Prévia do material em texto
Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Definição de Síndrome coronariana aguda A síndromes coronarianas aguda (SCA), também designada síndrome coronariana isquêmica aguda (SCIA) caracteriza – se por desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio ao miocárdio. → Representa um espectro da isquemia cardíaca aguda, variando de angina instável a IAM. → Clinicamente, a S.C.A é apresentada por meio de dor torácica. Existem 2 tipos de SCAs classificadas pelo ECG: Síndrome coronariana aguda sem supra desnivelamento do segmento ST (SCASSST): → Angina instável e IAM sem supra de ST Síndrome coronariana aguda com supra desnivelamento do segmento ST (SCACSST): → IAM com supra de ST. Angina instável X IAM Angina instável (SCASSST): novo início de dor torácica, uma dor isquêmica em repouso ou em baixo limiar de esforço, de caráter progressivo → na ausência de elevação de biomarcadores. → Ausência de supra de ST no ECG → Ocorre devido ruptura de placa aterosclerótica com formação de trombo não oclusivo. Infarto agudo do miocárdio sem supra de ST (SCASSST): dor torácica → acompanhada de elevação de biomarcadores cardíacos → ausência de supra de ST no ECG → ocasionada pela formação de trombo não oclusivo. Infarto agudo do miocárdio com supra de ST (SCACSST): apresenta morte do tecido cardíaco, → com supra de ST em pelo menos 2 derivações do ECG, → geralmente precipitado por formação de trombo oclusivo em a. coronária com placa aterosclerótica. OBS: para diferenciar o IAM sem supra e a angina instável, utilizamos marcadores de necrose (o melhor é a troponina). Troponina presente (+) - IAM sem supra Troponina ausente (-) – Angina instável Fisiopatologia da isquemia cardíaca: inflamação + trombose intravascular. História Clínica Ao avaliar o paciente é preciso identificar a localização da dor, irradiação, caráter, intensidade, fatores de melhora e piora e sintomas associados. No caso da Síndrome Coronariana Aguda: → a dor torácica é anginosa, → de localização subesternal/epigástrica → com irradiação para o braço e ombro esquerdos, mandíbula e epigástrio → de caráter em queimação → A intensidade, início, fatores de melhora e piora e sintomas associados variam conforme o diagnóstico. Angina estável: Desencadeada pelo exercício, frio ou estresse emocional, duração 20 min. Na história, geralmente, há dor torácica característica (pode não estar presente), descrita como sensação de aperto, peso ou esmagamento, localizada na região retroesternal ou no epigástrio, geralmente com irradiação para o braço, a mandíbula ou o pescoço, que persiste mais por de 30 minutos e não cede com o repouso. → Dispneia, diaforese, náusea, dor abdominal ou síncope. Manifestações atípicas de IAM: Idosos, mulheres, DM, insuficiência cardíaca e marca passo, como diaforese: transpiração excessiva devido a hiperatividade do SNS Idosos: dispneia, dor no ombro ou nas costas, fraqueza, fadiga, alterações no estado mental, síncope, náusea inexplicada e desconforto abdominal ou epigástrico. Pacientes diabéticos (disfunção autonômica): alteração do estado mental, fadiga, náusea ou vômito, dispneia, fraqueza generalizada ou atordoamento. Mulheres: Mulheres se referem ao seu desconforto torácico de forma diferente da dos homens, usando descritores como “agudo”, “cortante”, “ardor” ou “aperto”. Mulheres com SCA podem reportar sintomas que incluem falta de ar, fraqueza, fadiga incomum, suores frios, perturbação do sono, perda de apetite, náusea ou vômito, desconforto abdominal e tonturas ou desmaios. Localização da dor Dor precordial é a dor localizada na região precordial. Ela não é sinônimo de dor cardíaca, pois pode ter origem no coração e em outros órgãos ou estruturas como pleura, esôfago, aorta, mediastino, estômago e na própria parede torácica Dor torácica é a sensação de dor ou desconforto, localizada na região anterior do tórax. OBS: A dor precordial é torácica do tipo anginosa. Irradiação da dor → Locais mais comum de desconforto anginoso. A. Parte superior do tórax. B. Subesternal com irradiação para mandíbula e pescoço C. Subesternal com irradiação para o braço esquerdo D. Epigástrica. E. Epigástrica com irradiação para pescoço, mandíbula e braços F. Pescoço e mandíbula. G. Ombro e braço esquerdo. H. Interescapular. Na SCA, localização subesternal/epigástrica, com irradiação para o braço e ombro esquerdos, mandíbula e epigástrio. Caráter da dor A dor anginosa é quase sempre do tipo constritiva, tendo o paciente a sensação de que algo aperta o tórax ou a região retroesternal. • Para caracterizá-la, o paciente leva a mão fechada ao peito (Sinal de Levine). • Termos usados pelos pacientes para descrever a angina: “Uma faixa ao redor do meu peito”, “Aperto ao redor do meu peito”, “Peso no meio do meu peito’, “Queimação”, “Ruptura”, “Constrição”, “Compressão”, “Peso”, “Aperto”, “Pressão”, “Estrangulamento” e “Sufocamento”. Duração → Angina estável – menos que 5 minutos. → Angina instável – maior ou igual a 10 minutos. → IAM – mais que 20 minutos (podendo chegar a algumas horas de dor). Classificação da dor torácica Angina típica (definitiva) 1) Desconforto ou dor retroesternal, 2) Desencadeada pelo exercício ou estresse emocional. 3) Aliviada com repouso ou uso de nitroglicerina. Angina atípica (provável) Presença de 2 dos fatores acima. Dor torácica não angionosa Presença de somente 1 ou nenhum dos fatores Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Intensidade Varia de acordo com o grau do comprometimento isquêmico, podendo ser classificada em: Leve: 0 a 2. Moderada: 3 a 7 Intensa: 8 a 10. Fatores desencadeantes (fatores de piora) → Angina estável - os eventos precipitantes comuns são: estresse emocional, exercício físico e exposição ao frio. → Angina instável- os sintomas ocorrem em repouso ou com esforço físico mínimo. → Infarto agudo do miocárdio, a dor costuma iniciar com o paciente em repouso. Fatores atenuantes O alívio da dor em repouso é uma das características da angina. O uso de vasodilatadores também faz a dor desaparecer. Sintomas associados → Angina estável - náusea ou vômito; palpitações; falta de ar e sudorese. → Angina instável - dispneia, diaforese, náusea, síncope ou disritmias. → IAM- diaforese, dispneia, náusea, dor abdominal ou síncope. OBS: existe um outro tipo de angina, denominada Angina de Prinzmetal – a qual ocorre com frequênte entre a 00h00 e às 8 horas da manhã, podendo despertar o paciente do sono, com duração de 3 episódios de 30 a 60 minutos, desencadeada pelo exercício, estresse emocional, hiperventilação ou exposição ao frio, associado a síncope. Diagnóstico das síndromes coronarianas agudas Eletrocardiograma – ECG Principal exame no diagnóstico e diferenciação das síndromes coronarianas agudas. Deve ser realizado idealmente em até 10 minutoscorticais. → Crises generalizadas: envolvem uma atividade neuronal anormal em ambos os hemisférios cerebrais e são acompanhadas de perda da consciência. Esse tipo de crise pode ser caracterizado com base no padrão de atividade motora em : convulsão tônica (rigidez do tronco e dos membros), tônico-clônica (fase tônica seguida de fase clônica), atônica (perda súbita do tônus postural) e mioclônica (contrações musculares breves, do tipo choque). → Crises parciais (focais): envolvem descarga neuronal em uma área localizada de um dos hemisférios cerebrais e são subclassificadas em simples (o indivíduo permanece consciente) e complexas (nível de consciência comprometido). Psicogênica/não epiléticas: são pseudocrises que não resultam de uma descarga cortical anormal e frequentemente estão associadas a estresse ou trauma emocional significativo. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Diagnóstico História Clínica → Pródromos → Circunstâncias que levaram à crise → Descrição dos movimentos ictais e do período pós-ictal. → Sintomas associados devem ser abordados. → Pacientes com distúrbios epiléticos devem ser interrogados quanto ao histórico de crises prévias (tipo, frequência e medicações) → História médica pregressa, as medicações → Consumo de drogas e bebidas alcoólicas → Fatores de risco de infecção pelo HIV. Exame físico: → Exame da cabeça e pescoço: avaliar língua (procurar lacerações), traumatismo de cabeça ou facial e sinais de meningismo. → Exame cardiopulmonar: ausculta das bulhas cardíacas ou ritmo irregular (sugestivo de evento embólico ou síncope → d. diferencial). → Exame neurológico completo: déficits focais pode ser um indício essencial do diagnóstico definitivo ou um insulto neurológico pósictal transiente comum (paralisia de Todd). Laboratorial → Níveis de glicose e eletrólitos séricos (Na, Ca e Mg). → Função renal → Hemograma completo → Rastreamento farmacológico ou toxicológico. → Teste de gravidez em mulheres de idade fértil. → Punção Lombar: na suspeita de infecção Obs.: um workup mais completo é indicado para os pacientes sem história de epilepsia que sofrem uma única convulsão não provocada. → Se a investigação inicial não for significativa, é aceitável liberar o paciente para ir para casa sob seguimento com exames de neuroimagem e uma consulta marcada com o neurologista. → O paciente não precisa ser liberado sob medicação com novos agentes anticonvulsivantes, mas deverá ser orientado quanto às restrições a que os pacientes epilépticos estão sujeitos. Exames de imagem: - Realizados diante da impossibilidade de identificar etiologia clara de convulsão ou na suspeita de processo agudo intracraniano. - Recomendado em caráter emergencial: história de TCE, alteração persistente do estado mental ou cefaleia, febre, malignidade, imunocomprometido e anticoagulação. Tratamento → Pacientes sem história de convulsão que não voltam ao estado basal e permanecem em condição pós-ictal devem ser internados e permanecerem no hospital até que seu estado mental volte aos níveis basais e a etiologia subjacente de suas convulsões seja determinada. → Os pacientes em estado epilético geralmente são admitidos na UTI para tratamento e avaliação A estabilização inicial do paciente requer: a) ABC; b) análise da glicose à beira do leito; c) oximetria de pulso; d) monitoramento cardíaco; e) terapia anticonvulsivante, se a atividade convulsiva persistir no momento da avaliação. → A proteção agressiva da via aérea é essencial, pois os pacientes convulsivos apresentam reflexos de ânsia diminuídos e risco de aspiração. → O posicionamento do paciente sobre a lateral do corpo com sucção frequente (se necessário) diminuirá o risco de aspiração. → Os pacientes que continuam apresentando convulsões mesmo sob tratamento ou aqueles que não conseguem proteger a própria via aérea com ações conservativas necessitam de intubação. Terapia anticonvulsivante Primeira linha de tratamento para epilepsia são sempre os benzodiazepínicos Benzodiazepínicos parenterais: 1ª linha para convulsão ativa. Suprimem a atividade convulsiva intensificando a inibição neuronal associada ao GABA. → Lorazepam: 1 dose de até 0,1mg/kg a 2mg/min → superior ao diazepam em prevenir recorrência → Diazepam (10mg/2mL): 0,2mg/kg IV a 5mg/min. → Midazolam (50 mg/10mL): dose de ataque 0,2 mg/kg IV em infusão lenta; Manutenção: 1-10 mcg/kg/min. Fenitoína: 2ª linha para convulsão ativa. Não suprime diretamente atividade elétrica no foco convulsivo, mas retarda a recuperação dos canais de sódio voltagem-dependentes e, assim, suprime o recrutamento neuronal. → Fenitoína oral: 20mg/kg com máximo de 400mg a cada 2h. → Fenitoína IV (250mg/5mL): máximo de 15- 20mg/kg de dose total com velocidade inferior a 50mg/min. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Fenobarbital: 3ª linha de terapia abortiva. Depressor do SNC que suprime diretamente atividade elétrica cortical. Utilizado em caso de falha dos BZD e fenitoína. → Fenobarbital (200mg/2mL): 50-75mg/min, IV diluído, no máximo de 10mg/kg. → Efeitos adversos: profunda depressão respiratória e hipotensão. Ácido valproico: alternativa nos casos em que o uso de BZD ou fenitoína é limitado pela hipotensão ou hipersensibilidade. → Ac. Valproico (100mg/ml): 3 a 6mg/kg/min, no máximo de 15 a 20mg/kg. Outros: → Propofol: agonista do GABA e depressor global do SNC → Barbitúricos (Pentobarbital e tiopental): intensificam inibição neuronal mediada pelo GABA ao mesmo tempo que suprimem todas as funções do tronco encefálico (podem induzir parada respiratória, depressão do miocárdio e hipotensão). → Anestésicos inalatórios (isoflurano): suprime focos de convulsão elétrica e constitui último recurso terapêutico. Convulsões induzidas por fármacos: - Cocaína (↓limiar convulsivo + estado hipersimpático): convulsões associadas à hipertermia e altos níveis de lactato. Tratar com altas doses de benzodiazepínicos. - Antidepressivos tricíclicos (propriedades anticolinérgicas): convulsões devido superdosagem de antidepressivos tricíclicos. Tratar com terapia anticonvulsivante + bicarbonato de sódio. - Isoniazida (reduz níveis do transmissor inibitório GABA): convulsões após 120 min da superdosagem aguda de isoniazida. Tratar com administração de piridoxina por vai IV. Convulsões por abstinência do álcool: - Principal causa de convulsão entre os adultos. Manifesta-se em 6-48h após a última ingesta de bebida alcoólica. - Sintomas associados: sudorese, ansiedade, tremor, alucinações, agitação, náuseas, vômito, cefaleia, desorientação. - Tratamento: BZD, hidratação IV com soro glicosado, tiamina, magnésio, potássio e multivitaminas. Neurocisticercose: - Infecção cerebral por larvas da Taenia solium. - As convulsões podem variar de simples convulsões parciais a convulsões tônico-clônicas generalizadas. - Tratamento: medicação anti-helmíntica (p. ex. albendazol) + terapia antiepiléptica. Pseuconvulsões: - Pseudocrises/Convulsões psicogênicas. - Tendem a apresentar múltiplos padrões convulsivos, que geralmente não são seguidos de um período pós- ictal. Casos clínicos Uma mulher de 28 anos é levada ao SE pelos socorristas porque apresenta uma atividade convulsiva que persiste há 40 minutos, mesmo após a administração IV de diazepam na residência da paciente e a caminho do hospital. Provável causa: Falta de complacência com as medicações anticonvulsivantes. Homem de 49 anos é internado na UTI com diagnóstico de IAM inferior. A frequência cardíaca é de 35 bpm e a pressão arterial é de 90/50 mmHg. OECG mostra bloqueio cardíaco Mobitz tipo I. • Nesse caso administra-se atropina para aumentar a Frequência cardíaca (FC). Atropina- é um medicamento de uso injetável conhecido comercialmente como Atropion, que é um estimulante do sistema nervoso parassimpático que age inibindo a atividade do neurotransmissor acetilcolina. Uma mulher de 35 anos chega ao SE queixando-se de sensação de tontura. No mesmo dia, ela notara um sangramento vaginal. Sua pressão arterial é de 85/ 53 mmHg, a frequência cardíaca é de 130 bpm e a frequência respiratória é de 18 mpm. • O próximo passo mais apropriado no tratamento é obter imediatamente um acesso intravenoso IV e iniciar a ressuscitação cardiopulmonar . Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Definição É uma doença de caráter autoimune que acomete primordialmente a mielina da porção proximal dos nervos periféricos de forma aguda/subaguda. Epidemiologia → É a maior causa de paralisia flácida generalizada no mundo. → Pacientes com SGB apresentam taxas de mortalidade de aproximadamente 5%-7%, geralmente resultante de insuficiência respiratória, pneumonia aspirativa, embolia pulmonar, arritmias cardíacas e sepse hospitalar. → Antes da manifestação da SGB há evidência sorológica de infecção recente (1-3 semanas antes), sendo: a infecção por Campylobacter jejuni a mais frequente delas (32%), seguida por citomegalovírus (13%), vírus Epstein Barr (10%) e outras infecções virais (hepatites por vírus tipo A, B e C, influenza e HIV). → Outros fatores precipitantes de menor importância são cirurgia, imunização e gravidez. Quadro clínico A maioria dos pacientes percebe inicialmente a doença através de sensação de parestesias nas extremidades distais dos membros inferiores e, em seguida, superiores. → Fraqueza progressiva: é o sinal mais perceptível. (MMII, braços, tronco, cabeça e pescoço). A intensidade varia de leve (não chega a motivar a busca por atendimento) até tetraplegia completa (necessidade de ventilação mecânica por paralisia da musculatura respiratória acessória). → Fraqueza facial – a paralisia do nervo facial ocorre em mais de 50% dos casos → Função esfincteriana – na maioria das vezes é preservada. → Perda dos reflexos miotaticos (ex patelar) – pode preceder os sintomas sensitivos. Diminuição dos reflexos ocorre em mais de 90% dos casos. → Instabilidade autonômica -achado comum, causando eventualmente arritmias importantes., mas que raramente persistem após 2 semanas. → Dor neuropática lombar ou nas pernas ocorre em 50% dos casos e ofalmoparesia e ptose de 5%- 15%. Variantes → SGB clássico (tetraparesia com ou sem envolvimento de nervo craniano motor). → SGB paraparético (membros inferiores), → Fraqueza faríngo-cervical-braquial (região bulbar, pescoço e membros superiores), → Fraqueza bifacial com parestesias (pode haver ptose palpebral ou só paresia de n. abducente), → Síndrome de Miller Fisher (oftalmoplegia externa + ataxia + arreflexia) → Encefalite de Bickerstaff/Miller Fisher central (oftalmoplegia externa + ataxia +hipersonolência). Evolução da doença → Sempre tem caráter progressivo → Progride por 2-4 semanas → Pelo menos 50%-75% dos pacientes atingem seu nadir na segunda semana, 80%-92% até a terceira semana e 90%-94% até a quarta. OBS :Progressão de sinais e sintomas por mais de 8 semanas exclui o diagnóstico de SGB, sugerindo então polineuropatia desmielinizante inflamatória crônica (PDIC). Platô - Passada a fase da progressão, a doença entra num platô por vários dias ou semanas com subsequente recuperação gradual da função motora ao longo de vários meses → Entretanto, apenas 15% dos pacientes ficarão sem nenhum deficit residual após 2 anos do início da doença e 5%-10% permanecerão com sintomas motores ou sensitivos incapacitantes. → Recorrência do episódio pode ser observada em até 3% dos casos, não havendo relação com a forma de tratamento utilizada na fase aguda. Fatores de risco para mau prognóstico funcional: → idade >50 anos, → diarreia precedente, → início abrupto de fraqueza grave (menos de 7 dias), → necessidade de VM (somente 15 a 30% necessitam de ventilação mecânica). → amplitude do potencial da neurocondução motora inferior a 20% do limite normal. Obs.: o prognóstico motor é melhor nas crianças, pois necessitam menos de suporte ventilatório e recuperam-se com maior rapidez. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Critérios diagnósticos Existem vários critérios propostos para a definição do diagnóstico de SGB, sendo exigidas todas as condições abaixo: → Presença de 2 critérios essenciais; → Presença de pelo menos 3 critérios clínicos sugestivos de SGB; → Não apresentar mais de 1 situação que reduza a possibilidade de SGB; → Não apresentar nenhuma situação que exclua o diagnóstico de SGB; → Caso apresente 1 achado que reduza a possibilidade de SGB, deve ter LCR e estudo neurofisiológico compatíveis com a doença e investigação adicional criteriosa com intuito de afastar outras etiologias. Critérios essenciais para diagnóstico da SBG → Necessário a presença de 2 → Fraqueza progressiva de mais de um membro ou de músculos cranianos de graus variáveis, desde a paresia leve até a plegia. → Hiporreflexia e arreflexia distal com graus variáveis de hiporreflexia proximal. Critérios sugestivos para diagnóstico da SGB → Presença de pelo menos 3 critérios clínicos sugestivos de SGB; Clínicos: → Progressão dos sintomas ao longo de 4 semanas; → Demonstração de relativa simetria da paresia de membros; → Sinais sensitivos leves a moderados; → Envolvimento de nervos cranianos, especialmente fraqueza bilateral dos músculos faciais; → Dor; → Disfunção autonômica; → Ausência de febre no início do quadro. Análise do líquor: → Alta concentração de proteína; + comum – dissociação protéico celular → Presença de menos de 10 células/mm3. Estudo eletrofisiológico típico (3 dos 4 critérios são necessários): → Redução da velocidade de condução motora em 2 ou mais nervos; → Bloqueio de condução do potencial na neurocondução motora ou dispersão temporal anormal em 1 ou mais nervos; → Prolongamento da latência motora distal em 2 ou mais nervos; → Prolongamento de latência da onda-F ou ausência da mesma. Critérios que reduzem a possibilidade da SGB: → Fraqueza assimétrica; → Disfunção intestinal e de bexiga no início do quadro; → Ausência de resolução de sintomas intestinais/urinários; → Presença de mais de 50 células/mm3 na análise do líquido cefalorraquidiano; → Presença de células polimorfonucleares no LCR; → Nível sensitivo bem demarcado. Critérios que excluem a possibilidade da SGB: → História de exposição a hexacarbono, presente em solventes, tintas, pesticidas ou metais pesados; → Achados sugestivos de metabolismo anormal da porfirina; → História recente de difteria; → Suspeita clínica de intoxicação por chumbo (ou outros metais pesados); → Síndrome sensitiva pura (ausência de sinais motores); → Diagnóstico de botulismo, miastenia gravis, poliomielite, neuropatia tóxica, paralisia conversiva. Critérios de inclusão e exclusão Serão incluídos no protocolo de tratamento paciente → Que preencherem os critérios diagnósticos, incluindo as formas variantes da SGB, → avaliados por médico especialista em Neurologia através de laudo detalhado; → apresentarem doença moderada-grave (Escala de Incapacidade) → menos de 4 semanas de evolução Serão excluídos do protocolo de tratamento os pacientes: → com mais de 30 dias de evolução da doença, → com insuficiência renal → ou que apresentarem contraindicações ou efeitos adversos não toleráveis à imunoglobulinaintravenosa, tais como presença de níveis altos de IgA e infecção ativa. Determinação de gravidade 0. Saudável; 1. Sinais e sintomas menores de neuropatia, mas capaz de realizar tarefas manuais; 2. Apto a caminhar sem auxílio da bengala, mas incapaz de realizar tarefas manuais; 3. Capaz de caminhar somente com bengala ou suporte; 4. Confinado a cama ou cadeira de rodas; 5. Necessita de ventilação assistida; 6. Morte Doença leve: 0-2 , Moderada-grave : 3-6 Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Diagnóstico diferencial Poliomelite, mielopatias, miastenia gravis, polineuropatia ou miopatia do paciente crítico, neuropatia rapidamente progressiva em pacientes com insuficiência renal em diálise peritoneal, hipofosfatemia aguda induzida por hiperalimentação, miopatia por glicocorticoide, efeitos prolongados de bloqueadores musculares, HIV, doença de Lyme, difteria, causas paraneoplásicas, doenças do colágeno, vasculites primárias, história exposicional a amiodarona, cloroquina, organofosforados e metais pesados, porfiria e polineuropatia. Tratamento Existem 2 tipos de tratamento: Antecipação e manejo das comorbidades associadas. → prevenção de fenômenos tromboembólicos, monitorização cardíaca, → avaliações seriadas de reserva ventilatória e de fraqueza orofaríngea, → proteção de vias aéreas, → manejo apropriado da função intestinal e da dor, nutrição e suporte psicológico adequados. → A fisioterapia motora deve ser iniciada nesta fase com intuito de auxiliar na mobilização precoce. Tratamento da progressão dos sinais e sintomas visando menor tempo de recuperação e minimização de déficit motor → Não há necessidade de tratamento de manutenção fora da fase aguda da doença. → Pacientes com SGB necessitam ser inicialmente admitidos no hospital para observação rigorosa. Imunoglobulina humana intravenosa (IGVI) → tratamento de escolha → Sua eficácia a curto e longo prazo é similar a plasmaférese, porém ao utilizar a IGVI evita complicações inerentes da plasmaférese (hipotensão, necessidade de cateter venoso, trombo filia). → O uso de IGIV é recomendado para todos os pacientes com critérios diagnósticos estabelecidos de SGB em estágio moderado-grave no período de 2-3 semanas após o início dos sintomas, sendo sua administração efetiva dependente da disponibilidade do fármaco e da experiência do centro de atendimento terciário envolvido. → Esquema de administração é 0,4 g/kg/dia, por via intravenosa. → Recomenda que seja repetida a administração de IgIV nos casos inicialmente refratários, após 3-4 semanas da última aplicação. → Caso não haja resposta clínica à segunda tentativa com IgIV, a plasmaférese deve ser tentada 1-2 semanas após a IgIV. Plasmaférese → benefícios em pacientes com SGB (moderada- grave de 3-6), particularmente se realizada dentro de 7 dias após o início dos sintomas. → Diminuiu tempo de VM, risco de infecções graves, instabilidade cardiovascular e arritmias cardíacas em relação a tratamento de suporte. → Complicações inerentes ao seu uso (hipotensão, necessidade de cateter venoso, trombofilia). → O esquema de utilização prevê, para casos leves, 2 sessões; para casos moderado-graves (escala de 3-6), o volume de plasma removido por sessão deve ser de 200-250 ml/kg a cada 48 horas. É uma alternativa efetiva para o tratamento de SGB com até 4 semanas de evolução, e seu uso dependerá da disponibilidade do método e da experiência do centro de atendimento terciário envolvido. Tratamento de acordo com a gravidade O tratamento deve ser avaliado de acordo com a presença ou não de critérios de gravidade: → Tetraparesia; → Acometimentos de nervos cranianos; disfagia; disfonia; → Disautonomia (taqui/bradicardia, hipotensão postural e labilidade pressórica), com risco de morte súbita; → Ventilometria alterada / insuficiência respiratória; → Evolução rápida (escore > 3, em menos de duas semanas). Sem critérios de gravidade: → Tratamento conservador → internar no quarto/enfermaria; → observação e ventilometria 3x/dia (com fisioterapeuta); → ideal avaliação de fono; → é dispensável Imunoglobulina IV (IGIV) Com critérios de gravidade → Tratamento padrão. → 1ª opção (IgIV – 0,4 g/kg/dia infundindo em 6 a 8h, durante 5 dias) → 2ª opção (plasmaférese, com troca de 250 ml/kg, em 5 sessões, em dias alternados). → Não está indicado corticoide → ventilometria 3x/dia. → Considerar IOT se hipoxemia (PaO2 48 mmHg), PI máxautolimitada, alguns pacientes podem evoluir para insuficiência respiratória. → Assim, considera-se racional tratar esses pacientes com imunoglobulina ou plasmaférese, desde que respeitadas as condições dos Critérios de Inclusão. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Definições → Acidente vascular encefálico: consiste no rápido desenvolvimento de perda da função encefálica em decorrência de um distúrbio envolvendo os vasos sanguíneos que suprem o encéfalo. → Ataque isquêmico transitório (AIT): ocorre quando o suprimento sanguíneo para uma determinada área do encéfalo é interrompido. Referido com frequência como mini-AVE, seus sintomas costumam durar de minutos a horas, mas se resolvem dentro de 24 horas. → Trombolíticos: medicações que atuam na degradação de coágulos e são usadas no tratamento de infartos do miocárdio, embolia pulmonar e AVE. → National Institutes of Health Stroke Scale: trata- se de uma ferramenta de avaliação à beira do leito que fornece uma medida quantitativa reproduzível do déficit neurológico associado ao AVE. Fatores de risco → Hipertensão arterial (redução de 30-40% com controle do risco com controle satisfatório). → Fibrilação Atrial → Tabagismo (quase 2x) → Diabetes Mellitus → Dislipidemia → Terapia de reposição hormonal pós menopausa → ACO (baixo risco) → Anemia falciforme Causas comuns → Aterosclerose (+ comum). Locais preferidos: bifurcação das carótidas, origem da artéria cerebral média, origem da artéria cerebral anterior e origem das artérias vertebrais. → Embolia de origem cardíaca (15% de todos os AVC isquêmicos se associam à FA não tratada), → Lesão de pequenos vasos e dissecção arterial - AVE lacunar significa um infarto subcortical recente pequeno (uma cardioembolia e doença de pequenos vasos intracranianos) - Comprometimento de vasos com obstrução média e adventícia -> aneurisma Patogênese AVE isquêmico: corresponde a 80%. → A oclusão aguda de um vaso intracraniano reduz o fluxo sanguíneo para a região cerebral que ele supre. → É decorrente do bloqueio de um vaso sanguíneo secundário à trombose ou embolia. → Observado em pacientes > de 50 anos de idade. AVE hemorrágico: → decorrente de sangramentos de vasos cerebrais intraparenquimatosos ou subaracnóideos. → primário (hipertensivo, angiopatia amiloide, hipertensão intracraniana) → secundário (ruptura de aneurisma, má formação arteriovenosa cerebral, neoplasias, vasculites e coagulopatias). → Observado em pacientes mais jovens. Penumbra isquêmica: é a região que circunda o infarto. A função neuronal está alterada, mas é potencialmente recuperável. Abordagem clínica A base da avaliação é a história e o exame físico. Sintomas → Enfraquecimento → Entorpecimento ou falta de coordenação dos membros ou da face → Paralisia de nervos cranianos → Disartria ou comprometimentos cognitivos, como afasia e negligência. É essencial descobrir o momento exato o aparecimento dos sintomas, para avaliar a indicação do uso de trombolíticos. Caso o paciente tenha despertado apresentando sintomas, o médico deve determinar o horário de início quando o paciente foi visto acordado pela última vez em estado normal. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Quadro clínico do AVE isquêmico O paciente apresenta história de início súbito com sinal ou sintoma de déficit neurológico focal. → O quadro clínico é bastante variado, dependendo da localização da lesão e da artéria comprometida. Quadro clínico do AVE hemorrágico: Apresenta-se com o surgimento rápido de um déficit neurológico focal, cefaleia intensa e rebaixamento do nível de consciência de início abrupto que progride nos minutos a horas seguintes. → Lembrar que o sangramento no parênquima cerebral é indolor. Atendimento inicial NIH Stroke Scale (NIHSS):mede vários aspectos da função cerebral, como: → consciência, visão, sensação, movimento, fala e linguagem. → Uma pontuação acima de 20 até o escore máximo de 42 representa um AVE grave. → As diretrizes vigentes permitem que os AVE com pontuação acima de 4 sejam tratados com ativador de plasminogênio tecidual recombinante (rtPA). National Institute of Neurological Disorders and Stroke (NINDS) - estabeleceu escalas temporais de porta-tratamento na resposta a um caso de AVE agudo. → avaliação feita pelo médico em 10 minutos após a chegada do paciente; → notificação do especialista/neurologista dentro de 15 minutos; → exame de TC da cabeça dentro de 25 minutos; e → interpretação do resultado do exame → de TC em 45 minutos. → Para eventos isquêmicos, as diretrizes para administração de rtPA em pacientes elegíveis são de 60 minutos, dentro da ''hora de ouro'' do tratamento Qual é o exame mais urgente a ser realizado em uma suspeita de AVE: Teste de glicemia e TC de Crânio. Exames diagnósticos: Identificar possíveis contraindicações à administração de rtPA. → Saturação do oxigênio para excluir a hipótese de hipóxia como etiologia dos comprometimentos neurológicos. → Eletrocardiograma = FA mais comum, → Glicemia capilar (HGT) porque a hipoglicemia é mimetizadora do AVE agudo, → Lipidograma → Eletrólitos → Hemograma completo- Contagem de plaquetas (> de 100.000/mm3 para que os trombolíticos possam ser administrados), → Ensaios de coagulação, → Marcadores cardíacos. → varredura de TC da cabeça sem contraste- para excluir a hipótese de um sangramento intracraniano. → RM é superior à TC na demonstração de hemorragias subagudas e crônicas Achados na TC Inicial (24 H : Hipodensidade. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas A: aumento na densidade no segmento M1 da artéria cerebral média esquerda devido a trombose (seta). Tal achado é um dos sinais precoces de infarto cerebral. B: hipodensidade com perda da diferenciação entre substância branca e cinzenta nas regiões insular, opercular e gânglios da base (setas), caracterizando infarto agudo. Escore de ASPECTS → Avalia a extensão do comprometimento da Artéria Cerebral Média (ACM) e risco de sangramento com o tratamento trombolítico. → Subdivide o território da ACM em 10 regiões padronizadas, avaliadas em 2 cortes da TC de crânio, na altura do tálamo e nos núcleos da base, e o próximo corte logo acima dos núcleos da base. → Cada uma das áreas marcadas em vermelho, com hipodensidade precoce na TC sem contraste, diminui 1 ponto no escore. TC normalmente tem escore de 10 um escore 0 indica isquemia difusa em todo o território da ACM. 7 a 10 indica baixo risco de hemorragia e cinco a sete risco alto de hemorragia O ASPECT do paciente é inversamente proporcional a sua gravidade. Investigação das etiologias → Aterosclerótico: estudo das carótidas e vertebrais. → Cardioembólico: arritimias, miocardiopatia. → Oclusão de pequenos vasos: fatores de risco (hipertensão de longa data mal controlada). TC com hipodensidade e substância profundahipo e hiperglicemia, hipo ou hipernatremia, superdosagem de fármaco e botulismo. → Etiologias infecciosas: infecção sistêmica, paralisia de Bell, meningite/ encefalite, febre maculosa das Montanhas Rochosas e abscesso cerebral. → Causas cardíacas ou vasculares: encefalopatia hipertensiva, dissecção da artéria carótida/aórtica/vertebral, hemorragia subaracnóidea e vasculite cerebral. → Outras etiologias: tumor, crise cerebral da anemia falciforme, depressão ou psicose e hipertermia maligna. Tratamento → Os pacientes de AVE são tratados como pacientes gravemente enfermos. O tratamento inclui obrigatoriamente: → avaliação e estabilização do ABC, → avaliação formal para uma possível administração de trombolíticos → tratamento de comorbidades. como a hipertensão. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Trombolíticos Os trombolíticos somente podem ser administrados dentro de uma janela de até 4h30min a contar do início dos sintomas. → O Alteplase (rtPA) pode ajudar a restaurar a perfusão tecidual no AVE isquêmico e é o único trombolítico aprovado pelo FDA para uso no tratamento do AVE. → O rtPA costuma ser administrado a uma dosagem de 0,9 mg/kg e sua dose máxima é 90mg, sendo que 10% da dosagem é administrado como bolus intravenoso (IV) e o restante é infundido ao longo de 60 minutos. Alteplase (rtPA), se critérios de inclusão • Pressões arteriais elevadas = manter a pressão de perfusão cerebral. • Pressão arterial sistólica > 220 mmHg e uma pressão arterial diastólica > 120 mmHg são mais bem tratadas. Tratamento da pressão arterial → Uma PA sistólica > 220mmHg e uma pressão diastólica > 120mmHg - Tratar PA com medicamentos EV - labetalol IV e os nitratos (Nipride) = não baixar mais do que 25% da PAM vigente. → PA deve permanecer abaixo de 185/110 mmHg para administrar rtPA. → Pressões arteriais elevadas geralmente permanecem sem tratamento, para manter a pressão de perfusão cerebral. A heparina, o ácido acetilsalicílico e sondas não são usados nas primeiras 24 horas. → Por outro lado, os trombolíticos não devem ser suspendidos em casos de pacientes que tomaram ácido acetilsalicílico recentemente. OBS: terapias intravasculares, como a trombólise intrarterial e mecânica, estão sendo usadas no tratamento de um subgrupo de pacientes com AVE isquêmico agudo. Tratamento endovascular → Consiste em uma trombectomia mecânica via cateterismo intra-arterial. → Tal procedimento se mostrou eficaz em restabelecer a patência vascular (e melhorar desfechos clínicos) até 6h após o início dos sintomas (janela terapêutica), desde que se trate de oclusões de grandes vasos intracerebrais (ex.: carótida interna, cerebral média, basilar). → A eficácia do rtPA é menor quando a carga embólica é muito grande. → Quando há lado sintomático com obstrução > 70%, usar AngioTC, AngioRM ou Doppler. Angiografia > 50%. → Em pacientes com 70 anos dá-se preferência por cirurgia (tratamento endovascular não parece ser tão eficaz). Se a obstrução for 100. Em DM c/ LDL > 70. 