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Mariana Fiorese - 5º TERMO 
 
º
1.Discutir a patogenia da meningite bacteriana, correlacionando aos achados anatomopatológicos; 
Meningite ou leptomeningite refere-se à inflamação da leptomeninge (pia-aracnoide e espaço subaracnóideo). As 
meningites bacterianas podem ser divididas em agudas e crônicas e, conforme o exsudato, em purulentas e 
granulomatosas, havendo relação entre a evolução clínica da inflamação e o tipo de exsudato: as agudas são 
purulentas, e as crônicas, granulomatosas. As meningites agudas são causadas por bactérias piogênicas e, as 
crônicas, pelo bacilo da tuberculose. 
A infecção pode atingir o SNC por meio de três mecanismos básicos: propagação sanguínea (bacteremia ou 
septicemia); infecção adjacente às meningites (faringite, sinusite, mastoidite, otite média etc.); solução de 
continuidade. As infecções crônicas otorrinolaringológicas podem se comportar como foco inicial silencioso, 
sobretudo a otite média crônica, que se propaga por contiguidade através do mastoide ou do osso temporal. A 
bacteremia costuma se desenvolver, tanto no recém-nascido como nos demais segmentos etários, a partir de 
infecções de pele, pulmão, coração, trato intestinal e geniturinário. 
 
As bactérias se distribuem no SNC ao longo das paredes dos seios venosos encefálicos, onde a pressão do sistema 
venoso é baixa. Deste ponto, elas penetram pela dura-máter, conseguindo alcançar o espaço subaracnóideo. Este 
é o momento crítico que irá definir o destino dessas bactérias; se os mecanismos locais de defesa (ainda não bem 
conhecidos) não conseguirem promover rapidamente a depuração bacteriana, os microrganismos se colonizam e 
disseminam a infecção. 
 
 A habilidade dessas bactérias em atingir o espaço subaracnóideo e as meníngeas decorre de fatores de virulência 
que as permitem burlar o sistema imunológico de defesa. Assim, os meningococos, por exemplo, possuem 
estruturas fenotípicas, as pili (adesinas), na sua superfície, que os permitem aderir à mucosa e se colonizar. De 
outro modo, pneumococos, hemófilos e meningococos secretam proteases que fazem a clivagem das IgAs 
secretórias na superfície da mucosa oral. Já na corrente sanguínea, os polissacarídeos capsulares podem se livrar 
do sistema complementar sérico atividade-específico, que é ativado pela via alternativa. 
 
Se a bacteremia é mantida, as bactérias invadem o espaço subaracnóideo e o SNC, podendo colonizar com mais 
facilidade porque, no SNC, o sistema humoral de defesa é precário. Componentes da estrutura bacteriana (parede 
celular do pneumococo, lipopolissacarídeos do H. influenzae, N. meningitidis e E. coli) induzem a produção e a secreção 
local de citocinas (IL-1, IL-6 e fator de necrose tumoral), que medeiam o processo inflamatório. As citocinas ativam 
o endotélio cerebral, induzindo a adesão de leucócitos e glicoproteínas e a diapedese dos leucócitos para o liquor. A 
lesão da microvasculatura cerebral e o processo inflamatório das meníngeas facilitam a produção de edema 
cerebral, tanto por mecanismos vasogênicos (exsudação de albumina através da barreira hematoliquórica alterada), 
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como por mecanismos intersticiais (redução na reabsorção de liquor pelas vilosidades aracnóideas). Ambos os 
processos aumentam a pressão intracraniana. 
 
A produção de mediadores vasoativos (oxigênio e nitrogênio) reduz a autorregulação do fluxo sanguíneo cerebral, 
prejudicando o metabolismo celular (déficit de oxigênio e glicose em nível tecidual), produzindo, em consequência, 
dano cerebral (isquemia, convulsões, herniações, lesão nos nervos cranianos etc.). 
Os seguintes fenômenos podem ocorrer, conferindo maior ou menor gravidade à meningite, e, como 
consequência, podem dar origem a sequelas neurológicas: 
 Tromboflebite de vasos corticais, consequente a focos de necrose no endotélio dos vasos; 
 Edema inflamatório endocraniano, geralmente simétrico, responsável pela síndrome de hipertensão 
endocraniana (quando muito intenso, pode chegar a causar herniações encefálicas); 
 Exsudato fibrinopurulento no espaço subaracnóideo, bloqueando, parcial ou totalmente, a drenagem 
liquórica (hidrocefalia). 
Alguns distúrbios metabólicos podem ocorrer na vigência de meningite grave. A secreção inapropriada do 
hormônio antidiurético causa hiponatremia dilucional. O pH liquórico baixo traduz uma tensão elevada de CO2 e leva, 
em consequência, a um persistente estímulo hiperventilatório. 
 
A inflamação do espaço subaracnóideo pode difundir transudato asséptico através da aracnoide, que se acumulando 
no espaço subdural (efusão ou coleção subdural). Quando a coleção subdural se infecta ou quando o espaço é 
alcançado por exsudato purulento, forma-se o empiema subdural. O processo supurativo difuso, no córtex 
cerebral, constitui a cerebrite; quando localizado, forma-se o abscesso cerebral (único ou múltiplo). No decorrer de 
três semanas, o abscesso se organiza, constituindo uma cápsula fibrosa com liquefação central. Por vezes se 
formam inúmeros microabscessos encefálicos. 
Defesa Imunológica: Há três etapas de resposta imunológica conhecidas na meningite bacteriana. A primeira é a 
reação inflamatória inespecífica; seguida pela reação imunitária humoral (com participação de imunoglobulinas e 
complemento); e, por último, a reação macrofágica (monócitos modificados e macrófagos originários de descamação 
de células aracnóideas). A presença de imunoblastos e plasmócitos (produtores de imunoglobulinas) no liquor é 
infrequente na meningite bacteriana aguda, ao contrário das meningites crônicas ou de etiologia viral. 
 
