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Revista Médica de Minas Gerais
33Rev Med Minas Gerais 2025;35 (Supl 5): S33-S37
Artigo de revisão
Abstract
Acute rheumatic fever (ARF) is a multifaceted disease that manifests in different clinical forms. Chronic 
rheumatic heart disease (RHD) is the primary long-term complication of ARF and is characterized by 
valvular heart injury. The risk of ARF varies among different populations worldwide, with a higher 
prevalence observed in low- and middle-income countries. This article provides an overview of the 
clinical manifestations of ARF, focusing on the important factors determining disease severity. In 
addition, we explore the significance of an integrated approach to preventing and managing ARF, 
which includes primary, secondary, and tertiary therapies. Implementing this technique is essential in 
decreasing the worldwide prevalence of ARF and RHD.
Keywords: Rheumatic Fever. Rheumatic Heart Disease. Carditis.
1 Universidade Federal 
de Minas Gerais, Belo 
Horizonte, Minas Gerais 
- Brasil
2 Hospital Felício Rocho, 
Belo Horizonte, Minas 
Gerais - Brasil
3 Universidade Estadual 
de Feira de Santana, Bahia 
- Brasil
4 Faculdade AGES, 
Jacobina, Bahia - Brasil
5 Hospital Estadual da 
Criança, Feira de Santana, 
Bahia - Brasil
Autor correspondente: 
Maria do Carmo Pereira 
Nunes. Email: mcarmo@
waymail.com.br
Conflitos: Os autores declararam a ausência de quaisquer afiliações ou associações que possam ser 
percebidas como potenciais conflitos de interesse. Além disso, os autores assumem total responsabilidade 
pela meticulosidade e imparcialidade dos dados apresentados e pela sua posterior análise.
Resumo
A febre reumática aguda (FRA) é uma doença multifacetada que se manifesta em diferentes formas 
clínicas. A cardiopatia reumática crônica é a principal complicação a longo prazo da FRA e é 
caracterizada por lesão valvar cardíaca. O risco de FRA varia entre diferentes populações em todo 
o mundo, com maior prevalência observada em países de baixa e média renda. Este artigo fornece
uma visão geral das manifestações clínicas da FRA, focando os importantes fatores determinantes da
gravidade da doença. Além disso, exploramos a importância de uma abordagem integrada para prevenir 
e gerenciar a FRA, que inclui terapias primárias, secundárias e terciárias. Implementar esta abordagem
é essencial para diminuir a prevalência mundial de FRA e cardiopatia reumática.
Palavras-chave: Febre reumática aguda. Cardiopatia reumática. Cardite.
José Augusto Almeida Barbosa1 , Bruno Morais Damião2 , Vitor de Oliveira Silva3 ,
 Larissa de Oliveira Silva3 , Nayara Aguiar Santos Borges Lyrio4 , Letícia Ferreira de Souza3 ,
 Airandes de Sousa Pinto5 , Maria do Carmo Pereira Nunes1 .
UPDATE ON ACUTE RHEUMATIC FEVER
FEBRE REUMÁTICA AGUDA: ATUALIZAÇÃO
DOI: 10.5935/2238-3182.2025v35s5.04
34Febre reumática aguda: atualização
INTRODUÇÃO
A febre reumática aguda (FRA) é uma doença inflamatória 
causada por uma resposta imune inadequada a infecção amigdaliana 
ocasionada por bactérias estreptococos do grupo A (EGA ou GAS) 
que afeta principalmente crianças e adolescentes. Esta resposta 
imune atípica pode resultar em várias apresentações clínicas 
significativas, como inflamação cardíaca (cardite), inflamação 
articular (poliartrite, poliartralgia, monoartrite), movimentos 
involuntários (coreia), uma erupção cutânea característica (eritema 
marginado) e pequenas massas sob a pele (nódulos subcutâneos). A 
FRA pode levar a uma condição cardíaca valvar crônica conhecida 
como cardiopatia reumática, que tem o potencial de causar 
insuficiência cardíaca e morte prematura.1
Homens e mulheres têm a mesma probabilidade de ter FRA, 
enquanto a cardiopatia reumática é mais prevalente em mulheres. 
