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Laura R. T6 1 BBPM V - PATOLOGIA Nefropatias Crônicas e Infarto Renal DEFINIÇÕES AZOTEMIA: elevação dos níveis sanguíneos de compostos nitrogenados (ureia) e creatinina devido à redução da taxa de filtração glomerular. É um achado. o Pré-renal: baixa perfusão, isquemia, choque, hemorragia, insuficiência cardíaca o Renal: defeitos intrínsecos ao rim o Pós-renal: obstrução ao fluxo urinário UREMIA: azotemia + sinais clínicos + anormalidades bioquímicas. É uma síndrome. o Há a presença secundária de gastroenterite urêmica, neuropatia periférica e pericardite urêmica, encefalopatia urêmica o Pacientes requerem diálise neste estágio INFARTO RENAL Geralmente devido a êmbolos de trombos murais atriais esquerdo ou infarto do miocárdio ventricular esquerdo Também endocardite, aneurisma da aorta abdominal e êmbolos ateroscleróticos. Lembrar dos contextos infecciosos (endocardite) Os infartos são em cunha do tipo anêmico “branco” cercado por hiperemia intensa Em peças formalizadas, o formol tende a deixar a lesão mais branca como na imagem acima, evidenciando-a. Já em peças a fresco, a lesão fica mais clara, mas não chega a ficar branco, como na imagem abaixo A isquemia resulta em necrose coagulativa em órgãos sólidos, exceto o cérebro, em que ocorre necrose liquefativa. Não existe o termo necrose isquêmica. O primeiro sinal da necrose é o apagamento das estruturas, que pode ser notado do lado esquerdo da foto, onde só vemos “sombras” das estruturas. Por outro lado, mais à direita, no centro da imagem, já é possível ver mais coloração, delimitação das estruturas. Junto da necrose coagulativa vemos bem mais infiltrado inflamatório, geralmente, com polimorfonucleados. GLOMERULONEFRITE CRÔNICA É o estágio final de várias formas de doenças glomerulares É caracterizada por insuficiência renal progressiva, uremia e morte Laura R. T6 2 BBPM V - PATOLOGIA Clínica: anemia, anorexia, proteinúria, hipertensão e azotemia Macroscopia: rins diminuídos de tamanho com cicatrizes finas e simétricas Microscopia: hialinização de glomérulos, fibrose intersticial, atrofia de túbulos e infiltrado linfocitário. o Esses achados são chamados de nefropatia terminal, a única salvação é o transplante. Quando você perde um glomérulo, você sobrecarrega outro, causando um efeito em cadeia Na imagem abaixo, não é uma anomalia. Trata-se de um rim transplantado. Importante notar as alterações de dos rins em estágio terminal. No rim transplantado é possível notar focos que mostram que o paciente foi a óbito por rejeição O rim transplantado é colocado na fossa ilíaca porque o acesso é mais fácil, não é preciso retirar os rins do paciente, só faz uma anastomose, deixando o rim protegido pela fossa ilíaca. Na microscopia do rim terminal, podemos ver artérias bem calibrosas, com parede muscular bem espessadas e diminuição do lúmen. Também vemos glomérulos escleróticos não funcionantes. Notamos as estruturas tubulares com material eosinofílico dentro, obstruídos e não funcionantes. Presença de infiltrado inflamatório crônico por linfomononucleados. Entre os tubos nota-se presença de um material rosa claro, que é o estroma renal que se prolifera quando as outra estruturas vão atrofiando. Nada mais é do que fibrose. Tudo isso leva a um aspecto de “tireoidização” na microscopia, lembra muito um corte de tireoide. Abaixo, notamos duas imagens. A imagem menor é um corte de tireoide, onde notamos as células foliculares formando estruturas foliculares, em que dentro tem um material chamado coloide, que são os hormônios tireoidianos que ficam armazenados dentro do folículo. Já a imagem maior é um corte de rim terminal. Essas estruturas que lembram um folículo tireoidiano são túbulos atróficos e dilatados, o conteúdo no interior são pedaços de citoplasma descamados, proteínas que vão acumulando e entupindo o tubo formando uma matéria rosa que lembra o coloide. Há também o infiltrado no interstício. Rim terminal aspecto de tireoidização: esclerose glomerular, atrofia tubular, infiltrado inflamatório mononuclear no interstício e fibrose intersticial Hializações parciais do glomérulo, glomérulo hipercelular, com perda dos capilares, presença de estruturas nodulares (hialinas), podendo evoluir e ficar todo hialinizados, como se fosse em um Laura R. T6 3 BBPM V - PATOLOGIA processo cicatricial. Presença de infiltrado inflamatório NEFROPATIA DIABÉTICA A principal doença crônica prevalente que vai levar a essa falência renal é a nefropatia diabética Existem dois eixos de lesão: o Hiperglicemia: fomração de produtos finais de glicolisação responsáveis