 
 
 
 
 
 
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2. Sintetizar os possíveis desfechos da meningite aguda. 
MENINGITE BACTERIANA: 
Meningites purulentas: 
 
A etiologia das meningites purulentas varia de acordo com a faixa etária. No período neonatal, as bactérias 
mais frequentes são estreptococo do grupo B (59% dos casos) e Escherichia coli (28%). Em crianças, 
especialmente na idade entre 2 e 6 anos, e em adultos jovens, o Haemophilus influenzae tipo b e a Neisseria 
meningitidis (meningococo) são os responsáveis pela grande maioria dos casos. Em adultos, Streptococcus 
pneumoniae (pneumococo) e Neisseria meningitidis são as principais causas. 
 
Na maioria dos casos, a bactéria atinge o sistema nervoso pela corrente sanguínea, a partir da infecção 
das vias aéreas superiores ou pneumonia. Menos frequentemente, as meninges podem ser comprometidas por: 
(1) flebite retrógrada secundária a otite média ou a mastoidite purulenta; (2) extensão de osteomielite secundária 
a sinusite paranasal (etmoidite), a otite média (petrosite) e a mastoidite; (3) implantação direta de bactérias através 
de fraturas da base do crânio; (4) complicações iatrogênicas, como neurocirurgia (bactérias Gram-negativas e 
Staphylococcus aureus são os principais agentes), punção lombar ou ventricular e implante de válvula para 
tratamento de hidrocefalia (derivação ventriculoperitoneal; nesses casos, o agente etiológico é em geral o 
Staphylococcus epidermidis); (5) complicações de malformações (p. ex., meningomielocele). Em infecções neonatais, 
a via de entrada é oral, a partir de líquido amniótico contaminado, durante parto vaginal, ou por meio de contato 
íntimo com a mãe ou funcionários do hospital. 
 
Os indivíduos afetados normalmente apresentam sinais sistêmicos de infecção superpostos a evidências 
clínicas de irritação meníngea e prejuízo neurológico, incluindo cefaleia, fotofobia, irritabilidade, rebaixamento de 
consciência e rigidez da nuca. A síndrome de Waterhouse-Friderichsen resulta da septicemia associada a meningite 
com infarto hemorrágico das glândulas suprarrenais e petéquias cutânea. Ela ocorre de forma mais frequente na 
meningite meningocócica e pneumocócica. Em indivíduos imunossuprimidos, a meningite purulenta pode ser causada 
por vários outros agentes infecciosos, como a Klebsiella ou organismos anaeróbios, e pode ter uma evolução clínica 
atípica e achadosliquóricos não característicos. 
Se não tratada, a leptomeningite purulenta pode ser fatal. Em certos casos, sobretudo em infecções 
neonatais ou causadas por meningococo, pneumococo ou bactérias Gram-negativas, surgem complicações 
responsáveis por altos índices de mortalidade e morbidade: (1) propagação da infecção ao parênquima cerebral, 
causando meningoencefalite purulenta; (2) propagação da infecção às artérias e veias leptomeníngeas, produzindo 
arterites ou flebites purulentas e trombose, resultando em pequenos infartos cerebrais; (3) disseminação da 
infecção às cavidades ventriculares (ventriculite purulenta), as quais podem ficar distendidas por material purulento 
se houver bloqueio na circulação liquórica (hidropiocéfalo). A parede ventricular fica recoberta por pus, sendo 
comuns destruição do epêndima e comprometimento do tecido nervoso subependimário; (4) fibrose da 
leptomeninge, nos casos de evolução crônica. A fibrose pode ocluir as cisternas basais, causando bloqueio da 
circulação liquórica e hidrocefalia comunicante ou obstrutiva, ou comprimir nervos cranianos e raízes espinhais, 
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provocando disfunção desses nervos; (5) efusão subdural (higroma subdural), uma coleção de líquido claro ou 
parcialmente hemorrágico sob a dura-máter, originado provavelmente por ruptura da aracnoide. 
Manifestações Clínicas: As manifestações clínicas variam desde o clássico quadro de sinais e sintomas de 
infecção aguda associados a comprometimento neurológico, como febre, prostração, cefaleia, sinais de irritação 
de raízes nervosas ou meningismo (rigidez de nuca e sinais de Kernig e Brudzinski), fotofobia, vômitos e diminuição 
do nível de consciência, até as formas septicêmicas fulminantes com hemocultura positiva, hemorragias petequiais 
cutâneas, poucos sinais meníngeos, necrose hemorrágica maciça das suprarrenais, coagulação intravascular 
disseminada e colapso circulatório, compondo a síndrome de Waterhouse-Friderichsen da meningococcemia. 
Déficits neurológicos focais, crises convulsivas e paralisia de nervos cranianos, quando presentes, indicam 
complicações de leptomeningite purulenta. 
Complicações: As complicações da doença são numerosas: (a) comprometimento dos nervos cranianos com 
surdez, paralisia facial, diplopia e estrabismo; (b) espasticidade e hemiparesia; (c) distúrbios cognitivos; (d) crises 
convulsivas recorrentes; (e) hipertensão intracraniana (pela hidrocefalia). Atrofia da substância cinzenta cerebral 
com distribuição temporal mesial/límbica, identificada pela ressonância magnética em sobreviventes de 
leptomeningite purulenta, é responsável por déficits cognitivos e neuropsicológicos de longo prazo. 
Imediatas: As meningites bacterianas podem, na fase aguda da doença, apresentar complicações supurativas, 
neurológicas e psiquiátricas: 
 