Disparidades de gênero podem ser observadas na manifestação 
e intensidade da cardiopatia reumática. Embora tenha havido 
avanços na compreensão médica e melhorias na saúde pública, a 
FRA continua sendo um obstáculo significativo para médicos e 
pesquisadores. A FRA é prevalente na maioria dos países de baixa 
e média renda, bem como em comunidades desfavorecidas em 
países de alta renda. Esta revisão visa atualizar a epidemiologia 
contemporânea da FRA, a apresentação clínica e os preditores de 
gravidade.
Epidemiologia Atual
A epidemiologia da febre reumática aguda (FRA) varia 
significativamente entre os diferentes países devido a uma mistura 
de influências genéticas, socioeconômicas e ambientais. Enquanto 
a incidência de FRA diminuiu em países de alta renda no último 
século, continua sendo um problema significativo de saúde pública 
em vários países de baixa e média renda, particularmente na África 
subsaariana, no Sul da Ásia e na região do Pacífico. Os dados 
disponíveis também indicam que as taxas de FRA permanecem 
desproporcionalmente altas entre as populações indígenas e 
comunidades economicamente desfavorecidas, mesmo em países 
ricos.
Em escala global, a incidência média de FRA é de 19 por 100.000 
crianças em idade escolar, com números variando de 8 a 51 por 
100.000 indivíduos, de acordo com dados agrupados. A incidência 
é mais baixa em nações desenvolvidas (por exemplo, ≤2 casos por 
100.000 crianças em idade escolar nos EUA), embora os dados 
sobre subpopulações vulneráveis sejam escassos. Crianças indígenas 
australianas são notavelmente afetadas, com taxas de incidência 
entre 153 e 380 casos por 100.000 crianças, o que também pode 
refletir taxas de diagnóstico mais altas em comparação com outras 
regiões globais. Em áreas rurais e semiurbanas da África, as taxas de 
incidência podem chegar a 25 casos por 100.000 pessoas.1
Nos últimos cinquenta anos, vimos um rápido declínio 
epidemiológico em ambientes de alta renda; no entanto, essas 
melhorias não foram universais, com tendências estáveis ou 
crescentes observadas nas áreas endêmicas mais pobres. Uma 
tendência semelhante foi observada para a cardiopatia reumática de 
1990 a 2019, com aumento da prevalência padronizada por idade 
em regiões de baixa e média renda, enquanto uma redução global 
em mortes e anos de vida ajustados por incapacidade foi observada.
Apesar da disponibilidade de dados contemporâneos sobre 
a prevalência da cardiopatia reumática, os estudos modernos 
sobre a incidência de FRA continuam limitados. Coletar dados 
epidemiológicos confiáveis apresenta vários obstáculos. Em 
primeiro lugar, o diagnóstico de FRA é complicado pela falta de 
um teste diagnóstico específico e pelos diversos sintomas clínicos 
que apresenta. Os padrões de diagnóstico existentes, como os 
Critérios de Jones, podem não ser aplicáveis universalmente ou 
serem sensíveis o suficiente para capturar todos os casos, resultando 
em subdiagnóstico e subnotificação. Além disso, implementar os 
Critérios de Jones globalmente é um desafio devido a restrições 
de recursos que impedem a medição de títulos de anticorpos 
superficiais contra o GAS (necessários para o diagnóstico), outros 
exames laboratoriais de apoio ou avaliações cardíacas abrangentes 
(ECG e ecocardiografia). Além disso, há evidências que indicam 
baixo conhecimento entre os profissionais de saúde e comunidades 
sobre a FRA e sua associação com GAS e cardiopatia reumática. 
