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PATOLOGIA ESPECIAL CAMILA SANTIAGO PATOLOGIA ESPECIAL | MEDICINA PATOLOGIa 05: VASCULITE Processo de inflamação na parede vascular imunologicamente mediado Característica comum: acometimento de múltiplos órgãos (doença sistêmica) Causa danos estruturais e funcionais na parede dos vasos – oclusão, dilatação, formação de trombos Luz vascular fica comprometida – resulta em alterações isquêmicas dos tecidos vizinhos Vasos sanguíneos (tamanho, localização ou tipo), artérias de grande, médio ou pequeno calibre, arteríolas, vênulas e veias Quadro clinico – depende do leito vascular afetado Classificação 3 tipos principais de vasculites: 1. Pequenos vasos (arteríolas ou vênulas) 2. Vasos de médio calibre (aa. musculares) 3. Vasos de grande calibre (grandes artérias elásticas) Alguns vasos são mais propensos a vasculites, como são os capilares renais e pulmonares, os pequenos vasos da pele e a aorta Mecanismos das vasculites Basicamente 2 mecanismos • Inflamação imunomediada e a invasão direta das paredes vasculares por patógenos infecciosos • Infecções → gerando imunocomplexos ou desencadeando reatividade cruzada Importante distinguir entre o mecanismo infeccioso e o imunológico – a terapia imunossupressora é apropriada para a vasculite imunomediada, mas poderia piorar a vasculite infecciosa Traumas físicos e químicos, como irradiação, trauma mecânico e toxinas, também podem causar vasculite Infiltrado da parede do vaso por polimorfos mononucleares, necrose fibrinóide, leucocitoclasia Mecanismos vasculites x aspectos clínicos 1º - ocorre uma infiltração da parede dos vasos por polimorfos monucleares 2º - necrose fibrinóide (destruição da parede do vaso) 3º - leucocitoclasia (neutrófilos que infiltram a parede vascular) Vasculite não infeciosa Mecanismos imunológicos: Deposição de imunocomplexos Anticorpos anti citoplasma de neutrófilos (ANCA) Anticorpos anti células endoteliais PATOLOGIA ESPECIAL CAMILA SANTIAGO PATOLOGIA ESPECIAL | MEDICINA Deposição de imunocomplexos 1ª fase – formação de imunocomplexos 2ª fase – deposição de imunocomplexos; recrutamento e ativação de leucócitos mediados pelo complemento e receptor Fc 3ª fase – inflamação mediada por imunocomplexos e lesão tecidual Com a evolução do processo, o infiltrado inflamatório passa a ser constituído predominantemente por células mononucleares → pode ocorrer trombose, oclusão da luz vascular e hemorragia → isquêmicas teciduais Esses mecanismos ocorrem em vasculites alérgicas, púrpura de Henoch-Schonlein, lúpus eritematoso sistêmico (LES) e artrite reumatoide (AR) Imunocomplexos x vasculites Hipersensibilidade medicamentosa Ex: Penicilina se liga a proteínas séricas → gera alterações estruturais em decorrência da genética de cada indivíduo, formando um complexo proteico estranho ao organismo – provocando reações leves/graves Vasculite secundária a infecções virais PAN – poliarterite nodosa → 30% dos pacientes são infectados por hepatite B – complexo de superfície HBsAg com anticorpo anti HBsAg Mecanismos imunológicos Vasculite associada a anticorpos anticitoplasma de neutrófilos (ANCAs) A produção de citocinas inflamatórias leva a ativação de neutrófilos que translocam para a superfície celular seus grânulos dentre os quais estão os antígenos proteinase 3 (PR3) e mieloperoxidade (MPO) Paralelamente, o linfócito B produz um anticorpo conhecido como ANCA, que reconhece o MPO e PR3 expressados na superfície do neutrófilo A interação ANCA-neutrófilo leva a expressão de moléculas de adesão resultando na ligação neutrófilo-endotélio ANCA – autoanticorpos – contra mecanismo enzimático dos