 Supurativas: Entre essas complicações, estão coleção subdural, empiema subdural, abscessos cerebrais, 
trombose séptica de seios venosos e ventriculite. Elas são suspeitadas pela persistência da febre e das 
alterações sensoriais ou pelo surgimento de sinais neurológicos de localização. 
 Neurológicas: As principais complicações neurológicas incluem: a) arterites de vasos cranianos (a artéria 
basilar é mais comumente afetada), cujo diagnóstico pode ser feito pela carotidoangiografia ou por 
tomografia com contraste; b) flebites e tromboflebites (menos frequentes que as arterites), as quais 
podem ocasionar acidentes vasculares cerebrais; c) herniações encefálicas, de evolução geralmente fatal; 
d) comprometimento de nervos cranianos, que ocorre em cerca de 10 a 20% dos pacientes com meningite 
bacteriana, geralmente atingindo o nervo facial ou o oculomotor comum (com exceção do comprometimento 
do VIII par, que resulta em surdez definitiva, essas afecções são reversíveis); e) secreção inadequada de 
hormônio antidiurético, indicada por concentração sérica de sódio baixa. 
 
 
 
 
 
 
 
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3. Diferenciar histologicamente a meningite bacteriana da viral. 
MENINGITE BACTERIANA: 
recrutamento de neutrófilos, formação de necrose supurativa (morte de neutrófilos) e formação de pus. A área 
de necrose pode ser substituída por fibrose, com cicatrização. Macroscopicamente vemos o encéfalo com pus e 
com os sulcos apagados pelo edema (permeabilidade aumentada). Leucócitos aumentados no líquor. Proteínas 
aumentadas no líquor. Glicose diminuída no líquor (alimento para bactéria). Líquor de aspecto leitoso. 
Microscopicamente podemos ver um “borramento” na lamina pelo acumulo de bactérias. 
 
MENINGITE ASSÉPTICA AGUDA (VIRAL): 
 
Inicialmente infiltrado neutrofílico (porque são as 1as células que chegam), infiltrado linfocitário. Leucócitos não tão 
aumentados no líquor. Proteínas no líquor podem estar normais ou aumentadas. Glicose normal no líquor. Líquor 
límpido. 
 
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1.Discutir a etiopatogenia das pancreatites agudas; 
A pancreatite aguda apresenta amplo espectro morfológico. As lesões básicas são: (1) edema; (2) necrose 
gordurosa (esteatonecrose); (3) necrose parenquimatosa; (4) destruição da parede vascular e hemorragia; (5) 
infiltrado inflamatório. O aspecto macroscópico da forma discreta é de intumescimento do órgão (pancreatite 
edematosa ou intersticial), com esteatonecrose focal, que se evidencia por pontilhado amarelo-gema, constituindo 
as chamadas “manchas em pingo de vela”. 
As causas mais importantes de pancreatite aguda são cálculos biliares e ingestão de álcool. Os mecanismos 
patogenéticos principais são obstrução ductal e lesão das células acinares. Obstrução dos ductos pancreáticos por 
qualquer causa, mas, sobretudo, por cálculos biliares impactados na papila de Vater, promove acúmulo de secreção 
a montante e aumento da pressão intraductal; com isso, há comprometimento do fluxo sanguíneo e isquemia, capaz 
de lesar células acinares. Com a destruição de células acinares, ocorre extravasamento de enzimas, as quais 
provocam lesões parenquimatosas e iniciam o processo inflamatório. Ascaridíase é causa frequente de pancreatite 
aguda em crianças de países em desenvolvimento, por causa da migração de vermes para o ducto pancreático e 
obstrução deste. 
Pancreatite aguda é mais comum em pacientes com AIDS do que na população geral, provavelmente por causa 
das várias infecções oportunistas que podem afetar o pâncreas. Causas traumáticas incluem traumatismo 
abdominal, cirurgias abdominais e pancreatite iatrogênica decorrente de colangiopancreatografia endoscópica, 
especialmente na esfincterotomia endoscópica. A pancreatite hereditária, que se associa a anormalidades 
genômicas, caracteriza-se por crises recorrentes de pancreatite que se inicia na infância e pode tornar-se 
crônica. Os defeitos mais comuns são alterações nos genes do tripsinogênio (PRSS1) ou do inibidor de proteases 
tipo 1 (SPINK1). No primeiro caso, a tripsina torna-se resistente à inativação, enquanto no segundo a tripsina não 
sofre inibição. Nos dois casos, a maior atividade da tripsina leva a autodigestão pancreática. 
 