Portanto, esforços aumentados são essenciais para educar as 
comunidades sobre esse risco e promover comportamentos de 
busca de saúde com a garantia diagnósticos precisos2
APRESENTAÇÃO CLÍNICA
Critérios para Diagnóstico
A maioria dos pacientes com FRA apresenta uma combinação 
de febre, manifestações articulares e lesão cardíaca. Uma proporção 
menor apresenta coreia. As manifestações cutâneas são infrequentes. 
Como entre as crianças a febre e sintomas articulares são comuns a 
várias doenças, eles são insuficientes para estabelecer o diagnóstico 
de FRA por si mesmos. Por outro lado, embora específicas para 
a FRA, as manifestações de coréia e as manifestações cutâneas 
são relativamente infrequentes para serem usadas como critérios 
diagnósticos únicos.O diagnóstico, então, se baseia em um conjunto de achados 
clínicos ponderados (classificados como principais ou menores), 
propostos pela primeira vez pelo Dr. T. Duckett Jones em 1944, 
e revisados em 2015, enfocando três novos aspectos principais: 
estratificação de risco com base em quão endêmica é a doença 
para uma população, diferentes implicações das manifestações 
articulares em diferentes populações e a aceitação de evidências 
ecocardiográficas de cardite como uma manifestação importante.3,4 
Veja Tabela 1 abaixo.
 
Quadro 1. Critérios para o diagnóstico de febre reumática.¹¹
35Febre reumática aguda: atualização
Critérios Jones 
modificados
Critérios Jones 
revisados 
População de 
baixo risco
Critérios Jones 
revisados 
População de alto 
risco
Critérios maiores
Cardite Cardite Cardite
Poliartrite Poliartrite 
(somente)
Mono ou 
poliartrite ou 
poliartralgia
Coreia Coreia Coreia
Nódulos 
subcutâneos
Nódulos 
subcutâneos
Nódulos 
subcutâneos
Eritema 
marginado
Eritema 
marginado
Eritema 
marginado
Critérios menores
Febre Febre Febre
Artralgia Poliartralgia Monoartralgia
Provas de 
atividade 
inflamatória
PCR ≥ 3,0 mg/dL 
PCR ≥ 3,0 mg/dL
VHS ≥ 60mm/1ª 
hora e/ou 
VHS ≥ 30mm/1ª 
hora e/ou
Aumento do 
espaço PR no 
ECG
Aumento do 
intervalo PR no 
ECG
Aumento do 
intervalo PR no 
ECG
Tabela 1 - Critérios de Jones modificados – Fonte: Sociedade 
Brasileira de Pediatria. 2024 5
O envolvimento cardíaco por ecocardiografia é o melhor 
preditor de desenvolvimento de cardiopatia reumática. Todas as 
crianças e adolescentes de regiões endêmicas com manifestações 
articulares (poli ou monoartrite, poliartralgia), com evidência de 
elevação da taxa de sedimentação de eritrócitos (VHS) ou proteína 
C reativa (PCR), com ou sem febre, devem ser encaminhados para 
um ecocardiograma. A cardite deve ser diagnosticada com base nos 
critérios modificados da Federação Mundial do Coração sugeridos 
por Gewitz et al.6, sendo que nas alterações cardíacas percebemos 
que o endocárdio é a parte atingida em mais de 90% dos casos, 
que na forma de insuficiência mitral, manifesta-se como sopro 
sistólico apical. Em aproximadamente metade das vezes, pode ser 
acompanhada de sopro diastólico basal, decorrente de insuficiência 
aórtica. A concomitância de insuficiência mitral e aórtica em um 
paciente previamente sadio é altamente sugestiva de febre reumática. 
Ocasionalmente, miocardite e pericardite podem estar presentes. 