4. Medicamentos para controle da PA (metaé desconhecido, mas a cocaína tem relação com hipertensão aguda. → Traumatismo cranianoencefálico: muitas vezes causa hemorragia intracraniana. → Terapia anticoagulante: podem ocorrer em qualquer localização; com frequência são lobares ou subdurais. As HIC relacionadas com anticoagulação podem evoluir lentamente, durante 24 a 48 horas. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas → Distúrbios hematológicos: leucemia, anemia aplásica, púrpura trombocitopênica. → Encefalopatia hipertensiva: é uma complicação da hipertensão maligna associada a cefaleia, náuseas, vômitos, crises epilépticas, confusão, estupor e coma. Avaliação laboratorial e neurorradiológica → Contagem plaquetária, TAP/PTT, TCC e RM (mais sensível para delinear as lesões da fossa posterior, geralmente é desnecessária na maioria dos casos). → Alguns centros realizam rotineiramente a TC e a angiografia por TC com TC pós-contraste em uma sessão para identificar rapidamente qualquer etiologia macrovascular da hemorragia e fornecer, ao mesmo tempo, informações de prognóstico. Tratamento agudo: Quase 50% dos pacientes com HIC hipertensiva morrem, mas outros têm uma recuperação boa a total se sobreviverem à hemorragia inicial. → Coagulopatia identificada deve ser revertida em uso de AVK, infusão de concentrados de complexo da protrombina, plasma fresco congelado e vitamina K. → Se hematoma causar desvio significativo das estruturas na linha média com resultante rebaixamento da consciência, coma ou hidrocefalia, fornecer agentes osmóticos + hiperventilação induzida a fim de reduzir a PIC ventriculostomia ou monitor de PIC. → Manter a pressão de perfusão cerebral (PAM-PIC) acima de 60 mmHg. → Suporte: vias aéreas e oxigenação, nutrição, controle de temperatura, glicemia e pressão arterial. → Profilaxia TVP: primeiras 48h com compressão pneumática intermitente. → Epilepsias: anticonvulsivantes. → Cirurgia: remoção do coágulo. Se hidrocefalia, DVE. Hematoma cerebelar > 3cm. Hematoma superficial grande com declínio do nível de consciência (ECG 5mm. → Controle da PA: uma revisão sistemática recente investigou o pool de pacientes destes estudos e mostrou que, apesar de tolerada, a redução da PA para níveis 70 mmHg. Casos clínicos Paciente de 63 anos de idade, com história de diabetes, hipertensão arterial e tabagismo, apresenta um dia de evolução de afasia e hemiparesia à direita, com recuperação parcial do deficit. O exame físico confirma o deficit, apresenta bulhas cardíacas rítmicas. Tomografia inicial evidenciou hipodensidade em território de artéria cerebral média esquerda e calcificações vasculares. → intervenção não indicada no caso: Anticoagulação com antagonistas de vitamina K. Maura, 64 anos, é examinada no hospital, apresentando enfraquecimento do braço direito e queda facial do lado esquerdo. Sua pressão arterial está em 180x105 mmHg. → Não intervir na pressão arterial da paciente, mas continuar a monitorá-la. → Intervir apenas em uma PA sistólica > 220mmHg e uma pressão diastólica > 120mmHg → Tratar PA com medicamentos EV - labetalol IV e os nitratos (Nipride) = não baixar mais do que 25% da PAM vigente. → PA deve permanecer abaixo de 185/110 mmHg para administrar rtPA. Paciente masculino, 73 anos de idade, previamente diabético e hipertenso, procura hospital com ajuda dos filhos, com quadro de mal-estar geral, perda motora no membro inferior esquerdo e que agora se estende também para o membro superior homolateral. Sua pressão está elevada com valor de 210 x 110mmHg. → O valor tolerável da pressão nessa situação depende se existem complicações ou se está proposta trombólise, caso confirmado AVC isquêmico com critério de trombólise. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Definição O traumatismo cranioencefálico (TCE) pode ser definido como qualquer agressão que resulte em lesão anatômica ou funcional do couro cabeludo, crânio, meninges, líquor ou encéfalo, em qualquer combinação. O grande segredo no atendimento ao TCE consiste em reestabelecermos o equilíbrio da circulação cerebral, evitando os efeitos deletérios da hipertensão intracraniana e das herniações cerebrais. De acordo com o Guideline do BTF (Brain Traume Foundation), para que possamos manter o controle de danos cerebrais (Brain Damage Control), é necessário que a PPE seja mantida sempre acima de 60 mmHg (PPE = PAM – PIC). Epidemiologia → Cerca de 55 a 75% dos TCEs são resultantes de acidentes de trânsito, pela força da colisão e desaceleração que este tipo de acidente propícia, sendo os mecanismos de lesão frutos dos choques causados pela intensidade do impacto da caixa craniana contra superfícies duras, tais como volante, para-brisas, console, solo (acidente com motos), etc → A queda (lajes, própria altura, etc.) produz estes mesmos mecanismos de impacto, variando apenas a velocidade adquirida antes do trauma, assim como os mecanismos de desaceleração. Na fase inicial do trauma cranioencefálico grave com hematoma em expansão, a pressão intracraniana pode estar normal devido a Saída de volume de líquor e sangue venoso do crânio. TCE – Lesões primárias É resultado de trauma mecânico direto. Lesões focais → São fraturas, lacerações, concussões, hematomas, contusões. Fraturas cranianas → Podem ser vistas em toda a extensão da calota craniana, inclusive na base do crânio, podendo ser lineares ou estelares, depressivas e não depressivas, alinhadas ou não, com ou sem afundamento. → Uma fratura sempre aumenta as chances de coexistir um hematoma intracraniano. → Fraturas basilares podem se manifestar clinicamente como hemotímpano, equimoses retro-auriculares (Sinal de Battle), equimoses periorbitárias (Sinal do Guaxinim) e possíveis paralisias de pares cranianos. Hematomas extradurais (formato de laranja) São hematomas relativamente raros, tipicamente biconvexos, e localizados do lado de fora da dura (mas dentro do crânio), formando uma figura que lembra o abdômen gravídico após o sexto mês, raramente tendo a forma lenticular (quando sangra pouco e em pequena extensão por fora da dura- máter). → Na maioria das vezes estão localizados na região temporoparietal e frequentemente resultam da laceração da artéria meníngea média, causada pelo sangramento ósseo ou foco da fratura. Sinal de Battle - Equimoses retro-auriculares. Sinal do Guaxinim - equimoses periorbitárias. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Hematomas subdurais (formato de banana) Ocorrem aproximadamente em 30% dos TCEs graves, → Mais comum idosos e alcoólatras. → Evolução clássica de perda momentânea de consciência logo após o trauma , seguida de intervalo lúcido e depois evoluindo com nova perda de consciência ou sinal localizatório. → Nestes hematomas, a força de impacto é transmitida diretamente ao cérebro, pois eles resultam do rompimento de segmento venoso de ligação entre a córtex cerebral e um seio de drenagem venosa. Obs.: as lesões que desviam a linha média, acima de 5mm, necessitam de evacuação imediata, para reduzir este efeito massa que produz tamanha herniação que acabará por comprimir a parte superior do tronco cerebral, podendo levar o paciente a morte ou graves sequelas em questão deminutos. Hematomas intraparenquimatosos (HIP) e contusões cerebrais É um tipo organizado de hemorragia intracraniana que pode ocorrer mais raramente no TCE, principalmente quando existe uma discrasia sanguínea. As contusões cerebrais ocorrem geralmente nos traumatismos cranianos graves e moderados e costumam produzir o já famoso “efeito massa”. Lesões difusas Lesão axonal difusa (LAD) → Definida pela presença de hemorragia do corpo caloso ou de hemorragia do tronco encefálico rostral dorsolateral ou de alteração do axônio, sob a forma de esferoide de retração. → Ela pode ser diagnosticada macroscopicamente ou através do CT ou RNM em até 50% dos casos, aparecendo como pequenas imagens hiperdensas, pontilhadas, referentes às micro- hemorragias. Baseado no nível de consciência, a Lesão axonal difusa pode ser classificada em: → Concussão leve (distúrbio temporário da função neurológica, sem perda da consciência). → Concussão cerebral clássica (perda temporária da consciência por menos de seis horas). → Lesão axonal difusa (coma por mais de seis horas). Edema cerebral → O parênquima cerebral ocupa cerca de 80% do volume intracraniano. → O edema cerebral traduz-se pelo acúmulo anormal de líquidos nos espaços intracelulares e interstício, fazendo com que o cérebro aumente de volume, e possa criar um aumento da pressão intracraniana, podendo diminuir a PPE e o fluxo sanguíneo cerebral a níveis alarmantes, podendo causar hipóxia, que contribui para o aumento do edema, fechando um ciclo vicioso e levando à morte neuronal. TCE – LESÕES SECUNDÁRIAS Lesões que ocorrem por danos consequentes as respostas fisiopatológicas ao trauma: hipotensão arterial, hipóxia, hipertermia, hipotermia, convulsões, distúrbios acidobásicos, etc. Nas áreas oliguêmicas perilesionais às lesões primárias, o FSC está normalmente diminuído, e pode com as variações pertinentes à queda, por exemplo da PAM, chegar a níveis abaixo de 15 mL/100 g/min, o que seria pré-apoptótico, podendo levar a morte neuronal, se persiste por tempo acima de 15 minutos. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Por isso torna-se importante, repetir a todo instante a importância do atendimento ao paciente vítima de TCE, no sentido de mantermos sua homeostase e equilíbrio hemodinâmico, eliminando com isto as maiores causas de lesão secundária consequentes à má condução clínico cirúrgica destes pacientes, restando somente as variações pertinentes à agressão desproporcional da intensidade do TCE. Atendimento inicial no TCE O protocolo Brain Damage Control Protocol, tem por objetivo principal, a otimização do atendimento de pacientes através a homogeneização e simplificação do diagnóstico, tratamento e acompanhamento das primeiras 72 horas de atendimento. → O atendimento inicial do paciente com TCE consiste no cumprimento fiel às normas do ATLS, com estabilização da coluna cervical e toracolombar, e o imediato seguimento dos critérios do ABCD. RX da coluna Cervical e outros se indicação. Exame do nível de consciência e das pupilas devem ser realizados antes de se iniciar a sedação. → Via aérea: as vezes é necessário, com entubação orotraqueal e sedação imediata. Após a estabilização respiratória, anotar as doses utilizadas para sedação, solicitar avaliação neurocirúrgica e realização de tomografia computadorizada de crânio. → Nível de consciência: a gravidade inicial do TCE e estabelecida no exame inicial, pela determinação da Escala de Coma de Glasgow. Deve haver muita cautela naqueles pacientes suspeitos de intoxicação alcoólica ou por drogas, pois estes agentes também interferem no nível de consciência e podem confundir o examinador. Conduta e TC de crânio → TCE leve : com perda da consciência testemunhada, desorientação, GCS 1 metro). → TCE moderado: realização de TC de crânio e internação. A TC anormal deve ser refeita em 24 horas. Em casos de piora também refazer TC. → TCE grave: TC de crânio e UTI. o TC normal e assintomático recebe alta com orientações para observação em casa por 24 horas com termo assinado pelo acompanhante. Nos TCE moderados-graves regra dos 5Ps e 1T (temp., PPC, PAM, PIC, PCO2 e PO2), sempre monitorizados e prioritariamente normalizados. Condutas errôneas: → Não use corticosteroides no TCE. → Para tratamento da HIC, não utilize soluções hiperosmolares, em doses subterapêuticas nem aprazadas de forma indiscriminada. → Não utilize soluções hipotônicas (GL5%, RL, NACL 0,45%, etc.). → Não deixe de usar EEG para todos os pacientes em coma. → Não deixe de repor perdas hídricas com manitol (reponha com SF 0,9% volume à volume). Não deixe de associar opiáceos a hipnóticos para sedação. → Não deixe de certificar-se de sedação adequada quando aspirar vias aéreas e mobilizar o paciente no leito. → Não deixe de corrigir PCO2 pela VM, com drive abolido. → Não hiperventile ou trate profilaticamente a HIC. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas → Não utilize contraste iodado para CT de crânio no TCE. → Não use anticonvulsivantes profiláticos por mais de sete dias, se o paciente estiver livre de convulsões. → Não diagnostique HIC refrataria sem antes utilizar medidas gerais adequadas, drenagem liquorica, e osmoterapia/HVT leve. → Não deixe de repetir CT crânio quando HIC e alterações pupilas. Quando indicados, não use ATBS profiláticos além de 24 horas Fases do atendimento no TCE Red period: nos primeiros 60 minutos após o acidente, realizar a correção dos insultos iniciais. “Não deixe o paciente morrer”. Atendimento pré-hospitalar: seguir ATLS (ABCDE). → Prefira transportar após estabilização. → Passar informações gerais sobre acidente, condições hemodinâmicas, respiratórias e neurológica. → Iniciar tratamento hiperosmolar se houver sinais de herniação. Atendimento na emergência: paciente oriundo de transporte civil, agir como APH e ATLS. → Seguir atendimento inicial com rechecagem de parâmetros não invasivos. → Atenção aos 5Ps e 1T. → Confirmar estabilização de sistemas. → Observe fluidoresponsividade. → Não hiperhidrate. → Previna iatrogenias. → Comparar GCS inicial e no atendimento (queda de mais de 2 pontos?). → Solicitar exames laboratório e imagens. → Iniciar ficha de acompanhamento neurológico → solicitar pareceres de especialistas conforme necessidades. Yellow period: entre 1 e 6 horas do acidente. → impedir o estabelecimento precoce da lesão secundaria. → Tratar com determinação a lesão primária, através o diagnostico exato e estabelecimento terapêutica precocemente. Emergência: → reveja acessos, sondas e cateteres. Refaça HGT (previna hipoglicemia). → Faça profilaxia antitetânica. → Inicie ATBs, se necessário. → Iniciar tratamento da HIC se for o caso. → Atenção aos 5Ps e 1T. → Seja obsessivo quanto aos alvos. → Se em VM, cheque parâmetros de hora em hora. Estabilidade clínica. → Parecer neurocirúrgico após TC Crânio. → Estabelecer estratégia de tratamento conservador ou neurocirúrgico. → Sincronizar e priorizar tratamentos e procedimentos neurocirúrgicos com outros diagnósticos. → Decidir sobre indicação cirúrgica e monitorização da PIC com neurocirurgia. → Garanta início de medidas gerais, com checklist de 6/6 horas. Blue period: entre 6 e 24 horas. Representa a importância da estabilização clinica no primeiro dia pós-acidente. Maior frequência estatística de estabelecimento da lesão secundaria precocemente. UTI/enfermaria: → novo checklist de medidasgerais de tratamento do TCE. → Checklist de 2/2 horas de todos os parâmetros não invasivos. → Se PIC, manter PAM invasiva. → Atenção aos 5Ps e 1T. → Atenção a pCO2. → Observar Hb e transfundir CH se necessário. → Evitar crises epiléticas. → Elevar PAM. Anteveja HIC refrataria (se PIC monitorizada faca análise qualitativa). → Reveja medidas gerais, e observe utilização eficaz das estratégias terapêuticas de primeira opção. → Cheque doses e períodos utilizados. Se após 12 horas, ainda PIC acima de 20 mmHg, repita CT de crânio. → Registre alterações. → Nova consulta neurocirúrgica. → Nova estratégia de tratamento da HIC, se não for indicada cirurgia. Green period: entre 24 e 72 horas. → Reverter os planos terapêuticos traçados inicialmente e manter plano de sedação, analgesia e fazer correções necessárias dos desvios da monitorização alvo, neurochecks e exames de CT das últimas 24 horas. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Controle da Pressão intracraniana → Sedação, → controle da PAM, manitol ou solução salina hipertônica (em hipotensos solução salina. O manitol pode gerar sobrecarga de volume), hiperventilação (PCO2 entre 28-32mmHg - normal 35- 45mmHg), hipotermia (pacientes refratários usar protocolo de hipotermia – bloqueador neuromuscular, fentanil) e craniotomia descompressiva (DLM > 5mm e apagamentos cisternas da base). Indicações e doses para osmoterapia: → hipertensão arterial/rabdomiólise sem IRA, usar manitol; para herniações, 1,5 a 2 g/kg em bolus em 15 a 30 min; → para HIC sem herniação, 0,5 a 1 g/kg; → bolus adicionais 0,25 a 0,50 g/kg; → osmolaridade limítrofe 320 mOsm/L. Politrauma/PAM 95 ou menor: → usar SSH. Solução salina hipertônica 7,5% 400 mL (H2O dest. 250 mL + NaCl 20% 150 mL). → Para herniações, 3,0 a 3,5 mL/kg em bolus em 30 min. → Para HIC sem herniação, 2,0 a 3,0 mL/kg bolus em 15 a 30 min. Bolus adicionais, 1,0 a 1,5 mL/kg bolus em 60 min. NaCl 3.0% contínuo atée queda da PIC são mais produzidas por bacilos gram-negativos aeróbios, como Pseudomonas aeruginosa, Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae e Acinetobacter. As pneumonias por aspiração costumam ser polimicrobianas, incluindo organismos anaeróbios como Peptostreptococcus, Bacteroides e Fusobacterium. Os pacientes imunocomprometidos apresentam risco de infecção por patógenos bacterianos, fúngicos e virais incomuns (Aspergillus, citomegalovírus, tuberculose, Pneumocystis jiroveci). Quadro clínico e exame físico A manifestação típica da pneumonia bacteriana inclui febre, tosse produtiva com escarro purulento, dispneia e dor torácica pleurítica. → Os pacientes nos extremos de faixa etária apresentam sintomas respiratórios mínimos ou nulos. → Bebês podem ser levados ao SE por apresentarem febre, irritabilidade ou desconforto respiratório. → Idosos podem apresentar alteração do estado mental, declínio da função basal ou sepse. → Os pacientes com comprometimento do sistema imune também podem apresentar manifestações atípicas. Exame físico: pode revelar ocorrência de febre, taquipneia, taquicardia ou hipóxia. → Uma doença grave pode ser oculta por um intenso desconforto respiratório, hipóxia marcante, cianose, alteração do estado mental ou hipotensão → A ausculta, é possível detectar sibilos, roncos, estertores ou murmúrio respiratório bronquial. → A detecção de murmúrio respiratório diminuído e macicez à percussão sugere a existência de uma efusão pleural. → O exame dos pacientes nos extremos de idade e dos pacientes imunossuprimidos pode revelar achados atípicos. Por exemplo, os idosos geralmente são afebris (e até hipotérmicos). Nesses pacientes, a taquipneia pode ser o sinal mais sensível de