2. Explicar os possíveis desfechos/complicações das pancreatites agudas. 
Como complicação, pode surgir pseudocisto pancreático, que se caracteriza por cavidade contendo suco 
pancreático, cuja parede, desprovida de revestimento epitelial, é constituída de fibrose ou tecido de granulação. 
Pode haver ou não comunicação com o sistema ductal do órgão. Pseudocisto resulta de autodigestão do parênquima 
e formação de um lago de suco pancreático extravasado, formando-se depois uma pseudocápsula. Os pseudocistos 
podem sofrer várias complicações, como fistulização para o intestino ou colédoco, hemorragia, ruptura e infecção. 
Esta última deve ser diferenciada da necrose infectada do parênquima pancreático ou esteatonecrose, que 
costuma ser muito mais grave. Ruptura do pseudocisto pode causar peritonite. 
 
 
 
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3. Discutir as alterações fisiopatológicas das pancreatites crônicas.Pancreatite crônica é a inflamação persistente do pâncreas acompanhada de destruição do parênquima, fibrose 
e perda progressiva da função do órgão. De acordo com a extensão das lesões, a doença pode ser discreta, 
moderada ou grave. Habitualmente, evolui com quadro doloroso abdominal e insuficiência pancreática, acompanhada 
ou não de crises repetidas de pancreatite aguda. Na sua evolução, encontram-se hipotrofia acinar e fibrose, que 
podem ser focal, segmentar ou difusa, com perda inicial da função exócrina e, posteriormente, também da função 
endócrina. 
O pâncreas mostra aumento da consistência e aspecto nodular grosseiro. O sistema ductal encontra-se 
frequentemente dilatado, por causa de estenose cicatricial, de fibrose periductal ou de cálculos na luz dos ductos. 
Pseudocistos formam-se por autodigestão em um surto de pancreatite aguda ou por obstrução ductal, aumento 
da pressão e ruptura do ducto, com destruição parenquimatosa e formação de cavidade cuja parede é constituída 
por fibrose e infiltrado inflamatório mononuclear. Por vezes, porém, há preservação do epitélio do ducto dilatado, 
quando são chamados de cistos de retenção. As mesmas complicações comentadas para os pseudocistos na 
pancreatite aguda são também encontradas na pancreatite crônica: fistulização para o intestino ou colédoco, 
hemorragia, ruptura e infecção. 
Microscopicamente, observam-se hipotrofia acinar, que se caracteriza no início por diminuição dos grânulos de 
zimogênio das células acinares e dilatação da luz dos ácinos, os quais se tornam semelhantes a dúctulos, mantendo-
se a arquitetura lobular. Esses “dúctulos” e os ductos intra e interlobulares contêm material proteináceo eosinofílico 
na luz dilatada. Mais tarde, os ácinos desaparecem e são substituídos por fibrose, restando apenas elementos 
ductulares que parecem dúctulos verdadeiros em meio ao tecido conjuntivo. Os ductos maiores podem apresentar 
epitélio hipotrófico, hiperplásico ou com metaplasia escamosa. As lesões têm distribuição lobular, e lóbulos normais 
podem aparecer lado a lado com lóbulos lesados. A fibrose, de início com distribuição intra e perilobular, preservando 
a arquitetura lobular, evolui com substituição acinar extensa. Na fase avançada, evidenciam-se somente estruturas 
ductais e ilhotas de Langerhans, que são mais resistentes. No início, as ilhotas mantêm-se preservadas e ficam 
envolvidas por tecido conjuntivo; com a evolução das lesões, elas também sofrem hipotrofia. Infiltrado inflamatório 
mononuclear permeia a fibrose. 
 