Na ausência de valvulite, essas manifestações são excepcionais na 
febre reumática. A presença de cardite deve ser suficiente para o 
diagnóstico de FRA. Um ecocardiograma normal, obtido durante 
a doença inicial, descarta a cardite, mas ainda deve ser considerado 
para um diagnóstico de FRA (sem cardite), com base nos Critérios 
de Jones revisados de 2015. 7,8
Anormalidades Estruturais das Válvulas
A FRA causa pancardite afetando predominantemente o 
endocárdio, e também manifestando-se como valvulite, afetando 
particularmente a válvula mitral. A resposta inflamatória inicial 
após o primeiro episódio de cardite reumática aguda geralmente é 
o principal determinante da gravidade do desarranjo estrutural das
válvulas. Em estágio inicial da doença, a morfologia da válvula 
aórtica ou mitral pode parecer normal e pode se manifestar apenas 
com regurgitação patológica.
O fenótipo morfológico da valvulite reumática aguda é 
uma combinação de dilatação anular, acometimento das cordas 
tendíneas e prolapso da cúspide anterior. Junto com uma cúspide 
posterior normal com apenas encurtamento mínimo das cordas 
devido à dilatação anular, a característica ecocardiográfica da FRA é 
uma regurgitação mitral causada pelo prolapso da válvula mitral que 
envolve predominantemente a cúspide anterior sem praticamente 
nenhuma redundância da cúspide. O jato de regurgitação mitral 
excêntrico é dirigido posteriormente, o que difere do prolapso 
devido à doença mixomatosa degenerativa, que envolve mais 
comumente a cúspide posterior e está associado à proeminente 
redundância da cúspide. A ruptura das cordas tendíneas é uma 
complicação rara da cardite reumática, o que pode exigir reparo 
valvar mitral.
As alterações morfológicas, incluindo espessamento das 
cúspides, fusão das cordas, calcificação e restrição de movimento 
das cúspides, que são características relacionadas à cardiopatia 
reumática crônica, não são características de cardite reumática 
aguda. Em uma revisão retrospectiva de prontuários de 2015, 
conduzida pela Federação Mundial do Coração, a prevalência geral 
de estenose mitral crônica naqueles com histórico de FRA foi de 
4,4%, de estenose aórtica foi de 0,8%, de estenose tricúspide foi 
de 0,6% e de estenose pulmonar foi de 0,3%. O envolvimento 
mais comum é da válvula mitral, seja isolada (43% das vezes) ou 
combinada com a válvula aórtica (39% das vezes). Na Figura 1 
segue ecocardiograma com alterações causadas pela FRA.
Figura 1 - Prolapso da válvula anterior da valva mitral com 
regurgitação mitral grave.
Fonte: Autores
Aspectos Hemodinâmicos da Cardite Reumática Aguda
A gravidade da FRA reflete o envolvimento cardíaco 
hemodinâmico e funcional, principalmente por regurgitação das 
válvulas mitral e aórtica, o que também tem impacto na lesão 
valvar crônica. Os fenômenos hemodinâmicos associados à lesão 
36Febre reumática aguda: atualização
valvar podem piorar a lesão valvar crônica. A insuficiência mitral 
reumática aguda geralmente causa dilatação ventricular esquerda, 
enquanto a insuficiência aórtica grave leva ao comprometimento 
das funções sistólicas e diastólicas devido à sobrecarga volumétrica 
do ventrículo esquerdo. Crianças com FRA, que apresentam 
envolvimento de regurgitação mitral ou aórtica grave, têm maiores 
chances de desenvolver lesão valvar significativa no momento do 
diagnóstico de FRA.
Em geral, a insuficiência cardíaca desenvolve-se em 15 a 
65% dos pacientes que apresentam cardite reumática aguda. Os 
sintomas de insuficiência cardíaca congestiva estão associados a 
risco aumentado de morbidade, cirurgia cardíaca e mortalidade. 
Um estudo retrospectivo entre 2015 e 2020 documentou casos 
de cardite reumática aguda causando insuficiência cardíaca, uma 
média de 16 meses após o início da doença aguda.
