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manu pedroni o O mioma uterino é um tumor benigno hormônio-dependente (tanto o estrogênio quanto a progesterona podem estimular sua proliferação) formado por fibras musculares lisas entrelaçadas por tecido conectivo, isto é, consiste em uma degeneração da musculatura o São estruturas arredondadas, fibroelásticas e esbranquiçadas, possuindo uma pseudocápsula que funciona como um plano de clivagem e se diferencia do sarcoma pois apresenta raras mitoses o Comumente sofre degeneração hialina, ou degeneração rubra na gestação o Acomete mulheres entre 35 e 50 anos, com predomínio na raça negra o Foi comprovada a pré-disposição genética entre mãe e irmãs, além da correlação com obesidade (pois células de gordura acumulam mais estrogênio) o São fatores de proteção (fatores que diminuem a exposição ao estrógeno): • Paridade, porque durante a gestação a mulher não menstrua, logo, multíparas tem menor exposição ao estrogênio • Uso de ACO ou progestágenos, pois reduz a menstruação • Tabagismo, pelo fator inflamatório que diminui a produção de estrogênio • Prática de atividade física e perda de peso Classificação • Corporais ➢ Mioma subseroso: localizado para fora do útero ➢ Mioma intramural: localizado na musculatura uterina, no miométrio ➢ Sangra quando tem componente submucoso associado, por exemplo ➢ Mioma submucoso: localizado por dentro do endométrio, sendo a subclassificação que mais sangra ➢ Tem alta relação com infertilidade • Cervicais ➢ Mioma parido: é o mioma submucoso que se exterioriza pelo orifício cervical externo • Parasita ➢ É o mioma que se desprende do útero e vai para a cavidade abdominal se nutrir do ambiente abdominal Miomatose Uterina manu pedroni QUADRO CLÍNICO o 50% dos casos são assintomáticos o Quando sintomáticos, podem se manifestar com: • Menorragia (= aumento do fluxo menstrual) >> sintoma mais frequente ➢ = sangramento uterino anormal (SUA) • Dismenorreia secundária e dor pélvica • Dispareunia • Sintomas urinários, como disúria • Sintomas gastrointestinais, como disquezia • Infertilidade e abortamento, sobretudo se submucoso, pois o saco gestacional não se adere adequadamente ➔ Os sintomas tendem a variar conforme a localização do mioma: Mioma subseroso Dor pélvica e sintomas compressivos (ao comprimir estruturas adjacentes ao útero), não alterando o sangramento Mioma intramural Hipermenorragia, aumentando apenas o fluxo menstrual Mioma submucoso Metrorragia, tendendo a sangrar o mês todo Obs.: o mioma em si não provoca dor pois não é inervado → provoca dor quando cresce e comprime alguma estrutura abdominal DIAGNÓSTICO o Pode ser dado através de: • Exame físico, através de uma massa volumosa palpável ao toque bimanual • USTV → geralmente é o 1° exame a ser solicitado e fornece uma imagem sugestiva de um nódulo hipoecogênico e bem delimitado com vascularização periférica ao doppler • RNM ➢ Solicitado diante de investigações mais complexas, como por exemplo paciente com cólica intensa que não melhora com analgesia, associada a sangramento intenso, e não foi visualizado nada ao USTV • Histeroscopia ➢ Faz o diagnóstico diferencial entre mioma submucoso, adenomiose e pólipo uterino TRATAMENTO Tratamento Clínico o É preciso considerar a idade da paciente, sua expectativa em relação ao seu futuro reprodutivo e seu desejo de preservar seu útero o Se assintomático, a conduta pode ser expectante o A maioria dos tratamentos instituídos são clínicos, baseados em terapia medicamentosa • Hormonal: ➢ Os métodos hormonais produzem atrofia endometrial ➢ São opções: ➢ Progestágenos (primeira escolha, por ser uma patologia estrogênio-dependente) ➢ Desogestrel (Cerazette, Nactali, ...) ➢ Drospirenona pura (Slinda) ➢ DIU de levonorgestrel (Mirena) ➢ A única contraindicação à colocação do DIU de Mirena é a presença de mioma submucoso porque esse mioma pode deslocar e até mesmo expulsar o DIU ➢ Anticoncepcional oral combinado: atenção às contraindicações, como obesidade e tabagismo ➢ Análogos GnRH ➢ São mais utilizados em pré-operatório pois diminuem o sangramento no ato cirúrgico ➢ Só podem ser utilizados por até 6 meses pois simulam uma menopausa medicamentosa • Não hormonal: ➢ Não é, de fato, um tratamento, é apenas uma opção “paliativa” para tirar a paciente da crise ➢ São opções: ➢ AINES, como ácido mefenâmico e naproxeno ➢ Ácido tranexâmico (= Transamin) manu pedroni Obs.: conduta diante de sangramento vaginal ativo no PS ➢ Solicitar b-hCG para descartar abortamento → abortamento descartado, administrar 2 ampolas de Transamin diluídas em 300 ml de SF, associado a 2 cp de Transamin 8/8h por 7 dias Tratamento Cirúrgico o Geralmente é optado se recorrência do mioma, falha do tratamento clínico ou suspeita de malignidade o O tratamento cirúrgico conservador é feito pela miomectomia • Se mioma submucoso... miomectomia histeroscópica • Se mioma parido ou cervical... miomectomia vaginal • Se mioma intramural ou subseroso (até 6 nódulos ou mioma único ≤ 10 cm)... miomectomia laparoscópica • Se mioma intramural ou subseroso (múltiplos nódulos ou mioma único > 10 cm)... miomectomia laparotômica o O tratamento cirúrgico definitivo é feito pela histerectomia • Indicações do tratamento definitivo já ao diagnóstico: ➢ Prole constituída (paciente já com ligadura tubária, por exemplo) ➢ Falha do tratamento clínico ➢ Escolha da paciente ➢ Suspeita de malignidade • Pode ser: ➢ Via vaginal (mais utilizada) ➢ Via abdominal ➢ Via laparoscópica Obs.: na menopausa, os miomas regridem ao hipoestrogenismo → em mulheres próximas a menopausa e com indicação direta de tratamento definitivo pode ser interessante “segurar” com o tratamento clínico até ela entrar na menopausa, para evitar a abordagem cirúrgica Obs.: em tese, a embolização das artérias uterinas diminui o sangramento pois diminui a nutrição do mioma, logo, “paralisaria” seu crescimento e leva à isquemia e morte do mioma, no entanto, foi visto que o suprimento sanguíneo é retomado um tempo após a embolização, logo, não é mais um método de tratamento tão eficaz