4. Discutir as neoplasias pancreáticas. 
As neoplasias pancreáticas originam-se dos três tipos celulares encontrados no pâncreas normal: células ductais 
dos grandes ductos e ductulares/centroacinares, células acinares (pâncreas exócrino) e células endócrinas 
(pâncreas endócrino). Este último grupo compreende as neoplasias neuroendócrinas e será estudado no Capítulo 
29. De acordo com o seu comportamento, os tumores do pâncreas exócrino foram por muito tempo divididos em 
benignos e malignos. Recentemente, adicionou-se uma terceira categoria, a das lesões pré-malignas (neoplasia 
intraepitelial pancreática, de baixo ou alto grau). Em 2010, a Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou a mais 
nova versão de sua classificação de tumores pancreáticos, que se baseia em critérios histológicos e de 
comportamento clínico. Existem ainda tumores não epiteliais, que incluem neoplasias mesenquimais benignas e 
malignas e linfomas, ambos muito raros. As neoplasias pancreáticas podem ser sólidas ou císticas. 
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NEOPLASIAS CÍSTICAS MUCINOSAS: Macroscopicamente, trata-se de tumores pseudoencapsulados, uni ou 
multiloculares, que não se comunicam com o sistema ductal normal do pâncreas adjacente. Microscopicamente, a 
lesão é constituída por cistos revestidos por epitélio colunar produtor de mucina, podendo apresentar diferenciação 
intestinal e estroma de tipo ovariano. De acordo com o grau de atipia, os tumores são classificados como neoplasia 
cística mucinosa com displasia de baixo, moderado ou alto grau ou associada a adenocarcinoma invasivo. A principal 
manifestação clínica é dor abdominal. 
NEOPLASIAS MUCINOSAS PAPILIFERAS INTRADUCTUAIS: Neoplasias mucinosas papilíferas intraductais são tumores 
que se originam no epitélio colunar produtor de mucina que reveste os ductos, porém, em vez de formarem cistos 
não comunicantes com o sistema ductal normal do órgão, crescem para dentro da luz de grandes ductos formando 
estruturas vegetantes de aspecto papilífero, com dilatação destes. 
NEOPLASIAS CISTICAS SEROSAS: Neoplasias císticas serosas constituem neoplasias epiteliais císticas que se 
originam de células ductulares/centroacinares, ricas em glicogênio. Localizam-se mais no corpo e causa do 
pâncreas. 
NEOPLASIA SÓLIDA PSEUDOPAILIFERA: Também conhecida como Tumor de Frantz, trata-se de um grupo de 
neoplasias raras, de origem indeterminada, na maioria dos casos de comportamento benigno, que comprometem 
preferencialmente mulheres adolescentes ou jovens. Muitas vezes, os pacientes são assintomáticos e não há 
elevação de marcadores tumorais séricos. Macroscopicamente, a lesão forma grande massa bem delimitada, 
habitualmente com extensa necrose e hemorragia. À microscopia, encontram-se padrões sólido e pseudopapilífero; 
suas células são positivas para α1-antitripsina e CD10. 
ADENOCARCINOMA DUCTUAL: O adenocarcinoma ductal origina-se do epitélio dos grandes ductos. A cabeça do 
pâncreas é a sede principal do adenocarcinoma ductal. Os tumores da cabeça do órgão frequentemente 
comprometem o ducto pancreático principal, provocando pancreatite crônica obstrutiva (obstrução dos grandes 
ductos provoca retenção de secreções e dilatação a montante). O tumor apresenta aos cortes consistência firme, 
coloração branco-amarelada e margens de padrão infiltrativo. Histologicamente, os adenocarcinomas ductais são 
graduados como bem, moderadamente ou pouco diferenciados. A maioria é bem ou moderadamente diferenciada 
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e forma estruturas ductais e glandulares revestidas por epitélio colunar ou cuboide, com atipia discreta ou 
moderada e evidente padrão infiltrativo. O estroma fibroso é abundante, o que confere consistência firme à lesão. 
O epitélio neoplásico produz mucinas sobretudo ácidas (como os ductos interlobulares) e, focalmente, mucinas 
neutras (como os grandes ductos do pâncreas normal) e, portanto, positivas nas colorações de azul alciano e PAS. 
Uma característica marcante dos adenocarcinomas ductais pancreáticos é a tendência à infiltração perineural, 
frequentemente levando a extensão do tumor para o retroperitônio. O adenocarcinoma ductal pancreático pode 
apresentar algumas variantes histológicas, com comportamento biológico semelhante, que são o carcinoma 
mucinoso não cístico ou coloide, o carcinoma de células em anel de sinete, o carcinoma adenoescamoso, o carcinoma 
hepatoide, o carcinoma medular e o carcinoma indiferenciado. 
CARCINOMA DE CÉLULAS ACINARES: O carcinoma de células acinares é neoplasia que forma ácinos pancreáticos 
e produz enzimas pancreáticasManifesta-se por dor abdominal e perda de peso. Síndrome da hipersecreção de 
lipase, caracterizada por necrose da gordura subcutânea e poliartralgia. Macroscopicamente, forma nódulos bem 
delimitados, por vezes múltiplos; raramente, pode formar cistos. 
PANCREATOBLASTOMA: É neoplasia bastante rara que compromete crianças, com idade média de quatro anos, 
predominantemente no gênero masculino. O tumor tem diferenciação acinar, contém ninhos de células escamosas 
e, ocasionalmente, apresenta grupos de células neuroendócrinas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1.Discutir a patogenia da nefroesclerose vascular associada à H.A.; 
Nefroesclerose vascular é a expressão usada para designar as lesões nas pequenas artérias e arteríolas renais 
que se formam em indivíduos com hipertensão arterial; são representadas sobretudopor hialinose na íntima e 
resultam em espessamento intimal, estreitamento da luz e alterações isquêmicas no parênquima renal. 
No início, os rins são normais; aos poucos, surgem granulações pequenas, finas e regulares na superfície; a cápsula 
descola-se com facilidade. Mais tarde, ocorre redução do tamanho e do peso do órgão. Sua consistência aumenta, 
a cortical diminui de espessura e aumenta a quantidade do tecido gorduroso peripélvico. Nas arteríolas aferentes, 
aparece a hialinose intimal, que resulta de deposição subendotelial de proteínas plasmáticas e de matriz da 
membrana basal. A lesão é homogênea; seu aumento concêntrico reduz o lúmen vascular e substitui 
progressivamente os componentes da parede (arteriolosclerose hialina). O grau de redução da luz é proporcional 
à duração e à gravidade da HA. As lesões vasculares causam hipóxia e alterações glomerulares, tubulares e 
intersticiais. Alguns glomérulos apresentam espessamento da parede capilar, redução da celularidade, colapso das 
alças e, eventualmente, fibrose parcial ou total. Algumas vezes, encontra-se hipertrofia/hiperplasia do aparelho 
justaglomerular, que pode ser primária (síndrome de Bartter) ou secundária à isquemia renal ou à persistência do 
estado hipertensivo. Os túbulos são ora hipotróficos, ora dilatados, e contêm material hialino na luz. O interstício 
intertubular mostra focos de fibrose e infiltrado inflamatório mononuclear escasso. As lesões do parênquima são 
segmentares, tendo ao lado parênquima preservado. 
NEFROESCLEROSE VASCULAR MALIGNA: Nefroesclerose vascular maligna constitui a base morfológica renal da 
hipertensão essencial maligna ou a fase acelerada de hipertensão arterial. A hipertensão maligna é uma síndrome 
definida por: (a) pressão arterial média elevada (> 140 mmHg), com pressão sistólica > 220 mmHg e/ou diastólica 
> 120 mmHg, que são suficientes para causar dano endotelial agudo; (b) retinopatia hipertensiva (hemorragias 
retinianas, exsudatos e papiledema); (c) encefalopatia hipertensiva; (d) em geral, acompanha-se de lesões 
acentuadas nos órgãos-alvo; nos rins, leva a insuficiência renal progressiva. 
Os rins têm volume normal ou pouco aumentado, superfície lisa e numerosas petéquias. Quando há hipertensão 
prévia, são encontrados também os achados descritos anteriormente. Microscopicamente, há lesões agudas e 
crônicas em glomérulos, túbulos e vasos. As lesões são necrose fibrinoide de arteríolas, que pode estender-se aos 
glomérulos, os quais apresentam também retração dos tufos, hiperemia, mesangiólise, depósitos hialinos (proteínas 
plasmáticas) e ruptura da membrana basal glomerular. Nas arteríolas, nas artérias interlobulares e nas arqueadas, 
há espessamento intimal por edema, neoformação colágena e elástica e proliferação de fibroblastos e células 
musculares lisas (arteriolosclerose hiperplásica e hiperplasia da íntima, que formam lamelas concêntricas (em 
“casca de cebola”), obstruindo a luz vascular. 
 