Achados Eletrocardiográficos
Em pacientes com FRA, anormalidades eletrocardiográficas 
são vistas em até 40% dos casos. Prolongamento do intervalo PR 
foi a anormalidade eletrocardiográfica mais comumente relatada. 
Outras anormalidades eletrocardiográficas incluem extrassístoles 
supraventriculares, bloqueios atrioventriculares de primeiro grau, 
taquicardia sinusal, fibrilação atrial e intervalos QT prolongados. 
É importante notar que alguns estudos também documentaram 
alterações transitórias como flutter atrial ou bloqueio atrioventricular 
completo em casos de cardite reumática.
ABORDAGEM TERAPÊUTICA INTEGRADA PARA 
FRA
O controle da FRA requer uma abordagem multifacetada, 
concentrando-se na redução da frequência de infecções, prevenindo 
a cardite por intervenções profiláticas ou gerenciando complicações, 
caso ocorram. Uma abordagem terapêutica integrada deve incluir 
uma combinação de estratégias preventivas, terapêuticas e de 
reabilitação, conforme delineado abaixo. 9
Terapias Primárias, Secundárias e Terciárias
Terapias Primárias: tem por objetivo erradicar a infecção 
amigdaliana pelo estreptococo e prevenir a cardite aguda. É essencial 
na fase inicial do diagnóstico. O tratamento com penicilina é eficaz 
e deve ser iniciado dentro de 10 dias após o início dos sintomas. 
Corticosteroides podem ser usados para aliviar a inflamação 
cardíaca aguda. A dose de prednisona preconizada é 2mg/kg/dia 
(máximo 60mg/dia) por 2 semanas, com redução de 20% a 25% 
da dose prévia, semanalmente, com tempo total de tratamento 
em torno de 12 semanas na cardite moderada/grave, e por 4 a 8 
semanas na cardite leve.
Terapias Secundárias: O objetivo é prevenir recorrências de 
infecção amigdaliana por estreptococoem pacientes com histórico 
de FRA. A profilaxia antibiótica contínua, geralmente com 
penicilina de ação prolongada ou eritromicina, é recomendada, 
especialmente em pacientes com histórico de cardite. A droga de 
escolha para profilaxia secundária é a Penicilina G Benzatina, a cada 
21 dias até os 21 anos ou até 5 anos após o último surto (o que 
durar mais) nos pacientes sem doença cardíaca; até 25 anos ou 10 
anos após o último surto (o que durar mais) nos pacientes com 
cardite prévia. Nos pacientes com lesão valvar residual moderada a 
grave a profilaxia será mantida até pelo menos 40 anos.
Terapias Terciárias: Enfocam no gerenciamento de complicações 
crônicas, como doença valvar. Isso pode incluir o uso de 
medicamentos para insuficiência cardíaca, como inibidores da 
enzima de conversão da angiotensina (IECA), ou intervenções 
cirúrgicas, como reparo ou substituição valvar.
O tratamento da febre reumática aguda tem um objetivo 
amplo que envolve o alívio dos sintomas associados às complicações 
agudas, a redução da inflamação sistêmica e a erradicação dos 
estreptococos beta-hemolíticos do grupo A (GAS). Recomenda-se 
que o manejo clínico seja realizado com pacientes hospitalizados, 
a fim de facilitar o diagnóstico e a realização de exames 
complementares. A erradicação do estreptococo do grupo A deve 
ser realizada no momento em que a febre reumática aguda for 
clinicamente confirmada por meio de terapia antibiótica, mesmo 
na presença de culturas orofaríngeas negativas, sendo a penicilina 
benzatina G indicada como primeira escolha. A escolha adequada 
do antimicrobiano atuaria para erradicar a colonização por GAS e 
também como a primeira dose de profilaxia secundária.