pelo espessamento da MBG e aumento da matriz mesangial o Hemodinâmico: alterações hemodinâmicas (distúrbios de circulação) resultando em hipertrofia glomerular com aumento da área de filtração, contribuindo para proteinúria o Produção de espécies reativas de oxigênio ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS DA NEFROPATIA DIABÉTICA: Espessamento da Membrana Basal Glomerular: o É a alteração morfológica mais precoce o É vista em praticamente todos os diabéticos independente de proteinúria o É melhor vista em ME o Na imagem abaixo vemos que o valor padrão é 0.3 um, porém a membrana está espessada. Notamos também alterações nos podócitos, que vai levar a perda de proteína, que é o achado mais inicial Mesangioesclerose difusa o Aumento difuso da matriz mesangial o Material PAS positivo, substância rosa no meio do glomérulo, que é a matriz mesangial associado com espessamento da MBG. Quase não se vê capilar glomerular pérvio, são todo obliterados (glomérulo disfuncional). Glomeruloesclerose nodular (lesão de Kimmestiel-Wilson) o Nódulos dentro dos glomérulos o Lesão mais específica do DM o Consiste de nódulos PAS positivo situados na periferia dos glomérulos o É associada com o acúmulo de grande quantidade de material hialino nos capilares e na cápsula de Bowman Laura R. T6 4 BBPM V - PATOLOGIA Outros achados: o Esclerose arteriolar hialinizantes (afeta ambas as arteríolas) o Acúmulo de glicogênio nas células dos túbulos proximais em pacientes descontrolados (células de armani-ebstein) o Pielonefrite o Necrose papilar CLÍNICA DA NEFROPATIA DIABÉTICA Aumento da TFG associado com microalbuminúria (30 a 300 mg/24h) Microalbuminúria é importante preditor posteriormente proteinúria Geralmente os pacientes possuem outras comorbidades (HAS) Cilindros graxos na urinalise DOENÇAS HIPERTENSIVAS Laura R. T6 5 BBPM V - PATOLOGIA NEFROESCLEROSE BENIGNA Assemelha muito a um coro mais rugoso. É chamado benigna porque a função renal é minimamente afetada por esse processo. Tem-se uma arterioesclerose hialina associada a esse processo, associações com outras doenças como diabetes, e é um rim diminuído Na microscopia eletrônica, notamos um espessamento da parede arteriolar por uma proliferação de células musculares lisas e deposição de colágeno denso (substância hialina/ hialinose arteriolar) NEFROESCLEROSE MALIGNA, notamos lesões puntiformes com aspecto hemorrágico (aspecto de picada em pulga), ocorre no contexto de síndromes hipertensivas de altas pressões, fazendo uma necrose do vaso e hemorragia subsequente, fazendo esse aspecto de hemorragia multifocal puntiforme Aspecto em casca de cebola Laura R. T6 6 BBPM V - PATOLOGIA Necrose fibrinoide, não é hialina, em volta. Também é possível notar hemorragias associadas, hemácias soltas no parênquima. Destruição vascular precoce O achado microscópico mais comum é a arteriolite hiperplásica (pelede cebola), devido à proliferação e alongamento das células musculares lisas. Lúmen muito estreitado, parede espessada em forma de pele de cebola, infiltrado inflamatório na parede do vaso, com inflamação. Necrose fibrinóide (área cheia de poeiras nucleares na arteríola). Para suportar o processo hipertensivo, ocorre um espessamento fibroso da parede. Edema associado promove dissecções entre as fibras colágenas, formando aspecto em casca de cebola HIPERTENSÃO MALIGNA Nem toda pressão alta vai levar a esse tipo de lesão, pressões muito altas frequentemente sim. É o que se chama de urgência hipertensiva Urgência hipertensiva: pacientes com sistólica de 160-180 mmHg e diastólica de 100-120 mmHg, mas assintomático. Conduta: anti-hipertensivos e pesquisa de lesões de órgão alvo (rim, retina, sistema cardiovascular). Emergência hipertensiva: sistólica maior de 180 mmHg e diastólica maior de 120 mmHg E lesão de órgão alvo. É mais grave. Importante evitar lesões terminais de órgão alvo. ÓRGÃOS MAIS AFETADOS: Sistema ocular: retinopatia hipertensiva, edema, focos hemorrágicos, sendo importante fundoscopia para avaliar. Sistema cardiovascular: edema pulmonar, isquemia miocárdica, dissecção aórtica. Exames: eletrocardiograma, Raio X, enzimas cardíacas, tomografia. Sistema nervoso central: encefalopatia hipertensiva, AVEs, síndromes reversíveis encefalopáticas, focos hemorrágicos (derrames hemorrágicos, sintomas compressivos). Sistema renal: insuficiência renal aguda, emergências hipertensivas, doenças renais. PROVA: Atentar-se a características principais de cada lesão, lesões específicas de cada um, qual contexto de surgimento da lesão, quais consequências, clínica. Nefropatia terminal, achados do infarto renal.