 
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2. Discutir a patogenia da nefropatia diabética; 
Clinicamente, a nefropatia diabética manifesta-se no início com hiperfiltração glomerular, caracterizada por 
aumento da depuração de creatinina. Progressivamente, surgem microproteinúria (30 a 300 mg/dia), proteinúria 
não nefrótica, síndrome nefrótica e insuficiência renal crônica. 
A nefropatia diabética apresenta características morfológicas semelhantes no diabetes tipos I e II, embora as 
lesões sejam mais precoces e de evolução mais rápida no primeiro. O reconhecimento da lesão na fase inicial é 
possível apenas à ME. Nos glomérulos, o quadro inicia-se por espessamento da MB, aumento difuso da matriz e 
discreta hipercelularidade mesangial (glomerulosclerose intercapilar difusa). Em seguida, em alguns glomérulos 
formam-se nódulos acelulares, eosinófilos, PAS+ e argirófilos, contendo lipídeos e fibrina e limitados por alças 
capilares periféricas dilatadas (glomerulosclerose nodular ou lesão de Kimmelstiel-Wilson), que coexistem com a 
glomerulosclerose difusa. Na periferia das alças capilares, podem-se encontrar aglomerados acidófilos, PAS+ e 
hialinos no espaço de Bowman (casquete ou capa de fibrina). Outro achado é a gota capsular (capsular drop), 
formada por material proteico, PAS+ e localizado no folheto parietal da cápsula de Bowman, entre as células 
epiteliais. Com o evoluir do processo, a expansão mesangial e o espessamento da MB progridem e, junto com o 
aumento dos nódulos, terminam por bloquear os glomérulos. Nas pequenas artérias e arteríolas, é frequente a 
hialinose, com a particularidade de acometer também a arteríola eferente. 
 
(lesão de kimmelstiel Wilson) 
---------- OBSERVAÇÃO ---------- 
 
 
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3. Correlacionar e explicar a H.A. e o diabetes com a Doença Renal Crônica Terminal. 
Doença renal crônica terminal (DRCT) é a expressão usada para designar a fase terminal de várias nefropatias. 
Trata-se de condição frequente, grave e muitas vezes prevenível. A doença renal crônica é resultado de 
progressivas fibroses geradas por qualquer tipo de lesão renal. Alterações na função dos néfrons remanescentes 
inicialmente intactos são progressivamente deletérias e podem causar fibroses posteriores. Esses 
eventos resultam em estágio renal final, em que os túbulos glomerulares, interstício e vasos apresentam-
se esclerosados. Diabetes melito e hipertensão arterial sistêmica são responsáveis pela maioria dos casos de DRCT. 
Mais raramente, lesões renais agudas, como necrose cortical ou nefrotoxicidade a fármacos, podem causar perda 
definitiva da função renal. 
A hipertensão arterial (H.A.) pode levar a nefroesclerose vascular, que consiste na lesão de pequenas artérias e 
arteríolas renais, que levam a hipóxia glomerulares, tubulares e intersticiais, podendo resultar em pontos de fibrose. 
Outra comorbidade que pode acometer os glomérulos é o diabetes (tipo I e II), pois como doença sistema pode 
levar a nefropatia diabética, culminando na proliferação mesangial e expansão da matriz mesangial, acompanhado 
de espessamento da membrana capilar e hialinose nas arteríolas aferentes e eferentes, tendo como resultado 
final a hipertrofia tubular e fibrose intersticial. Tanto a H.A., mas principalmente o diabetes constituem lesões 
agressivas e progressivas aos rins podendo levar a Doença Renal Crônica Terminal, resultando numa fibrose 
glomerular difusa, seguido de isquemia, lesão dos néfrons e perda de função e consequentemente à insuficiência 
renal crônica 
4. Correlacionar as principais causas envolvidas no quadro de Doença Renal Aguda. 
Insuficiência renal aguda: ocorre quando há alguma lesão nos rins provocando rápida queda nas suas funções. 
Principais causas: 
-choquecirculatório; 
- sepse (infecção generalizada); 
- desidratação; 
- queimaduras extensas; 
- excesso de diuréticos; 
- obstrução renal; 
- insuficiência cardíaca grave; 
- glomerulonefrite aguda (inflamação nas unidades filtrantes do rim, chamadas glomérulos). 
 
