas em morte celular por apoptose, disfunção em mitocôndrias e diminuição da barreira defensiva da mucosa intestinal.