Enfatiza-se a importância da profilaxia secundária, pois ela 
previne a recidiva e reduz a gravidade das doenças cardíacas 
residuais. Existem evidências da eficácia da profilaxia secundária 
com penicilina benzatina na modificação da história natural da 
cardite reumática latente em crianças e adolescentes. Os resultados 
mostraram uma redução significativa no risco de progressão da 
doença valvular no grupo de pacientes que recebeu a profilaxia. O 
esquema de medicação recomendado para a profilaxia secundária 
é a aplicação intramuscular de penicilina G benzatina a cada 21 
dias. A fase aguda da febre reumática pode evoluir com outras 
complicações, como artrite e coreia. Para o tratamento da artrite, os 
anti-inflamatórios têm sido indicados como primeira escolha, com 
a duração do tratamento sendo individualizada de acordo com o 
grau de envolvimento. Pode-se considerar a associação do uso de 
inibidores da bomba de prótons para proteção gástrica. A coreia 
geralmente é autolimitada, e o tratamento é indicado apenas em 
casos graves, usando carbamazepina como primeira linha.
Estratégias Preventivas
Estratégias preventivas para a febre reumática aguda 
(FRA) são cruciais para reduzir sua incidência e o subsequente 
desenvolvimento da doença cardíaca reumática (DCR). 7 Essas 
estratégias podem ser amplamente categorizadas em abordagens de 
prevenção primária, secundária e terciária. A prevenção primária 
37Febre reumática aguda: atualização
visa prevenir a ocorrência inicial da FRA por meio do diagnóstico 
oportuno e tratamento antibiótico da faringite por GAS. Outras 
estratégias para a prevenção primária são a conscientização e 
educação em saúde pública e campanhas de promoção da saúde 
direcionadas tanto à população geral quanto aos profissionais 
de saúde para garantir o reconhecimento e manejo precoce das 
infecções por GAS. Melhorias na higiene e nas condições de vida 
podem ajudar a reduzir a transmissão de infecções por GAS. 9
A prevenção secundária foca na prevenção de episódios 
recorrentes de FRA em indivíduos com histórico da doença. Como 
os episódios recorrentes podem levar a danos cumulativos às válvulas 
cardíacas e aumentar o risco de DCR, a prevenção secundária é 
essencial. As estratégias incluem profilaxia antibiótica a longo 
prazo para prevenir infecções recorrentes por GAS e episódios 
subsequentes de FRA. A escolha mais comum é a penicilina 
G benzatina intramuscular, administrada a cada 3-4 semanas, 
dependendo das diretrizes locais. A penicilina oral, sulfadiazina 
ou eritromicina podem ser usados em casos de alergia à penicilina 
ou outras contraindicações. Para pacientes em Estágio A, onde os 
critérios ecocardiográficos mínimos para DCR são atendidos, mas 
o risco de progressão é baixo, a profilaxia antibiótica secundária é 
razoável, com reavaliação usando dados de ecocardiograma em 1-2 
anos.10,11
A prevenção terciária visa minimizar as complicações e a 
incapacidade associadas à FRA e à DCR. O rastreamento regular e 
a avaliação ecocardiográfica das populações em risco podem ajudar 
a identificar a DCR em estágio inicial, permitindo intervenção 
e manejo oportunos para prevenir a progressão da doença e 
complicações.
Um programa de controle abrangente, que inclui essas 
abordagens, pode reduzir significativamente a incidência e o 
impacto de FRA e cardite reumática em populações de alto risco.
CONCLUSÃO
A febre reumática aguda permanece uma preocupação global 
significativa devido à sua associação com a cardiopatia reumática 
crônica. Embora a incidência tenha diminuído em países de 
alta renda, a FRA ainda é prevalente em países de baixa e média 
renda e entre populações desfavorecidas. A apresentação clínica 
da FRA é variada, e a gravidade da doença depende de fatores 
como a presença de cardite e o envolvimento hemodinâmico. 
Uma abordagem terapêutica integrada, combinando as estratégias 
primárias, secundárias e terciárias, é essencial para prevenir e 
gerenciar a FRA e suas complicações. A implementação eficaz dessa 
abordagem pode levar à redução da prevalência global de FRA e 
cardiopatia reumática.
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