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1.Discutir a patogenia dos Carcinomas Pulmonares correlacionados ao tabagismo; 
A maioria dos cânceres pulmonares está associada a um carcinógeno bem conhecido — o tabagismo. Basta dizer 
que os cânceres pulmonares podem ser amplamente classificados nos tipos de pequenas células e não pequenas 
células, e o último grupo é constituído por carcinomas de células escamosas e adenocarcinomas. 
Tabagismo: Aproximadamente 80% dos cânceres de pulmão ocorrem em fumantes ativos ou naqueles que 
pararam de fumar recentemente. Por razões que ainda não estão claras, as mulheres têm maior suscetibilidade 
aos carcinógenos da fumaça do tabaco que os homens. Embora o abandono do hábito de fumar diminua o risco de 
câncer de pulmão com o tempo, ele pode nunca voltar aos níveis basais. De fato, as alterações genéticas que 
antecedem o câncer de pulmão podem persistir por muitos anos no epitélio brônquico de ex-fumantes. Fumar 
passivamente (proximidade aos fumantes)aumenta o risco de desenvolvimento de câncer de pulmão em 
aproximadamente duas vezes, quando comparado com não fumantes. Embora a duração e intensidade do tabagismo 
estejam bem correlacionadas com o risco de câncer, nem todas as pessoas expostas ao tabaco desenvolvem 
câncer. Lembre-se de que muitos produtos químicos (pró-carcinógenos) são convertidos em carcinógenos através 
da ativação pelo sistema de enzimas mono-oxigenases P-450 altamente polimórficas. Os polimorfismos específicos 
do P-450 tem capacidade aumentada para ativar pró-carcinogênicos na fumaça do tabaco, e fumantes com essas 
variações genéticas parecem incorrer em um risco maior de câncer de pulmão. De maneira similar, os indivíduos 
cujos linfócitos do sangue periférico mostram quebras cromossômicas mais numerosas depois da exposição a 
carcinógenos relacionados ao tabaco (genótipo de sensibilidade mutagênica) apresentam um risco maior do que 10 
vezes de desenvolvimento de câncer pulmonar quando comparados a grupos-controle, provavelmente por conta 
da variação genética em genes envolvidos no reparo do DNA. As alterações histológicas correlacionadas com as 
etapas no caminho da transformação neoplásica estão mais bem documentadas para carcinomas de células 
escamosas e são descritas de maneira mais detalhada posteriormente. 
Há uma correlação linear entre a intensidade de exposição à fumaça do tabaco e a aparição de mais alterações 
epiteliais mais preocupantes. Estas começam preferivelmente com uma hiperplasia de células basais de aparência 
inócua e com metaplasia escamosa e progridem para displasia escamosa e carcinoma in situ, o último estágio antes 
da progressão para um câncer invasivo. O fumo passivo ou a fumaça de tabaco ambiental contém numerosos 
carcinógenos humanos para os quais não existe um nível de exposição seguro. 
 
 
 
 
 
 
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2. Explicar as principais alterações anatomopatológicas dos carcinomas de pequenas células e de não pequenas 
células. 
Os carcinomas de pequenas células são tumores altamente malignos com uma 
forte relação com o tabagismo; Podem surgir nos brônquios principais ou na 
periferia do pulmão. O tumor é geralmente central e formado por células 
pequenas e uniformes, geralmente pouco maiores que um linfócito, com núcleo 
denso, redondo ou oval, cromatina difusa, nucléolo inconspícuo e citoplasma 
escasso. À microscopia eletrônica, podem-se encontrar grânulos elétron-densos 
de neurossecreção em algumas células e desmossomos pouco desenvolvidos. As 
células tendem a ser separadas ou levemente coesas, com pequena quantidade 
de estroma, por vezes formando pseudorrosetas. Em tumores com necrose, 
grande quantidade de massas hematoxilínicas correspondentes a ácidos 
nucleicos são vistas na parede dos vasos. À imuno-histoquímica, na maioria dos casos as células são positivas para 
marcadores neuroendócrinos, como cromogranina, sinaptofisina, CD56 e marcadores epiteliais de origem pulmonar, 
como o TTF-1. 
Os carcinomas de células escamosas frequentemente são precedidos por metaplasia escamosa ou displasia do 
epitélio brônquico, que então se transforma em um carcinoma in situ, podendo durar vários anos. Nesse momento, 
células atípicas podem ser identificadas em esfregaços citológicos do escarro, lavados broncoalveolares ou 
escovados brônquicos, embora a lesão seja assintomática e não detectável em radiografias. 
 
Finalmente, aparece um carcinoma de células escamosas invasivo. O tumor pode, então, seguir uma variedade de 
caminhos: 
 Pode crescer dentro da luz brônquica, produzindo uma massa intraluminal. Com o aumento subsequente, 
o brônquio fica obstruído, causando atelectasia distal e infecções. 
 Pode penetrar nas paredes dos brônquios e infiltrar o tecido peribrônquico, atingindo a carina ou o 
mediastino. 
 Pode crescer e produzir massa intraparenquimatosa em forma de couve-flor, que empurra a substância 
pulmonar à sua frente. 
 