neutrófilos, lisossomos de monócitos e células endoteliais Mecanismo da lesão pelas vasculites ANCAs ativam os neutrófilos que vão se degraular e gerar uma lesão tecidual ocasionada por radicais livres de oxigênio PATOLOGIA ESPECIAL CAMILA SANTIAGO PATOLOGIA ESPECIAL | MEDICINA Vasculites de grandes vasos – comprometem tipicamente a aorta e seus ramos maiores Arterite das células gigantes (arterite temporal) Inflamação crônica, granulomatosa que afeta a aorta e seus principais ramos, com predileção por ramos das artérias da cabeça – a. temporal e oftálmica Artéria endurecida e espessada pelo processo inflamatório Afeta pessoas acima de 50 anos de idade 2 a 4x mais mulheres do que homens Patogenia – incerta Sintomas oculares – amaurose fugaz, pode levar a cegueira A ACG é uma emergência medica – deve ser tratado com altas doses de corticoides para controlar as alterações inflamatórias Critérios diagnósticos – clinico: idade > 50 anos, mulher de origem caucasiana, cefaleia localizada, anormalidade da artéria temporal Biópsia da artéria temporal Arterite de Takayasu Vasculite granulomatosa idiopática crônica de grandes vasos que afeta a aorta e seus principais ramos Representa um espessamento fibroso da aorta Etiologia desconhecida 80% a 90% dos casos tem inicio nos 10 ou 40 anos – associada a população japonesa > 50 anos: aortite de células gigantes < 50 anos: aortite de Takayasu Manifestações vasculares: ↓ do pulso de uma ou mais artérias HAS – estenose das artérias renais ou da redução da elasticidade da aorta e seus ramos Critérios: sintomas ou sinais < 40 anos de idade; redução da amplitude de pulso, diferença de pressão entre os membros superiores de pelo menos 10 mmHg Diagnóstico na presença de 3 critérios Aortite necrosante é a lesão mais comum e caracteriza-se por necrose multifocal da camada média, infiltrado de mononucleares e fibrose da adventícia Vasculite de médios vasos Poliarterite nodosa (PAN) Causa desconhecida; rara – cerca de 2 a 33 casos/irmão; homens de 40 e 50 anos Vasculite sistêmica de artérias musculares com pequeno ou médio calibre Envolve vasos viscerais e renais – poupa/não acomete pulmão Formas: PAN clássica, PAN, cutânea, PAN associada a hepatite B crônica PATOLOGIA ESPECIAL CAMILA SANTIAGO PATOLOGIA ESPECIAL | MEDICINA Morfologia: é a destruição da camada media por necrose fibrinóide Inflamação: enfraquece a parede da artéria → aneurisma, rupturas e trombose luminal Aspectos clínicos: doença multissistêmica, homens, qualquer idade; febra, mal estar, perda de peso, artralgia; fadiga muscular, dor abdominal, hipertensão, insuficiência cardíaca, melena...; lesões avermelhadas, purpuras palpáveis Doença de Kawasaki Afecção aguda febril caracterizada por vasculite sistêmica de artérias de grande, médio calibre e pequenos vasos Acomete 80% das crianças entre 6 meses a 4 anos, predomínio do gênero masculino Agentes infecciosos → virais Importância clinica pela predileção pelas artérias coronarianas (arterite coronariana) – aneurismas, infarto agudo Diagnóstico essencialmente clinico – alterações nos lábios ou mucosa oral, queilite (edema, f issuras, vermelhidão); língua em framboesa; edema nas mãos e pés; hiperemia conjuntival bilateral não purulenta (80-90% dos casos); exantema polimorfo: maculopapular, eritema multiforme Linfadenopatia cervical (50% dos casos) A doença é conhecida como síndrome dos linfonodos cutaneomucosos porque apresenta eritema e erosão conjuntivais e orais, edema das mãos e pés, eritema das palmas e plantas Alterações cardiovasculares – as células inflamatórias secretam várias citocinas, interleucinas e metaloproteases (MMP – degradação