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LEIOMIOMA UTERINO 
Leiomioma uterino (também chamado de mioma) é um 
tipo de tumor benigno que surge no miométrio. Esses tipo de tumor 
é originado de células musculares lisas do útero e contém 
quantidade variável de tecido conjuntivo fibroso. Os miomas são 
costumeiramente descritos de acordo com sua localização. 
Eles surgem em mulheres em idade reprodutiva e cerca 
de 75% dos casos são assintomáticos. Quando sintomáticos, 
geralmente apresentam sintomas de sangramento uterino anormal e 
/ ou dor / pressão pélvica. Miomas uterinos também podem ter 
efeitos reprodutivos (por exemplo, infertilidade, resultados 
adversos na gravidez). 
 
Epidemiologia 
Leiomiomas uterinos são o tumor pélvico mais comum 
em mulheres. A maioria das mulheres sintomáticas apresenta 
leiomioma na 4° e 5° décadas de vida. A incidência é difícil de 
determinar uma vez que existem poucos estudos longitudinais, mas 
varia grandemente – de 5% a 80% –, de acordo com o método 
diagnóstico utilizado. 
Uma prevalência de 6% a 34% de miomas submucosos foi 
observada em mulheres que se submeteram a histeroscopia como 
parte da investigação de hemorragia anormal e de 2%-7% nas 
mulheres sob investigação de infertilidade. 
A prevalência de leiomiomas aumenta com a idade 
durante os anos reprodutivos. Leiomiomas não foram descritos em 
meninas pré-púberes, mas ocasionalmente são observados em 
adolescentes. A maioria dos pacientes, mas não todos, apresenta 
redução dos leiomiomas após a menopausa. 
As taxas de incidência de miomas são tipicamente duas a 
três vezes maiores em mulheres negras do que em mulheres 
brancas. A epidemiologia dos leiomiomas é paralela à ontogenia e 
às mudanças do ciclo de vida dos hormônios reprodutivos 
estrogênio e progesterona. 
A paridade (ter uma ou mais gestações estendendo-se 
além de 20 semanas de gestação) diminui a chance de formação de 
mioma. A exposição pré-natal ao dietilestilbestrol está associada a 
um risco aumentado de miomas, apoiando o papel da exposição 
hormonal precoce na patogênese. 
 
Patogênese 
Miomas uterinos (leiomiomas) são neoplasias 
monoclonais não cancerosas que surgem das células musculares 
lisas do miométrio. Os leiomiomas podem ser vistos como um 
processo fibrótico com anormalidades da matriz extracelular em 
vários níveis. 
Dois componentes distintos contribuem para o 
desenvolvimento do leiomioma: transformação de miócitos 
normais em miócitos anormais e crescimento de miócitos anormais 
em tumores clinicamente aparentes. Provavelmente, vários fatores 
desempenham um papel nessa transformação e na aceleração do 
crescimento dos leiomiomas. 
Os miomas são costumeiramente descritos de acordo com sua 
localização: 
 Intramurais: desenvolvem-se dentro da parede uterina e 
podem ser grandes o suficiente a ponto de distorcer a cavidade 
uterina e a superfície serosa; 
 submucosos: derivam de células miometriais localizadas 
imediatamente abaixo do endométrio e frequentemente 
crescem para a cavidade uterina; 
 subserosos: originam-se na superfície serosa do útero e podem 
ter uma base ampla ou pedunculada e ser intraligamentares; e 
 cervicais: localizados na cérvice uterina. 
 
Quadro clínico de leiomioma 
A maioria dos miomas não produz qualquer sintoma 
(cerca de 75%). Quando possuem sintomas, estes se relacionam 
com o número, tamanho e localização dos miomas. 
Os sintomas atribuíveis aos miomas uterinos geralmente 
podem ser classificados em três categorias distintas: sangramento 
uterino anormal (AUB), dor pélvica e disfunção reprodutiva. 
Complicações menos comuns incluem prolapso do tumor para a 
vagina resultando em ulceração ou infecção e policitemia 
secundária a produção autônoma de eritropoetina. 
 
Diagnóstico de leiomioma 
O diagnóstico de miomas uterinos é usualmente baseado 
no achado de um útero aumentado, móvel e com contornos 
irregulares ao exame bimanual ou um achado ultrassonográfico, 
por vezes casual. Exames de imagem são necessários para 
confirmação diagnóstica e defi ir localização do tumor. 
A ultrassonografia transvaginal é a modalidade de 
imagem mais amplamente utilizada para avaliação de miomas 
devido à sua disponibilidade e custo-benefício. 
A ultrassonografia com infusão de solução salina 
(sonohisterografia) melhora a caracterização da extensão da 
protrusão na cavidade endometrial por miomas submucosos e 
permite a identificação de algumas lesões intracavitárias não vistas 
na ultrassonografia de rotina. 
 
Tratamento de leiomioma 
Mulheres com miomatose assintomática não necessitam 
tratamento, apenas acompanhamento e exame ginecológico de 
rotina, exceto aquelas com miomas muito volumosos ou que 
provoquem compressão ureteral. 
O tratamento das pacientes com miomas sintomáticos deve ser 
individualizado, levando-se em consideração a idade da paciente 
(proximidade da menopausa), o desejo de gestação, os sintomas 
provocados, o tamanho e a localização dos miomas. 
O objetivo do tratamento clínico é o alívio dos sintomas. 
Os análogos do GnRH são medicações efetivas no tratamento 
clínico, levando à redução de 35-60% do volume dos miomas em 
três meses. Caso não seja realizada a cirurgia, a interrupção do 
tratamento com análogos leva ao reaparecimento da doença. 
Estrógenos, progestágenos e antiprogestágenos são 
eficazes para correção do sangramento uterino disfuncional. No 
entanto, não são utilizados para diminuir o volume dos miomas. 
O tratamento definitivo da miomatose sintomática é 
cirúrgico. A histerectomia está indicado nos casos de pacientes 
com presença de sintomas associado a sangramento uterino 
anormal, com falha no tratamento clínico e com prole constituída 
ou sem desejo de gestação. 
A indicação de miomectomia dependerá do desejo da 
paciente de manter a fertilidade e o útero. É importante ressaltar 
que a recorrência de miomas é estimada entre 15-30%, sendo que 
10% das mulheres necessitam de uma nova intervenção. 
A miomectomia pode ser laparotômica, por via vaginal, 
laparoscópica ou histeroscópica, dependendo da localização, do 
tamanho e do número de miomas a serem retirados.