Macroscopicamente, o CEC apresenta-se como lesão que varia desde pequena tumoração endobrônquica 
obstrutiva até grandes massas que sofrem cavitação e hemorragia, por causa de necrose frequente. Algumas 
vezes, esses focos necróticos são cavitados. o tecido neoplásico é brancoacinzentado e firme a endurecido. O 
tumor é facilmente visível à endoscopia e pode ser diagnosticado por exames citológicos mais comumente do que 
as demais neoplasias pulmonares 
O CEC geralmente ocorre na região central do pulmão, tende a aparecer nos grandes brônquios, e pode formar 
cavidades quando atinge um tamanho muito grande. 
 
Histologicamente, o CEC é caracterizado pela presença de queratinização e/ou pontes intercelulares. A 
queratinização pode assumir a forma de pérolas córneas ou células individuais com citoplasma denso e 
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acentuadamente eosinófilo. Esses aspectos são proeminentes nos tumores bem diferenciados, mas não são 
extensos em tumores moderadamente diferenciados, e são vistos focalmente nos tumores pouco diferenciados. 
A atividade mitótica é maior nos tumores pouco diferenciados. Metaplasia escamosa, displasia epitelial e focos de 
carcinoma in situ franco podem ser vistos no epitélio brônquico adjacente à massa tumoral. As células tumorais 
não têm estrutura glandular ou produção de mucina. Outro sinal de diferenciação escamosa é a presença de ninhos 
sólidos de células tumorais com núcleo hipercromático e escasso citoplasma na periferia e células poligonais com 
citoplasma amplo e eosinofílico no centro. 
 
O adenocarcinoma é um tumor epitelial maligno invasivo com diferenciação glandular ou produção de mucina pelas 
células tumorais. Os adenocarcinomas crescem em vários padrões, incluindo acinar, lepídico, papilar, micropapilar, 
e sólido com produção de mucina. Em comparação com os carcinomas de células escamosas, as lesões em geral 
estão localizadas mais perifericamente e tendem a ser menores. Variam histologicamente de tumores bem 
diferenciados com elementos glandulares óbvios a lesões papilares que lembram outros carcinomas papilares e até 
massas sólidas com glândulas e células produtoras de mucina apenas ocasionais; na periferia do tumor geralmente 
há um padrão lepídico de disseminação, em que as células do tumor “rastejam” pelos septos alveolares com 
aparência normal. Tumores (≤3 cm) com um componente invasivo pequeno (≤5 mm) associado com cicatrizes e 
padrões de crescimento lepídico periférico são chamados de adernocarcinomas microinvasivos. Adernocarcinomas 
mucinosos tendem a se espalhar pelos espaços aéreos, formando tumores satélites. 
O carcinoma de grandes células é um tumor epitelial maligno indiferenciado sem as características citológicas ou 
outras formas de câncer de pulmão. A OMS define o tumor como neoplasia maligna composta de grandes células 
contendo núcleos grandes e centrais, com forma que varia de oval a poligonal, nucléolo evidente, citoplasma 
abundante e membrana celular usualmente bem definida; a relação núcleo/citoplasma é a mais alta entre as 
neoplasias pulmonares. As células tipicamente apresentam núcleos grandes, nucléolos proeminentes e quantidade 
moderada de citoplasma. A lesão é predominantemente periférica, subpleural, não se associa a segmento 
brônquico e caracteriza-se pela tendência a formar grandes massas com áreas de necrose e 
hemorragia. O carcinoma de grandes células é um diagnóstico de exclusão, já que não expressa os marcadores 
associados com o adenocarcinoma e o carcinoma de células escamosas. Uma variante histológica é o carcinoma 
neuroendócrino de grandes células, que tem características moleculares similares àquelas que caracterizam o 
carcinoma de pequenas células, mas é composto por células tumorais de maior tamanho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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3. Caracterizar os marcadores imuno-histoquímicos utilizados no diagnóstico de adenocarcinomas e do CEC 
CARCINOMA DE CELULAS ESCAMOSAS (CEC): 
-> p63 ou p40 
-> citoqueratina (CK5/6, CK14) 
ADENOCARCINOMA: 
-> TTF1-> NAPSIN A 
CARCINOMA DE PEQUENAS CÉLULAS (NEUROENDÓCRINO): 
-> CD56 
-> CROMOGRANIN A 
-> SINAPTOFISINA 
 
4. Discutir os tipos mais comuns de metástases para o pulmão; 
O pulmão é o local mais comum de neoplasias metastáticas, são sede frequente de metástases, sobretudo de 
carcinomas do estômago, cólon, mama e próstata, tumores ósseos, sarcomas, melanoma e coriocarcinoma. 
 
Em geral, as metástases formam massas arredondadas múltiplas e de tamanhos variados, desde minúsculas até 
lesões com vários centímetros de diâmetro. Outras vezes, ocorre infiltração intersticial por invasão dos linfáticos 
peribrônquicos ou dos septos conjuntivos (linfangite carcinomatosa). 
 
O padrão de crescimento metastático nos pulmões é bastante variável. Num caso comum, múltiplos nódulos 
evidentes (lesões em bola de canhão) estão dispersos em todos os lobos, a maioria presente na periferia. Outros 
padrões incluem nódulo solitário, endobrônquico, pleural, consolidação pneumônica e uma mistura deles. Focos de 
crescimento lepídico semelhante ao adenocarcinoma in situ são observados ocasionalmente em carcinomas 
metastáticos e podem estar associados a qualquer um desses padrões relacionados. 
 
 
 
 
 
 
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5. Distinguir doenças neoplásicas pulmonares de doenças não neoplásicas que acometem o pulmão (DPOC, Infecções 
etc).

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