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1 Bruno Herberts Sehnem – ATM 2023/2 
Oftalmologia 
RETINOPATIA HIPERTENSIVA 
Introdução: 
A HAS é a doença caracterizada por 
aumento sustentado da pressão arterial (PA) 
≥ 140/90 mmHg. A doença é multifatorial, ou 
seja, depende de fatores ambientais e de 
fatores genéticos. 
A pressão arterial (PA) depende do débito 
cardíaco e da resistência vascular periférica 
(PA = DC x RVP). A HAS associa-se a 
aumento da resistência vascular periférica e 
causa lesões em órgãos-alvo, como cérebro, 
olhos, coração, vasos sanguíneos e rins. 
No Brasil, a HAS apresenta prevalência de 
aproximadamente 30% na população geral, 
aumentando ainda mais na população idosa. 
A doença apresenta alta prevalência, mas 
baixas taxas de controle. Quanto maiores os 
níveis pressóricos, maior o risco de 
morbimortalidade cardiovascular do 
paciente. 
O olho representa o único órgão-alvo que 
permite a observação direta das 
complicações microvasculares associadas à 
HAS in vivo. Em muitos casos, o diagnóstico 
de HAS é realizado por médico 
oftalmologista por meio do exame de 
fundoscopia. A retinopatia hipertensiva, ou 
seja, a lesão da retina associada ao aumento 
crônico e sustentado da pressão arterial (PA) 
associa-se a aumento do risco de eventos 
cardiovasculares e de hipertrofia ventricular 
esquerda. 
A HAS também acelera a progressão da 
retinopatia diabética e aumenta o risco de 
oclusões arteriais e venosas em pacientes 
diabéticos e não diabéticos. 
Retinopatia Hipertensiva: 
- A retinopatia hipertensiva é mais prevalente 
em negros do que em brancos (2:1). 
- A HAS pode acometer diferentes estruturas 
do olho, principalmente coroide, nervo óptico 
e retina. 
- A vasoconstrição associada à HAS 
aumenta o risco de hipoperfusão de 
estruturas do olho, como retina, nervo óptico 
e coroide. 
- A característica mais precoce e importante 
da retinopatia hipertensiva é a constrição 
arteriolar difusa da retina, causada por 
aumento do tônus vascular (aumento da 
resistência vascular periférica) e por 
vasoespasmos das arteríolas retinianas. 
 
- A HAS crônica associa-se à quebra da 
barreia hematorretiniana interna, com 
extravasamento de plasma sanguíneo e de 
hemácias para o meio extravascular, que 
manifesta-se por hemorragia retiniana e 
lipídios intrarretinianos (exsudatos duros), 
que podem resultar em edema macular em 
casos graves. 
- A retinopatia hipertensiva associa-se ao 
processo de arteriosclerose. A 
arteriosclerose hipertensiva caracteriza-se 
por aumento progressivo das camadas 
elástica e muscular da parede das arteríolas 
secundário à HAS crônica. A arteriosclerose 
senil caracteriza-se por aumento progressivo 
das camadas elástica e muscular da parede 
das arteríolas secundário ao 
envelhecimento, mesmo na ausência de 
HAS. 
 
 
 
2 Bruno Herberts Sehnem – ATM 2023/2 
- Os principais sinais indicativos de 
retinopatia hipertensiva à fundoscopia são: 
→ Sinal de Gunn: compressão de vênula por 
arteríola. 
→ Sinal de Bonnet: ingurgitamento venoso 
distal à compressão venosa causada por 
arteríola. 
→ Sinal de Salus: ângulo de cruzamento 
entre arteríola e vênula torna-se mais obtuso 
e, às vezes, reto. 
 
- Além da retinopatia hipertensiva, a HAS 
também pode causar outras lesões oculares, 
tais como: 
→ Macroaneurismas. 
→ Oclusões arteriais e venosas. 
→ Neuropatia óptica isquêmica. 
→ Retinopatia diabética (progressão da 
lesão). 
→ Degeneração da mácula relacionada à 
idade (progressão da lesão). 
→ Glaucoma. 
- A retinopatia hipertensiva classifica-se, 
quanto à gravidade, em: 
→ Grau I: constrição arteriolar retiniana 
generalizada leve à moderada. 
→ Grau II: constrição arteriolar retiniana 
generalizada associada a cruzamentos 
arteriovenosos. 
→ Grau III: achados da retinopatia 
hipertensiva grau II + hemorragias retinianas 
e exsudatos algodonosos e/ou duros. 
→ Grau IV: achados da retinopatia 
hipertensiva grau III + papiledema (edema de 
mácula + edema de nervo óptico). 
 
Hipertensão Arterial Aguda: 
- A hipertensão arterial aguda (emergência 
ou urgência hipertensiva) causa necrose 
fibrinoide das arteríolas e edema do nervo 
óptico. 
- A causa da emergência hipertensiva pode 
ser o edema de papila bilateral (papiledema). 
Nestes casos, administra-se nitroprussiato 
de sódio EV em bomba de infusão que, 
entretanto, associa-se à fotossensibilidade. 
- Sinal da mácula em cereja: indicativo de 
oclusão da artéria central da retina, 
resultando em infarto agudo da retina; nestes 
casos, há pouco tempo para agir e 
geralmente o paciente evolui com cegueira 
irreversível.

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