da MEC) que terão as células endoteliais como alvo, resultando na fragmentação da lâmina elástica interna e o dano vascular Nos vasos, a túnica média fica inflamada com necrose das células musculares lisas, e as lâminas elásticas interna e externa podem se dividir, dando origem aos aneurismas Posteriormente, as células inflamatórias ativas são substituídas por fibroblastos e monócitos, o que leva à formação de tecido conjuntivo fibroso dentro da parededo vaso → estenose arterial Vasculite de pequenos vasos Pauci imunes Poliangeíte microscópica Afecção autoimune associada a ANCA (anticorpos anti citoplasma de neutrófilos) e caracterizada por vasculite sistêmica de pequenos vasos Etiologia desconhecida Patogenia – drogas, microrganismos, proteínas heterólogas, proteínas tumorais → faz com que aja a deposição de imunocomplexos → recrutamento e ativação de neutrófilos → doença Aspecto clínico: depende do leito vascular envolvido; quadro principal envolve hemoptise (eliminação de sangue do trato respiratório pela tosse); hematúria e proteinúria, dor ou sangramento intestinal; dor ou fraqueza muscular; e púrpura cutânea palpável PATOLOGIA ESPECIAL CAMILA SANTIAGO PATOLOGIA ESPECIAL | MEDICINA Síndrome de Churg-Strauss Granulomatose e angeite alérgicas Vasculite granulomatosa necrotizante de pequenos vasos – associada à asma, rinite, infiltrados pulmonares, hiper eosinofilia periférica Associada a processos alérgicos; doença rara Etiologia obscura – hiper reatividade a estímulos alérgicos Granulomatose de Wegener Poliangeíte com granulomas, vasculite sistêmica, necrosante, associada ao ANCA e c-ANCA Pré disposições: Geralmente os pacientes acometidos são expostos ambientalmente a algum fator não identificado – entra em contato com algum tipo de partícula do ambiente que pode gerar uma hipersensibilidade → desenvolve as reações imunológicas Presença de vários granulomas necróticos no pulmão Granulomas necrosantes agudos, vasculite necrotizante / granulomatosa, doença renal Reação de hipersensibilidade mediada por células T contra agente infeccioso ou ambiental inalado Lesão granulomatosa das vias respiratórias e do parênquima pulmonar se caracteriza por um exsudato inflamatório com predomínio de polimorfonucleares Aspectos clínicos: pneumonite persistente com infiltrados nodulares e cavitários bilaterais (95%); sinusite crônica (90%), ulceração de mucosa nasofaringe (75%); doença renal (80%); mialgia, artralgia, neurites Tromboangeite obliterante (doença de Buerger) Inflamação segmentar trombosante aguda/crônica de artérias de médio e pequeno calibre; radial e tibial Extensão a veias e nervos de extremidades Toxinas do tabaco → lesão celular endotelial → resposta imune Microscopia: luz do vaso ocluída por trombo com abcessos (neutrófilos) e inflamação granulomatosa; parede infiltrada por leucócitos Achados clínicos: flebite superficial, sensibilidade ao frio, mãos e arco dos pés (claudicação - fluxo de sangue nas pernas é normal quando se está em repouso, mas se torna insuficiente durante a caminhada para irrigar os músculos e tecidos nas extremidades, devido a alguma obstrução em uma ou várias artérias), dor intensa com envolvimento neural Evolução: ulceração e gangrena Abstinência ao fumo → alívio das crises Vasculite infecciosa Acometimento direto da luz vascular por bactérias e fungos Invasão vascular → infecção tecidual localizada (pneumonia ou abcesso adjacente ao vaso) → disseminação hematológica → sepse PATOLOGIA ESPECIAL CAMILA SANTIAGO PATOLOGIA ESPECIAL | MEDICINA Infecção vascular → enfraquecimento da parede vascular → aneurismas micóticos Inflamação → trombose/infarto → meningites