pneumonia Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Diagnóstico laboratorial Cultura de escarro, hemocultura e para detecção de antígenos urinários = suspeita de germes atípicos, ou PAC grave, para pacientes que não respondam ao tratamento inicial ou que estejam internados em UTI. → Testes moleculares - PCR (reação em cadeia da polimerase), = grande avanço no diagnóstico das pneumonias virais. Diagnóstico por imagem → raio x é mais indicado para confirmar a suspeita e avaliar a extensão das lesões causadas pela pneumonia. → A ultrassonografia de tórax tem maior acurácia do que a radiografia, mas é, ainda, restrita a poucos hospitais. A USG tem sensibilidade de 95% contra 60% da radiografia de tórax. → O RX tem menor acurácia em obesos, imunossuprimidos ou com alterações radiológicas prévias. A detecção de infiltrados pulmonares, broncograma aéreo, opacidades alveolares confirma o diagnóstico. Solicitar sempre 2 incidências! Em alguns casos, um paciente cuja radiografia torácica inicial resultou negativa pode apresentar infiltrados que ''desabrocham'' após a reidratação ou que podem ser vistos em outros tipos de imagem (p. ex., TC é mais sensível do que a radiografia plana). O aspecto radiográfico dos infiltrados pode sugerir (e não identificar definitivamente) um possível organismo etiológico: → Consolidação lobar: Streptococcus pneumoniae ou Klebsiella; → Doença multilobar: Staphylococcus aureus, Pseudomonas e Haemophilus influenzae; → Infiltrados irregulares: Legionella, Mycoplasma e clamídia; Obs.: as pneumonias por aspiração costumam resultar em infiltrados nas áreas dependentes dos pulmões (segmentoposterior do lobo superior ou segmento superior do lobo inferior). As lesões cavitárias, efusões pleurais e pneumatoceles também podem ser encontradas na pneumonia bacteriana. Os pacientes imunocomprometidos são especialmente propensos a apresentar achados radiográficos atípicos (p. ex., infiltrados mais difusos ou multilobares). Gravidade Classificar a gravidade é primordial para escolha do antibiótico, da via de administração e do local do tratamento. Os scores são qualificados pela simplicidade, aplicabilidade imediata e facilidade de uso, em ambientes hospitalares ou não. CURB-65: baseia-se na confusão mental (escore ≤ 8, segundo o abbreviated mental test score); ureia > 50 mg/dl; frequência respiratória > 30 ciclos/min; pressão arterial sistólica 72h. Transudato e Exsudato Causas: → A dosagem de proteínas e desidrogenase lática (DHL), tanto no líquido pleural quanto no sangue, é fundamental para diferenciar transudato de exsudato. → O gradiente de albumina soro-líquido pleural (albumina sérica – albumina líquido pleural) auxilia na diferenciação entre transudato e exsudato. → A retenção de proteínas menor ou igual a 0,5 e de DHL menor ou igual a 0,6 confirma a presença de um Transudato. IV → O índice de albumina (sérica/líquido pleural) menor ou igual a 1,2 confirma a presença de exsudato Fatores associados a pior prognóstico → História de comorbidades (DPOC e ICC). → Hipotensão arterial. → Taquipenia. → Ureia sérica anormalmente elevada. Pré-escolar com bronquiectasias congênitas evoluiu com quadro pneumônico, o agente etiológico mais provável é Pseudomonas. NÃO DAR IMIPENEM EM CASOS DE CONVULSÃO. São exemplos de intervenções consolidadas para evitar infecções associadas aos tratamentos médicos: Minimizar a manipulação ou abertura dos sistemas de drenagem urinária. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas ITU - Infecção do trato urinário Definições: → Disúria: dor ao urinar / micção dolorosa. → Cistite/ITU baixa: inflamação da bexiga, que geralmente resulta em disúria, polaciúria, urgência miccional e dor suprapubiana. A febre nas infecções baixas não é um sintoma usual. → Pielonefrite aguda/ITU alta: inflamação renal secundária a uma ITU que afeta o parênquima renal e o sistema coletor. Costuma manifestar-se como uma síndrome clínica de febre (geralmente superior a 38°C), calafrios e dor no flanco (tríade). A dor lombar pode se irradiar para o abdômen ou para os flancos. Os sintomas gerais de um processo infeccioso agudo podem também estar presentes, e sua intensidade é diretamente proporcional à gravidade →Bacteriúria: presença de bactérias na urina. → Hematúria: sangue na urina, que pode ser micro ou macroscópico. → Piúria: pus na urina. → ITU não complicada: infecção do trato urinário estrutural e funcionalmente normal, que em geral é erradicada após 3-5 dias de antibióticos. → ITU complicada: infecção de pacientes com doença imunológica, estrutural ou neurológica subjacente, que diminui a eficácia da terapia antimicrobiana padrão. → Uretrite: inflamação da uretra. Epidemiologia → As ITUs são um diagnóstico comum. → Podem variar de uma cistite simples a uma pielonefrite que resulta em sepse e choque. → As ITUs afetam mais as mulheres do que os homens ( 30% das mulheres apresentam ITU assintomática). → Entretanto, entre as crianças, os meninos são mais afetados até completarem 1 ano. → As ITUs que ocorrem em crianças justificam a realização de avaliações ultrassonográficas do trato urinário, para exclusão de anormalidades congênitas. Etiologia Geralmente são causadas por bactérias. + Comum – Escherichia coli (gram negativo). Segundo lugar - Staphylococcus saprophyticus (+ frequente em mulheres jovens). Demais organismos: Proteus, Klebsiella, Enterococcus e Pseudomonas. → A identificação do organismo exato raramente é indicada para o diagnóstico de ITU. → O padrão-ouro de cultura quantitativa demora vários dias, mas é útil para o tratamento, nos casos em que a paciente está sendo internada ou quando a terapia ambulatorial falha. Infecção urinária nosocomial: Escherichia coli (menos de 50%), Enterococcus faecalis, Pseudomona aeruginosa, Proteus mirabilis, Enterobacter, Enterococcus, Staphylococcus aureus e Candida (doentes graves e cronicamente algaliados ou imunodeprimidos). Patogênese → Comumente, o organismo infeccioso ganha acesso ao trato urinário via entrada direta pela uretra. → O corpo humano desenvolveu várias defesas contra as ITUs, incluindo o fluxo urinário, a concentração de ureia e acidificação da urina, e o revestimento epitelial uretral. → A flora periuretral normal inclui as bactérias Lactobacillus, que conferem um mecanismo protetor simbiótico. → A área perirretal e a vagina são potenciais sítios de colonização bacteriana e estão significativamente mais próximas do meato uretral nas mulheres. → A uretra feminina também é mais curta do que a uretra masculina, trazendo o meato uretral para perto da bexiga e, assim, aumentando o risco de infecção por organismos externos. → Nos homens, uma ITU costuma resultar da hipertrofia benigna da próstata, de cálculos renais infeccionados, instrumentação uretral (cirurgia ou cateterismo) ou estados de imunocomprometimento. Fatores de risco Mulheres entre 16 a 35 anos: intercurso sexual, gravidez, cateterismo da bexiga e uso de diafragma. Mulheres acima de 35 anos: cirurgia ginecológica e o prolapso da bexiga. Homens de idade avançada: hipertrofia benigna da próstata. Cerca de 7% das gestantes têm ITU- Quanto ao tratamento, terapias com dose única são inadequadas e terapias por 7 dias reduzem o risco de evolução. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Outros fatores: sintomatologia com duração de 7 ou mais dias antes de procurar atendimento, infecção hospitalar adquirida, insuficiência renal, obstrução do trato urinário, diabetes, ISTs, infecções ginecológicas, presença de um cateter uretral, stent, tubo de nefrostomia ou desvio urinário, anormalidade anatômica ou funcional do trato urinário, transplante renal e imunossupressão. Fatores associados à ocorrência de ITU complicada: alteração anatômicas, estruturais ou funcionais do trato urinário (cateteres, distúrbios miccionais, instrumentação do trato urinário, litíase, neoplasias, desordens neurológicas, pacientes acamados), antecedente de infecções prévias (história de ITU na infância, pielonefrite previa no último ano, ITU refratária no último ano, 3 ou mais episódios de ITU no último ano, colonização por uropatógeno multirresistente, antibioticoterapia recente), presença de insuficiência renal, comorbidades que afetam a capacidade imunológica (DM, desnutrição, insuficiência hepática, câncer, AIDS, hipotermia). Exames laboratoriais A base do diagnóstico de uma ITU é exame qualitativo de urina e cultura. → A coleta de urina estéril é essencial, pois a o exame de uma amostra contaminada pode fornecer resultado falso positivo. → Microscopia da urina: Os critérios microscópicos são altamente discutíveis e a presença de leucócitos, hemácias e bactérias deve ser considerada com a manifestação clínica para fins de confirmação do diagnóstico de ITU. → Cultura de urina: No SE, as culturas de urina devem ser obtidas de populações de alto risco, incluindo bebês e crianças. As culturas também devem ser obtidas de pacientes idosos, homens adultos, gestantes, indivíduos com comorbidades ou em casos de falha da terapia antimicrobiana inicial. A coloração de Gram da urina também pode ser útil, mas não é indicada de forma rotineira. Exames de imagem Os pacientes que apresentam sinais ou sintomas clínicos de infecção urinária e resultado do exame de urina negativo, assim como aqueles com suspeita de obstrução urogenital e os casos de ITU complicada frequentemente requerem exames de imagem. Recomenda-se que sejam realizados exames de imagem nos casos de primeiro episódio de ITU em meninas com menos de 4 anos e em homens. Ultrassonografia: é aceitável como exame inicialmente realizado no SE, por ser rápida, não invasiva e detectar muitos problemas, entre as quais os abscessos perinéfricos, hidroureter, cálculos no trato urinário, pielonefrite e anormalidades congênitas. Varreduras de TC: são mais sensíveis para a detecção dessas anormalidades, mas expõem o paciente a níveis de radiação altos e com frequência requerem a administração de contraste IV. Principais Indicações da ultrassonografia são neonatos, crianças, homem, doença renal prévia, infecção persistente (>72 horas) e mulheres com infecções de repetição. PIV e varreduras com radionucleotídeo: não são realizadas durante a avaliação no SE, tendo o uso reservado para a investigação de pacientes internados ou atendidos em ambulatório. Tratamento Todas as crianças e homens liberados após receberem o diagnóstico de ITU requerem seguimento urológico para avaliação de anormalidades anatômicas subjacentes. Os adultos com ITU complicada também necessitam de seguimento e avaliação do sistema geniturinário. Cistite sem complicação – tratamento ambulatorial. Antibioticoterapia (contra E.coli) - sulfametoxazol- trimetoprim (SMX-TMP), amoxicilina/clavulanato, nitrofurantoína, ciprofloxacina e levofloxacina. → De 3 a 5 dias → Suspeita de infecção de trato superior , comunidades com altos índices de resistência , extremos de idade e comorbidades – 7 a 10 dias. → Para promoção de alívio sintomático, os médicos costumam prescrever fenazopiridina, um fármaco que se concentra na urina e muitas vezes alivia a dor e a irritação ao urinar. Esse fármaco provoca uma mudança de cor distinta na urina, que costuma tornar-se laranja-escuro a avermelhada e é contraindicada para pacientes com deficiência de glicose-6-desidrogenase, porque pode causar hemólise fármaco-induzida Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Pielonefrite sem complicação- tratada em regime ambulatorial, desde que a paciente tolere medicações orais, apresente sintomas brandos, tenha acesso a um segmento efetivo e não esteja grávida. → Medicina de Emergência: os antibióticos SMX- TMP, amoxicilina/clavulanato ou fluoroquinolona devem ser prescritos por 10 a 14 dias. Todas as pacientes gestantes com pielonefrite devem ser internadas, → CREMESP: o tratamentoda chegada do paciente à emergência. Uma vez que pode ser normal ou inicialmente não diagnóstico, o ECG deve ser repetido em intervalos de 15 a 30 minutos durante a primeira hora. → Apesar de ser o principal, não tem sensibilidade e especificidade suficientes para permitir uma diferenciação confiável entre SCASSST e SCACSST. Como avaliar um ECG: → Olhar se tem onda P presente → Observar os outros segmentos. → Analisar a FC → Analisar se o ritmo está regular Achados eletrocardiográficos → Ondas T hiperagudas : podem ocorrer 30 minutos após o início da dor torácica e geralmente ocorrem antes da elevação dos biomarcadores cardíacas ou das alterações no segmento ST . → Alterações no segmento ST SCASSST: pode ser normal, desvios transitórios de ST (depressão ou elevação) e/ou inversões de onda T. SCACSST: supra de ST > 1mm (medido no ponto J) em pelo menos 2 derivações contíguas; supra ST > 2mm em V2 e V3 (homens > 40 anos). → BRE novo também indica IAM. → Inversão da onda T : sugerem possível isquemia miocárdica.Pode preceder as alterações no segmento ST ou estas podem ocorrer ao mesmo tempo. → Alterações no QRS: a maioria dos pacientes com IAMCEST vai desenvolver evidência no ECG de ondas Q patológicas. Se a EST não está presente, mas os biomarcadores estão elevados, o diagnóstico é IAMSEST. Se os segmentos ST e os biomarcadores cardíacos não estiverem elevados, o diagnóstico é AI. O IM pode ainda ser classificado em cinco tipos, dependendo das circunstâncias nas quais ocorre. ECG NORMAL ECG COM SUPRA DE ST Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Acometimento das paredes ventriculares As áreas endocárdica e subendocárdica da parede miocárdica são as áreas menos perfundidas do coração e mais vulneráveis à isquemia porque apresentam alta demanda de oxigênio e são nutridas pelos ramos mais distais das artérias coronárias. Infarto anterosseptal Infarto lateral: A derivação I mostra uma pequena onda Q com elevação do segmento ST. Em aVL vemos uma onda Q maior com elevação do segmento ST e Inversão da onda T nas derivações V2 a V6. Infarto inferior: Identificamos supra do segmento ST nas derivações II, III e aVF, sugerindo padrão de lesão na parede inferior. IST recíproco é observado nas derivações I e aVL. Infarto de ventrículo direito: As derivações torácicas do lado direito em um paciente com IAM com supra de st inferior mostra elevação de ST nas derivações V4R e V5R. Se suspeitar de infarto de VD , pedir derivação V4R, V5R E V6R. Biomarcadores → Auxiliam tanto no diagnóstico como prognóstico. → Em pacientes com suspeita de SCA sem diagnóstico estabelecido de IAM (pelo ECG), os marcadores são uteis para confirmar o diagnóstico. Troponina (C e I) – de escolha para detecção de necrose miocárdica em pacientes com suspeita de SCA, por sua alta sensibilidade e quase total especificidade (S=90% e E=97%). São detectáveis dentro e 4-6h após início da dor precordial, atingem concentração máxima em 12-24h e permanecem elevadas durante 3 a 10 dias após o IAM. MACETE: LIILI SSAALL Lateral, inferior, superior, anterior. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas CK-MB: S=97% e E=90% (também se eleva em danos musculares não cardíacos). Marcador precoce ( 65 anos (1 ponto) ≥ 3 fatores de risco (1 ponto) Lesão coronariana ≥50% (1 ponto) Uso de AAS 90); (FC/bpm) – de 0 ponto ( 200); (PAS/mmHg) – de 0 ponto (> 200) a 58 pontos ( 4); IC (classe Killip) – de 0 ponto (classe I) a 59 pontos (classe IV); parada cardíaca na admissão – de 0 ponto (não) a 39 pontos (sim); desvio de ST – de 0 ponto (não) a 28 pontos (sim) ↑marcadores de necrose cardíaca – de 0 ponto (não) a 14 pontos (sim). Baixo risco: 140 Todos os pacientes com TIMI de risco intermediário e alto devem ser internados em unidade coronária de terapia intensiva (UCO) sempre que possível. Atendimento na unidade de emergência → Realizar ECG em até 10 min (idealmente) → Acesso IV (colher sangue para dosagem de biomarcadores – não precisa aguardar os resultados!!!) Síndrome Isquêmica Miocárdica Instável sem supra de ST (SIMISSST) → AI e IAMSSST: → Realizar a estratificação de risco → Tratamento MONABCTH / MONABIH MONABCTH - morfina, oxigênio, nitrato, AAS, betabloqueador, clopidogrel, trombolítico e angioplatia. Morfina - É altamente indicada no paciente com IAM devido ao seu efeito vasodilatador, reduzindo a resistência vascular periférica, pré e pós-carga do ventrículo esquerdo. Além disso, apresenta potente efeito analgésico sobre o SNC, reduzindo a dor e ansiedade do paciente. A dose inicial de morfina deve ser 2 a 4 mg, IV Deve-se administrar a morfina (para analgesia ) em conjunto com benzodiazepínico (sedativo). → Diluir 1 ampola de 10mg para 10mL de AD, ADM endovenoso de 2-4mL lentamente a cada 5 ou 15 minutos se necessário. OBS : atenção ao riso de parada respiratória. Oxigênio - A oxigenioterapia deve ser utilizada para aumentar a saturação de oxigênio e assim limitar a lesão miocárdica isquêmica e reduzir a intensidade de elevação do segmento ST. → Cateter nasal, com fluxo de 2 a 4 L/minuto → Hipoxemia moderada – máscara de 02 com fluxo de 5 a 10 L/min. indicado com SaO2 30mmHg em comparação ao basal, → bradicardia ou taquicardia, → infarto do VD ou em parede inferior → naqueles que tenham usado inibidores da fosfodiesterase para disfunção erétil nas últimas 48 horas. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas AAS - o AAS (Ácido acetilsalisílico) deve ser utilizado para impedir a agregação plaquetária, a reoclusão coronariana e a recorrência de eventos após a terapia fibrinolítica. → Deve-se administrar AAS a todos os pacientes na admissão, podendo ser administrado antes da realização do ECG e manter seu uso contínuo indefinidamente. → Dose inicial deve ser 200mg via oral iniciar AAS na 160-325mg (mastigável) + clopidogrel 300-600mg → Dose de manutenção deve ser 100mg/dia via oral após almoço e clopidogrel 75 mg/dia até 12 meses. Contraindicações: hipersensibilidade conhecida, úlcera péptica ativa, discrasia sanguínea ou hepatopatia grave. Betabloqueadores – causa a redução da FC, buscando manter a FC de aproximadamente 60 bpm. Exemplos: Propanolol, metoprolol, atenolol , carvedilol. Contraindicações para o uso: → FC 0,24s, → BAV de 2º e 3º, →inicial da pielonefrite aguda não complicada com bacilos gram- negativos é um agente EV único, como a gentamicina, uma cefalosporina de 2ª ou 3ª geração (cefuroxima, ceftriaxona), cotrimoxazol ou uma quinolona sistêmica. Pielonefrite com complicação – requer a administração de antibiótico por via IV. Critérios de internação para pielonefrite: sepse/choque, intolerância a antibióticos orais, obstrução do trato urogenital, gravidez, extremos de idade, falha de tratamento ambulatorial, hospedeiro imunocomprometido e seguimento inadequado/condições sociais precárias. → As opções de antibióticos são SMX-TMP, ceftriaxona, gentamicina (com ou sem ampicilina) e fluoroquinolonas. → os casos mais graves, com suspeita de urossepse ou organismo resistente, pode haver indicação para tratamento com cefepima, ampicilina + tobramicina e piperacilina-tazobactam Meropenem - é um pouco mais ativo contra bactérias gram-negativas. → Indicado para o tratamento de E.Coli. É indicado para o tratamento das seguintes infecções em adultos e crianças: infecções do trato respiratório inferior; infecções do trato urinário, incluindo infecções complicadas; infecções intra-abdominais; infecções ginecológicas, incluindo infecções puerperais; infecções de pele e anexos; meningite; septicemia; tratamento empírico, incluindo monoterapia inicial para infecções presumidamente bacterianas, em pacientes neutropênicos; infecções polimicrobianas; fibrose cística, tanto como monoterapia quanto em associação com outros agentes antibacterianos. Polimixina – é indicado para o tratamento de: · Infecções agudas causadas por cepas susceptíveis de Pseudomonas Aeruginosa resistente. → Indicada para o tratamento de Pseudomonas aeroginosa resistente a carbapenêmicos Teicoplanina- está indicada no tratamento de infecções causadas por bactérias gram-positivas sensíveis, incluindo aquelas resistentes a outros antibióticos tais como meticilina e as cefalosporinas → Indicada para o tratamento de Staphylococcus aureus resistente a oxacilina Casos especiais → Gestantes: importante eliminar a bacteriúria, mesmo que seja assintomática. Os agentes de primeira linha incluem as penicilinas (amoxicilina, ampicilina) e as cefalosporinas. As fluoroquinolonas e tetraciclinas são contraindicadas. A possibilidade de internação deve ser considerada para pacientes no 3° trimestre de gestação, pacientes com suspeita de pielonefrite ou pacientes com intolerância à ingesta de líquidos pela boca. → Pacientes em uso de cateter: o tratamento da bacteriúria assintomática nesses pacientes não é indicado, pois a administração frequente de antibióticos provoca aumento da resistência dos microrganismos. Em geral, a remoção do cateter resulta na eliminação das bactérias. Pacientes sintomáticos, tratar com antibiótico e substituir o cateter e internar o paciente. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas SEPSE, SEPSE GRAVE E CHOQUE SÉPTICO Definições → Sepse ou Infecção sem disfunção: infecção suspeita ou confirmada, sem disfunção orgânica, de forma independente da presença de sinais de SIRS. → Sepse grave : Sepse associada a pelo menos uma disfunção orgânica de forma independente da presença de sinais de SIRS. → Choque séptico: sepse que evolui com hipotensão não corrigida com reposição volêmica (PAM 38,3º C ou 90 bpm; → Frequência respiratória > 20 rpm, ou PaCO2 12.000/mm³; ou 10% de formas jovens (desvio à esquerda). A sepse é uma disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro à infecção. As principais disfunções orgânicas encontradas são: → Hipotensão (PAS 40 mmHg); → Oligúria (≤0,5mL/Kg/h) ou elevação da creatinina (>2mg/dL); → Relação PaO2/FiO2 90%; → Contagem de plaquetas 2X o valor de referência). O choque séptico é definido pela presença de hipotensão não responsiva à utilização de fluídos, independente dos valores de lactato. Epidemiologia → No Brasil: mortalidade de 55,7%, com diferenças importantes nas diversas regiões. → No mundo : 15 a 17 milhões o número de pacientes com sepse por ano no mundo. Fatores ligados ao aumento da mortalidade /casos de sepse: → gravidade dos pacientes, → desenvolvimento de sepse na UTI, → inadequação do tratamento, → atraso para administração da primeira dose de antimicrobianos → baixa disponibilidade de recursos e aumento da população da expectativa de vida e do n° de imunocomprometidos. Microrganismos envolvidos → A pneumonia é a causa mais comum (cerca de 50% dos casos), seguida por infecções intra- abdominais e ITU. → Hemoculturas são tipicamente positivas em apenas 1/3 dos casos. → Os gram-positivos mais comuns isolados são Staphylococcus aureus e Streptococcus pneumoniae. → Os gram-negativos são Escherichia coli, espécies de Klebsiella e Pseudomonas aeruginosa. → um estudo com 14.000pcts de UTI em 75 países revelou a prevalência de 62% gram-negativas, 47% grampositivas e 19% fungos. Triagem e rotina para atendimento O protocolo de sepse deve ser aberto para pacientes com SUSPEITA de sepse e choque séptico. O escore qSOFA → avalia 3 critérios para avaliar precocemente pacientes graves com suspeita de sepse em ambientes de emergência, ou à beira-leito. Considera-se como alterado um qSOFA ≥ 2 → FR > 22 ipm → PASeles niveis de lactato acima de duas vezes o valor de referência institucional (hiperlactatemia inicial), → Deve ser iniciada ressuscitação volêmica com infusão imediata de 30 mL/kg de cristalóides dentro da 1ª hora do diagnóstico da detecçaõ dos sinais de hipoperfusão. Obs.: coloides proteicos, albumina ou soro albuminado, podem fazer parte dessa reposição inicial. O uso de amidos está contraindicado, pois está associado a aumento da incidência de disfunção renal. Devagar com cardiopatas-reduzir velocidade. Vasopressores → para pacientes que permaneçam com pressão arterial média abaixo de 65 (após a infusão de volume inicial), sendo a noradrenalina a droga de primeira escolha. → Em casos de hipotensão ameaçadora a vida, pode-se iniciar o vasopressor mesmo antes ou durante a reposição volêmica. É fundamental garantir pressão de perfusão enquanto se continua a reposição volêmica. Assim, o vasopressor pode ser iniciado em veia periférica, enquanto se providencia o acesso venoso central. → O uso de outros vasopressores pode ser necessário. Dentre os disponíveis, a recomendação é o uso de vasopressina, com intuito de desmame de noradrenalina ou como estratégia poupadora de catecolaminas, ou a adrenalina, preferível em pacientes que se apresentem com débito cardíaco reduzido. A dobutamina é um vasodilatador que pode ser utilizado: → quando exista evidência de baixo cardíaco → ou sinais clínicos de hipoperfusão tecidual, como livedo, oligúria, tempo de enchimento capilar lentificado, baixa saturação venosa central ou lactato aumentado. → Outro exemplo que se usa a dobutamina . Um homem de 45 anos, com colecistite aguda, está com febre de 38,3oC, hipotensão e alterações sensoriais. Seu HCT está em 23%, hb = 9. Antibióticos de amplo espectro e soro fisiológico intravenoso foram administrados e, embora a PVC dele esteja em 10mmHg e a PAM seja de 80mmHg, a Scvo2 continua abaixo de 70%. Reavaliação a cada 6 HORAS Reavaliar o status volêmico e a perfusão tecidual. As seguintes formas de reavaliação poderão ser consideradas: → Mensuração de pressão venosa central; → Variação de pressão de pulso; → Variação de distensibilidade de veia cava; → Elevação passiva de membros inferiores; → Qualquer outra forma de avaliação de responsividade a fluídos (melhora da pressão arterial após infusão de fluidos, por exemplo); → Mensuração de saturação venosa central; → Tempo de enchimento capilar; → Presença de livedo; → Sinais indiretos (por exemplo, melhora do nível de consciência ou presença de diurese). Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Pacientes com sinais de hipoperfusão e com níveis de hemoglobina abaixo de 7 mg/dL devem receber transfusão o mais rapidamente possível. Os pacientes com choque séptico devem ser monitorados com pressão arterial invasiva, enquanto estiverem em uso de vasopressor. → Podem se apresentar hipotensos, principalmente se já portadores de HAS. → Nesses casos é necessária a redução da pós-carga para o restabelecimento da adequada oferta de oxigênio. → Não usar medicação de efeito prologando pois o paciente pode evoluir para a hipotensão. → Assim, vasodilatadores endovenosos, como nitroglicerina ou nitroprussiatos são as drogas de escolha. Outras indicações: → Uso de corticoides: para choque séptico refratário. Usado nos demais pacientes para reduzir o tempo de VM e de internação na UTI. Hidrocortisona 50 mg de 6/6h → Ventilação mecânica: Os pacientes que necessitarem de ventilação mecânica devem ser mantidos em estratégia de ventilação mecânica protetora, devido ao risco de desenvolvimento de síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA). Para pacientes com diagnóstico de SDRA há menos de 48 horas, com relação PaO2/ FiO2 menor que 150 e FiO2 de 60% ou mais, a utilização de posição de prona é recomendada. → Bicarbonato - indicado nos casos de acidose lática em pacientes com pH→ Alguns medicamentos psiquiátricos (ex: clozapina e olanzapina) são capazes de aumentar distúrbios metabólicos. → O uso de bombas de infusão contínua subcutânea de insulina ultrarrápida, tem -se observado aumento na incidência de CAD. Fisiopatologia Na CAD, fundamentalmente, o que ocorre é a redução na concentração efetiva de insulina circulante associada à liberação excessiva de hormônios contrarreguladores, entre os quais o glucagon, as catecolaminas, o cortisol e o hormônio de crescimento. Essas alterações hormonais na CAD, desencadeiam o aumento da produção hepática e renal de glicose e a redução de sua captação pelos tecidos periféricos sensíveis à insulina, resultando em hiperglicemia e hiperosmolalidade no espaço extracelular. Na CAD, observam-se desidratação e glicosúria de graus variáveis, diurese osmótica e perda de fluidos e eletrólitos. A produção hepática de glicose aproxima-se do seu ponto máximo quando a glicemia atinge valores entre 300 e 500 mg/dl. Pode ser precipitada por hemorragia gastrointestinal, infecções ou antipsicóticos atípicos. Diagnóstico Tríade: hiperglicemia + cetose + acidose metabólica. → O quadro clínico representa uma evolução lenta e progressiva dos sinais e sintomas de descompensação diabética precedendo a cetoacidose diabética em 1 ou mais dias: poliúria, polidipsia, astenia e náusea. → Taquicardia. → Hiperpneia (em situações mais graves a respiração de Kussmaul). → Dor abdominal (simulando abdome agudo). → Desidratação (com pele fria e seca, língua seca, hipotonia dos globos oculares, extremidades frias). → Hipotensão ou choque → Hipo ou hipertemia. → Hálito cetônico, → Desorientação e torpor; → Coma (osmolaridade plasmática > 320mOsm/Kg). → Em alguns casos, são verificadas dilatação, atonia e estase gástrica, o que agrava o quadro de vômitos. Pode se manifestar por importante leucocitose com desvio à esquerda, na ausência de infecção. OBS: falta de uma história de diabetes não exclui o diagnóstico. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano Achados laboratoriais A avaliação laboratorial inicial de pacientes com CAD deve incluir: a determinação de glicose plasmática, fósforo, ureia, creatinina, cetonemia, eletrólitos, inclusive com o cálculo de ânion-gap, análise urinária, cetonúria, gasometria, hemograma e eletrocardiograma. Quando necessário, solicitam-se raios X de tórax e culturas de sangue e urina. Com exceção dos raros casos de pacientes anúricos, a ausência de cetonas na urina é uma forma segura de excluir o diagnóstico de CAD. Diagnóstico diferencial O principal diagnóstico diferencial é o estado hiperglicêmico hiperosmolar (EHH), que pode se manifestar com níveis de glicose bastante altos e acidose leve ou nula. Inanição, gravidez, cetoacidose alcoólica e ingestas tóxicas variadas podem ter como manifestação níveis séricos de cetonas elevados, contudo, os níveis de glicose permanecem normais ou baixos Tratamento As metas do tratamento das crises hiperglicêmicas agudas são: • Manutenção das vias respiratórias pérvias e, em caso de vômitos, indicação de sonda nasogástrica; • Correção da desidratação; • Correção dos distúrbios eletrolíticos e acidobásicos; • Redução da hiperglicemia e da osmolalidade; • Identificação e tratamento do fator precipitante Objetivo do tratamento SORO+INSULINA é reverter o metabolismo e não normalizar a glicemia. O pH normalizando leva ao fim da gliconeogênese! Hidratação Os pacientes com CAD têm déficits de líquido maciços, às vezes de 5 a 10 L. É bastante comum haver choque, o qual deve ser prontamente tratado por meio de infusão de cristaloide, para prevenir danos adicionais a órgãos: → Os adultos em choque clínico devem receber inicialmente um bolus de 2 L de soro fisiológico normal e ser reavaliados com frequência. → Em crianças, o choque é tratado com bolus de 20 mL de soro fisiológico normal/kg. Embora a hidratação superagressiva possa produzir complicações significativas em fases posteriores do tratamento, essa preocupação é menos importante do que a reversão do choque. Um choque não tratado promove disfunção de múltiplos órgãos e contribui ainda mais para a intensa acidose observada na CAD. Insulina → A insulina regular é administrada por infusão intravascular (IV) contínua, embora os bolus IV frequentes possam ser quase tão efetivos. → Manter combinação de hidratação com SF0,9% e Insulina Regular na BIC. Adicionar glicose à infusão IV quando os níveis séricos de glicose caírem para 200 a 300mg/dL, com o intuito de prevenir o desenvolvimento de hipoglicemia → Uma dose de insulina de 0,1 U/kg/h (5 a 10 U/h para adultos) Em casos de cetoacidose leve, pode-se utilizar análogos de insulina de ação ultrarrápida por via subcutânea. Bicarbonato de sódio Como a acidose metabólica é um aspecto bastante proeminente na CAD, alguns clínicos administram doses substanciais de bicarbonato de sódio. → Segundo a ADA, somente pacientes adultos com pH 3,3 mEq/l • DOSAR K 2/2HS REPOR ATÉ 4-5 mEq/l • OBJETIVO QUEDA NA GLICEMIA 50-70 mg/dl POR HORA. • HIPERNATREMIA TROCAR PARA SF 0,45% -GLICOSE ENTRE 250-300 REDUZIR INSULINA 0,02- 0,05 U/KG/HR -OBJETIVO DEXTRO 150-200mg/dl CAD INSULINA SC QDO: PH >7,3 e AG 70%. • estado de hiperosmolaridade sérica leva à produção de substâncias osmoticamente ativas no interior das células do SNC (osmoles idiogênicos), na tentativa de manter um gradiente osmótico adequado. Risco > ressuscitação volêmica, há rápida queda da osmolaridade sérica (especialmente quando a glicemia cai mais do que 100 mg/dl/h). Aumento do gradiente osmótico que leva ao edema cerebral é diretamente proporcional à velocidade da reidratação e à quantidade de sódio ofertado. Sintomas do edema cerebral: cefaleia súbita de forte intensidade, incontinência esfincteriana, vômitos, agitação, desorientação, alteração dos sinais vitais (sinais de hipertensão intracraniana, como hipertensão arterial e bradicardia), oftalmoplegia e alterações pupilares. Diagnóstico feito pela TC ou RM Terapia: • depressão do sensório • Manitol • ventilação mecânica • correção do deficit hidroeletrolítico. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Definições Dor é definida por experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou relacionada a lesão tecidual real ou potencial. OBS: A dor é considerado o 5° sinal vital (pulso, PA, temperatura e FR). A classificação da dor leva em consideração a causa e o tempo da dor. Quanto ao tempo Dor aguda Dor crônica Inferior a 30 dias Dor persistente depois do tempo esperado para a cura (normalmente superior a 3 meses). Dor que persiste por mais de 6 meses após a lesão e por tempo maior que o usual para a recuperação deste tipo de lesão. Provocado por uma lesão externa e interna. Não está associada à ocorrência que a provocou.A intensidade está relacionada com o estímulo desencadeante. A sua intensidade deixa de estar correlacionada com o estímulo causal. Pode ser claramente localizada. Nem sempre é localizada numa área concreta e pode ter irradiações. Tem função clara de advertência e proteção. Perdeu a função de alerta ou proteção. O sistema nervoso simpático é activado e são libertadas catecolaminas. Não está relacionada com o estímulo desencadeante. Causa 1. Dor de predomínio nociceptivo: ocorre por ativação fisiológica de receptores de dor e está relacionada à lesão de tecidos ósseos, musculares ou ligamentares. → geralmente responde bem ao tratamento sintomático com analgésicos ou anti- inflamatórios não esteroides (AINES). → É a dor na qual há dano tecidual demonstrável (osteoartrose, artrite reumatoide, fratura e rigidez muscular na dor lombar inespecífica, etc.) 2. Dor de predomínio neuropático: dor iniciada por lesão ou disfunção do sistema nervoso, sendo mais bem compreendida como resultado da ativação anormal da via da dor ou nociceptiva. → a dor neuropática responde pobremente aos analgésicos usuais (paracetamol, dipirona, AINES, opioides fracos). → Para esse tipo de dor são fundamentais a presença de descritores verbais característicos (queimação, agulhadas, dormências), uma distribuição anatômica plausível e uma condição de base predisponente, como diabetes ou quimioterapia. 3. Dor mista (mais comum) - no entanto tem que pender para algum lado. OBS: Dor psicogênica é diagnóstico de exclusão. Sinais e sintomas de DOR → Hiperglicemia → Aumenta FC → Aumento da Pressão arterial → Vasoconstrição periférica (paciente fica branco), → Pupilas Midriáticas → Diaforese (sudorese profunda) Agitação psicomotora x posição antálgica - O paciente em posição antálgica, quieto, geralmente é o que está com maior gral de dor. Exceto em casos de cólica renal (que possui agitação de tanta dor). Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Consequências da dor → Irritabilidade. Consequências da dor → Sono → Movimentação/deambulação → Respiração profunda → Atenção e concentração → Apetite → Trabalho → Humor → Relação interpares → Lazer → Prazer de viver → Vida sexual Diagnóstico Importante classificar o tipo e intensidade da dor Métodos para mensurar a intensidade: → Diários de dor – instruir o paciente a marcar todo dia se ele teve ou não a dor e a intensidade que ele teve. Muito útil no diagnóstico de enxaqueca. → Escalas unidimensionais Escalas de intensidades de dor – visual analógica (EVA) Tipo de dor Mnemônico - P.Q.R.S.T P- Fatores Provocantes e Precipitantes Q- Qualidade da dor R – Região e radiação S – Severidade e Sintomas T – Tempo e tratamento. Decálogo da dor: → 10 regras para classificar a dor 1. Duração 2. Início e evolução 3. Localização 4. Irradiação 5. Intensidade 6. Qualidade 7. Sinais e sintomas concomitantes 8. Fatores desencadeantes, agravantes e que aliviam 9. Repercussão clínica 10. Tratamentos realizados Qualidade da dor : → Em pontada -> dor pleurítica → Pulsátil -> alguns tipos de dor de cabeça → Cólica -> intestinal, menstrual → Queimadura - > úlcera → Surda - > dor lombar → Constritiva - > EAM → Contínua/em barra ->pancreatite aguda → Fantasma -> amputação Duração (tempo entre o início da dor e o diagnóstico) → Fugaz → Cíclica → Contínua Evolução → Pode se intensificar de forma progressiva → Pode ser rítmica → Pode apresentar surtos periódicos ao longo da duração da doença. → Relação com funções orgânicas Leva em conta a localização da dor com a área afetada: → Exemplos: Tórax, retroesternal, cervical, epigástrica, lombar e membros. → Relacionar com funções orgânicas Exemplo: evacuar, comer Fatores desencadeantes ou agravantes → Execução de esforço → Alimentação → Compressão do local → Movimento → Peso → Repouso Fatores de alívio → Posições antálgicas → Indução de vômito → Resposta a analgésicos → Repouso → Calor → Frio → Movimento Manifestações associadas → A própria dor, quando muito intensa pode provocar outros sintomas: • Cólica ->náuseas, vômitos, sudorese, palidez, mal- estar. → A dor pode-se acompanhar de manifestações relacionadas com ela própria -> enxaqueca. OBS :Realizar duplo bloqueio na cólica menstrual – antipasmotico e inibidor de prostaglandina. Como aliviar a dor no idoso com demência? Escala PAINAD/PT Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Manejo da dor Não farmacológica → Acupuntura → Yoga → Meditação → Fisioterapia Farmacológica Medicação adjuvante Dexametasona -paciente com dor refratária sempre pode dar corticoide, mas o melhor corticoide para a dor é o dexametasona → 10mg de dose de ataque e mais 4 mg de 6/6 Antidepressivo tricíclico – amitriptilina os pacientes com dor crônica frequentemente sofrem de depressão esta condição deve ser prontamente tratada. Além disso, os antidepressivos são considerados tratamento de primeira linha para dor neuropática (junto com a gabapentina). → Tricíclicos: amitriptilina, nortriptilina/desipramina (menor toxicidade); → Inibidores seletivos de recaptação de serotonina e noradrenalina: Venlafaxina, Duloxetina. Antiepiléticos - A gabapentina deve ser utilizada sempre que houver intolerância ou refratariedade da dor ao uso de antidepressivos tricíclicos e demais anticonvulsivantes. Outros :Carbamazepina, Topiramato,Pregabalina. Terapia inicial (analgesia) → Dipirona → Relaxantes musculares → Paracetamol → Butilbrometo de escopolamina (derivado de opioide). → Crioterapia (banheira de gelo). AINES – Anti-inflamatórios não esteroides → Aumenta o risco cardiovascular Ao usar Cetoprofeno, diminuir a netrotoxidade (diluir em soro e infusão lenta) Usar anti-inflamatório 3 dias no máximo, após isso aumenta o risco de eventos cardiovasculares. Opioides Opioides são fármacos analgésicos potentes e de boa eficácia no tratamento prolongado de pacientes com dor oncológica, mista ou neuropática, sendo superiores a antidepressivos tricíclicos e a AINES. De todos os opioides disponíveis, a melhor evidência de eficácia na dor é a da morfina, tanto nas dores oncológicas quanto nas neuropáticas. Fracos → Codeína, Tramal(tramadol)e oxicodona. Fortes → Metadona, Morfina e Fentanil. Existe uma tendencia global de substituir opioides fracos (codeína e tramadol) por opioides fortes em baixas doses. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Dose de resgate Uso clínico de analgésico opioide → Para mandar o paciente embora existe uma tabela de conversão. Opióides em terapia de dor 1. Não administrar opióide fraco + opióide fraco, concomitante. Exemplo: codeína + tramadol. Justificativa: Não aumenta analgesia, apenas aumenta efeitos colaterais. 2. Não administrar opióide fraco + opióide forte, concomitante. Exemplo: codeína + morfina ou tramadol + morfina. Justificativa: não há acréscimo na analgesia, apenas de efeitos colaterais. 3. Só administrar opióide forte + opióide forte, quando estiver usando opióide de liberação prolongado e necessitar de opióide de ação rápida para a dose de resgate. Exemplo: Morfina de ação rápida + Fentanil transdérmico. Opióides fracos Codeína → Mais utilizado por via oral. → Poca dependência (só em doses muito altas em muito tempo). Efeitos secundários: constipação, náuseas e vômitos, vertigem, sonolência, excitação e convulsões em crianças. Administrar sempre um laxante em conjunto com a codeína. Oxicodona → Efeitos digestivos e neurológicos (náuseas e vômitos, constipação ealucinações). Morfina → Morfina subcutânea: absorção mais lenta, porém da menos efeitos adversos. → Não adianta dar morfina para neurite aguda, dar droga epilética. → A depressão respiratória ocorre em dose absurda. Em dose terapêutica: Diminui a demanda de oxigênio pelo miocárdio (diminui as catecolaminas e diminui a isquemia miocárdica) - (lembrar da MONAH) Como é dose terapêutica, não vai gerar depressão respiratória e nem cair a pressão. Metadona → Antagonista dos receptores dos opioides → Usado para o tratamento das intoxicações agudas. Efeitos não desejáveis: taquicardia, arritmias, aumento da pressão intracraniana, edema de pulmão, midríase, sudorese. Usado para dessensibilizar o paciente, para ir realizando a retirada de opioide aos poucos. Fentanil → No brasil só tem o transdérmico.história de asma ou doença pulmonar obstrutiva grave, → doença vascular periférica → disfunção ventricular grave (classe Killip ≥ II) → Claudicação intermitente. Clopidogrel- é, também, um antiagregante plaquetário, porém, seu efeito é devido à sua ação antagonista do receptor da adenosina. Administrado em conjunto com o AAS. Heparina (anticoagulante)- seu uso é feito visando como meta atingir um tempo de coagulação ativado (TCa) de, pelo menos, 300 segundos. anticoagulação com heparina não fracionada, 5000Ul EV + infusão contínua 1000-1200ui/hora (>80kg) e TTPA entre 60-85seg. Anticoagulação com HBPM, bollus EV de 30mg seguido de 1mg/kg SC de 12/12hrs (não ultrapassar 100mg/dia), >75 anos 0,75mg/kg de 12/12hrs sem bollus. Ajustar pela TFG. MONABIH – a diferença do MONABIH e do MONABCH é que no MONABIH utilizamos o IECA, quando utilizados em pacientes com infarto do miocárdio agudo ou crônico, podem atenuar e até mesmo prevenir o remodelamento ventricular, reduzir a incidência de posterior insuficiência cardíaca, melhorar a qualidade de vida e a capacidade funcional, reduzir sintomas, prevenir o reinfarto e aumentar a sobrevida. Infarto agudo do miocárdio com supra de ST - IAMCSST IAMCSST → TERAPIA DE REPERFUSÃO (“tempo é miocárdio!”). A reperfusão pode ser realizada com a utilização de agentes fibrinolíticos ou com angioplastia primária por balão, com ou sem implante de stents (intervenção coronária percutânea – ICP), e cada método tem vantagens e limitações. Fibrinolítico / Trombolítico → idealmente até 30 min após o ECG (tempo porta- agulha) até 12h do início. → Os fibrinolíticos disponíveis são: O melhor para a fibrinólise é a ALTEPLASE. • estreptoquinase (mais barata), pode estar associada à hipotensão, que deve ser tratada com interrupção de sua administração e, se necessário, com a reposição de volume ou atropina. • rPA (quando administrado em regime acelerado juntamente com heparina leva a menor mortalidade – porém tem maior custo) administrada em forma de duplo-bolo. • TNK-tPA (benefício comparável ao tPA, com a vantagem de poder ser administrado em bolo único – também de alto custo) Contraindicações relativas → História de AVC isquêmico > 3 meses ou patologias intracranianas não listadas nas contraindicações absolutas; → Gravidez; → Uso atual de antagonistas de vitamina K – quanto maior o INR maior o risco de sangramento; sangramento interno recente 10 min) ou cirurgia 180 mmHg ou diastólica > 110 mmHg); → Punções não compressíveis; → História de hipertensão arterial crônica importante e não controlada; → Úlcera péptica ativa; Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas → Exposição prévia a estreptoquinase (mais de 5 dias) ou reação alérgica prévia. Contraindicação Absoluta → Qualquer sangramento intracraniano; → AVC isquêmico nos últimos 3 meses; → Dano ou neoplasia no sistema nervoso central; → Trauma significante na cabeça ou rosto nos últimos 3 meses; → Sangramento ativo ou diátese hemorrágica (exceto menstruação); → Qualquer lesão vascular cerebral conhecida (malformação arteriovenosa); → Dissecção aguda de aorta. → Discrasia sanguínea. Intervenção coronariana percutânea → Pode ser primária (único método de reperfusão coronária) ou secundária (após a administração de fibrinolíticos). → A ICP primária deve ser realizada idealmente em até 90 min do ECG, quando disponível no hospital ou em pacientes com apresentação tardia (> 12 h do início de sintomas). → A ICP secundária pode ser de resgate (quando o fibrinolítico não surtiu efeito) ou eletiva (pacientes estáveis após uso de fibrinolítico). Avaliação de risco pós IAM → A estratificação de risco em pacientes que sofreram IA tem como objetivo identificar, antes da alta hospitalar, os pacientes com maior probabilidade de eventos fatais e avaliação prognóstica. → Pacientes que evoluem sem complicação (Killip I) e sem sinais clínicos de alto risco pode ser encaminhados para estratificação, por meio de exames complementares não invasivos provocadores de isquemia (ecocardiograma e teste ergométrico). → Cinecoronariografia: em pacientes com choque cardiogênico (Kilip IV) ou disfunção ventricular esquerda grave, de início agudo, após a instalação do quadro de IAMCST. Escore de risco TIMI pós-IAM - Histórico: Idade ≥ 75 anos (3 pontos); 65-74 anos (2 pontos); DM ou HAS ou Angina (1 ponto) - Exame clínico: PAS 100 bpm (2 pontos); Killip III-IV (2 pontos); peso 4h (1 ponto). Prevenção secundária pós SCA Estudos confirmaram que a implementação de medidas de prevenção secundária, após a SCA, reduz eventos cardiovasculares na mesma proporção do tratamento dispensado na fase aguda. → Controlar fatores de risco: cessação do tabagismo, controle da hipertensão, controle do DM, controle da dislipidemia, controle da obesidade e atividade física. → Farmacoterapia pós-hospitalar: AAS, anticoagulantes, nitrato, beta-bloqueadores, iECA... → Retorno às atividades profissionais e sexuais. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano A insuficiência cardíaca é uma doença caracterizada pela incapacidade do coração de suprir a demanda dos tecidos ou suprir com elevadas pressões de enchimento. Insuficiência Cardíaca Aguda (ICA) é definida como início rápido ou mudança clínica do sinais e sintomas de insuficiência cardíaca, resultando em necessidade urgente de terapia. A ICA ocorre geralmente em pacientes entre 70 e 75 anos de idade. Anormalidades fisiopatológicas da ICA Alguns fatores que podem levar a disfunção ventricular são isquemia, doença valvar, HAS e miocardiopatias. • A congestão hemodinâmica é caracteriza por pressões diastólicas elevadas do VE sem evidência visível de sinais clínicos. • Pode resultar em estresse parietal, assim como em ativação do SRAA e do SNS. Esses efeitos podem desencadear respostas moleculares no miocárdio, incluindo perda de miócitos e fibrose aumentada. • O processamento anormal dos peptídeos natriuréticos conduz a uma atividade biológica reduzida em pacientes com doença avançada. • Além disso, as pressões diastólicas de enchimento elevadas podem reduzir a pressão de perfusão coronária, levar a alterações agudas na arquitetura ventricular (contribui para piorar a regurgitação mitral). Esses mecanismos também desempenham um papel importante na remodelação patológica do ventrículo, um processo crônico que pode ser acelerado por cada episódio de descompensação. Hipertensão de ventrículo direito: a sobrecarga de pressão do ventrículo direito é detectada, primariamente, pela hipertrofia da sua parede livre, podendo também ser encontrada hipertrofia do septo interventricular. A sobrecarga de pressão também pode levar a dilatação desta câmara ou a distorção do septo interventricular durante a sístole. Quadro clínico Fadiga, Dispneia aos esforços Ortopneia (dispneia em posição ortostática – deitado) → Dispneia paroxística noturna (episódios de dispneia que costumam ocorrer à noite e despertam o paciente, em forma de tosse ou sibilos). → Edema de MMII –costuma ser simétrico e postural, ocorrendo predominantemente nos tornozelos e na região pré-tibial nos pacientes ambulatoriais. Nos pacientes restritos ao leito, o edema pode ser observado na região sacral (edema pré-sacral) e escrotal. → Edema agudo de pulmão Exame físico • Crepitações pulmonaresou estertores → Respiração de Cheyne-Stones (varia entre taquipneia e bradpneia) → B3 - IC sistólica) costuma estar presente em pacientes com sobrecarga volumétrica que tenham taquicardia ou taquipneia e em geral comprometimento hemodinâmico. → B4 (IC diastólica)- geralmente está presente nos pacientes com disfunção diastólica. IC avançada. → Ictus cordis desviado inferiormente (abaixo do 5° espaço intercostal e/ou lateralmente para a linha clavicular média, passado o batimento a ser palpável sobre dois espaços. → Taquicardia → Turgência jugular → Hepatomegalia, Ascite → Hipotensão, Perfusão inadequada. Sintomas Achados Exame IC DIREITA Edema periférico, dor no quadrante superior direito, Ascite, ausência de sintomas pulmonares. Edema periférico, dor no quadrante superior direito, hepatomegalia, reflexo hepatojugular, distensão venosa jugular. IC ESQUERDA Dispneia , ortopneia, dispneia paroxística noturna, fadiga, enfraquecimento, tosse. Taquipneia, sibilos ou estalos pulmonares, B3 ou B4 Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano Critérios diagnósticos ( de Framingham) Diagnóstico: 2 critérios maiores ou 1 maior e 2 menores WORKUP para exacerbação de insuficiência cardíaca: Radiografia torácica +enzimas cardíacas +ECG Exames complementares Radiografia → Deve ser utilizada em todo paciente com suspeita de IC aguda. → Permite a avaliação de congestão pulmonar → Radiografia normal não afasta IC. Alterações radiográficas As linhas B de Kerley (setas) são linhas horizontais na periferia do pulmão que se estendem até a superfície pleural. Elas denotam septos interlobulares espessados e edematosos, muitas vezes decorrentes de edema pulmonar. Cisurite – acúmulo de líquido na cisura entre os lobos superior e inferior. Congestão hilar – no hilo da artéria pulmonar Cardiomegalia- área cardíaca ocupa mais da metade um hemitórax. (membros inferiores – tornozelos) Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano Eletrocardiograma Seu principal objetivo é avaliar o ritmo cardíaco, determinar a presença de hipertrofia do VE ou IM prévio (presença ou ausência de ondas Q), assim como determinar a largura do completo QRS para avaliar se o paciente pode ser beneficiado com a terapia de ressincronização. Até 10 min. As alterações isquêmicas foram as mais prevalentes (29%), seguidas da fibrilação atrial (25%) e do bloqueio de ramo esquerdo (17%). Ecocardiograma É o teste de imagem preferencial para avaliação inicial dos pacientes com suspeita de IC. Pode identificar acuradamente a presença de alterações estruturais cardíacas, incluindo anormalidades no miocárdio, das valvas cardíacas e do pericárdio, estimativa da PAS na artéria pulmonar, função sistólica do VD e análise da função diastólica e estimativa das pressões de enchimento do VE. Observar a contração do ventrículo esquerdo. Se contrair pouco significa que o paciente tem uma fração de ejeção reduzida no VE. Avaliação laboratorial Deve incluir um hemograma completo, eletrólitos, ureia/creatinina e exame de urina. → A gasometria arterial é solicitada em todo paciente com distúrbio respiratório grave ou sinais de baixo débito e deve ser solicitada com análise de lactato e cloro. → As troponinas devem ser solicitadas para excluir SCA como causa da descompensação cardíaca e a troponina elevada, em pacientes com IC, confirma mau prognóstico. → Havendo suspeita de síndrome coronariana aguda, deve ser solicitado um ensaio de marcadores de lesão miocárdica. → O peptídeo natriurético cerebral (BNP) é um hormônio liberado pelos ventrículos em resposta ao estiramento (sobrecarga de volume). O BNP é usado para diferenciar dispneia de origem cardiológica ou não. O BNP é mais útil em casos de pacientes com quadro clínico misto (p. ex., um paciente com ICC e DPOC). Exames complementares Ressonância magnética cardíaca: pode ser útil na avaliação etiológica e para medidas de volume quando o ecocardiograma não for conclusivo Provas de função pulmonar: podem ser úteis para excluir doenças pulmonares como causa da dispneia. Seu uso na IC aguda, no entanto, é limitado, pois a presença de congestão pode influenciar os resultados. Cineangiocoronariografia: indicada nos casos de síndrome coronariana aguda como causa da IC. Classificação Alto Débito Baixo débito Tireotoxicose, Anemia grave, Sepse ,Infecção , Fístulas AV e Béri-béri Isquemia HAS Classificação funcional pela New York Heart Association -NYHA. NYHA I Assintomático NYHA II Sintomas leves - atividades físicas habituais causam sintomas, com limitação leve NYHA III Sintomas moderados - atividades físicas menos intensas que as habituais, com limitação importante, porém confortável em repouso. NYHA IV Sintomas graves - incapacidade para realizar qualquer atividade sem apresentar desconforto, com sintomas no repouso PERFIL CLÍNICO HEMODINÂMICO QUENTE E SECO – A perfusão periférica adequada sem congestão pulmonar e/ou sistêmica QUENTE E UMIDO B perfusão periférica inadequada com congestão pulmonar e/ou sistêmica FRIO E ÚMIDO- C má perfusão periférica com congestão pulmonar e/ou sistêmica FRIO E SECO – L má perfusão periférica sem congestão pulmonar e/ou sistêmica SINAIS DE CONGESTÃO SINAIS DE MÁ PERFUSÃO • ORTOPNEIA • ELEVAÇÃO DA PRESSAO VENOSA JUGULAR • EDEMA • HEPATOMEGALIA • REFLUXO HEPATOJUGULAR • ASCITE • ESTERTORES CREPITANTES EM BASES PULMORARES • PRESENÇA DE B3 • REDUÇÃO DA PRESSAO DE PULSO • EXTREMIDADES FRIAS • SONOLÊNCIA • PIORA DA FUNÇÃO RENAL • PULSOS ALTERNANS • HIPOTENSÃO SINTOMÁTICA ICFE reduzida ICFE intermediária ICFE preservada 50% Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano Tratamento Não medicamentoso Controle do peso, dieta rica em fibras e baixa gordura, consumo de sale a frequência cardíaca. Ex.: carvedilol, bisoprolol, succinato de metaprolol. Digitálicos: apresentam efeito ionotrópico (aumenta a força de contração) e reduz a velocidade de condução no nódulo AV (aumenta a efetividade da contração). Pode causar arritmias (acúmulo de cálcio intracelular). Ex.: digoxina. Ivabradina: inibe a corrente If que é responsável pela despolarização automática do nó sinusal, reduzindo assim, a frequência cardíaca no repouso e no exercício. Cronotrópico negativo. Dapagliflozina: reduz o risco de hospitalização por ICC em paciente diabéticos tipo II. Bloqueia o cotransporte sódioglicose (SGLP2) nos rins, fazendo com que haja excreção de glicose. Em associação com os diuréticos, apresentam efeitos no metabolismo miocárdico, transporte de íons, fibrose, adipócitos e função vascular. Indicado para classe funcional NYHA II, III ou IV e Pacientes com IC com fração de ejeção reduzida. Seu uso ainda não é recomendado em não diabéticos. Sacubitril-Valsartana: faz um melhor controle da pressão arterial com a não degradação pela neprilizina dos peptídeos natriuréticos. Causa vasodilatação arterial e maior poder diurético. Indicado para pacientes com IC com FEVE reduzida. Para aqueles com FEVE preservada, os benefícios do uso são semelhantes ao uso isolado de Valsartana, logo não compensa o custo benefício. Anlodipino -bloqueador de canal de cálcio. Pode causar edema de tornozelos. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Hipertensão arterial sistêmica Por definição, a hipertensão existe quando são obtidas duas leituras maiores ou iguais que 140/90 mmHg em duas ocasiões distintas. Além disso, o controle da HAS conduz importantes reduções do AVC, insuficiência renal, dissecção da aorta, incidentes coronarianos e morte. Crise ou emergência hipertensiva São situações clínicas sintomáticas em que há elevação acentuada da PA (definida arbitrariamente como PAD ≥ 120 mmHg) com LOA (lesão de órgão alvo) aguda e progressiva. As lesões de órgão alvo podem incluir acometimento neurológico, renal, ocular, hepático ou insuficiência miocárdica. Obs.: as EH podem se desenvolver em pacientes com ou sem hipertensão crônica preexistente. Emergência hipertensivas com possível lesão de órgãos alvo: IAM, dissecção aórtica, insuficiência ventricular esquerda aguda, edema pulmonar agudo, hemorragia ou infarto cerebral, insuficiência renal aguda, pré- eclâmpsia/ eclâmpsia, anemia hemolítica microangiopática sintomática e encefalopatia hipertensiva. Evolução e diagnóstico → O diagnóstico de emergência hipertensiva requer evidências de uma disfunção de órgão-alvo que seja atribuível à elevação da pressão arterial. → Devem ser elucidados quaisquer sintomas relacionados a danos em um órgão-alvo, como : • dor torácica (infarto do miocárdio, dissecção aórtica), • dispneia (insuficiência cardíaca congestiva, edema pulmonar), • anúria (insuficiência renal), • alterações visuais (papiledema, hemorragias de retina), • alteração do estado mental • convulsões (encefalopatia hipertensiva). • Exame físico Avaliar o paciente quanto a existência de dano em órgão alvo. → Fundoscopia – pode revelar papiledema, hemorragia de retina e exsudação. → Exame cardiovascular – pode identificar sinais de insuficiência cardíaca (distensão de veia jugular, galope B3, estertores pulmonares e edema em membro). → Exame neurológico: avaliar o estado mental e buscar sinais de déficits focais. Eletrocardiograma e biomarcadores cardíacos Devem ser realizados em casos de pacientes com suspeita de infarto do miocárdio. Exame laboratorial Os níveis de eletrólitos, incluindo creatinina, ureia, hemoglobina, proteinúria e detecção de cilindros de hemácias no exame de urina podem indicar a ocorrência de insuficiência renal ou glomerulonefrite. Radiografia torácica Pode ser útil no diagnóstico de insuficiência cardíaca congestiva, edema pulmonar e dissecção aórtica. Tomografia computadorizada Uma TCC deve ser realizada em todos os pacientes que apresentam alteração do estado mental ou déficit neurológico focal, a fim de excluir as hipóteses de lesão com efeito de massa e AVE isquêmico ou hemorrágico. Tratamento A terapia ideal, incluindo a escolha do agente e a meta da pressão arterial, varia de acordo com a emergência hipertensiva específica. Em geral, não é aconselhável baixar a pressão arterial muito rapidamente ou muito, pois o dano isquêmico pode ocorrer em leitos vasculares que se acostumaram a níveis mais elevados de pressão arterial. Para a maioria das emergências hipertensivas, a pressão arterial média deve ser reduzida gradualmente em cerca de 10-20% na primeira hora e em mais 5-15% nas próximas 23 horas. Após um período adequado (geralmente de 8 a 24 horas) de controle da pressão arterial na meta na unidade de terapia intensiva, os medicamentos orais são geralmente administrados e a terapia intravenosa inicial é reduzida gradualmente e interrompida. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas As principais exceções à redução gradual da pressão arterial durante o primeiro dia são: → Fase aguda de um AVC isquêmico: a PA geralmente não é reduzida a menos que seja ≥185/110mmHg em pacientes que são candidatos à terapia de reperfusão ou ≥220/120mmHg em pacientes que não são candidatos à terapia de reperfusão. → Dissecção aguda da aorta: a PAS é rapidamente reduzida para uma meta de 100 a 120mmHg (a ser atingida em 20 minutos). → Hipertensão intracerebral. Medicamentos anti-hipertensivos Nitroprussiato de sódio é um potente vasodilatador periférico que diminui a pré e a pós-carga ao dilatar tanto as artérias como as veias que causam a queda imediata da pressão arterial. → A dose IV inicial recomendada é 0,25μg/kg/min (o monitoramento intrarterial é recomendado ao iniciar uma infusão). Desvantagem: leva a intoxicação por cianeto, associação a uma taquicardia reflexa e assalto coronariano no contexto da SCA. A intoxicação por cianeto deve ser tratada com uso de vitamina B12. Labetalol é um bloqueador a 1-adrenérgico seletivo e f3- adrenérgico não seletivo. → Diminui a resistência vascular sistêmica e, ao mesmo tempo, mantém o fluxo sanguíneo renal, coronariano e cerebral. → Os bolus intravenosos de labetalol demoram de 2 a 5 minutos para começar a baixar a pressão arterial. → Causa taquicardia reflexa mínima. Contraindicação: pacientes com asma aguda, DPOC, IC, bloqueio cardíaco e diante do uso abusivo de simpatomiméticos. Esmolol É um bloqueador f3 1-adrenérgico seletivo de ação de curta duração. → É efetivo para amenizar a taquicardia reflexa induzida pelo nitroprussiato. Contraindicação: pacientes com asma aguda, DPOC, IC, bloqueio cardíaco e diante do uso abusivo de simpatomiméticos. Nicardipina É um bloqueador de canal de cálcio di-hidropiridínico. → Pode promover benefícios exclusivos em casos de encefalopatia hipertensiva (atravessa a barreira hematoencefálica e promove vasorrelaxamento na musculatura lisa cerebrovascular, minimizando o vasoespasmo, sobretudo em casos de hemorragia subaracnóidea). Contraindicação e efeito colateral: é contraindicada para pacientes com estenose aórtica avançada e seu principal efeito colateral é a diminuição abrupta da pressão arterial e a taquicardia reflexa. Nitroglicerina É um potente vasodilatador, que atua principalmente sobre o sistema venoso. → Diminui a pré-carga e também aumenta o fluxo sanguíneo coronariano para o subendocárdio. → Tem ação de início rápido → é considerada o fármaco de escolha para tratamento das emergências hipertensivas em pacientes com isquemia cardíaca, disfunção ventricular esquerda e edema pulmonar.Contraindicação: pacientes com estenose aórtica grave, obstrução do fluxo de saída ventricular esquerda ou infarto de parede miocárdica inferior. Fenoldopam agonista seletivo periférico de dopamina de tipo 1. → Causa vasodilatação e natriurese. → Seu uso proporciona a vantagem de aumentar o fluxo sanguíneo renal e melhorar a depuração da creatinina. → Como resultado, o fenoldopam pode ser usado como fármaco de escolha para tratamento das emergência hipertensivas no contexto de comprometimento da função renal. Contraindicação: pacientes com pressão intraocular aumentada. Hidralazina → Diminui a pressão arterial promovendo um efeito vasodilatador direto sobre a musculatura lisa arteriolar. → Tratamento preferido pelos obstetras para casos de pré-eclâmpsia/eclâmpsia, mas com uso abandonado em casos de hipertensão associada a outras condições. Desvantagens: pode causar taquicardia reflexa, isquemia no SNC e miocárdio. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Enalaprilato Diminui a resistência vascular sistêmica, pressão capilar pulmonar e frequência cardíaca, ao mesmo tempo em que aumenta a vasodilatação coronariana. → Exerce efeito mínimo sobre a PPC. → É particularmente útil em casos de emergência hipertensiva com edema pulmonar agudo. Contraindicação: gestantes. Única emergência hipertensiva em que há indicação para uma redução rápida e agressiva da pressão arterial, pois valores baixos da PA = diminuição do risco de morte - > Dissecção aguda aórtica. Uma mulher de 62 anos chega ao SE apresentando queixas de cefaleia, diplopia e vômito. Sua pressão arterial estava em 240/120 mmHg na chegada ao SE. Obter uma TC de crânio, administrar um agente anti- hipertensivo e internar o paciente na unidade de terapia intensiva. Uma mulher de 54 anos chega ao SE e solicita a reposição de seus medicamentos anti-hipertensivos. Ela não toma a medicação há 2 semanas e não consegue agendar uma consulta com o médico particular antes da próxima semana. Sua medicação normal é o Atenolol e Hidroclorotiazida. A pressão arterial da paciente está em 190/100 mmHg e ela apresenta dor precordial. Ela está aguardando atendimento há 2 horas 30 min e está impaciente para voltar para o trabalho. O passo seguinte é Internar a paciente na UTI, iniciar o tratamento com B-bloqueador intravenoso. Em caso de fraturas após colisão (fratura na tíbia por exemplo), a dor pode elevar a PA. Nesse caso, administrar Morfina na dose de 3-4 mg para controle analgésico. Condições associadas às emergências hipertensivas Encefalopatia hipertensiva → Os sinais e sintomas de encefalopatia hipertensiva (dor de cabeça, confusão, náuseas, vômitos) geralmente diminuem após a redução da pressão arterial. → A meta inicial é a rápida diminuição da pressão arterial em não mais que 20 a 25% da pressão arterial média. → Uma redução mais agressiva da pressão arterial pode causar hipoperfusão e isquemia. → Uma normalização adicional da pressão arterial pode ser considerada em 24 a 48 horas. → A medicação preferida é nitroprussiato, labetalol ou nicardipina. Hipertensão arterial na gestação Pré-eclâmpsia: pressão arterial elevada (pressão sistólica maior ou igual a 140 mmHg ou pressão diastólica maior ou igual a 90 mmHg) em gestante, acompanhada de proteinúria, edema ou ambos ocorrendo após 20 semanas de gestação Pré eclâmplia grave: PAS ≥ 160 ou PAD ≥ 110 mmHg, plaquetopenia, TGP 2 vezes acima do basal, dor epigástrica ou no hipocôndrio direito persistente, lesão renal aguda (creatinina maior que 1,1 mg/dl ou duplicação do valor basal), edema pulmonar, sintomas visuais ou cerebrais. Um percentual das mulheres que sofrem pré- eclâmpsia desenvolve a síndrome HELLP, que é caracterizada por anemia hemolítica, níveis de enzimas hepáticas elevados e baixa contagem de plaquetas. Eclâmpsia: é definida como a presença de convulsões tônico-clônicas, além do envolvimento de múltiplos sistemas em uma gestante com PE. → O tratamento enfoca primariamente a estabilização da mãe por meio do controle da pressão arterial e da progressão para eclâmpsia. → Hidralazina é o agente anti-hipertensivo de escola para os casos de pré-eclâmpsia e eclampsia. → Segunda linha: Labetalol → Aspirina em baixa dose: 1 mg por via oral diariamente iniciada entre 12 e 28 semanas de gestação para mulheres com risco aumentado de pré-eclâmpsia. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Definição A PCR é um evento súbito, inesperado e catastrófico com perda da função ventricular, consequente perda da consciência (ocorre devido à falta de oxigenação), ausência ou anormalidade na respiração e ausência de pulso detectável (visualizar o pulso carotídeo, em pacientes obesos, verificar o pulso femoral). PCR extra-hospitalar: 1. reconhecimento precoce da PCR e pedir ajuda 2. Suporte básico de vida desfibrilação precoce 3. Medidas avançadas de suporte de vida (intubação e emprego de drogas) 4. Cuidados pós-ressuscitação. PCR intra-hospitalar: 1. vigilância e prevenção 2. reconhecer e acionar o serviço médico de emergência 3. RCP imediata de alta qualidade 4. Suporte avançado de vida e cuidados pós-PCR. Avaliação do paciente em ambiente extra hospitalar 1. Avaliar o nível de consciência: chamar pelo paciente, se ele responder o nível de consciência ainda está mantido, se não responder, a função do SNC está comprometida. A presença de sinais indiretos de parada circulatória como apneia, ausência de movimentação espontânea e extremidades frias, também reforça a probabilidade de estar ocorrendo a PCR. → Verificar resposta (mão no ombro, chamar o paciente), → Pulso carotídeo e respiração; → Pulso presente e respiração ausente: iniciar imediatamente a ventilação de resgate uma a cada 6 segundos; → Pulso ausente e respiração ausente: inicie imediatamente a RCP;Re → avaliação a cada 2 minutos. 2. Chamar por ajuda e pedir um desfibrilador. 3. Reanimação cardiopulmonar: paciente em decúbito dorsal e superfície rígida. → Checar pulso carotídeo por 5-10 segundos (ausência define PCR). → Realização de 30 compressões para 2 ventilações. → Entre 100-120 compressões por minuto com profundidade de 5-6 cm em adultos, 5cm em crianças e 4cm em lactentes. → Esperar retorno total da parede torácica e minimizar interrupções. 4. Realizar a desfibrilação elétrica: o DEA é um aparelho eletrônico portátil, constituído basicamente por uma bateria com capacitor elétrico e um computador capaz de reconhecer a fibrilação ventricular (FV) e a taquicardia ventricular (TV), as arritmias mais frequentes no início da PCR. Time de resposta rápida 1. Rebaixamento agudo do nível de consciência (por conta de hipóxia) e alterações neurológicas agudas. 2. Alterações importantes dos sinais vitais: → FR > 30 ou 100 ou 3 segundos. 3. Pacientes com achados potencialmente emergenciais: → Precordialgia (dor precordial); crise convulsiva (nunca teve crise ou está tendo sempre sem controle); → Suspeita de obstrução de via aérea (paciente com tosse e dificuldade de fala); → Intoxicações agudas (benzodiazepínicos); → Hematêmese, enterorragia ou hemoptise; → Dor intensa. OBS: gasping é uma respiração inadequada/agônica caracterizada por movimentos involuntários da mandíbula, cabeça ou pescoço; vigoroso ou fraco; suspiro, ronco ou gemido; é um sinal de PCR. Ritmos de parada cardíaca Ritmos chocáveis Fibrilação Ventricular (FV): é umritmo caótico que começa nos ventrículos. Taquicardia ventricular sem pulso (TVSP)- o ECG exibe um complexo QRS alargado, regular, com uma frequência superior a 120 batimentos por min. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Ritmos não chocáveis Assistolia: consiste na ausência total de atividade elétrica ventricular. Atividade elétrica sem pulso (AESP): é uma situação clínica, não uma disritmia específica. Existe quando se observa no monitor cardíaco atividade elétrica organizada (exceto TV), mas o paciente está irresponsivo, não está respirando e não se sente pulso. Causas reversíveis de PCR Medicações para PCR com ritmos chocáveis → Epinefrina / Adrenalina: é um vasopressor administrado durante uma parada cardíaca para aumentar a pressão de perfusão do miocárdio e cérebro. Administrada IV ou IO -Adrenalina – 1mg EV durante a RCP. → Amiodarona - é um antiarrítmico que bloqueia os canais de sódio, inibe a estimulação simpática e bloqueia os canais de potássio, assim como os canais de cálcio. → Lidocaína: pode ser considerada uma alternativa à amiodarona para TVSP/FV que não responde a RCP, desfibrilação e terapia com vasopressor. Na parada cardíaca está indicada a administração de epinefrina em bólus IV (EV). Desfibrilação O choque é uma tentativa de aplicar uma corrente elétrica uniforme com intensidade suficiente para despolarizar as células miocárdicas (incluindo as células que estão fibrilando) ao mesmo tempo, deixando assim o coração “atordoado” por um breve momento. Indicações para desfibrilação: TV sem pulso, TVPM sustentada e FV. → Se eu não conheço o desfibrilador, usar a carga máxima. Protocolo da linha reta ou protocolo da CAGADA Nos casos em que o monitor aparecer a linha reta (ou seja, assistolia), é necessário: → CA- checar os cabos (se estão corretos). → GA – aumentar o ganho → DA- trocar a derivação. OBS: Paciente com via aérea definitiva – realizar 100- 120 compressões por minuto e 1 ventilação a cada 6 segundos. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano Conceitos Cefaleia é todo processo doloroso referido no segmento cefálico, que pode se originar de qualquer estrutura facial, ou craniana. Aura – transtornos neurológicos temporários que precedem as crises de cefaleia e podem afetar os sentidos, equilíbrio, coordenação muscular, fala ou visão; • Tem duração de 5 a 60 min • Podem persistir após o início da cefaleia. • Compreendem sintomas visuais em sua maioria (espectro de fortificação — p. ex., lampejos binoculares, arcos de luzes cintilantes, zigue- zagues luminosos, escotomas). • Parestesias e dormência (começando, em geral, em uma das mãos e estendendo-se ipsolateralmente ao membro superior e à face), distúrbios da fala e disfunção temporária do tronco encefálico (causando, por exemplo, ataxia, confusão e até mesmo obnubilação) são menos comuns que as auras visuais. Anamnese → Instalação (súbita ou gradual). → Localização (unilateral, bilateral). → Tipo (pulsátil, pressão, pontada). → Intensidade (leve, moderada, forte) → Duração (minutos, horas, dias) → Frequência → Fatores desencadeantes (hormônios, estresse, dormir mal, jejum, bebidas alcoólicas, drogas) → Fatores de melhora ou piora (ex: melhora com vômito ou melhora quando levanta), → Presença ou ausência de aura. → Sintomas associados (náusea, vomito, fotofobia, fonofobia) → Presença de outros (crise convulsiva, mudança no estado de consciência). Exame físico → Avaliar o nível de consciência → Sinais meníngeos (rigidez nucal, sinal de Kernig e Brudzin). → Déficits neurológicos focais (assimetria de força, reflexos profundos, sensibilidade ou coordenação, alteração do equilíbrio ou marcha, papiledema, alterações visuais e motricidade ocular alterada) → Exames de nervos cranianos → Exame de fundo de olho cefaleias primárias, todo o exame físico estará normal Primária Secundária A cefaleia é o sintoma principal. Migrânea ou enxaqueca, cefaleia tensional, cefaleia em salvas etc. Sintomas de uma doença subjacente, neurológica ou sistêmica. Com presença de sinais de alarme, Cefaleias de causas graves ou emergente → Anemia → Anóxia → Abscessos cerebrais → Envenenamento por monóxido de carbono → Glaucoma → Encefalopatia hipertensiva → Meningite/encefalite → Doença das montanhas → Falha de desvio → Hemorragia subaracnóidea /outras hemorragias intracranianas → Arterite temporal → Tumor/massa cerebral Cefaleias de causa não emergencial Síndromes de cefaleia primária e Cefaleias pós-PL Exames diagnósticos: Neuroimagem de crânio indicações: - Pacientes com cefaleias fortes de manifestação repentina - Pacientes HIV + que apresentam um novo episódio de cefaleia - Cefaleias associadas a novos achados anormais (p. ex. déficit focal, estado mental alterado). Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano Cefaleias primárias Dor associada a ausência de anormalidades anatomopatológicas identificáveis aos exames subsidiários habituais ou em outras estruturas do organismo. A cefaleia é o sintoma principal, mas não o único. Cefaleia migrânea ou enxaqueca → Acomete mais mulheres entre 30 e 50 anos. → No mínimo 5 episódios de dor → Duração de 4 – 72 horas → Com 2 ou mais dos seguintes: • Unilateral • Pulsátil • Dor moderada a grave • Piora com atividade física → e 1 ou mais dos seguintes: • Náusea e /ou vômito • Foto e/ou fonofobia → Pode conter aura ou não Diagnóstico clínico, sem necessidade de exames. Cefaleia tensional → 10 episódios de dor → Duração de 30 min até 7 dias → Com 2 ou mais dos seguintes: • Bilateral • Em pressão ou aperto • Leve ou moderada • Não piora com atividade física → 1 dos seguintes (não obrigatório) Foto e / ou fonofobia → Ausência de náusea e/ou vômito Cefaleia em salvas → Predomina no sexo masculino, entre 20-30 anos, com histórico de etilismo e histórico familiar. → Dor periorbitária e/ou temporal unilateral → Em cluster (vem e vai). → Em facada → De forte intensidade → Duração de 15 até 180 minutos → Ocorre durante a noite → O indivíduo fica inquieto ou agitado. → Pode ter de 1 episódio a cada 2 dias ou até 8 episódios por dia. → Sintomas associados: • Hiperemia conjuntival • Lacrimejamento, • Miose, Ptose e edema palpebral, Ipsilateral • Congestão nasal ou rinorreia, um lado • Sudorese e rubor frontal e facial • Plenitude auricular. Cefaleias secundárias Dor como sintoma de uma doença subjacente, neurológica ou sistêmica. → Principal intracraniana - HSA Hemorragia subaracnóidea É uma emergência neurológica caracterizada pelo extravasamento de sangue para os espaços que cobrem o sistema nervoso central (SNC) que são preenchidos com fluido cerebrospinal ou liquor. Causas Traumática: o trauma é a principal causa de HSA. Espontânea (não traumática): geralmente devido ruptura de aneurisma cerebral ou má formação arteriovenosa. Fatores de risco: Tabagismo, HAS, alterações genéticas (parentes de 1º grau com HSA aneurismática), consumo de álcool, terapia antitrombótica, uso de drogas simpaticomiméticas, deficiência estrogênica, displasia fibromuscular e síndrome de Ehler-Danlos. Quadro clínico Cefaleia de início súbito +Síncope + rigidez de nuca → Pode apresentar os sinais de alarme → Cefaleia forte, súbita em thunderclap → “pior cefaleia que o paciente já teve na vida” → Vômitos “em jato” (não precedido de náuseas prévias. → Perda momentânea da consciência → Rigidez de nuca - ocorre por uma irritação meníngea química. → Geralmente sem déficit neurológico focal. → Ptose palpebral e anisocoria Sinais de alarme Sinais de alertapara um evento potencialmente grave, sugestivo de cefaleia secundária. Mnemônicos: 1. SNOOP S- Sistêmico: toxemia, rigidez de nuca, rash cutâneo, portadores de neoplasias, usuários de imunossupressores. N- Neurológico: presença de déficits neurológicos focais, edema de papila, convulsões. O- Older- cefaleia com inicio após os 50 anos. O- Onset- início súbito ou 1° cefaleia. P- Pattern- mudança de padrão da cefaleia previa ou cefaleia progressiva. 2. Sanar Flix MED S- Surgimento com > 50 anos S- Sinais ou sintomas sistêmicos F- Fatores de piora exercício ou postura M- Mudança no padrão E- Exame neurológico alterado D- Dor mais intensa da vida (pior dor da vida) Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano ** erupção cutânea é um sinal de alarme também pois pode indicar uma meningococcemia. Ptose palpebral e anisocoria ocorre porque? Ocorre, pois, afetou a Artéria comunicante posterior Deve manter um alto grau de suspeição ao atender pacientes que apresentam cefaleia forte de manifestação aguda, descrita como a “pior dor de cabeça da vida ou dor em trovoada”, pois até que se prove o contrário é AVEH. Regra de Ottawa Uma regra clínica denominada regra de Ottawa para indicar pesquisa de HSA, basta ter pelo menos 1 dos seguintes sintomas: → Dor ou rigidez cervical. Idade > 40 anos. → Perda de consciência. → Início com esforço. → Cefaleia em “trovoada”, ou thunderclap → Flexão limitada do pescoço no exame. Cefaleia em trovoada- início súbito e atinge a máxima intensidade em segundos). Cefaleia sentinela, que precede a ruptura do aneurisma em 1 a 2 semanas. Hemorragia vítrea - um sinal de mau prognóstico; Classificação da Federação internacional de neurologia (WFNS) Exames complementares TC - é o exame essencial para o diagnóstico de HSA. A TC realizada nas primeiras 24 horas tem 92% de sensibilidade. → TC é preferível à RMN devido maior sensibilidade em detectar hemorragia nas primeiras 24h e por ser mais rápida → Na imagem, a característica do sangue extravasado é de uma lesão hiperdensa nos sulcos e cisternas encefálicas. Escala de Fisher → TC normal não exclui HSA, colher o licor . → A punção lombar (PL) deve ser realizada em qualquer paciente com suspeita de HSA e resultados negativos ou questionáveis na TC ou RM de crânio; e devem ser coletados quatro tubos para contagem de hemácias. → Não se faz punção lombar sem TC → Não há necessidade de realizar punção lombar se a TC for negativa para HSA e tiver sido realizada nas primeiras 6 horas de dor. Obs.: uma PL que mostre um LCS xantocrômico é considerada o padrão-ouro do diagnóstico. Como a xantocromia pode demorar até 12 horas para se desenvolver, um LCS persistentemente hemorrágico também é preocupante quanto à possibilidade de HSA. Xantocromia -coloração amarela do líquido cefalorraquidiano, característica de hemorragia do cérebro ou da medula espinhal; xantodermia. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano → Angiografia cerebral Utilizado em pacientes com punção lombar diagnóstica de HSA. Evidencia uma causa para o sangramento na maioria dos casos. Quando o exame é negativo, recomenda-se repeti-lo em 4 a 14 dias, quando se identifica um aneurisma a previamente oculto em cerca de 24% dos casos. → Exames laboratoriais complementares incluem função renal, eletrólitos, hemograma, coagulograma e glicemia, além de eletrocardiograma, que devem ser realizados em todos os pacientes. Leucocitose periférica e glicosúria transitória também são achados comuns. Tratamento Todos os pacientes com HSA devem ser avaliados e tratados em caráter de urgência com a manutenção da via aérea e monitorização cardiovascular. → Durante a internação, deve-se realizar exame neurológico sumário a cada 1 a 4 horas, como também manter aferição contínua dos sinais vitais. → Os pacientes com escala de coma de Glasgow ≤ 8, aumento de pressão intracraniana, hipoxemia ou instabilidade hemodinâmica devem ser intubados e colocados em ventilação mecânica invasiva. Os principais objetivos do tratamento são a prevenção de ressangramento, a prevenção e o manejo do vasoespasmo e o tratamento de outras complicações médicas e neurológicas. Vasoespasmo- ocorre em 20-30% dos casos. Entre 3-14 dias do evento (média 7 dias) → Se manifesta com hemiplegia e outros déficits focais e pode ocasionar isquemia ou infarto cerebral (há perda da autoregulação do fluxo sanguíneo cerebral). → Por volta do 4o dia de sangramento (quandos os vasos entram em contato com o polígono de Willis) e persiste até o 14o dia, com pico de incidência entre o 7o e o 10o dia do sangramento. A nimodipina pode ser útil para diminuir o espasmo arterial cerebral e a subsequente isquemia. Administração: Nimodipina 60 mg, via enteral, 4-4 horas. Se fizer endovenoso, pode causar hipotensão e aumentar o vasoespasmos. Outras complicações Ressangramento – ocorre em 20% dos pacientes, nos primeiros sete dias (maioria nas primeiras 24h). Hiponatremia – comum nos primeiros 14 dias. Síndrome da Secreção Inapropriada de Hormônio Antidiurético (euvolêmico) e cerebropatia perdedora de sal (hipovolêmico). → O tratamento é feito com NaCl via oral ou solução de sódio hiperosmótica IV. Hidrocefalia- ocorre em 15% dos casos. → Nos casos agudos = indicação de derivação ventricular externa. → Nos casos de hidrocefalia crônica= sequela tardia da HSA= indicação de DVP. → Pode ocorrer devido interrupção do fluxo de saída do LCR devido acúmulo de sangue entre pia-máter e aracnoide → Deve-se suspeitar se o paciente apresentar deterioração clínica e repetir TC. Outras medidas a serem tomadas no tratamanento → Pressão arterial sistólica: deve ser mantida com valores de pressão arterial sistólicatentar alimentação enteral. → Deve-se manter o paciente adequadamente sedado. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Síncope Definições → Síncope: perda transiente da consciência, com perda correspondente do tônus postural, seguida de recuperação espontânea e total. → Pré-síncope: sensação de perda iminente da consciência, em geral é acompanhada de sintomas inespecíficos consistentes com um pródromo de síncope, como tontura, enfraquecimento, visão turva ou náusea. → Síncope vasovagal: forma de síncope neurocardiogênica, que ocorre no contexto de atividade simpática periférica aumentada e formação de pool venoso. Etiologias Principais causas de síncope Sincope cardíaca Bradiarritmias - doença do nodo sinusal, bloqueio cardíaco de 2° ou 3° grau e defeito do marca-passo. → Sintomas: precordialgia, dispneia, queda do nível de consciência, fraqueza, fadiga, tontura, síncope, pré-sincope. → Sinais: hipotensão, diaforese, congestão pulmonar e sistêmica. → Tratamento: Atropina; marcapasso transcutâneo. Etiologias mecânicas: tamponamento pericárdico, dissecção aórtica, distensão e dilatação ventricular do lado direito. Paciente de alto risco: portadores de cardiopatia orgânica (ex.: estenose aórtica e miocardiopatia hipertrófica) e aqueles com DAC, ICC, hipertrofia ventricular e miocardite. Síncope reflexo-mediada → Síncope vasovagal, síncope relacionada à tosse, síncope associada à mieção, síncope relacionada à defecação, síncope relacionada à êmese, síncope associada à deglutição, síncope associada à manobra de Valsalva e síncope emocional (ex.: relacionada a medo, surpresa, desgosto). → Mais comum em jovens e sadios → A perda de consciência e do tônus motor é causada pela estimulação do reflexo vagal, resultando em hipotensão e bradicardia transiente. → Precipitada por tensão física, emocional ou dor. Causas: micção, defecação, êmese, tosse, deglutição, hipoglicemia,manobra de Valsalva, emocional, doença do seio carotídeo. Pródomo: náusea, bocejo, diaforese (aquecimento, sudorese), tontura e sensação de iminência. A doença do seio carotídeo ou a estimulação de barorreceptores excessivamente sensíveis localizados na região cervical (um colar apertado) são outras causas de síncope reflexo-mediada súbita. • Esses pacientes com frequência percebem uma atividade específica que está temporariamente relacionada aos seus episódios de síncope (virar a cabeça para determinada direção). Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Hipotensão ortostática ou ortortase → Queda de 20mmHg ou mais na pressão sistólica, decorrente de uma alteração rápida na posição do corpo supinado para uma posição mais vertical. → Ocorre em maiores de 70 anos e é comum em gestantes. → Sintomas associados: Diaforese, tontura e acinzentamento da visão podem sugerir uma síncope ortostática. A recorrência desses sintomas com o posicionamento em pé é mais significativa do que a alteração quantitativa real da pressão sanguínea. → Pode estar relacionada a depleção de volume, dilatação vascular periférica relacionada à sepse, medicações e instabilidade autonômica (doenças crônicas, ex.: diabetes, doença de Parkinson, esclerose múltipla e outros distúrbios neuromusculares). OBS: A depleção de volume secundária à perda de sangue repentina precisa ser considerada em todos os pacientes com síncope. OBS :Na gravidez ectópica, a ortostase pode ser a única manifestação de uma hemorragia prejudicial à vida. Outras causas de síncope: Neuropatia autonômica- paciente com DM , HAS, histórico de retinopatia diabética, diz que não sente as pernas e tem episódios de tonturas quando levanta pela manhã. Diagnóstico → A meta da avaliação inicial é descobrir o que ocorreu exatamente com o paciente. → História e exame físico completo combinados ao ECG compõem o workup prelimiar dos pacientes com síncope. → As medidas de PA ortostática devem ser obtidas caso haja possibilidade de ortostase. → Síncope vasovagal, situacional, ortostática, induzida por fármacos e alguns casos de síncope cardíaca podem ser ‘diagnosticadas’ apenas com a abordagem acima. Exames laboratoriais → Uso em situações limitadas. → Hemograma completo (perda sanguínea). → Teste de glicemia capilar → Níveis de eletrólitos e ureia (desidratação). → Exame de urina (níveis de glicose, infecção, estado de hidratação, presença ou ausência de cetonas). OBS :Teste de gravidez de urina (sempre em mulheres de idade fértil – síncope pode sugerir gestação). Manejo → Pacientes com achados sugestivos de determinada patologia: monitoramento cardíaco contínuo, ECO, exames vasculares com Doppler ou TC. → Síncope inexplicável + características clínicas de alto risco (p. ex. idade avançada, ECG anormal, história cardíaca prévia, síncope por esforço): internação para investigação (teste em esteira, mesa inclina, TC cabeça, biomarcadores cardíacos, cateterismo...) → Pacientes instáveis (hipotensão persistente, disritmias prejudiciais, perda ativa de sangue, SCA, êmbolos pulmonares e tamponamento cardíaco): A (via aérea), B (respiração, oxigênio), C (circulação), monitoramento, acesso IV e ECG. Obs.: Holter de 24h deve ser utilizado na suspeita de arritmias cardíacas como causa de síncope. Ana Flávia de Jesus Alves – Medicina Unisalesiano – Habilidades médicas Qual paciente devo internar? Para o paciente que se apresenta após sofrer síncope e está hemodinamicamente normal no momento da apresentação, a decisão de internar versus liberar do SE com seguimento ambulatorial depende de outros aspectos clínicos sugestivos de que o paciente tenha alto risco de desenvolver um resultado adverso a curto prazo. - Achados da história ou do exame físico consistentes com insuficiência cardíaca, cardiopatia estrutural ou coronariana, bem como um ECG anormal, está associados a um alto risco de resultado ruim. - O paciente mais jovem, sem comorbidades, com sintomas tranquilizadores manifestados pela primeira vez e eletrocardiograma anormal em geral pode ser liberado do SE. CRISES CONVULSIVAS Definição → Convulsão: refere-se apenas a contrações musculares involuntárias, súbitas e intensas, que frequentemente acompanham as crises epilépticas. → uma crise epiléptica é qualquer evento envolvendo o disparo anormal de neurônios que causa uma mudança comportamental repentina, caracterizada por alterações na percepção sensorial ou atividade motora. Em certos casos, pode ocorrer na presença de fatores precipitadores (crise provocada). → Epilepsia: o termo epilepsia é usado quando pelo menos duas convulsões não provocadas ocorrem com um intervalo de menos de 24 horas. → Estado epiléptico: atividade convulsiva contínua com duração superior a 30 minutos ou como a ocorrência de pelo menos 2 convulsões sequenciais sem retorno aos níveis mentais basais normais. Etiologia → Primária: são crises epilépticas que ocorrem em pacientes com história conhecida de epilepsia - → Secundária: TCE, massas ou hemorragias intracranianas, meningite, encefalite, distúrbios metabólicos (p. ex. glicose ou eletrólitos), fármacos e toxinas. Outras condições adicionais comuns, que podem se manifestar como crises epilépticas, incluem a encefalopatia hipertensiva e a lesão anoxicoisquêmica secundária à parada cardíaca ou hipoxemia grave. → A hipótese de eclâmpsia também deve ser considerada, em casos de gestantes, como potencial etiologia das convulsões. Classificação Crises neurogênicas: maioria das convulsões, resultam da descarga excessiva dos neurônios